13.3.06

Se o mundo fosse uma pequena cidade de 100 habitantes...



Se o mundo fosse uma pequena cidade de 100 habitantes…

Haveria:

57 asiáticos
21 americanos
14 europeus
8 africanos

52 seriam mulheres
48 homens

30 seriam de cor branca, e
70 não teriam cor branca

30 seriam cristãos, e
70 não-cristãos

89 seriam heterossexuais, e
11 homossexuais

6 pessoas possuíam 59% da riqueza de todo a cidade,
e essas mesmas seis pessoas seriam norte-americanos

80 pessoas viveriam em condições infra-humanas, e
70 não seriam capazes de ler

50 sofriam de má-nutrição,
1 pessoa estaria a ponto de morrer,
1 bebé estaria a ponto de nascer

Só 1 pessoa teria educação universitária

Só 1 pessoa teria computador

Luta e Festa na Sorbonne ( Março de 2006)


12.3.06

Apelo intergaláctico : por uma multiplicidade de acções sincronizadas!





A todos os anónimos, a todos os que lutam, aos sem-abrigo, aos sem-domicílio fixo, aos imigrantes ilegais, aos sem-terra, aos sem-direitos, aos sem-dinheiro, aos desempregados e desempregadas, aos minoritári@s, aos revoltad@s, aos resistentes, aos activistas, aos anticlericais, aos altermundialistas, aos zapatistas, aos ecologistas, aos defensores do descrescimento, aos anticapitalistas, aos antiprodutivistas, aos internacionalistas, aos contestatári@s da publicidade, aos opostior@s dos 4x4, aos adversári@s dos automóveis, aos democratas, aos republican@s, aos revolucionári@s, aos reformistas, aos laic@s, aos ateus, aos progressistas, aos estudantes, aos anticonsumistas, aos militantes sociais, aos cyberrebeldes, aos hacktivistas, aos revoltad@s, aos livre-pensador@s, aos clowns, aos intergaláctic@s, aos libertário@s, aos pensador@s, aos investigador@s, aos partidári@s de um estilo de vida mais lento, aos filósof@s, aos artistas, aos pedagog@s, aos hackers, aos operári@s, aos homens e mulheres de boa vontade, aos pintor@s, aos poetas, aos radicais, aos militantes, aos pacifistas, aos marcianos oprimidos, aos Zés-ninguém, aos tudo-ou-nada, aos tudo-por-tudo, enfim, a todos os homens e mulheres livres…

Apelamos a todos vocês para um encontro a fim de discutir, trocar impressões, ouvirmo-nos e organizarmo-nos.
Fazê-lo em torno de uma acção comum parece que será irrealista, dado que não estaríamos todos de acordo, o que, de resto, só é bom.
Em contrapartida, todos nós temos algo para dizer, para fazer, mostrar e denunciar, enfim, a mudar nas respectivas e múltiplas áreas de luta.
Levar a cabo uma multiplicidade de acções, cada qual na sua respectiva área de actuação, mas que fossem todas ao mesmo tempo, no mesmo dia, poderia bem ser uma maneira de dar visibilidade e demonstrar que todos nós estamos aí, na barricada contra a injustiça e a guerra, prontos a agir de forma coordenada e simultânea, em todas as frentes.


A resistência existe


E que a rede das redes a favor da Humanidade e contra o neoliberalismo de que fala a 2ª Declaração da Floresta Lacandone, e que foi o resultado da 1ª Reunião Intergaláctica possa finalmente vir à luz do dia.


Que cada grupo, organização, associação faça uma acção, simbólica ou não, na sua área de actuação, em simultâneo. Se assim acontecesse tal seria como se todo o mundo a realizasse.


Que cada um active o seu combate, mas todos ao mesmo tempo.


Difícil? Pensamos que não.
E vocês, o que pensais?


Estais dispostos a participar nesta vaga de acções múltiplas e sincronizadas?
Todas as ideias, sugestões, críticas são bem vindas, antes de lançarmos esta mensagem dentro de uma garrafa com destino ao planeta Terra.

Encontro/reunião contra a ocupação do Iraque no dia de acção global contra a guerra


Encontro (meeting) e reunião em Lisboa contra a guerra e a ocupação do Iraque no dia de Acção Global contra a guerra, promovido e organizado pelas associações envolvidas no processo do Fórum Social Português: Gaia, ATTA, CIDAC, Mó de Vida, Cores do Globo, 1001 danças, Abril, Ateneu Comercial, etc.

Encontro às 18.30 do dia 18 de Março no edifício do Ateneu Comercial, à Rua das Portas de Santo Antão, nº 110, em Lisboa

10.3.06

Pelo menos 10 razões para boicotarmos os Estados Unidos da América



A rede internacional do Boicote a Bush exige que os Estados Unidos mudem a sua actual politica nos seguintes assuntos:

1) Iraque
Retirar todas as forças de ocupação externa militar do Iraque e respeitar a soberania do povo Iraquiano, tal como o seu direito à compensação pelos danos causados pelas sanções económicas e pelas duas Guerras do Golfo.

2) Palestina
Parar de apoiar Israel nas suas violações dos direitos humanos do povo Palestiniano, incluindo o seu direito incondicional de liberdade e de independência

3) Politicas externas agressivas (Haiti, Repúbl. Dominicana, etc,etc)
Parar com os actos de agressão contra outros estados soberanos a qualquer nação ou povo

4 )Tribunal Criminal Internacional
Aceitar a competência do Tribunal Criminal Internacional para processar criminosos de guerra.

5) Parar de aumentar as despesas militares dos Estados Unidos
Ironicamente , os Estados Unidos usam as armas de destruição em massa como uma desculpa para fazerem guerra e ao mesmo tempo continuam a desenvolver e manter os seus próprios stocks gigantes das mesmas. Maior hipocrisia não se poderia imaginar!
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6) Guerra das Estrelas
Abandonar o projecto “Guerra das Estrelas” (Defesa com Mísseis Balísticos) e reinstaurar o Tratado de Misseis Anti-Balísticos

7) Armas Nucleares
Ratificar o Tratado de Banimento de Testes a fim de banir os testes de armas nucleares, respeitar o Tratado da não-proliferação para parar a corrida ao armamento, e iniciar conversações para criar um Tratado visando o completo desarmamento nuclear.

8) Armas biologicas e químicas e minas terrestres
Ratificar o Protocolo da Convenção de Armas Biológicas, reforçar a Convenção de Armas Químicas e ratificar o Tratado das minas terrestres

9) Aquecimento global
Ratificar o Protocolo de Quioto para acabar com o aquecimento global

10) Alimentos geneticamente modificados( OGMs e transgénicos)
Acabar com o uso forçado de Alimentos e da Agricultura geneticamente modificada no seu território.

http://www.boycottbush.org/demands_pt.php

Manif a 18 de Março em Lisboa no 3º ano da guerra e ocupação do Iraque

Iraque - três anos de ocupação, três anos de resistência

Completam-se a 20 de Março três anos sobre a invasão do Iraque. Completam-se também três anos de resistência do povo iraquiano à ocupação - um direito que a Carta das Nações Unidas e a Constituição Portuguesa consagram.

