Nos Maus Hábitos (R.Passos Manuel,178- 4º, Porto) está patente( de 12 de Janeiro a 19 de Março) uma exposição de Graffiti & Street Art de vários e múltiplos autores ( RAM, Caos, Kayo, Vihils, Hium, HBSR, Klit, Mar, Eith, Boris Hoppel, …). Trata-se de uma arte informal, que ainda não pertence aos cânones museológicos ou académicos da arte comercial.
3.2.06
Exposição de street art
Nos Maus Hábitos (R.Passos Manuel,178- 4º, Porto) está patente( de 12 de Janeiro a 19 de Março) uma exposição de Graffiti & Street Art de vários e múltiplos autores ( RAM, Caos, Kayo, Vihils, Hium, HBSR, Klit, Mar, Eith, Boris Hoppel, …). Trata-se de uma arte informal, que ainda não pertence aos cânones museológicos ou académicos da arte comercial.
O dinheiro não faz a felicidade
Na antiga Grécia, Cresus era dono de uma imensa fortuna. Sabendo que Sólon, o sábio ateniense, estava de passagem pela sua cidade, ele mandou perguntar por duas vezes qual era o homem mais feliz de todos os homens. E por duas vezes, Sólon respondeu-lhe indicando o nome de desconhecidos e, ainda por cima, sem fortuna alguma.
Cresus decidiu então interrogar novamente Sólon para saber porque é que ele não citava o seu nome, ao que o velho sábio ateniense lhe respondeu: «Tendes certamente muitas e consideráveis riquezas, e sem dúvida reinais sobre um povo numeroso; mas, na verdade, não posso responder à vossa pergunta pois não sei se terminareis os vossos dias na prosperidade.»Sábio Sólon! Cresus, pouco depois, perdeu um filho, logo a seguir, perdeu a guerra contra Cirus, o Imperador dos Persas, que conseguiu pôr termo aos catorze anos de reinado de Cresus, o qual ficou para sempre prisioneiro daquele. Ainda hoje ninguém sabe como terminou os seus dias.
2.2.06
Clandestino ( letra e voz de Manu Chao)
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazon
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la deje
Entre Ceuda y GibraltarS
oy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazon
De la grance Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quierra ley
Mano negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal
Argelino clandestino
Nigeriano clandestino
Boliviano clandestino
Mano negra ilegal
A privatização da violência e da guerra
O mercantilismo estende-se agora a domínios insuspeitados como a violência legal ( por delegação e em nome do Estado que transmite a outros a faculdade do exercício da violência) como a guerra e o sistema de recolha e processamento de informações, sectores que até há bem pouco tempo eram exclusivos dos agentes do próprio Estado.
Trata-se de um mercado promissor em plena expansão e cujo volume de negócios ultrapassará em muito os 100 mil milhões de dólares em todo o mundo.
Os mercenários de ontem .- tal como eram conhecidos no passado – passaram a ser «empregados e funcionários» de «sociedades militares privadas» ou de «empresas de segurança e de informação», perfeitamente legalizadas no mercado internacional, e que tudo fazem para reciclar a ideia de se tratarem ao fim e ao cabo de «cães de guerra» ao procurarem assumir um aspecto «respeitável» no mercado. São empresas que propõem aos seus clientes ( Estados, outras empresas, partidos, grupos de interesses ou mesmo a clientes individuais) determinados serviços militares e de informações que podem levar mesmo ao bombardeamento ou então à eliminação física de uma ou mais pessoas, para além de muitos outros objectivos de carácter militar e de informações.
Estas empresas estão intimamente ligadas a certos sectores internos ao aparelho estatal pelo que não espanta a circulação e a passagem de secretários de Estados, ministros ou conselheiros dos ministérios e organismos públicos para essas empresas, ou vice-versa.
Estando ao serviço dos interesses dominantes, em especial das empresas multinacionais e transnacionais, essas empresas militares actuam como autênticos guardas da ordem económica internacional.
Todo este negócios e suas implicações é sumamente tratado no livro de Xavier Renou, investigador em ciências políticas e responsável pela campanha sobre o desarmamento nuclear da Greenpeace francesa, que acabou de ser editado com o título
La «Privatisation de la violence, Mercenaires & sociétés militaires privées au service du marché», editions Agone, 2006
Outro livro que brevemente daremos conta aqui é de P.W. Singer, Corporate Warriors, The Rise of the Privatized Military Industry, ed. Cornell University Press, 2004
O tempo gasto nos automóveis ( por Ivan Illich)
«O americano típico consagra mais de 1600 horas por ano ao seu automóvel: sentado nele, em movimento ou simplesmente parado, quando trabalha para o pagar, mais a gasolina que mete no depósito, as portagens, o seguro, as jantes, as multas, os impostos para as estradas federais e os estacionamentos municipais. Consagra 4 horas ao dia para se servir, ocupar-se ou trabalhar para ele. Não se levou em conta aqui, note-se, todo o tempo que está ligado aos automóveis: como o tempo que levamos no hospital, no tribunal o na oficina mecânica por causa dele; o tempo que levamos a ver publicidade automobolística frente à televisão, o tempo gasto para ganar dinheiro para podermos viajar em automóvil, avião ou comboio. Essas 1600 horas servem para se fazer uns 10.000 Km de caminho, ou seja 6 horas numa hora.
Ora esse é exactamente o mesmo tempo que levam os homens dos países que não possuem a indústria de transporte.
Ivan Illich, in «Eneria e Equidade»
30.1.06
A não violência
Sobre Gandhi e a não-violência, consultar:
O que é a não-violência?
