30.5.05

Industrial Workers of the World (IWW) e o sindicalismo de acção directa



Em Chicago no dia 27 de Junho de 1905 teve lugar o congresso constitutivo do IWW contra as trade-unions, os sindicatos que foram denunciados, dois anos mais tarde, por Malatesta. Contra o corporatismo trade-unionista propunha-se um só sindicato para todos os trabalhadores, «One big Union for all workers».

Todas as tendências do movimento operário revolucionário estavam presentes em Chicago para defenderem que os trabalhadores se deviam organizar a fim de controlar os poderes económicos, os meios de produção, o conjunto da produção e da distribuição, e oporem-se ao capital.

O Congresso tinha sido precedido de reuniões em Chicago com o objectivo de criar um sindicato revolucionário, e um manifesto tinha sido enviado através dos Estados Unidos sob forma de convite para o Congresso do dia 27 de Junho. No manifesto, que se opunha à acção política, não era feita qualquer diferença de raças, de crenças ou de sexos entre os trabalhadores. O meio de emancipação da classe operária era a greve geral social.

O IWW propunha a solidariedade efectiva de todos os trabalhadores ( ao passo que as trade-unions estavam envolvidas na colaboração de classes e no corporativismo), e apresentava-se como a estrutura de um novo mundo.

O American Socialist Labor Party tenta transformar entretanto o IWW num sucursal da sua própria organização. As discussões internas entre os partidários da acção directa e aqueles que defendiam a acção política conduziram então à cisão por alturas do Congresso de 1908. O socialista De Leon, que queria introduzir o parlamentarismo nos objectivos programáticos do IWW, foi excluído do congresso, tendo fundado com os seus seguidores uma organização rival que seria a correia de transmissão do Socialist Labor Party. No jornal socialista The Weekly People, ele não se cansará até à morte de atacar os anarcosindicalistas do IWW.

Uma das primeiras tarefas do congresso de 1908, após o afastamento da fracção socialista, foi retirar toda a alusão à acção política no preâmbulo dos seus estatutos. A acção dos trabalhadores devia fazer-se no próprio local de trabalho. Será aí que se formarão as estruturas do mundo novo.
«O IWW, sindicato que reúne todos os operários, apropriar-se-á, pela greve geral, dos meios de produção, abolirá o salariato e estabelecerá uma nova ordem social».
Não obstante, as permanentes discussões internas, os ideais do IWW expandir-se-ão rapidamente por todos os Estados Unidos.
Foi na periferia de Nova Iorque que eclodiu em Dezembro de 1906 a primeira greve seguida de ocupação da fábrica nos Estados Unidos. Em Goldfield, no Nevada, uma greve desencadeada pelo IWW permitiu a fixação de um salário mínimo de 4,50 dólares diários. Em Portland, no Oregon, o IWW ajuda à conquista da jornada das 9 horas e um aumento do salário para os trabalhadores têxteis. Todo esses sucessos reforçam a popularidade do IWW no mundo do trabalho.

Vincent St John e Bill Haywood expuseram no Congresso de 1908 quais eram as tácticas de acção directa que inspiram toda a filosofia do IWW.
Um brochura definia a acção directa desta maneira:
«A acção directa significa a acção económica dos próprios trabalhadores, sem a ajuda interesseira e enganosa dos leaders reformistas ou dos políticos. Uma greve que seja decidida, controlada e dirigida pelos trabalhadores, é uma acção directa; acção directa é a acção conjunta no local de trabalho para melhoria das condições de trabalho.»
Era no seio dos trabalhadores que os militantes do IWW ensaiavam as suas tácticas de acção directa.
Assim em 1909, na Pensilvânia, em McKees’ Rocks, 6.000 empregados da Pressen Steel Car Company entraram em greve por melhores condições de trabalho e para terminar com o trabalho à peça. A maior parte dos trabalhadores eram imigrantes. Forma-se um comité de greve do IWW, e é ele que determina a estratégia de luta. Piquetes de greve impedem os fura-greves amarelos ( scabs) de dividir o movimento, são organizados meetings e uma manifestação para popularizar a greve. Um grevista é morto nos confrontos com a polícia, tendo comparecido no seu funeral mais de 5.000 pessoas de quinze nacionalidades diferentes.
O primeiro número do Solidarity, jornal do IWW, é impresso em Newcastle, na Pensilvânia. Anuncia a vitória. A greve de McKees’ Rocks tinha-se saldado por melhores condições de trabalho, e feito desaparecer as barreiras ainda existentes sobre o direito a greve, além de ter reforçado a reputação e a combatividade do IWW.

Para os wobbies ( os militantes IWW) a greve era um meio de luta contra o sistema capitalista e ao mesmo tempo uma ocasião para reforçar a solidariedade de classe. As greves seriam um treino para a grande greve geral que expropriaria os grandes exploradores. A greve geral é vista pelo IWW de forma pacífica. Os trabalhadores tomariam em mão os meios de produção ocupando os seus locais de trabalho.

A ideia foi retomada por um militante do IWW, Joseph Ettor, durante uma greve da industria têxtil, em 25 de Janeiro de 1912 em Lawrence: « Se todos os trabalhadores do mundo querem vencer, eles devem reforçar a sua solidariedade. Se cruzassem os braços, o mundo pararia. Os trabalhadores são mais poderosos, mesmo com as mãos nos bolsos, que todos os capitalistas. Através da resistência passiva, recusando-se a agir, e silenciosos, eles são mais poderosos que toda a classe possidente.». Para a greve geral, e até esta eclodir, era necessário desenvolver a «solidariedade, a consciência de classe e o militantismo».
As greves faziam parte do combate perpétuo entre a classe possidente e os trabalhadores, combate que, como se lembra no Preâmbulo dos estatutos do IWW, deve levar ao controle completo dos meios de produção por parte da classe operária, não sendo as greves somente uma forma para obter melhorias temporárias, ainda que necessárias. As tácticas de acção directa dos wobblies adaptavam-se às circunstâncias e às diferentes condições de trabalho. Acções curtas, mas decisivas, eram preferidas frequentemente, quando o IWW não se sentia capaz de apoiar financeiramente as greves longas. Greves de braços caídos, greves de zelo e a sabotagem eram diferentes formas para obter rapidamente certas concessões.
A utilização da sabotagem nas acções reivindicativas dos trabalhadores foi sempre objecto de grandes discussões.
A palavra sabotagem parece ter sido utilizada pela primeira vez publicamente por Pouget num Congresso CGT em 1897.
A palavra aparece pela primeira vez nos Estados Unidos no Solidarity de 4 de Julho de 1910 a propósito de um greve de 600 operários alfaiates que exigiam a reintegração de um dos seus camaradas. Recusaram trabalhar, e quando os fura-greves apareceram para os substituir, os trabalhadores das empresas Lann e Company começaram a sabotar o trabalho de tal modo que a empresa acedeu à maior parte das reivindicações dos grevistas.
A controvérsia atingiu o seu apogeu num congresso do partido socialista em 1912. O Socialist Labor Party não admitia membros que se opunham à acção política ou que eram partidários da sabotagem ou de qualquer outro meio violento a favor da emancipação do proletariado. Esta medida levou à exclusão da sua ala esquerda.
Um militante do IWW, Bill Haywood, teve a mesma sorte. Tinha sido delegado em 1919 ao congresso da II Internacional na Europa, e desiludido, resolve, no seu regresso, militar em prol de um socialismo de fato de trabalho, e a favor da acção directa e da greve geral. Nas publicações da IWW, os artigos sobre sabotagem são muito numerosos entre 1913 e 1917, altura em que a repressão se abateu sobre o IWW.
A partir de 1910 apareceram na imprensa do IWW muitas traduções de textos provenientes da Europa. A posição oficial do IWW demarcou-se, todavia, sempre da sabotagem.
Podia-se ler em 1913 no Industrial Worker: «O programa do IWW oferece a solução para o problema do salariato, solução com a violência reduzida ao mínimo». De qualquer modo, na literatura e nos jornais do IWW a sabotagem ficará sempre, junto com o gato negro, como o símbolo da acção directa.
Na realidade, as numerosas greves desencadeadas pelo IWW não recorreram à violência. Os patrões americanos é que, com receio por esta organização sindicalista revolucionária, organizaram as suas próprias milícias…A imprensa, por seu turno, manobrou a opinião pública apresentando os wobblies como terroristas, bombistas, sabotadores a soldo do kaiser alemão, e mancomunados com os bolchevistas e apostados em sovietizar os Estados Unidos.

