9.3.06

Manifesto contra a conscrição, o alistamento forçado e o sistema militar


( assim como contra a privatização dos exércitos e contra todos os mercenários)


Em nome da Humanidade,

e para bem de todos os civis ameaçados pelos sistemáticos e contínuos crimes de guerra,
em particular todas as mulheres e crianças,

e em defesa da Mãe Natureza, lesada e maltratada em todas as guerras,

Nós os signatários deste manifesto,

Afirmamos publicamente ser a favor da abolição do alistamento militar, como condição necessária e imprescindível, até mesmo como um passo decisivo para um total e completo desarmamento.

Recordamos, por isso, a mensagem dos humanistas do século XX:

«Estamos convencidos que o Exército, que se baseia sobre o alistamento forçado, assim como de um grande número de oficiais profissionais, representa uma pesada ameaça para a paz. O serviço militar obrigatório comporta a degradação da pessoa humana e a suspensão da liberdade. A arregimentação, a militarização e a obediência cega às ordens, quantas vezes injustas e insensatas, tal como a instrução para o assassínio mais não faz que enterrar o respeito que é devido à pessoa e ao individuo, à democracia e à condição humana.
Trata-se de uma verdadeira humilhação da dignidade humana levar homens a roubar vidas humanas, a forçá-los a matar contra sua vontade, contra as suas convicções e contra todo o sentido de justiça. Um Estado que se julga no direito de enviar os seus cidadãos para a guerra, ainda que em tempo de paz, não pode reconhecer o valor devido à vida e à alegria de viver. Além disso, o serviço militar obrigatório inculca a toda a população masculina um espírito militar agressivo, e logo numa fase da vida que é a mais sugestionável de todas. É justamente a preparação para a guerra que faz da guerra como algo de inevitável e até mesmo como um objectivo desejável! (consultar a nota 1)


«O serviço militar obrigatório submete cada indivíduo ao militarismo. Trata-se de uma forma de escravatura que as populações habitualmente toleram, mas que é mais uma prova da nefasta influência do sistema militarista. A instrução militar consiste na formação do corpo e do espírito para a arte de matar. A instrução militar mais não é que a educação para a guerra.. No fundo, ele é eternização do espírito belicoso que entrava o desenvolvimento do desejo e da vontade de paz.» (consultar a nota 2)

Queremos encorajar todos e todas a libertarem-se do sistema militar utilizando os métodos de resistência não-violenta na linha da tradição de Mahatma Gandhi e Martin Luther King: objecção de consciência ao serviço militar ( quer para os mobilizados quer para os soldados voluntários e profissionais), a desobediência civil, a recusa de pagar imposto para as guerras, a não-cooperação para a pesquisa científica para fins militares, assim como para a produção de armamento e a venda de armas.

Na actual era das guerras por comando electrónico e de tremendas manipulações mediáticas é nosso dever agir segundo a nossa consciência. É chegado assim o momento de pedir a desmilitarização das nossas sociedades, das nossas atitudes e dos nossos pensamentos, e de nos pronunciarmos contra a guerra e os seus preparativos.

(1) Manifesto contra o serviço militar, assinado em 1926, entre outros por:
Henri Barbusse,
Annie Besant,
Martin Buber,
Edward Carpenter,
Miguel de Unamuno,
Georges Duhamel,
Albert Einstein,
August Forel,
M.K. Gandhi,
Kurt Hiller,
Toyohiko Kagawa,
George Lansbury,
Paul Loebe,
Arthur Ponsonby,
Emanuel Rádl,
Leonhard Ragaz,
Romain Rolland,
Bertrand Russell,
Rabindranath Tagore,
Fritz von Unruh,
H.G. Wells

(2) Manifesto contra a conscrição militar e a instrução militar da juventude, que foi assinado em 1930 entre outros por:
Jane Addams,
Paul Birukov und Valentin Bulgakov (collaborateurs de Léon Tolstoï),
John Dewey,
Albert Einstein,
August Forel,
Sigmund Freud,
Arvid Jaernefelt,
Toyohiko Kagawa,
Selma Lagerloef,
Judah Leon Magnes,
Thomas Mann,
Ludwig Quidde,
Emanuel Rádl,
Leonhard Ragaz,
Henriette Roland Holst,
Romain Rolland,
Bertrand Russell,
Upton Sinclair,
Rabindranath Tagore,
H.G. Wells,
Stefan Zweig

Para assinar o manifesto :
http://www.themanifesto.info/manifesto.htm

Pode-se ainda ler em francês o Manifesto contra a conscrição (alistamento) e o sistema militarista, que foi lançado em1926, neste site:
http://home.snafu.de/mkgandhi/french.htm

A cantora folk Anne Feeney contra a guerra e o alistamento militar



A cantora folk Anne Feeney contra a guerra e o alistamento militar

Anne Fenney, cantora, autora e compositora, é uma conhecida intérprete de música folk, considerada hoje nos Estados Unidos como a melhora cantora de folk, na linha dos famosos e memoráveis cantores como Joe Hill, Woody Guthrie, Pete Seeger.

Militante empenhada pelos direitos dos trabalhadores, da paz e da justiça, e originária de Pittsburgh (Pensilvânia), Anne Fenney acabou de assinar no passado 26 de Fevereiro o «Manifesto contra o alistamento e o sistema militar».
Na nobre tradição de Malvina Reynolds e Peggy Seeger, os seus espectáculos musicais e as sessões públicas em que participa têm encorajado e estimulado o seu público a resistir à opressão e à injustiça.

A sua canção «Have You Been to Jail for Justice?» ( Estiveste já na prisão por lutares pela justiça?) é, actualmente, a canção que se ouve com mais frequência nos Estados Unidos em nome da desobediência civil, no sentido que lhe foi dado por Thoreau.

Have You Been to Jail for Justice?»

Was it Cesar Chavez? Maybe it was Dorothy Day
Some will say Dr. King or Gandhi set them on their way
No matter who your mentors are it's pretty plain to see
That, if you've been to jail for justice, you're in good company
Have you been to jail for justice? I want to shake your hand
Cause sitting in and lyin' down are ways to take a stand
Have you sung a song for freedom? or marched that picket line?
Have you been to jail for justice? Then you're a friend of mine
You law abiding citizens, come listen to this song
'Cause laws were made by people, and people can be wrong
Once unions were against the law, but slavery was fine
Women were denied the vote and children worked the mine
The more you study history the less you can deny it
A rotten law stays on the books til folks with guts defy it
The law's supposed to serve us, and so are the police
And when the system fails, it's up to us to speak our peace
We must be ever vigilant for justice to prevail
So get courage from your convictions
Let them haul you off to jail!

(esta canção foi também já cantada pelo célebre trio Peter, Paul and Mary no concerto de homenagem a Harold Leventhal, para o Thanksgiving Day de 2003 no Carnegie Hall, de Nova Iorque, e que se pode ver no filme do concerto «Isn’t This a Time»


Mais informação, consultar o website de Anne Feeney:
http://www.annefeeney.com

Dez manguitos à mudança do clima


A associação «ecologistas en acción» criou um portal (www.accionporelclima.org ) acerca da mudança climática que estamos a viver e no qual se fazem algumas sugestões e se lançam pistas e até campanhas contra a mudança climática.
Merece uma atenção particular aqueles conselhos que estão ao alcance de qualquer um de nós e que podem contribuir para ajudar minorar as mudanças do clima que podem trazer tantas consequências negativas.
Assim podemos inventariar uma pequena lista de manguitos que, com boa vontade e lucidez, todos poderão fazer, dando assim um pequeno contributo pessoal para combater as desastrosas mudanças climáticas.

1 – Utiliza os transportes colectivos em substituição do automóvel particular

2 –Evita as perdas de calor dentro da habitação, calafetando portas e janelas

3 – Utiliza electrodomésticos com etiquetas que indiquem gasto energético de classe A

4 – Aproveita ao máximo a luz natural

5 – Compra apenas o que realmente necessitas, se possível, produtos locais, e com poucas embalagens.

6 – Faz passeios com a bicicleta

7 – Regula os radiadores a uma temperatura de 20ºC

8 – Apaga totalmente os aparelhos de Tv, os computadores e as aparelhagens de música, depois de as usares.

9 – Instala lâmpadas de baixo consumo ou com tubos fluorescentes

10 – Reduz o consumo de produtos embalados, reutiliza e procura reciclar todo o tipo de embalagens, e até o teu próprio lixo domésticos.

Mais info:
www.accionporelclima.org

A resistência à Wal-Martização do mundo


Fundada em 1962 como um pequeno estabelecimento comercial numa vila do Arkansas, um dos estados mais pobres dos Estados Unidos, a Wal-Mart é, desde 2003, a maior empresa e o maior empregador privado do planeta, com mais de 1,2 milhões de assalariados espalhados pelos cinco continentes.
Os 310.000 milhões de dólares que facturou no ano passado equivalem a 25 do Produto Interno Bruto da maior economia planetária, o que lhe confere um poder muito superior ao muitíssimos países.

