6.6.08

O espírito comunitário das ilhas e dos antigos bairros operários que ainda subsiste na cidade do Porto


Ilhas de afectos preservam espírito comunitário

Bairros de Entre Quintas, do Cruzinho e de S. Vítor são exemplos do espírito comunitário herdado dos operários do passado



Texto retirado daqui

Os dados conhecidos apontam para 1130 ilhas e 7654 casas repartidas pelas freguesias da cidade. A Rua de S. Vítor, no Bonfim, é a artéria com maior número de ilhas por metro quadrado. São locais de afectos: pelas pessoas e pelas memórias.



Um palmo de cimento separa as casas umas das outras. São quase todas minúsculas e habitadas, na sua maioria, por gente idosa. Que teima em ficar. Foi a única herança dos pais, é hoje a casa dos filhos e dos netos.


"Dantes, a gente repartia a nossa pobreza pelos vizinhos mais necessitados", recorda Conceição Fernandes, do Bairro de Entre Quintas, localizado junto da brazonada Casa Tait, ao Palácio de Cristal. Diante da roupa estendida a fazer lembrar um filme neorealista De Sicca, a moradora nem quer ouvir falar em mudar de sítio: "Esta ilha é a nossa maior riqueza. Os vizinhos fazem parte da família", responde diante da varanda debruada de margaridas de várias cores. "É o nosso jardim", diz.


No bairro do Cruzinho, ao Campo Alegre, feito de casas alinhadas ainda mora gente feliz. Já teve 47 habitações, hoje são 30, muitas delas a cair de podre. Causas? "O senhorio quer ver-se livre de nós. Não manda arranjar as casas e para ele tanto faz que entre água pelos telhados ou pelas paredes. Em dias de chuva ponho várias bacias na cozinha e no sótão. Vivo sem conforto", revolta-se Maria da Conceição Rodrigues, viúva, 78 anos. "Já tive de cortar a luz para evitar males maiores. A vistoria já cá veio, mas as promessas de casa decente foram sempre adiadas", diz, desconsolada.


A conversa estende-se a Maria Adelaide Mendes, 61 anos. "Nasci aqui e aqui espero viver ainda muitos anos. O bairro tem carácter, mas está muito degradado. Há muitas casas devolutas, em ruínas", confirma diante da janela decorada de flores, enquanto a irmã, Maria José Alves, recorda as brincadeiras de infância, a tranquilidade e o espírito do lugar onde toda a gente trata os vizinhos pelo seu nome. "É um bairro diferente e mantém ainda o perfume do passado", enaltece.


A Rua de S. Vítor ganha à légua o palmarés de ter mais ilhas por metro quadrado. Maria Luzia, 52 anos, divide a casa habitada há 46 pelas três filhas: Tânia, de 24, Patrícia, de 20 e Lucília, de 13. A cozinha é minúscula e a casa de banho fica no exterior. "Não temos banheira. Tomamos banho numa bacia", garante a mãe sob o olhar resignado de uma das filhas. "Gostava de fazer obras, mas não tenho dinheiro para mais. Não estica...", confessa.


Ao fundo da ilha, a rede de arame colocada no muro de pedras gastas pelo tempo deixa antever o Douro, mais as pontes de Maria Pia e de S. João. Fausto Leite nasceu e cresceu no Beco do Paço, ao Carregal ,e desloca-se a S. Vítor para acompanhar a mulher em cuidados pela mãe acamada. "Ainda existe convívio nas ilhas. Nos prédios a filosofia é outra", salienta Fausto.


No número 68 do outro lado da rua existe outro corropio de casas e Julieta Lima, 73 anos, passa os dias a "fazer companhia" à irmã cega. "É a minha cruz", resigna-se. "Não tenho vergonha de viver aqui", atira a vizinha do lado, Teresa Pereira, enquanto dá mimos ao neto.


Fora de portas a agitação é outra. A catraiada ensaia passes de bola e a música pimba distrai as atenções de quem circula. Depois da Revolução Industrial, as fábricas foram demolidas e deram lugar a condomínios. Mas as ilhas continuam a povoar a cidade.

Hoje há a ante-estreia do filme Pas Perdus de Regina Guimarães e Saguenail na Videoteca de Lisboa

A Videoteca celebra o seu 17º aniversário com o lançamento de um livro e a ante-estreia de PAS PERDU (p&b, 40’), realizado por Saguenail


Hoje, dia 6 de Junho, pelas 21h30, na Videoteca Municipal de Lisboa, vai realizar-se a ante-estreia do filme Pas Perdus de Regina Guimarães de Saguenai.

Videoteca de Lisboa
Largo do Calvário, nº 2 - 1300-113 LISBOA
Telefone: 21. 361 02 20


http://www.videotecalisboa.org/
http://apordoc.org/index.htm?no=1000001


Ao mesmo tempo decorrerá o lançamento do Livro «LER CINEMA, O Nosso Caso, conversas e outros textos em volta de um certo cinema português »


A entrada é livre e a todos os presentes será oferecido um exemplar do livro.

Campos do Sul. Memória de uma Revolução. Transformações económicas e sociais 1974-75 (Exposição e Colóquio em Castro Verde a partir de 6 de Junho)


Com a organização e a produção do Instituto de História Contemporânea vai ser inaugurada, em Castro Verde, no Fórum Municipal, dia 6 de Junho (Sexta Feira), pelas 18.00h, uma exposição intitulada: “Campos do Sul. Memória de uma Revolução. Transformações económicas e sociais, 1974-75”.

Trata-se dum projecto que visa dar a conhecer o processo social e as alterações económicas ocorridas nos campos do sul no período subsequente ao 25 de Abril de 1974 e que, embora tendo como público-alvo a população em geral, dá uma particular atenção aos alunos dos ensinos básico e secundário, pelo que também foi elaborada com preocupações de carácter didáctico.

Do ponto de vista da sua estrutura, a exposição divide-se em três partes:
Na primeira, intitulada – “Anos 60: Êxodo Rural e Estrutura Económica e Social” –, apresentam-se os números do êxodo rural e referem-se os aspectos mais marcantes da estrutura económica do Alentejo nos anos 60: subida do preço dos salários, recuo da área semeada e intensificação da mecanização agrícola num contexto de decadência do latifúndio tradicional e de afirmação crescente do capitalismo agrário na região. A par deste aspecto, caracterizam-se as classes sociais em presença no quadro duma estrutura fundiária onde 2% das propriedades agrícolas existentes correspondiam a 57% da área total agrícola disponível.

A segunda, – “O 25 de Abril e o Movimento Social dos Assalariados Rurais” –, inclui informação sobre:
a) A nova realidade política e social emergente no Alentejo a seguir ao 25 de Abril (eleição para as comissões administrativas de câmaras municipais, juntas de freguesia e casas do povo; constituição de sindicatos agrícolas, ligas de pequenos agricultores e associações de agricultores);
b) Os conflitos sociais que se desenvolvem nos campos (primeiro caderno reivindicativo dos assalariados rurais, greve no concelho de Beja, assinatura das primeiras convenções de trabalho por concelho, distribuição dos trabalhadores rurais pelas herdades, assinatura dos primeiros contratos colectivos de trabalho, intervenções do Estado nas explorações agrícolas e primeiras ocupações de terras).
c) O movimento de ocupações de terras (fases do movimento, áreas ocupadas, legislação sobre a reforma agrária e acção dos 4º e 5º Governos Provisórios).

Na terceira parte, dedicada às “Novas Unidades de Produção Agrícolas”, para além da referência ao processo conducente à formação das UCP(s) e Cooperativas, apresentam-se as características destas novas entidades de gestão colectiva da terra.

