24.3.09

Digam ao G20 para colocarem as pessoas ( e não os interesses do capital) em 1º lugar!

Marcha por empregos decentes, pela melhoria dos serviços públicos, para acabar com a pobreza e as desigualdades sociais no mundo, e pela construção de uma economia mais verde



Guião para as manifestações de protesto em Londres por motivo da realização da Cimeira do G20 (os governos das 20 economias mais ricas do mundo) nos próximos dias:

- no jornal Guardian:
aqui

- mapa das acções e manifs:
aqui

- Contra-cimeira G20:
http://www.altg20.org.uk/








Os líderes das economias mais ricas do mundo vão-se reunir em Londres no próximo dia 2 de Abril para a cimeira do G20 com vista a debater as respostas a dar à crise.


Put People First é uma coligação de organizações e grupos de vária índole, que visam mobilizar e consciencializar para uma resposta sustentável à recessão, defendendo que as pessoas devem estar em primeiro lugar em qualquer orientação política, e que convocaram para os próximos dias um conjunto de acções e a realização de uma grande manifestação em Londres: Organizações e colectivos que já aderiram e que fazem parte da coligação:

ActionAid
AJCC
ACTSA
Advocacy International
Akina Mama Wa Africa
AMREF UK
Article 12 in Scotland
ASLEF
ATL
Avaaz
BECTU
BOND
BOVA
Bretton Woods Project
CAFOD
Campaign Against Climate Change
CDD
CSP
Change is Coming
Christian Aid
CND
Compass
Concern Worldwide (UK)
Co-operative News
Connect
CWU
Dalit Solidarity Network UK
Defend Council Housing
DoSomethingAboutIt
Down2Earth Down2Us
EAP
Engineers Against Poverty
EQUITY
European Movement
Everychild
Fairtrade Foundation
Fatima Women's Network
FBU
Find Your Feet
Friends of the Earth
GardenAfrica
GCAP
GMB
Green New Deal Group
Greenpeace
HelpAge International
International Service
Jubilee Debt Campaign
Justice for Colombia
Lattitude
Merlin
Micah Challenge UK
MRDF
Musicians Union
Muslim Council of Britain
NASUWT
NEF
New Internationalist
NSC
NUJ
NUS
NUT
One World Action
Oxfam
Pants to Poverty
PCS
People and Planet
Performers Without Borders
Plan UK
Progressio
Prospect
Red Pepper
RMT
Salvation Army
Save the Children
SCIAF
Shelter
Skillshare
SoR
Stamp Out Poverty
STOP AIDS Campaign
Stop Climate Chaos
Sudanese Women for Peace
Synergy Centre
Tax Justice Network
Teach a Man to Fish
Tearfund
Thirty-eight degrees
TFSR
Tourism Concern
Trade Justice Movement
TUC
Trading Visions
Traidcraft
Transnational Institute
TSSA
UCATT
UCU
UK Aid Network
UNISON
UNITE
USDAW
VSO
War on Want
Womankind Worldwide
WILPF
World Development Movement
World Vision
WWF

«Minha pátria é o mundo inteiro», livro biográfico sobre Neno Vasco, da autoria de Alexandre Samis, acaba de ser editado pela Letra Livre

Acaba de sair a obra de pesquisa histórica, «Minha Pátria é o Mundo Inteiro» de Alexandre Samis sobre o militante anarquista Neno Vasco (1878-1920), um intelectual que actuou nos meios operários em Portugal e no Brasil com particular importância na imprensa sindicalista da época.

Apesar da sua morte prematura destacou-se como um dos mais importantes militantes anarquista da sua época, sendo autor do livro «A Concepção Anarquista do Sindicalismo».

Neste 90º aniversário da fundação da CGT e do jornal A Batalha esta é uma contribuição ao conhecimento da história do anarco-sindicalismo em Portugal.

Minha Pátria é o Mundo Inteiro. Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em Dois Mundos. Alexandre Samis.
edição Letra Livre, Lisboa, 2009. 455pp.
25,00 €, desconto 10% para compras individuais, 30% para compras de grupos.

Livraria Letra Livre
Calçada do Combro, 1391200-113 Lisboa
Tel: 213461075



Neno Vasco ou Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós e Vasconcelos (1878 - 1923) foi um poeta, advogado, jornalista e escritor, ardoroso militante anarco-sindicalista nascido em Portugal. Emigrou para o Brasil onde estabeleceu uma série de projectos com os anarquistas daquele país. É de sua autoria a tradução do hino A Internacional , a mais difundida nos países de língua portuguesa.

Gregório Nazianzeno Moreira de Queiroz e Vasconcelos, mais conhecido como Neno Vasco, nasceu em Penafiel em 9 de Maio de 1878. Aos 8 ou 9 anos de idade imigra junto com seu pai e sua madrasta para a cidade de São Paulo, no Brasil. Alguns anos depois regressa a Portugal para concluir seus estudos indo viver na casa de seus avós paternos em Amarante.

Matricula-se na Faculdade de Direito do Liceu onde passa a ter aulas. Tem como colegas e amigos futuros ilustres da intelectualidade portuguesa como o poeta Teixeira de Pacoaes, Faria de Vasconcelos e António Resende. No ano de 1901 conclui o curso de bacharelado. Ao mesmo tempo passa a empreender actividades militantes, em 2 de Março de 1901 publica o panfleto - A Academia de Coimbra ao Povo Portuguez - onde faz uma ferrenha crítica às arbitrariedades da polícia. Neste mesmo ano começa a escrever artigos para o jornal republicano O Mundo, à época publicado em Lisboa sob a direcção de Mayer Garção.