A não-violência é um variado conjunto de meios destinados, em situações de divergência e ou de conflito, a fazer respeitar-se e a fazer respeitar as ideias e os fins que julgamos os mais adequados. Note-se que a não-violência é também um comportamento comunicativo - e de escuta - pelo qual alguém se exprime sem infligir sobre o seu interpelante juízos vexatórios nem humilhantes. ( ver a este propósito o livro de Marshall Rosenberg, «Les mots sont dês Fênetres ( ou bien ce sont dês murs). Initiation à la communication non-violente, Syros, 1999)
A não-violência assenta no pressuposto de que o poder repousa naqueles que são objecto de sujeição e opressão, pelo que, em consequência, a recusa destes em colaborar levará à dissolução daquele mesmo poder.
Qual é a origem do termo?
A génese do termo de não-violência data dos anos 20 do século XX e aparece na língua inglesa graças a Gandhi que a utilizou a partir da palavra do sânscrito «ahimsa» que significa «não fazer mal», tendo passado para o francês por volta de 1924.
Deve-se a Gandhi a noção de não-violência?
Gandhi não criou nem inventou a chamada não-violência. O seu papel consistiu antes em ter conseguido reunir conceitualmente os vários meios e formas de luta não-violenta ( a greve, a desobediência civil) que já eram conhecidos anteriormente e mais ou menos utilizados antes da sua época. Gandhi associou-os à ideia da recusa da violência, teorizando a ideia e a prática da luta não-violenta. Recorde-se no entanto que autores precedentes como La Boétie (Discours sur la servitude volontaire, de 1546), Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau (n.1817)
É preciso ser uma pessoa excepcional para ter um comportamento não-violento?
Não é preciso ser ou parecer-se com personagens ímpares como Gandhi, nem muito menos partilhar as suas crenças e opiniões para se adoptar comportamentos ou formas de luta não-violenta. Com efeito, muitas outras pessoas vulgares levaram a cabo acções e campanhas não-violentas, o que revela bem que se trata de um método de combate de validade universal e ao alcance de todos e de todas. É certo que algumas das formas de luta não-violenta carecem de uma grande dose de coragem e presença de espírito, mas tais atributos estão ao alcance de todos, inclusivamente das pessoas fisicamente mais fracas e frágeis. Na verdade, enquanto a acção violenta é normalmente apanágio dos homens e dos jovens, a não-violência pode mobilizar os mais variados géneros de pessoas, desde as mais frágeis até às mais atrevidas e ousadas.
Quais foram as principais acções não-violentas, historicamente conhecidas?
Entre as muitas acções de luta não-violenta, destacam-se as seguintes:
- a resistência dos professores noruegueses face ai governo colaboracionista de Quisling e a Hitler (1941-41)
-a resistência dos Búlgaros contra a tentativa dos nazis de deportar os judeus búlgaros, o que permitiu salvar toda essa comunidade de judeus búlgaros, calculada em 50.000 pessoas.
-a resistência civil dos dinamarqueses para defender os judeus da Dinamarca ( 1943)
-a queda da ditadura de Ubico na Guatemala em 1944
- o boicote aos transportes urbanos em Montgomory (Alabama) em 1955 contra a discriminação racial
-A resistência da maior parte dos checos contra a invasão dos tanques soviéticos em Agosto de 1968 contra os negros norte-americanos
- o movimento pelos direitos cívicos e contra as discriminações raciais nos Estados Unidos encabeçada por Martin Luther King e que teve como ponto alto na mega-manifestação em 28 de Agosto de 1963 que reuniu em Washington mais de 250.000 pessoas
- a luta anti-apartheid protagonizada por Nelson Mandela, e largamente inspirada em Gandhi, até 1961, pois a partir desta data o seu movimento aderiu à luta armada
- a resistência dos dissidentes russos durante os anos 70
- a greve de César Chavez e dos chicanos californianos entre 1965 e 1970
-a luta dos camponeses de Larzac (França) contra a extensão de um campo militar (1972-81)
- a luta das mães ( e das avós) da Praça de Maio, na Argentina, sobretudo durante o período ditatorial ( 1977-1983)
- A acção desencadeada pelo sindicato Solidariedade na Polónia ao longo da década de 1980
- derrube do regime de Didier Ratsiraka em Madagáscar em 1991
- a resistência de Aung Suu Kyi na Birmânia desde 1988
- a luta ecologista protagonizada por numerosas associações e activistas, entre as quais a Greenpeace desde 1971
- a acção da maioria dos críticos à globalização capitalista.
Qual é a eficácia da não-violência?
Tal como a violência, as múltiplas formas e lutas não-violentas têm tido desenlaces e resultados contraditórios. Umas vezes com sucesso, outras em fracasso. Mas nunca chega a atingir o número de vítimas que a luta violência gera habitualmente.
Não foram os judeus vítimas da sua própria acção não-violenta contra os nazis?
Excepto alguns casos pontuais de insurreição e de resistência violenta ( por exemplo, a insurreição do gueto da Varsóvia), os Judeus não oefreceram praticamente nenhuma resistência ( seja ela de carácter violento ou não-violento) ao seu genocídio. Houve, todavia, casos de resistência não-violenta à deportação dos judeus pelos Nazis, como aconteceu na Bulgária, que conseguiu os seus objectivos.
A não-violência permite o fraco de defender-se do forte?
Ao contrário da violência, e dos respectivos métodos, onde a parte mais forte e mais preparada e apetrechada consegue impor pela força a sua vontade e os seus objectivos, a não-violência confere à parte mais fraca uma superioridade moral e um ânimo de luta que pode levar à derrota do mais forte.
Quem é geralmente o adversário das lutas não-violentas?
Salvo nas situações de agressão individual ou grupal, as lutas não-violentas dirigem-se, habitualmente, não contra uma pessoa em particular, mas contra todo um sistema político e social, uma autoridade investida com um poder sobre os demais.
A não-violência pretende convencer o adversário?
