6.5.08

Começa hoje o ciclo de cinema comunitário e independente na Casa Viva ( Porto)


Numa altura em que poucas são as salas de cinema ainda abertas na cidade do Porto inicia-se já hoje, 6 de Maio, um ciclo continuo de cinema independente simplesmente intitulado “Cinema Comunitário” na Casa Viva(na Praça do Marquês de Pombal, 167, no Porto)

A ideia é simples, um filme por mês, todas as primeiras Terças Feiras de cada mês.
Na sua grande maioria o ciclo consiste em produções independentes sobre os mais variados assuntos dos nossos tempos. Temas como Globalização, Guerra, Terrorismo, Propaganda, etc...



Nome do filme nesta terça-feira, 6 de Maio, às 22h.:

I the film


“I” é uma meditação sobre a relação entre os media e o poder do ponto de vista da maior rede voluntária de media do planeta. Este documentário segue o primeiro ano de um pequeno colectivo do IMC numa caótica Buenos Aires durante o colapso da economia Argentina em 2001. (www.Ithefilm.com ) O filme esta traduzido em português.



http://www.cinemacomunitario.blogspot.com/


Extensão do Festival Indie no Porto ( 8 a 15 de Maio no cinema trindade)


Extensão na cidade do Porto do Festival IndieLisboa, festival internacionbal de cinema independente

Programação para oito dias de filmes


8 de Maio (19 e 21.30h)

Serão exibidos os filmes "A hero never dies ", de Johnnie To, na sala Trindade 1;

e "Scott Walker 30 Century Man", de Stephen Kijak, na Trindade 2.



Dia 9 (19 e 21.30h)

"En construcción", de José Luis Guerín, na sala Trindade 1;

e "Introspective", de Aram Garriga, na sala Trindade 2.



Dia 10 (16, 19 e 21.30h)

Na sala 1, estará a longa-metragem internacional premiada no Festival Indie.

Na sala 2, poderá ver-se "Kuduro - Fogo no museque", de Jorge António.



Dia 11 (16, 19 e 21.30h)

As curtas- metragens internacionais premiadas serão exibidas na sala Trindade 1.

O filme "The reinactors", de David J. Markey, estará na sala 2.



Dia 12 (19 e 21.30h)

"Occident", de Cristian Mungiu, na sala 1.

A sala 2 mostrará curtas-metragens nacionais premiadas no Festival Indie.



Dia 13 (19 e 21.30h)

"Furia", de Radu Muntean, na Trindade 1;

e "Clint Eastwood, a Life in Film", de Michael Henry Wilson, na Trindade 2.



Dia 14 (19 e 21.30h)

"Let the right one in", de Tomas Alfredson, na sala Trindade 1;

e "Gerda 85", de Patricia Gelise e Nicolas Deschuytenner, na sala Trindade 2.



Dia 15 (19 e 21.30h)

"PTU Into the perilous night", de Johnnie To, na Trindade 1;

e "Boxing day", de Kriv Stenders, na sala Trindade 2.






clicar sobre a imagem para ler em detalhe

Cordão cultural pelo Bolhão (10 de Maio, durante todo o dia)

Cordão Cultural pela preservação do Bolhão...
Dia 10 de Maio, Sábado ----» 10,30H às 18:00H

No Sábado todo o Mercado do Bolhão vai estar repleto de Música, Dança, Teatro, Artes Plásticas, Arquitectura...


Irá ser feito o Corte de Trânsito para montagem de PALCO


Estão confirmados:

-Tunas Académicas ( Tuna de Dentária e Tuna da E.S.A.P)
-Bandas Portuenses
-Fados de rua
-Intervenções de Teatro
-Ranchos Populares
-Exposições, Exibição de Documentário sobre Arquitectura e Património
-Atelier de Pintura ao ar-livre, com mestres das Artes Plásticas
-Visitas Guiadas ao Mercado
-Entre vários Músicos e Bandas:

Ana Deus
Convinha
Paulo Praça
Trabalhadores do Comércio






Ideias a considerar para o Mercado do Bolhão: o caso de Barcelona


Barcelona- Mercado da Boqueria

Por Lígia Paz,

Doutoranda na Universidade de Barcelona e docente convidada no Mestrado em Arte e Design no Espaço Público - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

"Recentemente e pelas piores razões, a discussão sobre o futuro do Mercado do Bolhão ganhou um novo impulso. De um lado, o projecto de reconversão promovido por um grupo holandês e apoiado pelo actual executivo municipal; do outro, um activo grupo de cidadãos que desejam preservar o património arquitectónico e cultural que o Bolhão representa. Esta dualidade tem-se concentrado no edificado e nos usos inerentes ao espaço comercial que o mercado representa, deixando frequentemente de lado algumas das principais questões que integram o futuro deste espaço.

Um dos problemas que o Mercado do Bolhão tem vindo a enfrentar ao longo dos últimos anos está intimamente relacionado com o consumo local e, por conseguinte, com a progressiva desertificação da baixa do Porto. Não só tem havido uma descida acentuada das pessoas que aí habitam, como também uma profunda e notória degradação da habitação disponível nesta zona da cidade. Actualmente, os planos do executivo camarário parecem indicar uma preferência por uma reconversão de luxo, incentivando a transformação do actual parque habitacional degradado por um caro, exclusivo, e acessível a poucos - como é, aliás, o caso do próprio projecto recentemente apresentado para o interior do Mercado do Bolhão. A aceleração da especulação imobiliária é já notória em diversas zonas da Baixa, e a substituição de uma população maioritariamente pobre e envelhecida irá rápidamente dar lugar a uma exclusiva classe social de elevado poder de compra.

Esta questão é essencial em toda a problemática do Mercado do Bolhão. É importante promover a variedade de pessoas, usos, comércios; que se promova a diversidade de estratos etários e sociais. Apenas esta multiplicidade poderá garantir que o centro da cidade se desenvolva de uma forma saudável e acessível a todos. Com isto, o comércio local, no qual se insere o Bolhão, só terá a ganhar.

O aumento do número de pessoas a viver na Baixa será benéfico em diversos aspectos, nos quais se incluem: a diminuição do fluxo de tráfego (e suas consequências ambientais); o aumento de qualidade de vida para os seus habitantes; a preservação do património local. Porque o património não são apenas as fachadas dos edifícios: a sua maior riqueza reside nas pessoas, nos seus usos, costumes, tradições e hábitos culturais. Manter a aparência de um ícone cultural vivo não é preservação, é destruição do seu carácter essencial. Literalmente, uma obra "de fachada".

Retomando o referido inicialmente, sublinho que um mercado sobrevive na medida em que as pessoas nele compram. Dada a especificidade da oferta tradicional de um mercado - venda de produtos frescos -, este terá a maior fatia de consumidores em pessoas que vivam nas suas proximidades; que se possam deslocar a pé ou de transporte de curta duração, seja ele público ou privado.

É este o caso, por exemplo, do Mercado da Boquería, em Barcelona, o qual tem sido apontado como um dos possíveis exemplos a seguir. À semelhança do Bolhão, a Boquería localiza-se no centro da cidade; mas ao contrário do Porto, o centro de Barcelona é densamente povoado, dispõe de excelentes condições de acessibilidade por transporte público, e prima por um completo leque de ofertas culturais e comerciais de todo o tipo (cadeias internacionais e comércio familiar) e para todos os gostos. Para além disso, o governo da cidade chamou a si a responsabilidade pela revitalização e desenvolvimento articulados da rede de mercados municipais. É importante referir que em Barcelona não há apenas o Mercado da Boquería; há quarenta mercados espalhados pelos diversos bairros, com garantia de qualidade e diversidade de produtos – elementos que garantem que mais de 60% dos habitantes da cidade efectuam as suas compras nos mercados locais. A proximidade de um comércio de qualidade alargado tem benefícios directos na vida dos seus consumidores (redução do tempo de deslocação, produtos sempre frescos, etc), bem como para todos os habitantes da cidade (redução do fluxo de tráfego, menor congestionamento, melhor qualidade ambiental).

Encontrando potencial para repensar o modelo dos mercados do século XXI,a Câmara de Barcelona impulsionou uma estratégia abrangente para preservar e desenvolver estes espaços de comunicação e comércio. É então graças à inteligência do executivo municipal que os mercados se aliam às variadas festas tradicionais, usam painéis solares, são palcos de espectáculos diversos. Veículos para a integração multicultural, aliam-se a restaurantes, lançam livros de receitas, promovem a cooperação com organizações de fomento da coesão social, comercializam os produtos autóctones, e mais um sem-número de actividades. A actividade comercial dos mercados de Barcelona vê a sua sobrevivência e desenvolvimento não apenas na qualidade e variedade dos seus produtos, mas também na integração de actividades culturais e de lazer. Os mercados são aqui encarados como verdadeiros transmissores dos valores culturais da sociedade, contribuíndo também com a qualidade dos seus produtos para o bem-estar e saúde de todos.

