19.2.09

Hoje, às 19h., vai passar o filme Money as Debt (+ debate), seguido de Jantar Popular, no Centro Social da Mouraria

Hoje, às 19h., no Centro Social da Mouraria ( à Travessa da Nazaré, em Lisboa) vai passar o filme Money as Debt seguido de debate, após o qual se realiza um Jantar popular, a partir das 20h.30, de grão de bico com abóbora acompanhado de couscous e salada de repolho prensada. A não perder

Iniciativa do GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
http://gaia.org.pt/



http://www.moneyasdebt.net/


Money As Debt















Tributo a José Afonso na Academia Santo Amaro (Alcântara) em Lisboa (22 de Fev. as 16h30)


18.2.09

Com o pretexto de combater os terroristas, certos Estados tornaram-se eles próprios em terroristas, e são hoje Estados policiais!


Uma Comissão Internacional de Juristas, na qual participa, entre outras personalidades, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, divulgou um estudo em que afirma que os Estados Unidos e o Reino Unido questionaram activamente o primado da lei e ameaçaram as liberdades civis, sob o pretexto de combater o terrorismo. No mesmo dia, uma ex-chefe do MI5, a contra-espionagem britânica, afirmou que as medidas policiais levaram os cidadãos britânicos a "viver com medo e sob um estado policial".

Dame Stella Rimington, a primeira mulher a dirigir o MI5 de 1992 a 1996, disse numa entrevista ao diário catalão La Vanguardia que teria sido melhor que o governo britânico reconhecesse que havia riscos, em vez de assustar as pessoas para poder aprovar leis que restringem as liberdades, levando precisamente a um dos objectivos dos terroristas: que as pessoas vivam com medo e sob um estado policial.

Stella Rimington criticou também os Estados Unidos, dizendo que foram demasiado longe com Guantánamo, conseguindo o efeito oposto: dar justificação a que mais e mais pessoas ofereçam para participar em atentados suicidas.

Por seu lado, a Comissão Internacional de Juristas, que ouviu membros de governos e pessoas presas por alegados crimes de terrorismo, apelou ao presidente Barack Obama, dos EUA, para derrogar as políticas criadas pelo paradigma da "guerra contra o terror"."Em particular, deveria renunciar ao uso da tortura e outras técnicas de interrogatório, prisões extraordinárias e detenções secretas e prolongadas sem acusação nem julgamento".

A Comissão afirma que a lei internacional tem sido questionada e que os EUA e o Reino Unido fizeram esse questionamento. A CJI obteve provas de que "os serviços de espionagem efectivamente gozam de impunidade no que diz respeito a violações de direitos humanos. "Ficámos chocados pela extensão dos danos feitos nos últimos sete anos por medidas de contra-terrorismo excessivas", disse um dos membros da comissão, Arthur Chaskelson, ex-presidente do Tribunal Constitucional da África do Sul, citado pelo diário britânico The Independent.

O relatório afirma que a "guerra contra o terror" repetiu os erros cometidos pelos britânicos na Irlanda do Norte, num paralelo "quase surreal" entre o tratamento dado aos presos irlandeses e o dispensado aos detidos em Guantánamo: "Podemo-nos perguntar, 30 anos depois, que impacto tem o tratamento dos detidos de Guntánamo ou Abu Ghraib nos jovens muçulmanos na Grã-Bretanha e no resto do mundo", conclui o relatório.

Fonte:
aqui

Ver a notícia em inglês no jornal The Independent:
aqui


Comissão Internacional de Juristas:

http://www.icj.org/sommaire.php3?lang=en

LER AINDA:

Report: Leading Jurists Call for Urgent Steps to Restore Human Rights in efforts to counter terrorism

In one of the most extensive studies of counter-terrorism and human rights yet undertaken, an independent panel of eminent judges and lawyers today presents alarming findings about the impact of counter-terrorism policies worldwide and calls for remedial action. The Eminent Jurists Panel on Terrorism, Counter-Terrorism and Human Rights, established by the International Commission of Jurists (ICJ), has based its report "Assessing Damage, Urging Action" on sixteen hearings covering more than forty countries in all regions of the world.

Agitações nas prisões portuguesas entre 1994 e 1996


Para descarregar o boletim
http://charivari.ws/presosemluta/presosemluta.pdf

Editorial do Boletim

A 23 de Março de 1996 ocorreu um “motim” no Forte de Caxias, provocado por interesses de Estado, com o objectivo de acabar com as várias lutas em que os presos estavam empenhados. A revolta transpôs muros e instalou-se no debate público, onde algumas opiniões chegaram a questionar a existência da própria prisão e o seu papel na sociedade. Dos 180 detidos armazenados aos montes e indefesos,-entre o 3º esquerdo e o 3º direito- quase todos sofreram selváticos espancamentos durante vários dias. Dessa prática de terror resultaram múltiplas fracturas e comoções cerebrais, tendo ainda um preso ficado cego de um olho devido a um tiro de bala de borracha dos muitos que foram disparados pelos mercenários do Estado.

O Estado não cumpre a sua própria lei. É sabido que este sempre foi mestre na violação das regras que criou não hesitando em praticar qualquer crime, em interesse próprio, por mais horrendo que seja. No caso dos “presos entre muros”, basta uma simples olhadela pela imprensa de 94 a 96 para verificarmos a escandalosa violação sistemática dos “direitos dos presos”. Greves de fome, greves de trabalho, cartas e comunicados contestando e resistindo a tão cruel realidade, fizeram parte do quotidiano dos detidos a essa época. É neste ambiente que, por ordens superiores Estatais, foi provocada uma reacção espontânea dos presos. Distribuiram-se psicotrópicos fora da “refeição” e o director interino da Direcção Geral dos Servicos Prisionais, em “diálogo” com os presos legítimamente indignados demonstrou o seu total desprezo por eles, seria esta a faísca que iria acender a mecha.

Como é possível que, com total descaramento, treze anos depois, venha o Estado pretender culpar 25 detidos à época, acusando-os em processo judicial de motim, incêndio e danos qualificados?! Alega o Ministerio Público que os presos começaram a organizar-se com lutas de greve de fome e de trabalho duas semanas antes de 23 de Março. Pretendem assim silenciar o contexto de corrupção, de impunidade, e de graves violações à dignidade humana, assim como as lutas de resistência ocorridas nos dois anos anteriores!…

Contra tal “branqueamento” individualidades e diversos colectivos resolveram criar esta publicação, no sentido de relembrar os acontecimentos ocorridos entre 94 e 96 em quase todas as prisões nacionais, manifestar repúdio perante tão absurdo processo judicial, desmontando a farsa da acusação e denunciar a actuação repressiva dos organismos Estatais, que tiveram um papel activo no aumento do terror vivido nas prisões portuguesas nos anos 90- e que ainda hoje tristemente continua- com o assustador e esclarecedor número de mortes, doentes sem o devido tratamento, presos a cumprirem “condenações” perpétuas encapotadas, mantendo esta escandalosa situação num limbo camuflado e invisível.

