11.3.09

O GAIA e o activismo de acção directa vão ser amanhã (dia 12, entre as 15h. e 16h30) tema de um programa da TSF



http://gaia.org.pt/

Amanhã, dia 12 de Março de 2009, entre as 15h e as 16h30 a estação de rádio TSF vai falar, durante o programa «Mais cedo ou mais tarde», sobre o GAIA (grupo de acção e intervenção ambiental) e o activismo de acção directa em Portugal com uma entrevista em directo a Inês Barros no Centro Social da Mouraria

Consultar: http://tsf.sapo.pt/blogs/maiscedo/default.aspx

São raros os grupos que em Portugal se dedicam à acção directa.

O GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental é um deles, «com uma forte componente activista, recorrendo a acções directas, criativas e não-violentas, promovendo o trabalho a partir das bases. Aborda a problemática ecológica através de uma crítica ao modelo social e económico que explora e prejudica o planeta, a sociedade e as gerações futuras».

Inês Barros, do Centro Social da Mouraria (que pertence ao GAIA), vai estar em directo ( entre as 15h e as 16h30 na TSF).

Escutar a TSF - http://tsf.sapo.pt/paginainicial/

Aviso Público da Casa Viva



Estavam à nossa espera. O blog anunciava o início da festa às 11h00, mas passava do meio-dia quando começamos a montar bancas, mesas, cadeiras, bancos, cavaletes, xadrez, livros, pincéis e papéis na praça do marquês. Apareceram de imediato. PSP, dois agentes, um dos quais graduado. O mesmo que comunicou ao primeiro que abordou que ali não podíamos estar, por se tratar de um evento anunciado, o blog que haviam consultado assim o confirmava e tal carece de licença, coisa de que não dispúnhamos.

“Evento” … o termo, e respectiva definição, desenrolou uma conversa de mais de uma hora. Sobre este e outros conceitos não se chegou a consenso algum. Ficou o aviso: “sujeitam-se a que apareça a polícia municipal e apreenda todo o material que aqui se encontra”. Pretendíamos, apenas, provocar um encontro numa praça da cidade, um encontro para distribuir informação, conversar, jogar xadrez ou jogar à petanca, pintar, fotografar, ler, estar. Regado com alegria de palhaços e almoço popular. Tudo isso aconteceu.

Pelas 16h30, quando a também anunciada polícia municipal surgiu, recolhíamos já à CasaViva, um espaço de propriedade privada mas porventura dos mais públicos na verdadeira acepção da palavra. A fachada exibia então um Aviso Público: A censura é sempre mais violenta do que qualquer faixa. Ao contrário da autoridade, a CasaViva não censura, não criminaliza, não mata. (*)

Como a realidade lá fora é outra e porque o desconhecimento da lei não é desculpa para poder prevaricar no que à mesma diz respeito, com a colaboração do referido simpático agente no seu esclarecimento, elaborou-se o possível Manual de Frequência do Espaço Público:

1- Não se pode montar bancas de informação, com ou sem rodas, mesmo que não existam transacções comerciais. Pode distribuir-se propaganda desde que autoportante e, em caso de cansaço físico, só se pode sentar e/ou pousar essa informação em mobiliário municipal por poucos segundos, talvez um minuto, a lei parece não ser muito precisa.

2- Não se pode trazer um sofá para a praça e confortavelmente sentar-se ao sol a ler um livro, mas pode-se trazer uma cadeirinha, cuja dimensão parece que a lei também não refere com precisão, nem o tempo em que essa cadeirinha poderá estar a incomodar no espaço público. Segundo o agente graduado, a grande diferença entre um sofá e uma cadeirinha, numa praça, é o facto de o sofá provocar os transeuntes a questionarem-se do porquê de tal mobiliário "anormal". Está a dizer-me, então, que a lei existe para defender as pessoas de se interrogarem sobre o que as rodeia? "Sim.” E que, portanto, a lei existe para normalizar as pessoas impedindo-as de exercerem o seu espírito crítico? "Sim.”

3- Pode-se ter um cavalete para qualquer cidadão pintar, mas se for mesa, nem que seja para crianças, já não pode ser.

4- Pode-se ter e estar a jogar xadrez num tabuleiro desde que não incorpore uma mesa.

5- Para se realizar um encontro com mais de três pessoas, este não pode ser anunciado na Internet, pois será considerado organizado e portanto carece de autorização do Governo Civil. Mas se esse ajuntamento já tem história, é tradição, já pode livre e espontaneamente acontecer, conforme comprova o ajuntamento dos senhores do jogo da sueca, diariamente na praça do marquês. E para ser considerado tradição não chega ter como antecedentes só dois outros encontros, não se sabe se os nossos recentes três já serão suficientes.

5.1- Se o encontro for numa praça, por mais que seja um local de estar, é preciso ter cuidado quanto ao fim a que se destina, para não pôr em risco o que ela por definição não é, corredor de circulação pedonal. Ficai os interessados também a saber que, se corredor fosse, teria de se chamar Stª. Catarina e ser ocupada na altura em que está vedada ao trânsito automóvel. Se assim for, já isto e muito mais poderá acontecer e mesmo que bloqueie a passagem de um transeunte desinteressado não carece de autorização do Governo Civil.

5.2- Se clandestinamente organizar qualquer coisa, evite chamar-lhe evento, escamoteie o facto de ser organizado, mesmo que o não seja e verifique se está numa praça e se na sua fronteira existe algum edifício do qual possa sair gente considerável que necessite atravessá-la, como, por exemplo, uma igreja. Pois é, parece que o espaço público, apesar de assim se manter nomeado e além de cada vez mais parco nas nossas cidades, está cada vez mais parecido, nas suas limitações, com o espaço privado.

6- Embora o que dizem que a lei diz, não diz se o que no dicionário quer dizer é o que a lei diz. Para quem necessite ou deseje frequentar o espaço público, fique a saber que um dicionário de 2009 diz o seguinte:

“Evento”, do latim eventu, acontecimento.

“Organização”, acto ou efeito de organizar, preparação, planeamento, disposição que permite o uso e funcionamento eficiente, relação de coordenação e coerência dos diversos elementos que formam um todo.

“Praça”, do latim platêa, praça pública, lugar amplo, zona de estar, geralmente rodeado de edifícios [o que quer dizer que as ruas que a ladeiam são a área de circulação desse espaço].

“Rua”, do latim ruga, sulco, caminho, via ladeada de edifícios, zona que privilegia a circulação.

7- Mesmo assim se a sua acção levar os transeuntes a saírem das suas vidas pacatas, questionando-se na sua realidade e na do mundo que os rodeia, já corre sérios riscos de apreensão de todo o material por parte da polícia municipal e, no mínimo, são necessárias identificações dos provocadores dessa acção. Corre ainda um outro risco, o dessa acção ser considerada crime contra a paz pública, isto se subjectivamente tornar viável a hipótese de um cidadão, e basta um, com “um nível cultural baixo”, mais uma definição em que a lei peca por falta de precisão, interpretar mal a acção e desta forma sentir-se impelido à violência; pode vir a ser acusado de terrorismo, o que não será forçosamente mau se desejar alguma projecção nos média, desde que arranje um bom advogado para não acabar a gozar a sua glória aos quadradinhos.

