16.12.06

Os heróis do nosso tempo!

Rachel Corrie
Estudante universitária,pacifista norte-americana, 23 anos
Assassinada em Março de 2003 por um bulldozer israelita em Gaza quando a máquina se preparava para demolir mais uma casa palestiniana


Todos os que dedicaram a sua vida aos outros
nunca serão esquecidos!



O criminoso Estado de Israel mata, destrói e fere impunemente...

Selecção de livros pela Livraria Letra Livre

«Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas»
Mário Quintana (poeta brasileiro)


Acabamos de receber uma newsletter da Livraria Letra Livre com uma selecção de livros que vale a pena ler e oferecer:


Potlatch. Boletim da Internacional Letrista. Fenda. 18,00


Terrorismo de Estado na Rússia: A Guerra da Tchetchênia. Achiamé.10,00?

Marx Versus Stirner. Daniel Joubert. Insomniaque. 9

O Espírito da Comédia. Antonio Escohotado. Antígona. 15,00

A Abrangência do Zunzun. PREC. 7,50

Dicionário das Mulheres Rebeldes (Edição ampliada). Ana Barradas. Ela por Ela. 26,50

A Moral Anarquista. P. Kropotkin. Sílabo. 7,50

Utopias Piratas. Peter L. Wilson. Conrad. 15,00

A Formação da Mentalidade Submissa. Vicente Romano. 18,00

História Geral dos Piratas. Capitão Johnson. Cavalo de Ferro. 22,50

Manual Filosófico do Individualista. Han Ryner. Achiamé. 6,00

La Mémoire et Le Feu. Portugal: L´Envers du Décor de L´Euroland. Insomniaque. 10,00

(10% de desconto em todos os títulos)

Para outros livros disponíveis consultar:

www.letralivre.com

Livraria Letra Livre
Calçada do Combro, 1391200-113
Lisboa

O ódio à democracia, novo livro de Jacques Rancière


Quando actualmente a democracia é exportada pela força das armas por aqueles que ainda há pouco tempo condenavam os horrores totalitários enquanto os revolucionários recusavam essas aparências em nome de uma democracia real que haveria de chegar, Jacques Rancière propõe ao leitor reencontrar a força subversiva sempre nova, e sempre ameaçada, da ideia democrática através de um notável trabalho de reflexão e questionamento de grande rigor e agradável leitura.
Partindo de Platão e das origens gregas da política o autor chega ao dias de hoje para demonstrar que o que suscita o novo andemocratismo é, afinal, o escândalo que sempre representou o «governo do povo», ou seja o escândalo da própria política e da igualdade dos homens.
.
.
Da introdução (escrita por Diogo Pires Aurélio):

«Rancière ... afirma que a política só existe verda­dei­­­­ramente quando o reino da liberdade se afir­ma fren­te ao reino da necessidade e a democracia irrom­pe como desafio ao que é natural ou social­men­te dado. Concorde-se ou não, essa ideia tem, pe­lo me­nos, a virtude de se expor aqui como um assom­broso exercício de inteligência e, ao mesmo tempo, como uma moldura onde cabe o essencial daquilo que, so­bre esta matéria, habitualmente se dispersa na socio­logia ou refracta na filosofia política.»

Sobre a obra e o autor

Quarenta anos passaram desde que Rancière assinou, com Louis Althusser et Etienne Balibar, Lire le Capital. Tinha, então, vinte e cinco anos. O terramoto de Maio de 68 destituiu perante ele um texto que se tornara inoperante e, com mais humildade, o fez procurar nos arquivos a via seguida pelos próprios proletários. Daí resultaram La Nuit des prolétaires (Fayard 1981) [A Noite dos Proletários] e Le Maître ignorant (Fayard, 1987) [O Mestre Ignorante] * e a descoberta de que a política já não é a luta pelo poder mas uma «partilha do sensível», um afrontamento das maneiras de ver e de organizar o real, um cenário onde se tornam visíveis coisas que de outro modo não se veriam: a sorte desigual que é proporcionada a uns e a outros a coberto da desigualdade. Retornando à origem grega da política para reencontrar as razões do escândalo que a democracia continua à provocar, Rancière publica a seguir Courts voyages au pays du peuple (Le Seuil, 1990) [Pequena viagem ao País do Povo], La Mésentente (Galilée, 1995) [O Desentendimento] e Le Partage du sensible (La Fabrique, 2000) [A Partilha do Sensível] * e um certo número de livros de estética. A política tem a ver com a beleza, e o saber com a poética, na sua atitude comum em «produzir obra» redesenhando o mondo. Daí a dissensão, a raiva mesmo, de Jacques Rancière contra o consenso e a negação da política e da democracia. Não haveria mais nada a esperar da história? Não mais que antes, poisa a história não faz nem promete nada: são as novas radicalidades que inventam as políticas dos novos tempos …

Sobre o autor

Nascido em 1940, Jacques Rancière é professor emérito do departamento de filosofia da universidade de Paris VIII. A sua escrita tem-se manifestado principalmente nas áreas da história, da filosofia, da estética e da política. Autor, entre outras obras, de: La Nuit des prolétaires (1981), La Mésentente. Politique et philosophie (1995), Aux bords du politique (1998) e Le Partage du sensible. Esthétique et politique (2000). O Ódio à Democracia é o seu primeiro livro traduzido em Portugal.

www.mareantes.com


Tomem Lá os Números!

Por Artur Queiroz

Sócrates é proto-fascista e o seu projecto para Portugal é ainda mais risível que o de Salazar. Só agora começa a ficar claro que o Bloco Central é uma união nacional com apoio nos banqueiros e especuladores financeiros.