A exposição tem a coordenação científica de Constantino Piçarra e João Madeira e a pesquisa de imagem da Susana Martins. É financiada pela ESDIME, no âmbito do projecto Leader +, e conta com o apoio das Câmaras Municipais de Castro Verde e Grândola. Para além destes apoios a exposição contou, ainda, com diversas colaborações, como o Diário do Alentejo, a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo, o Arquivo do Diário de Notícias, a Hemeroteca de Lisboa e alguns particulares com a cedência de fotografias.

Relacionado com esta temática, o Instituto de História Contemporânea organiza e promove no dia 7 de Junho, Sábado, em Castro Verde, no Fórum Municipal, pelas 10.00h, um Colóquio aberto a todos aqueles que nele queiram participar subordinado ao tema: “Campos do Sul. Memória. Presente e Futuro”.




Colóquio - Campos do Sul: Memória, Presente e Futuro ( 7/6/2008)

O Instituto Português de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (IHC) vai promover em Castro Verde, no Fórum Municipal, iniciativas em torno da temática “Campos do Sul – Memória de Uma Revolução”, abordando as transformações sociais e económicas em 1974 – 1975.
A participação é livre e aberta a todos os interessados.


10h00 - Abertura
Fernando Rosas - Presidente do Instituto de História Contemporânea
Fernando Caeiros - Presidente da Câmara Municipal de Castro Verde

10h30 -Pausa para Café

10h45 -O 25 de Abril nos Campos do Sul

Comunicações:

Constantino Piçarra (Instituto de História Contemporânea)

- A Reforma Agrária nos Campos do Sul, 1974-1975.

Aron Cohen (Universidade de Granada)

- O Impacto da Reforma Agrária em Portugal no Processo de Transição de Espanha para a Democracia. [Título Provisório]

Fernando Oliveira Baptista (Instituto Superior de Agronomia)

- A Reforma Agrária, 30 Anos Depois.

Moderador: João Madeira (Instituto de História Contemporânea)

12h00 - Debate

12h30 - Pausa para almoço

14h30 -Alqueva, Ambiente e Estrutura Fundiária

Comunicações:

Rita Calvário - Mestranda - (Faculdade de Ciências e Tecnologia)

- Ambiente e Sustentabilidade Agrícola.

Mesa redonda com os representantes dos partidos políticos com representação Parlamentar (PS, PSD, PCP, CDS/PP e BE).

Moderador: Constantino Piçarra (Instituto de História Contemporânea)
Local: Fórum Municipal


www.inesting.org/cm_castroverde/agenda/detalhe.asp?id=222

Sessão de cinema sobre consumo responsável (6 de Junho, às 15h na Casa do Infante)


No âmbito do projecto Consumo Responsável em Rede, a Reviravolta (Comércio Justo no Porto) vai realizar uma sessão de cinema sobre consumo responsável.


Após o visionamento, convidamo-la a participar num pequeno debate sobre o consumo responsável.

O objectivo é sensibilizar a sociedade civil para uma nova forma de encarar o consumo e o que isso pode significar em termos locais, globais e ambientais.

A sessão de cinema sobre Consumo Responsável vai ter lugar na Casa do Infante no dia 6 de Junho pelas 15 horas.

6 de Junho 2008
15:00
Casa do Infante
Rua da Alfândega
4050PORTO
Tel.: 222060400


http://www.consumoresponsavel.com/



Links úteis



Consumo Responsável e Educação do Consumidor


www.consumidor.pt
www.consumoresponsable.com
www.consumosustentavel.com
www.e-cons.net
www.europe.eu.int/pol/cons/index_pt.htm
www.mugarikgabe.org
www.opcions.org
www.setem.org



Dimensão ética do Consumo
Comércio Justo e Consumo Responsável
www.cidac.pt
www.coresdoglobo.org
www.reviravolta.comercio-justo.org



Cooperativas de Consumidores
www.consumo-pt.coop
www.hispacoop.es



Turismo Ético e Solidário
www.modevida.com
www.tourismconcern.org.uk
www.ten-tourism.org



Agricultura Biológica
www.agrobio.pt



Defesa do Consumidor
www.deco.proteste.pt



Sociedade de Consumo
www.adbusters.org
www.antipub.net/association
www.apap.co.pt
www.apan.pt
www.behindthelabel.org
www.briefing.iol.pt
www.consumidor.pt
www.deco.pt
www.icap.pt
www.nologo.org
www.seguranet.crie.min-edu.pt/segura/index_jovens.htm



O poder do consumidor
www.cidac.pt
www.consumoresponsable.com
www.econs.net
www.setem.org



Mudanças de hábitos de consumo
www.consumoresponsable.com/guias
www.consumosustentavel.com
www.deco.proteste.pt
www.generation-europe.eu.com
www.lipor.pt
www.mugarikgabe.org
www.opcions.org
www.setem.org
www.valormed.pt
www.valorsul.pt



Energia
www.eco.edp.pt
www.ecocasa.org
www.energysavingtrust.org.uk
www.quercustv.org/spip.php?article89



Vestuário/calçado
www.behindthelabel.org/video.php
www.cleanclothes.org
www.cleanupfashion.co.uk
www.globalexchange.org/campaigns/sweatshops
www.pangea.org/setem
www.setem.org



Alimentação
www.dgs.pt
www.foei.org
www.foodfirst.org
www.obesidade.online.pt
www.spcna.pt
www.speo-obesidade.pt
www.stopogm.net
www.worldhunger.org



Higene Doméstica e pessoal
www.apequimica.pt/reach.htm
www.archivo.greenpeace.org/toxicos/html/affect.html
www.cosmeticsdatabase.com
www.greenpeace.org
www.lesstoxicguide.ca
www.panda.org/about_wwf/what_we_do/policy/toxics/index.cfm
www.opcions.org



Saúde
www.mindfreedom.org
www.infarmed.pt
www.obesidadeonline.pt
www.portaldasaude.pt
www.who.int



Resíduos
www.acrplus.org
www.eunaofacolixo.com
www.inresiduos.pt
www.zeroresiduos.info
www.aguaonline.co.pt
www.pontoverde.pt



Fileiras



Fileira Metal
www.fileirametal.pt
Plastval (Fileira do plástico)
www.plastval.pt
Recipac (Fileira do papel/cartão)
www.recipac.pt
Embar (Fileira da madeira)
www.embar.pt



Consumo Responsável na Escola
www.abae.pt/eco-escolas.php
www.agenda21local.info/index.php
www.aspea.org
www.bcn.es/agenda21/A21_ESCOLAR.htm
www.consumosustentavel.com
www.eb1-ponte-n1.rcts.pt
www.quercus.pt

O Plátano de Portalegre, que é uma das mais famosas árvores do país, está a ser alvo de trabalhos de conservação


Uma das mais famosas árvores do País, o Plátano da cidade de Portalegre, que está a celebrar 170 anos de existência, está a ser sujeito a uma operação de conservação, manutenção, limpeza e tratamentos fitossanitários.

O plátano plantado há 170 anos, em Portalegre, apresenta a maior copa da Península Ibérica. Com o seu crescimento o plátano pode, a curto prazo, condicionar a circulação de camiões no centro da cidade.


Os serviços de arboricultura da Fundação Serralves iniciaram por isso uma rectificação nas borrachas que apoiam os ramos para que não danifiquem a casca das ramificações da árvore, que estava a ficar ferida.


Desafiando a passagem do tempo, a árvore, que foi mandada plantar no rossio de Portalegre pelo botânico José Maria Grande, há 170 anos, cresceu e desenvolveu-se, sendo já necessários 18 suportes para os seus largos ramos.