Querem melhor e mais genuína, vindo de quem vem, explicação da lógica das leis? São estes os nossos sete pecados mortais a acrescentar às razões que contribuem para esvaziar o espaço público, torná-lo mais inseguro e, portanto, necessariamente mais policiado, violento e repressivo, em cidades cada vez mais elitistas de gente que se auto-enclausura em condomínios fechados que proliferam como cogumelos. Esta chama-se Porto Vivo, até podia ser vip mas é zip (zona de intervenção prioritária): um somatório de casas devolutas a recuperar para uma população influente, endinheirada, a bem de uma cidade chique, cuja alma é empurrada para os subúrbios. Porque a alma é a gente que lá nasceu, cresceu e viveu, com conta na mercearia, que pode contar a história daquela esquina, que conhece o vizinho que lá viveu antes, o barbeiro que já fechou e as vendedeiras do Bolhão de geração em geração. É a morte da cidade Aniki Bobó.

Tudo isto obriga a uma actualização de conceitos, pois praça, rua, casa, espaço público e privado já não são o que eram e nem um gajo que queira ser “um cidadão exemplar” sabe como agir. Portanto, já sabem, quando saírem de casa deixem o espírito crítico na gaveta da mesinha de cabeceira senão sujeitam-se a que, em Portugal, hoje e amanhã… a autoridade vos tente amordaçar.


fui ao jardim do DIAP giroflé flé flá


Um apelo em forma de relato

O segurança do DIAP, que mais não é do que o homem que aponta o nome de quem sabe ao que vai e orienta quem não sabe, disse-nos que a 1ª secção, na verdade a primeira de que nos lembramos, era do outro lado da rua. Do outro lado da rua, a menina que nos atendeu, e que tratava, de facto de coisas da 1ª secção, informou-nos que tínhamos acertado à primeira, senão na secção, pelo menos no edifício. Mas, onde tínhamos escolhido subir as escadas para o que nos parecia a entrada principal, e que o era, de facto, deveríamos ter decidido descer para o que parecia uma arrecadação, mas que era, na realidade, a secretaria, ou seja, o local onde nos indicariam definitivamente a secção a que nos deveríamos dirigir, assim como o respectivo piso.

Voltamos a atravessar a rua, onde se esqueceram de desenhar uma passadeira, quiçá um viaduto para peões, para facilitar as viagens de um edifício para o outro, ambos do DIAP em tête-à-tête na rua, nem de propósito, da Constituição. O moçoilo que nos atendeu solícito deixava o telefone tocar, afinal ele estava embrenhado no seu computador a ver se descobria para onde nos mandar e ia agora um gajo, só por ser ao telefone, passar à frente de quem lá estava presente, quem quer que seja que tente mais tarde e pode ser que tenha a sorte de, nesse preciso momento, ele não estar com outro caso entre mãos. Neste, o número do processo que a 7ª esquadra da Polícia de Segurança Pública do Porto tinha dado ao caso da apreensão da faixa não aparecia em lado nenhum. Subam ao 2º piso e, na 5ª secção, peçam para ver se o processo agora não tem o número tal, foi o melhor que se arranjou. Assim fizemos.

E, de facto, segundo nos informou a funcionária que preferia ter feito ponte naquela véspera de Carnaval, o processo da faixa estava apenso a um outro processo. Já receberam outra notificação, não é verdade? Não era. Não importa! O que importa é que foi tudo arquivado. Um momento... Não importa?! Então há um processo, que até foi arquivado, valha-nos isso, calcula-se que por falta de validade e/ou viabilidade, sem que os alegados proto-arguidos tenham sido notificados, e não importa?! Faça lá o favor de nos dizer que processo é esse. Nem imaginam a pilha de documentos que tenho lá dentro, não tenho tempo para procurar isso, ainda por cima hoje que tenho a fezada de bater o meu record no tetris. Não disse tanto, claro está, alguma coisa tê-la-á apenas pensado, façam o favor de a considerar pura especulação nossa ao olharmos para a cara que nos lançou a funcionária que preferia ter feito ponte naquela véspera de Carnaval.

Bem, então se se arquivou o processo da faixa, se se descobriu que não havia justificação para levar a coisa a tribunal, se se achou, realmente, que a nossa mensagem não apelava à violência... queremos a faixa de volta. O quê?! É verdade. Queremos a faixa. Vão ter que pedi-la e, depois, o magistrado decide se a entrega ou não. Como é que é? Escrevem um papelito a fazer o vosso pedido e logo se vê se é atendido ou não. Então tiram-nos a faixa por considerarem que é prova de crime, decidem que, afinal, não há crime e podem recusar-se, se lhes apetecer, a devolver a faixa? É assim mesmo.

Adiante. Não tem, por acaso, uma minuta que nos possa orientar? Mas vocês vão mesmo pedir a devolução da faixa? É convosco, mas pode dar azo a que haja um processo contra vocês. Por pedirmos a devolução da faixa? Vocês vão-se identificar e, assumindo a autoria, já há sobre quem fazer cair as responsabilidades. Mas a autoria já foi assumida na 7ª esquadra e, de certeza, isso fez parte das alegadas provas que algum magistrado viu antes de arquivar o caso... Afinal vocês querem a faixa ou querem um processo?, enervou-se a funcionária que preferia ter feito ponte naquela véspera de Carnaval. Nós queremos a faixa.

Se bem que um processo até vinha a calhar. Porque, se é vergonhoso, que se apreendam livros com nus nas capas, não o é menos que se retire, no dia a seguir a balear-se um puto à queima-roupa, uma faixa por ter escrito que a bófia dispara. Este ataque à liberdade de expressão e o processo que foi a nossa experiência no DIAP são reveladores de que se decidiu, sabe-se lá quem e sabe-se lá quando, que se permite que a polícia mate e se proteja censurando. Vá lá que em Braga censurou e não se protegeu matando. Mas nunca fiando...

Nesse caso, a coisa foi mediatizada, o Ministério Público entrou em cena e o rapaz dos livros tem conhecimentos, dinheiro e paciência para levar a coisa a tribunal. No nosso caso, a mediatização foi impossível, não só pela nossa consciente falta de esforço, mas também porque a faixa ligava o papel dos média à impunidade com que a polícia dispara. O Ministério Público arquivou o caso sem se preocupar em averiguar se houve algum delito contra a liberdade de expressão. Triste a sina de quem tem que viver num sítio onde o controlo do MP sobre a legalidade do trabalho dos seus subordinados está dependente da agenda mediática.

Resta-nos, portanto, se quisermos que isto não passe impune, ter a iniciativa de processar a polícia por atentado à liberdade de expressão. A questão é que não somos como o rapaz dos livros e não temos conhecimentos, dinheiro ou paciência para tal. Portanto, se fores ou conheceres alguém que possa tratar disso, estás a arranjar uma forma de garantir que a autoridade tem que começar a ter mais cuidado antes de entrar a abrir e a censurar o que lhe apetece. Fala connosco.

Doutra forma, o mais provável é que não aconteça mais nada em relação a isto, para além da devolução da faixa, que faremos por recuperar.