Os mercados de Barcelona comprovam apenas que é possível concretizar um modelo que satisfaça as necessidades das diferentes pessoas que vivenciam o espaço urbano: novos e velhos, estudantes, reformados e empregados, turistas e residentes, ricos e pobres. E é exactamente no reconhecimento e adaptação a esta fantástica diversidade que o modelo se torna economicamente viável. É também neste tipo de investimento nos espaços cívicos que se avalia a qualidade da gestão municipal de uma cidade.

Nota: Para mais informação, aconselho uma visita à secção do
site da Câmara Municipal de Barcelona dedicada aos Mercados Municipais

Não é preciso saber catalão para compreender a dinâmica, qualidade e interesse do investimento local."




Texto retirado de:

A luta contra a degradação do ensino público e por uma educação pública de qualidade

"Todo o coração é uma célula revolucionária".
Os Edukators"

“Conte-me e eu esquecerei; ensina-me e eu me lembrarei; envolva-me e eu aprenderei.” Benjamin Franklin



A Educação de Qualidade é fundamental para a construção de sociedade mais crítica e com melhores condições de desenvolvimento humano e social. Sem educação não haverá justiça.

Para melhorar a Educação, é necessário que haja investimentos e políticas públicas que atendam as necessidades da população e que valorizem os professores.

Não se pode administrar as escolas da mesma maneira que se administra uma empresa.

A Educação não pode ser vista como uma mercadoria, não pode ser vendida; e o desempenho dos alunos não pode ser visto apenas como algo quantitativo, como um produto final.

Por isso é preciso uma mudança radical na estrutura e nas políticas educacionais no actual sistema-mundo em que estamos.

O neoliberalismo económico impõe políticas educacionais que parecem não se preocupar com a qualidade do ensino público, mas apenas com o quantitativo.

Nesta lógica, excluem-se disciplinas de humanidades do currículo escolar, funcionaliza-se e burocratiza-se, aumenta-se o numero de alunos por sala, que ficam superlotadas.

Pouco se investe na qualificação e formação de professores, que são desvalorizados, e possuem uma carga horária elevada.

O Estado, como administrador, investe pifiamente para mudar essa situação.

A lógica dos Estados neoliberais é investir pouco e entreter mais ( para formar cidadãos pouco reivindicativos e exigentes)

Portanto, é necessário lutar para mudar esta situação. Professores em Portugal, Grã-Bretanha, França, Espanha têm desenvolvido processos de luta contra a degradação da escola pública e do seu estatuto docente.


Só a Luta muda a Vida!

Melhor educação é melhor cidadania!


Adaptação livre de um texto encontrado em:
http://coordenacao-ativa.blogspot.com/

Apresentação do livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas ( edição Deriva), com Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo ( em Matosinhos, 9 de Maio às 21h.


Sexta-feira, dia 9 de Maio, pelas 21:00, no auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, apresentar-se-á o livro Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas.

Com Pedro Eiras que coordenou a edição e Rosa Maria Martelo.


«Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas começou por ser um ciclo de palestras em torno de um desafio comum. Realizou-se no dia 11 de Outubro de 2007, em quatro sessões de comunicações e debates, no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, com organização da Câmara Municipal de Matosinhos. (…)


Durante todo o dia 11 de Outubro, um público numeroso e fidelíssimo acompanhou e dialogou com estas leituras da mais jovem poesia. O livro que agora se publica corresponde aos doze textos, revistos, eventualmente repensados a partir dos debates. (…)


Da mais premente contemporaneidade se fala também neste livro. Os doze autores chegaram ao ensaio precisamente no momento em que os poemas aqui lidos eram escritos. Pretende-se dar conta desse encontro. Alguns dos autores deste livro, embora se apresentem aqui como ensaístas, são também poetas revelados nas décadas de 1990-2000, e chegam a ser estudados em alguns ensaios.


Geram-se pois, ao mesmo tempo, coincidências e dispersão – igual-mente produtivas. Por um lado, há referências que se cruzam, repetem, permitem definir projectos do que seja a poesia hoje. Para uma escrita necessariamente em transformação, dizem-se assim algumas cartografias possíveis.»
Do Prefácio, por Pedro Eiras



O encontro «Jovens Ensaístas Lêem Jovens Poetas» aconteceu no Auditório da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos, a 11 de Outubro de 2007, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, com concepção inicial e coordenação de Pedro Eiras.


Nesse dia, a todos os títulos memorável pelo seu interesse e pela novidade no campo da crítica e do ensaio literário, ouviram-se as intervenções de Marinela Freitas, Mariana Leite, João Paulo Sousa, Catarina Nunes de Almeida, Miguel Ramalhete Gomes, Raquel Ribeiro, Margarida Gil dos Reis, Helena Lopes, Joana Matos Frias, José Ricardo Nunes, Andréia Azevedo Soares e Daniel Jonas.

4.5.08

Termina hoje em Vimioso o festival Sons e Ruralidades, mas as actividades da associação ALDEIA não páram...


O conhecimento tradicional é um factor de consciência ecológica no seu papel de formação e conservação do ambiente. O festival Sons & Ruralidades, pretende ser um novo modelo de festival cultural, superando o espaço e tempo do festival para revitalizar e regenerar a região rural do nordeste transmontano.

Abençoada pela Natureza esta região possui uma forte relação com a terra através das actividades agrárias. Apesar disto está em processo de despovoação em parte devido à perda de importância da agricultura como motor de dinamismo dos espaços rurais e por uma desagrariação do meio rural e a consequente migração e envelhecimento da população.

Este festival faz parte de um programa de desenvolvimento para esta região, procurando que a arte e a cultura sejam a causa para a sua revitalização, procurando novas aproximações artísticas, sociais e económicas. Estimulando sinergias entre o património faunistico e floristico e o património cultural, material e imaterial. Pensando os humanos como parte da natureza e a biodiversidade como um todo. Criando novas oportunidades de criar e de reflectir colectivamente sobre o desenvolvimento local e proporcionando novas visões de futuro.

Paralelamente ao processo de globalização e da suposta homogeneização cultural à escala mundial, instala-se a revalorização da diversidade, tornando-se necessário respeitar e incorporar nos processos de desenvolvimento a cultura das populações destinatárias.

Segundo David Barkin, a sustentabilidade não é apenas um assunto de protecção do ambiente, de justiça social e de desenvolvimento mas trata sobretudo das pessoas e da nossa sobrevivência como indivíduos e cultura. Manifestando uma preocupação em observar de que modo sobrevivem os grupos sociais. Sendo a sustentabilidade uma luta pela diversidade em todas as suas dimensões, pela participação e pela revisão da forma como as pessoas vivem e trabalham.

De forma a estabelecer uma sólida fundação ética para a sociedade global emergente ajudando a construir um mundo sustentável baseado no respeito pela natureza, direitos humanos, justiça económica e uma cultura de paz. Tornando-se imperativo que assumamos responsabilidade pelos outros, por todos os seres e para as futuras gerações.








3 e 4 de Maio de 2008

Workshop: Arte & Natureza

Vimioso - Pavilhão Multiusos

Produção de material escolar e outros produtos a partir de materiais orgânicos





10 e 11 de Maio de 2008

Curso de Introdução à Identificação e Conservação de Cogumelos Silvestres, 5ª Edição

Macedo de Cavaleiros - Podence



Sábado, 10 de Maio
Local: Junta de Freguesia de Podence

9.00 - Abertura e apresentação do curso.
9.30 - Biologia dos cogumelos. Descrição das classes e famílias de macrofungos superiores.
Identificação de cogumelos. Tipos de habitats e espécies associadas. Regras para uma colheita consciente.
11.00 - Intervalo

11.15 - Gastronomia dos cogumelos. Principais espécies comestíveis e tóxicas. Técnicas de conservação. Apresentação de exemplos.
13.00 - Almoço livre

15.00 - Saída de campo para observação, identificação e recolha de espécies.
Local: Serra de Bornes

19.00 - Análise e classificação do material recolhido
20.00 - Fim dos trabalhos
21.00 - Jantar convívio


Domingo, 11 de Maio
Local: Podence

9.00 - Saída de campo para observação, identificação e recolha de espécies
12.00 - Demonstração de algumas técnicas de conservação.
13.00 - Almoço convívio.
15.00 - Classificação de material recolhido. Revisão das espécies encontrados com maior interesse gastronómico.
17.00 - Encerramento do curso.