A onda de protesto que se levantou nas vésperas do ataque militar não foi suficiente para impedir a agressão, mas revelou o repúdio de milhões de pessoas de todo o mundo pela ilegalidade e pela barbárie que se adivinhava. Dezenas de milhares de portugueses opuseram-se também na mesma altura ao envolvimento de Portugal na agressão, rejeitando o alinhamento com os EUA.
O Iraque continua ocupado, persiste a destruição e o saque dos seus recursos, as violações cometidas pelos agressores seguem impunes, o direito internacional continua por aplicar. As "eleições" realizadas em clima de guerra e organizadas pelos ocupantes não passaram de uma fraude.

A política de guerra dos EUA prossegue. Depois da Palestina, do Afeganistão e do Iraque - o Líbano, a Síria e o Irão estão debaixo de mira. Em nome dos interesses imperialistas, as liberdades estão a ser amputadas mesmo nos países que se consideram baluartes da democracia e do direito.
Quem está contra esta guerra não pode assistir inerte à continuação da ilegalidade e da barbárie. Há que reunir as forças que se juntaram para tentar impedir a invasão - agora com o conhecimento da dimensão das violências cometidas contra o povo iraquiano.

No próximo 18 de Março juntemos forças

para exigir a retirada de todos os ocupantes do Iraque, como primeiro passo para a normalização da vida do país.

para reconhecer ao povo iraquiano o direito a resistir e a escolher livremente o seu futuro.

para exprimir solidariedade com os povos do Médio Oriente, designadamente o palestiniano e o iraquiano.

para exigir do governo português que condene o militarismo, a guerra e a ocupação do Iraque.

para exigir o fim de qualquer envolvimento directo ou indirecto de Portugal na ocupação e o fim do uso da Base das Lajes pelos EUA.

Concentração Largo Camões, Lisboa 18 Março 2006, 15 horas

http://www.stopwar.org.uk/

http://www.boycottbush.org/agenda-060319_pt.php

http://www.iraqsolidaridad.org/index.html

http://irishantiwar.org/index.adp

http://www.answercoalition.org/

http://coalitionsquebec.org/

http://www.poetsagainstthewar.org/

http://www.schools-against-war.tk/

http://www.michaelmoore.com/



19 de Março: Vamos todos a Ferrel dizer «Nuclear? Não, obrigado!»



Ver:
www.ferrel30anos.pt

No próximo dia 19 de Março serão comemorados os 30 anos da luta contra a opção da energia nuclear em Portugal com uma concentração em Ferrel (Peniche). Pretende-se reunir um número muito alargado de pessoas e entidades, pelo que foi construída uma página na Internet com toda a informação sobre este evento (www.ferrel30anos.pt).


Em 1976, em Ferrel, no concelho de Peniche, realizou-se uma manifestação da população local contra a opção pela energia nuclear em Portugal, que representou um dos primeiros momentos desta luta em Portugal
Com esta concentração pretende-se homenagear o povo de Ferrel, mas também todos aqueles que aí se manifestaram há 30 anos, demonstrando que a energia nuclear não é a solução, sendo fundamental apostar na eficiência energética e nas energias renováveis, se queremos que Portugal se desenvolva de forma sustentável.


Em redor desta acção de comemoração, esboça-se igualmente uma Plataforma Não à Opção Nuclear em Portugal, a constituir por cidadãos, associações e instituições que a ela queiram aderir, e que pretende manter, no debate energético nacional, não só uma firme rejeição do nuclear, como provar que a aposta no nuclear representaria um obstáculo e um desvio às verdadeiras apostas necessárias e urgentes nas energias renováveis de baixo impacto ambiental e na eficiência energética, que reforcem a autonomia e não a dependência do país.


Plataforma pelo Não ao Nuclear (em formação)Lisboa, 7 de Março de 2006





Semana da Galiza em Braga (18 a 26 de Março)


Fonte:

A Galiza, à medida que se quebraram as fronteiras físicas e monetárias entre os dois lados do rio Minho, tem vindo a criar um fascínio crescente entre as gentes de Portugal, especialmente nos territórios da antiga Gallaecia. Foi este fascínio crescente que levou um grupo de bracarenses a organizar a Semana da Galiza.

Organizada pela ATTAC-Braga, associação cívica para a cidadania e para o desenvolvimento associativo, a Semana da Galiza, tem, segundo seus os organizadores, como principais objectivos, fomentar o desenvolvimento dos laços entre o norte de Portugal e a Galiza, divulgar a cultura galega nas terras minhotas, aproximar o movimento associativo, assim como, aumentar o conhecimento mútuo. A realizar em vários locais da cidade de Braga, entre Sábado, 18 de Março e Domingo, 26 de Março, este evento histórico vai ter iniciativas tão variadas como conferências – entre outras, por exemplo, uma sobre o associativismo na defesa da língua - palestras, debates, exposições, música, exibição de curtas metragens, cursos de gastronomia, etc., tentando mostrar em Portugal, um pouco do que é a Galiza de hoje, quebrando assim o véu secular de desinformação/desconhecimento que existe deste lado do rio Minho. A parte social também terá uma forte vertente, sendo o convívio fraterno entre os participantes, galegos e portugueses, uma realidade que se espera e anseia. Para tal estão previstas festas convívio, onde a nossa língua comum poderá vibrar nos sotaques das suas vertentes de aquém e além-Minho.

A sociedade civil galega será representada nesta semana, através de músicos, escritores, professores, linguistas, etc. e de várias associações culturais galegas, como A Mesa pola normalización, a AGAL, a AAG-P, o MDL, a Burla Negra, Arredemo e Fala Ceibe.

A Semana da Galiza conta com a parceria do Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, da Cooperativa de Ensino A Bogalha, da biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e da Câmara Municipal de Braga, que disponibilizaram espaços e meios técnicos, para a realização dos eventos. Apesar desta semana, tal como explicado acima, ser uma iniciativa de divulgação para portugueses, a organização espera uma forte adesão e presença de galegos e galegas, que serão naturalmente recebidos como irmãos e irmãs. O PGL, estando certo do interesse e enorme valor desta iniciativa, irá continuar a divulgar e a apoiar este evento das mais variadas formas (entrevistas com os organizadores, etc.), e dentro em breve divulgará informações úteis sobre onde ficar (sempre a custos económicos) e como fazer marcações de dormidas.
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Organização:
ATTAC Braga
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Colaborações:

9.3.06

Música anti-militarista: o Requiem de Guerra (War Requiem) de Benjamin Britten



O «Requiem de Guerra» (War Requiem), de Benjamin Britten, é uma peça maior da música erudita, e por muitos considerada a maior obra coral do séc. XX


Em plena Guerra Fria entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos ( acolitado entre outros países pelo Reino Unido) e o bloco soviético da URSS, o compositor britânico Benjamin Britten (n. Lowestoft;1913; m. Aldeburgh, 1976) elevou a sua música contra a guerra, o militarismo e a corrida armamentista, num acto que, no seu país, foi encarado como um autêntico crime de lesa-majestade, contrário aos interesses do Estado inglês.
A peça pretende ser também um aviso para as futuras gerações acerca da insensatez do militarismo, do serviço militar, e da guerra.
A estreia mundial do seu Requiem de Guerra, opus 66 (War Requiem) deu-se em Maio de 1962 na cerimónia de reabertura da nova catedral de Coventry, após um longo período de reconstrução por ter sido parcialmente destruída pelos bombardeamentos alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, e deixou positivamente estupefacto o auditório, tal foi o entusiasmo que se apossou de todos os presentes.
Aquela que é considerada, muito provavelmente, como a mais importante obra coral do século XX, constitui também um autêntico credo anti-guerra e um hino pacifista., uma música para a paz, a convivência e a diversidade cultural, quer nos tempos em que foi composta ( durante a guerra fria ), quer nos tempos que correm, em que os tambores de guerra não param de rufar, sob a direcção de figuras sinistras como as que estão à frente da Administração Bush & Blair.