Irish Day é já no Sábado (14 de Março) e vai haver em Lisboa workshop e baile de danças irlandesas



IRISH DAY
(Comemoração do St Patrick's Day,
com workshop de dança irlandesa e noite de baile)


Programa:

Sábado, 14 março - das 15H às 18H
Workshop de Danças Irlandesas
monitora Meabh Felton (irlanda)

Casa da Comarca da Sertã
rua da madalena, Lisboa

Inscrições prévias até às 17 horas, sexta dia 15 Março

Enviar nome, contactos e o nome do workshop em que se inscreve para:

inscricoes.tradballs@gmail.com

Workshop só se realiza com mínimo 10 inscritos. (e máximo de 20)

(Aconselhamos a trazerem roupa e sapatos confortáveis)


Bailes / Concertos

sábado, 14 março

22h00 - Cobblestones (portugal)
00h00 - Cairde (irlanda)

Clube Oriental, Poço do Bispo, Lisboa


Preços:
Workshop - 10 euros

Workshop + Baile - 13 euros
Baile - 7 euros


Fonte: www.tradballs.blogspot.com/

Seminário sobre a Palestina - Conhecer para agir (14 de Março) - Solidariedade com o povo da Palestina



Seminário a 14 de Março, 10:30/18:00, no Auditório da Associação 25 de Abril, em Lisboa

A recente agressão do Estado de Israel ao povo palestiniano de Gaza convoca-nos a todos na exigência cívica de não ficarmos nem calados nem quietos. Este seminário, promovido conjuntamente por Amnestia Internacional, ATTAC Portugal , CIDAC, Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos e Graal, é um contributo para que se promova um conhecimento mais profundo e partilhado sobre este conflito e as suas raízes

Programa:

Das 10:30 às 12:30 horas

As Origens do Conflito Israelo-Palestiniano
O nacionalismo judaico
O nacionalismo palestino
O papel das instituições internacionais e das potências estrangeiras na criação e na gestão do conflito
Conferencistas: Jorge Martins, Tariq Al-Khudayri, José Manuel Pureza

Das 14:00 às 15:45 horas

O Conflito Hoje - no contexto regional e internacional
As forças locais, regionais e globais deste conflito
As dimensões económicas, sociais e políticas do conflito para a paz na região e no mundo
O papel da ONU, da União Europeia e a posição do Estado português. As alianças geoestratégicas do Estado de Israel
Conferencistas: José Goulão, Domingos Lopes, António Louçã

Das 16:00 às 17:30 horas

Ser Solidário em Portugal
As experiências positivas da solidariedade - testemunho de casos e de associações
Como ser solidário com o povo palestiniano, hoje, em Portugal - contributos para agir
Conferencistas: Luís F. Paulo, Vítor Nogueira, Isabel A. Magalhães

10.3.09

Tibet: 50 anos de resistência (1959-2009)

10 MARÇO 2009 - HOMENAGEM AOS TIBETANOS MORTOS DESDE 1959 PELAS AUTORIDADES CHINESAS + TIBETE LIVRE

Frente à Embaixada República Popular da China
(R. S. Caetano, 2 - Lapa, em Lisboa)


http://grupodeapoioaotibete.blogspot.com/

http://www.freetibet.org/

http://www.studentsforafreetibet.org/

http://blog.studentsforafreetibet.org/

Campanha pelas 1000 pessoas desaparecidas no Tibet
http://www.freetibet.org/campaigns/missing-1000



10 facts about Tibet

1. The invasion of Tibet began in 1949. Chinese occupation has resulted in the death of over one million Tibetans, the destruction of over 6,000 monasteries, nunneries and temples, and the imprisonment and torture of thousands of Tibetans.


2. The Dalai Lama*, Tibet's political and spiritual leader, fled Tibet in 1959 to Dharamsala, India, followed by over 100,000 Tibetans and established the Tibetan Government-in Exile. In 1989, he was awarded the Nobel Peace Prize for a steadfast dedication to non-violence.

3. Tibet, before occupation, was a nation with an established sovereign government, currency, postal system, language, legal system, and culture. Prior to 1950, the Tibetan government also signed treaties with foreign nations. The Chinese government claims that Tibet has always been part of China, yet its invasion of Tibet resembles imperialist aggression that China accuses other powers of exhibiting.

4. The "Tibetan Autonomous Region" (TAR) is not Tibet, nor is it autonomous. The Chinese government has divided historical Tibet into one region and several prefectures and counties, with the TAR encompassing only the central area and some eastern regions of Tibet.
5. The basic freedoms of speech, religion, and assembly are strictly limited, and arbitrary arrests continue. There are currently hundreds of political prisoners in Tibet, enduring a commonplace punishment of torture.


6. The Chinese government increasingly encourages Han Chinese to migrate to Tibet, offering them higher wages and other inducements. This policy is threatening the survival of Tibetan people. Tibetans are becoming a minority in the TAR. Yearly, thousands of Tibetans still flee from Tibet, making the treacherous journey over the Himalayas into a world of exile.

7. Historical Tibet was a vast country, with an area roughly equal to Western Europe. Tibet is the source of five of Asia's largest rivers, which provide water for two billion people. Tibet's fragile environment is endangered by Chinese strip-mining, nuclear waste dumping, and extensive deforestation.

8. The Chinese government claims to have “developed” Tibet, with “developments” mainly benefiting the new majority Chinese, not Tibetans. China, neglecting education and healthcare, has spent millions of dollars building infrastructure; many roads, buildings, and power plants directly support heavy militarization, allowing China to maintain Tibet as a police state.

9. The Chinese government aggressively seeks foreign investment for its “Go West” campaign, with use of these international funds to develop Tibet as a resource extraction colony and consolidate regional control. Foreign investments in Chinese companies legitimise China's colonisation and exploitative projects that harm Tibet.

10. The United Nations and international community have done very little to address the core issue of China’s illegal occupation of Tibet. China represents an enormous market and cheap labour force, and its associated businesses have such a strong lobby that officials are reluctant to take substantive measures. Since western countries adopted policies of so-called “constructive engagement” with China in the 1990s, the human rights situation in Tibet has only deteriorated.


The Yes Man, uma hilariante comédia sobre o neo-liberalismo,na livraria-bar Gato Vadio, seguido de debate (15 de Março,às 15h30)

The Yes Man - exibição do filme seguido de debate com Jorge Valadas

Domingo, dia 15 de Março às 15h30


Local: livraria-bar Gato Vadio
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com
Gato Vadio

Entrada Livre


“Não há crise”, a expressão passou de moda...
É a crise financeira dos “maus financeiros especuladores” que arrasta a economia para a crise ou foi ela apenas um sinal precursor dum desequilíbrio profundo do sistema capitalista, inerente à organização social do mundo em que vivemos?
A famigerada “mão invisível” reguladora da “economia” regulou o quê? E porque razão ela não regula mais? Voltara ela a “regular”?
O desmoronar do edifício da “economia” dos velhos centros vai deixar indemnes as periferias ou vai pelo contrário arrasta-las na sua queda?
De Shanghai a Nova Iorque, de Estugarda a Atenas, da Guadalupe à Islândia, de Alcabideche a Ermesinde : imagens de desastre, de ilusões, de submissões, de revoltas e de esperanças.
“Prepare for the worst, hope for the best!”, propunham os sindicalistas revolucionários norte-americanos nos anos vinte. A fórmula mantém-se actual nestes tempos de tempestade.
Conversa informal e não acabada à volta de um filme, reservada aos que pensam que o pessimismo deve ser deixado para tempos melhores.



Filme – 15h30
"The Yes Men" (78min)
http://theyesmen.org/


Sinopse:
Os Yes Men infiltram-se na OMC contra a qual militam. Participam nas conferências internacionais e aproveitam para levar às suas consequências extremas as teorias liberais com o objectivo de despertar as consciências". Este filme foi premiado com o “prémio do público” no Festival de Berlim.