A posição que a Wal-Mart ocupa actualmente resulta das suas práticas de dumping social e de tal modo foi o seu «suesso», que conseguiu torná-las em autêntico modelo organizacional, ou mesmo em verdadeiro modelo económico!!!
E em que consiste esse modelo? Serge Halimi, jornalista que escreve em Le Monde Diplomatique escreve: «Construída sobre os pilares do livre comércio, da flexibilidade laboral e de baixas remunerações, o modelo Wal-Mart baseia-se fundamentalmente em o distribuidor impor a sua lei ao produtor, sobretudo dos países pobres. E, por outro lado, o abaixamento dos preços daí resultante atrai os consumidores aos hipermercados que, diminuem ainda mais os seus preços, depois de terem, previamente, baixado os salários aos seus trabalhadores.»
Esta é, no fundo, a filosofia que tem permitido esta empresa transnacional a oferecer preços cada vez mais baixos, e bater os concorrentes aonde quer que se instale. Estima-se que cerca de 100 milhões de norte-americanos respondam semanalmente às ofertas especiais que lhe são lançadas nos estabelecimentos da Wal-Mart. Através das suas grandes campanhas mediáticas a empresa consegue manipular as necessidades de toda a população, criando a ideia de aumentar o poder de compra dos seus clientes por via dos baixos preços praticados, ao mesmo tempo que passa a mensagem que está a criar postos de trabalho.
Acontece que os custos sociais desta filosofia económica é altíssimo. Com efeito, onde quer que se instala a Wal-Mart a tendência é para a diminuição dos salários dos trabalhadores da região. Com as suas fortíssimas campanhas diárias os clientes são levados quase automaticamente seduzidos, sendo levados a envolverem-se nos esquemas montados pela empresa.
Paralelamente, a sua instalação numa determinada região significa o fecho de muitos pequenos e médios estabelecimentos tradicionais, o encerramentos de mini e supermercados. Um estudo do professor de economia Ken Stone permitiu concluir que, desde a chegada da Wal-Mart ao Iowa, desapareceram mais de 7.000 estabelecimentos comerciais entre 1983 e 1993.
Situações como essa, assim como o pagamento de baixos salários, e a discriminação sistemática de que são vítimas as mulheres que trabalham massivamente para a empresa, tem sido as causas mais frequentes para as milhares de acções judiciais que a walt-Mart tem enfrentado por todo o lado.
As primeiras batalhas judiciais contra a empresa datam do início dos anos 90, mais propriamente em 1993, quando num plebiscito local, uma pequena localidade de Greenfield, no Massachussets, rejeitou a instalação de uma unidade daquela cadeia de hipermercados, apesar de todas as manigâncias preparadas pelos agentes a soldo da empresa que levaram a falta de escrúpulos ao ponto de tentarem convencer os habitantes locais que, com a Wal-Mart, o custo de vida iria baixar em cada dia que passasse. Iniciativas como esta, de consulta popular, passaram a ser o principal instrumento de luta dos opositores da Wal-Mart
A iniciativa foi promovida por uma rede de associações locais dirigidas pelo activista Al Norman que se converteu entretanto numa espécie de cruzado anti-Wal-Mart, e nela participam inúmeros cidadãos.
Poucos anos depois, em 1999, foi a própria Wal-Mart que promoveu uma consulta popular na localidade Eureka, no estado da Califórnia e, se em Greenfield, a sua derrota foi por poucos votos, ela foi ainda mais estrondosa em Eureka, não obstante todo o assédio que os seus habitantes foram alvo por parte da Wal-Mart. Mas a maior derrota infligida à Wal-Mart ainda foi a que ela recebeu em Abril de 2004 na cidade de Inglewood nos arrabaldes de Los Angeles, onde 60% da população local ratificou a decisão do Conselho Municipal em rejeitar a construção de um gigantesco centro comercial de 650 mil metros quadrados que serviria de plataforma para mais unidade da Wal-Mart. Mas tem havido outros plebiscitos no mesmo sentido. Sabe-se, por exemplo, que cerca de 250 pedidos de instalação da Wal-Mart foram recusados em todo o território norte-americano.
Mas a oposição contra a Wal-Mart estende-se quer na Europa quer na América Latina. No mMéxico, por exemplo, onde a firma possui uns 700 estabelecimentos, facturando mais de 12.000 milhões de dólares, constituiu-se no ano passado uma Frente nacional contra a Wal-Mart., cujo objectivo principal tem sido travar a intenção da Wal-Mart em instalar-se nas proximidades da cidade religiosa azteca de Teotihuacán.
No plano das relações laborais sabe-se que em Junho de 2004 um tribunal norte-americano conferiu a categoria de acção colectiva a uma acção judicial intentada por 6 funcionárias da empresa que a acusavam de discriminar as mulheres na sua política de promoções internas, bem como ao nível dos salário.
Com essa decisão judicial as 6 trabalhadoras converteram-se em «representantes» de cerca de 1,6 milhões de mulheres que trabalham, ou trabalharam, para a Wal-Mart. Argumentam as demandantes, entre outras coisas, que apesar de dois terços da mão de obra da empresa ser feminina, só um terço de mulheres ocupam os cargos directivos.
Recorde-se que em 1997 outro gigante da distribuição nos EUA, a Home Deport, pagou 104 milhões de dólares a 25.000 mulheres que accionaram judicialmente a empresa por discriminação sexual a fim de evitar ser condenada. O mesmo se passou com a empresa Coca-Cola que em 2000 aceitou uma transacção judicial por 192 milhões de dólares, tal como a empresa petrolífera Texaco que tinha desembolsado 176 milhões de dólares por motivos semelhantes.
Se a Wal-Mart tiver que pagar uma quantia correspondente à das suas congéneres, cerca de 4.000 dólares a cada mulher denunciante, a empresa teria que desembolsar uma quantia descomunal de 6.400 milhões de dólares.
Em 2005 formou-se a Rede Internacional Sindical que reúne 900 organizações laborais de 150 países com o objectivo de coordenar as acções e as reivindicações dos trabalhadores da Wal-Mart fora dos Estados Unidos.
Wal-Mart é apenas um sintoma de todo um processo mais generalizado. Um processo que tem levado à descida contínua dos salários e das garantias laborais e que aumenta à medida que o individualismo dos consumidores suplanta a solidariedade dos produtores e dos assalariados.

Adaptação de um texto de Alberto Piris, difundido por Rebelion.org, e originalmente publicado no jornal La Insignia

A BBC coloca os seus videos sobre a natureza na sua web à disposição dos interessados


A BBC decidiu colocar na sua web à disposição de todos os interessados, e de forma gratuita, os seus conteúdos da sua Unidade de História Natural. Os vídeos poderão ser visionados e descarregados.
O arquivo está acessível em:
http://www.bbc.co.uk/calc/news/

8.3.06

Manu Chao: «o meu sonho são milhares de pequenas revoluções»


Manu Chao, músico já bem conhecido, e socialmente implicado em várias lutas sociais disse numa entrevista que o seu sonho é que milhares e milhares de pequenas revoluções se realizassem por todo o lado. Acrescentou que nenhuma revolução virá de cima. Indicou ainda que a proximidade entre vizinhos deveria ser aproveitada para promover a ajuda e o apoio entre si. Concluiu por fim que Bush era o homem mais perigoso do mundo.

O nome de Deus invocado em vão por Tony Blair


O primeiro-ministro britânico Tony Blair já anda angustiado com o seu futuro!
Numa entrevista a um programa de televisão, Tony Blair pretendeu sugerir que a sua decisão sobre a participação da Grã-Bretanha na agressão, invasão e ocupação do Iraque só poderia ser julgada por Deus!!!
Esqueceu-se deliberadamente que se referir à possibilidade de ser julgado por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional, uma vez que a agressão ao Iraque perpetrada pelas forças armadas norte-americanas e britânicas foi manifestamente à revelia das normas de Direito Internacional.
Reg Keys, cujo filho morreu na Guerra do Iraque, disse que Blair estava a invocar o nome de Deus para tentar fugir a um completo e rotundo falhanço da sua estratégia político-militar e que aquelas palavras eram abomináveis.

As felicitações devidas




O meu caro amigo João, autor do
http://bioterra.blogspot.com/ está de parabéns pelo 2º aniversário do Bioterra, cuja consulta se recomenda a todos quantos a ecologia, a paz e a educação possuem um significado especial.

Felicitações são também devidas ao http://www.infoalternativa.org/ que sofreu uma remodelação e está com um acesso mais rápido e expedito. A recolha de textos que os autores e respinsáveis da infoalternativa diariamente realizam é de enorme utilidade e daqui lhes dirigimos uma palavra de simpatia e reconhecimento.
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Finalmente não queremos deixar de registar o 1º aniversário do jornal Diagonal (www.diagonalperiodico.net ), escrito e editado em língua castelhano.
Bom seria que nós em Portugal tivessemos uma publicação análoga onde fosse possível fazer circular as vozes dissidentes silenciadas pelos media oficiais.


Transcrevemos um excerto do editorial do Diagonal:

El jueves 2 de marzo DIAGONALcumple un año, o
lo que es lo mismo: 25 números de noticias, debates,
perspectivas distintas y cierres interminables.
Los más escépticos no terminande entender cómo DIAGONAL
va consolidándose sin el apoyo de ningún grupo económico ni político
distinto al que componen sus 3.300 suscriptores, quienes lo han
dotado de sentido en tanto que movimiento social y proyecto político.
Cada 15 días, los quioscos, los puntos de distribución alternativa y
los buzones de los suscriptores han venido recibiendo un periódico realizado
de forma participativa y horizontal.
Esto es: 48 páginas que surgen del debate asambleario dentro
del colectivo de redacción, delas reflexiones de cada sección, de
las aportaciones de los colaboradores, de los análisis de quienes
comparten una mirada crítica respecto a la actualidad… y comparten
también la dificultad de definir de forma simplificada lo que esa
mirada crítica significa.
Pero para que los 15.000 ejemplares lleguen a los lectores ha sido
también indispensable el trabajo de los grupos de apoyo y de todas las
personas que sienten este proyecto como propio. De modo que DIAGONAL,
con sus aciertos y errores, responde a una apuesta colectiva
en la que aprendemos cotidianamentecómo elaborar un medio informativo
que quiere ser crítico, plural e incisivo. Y ese aprendizaje,
afortunadamente, no está exento de conflictos. El día en que no surjan,
estaremos haciendo cualquier cosa menos un periódico.

Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade



Carta Mundial das mulheres para a Humanidade, adoptada em 10 de Dezembro de 2004 em Kigali ( Rwanda), por ocasião do 5º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.