Governo, Procuradoria Geral da República e DGSP foram e são os responsáveis pelo que ocorreu e continua a ocorrer com total hipocrisia e silêncio no interior das prisões. O que saíu nos media é apenas a ponta do iceberg. A haver um julgamento com as regras do Estado de Direito, deveria ser o Estado a sentar-se no banco dos réus e nunca quem sofreu essa estruturada, premeditada e incomensurável violência. Se as pessoas pudessem integralmente conhecer a realidade do interior das prisões, ainda que por uma hora apenas, certamente se levantariam em peso para repudiar veementemente este “novo holocausto”, como diz o dissidente criminólogo Nils Christie.

Recentemente, na Europa, várias lutas ocorreram e algumas continuam: em Agosto de 2008 cerca de 550 presos estiveram em greve de fome nas prisões alemãs, reivindicando “melhorias” no sistema prisional; em Novembro a quase totalidade da população prisional da Grécia esteve também em greve de fome -acções de informação e solidariedade em relação a esta greve repercutiram-se por toda a Europa-; em Itália, onde existe prisão perpétua, quase todos os presos afectados por essas condenações levam a cabo desde 1 de Dezembro uma jornada de luta; vários presos de Córdoba e de outras partes de Espanha encetaram uma greve de fome em solidariedade com os prisioneiros de Itália reivindicando ao mesmo tempo uma série de reivindicações ao sistema penal e judicial do Estado espanhol; no verão, Amadeu Casellas, prisioneiro na Catalunha (Espanha) esteve 78 dias em greve de fome. Por cá, em Monsanto -um dos Guantanamos do país- vários detidos estiveram, no mês de Outubro, em greve de fome protestando contra as torturas de que são alvo e contra a total impunidade com que actuam os carcereiros desta cadeia.

A luta pela dignidade e pela liberdade jamais poderá ser contida seja em que prisão fôr!

Solidariedade e absolvição para os 25 de Caxias!

O poema ébrio - leitura de poemas de Rimbaud na livraria-bar Gato Vadio ( dia 19 de Fev. às 22h30)


O barco ébrio - Poemas de Rimbaud

(…)

Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.

Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
Viam turbilhonar marés de verde e anil.


(Tradução: Augusto de Campos)


O barco ébrio
Leitura livre de poemas de Rimbaud

Quinta-feira, dia 19 de Fevereiro, 22h30
na livraria-bar Gato Vadio


Leitura ébria e aberta a todos de poemas de Rimbaud. No original ou com a tua “língua”…Traz o livro e embarca na bebedeira…
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016

Sábado ( dia 21 de Fev.) à tarde, há cinema comunitário na Casa Viva


Sábado, 21 fevereiro às 16h30 na Casa Viva (Praça do Marquês nº 161 -Porto)

entrada livre

Sessão mensal de cinema comunitário

A Valsa com Bashir, de Ari Folman
[em Hebraico, com legendas em Português, 90']


Em Junho de 1982, Israel invade o Líbano e dá início àquela que foi chamada a primeira guerra do Líbano. Depois de dois meses de incessantes bombardeamentos, é finalmente negociado o retiro das tropas israelitas de Beirute. No ano seguinte, como represália pelo assassinato do adorado líder Bashir Gemayel, as milícias libanesas invadem os campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila e massacram os civis, um ataque em área controlada pelo exército israelita e com conhecimento do mesmo.

A Valsa com Bashir é um filme de animação realizado por um ex-militar israelita que combateu nessa guerra, com história baseada em dados biográficos:

"Uma noite num bar, um velho amigo de Ari Folman fala-lhe de um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães enraivecidos. Todas as noites a mesma quantidade de monstros. Os dois homens chegam à conclusão que há uma ligação com o exército israelita, durante a sua primeira missão na primeira guerra do Líbano no início dos anos 80. Ari fica surpreendido pelo facto de já não se lembrar de nada desse período da sua vida. Intrigado pelo enigma, decide entrevistar velhos amigos e camaradas por todo o mundo. Ele precisa de descobrir a verdade sobre essa altura e sobre ele próprio. Enquanto Ari se envolve cada vez mais no mistério, a sua memória começa lentamente a despertar imagens surreais…"


Título Original Waltz With Bashir (Israel/Alemanha/França/EUA, 2008)
Realização Ari Folman
Argumento Ari Folman
Intérpretes Ari Folman Ron Ben-Yishai Ronny Dayag
Animação David Polonsky
Música Max Richter


www.waltzwithbashir.com

http://cinemacomunitario.blogspot.com/

16.2.09

Seminário «As principais correntes do pensamento contemporâneo» na livraria-bar Gato Vadio com sessões mensais de Fevereiro a Julho


A livraria Gato Vadio continua a dedicar-se sobretudo à vadiagem do pensamento e às suas formas de expressão. Propomos realizar um fórum livre dedicado às principais correntes do pensamento contemporâneo. Longe de ser exaustivo, a sua finalidade será fundamentalmente estimular e promover a pesquisa e a reflexão partilhada sobre as múltiplas perspectivas teóricas que contrariam o reducionismo empobrecedor do pensamento único (e dos vários fundamentalismos doutrinários), da monocultura massificada (induzida pela chamada cultura de massas que esvazia e anula a diversidade cultural das culturas populares), e do pretenso fim da história celebrado pelos arautos do neo-conservadorismo dominante.


Os encontros-sessões terão uma duração aproximada de 3 horas e realizar-se-ão aos Domingos (entre as 17h e as 20h), com excepção da 1ª sessão marcada para o último sábado de Fevereiro, dia 28.


As principais correntes do pensamento contemporâneo

Dinamizador: António Alves da Silva

6 sessões mensais ( de Fevereiro a Julho de 2009)

Participação livre e gratuita mediante inscrição prévia

(Os interessados devem enviar um Email de confirmação com o nome e contacto electrónico para
gatovadio.livraria@gmail.com ).


PROGRAMA

1ª sessão (dia 28 de Fevereiro, 17h) - Pensamento político – Fascismo, Liberalismo, Marxismo, Anarquismo, Feminismo e Ecologismo.

2ª sessão (Março) - Pensamento sociológico – do Funcionalismo à Etnometodologia, passando por Bourdieu, Max Weber, Ulrich Beck e Boaventura Sousa Santos

3ª sessão (Abril) - Pensamento económico – da Escola clássica à Neuro-economia, passando por Marx, teoria marginalista , Keynes e o institucionalismo

4ª sessão (Maio) - Pensamento jurídico e criminológico – da Teoria Pura do Direito ao Pluralismo jurídico, passando pela conceptualização dos direitos humanos e as problemáticas criminológicas

5ª sessão (Junho) – Pensamento literário – do cânone literário às literaturas de vanguarda, passando pela teoria e crítica literária, e pelas várias concepções de poética

6ª sessão (Julho) – Foucault – pensamento foucaultiano desde a filosofia e a concepção de poder, até à educação, e o uso recorrente das ferramentas conceptuais de um dos pensadores mais importantes do mundo contemporâneo.