A acção não-violenta é uma forma de luta. Mais que pretender convencer o adversário, ela tem com finalidade impedir que este atinja os seus objectivos, sem causar danos à sua pessoa ou aos seus representantes e agentes.
Quais são os meios e métodos de acção mais utilizados na acção não-violenta?
Dada vastíssima gama de recursos não-violentos torna-se difícil expor exaustivamente todos eles. Apontam-se por isso tão-só os mais conhecidos:
- a greve ( e muita outras modalidade de greve: greve de zelo; greve de fome; greve ao trabalho, etc,etc)
- a desobediência civil
- a objecção de consciência ( que tem também diversas modalidades como a objecção fiscal)
- a obstrucção civil
- boicotes sociais
- embargos
- a realização de manifestações de rua ou cortejos
- realização de marchas
- realização de assembleias públicas
- sit-ins, sit-down
- ocupações de via públicas ou de certos locais
- a não-cooperação ( legal ou ilegal)
- a mediação
-a discussão e negociação
- a informação
-teatro de rua e representações públicas
- actos públicos simbólicos
- vigílias
- concertos, canções de rua ou actos
- cartas abertas
- petições e abaixo-assinados
- cartazes, panfletos e «pichagens» nas paredes e ruas
- publicações periódicas e não-periódicas
- realização de contra-cimeiras ou de conferências paralelas.
- emigração ou exílio
Etc, etc
Breve bibliografia:
Maurel, Olivier – La non-violence active, 100 questions-réponse pour résister et agir, La Plage éditeur, 2001
Sharp, Gene – The Politics of Nonviolent, Three volumes ( Vol 1 Power and Struggle ; Vol 2 The Methods of Nonviolent Action ; Vol. 3 The Dynamics of Nonviolent Action), ed. Extending Horizon Books, 1998.
Sessão comemorativa do dia mundial da não-violência no Porto (30 de Jan.)
CAMPANHA PELA PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA
Em tempos de guerra, associações ambientalistas assinalam Dia Mundial de Mahatma Gandhi no Porto
No dia 30 de Janeiro assinala-se, um pouco por todo o mundo, o Dia Mundial de Mahatma Gandhi em homenagem a esse grande mentor da Paz e Não-Violência, cujo assassinato ocorreu justamente nesse mesmo dia do ano de 1948.
A Campo Aberto - associação de defesa do ambiente e o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, núcleo do Porto, associam-se a essa iniciativa não-governamental, independente, não-partidária, no âmbito mais geral da educação para a paz, a solidariedade e o respeito pelos direitos humanos. Convidam igualmente outras organizações não-governamentais portuguesas, particularmente as de defesa da natureza, da paz e dos direitos humanos, e os cidadãos em geral, a associarem-se a esta comemoração.
Para assinalar a data, a organização convida todos os interessados para a sessão a realizar na sede de trabalho da Associação Campo Aberto (Rua de Santa Catarina, 730-2.º andar direito, já perto do cruzamento com a rua Gonçalo Cristóvão, no Porto), na segunda-feira, 30 de Janeiro, às 21H30. Será projectado um documentário alusivo à questão da paz, seguido de um pequeno debate sobre o tema.
A filosofia e a metodologia da Paz e da Não-Violência, em grande parte inspiradas no exemplo vivo de Gandhi e em outras figuras como Henri David Thoreau, Tolstoi e Martin Luther King, foram, explícita ou implicitamente, adoptadas pela maioria das ONG (organizações não-governamentais) por todo o mundo, nomeadamente muitos dos grupos ecológicos e de defesa da natureza.
À máxima cínica e violenta que norteia a conduta das potências e dos estados («Se queres a paz, prepara a guerra», contrapomos, na esteira de Gandhi, a máxima oposta, que cremos mais realista e justa: «Se queres a paz, cultiva a paz». Paz entre as sociedades e as nações e no interior delas, mas também paz da humanidade com a natureza em vez da guerra sem quartel que actualmente transparece nas agressões das nações fortes contra as fracas e na destruição acelerada da natureza e dos seus sistemas vitais.
Dia Escolar da Não Violência e a Paz (30 de Janeiro) e a Educação para a Paz
O dia Escolar da Não Violência e a Paz, fundado pelo educador e poeta Llorenç/Lorenzo Vidal em 1964 é uma iniciativa pioneira não estatal, não-governamental, não-oficial, independente, livre e voluntária de Educação Não-Violenta e Pacificadora ou também conhecida por Educação na e para a Não-Violência e a Paz. Este dia é seguido em várias escolas de todo o mundo e são convidados a nela participar todos os professores e educadores interessados.
O dia coincide com o dia 30 de Janeiro, data da morte de Gandhi
29.1.06
Conferência da Internacional dos Resistentes à Guerra (WRI)na Alemanha entre 23 e 27 de Julho de 2006
A conhecida organização anti-militarista e pacifista War Resister Internacional ( Internacional dos Resistentes à Guerra) fundada em 1921 está a convocar todos os pacifistas e anti-militaristas para uma grande Conferência Internacional a ser realizada na Alemanha no próximo mês de Julho ( 23 a 27 de Julho).
A IRW existe para promover a acção não-violenta contra as causas da guerra e apoiar e pôr em ligação todos quantos em todo o mundo recusam participar nas guerras e nos seus preparativos. Nesse sentido, a IRW trabalha para um mundo sem guerra. Consiste fundamentalmente numa rede de paciifistas anti-militaristas e activistas não-violentos distribuídos por todos os continentes.
Direcção:
War Resister's International 5 Caledonian Road London N1 9DX Grande Bretagne +44 20 72784040
Debates :
-analisar a situação actual da globalização económica cultural e política, e observar como a globalização capitalista e o militarismo estão relacionados.
