4.11.09

Solidariedade e apoio monetário aos 3 eco-activistas acusados pela acção não-violenta realizada em 2007 no Algarve contra o milho transgénico

ELES DISSERAM NÃO AOS TRANSGÉNICOS
Apoio aos activistas anti-transgénicos


O Ministério Público deduziu acusação a 3 eco-activistas pela acção não-violenta de destruição de milho transgénico no Algarve ocorrida em Agosto de 2007.

Acontece que as acusações conhecidas são completamente infundadas.

Na verdade, nenhum dos três activistas cometeram os crimes de que são acusados pelo Ministério Público, limitando-se a servirem de contacto no local com os vários órgãos de imprensa presentes no momento dos acontecimentos, nunca tendo realizado qualquer acção material que se traduzisse em danos materiais e muito menos acções violentas sobre quem quer que seja.

Todas as imputações do Ministério Público são, pois, falsas e infundadas.

Para ajudar a fazer face às despesas do processo judicial de que são alvo, existe uma conta bancária para onde podem ser depositadas os contributos monetários de quem se sente solidário com aqueles activistas, injustamente acusados:

Pedro Filipe Prata,
Banco Espírito Santo,
Conta 0006 0947 8355,
NIB 0007 0000 00609478355 23,
IBAN PT50 0007 0000 0060 9478 3552 3,
SWIFT/BIC BESCPTPL


Além do apoio monetário podes assinar a seguinte petição online:

Eu, abaixo-assinado, quero manifestar a minha solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia, que ceifou 1 hectare de milho geneticamente modificado MON810, na Região Livre de Transgénicos do Algarve, a 17 de Agosto de 2007.

Apoio moralmente todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.

O meu apoio é baseado no conhecimento de que:

- eu e outros cidadãos vivemos actualmente num estado de emergência, em consequência da contaminação genética causada pela libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM);

- esta contaminação expõe, a mim e outros cidadãos e cidadãs, a riscos sociais, económicos, ecológicos e de saúde;

- os nossos governos representativos não intervêm o suficiente no sentido de proteger-nos dessas ameaças;

- agir agora é necessário para evitar que se desenvolvam mais efeitos negativos irreversíveis;

- os métodos de acção que operam dentro dos limites legais só podem atingir os seus resultados na totalidade quando complementados pela acção da sociedade civil, que pode ocorrer fora desses limites.

Assim, considero que:

- este estado de emergência exige que os cidadãos e cidadãs comuns protestem contra o uso de organismos geneticamente modificados na agricultura;

- é moralmente justificável e legítimo realizar acções de desobediência civil contra o cultivo de OGM, uma vez que os meios legais não provaram atingir resultados suficientes;

- a defesa dos direitos humanos, em particular os que dizem respeito à protecção da cadeia alimentar e do ambiente da contaminação genética, não podem resultar em perseguição política.

Assinar em
http://gopetition.com/online/21252/sign.html

Veganário (a 7 de Novembro), durante todo o dia em Lisboa


O VEGANARIO é um festival que celebra o dia internacional sem carne.

É a ocasiao de informarse sobre as razoes que motivam algums marginais extremistas a deixar voluntariamente de comer productos de origem animal, de pasar um momento inesquecível e divertirse num ambiente agradavel.

PROGRAMA DO VEGANARIO

Sábado 7 de Novembro

10h ate 23h - FEIRA VEGANA -
Petiscos e doces veganos, produtos ecologicos e biologicos, Livros, Fanzines, folhetos, petições, roupa, acessorios, musica, artesanato urbano, pinturas faciais, videos e muito mais

11h - ATELIER PINTURA DE AVENTAIS
Para crianças e graudos

13h - WORKSHOP DE BOLOS VEGANOS
Por Omelete sem ovos Coop

14h – OFICINA DE SUMOS VERDES
Por Hugo e João

15h - WORKSHOP DE SUSHI VEGANO
Chef Zeca – Associação Vegetariano Portuguesa

16h - PASSAGEM DE DOCUMENTARIOS
Sobre Libertação e Etica Animal, Circos com animais, Touradas, Meio Ambiente

19h TEATRO DE MARIONETAS
Performance do colectivo internacional "Pé de cabra"

20h JANTAR POPULAR
bio-vegano

21h CONCERTO COM MARIO TROVADOR

ENTRADA LIVRE

3.11.09

O impacto do Crude ( documentário sobre os efeitos desastrosos da exploração do petróleo no nosso planeta e na vida dos povos indígenas)


O Impacto do Crude ( Crude Impact) é um documentário actual, vencedor de vários prémios nas áreas do cinema documental e ambiental, que merece ser visto e discutido pelo maior número de pessoas. Trata-se de um relato impressionante dos efeitos desastrosos da exploração desenfreada dos combustíveis fósseis nos frágeis ecossistemas do nosso planeta.


O documentário foi-nos recomendado pelo autor de dois blogues que passamos não só a incluir nas nossas ligações recíprocas como considerá-los como afins ao Pimenta Negra:


http://essentialsharingdocs.blogspot.com/

http://ecogitar.blogspot.com/


Para visionar o documentário seguir este link:
AQUI

CRUDE IMPACT is a powerful and timely story that explores the interconnection between human domination of the planet and the discovery and use of oil.
This documentary film exposes our deep rooted dependency on the availability of fossil fuel energy and examines the future implications of peak oil the point in time when the amount of petroleum worldwide begins a steady, inexorable decline.Journeying from the West African delta region to the heart of the Amazon rainforest, from Washington to Shanghai, from early man to the unknown future, CRUDE IMPACT chronicles the collision of our insatiable appetite for oil with the rights and livelihoods of indigenous cultures, other species and the planet itself.
It is a thought-provoking story filled with discovery, sorrow, outrage, humor and ultimately, hope.

2.11.09

Surplus, Consumidores Aterrorizados (documentário de Erik Gandini sobre a cultura anti-sistema)

“Nós somos aterrorizados para nos tornarmos consumidores” John Zerzan

Irónico e corrosivo, Surplus, o documentário de Erik Gandini, realizado para a produtora independente ALMO de Estocolmo, parte de uma análise do papel do actual consumidor.

Trata-se de uma criativa representação da chamada cultura antisistema, e uma denúncia das contradições do próprio sistema.

http://www.atmo.se/film-and-tv/surplus/


O livre pensamento contra o fanatismo religioso e a quadrilha clerical




Deus anda à boa vida

(texto de Artur Queiroz, retirado do jornal A Voz da Póvoa)

Saramago escreveu mais um livro condenado ao sucesso. Mal a obra chegou ao mercado, o laureado autor resolveu recordar que é ateu e que considera a Igreja Católica uma quadrilha. Como diria o meu avô, quem ataca a Corja Negra não vai longe. Mas quando ele fazia esta profecia, José Saramago ainda não tinha o rótulo de Prémio Nobel da Literatura. Portanto, o velho sábio errou.


A bulha entre o escritor e alguns membros da Igreja deixa-me perplexo. Não percebo porque razão Saramago tem tanta necessidade de falar do que não existe. E muito menos percebo porque razão os membros da quadrilha se enxofram todos quando alguém lhes lembra que à pala da fé cristã foram cometidas carnificinas, genocídios e prosperou a escravatura e o colonialismo. No afã de negarem as evidências, os membros do Clero dizem coisas de um ridículo atroz. A Bíblia, livro sagrado de milhões de crentes, não pode ser lida à letra. Nós, os que não somos do Clero, temos de aprender com os doutores da Igreja o que quer dizer aquilo. Mesmo quando o Padre Eterno, na sua velhacaria, manda passar a fio de espada crianças que por definição são sempre inocentes. Ou deixa que uns quantos facínoras tratem seu filho Jesus com tal violência que até Hitler se revoltava e saltaria em seu socorro.


Saramago é o melhor que temos na escrita de alto rendimento e das grandes superfícies. Lobo Antunes, Miguel Sousa Tavares, Rodrigo Guedes de Carvalho, Margarida Rebelo Pinto ou a sua réplica Agualusa, todos com lugar de primeira nas grandes superfícies, não lhe chegam aos calcanhares. Desde logo porque semeiam erros de ortografia da primeira à última página. Não quero dizer com isso que Saramago não tenha pontos fracos. Tem. É mau na primeira página e péssimo na última. Mas no miolo tem uma escrita de alto rendimento que considero imbatível.


Desde o “Memorial” que não compro livros do Prémio Nobel. Custou-me tanto ler o livro que jurei nunca mais gastar um tostão em material saído da sua pena. Mas coloquei Saramago na lista dos escritores cujos livros só leio nas livrarias. Vou à prateleira das novidades, pego no livro, leio a primeira página, depois passo para a 37, a seguir para a 137 e finalmente passo para a última. É por isso que descobri que o nosso Prémio Nobel da Literatura é fraco na primeira e na última página. Mas como não dá erros de ortografia nem pontapés na gramática, é, sem dúvida, o nosso melhor escritor vivo. Mas não aprecio.


Os meus gostos literários vão para Virgílio (até traduzi algumas peças das “Bucólicas”) Homero, Horácio, Tito Lívio, a elegância de Cícero. Concluí há muitos anos que gregos e romanos não só escreveram tudo o que havia para escrever como maldosamente encaixotaram as máquinas de fazer Literatura. Mesmo assim fui surpreendido por um irlandês louco, James Joyce. E nos escritores que só leio nas livrarias, vejo alguma imitação do mestre. Ao mesmo tempo fiquei siderado com Céline.

