3.7.07

O estado de excepção é agora a regra ( Agamben)

Entrevista com Giorgio Agamben publicada no jornal Público.


Medidas extraordinárias para vigiar cidadãos são banais em governos democráticos, alerta o filósofo italiano Giorgio Agamben. Faz-se tudo pela segurança, até sujeitar-se ao "controlo político total."
Estão a ver este tipo de cidadãos orgulhosos da sua democracia? Se sim, excluam já o filósofo Giorgio Agamben (1942, Roma) desse grupo.

Há muito que este pensador italiano alerta para o perigo de medidas tendencialmente totalitárias em governos democráticos, "medidas de excepção" quase sempre justificadas pelo medo, pelo terrorismo ou qualquer outro "inimigo invisível". Não foi por acaso que, há três anos, se recusou a dar um seminário nos Estados Unidos. Era uma atitude política face à política securitária que se seguiu à queda das Torres Gémeas: não admitia a hipótese de passar pelo crivo do serviço de fronteiras.

Giorgio Agamben - que integrou o famoso seminário que o filósofo alemão Martin Heidegger dirigiu em Le Thor, França, em 1968, assim como responsável pela edição das obras completas de Walter Benjamin em Itália - esteve no Porto esta semana para participar no ciclo sobre política das conferências Crítica do Contemporâneo, na Fundação de Serralves.

Nesta entrevista recupera não só as ideias que o tornaram polémico sobretudo na Alemanha - a comparação da condição dos prisioneiros de Auschwitz com os de Guantánamo, no que toca à privação de existência legal, será talvez a mais polémica delas -, mas também da existência de uma raiz religiosa no modelo de organização dos actuais governos laicos. Descobriu que "há um incrível paralelo entre a hierarquia dos anjos e a burocracia política", sendo os governos contemporâneos organizados à medida dos ministérios de anjos que a teologia relata.

Da vasta obra deste professor da Faculdade de Arquitectura e Design de Veneza, estão publicados em Portugal apenas quatro livros: A comunidade que Vem (Presença, 1993), Homo Sacer (Presença, 1998), Ideia da Prosa (Cotovia, 1999) e Profanações (Cotovia, 2006).

O Governo alemão deu ordens às suas forças de segurança para que fossem recolhidas amostras do cheiro de alguns activistas antiglobalização.
-O cheiro das pessoas? [Agamben aponta para o nariz, franzindo a testa]
Sim. Era uma das medidas de segurança para o G8, organizado em Heiligendamm no início de Junho. Recolheram roupas usadas dos activistas, supostamente para treinar cães - um método que era usado pela Stasi, a polícia política da antiga RDA.
-Isto não é algo que me surpreenda. É comum aos governos quererem controlar cada vez mais os cidadãos. Tomam medidas excepcionais que depois acabam por se tornar a regra. E as pessoas aceitam. Há sistemas de identificação biométrica para abrir a porta de casa ou para registar a entrada em estabelecimentos de ensino. As pessoas gostam da ideia de os seus dados biológicos serem únicos e servirem para abrir portas.

Na sua opinião, é mais um exemplo do controlo totalitário que governos democráticos podem exercer sobre os cidadãos?
-Isto está relacionado com o conceito de forma-de-vida e forma-de-uso. Como é que se consegue introduzir o uso de novos mecanismos na vida das pessoas? As indústrias disponibilizam hoje estes dispositivos biométricos não para a segurança pública, mas sim para entrar na casa das pessoas. Pretende-se acostumá-las desde cedo a hábitos banais como estender a mão para mostrar as impressões digitais. A ideia é primeiro introduzir o método no quotidiano e depois aplicá-lo para controlo político e policial.

E por que é que se aceita? Por hedonismo? Para ter mais conforto?
-Para sobreviver. Não acredito que seja por hedonismo, não pode haver prazer nisso, a não ser um prazer imaginário. É, na verdade, a perda completa da possibilidade política. As pessoas não pensam que podem vir a estar sujeitas a um total controlo político.

Os cientistas podem sempre argumentar que do conhecimento de parâmetros biológicos também advêm coisas úteis - a resolução de um crime com a ajuda de cientistas forenses, por exemplo, ou a descoberta de uma nova terapêutica.
-Há uma relação muito estreita entre os cientistas e o poder. Uma relação que começou há muito tempo. A matéria sobre a qual o cientista se debruça torna-o uma figura privilegiada para interagir com as esferas do poder. Houve sempre a ideia de que os médicos que faziam experiências em Auschwitz eram criminosos e não cientistas. Isto é falso. Cientistas reconhecidos e bons estiveram lá.

De onde vem essa promiscuidade entre a ciência e o poder?
-Encontramos em qualquer profissão comportamentos éticos e desviantes. Por isso não podemos ter uma confiança total na [auto-regulação] ética da ciência.

Mas eram cientistas com uma ideologia, acreditavam na pureza da raça, faziam experiências ligadas à genética.
-Não. Faziam também experiências sobre doenças. Exemplos semelhantes ocorreram em prisões nos Estados Unidos. Houve ensaios em milhares de pessoas para estudar a malária, por exemplo.


De que forma os cientistas contribuem hoje para este estado de excepção?
A determinação da hora da morte de um paciente, por exemplo, pode ser considerada um estado de excepção. São os médicos que decidem se um homem está vivo ou não a partir do funcionamento cerebral. Isto é questionável.
-Sim, mas o doente que está em estado vegetativo sobre uma cama de hospital pelo menos ainda tem um nome, um documento, uma ficha clínica que seja. Os prisioneiros de Auschwitz estavam privados de existência legal.
É um estado de excepção diferente?
-Sim. Referia-me estritamente à situação de decidir se alguém está vivo ou morto. Se fosse possível fazer um transplante de cérebro, por exemplo, seria preciso encontrar um outro parâmetro para determinar o que é a morte de um corpo cujo coração continua a bater. A noção de morte cerebral existe precisamente porque não é possível transplantar um cérebro.


Quando se fala em "estado de excepção", vem à cabeça os célebres exemplos do seu livro: os prisioneiros da base militar americana de Guantánamo e dos campos de concentração em Auschwitz. Por que é que não nos ocorre a imagem do imigrante que se sujeita aos piores salários e trabalhos?
-O problema é que aquilo que vigoraria em situações excepcionais torna-se uma regra. Admitir este estado de excepção acaba por ser um caminho sem volta ao estado de direito. Muitas coisas passam a ser feitas à luz da excepção, do zelo pela segurança. A Segunda Guerra Mundial abriu caminho para muitas situações de excepção, paradigmas que mudaram muito o sistema democrático.


O exemplo do ataque às Torres Gémeas em 11 de Setembro de 2001, que deu origem ao Patriot Act?
-Era preciso dar corpo a um inimigo invisível, que neste caso é o terrorismo. O desejo de segurança já justifica que o estado de excepção seja perpétuo. O medo justifica que se possa revistar, vigiar e controlar as pessoas através de métodos cada vez mais modernos. Aqueles que estão detidos em Guantánamo não têm o estatuto de prisioneiros de guerra, não têm estatuto legal simplesmente. Passamos de um "poder soberano", no qual o rei no passado reinava mas não governava, para o sistema actual de governo baseado num estado de direito. O que não vemos é que há uma ligação entre esse mesmo direito e a violência.


São as pessoas que precisam de um governo para se sentirem protegidas ou é o poder que incute nas pessoas a ilusão desta necessidade de segurança? Ou são as duas coisas ao mesmo tempo?
-É difícil responder a esta pergunta. Para pensar sobre estas questões é preciso olhar para trás a procurar a genealogia teológica da formação do poder. A religião mostra-nos como criamos a ideia de um poder divino. Há, aliás, uma coisa muito curiosa que descobri que é o inacreditável paralelo que há entre a hierarquia dos anjos e a burocracia política. São ministros de Deus que controlam determinadas áreas. Existe mesmo a terminologia ministerium de anjos na burocracia divina, da mesma forma que temos o ministro do Interior ou dos Negócios Estrangeiros. O nosso padrão democrático vem da teologia, por incrível que pareça.