Propaganda e Greves

Apesar de toda a campanha de imprensa dirigida contra eles, o IWW continuaram a estender a sua influência e a propagar a sua ideia: «One big union for all workers». Muitos dos seus militantes eram trabalhadores sazonais e difundiram o Little Red Book ( canções para inflamar as chamas do descontentamento), que era uma recolha de canções revolucionárias que contribuíram para popularizar o movimento IWW no seio da classe operária.
Aliás, as principais ideias do IWW estavam incluídas nas canções quer por via de músicas originais quer a partir de ritmos e sons já conhecidos, mas com novos versos. Joe Hill, membro do IWW, foi um dos bardos itinerantes que atravessaram os Estados Unidos em busca de emprego, e que iam de uma união local IWW para outra. Segundo o estudioso de folklore John Greenway, essa pequena recolha de canções foi «a primeira grande colecção de canções de trabalho». Fora editado pela união loal IWW de Spokane; muitos operários eram obrigados pelo seu trabalho sazonal a percorrer continuamente o território americano e puderam assim divulgar por todo o lado o ideal do IWW.
Uma outra forma de acção directa desenvolvida pelo IWW foi o uso da palavra em plena rua, conhecida pelo nome de «soap box speeches» pois, para falar, o orador subia para cima de uma caixa ( soap box). De resto, para obterem o direito de se exprimirem nas ruas, os militantes do IWW levaram a efeito rudes campanhas entre 1908 a 1916.
Esta forma de intervir era vital para o IWW, pois permitia-lhes contrariar as agências de emprego e organizar boicotes contra elas. Os empregadores deveriam antes passar pelo sindicato, pela união local IWW, que assumiria então as funções de Bolsa de trabalho.
Através das suas campanhas, as uniões locais, como a de Spokane, obtiveram o direito à expressão pela palavra, e ainda o terem um local como ainda poderem publicar um jornal. Nas regiões em que não estavam ainda implantados, o IWW recrutavam novos membros pelo recurso ao «soap box speeches».
Tratava-se assim não de um método de acção directa como um importante e vital direito de expressão.
Poder-se-á pensar que o IWW só poderia influenciar os trabalhadores sazonais como os trabalhadores rurais da apanha da fruta, e os lenhadores. É certo que a propaganda do IWW teve principalmente eco nestes grupos de trabalhadores, que se encontravam à mercê dos empregadores. Recorde-se que para a colheita da fruta, os angariadores faziam vir duas vezes mais trabalhadores que necessitavam, o que lhes permitia a descida brutal dos salários…
Mas a verdade é que a influência do IWW abrangeu ainda os centros industriais.
Assim, em Janeiro de 1912, 25.000 operários da fiação de Lawrence desencadearam uma greve de 10 semanas onde assumiam as palavras de ordem do IWW. Note-se que Lawrence era o maior centro têxtil dos Estados Unidos, superando pela sua produção todos os outros. As principais fiações pertenciam à American Woolen Company ( com 34 fábricas na Nova Inglaterra) e apresentavam um lucro anual de 45 milhões de dólares.
As fiações de algodão e de lã empregavam mais de 40.000 operários, que eram na maior parte não-qualificados, vindos muitos deles da Europa, atraídos pelas promessas dos «enviados» dos industriais têxteis norte-americanos. Apesar de algumas medidas proteccionistas, os salários e as condições de vida dos trabalhadores da lã não paravam de se deteriorar desde 1905.
Nas fiações fora introduzido um novo sistema de fiar ( o two-loomsystem) que duplicava o trabalho, e tornava-o mais penoso, especialmente para as mulheres e crianças que lá trabalhavam. Seguiu-se o desemprego, ao mesmo tempo que o custo de vida disparava em Lawrence, sendo o mais elevado em toda a Nova Inglaterra, com rendas altas e preços exorbitantes.
Segundo a comissão de fiscalização do Ministério do Trabalho, havia cerca de 22.000 operários, sendo mais de metade mulheres e crianças. A metade dos empregados das quatro fiações de Lawrence da American Woolen Company eram jovens raparigas entre os 14 e 18 anos.
A mortalidade era também muito elevada. Nessa época, a dra Elizabeth Shapleigh escrevia: «Um número considerável de rapazes e raparigas morrem nos dois ou três primeiros anos de trabalho, e um terço dos homens e mulheres que trabalhavam nas fiações morrem antes dos vinte e cinco anos.» Em 1 de Janeiro de 1912 os legisladores do Estado do Massachusttes aprovaram uma lei que reduzia a semana de trabalho de 56 para 54 horas para as mulheres e crianças, reduzindo ainda os respectivos salários.
Desde 1907 que o IWW organizaram em Lawrence os trabalhadores estrangeiros, e tinham perto de um milhar de aderentes. Em AFL United Textiles Workers que encontravam-se 2.500 operários qualificados de língua inglesa. Os tecedores polacos das fiações de algodão de Everett foram os primeiros a parar em 11 de Janeiro quando souberam da redução em 11% das suas remunerações. Em toda a Lawrence os trabalhadores paralisaram e, pela primeira vez em toda a história da região, os sinos tocaram a rebate.
De Nova Iorque veio Joseph Ettor do secretário executivo do IWW. Tinha 25 anos, falava inglês, e compreendia o húngaro e o yiddish. Sob o seu impulso, a greve foi coordenada, formando-se um comité de greve, eleito pelos trabalhadores. Cada nacionalidade elegia dois representantes, e cada manhã o comité reunia-se para tratar dos assuntos relativos á greve.
As reivindicações eram: 15% de aumento, 50 horas de trabalho por semana, pagamento em dobro das horas suplementares, e extinção de qualquer represália para os grevistas. O presidente da câmara local exprimia assim o seu pensamento: « A greve devia parar nas próximas 24 horas. A milícia e a polícia deveriam ser autorizadas a disparar. Era o método empregue por Napoleão». Mas as famílias acabaram por receber 2 a 5 dólares a mais por semana.
As dez semanas de greve e, Lawrence foram exemplares. Foi também a primeira vez que tantos trabalhadores não qualificados se reconheceram nos ideais do IWW. John Golden, presidente da AFL United Textile Workers denunciou a táctica da acção directa do IWW como «revolucionária» e «anarquista», tentando sem sucesso liderar a greve. Os líderes do IWWW, Enor e Giovannitti (socialista italiano) foram preso com o único objectivo de quebrar a greve.
Mas o IWW enviaram prontamente para Lawrence, Bill Haywood, William Trautmann, Elizabeth Gurley Flynn e, mais tarde, Carlos Tresca, um anarquista italiano.
Estiveram mais de 15.000 grevista na estação de comboios a acolherem Haywwod e os seus companheiros.
A repressão endureceu, ao mesmo tempo que a greve adoptava novas formas.
Por exemplo, um piquete de greve de milhares de trabalhadores marchou por entre as tecedeiras com panos onde se lia «Don’t be a scab» (Não sejas um amarelo). Quando esta táctica foi interrompida pela polícia, os manifestantes começaram um vai-e-vém incessante nas lojas, sem nada comprar, o que enervava os comerciantes.
Em meados de Fevereiro de 1912 os filhos dos grevistas foram enviados para famílias amigas em Nova Iorque e Filadélfia. A opinião pública foi sensibilizada, não obstante o boicote da imprensa, e como a combatividade dos trabalhadores não esmorecia, a American Woolen Company acabou por aceitar todas as reivindicações dos grevista em 12 de Março de 1912. Em toda a Nova Inglaterra os salários de todos os trabalhadores têxteis foram aumentados.
Lawrence não foi a única grande greve em que o IWW estiveram presentes: Paterson em 1913 ( onde os grevistas representaram uma peça de teatro no Madison Square Garden); a greve dos trabalhadores do talho em 1917 que paralisou a produção no sudoeste dos Estados Unidos, as greves nas minas de cobre no Arizona, foram talvez as mais célebres, entre muitas outras.
A influência do IWW ultrapassava largamente o número dos seus aderentes ( o número de aderentes do IWW nunca passou dos 100.000 membros), mas eram eles que tinham a iniciativa, eram eles que estavam na pinha do combate.

O Declínio do Movimento

Logo no início da Primeira Grande Guerra Mundial o IWW fez saber solenemente que era contra a guerra: «Não sejas um soldado, sê um homem. Junta-te ao IWW e aos combates pelo trabalho e pela tua classe», dizia um cartaz do IWW em 1916.
Esta posição corajosa valeu ao IWW serem declarados «fora de lei».
Um campanha de imprensa, habilmente conduzida, acusava-os de serem agentes do kaiser. A repressão abateu-se então com toda a sua força. Pode-se dizer que o movimento IWW foi decapitado durante a guerra, tantos foram os militantes assassinados pelas milícias patronais. Em França, o governo mandava as tropas. Mas nos Estados Unidos era o próprio patronato que financiava os bandos de assassinos, sem sequer apelar à acção governamental.
Em 1918 o conteúdos do editorial de um grande jornal de Oklahoma, o Daily World, era assaz significativo: «O primeiro passo para a derrota da Alemanha é o esmagamento do IWW. Matai-os como se matam serpentes. Não há tempo, nem dinheiros, a perder com processos.»
Na Primavera de 1917, o Ministério da Guerra, sob pressão do capitalismo americano, tinha dado o sinal, ao permitir a prisão dos membros do IWW que «usassem a violência ou tivessem intenção de a usar». Durante o Verão de 1917, bandos armados dispersavam os meetings do IWW, e vandalizavam as suas sedes. Em 23 Estados foram então aprovadas leis contra o «sindicalismo criminal» e a interditar toda a actividade do IWW.
A revolução russa foi então para alguns dos militantes do IWW um imensa esperança que, depressa se desfaz em 1921 face às posições da Internacional dos sindicatos vermelhos: os comunistas russos não eram muitos diferentes dos políticos do Socialist Labour Party.
O nascimento do Partido Comunista ( em 1919) provocou um cisão no IWW em 1924. A organização, já de si muito fragilizada com a guerra, não conseguiu superar mais esta crise. Outros factores poderiam ainda ser referidos.
Saliente-se apenas que, no período entre as duas guerras, os comunistas apoiaram as leis anti-greve adoptadas pelo governo. O IWW teve que retomar todo o seu trabalho contra as trade unions que passaram a aceitar a filiação dos trabalhadores não qualificados.
O movimento IWW reaparece hoje sobretudo por altura das greves selvagens, e o seu jornal mensal, Industrial Worker, reflecte a vida dos trabalhadores norte-americanos, e não apresenta aquele aspecto deprimente daquelas publicações, cujas organizações vivem das recordações de um passado glorioso.
A possibilidade que lhes é dada de fazer propaganda legal será aproveitada? Como quer que seja cabe aos militantes da IWW de fazer da sua organização o ponta de lança da classe operária.
O IWW deixou a sua marca em toda a cultura norte-americana, assim como em todo o mundo.

O milagre americano = mais milionários e mais pobreza


Mais milionários e mais pessoas em situação de pobreza eis o que é, resumidamente, o milagre norte-americano

O número de milionário nos USA em 2004 aumentou 21%, ao alcançar os 7,5 milhões de famílias que possuíam um património líquido de um milhão de dólares, o que constitui o maior aumento de milionários desde há muitos anos.
Recorde-se já agora que, no mesmo período de tempo, se registou um redução real dos salários dos trabalhadores não administrativos.
Segundo as mesmas estatísticas houve também um aumento de 3,7 % de norte-americanos em situação de pobreza em 2003
Os mais ricos foram também os que mais cresceram: as famílias com um património líquido de 5 milhões de dólares cresceram em 38%
Um factor que explica isto são as grandes reduções de impostos que têm favorecidos os ricos. Ninguém duvida que o ano de 2004 foi um óptimo ano para os ricos.
Há umas semanas atrás a revista Forbes já informara que o número de multimilionários ( com um fortuna de mais de mil milhões ) tinha alcançado as 691 pessoas, um acréscimo de 17% relativamente ao ano anterior.
Desgraçadamente o ano de 2004 também foi «um bom ano» para a pobreza. Segundo a revista Time, de há umas semanas atrás, quase metade dos habitantes da Terra são pobres, isto é, mais de mil milhões pessoas sobrevivem com menos um dólar por dia.





28.5.05

Amazónia devastada



A perda no ano de 2004 de 26.000 quilómetros quadrados de selva amazónica no Brasil ( uma superfície correspondente à da Galícia) provocou a comoção fora e dentro do Brasil.Esta enorme devastação mostra que nem as promessas do governo brasileiro de esquerda de Luiz Inácio Lula da Silva estão a conseguir parar a hamorragia nesse pulmão de oxigénio da humanidade, o maior bosque tropical do mundo, e que, além disso, possui a maior riqueza de biodiversidade do planeta.
Se não se conseguir estancar essa hemorragia da selva - que se encontra desflorestada já em 17,5% segundo o Fundo Mundial da Natureza (WWF) – a região converter-se-á daqui a 50 anos num deserto ou, no melhor dos casos, numa enorme plantação de soja e da pastagens para o gado, com todas as sequelas que isso representaria não só para o Brasil como para todo o mundo. Com efeito, a Amazónia continua a ser o pomo da discórdia no Brasil, um verdadeiro campo de batalha entre a preservação ecológica e o desenvolvimento.
Vilmar Locatelli, assessor da Comissão Nacional da Amazónia, declara que, segundo estudos realizados por via satélite, o ritmo de desflorestação da selva e o aumento do efeito de estufa «podem provocar sérias alterações ao clima amazónico», acrescentando: «Sem a selva, as chuvas vêm-se reduzidas entre 20% e 30% e a temperatura média poderá subir entre 3 a 5 graus.»

Quem são os responsáveis? O Governo brasileiro defende-se pela boca do Secretário da Biodiversidade do Ministério do Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmando que o Plano de Prevenção e de Controle da Desflorestação da Amazónia ( lançado pelo Presidente Lula no ano passado, e no qual participaram 13 ministros, e de cujo responsável é o todo poderoso ministro da Presidência, José Dirceu) ainda não pode dar frutos «porque só tem poucos meses de funcionamento». Da parte da oposição respondeu um dos melhores líderes da defesa do meio ambiente, o deputado do Partido Verde (PV), Fernando Gabeira, que não hesita em declarar que o problema para o famoso Plano «não estar ainda a funcionar se deve à falta de recursos e porque o mi nisto Circeu ainda não pôs os pés na Amazónia».

Para os observadors o grande problema que se defronta o Brasil é como conciliar o actual desenvolvimento económico (centrado no agronegócio, em especial na soja e na pecuária) com a defesa dos seus bosques, da sua madeira preciosa, dos seus rios, sem os contaminar ( recorde-se que o Brasil possui 23% da água potável do mundo), da sua biomassa e das suas imensas jazidas de minerais preciosos, principalmente diamantes.