- desenvolver estratégias de resistência não-violentas face às injustiças provocadas pela globalização capitalista
- Pensar e como realizar as alternativas sociais pela não-violência
-Reunir os aletmundialistas, os pacifistas e os antimilitarista, assim como a rede do IRW para torça de ideias e ver as oportunidades de resistência não-violenta
- reforçar as redes e criar novas ligações entre os militantes do mundo inteiro
Temáticas:
1)Globalizar a não-violência
2) Analisar a militarização e a globalização
3) Aprender a fazer a globalização a partir da base
4) Formular um quadro estratégico de não-violência
5) reflectir e analisar as manifestação e as mudanças sociais
Grupos temáticos a constituir:
-sobre o militarismo numa sociedade globalizada
- sobre as acções e intervenções não-violentas
- sobre a estratégia da não violência
- sobre o direito à recusa a matar
-sobre os beneficiários das guerras
- sobre a formação e educação da não-violência
- sobre a actividade de vídeo dedicada à não-violência
25º aniversário do colectivo de Objecção e antimilitarismo (MOC)
25 anos a criar desobediência civil, educação pela paz, pedagogia anti-autoritária, autogestão, reflexão, comunicação livre e libertadora, redes de solidariedade e de ternura, enfim, 25 anos a gerar alternativas antimilitaristas
Programa de festas
Sábado 4 Febrero, ás 12h.
Paseo de Antimili-turismo
Ruta histórica25 Años de historia antimilitarista en ZaragozaPza. España junto a la DPZ
Às 21h…
F I E S T A
A m b i e n t - d e s o b e d i e n t eActuaciones ::: Teatro Antimilitarista ::: Tapas vegetarianas ::: Talleres (grafitti, chapas...) ::: Sorteos ::: Tarta sorpresa ::: JeJeoficina de Reclutamiento
Centro Laín Entralgo Pº de la Mina, s/n junto Plz. San Miguel
50001Zaragoza
COA/AA. MOC Internacional de resistentes a la guerra
18 de Março, às 12 h.
Ruta del desarmeIII Aniversario Internacional Guerra IrakSalida Plz. España, junto a la DPZ
Inauguración Sala de «cine pobre»
31 de Março, ás 21 h.
«Donde se cuecen las guerras»Los campos de maniobras (Chinchilla de Monte Aragón) 2005Lugar Treziclo, Liñán 8
Talleres de Artivismo Efímero
Risobediencia
17 de febrero
Destruyendo el concepto «enemigo»
24 de febrero
Creacción
24 de marzo
Jejejército
7 de abril
Lugar Treziclo, Liñán 8Los viernes a las 20 h.
Inscripciones976 39 30 08 (Lunes 20 -22h)696 34 35 86
COLECTIVO DE OBJECION Y ANTIMILITARISMO- ALTERNATIVA ANTIMILITARISTA.MOC,
membro daInternacional de Resistentes à Guerra (IRG-WRI)
C/ Lian 8, local dcha. *Treziclo*, 50001 Zaragoza
(*Treziclo* es un espacio compartido en Zaragoza por: Towanda, Os diaples d’Uerba, y COA.MOC)
Tfno.: 976 39 30 08 (lunes de 20,30 a 22h.)Apdo. correos: 1286 (50080) Zaragoza.
Visita: http://www.antimilitaristas.org
Quatro textos de Einstein
Declaração de 1933
Enquanto me for possível viverei num país em que haja liberdade políticas, tolerância e igualdade face à lei. A liberdade política abrange a liberdade de expressar as convicções, assim como o respeito pelas crenças de um indivíduo. Estas condições não são cumpridas pelas pela Alemanha actual. Os homens que se dedicam à causa internacional e alguns destacados artistas são perseguidos. Da mesma maneira que nos indivíduos, os organismo de uma sociedade podem adoecer , sobretudo em tempos difíceis. As nações devem esforçar-se para sobreviver às suas doenças. Espero que a Alemanha depressa recupere, e que num futuro próximo possa elogiar eminências como Kant e Goethe não só de quando em quando mas que a vida oficial e particular de fundamente nas suas obras.
Uma Moral
É curiosa a nossa situação de filhos da terra. Estamos cá numa breve visita e não sabemos com que fim, ainda que por vezes possamos pressenti-lo. Face à vida quotidiana não é preciso reflectir muito: estamos para os outros. Antes de mais para aqueles cujo sorriso e bem estar depende a nossa felicidade; mas também para tantos desconhecidos cujo destino nos vincula uma simpatia. Penso mil vezes ao dia que a minha vida externa e interna se baseia no trabalho de outros homens, vivos ou mortos. Sinto que devo esforçar-me para dar na mesma medida que recebi, e continuo a receber. Sinto-me inclinado à sobriedade, oprimido muitas vezes pela impressão de necessitar do trabalho dos outros. Pois não me parece que as diferenças de classe se justifique,: em última instância, baseiam-se na força. E creio que uma vida exterior modesta e sem pretensões é boa para todos quer para o corpo quer para a alma.
Da riqueza
Não há riqueza capaz de fazer progredir a humanidade nem capaz de a manipular por alguém que assim quisesses. A concepções nobres, nobres acções, só conduz o exemplo altas e puras personalidades. O dinheiro não leva senão ao egoísmo e conduz irremediavelmente ao abuso. Poderemos nós imaginar Moisés, Jesus, Gandhi subvencionados pelos bolsos de Carnegie?
Autêntico Solitário
Há uma contradição entre a minha paixão pela justiça social e a minha completa carência de necessidade de companhia, de homens ou de comunidades humanas. Sou um autêntico solitário. Nunca pertencerei – de todo - ao Estado, à Pátria, ao círculo de amigos nem ainda à família mais próxima. O limite na compenetração com o próximo resulta da experiência. Aceitá-lo é perder parte da inocência, da despreocupação. Mas em troca outorga independência face a opiniões, costumes e juízes alheios, e a capacidade de rejeitar um equilíbrio que se funda sobre bases tão instáveis.
