28.10.07

Necrocombustíveis : vamos alimentar carros e desnutrir pessoas? (texto de Frei Betto)

O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil dividia-se em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorrectamente chamados de biocombustíveis.

Este novo ciclo provoca o aumento dos preços dos alimentos, já denunciado por Fidel Castro [ver Fraternizar n.º 166]. Estudo da OCDE e da FAO, divulgado a 4 de Julho, indica que “os biocom¬bustíveis terão forte impacto na agricultura entre 2007 e 2016.” Os preços agrícolas ficarão acima da média dos últimos dez anos. Os grãos deverão custar de 20% a 50% mais. No Brasil, a população pagou três vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2006.

Vamos alimentar carros e desnutrir pessoas. Há 800 milhões de veículos automotores no mundo. O mesmo número de pessoas sobrevive em desnutrição crónica. O que inquieta é que nenhum dos governos entusiasmados com os agrocombustíveis questiona o modelo de transporte individual, como se os lucros da indústria automobilística fossem intocáveis.

Os preços dos alimentos já sobem em ritmo acelerado na Europa, na China, na Índia e nos EUA. A agflação – a inflação dos produtos agrícolas – deve chegar, este ano, a 4% nos EUA, com¬parada ao aumento de 2,5% em 2006. Lá, como o milho está quase todo destinado à produção de etanol, o preço do frango subiu 30% nos últimos doze meses. E o leite deve subir 14% este ano. Na Europa, a manteiga já está 40% mais cara. No México, houve mobilização popular contra o aumento de 60% no preço das tortillas, feitas de milho.

O etanol made in USA, produzido a partir do milho, fez dobrar o preço deste grão em um ano. Não que os ianques gostem tanto de milho (excepto pipoca). Porém, o milho é componente essencial na ração de suínos, bovinos e aves, o que eleva o custo de criação desses animais, encarecendo derivados como carne, leite, manteiga e ovos.

Como hoje quem manda é o mercado, acontece nos EUA o que se reproduz no Brasil com a cana: os produtores de soja, algodão e outros bens agrícolas abandonam seus cultivos tradicionais pelo novo “ouro” agrícola: o milho lá, a cana aqui. Isso repercute-se nos preços da soja, do algodão e de toda a cadeia alimentar, considerando que os EUA são responsáveis por metade da exportação mundial de grãos.

Nos EUA, já há lobbies de produtores de bovinos, suínos, caprinos e aves pressionando o Congresso para que se reduza o subsídio aos produtores de etanol. Preferem que se importe eta¬nol do Brasil, à base de cana, de modo a evitar-se ainda mais a alta do preço da ração.
A desnutrição ameaça, hoje, 52,4 mi¬lhões de latino-americanos e caribenhos, 10% da população do Continente. Com a expansão das áreas de cultivo votadas à produção de etanol, corre-se o risco dele se transformar, de facto, em necrocombustível – predador de vidas humanas.
No Brasil, o governo já puniu, este ano, fazendas cujos canaviais dependiam de trabalho escravo. E tudo indica que a expansão dessa lavoura no Sudeste empurrará a produção de soja Amazónia adentro, provocando o des¬ma¬tamento de uma região que já perdeu, em área florestal, o equivalente ao território de 14 estados de Ala¬goas.
A produção de cana no Brasil é historicamente conhecida pela super-exploração do trabalho, destruição do meio ambiente e apropriação indevida de recursos públicos. As usinas se caracterizam pela concentração de terras para o monocultivo voltado à exportação. Utilizam em geral mão-de-obra migrante, os bóias-frias, sem direitos trabalhistas regulamentados. Os trabalhadores são (mal) remunerados pela quantidade de cana cortada, e não pelo número de horas trabalhadas. E ainda assim não têm controle sobre a pesagem do que produzem.
Alguns chegam a cortar, obrigados, 15 toneladas por dia. Tamanho esforço causa sérios problemas de saúde, co¬mo caibras e tendinites, afectando a coluna e os pés. A maioria das contratações dá-se por intermediários (trabalho terceirizado) ou “gatos”, arregi¬mentadores de trabalho escravo ou semi-escravo. Após 1850, um escravo costumava trabalhar no corte de cana por 15 a 20 anos. Hoje, o trabalho excessivo reduziu este tempo médio para 12 anos.