A Amazónia é um território de 5 milhões de Km2, com apenas 275 fiscais para vigiar – um fiscal por cada 18.000 Km2 -, uma região cobiçado por tudo e por todos, inclusive pelas 27 grandes multinacionais que operam na região.

Neste momento, o Brasil é o segundo exportador da soja do mundo, depois dos Estados Unidos, e um dos maiores vendedores de carne. O consumo de carne brasileira na Europa, assim como da soja, é uma das principais causas para o aumento da desflorestação da Amazónia, segundo David Kaimowitz, director geral do Centro Internacional de Investigações sobre Bosques Cifor). A União Europeia importa do Brasil quase 40% das 578.000 toneladas de carne bovina que é consumida anualmente no Velho Continente. O número de cabeças de gado no Brasil já ultrapassa os 60 milhões, dos quais mais de 30% encontram-se na Amazónia. Brasil controla já, neste momento, 20 % do mercado mundial de carne bovina.

Para o cultivo da soja e para as pastagens do gado cortam-se milhões de árvores.
80% da madeira usada no Estado de São Paulo é de procedência ilegal.
Os especialistas calculam que por cada árvore cortada, destroem-se outras 10, das quais 6 nem sequer é aproveitada.

A defesa da Amazónia estava consagrada no programa eleitoral do Presidente Lula, que pôs à frente do Ministério do Ambiente Marina Silva, filha de uma família muito pobre do norte do país, e que conseguiu chegar a senadora, depois de ter sido sindicalista. O próprio Presidente Lula sempre defendeu o princípio que a Amazónia não poderia converter-se num «santuário intocável» e que deveria desencadear-se na região um processo de desenvolvimento económico sustentável, ou seja, compatível com a preservação da diversidade e da riqueza natural. «Não queremos proibir, queremos regular, fazer as coisas civilizadamente», disse Lula.
O governo Lula tomou toda uma série de medidas para tentar travar a ocupação ilegal da selva amazónica ameaçada. Para tanto,incentivou um moderno sistema de vigilância aérea, capaz de detectar os incêndios, a desflorestação e a ocupação ilegal. Exigiu ainda o registo de todos os proprietários de mais de 300 hectares a fim de os obrigar a demonstrar que eram terras legitimamente adquiridas e não por meios ilegais. Dispôs-se a conceder 13 milhões de hectares de áreas públicas da Amazónia para um uso económico sustentável em 10 anos, a fim de evitar as invasões ilegais e a ocupação das terras públicas. Ao mesmo tempo decidiu a criação de dezenas de parques naturais, dentro da selva amazónica, a fim de os blindar à pilhagem. Os resultados, todavia, tardam a surgir.
A ministra Silva, que perdeu quase todas as batalhas dentro do seu governo e no Parlamento, começando pela guerra contra os transgénicos, preferiu atacar, depois de saber dos últimos dados relativos à destruição da natureza amazónica, a sociedade brasileira e a sociedade internacional que, segundo ela, «critica a desflorestação da Amazónia, mas continua a consumir produtos que contribuem para essa mesma desflorestação».

O que é difícil explicar, é como o Brasil, possuindo a legislação mais exigente e moderna sobre a defesa da natureza e dos seus santuários, não consiga travar à sua devastação, nem parar as pistolas que assassinam todos quantos se opõem à essa destruição, como foi patente a recente execução da religiosa norte-americana, naturalizada brasileira, Dorothy Mãe Stang que há 40 anos lutava contra a pilhagem e a devastação da Amazónia , e cujo assassínio revelou à comunidade internacional as extremas dificuldades em levar à prática a lei, face às conivências entre terra-tenentes, polícias, políticos locais e juízes corruptos numa trama de impunidade contra a qual se desfazem os esforços governamentais. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, do Episcopado do Brasil, entre 1985 e 2004, registaram-se 1.349 assassinatos de pessoas empenhadas contra os saqueadores da Amazónia. Desse total, só 75 desses assassinatos foram a julgamento, e apenas 15 pessoas acabaram por ser condenadas. Todas elas, acrescente-se, apelaram da sentença.

Referindo-se aos responsáveis pela desflorestação, o diário Globo afirmava no seu editorial na passada 3ª feira: «São sempre os mesmos, como também é sempre a mesma ineficiência do Governo na preservação do maior património natural do país.»


Como nota de curiosidade saiba-se que o actual Governador do Estado do Mato Grosso é Blário Borges Maggi, 50 anos, quem chamam o rei da soja, por ser o maior produtor mundial de soja, controlando a sua família o Grupo Amaggi, um gigantesco grupo empresarial, sedeado no Estado do Mato Grosso, que factura mais de 600 milhões de dólares e que é responsável por uma área de cultivo de 50.000 hectares de soja, 12.000 hectares de milho e 2.500 hectares de algodão. O grupo produz 2,2 milhões de toneladas de soja, o que representa 5,2 % da produção nacional brasileira.
Resta acrescentar que Maggi é visto como o inimigo número um por parte dos ecologistas que o acusam de ser o maior responsável pela desflorestação da Amazónia.


Estima-se que na Amazónia seja um santuário onde estejam albergadas 30.000 espécies de plantas, 2.500 espécies de árvores, 3.000 tipos de peixes diferentes, e um terço da madeira tropical do planeta. É também na Amazónia que se registam em cada ano,mais de 300.000 incêndios, uma grande parte provocados pelos madeireiros, criadores de gado e agricultores.

Recorde-se que o prestigiado intelectual brasileiro, que já foi Ministro da Educação do governo de Lula, e ex-governador de Brasília, Cristovam Buarque, autor de mais de 40 livros, afirmou num dos seus célebres textos:
«Como brasileiro, estou contra a internacionalização da Amazónia, apesar da degradação ambiental desse património. Mas como humanista, admito essa hipótese. Mas então, que se internacionalizam também todas as reservas de petróleo do mundo, todos os museus e toda a infância para que deixe de haver fome e haja direito à educação»

(tradução do texto publicado no El País de 28 de Maio de 2005)

O dinheiro

«O dinheiro representa hoje uma nova forma de escravatura impessoal que substituiu a antiga escravatura da pessoa» ( Tolstoi)

Homenagem em Madrid aos professores republicanos anti-franquistas




Foram homenageados ontem em Madrid milhares de professores republicanos que foram perseguidos e mortos às mãos das hostes facínoras dos esbirros de Franco,o ditador fascista de Espanha.

Os professores republicanos foram talvez um dos grupos sociais mais perseguidos e mortos pela repressão fascista de Franco, logo que chegou ao poder do Estado espanhol.
Calculam-se em cerca de 60.000 casos de professores perseguidos e depurados dos seus postos de trabalho. Tratava-se de um grupo profissional com tendências progressistas e reivindicativas que tinham acolhido com entusiasmo retirar Espanha da miséria e do atraso em que se encontrava.Por isso mesmo, o regime fascista de Franco puniu, com extrema severidade, o atrevimento dos professores e, ao persegui-los, fuzilá-los e expulsá-los das escolas públicas, estava ao mesmo tempo a facilitar e incentivar a entrada em força do nacional catolicismo nas instituições educativas franquistas

Pede-se ao cidadão para ter bom senso, coisa que falta ao mercado…!



Segundo o Banco de Portugal, o conjunto das famílias portuguesas deviam 117% do seu rendimento anual em finais de 2004. De acordo com as previsões, a dívida vai subir ainda mais este ano.Trocados por miúdos, estes números significam que as famílias que contraíram empréstimos recorrendo ao crédito teriam de trabalhar mais de um ano, sem gastar um cêntimo em alimentação, vestuário, saúde, escola, transportes, livros, férias – sem pagar um tostão em nada! -, apenas para poder pagar o que devem! (…)
Como é possível? Pois graças aos méritos do abençoado sistema de mercado. Este novo deus garante-nos que é preciso produzir cada vez mais, a mais baixo custo e consumir cada vez mais. Portanto, é indispensável gastar, gastar sempre mais – mesmo quando já não há dinheiro para gastar. Que importa! A publicidade existe para criar as apetências e o crédito para engordar a carteira vazia. (…)
Excluindo, como está, que os portugueses sejam globalmente estúpidos, inconscientes ou incapazes de deitar contas á vida, sobram as razões evidentes que os levam a hipotecar o real para sobreviver no virtual. Esses motivos são os estímulos da publicidade, a par do incitamento ao crédito. Enquanto a publicidade procura vender o máximo, a todos, fazendo crer a cada um que é diferentes dos outros, as instituições de crédito concedem empréstimos ao consumidor, tentando passar a ideia de que o crédito não custa dinheiro. (…)
Tenho dificuldade em imaginar o Governo (…) a pedir a todos os vendilhões de sonhos e de supérfluo que deixem de fazer publicidade – e a pedir aos v«bancos que deixem de conceder crédito como quem empresta corda a um enforcado… A pedir e, menos ainda, a exigir. Se exigência houver, receio bem que seja dirigida ao cidadão (…) para que tenha o bom senso que manifestamente falta a um sistema de mercado…


(excerto de um artigo de José Manuel Barata-Feyo, publicado na revista «Grande Reportagem» de 28 de Maio de 2005, sob o título «A nova pirataria»)

Os vencimentos oficiais dos estadistas lusos

Presidente da República – 9657 euros
Presidente da Assembleia da República – 7725 euros
Primeiro-Ministro – 7242 euros
Vice-Primeiro-Ministro – 6759 euros
Ministro – 6277 euros
Secretário de Estado – 5587 euros
Sub-Secretário de Estado – 4742 euros
Vice-Presidente da Assembleia da República – 4311 euros
Presidente de grupo parlamentar – 4138 euros
Presidente da Comissão Parlamentar – 3966 euros
Deputado – 3793 euros

Além disto, os titulares dos órgãos de soberania usufruem das chamadas ajudas de custo diárias: se estiverem em Lisboa recebem 20 euros diários; se estiverem fora de Lisboa as ajudas aumentam para 61 euros diários; e se estiverem no estrangeiro recebem 148 euros diários.

Agfa alemã abre falência e despede 2800 trabalhadores



A conhecida empresa alemã AgfaPhoto, sedeada em Leverkusen, anunciou a sua falência , o que se vai traduzir no despedimento de 2400 trabalhadores não só na Alemanha mas noutros países. A empresa tinha sido recentemente adquirida.

Greve na fábrica da Opel na Azambuja



A linha de produção da empresa da General Motors na Azambuja parou ontem, na sequência de uma greve de 24 horas, convocada pelo Sindicato dos Metarlúgicos, por não haver acordo quanto à actualização salarial. A paralisação foi seguida em 90% dos trabalhadores da linha de montagem.

Erros nos concursos de professores custaram 20 milhões



Os erros de colocação verificados no concurso de professores de 2003/04 custaram ao Estado 20 milhões de euros. Pior é difícil…

Há 30 anos o casamento para os portugueses deixou de ser obra e vontade de Deus...



Até Maio de 1975 os portugueses só podiam casar-se uma vez na vida por força da legislação estatal que seguia o acordo estabelecido na Concordata entre o Estado e a Igreja Católica. Ou seja, os casamentos civis tinham efeitos não só civis como religiosos, não podendo ser dissolvidos por serem considerados pela Igreja Católica como obra e vontade de Deus!!!

Só depois do DL 262/75 de 27 de Maio é que passaram a distinguirem-se os casamentos civis e os casamentos religiosos, cada um tendo efeitos distintos e separados: os primeiros seguiam a lei civil, os segundos seguiam a lei canónica.