O salário médio em Portugal é de 645 euros (pouco mais de 129 contos). Em Espanha o salário médio é de 1208 euros (cerca de 242 contos). Em Portugal, o limiar da pobreza, segundo as contas da União Europeia, está nos 387 euros (77 500 escudos). No Luxemburgo, quem ganha 1928 euros (mais de 386 contos) está no limiar da pobreza. Em Espanha, esse limiar está nos 725 euros, muito mais que um salário médio em Portugal. Um pobrezinho em Espanha é um remediado em Portugal.
Ministros, deputados e gestores públicos portugueses ganham ao nível do Reino Unido, Alemanha e Luxemburgo. Além dos salários têm mordomias principescas que podem em certos casos colocá-los no topo da União Europeia. Algumas medidas de cosmética tomadas por este Governo reduziram a dimensão do escândalo. Havia políticos e gestores públicos que ganhavam a dois, três e mais carrinhos. E havia quem acumulasse reformas milionárias ou juntasse a essas reformas salários de topo. Isto para não falar da regra contratual, ainda em vigor, que dá direito a muitos anos de reforma, mesmo que os felizes contemplados apenas tenham cumprido uns meses de trabalho efectivo.
A taxa efectiva de desemprego em Portugal ultrapassa os 10% e todos os meses são destruídos mais de mil postos de trabalho. Só uma percentagem ínfima de trabalhadores tem acesso ao Fundo de Desemprego. Os desempregados reais são mais de 500 000. A esse número temos de acrescentar outros tantos portugueses que trabalham sem direitos, sem contratos e sem o salário mínimo. O desemprego afecta mais as mulheres. A Região Norte é a mais afectada. Lisboa e Alentejo estão nas posições seguintes. Eis os números do paraíso Sócrates.
Antigos ministros das Finanças são hoje líderes de opinião e aparecem nos órgãos de Informação e dar palpites sobre a situação económica e financeira que eles criaram e propondo soluções que não puseram em prática quando eram governantes. Alguns ex-ministros e ex-dirigentes partidários do Bloco Central são comentadores encartados nas televisões, nas rádios e na Imprensa. São responsáveis pelo desastre mas falam de cátedra como se tivessem alguma moral para opinar ou alguma ciência para ensinar. Figuras como Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Medina Carreira, Miguel Beleza, Daniel Bessa ou Jorge Coelho estão permanentemente a dar receitas políticas e económicas como se nada tivessem a ver com o desastre. Os seus antigos assessores são a tropa de choque nos meios de Informação.
O presidente da República, quando era líder do PSD e Primeiro-Ministro, fez engordar a Função Pública até ao absurdo. Bastava ter um cartão do partido “laranja” para aceder a um cargo de funcionário público. Os governos do Partido Socialista fizeram o mesmo. A competição entre PS e PSD era ver quem metia mais comissários políticos na Administração Central e Local. Hoje os autores do crime dizem que há funcionários a mais. Como não é crível que se descartem dos correligionários, vamos ter uma Função Pública igual à do tempo de Salazar. Qualquer dia impõem aos novos candidatos a assinatura de uma declaração de fidelidade ao Bloco Central com activo repúdio do comunismo e de tudo quanto não seja da cor. José Sócrates é proto-fascista e o seu projecto para Portugal é ainda mais risível que o de Salazar. Só agora começa a ficar claro que o Bloco Central é uma união nacional com apoio nos banqueiros e especuladores financeiros. E para já não se vislumbra quem faça frente a estas hordas insaciáveis de dinheiro e mordomias. Mas não há mal que sempre dure.

15.12.06

Nunca duvides da capacidade em mudar o mundo!


Nunca duvides da capacidade de um pequeno grupo de indivíduos, reflexivos e comprometidos, em mudar o mundo; na realidade, esta foi a única maneira de se conseguir isso até agora .
Margaret Mead (1901- 1978)

Margaret Mead (antropóloga)

Antropóloga norte-americana nascida em Philadelphia, Pensilvannia, famosa pela forte personalidade e pelo rigor científico. Graduou-se (1923-1929) na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde estudou com o antropólogo Franz Boas (1858-1942), e trabalhou no Museu Americano de História Natural (1926-1969). Além de uma pesquisa de campo (1925), sobre a adolescência em Samoa, estudou os povos ágrafos da Oceania e complexas sociedades contemporâneas e foi pioneira na utilização da fotografia para documentação de pesquisa etnográfica. Seu interesse concentrou-se em vários aspectos da psicologia e da cultura, inclusive a infância e a adolescência, o condicionamento cultural do comportamento sexual, o carácter nacional e a mudança cultural. Casou-se com Gregory Bateson (1904-1980), filho do famoso geneticista inglês William Bateson (1861-1926), quando empreendiam uma famosa pesquisa junto aos nativos da ilha de Bali (1936-1939), da qual resultaria Balinese Character (1940), um marco na história da antropologia, da antropologia visual em especial. Separaram-se (1951), guardando, todavia, uma recíproca admiração e cumplicidade intelectual até suas mortes, ambas de câncer. Com Gregory escreveu 23 livros, entre eles Coming of Age in Samoa (1928), Growing Up in New Guinea (1930), Sex and Temperament in Three Primitive Societies (1935), Photographic Analysis (1942) e Male and Female (1949). Publicou também, uma autobiografia (1972) e foi eleita presidenta da Associação Americana para o Progresso da Ciência (1973). Morreu em New York.


Margaret Mead revolucionou a antropologia ao torná-la popular e ao alcance dos leigos. O seu objectivo era dar às pessoas comuns uma ferramenta para entender seu lugar no mundo. Ela demonstrou que os papéis sexuais eram determinados pelas expectativas sociais e provou a importância das relações raciais para a conservação da espécie. Mas seus estudos inovadores, registrados em livros como Coming of Age in Samoa (1928), sempre criaram polémica. Segundo os críticos, os dados das pesquisas da antropóloga eram selectivos e suas conclusões simplistas. A cientista foi considerada uma aventureira sexual pelos conservadores. Sem se preocupar com os ataques, ela acreditava que o objectivo da antropologia era melhorar a raça humana. Para isso, defendia que o mundo moderno tinha muito o que aprender com outras civilizações. Em inúmeros livros e artigos, escreveu sobre os direitos da mulher e contra o racismo e o preconceito sexual.
.
Mais info:

Indígenas do Calaári ganham batalha legal pelas terras ancestrais

Indígenas do Calaári ganham batalha legal pelas terras ancestrais.O Tribunal Supremo do Botswana isentou, porém, o Governo da obrigação de fornecer água a estes descendentes dos primeiros habitantes da África Austral
Os indígenas nómadas do deserto do Calaári, caçadores e recolectores de alimentos que há mais de 20 mil anos sobrevivem nas planícies do centro do Botswana, vão poder regressar às suas terras ancestrais de onde foram expulsos há quatro anos, graças a uma deliberação do Supremo Tribunal.
O colectivo de juízes decidiu ontem a favor dos nativos, considerando a expulsão "ilegal" e "inconstitucional" por dois votos contra um - este último emitido pelo presidente do tribunal, Maruping Diboleto, para quem o caso não tinha base para ser julgado por as terras em causa serem propriedade do Governo.
A "grande vitória" celebrada pelos basarwa ou bushmen (bosquímanos) traz porém um sabor amargo: o Governo não fica obrigado a fornecer serviços básicos, como água, aos que decidam regressar às suas terras na Reserva Central de Caça do Calaári.
Os basarwa apelaram ao tribunal, acusando o Governo de lhes ter cortado os fornecimentos de água, alimentos e serviços sanitários e de os ter afastado dos tradicionais territórios de caça, entre 1997 e 2002, com o propósito de proceder à extracção de diamantes e outros minérios. Perto de dois mil bosquímanos foram reagrupados em campos construídos no exterior da reserva.As autoridades do Botswana rejeitam as acusações e argumentam que os indígenas (descendentes dos primeiros habitantes da África Austral) já tinham abandonado os seus costumes tradicionais há muitos anos, perdendo assim o direito ao território.
.
.
Expulsos pelos diamantes
.
A porta-voz do ramo francês da associação Survival International (organização não governamental de defesa dos povos indígenas que apoiou a demanda judicial dos basarwa), Magalie Rubino, defende que os nativos do Calaári foram expulsos para abrir caminho à mineração de diamantes - a exportação mais lucrativa do país.
Rubino apontou directamente o dedo à De Beers, maior empresa mundial do sector e principal parceira do Governo do Botswana na exploração daquelas pedras no país. "É ingénuo sequer pensar que os diamantes não têm nada a ver com o caso", denunciou, citada ontem pelo diário francês Libération.
A activista aproveitou para rebater o argumento de que o modo de vida agro-pastoral dos bushmen é prejudicial ao ambiente e à vida selvagem da reserva, que fora apresentado pelas autoridades do Botswana para justificar a expulsão. "Nenhum dos especialistas que consultámos no terreno registaram deteriorações do meio ao longo de dez anos, tão pouco o desaparecimento de qualquer espécie animal", afirmou.
Rubino sublinhou a importância de uma decisão favorável dos juízes, "reconhecendo o direito dos povos indígenas a um território e subsolo, conforme aprovado em Junho de 2006 pelo Conselho dos Direitos Humanos".O Governo do Botswana alega que os activistas ocidentais, que ganharam o apoio do carismático arcebispo sul-africano Desmond Tutu, herói do movimento anti-apartheid, têm vindo a romantizar o modo de vida dos indígenas. E argumenta que a vida dos basarwa na reserva é uma "armadilha de pobreza" que impede a sua integração e nega o acesso à educação e cuidados de saúde.

