17.10.07

Como é que o capitalismo nos infantiliza a todos

Nota prévia: texto publicado no jornal Le Monde a propósito do último livro de Benjamin Barber, editado em França, com o título no original «Consumed: How Markets Corrupt Children, Infantilize Adults, and Swallow Citizens Whole» (2007) . Barber é um autor bem integrado nos meios académicos e políticos dos Estados Unidos (foi conselheiro de Clinton) e que, não obstante, consegue dissecar alguns dos mais nefastos efeitos do actual capitalismo depradatório.


Ao levantarem-se cada manhã a maior parte dos executivos das empresas não têm outra obsessão que não seja a de saber se o consumidor americano irá fazer menos despesas do que na véspera.

Com efeito é graças a esse despesismo que a máquina económica mundial vai rolando ao ritmo impressionante de 5% de crescimento ao ano. Basta uma tímida tosse do consumidor norte-americano para, no outro lado do mundo, o operário chinês arriscar-se a ficar no desemprego para além de outras consequências em cadeia que ninguém está em condições de imaginar. Não é por acaso que o lema mais conhecido da rede de supermercados Wal-Mart é a de se o principal exportador chinês!

Para Benjamin Barber esta visão do mundo, puramente económica, é simplista, e até mesmo algo infantil. Na sua última obra, este conhecido universitário norte-americano – célebre por ter escrito em 1995 um livro com o premonitório título Djihad versus McWorld - tenta mostrar como o capitalismo nos infantiliza. A crítica é contundente. Para ele à «ética protestante» de que falava Max Weber sucedeu uma verdadeiro «ethos infantil». Na realidade, para sobreviver e garantir vendas cada vez maiores, o capitalismo socorre-se de duas soluções: infantilizar os adultos e transformar as crianças em consumidores. Da análise dos filmes produzidos em Hollywood até a uma minuciosa descrição do que os publicitários chamam de «kid empowerment», Benjamin Barber traça um panorama da estratégias de marketing das grandes marcas mundiais que, apesar de não ser totalmente novo, não deixa de ser arrepiante.

Para Barber o fenómeno é mais grave do que se crê, na medida em «o comportamento do consumidor se revela , dentro da cultura patológica da economia consumista, inconciliável com a evolução civilizacional»

As crianças grandes em que nos transformamos são incapazes de pensar o complexo. Por isso, tudo deve ser simples e rápido, seja a informação reduzida ao info-espectáculo, seja as regras de um jogo de basquetebol, ou então os trâmites do casamento tal como a compra de uma arma.

O consumidor-rei não se contenta de se assumir como um rapazote, ele é também assumidamente um egoísta, recusando cada vez menos os compromissos inerentes à vida em sociedade. O ódio ao Estado que deriva do todo-poderoso mercado é muito perigosa, declara Benjami Barber: «Quando se afirma que só as pessoas privadas são livres, e que só as escolhas pessoais como as que tomam os consumidores são autónomas, o certo é que tais ideias atacam não a ditadura mas a democracia»

Num dos capítulos mais interessantes do livro o autor denuncia a privatização por parte do governo norte-americano das habituais funções estaduais, nomeadamente no domínio quer da segurança exterior (o caso dos exércitos privados das empresas de mercenários no Iraque) quer da segurança interior (como se assistiu após o furacão Katrina). Não admira por conseguinte que o governo norte-americano gaste cada ano 100 mil milhões de dólares a mais, a fim de pagar os seus numerosos sub-contratantes, com prejuízo claro para os funcionários públicos cujos pagamento se vêem degradando. « É a própria soberania que se externaliza», conclui Benjamin Barber, que acrescenta ainda que com a privatização da educação, a política de habitação ou das reforma, os norte-americanos «são cada vez menos um povo como eram anteriormente»

Simpatizante de Rousseau, Benjamin Barber não se mostra optimista. Porém, «se a dialéctica tem algum sentido, então isso quer dizer que os consumidores têm eles mesmos as chaves para se libertarem do consumismo».

Referindo-se aos produtos locais, ao activismo anti-consumista, ao micro-crédito ou às empresas da economia social e solidária, o livro inventaria algumas das formas de resistência possível ao capitalismo dominante. Reconhecendo não ter receitas, Barber apela à emergência de «novas formas de governância cívica mundial», apesar de não alimentar muitas ilusões quanto a isso.


COMMENT LE CAPITALISME NOUS INFANTILISE de Benjamin Barber. Fayard, 526 pages

Trabalhar a tempo inteiro em Portugal não termina com a pobreza

Vergonhoso!

«Portugal é o único país da Europa a 15 onde o trabalho não liberta da pobreza. Há, por isso, muitos portugueses que, apesar de trabalharem a tempo inteiro, continuam a viver abaixo do limiar da pobreza (360 euros mensais de acordo com a bitola europeia). Para sobreviverem, estes portugueses têm de recorrer à ajuda de instituições sociais.»

(excerto de um texto publicado hoje no Diário Económico)

Levanta-te

(texto de João Wengorovius Meneses, publicado hoje no Diário Económico)

Hoje é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Enquanto leu esta frase uma pessoa morreu de pobreza extrema – morre uma pessoa em cada 1,7 segundos. Na sua maioria crianças. Outra morreu, entretanto.

Segundo as Nações Unidas, 2,8 mil milhões de pessoas (quase metade da população mundial) vive com menos de 1,5 euros por dia. Para além disso, todos os dias, 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema, metade das quais de fome ou causas relacionadas. Diariamente, mais de 800 milhões de pessoas vai para a cama com fome e, anualmente, 6 milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completar os cinco anos de idade.

Pobreza é ter fome, é não ter casa, é estar doente e não ter acesso a um médico, é não ter escola, é não saber ler nem escrever, é ver morrer um filho devido a doenças vulgares, é não ter trabalho, é não dispor de qualquer tipo de poder, é não ter liberdade. Os pobres nada têm. Ou, noutro registo, como escreveu Eugenio Montale, “nós os pobres a nossa parte de riqueza / é o cheiro dos limões”.

A pobreza pode resultar de factores económicos (baixos rendimentos ou desemprego), sociais (habitação degradada, doença ou iliteracia), culturais (intolerância ou xenofobia), políticos (corrupção ou falta de sistemas de governo e participação) e ambientais (falta de água, desertificação ou perda de biodiversidade). Com diferentes expressões e graus de urgência, ela é um fenómeno transversal dos países mais ricos aos países mais pobres.

Em 2000, os governos assumiram nas Nações Unidas o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM) de reduzir para metade a pobreza extrema, até 2015. Não é aceitável que este objectivo esteja em risco, quando os recursos para o conseguir são cada vez mais abundantes. É um contra-senso da nossa civilização.

No ano passado, 23,5 milhões de pessoas em todo o mundo assinalaram o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza “levantando-se”. Para quê? Para lembrar aos líderes dos países mais ricos as três promessas que fizeram de combate à pobreza – o perdão da dívida, mais e melhor ajuda externa e comércio mais justo –, e para lembrar aos líderes dos países mais pobres que devem tomar como prioridade combater as desigualdades e a corrupção e ser transparentes e responsáveis na forma como gastam o dinheiro.

Olhando para Portugal, cerca de 20% da população encontra-se em risco de pobreza. Portugal não tem conseguido criar mecanismos eficazes de combate à pobreza, apesar dos 25% do PIB dedicados todos os anos a despesas com a protecção social. É inquietante saber que antes de transferências sociais e pensões, a percentagem de população em risco de pobreza aumenta de 20% para 42%.