Corporação antiestética


A nossa equipa de profissionais está habilitada para conseguir que odeies o teu corpo e queiras ser uma outra pessoa.

A nossa especialidade é:

- lavagem ao cérebro

- destruição de auto-estima

- ódio em relação ao teu próprio corpo

- deixar a tua moral de rastos

Chama-nos e poderás comprovar a nossa competência na matéria

Feira do livro anarquista ( 23, 24 e 25 de Maio, em Lisboa)




Nos dias 23, 24 e 25 de Maio de 2008, por iniciativa de diversos colectivos e indivíduos libertários, vai realizar-se em Lisboa a Feira do Livro Anarquista, a decorrer no Grupo Desportivo da Mouraria.

Pretendemos com a organização deste evento criar um espaço para a exposição e debate das ideias e lutas libertárias, assim como para o convívio e fortalecimento de laços entre pessoas que partilham uma visão anti-autoritária do mundo.

A Feira proporcionará, para além das bancas de livros e outras publicações, um programa de actividades diversas, que poderão ser debates, workshops, sessões de cinema, performances e o que mais a imaginação e a vontade d@s participantes propuserem.

Apelamos à participação neste evento de tod@s @s interessad@s, através da sua presença com bancas de informação, livros e outras publicações ou com propostas de actividades que queiram promover durante a Feira.


@s interessad@s em participar devem confirmar a presença da sua banca ou propor actividades até dia 20 de Abril de 2008. Podem fazê-lo para os seguintes contactos:

E-mail: feiradolivroanarquista@gmail.com

Endereço postal: Apartado 40 / 2801-801 Almada / Portugal


Para mais informação consultar o blogue da Feira do Livro Anarquista:
http://feiradolivroanarquista.blogspot.com/






A Feira do Livro Anarquista realiza-se no Grupo Desportivo da Mouraria, situado na Travessa da Nazaré.Há duas formas fáceis de lá chegar:

- Subindo partir do Metro do Martim Moniz;
- Descendo a partir do Largo da Graça, pela Calçada do Monte.
(ver mapa em cima)

3.5.08

A educação libertária segundo o notável cientista e professor açoriano Aurélio Quintanilha


Informação obtida por intermédio do blogue
http://vidanovazores.blogspot.com/


No passado ano de 2005 foi apresentada uma tese de mestrado na Universidade do Minho, de autoria de Amélia Filomena de Castro Gomes sob a orientação de Norberto Cunha, sob o titulo «A educação libertária segundo Aurélio Quintanilha».

É dessa tese que ora se apresenta uma breve resenha, seguida do link para a Universidade do Minho onde a referida tese pode ser livremente consultada via Internet.



Apresentação e resenha da tese de mestrado:

"Esta tese incide sobre Aurélio Quintanilha, um dos muitos cientistas e investigadores portugueses, cujas ideias educativas e pedagógicas são, praticamente, desconhecidas, na comunidade académica do nosso país.

Foi, também, um dos muitos funcionários públicos aposentado, compulsivamente, pelo Governo de Salazar, ao ser considerado opositor aos princípios fundamentais da Constituição Política.

Era, na altura, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Pretende esta tese relevar o quão marcante foi o seu trajecto como pedagogo libertário, destacando aquele que foi sempre o seu lema: ser professor.

Para isso recorreu-se a pedagogos tidos como autoridades nesta matéria para ajudar a perceber a emergência do ideal libertário durante a segunda metade do século XIX e, por outro lado, reforçar e consolidar a influência anarquista em Aurélio Quintanilha, assim como o seu perfil libertário patente na sua principal obra Educação de Hoje, Educação de Amanhã (1921), analisaram-se alguns modelos educativos que influenciaram, directamente, a sua metodologia, a relação professor – aluno e, principalmente a estrutura e dinâmica de um processo de ensino que apostava numa escola que despoletava as capacidades cognitivas do aluno, reiterando a necessidade, por razões pedagógicas e sociais, duma educação profissional proporcionadora de uma profissão útil.

Salienta-se, também, que à educação libertária proposta por Aurélio Quintanilha, não lhe interessava um ensino livresco, de conhecimentos abstractos, mas sim a consecução de um desenvolvimento harmónico de todas as faculdades da criança assim como da sua saúde, e a aquisição de uma liberdade interior que se convertesse para o cidadão numa realidade permanente.

Todo este processo de aprendizagem devia ter em conta a actividade pessoal da criança e os seus interesses espontâneos, assim como a formação da consciência moral e da razão prática do estudante, desenvolvendo-se num ambiente onde imperassem os direitos e os deveres cívicos. Isto é, na proposta de uma pedagogia libertária, todos os actos individuais deviam contribuir para o bem estar colectivo, ou seja, deviam harmonizar o ideal de perfeição de cada um com o ideal de perfeição e de bem estar social.

Esta tese pretende assim, recorrendo ao pensamento de vários anarquistas, fundamentar o ideário libertário de Aurélio Quintanilha na sua proposta de reforma pedagógica, ensino este que promovia a actividade espontânea da criança, procurando formar cidadãos responsáveis dos seus direitos e deveres."


This thesis is about Aurélio Quintanilha, a professor from the Faculty of Science of the University of Coimbra, one of the many Portuguese pedagogues and researchers, practically unknown to the academic panorama of our country. He was also, one among many civil servants compulsory pensioned off by Salazar’s government, being considered an opponent to the fundamental principals of the Political Constitution of that time. This thesis intends to reveal how remarkable his course as libertarian pedagogue was, highlighting his life long motto: To be a teacher. In order to achieve this, we had recourse to pedagogues, who are considered to be experts in this matter so that, on one hand, help us understand the emergence of the libertarian ideal during the second half of the nineteenth century and, on the other hand, to reinforce and consolidate the anarchist influence on the pedagogue Aurélio Quintanilha, as to show the evident libertarian profile of his major writing Educação de Hoje, Educação de Amanhã. Some educational models were analysed, which directly influenced the methodology, the relationship teacher – pupil and, mainly, the structure and dynamics of a teaching process that pledged on a school that awakened the pupil’s cognitive capacities, reiterating the necessity, for pedagogical and social reasons, of a professional education favouring a useful occupation. It is also pointed out that the libertarian education proposed by Aurélio Quintanilha was not interested in a bookish teaching, of abstract knowledge, but in the attainment of a harmonious development of all the child’s capacities, as of its health, and in the acquisition of an inner liberty that would turn into a permanent reality for the citizen. All this learning process should take into account the personal activity of the child and its spontaneous interests, as the formation of a moral conscience and of the practical reasoning of the student, developing itself in an ambiance in which civic rights and duties prevailed. That is, in the proposal of a libertarian pedagogy, all individual actions should contribute to the collective well-being, in other words, each one’s ideal of perfection should be harmonious with the social ideal of perfection and of well-being. Thus, this thesis intends, having recourse to the thinking of several anarchists, to establish the libertarian concepts of Aurélio Quintanilha’s proposal of a pedagogical reform, which advised a teaching promoting the spontaneous activity of the child, trying to form responsible citizens, aware of their rights and duties.