Como é que percebeu que a religião poderia ser um caminho para compreender o passado?
-A teologia torna as coisas contemporâneas muito mais claras para mim. Uma das coisas mais difíceis que existe é ser contemporâneo. Para estar em contacto com o presente - ou tentar estar - é preciso remover uma série de camadas opacas. É muito mais fácil compreender por que é que temos um primeiro-ministro seguido de uma série de ministros quando vejo a organização dos anjos na burocracia divina.


Quer isto dizer que quando insistimos em dizer que vivemos num estado laico estamos a ser utópicos?
-Quer isto dizer que o estado a que chamamos laico tem as suas raízes na teologia. As coisas moveram-se, a ideia de glorificação ficou nas mãos dos media. Mas a função da glória está lá, nos telejornais e nas revistas, quando nomeamos os líderes. Ser nomeado nos media é hoje o estado de glória.


Você professa alguma religião?
-Não. Só a filosofia.

Ecotopia realiza-se este ano em Portugal (Aljezur, 4 a 19 de Agosto)


São precisos voluntários.


Ecotopia é um acampamento anual de activistas de toda a Europa e um encontro aberto a todas as pessoas interessadas em questões ambientais e de justiça social. O Ecotopia acontece todos os anos desde 1989, sempre num país diferente.


É organizado pela EYFA (Juventude Europeia pela Acção) e por uma ou várias associações ambientais do país, que funcionam como organização que acolhe o evento. Neste ano, a 19ª edição irá decorrer em Portugal, promovida pelo GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental).


O Ecotopia é um local de aprendizagem, partilha de experiências e difusão de informação sobre questões ambientais, sociais e políticas, entre outras. Entre 200 e 600 pessoas participam em cada edição do Ecotopia, para partilharem conhecimentos e discutirem sobre um amplo leque de assuntos, tais como: alterações climáticas, transportes e mobilidade, transgénicos, agricultura biológica, construção ecológica e infraestruturas sustentáveis, política e sistema económico global, estratégias para acções, experiências de campanhas, medias alternativos, migrações, racismo e xenofobia, questões culturais, influências sobre e das pessoas...


Todos os anos o Ecotopia tem um tema diferente, que se tenta que tanto esteja relacionado com o local, como que vá de encontro às emergências globais. Sendo assim, o tema escolhido este ano são as migrações, que terão especial relevância nos dias 10, 11 e 12 de Agosto.


O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas... Sempre que possível, @s ecotopian@s participam em acções de voluntariado na zona, tentam envolver as pessoas locais nas questões do ambiente, assim como capacitam organizações locais.


O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa!


O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país.


http://www.ecotopiagathering.org/


Princípios

O Ecotopia é um evento criado quando pessoas de toda a Europa se encontram e tentam criar uma comunidade ideal por duas semanas. É auto-organizado e funciona de forma horizontal. Durante o acampamento todas as decisões são tomadas pel@s participantes no círculo da manhã e tod@s são responsáveis pela criação do programa, resolução de problemas e realização das tarefas diárias.

FUNCIONAMENTO DO ACAMPAMENTO e TOMADA DE DECISÃO no ECOTOPIA


A programação diária do Ecotopia é organizada através de decisões consensuais tidas nos círculos da manhã. É nesta ocasião que actividades como oficinas, acções, actividades recreativas e importantes tarefas de manutenção são anunciadas.


Não há hierarquias, tod@s @s ecotopian@s têm direitos iguais. Miúdos e graúdos, pessoas locais ou de outros países, tod@s têm os mesmos direitos e responsabilidades no decorrer do acampamento. A igualdade significa também que tod@s @s que vêm para o acampamento são convidad@s a participar nas tarefas diárias e nas tomadas de decisão. Sempre que possível, @s ecotopian@s participam em acções de voluntariado na zona, tentam envolver as pessoas locais nas questões do ambiente, assim como capacitam organizações locais.


De qualquer pessoa que se junte ao Ecotopia é esperado alguma ajuda na organização e funcionamento do encontro. Isto significa que cada uma deve tomar parte activa num dos grupos de trabalho diários de modo que as equipas possam rodar e tod@s no Ecotopia possam ter as mesmas possibilidades de trabalhar, participar nas oficinas e descansar. As pessoas voluntariam-se para ajudar nas várias tarefas, tais como apanhar lenha, recolher água para os duches, escavar fossas para os sanitários, limpar, etc. Para realmente saberes o que é viver numa comunidade sustentável tenta realizar cada uma das tarefas pelo menos uma vez. Se vires algo que deva ser feito, fá-lo!


Comportamentos discriminatórios tais como sexismo e racismo são fortemente reprovados. Para além disso, o Ecotopia junta pessoas de diversas etnias que têm tradições diferentes no que concerne aos relacionamentos sociais, ambiente e dia-a-dia. Pede-se a tod@s @s ecotopian@s uma elevada sensibilidade cultural. Ser paciente, amig@ e respeitar a comunidade local que acolhe o Ecotopia é essencial.


CONSENSO


Trabalhar com consensos significa que tod@s tentam avançar junt@s em vez de seguir com a vontade de uma maioria, pelo que não há votações - mas procura-se uma solução que agrade a tod@s. O consenso funciona melhor quando tod@s querem que funcione, pelo que é muito importante ter uma atitude construtiva. Reuniões que funcionam através de consenso não têm um@ líder mas, normalmente, um@ facilitador@. Este é alguém que, com o consentimento do grupo, ajuda a estruturar a reunião. As tarefas principais d@ facilitador@ são assegurar que cada um toma a palavra na sua vez e informar o grupo dos limites de tempo


@ facilitador@ deve também manter-se atento à estrutura da reunião e por isso é mais provável que introduza técnicas diferentes ou que resuma o estado actual da reunião, apesar de qualquer pessoa o poder fazer. Para além d@ facilitador@, há igualmente um responsável por anotar as decisões tomadas, bem como um@ observador@ das "vibrações" dos participantes (pois por vezes é importante verificar se há pessoas que estão a ficar aborrecidas/ cansadas/ irritadas ou que estão descontentes com as decisões mas não se sentem capazes de o dizer). O ideal é que @ facilitador@ e @ observador@ de vibrações não sejam parte interessada nos resultados da reunião, se for possível.

Estrutura de uma reunião de consensos

A reunião começa com a nomeação d@ facilitador@, anotador@, observador@ de vibrações e de alguém que controle o tempo. Segue-se a agenda e a definição dos limites de tempo. @ facilitador@ irá também, nesta fase, fazer algum anúncio prático. Os pontos na agenda são então discutidos, até que toda a gente esteja de acordo. Se alguém bloquear uma decisão, as discussão deve recomeçar a partir dessa objecção. Toda a gente tem o direito de bloquear uma decisão com a qual estão em desacordo absoluto, apesar de isto raramente acontecer. Existe também a possibilidade de alguém se alhear do processo ("Não vos impeço mas não participarei"), mas na maioria dos casos é atingido um verdadeiro consenso. Durante os círculos da manhã grupos de trabalho podem ser formados para posteriormente debaterem a fundo um problema ou ideia específica, relatando no circulo da manhã seguinte as decisões tomadas.