Preâmbulo

Nós, as mulheres, marchamos há muito tempo para denunciar e exigir o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres, para dizer que a dominação, a exploração, o egoísmo e a procura desenfreada do lucro que levam às injustiças, às guerras, às conquistas e às violências devem terminar.

Das nossas lutas feministas e das que as nossas antepassadas protagonizaram em todos os continentes, nasceram novos espaços de liberdade, para nós, para as nossas filhas, para os nossos filhos e para as nossas netas e netos, que, depois de nós, caminharão sobre a terra.

Nós construímos um mundo onde a diversidade é uma virtude e onde tanto a individualidade quanto a colectividade são fontes de riqueza; onde as trocas flúem sem barreiras; onde as palavras, os cantos e os sonhos florescem. Este mundo considera a pessoa humana como uma das riquezas mais preciosas. Neste mundo reina a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz. Nós temos a força para criar este mundo.

Somos mais de metade da humanidade. Damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, divertimo-nos. Nós asseguramos actualmente a maioria das tarefas essenciais à vida e à continuidade da Humanidade. No entanto, o nosso lugar na sociedade continua subvalorizado.

A Marcha Mundial das Mulheres, da qual fazemos parte, identifica o patriarcado como o sistema de opressão das mulheres e o capitalismo como o sistema de exploração de uma imensa maioria de mulheres e homens por uma minoria.

Estes sistemas reforçam-se mutuamente. Eles fundamentam-se e articulam-se com o racismo, o sexismo, a misoginia, a xenofobia, a homofobia, o colonialismo, o imperialismo, a escravatura e o trabalho forçado. Eles legitimam os fundamentalismos e os integrismos que impedem as mulheres e os homens de serem livres. Eles geram a pobreza e a exclusão, violam os direitos dos seres humanos, em particular os das mulheres, e colocam a humanidade e o planeta em perigo.

Nós rejeitamos este mundo!

Propomos construir um outro mundo onde a exploração, a opressão, a intolerância e a exclusão não existem mais; onde a integridade, a diversidade, os direitos e as liberdades de todas e de todos são respeitadas.

Esta carta baseia-se nos valores da igualdade, de liberdade, de solidariedade, de justiça e de paz.

IGUALDADE

Afirmação 1. Todos os seres humanos e todos os povos são iguais em todos os domínios e em todas as sociedades. Têm um acesso igual às riquezas, à terra, a um emprego digno, aos meios de produção, a um alojamento digno, à educação de qualidade, à formação profissional, à justiça, a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente, a serviços de saúde física e mental, à segurança na velhice, a um ambiente saudável, à propriedade, às funções representativas, políticas e tomadas de decisão, à energia, à água potável, ao ar puro, aos meios de transporte, às técnicas, à informação, aos meios de comunicação, ao lazer, à cultura, ao repouso, à tecnologia, às inovações científicas.

Afirmação 2. Nenhuma condição humana ou condição de vida pode justificar a discriminação.

Afirmação 3. Nenhum costume, tradição, religião, ideologia, sistema económico ou político justifica a inferiorização de quem quer que seja, nem autoriza actos que põem em causa a sua dignidade e integridade física e psicológica.

Afirmação 4. As mulheres são cidadãs de pleno direito, antes de serem cônjuges, companheiras, esposas, mães e trabalhadoras.

Afirmação 5. O conjunto de tarefas não remuneradas, ditas femininas, que asseguram a vida e a continuidade das sociedades (trabalhos domésticos, educação, cuidados com as crianças e com @ próxim@) são actividade que criam riqueza e que devem ser valorizadas e partilhadas.

Afirmação 6. As trocas comerciais entre os países são equitativas e não carregam nenhum prejuízo para o desenvolvimento dos povos.

Afirmação 7. Cada pessoa tem acesso a um trabalho com uma remuneração justa e em condições de segurança e salubridade, que lhe permita viver condignamente.


LIBERDADE

Afirmação 1. Todos os seres humanos vivem livres de qualquer forma de violência. Nenhum ser humano pertence a outro. Nenhuma pessoa pode ser transformada em escrava, forçada a casar, ser submetido a trabalhos forçados ou ser objecto de tráfico ou de exploração sexual.

Afirmação 2. Cada pessoa goza de liberdades colectivas e individuais que garantem a sua dignidade, nomeadamente: liberdade de pensamento, de consciência, de crença, de religião, de opinião, de viver livremente a sua sexualidade de forma responsável e de escolher a pessoa com quem quer partilhar a sua vida; de votar, de ser eleita, de participar na vida política, de se associar, de se reunir, de se sindicalizar, de se manifestar; de escolher o seu modo de vida, a sua nacionalidade, o seu estado civil, de seguir os estudos de sua escolha, de escolher a sua profissão e de a exercer, de se deslocar, de dispor da sua pessoa e bens, de usar a língua de comunicação de sua escolha, no respeito das línguas minoritárias e da escolha colectiva relativa à língua utilizada e de trabalho, de se informar, de se cultivar, de trocar ideias, de aceder às tecnologias de informação.

Afirmação 3. As liberdades são exercidas num espírito de tolerância, de respeito da opinião de cada uma e de cada um e dentro dos quadros democráticos e participativos. Elas obrigam a responsabilidades e deveres para com a comunidade.

Afirmação 4. As mulheres tomam livremente as decisões que dizem respeito ao seu corpo, à sua sexualidade e à sua fecundidade. Elas escolhem ter ou não filhas e filhos.

Afirmação 5. A democracia exerce-se se há liberdade e igualdade.

SOLIDARIEDADE

Afirmação 1. A solidariedade internacional é promovida entre pessoas e povos sem qualquer tipo de manipulação e influência.

Afirmação 2. Todos os seres humanos são interdependentes. Eles partilham o dever e a vontade de viver juntos, de construir uma sociedade generosa, justa e igualitária, baseada nos direitos humanos, isenta de opressão, exclusão, discriminação, intolerância e violência.

Afirmação 3. Os recursos naturais, os bens e os serviços necessários à vida de todas e de todos são bens e serviços públicos de qualidade, aos quais cada pessoa tem acesso de maneira igualitária e equitativa.


Afirmação 4. Os recursos naturais são administrados pelos povos que vivem nos territórios onde estes se localizam, no respeito pelo ambiente com a preocupação da sua preservação e durabilidade.

Afirmação 5. A economia duma sociedade está ao serviço daquelas e daqueles que a compõem. Ela está direccionada para a produção e troca de riquezas socialmente úteis, que são repartidas entre todas e todos, que asseguram como prioridade a satisfação das necessidades da colectividade, que eliminam a pobreza e que asseguram um equilíbrio entre o interesse geral e os interesses individuais. Ela assegura a soberania alimentar, opõe-se à procura exclusiva do lucro sem a satisfação social e à acumulação privada dos meios de produção, das riquezas, do capital, das terras, da tomada de decisão por alguns grupos ou por algumas pessoas.
Afirmação 6. A contribuição de cada uma e de cada um para a sociedade é reconhecida e conduz ao reconhecimento de direitos sociais, qualquer que seja a função que ocupam.

Afirmação 7. As manipulações genéticas são controladas. Não há propriedade sobre os seres vivos nem sobre o genoma humano. A clonagem humana é proibida.

JUSTIÇA

Afirmação 1. Todos os seres humanos, independentemente do seu país de origem, da sua nacionalidade e do seu local de residência, são considerados como cidadãs e cidadãos de pleno direito, gozando de direitos humanos (direitos sociais, económicos, políticos, civis, culturais, sexuais, reprodutivos, ambientais) de uma maneira igualitária e equitativa realmente democrática.

Afirmação 2. A justiça social baseia-se na redistribuição das riquezas que eliminam a pobreza, limitam a riqueza, asseguram as necessidades essenciais à vida e visam melhorar o bem-estar de todas e todos.

Afirmação 3. A integridade física e moral de todas e todos está garantida. A tortura e os tratamentos humilhantes e degradantes são proibidos. As agressões sexuais, as violações, as mutilações genitais femininas, a violência específicas contra as mulheres, o tráfico sexual e a venda de seres humanos são considerados como crimes contra a pessoa e contra a humanidade.

Afirmação 4. Um sistema judiciário acessível, igualitário, eficaz e independente é instaurado.

Afirmação 5. Cada pessoa goza de uma protecção social que lhe garantem o acesso à alimentação, aos cuidados, ao alojamento, à educação, à informação e à segurança na velhice. Ela tem acesso a rendimentos suficientes para viver dignamente.

Afirmação 6. Os serviços de saúde e sociais são públicos, acessíveis, de qualidade e gratuitos para todos os tratamentos e todas as pandemias, em particular o HIV/SIDA.

PAZ

Afirmação 1. Todos os seres humanos vivem num mundo de paz. A paz resulta, nomeadamente, da igualdade entre os sexos, da igualdade social, económica, política, jurídica e cultural no respeito dos direitos, da erradicação da pobreza que assegura a todas e a todos uma vida digna, livre de violência, onde cada uma e cada um dispõe de um trabalho e de recursos suficientes para se alimentar, para se alojar, para se vestir, para se instruir, ser protegido na velhice, ter acesso aos cuidados.

Afirmação 2. A tolerância, o diálogo, o respeito pela diversidade são os garantes da paz.

Afirmação 3. Todas as formas de dominação, exploração e exclusão de uma pessoa sobre outra, de um grupo sobre outro, duma minoria sobre uma maioria, de uma maioria sobre uma minoria, duma nação sobre outra são excluídas.

Afirmação 4. Todos os seres humanos têm o direito de viver num mundo sem guerras e sem conflitos armados, sem ocupação estrangeira ou bases militares. Nada nem ninguém tem o direito de decidir a vida ou a morte das pessoas ou dos povos.

Afirmação 5. Nenhum costume, nenhuma tradição, nenhuma ideologia, nenhuma religião, nenhum sistema económico ou político justificam qualquer tipo de violência.