A tese completa pode ser lida aqui







Biografia de Aurélio Quintanilha






Professor Doutor Aurélio Pereira da Silva Quintanilha era um cientista português de renome internacional.
Nasceu na freguesia de Santa Luzia de Angra, Ilha Terceira, Açores, a 24 de Abril de 1892 e morreu em Lisboa em casa de sua filha Carlota em 1987, com 95 anos.
Era membro de uma família ilustre da Ilha – a família Coelho Borges, pelo lado paterno e da mui digna família Silva Pereira pelo lado materno.
O nome Quintanilha aparece por iniciativa de um parente que restabeleceu a ligação onomástica com um avô – José da Silva Quintanilha que foi Corregedor de Angra.
Iniciou os seus estudos liceais em Angra, continuou-os na Horta e veio a conclui-los em Ponta Delgada.
Órfão de pai ao sair da escola primária, foi educado por uma irmã 13 anos mais velha do que ele, pessoa culta e inteligente que o acompanhou com a mãe até Coimbra.
Aqui matriculou-se na Faculdade de Ciências que frequentou durante 3 anos, sem fazer exames.
O seu irmão Guilherme, 16 anos mais velho do que ele, coronel de artilharia, convenceu-o a increver-se na vida militar, como artilheiro voluntário e a tirar os preparatórios para a Escola do Exército, o que conseguiu.
Durante a sua estadia em Lisboa, iniciada em 1912 e concluída em 1919 matriculou-se em Medecina, o que lhe permitiu assistir às aulas do Professor Celestino da Costa e de Pedro Roberto Chaves e assim adquirir uma grande prática laboratorial nos domínios da Citologia e da Histologia.
Entretanto, na convivência com amigos alfacinhas, envolveu-se na política da época, fazendo-se anarco-sindicalista avançado, defensor da causa do proletariado e da República.
As suas ideias sociais e políticas, revelam a forte influência também do seu antigo professor liceal, José Augusto dos Santos, Director do Jornal O Tempo, de Angra.
Em 1915 adoeceu gravemente e foi hospitalizado. É nessa altura que recebeu a orientação amiga do Professor Teles Palhinha, para se licenciar em Ciências Naturais.
Em 1917 faz exame das cadeira de Botânica e é convidado pelos seus Professores Pereira Coutinho e Teles Palhinha para ser segundo assistente. Começou então a dar excelentes aulas práticas de Citologia Animal.
Em 1919 é licenciado em Ciências Naturais com vinte valores e logo de seguida o Professor Carrisso convida-o para 1º assistente em Coimbra.
Por volta de 1920 deram-lhe a regência da cadeira de Botânica Médica.
Em 1926 fez concurso para Professor Catedrático e iniciou uma longa viagem pela Europa, vindo a conhecer pessoalmente o famoso cientista alemão Hans Kniep, em Berlim.
Desse contacto resultou que em 1928 partia para a Alemanha como Leitor de Português na Universidade de Berlim onde esteve até 1931. Aproveitou o tempo para aprender com o referido cientista germânico novas técnicas da Genética de Basidiomicetos.
De regresso a Portugal retomou o seu trabalho de docente de Botânica Médica e através desse curso consegue entusiasmar alguns alunos brilhantes a prosseguirem os seus estudos de Biologia.
Aurélio Quintanilha diz, nas suas próprias palavras “se eu não tivesse feitos outra coisa, na minha carreira de docente do que descobrir, guiar os primeiros passos e entusiasmar pelos estudos da biologia experimental” cientistas ilustres como Abílio Fernandes, José Antunes Serra e Flávio Resendes “creio que já me poderia considerar bem pago pelo esforço dispendido”.
Quando foi trabalhar para a Alemanha já levou consigo sua mulher, Maria Susana, igualmente licenciada em Biologia, e suas duas filhas Cecília e Carlota.
Entretanto divorciou-se e casou com a Lucya, uma senhora alemã, preparadora de laboratório que veio a ser mãe de Alexandre Quintanilha e grande amigas das enteadas.
Em Coimbra começou a ser conhecido pelo seu estilo pedagógico de Professor justo, exigente e de grande competência, que acamaradava com os alunos, jogando mesmo à bola com eles, e revelando grande entusiasmo pelas aulas práticas e pela investigação científica.
A ele se atribui a classificação de professores salsicheiros e professores jardineiros. Os primeiros enchiam a cabeça dos alunos com conhecimentos teóricos e os segundos cuidavam deles como os jardineiros cuidam das flores dos seus jardins.
Em 1935, Salazar manda publicar um decreto que autoriza o Governo a demitir os funcionários civis e militares que tenham revelado espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não dêem garantias de cooperar na realização dos fins superiores do Estado. E foi com base nesta legislação que Aurélio Quintanilha, sem qualquer actividade política desde 1919, foi aposentado compulsivamente, com a reforma de 1.100$00 mensais. Expulso da função pública aos 43 anos e envolvido “até ao pescoço” em projectos de investigação científica, só encontrou uma saída para o seu futuro: Terminar o seu trabalho sobre a genética da sexualidade dos Basidiomicetos e apresentá-lo no Congresso Internacional de Botânica em Amsterdão. Conseguiu o que pretendia. A sua comunicação valheu-lhe o prémio Hansen da Academia das Ciências da Dinamarca, cuja medalha em ouro está presentemente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e uma bolsa de estudo britânica para trabalhar no Laboratório de Criptogamia em Paris.
Aqui e até 1939 desenvolveu uma intensa actividade científica. É nesta época que vai ao Congresso Internacional de Genética em Edimburgo onde apresentou uma comunicação sobre o fenómeno de Buller e onde encontra o Professor António Câmara que o convida a trabalhar na Estação Agronómica Nacional, uma vez que o ambiente político em Portugal parecia haver melhorado. Entretanto alista-se no Exército francês e é soldado de 2ª classe durante um ano. Consegue depois voltar a Portugal em 1941 para sair do ambiente de guerra da capital francesa e procura trabalhar na Estação Agronómica Nacional.
Porém, Salazar voltou a barrar-lhe o caminho mas deixou que fosse trabalhar na distante Junta do Algodão em Angola e Moçambique. Parte pois para esta Província Ultramarina, como Director do Centro da Investigação Científica Algodoeira (CICA), em Lourenço Marques, onde vive até depois da independência.
Em 19 anos de trabalho conseguiu aumentar imenso a produção do algodão e publicou numerosos trabalhos.
Em 1950 realiza-se em Estocolmo o Congresso Internacional de Genética onde Aurélio Quintanilha decide contrariar o investigador russo Lysenko, defensor da doutrina Genética chamada Mitchurinismo – luta que lhe trouxe grande prestígio internacional.
Em 1958 assiste ao Congresso Internacional de Genética em Montreal onde volta a atacar o delegado russo, todo mitchurinista e que fica desprestigiado.
Em 1962 é extinta a Junta do Algodão e em sua substituição é criado o Instituto do Algodão de Angola e Moçambique. Quintanilha é então despedido por já ter ultrapassado o setenta anos de idade.
Mas, mais tarde, Veiga Simão convida-o a trabalhar no Laboratório de Botânica da Universidade de Lourenço Marques, a título gratuito. Entretanto é criado o Instituto de Investigação Científica de Moçambique onde Aurélio Quintanilha resolve trabalhar.
Representou Portugal em diversos congressos internacionais, sempre com grande brilho, até porque era um poliglota de mérito.
Publicou numerosos trabalhos científicos de valor reconhecido internacionalmente.



Datas mais importantes:



1926 – Doutoramento em Coimbra.
1937 – Prémio Hanse, da Academia das Ciências da Dina-marca.
1941 – Prémio Artur Malheiro da Academia das Ciências.
1947 – Doutor Honoris Causa pela Universidade Wit Wa-tersrand da África do Sul.
1958 – Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
1972 – Grande Oficial da Ordem de Santiago de Espada.
1974 – Homenagem prestada na última lição de Coimbra com afixação de placa comemorativa.
1974 – Homenagem da Fundação Gulbenkian.
1981 – Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa.
1983 – Ordem da Liberdade.
1992 – Homenagem da Câmara Municipal de Lisboa.


Publicações de Aurélio Quintanilha:
1940 – Etude Genetique des Phenomenes de Nanisme Chez les Hymeno-mycetes. Separata do B. S. Broteriana - Volume XIV - II Série.
1943 – O Problema da delimitação e origem das espécies do ponto de vista da biologia experimental - Separata do Boletim da Sociedade Broteriana - Volume XVII - II Série.
1945 – Os fundamentos científicos da sexualidade - Biblioteca Cosmos nº 25 - Lisboa.
1951 – D. António Pereira Coutinho, o Mestre, o Botânico e o Homem - Tipografia Minerva Central - Lourenço Marques.
1960 – Michurinismo e Mendelismo, Separata da Agros nº 5 - Ano 43 - Lisboa - Quintanilha, A. Salazar d’Eça e Cabral A.
1962 – Desenvolvimento do Botão Floral do Algodoeiro em Função do Tempo - B. S. Broteriana, Dezembro, Vol XXXVI (2ª Série).
1965 – Gregório Mendel. Cem anos depois. Instituto do Algodão de Moçambique.
1966 – Homologias cromossómicas do Género Gossypium - B. S. Broteriana - Vol XL (2ª Série).
1966 – O problema algodoeiro português e a actividade do Centro de Investigação Cientifica Algodoeira - Separata do Boletim da Academia de Ciências de Lisboa - Vol XXXVIII. (??)
1969 – Prof. Eng. Joaquim Vieira Natividade - O Investigador, o Agró-nomo-Silvicultor e o Homem - Separata do B. S. Broteriana - Volume XLIII - II Série.
1970 – Progressos Recentes da Genética de Bactérias e Vírus - Separata da Revista de Ciências Biológicas - Vol 1, Série B - Universidade de Lourenço Marques.
1973 – Progressos da Genética dos Fundos e a Contribuição dos Portu-gueses - Separata da Revista de Ciências Biológicas - Vol 2, Série B - Universidade de Lourenço Marques.
1980 – Evocando o Passado - Separata do B. S. Brotariana - Vol LIII (2ª Série).