Mas até ali e durante todo o Regime ditatorial do Estado Novo de Oliveira Salazar, e por força da Concordata assinada entre a Igreja Católica e o Estado português, os cidadãos portugueses tinham que seguir as normas do direito canónico que considera ainda hoje o casamento como obra de Deus, e enquanto tal, mandamento divino, pelo que é um acto definitivo e insusceptível de dissolução por vontade humana !!! …

Com efeito, para a doutrina cristã o casamento é obra de Deus e, por isso, só por ele pode ser dissolvido, o que significa que os seres humanos, uma vez casados, não podem dissolver o seu casamento.
Como até Maio de 1975 o direito português conferia plena eficácia às normas canónicas sobre o matrimónio, tal significava que o divórcio estava proibido em Portugal !!!

E assim se fazia o ledo e triste Portugal salazarento…


Recorde-se que hoje em dia regista-se em Portugal uma média de 1 divórcio para cada 3 casamentos, instituição cada vez mais desacreditada, e que progressivamente vem sendo suplantada pelo que, muitos libertários, designam por Amor Livre, isto é, uma relação amorosa, assente na vontade livre de dois seres, e liberta da burocracia estatal e eclesial.

27.5.05

Polícia (FBI) vigiou Picasso durante 25 anos



Apesar de Pablo Picasso ter nascido em Espanha, ter vivido a maior parte da sua vidaem França e nunca ter visitado os Estados Unidos, o Departamento Federal de Investigação e o Departamento de Estado dos Estados Unidos conservaram um volumoso e secreto dossier sobre Picasso.
Esses documentos comprovam uma tentativa de preverem o impacte e os efeitos na opinião pública norte-americana da adesão do pintor ao PCF em 1944.

Os cidadãos americanos tiveram ( e têm, certamente), nos organismos estaduais de polícia e de informações, processos e dossiers relativos às suas pessoas por motivo das suas ideias políticas – facto que se iniciou já nos anos 20 com a ascensão de J. Edgar Hoover ao cargo de director do FBI.

Mas, recentemente, alguns documentos desclassificados revelaram que grandes nomes das Artes europeias também eram submetidos a severa vigilância, sem o saberem, no seu próprio país onde residiam, já para não falar quando se deslocavam aos USA. Assim é possível descobrir que o FBI tinha processos e dossier abertos sobre escritores como Thomas Mann, Sinclair Lewis, Ernest Hemingway, William Faulkner, John Steinbeck, Pearl Buck, e pintores como Alexandre Calder, Bem Shahn, Geórgia O’Keefe, Henry Moore.

O dossier relativo a Picasso revela que a Agência Federal norte-americana vigou Picasso durante 25 anos, analisando o que ele escrevia, o que declarava e o que assinava, interessando-se ainda pelas suas relações com outras personalidades do mundo das artes como o artista Fernand Léger, o escritor Louis Aragon, o arquitecto Le Corbusier,o actor-realizador Charlie Chaplin.

O dossier sobre Picasso é classificado pelo FBI como «assunto de segurança – C » ( isto é, comunista) e como um possível subversivo – de acordo com os seus padrões, uma ameaça para a segurança e bem-estar dos Estados Unidos.

Tal como muitos outros registos do FBI, o dossier contém informações repetidas e desconexas. O capítulo biográfico do dossier inclui observações acerca da sua vida pessoal: «Vive tranquilamente com uma mulher mitos anos mais nova, também ela artista e comunista, de quem tem dois filhos.».

Outros documentos referem as relações internacionais do artista. Num memorando datado de 1945 pode-se ler: « Como se sabe, os comunistas adoptaram como emblema da sua campanha internacional uma pomba branca, obra do pintor espanhol Pablo Picasso. O pássaro pintado por Picasso pertence a uma espécie conhecida como Russian Trumpeter.» Parece dar-se a entender que o pombo é um simpatizante comunista!

O seu dossier continuou a ser alvo de referências até 1971. Isto apesar de Picasso ter abandonado o PCF depois da invasão soviética da Hungria em 1956.

A explicação dada foi que Picasso seguia a tradição anarquista espanhola. Era um comunista, mas não seguia a linha do partido.

Amigos do pintor não hesitaram em dizer que Picasso se tivesse sabido que o FBI o vigiava ter-se-ia rido às gargalhadas. Mais: teria, sem dúvida, pedido que lhe pintassem o nariz de vermelho e contado piadas e anedotas acerca disso.

(texto elaborado a partir de um artigo do New York Times, traduzido e reproduzido no Diário de Notícias de 23 de Dezembro de 1990)

Raiz e Utopia



«Raiz e Utopia» foi uma notável revista trimestral que começou a ser editada a partir da Primavera de 1977 pela mão de António José Saraiva, Carlos L. Medeiros e José Baptista, e que se definia como uma revista de «crítica e de alternativas para uma civilização diferente».
Foram publicados vários números, tendo pouco depois a revista ficado a cargo de Helena Vaz da Silva, do Centro Nacional de Cultura.
Ao longo da sua existência a revista conseguiu manter um nível de muita boa qualidade, com textos e ensaios de muito interesse, organizando números temáticos e dossiers sobre vários problemas sócio-culturais.
Publicamos por ora um pequeno excerto do Manifesto Raiz e Utopia que foi publicado no 1º número da revista.

NOTA: Pimenta Negra vai proximamente editar o texto integral desse Manifesto, dado o elevado interesse histórico e cultural de que ele se reveste.


Raiz e Utopia ( manifesto)
Autores:
António José saraiva
Carlos L. Medeiros
José Baptista


Os burocratas, tecnocratas e salvadores políticos dos vários mundos, independentemente das suas diferenças de situação e doutrina, estão empenhados em consolidar um sistema em que a grande maioria dos homens executa mecanicamente as decisões tomadas por alguns. Torna-se cada vez mais urgente restituir a cada homem a sua humanidade, quadriculada e esquartejada num mundo cada vez mais programado.
«Raiz e Utopia» não propões uma nova doutrina no plano político e ideológico em que se exibem os actores do dia. Não contribui para o discurso dominante. Tão-pouco alinha com o que é moda chamar «ciência». Recusa a ilusão do «progresso» considerando que a famosa «marcha da humanidade» é um comboio num túnel em forma de funil. Os problemas de raiz estão hoje escamoteados no discurso tecnoburocrata. É preciso mudar radicalmente a problemática a partir do quotidiano, transformar a atitude do espírito perante as coisas. A utopia não é um impossível: é um norte, a leste ou a oeste das ilusões confortáveis que hoje são servidas como ópio às massas resignadas.

26.5.05

Guantánamo é o Gulag do nosso tempo, diz a Amnistia Internacional




A Inglaterra e o EUA estão a violar grosseiramente os direitos humanos na sua pretensa guerra contra o terrorismo, diz a Amnistia Internacional no seu relatório anual tornado público ontem.
Irene Khan, secretária geral da Amnistia, acusa os dois governos de pactuar com a tortura enquanto tentam ocultar e branquear as suas responsabilidades.


A Inglaterra usa cinicamente a linguagem da liberdade e da justiça para justificar os próprios atentados aos direitos humanos. O governo britânico tem procurado garantias diplomáticas de países terceiros, para o quais pretendia deportar as pessoas, branqueando assim a sua responsabilidade na tortura e nos atentados aos direitos do homem.

" Toda uma operação tem vindo a ser montada, em nome e usando a linguagem da liberdade e da justiça para desenvolver políticas de medo e insegurança. Isto inclui até tentativas cínicas para redefinir a tortura”, declarou Irene Khan.

Recordou ainda que os Estados Unidos anunciaram que estavam a promover a liberdade no Iraque. Porém, as suas tropas cometeram torturas pavorosas, maltrataram detidos e provocaram milhares de mortos.

Irina Khan, secretária-geral da Amnistia Internacional define Guantánamo Bay como " o gulag de nosso tempo ".

Pior que tudo isso os Estados Unidos estão a fixar o tom e os padrões de conduta para os restantes governos. Quando o país mais poderoso comete sistematicamente uma série de atentados aos direitos humanas de forma tão cruel e grosseira, convidando outros governos a acompanhá-lo nos seus actos está no fundo a impor uma norma de conduta mundial que atenta contra a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a própria Civilização tal como a conhecemos.

O que é o Tratado Constitucional Europeu( breve explicação)


Quem tenha a paciência de ler o Tratado Constitucional Europeu que está a ser objecto de aprovação nos vários Estados membros da União Europeia chega facilmente à conclusão que a Constituição, que nos é proposta e em vias de ser referendada, contém os seguintes ingredientes:

Livre concorrência = 85%

Liberdade = 5 %

Solidariedade = 2%

Militarismo = 8%

Democracia Participativa = 0%

As 10 razões para votar sim ao Tratado Constitucional Europeu



Se você quiser:

1º) Que os capitais e as mercadorias sejam colocados ao mesmo nível que os seres humanos ( conferir Artigo I.3 e i.4, Preâmbulo do Título III), vote no sim

2º) Que daqui para a frente o direito comunitário prevaleça sobre o direito dos Estados membros ( Artigo I.6) e que as normas comunitárias sejam directamente aplicáveis sem passar pelos Parlamentos nacionais ( ArtigoI.33.1), vote no sim.

3º) Que a Comissão Europeia, órgão não-eleito, disponha do direito de propor textos legislativos ( Artigo I.26.2), vote no sim.

4º) Que os Estados membros se comprometam a aumentar o seu orçamento militar (Artigo I.41.3), vote no sim.

5º) Que os cidadãos só possam «convidar» a Comissão Europeia a fazer propostas a fim de aplicar a Constituição ( Artigo I.47.4), vote no sim.

6º) Que o direito de greve tenha de ser reconhecido pelos…empregadores ( artigo II.88), vote no sim

7º) Que a primeira coisa a salvaguardar em caso de crise social ou de guerra deva ser «o funcionamento do mercado» ( artigo iii.131), vote no sim.

8º) Que o Tratado constitucional só fale uma única vez de «serviços públicos», vote então no sim

9º) Que a legislação nacional que proteja as terras agrícolas seja abolida, e o seu comércio liberalizado ( Aritog III.138.e), vote no sim.

10º) Que o prestador de um serviço industrial, comercial, artesanal ou um profissional liberal possa exercer a sua actividade num Estado da sua escolha, mas segundo as condições existentes do seu país de origem ( princípio da directiva Bolkenstein, e Artigo III.145), vote então no sim.


Bom, e se no fim disto tudo, ainda estiver interessado em votar no sim, volte à escola primária que ainda não percebeu que lhe estão a passar a perna, ao condená-lo á figura de idiota feliz…no reino da Eurolândia.

Léo Ferré: As palavras são mais perigosas que as metralhadoras



«Para mim as palavras são sempre importantes. Creio que a palavra é a arma mais perigosa que existe. Bem mais perigosa que a metralhadora. As palavras ficam.» ( Léo Ferré)

Por altura de um dos concertos dados em Portugal em 1982 o antigo jornal «Sete» entrevistou Léo Ferré, músico e cantor francês, conhecido pelas suas músicas e pelas suas opiniões anarquistas. Dessa entrevista, publicado pelo «Sete» de 31/3/1982 reproduzimos algumas passagens.