Afirmação 6. Os conflitos armados ou não entre países, comunidades ou povos são resolvidos por negociação que permitem chegar a soluções pacíficas, justas e equitativas, ao nível nacional, regional e internacional.

APELO

Esta Carta Mundial da Mulheres para a Humanidade apela às mulheres e aos homens e a todos os povos e grupos oprimid@s do mundo a proclamar individual e colectivamente o seu poder para transformar o mundo e a modificar radicalmente as relações que @s unem para desenvolver relações baseadas na igualdade, a paz, a liberdade, a solidariedade e a justiça.

Ela apela a todos os movimentos sociais e a todas as forças da sociedade para agirem para que os valores defendidos nesta Carta sejam efectivamente postos em prática e para que os poderes políticos tomem as medidas necessárias à sua aplicação.

Ela convida à acção para mudar o mundo. É urgente!!!

Nenhum elemento desta Carta pode ser interpretado nem utilizado para enunciar opiniões ou levar a actividades contrárias ao espírito desta Carta. Os valores que nela são defendidos constituem um todo. Eles são iguais em importância, interdependentes, indivisíveis; o lugar que eles ocupam nesta Carta é comutável.

O que é a Marcha Mundial das Mulheres?

A Marcha Mundial das Mulheres é composta por grupos de mulheres de origens étnicas, culturais, religiosas, políticas, de classe, de idade e de orientação sexual diversas. Em vez de nos separar, esta diversidade uniu-nos numa solidariedade mais global.
Em 2000, enquanto Marcha Mundial das Mulheres, escrevemos uma plataforma política que continha 17 reivindicações concretas para eliminar a pobreza no mundo, realizar a partilha de riquezas, erradicar a violência contra as mulheres e obter o respeito pela sua integridade física e moral. Transmitimos estas reivindicações aos responsáveis do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas. Não recebemos qualquer resposta concreta. Também transmitimos estas reivindicações às eleitas, aos eleitos, às dirigentes e aos dirigentes dos nossos países.
Desde então, continuamos a defender as nossas reivindicações sem descanso. Propomos alternativas para construir um outro mundo. Somos activas nos movimentos do mundo e das nossas sociedades. Aprofundamos a reflexão sobre o lugar que as mulheres ocupam e devem ocupar no mundo.
Com esta Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade e com acções que virão, reafirmamos que um outro mundo é possível; um mundo cheio de esperança, de vida, onde é bom viver e declaramos o nosso amor a esse mundo, à sua diversidade e à sua beleza.
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Adoptado no V Encontro Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, Ruanda, 10 de Dezembro de 2004

7.3.06

No Dia Internacional da Mulher, venha conversar com Filomena Cabral na Unicepe


A livraria Unicepe, na cidade do Porto, convida todos os interessados para estarem presentes com a escritora Filomena Cabral no dia 8 de Março de 2006, Dia Internacional da Mulher.

Mais informações:
www.unicepe.com

(A Unicepe está situado no 1º andar do edifício de esquina entre a Praça vulgarmente conhecida por Leões e a Praça Carlos Alberto, na cidade do Porto )
UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRLPraça Carlos Alberto, 128 - A. Porto

6.3.06

Greve Global das Mulheres (8 de Março de 2006)


Pelo fim da Pobreza, da Guerra e da Devastação do Meio Ambiente
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Investir em cuidar, e não em matar!


Porque no mundo se gastam 900 biliões de dólares anuais em orçamentos militares, a metade dos quais da responsabilbidade unicamente dos EUA. Apenas 10% disso garantiria o essencial para a sobrevivência de todas as pessoas do mundo;

Porque 86 milhões de pessoas, principalmente dos países do terceiro mundo, morreram em conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e os EUA participaram na maioria destas guerras;

Porque as mulheres e crianças constituem a maioria das vítimas dos conflitos armados e 80% dos refugiados do mundo seguem morrendo e sendo mutilados por minas antipessoais e outras armas;

Porque o abuso sexual é utilizado de forma rotineira como arma de guerra e raramente é concedido asilo às suas vítimas;

Porque o trabalho de dar à luz e cuidar de todas as pessoas realizado pelas mulheres não é valorizado nem remunerado, ainda que o trabalho militar é remunerado e glorificado;

Porque se espera que só a metade da humanidade se ocupe do cuidado das pessoas, necessário para a sobrevivência de todas, enquanto a outra metade ‘tem coisas mais importantes a fazer’;

Porque esta desvalorização da vida e do cuidado desvaloriza tudo o que as mulheres fazem e todos os trabalhos que proporcionam cuidado; e é por isso que os salários das mulheres são mais baixos do que os dos homens e o trabalho com as crianças, o trabalho doméstico, o trabalho de hotelaria, as enfermeiras, as professoras cobram menos, ou qualquer um que os realize;

Porque a maioria dos soldados ou são conscritos ou se alistam para fugir da pobreza ou da prisão (40% dos soldados dos EUA são negros) e espera-se deles que matem aqueles que ainda possuem menos;

Porque os soldados que regressam descapacitados e traumatizados pelo terror e pela matança e/ou aqueles que voltam contaminados pelas armas são descartados pelos governos e são as suas mães, companheiras ou outras que se encarregam de cuidar deles;

Porque se financia generosamente o aparato militar à custa de salários baixos, cortes em benefícios e pensões, bolsas de estudos e serviços, e as mulheres lutam para compensá-los com salários não-remunerados;

Porque a ‘guerra contra o terrorismo’ empreendida pelos EUA para impor a dominação económica, política e militar em nome das petroleiras e outras multinacionais, já cobrou milhares de vidas e nos ameaça com a destruição de nosso clima e da vida sobre a Terra;

Porque sempre há dinheiro para poços de petróleo, mas milhões de mulheres e crianças dos países não industrializados estão condenadas a caminhar horas por dia em busca de água porque não há dinheiro para encanamento;

Porque o FMI e o Banco Mundial impõem a globalização, a privatização, a desregulação, a lei das patentes, a extracção de petróleo e outros minerais, animais gigantes e o cultivo transgênico... tomando posse das economias, corrompendo governos e obrigando a população a uma dívida que nunca contraímos;

Porque as “ajudas para o desenvolvimento” ou “empréstimos” aos países do “Terceiro Mundo” estão sempre ligadas à compras de armas dos EUA e dos países da União Europeia;

Porque a oposição, frequentemente encabeçada por mulheres, à globalização –que resulta em pobreza, no roubo de água, terras, sementes e genes, salários e condições de trabalho escravizantes, desalojamento de populações inteiras, eliminação de culturas, histórias e línguas, limpezas étnicas e destruição do meio ambiente – se combate com golpes militares, desaparecimentos e outras formas de repressão;

Porque os meios de comunicação, privados ou controlados pelo Estado, realizam o trabalho de desinformar a população e captar o nosso apoio para guerras e genocídios, censurando ao mesmo tempo nossa oposição;

Porque as mulheres, cuidadoras, somos a coluna vertebral dos movimentos anti-guerra, de direitos humanos e de justiça, porque nos negamos a permitir que nossos entes queridos sejam tachados como “danos colaterais” civis ou por baixas militares;


As reivindicações da Greve Global das Mulheres são:

· Que se pague todo trabalho de cuidar das pessoas – com salários, pensões, terra e outros recursos. O que é mais valioso do que criar meninos e meninas e cuidar dos demais? Que se invista na vida e no segurança social e não em orçamentos militares e prisões.

· Igualdade salarial para todos, mulheres e homens, no mercado global.

· Segurança alimentícia para as mães durante o período de amamentação, licença de maternidade e intervalo para amamentação pagos. Não nos penalizem por sermos mulheres.

· Que não se pague a dívida externa do terceiro mundo. Nós mulheres não devemos nada, são eles que nos devem.

· Acesso a água potável, saneamento, moradia, transporte e alfabetização.

· Energias não poluentes e tecnologias que reduzam a jornada de trabalho. Todas necessitamos de cozinhas, geladeiras, máquinas de lavar, computadores e também tempo livre.

· Protecção e asilo contra toda violência e perseguição, incluindo as que tem origem nos familiares e em gente em cargos de autoridade. Liberdade de movimento. Se o capital pode viajar livremente, por que também não podem as pessoas

· Que se acabe com a ‘guerra sem fim’, o comércio de armas e o genocídio.

· Que os mais de 900 biliões de dólares que hoje se gasta em orçamentos militares em todo o mundo sejam investido em cuidados e bem-estar das pessoas e do planeta.

· Que todo o trabalho de cuidar, hoje realizado principalmente por mulheres, seja valorizado e remunerado e que se pague uma pensão a todas aquelas cujo trabalho não foi reconhecido durante décadas.

· O cuidado com as pessoas e, portanto, a sobrevivência e o enriquecimento de cada vida e do planeta, seja o objetivo de toda a sociedade e de todo o sistema económico.


QUE SE INVISTA EM CUIDAR, NÃO EM MATAR!

fonte: aqui



5.3.06

Para Antero de Quental o programa político dos operários é a abstenção


Excerto do opúsculo escrito em 1871 por Antero de Quental sob o título
«O que é a Internacional: o socialismo contemporâneo. O programa da Internacional»


«Mas nós trabalhadores, que assistimos, espectadores enojados à comédia tristíssima dos governos da burguesia, que sabemos a suma baixeza, intriga, vilania e corrupção que representam um parlamento, um ministério e um jornal subsidiado, deixemos que passe por nós, na sua dança macabra, toda essa côrte de milagres, que nem ao menos, como a outra, tem a franqueza do cinismo, e não nos indignemos com as vaias dos histriões oficiais ou oficiosos, que, em verdade, não o merecem.
A nossa preocupação é outra; e superior à cólera, à indignação, ao desprezo até, deve ser a nossa atitude. Obreiros materiais do presente, obreiros espirituais do futuro, absorvemo-nos no nosso duplo trabalho, convencidos de que, enquanto o nosso pensamento emancipador, enquanto a reforma social não for um facto, toda a nossa acção política não representa para nós mais do que a dissipação do tempo, dispersão de forças e – o que é pior – auxílio dado aos inimigos, vida emprestada por nós ao organismo fatal que nos suga a nossa substância.
O programa político das classes trabalhadores, segundo o Socialismo, cifra-se numa só palavra: abstenção. Deixemos que esse mundo velho se desorganize, apodreça, esfacele, por si, pelo efeito da vírus interior que o mina. No dia da decomposição final, nós cá estaremos então com a nossa energia e virtude conservadas puras e vivas, longe dos focos de infecção desta sociedade condenada.»