Retirado:
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=25877
O Fórum Económico Mundial em Davos discute sexologia!
Segundo notícias veiculadas pelo semanário Le Nouvel Observateur os debates sobre sexologia orientados por Dagmar O’Connor no Fórum Económico Mundial em Davos ( Suiça) atrairam mais pessoas do que as discussões propriamente económicas.
Os grandes patrões, reunidos no Fórum, não deixaram de marcar a sua presença maciça num seminário sobre sexologia, preferindo-o às enfadonhas mesas redondas sobre a crise energética ou mesmo sobre a economia florescente da China.
27.1.06
Democracia ecológica
A democracia ecológica não deve ser confundida com a democracia representativa nem muito menos com a forma republicana de governar.
A democracia em geral refere-se ao governo do povo, enquanto na democracia ecológica dá-se voz também não só ao povo como ainda à natureza.
Note-se, no entanto, que a democracia ecológica não pode alcançar-se sem uma autêntica democracia participativa de base, nem ainda na ausência de uma consumada democracia económica e social.
Há quem indique como características de uma democracia ecológica os seguintes elementos:
- Sabedoria ecológica
-Responsabilidade pessoal e social
-Valores pós-patriarcais
-Descentralização
-Perspectivas de futuro
-democracia participativa de base
-respeito pela diversidade
-Economia baseada na sociedade
-Não violência
-Responsabilidade mundial
A democracia ecológica não se limita ao processualismo democrático nem à chamada democracia representativa. Envolve quer a democracia económica como ainda a satisfação de necessidades que não sejam meramente físicas.
-a subsistência
- o afecto
- a compreensão
- a participação
- o ócio
- a criação
- a identidade
- o sentido
- a liberdade
Por seu turno, a conhecida ecologista Wangari Maathai ( Prémio Nobel da Paz de 2004) esboçou alguns princípios da democracia ecológica:
- eliminar a pobreza
- estabelecer um comércio justo e respeituoso com o meio ambiente
-inverter o fluxo líquido dos recursos entre o Sul e o Norte
-reconhecer as responsabilidades do que está a suceder no mundo das indústrias e das grandes empresas
-modificar os modelos de consumo depredadores
-internacionalizar os custos ambientais e sociais dos recursos naturais
-assegurar um acesso equitativo a tecnologias ambientais sãs e aos seus respectivos benefícios
-redireccionar os gastos e as despesas militares para objectivos sociais e ambientais
-democratizar as instituições sociais e as estruturas de tomada de decisões locais, nacionais e internacionais.
( excertos do livro de Franz J. Broswimmer, Ecocídio)
Ecocídio
Ecocídio é o conjunto de acções realizadas com a intenção de perturbar ou destruir, em todo ou em parte, o ecossistema humano.
O conceito de ecocídio pode ainda estender-se analiticamente para descrever os modelos destrutivos contemporâneos, bem como a degradação ambiental global e a extinção antropogénica em massa das espécies.
( extraído do livro de Franz J. Broswimmer, Ecocídio)
Sistemas de dominação social e conceitos associados
Há fundamentalmente 5 sistemas de dominação social que organizam de uma ou outra maneira todas as sociedades estratificadas: são os sistemas baseados na classe ( elitismo classista), o sexo ( sexismo), o domínio étnico ( racismo), a idade ( discriminação em função da idade, como por exemplo a gerontocracia), o território ( como o nacionalismo).
As dominações das sociedades humanas sobre as espécies não humanas e sobre a natureza, assim como as respectivas ideologias ( o especismo, e o antropocentrismo) poderiam ainda acrescentar-se àquelas enquanto categorias analíticas suplementares.
Classe social constitui um dos cincos de dominação social que afectam os subsistema de saúde, alojamento, religião, educação, ócio, e auto-estima. Esta definição de classe é completamente distinta da que é utilizada por certos sociólogos que empregam o termo para referir-se ao nível de rendimento ( falando, por exemplo, de classe média) em vez de a referir ao processo de produção.
As críticas que normalmente são dirigidas às sociedades de classe assinalam que esses sistemas de dominação não permitem o controle racional da vida económica mas que, pelo contrário, destorcem as relações sociedade/natureza levando-as gradualmente ao extermínio social.
Estratificação social consiste na desigualdade estruturada entre categorias inteiras de pessoas que têm um acesso diferenciado aos bens ( quer materiais quer imateriais) como resultado da hierarquia social.
A estratificação social também designa o processo pelo qual as pessoas de uma sociedade são dirigidas para posições sociais inferiores ou superiores. As situações de inferioridade afectam a capacidade das pessoas para criar, produzir e integrar-se nas relações sociais, diminuindo o potencial humano tanto de quem está nas camadas sociais inferiores como, em menor medida, nas superiores.
As desigualdades são geralmente em função de classe, raça e sexo
Propriedade privada é um conjunto de direitos que detém o propriedade de um certo bem relativamente a todos os que não o possuem. A palavra «privado» deriva do do latim «privare» que significa literalmente «privar», «desapossar», o que revela e ilustra bem a ideia de que como a propriedade foi, de início, comum.
Sociedade burguesa é um tipo de sociedade em que as relações de intercâmbio substituem as relações sociais, e em os elementos culturais ( por exemplo, as relações sexuais, a medicina, os alimentos, a lealdade, os desportos) e naturais ( ar, água, biodiversidade,etc) se convertem em mercadorias que constantemente se trocam com vista à obtenção do máximo lucro, e nas quais o proveito pessoal constitui o principal critério.