Considerado de interesse público, o plátano do centro de Portalegre, no Jardim do Tarro (ou Jardim da Avenida da Liberdade), apresenta actualmente uma copa com cerca de 34 metros de diâmetro médio.

A operação de manutenção da árvore, considerada emblemática da história de Portugal, integra-se nas comemorações do Dia Mundial do Ambiente.

Referência Bibliográfica:

«O mais célebre plátano do país é o de Portalegre, que se situa num jardim desta cidade, cuja sombra é muito apetecível principalmente no Verão. Esta árvore que foi plantada em 1838 junto a uma linha de água, tem hoje o tronco em grande parte soterrado, em virtude dos aterros sucessivos para nivelamento do actual arruamento (Av. da Liberdade). Está considerado de interesse público por decreto publicado em "Diário do Governo".
Do tronco que presentemente é muito curto, com 5, 26 m de P.A.P., saem inúmeras pernadas que formam uma copa larga e densa, com 27 m. de diâmetro.
É de notar que este plátano, segundo Sousa Pimentel, em 1894 tinha 3 metros de P.A.P. e a copa 24 m. de diâmetro.»

Ernesto Goes- in Árvores Monumentais de Portugal ,1984

Caminhada no Trilho dos Currais em Terras do Bouro ( dia 7 de Junho)


O município de Terras de Bouro vai comemorar o Dia Mundial do Ambiente com a caminhada no trilho dos Currais, a realizar no próximo sábado (dia 7 de Junho), com partida e chegada ao Vidoeiro (Vila do Gerês).
O evento é organizado pela autarquia que coloca à disposição dos caminheiros um percurso pré-definido e circular que possibilitará a visita a vários currais dos Baldios do Vilar da Veiga: Curral da Espinheira, da Carvalha das Éguas, da Lomba e do Vidoeiro, revivendo as tradições comunitárias da vezeira em que é possível, ainda, encontrar o gado bovino, levado para a serra em 15 de Maio, bem como as cabanas ou casarotas para abrigo dos "vezeiros", tendo como palco a beleza das pastagens verdejantes, a flora autóctone e os miradouros sobre o vale do Cávado, nomedamente o da Pedra Bela que inspirou Miguel Torga a escrever o poema "Pátria", excelente atractivo para ocupação de uma manhã do fim-se-semana.


Com estas iniciativas o município pretende também reforçar a procura que os trilhos pedestres no concelho têm registado, proporcionar aos cidadãos a actividade física e de lazer em contacto com o património cultural e ambiental de Terras de Bouro e assinalar a efeméride. Em suma, trazer mais visitantes ao concelho, de modo especial ao Gerês, combatendo a sazonalidade e dar a conhecer os tesouros escondidos que o concelho de Terras de Bouro encerra.


As inscrições são gratuitas e podem ser efectuadas até ao início da actividade, embora seja aconselhável que os interessados façam a inscrição junto da Divisão Cultural do Município, pelo telefone 253/350010, nos postos de turismo ou através do e-mail, ddsc@cm-terrasdebouro.pt podendo, ainda colher informações em www.cm-terrasdebouro.pt onde constam o pormenores de todas as caminhadas.



O Trilho dos Currais, inserido na temática “tradições comunitárias”, percorre uma área de singular beleza natural da Serra do Gerês.


Percorre-se ao longo de três currais do Baldio de Vilar da Veiga: o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha das Éguas e o Curral da Lomba do Vidoeiro, constituindo um percurso de pequena rota (PR) cuja distância a percorrer é de 10 km, sendo o grau de dificuldade médio a elevado.
Inserido no âmbito Cultural e Paisagístico, o Trilho dos Currais proporciona um contacto directo com o espírito e tradições comunitárias locais, a partir da organização silvo-pastoril na forma de vezeira.


Esta prática comunitária, peculiar da Serra do Gerês, decorre de Maio a Setembro, sendo o gado bovino da comunidade encaminhado pelos caminhos carreteiros até à serra alta, onde se situam os currais.


Os vezeiros - proprietários do gado - acompanham durante dias ou semanas o gado, consoante o número de cabeças que possuem, transportando os utensílios para a alimentação e estadia nas cabanas dos currais.


A manutenção destas estruturas comunitárias é assegurada anualmente. Todos os anos, previamente à subida do gado para a serra, no dia dos cubais, os proprietários limpam os caminhos carreteiros, arranjam as cabanas e as fontes.


Trilho dos Currais ( características):

Extensão: 10 Km


Duração:4 Horas


Dificuldade:Médio a Elevado


Local: Serra do Gerês - PNPG


Parque de Campismo do Vidoeiro - Gerês


EN-308-1




Geologia e Geomorfologia


A monotonia geológica materializa-se pelo granito do Gerês, muitas vezes interrompida por sistemas de filões quartzosos, os quais, normalmente, apresentam uma orientação aproximada de nordeste-sudoeste.
O aspecto geomorfológico geral da região caracteriza-se pela existência de vertentes íngremes e linhas de água bem definidas, localizadas na encosta esquerda do vale do Rio Gerês.
A morfologia deste vale está relacionada com a existência da falha geológica que se prolonga entre o Gerês e o Lóbios. Sobre essa falha actuaram agentes erosivos, ao longo de muitos milhões de anos, dando origem a este pronunciado vale


Fauna

Ao calcorrear este trilho de admiráveis paisagens naturais, observam-se os animais em pastoreio; as cabras, as vacas e os cavalos, as aves de rapina e outros animais selvagens.
As aves são de fácil observação e destacam-se na paisagem natural. Desta espécie podem ser observadas a águia-de-asa-redonda, o falcão-peregrino (Falco peregrinus) o peneireiro (Falcus tinnunculus) e a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrochorax pyrrochorax).
Destaca-se, ainda, o corço (Capreolus capreolus), o lobo (Canis lúpus), o javali (Sus scrofa) e o esquilo. Devido aos seus hábitos mais esquivos, torna-se difícil a sua observação, contudo deve-se dar atenção aos seus indícios - as pinhas roídas, os dejectos, as tocas, as pegadas, os vestígios de alimentação - que traduzem a sua presença.


Flora

O trilho dos Currais é rico em valores florísticos, quer ao nível arbóreo, quer arbustivo. Na área envolvente do trilho estão representadas as espécies de resinosas: Pinheiro silvestre (Pinus Sylvestris), Pinheiro bravo (Pinus pinaster), e Pinheiro negral (Pinus nigra). Das folhosas destacam-se os carvalhos (Quercus robur) e (Quercus pyrenaica), o Azevinho (Ilex aquifolium), o Medronheiro (Arbutus unedo), a Pereira brava (Pytrus pyraster), o Padreiro (Acer pseudoplatanus) e o cornogodinho (Sorbus ocuparia).
A sua composição florística diversifica-se conforme a altitude e os microclimas. À medida que se sobe em altitude as espécies de matos tornam-se dominantes.
Observam-se os Tojais (Ulex minor) e (Ulex europaeus), a Torga (Calluna vulgaris), Carqueja (Chamaespatium tridentatum) e as Urzes (Erica arbórea) e (Erica cinerea), encontrando-se em zonas de maiores altitudes, o Zimbro (Juniperus).