Ler devia ser proibido! A leitura torna o homem inconformado, perigosamente mais humano...

Ler devia ser proibido. A leitura torna o homem inconformado, perigosamente mais humano, e há por aí gente que não gosta de pessoas que não se conformam com a situação em que vivem, muitas pessoas a viver nos limites do humano.





Desde os tempos remotos os homens poderosos têm escondido conhecimentos da humanidade. Tornar as pessoas ignorantes para não lutarem pelos seus ideais, não correrem atrás de seus sonhos, não conhecerem o mundo em que vivem, são algumas das razões para esse crime.

Mas uma fonte inesgotável de conhecimento perdura nos livros. Mentes brilhantes que enxergam o colorido da vida e o dom de libertar o pensamento, exumam do arcabouço de suas experiências os mais belos conhecimentos que se tornam em palavras que tocam a alma, mexem no coração e libertam a mente fazendo-a vagar livre por um lindo mundo novo.

Numa antítese avassaladora, que me corrói o íntimo, penso por vezes que essa fonte de conhecimento não deveria estar mais disponível, devia ser proibido o acesso a elas, sem dúvida! Paro para pensar no caos, na infelicidade que é a frustração das pessoas em enxergarem um mundo maravilhoso descortinando-se diante de seus olhos e, mesmo assim, precisarem de voltarem a viver nesse mundo sujo pela ignorância dos pseudo-sábios.

Aqueles homens que esconderam o conhecimento da humanidade tinham razão? . Talvez não devêssemos provar a doçura de viver a gostosa sensação do conhecimento e da mente livre, pois, voltar para a ignorância é mais doloroso do que viver nela. Ler, de facto, devia ser proibido.
Porque a leitura faz o leitor pensar. Pensando ele tira as suas próprias conclusões. Partindo de suas conclusões, ele pode cuidar da própria vida. No comando da própria vida ele não precisa dar satisfação a ninguém e há sempre alguém que se sente ameaçado por essa liberdade…

E, como essas pessoas se sentem no direito de cuidar da vida de todos, então devemos respeitá-las e proibir a leitura, pois -”pensando bem” - é uma atitude muito perigosa pensar!

15.2.09

Mesa Comum e Movimento Popular de Desempregad@s e Precári@s




Em tempos de "crise" MESA COMUM - União! Dignidade! Apoio Mútuo!


Começámos nesta sexta-feira e vamos continuar, para já todas as sextas, a organizar o nosso jantar de "mesa comum" , gratuito para desempregad@s, na sede da Terra Viva! às 20.30 h., reunindo uma dúzia de NÓS-desempregad@s, precári@s, de diferentes idades e origens - como parte da nossa auto-organização, ao nível local, e por um MOVIMENTO POPULAR DE DESEMPREGAD@S E PRECÁRI@S -além de outr@s "tes@s" que se não revêem nas organizações sindicais partidarizadas nem nas caritativas "sopas dos pobres" de algumas IPSS.s...



Começámos por endereçar uma carta da associação Terra Viva! a várias lojinhas, mini-mercados,padarias e outros estabelecimentos locais de comercialização de produtos alimentares, explicando o nosso projecto e pedindo que contribuam com alguns produtos que sobrem ao fim da semana e que, sem estarem impróprios para consumo já não possam ser comercializados, a fim de os partilharmos na nossa "Mesa Comum". Resultado: minimercados, padarias, lojinhas da nossa zona -além de algumas amigas vendedeiras do Bolhão -responderam ao nosso apêlo...mas não as grandes cadeias de supermercados (pelo menos para já).

Para além disso, alguns de nós estão a tentar encontrar alguns terrenos vagos ou devolutos nas cercanias, onde possamos organizar uma (ou mais)HORTA/s COMUNITÁRIA/s, tentando plantar os legumes que possam abastecer a nossa "Mesa Comum".

Esperamos que outros colectivos venham a participar naquilo que poderá vir a ser uma rede de "mesas comuns" e de grupos locais de desempregad@s e precári@s.

Transcrevemos abaixo a "proposta alargada por um "MOVIMENTO POPULAR de DESEMPREGAD@S E PRECÁRI@S" - que iremos discutir,melhorar (e sobretudo tentar aplicar) na "Mesa Comum", na próxima sexta dia 20 de Fevereiro às 21.30 h.(depois de jantar) na Terra Viva!AES R.Caldeireiros,213-Porto (à Cordoaria)



Proposta alargada por um MOVIMENTO POPULAR de DESEMPREGAD@S & PRECÁRI@S

1- PORQUÊ MOVIMENTO

- Porque MOVER-SE, MEXER-SE e não parar e não se conformar- é o que podem fazer as pessoas VIVAS. Só os mortos é que não se podem mexer! E MOVER-SE como? É IMPORTANTE QUE AS PRÓPRIAS PESSOAS ATINGIDAS PELOS PROBLEMAS –neste caso NÓS, desempregad@s e precári@s- não estejamos toda a vida à espera que os “do alto” (do Estado, dos partidos, das igrejas, das instituições e pessoas interesseiras -que fazem carreira à custa da “ajuda social” e que depois ficam com a parte maior dos apoios que serviriam para “combater a pobreza”- nos venham dizer o que fazer! Poderemos aceitar PROPOSTAS e CONSELHOS de quem quer que seja …Mas DIRECTIVAS “do alto da burra” de quem não é nem precári@ nem desempregad@ …JÁMAIS!

2- PORQUÊ POPULAR?

-Porque as redes e iniciativas que já existem de desempregad@s e precári@s são sobretudo de elementos de classe média (quadros técnicos superiores, artistas, investigadores) e não abrangem as classes populares mais atingidas pela pobreza e a miséria social e económica (trabalhadores/as indiferenciad@s, temporári@s das indústrias e dos serviços, imigrantes, etc…) ;

- Porque é sobretudo nos meios mais populares (bairros sociais, zonas velhas das grandes cidades e seus arredores, regiões do interior “esquecidas” pelos Poderes, etc. ) que se encontram as pessoas mais carenciadas .


-Porque são est@s que mais atingid@s são pela actual “crise” e pelos seus efeitos nos tempos presentes e nos tempos mais próximos, sem no entanto estarem organizad@s entre si (associad@s e unid@s) para afirmarem o seu direito natural À DIGNIDADE e fazerem valer os seus direitos naturais e sociais a serem tratados como pessoas humanas e não como párias da sociedade – já que a situação de desemprego e de precaridade (trabalho temporário) NÃO É VOLUNTÁRIA mas sim CAUSADA PELA “CRISE “ ACTUAL - e esta “crise” é por sua vez CAUSADA PELA PERMANENTE GULA DE LUCROS MÁXIMOS SEM OLHAR A MEIOS, POR PARTE DE GESTORES E PATRÕES DAS GRANDES MULTINACIONAIS E BANCOS PARA QUEM A “CRISE” significa AUMENTAR CADA VEZ MAIS OS SEUS LUCROS À CUSTA DA MISÉRIA ALHEIA ( veja-se só os “ordenados” chorudos dos gestores dos grandes grupos financeiros e empresariais deste país – e dos políticos profissionais que favorecem as suas negociatas – e os níveis salariais e dos apoios sociais : para essa malta lá do alto não há “crise”!);

-Porque o número de desempregados e de trabalhadores/as precári@s, temporári@s, está a aumentar rapidamente todos os meses, encerrando empresas e aproveitando-se as que continuam a funcionar, da miséria dos que perderam o seu emprego ou dos jovens à procura do primeiro emprego, para pagarem salários miseráveis que mal dão para sobreviver.