Diálogo imaginário entre Marx e Bakunine


(para um melhor entendimento das diferenças entre marxismo e anarquismo)

Nota prévia: Bakunine representa uma das correntes anarquistas mais importantes. Mas outras existem que não seguem a perspectiva bakuninista. Mesmo assim, este texto é útil para se entender as diferenças entre o marxismo e o anarquismo devendo ser visto como um simples ponto de partida para um estudo mais aprofundado e uma análise comparativa entre as duas correntes de pensamento, que representam importantes correntes históricas do movimento operário)



Marx - Como tu sabes, Bakunine, eu considero-te como um amigo, e não hesito em chamar-te socialista, apesar de...

Bakunine - Apesar de quê?

Marx - Bom, tu sabes: é que tu deprecias constantemente o que eu chamo de política

Bakunine - Com certeza. O parlamento, os partidos, as assembleias constituintes, as instituições representativas não me interessam nada. A Humanidade tem necessidade de algo muito mais superior: um novo mundo sem leis nem Estado.

Marx - A anarquia...

Bakunine - Sim a anarquia. É necessário derrubar o sistema político e a ordem moral do presente mundo. Devemos mudar de alto a baixo, e é uma quimera acreditar que se pode modificar as instituições vigentes.

Marx - Eu não quero modificá-las; o que eu simplesmente digo aos trabalhadores é que eles devem conquistá-las.

Bakunine - Devem é ser completamente abolidas. O Estado corrompe tanto os nossos instintos como a nossa vontade e inteligência. O princípio fundamental de todo o socialismo aceitável é o de derrubar e modificar a sociedade.

Marx - Chamo a isso uma singular definição de socialismo.

Bakunine - As definições não tem importância para mim. É aí que nós divergimos completamente. Eu não penso que qualquer sistema pré-fabricado possa salvar o mundo. Eu não tenho sistema nenhum. Eu sou um investigador. Acredito tanto no instinto como no pensamento.

Marx - Mas - repara - tu nunca serás socialista se não tiveres uma política.

Bakunine - Bom, então tenho uma. E se ter uma política significa organizar as coisas ponto por ponto, eu dir-te-ei qual é o meu programa: em primeiro lugar, abolir as leis fabricadas pelos homens.

Marx - Mas tu não podes abolir as leis. O universo é governado por leis.

Bakunine - Naturalmente que não vamos suprimir as leis naturais. Aí estou de acordo contigo. Aliás, os homens poderão aumentar a sua liberdade se alargarem o seu conhecimento relativamente às leis que regem o universo. O homem não pode ignorar a natureza. O que eu proponho é uma coisa distinta: o que eu digo é que devemos suprimir as leis feitas pelas mãos dos homens, que são as leis artificiais. Ou seja, as leis políticas e jurídicas.

Marx - Tu não podes pretender que a sociedade não deixe de impor leis aos seus próprios membros.

Bakunine - A sociedade não precisa de impor as suas leis. O homem é, por sua natureza, um homem sociável. Fora da sociedade, o homem pode ser uma besta ou um santo. Existem leis numa sociedade capitalista porque esta é competitiva e promove a luta do homem contra o homem. A liberdade só será possível quando todos os homens sejam iguais, e por isso é que não pode haver liberdade sem socialismo.

Marx - Ora aí está um ponto em que estou completamente de acordo contigo.

Bakunine - Tu dizes que estás de acordo comigo, Marx. Mas acontece que quando eu afirmo que não pode haver liberdade sem socialismo, eu entendo também - e acho melhor sublinhar isto - que o socialismo sem liberdade não passa de escravatura e brutalidade

Marx - Mas eu nunca defendi o socialismo sem liberdade

Bakunine - Então não foste tu que defendeste a ditadura do proletariado.

Marx - A ditadura do proletariado é simultaneamente uma parte da liberdade e uma parte do processo de libertação

Bakunine - Quando falo de liberdade, eu falo da única liberdade digna desse nome: a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as forças materiais, económicas e morais existentes no homem; uma liberdade que não admite qualquer restrição para além da resultantes da própria natureza. Eu defendo uma liberdade que, longe de estar condicionada pela liberdade do outro, é ,pelo contrário, confirmada e amplificada pela liberdade de todos. Eu quero uma liberdade que triunfe por cima da força e do princípio de autoridade.

Marx - Eu percebo as tuas palavras, mas desconheço o sentido que lhes dás. Uma coisa te garanto: é que tu nunca conseguirás construir o socialismo ou realizar politicamente qualquer coisa de mais substancial sem partires do princípio de autoridade.

Bakunine - O socialismo tem necessidade do princípio da disciplina e não do princípio de autoridade. Uma disciplina que não é imposta de fora, mas que é voluntária, reflexiva, e que o homem se impõe a si mesmo, e que se harmoniza perfeitamente com o princípio de liberdade.

Marx - Pelos vistos, Bakunine, não retirastes nenhuma lição das experiências das tuas rebeliões. É que esses movimentos não podem afirmar-se sem o princípio de autoridade. É preciso capitães, mesmo para os exércitos anarquistas.

Bakunine - Naturalmente que no momento da acção militar, em plena batalha, há papéis que são distribuídos segundo as capacidades de cada qual: uns a dirigir e a comandar, e outros a executar. Mas nenhuma dessas funções deve fixar-se e cristalizar-se. Não existe ordem hierárquica: o chefe de hoje deve tornar-se o subordinado de amanhã. Ninguém se deve elevar-se acima dos outros, e se for preciso alguma vez fazê-lo durante algum tempo, é para no momento seguinte voltar a descer, tal como acontece com as vagas do mar, e atingir a igualdade.

Marx - Ora bem, Bakunine, se tu admites que uma direcção e um comando são precisos durante a batalha, então poderemos talvez chegar a um consenso sobre o resto. Eu disse que a ditadura do proletariado só seria necessária durante os primeiros tempos do socialismo. Desde que a sociedade sem classes começar a ganhar maturidade, o Estado poderá desaparecer. Para empregar a expressão do meu colaborador Engels: “O Estado acabará por se esvaziar”

Bakunine - Não vejo nenhum sinal de esvaziamento do Estado no livro que tu e Engels escreveram, o Manifesto do Partido Comunista. É um engenhoso panfleto que eu não teria traduzido se não o visse como tal. Acontece que nos dez pontos do programa socialista por vocês descrito no livro, há pelo menos nove que preconizam o reforço do Estado: o Estado deve possuir todos os meios de produção, controlar o comércio e o crédito, impor o trabalho forçado e recolher os impostos, monopolizar a propriedade da terra, dirigir os transportes e as comunicações e dirigir as escolas e universidades.

Marx - Se não aceitas esse programa é porque não és socialista.

Bakunine - Mas o que está lá, é que não é o socialismo. É sim a mais pura forma de estatismo, de um Estado-Elefante sonhado pelos Alemães, e que se revelou inseparável da guilhotina. Ora o socialismo significa o controle da industria e da agricultura pelos próprios trabalhadores.

Marx - Um Estado Socialista é um Estado Proletário. Ambos devem controlar directamente o todo.

Bakunine - Ora aí está bem retratada a típica ilusão burguesa, essa ilusão democrática que pretende que o povo possa controlar o Estado. Na prática, é empre o Estado que controla o povo, e quanto mais Estado, mais amplo será o seu poder. Repara no que se passa na Alemanha: à medida que o Estado se reforça, toda a corrupção que está associada à política, alarga-se ao público que é considerado, apesar de tudo, o mais honesto possível. Não se deve esquecer ainda que o monopólio capitalista progride a par da prosperidade do Estado.

Marx- O crescente monopólio capitalista prepara justamente o caminho para chegarmos ao socialismo. A razão pela qual a Rússia está tão afastada do socialismo está no facto de que ela mal acabou ainda de sair do feudalismo.

Bakunine- O povo russo está mais perto do socialismo do que tu podes crer algum dia, um caro. Na Rússia os trabalhadores têm uma tradição revolucionário muito especial, e para a libertação do género humano, está-lhes reservada um papel determinante. A revolução russa tem profundas raízes nas alma do povo: no século XVII os camponeses revoltaram-se no Sudeste russo, e no século XVIII Pougatchev liderou uma revolta camponesa na vale do Volga, revolta essa que durou dois anos. Os russos não renegam a violência: eles sabem que o resultado do progresso humano está manchado de sangue. Nem sequer recuam face ao fogo: o incêndio de Moscovo, que foi o ponto de partida da derrota do Grande Exército, foi um sucesso inteiramente russo. São nessas fogueiras que a raça humana pode purgar as escórias da escravatura.

Marx- Meu caro, o que tu acabas reveste-se de facto de alguma carga dramática, mas a questão concreta que temos à nossa frente é o socialismo depende da formação de uma consciência de classe no proletariado e isso nós só podemos esperar nos países altamente industrializados como a Inglaterra, a Alemanha, a França. Os camponeses estão mal organizados e, de todas as classes sociais, são os menos aptos a fazer a revolução. Eles são mesmo mais retrógados que o lupem-proletariado (os indigentes e as escórias das cidades), autênticos bárbaros e verdadeiros trogloditas.