Britten foi ao longo de toda a sua vida um dedicado militante da paz, defensor dos direitos humanos, tendo-se recusado em envolver-se em quaisquer actos belicistas praticados pelo Estado inglês e pela Grã-Bretanha, seu país natal, invocando sempre a objecção de consciência, nomeadamente contra o serviço militar. Preocupava-se com a perseguição aos marginais, a crueldade, a violência, e a inocência perdida, de que são bons exemplos as suas óperas Billy Budd, The Turn of the Screw, e Owen Wingrave, para além do War Requiem). Mostrou ainda, desde sempre, interesse pela actividade musical dos amadores e das crianças.
É considerado igualmente o mais importante compositor britânico do século XX, sendo as suas óperas e ciclos de canções objecto de admiração e reconhecimento internacionais. Nunca rompeu com os princípios da tonalidade, mas ninguém lhe nega o estatuto de um verdadeiro compositor moderno. Os seus brilhantes dotes como pianista e maestro, a que não é estranha a natureza virtuosística da sua criatividade, levou-o a compor músicas para grandes intérpretes como o violoncelista Rostropovich, os cantores Vishnevskaia, Fisher-Dieskau e Janet Baker. Mas a a maior influência musical foi a que resultou da sua profunda relação com o tenor Peter Pears, para o qual compôs muitos papéis operáticos e vocais.
Aos 14 anos teria já composto dez
sonatas em piano e seis quartetos de cordas, não excluindo um oratório e um poema orquestral intitulado Chaos and Cosmos (o Caos e o Cosmos).
As suas primeiras obras foram Sinfonietta, A boy was Born, e o seu ciclo de canções com orquestra Our Hunting Fathers.
Seguiu em 1939 com o seu amigo, o poeta W.H. Auden ( que tinha participado na Guerra civil espanhola como voluntário ao lado dos anti-fascistas), para os Estados Unidos, onde viveu até 1942, período durante o qual Britten compõe Paul Bunyan, a sua primeira
ópera, com texto de Auden, bem como várias músicas para Pears. Este período foi particularmente notável para o seu trabalho com orquestra, incluindo The Illuminations («As Iluminações»), destinadas a Sophie Wyss, em Londres, sobre originais franceses de Arthur Rimbaud, e os Seven Sonnets of Michelangelo («Sete Sonetos de Miguel Ângelo»), Variations on a Theme of Frank Bridge (para orquestra de cordas) e Sinfonia da Requiem (para orquestra completa),
No seu regresso à Inglaterra, Britten foi viver para um velho moinho de Snape, e fixou-se depois em Aldeburgh, Suffolk. A sua ópera Peter Grimes foi encenada a 7 de Junho de 1945, um dia importante para a música inglesa, comparável à estreia das Enigma Variations de Elgar em Junho de 1899.
O seu interesse pela ópera de câmara levou-o a fundar o EOG ( English Music Theatre) em 1947, e o seu desejo por um festival ligado a uma vila inglesa e ao trabalho de amadores esteve na origem na criação do Festival de Aldeburgh, a partir de 1948. A sua actividade prolífera de obras de todos os tipos não o impedia de tomar parte activa na sua interpretação como maestro ou pianista.. Depois de uma grave operação ao coração em 1973 as suas actividades reduziram-se muito.
No cinema, Britten compôs algumas bandas sonoras, mas merece um especial destaque para o War Requiem, filme dirigido em 1989 por Derek Jarman, que tem justamente como tema central a própria obra de Britten e constitui uma autêntica acusação contra o crime por excelência que é a guerra.

Na War Reqiem, Benjamin Britten utilizou poemas do capitão Wilfred Owen, morto aos 25 anos no final da I Guerra Mundial, intercalados, num estremecedor contraponto poético,com o texto latino da Missa dos Defuntos. Toda essa combinação de textos e línguas (inglês e latim), a tensão musical e o sentido cénico, revelam bem a imensa imaginação de um dos grandes compositores da história.
O Requiem de Guerra desdobra-se em 3 planos. No primeiro, dois soldados, um inglês e um alemão – pelas vozes do tenor Peter Pears, companheiro e principal destinatário da obra lírica britteniana, e do barítono Dietrich Fischer-Dieskau, na primeira apresentação da obra – acompanhados por um conjunto de câmara, recitam poemas de Owen. No segundo plano situam-se os cantantes da missa oficial, com a sopano solista, a massa coral e a grande orquestra sinfónica que representam a expressão ritual, a súplica e o rogo de toda a humanidade.Finalmente, num terceiro plano, ao fundo do cenário, estão as crianças, com acompanhamento de órgão, como um coro situado num limbo que simboliza a pureza.
Brittem explora com mestria o espaço acústico e as possibilidades sonoras, continuando em muitos aspectos o espírito de Gustav Mahler e a sua mastodôntica Sinfonia nº 8. renova e vivifica a tradição coral inglesa graças a notável domínio da escrita vocal..Na estreia de War Requiem entregou a direcção orquestral a Meredith Davies, ainda que não tivesse possível reunir para a ocasião os intérpretes sonhados por Britten, a saber, Vishnevskaya, Pears e Fischer - coisa que só aconteceu alguns meses depois, em Janeiro de 1963, no Kingsway Hall de Londres, sob a direcção directa do próprio Britten, acompanhado com uma massa coral impressionante, integrada pelo coro da orquestra, pelo Bach Choir, pelos Melos Ensemble e pelo organista Simon Preston, e que foi registada e editada pela Decca

Manifesto contra a conscrição, o alistamento forçado e o sistema militar


( assim como contra a privatização dos exércitos e contra todos os mercenários)


Em nome da Humanidade,

e para bem de todos os civis ameaçados pelos sistemáticos e contínuos crimes de guerra,
em particular todas as mulheres e crianças,

e em defesa da Mãe Natureza, lesada e maltratada em todas as guerras,

Nós os signatários deste manifesto,

Afirmamos publicamente ser a favor da abolição do alistamento militar, como condição necessária e imprescindível, até mesmo como um passo decisivo para um total e completo desarmamento.

Recordamos, por isso, a mensagem dos humanistas do século XX:

«Estamos convencidos que o Exército, que se baseia sobre o alistamento forçado, assim como de um grande número de oficiais profissionais, representa uma pesada ameaça para a paz. O serviço militar obrigatório comporta a degradação da pessoa humana e a suspensão da liberdade. A arregimentação, a militarização e a obediência cega às ordens, quantas vezes injustas e insensatas, tal como a instrução para o assassínio mais não faz que enterrar o respeito que é devido à pessoa e ao individuo, à democracia e à condição humana.
Trata-se de uma verdadeira humilhação da dignidade humana levar homens a roubar vidas humanas, a forçá-los a matar contra sua vontade, contra as suas convicções e contra todo o sentido de justiça. Um Estado que se julga no direito de enviar os seus cidadãos para a guerra, ainda que em tempo de paz, não pode reconhecer o valor devido à vida e à alegria de viver. Além disso, o serviço militar obrigatório inculca a toda a população masculina um espírito militar agressivo, e logo numa fase da vida que é a mais sugestionável de todas. É justamente a preparação para a guerra que faz da guerra como algo de inevitável e até mesmo como um objectivo desejável! (consultar a nota 1)


«O serviço militar obrigatório submete cada indivíduo ao militarismo. Trata-se de uma forma de escravatura que as populações habitualmente toleram, mas que é mais uma prova da nefasta influência do sistema militarista. A instrução militar consiste na formação do corpo e do espírito para a arte de matar. A instrução militar mais não é que a educação para a guerra.. No fundo, ele é eternização do espírito belicoso que entrava o desenvolvimento do desejo e da vontade de paz.» (consultar a nota 2)

Queremos encorajar todos e todas a libertarem-se do sistema militar utilizando os métodos de resistência não-violenta na linha da tradição de Mahatma Gandhi e Martin Luther King: objecção de consciência ao serviço militar ( quer para os mobilizados quer para os soldados voluntários e profissionais), a desobediência civil, a recusa de pagar imposto para as guerras, a não-cooperação para a pesquisa científica para fins militares, assim como para a produção de armamento e a venda de armas.