- Dizem que Léo Ferré é o sobrevivente de uma geração perdida…
Léo Ferré – Melhor que isso: que sou o porta-voz de um mundo perdido. É isso, de facto, prque tenho a impressão de que fui inspirado…Para me fazer compreender, eu falo de um mundo perdido, porque ele existe, certamente. Não o vemos, mas eu persisto…Prefiro pensar que aquilo a que se chama alma são os extraterrestres, as coisas que estão para lá do nosso entendimento, mas que existem. Quer sejam Deus, ou um tocador, ou a música, ou um violoncelo. Mas de certeza que não sou um fascista…
- O «mundo perdido» é a Utopia?
Léo Ferré – Não. Eu vou dar um exemplo: se olhares para um carreiro de formigas, tu dizes:«Que interessante que isto é!» E não tens necessidade de intervir, porque as formigas são demasiado pequenas. Ora, eu penso que há certamente outras pessoas no Universo que olham para nós, e nó somos as formigas. E é por isso que não há uma intervenção contra o terror deste mundo. Terror político, claro. Não há intervenção contra os que torturam e matam pessoas em El Salvador e na Guatemala, por exemplo. (…) Se eu lhes chamo o «mundo perdido» é porque é um mundo que nós inventamos, que não se vê. E é muito bom dizer que ele existe, porque constitui uma esperança. E sem ela não se podia viver…
- Qual é o teu papel entre as formigas?
Léo Ferré – Eu faço música, sou a formiga que canta…
(…)
-Isso quererá dizer que há esperança de futuro na juventude?
Léo Ferré – Sim. (…) Em França, por exemplo, os economistas fazem os orçamentos para a «defesa nacional», para a guerra, têm problemas porque os aviões, as máquinas, os carros de assalto estão fora de moda. Mas com metade daquilo que se gasta para preparar os meios de defesa, os generais, os soldados, podia-se dar u subsídio aos jovens…
- Isso é a subversão?
Léo Ferré – Claro, é porque eu sou um subversivo…
(…)
-Porque vives no campo?
Léo Ferré – Porque tenho possibilidade de o fazer. Tu não podes viver no campo, mesmo que queiras, porque trabalhas aqui, numa cidade. E nas cidades as pessoas não se conhecem nem se amam. (…) Para mim as palavras são sempre importantes. Creio que a palavra é a arma mais perigosa que existe. Bem mais perigosa que a metralhadora. As palavras ficam.
-Porque essas canções?
Léo Ferré - «Thank you Satan» é um agradecimento a Satanás por fazer de nós «maus». A outra é um agradecimento a Deus por todas as porcarias que nos envia lá de cima…

As emissões de gases em Portugal



No ano de 2002 Portugal emitiu cerca de 81,98 Mt Co2e, o que representa um aumento de mais 40% das suas emissões de GEE relativamente ao ano de referência de 1990. Esta evolução é assustadora e, ao mesmo tempo, terrível tendo em conta o facto de Portugal ao ter subscrito o Protocolo de Quioto se ter comprometido a não aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em mais de 27% até ao ano de 2012, a partir do ano de referência de 1990. Ou seja, a continuamos assim não só não cumprimos o que está estabelecido naquele Protocolo como nos arriscamos, mantendo este ritmo de crescimento das emissões, a ver aumentado de 54% a 63% o valor de referência registado naquele ano de 1990.
E não se esqueça que o Protocolo de Quioto entrou em vigor no passado dia 16 de Fevereiro de 2005, não se tendo assistido a nenhuma iniciativa ou medida governamental, digna desse nome, que contrarie de alguma forma aquela evolução.

Face à inércia dos responsáveis políticos em iniciativas que mitiguem as emissões de gases de que Portugal é responsável, o comércio europeu de emissões, e a atribuição de licenças de emissão, constituirá o eixo para algum controle sobre a matéria. Ou seja: Portugal aparece à partida como um dos principais interessados, na posição de comprador, na aquisição de direitos de emissão para poder continuar a aumentar o ritmo de emissões de gases.
Reconheça-se, desde já, que um tal mercado é altamente promissor para quem venda. Com efeito, cada tonelada de CO2 é vendida por cerca de 17 euros.
E já há estudos que prevêem que Portugal tenha de gastar 300 milhões de euros anuais na compra de licenças de emissão de CO2.

Registe-se, finalmente, que segundo um relatório da Comissão Europeia o nosso país é, dos 15 países membros, aquele que mais desperdício produz em termos energéticos: para produzir uma mesma quantidade de riqueza gasta mais de 12% de energia do que gastava em 1991. Tudo isto é revelador de desperdício, péssima gestão e falta de visão…

21% dos portugueses são excluídos sociais



Segundo dados fornecidos pela imprensa 21% dos portugueses vivem actualmente em situação de exclusão social. Nesta altura, existe dois milhões de portugueses a viver abaixo dos 60% do rendimento médio definido pelo Eurostat para Portugal. São, pois, 21 % de portugueses que vivem em condições de exclusão social, isto é, um em cada cinco portugueses vivem sem condições mínimas.

Portugal, apesar de pertencer ao grupo dos países desenvolvidos, apresenta números de pobreza muito semelhantes aos países subdesenvolvidos, o que coloca o nosso país na cauda da Europa em matéria de exclusão social.

O rock segundo Bento XVI




O cardeal Ratzinger, investido actualmente nas funções de Sumo Pontífice da Igreja Católica, foi durante anos o teólogo guardião da ortodoxia da fé religiosa católica. Num dos inúmeros escritos, Ratzinger escreve sobre música, em particular o rock nestes termos:

« (O Rock)… é a expressão das paixões elementares que, nos grandes ajuntamentos musicais, assume o carácter de culto, ou melhor dito, de contra-culto, e que se opõe ao culto cristão.»

O Guardador de rebanhos

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhes flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Fernando Pessoa
(in Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos)



Leitor e rebeldia



«O espírito de rebeldia é a essência de todo o acto de leitura. Cada leitor deve tornar-se um rebelde»

Alberto Manguel, in Expresso de 21/5/2005

Poluição nas pedreiras em Lourosa

Segundo análises feitas às àguas, estas encontram-se contaminadas na freguesia de Loursa (Sta Maria da Feira). Tal facto deve-se ao depósito de lixo, algum dele de carácter tóxico, ao longo de décadas que, entretanto, foi soterrado. Foram detectados 1800 microgramas de alumínio nas água das captações particulares, quando os valores máximos permitidos não deveriam ultrapassar os 200 microgramas/litro, calculando que as águas estejam contaminadas numa profundidade de 150 metros

Governo encomendou 31 mil espingardas



O anterior governo Santana/Portas adjudicou a compra de 31 mil espingardas à empresa alemã HK-Heckler & Koch, associada ao grupo Espírito Santo por intermédio da empresa Escom, a fim de substituir as antigas G-3. As outras empresas interessadas acusam o concurso público de total falta de transparência, e ter sido especialmente montado a pensar na empresa alemã. As acusações partem da empresa canadiana Diemaco, uma fábrica de armas que pertence ao grupo norte-americano Colt.

Com menos de um dólar por dia, vivem milhões de pessoas



Actualmente, cerca de 1,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com menos de um dólar por dia.

Os 8 objectivos do Milénio



A cimeira do milénio realizada em 2000 aprovou os 8 objectivos a serem atingidos até 2015:

- reduzir para metade a pobreza extrema e a fome
-universalizar o ensino primário
-promover a igualdade entre os sexos
-reduzir em dois terços a mortalidade infantil
-combater o HIV/Sida, a malária e outras doenças
-garantir a sustentabilidade ambiental e criar um processo mundial para o desenvolvimento

17,1 milhões de refugiados



Em 2003 existiam 17,1milhões de refugiados, informava a imprensa de hoje.

A (não)ajuda ao desenvolvimento



Portugal prometeu chegar aos 0,36% do PIB para a ajuda ao desenvolvimento em 2006, e aos 0,5 % em 2010.

Mas o que realmente acontece é que essa ajuda não é canalizada para financiar o desenvolvimento directo, mas antes é utilizada para pagar a entidades portuguesas pela assistência técnica aos países pobres.
Esta perversão e este desvio de ajudas é severamente criticada pela responsável pela Campanha dos objectivos de desenvolvimento do Milénio,Evelyn Herfkens.

Greve na BBC



Mais de 11.000 trabalhadores dos 25.000 trabalhadores da BBC aderiram àjornada de greve no passado dia 23 de Maio.

Manifestação dos trabalhadores da EMEF



Perto de 200 trabalhadores da Empresa de reparação e manutenção do material ferroviário (EMEF, controlada pela CP) realizaram no dis 23/5/05 um greve de duas horas que culminou com uma manifestção pelas ruas da cidade do Porto a fim de protestar contra as multinacionais como a Alstom e a Bombardier. Esta iniciativa deve-se ao facto do Governo português querer utilizar a EMEF nas negociações com a Bombardier acerca do destino a dar à fábrica que esta empresa tem na Amadora, e que foi encerrada por decisão daquela multinacional.

Mais um lay-off na Rohde



A multinacional de calçado alemã Rohde, sedeada em Santa Maria da Feira, anunciou a aplicação do lay-off a 900 trabalhadores entre Junho e Agosto. O Sindicato do sector já denunciou a situação por entender que não há falta de encomendas nem de trabalho, mas sim uma decisão da empresa em deslocalizar as encomendas para outros países.
Recorde-se que durante a situação de lay-off, caberá à Segurança Social suportar 70% do salário dos trabalhadores, que tendo uma forte redução do seu horário de trabalho, recém apenas o salário mínimo.

Os Portugueses são conservadores


Um estudo elaborado por um instituto francês traça um retrato dos portugueses, revelando a sua mentalidade conservadora quer quanto à imigração, ao papel das mulheres, e bem assim como sobre o aborto.

Só 49% dos português apoiam o rendimento mínimo ( contra os 63% dos europeus). Em contrapartida, 86% dos portugueses são favoráveis à prestação de cuidados de saúde gratuitos ( mais que os 85% dos europeus que têm a mesma opinião).
60% dos português acreditam nas virtualidades da livre concorrência ( contra 73% dos europeus), mas já 65% não aceitam qualquer alteração na legislação relativa aos despedimentos e contratação laboral.

51% dos português acham a homossexualidade como uma forma aceitável de vida (contra 64% dos europeus)
59% dos portugueses opõem-se à pena de morte ( ao passo que 60% dos europeus têm a mesma opinião)

General iraquiano colaboracionista foi morto


O general iraquiano que dirigia as operações contra os resistentes à ocupação norte-americana foi morto a tiro nas ruas de Bagdad, anunciaram as agências de informação internacionais

15.5.05

Dia Internacional da Objecção de Consciência ( 15 de Maio)



Um direito fundamental! O direito a invocar a nossa consciência contra a lei!


Recusar o serviço militar, por exemplo, é um direito da nossa consciência.

O Direito à objecção de consciência - direito que é inerente a qualquer pessoa - vem a consistir no respeito pelos ditames da sua própria consciência, pelos princípios filosóficos, morais ou religiosos que o indivíduo escolhe para si mesmo, de tal forma que ao invocá-los mais não faz que afirmar e exprimir a soberania e a dignidade da pessoa humana. A sua simples invocação pode traduzir-se naturalmente na recusa à prática de certos actos ou actividades que possam contrariar de qualquer forma aqueles princípios. O direito à Objecção de Consciência inspira-se directamente na Declaração Universal dos Direitos do Homem, nomeadamente, quando aí se diz que "toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, e de consciência", encontrando-se ainda consagrado na Lei Fundamental do Estado Português e na legislação ordinária ( Lei da Objecção da Consciência: Lei nº 7/92 de 12 de Novembro).

O direito à objecção de consciência pode ter várias concretizações, mas aquela que é mais conhecida porque mais vulgar é a da objecção (recusa) à prestação do serviço militar, ou seja, abster-se a contribuir para a prática de actos de guerra e de violência - ou para o seu treino e preparação, o que vem dar ao mesmo - por motivo de imperativos da sua consciência, e dos valores que nela vivem.

O direito à objecção de consciência encontra-se já consagrada na legislação portuguesa, assim como em alguns países com regime democrático. Mas o reconhecimento legal deste direito nem sempre foi fácil, nem ainda hoje o seu exercício é aceite por alguns países e instituições (recorde-se os casos dos Objectores de Consciência em Israel que se recusam a alistar-se, ou a serem enviados para os territórios palestinianos ocupados pelo Exército israelita).