Em língua portuguesa temos os maiores. Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, Camilo Castelo Branco, Aquilino, Pessoa. Dos contemporâneos sou vidrado no Mário-Henrique Leiria, Manuel de Lima e no Luís Pacheco. Na poesia rendi-me a Agostinho Neto, António Jacinto, Ramos Rosa e Herberto Hélder. Com gostos destes, tão caóticos e imprudentes, é óbvio que sou um mau leitor, não estando, por isso, à altura da grandeza do escritor Saramago.


E quanto ao Criador, escrevi há uns anos um livro intitulado “Deus Anda à Boa Vida e a GNR Tomou Conta da Ocorrência”. Não cheguei a publicá-lo porque, entretanto, Júlio Carrapato publicou a magnífica obra “Deus Tem Caspa”. Ele disse tudo, e melhor, do que eu havia escrito. Em Deus não creio. Mas prometi ao meu querido amigo e colega Rui Osório, um dos maiores jornalistas portugueses e padre, que passo a acreditar em Deus quando ele, em pessoa, me vier dizer, cara a cara, que acredita em mim.

Por fim sempre vos digo que fiquei deliciado com as seis ou sete páginas que li de Caim. Senti-me muito reconfortado. É preciso não deixar a quadrilha estrebuchar.

1.11.09

Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência: actividades em Portugal (Famalicão, Valença, Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Vouzela; Viseu, Tavira, etc)




Sábado, 31 Outubro: FAMALICÃO
Local: Praça D. Maria II
09h00 Concentração Motard
Percurso Diversas Freguesias do Concelho

09h30 Passeio de Cicloturismo
Percurso Perímetro Urbano da Cidade

10h00 Marcha pela Paz e a Não Violência
Percurso Praça D. Maria, Rotunda D. Sancho I, Av. Rebelo Mesquita, Rotunda da Paz, Av.ª Marechal Humberto Delgado, Rotunda Bernardino Machado, Av. Dr. Carlos Bacelar, Rotunda de Santo António, R. Conselheiro Santos Viegas, Praça Álvaro Marques, Rua Adriano Pinto Basto, Av. 25 de Abril, Parque 1º de Maio, Av. 25 de Abril, R. Saint Fargeau Sancho I,

11h30 Largada de Pombos
(À chegada dos Motards, Ciclistas e Caminheiros)

15h00 Pinturas faciais;
4 Jogos Inter-Agrupamentos do CNE,
Desfile até à Praça D. Maria II
Construção de Globo Terrestre Gigante

16h30 Animação de Rua Cantares ao Desafio

18h00 Fogo de Conselho e Distribuição de
castanhas assadas.

21h00 Sarau Cultural
Música Coral - Grupo Coral de Lemenhe
Dança – Academia de Dança Ana Plácido
Teatro - Associação Unidos por Calendário
Música Fado – Joana Lopes e Joana Dias da Associação
Amarcultura
Poesia e Música Tradicional – Grupo Musical Pedra D’Agua
Organização:
GRUCAMO - Grupo Caminheiros de Montanha
Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
Apoio:
Fundação Cupertino de Miranda
Ass. Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses
Ass. Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Famalicão
C. Motard Os Escorpiões – Mouquim
Centro de Recreio Camiliano
A. Moinho de Vermoim
Sociedades Columbófilas Famalicenses
Junta do Núcleo do CNE
Ass. Tocadores e Cantadores ao Desafio Famalicense
Promotor: Movimento Humanista
________________________________________
Domingo, 1 de Novembro: LISBOA
Evento Náutico com motas de água e jet ski
11:00 horas
Marina de Oeiras, Lisboa
Passeio de motas de água e jet-ski da Marina de Oeiras, passagem pelo farol do Bugio e chegada à Torre de Belém pelas 12:30, onde será entregue uma missiva de apoio a um elemento da Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência.
________________________________________
Terça-feira, 3 de Novembro: VALENÇA
10h00: Cadeia humana com estudantes de escolas de Tui e Valença sobre a ponte internacional
11h30: Entrega do manifesto da Marcha Mundial e na missiva dos Prémios Nobel da Paz ao presidente da câmara municipal, no edifício da antiga Alfândega
________________________________________
Terça-feira, 3 de Novembro: VIANA DO CASTELO
13.30h: Chegada da comitiva da MM e concentração na Praça da Liberdade
14h: Cerimónia de boas-vindas
- Palavras de boas-vindas (Manuel Domingos - APPACDM)
- Leitura do Manifesto da MM (Grupo de Teatro Noroeste - a confirmar)
- Entrega dos documentos oficiais da MM às autoridades locais
- Entrega ao Porta-Voz nacional da MM do livro sobre a paz dos utentes da APPACDM
- Agradecimentos e palavras finais
14.30h: Desfile pela Av. dos Combatentes
15.30h: Largada de pombas junto à estação da CP
16h: Exibição de vídeos e fotos sobre a MM (local e evento a confirmar)
________________________________________
Terça-feira, 3 de Novembro: BRAGA
Entrega do manifesto da Marcha Mundial e da missiva dos Prémios Nobel da Paz no Governo Civil de Braga, ao que se seguirá um encontro com a imprensa
________________________________________
Quarta-feira, 4 de Novembro: FAMALICÃO
Local: Casa de Camilo (S. Miguel de Seide)
As crianças das escolas de Seide S. Miguel, Seide S.Paio, Abade de Vermoim e antas (Cruzeiro) irão realizar uma marcha, com partida da Casa de Camilo. Ao longo do percurso, irão passando o testemunho – a bandeira da Marcha – à escola seguinte, concluindo-se o percurso às 11h30, na igreja de S. Tiago das Antas.
________________________________________
Quarta-feira, 4 de Novembro: LISBOA
Palestra: "Transformações Políticas Necessárias para a Possibilidade Real da Paz"
14:30 horas
Faculdade de Letras, Cidade Universitária, Lisboa
________________________________________
Quinta-feira, 5 de Novembro: PORTO
Marcha e Símbolo Humano
15H30 – início da Marcha.
Ponto de encontro: Praça do Marquês.
17H00 – Realização de um Símbolo Humano da Não-Violência
17H30
- Leitura do Manifesto da MM
– Concerto
Local: Aliados
21:30 – Início do Ciclo de Cinema "Paz e Não-Violência" com o filme "Herói"
Local: Associação A Cadeira de Van Gogh
________________________________________
Sexta-feira, 6 de Novembro: AVEIRO
Local: Rossio
14:00 - Exposição dos trabalhos elaborados pelos alunos de escolas aderentes
14:15 - Ateliês de actividades e pinturas faciais
14:30 - Contos por Helena Borboleta
16:00 - Tuna do Colégio Português
16:45 - Aula Kid’s Fit & Fun
Local: Casa Municipal da Cultura, Edifício Fernando Távora
Sala de Exposições (R/c)
18:00
- Exposição de artes plásticas de Artistas conceituados
- Exposição de flâmulas e trabalhos de filatelia
Salão Cultural (2º andar)
21:00
- Debate com a participação de D. Ximenes Belo, Bispo Emérito de Dili e Nobel da Paz 1996 “Perspectivas sobre Paz e Não-violência”, precedido de um momento musical
Local. Estação da Luz
23:00 - Festa Marcha Mundial/ Bad Girl’s
________________________________________
Sexta-feira, 6 de Novembro: LISBOA
Jantar / Convívio com música ao vivo
20:00 horas
BOESG, Rua das Janelas Verdes 13, Lisboa
Concentração / Festa com música, artes circenses e intervenção política
23:00 horas
Largo de Camões, Chiado, Lisboa
________________________________________
Sábado, 7 de Novembro: AVEIRO
Local: Estação de Comboios
15:00 - Concentração e Recepção da MM. Largada de balões. Início da Marcha de Rua, a pé e de Buga, percorrendo a Av. Lourenço Peixinho (da Estação ao Rossio) acompanhada pela Fanfarra e Gaiteiros de S. Bernardo com desfile das bandeiras elaboradas pelos alunos de escolas aderentes