Bakunine- Aí está onde reside a nossa mais profunda divergência. Para mim, a fina flor do proletariado não é, como tu pretendes, os operários das fábricas, quaisquer que sejam as suas capacidades: eles são normalmente pequeno-burgueses ou então aspirando a sê-lo. Conheci-os bem no movimento operário da Suíça e posso-te garantir que estão todos estão impregnados de todos os preconceitos sociais, e de todas as aspirações mesquinhas da classe média. De resto, os técnicos são os menos socialistas de todas as camadas de trabalhadores. Aos meus olhos – meu caro Marx - a elite do proletariado é a grande massa, a plebe, os milhões de infelizes e de iletrados ridicularizados por ti e que tu chamas desdenhosamente lupem-proletariado.

Marx- obviamente que não aprofundastes o conceito de proletariado. O proletariado não são os pobres, até porque houve sempre pobres. O proletariado é qualquer coisa de novo na história. Não é a pobreza nem o infortúnio que torna os homens em proletários, mas sim a sua cólera contra a burguesia, é a sua dignidade, a sua resolução de pôr fim à sua condição. O proletariado forma-se só quando a indignação e a consciência de classe se acrescentam à pobreza. O proletariado é a classe tem um finalidade revolucionária, uma classe que aspira à destruição de todas as classes, uma classe que não pode emancipar-se sem também emancipar o conjunto do género humano.

Bakunine- O teu socialismo não elimina as classes, mas pelo contrário cria mais duas: a dos dirigentes e a dos dirigidos. Para além disso, o teu socialismo exige um governo com muitas mais funções e atribuições a realizar do que algum governo teve até agora, e será então o povo a ser governado. O que vai acontecer é que, de um lado, vai estar a extrema esquerda da «intelligentsia», a mais despótica e arrogante classe que podemos imaginar, e que irá querer dirigir em nome da experiência; do outro lado, teremos a simples e a massa ignorante que terá de obedecer.

Marx- Os legisladores e os administradores do Estado socialista serão os representantes do povo

Bakunine – Aí está mais uma ilusão liberal: a ideia que um governo saído de umas eleições possa representar a vontade do povo. Até o próprio Rousseau negava acreditar nisso. As intenções instintivas das elites governamentais estão sempre em oposição com os objectivos instintivos do homem da rua. Observando a sociedade a partir da sua posição superior, os governos não raro não podem evitar os actos de autoridade e de dominação.

Marx – A democracia falha por causa do monopólio das instituições políticas que se encontra nas mãos do poder financeiro da burguesia.

Bakunine - A pseudo-democracia socialista ficaria viciada por outros entorses. Um parlamento composto exclusivamente por trabalhadores – os mesmos trabalhadores e os mesmos dirigentes socialistas que temos hoje -transformar-se-ia rapidamente num parlamento aristocrático, como sempre aconteceu. Manda qualquer extremista para os sofás do Estado, e eles logo se transformarão em conservadores.

Marx – Há muitas razões que explicam isso.

Bakunine – A principal razão é que o Estado democrático é um contrasenso. Por sua natureza, o Estado é a autoridade, força, dominação, ou seja, desigualdade. Enquanto que a democracia, por definição, é igualdade. Daqui resulta que Estado e democracia não podem coexistir. Proudhon foi clarividente neste ponto ao dizer que o sufrágio universal é contra-revolucionário.

Marx – Esse ponto é bem o exemplo da evolução da mentalidade jornalística de Proudhon. É verdade que os trabalhadores, por causa da miséria em que vivem, são frequentemente alvo da influência propagandística da burguesia que os convence a fazer bom uso do voto, mas também é verdade que o sufrágio universal pode ser utilizado para fins socialistas. Podemos entrar na política e lutar por aquilo que achamos ser democrático. Não podemos realizar todos os objectivos pela simples entrada no parlamento, mas pelo menos, alguns deles serão possíveis.

Bakunine – Nenhum Estado e nenhuma república, por mais vermelha que seja pintada, poderá dar ao povo o que ele mais precisa: a liberdade. Todos os Estados, inclusive o Estado socialista que tu falas, são baseados, todos eles, na força.

Marx – Mas qual outra escolha poderíamos nós ter?

Bakunine - Pela educação, pelo conhecimento

Marx – O povo não tem instrução

Bakunine – Mas pode ser educado.

Marx – E quem o pode educar senão o Estado

Bakunine – A sociedade deve educar-se a si própria. Desgraçadamente todos os governos do mundo deixaram o povo num tal estado de ignorância que será necessário abrir escolas não só para as crianças mas também para os adultos. E estas escolas deviam desembaraçar-se de todo e qualquer vestígio do princípio de autoridade. Além disso, não haveriam apenas as escolas no sentido convencional da palavra, mas ainda academias populares em que os alunos, com as suas próprias experiências, poderiam em certa medida ensinar aos seus próprios professores, de forma que uma certa fraternidade intelectual se poderia desenvolver entre eles.

Marx – Afinal de contas, Bakunine, também admites duas categorias de pessoas, os alunos e os professores. Mas voltando ao assunto, eu penso que o ensino não será problema de maior uma vez instaurada a sociedade socialista.

Bakunine – Sim, claro. O primeiro problema é o da emancipação económica; o resto virá a seguir.

Marx - Nada cairá do céu, e será o Estado socialista que deverá determinar o que se deve fazer. Toda a experiência histórica aí está para nos mostrar: as populações mais evoluídas da Europa – os franceses e os alemães - devem a sua educação graças a um sólido sistema estatal que gere a instrução pública. Nos países em que o Estado não se encarrega da educação escolar o povo permanece irremediavelmente analfabeto.

Bakunine – Na Inglaterra os Colégios e as Universidade escapam ao controle do Estado

Marx - Mas acontece-lhes pior ainda: estão nas mãos da Igreja Anglicana que é, de resto, uma parte do próprio do Estado

Bakunine – Os colégios de Oxford e de Cambridge são geridos por sociedades independentes e tradicionais

Marx – Tu não conheces a vida inglesa, Bakunine. Os dois Colégios de que falas foram radicalmente reformados por leis emanadas do Parlamento. O Estado teve que intervir para os salvar da mais completa decadência intelectual, muito embora eles estejam atrasadíssimos em relação às Universidades alemãs.

Bakunine - Como quer que seja, a sua existência demonstra que é possível, aos próprios alunos, controlar os seus colégios. E não há razões para duvidar que os trabalhadores não possam fazer o mesmo relativamente às suas empresas e às suas terras.

Marx – Um dia virá em que certamente as coisas serão assim, mas até lá deve haver um estado operário no lugar dos burgueses.

Bakunine – Estou completamente em desacordo contigo nesse ponto. Tu acreditas que é preciso organizar os trabalhadores para conquistar o Estado, enquanto eu, pelo contrário, quero-os organizar para o destruir, ou por outras palavras, se assim o desejas, para o abolir. Tu preconizas novas instituições políticas, eu, em contrapartida, quero que o povo se possa espontânea e livremente federar.

Marx - O que é que tu entendes por federar livremente?

Bakunine – O trabalho organizar-se-á por si mesmo. Associações de produtores baseados no apoio mútuo constituir-se-ão por distrito e associar-se-ão livremente em entidades cada vez mais alargadas. E todo o poder virá da base.

Marx – Projectos desse género são simplesmente quiméricos. Tudo isso é uma cópia dos falanstérios e a vigésima edição da “Nova Jerusalém” proposta pelos socialistas utópicos. São projectos disparatados, ainda que perigosos, porque introduzem no projecto socialista noções e ideias estranhas que podem distorcer e prejudicar as verdadeiras soluções. Ao provocar uma diversão da atenção para outras coisas que não para o imediato, todos esses projectos têm um efeito conservador e reaccionário.

Bakunine - Ouve, Marx, se há alguma censura que me podes fazer não é com toda a certeza a de eu desviar a atenção dos homens para o imediato. Tanto mais que eu penso, tal como tu, que só existem dois partidos no mundo: o partido da revolução e o partido da reacção. Infelizmente, o partido da revolução já está dividido em duas facções: os campeões do Estado socialista, de que tu és o representante, e os socialistas libertários, de que eu faço parte. A tua facção tem muitos partidários, quer na Alemanha, quer na Inglaterra. Mas na Itália, e em Espanha os socialistas são todos libertários. E a questão que se vai colocar é a de saber qual é a tendência que irá prevalecer no movimento operário internacional.

Marx – É a tendência verdadeiramente socialista, claro como é a água; e nunca a sua ala anarquista.

Bakunine – Estás convencido da pureza do teu socialismo, mas isso deve-se simplesmente ao erro que cometes em relação à natureza da ditadura do proletariado. Não te dás conta – por acaso – do perigo que isso pode representar ao instaurar uma nova escravatura, seguindo, de resto, o que foi feito por outros Estados.

Marx – Tu pensas que lá porque o Estado foi sempre o instrumento da classe dominante, isso verificar-se-á eternamente. Deixa-me perguntar-te: não consegues imaginar a existência de um outro tipo de Estado?

Bakunine – Certamente que se pode imaginar algo de muito diferente, algo tão diferente que não se lhe pode chamar com o mesmo nome. Olha, por exemplo, pode-se pensar no sistema proposto por Proudhon: uma simples secretaria de negócios e uma banco de liquidação central ao serviço da sociedade.

Marx – Isso é o que provavelmente acontecerá na sociedade socialista definitiva. Um dia virá em que o governo do povo será substituído por uma administração das coisas, mas antes que o Estado desapareça ,é preciso que ele seja reforçado.

Bakunine – Isso parece-me completamente paradoxal e contraditório.

Marx – Mas que é que tu queres: vai ser assim mesmo, tal como eu prevejo . Tu conheces tão bem como eu a filosofia de Hegel, e sabes que a lógica da história é a lógica das contradições. O que é hoje afirmado pode ser negado amanhã.