Na actual era das guerras por comando electrónico e de tremendas manipulações mediáticas é nosso dever agir segundo a nossa consciência. É chegado assim o momento de pedir a desmilitarização das nossas sociedades, das nossas atitudes e dos nossos pensamentos, e de nos pronunciarmos contra a guerra e os seus preparativos.

(1) Manifesto contra o serviço militar, assinado em 1926, entre outros por:
Henri Barbusse,
Annie Besant,
Martin Buber,
Edward Carpenter,
Miguel de Unamuno,
Georges Duhamel,
Albert Einstein,
August Forel,
M.K. Gandhi,
Kurt Hiller,
Toyohiko Kagawa,
George Lansbury,
Paul Loebe,
Arthur Ponsonby,
Emanuel Rádl,
Leonhard Ragaz,
Romain Rolland,
Bertrand Russell,
Rabindranath Tagore,
Fritz von Unruh,
H.G. Wells

(2) Manifesto contra a conscrição militar e a instrução militar da juventude, que foi assinado em 1930 entre outros por:
Jane Addams,
Paul Birukov und Valentin Bulgakov (collaborateurs de Léon Tolstoï),
John Dewey,
Albert Einstein,
August Forel,
Sigmund Freud,
Arvid Jaernefelt,
Toyohiko Kagawa,
Selma Lagerloef,
Judah Leon Magnes,
Thomas Mann,
Ludwig Quidde,
Emanuel Rádl,
Leonhard Ragaz,
Henriette Roland Holst,
Romain Rolland,
Bertrand Russell,
Upton Sinclair,
Rabindranath Tagore,
H.G. Wells,
Stefan Zweig

Para assinar o manifesto :
http://www.themanifesto.info/manifesto.htm

Pode-se ainda ler em francês o Manifesto contra a conscrição (alistamento) e o sistema militarista, que foi lançado em1926, neste site:
http://home.snafu.de/mkgandhi/french.htm

A cantora folk Anne Feeney contra a guerra e o alistamento militar



A cantora folk Anne Feeney contra a guerra e o alistamento militar

Anne Fenney, cantora, autora e compositora, é uma conhecida intérprete de música folk, considerada hoje nos Estados Unidos como a melhora cantora de folk, na linha dos famosos e memoráveis cantores como Joe Hill, Woody Guthrie, Pete Seeger.

Militante empenhada pelos direitos dos trabalhadores, da paz e da justiça, e originária de Pittsburgh (Pensilvânia), Anne Fenney acabou de assinar no passado 26 de Fevereiro o «Manifesto contra o alistamento e o sistema militar».
Na nobre tradição de Malvina Reynolds e Peggy Seeger, os seus espectáculos musicais e as sessões públicas em que participa têm encorajado e estimulado o seu público a resistir à opressão e à injustiça.

A sua canção «Have You Been to Jail for Justice?» ( Estiveste já na prisão por lutares pela justiça?) é, actualmente, a canção que se ouve com mais frequência nos Estados Unidos em nome da desobediência civil, no sentido que lhe foi dado por Thoreau.

Have You Been to Jail for Justice?»

Was it Cesar Chavez? Maybe it was Dorothy Day
Some will say Dr. King or Gandhi set them on their way
No matter who your mentors are it's pretty plain to see
That, if you've been to jail for justice, you're in good company
Have you been to jail for justice? I want to shake your hand
Cause sitting in and lyin' down are ways to take a stand
Have you sung a song for freedom? or marched that picket line?
Have you been to jail for justice? Then you're a friend of mine
You law abiding citizens, come listen to this song
'Cause laws were made by people, and people can be wrong
Once unions were against the law, but slavery was fine
Women were denied the vote and children worked the mine
The more you study history the less you can deny it
A rotten law stays on the books til folks with guts defy it
The law's supposed to serve us, and so are the police
And when the system fails, it's up to us to speak our peace
We must be ever vigilant for justice to prevail
So get courage from your convictions
Let them haul you off to jail!

(esta canção foi também já cantada pelo célebre trio Peter, Paul and Mary no concerto de homenagem a Harold Leventhal, para o Thanksgiving Day de 2003 no Carnegie Hall, de Nova Iorque, e que se pode ver no filme do concerto «Isn’t This a Time»


Mais informação, consultar o website de Anne Feeney:
http://www.annefeeney.com

Dez manguitos à mudança do clima


A associação «ecologistas en acción» criou um portal (www.accionporelclima.org ) acerca da mudança climática que estamos a viver e no qual se fazem algumas sugestões e se lançam pistas e até campanhas contra a mudança climática.
Merece uma atenção particular aqueles conselhos que estão ao alcance de qualquer um de nós e que podem contribuir para ajudar minorar as mudanças do clima que podem trazer tantas consequências negativas.
Assim podemos inventariar uma pequena lista de manguitos que, com boa vontade e lucidez, todos poderão fazer, dando assim um pequeno contributo pessoal para combater as desastrosas mudanças climáticas.

1 – Utiliza os transportes colectivos em substituição do automóvel particular

2 –Evita as perdas de calor dentro da habitação, calafetando portas e janelas

3 – Utiliza electrodomésticos com etiquetas que indiquem gasto energético de classe A

4 – Aproveita ao máximo a luz natural

5 – Compra apenas o que realmente necessitas, se possível, produtos locais, e com poucas embalagens.

6 – Faz passeios com a bicicleta

7 – Regula os radiadores a uma temperatura de 20ºC

8 – Apaga totalmente os aparelhos de Tv, os computadores e as aparelhagens de música, depois de as usares.

9 – Instala lâmpadas de baixo consumo ou com tubos fluorescentes

10 – Reduz o consumo de produtos embalados, reutiliza e procura reciclar todo o tipo de embalagens, e até o teu próprio lixo domésticos.

Mais info:
www.accionporelclima.org

A resistência à Wal-Martização do mundo


Fundada em 1962 como um pequeno estabelecimento comercial numa vila do Arkansas, um dos estados mais pobres dos Estados Unidos, a Wal-Mart é, desde 2003, a maior empresa e o maior empregador privado do planeta, com mais de 1,2 milhões de assalariados espalhados pelos cinco continentes.
Os 310.000 milhões de dólares que facturou no ano passado equivalem a 25 do Produto Interno Bruto da maior economia planetária, o que lhe confere um poder muito superior ao muitíssimos países.