O Orçamento de Estado para 2008 procura assumir um maior compromisso com a coesão social, mas os passos são tímidos e insuficientes. Para aumentar, em Portugal, a eficácia das respostas às necessidades sociais seria necessário ultrapassar a burocracia do sector público, a brutalidade do sector privado e o amadorismo do terceiro sector. Para além disso, sector público, privado e terceiro sector teriam de ser capazes de se envolver em parcerias e ter maior propensão para continuamente desenvolver respostas com inovação social.

Segundo o economista Jeffrey Sachs, há recursos suficientes para acabar com a pobreza extrema no mundo, até 2025. Nós somos a primeira geração a quem é dada a oportunidade de acabar com essa afronta à dignidade humana. Estão em causa milhões de seres humanos, bem como todos os poemas de Sophia de Mello Breyner, todos os discursos de Ghandi, todas as conquistas individuais de cada ser humano que atravessou a História procurando ser melhor. Por todos eles, hoje “levanta-te”.

Acabar com a pobreza também depende de ti e de pequenos gestos. Hoje, regista-te em www.pobrezazero.org/levantate e depois “levanta-te”. É um gesto simbólico mas importante. Da minha parte, sempre que começo a achá-lo ridículo lembro-me do mais belo título de Susan Sontag – “Styles of a radical will” – e deixo-me de hesitações.

João Wengorovius Meneses, Gestor na ONG TESE

A pobreza não pára de aumentar em Portugal: há hoje mais de 4 milhões de portugueses pobres


Um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês.
Mas o panorama é ainda pior: é que 32% da população activa entre os 16 e os 34 anos seria pobre se dependesse só do seu trabalho.
Os números são alarmantes. Um terço da população activa (entre os 16 e os 64 anos) seria pobre se dependesse apenas dos rendimentos do trabalho.

De acordo com as estatísticas ontem publicadas pelo INE, sem as pensões de reforma e as transferências sociais do Estado, mais de quatro milhões de portugueses estariam em situação de pobreza


Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a percentagem de pobres subiu de 2004 para 2005.


Apesar das pensões de reforma e de sobrevivência e das transferências sociais do Estado português, há dois milhões de portugueses no limiar da pobreza, ou seja, com um rendimento de cerca de 360 euros mensais ou 4.321 euros anuais. O estudo do INE refere-se ao ano de 2005, apesar de esta ser uma tendência que se mantém há mais de dez anos


O fosso entre pobres e ricos em Portugal é, além disso, o maior no conjunto dos países da União Europeia. O rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos do país é quase sete vezes maior do que o rendimento dos dois milhões de pessoas mais pobres.

“A situação é alarmante”, garante Fernando Nobre, presidente da AMI (Assistência Médica Internacional). “No último ano, os cem portugueses mais ricos viram a sua fortuna aumentar cerca de um terço [33%], quando a média da população portuguesa só conseguiu aumentar o seu rendimento em cerca de 2% ou 2,5%”, conta o médico fundador da associação.


“A responsabilidade social das elites da sociedade portuguesa não é praticada e nem sequer é assumida”, acusa o presidente da AMI. “A situação é bastante grave: já se sabe, quanto maior é o índice de desigualdade de um país, menor é o seu índice de desenvolvimento”, remata Fernando Nobre.


Portugal está entre os dez países com maior risco de pobreza da UE

O relatório do Instituto Nacional de Estatística é taxativo: Portugal faz parte da lista negra dos países com uma taxa de pobreza superior à média europeia de 16%. A lista dos Estados com maior risco de pobreza é liderada pela Polónia e pelos três países bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia, com valores entre os 18 e os 21%. Seguem-se Espanha, Grécia e Irlanda com um quinto da população em risco de pobreza e Portugal e Reino Unido, com uma taxa de limiar de pobreza de 19% e 18%, respectivamente. Os países com menos pessoas em risco de pobreza são precisamente os escandinavos (Suécia, Finlândia e Dinamarca), a República Checa e a Eslováquia.

Greve de estivadores leva à paragem do porto de Lisboa por 5 dias

Greve contra a precariedade e a falta de segurança

A adesão à greve é total.

Os estivadores de Viana de Castelo, Aveiro, Figueira da Foz e Setúbal fazem também greve de solidariedade para com os trabalhadores de Lisboa,


As cargas e descargas no Porto de Lisboa estão paradas desde as 00:00 de terça-feira devido ao primeiro de cinco dias de greve dos estivadores, informou o sindicato do sector.

As empresas que actuam no porto estimam prejuízos directos de 1,5 milhões de euros por dia. No global, as perdas estimadas pelos cinco dias de paralisação ascendem a 7,5 milhões

Em causa está " a precariedade no trabalho e a falta de segurança", afirmou o presidente do Sindicato dos Estivadores. Do total dos trabalhadores no porto apenas 350 têm vínculo laboral, número que não corresponde às reais necessidades durante os picos, diz Vítor Dias. Para fazer face às necessidades 37 trabalhadores têm laborado no porto e assinaram vários contratos a termo. É contra esta situação que o sindicato protesta. Vítor Dias minimiza os efeitos da greve, já que o pré-aviso foi entregue com "dez dias de antecedência". A Comunidade Portuária considera os motivos da paralisação "inconsistentes".


A paralisação, que termina às 00:00 de sábado, foi convocada pelo Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores de Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal, que exige da Comunidade Portuária de Lisboa, que agrega as entidades empregadoras A-ETPL e AOLP, a entrada imediata para o quadro de pessoal efectivo de sete trabalhadores contratados, que já fizeram formação adequada e que "prestam actividade profissional há mais de dois anos".
Em declarações à Agência Lusa, o presidente do sindicato, Vítor Dias, disse que os 350 estivadores que trabalham no Porto de Lisboa, incluindo contratados, aderiram à greve, pelo que "não há operações de carga e descarga a decorrerem".

Em média, relatou, atracam no Porto de Lisboa dez navios de carga por dia, a maioria provenientes da Madeira, Açores, África e Norte da Europa.

A paralisação obrigou a que as embarcações tivessem de desviar rotas, rumar para outros portos ou aguardar em terra pelo termo do protesto, adiantou o sindicalista.
Na quarta-feira e até domingo, os estivadores de Viana de Castelo, Aveiro, Figueira da Foz e Setúbal cumprem uma greve de solidariedade com os trabalhadores de Lisboa, sempre que a carga seja desviada da capital para aqueles portos.

Vítor Dias considera "revoltante" que não sejam admitidos sete estivadores, com contratos renováveis por um ano, quando os que trabalham no Porto de Lisboa são insuficientes para o volume de trabalho.
De acordo com o dirigente sindical, seriam necessários mais "oitenta a cem trabalhadores permanentes" para o Porto de Lisboa.

Trabalhadores da Maconde avançam para a greve

Os trabalhadores da Maconde, em Vila do Conde avançam para a greve se a empresa não lhes pagar os salários de Setembro.