The Yes Men é formado por dois activistas da culture jamming (Jacques Servin e Igor Vamos, conhecidos pelos pseudónimos de Andy Bichlbaum e Mike Bonanno) que já se fizeram passar por figuras importantes de empresas como McDonalds, Down Química, etc. Em Novembro do ano passado distribuíram, nas ruas de Nova York, um milhão de exemplares falsos do New York Times, cuja manchete era “Iraq War Ends”. Denunciam o neo-liberalismo através da caricatura e praticam o que eles chamam "correcção de identidade", fingindo ser pessoas poderosas e porta-vozes de organizações proeminentes.



A trailer for The Yes Men Fix The World
(dir. Andy Bichlbaum, Mike Bonanno 2009),
the sequel to The Yes Men (Christ Smith, Sarah Price, Dan Ollman 2004).







3ª Assembleia MayDay do Porto é hoje à noite. E em Lisboa a próxima Assembleia MayDay é já amanhã (dia 11/3 às 21h.)

O MayDay é uma parada de pessoas contra a precariedade no trabalho e na vida no dia 1 de Maio. Desde a estreia em Milão (2001), têm-se repetido em várias cidades por todo o mundo. Em 2007, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, repetindo-se em 2008, assim como será em 2009. Chegou agora a vez, em 2009, do Porto.


Em LISBOA:

Próxima assembleia já está marcada para:
4ª feira, dia 11 de Março, 21:00

na Associação Solidariedade Imigrante
(Rua da Madalena, 8 - 2º - Lisboa

Metro: Terreiro do Paço; Mapa)

Consultar:
http://maydaylisboa2009.blogspot.com/

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No PORTO:

3ª Assembleia MayDay Porto
Data: 10 de Março, terça-feira, às 21h30

Local: Maus Hábitos (Rua Passos Manuel, 178, 4º andar. Porto)

Contamos contigo e traz um amigo/a!



Acção de divulgação do MAYDAY Porto 2009 - a força da nossa voz

Quinta-feira, 12 de Março, Praça da Batalha, 17h30

Na próxima quinta-feira, a força da voz dos precários vai sair à rua.

Vamos percorrer Santa Catarina. Temos a voz e a música do Paulo Praça e todas as vozes que se juntem. Vamos mostrar como a precariedade nos congela a vida. Vamos contactar com as pessoas e provar que não temos vocação para o silêncio. Vamos anunciar o MAYDAY Porto 2009 – a parada dos precários que acontece pela primeira vez nesta cidade.

Às 17h30 do dia 12 de Março (Quinta-Feira), encontramo-nos em frente ao cinema Batalha.

Dali, faremos o caminho das ruas.

Aparece!


http://www.maydayporto.blogspot.com/


À FORÇA DA NOSSA VOZ - Paulo Praça


poema, valter hugo mãe

música, paulo praça

vídeo, miguel clara vasconcelos


Encontro nacional de professores em luta (dia 14 de Março, em Leiria)


PARA FAZER O BALANÇO DA LUTA DOS PROFESSORES

PARA PENSAR EM NOVAS FORMAS DE LUTA QUE POSSAM DERRUBAR AS POLÍTICAS DO MINISTÉRIO

PARA QUE ESSAS POLÍTICAS SEJAM DERROTADAS NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES


O encontro é promovido por vários movimentos de professores e de defesa da escola pública.Depois de um cordão humano que ajudou a recolocar na praça pública a longa luta dos professores, importa agora não desmobilizar, aproveitar a corrente e lançar novas propostas de acção.Até ao final do ano lectivo ainda muita tinta vai correr. Os professores não podem ser espectadores de outros palcos, à espera de uma benesse caída do céu.
Ou seja, não podemos ficar sentados à espera até ao dia das eleições.Deste governo já não temos nada a esperar. Deixou as escolas mergulhadas no caos e não se pode dizer que tenha conseguido quebrar a espinha aos professores. De recuo em recuo, transformou o seu modelo de avaliação numa farsa que não engana ninguém.
Mas seja qual for o próximo Governo, as suas políticas serão condicionadas pelo que todos juntos formos ainda capazes de fazer este ano lectivo. Essa é a chave da vitória.
Acreditamos que é essencial um novo grande momento de expressão da força unida dos professores ainda este ano lectivo.
Por isso, convidamos tod@s @s professores e professoras a comparecerem no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, no próximo dia 14 de Março. Para debater alternativas e deliberar em conjunto.


CENTRO DA NOSSA LUTA É O ECD

Embora haja outras matérias que merecem a nossa contestação determinada, convém não esquecer que O CENTRO DA NOSSA LUTA É A REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE, de que decorre a divisão da carreira em duas categorias e o actual modelo de avaliação de professores. É este "documento" que está na base de toda a instabilidade que se vive na escola pública. Ou lutamos agora, firmes e determinados, ou os sacrifícios da nossa luta serão em vão.



CAMPANHA "ESCOLAS DO LADO CERTO"

Colega,Só a resistência interna, traduzida na recusa em entregar os objectivos individuais e em participar em qualquer acto relacionado com este modelo de avaliação, permite parar, definitivamente, a implementação desta avaliação absurda e injusta.Se a tua escola ainda não assinou nenhuma Moção neste sentido, está na hora de o fazer.Vais sentir orgulho de ver a tua escola/agrupamento integrada nesta campanha pela dignidade, pela razão e pela justiça!Na história da humanidade, este foi sempre o LADO CERTO!Acompanha e participa
AQUI




CAMPANHA "PROFESSORES DO LADO CERTO"

Milhares de professores NÃO entregam os seus Objectivos Individuais, recusando este modelo de avaliação e resistindo com coragem, coerência e determinação às ameaças, intimidações e pressões. É este o LADO CERTO!Acompanha e participa
AQUI



PRA CÁ DO MARÃO... NÃO HÁ MODELO DE AVALIAÇÃO!

A média de adesão à greve, no distrito de Vila Real, é superior a 95%, com inúmeras escolas paradas a 100%.A esmagadora maioria das escolas/agrupamentos do distrito, para não dizer a totalidade, recusa a entrega dos OI e suspendeu a participação em qualquer acto relacionado com o modelo de avaliação.


Movimentos de professores


Manifestação pelos direitos dos(as) imigrantes (dia 15 de Março, às 15h. no Martim Moniz, em Lisboa)


Manifestação luta pelos direitos e pelo respeito dos imigrantes


no dia 15 de Março às 14h30


no Martim Moniz (frente C. C. da Mouraria)




Poesia - Manifestos por A.Pedro Ribeiro na livraria-bar Gato Vadio (dia 14 às 18h.)