O entusiasmo de Bush e Lula pelo etanol faz com que usineiros alagoanos e paulistas disputem, palmo a palmo, cada pedaço de terra do Triângulo Mineiro. Segundo o repórter Amaury Ribeiro Jr, em menos de quatro anos, 300 mil hectares de cana foram plantados em antigas áreas de pastagens e de agricultura. A instalação de uma dezena de usinas novas, próximas a Ube¬raba, gerou a criação de 10 mil empregos e fez a produção de álcool em Minas saltar de 630 milhões de litros em 2003 para 1,7 bilhão este ano.
A migração de mão-de-obra desqualificada rumo aos canaviais – 20 mil bóias-frias por ano - produz, além do aumento de favelas, o de assassinatos, tráfico de drogas, comércio de crianças e de adolescentes destinados à prostituição.

O governo brasileiro precisa livrar-se da sua síndrome de Colosso (a famosa tela de Goya). Antes de transformar o país num imenso canavial e so¬nhar com a energia atómica, deveria priorizar fontes de energia alternativa abundantes no Brasil, como hidráulica, solar e eólica. E cuidar de alimentar os sofridos famintos, antes de enriquecer os “heróicos” usineiros.
Retirado daqui

Morreu António Cabral, uma das figuras mais destacadas da cultura transmontana


António Cabral morreu no passado dia 23 de Outubro. Autor de uma das mais significativas obras produzidas em Trás-os-montes, com incidêndia física no Douro e em Vila Real, o seu lirismo objectivo andou sempre distante das modalidades de voga. Cantado por José Afonso ou Francisco Fanhais, Antonio Cabral, poeta, romancista, ensaista, animador cultural, ainda participou há cerca de um mês, em Vilar, Boticas, n' Os Dias da Criação, sublinhando a sagesse popular como mosto da sua obra que, não raro, dialogava com António Nobre ou Camões, com uma vertente lúdico-irónica-dramática cujas afinidades electivas talvez possamos encontrar em Jacques Prévert.



Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura:
Vai formosa e não segura.

Se tivesse umas chinelas
iria melhor...mas não:
co dinheiro das chinelas
compra um pouco mais de pão.
Virá o dia em que os pés
não sintam a terra dura?
Leonor sonha de mais:
vai formosa e não segura.

Formosa! Não vale a pena
ter nos olhos uma aurora
quando na vida - que vida!
o sol já se foi embora.
Se os filhos se alimentassem
com a sua formosura...
Leonor pensa de mais
vai formosa e não segura.

Há verduras pelos prados,
há verduras no caminho;
no olmo ao pé da fonte
canta livre um passarinho,
Mas ela não canta, não,
que a voz perdeu a doçura.
Leonor sofre demais:
vai formosa e não segura.

Porque sofre? Nunca soube
nem saberá a razão.
Vai encher a talha de água,
Só não enche o coração.
Virá um dia...virá...
Os olhos voam na altura
Leonor não anda: sonha.
Vai formosa e não segura.

Antonio Cabral, Poemas Durienses


retirado de:
http://incomunidade.blogspot.com/

Não há pior que o analfabeto político

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956 )

Retirado de:
http://opaisdoburro.blogspot.com/

Curso de Iniciação ao Teatro do TUP (teatro universitário do Porto)


O TUP - Teatro Universitário do Porto promove a cada dois anos um Curso de Iniciação ao Teatro aberto a toda a comunidade da UP. Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o TUP cumpre assim a função pedagógica que o norteou desde a sua fundação.
O Curso incidirá em três componentes iniciais, Voz, Movimento e Interpretação, e culminará com a apresentação e carreira de um espectáculo resultante do módulo de Práticas Teatrais. Este espectáculo será também apresentado no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro. O acesso ao curso é feito mediante uma audição com os docentes e alguns membros da Direcção.

Inscrições: até 31 de Outubro para
tupporto@gmail.com

Audições: 3 e 4 Novembro, das 15h às 19h
Calendário do curso: de 12 de Novembro a 10 de Março
Paragem lectiva: de 17 de Dezembro a 7 de Janeiro

Docentes:
Voz - Patrícia Brandão
Movimento - Anabela Sousa
Interpretação - Catarina Lacerda
Práticas teatrais e Encenação - a definir.

Alguns esclarecimentos:
1 - O curso é dirigido aos estudantes universitários da UP. Ex-estudantes desta e de outras instituições poderão fazer a audição, se assim entenderem, mas ficarão em segunda prioridade, uma vez que temos um número limite de vagas.
2 - O curso funcionará de segunda a sexta, entre as 21h e as 24h, nas instalações do TUP - Travessa de Cedofeita, nº 65. Mapa disponível aqui.
3 - A frequência do curso não implica qualquer pagamento, mas implica total disponibilidade. Esta é uma oportunidade única de formação gratuita e de qualidade e que exije, por parte dos seleccionados, um compromisso.