Sociedade igualitária é uma sociedade baseada no princípio segundo o qual todos têm direito a uma tratamento igual, e aos mesmos direitos. O essencial de uma sociedade igualitária não é que todos sejam tratados exactamente da mesma forma ( como num sistema burocrático de massas), mas que a cada individuo é reconhecido um estatuto integral como ser humano capaz de ser criativo e criador de cultura. Numa sociedade igualitária, as pessoas podem desempenhar papéis diferentes e até obter recompensas diferentes, mas ninguém é excluído da participação e da produção dos principais bens sociais.
Acção consiste na capacidade dos indivíduos em mudar as instituições em. que vivem. Os seres humanos fazem a sua própria história, não segundo os seus desejos em abstracto, mas sob determinadas circunstância que têm de enfrentar, e que eles herdaram das gerações anteriores.
( excertos do livro de Franz J. Broswimmer, Ecocídio)
25.1.06
Arte, Poesia e Vida. Manifesto 2006
Autores: Cristina Castello et Ricardo Dessau
«Porque os homens, Sócrates, esqueceram-se do seu dever de pensar…»
(Miguel Betanzos, in SOCRATE, LE SAGE EMPOISONNÉ)
Nós, poetas do mundo, dizemos «Basta!» e falamos ainda dos «lobos»
«Basta»: uma das mais belas palavras poéticas pronunciadas ou ainda possíveis de pronunciar
«Lobos». Nós poetas, nós somos «lobos das estepes»; nós organizamo-nos como os lobos e não como o homem, enquanto lobo do homem.
«Os lobos sãos e as mulheres sãs …foram perseguidos, cercados e falsamente acusados de serem insaciáveis, pérfidos, demasiado agressivos e, em particular, serem menos respeituosos que os seus detractores. Eles foram o alvo dos que desejavam não só limpar a selva mais ainda queriam ainda eliminar o território mais selvagem do psiquismo, neutralizando o intuitivo até ao ponto de não deixar rasto algum. A depredação exercida contra os lobos e as mulheres por aqueles que não os compreendem é espantosamente afim» ( Clarissa Pinkola Estes, « Mulheres que correm com os lobos»)
Nós, poetas do mundo, nós somos lobos, defensores deste «território selvagem» e sublime que ainda felizmente existe, escondido na sombra desta vida feita à imagem do «Deus Mercado»
Nós, poetas do mundo, uivamos alto e bom som que a Poesia é antagonista, crítica, rebelde e subversiva por natureza
Que a poesia destrói e se destrói num só movimento
Que ele cria e recria permanentemente o mundo. Nietzsche: «Pronuncia a tua palavra e desaparece»
Nós dizemos, tal como os surrealistas, que a Poesia é uma liberdade absoluta. Ela é imaginação. E com o fogo prometaico de Léon Filipe e num grito de anjos, nós uivamos que a Poesia é um sistema luminoso de sinais.
Após o nosso «Basta!», eis o nosso uivo, os nossos sinais. E a nossa tentativa de asas:
1. «Eis o tempo dos assassinos!» escreveu Rimbaud. Esse tempo perdurou até ao século XXI, impôs-se mais que nunca e, finalmente, parece ter ganho para sempre raízes em toda a Terra.
2. Nós, poetas do mundo, nós erguemo-nos contra esse «Tempo dos Assassinos», como sempre fez a Poesia, desde o nascimento do primeiro verso feito pelo primeiro ser humano e desde a primeira marca deixada pelo primeiro ser humano na primeira caverna
3.O Tempo dos Poetas é o das Mães que dão a Vida. « Ah, que delicada é a terra do meu pomar. Tem um perfume de mãe que o torna amoroso» ( Miguel Hernández)
4. Eis o tempo da poesia escrita e cantada no feminino, ainda que a cólera, a dissonância, as aberrações de linguagem ( para os «académicos»), a falta de «decência» ( para os «bem-pensantes»), e a sede angustiada de reparação dominam e nos apontam o dedo como novos rebentos dos velhos «assassinos»
5 Nós, as mulheres e os homens, poetas do século XXI, nós decidimos «matar», através das nossas palavras, os Assassinos armados. Palavras ditas senão pelo próprio poeta. Palavras forjadas apenas pela sua própria fornalha; que não vêm dos Deuses, se bem que o canto possa ser o seu dom, e ainda menos na da linguagem usada ( ou, na realidade, na «não linguagem»), grosseira caricatura da Linguagem Comum e, por isso, da Razão Comum que foram lançados pelos Assassinos ao Povo convertido em massas.
6. As massas não compreendem a poesia; o Povo – ou o que resta dele -, sim.
7. A Ilíada e a Odisseia eram poemas tão belos quanto populares. Nesses tempos longínquos não havia nenhuma diferença entre os gregos, ou os seus predecessores, e os seus poetas. A Grécia foi antes de tudo Poesia e só mais tarde Filosofia. E a Poesia, durante séculos, foi transmitida de boca em boca ( e assim nasceu a tradição oral), e a discutia-se filosofia em plena praça pública, no mercado - em miniatura, pois era só um mercado de ovos e de galinhas. Germinou assim a dialéctica, a discussão razoável, hoje tão repreendida pelo positivismo, pelo pragmatismo ou pela Razão Técnica.
8. O positivismo, o pragmatismo e a Razão Técnica realizaram a «missão» para que nasceram. Eles espoliaram os seres humanos da sua ferramenta principal, a possibilidade de dizer «Não», de criticar, de contradizer. Eles espoliaram-no da sua «negatividade», p atributo humano por excelência, excepção que justamente nos diferencia do resto das criaturas do universo. Eles aprisionaram a rebelião. Em suma, transformaram-no num «Sim» absoluto. Transformaram-nos em máquinas predispostas a consentir, a obedecer, a admitir o «consensus». Em reflexos condicionados. A Humanidade encontra-se à beira de um precipício cujo monstruoso fundo mal antevemos. «Basta!» rugimos, nós, os poetas do mundo.