Como fazê-la funcionar

As duas regras de ouro são: ser construtiv@ (não é válido apenas discordar, é necessário explicar as razões e oferecer alternativas ou compromissos); esperar a vez de falar. Há outras coisas que ajudam ao sucesso da reunião, tais como:

Escutar - Assegura-te que compreendeste o que está a ser discutido, em especial se for necessária tradução. Tenta obter toda a informação acerca de um ponto antes de o criticares ou apoiares.


Explicar - Assegura-te de que as pessoas compreendem a tua posição, em especial se estiverem a traduzir o que dizes.


Sê o mais breve possível


Sê flexível, sê paciente - Contradições na tomada de decisão não são problema.


Não te sintas isolado - Tod@s estamos aqui com a mesma motivação.


Apoia @ facilitador@ se a reunião começar a ficar fora de controlo


Encontras mais informação (em inglês) sobre tomadas de decisão consensuais em:








Como podes ajudar?


o Espalha a palavra! Põe um cartaz no teu local favorito e nas associações que conheçes. Imprime panfletos na língua do país onde estás e divulga! Envia um e-mail a anunciar o Ecotopia para toda a gente que conheces. Leva panfletos e distribui na próxima acção que participares.



o Pesquisa as diferentes e melhores formas de viagem desde o país de onde vens (caso não venhas de Portugal). Podemos disponibilizar essa informação na página web para as pessoas desse país.

o Ajuda-nos a arranjar os materiais que precisamos.

oJunta-te à equipa da cozinha.Se tens experiência ou simplesmente gostas de passar tempo a trabalhar num colectivo de cozinha ao ar livre diz-nos!

o Estamos à procura de um@ médic@ voluntári@ que queria participar no ECOTOPIA, porque é preciso garantir apoio a nível de saúde no local. Contacta-nos.

o Procuramos um coordenador para tratar da parte artística e de decoração do ECOTOPIA! Para o transformarem num local ainda mais bonito do que já é por natureza! Contacta-nos.

o Visita o local e ajuda-nos a construir as infraestructuras durante o mês de Junho! Vem ao campo de preparação em Julho.


Se vens para Aljezur ajudar, por favor:

- Telefona e diz-nos algo primeiro (André: 965615379)

- Traz tendas e saco-cama

- Traz copos, tijelas, pratos ou talhetes que tenhas a mais.




Workshop de preparação

O workshop é já no próximo fim de semana!!!

com Júlio Piscarreta

Nota: A oficina tem um valor de donativo mínimo de 10€ por pessoa. Sugere-se um valor máximo de 150€ por pessoa. O Ecotopia é um evento sem fins lucrativos e os donativos servem para pagar os custos vários da oficina. O preço variável tem como objectivo possibilitar a participação de tod@s, pagando os mais abastados pelos menos!E se vieres ao acampamento de preparação, durante o Ecotopia és isento do pagamento da taxa de participação!!

Vem montar duches, casas de banho secas, cozinha, sombras...! Aprender a construir com fardos de palha, reconstruir casas em taipa, fornos de pão...! Limpar o terreno e tratar da horta! Vem decorar e dar cor ao local!Inscrições limitadas


Contactos:
utupiar@gaia.org.pt


Telefone: 937267541



Nota: Os participantes devem trazer tenda de campismo (se possível), saco-cama, talheres, copo e prato, luvas e roupa de trabalho.


Podes também vir para o local do ECOTOPIA a qualquer altura, ajudar a construir as infraestruturas mínimas para a acampamento de preparação e a plantar a horta!Podes ver na nossa página como chegar ao local!

Se precisarem telefonem-nos: 914852226 ou 938358034.
Uma das melhores formas de chegar ao Ecotopia foi sempre a BikeTour.

Só 5 países desenvolvidos destinam 0,7% do seu PIB à ajuda ao desenvolvimento humano

Só 5 do conjunto dos países mais industrializados é que cumprem os seus compromissos de destinar 0,7 % do seu PIB à ajuda às regiões e países que mostram grandes carências quanto ao seu desenvolvimento. Os cinco países que respeitam os compromissos dos países desenvolvidos relativos à execução dos Objectivos de desenvolvimento do Milénio são Noruega, Suécia, Holanda, Dinamarca, Luxemburgo. Recorde-se que os objectivos do Milénio são um projecto de acção implementado pela ONU até ao ano de 2015 para concretizar um conjunto de 8 objectivos relativos ao desenvolvimento humano no mundo e que receberam o apoio de toda a comunidade internacional.

29.6.07

Eu te chamo…Liberdade ( por Nacha Guevara)

Canção «Yo te nombro…LIBERTAD» cantada por Nacha Guevara (conhecida actriz e cantora argentina), com letra de Gian Franco Pagliaro e que foi inspirada no célebre poema de Paul Eluard

Le partisan – grupo de música de expressão portuguesa na CasaViva hoje (6ª feira às 22h.30)

A CasaViva é na Praça Marquês de Pombal,167, na cidade do Porto
(como a porta está normalmente fechada, é necessário bater ao batente e todos podem participar e assistir)

entrada livre

A banda nasceu em Dezembro de 2002, fundada por Blandino. Várias formações volvidas, é hoje constituída por três elementos: o mentor e compositor – voz, guitarra acústica, bandolim, guitarra eléctrica, chocalho e bombos; Sara Luz – voz, percussões (miudezas) e kazoo; e Nuno Mendes – baixo eléctrico.

Le Partisan tem como regra tocar com convidados e um manifesto que termina assim: “…e tudo num sofá preguiçoso toda a estória ilógica fantasiar a vida é penar pela realidade vivê-la é bem mais simples quando da nossa boca sai mais do que "MÉÉ" viver aos pulinhos aos bocadinhos coitadinhos já caminhei na sombra de fazer algo mais as palavras enganadas trocadas de ironias disfarçadas”.




MANIFESTO

Le partisan vem-se recolher na montanha, o velho eremita às vezes passa lá décadas sem que se dê conta. depois volta novo o dia novo o olhar. traz os pés descalços e as mãos a esmagar cravos silvas. agora e nostalgia a criança traquina atravessa o rio mais difícil numa poça de merda passa, arrasa, move e mesmo assim semeia o amor espalha o amor orgias de canções chocalheiras. o ouro é o que de mais valor há para o homem a Igreja fez de nós seres pequenos, sujos e pecaminosos. saber nada somos célula num todo mas muito maior do que nos convencem desde sempre. ser célula criativa capaz em juízo especulante da justiça amante espectador da cruel vida. as divindades as muralhas do edifício da religião não são mais do que todo o conteúdo dos rituais pagãos mais diversificados, a que o clero deu uma interpretação objectiva concedendo-lhes atributos institucionalizados. o sorriso nasceu do prazer viver é celebração adoração e tesão para dar e estimular. o Governo adverte que o amor prejudica a Sociedade. Le Partisan adverte há uma flor a rolar pela colina fugindo no vento de quem a arrancou da terra Teresa Torga dançava na rua nua ora moral ora amoral independência espiritual. ele é atraído para doces quedas no inferno deslumbrado e enganado, mas sempre fascinado. atiça a raiva no burguês filisteu e, através da raiva, indu-lo a um despertar envergonhado.
Le Partisan tem boca e tem cu. e tudo num sofá mofento, preguiçoso toda a estória ilógica fantasiar a vida é penar pela realidade vivê-la é bem mais simples quando da nossa boca sai mais do que “MÉÉ” viver aos pulinhos, aos bocadinhos, coitadinhos já caminhei na sombra de fazer algo mais as palavras enganadas, trocadas de ironias disfarçadas.


http://maquisards.blogspot.com/


http://homepage.oniduo.pt/lepartisan/


http://www.myspace.com/lepartisan




Maria
letra: Joaquim Castro Caldas
música: blandino




De não saber o que me espera + gritos contra a tortura ao vivo
no Teatro da Vilarinha, Porto 22/03/07
letra e música: José Afonso







Auto-retrato





Paradeiro incerto

28.6.07

Tony Blair: um criminoso de guerra mascarado em emissário de paz !!!