No final de 1901 retorna ao Brasil onde rapidamente estabeleceu contacto com anarquistas italianos através dos quais tomou conhecimento da obra de Errico Malatesta que daquele momento em diante exerceu uma profunda influência em seu pensamento. Em poucos meses passou a se corresponder com Malatesta e neste contacto as suas ideias e concepções foram modificadas. Do Brasil escreveu e enviou textos sobre literatura e revolução a serem publicados em Portugal na revista A Sementeira na qual também escreveu um artigo memorável sobre a obra, vida e morte do francês Octave Mirbeau.

Na cidade de São Paulo em 1902 passa a editar o jornal Amigo do Povo junto com Benjamim Mota, Oreste Ristori, Giulio Sorelli, Tobia Boni, Ângelo Bandoni, Gigi Damiani e Ricardo Gonçalves. A influência do periódico foi imediata sendo ele apropriado, não só como um dos principais espaços de diálogo sobre o movimento anarquista brasileiro, mas também lócus de reflexão de questões relacionadas à "emancipação feminina" por um número considerável mulheres notáveis que passaram a contribuir para esta publicação. A partir destas discussões Neno Vasco publicou um artigo neste periódico refutando a tese do naturalista Émile Zola acerca da fecundidade. Algum tempo depois lançou a revista Aurora.

Nas páginas do jornal Voz do Trabalhador Neno Vasco respondeu às críticas de alguns anarquistas (entre eles Luigi Galleani) que acusava as organizações anarco-sindicalistas de serem apenas uma nova forma de governo. A polémica sobre as relações entre anarquismo e sindicalismo, gerou na época um amplo debate, importante para a compreensão das diferentes correntes dentro do movimento libertário em relação ao movimento operário e à suas organizações.

No ano de 1904 traduziu para o português do francês a obra "Evolução, Revolução e Ideal Anarquista" do francês Élisée Reclus. Em 1905 casou-se com Mercedes Moscovo, anarca-feminista filha de uma família espanhola e anarquista por gerações. A esta época desenvolveu intensa actividade de propagação do pensamento libertário tornando-se uma referência entre os libertários brasileiros com os quais colaborava. Também neste ano passou a editar o periódico A Terra Livre com sua esposa, Edgard Leuenroth e outros. Ao mesmo tempo manteve diálogo com outros anarquistas de origem portuguesa que, actuavam no Brasil, entre eles Adelino Tavares de Pinho - um comerciante do Porto que exercera a função de professor na Escola Moderna -, Marques da Costa - editor do jornal O Trabalho -, Manuel Cunha, Diamantino Augusto, Amílcar dos Santos, Raul Pereira dos Santos, José Romero, etc.

Em 1909 traduziu o hino internacionalista progressista A Internacional do francês Eugène Pottier para o português. Rapidamente a sua versão se difundiu no meio anarco-sindicalista, tanto no Brasil como em Portugal, passando a ser ouvido em manifestações operárias como greves e comícios nestes dois países desde então.

Proclamada a República em 1910, Neno Vasco retornou a Portugal onde continuou a desenvolver sua militância anarquista, colaborando com a imprensa anarquista brasileira como correspondente. Tornou-se colaborador constante da revista libertária A Sementeira na qual escreveu sobre a situação social no Brasil.

No ano seguinte, nos dias 11, 12 e 13 de Novembro participou do 1º Congresso Anarquista Português. Em 1912 lançou a colecção 'A Brochura Social' com Lima da Costa editando duas obras, tomou parte em diversos encontros anarquistas como a Conferência Anarquista de Lisboa em 1914, publicou o folheto "Geórgias: ao trabalhador rural" no periódico semanal de Pinto Quartin Terra Livre, ofereceu cursos de formação aos jovens das Juventudes Sindicalistas em O Germinal. Em 1910 destendeu-se com Emídio Costa sobre estratégias diante da Primeira Guerra Mundial, foi amigo de muitos militantes do movimento anarquista português.

Em 15 de Setembro de 1920 Neno Vasco, intelectual brilhante e influente militante libertário em dois continentes, morreu de tuberculose, pobre e seguro de suas posições anarquistas, na freguesia de São Romão do Coronado do concelho de Trofa, no norte de Portugal.

Durante toda a sua vida, o seu esforço no movimento editorial muito contribuiu para o crescimento da influência libertária nos meios operários no Brasil e em Portugal. O seu principal livro é A Concepção Anarquista do Sindicalismo, publicado em 1923 pelo colectivo editorial do jornal anarco-sindicalista A Batalha e re-editado em 1984.

Na cidade de São Paulo, no bairro Cidade Tiradentes existe uma rua com o seu nome. No município de Nova Iguaçú, no estado do Rio de Janeiro há igualmente um edifício com o nome Pr. Neno Vasco construído em 1976.

Obra
• A Academia de Coimbra ao Povo Portuguez , 1901.
• Geórgias: ao trabalhador rural, Terra Livre, Lisboa, 1913.
• Da Porta da Europa (factos e ideias: a questão religiosa, a questão política, a questão económica 1911-1912), Bibl. Libertas, Lisboa, 1913.
• A Concepção Anarquista do Sindicalismo, Editorial A Batalha, Lisboa, 1923 (ed. póstuma??.); 2ª ed., Afrontamento, Porto, 1984.

Traduções
• Élisée Reclus, Evolução, Revolução e Ideal Anarquista, Biblioteca Sociológica, S. Paulo, 1904.
• A Internacional, 1909.
Peças teatrais
• Anedota em 1 acto, 1911.
• Greve de Inquilinos: farça em 1 acto, Editorial A Batalha, 1923.
• Pecado de Simonia, 1907.