4.6.08

A história esquecida da mulher na música


Texto de João-Maria Nabais

Publicado no suplemento das Artes e Letras do jornal O Primeiro de Janeiro do dia 2 de Junhi de 2008
Ver aqui




Preâmbulo


Ao longo da História da Humanidade, a acção e o trabalho da mulher foram subalternizados e de certo modo negligenciados, já que estava obedientemente dependente sob a sombra tutelar omnipresente do homem. Durante muitos séculos, sempre estiveram destinados ao homem todos os ofícios mais condizentes com o fenótipo da sua estrutura morfológica, de início, representada na figura do nómada, do caçador-recolector (recolhendo o seu sustento da Natureza), do guerreiro, cavaleiro ou militar, evoluindo à posteriori para tarefas remuneradas no círculo exterior à família. Assim, desde tempos imemoriais, a ocupação da mulher resumia-se sobretudo à sua função de cônjuge, mãe e dona de casa.




Após um longo e lento processo evolutivo, desenvolvido ao longo de milhares de anos, a matriz primacial, para a sua emancipação, vai radicar na Revolução Francesa e nos acontecimentos daí decorrentes com a proclamação dos princípios universais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, simbolicamente, imortalizados pela imagem de uma mulher, decidida e corajosa, disposta a saltar da tela, representada no quadro A Liberdade Guiando o Povo, pintado em 1830 por Eugène Delacroix. Em paralelo, a seguir à Revolução Industrial, muitas mulheres passam a exercer uma actividade laboral, embora a um nível remuneratório inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, algumas na viragem para o século XX, encetam outras formas de luta, ex. greves reivindicativas, tanto nos EUA como na Europa que vão levar à sua emancipação, drasticamente acentuada a seguir à última Grande Guerra.


A partir de agora, o papel feminino no mundo globalizado pós-guerra, produz uma mudança decisiva nos hábitos e nas tendências do costumado núcleo familiar, tornando-se a mulher maioritária em vários segmentos da sociedade moderna, tanto ao nível do ensino, da educação (basta ver a larga percentagem de mulheres a frequentar os cursos médios-superiores, em múltiplos ramos e especialidades e, o número igualmente elevado de licenciadas que todos os anos saem das nossas universidades, à conquista do mercado livre de trabalho, hoje cada vez mais restrito e competitivo, mesmo naquelas profissões que até há bem pouco tempo, estavam só destinadas a homens), bem como em lugares de chefia e mesmo na política. Hoje, apesar de serem maioria em muitas das profissões mais importantes, a discriminação (já para não falar do crónico problema da inserção sócio-laboral dos deficientes) mantém-se a nível salarial, na segurança do emprego, no rendimento de substituição na doença, na percentagem de desempregados ou nos casos em situação de reforma.



(...)


A linha do tempo no universo musical

Pode-se dizer que a música tem origem nos primórdios da civilização. A palavra Música deriva da arte das musas, numa referência à mitologia grega, verdadeiro marco da antiguidade clássica donde deriva toda a cultura ocidental.


Já na Pré-História, o ser humano comunicava com a ajuda de sinais sonoros recorrendo a paus, ramos, troncos, pedras, osso, etc., para tentar imitar os sons que diariamente ouvia na natureza, incluindo os gritos e cantos emitidos por pássaros e outros animais.


É a partir deste momento singular quando, intencionalmente, o Homem começa a produzir sons que se inicia a longa caminhada da História da Música. Os primeiros vestígios podem-se encontrar nas pinturas rupestres, onde aparecem desenhados os mais antigos apetrechos rudimentares de música, em cerimónias e ritos sociais, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos, na caça e na exaltação à guerra tribal, isto é, seria uma música de carácter mágico-religioso e ritualista. Primeiramente, usaria a voz e outros sons pela percussão de partes do corpo, ex. batendo as mãos e os pés, mas ao longo dos tempos, foi construindo outros utensílios, ex. à base de madeira, para acompanhar essas músicas e danças primitivas, cada vez mais elaboradas de modo, a melhor agradar aos deuses.


Nas primeiras grandes civilizações, a música induzia uma acção positiva em muitas das actividades sociais, outras vezes, era empregue como consolo ou necessidade lúdica.
Um bom exemplo é o Egipto dos faraós, em que a música e a dança acompanhavam de perto a vida do dia-a-dia, sendo a maioria dos personagens mulheres. A harpa, a lira e um género de alaúde eram muito usados, tanto na corte soberana como auxiliar e suporte no trabalho dos campos. A música sendo considerada de origem divina, estaria muito ligada ao culto das múltiplas divindades presentes.



Ao longo dos tempos, a música vai conquistando o seu espaço, com a aquisição de novas ferramentas: o órgão nas igrejas; o alaúde, a charamela (flauta rústica), a cítara, a sanfona, o realejo, a rabeca, o saltério, integrados na música popular profana. É na época dos menestréis e trovadores que se acentua o aperfeiçoamento da escrita musical. Surge na Idade Média, por esta altura, uma mulher notável que se destaca do panorama musical, sendo considerada uma das mais importantes compositoras de todos os tempos, o seu nome Hildegarda, natural de Bingen, uma monja beneditina alemã, mística, filósofa, visionária, escritora (escreve também sobre medicina natural, tratamentos de diversas doenças, alimentação, pedras preciosas, etc.) e compositora, conhecida como a Sibila do Reno. A sua música, preservada ao fim de novecentos anos está hoje disponível em CD, sendo objecto de larga difusão.


Com a Renascença, o homem assume o seu papel de protagonista nas Artes Humanitatis. A Europa inicia assim, uma longa caminhada para a secularização, ou laicização que vai levar ao afastamento da Igreja dos caminhos do poder e do controlo do saber. Até ao século XVI, a história musical progride quase exclusivamente no plano vocal. A música depressa irradia, com a ajuda preciosa da impressão musical. Maddalena Casulana (c.1544-c. 1590), alaudista e cantora do Renascimento tardio, será a primeira compositora a ver a sua obra (essencialmente madrigais) impressa e publicada nos anais da música ocidental.


A transição para o Barroco é um tempo de grande criatividade. A música instrumental apelando a novas sonoridades atinge um nível equiparado à da polifonia vocal religiosa. Há um progresso na prática do fabrico e na arte, com a manufactura de novos instrumentos de corda, tais como: o violoncelo, violino, viola da gamba, de arco e contrabaixo. Muito se deve este aperfeiçoamento, a Antonius Stradivarius, célebre luthier1 italiano. As peças orquestrais adquirem uma dificuldade técnica superior e ganham um renovado e maior esplendor. Os instrumentos de tecla acompanham a mesma evolução e o cravo tal como o violino alcançam o seu estatuto de solista. Surge a Ópera e o Ballet.


Neste tempo, há algumas poucas mulheres que se destacam, entre elas Francesca Caccini (1587-c.1640), mais conhecida, entre outros motivos, por ser a primeira compositora de sempre, a escrever uma ópera (talvez, a figura musical feminina mais importante entre os séculos XII e XIX), e Leonora Duarte (1610-1678), solista, também ela compositora, natural de Antuérpia, duma próspera família de genealogia sefardita portuguesa fugida à inquisição.




A importância e o papel das mulheres na música, dita clássica


“… Desejo mostrar ao mundo, a errónea presunção, tanto como pode a arte musical, de que só os homens possuem os dons da arte e do intelecto e de que estes dons nunca são atributos da mulher… “ (Maddalena Casulana)


Com o Humanismo, a datar dos séculos XIV-XV, a Europa é agitada por um amplo movimento de renovação cultural - o Renascimento, assente na redescoberta e reinterpretação da cultura clássica greco-romana.


As artes começam a centrar de novo, o ideal de harmonia, equilíbrio e beleza no corpo humano. E quem mais, senão a mulher para protagonizar esse modelo e arquétipo de serenidade e perfeição, isto é, a emoção estética do belo. Daqui a sua influência nas ciências e nas artes. A mulher torna-se a musa inspiradora tanto para poetas, músicos e artistas como em poemas (madrigais) e canções. A música passa a fazer parte da sociedade artística e intelectual desse tempo.