Desenho de Latuff, brilhante cartoonista brasileiro . Para apreciar os seus trabalhos gráficos recomendamos a visita regular ao seu blogue: http://tales-of-iraq-war.blogspot.com


As últimas notícias da imprensa oficial são mais que elucidativas do que actualmente se passa no mundo. Segundo as agências de informação um conhecido criminoso de guerra, e primeiro-ministro cessante de uma das potências integrantes do restrito clube dos cinco que constituem o chamado - ironicamente, pois claro - Conselho de Segurança das Nações Unidas, logo que deixou as funções governativas foi de imediato nomeado - Ó espanto dos espantos ! - «emissário de paz» para o Médio Oriente!!!!


Este facto é bem demonstrativo do que actualmente se passa no mundo e de como a mentira e o cinismo reinam despudoradamente nos dias de hoje.


Felizmente que os cidadãos livres ingleses não se intimidam e, para além do campo da paz que já instalaram nos jardins fronteiriços ao Parlamento inglês, para diariamente recordarem aos profissionais da política o legítimio direito à paz entre os povos e as nações, decidiram, entretanto, começar a manifestar-se desde o dia de hoje em frente à nova e luxuosa residência no sul de Londres do ex-primeiro-ministro inglês, Tony Blair, reconhecido criminoso de guerra, a fim de lhe lembrar as suas responsabilidades na Guerra e que a sua comparência junto do Tribunal Penal Internacional não deverá tardar muito.

Entretanto, a farsa do criminoso de guerra disfarçado em emissário de paz promete continuar ...
E se a tragédia não fosse tanta, e o seu custo em perdas humanas e prejuízos materiais não se elevasse a uma dimensão tão grande, bem que uma tal trágico-comédia mereceria umas boas e sonoras gargalhadas.
Mas a verdade é que um Holocausto está a acontecer no Iraque e os seus responsáveis estão ainda impunes. Um deles chama-se Tony Blair.

Consultar:





Entretanto, no Iraque a Resistência continua... e promete continuar até à expulsão dos ocupantes norte-americanos, britânicos e seus lacaios...

27.6.07

Recorda-se hoje Helen Keller para defender os direitos dos homens e mulheres com surdez e cegueira



O Dia Internacional da Surdez e da Cegueira comemora-se hoje, dia 27 de junho, em homenagem a HELEN KELLER, uma activista que tomou como meta da sua vida, a luta a favor dos sensorialmente Incapacitados...


Consultar: aqui, e ainda



Nota: o blogue Pimenta Negra tentará em breve ter uma secção de links sobre a defesa dos direitos dos cidadãos portadores de incapacidades.

A Escola Moderna de Francisco Ferrer i Guardia

A escola moderna foi uma escola fundada em 1901 por Francisco Ferrer i Guardia, notável educador e pedagogo, defensor dos ideais anarquistas, e que com a sua proposta educativa da Escola Moderna visava transformar o sistema educativo segundo métodos racionalistas e científicos






A vida de Francisco Ferrer i Guardia

(documentário biográfico da vida e obra do célebre educador e pedagogo anarquista Francisco Ferrer i Guardiã, alvo de perseguição política e, apesar de inocente, foi condenado à morte pelo Estado espanhol em 1909 )



Documentário sobre o cantor e músico anarquista Chicho Sanchez Ferlosio (1940-2003)

Enquanto o corpo aguentar (mientras el cuerpo aguante) - documentário realizado por Fernando trueba em 1981 sobre o extraordinário poeta, cantor e músico anarquista José Antonio Sánchez Ferlosio, mais conhecido por Chicho Sanchez Ferlosio (1940-2003), incansável lutador antifranquista.
Consultar:





HOY NO ME LEVANTO YO

Una cosa hay bien segura,
hoy no me levanto yo.
Tengo sábanas y mantas,
buena almohada y buen colchón,
tengo tabaco y cerillas
y buena imaginación
y aquí en la cama he llegado
a la clara conclusión
de que pase lo que pase
hoy no me levanto yo!!!

Cerca ya de mediodía
entran en mi habitación
mi mujer y mi cuñada
y mi hija la mayor
y mi suegra con su hermana
que está aquí ahora de pensión
y confirma mi designio
constatar su irritación
cada vez que les repito
que hoy no me levanto yo!!!

Hablando todas a un tiempo
reclaman una razón,
no siento molestia alguna
ni tampoco desazón,
no me ha despertado el niño,
he dormido de un tirón,
digerí bien la fabada,
pesadillas no señor,
pero aquí estoy en la gloria
y hoy no me levanto yo!!!

Mi mujer me amonestaba
con paciencia y con amor,
mi suegra más duramente,
mi hija desapareció
y me trajo un té con leche
y unas lonchas de jamón,
yo me tomé el té con leche,
me arrellané y dije ¡no!,
dejadme por imposible
que hoy no me levanto yo!!!

Por fin les dije
aunque vengan gobierno y oposición,
la televisión y prensa
y el cabildo en procesión,
policías y alguaciles
que van de gobernación
y los propios comunistas
me piden su excomunión,
aunque vengan Dios y el Diablo,
hoy no me levanto yo!!!

Hoy se nace con el sino
de actuar por actuar,
la gente anda arrebatada
y no se para a pensar
que hay veces que levantarse
se lo puede uno saltar
y aunque a nadie le hagas falta,
allí te vienen a hurgar,
pues por mí que canten misa,
no me pienso levantar!!!

Chicho Sánchez Ferlosio: "Hoy no me levanto yo", canción incluida en el disco A contratiempo.




O Movimento Dada ( documentário )

Dada é um movimento cultural ( de carácter contra-cultural) que aparece em Zurich durante a I Grande Guerra e cuja acção se estendeu de 1916 a 1920. O movimento desmuliplicou-se em várias áreas artísticas, desde as artes visuais à literatura, passando pelo teatro, design, mas tendo sempre como denominador comum a contestação à política de guerra levada a cabo pelas potências imperialistas da altura, assim como a recusa aos padrões artísticos dominantes


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Marcha da Simplicidade 2007

«Quando a última árvore for abatida, o último rio secar, e o último peixe for pescado, então o homem vai perceber que o dinheiro não é, afinal, comestível»

A marcha de Simplicidade 2007 partiu ontem (26 de Junho) de Charente Maritime (norte de França), por ocasião do Festival da Terra, e irá percorrrer 330Km até Creuse, com chegada prevista para meados do mês de Agosto.
Pretende-se com esta iniciativa, que já vai na 2ª edição, redescobrir a fauna e a flora das regiões, promover o reencontro entre as pessoas, criar momentos de convívio pelas terras por onde se vai passando, bem assim trocar impressões, ideias e conhecimentos com as pessoas que se encontrar pelo caminho.

São convidados a integrarem-se na Marcha por um dia, uma semana ou mais, todos aqueles que quiserem partilhar estes objectivos. Serão especialmente bem-vindos músicos, cantores e todos os instrumentos de música que possam dar um ambiente festivo aos muitos momentos de pausa que não deixarão de haver ao longo da Marcha da Simplicidade.

Cada dia prevê-se fazer uma média de 15 km diários, e em cada semana está previsto um dia de descanso para que todos – adultos e crianças, famílias ou simplesmente um pessoa – possam acompanhar a Marcha da Simplicidade.