Texto biográfico retirado da Wikipedia

Novas acções MayDay em Lisboa e Porto antecedem a 5ª Assembleia Mayday (nesta 4ª feira, dia 25, às 21h. no Sindicato dos professores em Lisboa)

O MayDay Lisboa 2009 já anda por aí! Depois do equilíbrio das vidas precárias, da ocupação do Centro de Emprego e do xadrez da vida, estivemos por toda a cidade a protestar com stencil contra a precariedade!

Sabemos que somos cada vez mais: desempregados/as, trabalhadores/as a recibos verdes, contratados/as a prazo, estudantes, estagiários/as, pensionistas... "SOMOS MUITOS MAIS!"

Por isso, se "ÉS PRECÁRIO/A? FAZ-TE OUVIR!" e junta-te a nós na

Próxima Assembleia MayDay em Lisboa:

4ª feira, dia 25 de Março, às21:00

na sede do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
Rua Fialho de Almeida, 3
(Bairro Azul :: metro São Sebastião)

Toda a gente está convocada!! :: MayDay!! MayDay!!


www.maydaylisboa2009.blogspot.com
maydaylisboa@gmail.com

O MayDay é uma parada de precários e precárias, que nos últimos anos vem marcando o 1º de Maio, em várias cidades da Europa e do mundo. É um ponto de encontro, uma afirmação da recusa da precariedade como fatalidade para as nossas vidas. O MayDay Lisboa começou em 2007 e, em 2008, na segunda edição, juntou já cerca de mil pessoas, numa parada imaginativa e num percurso de visibilidade e luta.

O precariado rebela-se!!!

3ª Acção MayDay Lisboa 2009 - És precário/a? Faz-te Ouvir! - Stencil Lisboa




Porto - Queima dos recibos verdes

23.3.09

Concentração dos estudantes da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) em frente ao portão da Faculdade (dia 24, às 12h.)


Dia 24 de Março - 12 horas - Concentração dos estudantes no portão da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
contra a ofensiva de que é vítima o Ensino Superior



Moção aprovada na Assembleia Geral de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto realizada no passado dia 4 de Março


Segundo o artigo 74º da Constituição da República Portuguesa, o ensino superior deve ser "universal, público e tendencialmente gratuito". Em tempos recentes, vimos assistindo à descaracterização da função social do ensino superior, com a desresponsabilização do Estado relativamente ao seu papel de garante das premissas constitucionais no que toca ao ensino. Na conjuntura que atravessa o país no presente momento, a importância do papel social do Estado revela-se mais pertinente do que nunca. Com efeito, considerada a extinção massiva de postos de trabalho e as dificuldades crescentes que atravessam as famílias portuguesas é cada vez mais difícil às famílias dos estudantes suportarem esta sobrecarga orçamental, num complicado exercício de substituição das competências basilares do Estado nesta matéria. Inevitavelmente, são muitos os estudantes que se vêem obrigados a abandonar a faculdade, já não por razões de insucesso, mas por incapacidade financeira para suportar as várias despesas inerentes: propinas, deslocações, alojamento, materiais pedagógicos, entre outras. Paralelamente, outros estudantes são remetidos para situações de precarização, recorrendo a outras formas de financiamento, tanto legais como ilegais, ou simplesmente abdicando de algumas necessidades básicas (alimentação, vestuário, alojamento, etc.), para garantir a sua continuidade no ensino superior, e ao fazê-lo, fragilizando o seu potencial de aproveitamento académico.

Esta situação coloca-se com especial gravidade aos estudantes da Faculdade de Letras da UP, por:
a) A FLUP apresenta o maior índice de alunos bolseiros no contexto da UP;
b) As bolsas afectadas aos alunos da FLUP são também as de valor mais elevado;

Estes dois factores são indicadores da debilidade dos estratos sócios-económicos dos quais provêm os estudantes da FLUP.


Acresce ainda um subinvestimento nas áreas alheias aos domínios das ciências exactas e tecnologias, inerentes às suas necessidades específicas, negligenciando necessidades específicas também da Faculdade de Letras (nomeadamente, a aquisição de livros para a biblioteca e outros apoios bibliográficos, como o tornar possível de fotocopias gratuitas de textos de apoio).

Com o Processo de Bolonha, as práticas de trabalho académicas converteram-se em práticas de Liceu, sem horizontes que confiram aos licenciados actuais mais competências do que meia licenciatura «à moda antiga».

A nova divisão em ciclos reduz as possibilidades e qualidade da formação. Os novos «licenciados» serão lançados para o mercado de trabalho como mão-de-obra desqualificada, ou prosseguirão os estudos sem qualquer apoio, confrontados com propinas de milhares de euros, num processo que, pelo crescente valor das propinas, agrava a elitização do ensino.

O RJIES afasta os estudantes dos órgãos de decisão das instituições e introduz «entidades de reconhecido mérito exteriores às universidades»: abre-se a porta da gestão das Faculdades às empresas, permitindo contaminar o mundo académico com o seu interesse, que é, todos sabemos, a obtenção de lucro. Na Assembleia Estatutária da UP, composta por 21 membros, apenas 3 são estudantes, e 5 são «entidades externas»...não é de estranhar, assim, que esta tenha decidido a passagem a fundação pública de direito privado, com a presença na sua gestão de «entidades externas» como Rui Moreira (Associação Comercial do Porto), Luís Portela (Presidente do grupo Bial) e José Luís Encarnação (empresa INI-GraphicsNet). A promiscuidade entre os interesses dos grandes grupos económicos e o serviço público é alarmante, e corre-se o risco de, em breve, as Universidades serem «hipermercados de mão-de-obra», e não um espaço de aquisição de conhecimentos. Em Aveiro, na Assembleia Estatutária têm assento representantes da Unicer, da Siemens e do grupo Martifer. Em Coimbra, o presidente do Conselho Geral é Artur Santos Silva, Presidente do Conselho de Administração do BPI. Está em causa a função social do Ensino Superior Público.