Fundador das Creative Commons em Portugal


Lawrence Lessig, fundador das licenças de propriedade intelectual designadas por Creative Commons (CC), é o principal orador do encontro que se realiza amanhã na Universidade Católica, em Lisboa, sobre este novo regime de direitos de autor. O primeiro debate público no país sobre este tema vai analisar a expansão das CC a nível internacional, a sua utilização em Portugal e o estado da propriedade intelectual na sociedade do conhecimento. A par de Lawrence Lessig, intervirão também o professor de Linguística do MIT, Shigeru Miyagawa, representando uma instituição que generalizou a utilização das licenças CC nos trabalhos científicos produzidos, bem como os responsáveis por áreas específicas de aplicação. Músicos, artistas plásticos e académicos portugueses participam também no debate. Portugal adoptou as licenças CC no dia 13 de Novembro.
Este regime de propriedade intelectual visa responder às possibilidades abertas com o desenvolvimento da Internet, sobretudo por permitir a partilha de conhecimento de uma forma considerada simples e flexível. Os últimos números das CC calculam que tenham sido atribuídas mais de 500 milhões de licenças nos 34 países em que estão disponíveis.

Fonte: Público

Regulamento Reach ( Registo, Avaliação e Autorização de Produtos Químicos )

Parlamento Europeu aprova o regulamento Reach

Se há legislação que tenha implicações em quase tudo, da roupa aos cosméticos, dos automóveis ao mobiliário, esse é o caso do novo regulamento sobre os produtos químicos, ontem aprovado pelo Parlamento Europeu e que deverá entrar em vigor em Junho de 2007. Chegam assim ao fim as negociações sobre um dos dossiers mais complicados e mais ambiciosos de sempre da União Europeia.

A partir de meados do próximo ano, os produtores e importadores de produtos químicos terão de fornecer informações sobre as substâncias que utilizam, fazer o seu registo e requerer autorização para o seu uso. Esta é a principal determinação do regulamento Reach, que, na sigla inglesa, significa Registo, Avaliação e Autorização de Produtos Químicos.

Em nome da saúde e do ambiente, os eurodeputados aprovaram o Reach, por 539 votos a favor, 98 contra e 24 abstenções, concluindo um processo que começou há 11 anos e que movimentou poderosos interesses. A Europa é líder mundial em termos de indústria química, mas é também no espaço europeu que os defensores dos consumidores e do ambiente mais conseguem fazer ouvir a sua voz.

O processo esteve à beira de falhar, pois o Parlamento Europeu e o Conselho defendiam posições opostas em diversos pontos do regulamento. Uma maratona negocial no início de Dezembro conseguiu evitar que os eurodeputados chumbassem o documento, o que provavelmente levaria a que o Reach tivesse de voltar à estaca zero.

Uma das grandes divisões entre o Parlamento e o Conselho dizia respeito ao princípio da substituição, isto é, a obrigação dos produtores e importadores encontrarem alternativas para os produtos mais perigosos. Ficou estabelecido que os industriais terão de apresentar um "plano de substituição" para as que oferecem maiores riscos.

Uma das grandes novidades introduzidas pelo Reach é que, a partir de agora, caberá à indústria provar que as substâncias que usam são seguras. Até agora, eram as autoridades públicas que tinham de demonstrar a nocividade dos produtos.

Será criada uma Agência Europeia das Substâncias Químicas, com sede em Helsínquia, que avaliará que as empresas estão a aplicar o regulamento. Será criado um registo central para as cerca de 30 mil substâncias abrangidas pelo Reach. O processo de registo decorrerá ao longo dos próximos anos e começará por aquelas consideradas mais perigosas para a saúde e o ambiente.

Número baixo de substâncias testadas

Das mais de 100 mil substâncias existentes no mercado europeu, apenas as que foram introduzidas depois de 1981 - cerca de 3000 - é que foram testadas. Vários estudos indicam que o contacto com estas substâncias é responsável pelo aumento de casos de alergias, asma, cancros e infertilidade.
"Esta aprovação coloca em vigor uma legislação essencial para proteger a saúde pública e o ambiente contra os riscos colocados pelas substâncias químicas sem pôr em causa a competitividade europeia", disse Josep Borrel, presidente do Parlamento.
Os riscos para a competitividade europeia e o perigo de deslocalização de empresas foram os grandes argumentos da indústria química contra o Reach, assim como as questões de propriedade intelectual - devido à partilha de dados sobre as substâncias - e os custos do processo. Os defensores da legislação contrapunham com os custos que os Estados têm em cuidados de saúde e sublinhavam que a busca de produtos menos perigosos potenciaria a inovação na Europa.
"Queremos livrar-nos dos produtos químicos mais perigosos, ao mesmo tempo que incentivamos a inovação e o desenvolvimento da União Europeia", reafirmou ontem Guido Sacconi, que foi relator do Reach no Parlamento Europeu.

Mas as críticas ao Reach vêm também da parte dos ambientalistas, que gostariam de ver uma legislação mais ambiciosa, que evitasse que os compostos químicos mais perigosos entrassem no mercado.A indústria não deixou de lamentar a burocracia que o Reach implicará, mas afirma-se disponível para apoiar as instituições europeias de forma a que o regulamento se torne operacional.

É a percentagem de produtos químicos existentes no mundo produzidos pela indústria química europeia, o que gera 1,7 milhões postos de trabalho.

23.000
É o número de empregos que a indústria química gera em Portugal. Por cada trabalhador neste sector, existem outros cinco em empresas que lidam com estas substâncias e necessitam delas

2,3
Mil milhões de euros é o custo calculado pela Comissão Europeia para que a indústria química europeia adopte as regras do Reach. No entanto, conta que sejam poupados 50 mil milhões em despesas de saúde em 30 anos, devido à redução do número de cancros, doenças da pele e respiratórias


O que é o Reach?