Poesia – Manifestos
por A. Pedro Ribeiro

Apresentação a cargo de A. Da Silva. O

Sábado, dia 14 de Março, 18h

Gato Vadio

Entrada Livre
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016



“Nestes tempos de crise das bolsas, dos bancos, dos negócios, nestes tempos de falência, de desemprego em massa, em que a vida perde o seu valor, a mensagem de Nietzsche e de Jim Morrison ganha uma actualidade única. Ao homem-mercadoria, ao homem-percentagem, ao homem-número, ao homem vencido, há que opôr o homem criador, o homem que diz sim à vida, não à vidinha da submissão, não à vidinha da rotina, não à vidinha do rebanho, mas sim à vida plena, à vida alegre, à vida autêntica. É possível passar do sub-homem ao super-homem se acreditarmos que, como disse Jim Morrison, isto não passa de um jogo, de um jogo imbecil. Se num desafio de futebol um jogador, uma estrela qualquer, decidir, de repente, pontapear a bola para fora e, pura e simplesmente, abandonar o campo toda a gente vai dizer: ponham esse palhaço na rua! Mas ele responde: ora, isto não passa de um jogo, da merda de um jogo, não sei porque lhe dão tanta importância. E o que temos de fazer é isso: abandonar o jogo, deixar que façam de nós escravos, imbecis. Temos de fazer alguns sacrifícios, seguir a nossa via ("solitário, segue o caminho que conduz a ti mesmo", diz Nietzsche), descurar a sobrevivência, abandonar a máquina mas o ganho será muito superior: tornar-nos-emos livres, poetas, filósofos, super-homens. Temos de nos juntar, fazer a revolução, mas não uma mera revolução política como a de 1917, como a de 25 de Abril, uma revolução global do espírito, das consciências. Teremos de ser até algo irracionais contra a pretensa racionalidade das bolsas, dos bancos, das empresas, da economia. TEmos de derrubar todos os governos. Destruir para construir. Começar do zero. Não ouçamos os jogos eleitoralistas e tácticos dos partidos políticos, dos sindicatos e das outras organizações. Sejamos nietzscheanos, morrisonianos. Punhamos à prova os limites da realidade. SEjamos doidos! Sejamos poetas! Superemos o homem, superemos o real. Construamos a vida. Sejamos afirmadores da vida. Afastemos a morte! Afastemos Deus, o capital e o dinheiro! Brindemos a Dionisos. Construamos o Céu na Terra, o Paraíso na Terra. O mundo é nosso. Não há regras. Não há limites. Queimemos o dinheiro! Queimemos a economia! Calemos para sempre os economistas. Sejamos, como disse Nietzsche, "decifradores de enigmas". Tornemo-nos deuses em vez de carneiros. Demos caos ao caos.”
A. Pedro Ribeiro

Mudar de Rumo - manifestação por mais emprego, salários e direitos ( dia 13 de Março, às 14h30 nos Restauradores)


13 MARÇO
Manifestação Nacional promovida pela CGTP-IN
Lisboa. Restauradores. 14h30

CGTP e MURPI dirigem apelo a todos os aposentados para a jornada 13 de Março:

Professores aposentados:


Os trabalhadores da Administração Pública vão estar em luta no próximo dia 13 de Março, ao participarem na Manifestação convocada pela CGTP-IN, sob o lema MUDAR DE RUMO.
Como refere o Aviso Prévio de Greve já emitido por esta Federação, os objectivos fundamentais para esta nova acção de luta dos trabalhadores da Administração Pública são os seguintes:

PELA VALORIZAÇÃO DOS SALÁRIOS;
PELO VÍNCULO DE NOMEAÇÃO PARA TODOS;
PELA REVOGAÇÃO DO REGIME DE CONTRATO DE TRABALHO EM FUNÇÕES PÚBLICAS;
POR CARREIRAS PROFISSIONAIS DIGNAS;CONTRA O NOVO CÓDIGO DO TRABALHO;
PELO DIREITO AO TRABALHO CONTRA A MOBILIDADE E A PRECARIEDADE;
CONTRA O SIADAP, POR UMA AVALIAÇÃO JUSTA E SEM QUOTAS.

Programação do cinema comunitário na Casa Viva (filmes a 12 de Março às 22h, e a 21/3 às 16h)


Em Março o cinema comunitário é dedicado ao tema da Escravatura e Racismo.

Desde 1415 que Portugal desempenhou um papel central no mercado da escravatura tal como no desenvolvimento do corpo teórico da ideologia racista. Com o recente aumento de crimes raciais e explosão emigratória, o tema assume novos contornos e importância.
Para melhor perceber a problemática será projectado a trilogia da História do racismo, uma produção transmitida na BBC 4 em 2007, durante as celebrações dos 200 anos da abolição da escravatura.

Data: Quinta-feira, 12 de Março. Às 22h. Entrada livre

Local: Casa Viva

“A cor do dinheiro” (58mins/inglês)


Na primeira parte desta míni série documental o mercado da escravatura é analisado pelo ponto de vista económico, estudando como cada império moldou as instituições económicas de forma a explorar todo o potencial do escravo; como algumas instituições bancárias nasceram exclusivamente do mercado da escravatura; como surgiram os primeiros conceitos de raça e racismo; e como os filósofos do iluminismo (Kant, locke e Hegel) justificaram uma hierarquia racial.



“O fardo do homem branco ou o inferno do homem de cor” (58mins/inglês)

Analisando alguns dos crimes do imperialismo ocidental, este documentário reflecte sobre o impacto do Darwinismo no discurso racista, com particular interesse nos Darwinistas Sociais e no notório livro de Thomas Carlyle, “Discurso ocasional sobre a questão do Negro”, que transformou o discurso racista no que hoje reconhecemos.



Data: Sábado, 21 de Março. Às 16.30. Entrada Livre
Local: Casa Viva

“Um Legado Selvagem” (58mins/inglês)


Na última parte da trilogia da história do racismo analisa-se a era pós abolição da escravatura, onde emergiram diferentes correntes politicas e sociais que exigiam a manutenção de uma hierarquia racial.


Debate

Depois dos filmes haverá um debate com convidados sobre racismo nos dias de hoje. Como se manifesta no dia a dia? Como se institucionalizou na nossa sociedade contemporânea? Quais são as suas novas vertentes?

9.3.09

Rizoma, pensamento rizomático e livros-rizoma



Retirado de : http://pt.wikipedia.org/wiki/Rizoma_(filosofia)

Rizoma é um modelo descritivo ou epistemológico proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari.
Neste modelo epistemológico, a organização dos elementos não segue linhas de subordinação hierárquica - com uma base ou raiz dando origem a múltiplos ramos -, mas, pelo contrário, qualquer elemento pode afectar ou incidir em qualquer outro.

Num modelo arbóreo de organização do conhecimento - como as taxionomias e classificações das ciências - o que é afirmado dos elementos de maior nível é necessariamente verdadeiro também para os elementos subordinados, mas o contrário não é válido; já num modelo rizomático, qualquer afirmação que incida sobre algum elemento poderá também incidir sobre outros elementos da estrutura, sem importar a sua posição recíproca.
O rizoma carece, portanto, de centro, característica que o torna particularmente interessante na filosofia da ciência e política, e também para a semiótica e as teorias da comunicação contemporâneas

A noção de rizoma foi adoptada da estrutura de algumas plantas que se ramificam em qualquer ponto, assim como se engrossam e se transformam num bolbo ou tubérculo; o rizoma da botânica, que tanto pode funcionar como raiz, talo ou ramo, independente de sua localização na figura da planta, serve para exemplificar um sistema epistemológico onde não há raízes - ou seja, proposições ou afirmações mais fundamentais do que outras - que ramifiquem-se segundo dicotomias estritas.

Deleuze e Guattari sustentam que, na tradição anglo-saxã da filosofia da ciência, que se costumou chamar de antifundacionalismo (ou antifundamentalismo, ou, ainda, antifundacionismo), a estrutura do conhecimento não deriva, por meios lógicos, de um conjunto de princípios primeiros, mas sim elabora-se simultaneamente a partir de todos os pontos sob a influência de diferentes observações e conceitualizações.

Isto não implica que uma estrutura rizomática seja necessariamente flexível ou instável, porém exige que qualquer modelo de ordem possa ser modificado: existem, no rizoma, linhas de solidez e organização fixadas por grupos ou conjuntos de conceitos afins. Tais conjuntos definem territórios relativamente estáveis dentro do rizoma.