Através de pintores como Giorgione, Jan van Hemessen, Caravaggio, Jan Vermeer, Antoine Watteau, François Boucher, Fragonard, a figura feminina começa ser representada muitas vezes em lugar de destaque, cantando ou tocando vários instrumentos.


Até aqui, era crença assente que a mulher não possuía as qualidades emocionais e intelectuais obrigatórias para apreender a luz do conhecimento, sendo até considerada nociva essa mesma aprendizagem, porque podia desviá-la da sua função primacial de mulher e mãe.


Além do mais, as mulheres não eram bem aceites, sendo consideradas pessoas pouco dignas, se fizessem parte como solistas ou intérpretes, em espaços onde ate aí os homens tradicionalmente dominavam, como seriam as orquestras e os salões de ópera, melhor dito, a arte da música estava-lhes vedada como modelo respeitável de profissão. Este espírito vigente, ao atravessar transversalmente toda a história da música, anula a esperança de uma possível carreira, o que explica os poucos nomes que se distinguiram no panorama musical feminino até ao passado século.


Segundo consta, a própria Luísa Todi, já famosa além-fronteiras, ao voltar a Portugal em finais de setecentos, precisou de uma autorização especial, pois por cá, era ainda proibido às mulheres actuar em público. Essa liberdade, só irá verdadeiramente acontecer, em plenitude, na sequência do 25 de Abril.


Com o advento do século XIX e do Romantismo, os músicos tornam-se livres de tutelas, passando a ser também respeitados no seu estatuto profissional, ao adquirir o direito de auferir um salário justo e adequado durante as suas tournées anuais. Alguns passam a ser venerados como as actuais estrelas de cinema e da pop-music.


A mulher começa, gradualmente, a ter um papel mais participativo na música sendo agora, socialmente, melhor aceite, num período de maior liberdade na expressão de paixões e sentimentos. No entanto, as suas próprias composições têm dificuldade em chegar às salas de concerto e as obras quase nunca são publicadas.


Vários nomes sobressaem, numa listagem de mulheres compositoras que viveram nos últimos 250 anos, feita por Diana Ambache (a única mulher da Grã-bretanha, a fundar e a dirigir a sua orquestra clássica de câmara), tais como: Marianne Martinez (1744-1812), Louise Farrenc (1804-1875), Fanny Mendelssohn (1805-1847), Ethyl Smith (1858-1944), Nadia Boulanger (1887-1979), Germaine Tailleferre (1892-1983).


Além destas, é justo sublinhar a pessoa de Clara Schumann - “No que à arte diz respeito, você é suficientemente homem” (Joseph Joachim e o seu pensamento sobre Clara Schumann) -, ela própria proveniente de uma família de músicos, que vai conquistar uma emérita carreira de pianista, concertista e compositora alemã, após estar casada com o grande músico e criador romântico Robert Schumann, até à morte trágica deste num hospício para loucos em 1856. É uma das mais conhecidas intérpretes de sempre, ao mesmo tempo que teve de lutar contra a natural resistência e misoginia do espírito dominante à época - para a mulher estava destinada o cuidar da casa, aprender a bordar e costurar, além da educação dos filhos; aquelas poucas que não professassem num convento, o máximo a que podiam aspirar era dar lições de piano aos filhos das elites.


Com o apoio incondicional do seu amigo de longa data, Johannes Brahms, compõe uma série de peças para piano, orquestra, música de câmara e lieders, sendo uma das mais admiráveis executantes do repertório romântico. É hoje pacífico aceitar como um dos maiores talentos musicais desde o tempo em que viveu.


Já nessa altura e ainda hoje, embora menos, o universo profissional da música tal como uma arte apolínea tem sido dominada pelo homem, o que cria as maiores dificuldades de afirmação à mulher, mesmo que demonstre boas qualidades técnicas e especial sensibilidade interpretativa. Presentemente, o panorama musical está mudar, vendo-se até uma coisa impensável há uns anos atrás, mulheres na direcção orquestral.


E os últimos estudos mostram que as mulheres consomem cada vez mais cultura em relação aos seus parceiros e competidores mais directos, os homens. Lêem mais, são assíduas frequentadoras do teatro, do cinema, e vão mais vezes a museus e exposições e, estão mais atentas às últimas novidades.


1 Derivação da palavra francesa luthier (fabricante de instrumentos de corda), de luth (alaúde) mais o sufixo, -ier. (Dic. António Houaiss).

Seminário de Investigação sobre "Risco, Precaução e Cidadania: A Regulação dos OGM na UE e em Portugal"

A DINÂMIA – Centro de Estudos sobre a mudança socioeconómica, o ISCTE e o Centro de Estudos Sociais (CES),da Universidade de Coimbra, organizam um Seminário de Investigação sobre «Risco, Precaução e Cidadania: a Regulação dos OGM na UE e em Portugal»



Sala B201, ISCTE, Lisboa, 6 de Junho de 2008

O seminário discutirá os princípios e regras, procedimentos e práticas das autoridades reguladoras na UE e em Portugal em matéria de OGM e o modo como procuram responder aos desafios colocados pela incerteza científica, pela controvérsia pública e pela necessidade de coordenação inter-estatal neste



APRESENTAÇÃO

O regime aplicável aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) na União Europeia (UE) ilustra de forma modelar os desafios enfrentados pelas autoridades reguladoras perante inovações tecnológicas que ao mesmo tempo que prometem benefícios económicos e sociais chegam envoltas em incertezas quanto aos seus impactes, o que as torna especialmente propensas a controvérsia. Os OGM têm propiciado por isso um terreno favorável à "invenção" de princípios jurídicos e de modos de regulação originais, questionando conceitos e práticas enraizadas no mundo do direito e das suas instituições.

Por um lado, é elevada, nestas áreas, a exigência de incorporação de conhecimentos especializados no processo regulatório. Por outro lado, é acentuada a pressão social no sentido de conferir uma maior transparência e de garantir uma participação mais activa das partes interessadas e da sociedade civil nesse processo e, em particular, na "gestão do risco". Além disso, a incidência transnacional da produção e comercialização de culturas e produtos transgénicos torna imperativa a cooperação entre os Estados e a acção das organizações internacionais competentes, bem como a clarificação das suas responsabilidades na matéria.

A necessidade de agir em face de conhecimento insuficiente ou incerto sobre os factos relevantes representa um desafio considerável para o regulador e de um modo mais geral para um sistema jurídico no qual a verificação ou prova constituem, por norma e por tradição, a base indispensável quer da activação da regra legal, quer do apuramento da sua (eventual) violação. Do mesmo passo, a amplitude, diversidade e globalidade dos interesses que envolvem esta tecnologia e as suas aplicações convidam as instituições a reconsiderar e porventura a reforçar os mecanismos de informação e participação.

Uma das interrogações que fará por isso sentido colocar será a de saber como é que o legislador europeu vem lidando com a complexidade específica deste campo de regulação, como vem incorporando na linguagem do direito da União Europeia:

i) A incerteza ou margem de ignorância e de indeterminação do risco associado aos OGM;

ii) A função da ciência na avaliação e monitorização do risco e a sua relação com a autonomia decisória das autoridades competentes;

iii) Os factores insusceptíveis de ser apreciados por critérios científicos ou técnicos, ou seja, os valores éticos e culturais e os interesses económicos e sociais;

iv) A controvérsia inerente à introdução desta nova tecnologia.