Local: Rossio
16:30
- Actividades com os escuteiros
- Desporto para todas as idades com Fit & Fun
18:00 - Conversas Soltas
________________________________________
Domingo, 8 Novembro: VOUZELA
9H – Percurso pedestre pela Paz
14H30 – Marcha pela Paz
Local: Campia
15H – Entrada no Campo de Futebol com a bandeira da Paz
Local: Parque da Liberdade
15H30 – Apresentação dos grupos que participam no Anfiteatro
17H30 - Encerramento
________________________________________
Segunda-feira, 9 de Novembro: LISBOA
Programação do Global Grace Day
+ informações: www.global-grace-day.com
Meditação ao nascer do Sol com pessoal de Tamera
6:45 horas
Miradouro de Santa Luzia, na Graça, Lisboa
Trabalhadores da paz por todo o mundo conectam a força intrinseca da não-violência e celebram o crescimento de uma comunidade mundial de paz. A meditação ao nascer do Sol funciona como um ritual comum para todos os pacifistas no mundo.
Caminhada musical
17:00 horas
Rossio, Lisboa
Os FarraFanfarra marcham desde o Rossio até ao Clube Desportivo.
Jam Session e Celebração Global Grace
19:00 horas
Centro Social GAIA, Grupo Desportivo da Mouraria, Lisboa
Jam Session de música e a celebração Global Grace Day com FarraFanfarra, Terrakota e amigos! Celebração pelo Movimento para umaTerra Livre - com improvisação de música, dança e conecção com pacifistas de todo o mundo e pensamentos para uma nova perspectiva de vida.
Jantar Vegetariano
21:00 horas
Centro Social GAIA, Grupo Desportivo da Mouraria, Lisboa
________________________________________
Segunda-feira, 9 de Novembro: VISEU
15h00 - Marcha com início na Rotunda Paulo VI, seguindo pela Avenida 25 de Abril até ao Rossio
No final haverá um concerto com vários grupos musicais locais
________________________________________
Terça-feira, 10 de Novembro: COIMBRA
Horário lectivo - Actividades em Escolas
18h - Marcha a pé desde a Câmara Municipal à Praça da República.
19h - na Praça da República
- Abração - sessão de abraços pela Paz e a Não-Violência
- Leitura do Manifesto da MM
- Entrega dos documentos da MM às autoridade locais
- Música
21:30 - Vigília organizada pelos Escuteiros em Sta Clara.
________________________________________

Quarta-feira, 11 de Novembro: LISBOA
Diálogo pela Paz e a Não-Violência
22:00 horas
Chapitô, R. da Costa do Castelo, Lisboa
Oradores : Amândio Figueiredo (Federação Portuguesa de Yoga); Elisabete Dâmaso (Youth for the Human Rights); Santos Cabral (Guente dy Rincon y Kryon / Diáspora Juvenil Africana em Portugal); e Sérgio Vieira (Federação para a Paz Internacional).
________________________________________
Quarta-feira, 11 de Novembro: TAVIRA
11:00 Concentração na Praça da República, junto ao monumento da 1º Grande Guerra Mundial.
18H – Conferência sobre a Batalha de Talavera, por Peter Kingdon Booker
19H30 - Jantar
Local: Hotel Porta Nova
________________________________________
Quinta-feira, 12 de Novembro: LISBOA
Recepção da Marcha em Lisboa
15:00 horas
Parque das Nações, Lisboa
Lisboa recebe comitivas de Norte a Sul do País. O Parque das Nações é ponto de encontro para a recepção a realizar no dia 12 de Novembro pelas 15 horas. Um momento único com a passagem de testemunho e com um grande pendor simbólico.
Encontro de Paz e Não-Violência
"Projecto Filosofia e Religião"
18:30 horas
Anfiteatro 3 da Faculdade de Letras da U.L.,
Cidade Universitária, Lisboa
Concerto "Aves Migratórias"
22:00 horas
Chapitô, R. da Costa do Castelo, Lisboa
Através da música e outras formas de expressão artística como a projecção de imagens, a poesia e a expressão dramática, o grupo procura transmitir uma mensagem: O (re)despertar da Sensibilidade e da Compaixão.
________________________________________

Sexta-feira, 13 de Novembro: LISBOA
Vigília
22:00 horas
Largo do Teatro N. S. Carlos, Chiado, Lisboa
________________________________________

Sábado, 14 de Novembro: LISBOA
Marcha de Rua em Lisboa
15:00 horas
Marquês de Pombal, Lisboa
"Diversidade por uma Causa"
15:00 horas - Concentração no Marquês de Pombal
15:30 horas - Marcha de Rua da Avenida da Liberdade até à Praça da Figueira
17:00 horas - Chegada à Praça da Figueira
17:30 horas - Festa Multicultural





No próximo dia 5 de Novembro, a Marcha Mundial realizará no Porto um percurso simbólico, da Praça do Marquês (15h30) aos Aliados (17h00), onde se fará um símbolo humano.
Em poucos meses a Marcha Mundial suscitou a adesão de milhares de pessoas, grupos pacifistas e não-violentos, diversas instituições, personalidades do mundo da ciência, da cultura e da política.
A Marcha Mundial pretende contribuir para despertar a consciência da não-violência, exigindo o desarmamento nuclear a nível mundial, a retirada imediata das tropas invasoras dos territórios ocupados, a redução progressiva e proporcional do armamento convencional, a assinatura de tratados de não agressão entre países e a renúncia dos governos ao uso da guerra como meio de resolução de conflitos.
Site da Marcha Mundial em Portugal: http://www.marchamundialpt.org/



Petição a favor do alargamento da protecção no desemprego


PETIÇÃO

Os Signatários reclamam:

O ALARGAMENTO DA PROTECÇÃO NO DESEMPREGO

Em consequência do encerramento de grande número de empresas, deslocalizações e salários em atraso, resultante da governação do PS e do comportamento do patronato, milhares de trabalhadores são hoje desempregados de longa duração e muitos outros, essencialmente jovens, devido ao emprego precário, estão desempregados e sem direito a protecção no desemprego, conduzindo muitos famílias à situação de pobreza.

Impõe-se alargar a protecção no desemprego, reduzindo os períodos de garantia para 365 e 90 dias dos subsídios de desemprego e social, e o prolongamento deste durante todo o período de recessão; majoração das prestações familiares e das prestações de desemprego quando há em simultâneo mais que um desempregado no mesmo agregado.

A REVOGAÇÃO DO FACTOR DE SUSTENTABILIDADE

O Governo de Sócrates impôs desde 1 de Janeiro de 2008 a todos os trabalhadores que se reformaram por velhice, uma redução na sua pensão. Ao valor da pensão resultante do cálculo, aplica-se este factor de sustentabilidade. Em 2008 a redução foi de 0,56%, e em 2009 o valor acumulado de 1,32%. Em cada ano, se a esperança de vida aos 65 anos aumentar, como está previsto, maior será a redução das pensões.

ALTERAÇÃO DAS REGRAS DE ACTUALIZAÇÃO DAS PENSÕES E PRESTAÇÕES

Milhares de reformados e aposentados têm perdido poder de compra, dado que os aumentos das pensões não acompanharam a inflação.

Com as novas regras de actualização (IAS), nem as pensões mínimas “escaparam”, deixando estas de crescer, mantendo só o poder de compras, rompendo com o ciclo da sua dignificação, que vinha há muito a ser prosseguido.



ASSINE ONLINE AQUI:
http://www.cgtp.pt/peticoes/2009/sociais/index.php

As festas e as celebrações no México do Dia dos Mortos


No México, o Dia dos Mortos é uma celebração de origem indígena, que honra os defuntos no dia 2 de novembro. Começa no dia 1 de novembro e coincide com as tradições católicas do Dia dos Fiéis Defuntos e o Dia de Todos os Santos. Além do México, também é celebrada em outros países da América Central e em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a população mexicana é grande. A UNESCO declarou-a como Património da Humanidade.
As origens da celebração no México são anteriores à chegada dos espanhóis. Há relatos que os
astecas, maias, purépechas, náuatles e totonacas praticavam este culto. Os rituais que celebram a vida dos ancestrais se realizavam nestas civilizações pelo menos há três mil anos. Na era pré-hispânica era comum a prática de conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.
O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no nono mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa
Mictecacíhuatl, conhecida como a "Dama da Morte" (do espanhol: Dama de la Muerte) - atualmente relacionada à La Catrina, personagem de José Guadalupe Posada - e esposa de Mictlantecuhtli, senhor do reino dos mortos. As festividades eram dedicadas às crianças e aos parentes falecidos.
É uma das festas mexicanas mais animadas, pois, segundo dizem, os mortos vêm visitar seus parentes. Ela é festejada com comida, bolos, festa, música e doces, os preferidos das crianças são as caveirinhas de açúcar.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_do_dia_dos_mortos








OAXACA: Fiesta de Muertos - Dia de los Muertos en Oaxaca

http://www.dia-de-los-muertos.com/
http://oaxacalive.com/muertos.htm


A celebração do Dia dos Mortos em Oaxaca é uma cerimónia popular que invoca os espíritos dos ancestrais e convida-os a conviver com o mundo terreno. O culto dos mortos é muito anterior à evangilização cristã no México





Dia de mortos no México




The Mexican Day of the Dead




Dia dos Mortos Vs Halloween
Breve video onde se fala da interpretação das duas culturas sobre a morte

31.10.09

Feira de Trocas no espaço multiusos da Junta de Freguesia de S.Nicolau (à ribeira do Porto) - no Domingo, dia 1 de Novembro, entre as 15h e as 18h.



Feira de Trocas de Novembro!

Dia 1 de Novembro, DOMINGO, das 15h às 18h.

Local: Espaço Multiusos da Junta de Freguesia de S. Nicolau (Rua Nova da Alfândega nº 25), à ribeira do Porto

Nesta feira: banca de livros e cd’s, banca de sabonetes artesanais, banca de brinquedos, banca de ensinar a fazer tricô, entre outras!
Aparece e Participa

Zé da Messa - a gente não se esqueceu de ti

A Associação Política Socialista Revolucionária (APSR) realizou esta sexta-feira, em Lisboa, um concerto de homenagem ao antigo dirigente do PSR José Carvalho, assassinado há duas décadas, à porta da sede do partido, por um grupo de extrema-direita.
José da Conceição Carvalho era conhecido no partido como “Zé da Messa”, por ter sido operário e membro da Comissão de Trabalhadores da Messa, uma empresa de máquinas de escrever do Concelho de Sintra, que encerrou em 1985.