O modelo rizomático presta-se a mostrar que a estrutura convencional das disciplinas epistemológicas não reflecte simplesmente a estrutura da natureza, mas sim que é um resultado da distribuição de poder e autoridade no corpo social.
Não se trata da apresentação de um modelo que represente melhor a realidade, mas sim da noção, oriunda do antifundacionalismo, de que os modelos são ferramentas pragmáticas, e não ontológicas.
A organização rizomática do conhecimento é um método para resistir a um modelo hierárquico que reflecte, na epistemologia, uma estrutura social opressiva.


Livros-rizoma versus livros-raíz

Nos livros-raíz, tão valorizados pela utopia moderna da unidade, todos os argumentos são organizados em torno um eixo central e têm como função sustentar uma idéia, partindo de um ponto prefixado e usando um método bem definido. O paradigma do livro-raiz é a monografia acadêmica, em que tudo precisa convergir para um único ponto: sustentar a validade da hipótese inventada pelo autor. Tudo o que extrapola esse limite é sentido como supérfluo, como um excedente a ser cortado, tanto por fugir aos objetivos específicos da obra quanto para evitar os ataques de uma banca eventualmente hostil.
O livro-raiz não compreende a multiplicidade porque ele precisa reduzir o mundo todo ao seu sistema, o sistema-raiz da lógica moderna que não pode pensar o mundo senão como uma grande unidade oculta sob a aparente diversidade das coisas.
O livro-raiz é um livro de guerra, um livro moldado com hierarquias de pensamento, que reivindica para si a verdade (ao menos alguma verdade) e é destinado a travar batalhas heróicas pelas bandeiras que sustenta. Um livro que exclui a diferença porque inadmissível e, a pretexto de representar a natureza em um sistema, termina por inventar um simulacro de mundo, feito de abstrações coerentes que excluem de si as tensões e o pulsar da vida humana.
O livro-raiz é o correspondente literário da perspectiva linear no desenho, que compra a ilusão da unidade plástica da obra pagando o preço de reduzir o homem a um cíclope de pedra, que vê o mundo a partir de um olho único e parado.

Opondo-se a tal padrão radicular, esta obra se organiza na forma de rizoma, como os tubérculos e a grama, que se desenvolve sem um centro fixo, em que cada unidade afirma sua diferença e não se submete à hierarquia das raízes.

Célebre desenho da artista australiana Angela Brennan que é conhecida pela sua pintura de um formalismo abstracto inspirado na filosofia e na vida quotidiana



DESTERRITORIALIZAÇÃO

Desterritorialização é, nas palavras de Gilles Deleuze, uma "palavra bárbara" proposta por Felix Guattari para o entendimento de processos inicialmente psicanalíticos mas posteriormente ampliados para toda a filosofia desenvolvida pelos dois autores.

Para além da concepção filosófica deleuzeana, em que aparece associada a processos como devir e "linhas de fuga", a expressão insere-se hoje num amplo debate no âmbito das Ciências Sociais, da Antropologia à Ciência Política e à Geografia.
Assim, muitos autores defendem a tese de que a desterritorialização é a marca da chamada sociedade pós-moderna, dominada pela mobilidade, pelos fluxos, pelo desenraizamento e pelo hibridismo cultural.
Devemos tomar cuidado para não sobrevalorizar esta "sociedade em rede" (nos termos de Manuel Castells), fluída e desterritorializada, na medida em que ela aparece sempre conjugada com a reconstrução de territórios, ainda que territórios mais móveis e descontínuos.
Haesbaert (em "O Mito da Desterritorialização") defende que desterritorialização seja um termo utilizado não para o simples aumento da mobilidade ou para fenómenos como a hibridização cultural, mas para a precarização territorial dos grupos subalternos, aqueles que vivenciam efectivamente (ao contrário dos grupos hegemónicos) uma perda de controle físico e de referências simbólicas sobre/a partir de seus territórios. Já que todo o indivíduo não pode viver sem território, por mais precário e temporário que ele seja, desterritorialização pode se confundir, neste caso, com precarização territorial.
Assim, haveria um sentido genérico, de desterritorialização como destruição ou transformação de territórios (enquanto espaços ao mesmo tempo de dominação político-econômica e de apropriação simbólico-cultural), e um sentido mais estrito, vinculado à precarização territorial daqueles que perdem substancialmente os seus "controles" e/ou identidades territoriais.
O que muitos denominam desterritorialização, especialmente quando relativo às classes mais privilegiadas, trata-se na verdade de uma reterritorialização em novas bases, a que Haesbaert propõe denominar "multiterritorialidade".


Para aprofundar o tema:

Abertura da biblioteca Norte/Sul do Centro de estudos sociais

A biblioteca Norte/Sul pretende criar um acervo bibliográfico - prioritariamente mas não exclusivamente constituído por revistas e publicações periódicas - resultante da produção científica realizada nos países do hemisfério Sul (o chamado "terceiro mundo") na área das ciências sociais e humanas, a qual, em geral, é pouco conhecida nos países do Norte.

Comporta uma ampla variedade temática: povos indígenas; lutas contra-hegemónicas; identidades e etnicidades; direitos humanos e outros princípios de dignidade humana; questões económicas, organizacionais e empresariais; desenvolvimento democrático sustentável; conhecimentos alternativos e biodiversidade; alternativas à globalização neo-liberal; justiça social e inclusão social; estudos feministas e questões de diferença sexual. Inclui ainda produção científica dos países do Norte sobre os países do Sul.

O projecto teve início em 1998, e encontra-se em fase de expansão. A próxima fase contempla a disponibilização dos materiais existentes na Norte/Sul, aos investigadores de outras instituições que os solicitarem.

Professora Bibliotecária: Clara Keating

Bibliotecária Responsável: Maria José Carvalho

Bibliotecário: Acácio Machado

Horário de Funcionamento: Segunda-feira a Sexta-feira, 9:30horas às 20horas*
Encerrada: Sábados, domingos e feriados.


Contacto:
biblioteca@ces.uc.pt

Para mais informação e acervo da Biblioteca:
http://www.ces.uc.pt/biblioteca/monografias.php
Sobre o CES ( centro de estudos sociais):

Filo-café sob o tema «O Medo à Liberdade» no centro social Aturuxo, em Boiro, na Galiza (11 de Abril). Inscrições abertas para todos os interessados


Um Filo-Café é, no essencial, um espaço público de trocas. Real. Com pessoas vivas, para lá do virtual. A partir de um tema, há uma pequena comunicação (não superior a 10 minutos) que serve para estimular a emissão do pensamento aberta a todos os presentes. No meio das trocas de pensamento surgem emissões artísticas: pequenas performances, música, poesia, etc. Isto é: a conversa é espontânea, a emissão artística é "preparada" antecipadamente. No espaço onde se realiza o filo-café há também lugar para a exposição de fotografia, pintura, escultura, instalação. É efémero. Começa às 21h30 e costuma acabar às 24h


A participação na conversa é absolutamente livre. As inscrições, livres, destinam-se às pessoas que querem apresentar algum trabalho artístico.