Ao contrário do ano anterior não temos desta vez um trajecto fixo. Por isso, a qualquer momento podem entrar em contacto connosco via telefone ou pela Internet para saber o exacto local onde nos encontramos. No ano passado mais de 100 pessoas juntaram-se a nós, e este ano esperamos que mais ainda se juntem ao colectivo de 15 pessoas que organiza esta Marcha.

A ideia geral que inspira esta Marcha é a simplicidade voluntária, isto é, viver de outro modo, muito diferente daquele que é típico da actual sociedade ocidental com todo o consumismo e tecnologia que caracteriza as nossas sociedades super-urbanizadas, tentando recuperar os estilos de vida mais simples, baseados no uso racional e reflectido dos recursos naturais, assim como na ideia da responsabilidade social das pessoas, na auto-gestão e não-violência do nosso quotidiano.

Por isso está prevista a organização de vários ateliers ao longo da Marcha para permitir a troca de experiências e de conhecimentos sobre as melhores alternativas ecológicas e sociais face ao modo de vida dominante.

Note-se que a Marcha pretende ser um forma alternativa de locomoção, de carácter ecológico, e que possa modificar a nossa relação com o tempo e o espaço, permitindo apreciar o meio ambiente que nos rodeia.


A lentidão é também uma forma resistir


Carta e regras de vida para a Marcha

(o que se segue serve de orientação para a Marcha, mas não deve ser entendido como uma doutrina fechada e absoluta; devemos preservar sempre a espontaneidade)

- a Marcha desenrola-se num espírito de autonomia, autogestão, não-violência e do decrescimento.

-Todos os participantes marcham em conjunto em ajuda mútua e ambiente convivial

-Não se recomenda a posse de qualquer símbolo de pertença a nenhuma organização ao longo da Marcha

-A marcha percorrerá cerca de 15 km por dia

-Os caminhantes devem vir equipados com o material necessário para a Marcha

-Para a alimentação cada um pode trazer os seus próprios víveres, mas será organizada uma cantina colectiva, participativa e vegetariana, com produtos biológicos e locais, cujos preços serão livres.

- Evitar-se-á fazer resíduos

-Os animais de companhia serão da exclusiva responsabilidade dos portadores, até porque cavalos e burros farão parte da Marcha

-A marcha é organizada por caminhantes e ciclistas, pelo que todo e qualquer meio motorizado deve ser evitado

-Agradece-se que não abusem do álcool e de todas as outras drogas que possam influenciar negativamente o bom desenrolar da Marcha

http://marchedelasimplicite.org/

Manifesto dos lançadores de tartes e dos anarco-pasteleiros


O lançamento de tartes («entartage» no francês) é um acontecimento público que consiste em lançar, ou melhor ainda, a «esmagar» uma tarte de creme na cara de uma personalidade pública para assim plublicitar o absurdo das acções ou das palavras de que é autor. Trata-se de um censura pública pelo rídiculo. A sua origem remota advêm dos filmes mudos onde se assiste a constantes cenas de lançamento de tartes.
A figura que se tornou mais conhecida neste tipo de acção directa é o
humorista anarco-pasteleiro belga Noel Godin


Ética de um lançador de tartes

1)Diverti-vos e lambei os beiços

2) A tarte não deve ser (tanto quanto possível) lançada, mas antes depositada amorosamente na cara da pessoa-alvo

3)O lançamento da tarte não deve ser um acto agressivo. É aconselhável que os autores apareçam com adereços que os distingam facilmente dos assassinos contratados pela CIA. Nunca adoptar um atitude de perigosos conspiradores, mas antes de hábeis e bem dispostos comilões

4) O prato não deve ser pesado para não ferir ninguém. Evitar os pratos de pirex e de alumínio. Escolher os de cartão duro mas inofensivo. O creme das tartes deve ser de qualidade, comestível e saboroso. Evitar os cremes fora de prazo e que possam perigar a saúde do alvo.

5) O lançamento da tarte deve ser filmado ou, no minímo, fotografado. Isto faz parte integral do jogo. Não só para gáudio antecipado do autor da façanha como, sobretudo, para a risota trocista da população quando tomar conhecimento do facto por via da tv, dos jornais e revistas que, normalmente, acolhem bem este género de situações cómicas dirigidas a personalidades mediáticas.

6) Praticai sempre uma generosa política de lançamento de tartes. Privilegiai os chefes de toda a espécie, sobretudo os que ocupam uma posição de autoridade. Não sedes tendenciosos ao escolher mais um partido que o outro. A razão é simples: somos firmemente contra todo e qualquer poder, seja ele económico, político ou mediático. Agimos sempre a favor de seres humanos livres.

Tradução livre do original que se encontra:

Website da Internacional dos Anarco-pasteleiros:
http://www.entartistes.ca/ethique.html

Um elogio em francês aos anarco-pasteleiros
http://www.entartistes.ca/coupables.html



Ver artigo da Wikipedia sobre a origem e filosofia do lançamento de tartes, e ainda a enorme lista dos entartados: aqui


Outros sites de interesse:

http://members.tripod.com/taart/english.html

http://perso.orange.fr/oncle.dom/humour/entartometre/entartez.htm

http://hermaphrodite.fr/article831

http://gloup67.free.fr/


Um best of...(algumas das melhores cenas...)





O filósofo mundano Bernard Henry-Levy entartado

24.6.07

Rimas e quadras populares da Rivolição


Neste S. João não vou saltar
A fogueira das vaidades
Fico na Praça a gritar
Umas tantas verdades!


Na noite de S.João
Há algo bonito para festejar
Pois hoje não há
Jesus Cristo Superstar!

Rivoli nosso teatro
Por ti passou meio mundo
Até seres ocupado
Por este ser imundo



Meu rico S.João
Santo meu amigo
Se fores a Lisboa
Leva o La Féria contigo!



Esta encenação é um prego
Para pregar na minha cruz
Por um presidente cego
Que acha que vê a Luz!



Ai ó meu rico S. João
Ó padroeiro de rios e mares
Ai terás a nossa devoção
Se deste Rio nos livrares


E repenica, repenica, repenica
Quem se revolta calado não fica
E de repente e de repente e de repente
Quem não se sente não é filho de boa gente

Ai ó santo de todas as águas
Vê se desces da tua cascata
O nosso rio só carrega mágoas
Quanto mais rega mais colheitas mata

Ai orvalheiras, orvalheiras, orvalheiras
E viva a raiva das mulheres solteiras
Ai orvalhadas, orvalhadas, orvalhadas
Viva o protesto das mulheres casadas



Ai ó meu santo marinheiro
Primo carnal do senhor Jesus
Aqui no Porto p’ra ganhar dinheiro
Todos os dias se levanta a cruz

Ai orvalhados, orvalhados, orvalhados
Viva a razão dos homens zangados
Ai orvalhedo, orvalhedo, orvalhedo
Viva o protesto dos homens sem medo


Ai o La Féria para fazer reclame
Por dez dinheiros uma cruz plantou
Ai não deixeis santo que eu me dane
Se ainda me rio de quem a queimou

Ai orvalheiros,orvalheiros, orvalheiros
Abaixo os pulhas e os trampolineiros
Ai orvalhados, orvalhados, orvalhados
Abaixo os bufos e os homens mandados



Deixe aqui a sua esmola
Que eu estou liso até à sola
Porque fui ao Rivoli
Para ver uma revista
Do La Féria, aquele artista
Que agora governa ali

Se o inferno existisse
E a vergonha amortalhasse
La Féria em cinzas tombava
Por ir buscar aliado
A quem no tempo passado
O poder desafiava

Pois Jesus sempre pregou
Que vil metal é o ouro
Reles, infame, imoral
Recordemos que em seu tempo
Expulsou do velho templo
Os donos do velho capital

O terceiro mandamento
De que há conhecimento
Não permite invocar
O filho de Deus em vão
Fazendo dele cenoura
Que ao burro manda avançar

Jesus Cristo Supercaro
É preciso ter descaro
Chico esperto tem bom faro
Ó Zé Povo não te enganes
Pelos ouros não te danes
Nem te deixes manobrar

Desde que veio o anúncio
Abrenúncio te arrenego
Do La Féria triunfante
Não têm faltado petas
Banhadas, historietas
Muita conversa humilhante.