A decisão foi tomada num plenário realizado à tarde nas instalações desta fábrica têxtil, cuja sobrevivência dependerá de um entendimento com o BCP, CGD e BPI.
Na quarta-feira foi noticiado que a empresa já tinha chegado a um acordo de princípio com esses bancos, assegurando assim a sua solvência.
O Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuário e Artigos Têxteis (SINPICVAT), todavia, afirma desconhecer esse acordo e as suas possíveis consequências para os trabalhadores, quase 600, dos quais mais de 400 são mulheres.
A têxtil tem um passivo de 32 milhões de euros e segundo disse o presidente da mesa da assembleia geral, Leite Tavares, o acordo com a banca permitirá salvaguardar «a quase totalidade dos postos de trabalho», disponibilizando já 6,6 milhões de euros.
A dirigente sindical Carla Cunha, da Comissão de Trabalhadores, contou que, no plenário, «uma engenheira» garantiu em nome da empresa que, «com ou sem acordo», os ordenados serão pagos na terça-feira.
Os trabalhadores declaram-se «muito desconfiados» e estão prontos para a greve

16.10.07

Tributo a Adriano Correia de Oliveira

Canção tão simples (Quem poderá domar os cavalos do vento)
(letra de Manuel Alegre, cantada por Adriano Correia de Oliveira)


Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?

Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?

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TROVA DO TEMPO QUE PASSA (letra de Manuel Alegre; música e voz de Adriano Correia de Oliveira))

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

[Refrão]


Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

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PENSAMENTO


Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não

Meu pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixou guitarras
meu pensamento
por onde passa
estátua de vento
em cada praça

[Refrão]

Foi à onquista
de um novo mundo
foi vagabundo
contrbandista
foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro
mas servo não

[Refrão]

E os reis mandaram
fazer muralhas
tecer as malhas
de negras leis
homens morreram
estátuas ao vento
por ti morreram
meu pensamento








Julian Boal dinamiza teatro do oprimido e o teatro-fórum

Reprodução de um texto de Ana Cristina Pereira publicado na edição de 15 de Out. no jornal Público com o título «Boal(filho) ou o teatro como espaço para ensaiar a mudança de atitude»


O Teatro do Oprimido cresce em toda a Europa, incluindo Portugal. Talvez seja "um sinal de que a democracia representativa não está a funcionar direito"

Os alunos, quase todos do sexo feminino, formam um círculo. O seu olhar alonga-se para Julian Boal, filho de Augusto Boal, monstro sagrado do Teatro do Oprimido (TO). Enquanto explica o exercício, dois improvisados assistentes colocam nomes de profissões e de figuras públicas atrás das costas de cada um. Cada um deverá tratar os outros como se fossem o que está escrito no papel.

Três coisas que o leitor deve saber antes de continuar a ler este texto:
a) isto é um workshop de TO, organizado pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto;
b) o teatro, segundo Augusto Boal, "é sempre uma acção política";
c) o TO é um conjunto de exercícios, jogos e técnicas que ambiciona "ensaiar a revolução".

Os alunos tentam adequar o seu comportamento a quem encontram. Há tapar de narizes frente ao lixeiro, olhares de desprezo para a prostituta, cuspidelas a Rui Rio, pedidos de autógrafo à Madonna... A partir das reacções que recebe, cada um tenta adivinhar a sua própria identidade. Nem todos conseguem. O polícia pensa que é ladrão, o Noddy pensa que é a Floribella, o gerente bancário pensa que é uma alta individualidade das finanças... Elucidativo?

O exercício pode originar um debate sobre conceitos e preconceitos. "O estereótipo é uma força efectiva", nota Julian Boal. "Ele não é verdadeiro na essência, é verdadeiro estruturalmente. O brasileiro não é em si malandro, mas o estereótipo também é uma força que projecta, que também faz com que a pessoa se conforme a esse estereótipo", exemplifica.

Nos primeiros anos, Julian trabalhava apenas como assistente do pai. Há seis anos, criou o seu próprio grupo de TO - emancipou-se, embora mantenha parcerias com o pai. Viaja muito. Faz workshops como este nas mais diversas partes do mundo. "Está a haver uma explosão" de TO. Talvez seja "um sinal de que a democracia representativa não está a funcionar direito". Em diversos países da Europa, "como a Alemanha, a França ou o Reino Unido, parece igual" votar num partido ou noutro. O TO seria então "uma reacção a essa falta de espaços democráticos".

O teatro-fórum

A técnica mais usada em todo o mundo é o teatro-fórum. Em que consiste? Há um espectáculo baseado em factos que, se não aconteceram, podiam ter acontecido; no fim, os espectadores, mediados por um "coringa", são convidados a entrar no espectáculo, podem mudar cena a cena, resolver o conflito. A ideia é transformar o espectador em protagonista da acção dramática e, desse modo, ajudá-lo "a preparar acções reais que o conduzam à libertação".

Julian mora em França. Trabalha há dois anos com imigrantes da Argélia e do Mali, a maior parte clandestinos, residentes num albergue. O seu grupo visitou-os umas 20 vezes antes de apresentar o primeiro tema: segurança laboral. A primeira sessão "foi intensa e maravilha ao mesmo tempo". No debate, um imigrante contou que lhe deram só uma luva para manipular material tóxico. "Ele disse: "O patrão é como amigo que dá comida, não se pode reclamar." Fiquei sem saber o que fazer, felizmente outro interrompeu e disse: "Não é assim, o trabalhador tem direitos"."

"Uma sessão só não basta" para ajudar a libertar um oprimido, como não basta ler um livro ou participar num debate. "Se eu abro o espaço da discussão política, sinto-me responsável por que as continuem a debater", refere, enquanto os alunos preparam outro exercício no tapete. "Não abro para fechar logo. Trabalho muito tempo com as pessoas".

O que consegui, afinal, ao fim de dois anos, no albergue? "Acho que há uma circulação de palavra que não havia. No início, uns não tomavam a palavra. Agora, tomam. Os mais para o branco com papéis ainda falam mais do que os não tão brancos sem papéis. Mas hoje há uma situação mais igualitária. Havia muita diferença e muito grande entre argelinos e malianos." Julian observa agora menos discriminação a diversos níveis, mais partilha.

A utopia

De que forma o TO muda a realidade? "Meu pai fala em ensaio da revolução." Ao entrar em cena, o espectador "aprende a detectar as armas do opressor e treina tácticas e estratégias de luta, treina para uma transformação". Essa força "tem de ser usada fora do fórum, porque é fora do fórum que se faz a mudança". Experiência mais marcante? "Talvez descobrir Jana Sanskriti", na Índia. "Usam o teatro do oprimido não só para se expressar, também para se emancipar." Isso "só tem paralelo no Brasil, com o Movimento dos Sem-Terra (MST). Mas o MST constituiu-se como movimento e criou grupos de TO, enquanto na Índia foi através de TO que eles se constituíram como movimento. É um movimento enorme. Há uma rede, na Índia inteira são três milhões".

A utopia é "o mundo parecer-se com um teatro-fórum". Tradução: "Um mundo em que as pessoas podem experimentar. Em que todas as relações podem ser discutidas, criticadas. Um mundo em que, de facto, a pessoa possa argumentar." Embora a comunicação esteja longe de resolver tudo.

15.10.07

Homenagem a Manuela Malpique e Stephen Stoer

Manuela Malpique

Duas das figuras cimeiras das ciências da educação em Portugal, Manuela Malpique e Stephen Stoer, vão ser homenageadas a partir do dia 18 de Outubro no Porto. O seu desaparecimento prematuro constitui uma perda irreparável para todos quantos se interessam pelas coisas da educação, muito especialmente a quem os conheceu como professores da Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação da Universidade do Porto.