O Orçamento de Estado para 2009 espelha a asfixia a que o está votando o governo, empurrando-o para a mercantilização selvagem: o corte orçamental é real. Há um grave desinvestimento no Ensino Universitário e Politécnico (menos 11,6 % que em 2005), no que diz respeito às transferências para instituições de Ensino Superior Público. A Acção Social Escolar recebe menos 29,35% que em 2005. A par disto, é constituído um fundo concorrencial de quase 30 milhões de euros para que as instituições compitam entre si, favorecendo as que se tornam fundações ou criam consórcios. A estratégia de chantagem é explícita e obscena, revelando a vontade do governo de se desresponsabilizar pelo Ensino Superior.

As propinas, instituídas em 1991 por Cavaco Silva, actual Presidente da República, são, nestes tempos de crise, um muro a impedir que muitos continuem a frequentar a Faculdade: não podemos aceitar que estudar seja um luxo ao alcance de quem o pode pagar: aprender é um Direito, só assim será Universal, e só assim alcançaremos uma verdadeira Democracia aprofundada. As propinas em Portugal são já das mais caras da União Europeia. A Acção Social Escolar é manifestamente insuficiente, e nem sempre atribui apoios aos que mais precisam. Para se desresponsabilizar, o Governo criou os empréstimos, que mais não são que uma forma de financiamento da banca e endividamento dos estudantes, que no fim do curso serão confrontados com o desemprego (que já atinge 50.000 licenciados).

É urgente lutar por um Ensino Superior empenhado na formação integral do indivíduo e no progresso do país.

Não vale a pena fazermos de conta que tudo se passa «lá fora». Impõe-se agir: esclarecer, exigir medidas que devolvam ao país a Universidade que Abril sonhou.


Exigências dos estudantes da FLUP

Considerando o exposto, requeremos das autoridades competentes o seguinte:

1) A título urgente e de forma excepcional, suspender a cobrança de propinas a estudantes que apresentem aproveitamento escolar e cuja continuidade da frequência do ensino superior se encontre em risco, dada a conjuntura socio-económica.

2) A constituição imediata de uma comissão paritária (estudantes e docentes) empossada pelo Conselho Directivo que tenha como missão proceder à identificação dos principais problemas levantados com a aplicação do Processo de Bolonha e a consequente formulação de um conjunto de propostas para a operacionalização ao nível administrativo, lectivo e pedagógico dos principais bloqueios que vêm sendo denunciados pela comunidade académica.

3) Acautelamento, por via de um requerimento ao Conselho Directivo da FLUP e à Reitoria da UP, da não diminuição da representação relativa dos estudantes nos órgãos de decisão da Faculdade e da Universidade.


http://www.aeflup.com/

22.3.09

Dia mundial da água - 2009

Duas garrafas de água potável é o mínimo para as necessidades de uma criança, mas a realidade mostra-nos que ainda hoje há 4.000 crianças que morrem diariamente por não as ter.






River Without Water (rios sem água)










Kids talking about the use of fresh water and the need to recycle it.


Pan-erotismo ou a dança da vida ( texto de Feral Faun)


Pan-erotismo: a dança da vida
( por Feral Faun)

Caos é uma dança, uma fluida e erótica dança da vida. E a civilização odeia o caos e, por isso, também odeia Eros. Mesmo no suposto tempo livre da sexualidade, a civilização reprime o erótico. Ela ensina que orgasmos são eventos que acontecem somente em algumas pequenas partes de nossos corpos e só através da manipulação correcta das partes. Isso apertou Eros na armadura de Marte, fazendo sexo numa economia competitiva, realização centralizada no trabalho, em vez de um alegre e inocente jogo.

Mesmo assim, no meio dessa repressão, Eros recusa-se a aceitar este molde. A Sua alegria e forma de dançar fazem, aqui e ali, interrupções através da armadura de Marte. Tão cegos como a nossa existência civilizada, a dança da vida continua a escorrer na nossa consciência de poucas formas. Um olhar para o pôr do sol, estar em pé no meio da floresta, subir uma montanha, ouvir pássaros cantarem, estar descalço em uma praia, e começaremos a sentir uma certa exaltação, uma sensação de temor e alegria. Isso é o início de um orgasmo no corpo inteiro, não se limitando às, assim chamadas, “zonas erógenas” da civilização, mas a civilização nunca deixa os sentimentos se auto-realizarem. Caso contrário, perceberíamos que tudo o que não é produto da civilização é vivo e alegremente erótico.

Mas alguns de nós estão lentamente despertando da anestesia da civilização. Nós estamos cientes que cada pedra, cada árvore, cada rio, cada animal, cada ser no universo não está apenas vivo, mas que está mais vivo do que nós seres civilizados. Esta consciência não é apenas intelectual. Ela não será uma outra teoria acadêmica transformada pela civilização. Nós sentimos isso. Nós ouvimos as canções de amor dos rios e das montanhas e enxergamos as danças das árvores. Nós não mais queremos usá-las com coisas mortas, uma vez que elas estão muito vivas. Nós queremos ser seus amantes, incorporar-se nas suas lindas danças eróticas. E ela fascina-nos. A dança da morte da civilização congela cada célula, cada músculo dentro de nós. Nós sabemos que seremos desastrados bailarinos e amantes desajeitados. Nós seremos loucos. Mas a nossa liberdade está na nossa insensatez. Se podemos ser loucos, temos de começar a quebrar as cadeias da civilização, temos de começar a perder a nossa necessidade de consumir. Sem a necessidade de consumir, temos tempo para aprender a dança da vida; temos tempo para nos tornarmos amantes de árvores, pedras e rios. Ou, mais precisamente, o tempo, para nós, passa a não existir e a dança passa a ser as nossas vidas ao aprendermos a amar tudo o que vive. E se não aprendermos a dançar a dança da vida, toda a nossa resistência à civilização será inútil. E esta continuará mais uma vez a governar dentro de nós e voltaremos novamente a criá-la.