Mas há gente que se ala
E prefer a rua à sala
Sem receio do poder
Põe-te a pau trampolineiro
Quem muito abana o traseiro
Acaba por se foder

Arreda daqui Pipinho
Devagar, devagarinho
Que o people te vai à tromba
Se tens amor ao corpinho
Volta à corte com a escolta
Que Lisboa é que é de arromba

23.6.07

Quadras populares do S.João (do Porto)


Nesta época dos santos populares existem várias tradições da cultura popular.
Uma delas são as quadras feitas por gente anónima do povo.
Transcrevemos algumas delas que fomos retirar do Jornal de Notícias do ano passado



Eu sou a fonte vadia
Dum S. João vagabundo
Que mata a sede à folia
Da maior noite do mundo


Meu balão não é d'espanto!
Não tem vinda, só tem ida,
Leva risos, leva pranto…
Tudo faz parte da vida.



Com tua mão presa à minha
Fui à fonte e não bebi,
estranha sede que tinha
Era só sede de ti!



Ninguém conhece ninguém.
Rusgas, ervas, festas a rodos.
Quando a madrugada vem
Já todos conhecem todos!



Oh! a raiva com que fico
Desse teu jeito de acaso.
Olhar preso ao manjerico,
Mãos em festinhas ao vaso.


Tirou na roda a chinela
P'ra bailar de pé no chão,
Que o fogo que ardia nela
Já lhe queimava o tacão!



Não mandes beijos, amor,
Beijar é face com face.
A água tem mais sabor
Junto da fonte onde nasce.



Por eu ser pobre e tu rico,
Não julgues que o mundo é teu:
Se tu tens o manjerico,
Quem tem o vaso sou eu.


Ninguém se sente sozinho
Na noite de S. João:
O de mais longe é vizinho,
O de mais perto é irmão.


Eu saltei sempre a fogueira
Sem temer ficar queimada
Que a vida passa ligeira
E sem chama é mal passada



És uma fonte de vida
Onde eu sempre quis beber;
Andava a água perdida
E eu de sede a morrer



Fazes promessas na rua,
Em casa dizes que é tarde…
Não sei que fogueira é a tua

Que não se apaga nem arde!...



Ninguém me culpe por ter
Mais que uma fonte na vida,
Pois da sede de qualquer
Só Deus conhece a medida…


Deixaste-me só na rua,
Hoje amor, por brincadeira,
E lenha que não foi tua,
Fez-me arder a noite inteira.



As cascatas que fizemos
Em cada nesga de rua
Vão do chão onde vivemos
Até ao balão da Lua.



Não dês aval à riqueza
Se não sabes de onde veio
Há muita lareira acesa
Com a lenha do alheio.


Já nem sei o que sentir
Na noite de S. João
Ao ver o balão subir
E o povo sempre no chão


A fogueira, de atiçada,
Vejo trémula, e desmaia,
Por certo que fascinada
Do jeito que dás à saia.



Quanta gente vive à solta
Nas rodas que a vida tem
Esperando a melhor volta
Para bailar com alguém.


Fonte de trás da parede,
Não me cantes à noitinha,
Que eu não vou matar a sede
Em fonte que não é minha.


É tua boca vermelha
Um bonito cravo aberto.
Cuidado com uma abelha
Que anda a zumbir muito perto.

22.6.07

SÃO JOÃO RIVOLICIONÁRIO

Vamos passar um S.João alternativo. Neste momento de festa e de convívio vamos celebrar a luta contra a espoliação à população do Porto do seu Rivoli-teatro municipal, vamos mostrar a nossa resistência face ao mau-gosto revivalista do espectáculo que está instalado no edifício da Praça D.João I.

O Rivoli é do Porto, não dos vips do La Féria


Tragam de comer e beber, tragam balões se quiserem, tragam o que vos apetecer...

Somos filhos d(e uma cert)a madrugada e
«...acendemos uma fogueira
para não se apagar a chama
que dá vida na noite inteira...»


sem grande tenda nem vips, só ralé posta ao relento
sem smoking nem lantejoulas, com leveza de balão
sem tapete cor de sangue, com muito sangue na guelra

sem a turma do croquete, com o pão, o vinho, a voz
sem mordomos nem lacaios, com farnéis a partilhar
sem champanhe a arrefecer, com o orvalho de sonhadores

Todos ao São João Rivolucionário

NA NOITE MAIS CURTA DO ANO

Redescobrir a beleza da LUTA


(Fonte: texto recebido por e-mail )



A RIVOLIÇÃO É NA PRAÇA D.JOÃO I
na próxima noite do dia 23 para 24, na cidade do Porto


No S. João pelo Rivoli

(a ler, multiplicar e distribuir na noite de S. João)

Defender o espaço público é dizer, alto e bom som, que uma cidade não é uma presa a esquartejar e dividir entre os caçadores que possuem mais armas, pontaria, treino ou conhecimento dos alvos. Defender o espaço público é afirmar, contra ventos e marés, que os países não são a herdade dos governantes e que as cidades não são a coutada dos autarcas. Defender o espaço público é lembrar que todos estamos de passagem à face da terra e nos lugares onde moramos, que nenhum poder, por legitimamente eleito que se gabe de ser, pode alienar às populações os locais e obras que foram esforçadamente construídos ou conquistados para o bem comum do maior número e dos vindouros.

Defender o domínio público é recordar que foram necessários séculos de lutas sociais para arrebatar a uns poucos punhados de senhores da terra a esperança de poder fruir daquilo que é obra da humanidade no seu conjunto, quer se trate de bens materiais ou imateriais, quer se trate duma praça ou de um poema, dum teatro ou de uma partitura, de uma fonte, de uma ponte ou da água que brota de uma e corre debaixo da outra. Defender o domínio público é reconhecer que as coisas crescem em beleza e utilidade quando são por muitos cuidadas, divididas, pensadas, interrogadas. Defender o domínio público é descobrir que sociedades edificam e deixam rastos porque a consciência da morte impele os humanos a desejar existências mais plenas, modos de viver mais dignos e comunidades de viventes em que a própria vida seja um valor sagrado.

Defender o serviço público é perceber que, por viverem em sociedade, todos os humanos são sucessiva, alternada e forçosamente assistentes e assistidos, porque essa é a condição sine qua non da nossa sobrevivência enquanto espécie. Defender o serviço público é acreditar na utilidade do que é belo e na beleza do que é útil, é acreditar que um «serviço» será tanto mais útil quanto permitir leituras e fruições do mundo mais belas e assim produzir outras utilidades e, logo, outras leituras e fruições, conducentes a outras maneiras de estar no mundo. DEFENDER O SERVIÇO PÚBLICO NO RIVOLI é entender que, para além do desejável aperfeiçoamento de que todas as obras humanas carecem, no nosso teatro municipal aconteceram inúmeros momentos de criação, partilha e intervenção que marcaram (ou até mudaram) milhares de pessoas positivamente, e que isso devia continuar a acontecer.

NESTA NOITE EM QUE A CIDADE PARECE SER DE TODOS, toma tu também a decisão de DEFENDER O SERVIÇO PÚBLICO e de LUTAR COM OS MEIOS QUE TENS AO TEU ALCANCE CONTRA A ENTREGA DA GESTÃO DO RIVOLI A PRIVADOS.