Este facto deve-se a razões obscuras, senão mesmo por falta de conhecimento sobre o assunto, quando não por simples abuso de poder do Estado ( que tudo pensa poder sacrificar em prol dos seus interesses), mormente do seu aparelho de guerra, que é o Exército, quando este sente o seu funcionamento regular prejudicado por coisas tão "mesquinhas e insignificantes" (!!!) como são as consciências humanas.

A situação hoje é muito melhor que no passado pois a evolução histórica tem sido marcada pela necessidade do respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos indivíduos, respeito esse cada vez mais enraizado na consciência jurídica dos indivíduos se bem que nem sempre aplicado pelo próprio Estado.

Mas muito ainda há a fazer neste campo até que se possa dizer que não mais existem consciências censuradas ou violentadas pela "ideia da violência". Por outro lado, nem a actual Lei é perfeita, nem a sua divulgação tem sido feita de maneira ao seu conhecimento generalizado pela população. Daí que se imponha todo um trabalho redobrado de divulgação e esclarecimento sobre a temática da Objecção da Consciência, os seus fundamentos e pertinência, como ainda sobre os concretos direitos e a forma de os exercer por parte de todos os interessados.

Múltiplas questões se poderão colocar e o seu debate e estudo virão certamente ajudar a uma cada vez maior sensibilização e afirmação dos indivíduos face ao poder do Estado, mostrando a tudo e a todos - se necessário fosse - que acima da razão de Estado encontra-se a consciência moral de cada indivíduo.

Construção de uma auto-estrada na Irlanda é um crime contra a Humanidade



Plans to build a motorway close to one of Ireland's most historic sites have been attacked by campaigners as "a crime against humanity".

The Hill of Tara and its ancient burial site in County Meath is Ireland's equivalent of the Valley of the Dead in Egypt, campaigners have said.


Environmentalists and historians have called for the proposed M3 motorway to be stopped.

The proposed route will take the motorway through the Tara-Skryne valley.

'Historical significance'

The road will be largely along the current Enniskillen to Dublin road, north-west of the capital.
Tara, known as Temair in Gaeilge, was once the ancient seat of power in Ireland - 142 kings are said to have reigned there in prehistoric and historic times.
In ancient Irish religion and mythology Temair was the sacred place of dwelling for the gods, and was the entrance to the otherworld.
Dr Muireann Ni Bhrolchain, lecturer in Celtic Studies at the National University of Ireland Maynooth, said that Tara was a monument of massive importance.
She said: "The historical significance of Tara is that it is 6,000 years old.
"It has been inhabited by the kings of Ireland, as far as we know, and by the most important inhabitants of Ireland for that period of time.
"The king of Tara would have been considered the most important king of Ireland up until the 11th or 12th century."
Archaeologists say the nine-mile stretch of motorway will mean the excavation of at least 28 sites and monuments in the road's corridor.
They expect many more sites will be affected, with 48 archaeological zones within 500 metres of the road corridor and about one site every 300 metres along the road itself.


Vincent Salafia from Save the Tara-Skryne Valley campaign has vowed to make a legal challenge against the motorway.
He said: "This is a crime against humanity

The Hill of Tara is our most important national monument. Even the name worldwide evokes the spirit and soul of Ireland.

"It is not just the motorway we are objecting to. Everything that comes with the motorway will turn this area into an industrial area."
The planning appeals board (An Bord Pleanála) took archaeological objections into account when it gave its permission for the project
The National Roads Authority said the motorway was needed because it can currently take up to two hours to travel the 25 miles between Navan and Dublin.


Environmental effect

Michael Egan from the NRA said that the road would be twice as far from the hill as the current Dublin to Navan road.
He said it would be 1.5 miles from the top of the hill to the motorway.
"The board gave its approval to proceed with the construction of the road on the basis that it concluded that the road would not have significant environmental effect and would not impact on the hill of Tara," he said.
Work on the motorway is due to start in 2005 and finish three years later.

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Petição contra o projecto de construção desta auto-estrada na Irlanda
extraído de:
http://www.petitiononline.com/hilltara/petition.html


To: Prime Minister of Ireland, Mr …


Dear Prime Minister,

I object the planned routing of the M3 motorway through the Tara-Skryne valley, and the resulting despoilment this will cause to Ireland’s oldest and most revered national monument.

The archaeological importance of this area is beyond question. After seven years surveying the Hill of Tara and its 80km² hinterland as director of the government funded Discovery Programme, Conor Newman said: “Tara is one of the most important and famous archaeological complexes in the world.… all of our researches point to the valley between Tara and Skryne as an area of paramount importance throughout the history of Tara.”
More recently, 12 eminent Irish historians and archaeologists in letters to the Irish Independent and The Examiner wrote: “The Hill of Tara constitutes the heart and Soul of Ireland. Its very name invokes the spirit and mystique of our people and is instantly recognisable worldwide. The plan approved recently by An Bord Pleanála for the M3 motorway to dissect the Tara-Skryne valley, Ireland's premier national monument, spells out a massive national and international tragedy that must be averted.”
Can anyone doubt the profound cultural importance of Tara and its unique landscape? A landscape honoured and revered by millions throughout the world today and countless generations of Irish people gone before us. Nowhere else in Ireland is there a landscape that can claim the Tuatha de Danann, Celtic Gods and Goddesses, St. Patrick, Daniel O’Connell, Thomas Moore, heroes and High Kings from Fionn MacCumhail to Brian Boru, an archaeological complex of temples, tombs, enclosures and henges spanning five millennia, and a continuous place at the centre of Irish spiritual, cultural, political and literary history, as part of it’s fabric.
Yet it is through the very heart of this landscape, that Meath County Council, the NRA and the Irish Government wish to build a motorway, which will impact at least 141 known sites. According to Dr Conor Newman, this is just “the tip of the iceberg”.
Roads, of course, are necessary to relieving the nightmare of traffic congestion. However, in the absence of any plans to improve the Navan Road/M50 roundabout, the M3 project will not relieve congestion, it will merely move it from one place to another; plugging the worst bottleneck between Navan and Dublin even tighter. Spending €680m on an ineffectual motorway that will ruin Tara forever, cannot be described as progress; rather it constitutes wanton vandalism on a grand scale.
The National Roads Authority has released an estimate of €20m to excavate the route of the M3. I believe this figure could be closer to €100m, since there are more than likely so many monuments yet to be discovered, due to a low-grade geophysical survey carried out during the EIS. I strongly object to this amount of Irish taxpayers money being used to dig up our prize national monument, and other national monuments all around the country, especially in light of the recent High Court finding that heritage protection regulations enacted by your Government are unconstitutional.
And so I am moved to ask you three questions:
1). The M3 plans include the construction of a 34 acre floodlit intersection (Blundelstown) a mere 1,090 meters from the Hill of Tara’s core zone (as defined by OPW); what has, or will, your Office do to preserve the national monument of Tara from this permanent defacement?
2). Why are the people of Ireland being asked to pay €1.3 billion (via toll charges and taxes) for a project estimated at €64, but which cannot demonstrably relieve congestion, will lead to more violations of the Kyoto agreement, and will damage our national heritage irretrievably?
3). What will your Office do to urge re-consideration of the currently approved route for the M3, and/or to engage in a process of generating alternative effective solutions to the very real problem of traffic congestion in the area, such as reopening the Dublin to Navan railroad?

I look forward to your reply, and in the meantime urge you, in your capacity as Taoiseach to oppose the imminent despoilment of Tara by the M3 motorway, and to do all you can in working for the reversal of this disastrous decision.

Sincerely,

Saneamento político na Yale University


David Graeber, antropólogo anarquista e professor universitário na prestigiada Yale University foi alvo de um saneamento político. As explicações oficiais dadas para tal afastamento referem-se ao facto de Graeber ter defendido os estudantes. Todavia, tais razões não convencem ninguém…


Ironically enough, as if he was testing his own hypothesis, internationally respected anarchist anthropol, David Graeber, was fired from Yale University a few days ago. Of course, that wasn't the official explanation. The official one reads that "his contract wasn't renewed" because of his lack of "collegiality". If you would allow me to translate this: the "lack of collegiality" that David had showed was when he was trying to defend his graduate students who were graduate union organizers.
from:
Support Graeber
by Andrej Grubacic
Znet

Os Provos e a contra-cultura



A revolta Provo foi o primeiro episódio em que os jovens, como grupo social independente, tentaram influenciar o território da política. Fizeram-no de modo absolutamente original, sem propor ideologias, mas um novo e generoso estilo de vida anti-autoritário e ecológico. Ao contrário da atitude beat de afastamento para fora da sociedade, os Provos holandeses ( o movimento nasce e desenvolve-se em Amesterdão) empenharam-se descaradamente em permanecerem dentro da sociedade, para provocarem nela um curto-circuito.

Para os mais distraídos, aqueles para os quais a palavra Provo nada significa, é bom lembrar que a contra-cultura teve o seu local de eleição, não na Califórnia, mas na Amesterdão do início dos anos sessenta, por intermédio dos Provos, que tiveram apenas na imaginação a sua única arma.
Com efeito, e diferentemente do slogan de Maio de 68 que queria levar a imaginação ao poder, os Provos utilizaram a imaginação contra o poder.

Jogo, magia e anarquia foram centrais nas acções dos provos (abreviação de provocador): um grupo de divertidos agitadores que se reuniam para celebrar ritos colectivos contra o fetiche da sociedade consumista. Foi ali que surgiram as primeiras campanhas antipublicidade e antiautomóvel. Ali surgiu aquilo que passamos a chamar de contracultura e se desenvolveu a ideia que a subversão resultava melhor se estivesse misturada com o humor e a irrisão.
Os Provos fizeram de Amesterdão a Meca dos jovens dos anos 60 e 70. O exemplo dos Provos inspirou os diversos movimentos de contestação jovem dos anos 60, inclusive os hippies norte-americanos e os estudantes do Maio de francês de 68.

A «provolução» talvez tenha sido o primeiro exemplo de uma rebelião sem nenhuma causa aparente. A Holanda no início dos anos de 1960 podia considerar-se uma ilha de bem-estar e tranquilidade. Isto é, «não existia nenhum motivo comcreto para protestar contra a ordem constituída», segundo as palavras de um historiador do movimento Provo. Decerto que não existia nenhum motivo, a não ser, naturalmente, a …própria existência da ordem constituída.

Reproduz-se o manifesto programático do jornal dos Provos, lançado em 1965:

PROVO é uma folha mensal para anarquistas, provos, beatnicks, noctâmbulos, amoladores, malandros, simples simoníacos estilistas, magos, pacifistas, comedores de batatinhas fritas, charlatães, filósofos, portadores de germes, moços de estribarias reais, exibicionistas, vegetarianos, assistentes do assistente, gente que se coça e sifilíticos, polícia secreta e toda a ralé deste tipo.
PROVO é alguma coisa contra o capitalismo, o comunismo, o fascismo, a burocracia, o militarismo, o profissionalismo, o dogmatismo e o autoritarismo.
PROVO deve escolher entre uma resistência desesperada e uma extinção submissa.
PROVO incita à resistência onde quer que seja possível
PROVO tem consciência de que no final perderá, mas não pode deixar escapar a ocasião de cumprir ao menos pela quinquagésima e sincera tentativa de provocar a sociedade.
PROVO considera a anarquia como uma fonte de inspiração para a resistência
PROVO quer devolver vida à anarquia e dá-la a conhecer aos jovens
PROVO É UMA IMAGEM


E, mais tarde, quando se dissolveram, na sua declaração podia ler-se:

«Não podemos convencer as massas, e nem é isso que nos interessa. O que poderemos, realmente, esperar desse bando de apáticos…? É mais fácil o sol surgir no Oeste do que eclodir uma revolução nos Países Baixos.
Somos Provo…, mas, então, porquê? Não é certamente para nos entediarmos. Nem fazemos provocações por falta de paz. Porquê, então? Porque este mundo está cheio e atolado de exércitos, Estados, polícias, espiões, cavalos de batalha, muros de vergonha, bases de mísseis, rampas de lançamento, quartéis, mortos de fome, histeria religiosa, burocracia e campos de extermínio…Nós não somos tão ingénuos a ponto de acreditar que possamos transformar este mundo, num piscar de olhos, num lugar ideal(…) Posto isto sempre diremos: nunca transfiram para outros o vosso poder.»