A regulação europeia dos OGM obedece ao objectivo de aproximar as legislações internas dos Estados Membros de acordo com padrões elevados de protecção ambiental e sanitária. É notória, porém, a tensão entre este esforço de harmonização e coordenação e as diferenças nas dinâmicas do sector agrícola, nas percepções públicas de risco e nos graus de mobilização social de país para país. Portugal surge, neste contexto, como um dos países europeus onde é menor a polémica e a resistência às culturas e alimentos transgénicos. A área cultivada de milho geneticamente tem vindo, no entanto, a crescer. Coincidência ou não, foi em 2007 que pela primeira vez o debate sobre os OGM extravasou dos círculos de especialistas e penetrou o espaço público quando uma plantação de milho modificado foi alvo de destruição por um grupo de activistas.

É este o pano de fundo de um projecto de investigação em curso no quadro do DINÂMIA e do CES, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Neste estudo se procura analisar criticamente os princípios e regras, procedimentos e práticas das autoridades reguladoras na UE e em Portugal em matéria de OGM e o modo como procuram responder aos desafios colocados pela incerteza científica, pela controvérsia pública e pela necessidade de coordenação inter-estatal neste domínio.

O objectivo do presente Seminário de Investigação é permitir a apresentação e discussão do resultado preliminar deste estudo.


PROGRAMA

9:30 – 10:00 Recepção dos participantes

10:00 – 10:20 Introdução ao Seminário, Maria Eduarda Gonçalves (DINÂMIA – Sec. Aut. Dir. ISCTE)

10:20 – 10:40 "Novas tendências do direito da alimentação", Rui Cavaleiro Azevedo, Sub-director da Unidade "Food Law, Nutrition and Labelling", Comissão Europeia

10:40 – 11:00 Debate

11:00 – 11:15 Pausa para café

11:15 – 11:35 "Risco, precaução e ciência: o exemplo dos OGM", por Maria Eduarda Gonçalves (DINÂMIA – Sec. Aut. Dir. ISCTE)

11:35 – 11:50 Comentário, por Helena Freitas (Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra)

11:50 – 12:30 Debate

12:30-14:30 Almoço

14:30 – 15:00 "Civil society involvement in the EU regulations on GMOs", por Patrycja Dabrowska, Center for Europe, Universidade de Varsóvia

15:00 – 15:20 "Controvérsia, participação e movimento social em Portugal: o caso dos OGM", por Maria Inês Gameiro (DINÂMIA-ISCTE)

15:20 – 15:35 Comentário por Joaquim Gil Nave (Dep. Sociologia, ISCTE)

15:35 – 15:50 Comentário por Marisa Matias (CES, Universidade de Coimbra)

15:50 – 16:10 Pausa para café

16:10 – 16:30 "Desafios e impasses da regulação", por Catarina Frade (CES, Universidade de Coimbra)

16:30 – 16:45 Comentário, por Maria Manuel Leitão Marques (CES, Universidade de Coimbra; actualmente, Secretária de Estado da Modernização Administrativa)

16:45 - 18:00 Debate

18:00 Encerramento



Ver: aqui
Caso pretenda participar, por favor descarregue aqui a ficha de inscrição que, após preenchida, poderá ser enviada para o Dinâmia(ou para o cacifo 239)

Curso de biotecnologia sobre os alimentos transgénicos em Portugal

Biotecnologia - OS ALIMENTOS TRANSGÉNICOS EM PORTUGAL


Este curso pretende abordar questões da actualidade portuguesa relativas aos alimentos e culturas transgénicas: como se fazem transgénicos? Como se distinguem dos outros? Que alimentos os usam? Qual a legislação relevante? Existe risco associado ao consumo? Qual o conhecimento científico? Qual o papel da precaução? Qual o futuro desta tecnologia?



Estrutura :12 horas (4 horas x 3 dias)


Data de realização
De 7 a 9 de Julho, das 15 às 19 h


Local e estruturas a utilizar
UCP, Universidade Católica do Porto ( Campus da Asprela -Sala AF202)

Taxa de inscrição
30 € (5€ para alunos da UCP)


Participantes
Estudantes do ensino secundário ou superior, público adulto


Número mínimo e máximo de participantes
Entre 10 e 25


Docentes
Margarida Silva
(UCP, Escola Superior de Biotecnologia)

Inscricoes:
Campus da Asprela - Serviços de Formação
Rua Dr. António Bernardino de Almeida
4200-072 Porto Portugal
Tel.: +351 225 580 076

Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina (5 a 8 de Junho) em Figueira de Castelo Rodrigo


5 a 8 de Junho de 2008

Curso: Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina, 3ª Edição

Figueira de Castelo Rodrigo - Parque Natural do Douro Internacional

INSCRIÇÕES MUITO LIMITADAS - INSCREVA-SE JÁ!



PROGRAMA:

DIA 5 de Junho
LOCAL: Casa da Cultura de Figueira de Castelo Rodrigo

15:00
- Abertura de secretariado, recepção e entrega de material aos participantes
- Apresentação do curso e respectivo programa

16:00 – 19:30: Módulo I (Teórico)
- Sistemática e Taxonomia
- Introdução à Biologia, Ecologia e Genética
- Técnicas de Observação e Identificação
- Quiz de Identificação de Aves de Rapina

20:30 - Jantar em Figueira de Castelo Rodrigo
Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo


DIA 6 de Junho
LOCAL (ponto de encontro): Praça da fonte luminosa, Figueira de Castelo Rodrigo. 9:00.


9:00 – 13:00: Módulo II (Teórico-prático)
- Identificação de Aves de Rapina no Campo

- Avaliação da importância de diferentes tipos de Habitats para as diferentes espécies

Itinerário em autocarro intercalado com pequenos percursos a pé (Figueira de Castelo Rodrigo, Vilar Torpim, Vermiosa, Malpartida, Vale da Coelha, Vale da Mula, S. Pedro do Rio Seco, Vilar Formoso, Almeida).
Interpretação de biótopos agrícolas, florestais, agro-florestais, estepários, aquáticos dentro do Planalto de Riba-Côa.

13:00 – Almoço no campo - Largo da Capela de Santo André das Arribas (Almofala)

Participação da população local de Almofala no almoço e actividades da parte da tarde


14:00 - 20:00: Módulo III (Teórico-prático, Aula de Campo)
LOCAL: Arribas do Rio Águeda


- Métodos de Censo e Monitorização de Aves Rupícolas

- Observação e contagem de Grifos em duas colónias importantes (Distribuição em 2 ou 3 grupos)


21:00 – Jantar em Almofala

(Sessão aberta às pessoas da aldeia de Almofala)


Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo


DIA 7 de Junho

LOCAL (ponto de encontro): Praça da fonte luminosa, Figueira de Castelo Rodrigo. 9:00.