Para quê este programa?
O regulamento Reach, que na sigla inglesa significa Registo, Avaliação e Autorização de Produtos Químicos, estabelece novas regras para o uso e comercialização de produtos químicos, que obrigarão os produtores e importadores a fornecer informações sobre as substâncias que utilizam, a promover o seu uso seguro e a substituir progressivamente as mais perigosas por alternativas mais seguras.

Qual o seu objectivo?
Atingir um maior nível de protecção ambiental e da saúde humana, para um maior conhecimento e um maior controlo sobre os produtos químicos existentes no mercado.

Quando entra em vigor?
Junho de 2007


Como funcionará?
As empresas que fabricam e importam produtos químicos terão de avaliar os riscos decorrentes da sua utilização e devem tomar as medidas necessárias para gerir todos aqueles que identificarem. O sistema irá uniformizar os critérios de aplicação de mais de 30 mil substâncias químicas utilizadas pela indústria europeia num período de 11 anos, e prevê a criação de uma Agência Europeia dos Produtos Químicos, que irá gerir a base de dados, coordenar os processos de avaliação e as autorizações aos Estados-membros.

O que é que tem de ser registado?
Todos os produtos químicos produzidos ou importados em quantidades superiores a uma tonelada têm de ser registados na Agência Europeia de Produtos Químicos, o que irá abranger cerca de 30 mil substâncias.

Os compostos químicos nos produtos do dia-a-dia, como no vestuário, também devem ser registados?
Sim, porque artigos como sapatos ou têxteis contêm substâncias químicas e algumas delas podem ser prejudiciais para a saúde humana e ambiente.

O que será feito em relação às substâncias de alto risco?
As empresas que produzam as substâncias chamadas CMR (cancerígenas, mutagénicas e tóxicas para a reprodução) - calculadas entre 2500 e 3000 - só terão autorização de uso se forem desenvolvidos planos de substituição. Se as alternativas não existirem, os produtores terão de propor planos de investigação e de desenvolvimento.

A autorização de uso é ilimitada?
Não, as autorizações têm um tempo-limite para permitir que os podutos químicos mais perigosos sejam substituídos.

Todas as substâncias químicas devem obrigatoriamente ser registadas?
Não. Alguns óleos, ácidos gordos, minerais e minérios, gás natural, petróleo bruto e carvão, pilhas e acumuladores, ferro, celulose, vidro, gases nobres, óleos animais e vegetais, metais e ligas metálicas, produtos cosméticos, pesticidas e produtos farmacêuticos estão excluídos. As substâncias para investigação e desenvolvimento estão isentas de registo.

Em quanto tempo será possível registar todas as substâncias abrangidas pelo Reach?
As substâncias que se encontram já disponíveis no mercado serão gradualmente incluídas no Reach. As produzidas em maior volume ou com propriedades perigosas, especialmente as CM
R, serão registadas em primeiro lugar. Quem produz mais de mil toneladas por ano ou que produz mais de uma tonelada anual de CMR tem um prazo de três anos. A quem produz entre 100 e mil toneladas serão dados seis anos e entre um e 100 toneladas terá 11 anos.

Fonte. Público

Aldeias de xisto


Já estão em vias de recuperação algumas aldeias que se distinguem pela particularidade de apresentarem como material de construção dominante o xisto. O programa iabrange entre 15 a 20 aldeias localizadas na zona do Pinhal Interior, com uma especial incidência na Serra da Lousã e do Açor.

Trata-se de um programa gerido pela Comissão de Coordenação da Região Centro, que tem uma filosofia em tudo idêntica ao já conhecido programa das Aldeias Históricas que permitiu num passado recente a reabilitação de 10 aldeias da Região Centro. Os critérios de selecção de aldeias a integrar esta rede, não são apenas a dominância do xisto na construção das casas, mas também a tipologia da aldeia, do âmbiente e da paisagem onde se inserem.

As intervenções a realizar nestas aldeias terão várias vertentes: ao nível de coberturas e fachadas; infrastruturas básicas (saneamento, abastecimento de água, reformulação das linhas eléctricas e telefónicas que passarão ser subterrâneas); reformulação dos espaços públicos, com novo mobiliário urbano, colocação de calçada nas ruas e melhor iluminação.

No concelho de Góis foram quatro as aldeias escolhidas para fazerem parte desta rede: PENA, Aigra Velha, Aigra Nova e Comareira. Prevê-se que estas aldeias fiquem integradas numa estrada panorâmica que as ligará ao Trevim (ponto mais alto da Serra da Lousã), Santo António da Neve e a outras aldeias situadas na vertente oposta da Serra, que também farão parte desta rede (como é o caso do Coentral e Candal).

Ainda não tendo saído do papel ou de meras apresentações de cariz político, espera-se que deste programa resulte em primeiro lugar e antes de tudo a melhoria das condições de vida das populações locais. São afinal essas pessoas e os seus antepassados que mantiveram até hoje intactas nessas aldeias uma vivência e a ruralidade que hoje em dia o Turismo começa a procurar e a valorizar. Sem elas, ou com a sua discordância, a preservação de pedras de nada valerá pois ..... as pedras até podem ter uma história, mas alma é coisa que nunca terão.



14.12.06

Campanha por um eco-natal


Na nossa sociedade, o Natal adquire contornos de uma verdadeira fúria consumista onde os valores que a ele presidem se encontram já distantes do seu significado original.
Para além da deturpação de uma festa originalmente filiada nos valores da partilha, fraternidade e amor, esse consumo excessivo possui aos mais diversos níveis – nomeadamente ecológico e social – repercussões extremamente nefastas, onde se pode referir por exemplo, entre outros, as toneladas de resíduos inutilmente produzidos ou a exploração de milhares de crianças em países pobres que fabricam os brinquedos dos nossos filhos. Particular destaque adquire ainda o desaparecimento de inúmeras espécies selvagens dos seus habitates naturais devido a um crescente e criminoso tráfico de espécies animais.
Na realidade, o actual padrão e nível de consumo dos países desenvolvidos, levado a um extremo de inconsciência no período natalício, têm-se reflectido no Ambiente com consequências preocupantes: alterações climáticas, perda de biodiversidade, extinção de espécies, poluição da água e do ar, entre outros. Embora estes problemas sejam globais, não se pode deixar de referir que é nos países subdesenvolvidos que estes têm maior impacto, países cujas populações pouco ou nada beneficiam com a exploração dos seus recursos e que estão na sua grande maioria confinados a um nível de pobreza extremo. E o contributo destes países para o fenómeno do consumismo também é marginal se comparado com os níveis de consumismo dos países normalmente designados de desenvolvidos.
O GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, no âmbito das iniciativas internacionais associadas ao DIA SEM COMPRAS, coloca à disposição um site original com dicas e conselhos preciosos para que possamos evitar, ao contrário do que normalmente e ainda que de forma inconsciente fazemos, participar na destruição do ambiente, na exploração de trabalhadores e na feroz alienação comercial; para que todos, e também o nosso planeta, possamos celebrar um Natal realmente Eco-lógico e de acordo com o seu espírito original.
Ver:

13.12.06

Eva Luna


"Me llamo Eva, que quiere decir vida, según un libro que mi madre consultó para escoger mi nombre.