No próximo dia 18 na galeria da biblioteca municipal Almeida Garret vai-se inaugurar (18 h.) uma exposição-homenagem evocativa da suas vidas e obras e que se prolongará até 3 de Dezembro. Esta previsto também para o mesmo dia a realização de uma perfomance pelas 19 horas a cargo do coreógrafo e bailarino Índio Queiroz em memória de Manuela Malpique



Na homenagem a Manuela Malpique destaca-se o seguinte programa:

MESA REDONDA: Dia 28 de Novembro
Auditório do antigo edifício da Reitoria (Rua D. Manuel II), 17h30

O imaginário nos labirintos da educação -
Presenças de.
Alberto Carneiro (Escultor e professor da FAUP)
Fernanda Flores (Psicoterapeuta)
Carolina Negreiros (Professora da Escola Secundária Filipa de Vilhena )
José Adriano Fernandes (Médico Psiquiatra, Hospital Conde Ferreira)


CONFERÊNCIA: Dia 2 de Dezembro
Galeria do Palácio, Biblioteca Almeida Garrett, 17h00
Presenças de:
Celeste Malpique (Médica Psiquiatra, Professora do ICBAS)
José Alberto Correia (Professor da FPCEUP)



MANUELA MALPIQUE (1932-1999)

Embora licenciada em Arquitectura (Escola Superior de Belas Artes do Porto), dedicou grande parte da sua vida ao Ensino.
Foi uma professora que, do ensino básico ao superior (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, doutorada em 1995), deixou profunda marca nos seus alunos, pelo rigor, pela empatia, pela liberdade criativa que era capaz de estimular.
O seu currículo na área da Pedagogia é exemplar.
A sua sensibilidade criativa e empática levou-a a conduzir durante mais de vinte anos uma experiência de psicoterapia de grupo através da livre expressão plástica, com crianças e adolescentes seguidos no Centro de Saúde Mental Infantil do Porto (Hospital de Magalhães Lemos). Fez formação pessoal em oniroterapia e, em 1987, foi admitida como membro titular da "Société Internationale des Téchniques d'lmagerie Mental et Onirothérapie" de Paris (SITIMO).

O domínio que possuía das técnicas do Imaginário levou-a a orientar experiências pedagógicas inovadoras na licenciatura em Ciências da Educação (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto) desde 1994, na disciplina anual que regia, "Desenvolvimento Sócio-Emocional e Técnicas de Expressão".

Ultimamente andava entusiasmada com "Histórias de Vida" enquanto proposta para enriquecer a formação dos professores através da vivência pessoal e relacional, na aproximação ao aluno.



Já quanto a Stephen Stoer está prevista a presença dos conhecidos professores da Universidade de Bristol, Roger Dale e Susan Robertson, que darão uma conferência em sua homenagem no dia 23 de Novembro, que será completada por uma concerto de jazz, uma outra grande paixão de Stoer.

Os temas das conferências:

-Producing the global knowledge-based economy: the role of the international agencies - Susan Robertson (University of Bristol)

-Substantiation and Instantiation of the Globally Structured Agenda for Education - Roger Dale (University of Auckland)


As conferências realizam-se todas às 17.30 no antigo edifício da Reitoria da UP, na Rua D. Manuel II

Consultar:

http://sigarra.up.pt/up/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=4198

Primeiro aniversário da ocupação do Rivoli é comemorado hoje à noite com música ( na Praça D.João I, defronte ao Rivoli, às 22h.)

Faz hoje um ano que começou a ocupação das instalações do Teatro Municipal Rivoli, num protesto contra a política cultural do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, que viria a acabar pouco mais de três dias depois. A passagem de 12 meses sobre essa iniciativa, então apelidada de "Rivolição", não ficará em claro e, hoje, pelas 22h00, alguns dos intervenientes de há um ano vão comemorar a data, com a actuação da cantora Ana Deus e da Fanfarra Colher de Sopa Criativa.

Será também distribuída alguma informação ao público e o actor Daniel Pinto lerá o último acto da peça Curto-Circuito, que esteve em cena até essa primeira noite de contestação contra a política cultural da Câmara do Porto.
Recorde-se que a 15 de Outubro do ano passado, cerca de 40 manifestantes ocuparam o Teatro Rivoli. O protesto começou no dia 15 e estendeu-se por 79 horas, tendo terminado na madrugada do dia 19, no momento em que a PSP obrigou os 13 manifestantes que, sem água, electricidade ou alimentos, ainda resistiam a abandonar o teatro municipal.

Entretanto, soube-se na passada terça-feira que a queixa-crime então apresentada pela Câmara do Porto contra esses 13 artistas foi arquivada.


PORQUE A PRAÇA É NOSSA...
...o Rivoli há-de voltar a sê-lo

Hermenêutica libertária

Convocatória para o primeiro congresso de hermenêutica libertária

"Desenvolvemos uma nova classe de conhecimento que seja humano, não porque incorpore uma ideia abstracta de humanidade, senão para que todo o mundo possa participar na sua construção e mudança, e empregamos este conhecimento para resolver os dois problemas pendentes na actualidade, o problema da sobrevivência e o problema da paz; por um lado, a paz entre os humanos e, por outro, a paz entre os humanos e todo o conjunto da natureza".

Paul Feyerabend

Com estas palavras ainda ressoando ao fundo, queremos dar inicio ao processo de convocatória e criação de laços em torno ao Primeiro Congresso de Hermenêutica Libertária, a realizar-se nos dias 6 e 7 de dezembro na Universidade de Santiago de Chile.

Esta convocatória, é um esforço conjunto de estudantes desta Casa de Estudos, assim como da Universidade de Chile, que interessados nos princípios libertários, decidem dar vida a este Encontro, num marco de discussão, análise e convergência multidisciplinar em torno aos conceitos de anarquismo, como método filosófico, como aposta social, como modo de vida, como trabalho científico, como que fazer intelectual, como estudo académico.


E fazemos questão em nos apoiarmos, alem disso, no desejo de actualizar o discurso, as formas, as discussões, as investigações. As situações estruturais e infra-estruturais tem mudado drástica e dramaticamente no último século. Este Encontro, então, perspectiva a ideia libertária desde o presente até ao futuro.

Este encontro multidisciplinar, convoca a todos aqueles académicos, estudantes, professores, investigadores, trabalhadores, intelectuais, anarquistas ou pessoas comuns que se sintam tocados pelas problemáticas do conhecimento e do avanço necessário que requeirem os conceitos libertários. Pretende dar conta de um novo ar que possuem estas ideias, nas novas condições de globalização, capitalismo avançado, internet e sociedades modernas ou pós-modernas (ou pré-modernas)

As áreas de trabalho e o apelo que fazemos enquanto organização do Congresso, é dirigido a aquelas pessoas que queiram desmascarar a sociedade, o conhecimento, a educação, o caos, desde qualquer uma das perspectivas que nos tem proporcionado historicamente o anarquismo. Ou seja, um trabalho integrador e académico, desde o que se pensa e o que já se está fazendo nestas matérias.

Reiteramos o convite a todo aquele que se sinta chamado por alguma das temáticas que pretende abordar o Congresso, sem necessariamente sentir-se anarquista ou libertário, e para isto só deve enviar uma email ao correio

congresolibertario@gmail.com
http://congresolibertario.wordpress.com



PRIMEIRO CONGRESSO DE HERMENÊUTICA LIBERTÁRIA

Conhecimento, Sociedade, Educação, Caos
Perspectivas em Autogestão, Autonomía, Solidariedade, Imprensa (Comunicação) e Acção Directa.

ORGANIZAM
Estudantes da USACH
Estudantes da Universidade de Chile

SEDE
Escuela de Periodismo USACH
Av. Ecuador 3650, Estación Central, Santiago de Chile
Metro Universidad de Santiago. Línea1
Salón de Bachillerato

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14.10.07

Filme Torre Bela em exibição no teatro do campo alegre no Porto( dia 15 há debate após a sessão das 22h.)