Por isso dancemos a dança da vida. Vamos dançar desajeitados e sem vergonha, e quem de nós, pessoas civilizadas, não é desastrada? Vamos fazer amor com os rios, as árvores, as montanhas; com os nossos olhos, os nossos pés, as nossas mãos e os nossos ouvidos. Deixa todas as partes do corpo despertar o erótico êxtase da dança da vida. Vamos voar. Vamos dançar. Vamos curar. Descobriremos que as nossas imaginações são fortes, que fazem parte da dança erótica que pode criar o mundo que desejamos.

Do panfleto, “Rants, Essays and Polemics of Feral Faun (Declamações, Crônicas e polêmicas do Feral Faun)” - Chaotic Endeavors, 1987.
Reimpresso no Green Anarchy #10 (Fall 2002)



Quem é Feral Faun:

A Colher para Semear - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais lançou já o nº12 do seu boletim


A Colher para Semear - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais já lançou a 12ª edição do seu boletim informativo sobre diversidade agrícola, o Gorgulho. A edição do Inverno de 2009 conta com relatos sobre o último Encontro da Semente, realizado em Sendim em Novembro e novidades sobre os guardiões de sementes. A variedade agrícola elegida para este boletim foi a fava (Vicia faba). Com a Primavera a chegar, não só nos chega mais esta excelente publicação, como também podemos começar a colher umas favas para fritar com alho.

Descarregar o Boletim nº12
aqui

Passeio de burro por montes e vales do Nordeste transmontano (Por Tierras D L Rei) em Miranda do Douro ( 3 a 6 de Abril)

Entre os dias 3 e 6 de Abril irá realizar-se a VI Edição do “Por Tierras D L Rei”, uma iniciativa da AEPGA com a colaboração da Associação Lérias.

Os participantes serão convidados a passear por montes e vales, utilizados desde tempos imemoriais pelas gentes das aldeias, sendo actualmente um ponto de passagem de pastores, cabreiros e agricultores. Nesta pequena viagem, os participantes desfrutarão de uma grande experiência através do passeio por paisagens naturais únicas e da observação e interpretação da fauna e flora existente no Planalto Mirandês.

Ao longo do fim-de-semana venha visitar e conhecer aldeias, paisagens, trilhos e caminhos, utilizando o Burro de Miranda como meio de transporte e a música tradicional como banda sonora!


Os sócios, amigos e curiosos que queiram participar nesta actividade deverão proceder ao envio da Ficha de Inscrição por via e-mail ou via-postal até dia 1 de Abril, onde deverão constar as opções de participação pretendidas.


Programa e Itinerário do Passeio de Burro “POR TIERRAS D L REI”
3 a 6 de Abril 2009

Sexta-feira, 3 de Abril 2009
Atenor, Miranda do Douro

20h30 - Recepção dos participantes na aldeia de Palaçoulo (até às 24h)
21h00 - Teatrinho na aldeia (organização Associação Lérias)

Sábado, 4 de Abril de 2009
Palaçoulo, Miranda do Douro

(Manhã)
09h00 - Concentração dos participantes em Palaçoulo
09h30 - Mata-bicho em Palaçoulo
10h00 - Início do passeio

O percurso inicia-se com uma arruada pela aldeia de Palaçoulo e seguirá por trilhos e caminhos antigos até à aldeia de Atenor, onde podem ser observados lameiros, cortinhas (hortas), vinhas e olivais, terrenos que caracterizam a paisagem transmontana e que representam um recurso imprescindível no quotidiano das gentes da Terra Fria. No passeio poderão ser apreciadas e identificadas azinheiras vulgarmente conhecidas como carrascos, freixos, carvalhos-negral, estevas, giestas e tantas outras espécies. A flora local existente na região, nomeadamente plantas aromáticas e medicinais, irá ser interpretada por técnicos especializados, que ajudarão todos os participantes a desvendar alguns segredos do mundo vegetal. Também é nesta zona que habita uma alcateia do lobo-ibérico e iremos falar um pouco sobre o Canis lupus signatus ao longo do percurso, identificando recantos e marcas que nos permitam interpretar e conhecer um pouco melhor sobre este animal, classificado mundialmente como uma espécie vulnerável.

13h00 - Almoço campestre na aldeia de Teixeira
15h30 - Continuação do passeio
17h00 - Chegada à aldeia de Atenor

Oficinas
Atelier de pequenos instrumentos de percussão
Atelier de danças mistas e jogos de roda
Jogos Tradicionais

20h00- Jantar-convívio com projecção de curtas-metragens
21h30- Actuação do grupo de música tradicional “Pé na Terra” (www.penaterra.com)

Domingo, 5 de Abril 2009
Vale de Algoso, Vimioso

(Manhã)
10h00 - Concentração dos participantes em Vale de Algoso
10h15 - Pequeno-almoço em Vale de Algoso
10h30 - Início do percurso
11h30 - Mata-bicho com produtos locais e regionais

O passeio decorre por vales e montes resguardados por azinheiras, freixos, carvalhos e a restante flora existente. Pelas sendas encontramos elementos pertencentes à história e cultura da região transmontana como os pombais tradicionais, construções que asseguram a sustentabilidade faunística, nomeadamente das aves rupícolas. No caminho iremos desfrutar da gastronomia e doçaria local através de um lanche tranquilo perto de uma curriça, onde se albergavam os animais durante a noite.