Texto retirado de : http://sardera.blogspot.com/


21.6.07

O solstício do Verão

O solstício do Verão acontece a 21 de Junho. Representa o apogeu e celebra o zénite, isto é, a elevação máxima do sol e é motivo de rituais celebratórios. As fogueiras de S. João, e as alegrias a que normalmente estão associadas, não são estranhas ao momento simbólico de passagem como é o solstício.

Em Vila Nova de Foz Côa celebra-se o solstício de verão, num local onde se pensa ter sido um templo Celta. No dia mais longo do ano, muitas pessoas juntam-se para recriar lendas Celtas...




Notícia do jornal O Primeiro de Janeiro:

Vila Nova de Foz Côa: Cerimónia começa às 20h00 em templo solar pré-histórico
Solstício de Verão festejado hoje


O Verão é recebido hoje no concelho de Vila Nova de Foz Côa, com uma Festa do Solstício, marcada para um templo solar existente no lugar dos Tambores, freguesia de Chãs.
Segundo Jorge Trabulo Marques, da comissão organizadora, “o dia mais longo do ano vai ser celebrado com uma cerimónia mística, com início às 20h00, que evocará sacrifícios e rituais celtas, num momento carregado de significado”. “No local onde em tempos ancestrais os homens louvavam o Deus Sol e ofereciam os seus sacrifícios, serão repetidos gestos, cânticos e orações às forças da natureza”, adiantou.
O momento evocativo do solstício do Verão acontecerá pelas 20h40, num local onde existe um antigo altar de pedra e um megálito com três metros de diâmetro que se assemelha a uma enorme réplica da esfera terrestre. Cinco minutos depois acontecerá o pôr-do-sol e o “alinhamento sagrado”, altura em que os participantes poderão testemunhar a passagem dos raios solares sobre o eixo da Pedra do Solstício, “num acto de grande simbolismo histórico e místico”, explicou. O “momento alto” da celebração será antecedido da leitura de poemas de inspiração celta, recitados por Paulo Marinho e Jorge Carvalho, acompanhados ao som da viola de arco pelo actor e músico João Castro, que tocará uma ária de Sebastião Bach.
A Festa do Solstício de Verão acontece num local onde existe um imponente bloco granítico que se ergue sobranceiro ao vale da Ribeira Centieira, no patamar de uma depressão rochosa, a curta distância do Santuário Rupestre da Cabeleira de Nossa Senhora e na vertente de um antigo castro. “Visto perpendicularmente em direcção ao pôr-do-sol no solstício, assume a forma redonda. Observado, porém, noutro ângulo, deforma-se e chega mesmo a parecer um estranho busto, adensando o mistério que cobre estas pedras imortais”, disse Trabulo Marques. A festa evocativa do Solstício de Verão - o dia mais longo do ano para o Hemisfério Norte - também inclui o rufar de tambores e os sons de gaitas de foles pelos grupos Gaiteiros de Miranda do Douro e os Anaquiños da Terra (Galiza).
Durante o cerimonial evocativo “estarão presentes personagens várias, envergando túnicas brancas, que representarão os sacerdotes druidas, lembrando alguns dos seus rituais ou tradições, exibindo a sua vara de condão, transportando consigo grinaldas de flores e carregando aos ombros os cordeiros para o ritual das oferendas e dos sacrifícios, em louvores e acção de graças ao seus deuses protectores, às entidades espirituais em quem acreditavam e recorriam sob as mais diversas formas”, adiantou Jorge Trabulo Marques.

O local onde vai ser comemorado o Solstício de Verão, fica a curta distância do Santuário Rupestre da Cabeleira de Nossa Senhora, onde foi festejado o Equinócio da Primavera, no dia 21 de Março. Os dois templos solares situam-se na área do Parque Arqueológico do Vale do Côa.



Indicam-se alguns lugares interessantes para passar o solstício do Verão:


Avebury
- in amongst the towering stones or standing on the surrounding bank for a panoramic view.


Orkney ( Scotland) - week long festival of music, literature and drama at the St Magnus Festival - watch the midsummer sunrise from the amazing Ring of Brodgar.




Newgrange (Ireland) is a brilliant place to be, but you need to win a ticket to gain entry to this one, but you can still join others at standing stones around Drombeg, Beara and Kenmare to watch how they align with the sun on the 21st.
Sweden - 'Midsommar' is celebrated traditionally - often wearing traditional folk costumes - around the Majstång, a tall maypole covered with flowers, and fun solstice parties with lots of vodka are held in Gotaland and the Oland islands.
Finland - 'Juhannus', Finland's Flag Day is also celebrated on the same day, so Finnish flags are displayed all around the country from Midsummer's Eve to the evening of the following day. Bonfires (kokko) are lit and maypoles are danced around - originating from old rituals of fertility, cleansing and the banishing of evil spirits. Homes are decorated with flowers and birch branches.
Reykjavik, Iceland - many gather to celebrate the midnight sun on the longest day of the year. The solstice comes after a month of endless sunshine, during which the sun never sets. Feasting and partying continues through the early hours of the midsummer morning.
Denmark - St. John's Eve is celebrated the night before the Summer Solstice - bonfires on the beach, by lakes and in parks with picnics and songs are traditional.
Poland - 'Noc Swietojanska', St. John's Night on midsummer's day it is traditional for the men to dress up as pirates, and for the girls to throw Solstice wreaths made of wild flowers into the Baltic Sea, lakes or rivers.
Letónia - 'Jani' is an important national holiday, celebrated with bonfires, drinking beer, singing and jumping over the bonfire wearing wreaths made of flowers for girls and oak leaves for the men. It is also traditional to attach small oak branches with leaves to cars.
At the North Pole, and everywhere north of the Arctic circle (66'30" degrees north latitude) the Summer Solstice means 24 hours of daylight - a good reason to party!
Stonehenge - in the magnificent circle celebrating the midsummer sunrise!










A batalha de 1985 em Stonehenge entre os manifestantes e a polícia





Campo Holístico do Solstício do Verão,
organizado pela Terra Viva
Local:
CARVALHAL DE VALINHAS.
MONTE CÓRDOVA -SANTO TIRSO
22,23 e 24 de JUNHO.2007

No próximo fim de semana realiza-se o Campo Holistico do Solsticio.Se quiseres participar e ainda não fizeste a incrição no campo podes faze-la ainda. Para isso basta copiar a ficha de incrição disponivel no Site ou então apareceres na sede da Terra Viva! durante a semana entre as 14:00 e as 18:00 horas.

Os workshops serão diversos:
FAZER TEEPEES (aprender a fazer tenda índia c/ pano - cortar varas e montar tripé de sustentação - .entrada e chaminé – orientação ritual – decoração)
CONSTRUÇÕES E TÉCNICAS PRIMITIVAS ( instrumentos pedra e pau – principais amarrações e estruturas c/varas – uso de machado – esteira de ervas ou palha)
LAND-ART (Arte Efémera na Paisagem:- descoberta formas zoomórficas e antropomórficas- objectos e instalações c/ elementos naturais – mandalas
ADEREÇOS E TRAJES CASTREJOS ( apoio a representaç.resistência antiromana : trajes druídicos e celtibérios . escudos e “armas” em cartão - decorações …)
SAUNA RITUAL ÍNDIA (construção de estrutura de tenda de sudação e sua cobertura – recolha de seixos para “aquecer” - recriação de ritual índio )
DESENVOLVIMENTO PERCEPÇÃO SENSORIAlL (jogos de apuramento do tacto,,olfacto e visão – camuflagem e” fusão”no terreno – expressão gráfica sensorial)
PLANTAS SILVESTRES MEDICINAIS E COMESTÍVEIS ( passeio de reconhecimento de espécies – recolha de algumas – utilizaç.1ºs socorros, sobrevivência e colin.ª)
PINTURA RITUAL FACIAL E CORPORAL ( índios americanos lakotas e cheyenes- das tribos celtas- pícteos e outros– de outros povos de sociedades orgânicas )
“DO-IN” E PRIMEIROS SOCORROS ( Técnica oriental milenar: -concentração/absorção de energia vital – principais pontos e meridianos – exercícios práticos )
PERCUSSÃO IMPROVISADA ( Exercícios ritmo e articulação – improvisação de alguns instrumentos – ritmos e batidas de diferentes culturas – mistura c/canto )
IDENTIFICAÇÃO DE ASTROS E CONSTELAÇÕES (leitura de cartas estelares - utilização de telescópio – orientação pelas estrelas e lua -…. …. )
DANÇA RITUAL DE DIFERENTES CULTURAS (danças africanas e das tribos indias da América do Norte)
ALFABETOS PROTO-HISTÓRICOS ( escrita ogâmica – alfabeto arbóreo druídico – runas - significados antropológicos