Zé da Messa- a gente não se esqueceu de ti


Conheci o Zé da Messa nos anos oitenta. Eu era então um jovem estudante farto do bafio em que se tinha tornado a militância maiosta na UJCR (União das Juventudes Comunistas Revolucionárias). Talvez tenha sido muito por causa do Zé que fui ficando ali pela Rua da Palma e devagarinho fui entrando na militância do PSR.
O Zé não tinha preconceitos nem ideias feitas sobre as pessoas. Aceitava cada um conforme era e descobria em cada um, o melhor que cada um tinha. O Zé não dividia, conciliava. O Zé não catequizava como os políticos ou os intelectuais que depois foram começando a aparecer por lá. Preferia o convívio compincha e era capaz de ouvir até os mais tristes desabafos. O Zé era um operário.
Foi com o Zé que aprendi a colar cartazes. Tenho muito orgulho em dizê-lo. Recordo com saudade as palavras que me disse quando notou a minha inexperiência em colagem «Olha faz-se assim estás a ver?» enquanto passava a brocha e depois esticava o cartaz. Pouco depois olhando uma parede de mármore bem lisinho disse «Vá experimenta aqui». E colei o primeiro cartaz da minha vida. Foi ali no Martim Moniz.
Colei depois muitos e muitos cartazes com o Zé. As acções de colagem eram momentos onde o inesperado rompia a cada passo. Havia os insultos, os ataques e os arranques sistemáticos dos cartazes por aqueles que odiavam tudo quanto era esquerdista. Convêm não esquecer que, no início dos anos oitenta, o PREC tinha deixado muitas feridas abertas na sociedade. Naquele tempo as colagens eram feitas por militância. O pagamento que recebíamos no fim da noite era a alegria do dever cumprido e o convívio em torno de umas imperiais naqueles lugares que fechavam tarde e que hoje já não subsistem, devorados que foram por discotecas e roulottes de cachorros.
Foi numa dessas primeiras noites de colagens, ali para os lados da Amadora que percebi bem o lado humano do Zé. Colávamos mais à frente e de repente apercebemo-nos de um sururu à porta de um café. Um camarada exaltado discutia com um homem. Tinha sido arrancado um cartaz. Fomos até lá e reparámos logo num miúdito, atrás de uma coluna meio assustado, que presenciava a cena. O Zé percebeu rapidamente o que se tinha passado. A criança por brincadeira arrancara o cartaz. O camarada notou e pediu explicações ao pai que não gostou e respondeu torto. O Zé só disse uma frase: «Deixa lá. Não vês que foi o puto?». E passou a mão pela cabeça da criança. O Zé era assim e por isso eu gostava tanto dele.
«Olha Zé a gente não se esqueceu de ti. Ouviste?». Eu sei que já estás a sorrir como sorrias sempre quando me vias aparecer para as colagens e a pensar lá com os teus botões «Olha onde o rapaz chegou. É doutor e agora até escreve sobre mim».

35º aniversário da Base-Fut vai ser festejado em Coimbra nos próximos dias 7 e 8 de Nov.



No fim de semana de 7/8 de Novembro a Base-FUT vai festejar em Coimbra o seu 35ºAniversário!Foi em Novembro de 1974 que mais de uma centena de militantes de várias origens ,mas predominando os militantes católicos, criaram a Base-Frente Unitária de Trabalhadores nas instalações do Inatel da Costa de Caparica.O sector operário do catolicismo progressista, na sua maioria quadros sindicais, geravam uma corrente organizada e autónoma no nascente movimento sindical livre português.

Com o tempo a Base-FUT transformou-se numa associação/movimento sem a força sindical incicial mas com outras experiencias sociais, nomeadamente no terreno associativo, formativo e cultural.Conseguiu resistir, adaptando-se, à crise das décadas de 80/90 e procura agora até ao seu Congresso de 2011 uma redefinição e actualização do seu projecto político não abandonando a sua inicial inspiração de transformar a sociedade a partir da base, com os que têm pouco ou nenhum poder, trabalhando pela emancipação e autonomia das pessoas e pela vida no nosso Planeta.

Do Programa do Aniversário consta uma Sessão no dia 07 de Novembro sobre um filme-«HOME-A terra é o nosso mundo» e debate sobre o mesmo e uma noite cultural com jantar e música.

No Domingo haverá o almoço de aniversário, com parabéns e intervenções.


Inscreve-te.Participa

Amor e transgressão é o tema do curso orientado por Mário Cláudio no Museu Soares dos Reis a partir de 2 de Novembro


Mário Cláudio orienta o curso “Amor e Transgressão” no Museu Nacional Soares dos Reis, a partir do próximo dia 2 de Novembro. O Clube de Leitura “Amor e transgressão” realizar-se-á quinzenalmente, sempre às segundas-feiras, das 19 às 21 horas, e a participação, limitada a 30 pessoas, está sujeita ao pagamento de 70 euros.
As inscrições para o curso “Amor e transgressão” podem ser feitas através do telefone 226061920.

30.10.09

As abstrações económicas ou o processo de substituição da riqueza pelas suas próprias representações (dinheiro), e a sua crescente imaterialização


O crepúsculo do dinheiro
por John Michael Greer
tradução portuguesa em http://resistir.info/

Comentei antes nestes ensaios que um dos hábitos menos construtivos do pensamento contemporâneo é a sua insistência no carácter único da experiência moderna. É verdade, naturalmente, que os combustíveis fósseis permitiram às sociedades industriais do mundo prosseguirem as suas farras numa escala mais grandiosa do que as de qualquer império do passado, mas as próprias farras têm estreitos paralelos com aquelas das sociedades anteriores e detectar as trajectórias destes exemplos passados é um dos poucos recursos de orientação utilizáveis se quisermos saber para onde nos levam as versões actuais.

A metástase do dinheiro em todos os aspectos da vida no mundo industrial moderno é um bom exemplo. Se bem que nenhuma sociedade do passado, tanto quanto sabemos, tenha levado este processo tão longe, a substituição de riqueza pelas suas próprias representações abstractas não é uma coisa nova. Como já no século XVIII destacou Giambattista Vico , as sociedades complexas movem-se do concreto para o abstracto ao longo dos seus ciclos de vida e isto influencia a vida económica mais do que qualquer outra coisa. Assim como o poder político principia com violência bruta e evolui progressivamente rumo a meios mais subtis de persuasão, a actividade económica principia com a troca directa de riqueza real e evolui através de um processo semelhante de abstracção: primeiro, uma mercadoria apreciada torna-se a medida padrão para todas as outras espécies de riqueza; a seguir, recibos que podem ser trocados por alguma quantia fixa daquela mercadorias tornam-se uma unidade de troca; finalmente, promessas de pagar alguma quantia destes recibos quando solicitados, ou num ponto fixado no futuro, entram em circulação e estas podem em grande medida acabar por substituir os próprios recibos.

Este movimento rumo à abstracção tem vantagens importantes para sociedades complexas, pois abstracções podem ser posicionadas com um investimento de recursos muito menor do que com a mobilização das realidades concretas que lhes estão subjacentes. Poderíamos ter resolvido o debate do ano passado acerca de quem deveria governar os Estados Unidos através do método ultrapassado, fazendo com que McCain e Obama chamassem às armas e os seus apoiantes, marchassem para a guerra e resolvessem a questão em meio a uma saraivada de balas e tiros de canhão numa belo dia de Setembro numa pradaria do Iowa. Contudo, o custo em vidas, dinheiro e danos colaterais teria sido excessivo em relação a eleições. Da mesma forma, as complexidades envolvidas em pagar trabalhadores de escritório em espécie, ou mesmo em cash, fazem uma economia de abstracções muito menos incómoda para todos os afectados.

A ARMADILHA

Ao mesmo tempo, há uma armadilha oculta no conforto das abstracções: quanto mais distante você fica das realidades concretas, maior se torna a probabilidade de que as realidades concretas possam não estar ali quando necessárias. A história está pejada de cadáveres de regimes que deixaram o seu poder tornar-se tão abstracto que já não podiam conter um desafio no nível fundamental da violência bruta; diz-se da história chinesa, e poderia ser dito de qualquer outra civilização, que o seu ritmo básico é a andadura de botas cardadas a subirem degraus, seguida pelos sussurros de chinelos de seda a descerem. Da mesma forma, as abstracções económicas mantêm-se a funcionar só na medida em que existem bens e serviços reais para serem comprados e vendidos e é apenas nas fantasias de economistas que as abstracções garantem a presença dos bens e serviços. Vico argumentou que esta armadilha é uma força condutora central por trás do declínio e queda de civilizações; o movimento rumo à abstracção vai tão longe que as realidades concretas são ignoradas. No fim as realidades escorrem para longe sem serem percebidas, até que um choque de alguma espécie sacode a torre das abstracções construídas em cima de realidades ocas e toda a estrutura desmorona-se.