A posição que a Wal-Mart ocupa actualmente resulta das suas práticas de dumping social e de tal modo foi o seu «suesso», que conseguiu torná-las em autêntico modelo organizacional, ou mesmo em verdadeiro modelo económico!!!
E em que consiste esse modelo? Serge Halimi, jornalista que escreve em Le Monde Diplomatique escreve: «Construída sobre os pilares do livre comércio, da flexibilidade laboral e de baixas remunerações, o modelo Wal-Mart baseia-se fundamentalmente em o distribuidor impor a sua lei ao produtor, sobretudo dos países pobres. E, por outro lado, o abaixamento dos preços daí resultante atrai os consumidores aos hipermercados que, diminuem ainda mais os seus preços, depois de terem, previamente, baixado os salários aos seus trabalhadores.»
Esta é, no fundo, a filosofia que tem permitido esta empresa transnacional a oferecer preços cada vez mais baixos, e bater os concorrentes aonde quer que se instale. Estima-se que cerca de 100 milhões de norte-americanos respondam semanalmente às ofertas especiais que lhe são lançadas nos estabelecimentos da Wal-Mart. Através das suas grandes campanhas mediáticas a empresa consegue manipular as necessidades de toda a população, criando a ideia de aumentar o poder de compra dos seus clientes por via dos baixos preços praticados, ao mesmo tempo que passa a mensagem que está a criar postos de trabalho.
Acontece que os custos sociais desta filosofia económica é altíssimo. Com efeito, onde quer que se instala a Wal-Mart a tendência é para a diminuição dos salários dos trabalhadores da região. Com as suas fortíssimas campanhas diárias os clientes são levados quase automaticamente seduzidos, sendo levados a envolverem-se nos esquemas montados pela empresa.
Paralelamente, a sua instalação numa determinada região significa o fecho de muitos pequenos e médios estabelecimentos tradicionais, o encerramentos de mini e supermercados. Um estudo do professor de economia Ken Stone permitiu concluir que, desde a chegada da Wal-Mart ao Iowa, desapareceram mais de 7.000 estabelecimentos comerciais entre 1983 e 1993.
Situações como essa, assim como o pagamento de baixos salários, e a discriminação sistemática de que são vítimas as mulheres que trabalham massivamente para a empresa, tem sido as causas mais frequentes para as milhares de acções judiciais que a walt-Mart tem enfrentado por todo o lado.
As primeiras batalhas judiciais contra a empresa datam do início dos anos 90, mais propriamente em 1993, quando num plebiscito local, uma pequena localidade de Greenfield, no Massachussets, rejeitou a instalação de uma unidade daquela cadeia de hipermercados, apesar de todas as manigâncias preparadas pelos agentes a soldo da empresa que levaram a falta de escrúpulos ao ponto de tentarem convencer os habitantes locais que, com a Wal-Mart, o custo de vida iria baixar em cada dia que passasse. Iniciativas como esta, de consulta popular, passaram a ser o principal instrumento de luta dos opositores da Wal-Mart
A iniciativa foi promovida por uma rede de associações locais dirigidas pelo activista Al Norman que se converteu entretanto numa espécie de cruzado anti-Wal-Mart, e nela participam inúmeros cidadãos.
Poucos anos depois, em 1999, foi a própria Wal-Mart que promoveu uma consulta popular na localidade Eureka, no estado da Califórnia e, se em Greenfield, a sua derrota foi por poucos votos, ela foi ainda mais estrondosa em Eureka, não obstante todo o assédio que os seus habitantes foram alvo por parte da Wal-Mart. Mas a maior derrota infligida à Wal-Mart ainda foi a que ela recebeu em Abril de 2004 na cidade de Inglewood nos arrabaldes de Los Angeles, onde 60% da população local ratificou a decisão do Conselho Municipal em rejeitar a construção de um gigantesco centro comercial de 650 mil metros quadrados que serviria de plataforma para mais unidade da Wal-Mart. Mas tem havido outros plebiscitos no mesmo sentido. Sabe-se, por exemplo, que cerca de 250 pedidos de instalação da Wal-Mart foram recusados em todo o território norte-americano.
Mas a oposição contra a Wal-Mart estende-se quer na Europa quer na América Latina. No mMéxico, por exemplo, onde a firma possui uns 700 estabelecimentos, facturando mais de 12.000 milhões de dólares, constituiu-se no ano passado uma Frente nacional contra a Wal-Mart., cujo objectivo principal tem sido travar a intenção da Wal-Mart em instalar-se nas proximidades da cidade religiosa azteca de Teotihuacán.
No plano das relações laborais sabe-se que em Junho de 2004 um tribunal norte-americano conferiu a categoria de acção colectiva a uma acção judicial intentada por 6 funcionárias da empresa que a acusavam de discriminar as mulheres na sua política de promoções internas, bem como ao nível dos salário.
Com essa decisão judicial as 6 trabalhadoras converteram-se em «representantes» de cerca de 1,6 milhões de mulheres que trabalham, ou trabalharam, para a Wal-Mart. Argumentam as demandantes, entre outras coisas, que apesar de dois terços da mão de obra da empresa ser feminina, só um terço de mulheres ocupam os cargos directivos.
Recorde-se que em 1997 outro gigante da distribuição nos EUA, a Home Deport, pagou 104 milhões de dólares a 25.000 mulheres que accionaram judicialmente a empresa por discriminação sexual a fim de evitar ser condenada. O mesmo se passou com a empresa Coca-Cola que em 2000 aceitou uma transacção judicial por 192 milhões de dólares, tal como a empresa petrolífera Texaco que tinha desembolsado 176 milhões de dólares por motivos semelhantes.
Se a Wal-Mart tiver que pagar uma quantia correspondente à das suas congéneres, cerca de 4.000 dólares a cada mulher denunciante, a empresa teria que desembolsar uma quantia descomunal de 6.400 milhões de dólares.
Em 2005 formou-se a Rede Internacional Sindical que reúne 900 organizações laborais de 150 países com o objectivo de coordenar as acções e as reivindicações dos trabalhadores da Wal-Mart fora dos Estados Unidos.
Wal-Mart é apenas um sintoma de todo um processo mais generalizado. Um processo que tem levado à descida contínua dos salários e das garantias laborais e que aumenta à medida que o individualismo dos consumidores suplanta a solidariedade dos produtores e dos assalariados.

Adaptação de um texto de Alberto Piris, difundido por Rebelion.org, e originalmente publicado no jornal La Insignia

A BBC coloca os seus videos sobre a natureza na sua web à disposição dos interessados


A BBC decidiu colocar na sua web à disposição de todos os interessados, e de forma gratuita, os seus conteúdos da sua Unidade de História Natural. Os vídeos poderão ser visionados e descarregados.
O arquivo está acessível em:
http://www.bbc.co.uk/calc/news/

8.3.06

Manu Chao: «o meu sonho são milhares de pequenas revoluções»


Manu Chao, músico já bem conhecido, e socialmente implicado em várias lutas sociais disse numa entrevista que o seu sonho é que milhares e milhares de pequenas revoluções se realizassem por todo o lado. Acrescentou que nenhuma revolução virá de cima. Indicou ainda que a proximidade entre vizinhos deveria ser aproveitada para promover a ajuda e o apoio entre si. Concluiu por fim que Bush era o homem mais perigoso do mundo.