Nací en el último cuarto de una casa sombría y crecí entre muebles antiguos, libros en latín y momias humanas, pero eso no logró hacerme melancólica, porque vine al mundo con un soplo de selva en la memoria. Mi padre, un indio de ojos amarillos, provenía del lugar donde se juntan cien ríos, olía a bosque y nunca miraba al cielo de frente, porque se había criado bajo la cúpula de los árboles y la luz le parecía indecente..."
(Eva Luna, livro da escritora chilena Isabel Allende)


Há livros que nos marcam. Este é certamente um deles. Apesar de o ter lido, sofregamente, há anos atrás, em apenas dois dias...

Em 1988, Isabel Allende apresenta-nos Eva Luna, num livro com o mesmo nome que conta a vida aventureira de uma rapariga pobre latino-americana, que encontra amizade, amor e algum sucesso através do seu poder de contar histórias.
Neste livro, a acção desenrola-se com Rolf Carlé, refugiado europeu, jornalista e amante de Eva Luna. Deitado com Eva Luna, ele pede-lhe para lhe contar uma história. "Sobre quê?, ela pergunta".
"Conta-me uma história que nunca tenhas contado a ninguém. Inventa-a para mim". E assim ela faz, dando a Rolf Carlé e ao leitor vinte e três vibrantes e encantadoras demonstrações da sua arte.
Nestas histórias, podemos encontrar camponeses e pessoas abastadas, guerrilhas e videntes, grandes belezas e tiranos. Aqui, encontramos Clarisa, "nascida antes da electricidade chegar à aldeia, que viveu para ver a cobertura televisiva do primeiro astronauta a levitar na lua, e morreu de espanto quando o Papa faz uma visita e conhece na rua homossexuais vestidos de freiras; El Cápitan, que levou quarenta anos a pedir em casamento a sua companheira de dança; Horácio Fortunato, dono de um circo, cujo encontro com uma mulher estrangeira o força a mudar as suas rudes maneiras quando a tenta cortejar; Maurizia Rugieri, que abando o seu marido e o seu filho para ir viver com um estudante de medicina, transformando a vida de ambos numa ópera que ela própria encena; Nicholas Vidal que "soube sempre que uma mulher lhe iria custar a vida" mas que nunca suspeitou que seria a mulher do Juiz Hidalgo; Raid Halbi, que mais uma vez põe à disposição da população de Água Santa, a sua preocupação e a sua sabedoria…


Isabel Allende cita Sherazade e "As mil e uma noites" antes de começar a contar a história de "Eva Luna". Ela é escrita em primeira pessoa, como uma autobiografia, pela própria Eva, que luta contra a pobreza, as dificuldades e o cepticismo numa América Latina dominada por ditadores.
E a autora explica sua preferência por mulheres que anotam suas memórias para que não sejam apagadas pelo tempo. "Minha mãe foi o guia de minha infância. Talvez por isso seja mais fácil escrever sobre as mulheres. Ela deu-me um caderno para anotar a vida na idade em que outras meninas brincavam de bonecas", diz Isabel.


Há livros que nos marcam. Outros que nos divertem, que nos entretêm. Outros ainda que nos mudam e com os quais aprendemos. “Contos de Eva Luna” é um desses livros, uma obra inolvidável que tem o dom de cativar quem se aventura pela riqueza das suas páginas, recheadas até à última linha de uma criatividade incomensurável.

Somos convidados a viajar pelo mundo, visitando desde recônditas aldeias índias na floresta Amazónica, até buliçosas cidades europeias, passando pelas gélidas paisagens de brancura do sul da Argentina. Assistimos a um desfile de personagens surpreendentes, todas elas partilhando de um sentimento comum: o amor. Vamos de encontro a camponeses e pessoas abastadas, guerrilheiros e videntes, conquistadores e tiranos.


Como definir os “Contos de Eva Luna”? Um agrupado de histórias seria justo, mas ainda assim insuficiente. Talvez uma colectânea de sublimes aventuras, ou ainda um emaranhado de narrativas que extravasam a vulgaridade, fantásticas e verosímeis, simultaneamente. Cada um deles vive de uma simbiose entre fantasia e a realidade: fantásticas porque as personagens são desenhadas pela autora, reais porque têm por matéria-prima um sentimento que existe, indubitavelmente.

Esta obra converte o leitor num devorador de peripécias. Preso desde a primeira página, tenta descortinar um fim para uma história que desde logo se apresenta como irresistível. Deixa-se enredar, vivendo as derrotas e conquistas dos protagonistas. Somos cúmplices de Allende, na medida em que sonhamos com o nos narra, escrevendo mentalmente o fim de que muitas vezes carece. Um livro que não nos “corta as asas”, que nos atribuiu a responsabilidade de rematarmos, a bel-prazer, o destino das personagens que nele intervêm.

Nota biográfica:
Isabel Allende (Lima, 2 de Agosto de 1942) é uma jornalista e escritora chilena nascida no Peru e actualmente radicada nos Estados Unidos da América. Uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 80. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo de seu tio, o presidente Salvador Allende (1908-1973).
Escreveu A casa dos espíritos (1982) e ganhou reconhecimento de público e crítica. A obra é filmada em 1993 por Bille August, tendo como Portugal a servir de cenário, com Jeremy Irons e Meryl Streep.





12.12.06

Luís Sepúlveda, autor de «O Velho que lia romances de amor»

«O velho que lia romances de amor» é um livro de Luís Sepúlveda que o dedica a Chico Mendes, o activista ecologista assassinado pelos madeireiros.


Luis Sepúlveda nasceu Ovalle, no Chile, em 1949. Reside actualmente em Gijón, na Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris.Membro activo da Unidade Popular chilena nos anos setenta, teve de abandonar o país após o golpe militar de Pinochet.Viajou e trabalhou no Brasil. Uruguai, Paraguai e Peru.
Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Sepúlveda era, na altura, amigo de Chico Mendes, herói da defesa da Amazónia. Dedicou a Chico Mendes O Velho que Lia Romances de Amor, o seu maior sucesso.
Perspicaz narrador de viagens e aventureiro nos confins do mundo, Sepúlveda concilia com sucesso o gosto pela descrição de lugares sugestivos e paisagens irreais com o desejo de contar histórias sobre o homem, através da sua experiência, dos seus sonhos, das suas esperanças.