13h00 - Almoço na aldeia de Algoso
(Tarde)
17h00 - Conquista do Castelo de Algoso
Concerto na aldeia com o Grupo de Música Tradicional “Atropa Cantos” de Palencia
20h00 - Jantar-Convívio em Vale de Algoso
21h30 – Animação


(Opcional)

Segunda-feira, 6 de Abril 2009
Algoso, Vimioso

(Manhã)
10h00- Passeio de Burro Algoso/Atenor
13h30- Almoço campestre em local previamente determinado
17h00- Chegada à aldeia de Atenor
19h00- Jantar-Convívio, com projecção de fotografias e vídeos obtidos durante os passeios



*O programa poderá estar sujeito a alterações.


Para mais informações, consulte:
www.aepga.pt

Ou contacte: 96 0050722/96 6151131
E-mail:
burranco@gmail.com

Como um Burro a Olhar para um Palácio
Voo de Paramotor e Passeio de Burro por aldeias de Mogadouro
De 20 a 22 de Março Azinhoso (concelho de Mogadouro)

Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Anfíbios e Répteis no rio Sabor ( Mogadouro, 28 e 29 de Março)


Programa
Sábado, 28 de Março

9:00 – Abertura de secretariado e recepção de participantes na Casa da Cultura, Mogadouro

9:30 - Sessão Teórica. Biologia dos Anfíbios. Importância ecológica, características, identificação, distribuição e conservação das espécies que se encontram em Trás-os-Montes.

13:00 – Almoço (não incluído)

14:00 – Saída de campo na aldeia de Sampaio, percurso até ao Rio Sabor: Identificação de Anfíbios. Métodos de captura, observação e identificação de adultos e larvas em habitats aquáticos.

20:00 – Jantar (não incluído)

22:00 – 24:00 – Saída nocturna: Identificação de Anfíbios. Observação de anfíbios a partir de transectos terrestres e audição de cantos (opcional)

Domingo, 29 de Março

9:30 – Sessão Teórica. Biologia dos Répteis. História natural, ecologia, distribuição e conservação das espécies presentes na região na Casa da Cultura, Mogadouro.

13:00 – Almoço (não incluído)

14:00 – Saída de campo no Rio Sabor junto à Ponte de Remondes: Identificação de Répteis. Técnicas de observação, captura e identificação dos diferentes grupos de répteis.

16:00 – Discussão / Debate / Conclusões

17:00 – Encerramento do curso

NOTA: Trazer roupa e calçado confortáveis para as caminhadas, os percursos até ao rio e regresso à aldeia poderão apresentar alguma dificuldade.
FORMADOR:José Teixeira. Cibio - Universidade do Porto
José Teixeira é biólogo e mestre em Ecologia Aplicada pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde apresentou a dissertação sobre o estudo e modelação da biogeografia da salamandra-lusitânica. Actualmente é investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, onde realizou a tese de doutoramento sob o tema “Biogeografia, evolução e conservação da herpetofauna endémica do Noroeste da Península ibérica”. Integra as equipas de investigação de numerosos projectos de estudo da herpetofauna portuguesa, tendo sido responsável, por exemplo, pela realização do Atlas dos Anfíbios e Répteis do P. N. Montesinho. Pertence à direcção da Sociedade Portuguesa de Herpetologia desde 1996, na qual foi também editor da publicação periódica Folha Herpetológica, e da Plataforma Sabor Livre. Possui numerosos trabalhos sobre a herpetofauna ibérica publicados em revistas científicas da especialidade e faz também parte da equipa de autores do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, na secção de anfíbios e répteis, e do Guia Fapas dos Anfíbios e Répteis de Portugal.


Mais informações:

Manifestação da plataforma estudantil no Dia nacional de luta dos estudantes do secundário e básico (24 de Março)



Objectivos da Plataforma AGE!:

•Proporcionar de uma forma mais geral a concretização de momentos de convívio e troca de experiências entre colegas.
•Realizar ou participar em acções e processos de luta que tenham como objectivo derrotar a politica educativa deste Ministério.
•Organizar, informar e contribuir para consciencialização dos estudantes portugueses.


Contactos da Plataforma AGE!

•Porta-Voz da Plataforma: Luís Baptista – 926 854 208
• Responsável de Setúbal : Manuel Reis -
bioz_@hotmail.com
•Responsável Amadora: Miguel Dores - 961 096 733
•Responsável Almada: Tiago Ramalho - 965 345 269
Responsável do Concelho de Lisboa: Pedro Feijó - 917938369
•Responsável Regional de Lisboa: Pedro Faria Vaz – 912 952 917
•Responsável Oeiras/Cascais: Tiago Flôr - 931 133 624
•Email:
plataformaestudantil@gmail.com




Preparação da manifestação

Não serei o poeta de um mundo caduco (Drummond de Andrade)


Retirado de: http://ohomemrevoltado.blogspot.com/

21.3.09

Poesia dita e escrita por José Fanha

http://queridasbibliotecas.blogspot.com/ (blogue de José Fanha)


José Fanha no espectáculo realizado no Coliseu de Recreios em 2008.




Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui


José Fanha





José Fanha – Entrelinhas
Poesia á mesa no Neptulia Bar em 17/03/2009 com José Fanha





Romance ingénuo de duas linhas paralelas
( poema de José Fanha )


Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.
Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.
Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra lina
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim…”
Diz-lhe a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”
Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.
E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.
Assim nestas poucas linhas
fica uma história banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente!