O filme Torre Bela que trata de uma das mais famosas ocupações de terras feitas em Portugal e da formação da cooperativa Torre Bela, no concelho de Azambuja, chegou às salas de cinema da cidade do Porto, e passa diariamente desde o passado dia 11 (sessões às 18h30 e 22h) na sala de cinema do teatro do Campo Alegre na cidade do Porto.

Na próxima segunda-feira, 15 de Outubro, após a sessão das 22h seguir-se-á um debate com João Teixeira Lopes (sociólogo e professor), Jorge Campos (documentarista e professor), Pedro Baptista (escritor e professor de Ciência Política), com moderação do jornalista Alberto Serra.


"Estamos perante um dos mais notáveis documentários feitos no imediato pós-25 de Abril." João Lopes, Première

Em Abril de 1975, camponeses sem terra e sem trabalho, analfabetos, deserdados ocuparam a herdade de Torre Bela, feudo do Duque de Lafões, mais de mil e quinhentos hectares onde nada se cultivava, e aí constituíram uma cooperativa. Foi uma acção espontânea, 572 dias que abalaram o Ribatejo, que contou com a colaboração do MFA. Por lá passara, Zeca, Sérgio Godinho, Vitorino. O alemão Thomas Harlan filmou os acontecimentos, e Torre Bela, o filme, é «um dos mais notáveis documentários feitos no imediato pós-25 de Abril».


Para saber mais do filme: ver aqui

Workshop - Ritmo, Movimento e dinâmica no espaço (ao longo do mês de Outubro no Porto)

A Casa Museu Abel Salazar organiza um Workshop de Ritmo , Movimento e dinâmica no espaço com início no próximo dia 15 de Outubro pelas 18h30m.

Aberto a todas as pessoas que já tenham uma primeira experiência artística, cenógrafos, actores, bailarinos, coreógrafos, artistas plásticos, arquitectos e todos os que se interessam pela relação do corpo com o espaço.

Para compreender as forças que organizam o espaço, utilizaremos o movimento. O corpo, como objecto dinâmico e poético, será o nosso instrumento. A análise de movimentos simples e a sua transposição para formas construídas em atelier, criam um espaço de reflexão sobre a concepção do espaço.
Através de uma série de exercícios, os alunos são incentivados a reflectir sobre a composição, a dinâmica, o ritmo do espaço.
As oposições, o vazio e o cheio, o equilíbrio e o desequilíbrio... Abordaremos igualmente as estruras em tensão, o equilíbrio de forças, as estruturas em auto-sustentação...



Material necessário:

x- Acto
4 folhas de cartão canelado tipo caixa 120x120
Pistola de cola
Tintas acrílicas
Pincéis
Grafites
Fio do norte
Cartolinas de cor
Bloco de Papel Cavalinho A3
Varinhas em Madeira

Formador: Tiago Barbosa
Formação em cenografia entre 1997 e 1999 no L.E.M., Laboratório de Estudo do Movimento, na Escola Internacional de Teatro Jacques Lecop em Paris. Como cenografo trabalhou entre outros, nos seguintes projectos:
S - tet;"oroject Oxas", Paris, Theatre Rue Pietonne, Strasbourg, CousCous Clown, Barcelona, " Em Tensão", Gravidade Zero, " A Companhia do Rei - Estórias aos Solavancos", Teatro Oficina, " Trio Maravilha ou o Cabaret Bazar da Madame Dióspiro", " A Carroça das Percussões", "Gigantones e Circaçudos"," A Tempestade" de W. Shakespeare, Old Mother Hubbert's Washed Stone Cupbord Theatre, Corpredy, Inglaterra.

INFORMAÇÕES GERAIS
a) Datas: 15, 16, 17, 18, 20, 22,23,24,25, 27 de Outubro
b) Nº pessoas: 15
c) Horário: 18h30 às 21h30
d) Estrutura do curso: prático
e) Valor: 50€ para pessoas ligadas à Universidade do Porto, 60€ Publico em Geral
f) Inscrições: Ana Martins
g) Contacto: anamartins@reit.up.pt; 220408193
H) Local: Antiga Reitoria da UP ( Rua D. Manuel II)

Workshop Dança do Ventre (20 de Outubro no Porto, na Faculdade do desporto)

Não percas esta oportunidade de contactar com a essência da cultura oriental, ao mesmo tempo que realizas uma viagem ao teu interior.

Neste workshop irás aprender a conhecer e a controlar melhor o teu corpo, através de um trabalho muscular mas também emocional. Com a realização de exercícios de respiração, alongamento e isolamento das diversas partes corporais, irás mergulhar nesta cultura com mais de 5.000 anos, numa viagem no tempo desde as lendas do antigo Egipto até ao urbanismo actual do estilo Tribal. Vem preparada para te libertares, mas acima de tudo, vem preparada para te divertires muito!"

As bailarinas da Dança Oriental realizam uma "dança dos músculos". Os movimentos surgem no interior do corpo e reflectem-se no exterior. São movimentos naturais do corpo que estavam adormecidos e que, perante um estímulo, reaparecem e mostram-se. A prática desta dança trabalha todas as partes do corpo e passa-se a ter um controlo sobre o mesmo muito mais consciente. Os movimentos da dança conferem à praticante uma sensação de descontracção e harmonia. Esta dança baseia-se no isolamento de grupos musculares específicos, ou seja, na capacidade de mover separadamente as diferentes partes do corpo. Muitas vezes, acreditamos que o nosso corpo é o responsável pelas dificuldades em executar determinados movimentos quando, na verdade, o factor determinante é o nosso cérebro. A Dança Oriental ajuda a eliminar bloqueios do foro físico e, por consequência, do foro psicológico. O nosso principal objectivo é aprender a movimentar cada parte do corpo separadamente, dissociar os movimentos e depois executá-los com clareza e muita delicadeza, usando o nosso ventre como centro propulsor de toda a energia, que daí é espalhada para todo o corpo.

Formadora: Sónia Costa

Nasceu no Porto em 1980. Iniciou o seu estudo de Dança Oriental em 2002, através de aulas regulares com a professora Diana Rego. Tem aperfeiçoado a sua técnica em vários workshops nacionais e internacionais com professoras como Eva Chacón, Farida Fahmy, Annie Nganou, Myriam Szabo, Renata Lobo, Prisca Diedrich, Raksan, Princess Farhana e ainda Rachel Brice, Ansuya e Sharon Kihara (membros das Bellydance Superstars). Participou no 1º Festival Internacional de Dança Oriental de Paris - Encontro Coreográfico, em Abril de 2004, onde teve aulas com Mahmoud Reda, Aida Nour, Fariza Sayed, Nawal Benabdallah e Julia Nesma. Desde 2004 que também pratica SwáSthya Yôga, pelo que as suas aulas são uma fusão da Dança Oriental com técnicas de alongamento, flexibilidade, respiração e relaxamento. Actualmente é docente de dança oriental na Academia de Bailado de Matosinhos. É licenciada em Jornalismo e Ciências da Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

As alunas devem trazer um colchão ou uma toalha para poderem fazer trabalho utilizando o chão e, isto sim é que é importante, trazer um lenço para atar na cintura.