( excertos de «Provos, Amsterdãoe o nascimento da Contra-Cultura» de Matteo Guarnaccia, segundo a tradução brasileira do colectivo Baderna, editado pela editora Conrad)

12.5.05

A super dívida dos Estados Unidos



Os Estados Unidos tornaram-se no maior devedor de sempre na história. As importações americanas ultrapassaram no ano passado as exportações com um montante record de 666 mil milhões de dólares, alargando a dívida externa americana para mais de 3.000 biliões de dólares. Pela primeira vez na história o país mais poderoso é também o maior devedor mundial. E os números de 2005 só mostram que a situação vai piorar.
Este rápido crescimento da dívida americana provoca um claro mal estar em todo o mundo. Pelo simples motivo que ela poderá levar a uma súbita e vertiginosa queda do dólar, ao disparar das taxas de juro, e à desestabilização dos mercados financeiros, originando mesmo um grave recessão mundial. Mas o que faz a Administração Bush? Nada. Quando se lhes pergunta porque nada fazem, a resposta invariável é que não há motivo para tal com base em 3 argumentos.
Em 1º lugar porque os défices externos devem ser interpretados como um sinal de força e não de fraqueza da economia americana. Para John Taylor, número dois do tesouro, o Ministério das Finanças americano, «os estrangeiros querem investir nos EUA. É isso que revelam os nossos défices». Isso é verdade. Durante o boom da bolsa dos anos Clinton, os investidores procuravam os Estados Unidos em busca do lucro fácil. Mas agora já não é o caso. A maior parte dos défices americanos é financiada pelos bancos centrais, em especial, os asiáticos.
Seguindo este raciocínio, as autoridades financeiras apresentam um segundo argumento. O Japão, a China e os países do Sudeste asiático financiam os nossos défices porque, para apoiar o crescimento nas suas economias, eles exportam para o mercado mais rico do mundo, o norte-americano. Não fazem pois qualquer favor. Agem simplesmente em função dos seus interesses. As estatísticas sugerem, porém, que há um limite para tanta boa vontade dos asiáticos. É que os dólares acumulam-se em grande velocidade nos bancos centrais desses países – cerca de 850 mil milhões de dólares no Japão, mais de 600 mil milhões na China, 250 mil milhões em Taiwan, 200 mil milhões na Coreia do Sul…Ou seja, os países asiáticos estão desejosos de manter as suas exportações para os Estados Unidos, mas o seu apetite por dólares não é infinito.
Apresenta-se então um 3º argumento. Os bancos centrais asiáticos financiam os défices norte-americanos, não porque o querem, mas porque o devem fazer. É que se não quisessem mais dólares, a moeda americana sofreria uma fortíssima depreciação que se traduziria em perdas maciças para as suas reservas e provocaria uma baixa de competitividade das suas exportações. Será que estão prontos a causar tanto dano a si próprios? A administração Bush confia que não.
Na verdade, os países asiáticos no seu conjunto não tem grande interesse no desencadear de um tal processo. Mas de forma pontual e individualizada, cada qual pode estar inclinado a vender os seus dólares o mais rapidamente possível empurrando as perdas para os outros…Até quando poderemos pois esperar a complacência deles? É que uma descida d dólar pode dar-se a qualquer momento. E Bush continua a nada fazer.



(tradução de um artigo de Benjamin J. Cohen, professor de economia política internacional na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, e publicado na Revista «Alternatives Economiques» nº 236, Avril 2005)

11.5.05

Foucault: o filósofo que escrevia caixas inteiras de ferramentas


As ideias de Michel Foucault nunca repousam sobre a superfície das coisas. Elas são, para alguns, as proteínas da filosofia contemporânea. A lucidez das análises e a capacidade para operacionalizar e reinventar o seu pensamento, com o propósito de colocar o seu discurso num nível mais profundo, continua a cativar milhares de pessoas que procuram na sua obra as ferramentas para tornar mais compreensível a nossa realidade.

Em 1975 numa entrevista Foucault dizia: " Todos os meus livros são pequenas caixas de ferramentas. Se alguém quiser abri-las, usar uma frase ou uma analise como um detonador ou então uma pinça para provocar um curto-circuito, desqualificar e romper com sistemas de poder, inclusivamente aqueles de onde saem os meus livros, tanto melhor."

Era também conhecido por ser o filósofo que queria fechar as escolas e abrir as portas das prisões.

O principal contributo de Foucault foi dar consistência teórica a um pensamento que precisava do caos. Sem se considerar anarquista, Foucault é o filósofo da anarquia, isto é, da vida.

O seu grande esforço foi pensar a política sem centrá-la no Estado. A política, para ele, trata da vida, do governo da vida.

the irrisistable rise of global anticapitalism




Saiu há já alguns meses atrás um pequeno livro que constitui um valioso inventário das lutas anticapitalistas dos últimos anos. Tem o significativo título - «the irrisistable rise of global anticapitalism» - e foi realizado e editado pelo colectivo « We are everywhere» . É um livro
que se recomenda vivamente, pois não duvidamos que constituirá uma fonte da história contemporânea, em particular da luta anticapitalista.

Consultar:
http://www.weareeverywhere.org/
Os editores deste colectivo:
Katharine Ainger, a writer, activist and co-editor of the New Internationalist magazine. She believes that releasing all the untold stories in the world might transform it. Half British and half Indian, she grew up between Asia and Europe, and over the years has periodically returned to work with and learn from Asian social movements. She has written for all sorts of outlets from serious broadsheets, to disreputable radical publications. She currently lives on an island in the middle of the Thames.
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Graeme Chesters, a writer and educator based at Edge Hill College in the northwest of England. He is a co-founder of the Shifting Ground co-operative and is involved in a number of activist and academic networks, some of which curiously and sometimes fruitfully overlap. Presently researching and writing on issues as diverse as global complexity, civil society, and participatory democracy, his biggest challenge is figuring out how to juggle parenthood with paid employment and still remain on the streets. He continues to derive inspiration from the everyday acts of solidarity and defiance that sometimes go unnoticed amidst the more spectacular moments of contention, although he enjoys participating in either. He lives on the edge of the Lake District with Gwyneth and their two children Dylan and Joel.
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Tony Credland, a London-based activist and designer involved with Reclaim the Streets, Indymedia, and the Cactus Network. John Jordan, who spends his time trying to find a space where the imagination of art and the social engagement of politics can be brought together. For 10 years he was a co-director of Platform, an art and social science group, and also worked on a social art project about men and pornography. Since 1994 he has worked in the direct action movements, principally with Reclaim the Streets (1995-2001). He has written and lectured extensively about the anticapitalist movement and was a senior lecturer in fine art at Sheffield Hallam University (1994-2003). He lives in London and mixes his time between trying to creatively overthrow capitalism and looking after his son Jack. He has recently fallen in love with the popular rebellion in Argentina and is involved in numerous projects to spread news and inspiration of the events unfolding there.

Andrew Stern, an activist and documentary photographer who has been involved in the anticapitalist movement in various capacities since a friend dragged him off to his first anarchist gathering some years ago. He can be found working on various photography projects in different parts of the world, including helping to organize a caravan of Indymedia activists to travel throughout South America soon after the economic collapse and popular uprising in Argentina. He is equally comfortable on the front lines of actions with camera in hand or not, and many times will leave his camera at home to play with creative forms of direct action in the streets. Like other members of the collective, the fusion of art and politics is a primary goal in anything he does, along with collecting and sharing stories that are not normally told. His work has been shown in galleries throughout the world and can be found on various Indymedia web sites as well as in the many different publications he works with.
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Jennifer Whitney, who is currently engaged in several balancing acts - reconciling her desire to bring thousands of people together in the streets for inspiring mass actions with her commitment to longer-term struggles of the local and everyday variety; merging her creativity and imagination through writing, dance, and music with her more technical and less sexy skills; and fulfilling her passion for travel , languages, cross-cultural skill-sharing and adventure, as well as her love of gardening, community-building, and other things requiring deep roots. She is a health care worker, and organizes clinics and street medic teams for direct actions. When she's at home in the Pacific Northwest, she can be found working with the Black Cross Health Collective in Portland, or drumming with the Infernal Noise Brigade. She derives much inspiration from Latin America, where rebellion has penetrated many corners of society and erupts into the streets with increasing frequency, and she hopes to continue disseminating those stories of people shaping history.
CONTACT To contact the editorial collective e-mail: info@weareeverywhere.org

10.5.05

Detectados os primeiros sinais de desaceleração da corrente do Golfo




Detectados os primeiros sinais de desaceleração da corrente do Golfo, o que poderia ter como consequência uma forte queda das temperaturas médias nas ilhas britânicas e no noroeste europeu.

Reproduz-se a notícia com data de 9/5/05:

Londres - Los expertos han detectado los primeros signos de una desaceleración de la corriente del Golfo que podría tener como consecuencia una fuerte caída de las temperaturas medias de las Islas Británicas y el noroeste de Europa. Uno de los "motores" que impulsan esa poderosa corriente, el descenso hasta el fondo marino de columnas de agua gélida en el mar de Groenlandia, se ha debilitado hasta el punto de que tiene actualmente menos de un cuarto de su fuerza anterior.
Este debilitamiento, debido al parecer al calentamiento del planeta, podría originar a lo largo de los próximos años fuertes cambios en esa importante corriente y paradójicamente enfriar las temperaturas en buena parte de Europa. Peter Wadhams, profesor de física de los océanos en la universidad de Cambridge (Inglaterra), utilizó submarinos de la Marina Real británica para hacer mediciones bajo la capa de hielo ártico en el mar de Groenlandia.
"Hasta fecha reciente, era normal encontrar una especie de chimeneas gigantes por las que columnas gigantes de agua densa y muy fría descendían hasta el fondo marino a una profundidad de tres mil metros", explica el científico, citado por el dominical "The Sunday Times". "Conforme esas masas de agua gélida bajaban al fondo, eran reemplazadas por otras de agua más caliente procedentes del sur, lo que provocaba una circulación continua. Si ese mecanismo se desacelera, llegará menos calor a Europa", agrega.
Ese cambio, predicho por los científicos, pero sólo ahora demostrado experimentalmente, podría tener un fuerte impacto sobre Gran Bretaña, que está a la misma latitud que Siberia y cuyo clima sería mucho más frío sin el efecto atenuante de la corriente del Golfo. Esta transporta 27.000 veces más calor a las costas británicas del que pueden generar todas las fuentes de energía del Reino Unido y eleva las temperaturas medias en entre cinco y ocho grados centígrados.
Waldham y sus colegas predicen que el debilitamiento de la corriente del Golfo puede acarrear otros fenómenos catastróficos como la fusión completa en verano de la capa de hielo ártico de aquí al año 2020 y como muy tarde con seguridad antes del 2080. Ello sería desastroso para la fauna silvestre, y muchas especies como el oso polar se expondrían a la extinción. Viajando en submarino y con ayuda del sonar, el experto británico ha descubierto que la capa de hielo polar ha perdido un 46 por ciento de su espesor en los últimos veinte años.
Waldham se fijó sobre todo en una capa de hielo, bautizada con el nombre de Odden, que solía formarse en el mar de Greoenlandia cada invierno para perder espesor en verano. El crecimiento de esa capa hace que se formen año tras año las columnas de agua gélida: cuando se congela el agua de la superficie, el cristal de hielo expulsa la sal al agua circundante.
Esta se vuelve más pesada que las capas inferiores, lo que provoca un movimiento descendente. Sin embargo, la capa de Odden ha ido desapareciendo: la última vez que se presentó en su plenitud fue en 1997. "En el pasado veíamos cada año entre nueve y diez columnas gigantescas bajo la capa de Odden, pero en nuestra última travesía sólo descubrimos dos y eran tan débiles que el agua descendente no conseguía llegar al fondo marino", explica el científico, que presentó recientemente sus descubrimientos en Viena

http://noticias24horas.buenosdiasplaneta.org/

«Uma criança que morra de fome, é uma criança assassinada» (Jean Ziegler)