Bakunine - O teu argumento é válido enquanto adoptarmos a filosofia hegeliana, mas historicamente as coisas não são assim. Tu nunca conseguirás destruir o Estado se decidires reforçá-lo. Ouve, eu sou o teu discípulo: quanto mais o tempo passa, mais eu dou-te razão quando falas da revolução económica. Porém, não percebo nem nunca aceitarei os teus projectos autoritários.

Marx – Se tu és anarquista, tu não podes ser meu discípulo. Vejamos mais ao pormenor os teus erros. Em primeiro referes-te ao princípio de autoridade como se este fosse errado em todo o lado e em qualquer circunstância. Ora uma afirmação deste tipo é superficial. Nós vivemos em sociedades industrializadas: nas fábricas modernas trabalham centenas de trabalhadores que dirigem máquinas complexas, e que lançaram para a história as pequenas oficinas artesanais. A própria agricultura será brevemente dominada pela máquina. Ora a acção mútua combinada baseia-se na acção individual, independente; enquanto a acção combinada supõe organização, e organização implica autoridade. No mundo medieval, o pequeno artesão poderia ambicionar a resistir a todo o género de autoridade, mas se assim pensas estás condenado a viver no passado
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Bakunine – Repara, Marx, que eu não resisto e não contesto toda e qualquer autoridade. Por exemplo, nos sapatos eu conformo-me à autoridade do sapateiro, na construção civil conformo-me à autoridade do arquitecto, e o mesmo se diga quanto ao médico em matéria de saúde. Todavia eu não permito que o sapateiro, o arquitecto ou o médico exerçam a sua autoridade sobre a minha pessoa. Aceito os seus conselhos amigáveis, respeito a sua experiência e os seus conhecimentos, mas reservo-me o direito de critica e censura. Não me contento a consultar apenas uma única autoridade no assunto, mas várias para comparar os seus pareceres. Não considero, aliás, ninguém infalível. Reconheço que não posso saber tudo, mas ninguém pode saber tudo, e o homem universal omnisciente não existe. Razões, pois, de sobra para não aceitar uma autoridade fixa, constante e universal.

Marx - Mas se tu suprimes a autoridade na vida económica e política, nada se pode realizar, de nenhuma maneira. Por exemplo, como poderiam funcionar os comboios se ninguém estivesse investido de autoridade para fixar e decidir a organização e o horário das linhas, as horas a que os comboios devem partir.

Bakunine – Os ferroviários podem perfeitamente encarregar-se dessas tarefas, e designar os agentes para desempenhar cada uma dessas funções, e até de obedecer livremente às instruções que lhes são dadas. O que me parece é que, segundo o teu socialismo, Marx, até os condutores das locomotivas faziam marcha-atrás para satisfazer a nova classe de privilegiados que seriam os administradores do Estado socialista, de charuto na boca, e instalados nas carruagens de 1ª classe.

Marx – Escuta-me, Bakunine. Não sou mais adepto do Estado do que tu. Todo o verdadeiro socialista admite a desaparição do Estado logo que o triunfo do socialismo o torne inútil. Mas queres tu que o Estado desapareça subitamente, deixando os trabalhadores sem qualquer espécie de direcção, de disciplina e controle. O nó da questão é que vós, os anarquistas, não tem quaisquer planos para o futuro.

Bakunine – É justamente porque não podemos prever exactamente o que será o futuro que eu desconfio muito dos teus planos detalhados. Quando os instintos egoístas forem substituídos pela fraternidade, acredito que os problemas técnicos de produção e distribuição serão resolvidos por comum acordo e com a boa vontade de todos.

Marx – As tuas dúvidas, Bakunine, são em parte de carácter psicológico, e em parte de ordem moral. Tu estás rotundamente enganado quando dizes que o Estado criou o Capital. Uma tal ideia acentua o simplismo do teu ponto de vista. Julgas que basta superar e resolver o problema do Estado para o capitalismo desaparecer. A verdade é outra: suprimamos o capital, suprimamos a concentração dos meios de produção que estão nas mãos de alguns privilegiados, e então o Estado não tardará a ser residual.

Bakunine – O problema está na verdadeira natureza do Estado; todos os Estados são a negação da liberdade.

Marx – Ao adoptares uma atitude tão extrema em relação ao Estado, Bakunine, tu estás a comprometer a causa dos trabalhadores. Serves-te da tua influência para induzir os trabalhadores para a abstenção nas eleições.

Bakunine – Eu até faço mais: não só os aconselho a absterem-se, como os encorajo à luta.

Marx - Tu leva-os a lutar com muitas dúvidas sobre a vitória, o que é outro exemplo de irresponsabilidade. Outro erro de ordem moral prende-se com a tua manifesta falta de calma. Agrada-te a guerrilha das barricadas mesmo nas causas em que não acreditas por aí além, e isso só para satisfazer essa tua tendência pela acção. Tu desprezas a verdadeira actividade política porque simplesmente ela exige paciência, ordem e reflexão.

Bakunine – Mas eu dediquei toda a minha vida à política!

Marx – Tu dedicastes a tua vida não à política, mas à conspiração política, o que não é a mesma coisa.

Bakunine – Passei toda a minha vida nos meios operários realizando acções de organização, propaganda, educação.

Marx – Educação? De quê?

Bakunine – Da revolução. Não posso admitir que os trabalhadoresgastem as suas energias nas falaciosas instituições representativas e governamentais.

Marx – Eu compreendo que tais ideias possam ter adeptos na Itália e em Espanha, nos advogados, estudantes e noutros intelectuais, mas os trabalhadores não deixarão de se interessar pelos problemas políticos do seu país. Dizer aos trabalhadores para se absterem de fazer política é lançá-los para os braços dos padres e dos republicanos burgueses.

Bakunine - Meu caro, se leres os meus escritos, sabes bem que sempre combati com vigor a Igreja e os republicanos. As tuas opiniões, comparadas às minhas, são bem mais moderadas e aceites por eles.

Marx – Nunca pus em dúvida a tua aversão aos padres e aos republicanos, mas não estás a ver que, ao agir como fazes, estás a fazer causa comum com eles.

Bakunine – Estás a desconversar

Marx – Não, falo a sério. Examinemos a tua propaganda pela liberdade. É claro que a única liberdade que tu acreditas é na liberdade individual. Ora trata-se da mesma liberdade invocada pelos teóricos burgueses do tipo de Hobbes, Locke e Mill. Quando falas de liberdade, consideras que ninguém deve ser condenado por nenhuma razão. Tu concebes cada homem separadamente na posse dos seus próprios direitos, constantemente ameaçados pelas instituições sociais e colectivas como o Estado. Nunca consegues raciocinar como um verdadeiro socialista, que pensa no conjunto da humanidade em que o homem é inseparável da sociedade .
Bakunine – Mais uma vez, Marx, se prova que não me escutaste bem, nem compreendeste as minhas palavras.

Marx – Eu pretendo até compreender-te muito melhor que tu próprio. Ao recusar conceber o Estado de outra maneira que não um simples instrumento de opressão, tu demonstras a tua incapacidade de conceber o homem de outra maneira diferente daquela que o vê como uma unidade isolada, cada qual dotado de uma vontade, interesses e desejos. Tal e qual o que pensam os teóricos do pensamento burguês liberal e – lamento dize-lo – vós, anarquistas, têm a mesma concepção que eles. O vosso anarquismo mais não é que o puro liberalismo levado ao extremo, histericamente. A vossa filosofia é essencialmente egoísta, ao terem um concepção do eu e da liberdade do eu aparentada à metafísica do capitalismo.

Bakunine – A metafísica não me interessa

Marx – E, no entanto, o anarquismo, qualquer que seja a faceta por onde se lhe pegue, acaba por nos levar à conclusões metafísicas. Tendes, no fundo, uma ética muito semelhante á moral cristã: “Apoio mútuo”, dizem vós., o que em termos cristãos poderia ser traduzido por “Ama o teu próximo, sacrifica-te pelos outros”. O verdadeiro socialismo não tem necessidade de preceitos deste tipo porque não reconhece o isolamento do indivíduo. Numa sociedade socialista, o homem não pode ser separado do seu vizinho ou de si próprio.

Bakunine – Acontece que o Estado é a causa para essa separação, e é evidente que não há outra solução que não passe pela abolição do Estado.

Marx - Mas nós não o podemos eliminar enquanto não mudarem as condições que fazem do Estado uma excrescência da sociedade.

Bakunine – Logo que os trabalhadores tiverem, força suficiente para o afastar, o Estado deixará de ser necessário.

Marx – Admites, então, que tal é uma necessidade actual?

Bakunine - Claro que é necessário para uma sociedade baseada na propriedade privada. Mas quando a propriedade for repartida, com a vitória do socialismo...

Marx – Um socialismo preocupado com a repartição da propriedade é uma vulgaridade completa. Sê sincero, Bakunine, não és daqueles que pensam que o socialismo consiste na livre repartição individual...

Bakunine - Mas é que eu não tenho dúvidas sobre isso

Marx – Meu amigo, os objectivos do socialismo são muito mais radicais. Ele propõe operar uma completa transformação do eu, a criação de um homem novo, uma vontade humana fundada na sociedade, de modo que cada um se liberte do seu isolamento. Dizes tu que o teu objectivo é a liberdade: ora o socialismo dar-nos-á uma liberdade por assim dizer desconhecida em todas as experiências humanas do passado.

Bakunine – Realmente tu, Marx, fazes da vida uma coisa muito misteriosa

Marx – E tu? Tu transforma-a numa coisa muito simples e pequena. Observa o mundo e repara como uma parte é livre e outra está oprimida.
Bakunine - Imaginar? Eu? Mas essa é a realidade! A minoria é livre: são os ricos.

Marx - Devo dizer que ninguém no mundo é realmente livre, até os mais ricos dos burgueses. Moralmente falando, o capitalista, enquanto homem, é tão escravo como do sistema como o são os trabalhadores. E é isso que nos permite falar, por respeito à verdade, que a emancipação do proletariado representa a emancipação do género humano.