4-O QUE PODEMOS FAZER?

-1º.ORGANIZARMOS CONVÍVIOS E ENCONTROS, para melhor nos conhecermos e organizarmos e decidirmos acções conjuntas a levar a cabo…

-2º.ORGANIZARMO-NOS E UNIRMO-NOS para EXIGIR RESPEITO PELA NOSSA DIGNIDADE HUMANA DE DESEMPREG@DAS E PRECÁRI@S e VERDADE e CLAREZA sobre as reais possibilidades dos chamados “programas de combate ao desemprego”-BASTA DE MENTIRAS ! (nas instituições de apoio social –segurança social, instituto de emprego, etc.)

-3º.CRIARMOS UMA REDE DE APOIOS PARA A NOSSA CAUSA (técnic@s sociais, jornalistas, advogad@s, etc., que nos possam apoiar GRATUÍTAMENTE) …

-4º. ORGANIZARMOS A DIVULGAÇÃO das nossas iniciativas e de informações úteis, com um BLOG NA INTERNET e um BOLETIM INFORMATIVO, para o resto da população (principalmente para quem têm emprego mas que corre sempre o risco de ser despedid@), de foma a UNIR A LUTA D@S SEM TRABALHO e D@S QUE (ainda) O TÊEM...

-5º-CRIARMOS ENTRE NÓS SERVIÇOS DE APOIO AOS MAIS NECESSITADOS ( refeições populares, hortas populares, reciclagem de materiais úteis, serviços de reparações e de ajuda familiar, bolsas de troca de saberes e troca de serviços, etc.) com apoio de ASSOCIAÇÕES OU GRUPOS POPULARES que nos queiram apoiar DESINTERESSADAMENTE…

-6º.ORGANIZARMOS PARA NÓS A INFORMAÇÃO DE TUDO QUE NOS SEJA ÚTIL PARA RESISTIR À MISÉRIA E À DESIGUALDADE ( “centro de recursos”/informação com pastas com informações sobre experiências de movimentos semelhantes noutros lados, com programas possíveis para o combate ao desemprego, etc.)…

-7º.RELACIONARMO-NOS COM GRUPOS E MOVIMENTOS SEMELHANTES, QUE JÁ EXISTAM OU QUE VENHAM A SURGIR, PARA DECIDIR POSSÍVEIS ACTIVIDADES CONJUNTAS...

O QUE SOMOS, O QUE QUEREMOS E NÃO QUEREMOS

Pequeno Manifesto
1.SOMOS SERES HUMANOS E QUEREMOS DEFENDER A NOSSA DIGNIDADE!
2 .QUEREMOS O DIREITO À VIDA PLENAMENTE VIVIDA E NÃO ESMOLAS!
3.NÃO QUEREMOS, NEM NÓS NEM OS NOSSOS FILHOS, TER DE CATAR NO LIXO AS SOBRAS DOS BANQUETES DOS RICOS DESTA SOCIEDADE!
4.NÃO QUEREMOS A CHANTAGEM DE UM TRABALHO A QUALQUER PREÇO! -O TRABALHO ESCRAVO NÃO LIBERTA! ESCRAVIZA! (…”e por tão pouco, não vale a pena!”)
5. QUEREMOS PRODUZIR COISAS ÚTEIS E QUE NÃO POLUAM NEM DESTRUAM O PLANETA NEM OS SEUS SERES !
6. QUEREMOS AUTOORGANIZAR-NOS E AUTOGERIR-NOS E NÃO SERMOS MANIPULADOS PELOS DE SEMPRE (QUE SÓ PENSAM EM NÓS QUANDO AS ELEIÇÕES SE APROXIMAM!)
7.QUEREMOS A IGUALDADE ENTRE NÓS E NÃO PROMOVER QUAISQUER “REPRESENTANTES” E “CHEFINHOS”!
8. QUEREMOS RESISTIR AO CAPITALISMO E ÀS SUAS CRISES E SOLIDARIZAR-NOS COM TOD@S @S EXPLORAD@S E DOMINAD@S!
JÁ BASTA!!!


por um MPDP
Porto, ano da “crise” de 2009




PRÓXIMO ENCONTRO: Dia:20/2/2009 às 21.30 h.

Local: sede da TERRA VIVA!
R.Caldeireiros,213 - PORTO


Oficina de leitura e comunidade de leitores sobre o surrealismo português na Biblioteca Municipal de Almada

Clicar sobre a imagem para ampliar e ler em detalhe



O outro lado da cultura: Surrealismo português

A Biblioteca Municipal, no âmbito do projecto de promoção do livro e da leitura “ De volta dos Livros”, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, organiza mais uma comunidade de leitores este ano sobre o Surrealismo português.

Oficina de Leituras e outras actividades surrealistas vão acontecer durante os meses de Março e Abril, dinamizadas por Ezequiel Xavier.

A participação nesta actividade está sujeita a inscrição prévia, de 10 a 27 de Fevereiro, no horário de funcionamento da biblioteca.

Público-alvo: Adultos
Lotação máxima: 20 / 25 participantes
Inscrição prévia: António Toscano
bibl.mun.alm@cma.m-almada.pt
21 272 49 29



Sugestões de Leitura

Surrealismo Português

Livros disponíveis na Biblioteca Municipal de Almada.

Obras históricas e/ou académicas:
O Surrealismo, Yvonne Duplessis, 1950 (Inquérito)
História da Literatura Erótica, Alexandrian, 1989 (Cículo Leitores)
Intervenção Surrealista, Mário Cesariny de Vasconcelos, 1966 (Assírio & Alvim)

Precursores fundamentais e surrealismo francês :
Cantos de Maldoror, Conde de Lautréamont (Isidore Ducasse), 1868 (Fenda e Quasi)
Uma Cerveja no Inferno, 1873 e Iluminações, 1875, Jean-Arthur Rimbaud (A&A)
História do Olho, Georges Bataille, 1928 (Bertrand)
As Formigas e outros contos, Boris Vian, (Assírio & Alvim)

Precursores portugueses:
Húmus, Raúl Brandão, 1917 (Mil Folhas Público)
Canções, António Botto,
Contos Exemplares, Sophia de Mello Breyner, 1962 (Portugália)