Horário : 14h00 ás 17h00

Inscrições até dia 16 de Outubro : : Ana Martins: anamartins@reit.up.pt
tlf 220408193;
inscrições limitadas a 20 participantes

Preço: 10€ UPorto; 15 € Geral

13.10.07

A actual caça às bruxas em Portugal: durante o governo de Sócrates já foram processados 22 sindicalistas

Ofensiva do governo xuxialista de Sócrates contra o movimento sindical


Durante a vigência do Governo Sócrates já foram processados 22 sindicalistas. Por motivos vários, de entre os quais se destaca a organização de protestos, considerados ilegais, até acusações mais ou menos esotéricas como a de «desobediência qualificada»!!!


O secretário geral da CGTP, a maior e a mais importante confederação sindical portuguesa, denuncia o "ataque sistemático" ao movimento sindical por parte do actual Governo.

A reacção de Carvalho da Silva surge depois de, nesta semana, dois agentes policiais terem visitado a sede de um sindicato, para recolher informações sobre a organização de protestos a uma visita do primeiro-ministro.
O incidente deu origem à abertura de um inquérito governamental que chegou a conclusões pouco menos que ambíguas.

Carvalho da Silva anunciou um memorando com todos os casos de "abusos da autoridade sobre os sindicatos", em que se encontram visitas a sedes sindicais, assim como os 22 processos crime abertos contra dirigentes sindicais ao longo o tempo de vigência do actual Governo xuxialista de Sócrates

Note-se que até os partidos mais direitistas do espectro partidário, entre os quais o PSD, partido a que Sócrates esteve vinculado nos tempos da sua juventude, consideram que as conclusões do inquérito preliminar da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) não permitem apurar a responsabilidade política da actuação da polícia no caso da Covilhã.
"O ponto essencial para o PSD é a responsabilidade política: criou-se um clima de intimidação, de limitação das liberdades e isso está a autorizar os quadros dirigentes a, por excesso de zelo, tomarem medidas de conteúdo político-administrativo", sublinhou o deputado social-democrata Paulo Rangel.

Por sua vez, para Francisco Louçã, dirigente do Bloco da Esquerda, "é preocupante" que o Governo "queira apresentar como corriqueiro um acto anormal" das forças de segurança e defendeu que o ministro das polícias, Rui Pereira deve esclarecer não só a actuação dos agentes da PSP assim como as "motivações políticas".

O projecto Novas Poéticas de Resistência

No âmbito das actividades do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) realizou-se ontem, dia 12 de Outubro de 2007, em Évora a Sessão de Apresentação do projecto "Novas Poéticas de Resistência: o século XXI em Portugal".

O projecto foi apresentado por Graça Capinha, professora do Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e investigadora do CES/UC, com participação da Oficina de Poesia, com Feliciano de Mira e Filimone Meigos.

Políticas da linguagem, linguagens ausentes e emergentes, experimentalismo, teorias e práticas da tradução, multiculturalismo, migração, bilinguismo e linguagem em deambulação são algumas das questões em debate.

APRESENTAÇÃO
“O projecto Novas Poéticas de Resistência: o século XXI em Portugal é um projecto interdisciplinar que inclui quatro áreas de conhecimento: Estudos Literários, Estudos de Tradução, Sociologia e Linguística.


Este projecto usa a palavra “poética” a partir da sua raiz etimológica: o primeiro fazer da primeira forma – dar forma a partir da raiz da raiz do som. Como diz o poeta e principal teórico da L=A=N=G=U=A=G=E School, Charles Bernstein, a linguagem é “a primeira coisa forjada”, o primeiro extensão da forma do corpo: uma cópia e uma ilusão. A partir de desse primeiro momento, aquilo a que chamamos o real não é mais do que um real humana e socialmente “forjado”: um artifício cuja artificialidade se transforma em “objectividade fantasma” (Michael Taussig).

Tendo como cerne estas “formas de forjar o mundo”, este projecto procura as formas contra-hegemónicas deste fazer na linguagem. Isto significa que se centra em políticas de linguagem através da observação de alguns discursos que, das suas margens, produzem o centro, ao mesmo tampo que o desafiam e lhe resistem: “servindo o que não é” (Dante), re-inventando e investigando os violentos territórios do excesso (Jean-Jacques Lecercle) onde se encontram todas as formas da linguagem do desaprovado, do improvado e do ainda por provar (Susan Howe).


Nesse espaço se fundam as infinitas possibilidades para as sempre "novas poéticas de resistência": no experimentalismo; no esforço, simultaneamente inevitável e impossível, da tradução; no reconhecimento da incompletude de uma hermenêutica dia(multi)tópica exigida pelo multiculturalismo, pela emigração, pelo bilinguismo; na pesquisa etimológica – com base numa sociologia das ausências (Sousa Santos), na permanente e inevitável procura de uma linha de fuga (Deleuze e Guattari) que, porque sempre em processo dinâmico, só pode levar ao nomadismo, ao descentramento e à desterritorialização da língua e da identidade que nela se constrói.”

A memória biográfica surge aqui como evento da “escrita do corpo”, referência histórica e motor de identidades híbridas em que crenças multiculturais e a saudade acendem a imaginação e se transformam em elementos significativos de uma cultura portuguesa dinâmica que hoje enfrenta os novos desafios impostos pela globalização. Tentaremos participar numa epistemologia de presenças e ausências (Sousa Santos) oferecida pela transversalidade dos diferentes saberes.

Este projecto interdisciplinar cruza 4 áreas (Estudos Literários, Sociologia, Estudos de Tradução, Linguística) em 9 sub-projectos:
(a) “Poéticas para Novos Mudos”,
(b) “Observatório da Poesia Electrónica Portuguesa”,
(c) “Movimentos e Revistas de Poesia em Portugal”,
(d) “Resistir à Linguagem: a Tradução”,
(e) “Para uma Sociologia do Autor: o Áudio-Visual”,
(f) “A Poesia e o Design de Fernando: política, exílio e imigração”,
(g) “Semântica da Identidade na Palavra Migrante de Autoras Portuguesas em Paris e Montréal”,
(h) “Poética de Resistência e Literatura Oral — Vozes de Mulheres Judias nas Comunidades de Belmonte (Portugal) e Bom Fim (Brasil)”,
(i) “Letras, Identidades e Contextos: reciclagem discursiva, desenvolvimento e transformação identitária em dois contextos de escrita e leitura”.

A poesia constitui-se como núcleo principal (a resistência enquanto “erro” e “malformação” no experimentalismo com a voz, o corpo, a imagem e através das novas tecnologias), mas o campo analítico inclui uma perspectiva comparada com outras dimensões contextualizantes e problematizadoras (a resistência como “erro” e “malformação” no âmbito do exílio, da imigração, da etnicidade e da terapia anti-toxicodependência).

“Poéticas para Novos Mundos” funcionará em network com o projecto “pennsound”,
http://writing.upenn.edu/pennsound/ (áudio e video) e com o “Electronic Poetry Center”,
http://epc.buffalo.edu/authors/bernstein/blog/ (texto e links ),
dirigidos por Charles Bernstein da Universidade da Pennsylvania, Philadelphia, e ainda com um grupo de S. Paulo, no Brasil, à volta do poeta Régis Bonvicino e a revista de poesia Sibila,
http://lgpessoa.web.br.com/sibila2/.

A popularização das tecnologias electrónicas na produção e circulação de imagens re-equacionou a importância da dimensão material dessas imagens nas práticas sociais a elas associadas. Será que a internet cria práticas culturais mais democráticas? Olhando o poeta como actor social e a experiência da visualização como experiência situada pela materialidade das imagens e pelo seu poder, quais são os impactos sociais destas novas práticas culturais?