Inscrições Abertas:Para a sua inscrição indique nome, lugar de proveniência e área de emissão, através de
incomunidade@gmail.com ou: (00351)965817337. As inscrições estarão abertas até ao dia 05 de Abril (podendo ser fechadas antes, caso o nº de inscritos o justifique)


Áreas de Emissão: Pensamento, Fotografia, Música, Performance, Poesia, Pequenas-Comunicações, Teatro, Artesanato, Filosofia, Semiótica, Pintura, Escultura.



O medo à liberdade

Da liberdade apenas têm medo aqueles que consideram o outro como um inimigo em vez de o encararem como um cooperante.

Na verdade, ninguém é livre, pese embora no dia a dia o uso da liberdade seja quase absoluto. É assim com os tiranos, os corruptos, os indigentes, os astutos… mas também o é com os santos, os ascetas, os beneméritos e os profetas… Sartre tem razão! Nascemos condenados a ser livres.

Há liberdades individuais e colectivas e ambas têm um enquadramento específico. Nos dois campos tudo me é permitido, mas nem tudo me é aceite. Os limites para a minha acção encontram-se sempre e só na livre acção do outro.

Do ponto de vista colectivo, posso matar, roubar, extorquir, molestar… e serei castigado pelas minhas práticas na medida em que exercer sobre outrem uma acção que não me é consentida.

Do ponto de vista individual, ou seja, quando o produto da minha acção recai apenas sobre mim, nem deveria ser punido, nem agraciado pelo Estado ou pela sociedade. As leis gerais apenas se devem aplicar à regulação da vida em comum.

Não é a mesma coisa nem pode ser avaliado da mesma maneira, um atentado contra a vida de outrem ou contra a própria vida, molestar o corpo alheio, ou molestar o próprio corpo…


Paradoxalmente é em nome da liberdade que o Estado impede o exercício da escolha individual. Impõe-nos o que acha ser o melhor para a colectividade e daí extrai que também será o melhor para cada um em particular.


O uso que o poder faz da liberdade é aquele que Rousseau estabeleceu no Contrato Social ao responder à objecção de como pode o homem ser livre e ao mesmo tempo ter de se conformar com vontades que não são as suas? Eis a resposta: “O cidadão aprova todas as leis, aquelas que não obtiverem o seu acordo e até os que o punem se não as respeitar. A vontade constante de todos os membros do Estado é a vontade geral; é devido a ela que são cidadãos e livres. Quando se propõe uma lei, o que se pede a cada um não é que a aprove ou rejeite, mas se está ou não conforme a vontade geral que é também a sua: cada cidadão ao entregar o seu voto, dá assim a sua opinião e pela contagem dos votos, se exprime a vontade geral. Quando vence a opinião contrária à minha só isso prova que eu estava enganado e que o que eu considerava como sendo a vontade geral, não o era afinal”.

Fundamentalmente, este é o princípio geral da democracia que faz de cada um de nós um mero elo de um todo que é a sociedade. Mesmo que submeta a subjectividade de cada um aos princípios gerais de todos, a vida em sociedade obriga ao cumprimento simultâneo de direitos e deveres, precisamente porque a acção individual colide com o interesse geral e para garantir os princípios mínimos de funcionamento à sociedade é realmente necessário que se proceda a essa adequação. Do ponto de vista social, mesmo quando o incumprimento dos deveres seja devido à acção externa e não a uma decisão pessoal, a punição é sempre a consequência. Por exemplo: aquele que por acção alheia perde o seu posto de trabalho o qual lhe garantia os rendimentos para cumprir os contratos financeiros contraídos, deixa de o poder fazer e retiram-lhe os seus bens; aquele que rouba apenas e só para se alimentar a si e à sua família; aquele que, por motivos económicos, não possa recorrer aos serviços médicos para se tratar a si ou aos seus e de cuja falta de tratamento resulte a incapacidade ou a morte… Em nenhum destes casos a acção é livre, mas em nome do suposto interesse colectivo, as consequências que não resultam directamente da vontade individual do agente, continuam a ser avaliadas pela lei geral.
O resultado das nossas escolhas é referendado por essa voz comum que inunda a nossa vida e tolhe os nossos desejos. Para que a ordem social se mantenha, decretam que aquilo que é bom para a maioria também tem de ser bom para cada um, sem querer saber do sentido da opinião minoritária.

Ora é neste segundo ponto que o poder da maioria se exerce de forma discricionária e totalizante. O filósofo existencialista dinamarquês Kierkegaard, defensor do extraordinário poder da subjectividade individual, vincava que em cada um de nós, pese embora toda a coacção do Estado e da sociedade, residirá sempre um segredo a que ninguém mais terá acesso e que nos acompanhará até à morte. Ainda na sua análise, a nossa acção exterior é sempre subordinada a uma escolha: ou isto ou aquilo… e no momento em que escolhemos comprometemos de forma irremediável toda a nossa acção.


Desta forma, a liberdade apresenta-se-nos sempre como um absoluto e um relativo, pois se por um lado estamos condenados a ser livres, o exercício da nossa liberdade é limitado por diversas condicionantes externas e internas.

Ante a força destas constatações, somos levados a concluir que a liberdade exterior ou colectiva é algo de que se fala muito, mas que, verdadeiramente, na prática, não existe. Apenas e só a subjectividade é garante para o pleno exercício da liberdade. Só a Criação - artística, científica, literária… - se pode apresentar como o verdadeiro lugar da plena realização da Liberdade.


sarmento manso

8.3.09

8 de Março de 2009 - Dia internacional das mulheres


O Dia Internacional da Mulher é comemorado em homenagem às operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque que, em 8 de Março de 1857, entraram em greve, ocupando as instalações fabris, para reivindicarem a redução do seu horário de trabalho de mais de 16 horas por dia para as 10 horas laborais diárias. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens e, devido à posição que tomaram, foram fechadas dentro da fábrica, onde, entretanto, deflagrou um incêndio. Cerca de 130 mulheres morreram. Em 1910 numa conferência internacional das mullheres, realizada na Dinamarca, foi decidido comemorar o Dia Internacional da Mulher nessa data de cada ano civil, em homenagem àquelas operárias


Consultar os textos já publicados neste blogue:




"Every time we liberate a woman, we liberate a man." (Margaret Mead)

"Feminism is the radical notion that women are people."


"O grau de emancipação das mulheres é um indicador do grau de emancipação da sociedade" (Charles Fourier)


Como apareceu o Dia Internacional da Mulher ( breve cronologia)
1907
Movimento das Sufragistas pelo voto feminino nos EUA.

1907
Em Stuttgart, é realizada a 1ª Conferência da Internacional Socialista com a presença de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai. Uma das principais resoluções: Todos os partidos socialistas do mundo devem lutar pelo sufrágio feminino.

1908
Em Chicago (EUA), no dia 3 de maio, écelebrado, pela primeira vez, o Woman´s Day. A convocaçãoé feita pela Federação Autónoma de Mulheres.

1909
Novamente em Chicago, mas com nova data, último domingo de Fevereiro, é realizado o Woman ´s Day. O Partido Socialista Americano é o organizador

1910
A terceira edição do Woman’s Day é realizada em Chicago e Nova Iorque pelo Partido Socialista, no último domingo de Fevereiro. Em Nova Iorque, é grande aparticipação de operárias devido a uma greve que paralisava as fábricas detecido da cidade. Dos trinta mil grevistas, 80% eram mulheres.Essa greve durou três meses e acabou no dia 15/02, véspera do Woman’s Day.