Cada sete segundos morre de fome uma criança menor de 10 anos. Para Jean Ziegler, o conhecido autor suíço e especialista da FAO para questões da fome mundial , quando uma criança morre de fome, significa que é assassinada.
No ano passado o número de pessoas que passam fome no mundo aumentou para 840 milhões de seres humanos, não obstante o aumento da produção agrícola mundial registado.
Aquele autor assegura ainda que o planeta poderia alimentar suficientemente, isto é, com um mínimo de 2.700 calorias, cerca de 12.000 milhões de pessoas, muito mais dos actuais 6.200 milhões seres humanos.Paradoxalmente, são as populações rurais, que produzem os alimentos, aquelas que são as mais afectadas com a fome

Marcha dos sem-terra em direcção a Brasília





Marcha Nacional pela Reforma Agráriade Goiânia a Brasília (de 1 a 17 de maio de 2005)
organizado pelo Movimento dos trabalhadores rurais sem terra ( Brasil)


Uma caminhada pela Reforma Agrária

Ao longo da história do Brasil sempre houve lutas pela terra e pela Reforma Agrária. Na actual realidade brasileira, que revela um alto grau de concentração de renda e de terra, onde o latifúndio continua ceifando vidas sem necessidade, a Reforma Agrária não é apenas necessária, mas um imperativo ético.

É uma das formas mais baratas e rápidas de gerar empregos e de produzir alimentos mais baratos para a população, impedindo que grande número de famílias sejam obrigadas a acampar às margens das rodovias. Com a Reforma Agrária e o fim da impunidade, acreditamos ser possível reduzir drasticamente a violência no campo e o número de mortes causados pela ganância do latifúndio.

Diante dessa situação, o MST, os Movimentos da Via Campesina e outras forças sociais, realizarão uma Mobilização Nacional, a partir de maio de 2005. Uma caminhada para dialogar com a sociedade sobre a necessidade da Reforma Agrária no desenvolvimento do país, para chamar atenção da sociedade e do governo de que a Reforma Agrária ainda é o caminho mais rápido, menos custoso e mais justo para garantir trabalho, alimento, renda, escola para os filhos e futuro digno para milhões de brasileiros e brasileiras que vivem na pobreza no meio rural. É também a forma mais barata de evitar que o êxodo rural seja engrossado, aumentando ainda mais os problemas sociais nas cidades.

Para realizarmos a Mobilização, que custará o sacrifício de milhares de homens, mulheres e crianças, precisamos de sua solidariedade.
Contribua com o que puder e como puder. Algumas entidades amigas abriram uma conta especial para essa astividade e se comprometem a publicar o balanço de todos os recursos que forem arrecadados pela internet e por outros meios.

A conta está em nome de Associação Grito dos Excluídos Continental/Marcha.
Deposite qualquer valor, no Banco Itaú - Agência 0644 - Conta 54.328-2 - São Paulo - SP .
Pode enviar sua mensagem para o correio electrônico:
gritoexcluidos@uol.com.br
Se precisar de algum recibo formal para seu controle ou entidade poderemos enviar pelo correio.

Rebel Girl ( extracto da canção de Joe Hill)

That’s the Rebel Hill, that’s the Rebel Girl
To the working class she’s a precious pearl
She brings courage, pride and joy
To the fighting Rebel Boy
We’ve had girls before, but we need some more
In the Industrial Workers of the world
For it’s great to fight for freedom
With a Rebel Girl

9.5.05

Videovigilância nos autocarros



Cada autocarro dos serviços públicos de transporte dos STCP têm 3 câmaras de vídeo. O interior começa a ser filmado logo que o motor é ligado e só se desliga 10 minutos depois do autocarro ser desligado.. Em caso de incidente o motorista acciona um alarme, com ligação directa ao Centro de Controle,instalado no 10º andar da torre das Antas onde está a sede da empresa. As gravações são guardadas 30 dias. Caso não se justifique, as cassettes são apagadas. As imagens podem, entretanto, ser recolhidas pela polícia que as poderá usar como meio de prova.
Esclarecimento suplementar: a entrada de funcionamento deste sistema careceu de autorização prévia da Comissão Nacional de protecção dos dados.

Fonte: JN de 9/5/2005

Portugal produz 29 milhões de toneladas anuais de resíduos industriais

Portugal produz 29 milhões de toneladas anuais de resíduos industriais, dos quais 254 mil são resíduos perigosos.
Segundo a Estratégia Nacional de desenvolvimento sustentável aprovada pelas entidades governamentais, até 2010 Portugal deverá gerar menos 12,1% do peso de resíduos industriais e menos 20,7% de resíduos industriais perigosos.
Será suficiente, pergunta-se?

Morte de cão tem um bónus de 2% na nota do exame no Reino Unido



Os candidatos ao diploma dos colégios ingleses, ou nível A, correspondente ao final do ensino secundário, terão direito a 2% de bónus se lhes tiver morrido o cão, gato ou peixe no dia da prova. Se tiver sido no dia anterior, ganham 1%.
As novas regras estabelecidas pelo Conselho de Exames prevêm ainda que uma alergia vale 2%,uma enxaqueca 1%, uma crise de asma, ter partido uma perna ou sido testemunha de uma drama valerá 3%. Já a morte de um familiar merecerá um 4% de bónus na nota do exame.
Espantoso, não é?

Mais uma denúncia contra a futura A24 em construção



A construção da A24 que ligará Vila Real a Chaves foi objecto de nova denúncia, desta vez por motivo do seu traçado ir afectar áreas integradas no Sítio da Rede Natura 2000 entre Alvão-Marão.

Estão a destruir o Cabedelo ( Gaia) para construir molhe$$




Segundo notícias vindas a público a construção de molhes na zona do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia, na foz do rio Douro, e defronte da Cidade do Porto, está a causar danos irreversíveis nesta zona, que é um parque natural que devia ser salvaguardado face aos apetites imobiliários da construção civil.

Caretos



Realizou-se em Podence, Macedo de Cavaleiros, neste fim de semana o I Encontro dos Caretos, uma manifestação tradicional de cultura popular. Estiveram presente 5 grupos de caretos: os de Podence e Lagoa ( do concelho de Macedo de Cvaleiros), Ousilhão ( de Vinhais) e os de Salsas e Varge ( concelho de Bragança).
Recorde-se que em Podence existe já a Casa do Careto que visa preservar a história desta tradição popular que consiste num ritualde formação de mascarados por altura das Festas dos Rapazes em Trás-os Montes

8.5.05

Mondovino (filme de Jonathan Nossiter)


Mondovino é um filme-documentário de Jonathan Nossiter que tem granjeado muitas opiniões favoráveis um pouco por todo o lado, tendo já recebido alguns prémios em certames internacionais.
Refere-se ao impacte da globalização capitalista sobre o mundo vinícola e denuncia a artificialização dos vinhos, que os transforma numa espécie de fast-food, em prejuízo da produção local e dos pequenos produtores.
Encontra-se actualmente em cartaz em várias salas de cinema.

A Alemanha quer ver-se livre das bombas atómicas dos Estados Unidos



Segundo o JN o governo alemão anunciou que vai abordar com a NATO a questão da retirada das armas nucleares norte-americanas que estão estacionadas na Alemanha.
Ramstein, na Renânia Palatinato, é o local onde se supõem estarem estacionadas 130 bombas atómicas em bunkers subterrâneos. As restantes 20 estarão numa base aérea da Bundeswehr ( forças armadas alemãs) no mesmo Land.
As Organizações Não-Governamentais «Médicos Internacionais Contra a Guerra Atómica» e a « Natural Resources Defence Counsil»(NRDC) não têm dúvidas ao afirmarem que só no território alemão encontram-se estacionadas 150 bombas atómicas com um potencial destruidor seis vezes superior ao da bomba de Hiroshima.
A NRDC escreve no seu relatório que ainda há na Europa 480 bombas atómicas norte-americanas: 20 na Holanda, 20 na Bélgica, 110 na Grã-Bretanha, 90 na Itália e 20 na Turquia.

Fonte: JN

Musicoterapia



Ries Broos, holandês de 66 anos, radicado desde 2001 no Algarve, na Serra de Monchique é terapeuta de som. Considera que o canto gregoriano é «uma medicina para a alama, calma a mente e eleva o espírito». Na sua formação incluem-se estudos realizados com professores xamânicos da Europa e Estados Unidos, em 1987, e o aprofundamento de estudos em medicina tradicional chinesa.
Além da voz, utiliza sinos tibetanos, paus de chuva, flauta transversal, xilofones, tambores indianos e africanos que transformam cada sessão numa experiência terapêutica e espiritual. Utiliza também os vasos tibetanos na terapia de sons.
Ries afirma que o nosso corpo é constituído essencialmente por água e é com imensa facilidade que as ondas de som se propagam. Uma massagem de sons ajuda a curar doenças e a reestruturar áreas magoadas.

Fonte: JN

População de Vila Verde da Raia contra as Obras do IP3



Os trabalhos de construção da futura auto-estrada IP3 que estão a decorrer entre Vila Real e a fronteira com Espanha, em Vila Verde da Raia, estão a destruir as paisagens naturais e o património natural a favor do todo poderoso automóvel.
Não bastando com tais prejuízos, as obras estão a prejudicar gravemente as populações rurais. A população de Vila Verde de Raia manifestaram-se contra o desenho e a construção de um gigantesco viaduto que lhes corta os acessos aos seus terrenos agrícolas.

Fonte: JN

Duque de Ávila, censor de Eça e Antero, tinha medo da I Internacional



António José de Ávila, conde e marquês de Ávila, e por fim, duque de Ávila e Bolama (1807-1881) ficou conhecido na história por ter proibido as Conferências Democráticas do Casino, durante as quais a Geração de 70 (Antero de Quental ,Eça de Queiroz, e outros) queriam discutir Portugal e o mundo.
Várias vezes ministro e primeiro-ministro, Ávila era um homem de direitta, um oportunista pragmático que estava assustado com as movimentações em Portugal da I Internacional de Marx e Bakunine.
Saiu agora um livro sobre esse personagem, pela mão do historiador José Miguel Sardica, «Duque de Ávila e Bolama, biografia» nas edições Dom Quixote.


A general-chefe da prisão de Abu Ghraib condenada por roubo num supermercado militar

Janis Karpinski, a mulher general do exército norte-americano, responsável pelas prisões no Iraque, e máxima autoridade na prisão de Abu Ghraib onde foram cometidas torturas sobre presos iraquianos, foi despromovida e na sua folha militar encontra-se registada um roubo de cosméticos que teria cometido num supermercado militar quando era ainda Coronel.

Fonte: El País