Ciclo Maio 68 no cinema ( de 5 a 9 de Maio no Instituto Franco-Português de Lisboa)


De 5 a 9 de Maio de 2008, o Instituto franco-Português de Lisboa propõe-lhe uma viagem em imagens ao coração de Maio de 68 e a descoberta de documentários e obras de ficção, na sua maioria, inéditos em Portugal. muitos dos filmes propostos são emblemáticos do “cinema militante” francês e do ”cinema directo” europeu.

À imagem do movimento, o cinema de maio fez-se em ruptura total com as convenções cinematográficas tradicionais.

«Maio 68 no cinema» é um cinema livre, comprometido, que privilegia as formas colectivas de realização às obras individuais: o filme Loin du Vietnam (1967) pois do colectivo SLON, será apresentado na abertura do ciclo.
Os Ciné-tratcs — curtas-metragens cujo objectivo é o de despertar as consciências e a agitação imediata — serão projectados no início de cada sessão.

Para muitos cineastas, a câmara torna-se uma arma: fixa imagens, retém as palavras e passa mensagens… de fábrica em fábrica, de universidade em universidade… A verdade está na rua e os filmes podem mudar o mundo.

Pedaços de películas virgens são “recuperados” nas filmagens e cineastas vão formar os operários das fábricas nas técnicas do cinema.

Sob a iniciativa de Chris Marker, e depois do seu filme A bientôt, j’espère (1967), os grupos Medvedkine realizam o primeiro filme, Classe de lutte (1969), magnífico retrato de uma operária. Jacques Loiseleux, um dos maiores directores de fotografia franceses (Pialat, godard, Ivens, garrel...), participou activamente naquele movimento e dá-nos a honra de estar connosco para falar da sua experiência.

«Maio 68 no cinema» é evidentemente indissociável da figura de Godard e escolhemos apresentar Un film comme les autres (1968), inédito em Portugal. enquanto Les LIP, l’imagination au pouvoir (2007) ou Reprise (1996) abordam a questão da herança de maio 68 junto com aqueles que participaram no movimento, Mourir à trente ans (1982) e Les Amants
réguliers (2005) exploram memórias pessoais de maio 68. finalmente, L’An 01 (1973) é um filme de ficção que conta, com muito humor, uma utopia feliz sobre o sonho dos filhos da abundância...

Todas as noites, um prato original inspirado nos slogans de maio 68 será proposto entre as sessões para “alimentar” o debate.



dia 5 Segunda-feIra 21:30


Loin du Vietnam
do colectivo SLON 1967 duração: 115 min.
realizada sob o slogan “o Vietname está nas nossas fábricas”, esta primeira obra do colectivo SLON via nos conflitos laborais franceses uma expressão local do combate global contra o imperialismo.

Na perspectiva dos realizadores (Joris Ivens, William Klein, Claude Lelouch, Chris Marker, Alain Resnais, Agnès Varda e Jean-Luc Godard), as greves nas fábricas francesas não diferiam muito, pelo menos nos objectivos, da guerrilha travada do outro lado do mundo, no Vietname, contra o agressor imperialista norte-americano.
O filme foi mostrado pela primeira vez na fábrica rodhiaceta, onde tinha sido rodado A bientôt, j’espère, realizado por dois membros do colectivo SLON.



dia 6 Terça
-feIra 19:00
a Bientot, J'espere
de Chris Marker e Mario Marret 1967 duração: 43 min.
e
Classe de Lutte
do Grupo Medvedkine de Besançon 1969 duração: 37 min.

Em 1967, a grande greve da rhodiaceta, em Besançon, traduziu-se por uma longa ocupação da fábrica. Para lá das questões estritamente laborais e salariais, a defesa da importância da leitura, das exposições de pintura e das sessões de cinema colocava em causa todo o modo de vida dos trabalhadores, sujeitos a uma rotina fabril desumana e degradante. realizado por Chris Marker e Mario Marret, o filme foi difundido em fevereiro de 1968 na televisão francesa. O título A bientôt, j’espère («Até breve, espero») foi retirado da promessa lançada por um grevista aos patrões no plano final do filme, olhando directamente a câmara, frase interpretada a posteriori como um desafio premonitório...
A bientôt, j’espère seria, porém, objecto de críticas por parte dos operários que não se reconheceram na visão demasiado “romântica” de Chris Marker. O colectivo SLON colocou então os seus equipamentos à disposição dos operários e ensinou-lhes os rudimentos da técnica cinematográfica. nascem assim os colectivos Medvedkine, primeiro em Besançon e depois em Sochaux.
Classe de Lutte foi o primeiro filme realizado pelos operários do Grupo Medvedkine de Besançon. O documentário acompanha o primeiro acto de militância política de Suzanne, uma operária. A operária conta como conseguiu mobilizar as outras mulheres da empresa, as suas dúvidas em relação à própria greve e aos resultados da mesma, bem como todas as resistências e desconfianças que teve que enfrentar. A luta política na primeira pessoa…



dia 6 Terça-feIra 21:30
Les LiP, L,imagination au PouVoir
de Christian Rouaud 2007 duração: 118 min.

A história começa a 17 de Abril de 1973, na fábrica de relógios Lip, em Palente, na periferia de Besançon. Outrora uma empresa próspera, a Lip encontrava-se então nas mãos de novos proprietários que preparavam um plano de despedimentos catastrófico para os operários. A resistência organizada pelos trabalhadores deu origem a um movimento de luta incrível, que durou vários anos, mobilizou multidões em frança e na europa, multiplicou as acções ilegais sem ceder à tentação da violência, apoiando-se na democracia directa e numa imaginação incandescente!


«Como é que um documentário se pode transformar num filme de acção emocionante, numa epopeia digna de John ford, num filme de sábado à tarde? este filme formidável responde em três palavras: história, personagens e montagem. (…) esta epopeia permaneceria desconhecida, pelo menos no cinema, sem a presença dos humildes reformados da Lip que, neste filme, voltam a ser os protagonistas dos acontecimentos fabulosos de há trinta anos. O calor das reuniões, a organização de redes clandestinas, o sentimento de improvisar quotidianamente a utopia, são momentos que fazem deste filme uma aventura humana extraordinária.»
Jacques Mandelbaum, Le monde





Para consultar a restante programação:

http://www.ifp-lisboa.com/pdf/MAIO68_BOOKLET.pdf




Lugar: Institut Franco-Portugais
Morada: Avenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 Lisboa
Tel: (+351) 21 311 14 00
Email: infos@ifp-lisboa.com
Site:
http://www.ifp-lisboa.com

Hoje há sessão de informação e debate sobre os transgénicos na C.O.S.A. (Casa Ocupada de Setúbal)


Sessão de informação e debate sobre os OGM

Hoje, dia 3 de Maio pelas 19:00h vai ter lugar em Setúbal uma sessão de informação e debate sobre a luta contra os transgenicos e também projecção de videos sobre a acção de Silves e os OGM em geral.

Haverá também jantar (21:30), bar e bailarico pela noite.

Local:
Cosa: Rua Latino Coelho nº2 (Setúbal, junto à estação dos autocarros)
Iniciativa da COSA - Casa Ocupada de Setúbal

Marcha Global da Marijuana ( 3 de Maio de 2008) em Lisboa, Porto e Coimbra

O que é a MGM?
A Marcha Global da Marijuana (MGM) é uma iniciativa apartidária, pacifica e sem fins lucrativos, organizada por cidadãos conscientes e informados que consideram ter direito a consumir uma substância que, no seu estado natural, não representa um risco tão grande como as substâncias adulteradas que se obtêm no mercado clandestino.
A MGM insere-se num movimento global que pretende pôr fim à proibição do Cânhamo/Cannabis. Realiza-se sempre no primeiro sábado do mês de Maio, em mais de 200 cidades em todo o mundo.
O objectivo desta marcha é apresentar à sociedade argumentos e propostas de políticas alternativas ao proibicionismo vigente, para que o assunto seja seriamente discutido. A MGM defende que, tendo em conta que vivemos num país democrático e livre, os cidadãos devem ter direito a escolher com base em decisões informadas e responsáveis e desde que não interfiram com a liberdade dos outros.

Para saber mais, consulta os sites:


Lisboa
Largo do Rato, às 16h.