Tentaremos perceber de que forma a linguagem e a ideologia dominantes podem ser desterritorializadas através de novos fazeres poéticos que introduzem a malformação e o erro como possibilidade para uma cidadania em devir – em usos da palavra que procuram, não só referir, mas interferir na ordem do mundo.

48 anos de silêncio – e um poema visual era considerado subversivo – têm implicações nas práticas culturais portuguesas. Eles significaram a impossibilidade de desenvolver um debate, uma verdadeira troca democrática nos campos da cultura, da literatura e do pensamento sobre a língua portuguesa – uma língua cuja diversidade e potencial de transgressão permanecem por descobrir.

12.10.07

Em memória do estudante anti-fascista Ribeiro dos Santos




A 12 de Outubro de 1972, o estudante Ribeiro dos Santos, militante do MRPP, foi assassinado pela PIDE/DGS durante uma reunião de estudantes contra a repressão fascista de Marcelo Caetano na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa.

O funeral de Ribeiro dos Santos foi marcado pelos confrontos entre a PIDE e os estudantes que acorreram em massa.



Passam agora 35 anos deste acontecimento marcante na luta estudantil. Na Biblioteca-Museu República e Resistência decorre uma homenagem a prtir de hoje.

A Sexualidade no Mundo Antigo - colóquio na Fac. de Letras de Lisboa(24 - 26 de Out.)


O Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa anunciou a realizarção do Colóquio A Sexualidade no Mundo Antigo, que decorrerá no Anfiteatro III desta escola, entre 24 e 26 de Outubro próximo. A iniciativa reunirá investigadores da Universidade Católica e das Universidades do Minho, Porto, Coimbra e Lisboa (UL e UNL).


Aqui ficam os temas em perspectiva e respectivos conferencistas::

Foucault e a sexualidade no Mundo Antigo
Luís Filipe Barreto (Univ. Lisboa)

A pré-história do sexo
João Pedro Ribeiro/ Mariana Diniz (Univ. Lisboa)

Sexualidades mesopotâmicas: dos Sumérios aos Caldeus
Francisco Caramelo (Univ. Nova)

Direito e sexualidade na Mesopotâmia
António Ramos dos Santos (Univ. Lisboa)

A prostituição sagrada na Mesopotâmia
Maria de Lurdes Palma (Univ. Lisboa)

A expressão da sexualidade no Antigo Egipto
Luís Manuel de Araújo (Univ. Lisboa)

Sexualidade e sagrado entre os Egípcios
José das Candeias Sales (Univ. Aberta)

Amor e sexo na literatura egípcia
Rogério Ferreira de Sousa (Univ. Porto)

Os Hititas e a sexualidade
Carlos Casanova (Univ. Lisboa)

A sexualidade dos Cananeus
Célia do Carmo José (Univ. Lisboa)

A sexualidade no mundo fenício-púnico
Ana Margarida Arruda (Univ. Lisboa)

A sexualidade entre os Hebreus
José Augusto Ramos (Univ. Lisboa)

Sexualidade e mitologia grega
José Ribeiro Ferreira (Univ. Coimbra)

O sexo e o riso entre os Gregos
Maria de Fátima Silva (Univ. Coimbra)

A sexualidade na literatura grega
Maria do Céu Fialho (Univ. Coimbra)

O sexo e a cidade grega: norma e desvio
Delfim Ferreira Leão (Univ. Coimbra)

Homossexualidade masculina e cultura grega
Frederico Lourenço (Univ. Lisboa)

A intimidade pública: sexo e imagem na cultura grega
Luísa de Nazaré Ferreira (Univ. Coimbra)

Os Gregos e a sexualidade dos outros: dos reinos asiáticos à Pérsia
Carmen Leal Soares (Univ. Coimbra)

A sexualidade no Mundo Helenístico
Marília Futre Pinheiro (Univ. Lisboa)

Sexualidade e saberes médicos no mundo greco-romano
Ana Lúcia Curado (Univ. Minho)

Sexualidade e literatura latina republicana e imperial
Maria Cristina Pimentel (Univ. Lisboa)


Direito e sexualidade em Roma
Cláudia Teixeira (Univ. Évora)


Os submundos da sexualidade em Roma
Nuno Simões Rodrigues (Univ. Lisboa)

Sexo e poder na Roma imperial
José Luís Brandão (Univ. Coimbra)

Do grafito ao fresco: sexualidade e cultura popular entre os Romanos
Amílcar Guerra (Univ. Lisboa)


Do vocabulário às metáforas: o léxico da sexualidade romana
Carlos Ascenso André (Univ. Coimbra)

Sexualidade e ritual em Roma
Tatiana K. Resende (Univ. Lisboa)

A vida sexual no exército romano
José Varandas (Univ. Lisboa)

A Sexualidade no Novo Testamento
José Tolentino de Mendonça (Univ. Católica)

Sexualidade e cristianismo antigo
Paula Barata Dias (Univ. Coimbra)





Ver ainda, sobre cultura clássica, o excelente blogue



11.10.07

A Desobediência - estreia hoje peça de homenagem a um dos grandes portugueses que ousou desobedecer


«A Desobediência», peça de Luiz Francisco Rebello sobre o cônsul português em Bordéus Aristides de Sousa Mendes, que salvou 30 mil judeus passando-lhes vistos contra as ordens de Salazar, estreia hoje no Teatro da Trindade.


Esta peça, escrita em 1995 e baseada no livro de Rui Afonso «A Injustiça – O caso Sousa Mendes», “não pretende ser teatro histórico, mas sim teatro político e popular, na melhor acepção dos termos”, diz Rui Mendes, o encenador


A acção situa-se no Verão de 1940, quando as tropas nazis invadiram a França e a salvação de milhares de judeus na Europa dependia de um visto de trânsito para um país neutro.
Dividido entre a sua consciência e o cumprimento das ordens dadas por Salazar, Aristides de Sousa Mendes decidiu desobedecer ao ditador, o que resultou na salvação de 30 mil pessoas e no seu afastamento definitivo da carreira diplomática.
“Todos eles são seres humanos e o seu estatuto na vida, religião ou cor são totalmente irrelevantes para mim (...) Eu sou cristão e, como tal, acredito que não devo deixar esses refugiados sucumbir. E assim, declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça” – nestes termos se defendeu o cônsul português das acusações que o Estado Novo lhe dirigiu na sequência dos acontecimentos de Junho de 1940.


“Se outra valia não tiver – escreveu Luiz Francisco Rebello no texto de apresentação da peça – valerá como a simples homenagem de um simples dramaturgo português da segunda metade do século XX a um dos grandes portugueses desse século, que ousou desobedecer num tempo em que se exigia dos homens obediência cega”.


Depois de ser condenado à inactividade num processo disciplinar viciado, de estar arruinado e impedido de exercer a advocacia, Sousa Mendes viu-se obrigado a recorrer à caridade para sustentar a numerosa família.
Criado após a Segunda Guerra Mundial para julgar os crimes cometidos pelos nazis, o Tribunal de Nuremberga estabeleceria que ninguém pode atentar contra os valores humanos sob o pretexto da obrigação de cumprir ordens.

Com interpretação de Rogério Vieira, no papel do cônsul português, Carmen Santos, Diogo Amaral, Igor Sampaio, Joana Brandão, João Didelet, José Henrique Neto, Marques d’Arede e Rita Loureiro, entre outros, «A Desobediência» estará em cena até 25 de Novembro, na sala principal do Teatro da Trindade, de quarta-feira a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h00.