Livros de Surrealistas portugueses:
Poesia, António Maria Lisboa, (org. Mário Cesariny), 1977 e 1995 (Assírio)
Poesias Completas, Alexandre O’ Neill, 2000 (Assírio)
Um Homem de Barbas, 1944 e Malaquias ou a história de um homem barbaramente agredido, 1953, Manuel de Lima (Estampa)
Contos do Gin-Tónico, 1973, Mário Henrique Leiria (Estampa)
O Surrealismo na Poesia Portuguesa, Natália Correia, 1973 (Europa-América)
A Única Real Tradição Viva (Antologia da Poesia Surrealista Portuguesa), Perfecto Cuadrado, 1998 (Assírio & Alvim)
Antologia do Cadáver Esquisito, Mário Cesariny, 1989 (Assírio & Alvim)
O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor, 1961 (?)
Manual de Prestidigitação, Mário Cesariny, 1956 (Assírio & Alvim)
Titânia e a Cidade Queimada, 1977, Mário Cesariny (Assírio & Alvim)
Os Passos em Volta, 1963 e Herberto Helder (Assírio & Alvim)




Fórum Municipal Romeu Correia
Auditório Fernando Lopes Graça
Praça da Liberdade, Almada
Tel:
21 272 4920
Email:bibl.mun.alm@cma.m-almada.pt
Sítio:
http://www.m-almada.pt/bibliotecas

Morreu o músico mexicano Jorge Reyes, uma das figuras mais importantes da etnomusicologia e da etnofusão de músicas

Na última semana desapareceu uma das figuras mais importantes da chamada etnomusicologia e da etnofusão de músicas, o músico e compositor mexicano Jorge Reyes, de 57 anos, pouco conhecido em Portugal, mas bastante estimado por quem se interessa pelo experimentalismo musical. E, já agora, uma das referências musicais do blogue Pimenta Negra.


A música de Jorge Reyes mistura sons autóctones das civilizações pré-hispânicas com a tecnologia musical mais avançada, criando sonoridades e ambientes musicais únicos. A proposta musical de Jorge Reyes ao misturar a música meso-americana com a tecnologia musical contemporânea, especialmente por via do uso de processadores de som, reverberações, ecos, e outra parafernália, fez despertar um renovado interesse pela cultura popular mexicana de raíz maya, dos tempos pré-hispânicos.
Os seus concertos transmutavam-se em autênticas cerimónias rituais pré-hispânicas e estavam por vezes associados a tradições do México ancestral como o Dia dos Mortos e o Equinócio da Primavera.

A sua formação revela influências musicológicas variadas que lhe serviram para criar e compor a sua própria música. A partir do estudo de flauta transversal no México, Jorge Reyes realizou na Alemanha estudos de música clássica, electrónica, jazz, que se ampliaram depois, já na Índia, para a música indiana e tibetana. Cria, entretanto, o grupo de rock progressivo Chac Mool, com o qual procurou sintetizar o resultado das suas pesquisas musicais, para depois seguir uma carreira de solista onde continuará a explorar atmosferas musicais da etnofusão.

Em 2001 fundou o Laboratório de Experimentação Artística e Rádio Educação (LEAS) onde produziu trabalhos como Zocaloop, Epitafio e Los proverbios del infierno.


Gravou cerca de 30 discos. Os seus álbuns mais destacados são:
A la Izquierda del Colibrí (1985),
Comala (1986),
Ek Tunkul (1987),
Viento de Navajas (1988),

Bajo el Sol Jaguar (1991), que é a sua obra mais importante


Jorge Reyes Etnofusão



Jorge Reyes, "sacrificio"



JORGE REYES - A LA IZQUIERDA DEL COLIBRI



JORGE REYES (LA OTRA CONQUISTA)



Concierto e espectáculo de música prehispánica de Jorge Reyes na Ciudad de México, comemorando o Día de Muertos ( 31 de Ouubro de 2006)
Parte 1



Parte 2



Jorge Reyes y Suso Saiz 1/3 (Festival Cultural Zacatecas)






Clandestinos ( texto alheio, onde se invoca este blogue)

O blogue A Carga da Brigada Ligeira brindou o «Pimenta Negra» com um texto, cujo conteúdo subscrevemos por inteiro.
Agradecendo a referência, aproveitamos o momento para convidar todos a visitar o blogue A Carga da Brigada Ligeira que, de uma forma original, trata de várias problemáticas a partir da invocação de um weblog vocacionado para o tema abordado. Reproduzimos abaixo o texto daquele blogue amigo onde se fala da Terra-mãe, do universalismo, da abertura do mundo e dos espíritos, dos imigrantes clandestinos, de Manu Chao, de…



CLANDESTINOS
(texto retirado do blogue :

Hoje visitamos mesmo a propósito o blogue "Pimenta Negra"; Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)


Caros Bloguistas Militantes

Ele existem pensamentos que quando surgem na nossa cabeça julgamos que são só nossos.
Então se esses pensamentos forem "estranhos" à ordem vigente, julgamos para nós (nós somos os nossos maiores julgadores) serem absurdos, isto até lermos um livro ou falarmos com alguém que tenha a mesma "visão" que nós.

É então que repensamos ou deixamos de julgar esse "absurdo" ou essa "visão" como a julgámos até aí e passamos a ver a ideia por outro prisma e até poderemos ter a vontade de a realizar.

É minha ideia de há muito tempo que:
O planeta Terra pertence a todos os que aqui habitam.
Tudo o que fazemos ou que nos fazem com maior ou menor grau tem consequências globais, vai sempre mexer com algo e/ou com alguém e tem sempre um efeito dominó.
Por exemplo: a bomba atómica que caiu em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, teve consequências globais, quer fosse pela radiação,quer fosse pelo horror, quer fosse pelo terror, quer fosse pelo solo que não se pode cultivar, quer fosse pelo destruir da biosfera.
Outro exemplo, os testes nucleares no atol da Muroroa na Polinésia francesa ou noutro local qualquer, a poluição marítima, a poluição dos rios, a poluição da atmosfera, a economia, tudo, mas tudo tem influência nas nossas vidas do dia a dia.

Como diz o corolário da teoria do Caos: Algo tão pequeno como o bater de asas de uma borboleta pode causar um Tufão gigante do outro lado do mundo"

Se o que uns fazem influência positiva ou negativamente a vida dos outros, se todos nascemos no mesmo planeta embora em pontos geográficos diferentes, porque é que determinados pontos do globo tem de ser de uns e tem de ser interditos a outros?

Tem de haver quem governe, é certo – pelo menos até que os seres viventes atinjam a capacidade inata de se respeitarem a si próprios e uns aos outros e contribuírem para a vivência em sociedade.

O caos não se pode instalar, concordamos com isso, mas daí a interditar que os seres humanos se desloquem de um lado para outro, no seu próprio planeta, vai um passo de gigante.

Resumindo, nós não concordamos que existam fronteiras à livre circulação de pessoas.

Se me apetece ir para a Austrália, pois vamos. Se quisermos ir viver em França, com as regras dos Franceses pois muito bem, nós iremos viver.

Nós não nos damos com o clima português, calor seco e frio húmido não é cá para "nous", por isso queremos mudar.