(com concentração a partir das 14h00 no Jardim das Amoreiras - Mãe d'Água).
http://www.mgmlisboa.org/



Porto
Praça do Marquês , a partir das 15h
Segue-se desfile até à Praça D.João I

http://mgmporto.org/mgmv2/



Coimbra
Largo da Portagem, às 15h.











MANIFESTO

Marcha Global da Marijuana – Portugal




O facto da Cannabis ser considerada uma substância ilegal tem consequências sociais e sanitárias bem maiores do que se fosse um produto legal, nomeadamente:

- A crescente probabilidade de adulteração dos produtos, muitas vezes com substâncias mais perigosas (especialmente quando fumadas) do que a Cannabis, com o perigo que isso implica para a saúde pública, dado o elevado número de consumidores.
- O fomento do tráfico, que alimenta uma economia paralela dinamizada por máfias, em que os grandes lucros ficam na mão de uns quantos, quando seria justo para os contribuintes e para o Estado poder beneficiar dos impostos que recairiam sobre essas actividades (muito lucrativas) se fossem regulamentadas.
- A limitação do uso terapêutico de uma substância que tem claros benefícios no tratamento de algumas doenças; e os impeditivos legais que a proibição supõe para o desenvolvimento de uma investigação rigorosa centrada nesta planta, devido à grande quantidade de licenças que são necessárias e ao perfil político e não-científico das entidades que podem autorizar tais investigações.
- A criminalização e penalização dos consumidores, só porque têm um determinado comportamento que não afecta outrem e que, mesmo a nível individual, não traz mais problemas potenciais que o consumo de álcool, tabaco ou outras substâncias legais (e com as quais o Estado lucra bastante, apesar dos riscos assumidos).
- A inexistência de prevenção e de educação para a utilização de Cannabis.
Em Portugal o consumo da Cannabis foi descriminalizado em 2001. No entanto, a perseguição policial aos consumidores mantém-se e o risco de se ser tomado por traficante é demasiado grande, uma vez que a quantidade pela qual se pode ser acusado de tráfico é mínima. A saber: a lei portuguesa prevê que qualquer pessoa possa ter em sua posse, sem consequências jurídicas, óleo, resina ou “folhas e sumidades floridas ou frutificadas da planta” de Cannabis que “não poderão exceder a quantidade necessária para o consumo médio individual durante o período de 10 dias” (Lei 30/2000 – “Descriminalização do Consumo de Drogas”).
De salientar que esta lei explicita que é “sem consequências jurídicas”, o que significa que aquele que tenha até àquela quantidade não será considerado um criminoso, mas poderá ser será penalizado com uma contra-ordenação (multa) e poderá ter de se submeter a tratamento psicológico se o juiz de turno assim o entender.
E assim, oito anos depois da descriminalização, ainda há consumidores de Cannabis que são presos ou que são postos numa situação delicada face à justiça, vendo-se obrigados a provar que não são traficantes quando, muitas vezes, não há provas de que o são.

Além disso, não faz qualquer sentido estipular a quantidade permitida como a “necessária para o consumo médio individual durante o período de 10 dias”, limite muito pouco claro, tendo em conta que nem toda a gente consome a mesma quantidade e que a maior parte dos consumidores preferem comprar mais de cada vez para não ter de estar sempre a recorrer aos “dealers”, com os riscos que isso supõe não só em termos de segurança, mas pela possibilidade de ser induzido a comprar drogas verdadeiramente perniciosas.
E resta destacar que, sendo permitido o consumo, como esperam as autoridades que o consumidor se abasteça sem estimular o tráfico, tendo em conta que tanto a venda como o cultivo de marijuana são ilegais? A proibição de cultivar esta planta obriga os consumidores a alimentar actividades criminosas. Assim, entendemos que o direito ao consumo deve contemplar a possibilidade de cada um cultivar as suas próprias plantas, podendo, desta forma, garantir a qualidade do produto que consome, o que não acontece quando se vê obrigado a recorrer ao mercado clandestino.
Alterar a situação legal da Cannabis é corrigir um erro histórico que tem trazido mais consequências negativas para os consumidores e para a sociedade em geral do que o consumo. Décadas após, a desadequação da lei é cada vez mais evidente tendo em conta os benefícios múltiplos que esta planta tem.
A política do impossível
O presidente do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), Marcel Reimen, afirma que "é essencial compreender de que modo e por que razão os consumidores de Cannabis podem desenvolver problemas, a fim de planear as respostas e avaliar o impacto que a droga ilegal mais consumida na Europa poderá ter para a saúde". Perante isto, perguntamos: como é possível desenvolver respostas se não sabemos qual a composição dos produtos consumidos?!
No mercado português, a grande maioria do haxixe vendido tem diferentes e variáveis substâncias usadas para o cortar e fazer render mais. Para estudar a resposta ao impacto na saúde que tem essas substâncias têm, é necessário saber o que são e qual o seu impacto no organismo. Só a legalização pode garantir a qualidade do produto e assim desenvolver respostas em termos de saúde e só assim haverá a informação necessária para que exista um consumo consciente e responsável.
Todos os esforços feitos até agora para acabar com o tráfico e o consumo desta substância têm sido em vão e todo o dinheiro gasto tem sido um absoluto desperdício, visto que, de acordo com todos os relatórios oficiais da ONU e da União Europeia, cada vez há mais pessoas a lucrar com este negócio clandestino e cada vez há mais consumidores.
Em 2008 chega ao fim o prazo de 10 anos estipulado pelas Nações Unidas com a sua Estratégia para acabar com o tráfico de drogas no mundo (http://www.un.org/ga/20special/poldecla.htm). Segue-se um ano de reflexão em que se vai analisar qual o impacto do acordo assumido pelas Nações Unidas e se, realmente, os objectivos de reduzir significativamente a procura e oferta de drogas foram atingidos.
De acordo com todos os relatórios oficiais, esta estratégia e as sucessivas políticas de combate às drogas falharam rotundamente, apesar dos milhões gastos com este tipo de iniciativas.
Por isto, como cidadãos, exigimos: mudem de estratégia!
Somos mesmo muitos
Segundo o relatório de OEDT de 2007, quase um quarto da população entre os 16 e os 64 anos de idade – cerca de 70 milhões de pessoas –, consome ou já consumiu Cannabis em algum momento das suas vidas. É um facto: a Cannabis existe e os seus consumidores também, toda a gente o sabe. Como já ficou provado, não é proibindo que vai deixar de se consumir.
Um apelo a ti
Embora a Cannabis não seja inofensiva, os riscos do seu consumo são mínimos, principalmente quando comparada com outras substâncias largamente consumidas e aceites pela lei e pela sociedade. A proibição NÃO é do interesse público: põe em risco a saúde dos cidadãos, fomentando o mercado negro e a adulteração dos produtos e impedindo o Estado de arrecadar milhões de euros em impostos.
A experiência mostra-nos que o uso de Cannabis não é uma grave ameaça nem aos consumidores, nem à sociedade. Cabe por isso ao Estado o dever de provar o contrário se pretende continuar a limitar a liberdade individual e a penalizar os consumidores.
Apelamos a toda a sociedade civil que se junte ao nosso protesto pela legalização da Cannabis e o do seu cultivo para consumo pessoal ou para fins industriais ou com vista à investigação para fins medicinais.
Os nossos objectivos

- A legalização e regulamentação da Cannabis para todas as suas utilizações.
- A descriminalização total do consumo de Cannabis por adultos, regulamentando modos de obtenção como o cultivo para consumo próprio ou a compra em estabelecimentos ou outros organismos autorizados e regulados.
- Encorajar o estudo e a pesquisa, públicos ou privados, das muitas utilizações benéficas da planta Cannabis Sativa L. para o seu uso industrial, social, recreativo e medicinal.
As nossas propostas

- Remoção da Cannabis e de todos os produtos derivados da planta das listas de substâncias controladas, anexas à lei 15/93 e das respectivas adições a estas listas.
- Desburocratizar e dar prioridade ao cultivo e à indústria de Cannabis para a produção de energias renováveis (biomassa; biodiesel; etanol) e para a produção de fibra e pasta de papel, apostando numa produção sustentável com respeito pelo equilíbrio ambiental e pelas populações locais.
- Permitir que médicos e outros profissionais de saúde tenham a possibilidade de recomendar o uso de Cannabis no tratamento terapêutico, sintomatológico ou para a melhoria da qualidade de vida, nomeadamente, a doentes de SIDA, cancro, em tratamento de quimioterapia, esclerose múltipla, glaucoma ou doença de Chron, entre outros que com o seu uso possam ter melhorias de saúde e qualidade de vida.
- Despenalização da posse, consumo e cultivo de Cannabis e de todos os produtos derivados desta planta.
- Criação de regulamentação para o fornecimento, comércio e compra legal de Cannabis por adultos.
- Criação de regulamentação para estabelecimentos públicos onde o consumo de Cannabis por adultos seja permitido.