Estamos desconfortavelmente próximos de tal possibilidade exactamente agora, especialmente nos nossos assuntos económicos. Ao longo do último século, com a assistência da hipercomplexidade económica tornada possível pelos combustíveis fósseis, os países industriais do mundo levaram o processo de abstracção económica mais longe do que qualquer civilização anterior. No topo dos níveis habituais de abstracção – uma mercadoria utilizada para medir valor (ouro), recibos que podiam ser trocados por aquela mercadoria (papel moeda) e promessas de pagar os recibos (cheques e outros papeis financeiros) – as sociedades contemporâneas construíram uma pirâmide extraordinária de abstracções adicionais. Ao contrário das pirâmides do Egipto, além disso, estas assentam no terreno sobre uma base estreita, no seu cerne de bens e serviços reais, e expande-se à medida que sobe.

A consequência de toda esta construção de pirâmides é que não há bastantes bens e serviços sobre a Terra para igualar, aos preços actuais, mais do que uma pequena percentagem do valor facial das acções, títulos, derivativos e outros exotismos financeiros agora em circulação. A vasta maioria da actividade económica no mundo de hoje consiste puramente de permutas entre estas representações de representações de representações de riqueza. Esta é a razão porque a economia real de bens e serviços pode cair numa queda livre como aquela agora em curso, sem ter até então mais do que um modesto impacto sobre uma economia cada vez mais alucinatória de abstracções financeiras.

Mas um impacto haverá, se a queda livre prosseguir suficientemente longe. Este é o ponto de Vico e é uma possibilidade que tem sido considerada de modo demasiado ligeiro tanto pelas classes políticas das sociedades industriais de hoje como pelos seus críticos em ambos os extremos do espectro político. Uma economia de riqueza alucinada depende absolutamente da concordância de todos os participantes em aceitar que as alucinações têm valor real. Quando esta concordância afrouxa, a pretensão pode evaporar-se em tempo recorde. É assim que bolhas financeiras transformam-se em pânicos financeiros: a fantasia colectiva de valor que cercava bolbos de tulipas, ou acções, ou lotes de habitação suburbana, ou qualquer outro veículo especulativo, dissolve-se numa louca corrida para a saída. Esta corrida tem sido pacífica até à data; mas pode não ser sempre assim.

Argumentei em posts anteriores que a era industrial é num certo sentido a bolha especulativa final, uma festa de três séculos de duração conduzida pela fantasia do crescimento económico infinito sobre um planeta finito com ainda mais finitos abastecimentos de energia barata abundante. Mas, chego a pensar que esta mega-bolha gerou uma segunda bolha aproximadamente da mesma escala. O veiculo para esta bolha secundária é o dinheiro – o que significa aqui os conteúdos totais da riqueza que domina a nossa vida económica e quase sufocou a economia real de bens e serviços, para nada dizer da economia primária de sistemas naturais que nos mantém vivos a todos.

CARACTERÍSTICAS DAS BOLHAS

Bolhas especulativas são definidas de vários modos, mas exemplos clássicos – a farra das acções de 1929, digamos, ou a última bolha habitacional – têm certos padrões característicos em comum. Primeiro, o valor de qualquer ítem que esteja no centro da bolha mostra uma ascensão de preço sustentada não justificada por mudanças na economia em geral, ou em qualquer valor concreto que o ítem possa ter. Uma bolha especulativa em dinheiro funciona de um modo um pouco diferente das outras bolhas, porque o veículo especulativo é também a medida do valor; ao invés de um dólar aumentar de valor até que valha dois, um dólar torna-se dois. Quando acções ou lotes habitacionais vão aumentando rapidamente de preço à medida que uma bolha neles se concentra, então, o que ascende numa bolha monetária é o montante total de riqueza de papel em circulação. Foi isto certamente o que aconteceu nas últimas décadas.

Uma segunda característica das bolhas especulativas é que elas absorvem a maior parte do valor fictício que criam, ao invés de espalharem-no outra vez pelo resto da economia. Numa bolha de acções, por exemplo, a maioria do dinheiro que vem de vendas de acções vai directamente outra vez para dentro do mercado; sem este loop de retroalimentação, uma bolha não pode suster-se por muito tempo. Numa bolha monetária, esta mesma regra mantém-se válida; a maior parte dos rendimentos de papel gerados pela bolha acabam por ser reinvestidos em alguma outra forma de riqueza de papel. Aqui, mais uma vez, isto certamente aconteceu; a única razão porque não vimos inflação de milhares por cento em resultado da vasta fabricação de riqueza de papel nas últimas décadas é que a maior parte dele foi utilizada unicamente para comprar ainda mais riqueza de papel recém-fabricada.

Uma terceira característica das bolhas especulativas é que o número de pessoas nelas envolvida aumenta firmemente quando a bolha avança. Em 1929, o mercado de acções foi inundado por investidores amadores que nunca antes haviam comprado uma acção de qualquer coisa; em 2006, centenas de milhares, talvez milhões, de pessoas que anteriormente pensavam de casas apenas como algo para viver chegaram a pensar delas como um bilhete para a riqueza da noite para o dia, e afundaram o seu valor líquido no imobiliário em consequência. A metástase da economia do dinheiro discutida em posts anteriores é outro exemplo do mesmo processo a funcionar.

Finalmente, é claro, as bolhas sempre explodem. Quando isso acontece, o veículo especulativo do dia vem abaixo com estardalhaço, perdendo a maior parte do seu valor assumido, e a massa de investidores amadores, tendo perdido qualquer coisa que tenham ganho e habitualmente um bocado mais, foge do mercado. Isto ainda não aconteceu à actual bolha monetária. Pode ser uma boa ideia começar a pensar acerca do que pode suceder se assim for.

Os efeitos de um pânico monetário estariam centrados desconfortavelmente próximos de casa, suspeito, porque o grosso da hiper-expansão monetária nas últimas décadas centrou-se numa única divisa, o dólar dos EUA. Aquela bomba podia ter sido desarmada se o colapso do ano passado da bolha habitacional tivesse sido permitido seguir o seu curso, porque isto teria eliminado um não pequeno montante de abstracções denominadas em dólar geradas pelos excessos dos últimos anos. Infelizmente, o governo estado-unidense optou ao contrário por tentar re-inflar a bolha da economia gastando dinheiro que ele não tem através de uma orgia de concessões de empréstimos e alguns muito dúbios truques fiscais. Muitos governos estrangeiros estão consequentemente a ficar relutantes em emprestar mais dinheiro aos EUA e pelo menos uma potência em ascensão – a China – tem estado silenciosamente a substituir as suas reservas de dólares por commodities e outras formas de riqueza muito menos abstractas.

Até agora, tem sido do melhor interesse de outros países industriais apoiar os Estados Unidos com um fluxo firme de crédito, de modo a que possa entrar em bancarrota ao cumprir o seu auto-imposto papel de polícia global. Tem sido um arranjo muito confortável, uma vez que outros países não têm de arcar com mais do que uma pequena fracção dos custos de tratar com estados perigosos (rogue), mantendo o Médio Oriente dividido contra si próprio, ou mantendo a hegemonia económica sobre um Terceiro Mundo cada vez mais inquieto, enquanto recebem os benefícios de todas estas políticas. O fim da era do combustível fóssil barato, contudo, lançou uma carta devastadora no jogo. Quando a produção mundial de petróleo vacila, deve ter ocorrido aos líderes dos outros países que se os Estados Unidos deixassem de consumir cerca de um quarto da oferta mundial de combustíveis fósseis haveria um bocado mais para partilhar por todos. A possibilidade de que outros países possam decidir que este ganho potencial pesa mais do que as vantagens de manter os Estados Unidos solventes pode tornar interessante a próxima década, ou pouco mais ou menos, no sentido da famosa maldição chinesa.

No longo prazo, por outro lado, é seguro assumir que a vasta maioria dos activos de papel agora em circulação, qualquer que seja a divisa na qual estão denominados, perderá essencialmente todo o seu valor. Isto pode acontecer rapidamente, ou pode desdobrar-se ao longo de décadas, mas a oferta mundial de representações abstractas de riqueza é tão mais vasta do que a sua oferta de riqueza concreta que alguma coisa tem de acontecer mais cedo ou mais tarde. O crescimento económico futuro não fará diferença; o fim da era do combustível fóssil barato torna o crescimento da economia real de bens e serviços uma coisa do passado, excepto em situações raras e auto-limitantes. Quando os limites do crescimento endurecem e se tornam primeiro barreiras ao crescimento e a seguir condutores da contracção, o encolhimento na economia real torna-se a regra, intensificando o descompasso entre dinheiro e riqueza e aumentando a pressão para depreciar o valor real de activos em papel.

Mais uma vez, seja como for, tudo isto aconteceu antes. Exactamente quando a crescente abstracção económica é uma característica comum da história de sociedades complexas, o descarrilamento daquela abstracção é uma característica comum do seu declínio e queda. Os expedientes desesperados agora a serem perseguidos para expandir a oferta monetária americana numa economia em rápida contracção tem equivalentes exactos, digamos, nas medidas igualmente desesperadas tomadas pelo Império Romano nos seus últimos anos para expandir a sua própria oferta monetária através da degradação da cunhagem. A economia romana atingira níveis muito altos de complexidade e o alcance internacional; os seus prestamistas – poderíamos chamá-los hoje de financeiros – era uma grande força económica, o crédito desempenhava um papel apreciável na vida económica de todos os dias. No declínio e queda do império, tudo isto acabou. Os agricultores que pastoreavam o seu rebanho nas ruínas do fórum de Roma durante a Baixa Idade Média viviam numa economia de permuta e de corte feudal, na qual moedas eram elementos raros e mais frequentemente utilizadas como jóias do que como um meio de troca.