José Fanha



José Fanha - declamando Cães da Infância
Poema de Jose Ary dos Santos

declamado por José Fanha em Março Mês da Poesia/09

20.3.09

Podemos viver sem capitalismo (nº 2 do jornal Crisis já está disponível)

Podemos viver sem bancos
sem empresas multinacionais
sem dinheiro
sem classe política

Podemos viver sem o capitalismo

Sejamos a mudança que queremos


http://www.17-s.info/es

Para descarregar Crisis nº1
www.vilaweb.cat/media/attach/vwedts/docs/200809/crisi.pdf

Para descarregar Crisis nº2
www.17-s.info/sites/www.podem.cat/files/PODEMOSCAST.pdf

Closed zone: filme de animação que mostra como 1 milhão e 500 mil palestinianos de Gaza vivem numa prisão a céu aberto!




Pequeno fime animado feito por Yoni Goodman, um dos autores de Waltz with Bashir, e que mostra metaforicamente como o Estado sionista de Israel mantém cercada e ferreamente fechada toda a região de Gaza, o que obriga a que cerca de 1 milhão e 500 mil palastenianos vivam como se estivessem num campo de concentração a céu aberto


http://www.closedzone.com/

Tributo a Rachel Corrie ( assassinada a 16 de Março de 2003 pelo exército israelita quando tentava impedir a demolição de uma casa palestiniana)




http://www.ism-france.org/news/


O fosso entre ricos e pobres, ou como a desigualdade não é apenas desigualdade, mas uma série de problemas sociais (texto de Rui Tavares)

Homogéneo e desigual
(reprodução do texto de Rui Tavares, publicado no jornal Público sob o título «Homogéneo e desigual», e retirado do blogue http://ruitavares.net/blog/)

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda.

Consideremos os (mais ou menos) dez milhões de portugueses que vivem em Portugal. Agora vamos escolher os dois milhões mais pobres e mais ricos, cerca de um quinto da população para cada lado. Agora, adivinhem qual é a diferença de rendimentos entre uns e outros: os mais ricos são oito vezes mais ricos do que os mais pobres.

O mesmo exercício repetido para a Espanha dá resultados diferentes: os mais ricos são apenas 5,6 vezes mais ricos que os mais pobres. É o jornal inglês The Guardian que apresenta estes dados na crítica a um novo livro, The Spirit Level, sobre o problema da desigualdade (só os gráficos que acompanham o texto já merecem uma visita; estão no meu blogue em ruitavares.net).

Em poucas frases, a questão é esta: a desigualdade nunca é apenas a desigualdade. A desigualdade é um monte de problemas: os países mais desiguais têm mais gravidezes na adolescência, têm mais gente na prisão, pessoas mais iletradas, mais corrupção, menos confiança no sistema político. A desigualdade não é apenas um efeito, mas uma causa do nosso atraso, e vai ser preciso repeti-lo enquanto formos desiguais e atrasados. Que no nosso caso vai dar ao mesmo.


O Japão e a Suécia, dois países muitíssimo distantes, tanto na geografia como na história, são bons exemplos. As suas sociedades e sistemas políticos têm poucas semelhanças, mas ambos são países bastante iguais (os mais ricos são apenas 3 ou 4 vezes mais ricos que os mais pobres) e ambos têm poucos problemas de crime ou ignorância. Todos saem a ganhar: na literacia, até as classes médias e altas dos países iguais são mais educadas do que as dos países desiguais.

Como mau exemplo: Portugal. A perplexidade dos autores é a agora inversa. Portugal e Espanha são tão próximos na geografia e na história. Como é possível que tenham divergido tanto em apenas trinta anos?

E chegados aqui, os jornalistas do Guardian cometem um erro. Dizem eles que em princípio seria de esperar que a Espanha fosse mais desigual, uma vez que é mais diversa internamente, com as suas regiões e autonomias. E Portugal é mais homogéneo e desigual ao mesmo tempo, o que não parece fazer sentido. Mas, pelo contrário!, faz todo o sentido.

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda. A direita preocupa-se menos com a desigualdade desde que o país seja homogéneo. O conservadorismo nacional é anti-regionalização, anti-imigração e anti-direitos dos gays (bom dia, Dra. Manuela Ferreira Leite) mas não perde o sono com a desigualdade. O projecto oposto não tem problemas em viver num país heterogéneo; o que nos interessa é dar a mesma dignidade a cada uma das partes que o constituem.

Em suma, eu diria que foi o quando a Espanha viu que é um país plural que começou a tornar-se um país mais igual. Mas que sei eu? Perguntem a Felipe González. O que ele respondeu numa entrevista recente foi que o segredo do crescimento da Espanha está em assumir a sua pluralidade interna: “Se há trinta anos atrás me dissessem que a Galiza viria a ser uma economia dinâmica na globalização, eu daria uma gargalhada”. Com o nosso desigual Norte a cair no atraso, é uma gargalhada amarga para nós.
--------------------------------
Consultar:

A precariedade no trabalho atinge hoje em Portugal 902 mil pessoas, segundo estudo do Instituto Nacional de Estatística

O emprego precário - contratos a termo, prestação de serviços, sazonal e pontual - tem vindo a subir em número e em peso. No ano passado atingiu já 902 mil pessoas. Um aumento de 52% em 10 anos.

Este valor absoluto foi calculado a partir da informação publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e com base no conceito de trabalho "não permanente" utilizado pelo professor António Casimiro Ferreira, num estudo que hoje é divulgado.