1.5.08

Conversa sobre o 1º de Maio e as lutas dos trabalhadores na Casa da Horta ( no Porto), hoje à noite, depois do jantar


Hoje à noite, depois do jantar, há uma conversa com o Circulo Anarquista Libertário do Porto ( CALP) na Casa da Horta sobre o 1º de Maio e as lutas dos trabalhadores


O 1º de Maio é o dia dedicado à luta dos trabalhadores. O CALP (Círculo Anarquista Libertário do Porto) irá estar presente na rua e após o jantar irá conversar na Casa da Horta um pouco sobre o que significa o trabalho e também para questionarmos o modelo social hierarquizado e a tentativa por parte do poder de transformar os homens em máquinas de produção pouco constestárias.


Aparece para jantares uma bifanas vegetarianas e depois podes também participar nesta conversa.





Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto

Concentração anarco-sindicalista do 1º de Maio junto ao metro da Praça da Figueira (Lisboa) às 14h.

No 1º de Maio, será realizado um encontro a partir das 14h junto ao metro da Praça da Figueira, em Lisboa, para marcar a data numa perspectiva anarco-sindicalista.

Haverá faixas, bandeiras e distribuição de material informativo.Apareçam

AIT-SP
Contacto:Apartado 50029 / 1701-001 Lisboa



Debate sobre anarco-sindicalismo em Almada ( 10 de Maio)

A AIT – Secção Portuguesa promove, no próximo dia 10 de Maio, pelas 16 horas, no Centro de Cultura Libertária em Almada, um debate subordinado ao tema “Anarco-sindicalismo, lutas sociais e possibilidades de resistência no campo laboral”.
O objectivo é apresentar e debater as nossas ideias juntamente com outras pessoas interessadas em lançar as bases de uma resistência
sindical baseada na solidariedade e na acção directa, organizada em moldes anti-autoritários e que não admita concertações sociais ou outras formas de compromisso com os que nos exploram e oprimem.
É urgente construir formas anti-autoritárias de resistência no campo laboral, criando práticas de solidariedade efectiva e de acção directa, se queremos não só resistir aos golpes do Estado e do
patronato, mas também construir

Parada MayDay hoje no Largo de Camões ( Lisboa) a partir das 13h.


Tod@s à parada MayDay Lisboa 2008!!

MayDay Lisboa 2008

Parada MayDay :: 1º de Maio :: Dia d@ Trabalhador/a




Concentração no Largo Camões (metro Baixa / Chiado),
a partir das 13 horas, para pic-nic e animação ::


:: Partida às 15 horas em direcção ao Martim Moniz ::

:: Desfile com a Manifestação do Dia d@ Trabalhador/a ::

Esta parada depende de tod@s nós! Passa a palavra do precariado em luta!
É urgente! A 1 de Maio soamos o alarme!







O MayDay é uma parada de precári@s, que vem marcando o 1º de Maio em várias cidades por esse mundo fora, desde da estreia em 2001, em Milão. No ano passado, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, juntando algumas centenas de pessoas contra a precariedade no trabalho e na vida.

Este ano, o MayDay Lisboa já começou: uma organização aberta a tod@s, que vai fazendo assembleias, acções públicas, festas, etc.

Na parada MayDay cabemos tod@s: mais nov@s e mais velh@s, operadores de call-center, "caixas" de supermercado, cientistas a bolsa, intermitentes, desempregad@s, estagiári@s, contratad@s a prazo, estudantes que vivem ou pressentem a precariedade,…

A 1 de Maio juntamo-nos contra a exploração, contra o emagrecimento dos apoios sociais e à habitação, desafiando o cinzentismo e continuando o percurso de mobilização e visibilidade. Contamos contigo?



Depois da manif:


Precári@s tambem precisam de comer!

Jantar popular vegetariano a preço precário com filme
no Centro Social da Mouraria,

Travessa de Nazaré 21,

no Grupo Desportivo da Mouraria, as 20 h

Manifestações do 1º de Maio em Lisboa, no Porto, e em todo o país


1 de Maio
Manifestação do Primeiro de Maio

Lisboa, 14h30, Martim Moniz (até à Alameda D.Afonso Henriques)

Porto, 15h, Avenida dos Aliados


Programa das comemorações do 1º de maio em todo o país:

30.4.08

A maior potência militar do mundo ( Estados Unidos da América) foi derrotada no Vietname faz hoje 33 anos

Célebre fotografia de 1975 que regista a
fuga dos norte-americanos
por helicóptero pousado no terraço
da Embaixada dos Estados Unidos da América
em Saigão (capital do Vietname do Sul)
Há 33 anos terminava a Guerra do Vietname com a queda de Saigão e a fuga cobarde do exército dos Estados Unidos e de alguns colaboracionistas do ocupante

No dia 30 de Abril de 1975 acabava a Guerra do Vietname com a rendição incondicional do governo fantoche do Vietname do Sul e a entrada triunfal dos guerrilheiros vietnamitas na cidade de Saigão com a tomada da Embaixada dos Estados Unidos da América, de onde fugiram, pouco antes, por helicóptero, os últimos soldados norte-americanos e alguns colaboracionistas nativos que à última hora procuraram também eles escapar ao avanço triunfal dos corajosos resistentes vietnamitas que acabavam de derrotar a maior potência militar do mundo.



Notícias da BBC da época sobre o acontecimento







The fall of Saigon - 1




The fall of Saigon – 2

29.4.08

Comida - a decisiva arma da elite dominante


Texto retirado do excelente blogue:
http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt/



Comida – a decisiva arma da elite dominante


Usar a comida como arma é tão antigo como cercar cidades, mas os bárbaros de hoje subiram a parada vários níveis de magnitude.


“…Só há duas formas possíveis de evitarmos ter um mundo de 10 mil milhões de pessoas. Ou a actual taxa de natalidade desce rapidamente, ou a actual taxa de mortalidade tem de subir. Não há outra forma. Há, claro, muitas maneiras de subir as taxas de mortalidade. Numa era termonuclear, a guerra pode consegui-lo de forma rápida e decisiva. A fome e as doenças são a tradicional forma da natureza regular o crescimento populacional, e nenhuma delas desapareceu de cena… Em termos simples: o crescimento excessivo da população é o maior obstáculo ao avanço económico e social das sociedades em vias de desenvolvimento.” — Discurso de Robert McNamara, perante o Clube de Roma, 2 de Outubro de 1979


“A sobrepopulação e o rápido crescimento demográfico do México são, hoje em dia, uma das maiores ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. A não ser que a fronteira EUA-México seja selada, ficaremos com mexicanos até ao pescoço para os quais não arranjamos empregos.” —Robert McNamara, na época, presidente do Banco Mundial, 19 de Março de 1982


As propostas genocidas veladas de McNamara foram feitas há trinta anos, dando eco ao medo das ‘grande massas’ por parte de ricos e privilegiados quando ‘sobrepopulação’ era o tema de que se falava. Por isso não mudou muita coisa, pois não? Estamos mais uma vez a ouvir as mesmas mensagens serem difundidas pelas elites dominantes e pelos seus profissionais da persuasão, os 'spin doctors'. Os prantos de medo de McNamara de estar cheio de mexicanos até ao pescoço são comparáveis ao que se passa na Europa, só que agora são africanos.


Assim sendo, as actuais explosões no Haiti, Egipto, Costa do Marfim, Etiópia, Filipinas, Indonésia e noutros sítios, por causa da importante subida do preço de bens alimentares como o óleo de cozinha e o arroz, levaram a BBC a descrevê-las como “uma potencial ameaça à segurança do Ocidente” (BBC News 24, 13 de Abril de 2008), esqueçam a ameaça à vida humana, mas isso demonstra qual é o propósito da BBC, proteger o status quo.


Para acrescentar insulto à injúria, o cretino Gordon Brown ainda tem a lata de dizer,


“O aumento do preço dos alimentos ameaça fazer recuar o progresso que fizemos nos últimos anos em termos de desenvolvimento. Pela primeira vez em décadas, o número de pessoas a enfrentar a fome está a crescer.”