Ter de aturar papeis para esse fim, vistos passaportes e porcarias para nos deslocar dentro do planeta onde nós nascemos... não concordamos, não concordamos e pronto.

Se ainda fossemos para Marte, ou Júpiter ou dar uma voltinha no espaço, e nos pedissem depois papeis para entrar dentro do planeta... ainda quase que era aceitável. Agora para nos deslocarmos dentro do nosso próprio planeta?

Não .... e não!

Não aceitamos e custa-nos ver seres humanos a quererem migrar para outras partes do planeta, e serem espoliados de todas as maneiras, serem transportados de maneiras que nós não permitimos que animal algum fosse transportado assim.

Não aceitamos e custa-nos ver pessoas a enriquecer com o tráfico de migrantes, e tudo isto devido a uma política estúpida seguida pelos países desenvolvidos.

Tratámos outros países como se de segunda ou terceira categoria fossem, roubámos e destruímos terras, escravizámos e assassinámos milhares de naturais desses países, fizemos as nossas guerras nos territórios deles, impusemos-lhes o nosso modo de vida, incutimos a riqueza e a ambição a quem bastava estar no seu local e usufruir das coisas que a natureza lhes dá para estarem bem na vida, para no fim dizermos não a quem quer vir para o nosso continente,para o nosso país para tentar ter uma vida melhor e dar sustento a quem no país de origem ficou.

A UE impôs a PAC e subsidiou a agricultura e os seus excedentes, deixámos de comprar produtos agrícolas aos países que "artesanalmente" os produziam, fomos estreitando o laço que estava sobre a garganta desses países, não ajudámos no desenvolvimento da sua agricultura, harmonizando a mesma com a natureza.

Os "colonos" e as grandes empresas agora, contribuem para a desertificação, desflorestação (com todas as consequências que daí adveem) dessas regiões com consequências planetárias, tirámos o sustento aos naturais desses países e depois dizemos que não queremos imigração?
Então e a FOME? a MISÉRIA? as Mortes? a SUBNUTRIÇÃO? a SOBREPOPULAÇÃO?

Fomos nós que impusemos com esta política de brancos, somos nós que temos as armas e a força, logo pensamos que isso é sinónimo de inteligência... quão enganados nós estamos.

Nós os Europeus de primeira ou de segunda mal disfarçada, não queremos nem aceitamos a imigração ilegal!

Venha ela de onde vier, seja de África, da América do Sul, da Europa de Leste (estes do nosso próprio continente), ou seja não queremos ninguém de lado nenhum.

Mas esta postura não é aceitável.

Não pode ser, algo está mal nas mentes e nas mentalidades de todos os que assim pensam e querem impor o seu pensamento.

Falta-lhes visão do futuro, tolerância, sabedoria e conhecimento do passado.

Eu não aceito a imigração ilegal!

E não aceito a imigração ilegal, porque não reconheço o termo. Não o aceito.

O caso de Portugal, que viveu anos e anos de Emigração, quando éramos um país mais pobre que o que ainda somos, e tivemos de migrar para outros destinos, e construímos fortunas mas também construímos "bidonvilles", migramos para todos os países do mundo, em todos os países do mundo existe um português.

Temos até Paris que é ou que era a segunda cidade com mais população portuguesa.

Andamos nós agora armados em "mete nojo", a dizer mal dos imigrantes, que fazem e acontecem, que ocupam o trabalho dos portugueses.

Nós, portugueses, que estamos melhor na vida do que estávamos nas décadas de 50, 60 ou 70.
Nós, portugueses, que não queremos ser empregados de café, trabalhar nas obras, ser canalizadores e outras profissões em que é preciso sujar as mãos, profissões essas que são ocupadas pelos migrantes de outros países.

Não fora eles, e os atrasos que estamos habituados ainda seria maiores por falta de mão de obra.

Nós que temos um deficit populacional, conseguimos colmatar grande parte desse deficit com a vinda de migrantes de outros países, para no fim de contas ainda os tratarmos mal e dizermos mal deles?

Parece-me que não é uma atitude muito acertada.
Acusá-los de marginalidade?
Marginalidade essa que nós os estamos a empurrar, como empurrámos os migrantes de 1974 e anos seguintes, para a periferia, quando vieram de África, expulsos ou fugidos de um país que era deles.

Estamos no "bom caminho" não haja dúvida, nós os Portugueses e todos os outros povos dos países chamados civilizados.

Reafirmamos "nascemos no Planeta TERRA e temos o direito de andar por qualquer parte do planeta onde nós nascemos."

Não somos clandestinos em nenhum lado e recusamo-nos a ser tratados como clandestinos no nosso planeta, e recusamo-nos a tratar como clandestino qualquer ser humano que se queira deslocar no planeta onde todos nós vivemos.

Se o ser humano se desloca por vezes é porque quer, mas a maior parte das vezes será por necessidade...

Por isso : Não julgues nenhum Homem até teres caminhado com os seus sapatos durante um tempo ... Provérbio Índio.

Clandestino - Manu Chao

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa' una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley
Mano Negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Argelino clandestino
Nigeriano clandestino
Boliviano clandestino
Mano negra ilegal

14.2.09

De que estamos à espera? - artigo arrasador de Clara Ferreira Alves para o regime político vigente em Portugal

Não admira que num país assim emirjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves em artigo publicado no "Expresso” sob o título De que estamos à espera?

Debates com os afectados pela ameaça da barragem de Foz Tua (dia 15 de Fev.)


Para saber mais:
COAGRET - Portugal
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela, 4
5370-408 MIRANDELA
telemóvel: (+351) 969 761 301

Vaias e apupos dos estudantes de Matosinhos para a sinistra figura da ministra da (des)educação

Foto retirada daqui


Milú, a conhecida e contestada ministra da (des)educação do governo do não menos conhecido primeiro-ministro xuxialista Pinto de Sousa, foi ontem fazer uma visita de estado à Exponor, em Matosinhos, enquanto titular daquele cargo governamental.
Durante a referida visita repetiu-se a situação que já se tornou um hábito quotidiano daquela sinistra figura do actual Governo: estudantes locais brindaram a ministra com apupos e vaias de tal modo que a visita de estado se pareceu mais com uma «visita de médico», e Lurdes Rodrigues, rodeada dos guarda-costas do costume, mais o hipopótamo com dificuldades de expressão escrita, que ocupa actualmente a DREN, rapidamente se eclipsou do recinto da feira, não sem antes exclamar para quem a quis ouvir, que «Tudo faz parte da vida», uma frase com profundo sentido filosófico e existencial que só uma estadista daquele gabarito poderia fazer sua.


Entretanto, num momento de rara lucidez, aquela mesmíssima figura do decrépito governo sócretino ainda conseguiu balbuciar algumas palavras à imprensa presente:
« - O mais importante é sublinhar o trabalho que aqui está a ser apresentado pelas escolas, pelos professores e pelos alunos»


(ao escutá-la pela rádio, pensámos então cá para nós: tirar um doutoramento de Sociologia sobre a «espinhosa» Profissão e Carreira de Engenheiro para acabar a proferir estas singelas palavras é, realmente, obra do mais endiabrado Espírito Santo).