9:00 – 19:00: Modulo V (Teórico - Prático)
Percurso de autocarro através do Parque Natural de Arribes del Duero (PNAD)

- Continuação de Identificação de Aves de Rapina no Campo

- Contacto com exemplos de problemas de conservação

- Aula de campo sobre o Programa Antídoto - Portugal


Percurso: Figueira de Castelo Rodrigo, Barca d'Alva, Centro interpretativo do PNAD em Sobradillo, Visita Guiada Lumbrales e Vale do Rio Huebra (miradouros), Barragem de Aldeadávila, Penedo Durão


21:00 – Jantar em Escalhão

23:00 - Módulo IV (Prático)
Censo de aves nocturnas

Dormida: Figueira de Castelo Rodrigo



DIA 8 de Junho

10:00-12:00 Módulo VI (Teórico)

Local: Algodres (Junta de Freguesia)

- Apresentações sobre Problemática e Projectos de Conservação de Aves de Rapina no Parque Natural do Douro Internacional
- Projecto Reserva da Faia Brava, ZPE Vale do Côa (Associação Transumância e Natureza)

12:30 – Passeio de Burro e Caminhada na Reserva da Faia Brava, ZPE Vale do Côa (Almoço junto ao rio Côa)
- Observação de aves
- Visita aos principais locais do projecto de conservação de aves rupícolas na Reserva da Faia Brava
- A problemática dos incêndios rurais/florestais

- A importância da agricultura tradicional na conservação da avifauna

17:30 – Regresso a Algodres e Encerramento



www.aldeia.org/portal/PT/5/EID/96/DETID/2/default.aspx

Mais uma loja das aldeias de xisto vai ser aberta em Martim Branco em simultâneo com o Caminho de Xisto


As Aldeias do Xisto são já em número de 24 e estão distribuídas pela Região Centro, num território de enorme beleza.

8 1/2 Festa do Cinema Italiano ( entre 5 e 11 de Junho)


Apresentar obras do novo cinema italiano de autor, reconhecidas pelo crítica e pelo público, e que foram exibidas em reconhecidos festivais de cinema. Este é o objectivo a que se propõe a primeira edição da mostra de cinema 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que decorrerá no cinema King, em Lisboa, de 5 a 11 de Junho.



Organizada pela recentemente criada Associação Cultural Il Sorpasso, esta mostra dará ao público português a oportunidade de ver filmes de jovens realizadores italianos, ainda pouco conhecidos em Portugal, a par de nomes internacionalmente consagrados. Com o objectivo de contribuir para o fortalecimento das relações culturais já existentes entre Portugal e Itália, em sintonia e de acordo com as instituições locais, a associaçao Il Sorpasso organiza esta primeira edição da Festa do Cinema Italiano com o Alto Patrocínio da Embaixada de Itália, e em colaboração com o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e a Cinemateca Portuguesa.



A par da exibição de oito de filmes, a 8 ½ Festa do Cinema Italiano contará com a participação de convidados quais Maria de Medeiros, Antonietta De Lillo, Marco Simon Puccioni e Diane Fleri.



Para mais informações: http://www.festadocinemaitaliano.com/


PROGRAMA

Cinema King – 5 Junho – 21h00

ABERTURA DO FESTIVAL

Com a actriz Maria de Medeiros e os realizadores Antonietta de Lillo e Marco Simon Puccioni

Riparo (“Abrigo”) Trailerde Marco Simon Puccioni / Itália, 2007, 98’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Maria de Medeiros, Antonia Liskova, Mounir Ouadi
Anna e Mara são namoradas, de regresso das férias em Marrocos, descobrem um jovem clandestino no porta-bagagem do carro: Anis. Conta que perdeu os pais e que quer ir para Milão. As raparigas decidem escondê-lo e ajudá-lo. Mas as relações entre os três rapidamente arrefecem…
Antestreia nacional


Il resto di niente (“O Resto de Nada”) Trailerde Antonietta de Lillo / Itália, 2004, 103’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Maria De Medeiros, Imma Villa, Lucia Ragni
Eleonora Pimentel Fonseca é uma jovem e fervente revolucionária que, em 1799 adere às ideias da Revolução de Nápoles e tenta divulgá-las através de um jornal que utiliza a língua do povo. Mas por azar, para ela e seus companheiros não tardou chegar a repressão dos borbónicos e com ela o patíbulo




6 Junho – 21h30
Com a presença de Diane Fleri

Mio fratello è figlio unico (“Meu Irmão è Filho Único”) Trailerde Daniele Luchetti / Itália, 2007, 100’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: Elio Germano, Riccardo Scamarcio, Diane Fleri
Accio, um fascista susceptível é o irmão de Manrico, um comunista fascinante. Entre os dois há um constante confronto numa época de grandes paixões e de agitação social e cultural: os anos '60 e '70. A atracção de ambos para Francesca põe à dura prova a relação conflituosa entre eles, que se distingue pela afeição, sempre presente.
Antestreia nacional



7 Junho – 22h00
La giusta distanza (“A Distância Certa”)
Trailerde Carlo Mazzacurati / Itália, 2007, 110’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: Giovanni Capovilla, Ahmed Hafiene, Fabrizio Bentivoglio
Hassan é um mecânico tunisino, Mara é uma jovem professora. Giovanni, amigo deles, tem dezoito anos e é um aspirante a jornalista, testemunha da relação entre eles. Uma história que começa com alguns sinais de inquietação e acaba numa tragédia inesperada. Giovanni vira as costas a Hassan, pois a vida é mais incerta e dolorosa do que parece…



8 Junho – 21h30
La terramadre (“A Terramãe”)de Nello La Marca / Itália, 2008, 120’– v.o. leg. em pt.
Interpretação: actores não profissionais de Palma di Montechiaro
Histórias de duas personagens que têm em comum um destino impossível de gerir e orientar. Gaetano tem que ir à Alemanha com o pai, apesar da sua ligação inexplicável com a terra de origem. Ali é um emigrante clandestino que chegou a Palma por mar, depois de um naufrágio, arrastando o cadáver de uma mulher.

9 Junho – 22h00
Il nascondiglio (“O Esconderijo”) Trailerde Pupi Avati / Itália, 2007, 100’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Laura Morante, Rita Tushingham, Burt Young
Uma italiana muda-se para Davenport para abrir um restaurante. Mas depois do suicídio do marido terá que ficar internada num hospital psiquiátrico durante quinze anos. Finalmente livre, decide reabrir outro restaurante vindo a saber que naquele mesmo lugar, cinquenta anos antes, tinha acontecido um terrível massacre, ainda envolto num mistério.


10 Junho – 21h30
N (Io e Napoleone) “N (Eu e Napoleão)”
Trailerde Paolo Virzì / Itália, 2006, 110’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Daniel Auteuil, Elio Germano, Monica Bellucci
1814. Napoleão encontra-se exilado na ilha de Elba e tem uma boa relação com a população local. Todos o adoram menos um: Martino Papucci. Todas as noite Martino sonha matá-lo para vingar os ideais revolucionarios traidos. Quando tem a oportunidade de se tornar escrivão do antigo imperador, aceita sem hesitações...


11 Junho – 21h30
Una ballata bianca (“Uma Balada Branca”)
Trailerde Stefano Odoardi / Itália, 2007, 78’ – v.o. leg. em pt.
Interpretação: Nicola Lanci, Carmela Lanci, Simona Senzacqua
Num apartamento a vida de um casal já de idade desenrola-se como um antigo gira-discos: lenta e mecânica. A mulher não tem muito tempo de vida, ela sofre de uma grave doença. Um belíssimo poema sobre o fim de um amor.