O nome de Deus invocado em vão por Tony Blair


O primeiro-ministro britânico Tony Blair já anda angustiado com o seu futuro!
Numa entrevista a um programa de televisão, Tony Blair pretendeu sugerir que a sua decisão sobre a participação da Grã-Bretanha na agressão, invasão e ocupação do Iraque só poderia ser julgada por Deus!!!
Esqueceu-se deliberadamente que se referir à possibilidade de ser julgado por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional, uma vez que a agressão ao Iraque perpetrada pelas forças armadas norte-americanas e britânicas foi manifestamente à revelia das normas de Direito Internacional.
Reg Keys, cujo filho morreu na Guerra do Iraque, disse que Blair estava a invocar o nome de Deus para tentar fugir a um completo e rotundo falhanço da sua estratégia político-militar e que aquelas palavras eram abomináveis.

As felicitações devidas




O meu caro amigo João, autor do
http://bioterra.blogspot.com/ está de parabéns pelo 2º aniversário do Bioterra, cuja consulta se recomenda a todos quantos a ecologia, a paz e a educação possuem um significado especial.

Felicitações são também devidas ao http://www.infoalternativa.org/ que sofreu uma remodelação e está com um acesso mais rápido e expedito. A recolha de textos que os autores e respinsáveis da infoalternativa diariamente realizam é de enorme utilidade e daqui lhes dirigimos uma palavra de simpatia e reconhecimento.
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Finalmente não queremos deixar de registar o 1º aniversário do jornal Diagonal (www.diagonalperiodico.net ), escrito e editado em língua castelhano.
Bom seria que nós em Portugal tivessemos uma publicação análoga onde fosse possível fazer circular as vozes dissidentes silenciadas pelos media oficiais.


Transcrevemos um excerto do editorial do Diagonal:

El jueves 2 de marzo DIAGONALcumple un año, o
lo que es lo mismo: 25 números de noticias, debates,
perspectivas distintas y cierres interminables.
Los más escépticos no terminande entender cómo DIAGONAL
va consolidándose sin el apoyo de ningún grupo económico ni político
distinto al que componen sus 3.300 suscriptores, quienes lo han
dotado de sentido en tanto que movimiento social y proyecto político.
Cada 15 días, los quioscos, los puntos de distribución alternativa y
los buzones de los suscriptores han venido recibiendo un periódico realizado
de forma participativa y horizontal.
Esto es: 48 páginas que surgen del debate asambleario dentro
del colectivo de redacción, delas reflexiones de cada sección, de
las aportaciones de los colaboradores, de los análisis de quienes
comparten una mirada crítica respecto a la actualidad… y comparten
también la dificultad de definir de forma simplificada lo que esa
mirada crítica significa.
Pero para que los 15.000 ejemplares lleguen a los lectores ha sido
también indispensable el trabajo de los grupos de apoyo y de todas las
personas que sienten este proyecto como propio. De modo que DIAGONAL,
con sus aciertos y errores, responde a una apuesta colectiva
en la que aprendemos cotidianamentecómo elaborar un medio informativo
que quiere ser crítico, plural e incisivo. Y ese aprendizaje,
afortunadamente, no está exento de conflictos. El día en que no surjan,
estaremos haciendo cualquier cosa menos un periódico.

Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade



Carta Mundial das mulheres para a Humanidade, adoptada em 10 de Dezembro de 2004 em Kigali ( Rwanda), por ocasião do 5º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.


Preâmbulo

Nós, as mulheres, marchamos há muito tempo para denunciar e exigir o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres, para dizer que a dominação, a exploração, o egoísmo e a procura desenfreada do lucro que levam às injustiças, às guerras, às conquistas e às violências devem terminar.

Das nossas lutas feministas e das que as nossas antepassadas protagonizaram em todos os continentes, nasceram novos espaços de liberdade, para nós, para as nossas filhas, para os nossos filhos e para as nossas netas e netos, que, depois de nós, caminharão sobre a terra.

Nós construímos um mundo onde a diversidade é uma virtude e onde tanto a individualidade quanto a colectividade são fontes de riqueza; onde as trocas flúem sem barreiras; onde as palavras, os cantos e os sonhos florescem. Este mundo considera a pessoa humana como uma das riquezas mais preciosas. Neste mundo reina a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz. Nós temos a força para criar este mundo.

Somos mais de metade da humanidade. Damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, divertimo-nos. Nós asseguramos actualmente a maioria das tarefas essenciais à vida e à continuidade da Humanidade. No entanto, o nosso lugar na sociedade continua subvalorizado.

A Marcha Mundial das Mulheres, da qual fazemos parte, identifica o patriarcado como o sistema de opressão das mulheres e o capitalismo como o sistema de exploração de uma imensa maioria de mulheres e homens por uma minoria.

Estes sistemas reforçam-se mutuamente. Eles fundamentam-se e articulam-se com o racismo, o sexismo, a misoginia, a xenofobia, a homofobia, o colonialismo, o imperialismo, a escravatura e o trabalho forçado. Eles legitimam os fundamentalismos e os integrismos que impedem as mulheres e os homens de serem livres. Eles geram a pobreza e a exclusão, violam os direitos dos seres humanos, em particular os das mulheres, e colocam a humanidade e o planeta em perigo.

Nós rejeitamos este mundo!

Propomos construir um outro mundo onde a exploração, a opressão, a intolerância e a exclusão não existem mais; onde a integridade, a diversidade, os direitos e as liberdades de todas e de todos são respeitadas.

Esta carta baseia-se nos valores da igualdade, de liberdade, de solidariedade, de justiça e de paz.

IGUALDADE

Afirmação 1. Todos os seres humanos e todos os povos são iguais em todos os domínios e em todas as sociedades. Têm um acesso igual às riquezas, à terra, a um emprego digno, aos meios de produção, a um alojamento digno, à educação de qualidade, à formação profissional, à justiça, a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente, a serviços de saúde física e mental, à segurança na velhice, a um ambiente saudável, à propriedade, às funções representativas, políticas e tomadas de decisão, à energia, à água potável, ao ar puro, aos meios de transporte, às técnicas, à informação, aos meios de comunicação, ao lazer, à cultura, ao repouso, à tecnologia, às inovações científicas.

Afirmação 2. Nenhuma condição humana ou condição de vida pode justificar a discriminação.

Afirmação 3. Nenhum costume, tradição, religião, ideologia, sistema económico ou político justifica a inferiorização de quem quer que seja, nem autoriza actos que põem em causa a sua dignidade e integridade física e psicológica.

Afirmação 4. As mulheres são cidadãs de pleno direito, antes de serem cônjuges, companheiras, esposas, mães e trabalhadoras.

Afirmação 5. O conjunto de tarefas não remuneradas, ditas femininas, que asseguram a vida e a continuidade das sociedades (trabalhos domésticos, educação, cuidados com as crianças e com @ próxim@) são actividade que criam riqueza e que devem ser valorizadas e partilhadas.

Afirmação 6. As trocas comerciais entre os países são equitativas e não carregam nenhum prejuízo para o desenvolvimento dos povos.

Afirmação 7. Cada pessoa tem acesso a um trabalho com uma remuneração justa e em condições de segurança e salubridade, que lhe permita viver condignamente.


LIBERDADE

Afirmação 1. Todos os seres humanos vivem livres de qualquer forma de violência. Nenhum ser humano pertence a outro. Nenhuma pessoa pode ser transformada em escrava, forçada a casar, ser submetido a trabalhos forçados ou ser objecto de tráfico ou de exploração sexual.