Progresso? Em que planeta é que vive o nosso glorioso líder? Os níveis de vida têm vindo a cair para toda a gente (excepto para os ricos, que como consequência ficaram ainda mais ricos, roubando ainda mais aos pobres), desde os anos 1970, quando se iniciou a agenda ‘neoliberal’, e não são só os pobres que têm sido atingidos mas vemos milhões da chamada ‘classe média’ a serem postos sem cerimónias onde ‘pertencem’, junto aos pobres. O estatuto social não traz comida para a mesa. Lá se foi a ‘boa vida’ capitalista.


Os factos são estes: os salários reais nos EUA caíram desde os anos 1970. É reconhecido que 40 milhões de americanos vivem agora abaixo do limiar ‘oficial’ da pobreza, mas pelo menos ainda conseguem comer alguma coisa, o que não é caso para milhões de pessoas no chamado mundo em vias de desenvolvimento, já empobrecidas pelo chamado comércio livre, foram ainda atingidas com um golpe duplo, digo antes, com um golpe quíntuplo.


Golpe #1: ‘Comércio Livre’


Os países pobres do mundo foram ‘persuadidos’ de que cultivar alimentos para exportar de forma a ganharem divisas estrangeiras, para depois poderem importar alimentos (adivinhem de onde...), é melhor do que cultivar alimentos no seu próprio quintal. E para terem a certeza que aproveitam bem a ‘pechincha’, pelas 'regras' da OMC eles são punidos se tentarem controlar as importações.


Países que cultivavam os seus próprios alimentos, para além de se alimentarem ainda criavam emprego. Agora cultivam alimentos e outras coisas, como flores, para exportar, de forma a 'ganharem' os preciosos dólares que obviamente têm de gastar para importar alimentos que outrora produziam. Pior, a importação de alimentos subsidiados varre completamente os resquícios de agricultura indígena, simplesmente não consegue competir. Que esquema louco! Só faz sentido quando percebemos que os gestores que montaram este 'negócio' trabalham para o Grande Negócio, a bola é deles. Se fosse um negócio da 'Máfia' chamava-se crime de extorção.
Obviamente, nós no Ocidente com a nossa riqueza subsidiamos a produção de alimentos, por isso os pobres do planeta apanham um golpe dentro dum golpe. Não tendo os recursos para subsidiar a sua própria produção alimentar, à medida que sobem os preços dos alimentos que eles importam mas não o preço que recebem pela exportação de alimentos para nós, eles são apanhados entre a espada e a parede.


E são as mesmas políticas do FMI e do Banco Mundial que criaram a última crise que atingiu os pobres do planeta, as responsáveis por criar uma relação tão desigual à partida.

Golpe #2: Energia


E claro que para produzir todos estes cultivos para exportação é necessária muita energia e muita água, e muitos fertilizantes, e muitos pesticidas, e todos eles têm de ser comprados com a preciosa divisa estrangeira (até há pouco tempo só eram aceites dólares). Com o petróleo a ser vendido a 113 dólares por barril, disparou o custo de produção de qualquer coisa. Quem ganha: os Grandes Cartéis do Petróleo. É escusado dizer quem perde.


Mas o custo real da produção de petróleo até não aumentou muito, A responsabilidade toda destes aumentos tem de ser imputada a quem de direito, aos especuladores e às Cinco Grandes companhias petrolíferas. Por outras palavras, a todos estes sórdidos jogadores e gestores de fundos de pensão. É o sistema.


Golpe #3: ‘Biocombustíveis’


O último acrescento ao arsenal do uso de alimentos como arma e talvez o exemplo mais óbvio até à data, é converter a produção de cestas alimentares dando lugar aos chamados biocombustíveis.
Pois em vez de nós passarmos a usar menos energia, nós compramo-la aos pobres do planeta sob a forma de ‘biocombustíveis’. Brilhante, não é? Qual é o país pobre que necessita de produzir etanol? Não tem uso para ele, excluindo talvez para fazer algumas bebidas.


Mas nós sabíamos que isto ia acontecer e toda a gente disse aos nossos cretinos e criminosos líderes o que se ia passar. Eles estão muito ocupados a produzir trigo para exportar para alimentar todas aquelas malditas vacas, vacas que transformamos em hambúrgueres para nós consumirmos, mas agora, em vez de produzir trigo para exportação para fazer hambúrgueres, está-se a produzir etanol para meter nos automóveis. Em qualquer dos casos é uma loucura!
E de qualquer forma, como revela um relatório divulgado da UE, os biocombustíveis não fazem parar a produção de gases com efeito de estufa (até podem aumentá-los). Toda esta coisa dos 'biocombustíveis' é uma gigante vigarice, tem tudo a ver com saber qual é o cultivo que dá mais lucro (ver ‘Industria pede alteração de rumo na política dos biocombustíveis [em inglês]) .


Golpe #4: Água


Facto: São necessários entre 1 000 a 2 000 litros de água para produzir um quilo de trigo
Facto: São necessários entre 10 000 a 13 000 litros de água para produzir um quilo de carne (Fonte: FAO)


E adivinhem o que é mais produzido, principalmente para consumo no Ocidente – hambúrgueres. E sem surpresas, a agenda 'neoliberal' assistiu à privatização forçada da água um pouco por todo o mundo, e também de outros recursos-chave anteriormente pertencentes às comunidades.

Golpe #5: Alteração do Clima


Previsivelmente, as alterações climáticas atingem mais os que são incapazes de lidar com elas, os pobres. E não esqueçamos, a maioria da população do planeta é pobre. A ligação entre estas coisas deve ser visível para vocês leitores, e o facto de andarmos a baralhar a biosfera da forma como temos feito nos últimos duzentos anos, reflecte-se no planeta. E as nossas elites políticas intitulam-se civilizadas!


Entretanto, voltando à terra dos poderosos, estamos atarefados a planear a guerra infinita de forma a preservar os nossos privilégios, pois enquanto os nossos líderes pontificam sobre esta ou aquela crise que enfrentamos, eles estão a gastar milhares de milhões para desenvolverem robôs que defequem bombas em cima dos pobres do planeta, a partir de uma confortável cadeira a uma certa distância do cenário da 'acção'.


“Mercado de VANT atingirá os 13 mil milhões de dólares em 2014


Washington, D.C. (PRWEB) 14 de Abril de 2008 — A guerra global ao terrorismo levou os Estados Unidos a injectarem significativas somas de dinheiro em programas de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), afirma o analista da Forecast International, Larry Dickerson.” — www.aviationtoday.com/webinars/2008_0417.html


Como é que alguém no seu juízo perfeito pode olhar para estas pessoas e para toda a classe de interesses para os quais eles trabalham tão afincadamente, e não os ver como criminosos de guerra e destruidores da vida! Eles são verdadeiros bárbaros em todos os sentidos da palavra, pois eles destroem tudo de belo e com valor, incluindo países inteiros, para preservarem o seu pedacinho.



Não admira a obsessão de Hollywood em 'salvar o planeta' mas quando é que vamos ver um filme sobre salvarmo-nos a nós próprios e à nossa casa, destes predadores assassinos em massa?
E porque será que viramos as costas à carnificina ostensivamente levada a cabo em nosso nome? Apesar de tudo, as pessoas dão generosamente para as chamadas obras de caridade, por isso não é que as pessoas não queiram saber da miséria dos outros.


Mais uma vez, eu volto-me para aos meios de comunicação corporativos/estatais pois será que nós aturaríamos isto sem a sua cumplicidade activa no encobrimento das infindáveis atrocidades cometidas? Eu penso que não, mas eu sou um eterno optimista acerca da verdadeira natureza do espírito humano, assim que deixarmos de ter medo e começarmos a pensar e a sentir.


A principal razão é o que os meios de comunicação (esqueçam os políticos) não ligam os acontecimentos à economia subjacente, que os leva a agir da forma que agem. Desta forma, a “crise do crédito” só tem esse nome para esconder o facto de que foram as práticas económicas e políticas dos nossos governos, em conluio com o Grande Negócio, que criaram a crise (como criaram todas as crises anteriores).


A “crise do crédito” é meramente sintomática de um sistema doente que necessita de ser substituído urgentemente.


A questão é mesmo bastante simples, enquanto tivermos elites dominantes intimamente unidas ao Grande Capital, a dirigir o espectáculo, elas nunca irão, nem daqui a milhão de anos, dar azo à ideia de nos livrarmos do actual sistema económico – que é a causa de todas as nossas misérias – e substitui-lo por uma forma de ganhar a vida que seja mais sadia e mais modesta, mas há tanto em jogo, porra! Só nós, o chamado povo, podemos fazer isso, eles não vão mexer uma palha a não ser que os forcemos a isso ou se não conseguirmos, temos que nos livrar deles.


Texto de William Bowles publicado em Creative-I a 17 de Abril de 2008.

Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.


http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt/34280.html