Uma trajectória semelhante quase certamente aguarda-nos no futuro do nosso próprio sistema económico, embora não seja claro que utilização os pastores darão aos vastos maços de Títulos do Tesouro quando levarem as suas manadas a um centro comercial nas futuras ruínas da Washington DC. Como se desenrolará a trajectória é algo que ninguém adivinhou, mas a possibilidade de que possamos muito em breve ver declínios agudos no valor do dólar, e dos activos de papel denominados em dólar, provavelmente não deveria ser ignorada. Converter representações abstractas de riqueza por coisas de valor mais duradouro pode estar no alto da lista de preparações básicas para o futuro.
14/Outubro/2009

Outros trabalhos do autor em resistir.info:
• Pico petrolífero: Fausto e a armadilha do macaco , 27/Mar/07
• As tecnologias de retaguarda , 06/Ago/08
• A economia termodinâmica , 07/Jul/09
• O desrespeito pela entropia , 01/Set/09

O original encontra-se em
http://thearchdruidreport.blogspot.com/ .
Tradução de JF.

Este artigo foi retirado de
http://resistir.info/ .

Pela Justiça climática


Justiça climática: um imperativo civilizacional

texto de Ricardo Coelho retirado do
Ecoblogue

A luta pela justiça ambiental baseia-se na noção de que os problemas sociais e os problemas ambientais estão interligados, reforçando-se mutuamente. Esta luta une indígenas de todo o mundo, comunidades de negros e hispânicos nos EUA, movimentos de agricultores, de sem-terra, de desempregados e precários, em suma, todos os explorados do mundo, no ataque às fundações da degradação ambiental. Superando o discurso politicamente correcto e vazio de conteúdo presente em muitas campanhas promovidas por ONG's fortemente ligadas à indústria, o movimento pela justiça ambiental encontra no capitalismo global a raiz das desigualdades sociais e da destruição do planeta.


A variante mais famosa deste movimento actualmente é a justiça climática. Movimentos agrupados em torno da rede Acção pela Justiça Climática1 estão a mobilizar-se para denunciar a forma como o Protocolo de Quioto nada fez para resolver o problema do aquecimento global, dado que se baseia em mecanismos de mercado. O mercado de carbono permitiu que os maiores poluidores lucrassem com a especulação bolsista, agravou a exploração neo-colonial dos países mais pobres, legitimou a expansão do uso de combustíveis fósseis e está a abrir a porta para a privatização dos recursos naturais em todo o mundo2. Qualquer acordo pós-Quioto baseado num mercado de emissões irá conduzir-nos para um mundo devastado pelas alterações climáticas e agravar as desigualdades sociais.


O movimento pela justiça climática nasce, antes do mais, da necessidade de contrariar a ideia de que as alterações climáticas afectam toda a humanidade da mesma forma. Na realidade, os mais pobres serão mais prejudicados pelos problemas ambientais, exactamente por serem pobres. À medida que a água escasseia, os mais ricos do planeta terão sempre acesso a água potável mas os mais pobres terão de percorrer distâncias cada vez maiores para recolher água num poço poluído. À medida que a erosão dos solos avança, os mais ricos encontrarão novas terras para cultivar, enquanto os mais pobres morrem à fome. À medida que o mar ganha terreno sobre a costa, os mais ricos erguem paredões e ganham tempo, enquanto os mais pobres são forçados a mudar de casa.


Tudo isto parece ser consensual. Afinal, o Protocolo de Quioto reconhece o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas, impondo metas de redução de emissões apenas aos países industrializados. Os líderes globais, como Barack Obama, Gordon Brown, Angela Merkel e Nicholas Sarkozy, reconhecem a necessidade de alcançar um acordo na cimeira de Copenhaga, em Dezembro, que reduza as emissões de gases com efeito de estufa sem prejudicar os mais pobres do planeta. Mas do discurso à prática vai uma grande distância.


Resolver o problema das alterações climáticas implica descarbonizar a sociedade, afrontando os interesses das empresas de combustíveis fósseis. Implica, nomeadamente, investir em transportes públicos, reduzir a utilização do transporte aéreo e marítimo, fechar centrais eléctricas alimentadas com carvão ou gás natural e acabar com a utilização de fertilizantes químicos na agricultura. Implica afrontar o consumismo e o desperdício que reinam nas sociedades ocidentais. Mas nada disto está em cima da mesa nas negociações internacionais.
O que está em cima da mesa então? Está a privatização das florestas mundiais, através da sua inclusão no mercado de carbono3. Está a promoção de desastres ambientais, como os agro-combustíveis, a energia nuclear ou a captura e armazenamento de carbono. Está a exigência de que países em industrialização, como a China e a Índia, empreendam políticas ambientais que os países industrializados nunca aplicaram.


Neste contexto, a luta pela justiça climática assume uma cada vez maior importância. Apenas com movimentos fortes podemos colocar em cima da mesa de negociações o que realmente interessa discutir: deixar os combustíveis fósseis no subsolo, anular a dívida externa dos países mais pobres, reconhecer o papel das comunidades na gestão sustentável da natureza, respeitar os direitos dos indígenas e dos povos das florestas e colocar os sectores energético e de transporte ao serviço das populações. Daí que o Klima Forum4, onde se juntarão milhares de activistas de todo o mundo para coordenar acções pela justiça climática, seja tão importante.
Muitas ONG's ainda não incorporaram os princípios da justiça climática no seu discurso e nas suas acções, ou fizeram-no de forma pouco satisfatória. A campanha “Tck Tck Tck”4, por exemplo, promovida por ONG's como a Greenpeace ou a WWF, lançou uma música pela justiça climática5, onde participam artistas conhecidos. Mas o site da campanha não só não menciona nenhuma das questões levantadas pelos movimentos pela justiça climática como entra em clara contradição com a causa quando diz que todos serão afectados pelas alterações climáticas6. Embora reconheçam o falhanço de Quioto, estas ONG's não se demarcam da origem desse falhanço – o facto de se basear em mecanismos de mercado. Caem assim num discurso vazio de conteúdo, que em nada se distingue da hipócrita campanha promovida pelo governo britânico7, que se pretende posicionar como líder em questões ambientais enquanto promove a expansão do uso de carvão, das auto-estradas e dos aeroportos.


Ao separar o dilema ambiental dos problemas sociais, muitos ambientalistas acabam por alinhar em campanhas que falham o alvo e podem acabar por legitimar falsas soluções para as alterações climáticas. A focalização no discurso científico promovida pelo movimento 3508 é um bom exemplo de como uma campanha realizada com a melhor das intenções corre o risco de servir os interesses dos grandes poluidores, na medida em que desvia as atenções do que é realmente relevante. Ao não discutir as origens sociais das alterações climáticas ou as consequências das políticas propostas para as combater, este movimento corre o risco de se tornar tão ineficaz quanto o “Pobreza zero”.


Foi por isso que movimentos de justiça climática responderam ao apelo do movimento 350 criando uma campanha contra o mercado de carbono que contou com a participação de várias ONG's de todo o mundo9. Esta é uma entre muitas tentativas de politizar a discussão em torno das alterações climáticas, enquadrando a degradação ambiental na globalização capitalista. Toda a nossa solidariedade política deve ir para este tipo de esforços.

1 –
http://www.climate-justice-action.org/
2 – Mais sobre o mercado de carbono no site da Carbon Trade Watch (
http://www.carbontradewatch.org )
3 – A proposta REDD. Ver

www.ecoblogue.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1655&Itemid=41
4 –
http://tcktcktck.org /
5 –
http://www.youtube.com/watch?v=aBTZOg6l6cA
6 – Ver “What is climate justice?” em
http://www.timeforclimatejustice.org/home/whatisclimatejustice
7 – Petição em
http://www.actoncopenhagen.decc.gov.uk/en/
8 – Este movimento foi criado em torno do estudo de cientistas da NASA que conclui que a concentração máxima de CO2 suportável pela atmosfera é de 350 partes por milhão (actualmente já ultrapassamos as 385 partes por milhão). Mais detalhes em
http://www.350.org
9 – Em
http://www.350reasons.org/

29.10.09

Como puderam os economistas errar tanto? (texto de Paul Krugman, Prémio Nobel de Economia, sobre a cegueira dos economistas)

O Rei vai Nú , ou seja, os economistas (e a sua economia neoclássica) não entendem a actual realidade económica nem o capitalismo que era suposto serem os especialistas !!!....


A cegueira dos economistas...