Afirmação 2. Cada pessoa goza de liberdades colectivas e individuais que garantem a sua dignidade, nomeadamente: liberdade de pensamento, de consciência, de crença, de religião, de opinião, de viver livremente a sua sexualidade de forma responsável e de escolher a pessoa com quem quer partilhar a sua vida; de votar, de ser eleita, de participar na vida política, de se associar, de se reunir, de se sindicalizar, de se manifestar; de escolher o seu modo de vida, a sua nacionalidade, o seu estado civil, de seguir os estudos de sua escolha, de escolher a sua profissão e de a exercer, de se deslocar, de dispor da sua pessoa e bens, de usar a língua de comunicação de sua escolha, no respeito das línguas minoritárias e da escolha colectiva relativa à língua utilizada e de trabalho, de se informar, de se cultivar, de trocar ideias, de aceder às tecnologias de informação.

Afirmação 3. As liberdades são exercidas num espírito de tolerância, de respeito da opinião de cada uma e de cada um e dentro dos quadros democráticos e participativos. Elas obrigam a responsabilidades e deveres para com a comunidade.

Afirmação 4. As mulheres tomam livremente as decisões que dizem respeito ao seu corpo, à sua sexualidade e à sua fecundidade. Elas escolhem ter ou não filhas e filhos.

Afirmação 5. A democracia exerce-se se há liberdade e igualdade.

SOLIDARIEDADE

Afirmação 1. A solidariedade internacional é promovida entre pessoas e povos sem qualquer tipo de manipulação e influência.

Afirmação 2. Todos os seres humanos são interdependentes. Eles partilham o dever e a vontade de viver juntos, de construir uma sociedade generosa, justa e igualitária, baseada nos direitos humanos, isenta de opressão, exclusão, discriminação, intolerância e violência.

Afirmação 3. Os recursos naturais, os bens e os serviços necessários à vida de todas e de todos são bens e serviços públicos de qualidade, aos quais cada pessoa tem acesso de maneira igualitária e equitativa.


Afirmação 4. Os recursos naturais são administrados pelos povos que vivem nos territórios onde estes se localizam, no respeito pelo ambiente com a preocupação da sua preservação e durabilidade.

Afirmação 5. A economia duma sociedade está ao serviço daquelas e daqueles que a compõem. Ela está direccionada para a produção e troca de riquezas socialmente úteis, que são repartidas entre todas e todos, que asseguram como prioridade a satisfação das necessidades da colectividade, que eliminam a pobreza e que asseguram um equilíbrio entre o interesse geral e os interesses individuais. Ela assegura a soberania alimentar, opõe-se à procura exclusiva do lucro sem a satisfação social e à acumulação privada dos meios de produção, das riquezas, do capital, das terras, da tomada de decisão por alguns grupos ou por algumas pessoas.
Afirmação 6. A contribuição de cada uma e de cada um para a sociedade é reconhecida e conduz ao reconhecimento de direitos sociais, qualquer que seja a função que ocupam.

Afirmação 7. As manipulações genéticas são controladas. Não há propriedade sobre os seres vivos nem sobre o genoma humano. A clonagem humana é proibida.

JUSTIÇA

Afirmação 1. Todos os seres humanos, independentemente do seu país de origem, da sua nacionalidade e do seu local de residência, são considerados como cidadãs e cidadãos de pleno direito, gozando de direitos humanos (direitos sociais, económicos, políticos, civis, culturais, sexuais, reprodutivos, ambientais) de uma maneira igualitária e equitativa realmente democrática.

Afirmação 2. A justiça social baseia-se na redistribuição das riquezas que eliminam a pobreza, limitam a riqueza, asseguram as necessidades essenciais à vida e visam melhorar o bem-estar de todas e todos.

Afirmação 3. A integridade física e moral de todas e todos está garantida. A tortura e os tratamentos humilhantes e degradantes são proibidos. As agressões sexuais, as violações, as mutilações genitais femininas, a violência específicas contra as mulheres, o tráfico sexual e a venda de seres humanos são considerados como crimes contra a pessoa e contra a humanidade.

Afirmação 4. Um sistema judiciário acessível, igualitário, eficaz e independente é instaurado.

Afirmação 5. Cada pessoa goza de uma protecção social que lhe garantem o acesso à alimentação, aos cuidados, ao alojamento, à educação, à informação e à segurança na velhice. Ela tem acesso a rendimentos suficientes para viver dignamente.

Afirmação 6. Os serviços de saúde e sociais são públicos, acessíveis, de qualidade e gratuitos para todos os tratamentos e todas as pandemias, em particular o HIV/SIDA.

PAZ

Afirmação 1. Todos os seres humanos vivem num mundo de paz. A paz resulta, nomeadamente, da igualdade entre os sexos, da igualdade social, económica, política, jurídica e cultural no respeito dos direitos, da erradicação da pobreza que assegura a todas e a todos uma vida digna, livre de violência, onde cada uma e cada um dispõe de um trabalho e de recursos suficientes para se alimentar, para se alojar, para se vestir, para se instruir, ser protegido na velhice, ter acesso aos cuidados.

Afirmação 2. A tolerância, o diálogo, o respeito pela diversidade são os garantes da paz.

Afirmação 3. Todas as formas de dominação, exploração e exclusão de uma pessoa sobre outra, de um grupo sobre outro, duma minoria sobre uma maioria, de uma maioria sobre uma minoria, duma nação sobre outra são excluídas.

Afirmação 4. Todos os seres humanos têm o direito de viver num mundo sem guerras e sem conflitos armados, sem ocupação estrangeira ou bases militares. Nada nem ninguém tem o direito de decidir a vida ou a morte das pessoas ou dos povos.

Afirmação 5. Nenhum costume, nenhuma tradição, nenhuma ideologia, nenhuma religião, nenhum sistema económico ou político justificam qualquer tipo de violência.

Afirmação 6. Os conflitos armados ou não entre países, comunidades ou povos são resolvidos por negociação que permitem chegar a soluções pacíficas, justas e equitativas, ao nível nacional, regional e internacional.

APELO

Esta Carta Mundial da Mulheres para a Humanidade apela às mulheres e aos homens e a todos os povos e grupos oprimid@s do mundo a proclamar individual e colectivamente o seu poder para transformar o mundo e a modificar radicalmente as relações que @s unem para desenvolver relações baseadas na igualdade, a paz, a liberdade, a solidariedade e a justiça.

Ela apela a todos os movimentos sociais e a todas as forças da sociedade para agirem para que os valores defendidos nesta Carta sejam efectivamente postos em prática e para que os poderes políticos tomem as medidas necessárias à sua aplicação.

Ela convida à acção para mudar o mundo. É urgente!!!

Nenhum elemento desta Carta pode ser interpretado nem utilizado para enunciar opiniões ou levar a actividades contrárias ao espírito desta Carta. Os valores que nela são defendidos constituem um todo. Eles são iguais em importância, interdependentes, indivisíveis; o lugar que eles ocupam nesta Carta é comutável.

O que é a Marcha Mundial das Mulheres?