- Em Maio seguinte, o Congresso do Partido Socialista Americano delibera que as delegadas ao Congresso da Internacional,que seria realizado em Copenhague, na Dinamarca, em agosto, defendam que a Internacional assuma oDia Internacional da Mulher. Este deve ser comemorado no mundo inteiro, no último domingo de fevereiro, a exemplo do que já acontecia nos EUA.

- Em agosto, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada dois dias antes do Congresso, delibera que: as mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão (...)um dia das mulheres específico, cujo principal objetivo seráa promoção do direito a voto para as mulheres. Não é definida uma data específica.

1911
Durante uma nova greve de tecelãs e tecelões, em Nova Iorque, morrem 146 grevistas, a causa de um incêndio devido a péssimas condições de segurança. Na Alemanha, Clara Zetkin lidera as comemorações do Dia da Mulher, em 19 de março.


1914
Pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de Março.


Ligações:
http://colectivofeminista.blogspot.com/
http://www.escueladefeminismo.org/spip.php?rubrique20 (em português)
http://www.umarfeminismos.org/index.htm
http://www.sof.org.br/marcha/ (Marcha mundial das mulheres)
http://www.cf8.org.br/
http://www.amcv.org.pt/


1001 links feministas:
http://www.lilithgallery.com/feminist/

http://www.marchamundialdelasmujeres.org/index_html/fr
http://www.redfeminista.org/index.asp
http://www.nodo50.org/mujeresred/
http://www.ciudaddemujeres.com/Matriz/Index.htm
http://www.penelopes.org/Espagnol/xhome.php3
http://www.penelopes.org/
http://www.agendadelasmujeres.com.ar/
http://www.mujeresnet.info/

http://sisyphe.org/
http://publisexisme.samizdat.net/


http://www.guerrillagirls.com/
http://feministlibrary.co.uk/
International Museum of Women
http://www.thefword.org.uk/
http://www.millionwomenrise.com/
http://www.feministactivistforum.org.uk/
http://www.grassrootsfeminism.net/cms/
http://femadlibkolektiv.blogspot.com/
http://www.anticapitalistfeminists.co.uk/
http://www.feministfightback.org.uk/
http://www.leftwomensnetwork.org/


http://revolutionarymotherhood.blogspot.com/
http://feministchildrearing.blogspot.com/

http://www.prostitutescollective.net/

http://www.anarcha.org/
http://lafk.wordpress.com/
http://www.ragdublin.blogspot.com/


http://www.antipatriarcat.org/index.php

http://www.mediterraneas.org/

Libraries and archives




Declaração da Assembleia de Mulheres
no Fórum Social Mundial de 2009, realizado em Belém do Pará, Brasil

No ano em que o FSM encontra-se com a população da Pan-Amazônia, nós mulheres de diferentes partes do mundo, reunidas em Belém, afirmamos a contribuição das mulheres indígenas e das mulheres de todos os povos da floresta como sujeito político que vem enriquecer o feminismo a partir da diversidade cultural de nossas sociedades e conosco fortalecer a luta feminista contra o sistema patriarcal capitalista globalizado.
O mundo hoje assiste a crises que expõem a inviabilidade deste sistema. As crises financeiras, alimentar, climática e energética não são fenômenos isolados, mas representam uma mesma crise do modelo, movida pela superexploração o do trabalho e da natureza e pela especulação e financeirização o da economia.
Frente a estas crises não nos interessam as respostas paliativas e baseadas ainda na lógica do mercado. Isto somente pode levar a uma sobrevida do mesmo sistema. Precisamos avançar na construção de alternativas. Para a crise climática e energética, negamos a solução por meio dos agrocombustíveis e do mercado de créditos de carbono. Nós, mulheres feministas, propomos a mudança no modelo de produção e consumo.
Para a crise alimentar, afirmamos que os transgênicos não representam uma solução. Nossa proposta é a soberania alimentar e a produção agroecológica.
Frente à crise financeira e econômica, somos contra os milhões retirados dos fundos públicos para salvar bancos e empresas. Nós mulheres feministas reivindicamos proteção ao trabalho e direito à renda digna.
Não podemos aceitar que as tentativas de manutenção desse sistema sejam feitas à custa de nós mulheres. As demissões em massa, o corte de gastos públicos nas áreas sociais e a reafirmação desse modelo produtivo afeta diretamente nossas vidas à medida que aumenta o trabalho de reprodução e de sustentabilidade da vida.
Para impor seu domínio no mundo, o sistema recorre à militarização e ao armamentismo; inventa confrontações genocidas que fazem das mulheres botim de guerra e sujeitam seus corpos à violência sexual como arma de guerra contra as mulheres no conflito armado. Expulsa populações e as obriga a viver como refugiadas políticas; deixa na impunidade a violência contra as mulheres, o feminicídio e outros crimes contra a humanidade, que se sucedem cotidianamente nos contextos de conflitos armados.
Nós feministas propomos transformações profundas e radicais das relações entre os seres humanos e com a natureza, o fim da lesbofobia, do patriarcado heteronormativo e racista. Exigimos o fim do controle sobre nossos corpos e sexualidade.
Reivindicamos o direito a decidir com liberdade sobre nossas vidas e territórios que habitamos. Queremos que a reprodução da sociedade não se faça a partir da superexploração o das mulheres.
No encontro das nossas forças, nós nos solidarizamos com as mulheres das regiões de conflitos armados e de guerra. Juntamos nossas vozes às das companheiras do Haiti e rechaçamos a violência praticada pelas forças militares de ocupação. Nossa solidariedade às colombianas, congolesas e tantas outras que resistem cotidianamente à violência de grupos militares e das milícias envolvidas nos conflitos em seus países. Expressamos nossa solidariedade com as iraquianas que enfrentam a violência da ocupação militar norte-americana.
Nesse momento em especial, nós nos solidarizamos com as mulheres palestinas que estão na Faixa de Gaza, sob ataque militar de Israel. E nos somamos a todas que lutam pelo fim da guerra no Oriente Médio.
Na paz e na guerra nos solidarizamos às mulheres vitimas de violência patriarcal e racista contra mulheres negras e jovens.
De igual maneira, manifestamos nosso apoio e solidariedade a cada uma das companheiras que estão em lutas de resistência contra as barragens, as madeireiras, mineradoras e os mega-projetos na Amazônia e outras partes do mundo, e que estão sendo perseguidas por sua oposição legítima à exploração. Nos somamos às lutas pelo direito à água.
Nos solidarizamos a todas as mulheres criminalizadas pela prática do aborto ou por defenderem este direito. Nós reforçamos nosso compromisso e convergimos nossas ações para resistir à ofensiva fundamentalista e conservadora, e garantir que todas as mulheres que precisem tenham direito ao aborto legal e seguro.
Nos somamos às lutas por acessibilidade para as mulheres com deficiência e pelo direito de ir e vir e permanecer das mulheres migrantes.
Por nós e por todas estas, seguiremos comprometidas com a construção do movimento feminista como uma força política contra-hegemônica e um instrumento das mulheres para alcançar a transformação de suas vidas e de nossas sociedades, apoiando e fortalecendo a auto-organização das mulheres, o diálogo e articulação das lutas dos movimentos sociais.
Estaremos todas, em todo o mundo, no próximo 8 de março e na Semana de Ação Global 2010, confrontando o sistema patriarcal e capitalista que nos oprime e explora. Nas ruas e em nossas casas, nas florestas e nos campos, no prosseguir de nossas lutas e no cotidiano de nossas vidas, manteremos nossa rebeldia e mobilização.
Belém, 1 de fevereiro de 2009