13.2.09

1ª Assembleia MayDay Lisboa 2009 no próximo dia 18 de Fevereiro às 21:00 no CEM‏

O MayDayLisboa 2009 vai arrancar!!

Depois de 2007 e 2008, estamos de volta para juntar todas as vozes que gritam contra a precariedade na vida.

Junta-te à primeira Assembleia:

1.ª Assembleia MayDay Lisboa 2009

Dia 18 Fev ( 4.ªfeira) às 21h.
no CEM - Rua dos Fanqueiros, nº150, 1º andar
metro - Rossio

O precariado rebela-se




O MayDay é uma parada de precári@s, que vem marcando o 1º de Maio em várias cidades por esse mundo fora, desde da estreia em 2001, em Milão. No ano passado, a iniciativa MayDay chegou a Lisboa, juntando algumas centenas de pessoas contra a precariedade no trabalho e na vida. Este ano, o MayDay Lisboa já começou: uma organização aberta a tod@s, que vai fazendo assembleias, acções públicas, festas, etc. Na parada MayDay cabemos tod@s: mais nov@s e mais velh@s, operadores de call-center, "caixas" de supermercado, cientistas a bolsa, intermitentes, desempregad@s, estagiári@s, contratad@s a prazo, estudantes que vivem ou pressentem a precariedade.

A 1 de Maio juntamo-nos contra a exploração, contra o emagrecimento dos apoios sociais e à habitação, desafiando o cinzentismo e continuando o percurso de mobilização e visibilidade. Contamos contigo?No dia 1 de Maio vamos para a rua. Porque esta não foi apenas feita para albergar sedes de empresas, escritórios, restaurantes de comida rápida e outros locais onde decorre todo um estado de excepção laboral, onde a exploração, o abuso, a instabilidade e a ilegalidade se tornaram lei.
No dia 1 de Maio queremos transformar a rua num espaço em que desfila a alegria da recusa de uma vida aos bocados.
A próxima assembleia MayDayPorto 2009 será no dia 2 de Março (2.ªf) às 21:30 no Maus Hábitos.

A revolta de Paraisópolis para além dos fatos (a propósito dos protestos dos moradores da favela de Paraisópolis, São Paulo, no passado dia 2/2/09)



Em Paraisópolis [favela de São Paulo], moradores resistiram ao ataque policial. Apesar dos problemas sociais que motivaram o confronto, imprensa e autoridades não reconhecem o caráter político da revolta.

Carros incendiados, barricadas, bombas e tiros fizeram parte das chamadas de todos os jornais brasileiros, e até mundiais, na última semana. Na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, moradores da favela de Paraisópolis e policiais protagonizaram um confronto que poderia ter despertado a população de São Paulo para uma profunda reflexão acerca do modelo de cidade que estão adotando. Mas, ao invés disso, os órgãos de imprensa que cobrem o episódio preferem furtar às pessoas esta oportunidade, insistindo em apresentar espetáculos de imagens e em reduzir a discussão a uma mera exposição cronológica dos fatos. Além das ocorrências imediatas, que outras questões envolvem a revolta de Paraisópolis e o acirramento de outros conflitos urbanos parecidos?

Na zona sul da capital paulista, desde há muito, as contradições sociais e econômicas podem ser avistadas nua e cruamente, o que faz do território um palco singular e privilegiado para a aguda manifestação dos conflitos urbanos. Também pudera, na região coexistem, lado a lado, dois aspectos extremamente opostos de um mesmo processo de ocupação do espaço, curioso, porém revelador. A paisagem é impressionante e quase que fala por si só: são milhares de barracos amontoados, feitos de madeira ou de alvenaria sem reboque [reboco], entrecortados por vielas estreitas, disputando espaço e ameaçando penetrar os metros quadrados mais caros da cidade, de onde se exibem os enormes prédios, as mansões e os condomínios de um padrão de luxo mais que exacerbado.

Curioso porque, nos grandes aglomerados urbanos, é mais freqüente que os bolsões de riqueza mantenham-se a uma segura distância dos repositórios de gente em que consistem, na maioria das vezes, os bairros periféricos brasileiros. Neste caso há uma diferença. Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo e é toda ladeada pelo bairro mais elitizado da cidade, o Morumbi.

Reveladora, pois, a composição da paisagem contrastante não é meramente acidental. Uma significante parte dos mais de 84 mil moradores de Paraisópolis acorda cedo e vai servir de empregada doméstica, jardineiro, zelador [porteiro], servente de pedreiro e motorista nos condomínios de luxo, os quais têm suas portas e janelas de fundo voltadas para o emaranhado de casebres populares. O restante, quando pode, encontra seu meio de subsistência nos pequenos comércios locais — formais ou informais — que abundam no bairro.

Tal complementaridade entre Morumbi e Paraisópolis data desde quando se intensificou a ocupação da área, a partir da década de 50. Aproximadamente 80% das pessoas que habitam a favela é composta por nordestinos que então começavam a ser atraídos para São Paulo com a finalidade de ocupar postos de trabalho da construção civil, inclusive — e sobretudo — no processo de verticalização do próprio Morumbi.

Diga-se de passagem, são estas mesmas empreiteiras e especuladores imobiliários, que um dia empregaram a mão-de-obra barata dos migrantes nordestinos, que atualmente querem os enxotar da região, para desobstruir a continuidade de seu grandioso empreendimento, substituir barracos por prédios majestosos e fazer do lugar um refúgio exclusivo do requintado empresariado paulistano.

Em franco contraste com o seu bairro-irmão, no interior dos quase 100 hectares que formam o complexo de Paraisópolis falta tudo em termos de infra-estrutura básica: escola, coleta de lixo, postos médicos, saneamento básico, opções de lazer e todo tipo de equipamento público. São as inúmeras redes de assistencialismo, as associações religiosas, os vínculos de parentesco e um instável espírito comunitário que, muitas vezes sem sucesso, procuram amenizar o peso das necessidades básicas comuns e apaziguar um pouco os ânimos mais exaltados.

Outros indicadores sociais apenas confirmam a precariedade social em que se encontram estas pessoas. Conforme pesquisa do Datafolha, 25% dos adultos de Paraisópolis estão desempregados, a renda [rendimento] per capita média não ultrapassa os R$ 367,00 [146 euros] (enquanto que o valor médio para a cidade de São Paulo é de R$ 1.325,00 [530 euros]), somente 0,45% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam o ensino superior e 20% o ensino médio.

Não sendo suficiente serem violentadas pela total indiferença das autoridades públicas e pela hipocrisia da classe dominante que as rodeia, desde os anos 90, as famílias de Paraisópolis, como as dos demais bairros periféricos da cidade, são de igual modo reféns de organizações criminosas que encontram ali terreno fértil para proliferarem. Estas facções, por sua vez, conseguem cruzar o que há de pior do mundo atual, combinando a organização despótica de um Estado em estágio primitivo com a perversa lógica do lucro a todo custo, comum a qualquer empresa capitalista.