Os interessados devem ligar para o 963526352 e marcar audição, fornecendo os seguintes dados: nome; idade; faculdade, curso e ano de frequência (quando aplicável); contacto (telefone e email, para recepção de textos).

PortoClown - 1º festival internacional de clown no Porto



PROGRAMAÇÃO

Dia 1 de Novembro
11h às 13h - Formação Ritmo e Movimento
11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

14.30hàs 19h - Formação +Clown
14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

19.30 – Filme + Conversa A Gravata de Alejandro Jodorowsky Chile/França, 1957

22h - Espectáculo Supper bigg magick shoow, por João Paulo da Silva, Portugal


Dia 2 de Novembro

18h às 20h - Formação Ritmo e Movimento

20.30 às 22h – Formação +Clown


22h - Espectáculo Ditu&Feitu , por Alter-Lego, Espanha

24h - Filme + Conversa Doc. dos Noveaux Nez, França, 1994


Dia 3 de Novembro

10h às 13h - Formação Ritmo e Movimento

11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar


14.30 às 19h - Formação +Clown
14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

19.30- Filme + Conversa Quand la mer monte... França, 2005

22h- Espectáculo A Galinha da Minha Vizinha, por Graça Ochoa, Circolando, Portugal


Dia 4 de Novembro

10h às 13h- Formação Ritmo e Movimento

11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar


14.30 às 18.30- Formação +Clown

14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

14h às 15h – Formação Dança criativa para crianças

19.30 - Filme + Conversa Doc. Doutores da Alegria, Brazil, 2005




Teatro do Frio

Do Frio à Pesquisa Este colectivo surge - tal como um calafrio que indicia uma reacção muscular de auto-aquecimento - da necessidade de gerar algo que active acções e reacções capazes de calor, de chama, de relação, de humanidade. Surge da necessidade artística e humana de criação de um espaço que privilegie na actividade teatral o lugar da pesquisa. Entendemos essa pesquisa como um processo simultaneamente físico e teórico, continuado, sustentado no conhecimento que se quer mais aprofundado, tanto de nós mesmos indivíduos em evolução, como do meio e do tempo em que nos inserimos, do contexto social em progressão.

Teatro do Frio - Contactos
mail: teatro.do.frio@gmail.com ,
tel: +351 93 161 72 93
Rua da Alegria, nº 341 4000-Porto

Debate sobre os OGMs no Instituto Superior de Agronomia (30 de Out. às 14h.)



OGM: O debate em falta - Riscos e (in)certezas da engenharia genética na agricultura

30 de Outubro,
14h00 – Sala de Actos do Instituto Superior de Agronomia


ENTRADA LIVRE


As posições dos vários actores no debate dos organismos transgénicos estão divididas. Enquanto que uma parte está seriamente convicta de que a aplicação da engenharia genética na agricultura é o caminho a seguir na agricultura global, a outra parte acredita que a utilização de OGM* é semelhante à abertura da caixa de Pandora, contendo toda uma série de riscos e ameaças para o ambiente, saúde humana e sociedade em geral. Muitas questões pairam no ar: De que riscos se tratam? O que sabemos destes? E o que não sabemos?
Apesar de estas questões serem por si só suficientemente difíceis de responder, outra série de questões apresenta-se como fulcral: Quem são exactamente os actores no debate? E, por outro lado, como decidimos como cidadãos se consideramos os riscos aceitáveis em comparação com os benefícios que se proclamam?
Há muito em jogo. De todas as formas, o debate está aberto.


PROGRAMA

1ª PARTE:
14h00 – Abertura e apresentações.
• “O direito inalienável de não ser cobaia: transgénicos e a investigação que as empresas se esqueceram de fazer” – Prof. Dra. Margarida Silva, Bióloga e Coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

• "O que são plantas geneticamente modificadas e em que diferem das obtidas por melhoramento convencional" - Prof.ª Dr.ª Maria Margarida Oliveira, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa

• “Society and Technological Advance. What risks are we willing to take?” – Johan Diels, GAIA (apresentação em Inglês)

16h45 – Pausa para café


2ª PARTE

17h00 – Mesa redonda com moderação de Luísa Schmidt.
• Prof.ª Dr.ª M. Margarida Oliveira
• Eng.º Gualter Baptista, doutorando em Ciências do Ambiente e activista do GAIA
• José Alfredo, Vice Presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa
• Prof. Dr. Antero Lopes Martins, do Departamento de Botânica e Engenharia Biológica do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa

19h00 – Encerramento do debate

Localização: Tapada da Ajuda, Lisboa -
http://www.isa.utl.pt/home/node/269