9. Duas dimensões essenciais nos orientam ( a do «Sim» e a do «Não»), mas só a primeira é permitida, pois insolente e quase que imperceptivelmente nos surripiam a segunda. Daí que os homens são hoje a fiel reprodução desse Homem Unidimensional de que o filósofo Herbert Marcuse nos falou pela primeira vez em 1964.
10. Todavia, a Beleza, a Verdade e o Bem ( valores supremos socráticos e de toda a filosofia que se lhe seguiu) não podem ser entendidos em toda a sua magnificência senão pela via do «Não».
O «Não» nega a comodidade, a facilidade e a vulgaridade do instante imediato, os «factos».
Que a terra gire em volta do sol, e não o contrário; que o «David» de Miguel Ângelo tenha a perfeição que jamais pode ter o autêntico David; que «o outro», o próximo, o eu aqui, constituam revelações , manifestações do Ser, que podem somente ser observado para além dos factos em estado bruto dos sentidos, para além do consentimento ingénuo ( do «Sim» dos Assassinos) que nós damos àquilo que diariamente nos aparece.
11. Nós, poetas do mundo, nós seremos os Poetas do «Não», ou não seremos.
12. Para nós, « a Beleza será convulsiva ou não será» ( Breton)
13. Este «Não» é totalitário no sentido mais nobre do termo, ou melhor, um «Não» totalizador: engloba todos os sujeitos do mundo humano, pois «o inumano é-nos estranho»
Nem o amor, nem o erotismo nem a sexualidade nos são estranhos. Nem a Paixão do Absoluto ( Louis Aragon). Nem aquilo que hoje se chamam as guerras.
«Guerras», são o que se chama às agressões do Império contra os povos mais frágeis da Terra, por mais pequena que seja a sua riqueza que falta ainda pilhar, ou aqueles que têm uma posição estratégica, do ponto de vista da execução do sacrossanto trabalho de pilhagem dos povos que restam ainda relativamente indemnes.
A nós, poetas do mundo, elas não nos deixam indiferentes e perturbam-nos. Somos igualmente sensíveis à iséria «globalizada» que cresce regularmente, à hipocrisia dos também e cada vez mais globalizados « direitos dos homens» que são, na realidade, os «direitos dos dissolventes».
«Direitos dos Homem». Eis uma esquisita associação de palavras. Palavras que temos o dever de defender contra toda a malícia, contra todo o contrabando que possa ocultar ou corromper a verdade.
14. Nós, os poetas do mundo, temos o dever de alumiar as auroras.
O nosso ofício são as palavras e a nossa obrigação, em conjunto com os nossos camaradas criadores da ficção literária, é de desmascarar milhões de termos e de frases evidentemente falas que nos «vendem» como se fossem verdadeiras.
Tal como acontece para com os tão citados «direitos do Homem», o nosso dever moral, subversivo, escandaloso, demencial para o mundo «politicamente correcto» consiste em denunciar a insuportável expansão e normalização «defesa do ambiente». Não! Rejeitamos esta bandeira quando, hoje mais do que nunca, ela é brandida por aqueles mesmos que puseram em saque, de maneira sistemática, o planeta.
Temos igualmente horror aos restos das bandeiras negras dos piratas dos piratas do século XXI. Essas bandeiras não têm já as caveiras com dois ossos entrecruzados. Por um passe de magia, elas exibem agora as caras de jovens raparigas, fascinantes e bonitas. Caras essas com as quais nos tentam vender quer um veículo quer uma crença ingénua, sob o pretexto que o único interesse dos Assassinos Internacionais, multinacionais e nacionais é o nosso bem estar ou a preservação da Natureza, os nossos «direitos do homem» e a nossa benfeitora - ainda que por eles desprezada – Terra Mãe.
Fariseus! Nós, os poetas do mundo, tomamos por exemplo o Cristo dos Evangelhos, e caminharemos ao lado dos Povos quando eles acordarem e gritarem «Basta!», lançando os mercadores para fora do Templo. O Templo do século XXI não se encontra em Jerusalém mas na própria Humanidade, aprisionada e espoliada como hera seca.
«Basta!»: chega de seres humanos condenados e condescendestes, apesar de condenados às trevas.
15. Nós, os poetas do mundo, voltar-nos-emos ao amor
Porque temos a certeza que não se vive mais «O Amor em tempos de Cólera»,mas antes a cólera desprovida de todo o amor. E que por causa do sexo sem alma, nem vida, nem mancha que nos envolve – virtual, incolor, inodoro e insípido – Eros tornou-se num gesto puramente patético que esquece toda a transcendência.
O desejo transpõe-se em objectos de consumo e consome-se neles.
Renuncia às delícias da comunhão dos corpos, das almas e dos espíritos, e transforma o mundo num «não-ligar», privado de todo o erotismo, com homens e mulheres entregues ao consumo da sua própria solidão.
Nós dizemos «Basta!» a esta des-erotização do mundo em que cada «eu» é um mónada sem janela a partir da qual ninguém consegue comunicar com quem quer que seja. Nesta compra-e-venda «global» em que o amor se tornou também numa mercadoria, é preciso dizer – uma vez mais com Marcuse – que a chamada «Revolução Sexual» que nos devia libertar e trazer a Felicidade se metamorfoseou em «Revolução de Negócios»
16. Um mundo sem amor é um mundo sem poesia. Se John Donne, Paul Eluard, Jlio Cortázar, Paul Celan, Garcia Lorca, Miguel Hernández, Nazim Hikmet ou Robert Desnos ressuscitassem neste século eles não escreveriam senão poemas de magnificência pelo amor.