"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."
(Paul Krugman, New York Times de 2 de Setembro).

http://krugman.blogs.nytimes.com/





Como puderam os economistas errar tanto? (How Did Economists Get It So Wrong?)
Texto integral
de Paul Krugman publicado no New York Times


1. Confundindo beleza com verdade
É difícil acreditar agora, mas pouco tempo atrás os economistas estavam parabenizando a si mesmos pelo sucesso da própria profissão.
Este – suposto – sucesso era tanto teórico quanto prático, proporcionando à profissão uma era dourada.
Do ponto de vista teórico, eles pensaram ter resolvido suas disputas internas. Assim, num estudo publicado em 2008 intitulado “O estado da macro” (ou seja, a macroeconomia, o estudo de questões econômicas mais amplas, como as recessões por exemplo), Olivier Blanchard do MIT, atual economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, declarou que teríamos chegado a uma “ampla convergência de visões”.
E no mundo real, os economistas acreditavam ter tudo sob controle: o “problema central da prevenção das depressões foi resolvido”, declarou em 2003 Robert Lucas, da Universidade de Chicago, no seu pronunciamento presidencial endereçado à Associação Econômica Americana. Em 2004, Ben Bernanke, ex-professor de Princeton e atual presidente do Federal Reserve(o BC dos EUA), celebrou a era da Grande Moderação no desempenho econômico durante as duas décadas anteriores, a qual ele atribuiu, em parte, a melhores decisões tomadas na política econômica.
No ano passado, tudo desabou.
Na sequência da crise, as fissuras na profissão dos economistas aumentaram, tornando-se fendas jamais vistas antes. Lucas chamou os planos de estímulo do governo Obama de “charlatanice econômica”, e seu colega de Chicago, John Cochrane, diz que tais planos têm como base “contos de fadas” já descartados. Como resposta, Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, escreveu sobre o “colapso intelectual” da Escola de Chicago, e eu mesmo já escrevi que os comentários feitos pelos economistas de Chicago são o produto de uma Idade das Trevas da macroeconomia, durante a qual foi esquecido um conhecimento adquirido a um custo muito elevado.
O que houve com a profissão dos economistas? E para onde ela vai a partir do ponto atual?


2. De Smith até Keynes, voltando ao princípio
O nascimento da economia enquanto disciplina costuma ser creditado a Adam Smith, que publicou A riqueza das nações em 1776. Nos 160 anos seguintes, um extenso volume de teorias econômicas foi desenvolvido a partir de uma mensagem central: confie no mercado. Esta era a premissa básica da economia “neoclássica” (batizada a partir dos economistas do fim do século 19 que refinaram os conceitos de seus predecessores “clássicos”).
Esta fé foi, no entanto, esmagada pela Grande Depressão. Ao final, a maioria dos economistas se voltou para as propostas de John Maynard Keynes, tanto para explicar o que acontecera quanto para encontrar uma solução para as depressões futuras.
Apesar do que dizem alguns, Keynes não queria que o governo administrasse a economia. Ele descreveu como “moderadamente conservador em suas implicações” o raciocínio publicado em 1936 na sua obra-prima, Teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Keynes queria consertar o capitalismo, e não substituí-lo. Mas ele de fato desafiou a ideia de que as economias de livre mercado possam funcionar na ausência de um zelador. E ele defendeu uma intervenção governamental ativa – imprimir mais dinheiro e, caso necessário, gastar muito com obras públicas – para combater o desemprego durante os períodos de declínio.
A história da economia enquanto disciplina ao longo dos últimos 50 anos é, em boa medida, a história do recuo do keynesianismo e do retorno do neoclassicismo. A retomada neoclássica foi inicialmente liderada por Milton Friedman, da Universidade de Chicago, que afirmou já em 1953 que a ciência econômica neoclássica funciona bastante bem enquanto descrição da maneira pela qual a economia de fato funciona, fazendo desta teoria “ao mesmo tempo extremamente frutífera e merecedora de grande confiança”. Mas e quanto às depressões? O contra-ataque de Friedman a Keynes começou com a doutrina conhecida como monetarista. Os monetaristas não discordavam, em princípio, da ideia de que uma economia de mercado necessite de estabilização deliberada. Entretanto, os monetaristas afirmavam que uma forma bastante limitada e circunscrita de intervenção governamental – qual seja, instruir aos bancos centrais que mantenham em crescimento constante o suprimento de dinheiro do país (a soma do dinheiro em circulação e dos depósitos nos bancos) – seria suficiente para evitar as depressões.
Friedman combateu com grande credibilidade a ideia de iniciativas governamentais deliberadas para empurrar o desemprego até um patamar inferior ao seu nível “natural” (atualmente estimado em 4,8% para os Estados Unidos): de acordo com a previsão dele, medidas excessivamente expansionistas levariam a uma combinação entre inflação e alto desemprego – uma previsão confirmada pela estagflação da década de 1970, a qual contribuiu muito com o aumento da credibilidade do movimento antikeynesiano. Entretanto, a posição de Friedman acabou vista como relativamente moderada em comparação com a de seus sucessores.
Enquanto isso, alguns macroeconomistas enxergaram as recessões como algo positivo, parte do ajuste da economia às mudanças. E mesmo aqueles que não se dispunham a ir tão longe argumentavam que qualquer tentativa de combater um declínio econômico acabaria provocando mais males do que benefícios
Muitos macroeconomistas se tornaram novos keynesianos autoproclamados, que continuaram a acreditar num papel ativo desempenhado pelo governo.
Mas mesmo eles aceitavam a noção de que investidores e consumidores são racionais e os mercados em geral costumam acertar.
É claro, alguns economistas desafiaram o pressuposto do comportamento racional, questionaram a crença na confiabilidade dos mercados financeiros e sublinharam o longo histórico de crises financeiras de consequências econômicas devastadoras. Mas eles não foram capazes de avançar muito contra uma complacência difusa e, retrospectivamente, tola.


3. O cassino das finanças
Na década de 1930, os mercados financeiros, por motivos óbvios, não eram muito respeitados. Keynes considerava péssima ideia permitir que tais mercados – nos quais os investidores gastavam seu tempo correndo uns atrás do rabo dos outros – ditassem importantes decisões de negócios: “Quando o desenvolvimento do capital de um país se torna o subproduto das atividades de um cassino, é provável que o serviço resulte mal feito”.
Entretanto, perto de 1970, os debates sobre a irracionalidade dos investidores, sobre as bolhas e sobre a especulação destrutiva tinham virtualmente desaparecido do discurso acadêmico. A disciplina foi dominada pela “hipótese do mercado eficiente”, promulgada por Eugene Fama, da Universidade de Chicago, teoria que afirma a capacidade dos mercados financeiros de estabelecer com precisão o preço dos ativos exatamente no seu valor intrínseco como produto de todas as informações disponíveis publicamente.
E na década de 1980, os economistas financeiros, principalmente Michael Jensen, da Escola de Administração Harvard, argumentavam que devido ao fato de os mercados financeiros sempre acertarem ao definir os preços, o melhor que os caciques corporativos podem fazer, não apenas pelo seu próprio bem como pelo bem de toda a economia, é maximizar o preço de suas ações. Em outras palavras, os economistas financeiros acreditavam que deveríamos entregar o desenvolvimento do capital do país àquilo que Keynes chamara de “cassino”.
O modelo teórico desenvolvido pelos economistas financeiros ao suporem que cada investidor busca um equilíbrio racional entre o risco e a recompensa – o chamado Modelo de Precificação de Ativos Financeiros (CAPM, em inglês) – é de uma maravilhosa elegância. E para quem aceita suas premissas, o modelo é também muito útil. O CAPM não apenas ajuda a escolher o portfólio – ele ensina a atribuir preços aos derivativos financeiros, títulos sobre títulos, o que é ainda mais importante do ponto de vista da indústria financeira. A elegância e a aparente utilidade da nova teoria levou seus criadores a receberem uma sequência de prêmios Nobel, e muitos professores da faculdade de administração se tornaram cientistas brilhantes de Wall Street, recebendo cheques dignos deste centro financeiro.
Somos obrigados a reconhecer que os teóricos das finanças produziram boa quantidade de provas estatísticas, o que, de início, pareceu ser uma sólida base de apoio para suas hipóteses. Mas tais provas eram curiosamente limitadas. Os economistas financeiros raramente fizeram a pergunta, aparentemente óbvia (e de resposta difícil), de se os preços dos ativos faziam sentido quando eram levados em consideração fundamentos econômicos do mundo real, como a renda. Em vez disso, eles perguntavam apenas se o preço dos ativos fazia sentido em relação ao preço de outros ativos
Mas os teóricos das finanças continuaram acreditando que seus modelos estavam essencialmente corretos, e o mesmo pensaram muitas pessoas que tomavam decisões no mundo real. Entre estas pessoas estava Alan Greenspan, que na época era presidente do Fed e defensor de longa data da desregulamentação financeira, cuja rejeição dos apelos por um maior controle sobre os empréstimos subprime ou por medidas para combater o inchaço da bolha imobiliária se deveu principalmente à crença de que a ciência econômica financeira moderna tinha tudo sob controle.
Em outubro do ano passado, Greenspan admitia estar em estado de “choque e descrença”, porque “todo o edifício intelectual” tinha “desabado”.