Alguns livros de Luís Sepúlveda editados em português:


As Rosas de Atacama
Contos Apátridas
Diário de um Killer Sentimental
O General e o Juiz
História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar
Histórias do Mar
Mundo do Fim do Mundo
Nome de Toureiro
O Velho que Lia Romances de Amor
Patagónia Express
Os Piores Contos dos Irmãos Grim
O poder dos sonhos
Uma História Suja


Na contracapa do seu último livro editado em português, O Poder dos Sonhos, pode-se ler o seguinte:

"Por todo o lado encontrei magníficos sonhadores, homens e mulheres que porfiadamente acreditam nos seus sonhos. Mantêm-nos, cultivam-nos, multiplicam-nos. Eu, humildemente, à minha maneira, também fiz o mesmo”
“Sonhamos que é possível outro mundo e tornar realidade esse outro mundo possível”, afirma Luis Sepúlveda, e esta não é apenas uma declaração de intenções.
Como é seu hábito, o escritor chileno usa o seu talento de narrador para denunciar o estado de inquietação do país que ama e que o viu nascer, do país onde escolheu viver e do mundo inteiro em geral. O empenho cívico que o incita a acusar a veiculação de informação corrompida, a condenar “o indigno atoleiro que hoje é o Iraque”, a criticar a guerra e a mostrar a sua indignação pelas vítimas da tortura ou do “friendly fire” possui a mesma profunda raiz humana com que recorda as companheiras e companheiros dos afortunados anos de Salvador Allende e com que homenageia os amigos de sempre.
É portanto um forte sentimento de humanidade o que une as histórias e reflexões aqui reunidas, sempre pontuadas por uma convicta e apaixonada participação no destino dos marginalizados, dos esquecidos e das vítimas

Mas possivelmente o livro que lhe granjeou mais visibilidade terá sido «O velho que lia romances de amor» que narra uma história marcada pelo desrespeito do homem pelo Mundo que o envolve, uma barbárie que Luís Sepúlveda não se cansa de denunciar, e que o escritor dedica ao seu amigo Chico Mendes, ecologista assassinado há anos atrás.
Ao longo desta narrativa e no seio da floresta amazónica chilena, José Bolívar Proaño descobre uma paixão por livros que falam de amor, comparável apenas à sua admiração pela selva onde vive.


Excerto de uma entrevista de Luís Sepúlveda

F.C: ¿Cuál fue la idea que generó esta novela que ha sido leída por todos nosotros,"Un viejo que leía novelasde amor"?
L.S: La verdad es que yo tuve la tremenda suerte de poder convivir, durante siete meses, con los indios shuar en la Amazonia ecuatoriana. Fue una convivencia muy intensa que significó una completa transformación de mi concepción del mundo. Hay un montón de esquemas que se fueron al carajo. Entendí, por ejemplo, que aquella frase que decía “el hombre es el supremo transformador de la naturaleza” allí no tenía validez plena. Entendí, incluso, que ciertos análisis respecto a la forma de vida “primitiva” eran absolutamente desacertados en su apreciación de cómo es la gente y por qué es de esa manera. Bueno, salí de allí con la idea de escribir un gran canto de amor a la Amazonia, pero un canto de amor a esa Amazonia trágica, y devastada, que se desarrollaría a través de las peripecias y vivencias de un personaje. Esa fue la idea central y durante casi diez años esa novela estuvo dando vueltas en mi cabeza, puesto que tenía mucho miedo de escribirla. Miedo no en el sentido de no ser fiel, sino que temía que el producto final resultara una suerte de invitación para que intrusos, que nada tienen que ir a buscar a la Amazonia, se fueran a meter allá. No quería ser una especie de agente de turismo que invitara a futuros depredadores a una zona que es tremendamente frágil. Realmente la fragilidad del entorno amazónico es increíble; basta, a veces, con un mínimo accidente o una intromisión de agentes externos para que todo el equilibrio ecológico se desmorone.

F.C: ¿Qué tipo de relación recuerda haber establecido con los shuar. Por ejemplo, se proveía su comida; era un sujetoautónomo dentro de la selva, o no?
L.S: Para ellos fuí primero un absoluto estorbo. Llegué como parte de una expedición de la UNESCO que tenía como fin “hipotético” determinar el impacto de los procesos de colonización en la población shuar. Pero en realidad era un miserable eufemismo, porque la expedición, si bien es cierto estaba patrocinada por este organismo, la financiaba TEXACO. Entonces, en el fondo era un miserable censo que había que hacer para determinar cuántos indios quedaban y cuál sería la mejor forma de expulsarles de allí, porque se suponía que en ese territorio había mucho petróleo. Pero la misma selva se encargó de defenderse; todos los miembros de la expedición sufrieron picaduras de insectos y enfermaron. Y no sé por qué, inexplicablemente, yo fuí el único que se quedó allí sin sufrir daños de consideración; no sé por qué no me pasó nada. Pude haber regresado a Iquitos o a Guayaquil, pero pensé que tenía la única oportunidad de mi vida para conocer realmente ese mundo, pensé ¡qué diablos!, ya estaba ahí... Decidí, entonces, quedarme y las primera fases de la relación, te repito, fueron de una absoluta indiferencia respecto de los shuar hacia mí y de una dependencia total.

F.C: ¿Lo ayudaban por algún tipo de conmiseración, de pena... ?
L.S: Exacto, un forma de caridad. "Si a este tipo no lo alimentamos se va a morir, porque no sabe cazar, no sabe pescar, no sabe seleccionar los frutos comestibles de los otros". Me dejaban de comer, me dejaban de beber... Y lentamente se fue dando una forma mínima de comunicación, hasta que finalmente me aceptaron, pero siempre como a un minusválido. Hubo un cambio real cuando ya empecé a aprender los rudimentos del idioma shuar y fuí capaz de comunicarme en su propio idioma. Recuerdo que fue una experiencia inolvidable por su capacidad transformadora. Ellos son grandes contadores de historias. Todos los días, en las tardes, en torno al fogón, hay una rememoración de la historia y de las experiencias que va de generación en generación. Las mismas historias se vuelven a repetir, se van completando y ritualizando.

F.C: Como parte de la memoria del pueblo...
L.S: Como parte de la memoria colectiva. Llegó el momento en que fui capaz de decir en su idioma shuar: "yo también quiero decir algo". De ahí vino una aceptación más plena, me incorporaron al grupo social. Pero siempre dejándome muy claro que yo no era de ahí y que algún un día tenía que irme. Fue una experiencia muy rica y determinante en mi formación personal.