A Beleza é o nosso dever
17. «Não são os restos, são sementes», disse Tencha Bussi junto dos restos mortais do seu homem amado, Salvador Allende.
E nós, poetas do mundo, nós estamos implicados na esperança, na luta celeste e na sementeira. Para um dia poder dizer:
«Nós tomamos a palavra. Nós matamos os Assassinos com as palavras»
«As sementes tornar-se-ão frutos e petrificarão as falsidades dos Assassinos para que nunca mais conheçamos mártires. Nunca. Nunca mais!»
«Eis enfim o tempo dos que amam!»
[« … et bien que le troupeau pourrait vivre bâillonné, bien que certains pourraient tolérer ou encore préférer la discrétion, lui, Socrate, n'imaginait aucunement un monde fait de silences, un monde sans la parole qui réveille, qui excite, qui stimule, un monde dans lequel n'existeraient pas même les vers d'Homère, les tragédies d'Euripide, les histoires d'Hérodote. Il ne pouvait imaginer un monde dépourvu de voix et de mots. Le mot était pareil à l'antique feu que Prométhée déroba aux Dieux ; le mot donnait un sens à l'homme et lui conférait une aura sacrée, quasi divine. Sans ce mot, il était réduit à la plus simple créature sauvage et condamné à errer de par le monde comme une ombre ».]
Cristina Castello et Ricardo Dessau
Desemprego mundial atinge 192 milhões
Os dados do relatório anual da Organização Mundial do Trabalho (OMT), divulgados ontem, mostram que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) mundial de 4,5% não foi capaz de impedir o aumento do desemprego globalmente, tendo este atingido o número recorde de 191,8 milhões de desempregados no final do ano de 2005
O número apresentado pela OMT no trabalho Tendências Globais do Emprego aponta para um desemprego de 6,3%, para uma força de trabalho calculada em 2,8 biliões de pessoas. Tal percentagem representa um aumento de 2,2 milhões de desempregados no mundo, desde o ano passado
O relatório mostra ainda que o crescimento da economia mundial melhorou muito pouco o rendimento da maior parte da população.
Dos mais de 500 milhões de trabalhadores extremamente pobres que havia no mundo no início de 2005, apenas 14,5 milhões tinham conseguido superar a condição no final do ano.
Note-se que a OMT considera trabalhadores extremamente pobres aqueles que ganham o equivalente a 1 dólar por dia, ou seja, um salário equivalente a 30 dólares por mês.
Do total de 2,8 biliões de trabalhadores no mundo, metade ainda ganha menos do que 2 dólares por dia – um número que permanece inalterado nos últimos dez anos.
A maioria dos desempregados no mundo tem entre 15 e 24 anos de idade. O relatório mostra que essa população tem até três vezes mais risco de enfrentar o desemprego do que a população acima dessa idade.
Embora representem metade dos desempregados, eles compõe apenas 25% da força de trabalho.
“Dadas as tendências (actuais), há uma necessidade de reformular as estratégias de crescimento e desenvolvimento (mundiais)”, afirma o relatório
Fonte: BBC
24.1.06
Ruy Luís Gomes, matemático, cientista e revolucionário
no dia 25 de Janeiro de 2006 às 18 horas,
no Auditório do Centro de Trabalho da Boavista do PCP
Com
António Machiavelo ( da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto)
Manuel Gusmão ( Sector Intelectual de Lisboa do PCP)
Rogério Reis ( Sector Intelectual do Porto do PCP)
Consultar:
http://ruyluisgomes.blogspot.com
http://www.pcp.pt/publica/militant/279/p46.html
http://estudossobrecomunismo.weblog.com.pt/arquivo/216385.php
http://www.upp.pt/homenagemrlg/
Índice Internacional Ambiental
Acaba de ser divulgado o Índice Internacional do Ambiente de 2006 que resulta dos estudos e trabalho conjunto da Universidade de Yale, da Universidade de Columbia, da Comissão Europeia e do Fórum Económico Mundial. O referido índice resulta de uma pesquisa internacional que utilizou 16 indicadores para fazer a análise da situação ambiental em 133 países.
Em 1º lugar ficou a Nova Zelândia, o Reino Unido situou-se no 5º lugar, e Portugal ocupa a 11ª posição do ranking.
Apesar de todas as reservas que nos merecem algumas destas entidades julgamos útil a divulgação e discussão do referido estudo.
Para a leitura do texto integral, consultar:
www.guardian.co.uk/climatechange/story/0,,1693431,00.html
Lista dos países mais amigos do ambiente segundo o referido estudo:
1 New Zealand 88.0
Os países em pior situação ambiental
133 Niger 25.7
Os 5 países com melhor saúde ambiental
1 Sweden 99.4
Top 5 Productive natural resources :
1 Paraguay 100
Os 5 melhores países em biodiversidade e habitat:
1 Benin 88.0
Os 5 melhores países em qualidade do ar
1 Uganda 98.0
Top 5 Sustainable energy
Os chimpanzés estão mais próximos dos humanos do que dos macacos
Os chimpanzés estão mais próximos dos seres humanos do que alguma vez se pensou. Na realidade, um estudo do DNA dos chimpanzés revelam que 99,4% dos genes humanos e dos chimpanzés são idênticos. Estas conclusões irão certamente obrigar a uma reclassificação dos chimpanzés uma vez que se prova que estes estão muito mais próximos dos seres humanos do que dos macacos, como erroneamente se pensou até à data.
Ver: http://www.guardian.co.uk/science/story/0,,1693364,00.html
Excerto:
They already use basic tools, have rudimentary language and star in TV commercials, but now scientists have proof that chimpanzees are more closely related to humans than other great apes.
Genetic tests comparing DNA from humans, chimps, gorillas and orang-utans reveal striking similarities in the way chimps and humans evolve that set them apart from the others.