4. Ninguém poderia prever…
Em recentes e pesarosos debates econômicos, “ninguém poderia prever…” se tornou uma das principais frases de efeito multiuso. É o que dizemos em relação a desastres que poderiam ser previstos, deveriam ser previstos e de fato foram previstos por alguns economistas, os quais foram ridicularizados pelo seu esforço.
Tomemos como exemplo a aguda alta e queda no preço dos imóveis. Alguns economistas, principalmente Robert Shiller, de fato identificaram a bolha e alertaram para as dolorosas consequências do seu estouro. Ainda assim, em 2004 Alan Greenspan rejeitou comentários sugerindo que uma bolha imobiliária estivesse em formação: a existência de “uma aguda distorção nacional dos preços”, declarou ele, era “muito improvável”. O aumento no preço dos imóveis, segundo disse Bernanke em 2005, “reflete principalmente a solidez dos fundamentos econômicos”.
Como puderam eles deixar de reparar na bolha? É verdade que as taxas de juros estavam abaixo do normal, o que possivelmente explicaria parte do aumento nos preços. Pode ser também que Greenspan e Bernanke quisessem comemorar o sucesso do Fed em tirar a economia da recessão de 2001; admitir que boa parte deste sucesso se deveu à criação de uma monstruosa bolha teria esfriado as festividades.
Mas havia algo mais acontecendo: uma crença generalizada no princípio de que as bolhas simplesmente não se formam. O mais chocante, ao relermos as garantias de Greenspan, é que elas não foram feitas com base em provas – elas tinham como base a suposição, a priori, de que simplesmente não pode haver uma bolha no mercado imobiliário.
E os teóricos das finanças foram ainda mais inflexíveis neste ponto.
Em entrevista concedida em 2007, Eugene Fama, pai da hipótese do mercado eficiente, declarou que “a palavra ?bolha? me deixa louco”, e na sequência explicou por que podemos confiar no mercado imobiliário: “O mercado imobiliário apresenta menor liquidez, mas as pessoas são muito cuidadosas quando compram casas. Trata-se provavelmente do maior investimento que farão, e portanto elas pesquisam atentamente e comparam preços”.
De fato, os compradores de imóveis costumam comparar cuidadosamente o preço de suas potenciais aquisições com os preços de outras casas. Mas isto não nos diz se o preço dos imóveis se justifica.
Em resumo, a crença nos mercados financeiros eficientes cegou muitos economistas, se não todos, para a emergência da maior bolha financeira já vista. E a teoria do mercado eficiente também desempenhou um papel significativo na criação da bolha em primeiro lugar.
Agora que o verdadeiro risco associado aos ativos supostamente seguros foi revelado, os lares norte-americanos testemunharam a evaporação de US$ 13 trilhões no valor de suas propriedades. Mais de 6 milhões de empregos foram perdidos e a taxa de desemprego parece rumar para o nível mais alto registrado desde 1940. Assim, que tipo de orientação a ciência econômica moderna tem a oferecer diante do nosso apuro atual? Será que podemos confiar nesta orientação?


5. A querela do estímulo
Durante uma recessão normal, o Fed responde por meio da compra de notas do Tesouro – títulos de curto prazo da dívida do governo – que estejam em poder dos bancos. Isto provoca uma redução nas taxas de juros sobre a dívida do governo; investidores em busca de uma maior proporção de retorno procuram outros ativos, provocando uma redução nas demais taxas de juros ; e normalmente estas taxas de juros mais baixas provocam, afinal, uma reversão no declínio econômico. O Fed combateu a recessão que teve início em 1990 derrubando de 9% para 3% as taxas de juros para os títulos de curto prazo. Combateu a recessão que teve início em 2001 cortando as taxas de juros de 6,5% para 1%. E tentou lidar com a recessão atual baixando as taxas de 5,25% para zero.
Mas a taxa zero revelou-se alta demais para pôr fim à recessão. E o Fed não pode reduzir as taxas de juros para menos do que zero já que, com mais taxas próximas do zero, os investidores simplesmente açambarcam o dinheiro em vez de emprestá-lo. Assim, perto do fim de 2008, com as taxas de juros basicamente definidas como aquilo que os macroeconomistas chamam de “patamar menor ou igual a zero” enquanto a recessão continuava a se aprofundar, a política monetária convencional tinha perdido todo o seu poder de tração.
E agora? Esta é a segunda vez que os EUA enfrentam juros menores ou iguais a zero, sendo que a primeira vez foi a Grande Depressão. E foi precisamente a observação de que existe um limite inferior para as taxas de juros o que levou Keynes a defender um maior gasto governamental: quando a política monetária é ineficaz e o setor privado não pode ser convencido a gastar mais, o setor público deve assumir seu lugar no apoio à economia. O estímulo fiscal é a resposta keynesiana para o tipo de situação econômica semelhante a uma depressão – como a que vivemos atualmente.
Tal pensamento keynesiano forma a base das medidas econômicas do governo Obama. Cochrane, da Escola de Chicago, indignado diante da ideia de que os gastos governamentais pudessem aliviar a mais recente recessão, declarou: “Isto não faz parte daquilo que se ensina aos estudantes de economia desde 1960. Elas (ideias keynesianas) são contos de fadas que já foram desacreditadas pelas provas. Em tempos de crise, é muito confortável voltar aos contos de fadas que ouvíamos quando crianças, mas isto não faz deles menos falsos”.
Mas como destacou Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a posição atual da escola pode ser resumida também numa rejeição completa das ideias de Milton Friedman. Friedman acreditava que as medidas do Fed – e não as mudanças nos gastos governamentais – deveriam ser usadas para estabilizar a economia, mas nunca afirmou que um aumento no gasto governamental seria incapaz, sob quaisquer circunstâncias, de aumentar o emprego. Na verdade, ao relermos o resumo elaborado por Friedman em 1970 de suas próprias ideias, Contexto teórico para a análise monetária, o que mais impressiona é a aparência keynesiana do seu pensamento.
E Friedman certamente jamais comprou a ideia de que o desemprego em massa represente uma redução voluntária no esforço de trabalho e nem a ideia de que as recessões sejam de fato benéficas para a economia.
Ainda assim, Casey Mulligan, da Escola de Chicago, sugere que o desemprego esteja tão alto porque muitos trabalhadores tem optado por não aceitar empregos. Ele sugeriu, em especial, que os trabalhadores estejam optando por permanecerem desempregados porque isto melhora suas chances de receber a concessão de alívios para suas hipotecas. E Cochrane declara que o alto desemprego é, na verdade, algo positivo: “Precisamos de uma recessão. Pessoas que passam suas vidas martelando pregos em Nevada precisam de algo diferente para fazer.” Particularmente, acho que isto é loucura. Por que seria necessário o desemprego maciço em todo o país para tirar os carpinteiros de Nevada? Será que alguém é capaz de afirmar com seriedade que perdemos 6,7 milhões de empregos porque um número menor de americanos deseja trabalhar? Mas se partirmos do princípio que as pessoas são perfeitamente racionais e os mercados, perfeitamente eficientes, temos de concluir que o desemprego é voluntário e as recessões são desejáveis.


6. Falhas e atritos
A economia, enquanto ciência, enfrentou problemas porque os economistas foram seduzidos pela visão de um sistema de mercado perfeito e desprovido de atrito. Se a profissão almeja a redenção, ela terá de conciliar-se com uma visão menos deslumbrante – a de uma economia de mercado que apresenta muitas virtudes, mas que também está repleta de falhas e atritos.
Já existe um exemplo relativamente desenvolvido do tipo de ciência econômica que tenho em mente: a escola de pensamento conhecida como behaviorismo financeiro. Os adeptos desta abordagem enfatizam duas coisas. Primeiro, muitos investidores do mundo real em pouco se assemelham aos frios e calculistas investidores da teoria do mercado eficiente: eles são bastante sujeitos ao comportamento de manada, a surtos de exuberância irracional e a pânicos injustificados. Segundo, mesmo aqueles que tentam basear suas decisões no cálculo frio com frequência descobrem que não são capazes de fazê-lo, pois problemas de confiança, credibilidade e garantias reais limitadas os obrigam a seguir o restante da manada.
Enquanto isso, como fica a macroeconomia? Acontecimentos recentes refutaram de maneira bastante decisiva a ideia de que as recessões sejam uma resposta ideal à flutuação no ritmo do progresso tecnológico; uma visão mais ou menos keynesiana é a única possível no momento. Ainda assim, os modelos padronizados do novo keynesianismo não deixaram espaço para uma crise como a que estamos vivendo, pois estes modelos aceitaram de maneira geral a visão do setor financeiro promovida pela teoria do mercado eficiente.
Uma linha de pesquisas, cujos pioneiros foram o próprio Ben Bernanke e seu colega Mark Gertler, da Universidade de Nova York, enfatizava a maneira pela qual a falta de garantias reais suficientes pode prejudicar a capacidade das empresas de arrecadar fundos e buscar oportunidades de investimento. Uma linha de pesquisas parecida, em boa parte estabelecida por meu colega de Princeton, Nobuhiro Kiyotaki, em parceria com John Moore, da London School of Economics, argumenta que os preços de ativos como propriedades imobiliárias podem sofrer declínios autoacentuantes que, por sua vez, provocam uma depressão na economia como um todo. Mas até o momento, o impacto das finanças disfuncionais não esteve no centro nem mesmo da ciência econômica keynesiana. Isto, claramente, precisa mudar.


7. Recuperando Keynes
Eis o que acho que os economistas precisam fazer. Primeiro, eles precisam enfrentar a inconveniente realidade de que os mercados financeiros estão muito aquém da perfeição; que eles estão sujeitos a extraordinários delírios e à loucura das multidões. Segundo, eles precisam admitir que a ciência econômica keynesiana ainda é o melhor arcabouço teórico de que dispomos para compreender as recessões e depressões. Terceiro, eles terão de se esforçar ao máximo para incorporar as realidades das finanças à macroeconomia.
A visão que deve emergir conforme a profissão repensa seus fundamentos pode não ser muito clara; certamente não será arrumada; mas temos de manter a esperança de que ela terá a virtude de estar, ao menos, parcialmente correta.

Fonte: aqui