F.C:¿ Su relación con Chico Méndes le ayudó, de alguna forma, a valorar la experiencia con los shuar y, en consecuencia, la posiblidad de escribir una novela como “Un viejo que leía novelas de amor”?
L.S: A Chico Méndes lo conocí circunstancialmente. Yo era el corresponsal de una revista alemana y un día me mandaron a cubrir un gran evento de sindicalistas que se realizaba en Brasil, después de largos años en los que el movimiento sindical estuvo prácticamente paralizado. A dicho encuentro llegó Chico Méndes. Congeniamos desde los primeros días; me interesó el trabajo que realizaba con los seringueiros(1); intercambiamos muchas opiniones, me gustó su punto de vista: defendía la posibilidad de una convivencia entre indios y blancos en la selva, y hablaba de un frente común de los habitantes amazónicos contra las transnacionales. (Y entre los habitantes amazónicos él incluía a los indios y a los blancos que también eran capaces de vivir valiéndose armónicamente de los recursos que la selva podía entregar). Chico empezó también a levantar un proyecto que era muy político; que era incluso atentatorio contra los Estados existentes en América Latina y en la región, amazónica. El sostenía la necesidad de que la humanidad reconociera que los pueblos de esa zona debían ser considerados como preservadores de esa enorme riqueza natural y que como tal merecían un trato especial. Recuerdo acompañarle a Nueva York, sede de la famosa reunión del Banco Mundial, en donde un discurso muy improvisado de Chico logró torcerle la mano a los banqueros, a esa gran mafia y, por primera vez, condicionaron un préstamo al gobierno brasilero a que se detuviera la construcción de la Transamazónica, a que se detuviera, por lo menos parcialmente, el proceso de deforestación de la selva. Con Chico hablé mucho de esta novela; le contaba mis miedos. y del temor que tenía de que el producto final fuera como una postal...

F.C. Que fuera “plástica”, que fuera falsa...
L.S: Exacto. Chico era un tipo muy elemental, pero tenía una enorme sensibilidad. Era el clásico ejemplo del autodidacta que se forma de manera multidisciplinaria. Chico era un gran lector de poesía, aunque era incapaz muchas veces de leer racionalmente un periódico. Era un extraordinario lector de poesía, capaz de comprender la sutileza de un poema. En ocasiones, sin embargo, había que explicarle veinte veces lo que era un documento redactado en jerga técnica, pero era un tremendo lector, por ejemplo, de la obra de Hemingway.

F.C: Tengo entendido que esta novela se publicó primero en una editorial española, en Jucar, antes de publicarse en alemán, como traducción.
L.S: Sí, la novela dió una vuelta muy curiosa. Primero, obtuvo un premio muy importante en España, el “Tigre Juan de Novela”. Es de mucho prestigio y el jurado que lo otorga es muy riguroso (cosa muy rara en los premios literarios). Parte del premio era la publicación en una editora asturiana que es Jucar, pero no pasó absoltutamente nada, porque en España el centralismo es muy fuerte y lo que no ocurre en Madrid o en Barcelona, simplemente no ocurre. Hubo un par de críticas en prensa local (gallega, austuriana, del país Vasco), pero fuera de eso, nada. Luego aparece una edición chilena en el año 1990; es curiosamente es muy mala, son libros que se desarman enteros apenas uno los abre, pero un par de ejemplares fueron a dar a manos de un editor alemán, uno de los grandes -Fischer Verlag- quienes se pusieron en contacto conmigo para ver como era la situación de derechos de publicación. La tradujeron y de ahí empezó todo, porque obtuvo unas extraordinarias críticas en Alemania. Se transformó en un fenómeno de ventas, lo que significó mi incorporación a un mundo que yo desconocía absolutamente.

F.C: ¿A qué cree se deba que,- en diferentes mercados, con diferentes tradiciones literarias, con variadas visiones de lo que es Latinoamérica- la novela tenga ese impacto tan avasallador que arropa y crea contínuamente nuevos lectores?
L.S: Creo que los lectores que no son de habla de hispana encontraron por fin una novela que les estaba hablando de una Latinoamérica que no es solamente papaya y salsa. Que estaba mostrando un entorno, no desde un punto de vista de la referencia histórica, sino que les contaba una historia de hoy y les estaba mostrando un ambiente amenazado, un mundo como es.

11.12.06

O vosso tanque, general...(B.Brecht)



O vosso tanque, general, é um carro forte

Derruba uma floresta

esmaga cem homens,

Mas tem um defeito:


- Precisa de um motorista




O vosso bombardeiro, general

É poderoso,

Voa mais depressa que a tempestade

E transporta mais carga que um elefante

Mas tem um defeito:


- Precisa de um piloto.




O homem, meu general, é muito útil:

Sabe voar, e sabe matar

Mas tem um defeito:


- Sabe pensar!

(de Bertold Brecht)

retirado de:

Aonde estão?

No momento da morte do sátrapa é preciso agora mais do que nunca perguntar aos cúmplices e torcionários de Pinochet onde se encontram os milhares de vítimas que desapareceram às mãos dos militares e da polícia do tirano.



10.12.06

A morte de um canalha

O tirano Pinochet morreu hoje, depois de ter causado muito sofrimento aos chilenos e ter mandado torturar e assassinar milhares de activistas e democratas anti-fascistas.





A la muerte de un canalla

(por Mario Benedetti)


Los canallas viven mucho, pero algún día se mueren



Obituario con hurras
Vamos a festejarlo
vengan todosl
os inocentes
los damnificados
los que gritan de noche
los que sueñan de día
los que sufren el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzosl
os que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidan
vamos a festejarlo
vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabó el alma negra
el ladrón
el cochino
se acabó para siempre
hurra
que vengan todos
vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica
cualquier día
la muerte
no borra nada
quedan
siempre las cicatrices
hurra
murió el cretino
vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimas
se acabó el monstruo prócer
se acabó para siempre
vamos a festejarlo
a no ponernos tibios
a no creer que éste
es un muerto cualquiera
vamos a festejarlo
a no volvernos flojosa
no olvidar que éste
es un muerto de mierda.

retirado de:

7.12.06

Rali Lisboa-Dakar: o rali mais estúpido do mundo parte de Portugal!!

Apelo para a supressão definitiva do Rali Lisboa-Dakar





Assassinar crianças não é nenhum desporto!



Desde 1979 o Rali Paris-Dakar (redenominado, hoje em dia, Lisboa-Dakar) desafia a nossa consciência de cidadãos do mundo. Durante duas semanas (ou mais...) uma colossal caravana de veículos motorizados, desde motos a enormes camiões de assistênncia, passando por potentes bólides de alta cilindrada, atravessam paisagens lindíssimas e países que são dos mais pobres do mundo!
E fazem-no com a típica arrogância do ocidental que se permite fazer tudo sem o mínimo respeito pela cultura e tranquilidade dos outros povos e culturas. Mas não contentes com isso, um tal circo motorizado dá-se ao luxo de devastar a fauna e a flora autóctone como ainda em pôr em perigo a vida das populações locais, em especial as crianças
.



Aliás contam-se às dezenas as mortes e os feridos deste sacrificial luxo ocidental de matiz claramente colonialista e que se permite passear-se em territórios duramente atingidos pela guerra e pelas doenças e, agora, pelas modificações climáticas que afectam ainda mais as populações desprotegidas desses países africanos. É todo este triste espectáculo de soberba e desperdício que deve ser denunciado em nome dos mais elementares direitos da pessoa. E não devemos hesitar no nosso objectivo quando sabemos que uma operação agressiva daquela envergadura recebe geralmente a caução dos regimes autoritários e corruptos instalados nesses territórios.