Obviamente, o clima tenso que permeia o cotidiano da favela não é visto com bons olhos pelos ilustres habitantes do bairro vizinho e pelos agentes do mercado imobiliário. E, em consonância com os interesses da alta sociedade paulistana, não é raro que a comunidade seja surpreendida por espetaculares intervenções policiais, sempre orientadas pela “manutenção da ordem, da paz e pela proteção da vida do cidadão de bem”. Bastante explorada pela grande imprensa, a existência destes grupos criminosos engrossa o argumento que autoriza a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) a declarar aberta a temporada de caça ao “elemento suspeito”; leia-se: jovens pobres da periferia, preferencialmente negros.

O mais recente slogan da SSP-SP é a tal Operação Saturação. Sem ter prazo para terminar, cada nova edição deste velho tipo de desfile policial consiste em reunir um enorme efetivo de homens, camuflados como se fossem para a guerra, e sitiar os bolsões de miséria da cidade com batalhões de elite, cavalos, cachorros [cães], helicópteros, métodos arbitrários de abordagem e todo outro tipo de aparato repressivo de que dispõe o poder público.

Na prática, trata-se de um ininterrupto estado de exceção a que é submetida toda a população pobre das periferias de São Paulo, seja ela criminosa ou não aos olhos da lei. Ano passado mesmo, Paraisópolis passou por situação similar, em que homens, mulheres, velhos e crianças foram expostos a um constrangimento público, casas eram invadidas para averiguação, sacolinhas de compras eram inspecionadas, trabalhadores que entravam e saíam eram revistados e, longe dos olhos cautelosos da comunidade, nos labirintos que cortam a favela, sabe-se lá o que mais aconteceu.

Particularmente sobre Paraisópolis, cabe ainda mencionar outro ingrediente importante: há também as ONGs, mais de 50 e de todo tipo, formadas por gente de fora, geralmente residentes dos bairros de padrão médio e alto da cidade. São cidadãos de boa consciência, sabedores de que a segurança de seus lares não será alcançada tão-somente com o uso da truculência policial. Ao contrário, acreditam que o problema pode ser sanado se nestas pessoas carentes for incutido um pouco de civilidade e filantropia. Por isso, levam-lhes tambores, cestas básicas, cursos de dança, de decoração de bolo, de costura, distribuem bolas de futebol e orientam-nos para terem bons modos, inclusive hábitos ecologicamente corretos.

Todas estas iniciativas, quer reparadoras quer repressoras, entretanto, parecem não terem bastado para abrandar a tensão social em que vive a comunidade e inibi-la de falar e agir por si própria. Especialmente a juventude do lugar demonstrou que, apesar de tudo, não precisa ser douta e instruída para antever o futuro desanimador que lhe é reservado. Foi então que, no fatídico 2 de fevereiro, a favela se cansou, promoveu baderna [desordem] e desfez o delicado equilíbrio de forças protagonizado pelas variadas instituições de controle social — legais e extralegais — que a tutelam. Cansou de polícia, cansou de Estado, cansou de bandido mandão e cansou da sonsa elite paulistana que a rodeia, cujo único projeto de superação do problema é o da caridade motivada pelo medo e, quando necessário, complementada com força bruta.

E para desespero e horror desta mesma elite, o sentimento de indignação dessa juventude frustrada e desenganada escapou e se projetou por métodos não muito polidos, porém sinceros, através da única linguagem com a qual consegue chamar a atenção, a do quebra-quebra, infelizmente.

“Mas, o que teria levado a essa desproporcional explosão de violência em Paraisópolis?” — perguntam-se as autoridades públicas e os figurões da grande imprensa dissimulada. A versão tida como oficial — a da SSP-SP, é claro — foi amplamente divulgada. Segundo sua simplificação, os vândalos haveriam recebido a polícia a pedradas e pauladas, assim que souberam da morte de um criminoso que resistiu à prisão; o que faz deles cúmplices e, portanto, igualmente criminosos apenas. “Segundo ouvimos, são pessoas envolvidas com o tráfico da favela. Então, muito provavelmente receberam ordens de traficantes para efetuar essa baderna” — esclarecia um comandante da operação, como se o próprio fato, a morte de uma pessoa, já não fosse uma razão suficiente para ter deflagrado uma manifestação coletiva de repulsa à ação policial. Dias após foram mais longe, atribuíram o episódio a uma ordem que teria sido dada de dentro dos presídios, por um dos líderes da facção criminosa mais famosa de São Paulo, o PCC (Primeiro Comando da Capital). O que pode, em parte, ser verdade, e vender bastante jornal, mas não explica o porquê de a revolta ter escapado também ao controle da organização.

Da parte dos moradores quase nenhuma opinião foi coletada pela imprensa corporativa. Pelos meios de informação alternativos, ventila-se, sem muita repercussão, a hipótese de que tudo começara por causa de um atropelamento que resultou na morte de uma criança. Também neste caso, a explicação, por si só, não é muito elucidativa. Afinal, por falta de equipamentos públicos, meninos morrem atropelados quase todos os dias nas grandes cidades.

Ao se levar minimamente em consideração os inúmeros aspectos conflituosos que envolvem o cotidiano dos habitantes de uma metrópole como São Paulo, em particular nos bairros de periferia, é leviana qualquer tentativa de esclarecer a revolta de Paraisópolis a partir da investigação detalhada dos fatos ocorridos pontualmente naquele dia. Mais superficial ainda é classificá-la de “vandalismo”, “arruaça” ou de qualquer outra definição que apenas a desqualifique enquanto atitude política. As chaves para o entendimento da questão estão expostas, podem ser vistas a olho nu. Só não o estão para aqueles a quem, não agradando enxergar, permanecem de costas.

Cordão humano pelo Choupal (às 11h. do Domingo, dia 15 de Fevereiro, em Coimbra)


Queremos a Mata Nacional do Choupal intacta!


A Plataforma do Choupal é um movimento cívico constituído para impedir que a Mata Nacional do Choupal em Coimbra seja irremediavelmente afectada pela construção de um viaduto rodoviário com 40 metros de largura e que a atravessa numa extensão de 150 metros. Se o crescimento desta plataforma cívica corresponder às expectativas que dele temos, proporemos que este movimento se concentre na qualificação física e cultural do Choupal e na resolução de outros problemas, que infelizmente são muitos.

Querem construir uma ponte sobre a Mata Nacional do Choupal em Coimbra. Esta plataforma nasceu para que isso seja impedido.

Há uma Petição na internet em defesa da Mata do Choupal. Para subscrever a Petição
http://www.petitiononline.com/choupal/petition.html

Para saber mais: aqui

Ligações:
http://www.plataformadochoupal.org/
http://www.plataformadochoupal.org/blog

ZECA AFONSO - Do choupal até à Lapa.




Reportagens das televisões sobre a Mata do Choupal