Bakunine – Mas o problema permanece: o rico faz o que lhe apetece, enquanto ao pobre falta-lhe o que é básico.

Marx – Contudo, as escolhas do rico são guiadas e distorcidas pela sua própria cultura, pelos seus próprios preconceitos e pelo sistema que nega a vontade de cada um. Isto é assim quanto mais seguirmos a mesquinha teoria da liberdade que diz “faz o que queres”

Bakunine - Sempre é melhor que a teoria da liberdade que é definida pelo “faz o que deves fazer”, que é, aliás, o que os padres dizem: a liberdade absoluta é servir a Igreja. Ou o que Hegel diz: a liberdade perfeita é obedecer ao Estado. Pessoalmente eu prefiro a noção humana plena de liberdade que diz “faz o que dá prazer”

Marx – Tu defines a liberdade como sendo a plena realização das possibilidades existente no homem. Ora isso está muito próximo do socialismo: o ser socialista será livre quando o homem se tiver transformado.

Bakunine – Mas se não deixarem ao homem desenvolver-se, o que tem de melhor em si não poderá vir ao de cima.

Marx – Em termos burgueses e liberais estás prestes a propagandear toda a filosofia liberal e burguesa, pois não é isso que dizem o Adam Smith e os seus acólitos? Abandonai os homens a si mesmos e eles darão o que têm de melhor: o que se concretiza, de resto, naquela famosa frase “laissez faire...”

Bakunine - Tu ignoras sempre o facto que os liberais preconizam e defendem a propriedade privada assim como a concorrência económica, ao passo que eu luto para que tudo deva ser colocado em comum.

Marx - Mas se tu partes do princípio que cada homem deve contar com o seu próprio e precioso direito privado à liberdade individual, rapidamente chegarás à conclusão que haverá sempre alguém que queira subtrair alguma coisa ao património comum, reclamando-o como seu. Não podes ter a liberdade individual completa sem também reclamar a propriedade individual. O que é que tu dirias a um homem que reclamasse a propriedade individual.? E o que é que farias sem a existência de um Estado ou de uma outra autoridade socialista capaz de obrigar os recalcitrantes e os antisociais?

Bakunine - Mas não foste tu, Marx, que disseste que o homem socialista mudaria, que ele abandonaria os seus impulsos egoístas antinaturais, assim como os hábitos herdados da sociedade burguesa.

Marx - O meu homem socialista transformar-se-á, mas duvido muito que algum dia possa reconhecer o teu homem socialista. Tu concebes os homens enquanto indivíduos, cada qual tendo o seu próprio império de direitos. Eu, pelo contrário, penso na humanidade no seu conjunto. A liberdade, tal como eu concebo, está na libertação da espécie humana, não na liberdade do indivíduo.

Bakunine - Mais uma vez és o porta-voz de Hegel quando este fala sobre liberdade: agir livremente significa agir moralmente, e agir moralmente significa agir de acordo com a razão do Estado.

Marx - Hegel não estava enganado. Só um ser razoável pode ser livre, porque um ser razoável está em condições de decidir face a uma alternativa. Uma escolha irracional não é uma livre escolha. Agir livremente é agir razoavelmente, e agir razoavelmente implica o conhecimento das necessidades impostas pela natureza e pela história. Não há, confesso, antítese entre necessidade e liberdade.

Bakunine - Não estamos a falar do livre-arbítrio, Marx, o que estamos a falar é da liberdade política. E aí não há qualquer complexidade metafísica. A liberdade política depende da supressão da opressão política, e não é preciso saber muito de filosofia para chegar a essa conclusão. Até uma criança de nove anos de idade pode distinguir entre um opressor e um oprimido.

Marx - E até uma criança de nove anos pode ver que os problemas não se resolvem nem desaparecem, se abolirmos bruscamente o Estado. A criança poderia aderir ao anarquismo, mas não me custava nada perdoar-lhe ...esta loucura.

Bakunine - Existe uma loucura filosófica como uma loucura infantil. Todo o juízo abstracto sobre a liberdade não nos conduz senão àquilo para onde foram parar Hegel e Rousseau: à convicção que os homens podem ser livres, desde que estejam sob uma direcção.

Marx - Certíssimo. Nós queremos que os homens sejam livres no sentido em que os podemos obrigar a agir razoavelmente, ou, pelo menos, a evitar que possam agir de modo pouco razoável.

Bakunine - Uma liberdade imposta não é digna desse nome.

Marx - É a realidade que importa, não os homens.

Bakunine - Até que enfim, que falas da realidade! Se te convém obrigar os homens a ser livres, tu és levado a pensar em duas categorias de indivíduos: os que determinam, e os que são determinados. Daí à formação de duas classes, que compõem a sociedade pretensamente sem classes, no socialismo autoritário é um passo: os dirigentes e os dirigidos., os que ocupam os lugares de direcção e os que estão na base.

Marx - Hipoteticamente, certas pessoas devem ser superiores a outras. Eu repito e insisto: no início uma sociedade socialista deve ser regulamentada. A alternativa será a torre de Babel: um mundo no qual ninguém sabe o que deve fazer ou esperar, um mundo sem ordem nem esperança. Anarquia significa caos, e o caos horroriza-me. Se o caos te atrai, Bakunine, é porque tu te sentes atraído pelo perfume luxuriante da boémia. Depois da tua dura juventude no seio de uma família privilegiada, e educado em escolas militares, é compreensível que a desordem te atraia.

Bakunine - Tu falas, Marx, de "socialismo vulgar", mas tu é que tens uma noção vulgar de anarquismo. Para os espírito não preparados o termo anarquia significa caos e desordem, mas para um homem instruído este vocábulo tem origem grega e quer dizer simplesmente oposição ao governo. Pensar que a ausência de governo significa caos e desordem é uma pura superstição. Repara como as nações mais bem organizadas da Europa não são aquelas cujo governo mais pesa sobre os cidadãos. Muito pelo contrário, são aquelas cujo governo mais passa despercebido. Não percebo o que pretendes dizer com isso da boémia. De resto, não sinto particularmente atraído pela desordem.

Marx - Mas não és tu que falas veementemente do sangue, do fogo, de destruição

Bakunine - É por puro zelo da luta. Talvez que eu seja mais impaciente que tu relativamente ao dealbar da revolução, mas eu garanto-te que os anarquistas, mais do que ninguém, desejam ardentemente o estabelecimento de uma ordem socialista.

Marx - Um tal desejo é perfeitamente supérfluo, uma vez que fora do Estado não haverá ordem. A vossa revolução só trará massacres e ruínas, nada mais.

Bakunine - E a tua pseudo-revolução, Marx, deixar-nos-á uma coisa bem pior: a escravatura.


(Tradução do francês dos excertos do texto Diálogo imaginário Marx-Bakunine difundido há alguns anos atrás na BBC, e cuja autoria é de Maurice Cranston)

Texto em francês foi publicado no jornal Alternative Libertaire nº 89, Avril de 1987

Antártida está a perder 152 km³ de gelo por ano





A Antártida está a perder cerca de 152 quilómetros cúbicos de gelo por ano, números que fazem prever uma subida de 0,4 milímetros no nível do mar nos próximos 12 meses, avança um estudo publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.
Segundo afirma a principal autora do estudo, Isabella Velicogna, em declarações publicadas esta sexta-feira no diário americano The Washington Post, este é «um bom indício de como o clima tem vindo a mudar», além de que servir de «alerta».
Velicogna e o co-autor John Wahr, do Instituto de Cooperação para a Investigação em Ciências do Meio Ambiente da Universidade do Colorado, em Boulder, utilizaram os dados obtidos por dois satélites da NASA durante um período de três anos, de 2002 a 2005.
Um analista consultado pelo The Washington Post, Richard Alley, da Universidade Estadual da Pensilvânia, recordou, no entanto, que as conclusões do estudo baseiam-se apenas no período citado, comentou que «o que para uma pessoa é uma tendência, para outra, é uma oscilação».
Mesmo assim, Alley classificou como «surpreendente» a aceleração do degelo na Antártida, que contém 90% do gelo e, portanto, 70% de toda a água doce do planeta.
Parece que o derreter «das camadas de gelo está a ocorrer mais rápido do que o previsto», comentou este investigador, reconhecendo que tal situação «tem de nos colocar em alerta».

4.3.06

Professor que comparou Bush a Hitler recebe apoio dos alunos



Os estudantes de uma escola secundária do Colorado deixaram hoje as salas de aula em protesto contra a suspensão de um professor, decidida pela direcção da escola, por aquele ter comparado o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com o ditador nazista Adolf Hitler.


Cerca de 150 alunos da escola secundária Overland, em Aurora, gritaram palavras de ordem e saíram das salas em solidariedade ao professor Jay Bennish que, numa aula no passado dia 1 de fevereiro, disse que "algumas pessoas comparam Bush a Hitler".
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Acontece que um aluno gravou a explicação de Bennish na aula em que se discutiu o "Discurso do Estado da União" pronunciado dois dias antes por Bush no Congresso dos Estados Unidos e começou a divulgar a gravação.
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Já em Parsippany, Nova Jersey, as autoridades de outra escola se reunem-se hoje para analisar o caso do professor Joseph Kyle. Na aula de Política, ele propôs "julgar" o presidente por crimes contra a humanidade como os ataques a povoações civis e o tratamento cruel de prisioneiros. De acordo com o projetco da turma, alguns estudantes representariam os papéis de acusadores e outros os de advogados defensores, outros ainda o de testemunhas, enquanto cinco docentes formariam um " Tribunal Internacional de Justiça".
De acordo com o presidente do Conselho Escolar, Robert Perlett, participarão da reunião o diretor da escola, o superintendente interino, a sua adjunta e o vice-presidente do Conselho. Kyle não foi convidado...