Será que devemos aceitar ingenuamente o tão proclamado – mas não respeitado – princípio da livre circulação, e em nome do qual se organiza o rali, quando todos sabemos que diariamente centenas de pessoas morrem e são impedidas de circularem em direcção à Europa?

E será que vamos aceitar que centenas de milhar de litros de combustível sejam gastos e desperdiçados só para satisfazer os caprichos de alguns construtores e marcas de automóveis e a cumplicidade dos idiotas de sempre?

A verdade é que o Rali Lisboa-dakar, outrora conhecido por Paris-Dakar, constitui um excelso monumento ao poder predatório do automóvel, à velocidade alucinante e ao domínio da máquina. E é por demais conhecido como esses símbolos estão ligados à violência rodoviária e à morte nas estradas, com inúmeras vítimas, mas com garantidos lucros colossais para as empresas construtoras de automóveis.

Desde a sua criação este Rali já provocou a morte de mais de cinco dezenas de pessoas. E por isso legitimamente perguntamos quantas mais terão de morrer para que este rali seja declarado ilegal e desumano?

Recorde-se que na edição do ano passado morreram dois rapazes de 12 e 13 anos da Guiné e do Senegal, respectivamente.

E também não é por acaso que um Rali deste género se tenha visto obrigado a mudar sucessivamente o seu local de partida, ao escolher Barcelona em vez de Paris há alguns anos atrás, e depois, acabar por optar por Lisboa, como local de partida, face ao desinteresse generalizado das outras cidades europeias.
Com efeito, ainda em Janeiro deste ano de 2006 o Conselho Municipal da cidade de Paris ( uma espécie de Assembleia Municipal da autarquia local) votou e aprovou um voto de condenação pela realização do rali e apelando aos órgãos executivos da autarquia a não mais se associarem com os responsáveis pela sua organização. Nessa mesma declaração invocavam-se as palavras do reputado cientista Albert Jacquard para quem este Rali era sobretudo «uma abominável e escandalosa corrida… símbolo da maior estupidez, e um claro desprezo pelos africanos como também pelo próprio deserto que deveria ser visto como uma verdadeira catedral»



E num momento em que se valoriza tanto a segurança rodoviária e em que os recursos petrolíferos estão rapidamente a exaurir-se é mais do que oportuno denunciar esta violenta operação motorizada em que se traduz um Rali com estas dimensões.




Um outro apelo deve ser dirigido ainda às cadeias públicas de televisão a fim de não publicitarem nem favorecerem um Rali que tão grosseiramente escamoteia os gravíssimos problemas económicos e sociais do mundo contemporâneo, como se nada se passasse, e como os problemas sociais e ambientais que afectam milhões de pessoas não tivessem nada a ver com esta agressiva e descabelada operação motorizada.

Consultar:
http://www.stop-rallyedakar.com


Ler ainda outros textos publicados aqui mesmo, neste blogue:

- O Rali Lisboa-Dakar é um atentado ao nosso planeta e à nossa consciência

6.12.06

Exposição alternativa de artes plásticas em Londres



Amostra dos últimos trabalhos de Bansky


Um quadro representando do cantor Michael Jackson atraindo crianças para sua casa na floresta com doces é um dos destaques de uma exposição que traz novos trabalhos do polémico artista britânico Banksy.
A exposição "Santa's Ghetto" ("O gueto de Pai Natal) fica em cartaz até o final de Dezembro em Londres e traz ao público trabalhos de artistas alternativos .
Banksy, que se recusa a revelar sua verdadeira identidade, causou furor ao colocar uma réplica em tamanho natural de um prisioneiro da base americana de Guantánamo na Disneylândia, em Los Angeles. Ou então ao pintar de vermelho um elefante de verdade em outra exposição , e ao protagonizar um happening em que trocou centenas de cópias de um CD de Paris Hilton em uma loja por um outro com mensagens políticas.
A crítica política está presente em vários dos trabalhos. No seu sexto ano de realização a referida amostra diz- se uma alternativa ao consumismo exagerado do Natal.
As obras colocadas à venda tem preços considerados abaixo da média dos preços de objectos de arte, e são consideradas mais acessíveis pelos próprios artistas.

Agenda activista

+++ agenda internacional ( Protest.net)
+++ agenda internacional ( Calendário Radical)
+++ agenda e convocatórias no território do Estado espanhol
+++ agenda para Paris
+++agenda militante (França)
+++agenda para o Reino Unido
+++agenda ecologista para o Reino Unido



No Clube Aljustrelense no centro da Aljustrel (próximo do mercado)
o Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia organiza:

DIA 7 Dezembro (quinta-feira)
21.00 Conversa sobre “Punks e consumistas, onde pára a diferença…”
Deixando de lado as guerrinhas e novelas da treta, uma troca de ideias sobre o que se passa hoje com o Punk, assumido como uma atitude de protesto e alternativa, numa juventude marcada pelo consumo que tudo rotula e vende tudo o que vê à sua frente.

Concerto MPB (hc/punk/ska de durango, pais basco) + Gatos Pingados (punk de almada)

DIA 9 Dezembro (sábado)
21.00 Apresentação / Conversa do Coice de Mula nº8 *(Colectivo do CdM)

E pela noite dentro… reggae & ska…
*a confirmar

DIA 16 de Dezembro (sábado)
16h30 Workshop de Serigrafia.
Abrindo o caminho para uma oficina de serigrafia no Clube Aljustrelense…

Concerto com Violência Violeta (riot punk do oeste) + Disgraça (punk @politico de ferreira do alentejo)

DIA 27 de Dezembro (quarta-feira)
21h30- Passagem do documentário / debate “Centro Social Casas Viejas de Sevilla okupado e autogestionado. 5 anos de ocupaçao

E segue noite dentro com …. heavy metal…


Mais info:
http://www.goncalvescorreia.blogspot.com/

Agenda cultural

+++The European Guide to Arts and Culture Worldwide
+++Festivais de todo o mundo
+++Festivais no Reino Unido
+++Agenda cultural alternativa de Londres
+++Agenda cultural de França

+++ Agenda cultural para toda a Africa

+++Festivais literários



+++http://www.ruadebaixo.com/


+++Cartaz do Expresso
+++Guia do lazer do jornal Público

Agenda/roteiros de cidades e regiões

Aveiro
Agenda cultura
www.teatroaveirense.pt/

Braga
Velha-a-branca (espaço cultural)
www.theatrocirco.com/


Coimbra
Teatro Académica Gil Vicente

Guarda
http://www.tmg.com.pt/

Guimarães
Centro Cultural Vila Flor

Porto
http://www.agendadoporto.pt/

555 ( espaço cultural e bar)
Casa Viva (espaço social e cultural)
Contagiarte (bar e café cultural)
Maus Hábitos ( bar e espaço poilivalente)

http://www.baresdoporto.com/

http://www.tnsj.pt/
http://www.serralves.pt/

Lisboa
Agenda cultural

Tondela
Acert

Viana do Castelo
Agenda cultural



Viseu
http://www.teatroviriato.com/