No mesmo espaço, decorrerá um ciclo de actividades paralelas com entrada gratuita, intitulado «Desobediências», que pretende “enquadrar a apresentação do espectáculo” e incluirá artes plásticas, uma mostra de cinema intitulada «Histórias de Resistência», vídeo e actividades lúdicas e expressivas para estudantes.



Ciclo de actividades paralelas ao espectáculo “A Desobediência”:




Cinema Ciclo de Cinema Histórias de Resistência


Seis filmes, muito diversos entre si, que servem para dar (mesmo de forma não exaustiva) uma ideia da atenção dispensada pelo cinema alemão ao tema da heroicidade e resistência (incluindo a não-violência), contra a demência e barbárie do regime nazi de Adolfo Hitler.

Outubro


Dia 16 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
O Nono Dia (Der Neunte Tag)
de Volker Schlondorff
com Ulrich Matthes, August Diehl, Hilmar Thate.
Alemanha / Luxemburgo, 2004 93 min. cópia DVD, Leg. português

>O dramático dilema do padre católico, Henri Kremer que tem nove dias para convencer o bispo a influenciar o Vaticano das” virtudes” do regime nazi e assim salvar a sua família e os amigos, prisioneiros, tal como ele, no campo de concentração de Dachau. Schlondorff (o autor do mítico “O Tambor), realiza uma exemplar, dramática e realista reflexão sobre a moral e a consciência durante o nazismo.




Dia 23 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
A Rosa Branca (Die Weisse Rose)
de Michael Verhoeven
com Lena Stolze, Wulf Kessler, Oliver Siebert.
Alemanha, 1982 123 min16mm, Leg. castelhano

>A história verídica de um grupo de estudantes da Universidade de Munique -Sophie Scholl, Hans Scholl, Willi Graf, Christoph Probst, Alexander Schmorell, e o professor Kurt Huber- que, em 1942, formaram uma célula de resistência (A Rosa Branca), não-violenta, contra o III Reich. Denunciados, são presos pela Gestapo e condenados à morte. Uma tocante lição de coragem e de abnegação.


Dia 30 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Os Cinco Últimos Dias Dias (Fünf letzte Tage)
de Percy Adlon
com Lena Stolze, Irm Herrmann, Joachim Bernhard
Alemanha, 1982 123 min16mm, Leg. castelhano

>Pela mão do realizador de, “Rosalie Vai às Compras” (divertida sátira ao consumismo), um drama intimista carregado de humanidade, dor e vida centrado nos derradeiros dias de cárcere de Sophie School, estudante de 21 anos, que ousou desafiar a tirania nazi.



Novembro


Dia 6 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Nú Entre Lobos (Nackt Unter Wolfen)
de Frank Beyer
com Krystyn Wojcik, Armin Mueller-Stahl, Fred Delmare
Alemanha (RDA, 1962 124 min. 16mm, Leg. inglês

>Baseado num romance célebre de Bruno Apitz, esta odisseia verdadeira de um grupo de prisioneiros no campo de concentração de Buchenwald que arrisca as suas vidas para salvar uma criança judia possui um inequívoco e tocante humanismo, que é mais forte em impacto do que a obra literária.


Dia 13 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Coragem de minha Mãe (Mutters Courage)
de Michael Verhoeven
Alemanha, 1995 16mm 93 min. v. o. leg. em castelhano

>No verão de 1944, durante a ocupação alemã, uma mulher deportada pelos nazistas consegue escapar da morte no campo de concentração, graças à sua coragem. Baseado na história verídica de Elsa Tabori, que também foi adaptada para o teatro pelo seu filho, o dramaturgo George Tabori, o filme foi , em 1996, premiado “Filme do Mês”.pela igreja evangélica.



Dia 20 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
O 20 de Julho (Der 20 Juli)
de Falk Harnack
com Wolfgang Preiss, Annemarie Düringer, Robert Freitag, Maximilian Schell
Alemanha, 1955 16mm 97 min. leg. em castelhano

>Reconstituição histórica da oposição militar antinazi nas vésperas do atentado contra Hitler e os acontecimentos de 20 de Julho de 1944 que redundaram no fuzilamento dos resistentes sublevados.

Turismo é cada vez mais um problema ambiental

Relatório sobre a situação do ambiente na Europa regista avanços e recuos em várias áreas. Mas ainda há muito por fazer para pôr em prática as boas intenções

Férias são sinónimo de lazer, descanso e lucros. Mas, para o ambiente, o turismo é cada vez mais visto como um problema. Segundo um relatório ontem divulgado pela Agência Europeia do Ambiente, o turismo é um dos sectores-chave a vigiar no futuro.


O relatório - o quarto do género - faz um balanço do estado do ambiente a nível pan-europeu, de Portugal à Ásia Central. São 53 países, que somam 870 milhões de habitantes.

Entre outros aspectos preocupantes, o turismo surge como uma das principais novidades. No ano passado, em toda a região pan-europeia, desembarcaram 458 milhões de turistas - 54 por cento do total mundial. Estimativas apontam para 717 milhões em 2020.
Com o benefício económico da actividade, vêm as mazelas ambientais: urbanização do litoral, maior consumo de água, mais lixo, perda de biodiversidade.

E mais: "Os modos de transporte mais danosos para o ambiente - carro e avião - são os preferidos para se chegar aos destinos", diz o relatório. Cerca de 59 por cento dos turistas na Europa viajam de carro e 34 por cento usam o avião. Já há pelo menos 50 companhias aéreas low-cost.

A mensagem da agência europeia surge no momento em que se discute a limitação das emissões de gases com efeito de estufa dos aviões. Uma directiva para incluir as companhias aéreas no comércio europeu de licenças de emissões está em discussão na União Europeia.

Um estudo divulgado no princípio do mês pela Organização Mundial do Turismo indica que o sector já é responsável por cinco por cento das emissões mundiais de gases com efeito de estufa.
As próprias alterações climáticas podem trazer dissabores ao turismo. Um aumento de dois graus Celsius na temperatura média pode fazer desaparecer um terço das áreas com cobertura fiável de neve para a prática de esqui nos Alpes, segundo o relatório da Agência Europeia do Ambiente.

Perante este problema, "os actuais métodos para manter a cobertura de neve vão ter de ser intensificados", diz o relatório. Ou seja, mais gastos de água e de energia para produzir neve artifical, e mais intervenção nas paisagens naturais, em zonas cada vez mais altas.

O relatório da agência europeia foi apresentado ontem, numa reunião ministerial, no âmbito do processo Ambiente para a Europa, lançado em 1991 pela Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa. Em 1995 foi feito o primeiro relatório de balanço. O segundo é de 1998 e o terceiro de 2003.
A avaliação do que se passou desde então tem notas boas, mas uma síntese negativa. "Não obstante os notáveis progressos alcançados a nível da promoção da política ambiental e desenvolvimento sustentável na região pan-europeia", diz o relatório, ainda há muito trabalho a fazer para concretizar o que está no papel.
"Temos de reforçar a vontade de agir sobre os problemas ambientais da região pan-europeia", disse a directora executiva da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, citada pela AFP.



Outros dados preocupantes

100 milhões de pessoas na região pan-europeia não têm acesso a água com qualidade e a saneamento

700 espécies de animais e plantas, aproximadamente, estão ameaçadas de extinção na Europa

348.000 mortes prematuras na Europa são causadas pela poluição do ar. Isto reduz em um ano a esperança média de vida
Texto retirado da edição de hoje do jornal Público