Apoios:IPJ/PAJ
Junta de freguesia de Monte Córdova

Um bufo é sempre um bufo e a denúncia é uma suja doença de carácter

Texto de Manuel António Pina publicado na edição do JN de 18 de Junho com o título

António Luís anda por aí

O jornal "República" publicou em 1974, sob o título de "O sórdido dossier da PIDE-DGS / Estudante bufo denuncia os colegas ao seu chefe espiritual Elmano Alves", uma carta de 8 de Setembro de 1968 encontrada nos arquivos da PIDE em que um tal António Luís denunciava ao então subsecretário de Estado da Juventude e Desportos colegas seus da Universidade do Porto considerados " associativos" e/ou "perigosos", bem como organismos como a UNICEPE, o Coral de Letras e a JUC. Entre esses "perigosos" estudantes estão pessoas que são hoje médicos de prestígio, conhecidos profissionais liberais e até, ó ironia!, um importante político do PS. Guardo o recorte porque minha mulher era uma das estudantes da Faculdade de Letras denunciadas pelo informador. Já havia esquecido essa torpe memória do "antigamente", mas senti uma melancólica vontade de voltar a lê-la ao saber da carta que um tal António Basílio dirigiu à directora da DREN, Margarida Moreira, denunciando um colega e amigo. O endereço é agora diferente, o remetente também, mas a carta, 40 anos depois, é exactamente a mesma. Porque, fascista ou "democrático", um bufo é sempre um bufo e a denúncia, uma suja doença de carácter. Os regimes políticos mudam, mas Luíses, Basílios, Margaridas e Elmanos, não.

O governo continua apostado na sua obra de demolição social: desta vez são as universidades que vão ser esfrangalhadas !

Reprodução da notícia publicada no Expresso do último Sábado.


Reitores acusam governo de destruir a universidade

O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) diz que a proposta do governo vai “esfrangalhar” as instituições. Em declarações ao Expresso Seabra Santos explica que a proposta aprovada quinta-feira em Conselho de Ministros permite que unidades ou instituições de uma universidade possam negociar directamente como o ministério do Ensino Superior a sua saída da casa-mãe.
A título de exemplo o reitor diz que o Instituto Superior Técnico pode acertar com o ministério a sua autonomização em relação à Universidade Técnica de Lisboa. “Esta proposta vai fragmentar a universidade portuguesa”, defendeu Seabra Santos.

Outro ponto “inaceitável” para o CRUP prende-se com a escolha do reitor, que na proposta aprovada deixa de ser eleito pelos professores, alunos e funcionários da universidade.O reitor passa assim a ser designado pelo conselho geral, um órgão que terá um mínimo de 30% de pessoas exteriores à universidade, uma percentagem de estudantes e uma maioria de professores e investigadores.

Os actuais reitores deixarão de ter qualquer palavra a dizer na produção dos estatutos que serão elaborados de acordo com a nova legislação. "Neste processo transitório estamos proibidos de votar" o documento estruturante de qualquer universidade, critica o presidente do CRUP.

A proposta de lei vai ser votada na generalidade no próximo dia 28, baixando depois à comissão de educação. A vontade do governo é que a lei seja aprovada até dia 20 de Julho



Informação suplementar:
Queria dar aqui conta do comentário muito oportuno feito no blogue Matarbustos a propósio das declarações do Reitor da Universidade de Coimbra e que subscrevo completamente:
«O governo avançou com uma proposta que irá oficializá-lo (ao Reitor) como o fantoche que tem sido de livre vontade. É o que acontece aos cãezinhos amestrados que bajulam governos que os afagam a cada abanar de cauda»
Leiam sem falta o resto do comentário aqui

Debate sobre Violência e Não-violência no espaço Musas (23 de Junho às 15h30)

O Espaço Musas organiza no próximo sábado, dia 23 de Junho, pelas 15h30, um debate com Mário Rui e José Maria Carvalho Ferreira, editores da revista de cultura anarquista “Utopia”, sob o tema do seu último número, “Violência e Não-Violência”.

Bem-vind@ ao debate.

O Espaço Musas situa-se na Rua do Bonjardim, 998, Porto

Sair na estação do Metro de Faria Guimarães,

http://musas.pegada.net/

Banda Desenhada galega em exposição na cidade do Porto a partir do dia 22 de Junho

Vai ser inaugurada na próxima sexta-feira, dia 22 de Junho, pelas 18h30, na Galeria Sargadelos (no Porto), a exposição " Banda Desenhada Galega: uma retrospectiva – dos anos 70 à actualidade" , sendo comissários da exposição, Fausto Isorna (também autor de BD) e Gemma Sesar.

Galeria Sargadelos
Rua Mouzinho da Silveira, 294
4050-418-PortoTelef.: 222011666


A mostra, constituída por originais de mais de 20 autores galegos, está organizada em 4 períodos cronológicos: Pioneiros, Underground, Indústria e Presente. Nos primeiros tempos, destaca-se a influência da pintura na banda desenhada, tendo esta última um vincado carácter de intervenção política, com os nomes pioneiros de Reimundo Patiño ( La Coruna, 1936-1985), Xaquin Marin (Ferrol, 1943) e o Grupo do Castro (Xosé Diaz, entre outros). Os dois primeiros assinam, em 1975, a primeira BD galega, "2 Viaxes". Patiño considera que a arte popular foi aniquilada pelos novos meios de comunicação, perspectivando o comic como uma nova forma de expressão artística. No final dessa década, a revista Xofre, de que saiu apenas o primeiro nº (um dos autores é o então estudante Miguelanxo Prado), é alvo de ataques por parte dos nacionalistas galegos, acusada de "espanholista e imitadora do estilo francês". Os anos 80 (período da movida madrilena), surge em ambiente underground, com a multiplicação dos quadradinhos em revistas e fanzines. Nos anos 90, assiste-se por um lado a uma maior industrialização desta arte e por outro a um interesse crescente pela manga japonesa, salientando-se o idealismo e a aventura de uns poucos. Distinguida desde os seus primórdios, a BD da Galiza adquiriu projecção europeia. Destacam-se nomes como Emma Rios, Kiko da Silva e Das Pastoras. De assinalar também a revista Golfino e os fanzines BD Banda e Barsowia, que vêm confirmar a importância da banda desenhada galega no mundo da arte.

Tendo começado a sua itinerância, em finais de 2006, na conceituada Fundação Feima, em Madrid, a exposição passou por Barcelona e, no mês passado, pela Bedeteca (Lisboa).

Patente até 31 de Julho, na rua Mouzinho da Silveira, 294, Porto (Estação METRO S. BENTO).

www.galeriasargadelosporto.blogspot.com