No relatório preliminar do documento "Da sociedade precária à sociedade digna: balanço da evolução social em Portugal", o professor da Universidade de Coimbra mostra que o peso destas situações sobre o total de pessoas empregadas tem vindo a crescer, passando de 12,3% em 1998, para 17,4% em 2008.

As mulheres são geralmente mais afectadas. Por outro lado, o Alentejo apresentava o valor mais alto (23,9%), seguido do Algarve (23,1%) e da região de Lisboa (21,1%).

"A desestabilização dos estáveis e dos instáveis tende a constituir-se num modelo de regulação que, caso venha a institucionalizar-se como modelo normal de relacionamento entre empregadores e trabalhadores conduzirá ao aumento da insegurança económica e social", escreve o autor, nas conclusões do estudo.

António Casimiro Ferreira alerta para a vulnerabilização de territórios, jovens e mulheres. Além da flexibilidade legal, "discutível no plano dos princípios e das consequências práticas", o caso português evidencia" sinais preocupantes" quanto à existência de trabalho à margem das normas, acrescenta o autor.

Dos 902 mil indivíduos considerados, 727 mil têm contratos a prazo, enquanto os restantes apresentam formas mais atípicas de trabalho. Os dados de 2008 apontam para 174 mil pessoas. Neste segundo grupo incluem-se pessoas que apesar de terem contratos de prestação de serviços são consideradas "trabalhadores por conta de outrem"; indivíduos em "trabalho sazonal e sem contrato escrito" ou em situações de trabalho pontual.

São estas as pessoas mais expostas ao risco de desemprego. Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelam que os despedimentos unilaterais ou por mútuo acordo estão a ganhar protagonismo, tendo explicado já cerca de um quarto das novas situações de desemprego em Janeiro. Apesar disso, o "fim de trabalho não permanente" continua a ser a principal causa de inscrição nos centros de emprego. Que inclui a não renovação de contratos a prazo ou a interrupção de contratos mais precários.

O conceito de precariedade aqui considerado exclui todos os trabalhadores por conta própria. Parte deles terão contratos de prestação de serviços, tal como explica Casimiro Ferreira no estudo que hoje será apresentado.

Os dados relativos a todo o ano de 2008 têm a vantagem de diluir alterações pontuais, mas escondem a redução do peso dos vínculos mais precários na segunda metade do ano.

Os contratos considerados neste conceito de precariedade registaram o ponto mais alto no segundo trimestre do ano, com 925 mil pessoas incluídas, mostram os dados do INE.

Desde então, a economia tem vindo a destruir emprego e o número tem vindo a cair: recuou para 901 mil pessoas no terceiro trimestre e 882 mil no final do ano.

Ao mesmo tempo, e numa altura em que o emprego caiu, aumentou o número de pessoas com contratos sem termo.

Uma inversão recente que pode ser explicada pela análise sectorial: Educação e Administração Pública continuam a criar emprego, em contraciclo com o resto da economia.
Fonte: jornal Diário de Notícias

Queima de Recibos Verdes - Sábado, 21 Março, 23h00, em frente ao Piolho, no Porto


Este ano o May Day desperta outras primaveras

No dia 21 de Março, desperta a primavera. É a partir do equinócio que dias e noites têm a mesma duração.

Este ano, o MayDay Porto vai assinalar o equinócio com uma fogueira na rua: será a queima dos recibos verdes.

Em Portugal, cerca de 900 mil pessoas trabalham como 'falsos' recibos verdes; são falsos trabalhadores independentes. Falsos porque deveriam ter um contrato de trabalho: cumprem horário, têm subordinação hierárquica e trabalham não em casa mas numa empresa ou num serviço do Estado. Os recibos verdes são assim utilizados para mascarar uma situação de trabalho por conta doutrem. Noutros casos, são apenas uma forma que impede que o trabalho intermitente tenha protecção social.

Em Portugal, cerca de 900 mil pessoas não têm protecção social, não têm direito ao subsídio de desemprego se ficarem sem trabalho, nem a protecção na doença. Muitas delas, acumulam dívidas imensas à segurança social e não têm sequer o direito de planear e organizar o futuro.

Os falsos recibos verdes são, na maior parte dos casos, um abuso, uma mentira e uma exploração para que os trabalhadores tenham menos direitos. O Estado é um dos grandes utilizadores desta falcatrua.

Estamos fartos. E com o despertar da Primavera, despertam também os nossos gritos de revolta. Na fogueira do equinócio vamos queimar este símbolo maior da precariedade. As nossas noites terão a mesma duração dos nossos dias e ambos têm sempre a exacta duração da nossa luta.

Dia 21 de Março, traz a tua indignação e vem queimar os teus recibos. Porque é a sede de justiça e de dignidade que desperta em nós profundas primaveras!

Pic-Nic na cidade de Lisboa - festa da Primavera e da Poesia (dia 21 de Março, às 14h.)


NÃO PRIVATIZES A TUA VIDA,
VEM VIVER O ESPAÇO PÚBLICO!

Pela primeira vez no ano o dia e a noite ficam iguais! Os dias escuros vão-se e a terra está pronta para ser plantada.

O Equinócio de Primavera é celebrado no hemisfério norte no dia 21 de Março. Este é o tempo ideal para rituais de fertilidade, por que é o momento no qual a vida se renova.

Na agricultura, sinaliza o tempo em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento!

Além de ser o Equinócio é também O DIA DA POESIA... Por isso, não faltam motivos para celebrar!!

Sábado dia 21 de Março às 14 horas no Miradouro São Pedro de Alcântara (ao lado do elevador da Glória)

Traz a tua Alegria partilhando algo para comer, um Poema, uma Bebida, um Instrumento e um saco de lixo e vem celebrar o renascimento e a renovação primaveril !



http://blogdogaffe.blogspot.com/