A Marcha Mundial das Mulheres é composta por grupos de mulheres de origens étnicas, culturais, religiosas, políticas, de classe, de idade e de orientação sexual diversas. Em vez de nos separar, esta diversidade uniu-nos numa solidariedade mais global.
Em 2000, enquanto Marcha Mundial das Mulheres, escrevemos uma plataforma política que continha 17 reivindicações concretas para eliminar a pobreza no mundo, realizar a partilha de riquezas, erradicar a violência contra as mulheres e obter o respeito pela sua integridade física e moral. Transmitimos estas reivindicações aos responsáveis do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas. Não recebemos qualquer resposta concreta. Também transmitimos estas reivindicações às eleitas, aos eleitos, às dirigentes e aos dirigentes dos nossos países.
Desde então, continuamos a defender as nossas reivindicações sem descanso. Propomos alternativas para construir um outro mundo. Somos activas nos movimentos do mundo e das nossas sociedades. Aprofundamos a reflexão sobre o lugar que as mulheres ocupam e devem ocupar no mundo.
Com esta Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade e com acções que virão, reafirmamos que um outro mundo é possível; um mundo cheio de esperança, de vida, onde é bom viver e declaramos o nosso amor a esse mundo, à sua diversidade e à sua beleza.
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Adoptado no V Encontro Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, Ruanda, 10 de Dezembro de 2004

7.3.06

No Dia Internacional da Mulher, venha conversar com Filomena Cabral na Unicepe


A livraria Unicepe, na cidade do Porto, convida todos os interessados para estarem presentes com a escritora Filomena Cabral no dia 8 de Março de 2006, Dia Internacional da Mulher.

Mais informações:
www.unicepe.com

(A Unicepe está situado no 1º andar do edifício de esquina entre a Praça vulgarmente conhecida por Leões e a Praça Carlos Alberto, na cidade do Porto )
UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRLPraça Carlos Alberto, 128 - A. Porto

6.3.06

Greve Global das Mulheres (8 de Março de 2006)


Pelo fim da Pobreza, da Guerra e da Devastação do Meio Ambiente
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Investir em cuidar, e não em matar!


Porque no mundo se gastam 900 biliões de dólares anuais em orçamentos militares, a metade dos quais da responsabilbidade unicamente dos EUA. Apenas 10% disso garantiria o essencial para a sobrevivência de todas as pessoas do mundo;

Porque 86 milhões de pessoas, principalmente dos países do terceiro mundo, morreram em conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e os EUA participaram na maioria destas guerras;

Porque as mulheres e crianças constituem a maioria das vítimas dos conflitos armados e 80% dos refugiados do mundo seguem morrendo e sendo mutilados por minas antipessoais e outras armas;

Porque o abuso sexual é utilizado de forma rotineira como arma de guerra e raramente é concedido asilo às suas vítimas;

Porque o trabalho de dar à luz e cuidar de todas as pessoas realizado pelas mulheres não é valorizado nem remunerado, ainda que o trabalho militar é remunerado e glorificado;

Porque se espera que só a metade da humanidade se ocupe do cuidado das pessoas, necessário para a sobrevivência de todas, enquanto a outra metade ‘tem coisas mais importantes a fazer’;

Porque esta desvalorização da vida e do cuidado desvaloriza tudo o que as mulheres fazem e todos os trabalhos que proporcionam cuidado; e é por isso que os salários das mulheres são mais baixos do que os dos homens e o trabalho com as crianças, o trabalho doméstico, o trabalho de hotelaria, as enfermeiras, as professoras cobram menos, ou qualquer um que os realize;

Porque a maioria dos soldados ou são conscritos ou se alistam para fugir da pobreza ou da prisão (40% dos soldados dos EUA são negros) e espera-se deles que matem aqueles que ainda possuem menos;

Porque os soldados que regressam descapacitados e traumatizados pelo terror e pela matança e/ou aqueles que voltam contaminados pelas armas são descartados pelos governos e são as suas mães, companheiras ou outras que se encarregam de cuidar deles;

Porque se financia generosamente o aparato militar à custa de salários baixos, cortes em benefícios e pensões, bolsas de estudos e serviços, e as mulheres lutam para compensá-los com salários não-remunerados;

Porque a ‘guerra contra o terrorismo’ empreendida pelos EUA para impor a dominação económica, política e militar em nome das petroleiras e outras multinacionais, já cobrou milhares de vidas e nos ameaça com a destruição de nosso clima e da vida sobre a Terra;

Porque sempre há dinheiro para poços de petróleo, mas milhões de mulheres e crianças dos países não industrializados estão condenadas a caminhar horas por dia em busca de água porque não há dinheiro para encanamento;

Porque o FMI e o Banco Mundial impõem a globalização, a privatização, a desregulação, a lei das patentes, a extracção de petróleo e outros minerais, animais gigantes e o cultivo transgênico... tomando posse das economias, corrompendo governos e obrigando a população a uma dívida que nunca contraímos;

Porque as “ajudas para o desenvolvimento” ou “empréstimos” aos países do “Terceiro Mundo” estão sempre ligadas à compras de armas dos EUA e dos países da União Europeia;

Porque a oposição, frequentemente encabeçada por mulheres, à globalização –que resulta em pobreza, no roubo de água, terras, sementes e genes, salários e condições de trabalho escravizantes, desalojamento de populações inteiras, eliminação de culturas, histórias e línguas, limpezas étnicas e destruição do meio ambiente – se combate com golpes militares, desaparecimentos e outras formas de repressão;

Porque os meios de comunicação, privados ou controlados pelo Estado, realizam o trabalho de desinformar a população e captar o nosso apoio para guerras e genocídios, censurando ao mesmo tempo nossa oposição;

Porque as mulheres, cuidadoras, somos a coluna vertebral dos movimentos anti-guerra, de direitos humanos e de justiça, porque nos negamos a permitir que nossos entes queridos sejam tachados como “danos colaterais” civis ou por baixas militares;


As reivindicações da Greve Global das Mulheres são:

· Que se pague todo trabalho de cuidar das pessoas – com salários, pensões, terra e outros recursos. O que é mais valioso do que criar meninos e meninas e cuidar dos demais? Que se invista na vida e no segurança social e não em orçamentos militares e prisões.

· Igualdade salarial para todos, mulheres e homens, no mercado global.

· Segurança alimentícia para as mães durante o período de amamentação, licença de maternidade e intervalo para amamentação pagos. Não nos penalizem por sermos mulheres.

· Que não se pague a dívida externa do terceiro mundo. Nós mulheres não devemos nada, são eles que nos devem.

· Acesso a água potável, saneamento, moradia, transporte e alfabetização.

· Energias não poluentes e tecnologias que reduzam a jornada de trabalho. Todas necessitamos de cozinhas, geladeiras, máquinas de lavar, computadores e também tempo livre.

· Protecção e asilo contra toda violência e perseguição, incluindo as que tem origem nos familiares e em gente em cargos de autoridade. Liberdade de movimento. Se o capital pode viajar livremente, por que também não podem as pessoas

· Que se acabe com a ‘guerra sem fim’, o comércio de armas e o genocídio.

· Que os mais de 900 biliões de dólares que hoje se gasta em orçamentos militares em todo o mundo sejam investido em cuidados e bem-estar das pessoas e do planeta.

· Que todo o trabalho de cuidar, hoje realizado principalmente por mulheres, seja valorizado e remunerado e que se pague uma pensão a todas aquelas cujo trabalho não foi reconhecido durante décadas.

· O cuidado com as pessoas e, portanto, a sobrevivência e o enriquecimento de cada vida e do planeta, seja o objetivo de toda a sociedade e de todo o sistema económico.


QUE SE INVISTA EM CUIDAR, NÃO EM MATAR!

fonte: aqui