ACTIVIDADES PARALELAS


FESTA DE ABERTURA 8 1/2
4 de Junho às 20h30 no Intermezzo Cocktail Bar - Rua Garret 19 (Chiado) Lisboa

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AL CAFFE' DEL CINEMA ITALIANO
Al caffè del Cinema Italiano é uma viagem sonora na história e memória colectiva de La Bella Itália. Em tom de café concerto o músico italiano Marco Spinetta e a actriz portuguesa Joana Seixas divagam entre as personagens, a música, o cinema e a língua italiana. Um espectáculo intimista, divertido e mágico em homenagem ao cinema italiano.
8 de Junho às 23h00 no Maria Matos Café

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PASOLINI - O CHEIRO DA ÍNDIA / FELLINI - SOU UM GRANDE MENTIROSO
Debate à volta de dois livros recém-editados, da autoria de dois grandes realizadores italianos.
11 de Junho às 19h00 na FNAC Chiado



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FESTA DE ENCERRAMENTO 8 1/2
11 de Junho às 23h00 no Luca Tapas Bar - Rua Santa Marta 35 Lisboa


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8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO RECOMENDA:
Noites interculturais no Bacalhoeiro, Sábado dia 24: Itália

2.6.08

Plantados no Chão – um livro de Natália Viana sobre os assassinatos políticos no Brasil de Hoje


Por via do Jornal Mudar de Vida soubemos da possibilidade de descarregar integralmente o livro «Plantados no Chão – os assassinatos políticos no Brasil de Hoje» da jornalista Natália Viana e publicado pela editora Conrad. Trata-se de um corajoso trabalho acerca dos assassinatos de activistas dos movimentos sociais no Brasil dos nossos dias. O livro está pois disponível em versão PDF para download gratuito.

O objectivo da autora e dos editores é divulgar o máximo possível o conteúdo do livro, levantando o debate sobre a violência que os movimentos sociais continuam a enfrentar no Brasil.

www.conradeditora.com.br/plantadosnochao.html


Às onze horas do dia 20 de novembro de 2004, dezessete homens armados entraram na fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo, Minas Gerais. Queriam "acertar a contas" com as 130 famílias do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), que estavam há mais de dois anos no acampamento batizado de Terra Prometida. Os sem-terra denunciavam que parte da terra havia sido grilada, e pela lei deveria ser desapropriada. Adriano Chafik – dono da propriedade – e seus homens caminharam até o centro da ocupação e abriram fogo. Mataram cinco sem-terra e feriram quinze.

Três anos se passaram.

As 13 horas do dia 21 de outubro de 2007, quarenta homens armados entraram na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, Paraná. Queriam “acertar as contas” com os líderes das setenta famílias da Via Campesina que montaram ali um acampamento batizado de Terra Livre. Os camponeses denunciavam os experimentos da Syngenta com sementes transgênicas de soja e milho, que feriam uma lei que proíbe tal prática próxima a reservas florestais. Os homens, contratados de uma empresa de segurança privada, entraram na fazenda já atirando. Executaram um líder sem-terra e feriram outros cinco.




O relato dos dois episódios assusta pela semelhança. Mas deveria chamar a atenção, também, pela diferença. São duas histórias distantes no espaço e no tempo, envolvendo atores diferentes e com motivações diferentes. No entanto, como numa novela bem ensaiada, o desenrolar dos acontecimentos é idêntico: as vítimas já haviam sido ameaçadas, as autoridades sabiam do perigo eminente, mas mesmo assim nada foi feito. O desfecho, também, provavelmente será o mesmo. Enquanto matavam mais um sem-terra no campo da Syngenta, Adriano Chafik, réu confesso do massacre de Felisburgo, continuava sem julgamento – e sem previsão para tal.


O livro Plantados no Chão é um grito de indignação contra essa novela. Publicado em junho de 2007, é uma compilação de mais de 180 casos de militantes assassinados nos últimos 4 anos – durante do governo Lula – por causa da sua convicção. É uma tentativa de entender esses assassinatos, buscar estabelecer que padrão eles seguem, por que eles acontecem e perguntar como continuam a ocorrer em um governo que foi eleito com o apoio desses mesmos movimentos sociais. Não são respostas fáceis, e por isso não pretendemos esgotar o assunto, mas iniciar um debate muito necessário.


Cada assassinato político não é a morte de um militante, é um pouco a morte da causa que ele defende. Os assassinatos políticos nos dias de hoje não servem para exterminar uma pessoa, mas para refrear a demanda de um grupo que é representado por essa pessoa. Ao permitir essa rotina de violência, nosso governo permite que a democracia brasileira continue sendo decidida a bala. Não é algo para se orgulhar.

Desde o lançamento, sempre quisemos que o livro fosse disponibilizado na internet para download gratuito. Queríamos desde o começo que o seu conteúdo tivesse mais alcance do que a forma (e o preço) de um livro pode alcançar. Queremos levar esse debate para os mais diferentes cantos possíveis. Por isso, como autora (juntamente com toda a equipe da Conrad) pedimos: baixe o livro, copie, imprima, leia, releia, critique. Afinal, parafraseando a jornalista britância Jan Rocha, autora do prefácio do livro, o assassinato político não é a morte de uma só pessoa; é um golpe contra a esperança – e contra o futuro da nossa democracia.
E o trabalho iniciado com Plantados no Chão não termina por aqui. Em breve estrearemos um blog neste site, onde manteremos os leitores atualizados não apenas em relação aos crimes relatados no livro, mas também abrindo espaço para novas denúncias.
Aproveite o livro e o site, e espalhe a idéia.

Natalia Viana

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Entrevista à autora do Livro Plantado no Chão:


- Como surgiu a idéia de lançar um livro com esta temática, de assassinatos políticos no Brasil?



O Plantados no Chão nasceu de uma proposta que os editores da Conrad me fizeram: vamos fazer um livro, uma espécie de lista dos casos de assassinatos políticos no Brasil hoje. Isso porque o Anderson Luís, presidente do Sintrafrios, sindicato de trabalhadores em Frios e Laticínios da baixada Fluminense, tinha acabado de ser assassinado e havia um sentimento de revolta que assassinatos assim, por conta da militância política, ainda acontecessem no Brasil tantos anos depois de derrubada a ditadura. Só que quando comecei a pesquisar, descobri que não havia tal levantamento, e o pior: não havia nem mesmo um conceito estabelecido de assassinato político contemporâneo. Muita gente que procurei falava imediatamente de casos de políticos assassinados, o que não é nem de longe a mesma coisa.


2 - Porque você classificou estes casos como crimes políticos?


Para nós, sempre esteve claro que o assassinato político tem como raiz a ação política de um grupo, ou seja, um indivíduo é morto porque age politicamente em nome de um grupo. Adotamos o sentido de política usado pelo sociólogo Chico de Oliveira, que diz que “política é a reclamação das partes pelos que não têm parte”. Assim, a política, ou democracia, como prefiro chamar, é a disputa entre grupos dentro do Estado de Direito. Nesse sentido, o assassinato político de hoje em dia tem uma função praticamente oposto ao da ditadura. Se na época da ditadura a repressão era considerada necessária para manter o regime, hoje em dia o assassinato político é um golpe contra o atual regime, um golpe contra a democracia. Ou, como diz no prefácio do livro a jornalista Jan Rocha, que foi correspondente do Guardian e da BBC no Brasil, “A morte de um líder não é simplesmente a eliminação de uma pessoa inconveniente. mas um golpe contra a esperança. Contra o futuro”.


3 - Os dados e personagens foram pesquisados nos mapas e informes da Comissão Pastoral da Terra e de outras entidades? quais?


Algumas organizações coletam dados que entraram parcialmente no livro depois de uma avaliação caso a caso. Além da CPT, usamos dados do Cimi, Conselho Indigenista Missionário, que publica uma lista de todos os indígenas assassinados a cada ano, da ONG Justiça Global, que publica o relatório Na Linha de Frente, sobre defensores de direitos assassinados e relatos de outras organizações como Terra de Direitos, CUT e o Movimento Passe Livre – além dos relatórios da ONU sobre defensores de direitos no Brasil feitos pela relatora Hina Jilani.


4- Como vê o fato de os crimes terem aumentado em um governo de centro-esquerda e, ao menos teoricamente, mais preocupado com questões sociais?


Primeiro, não podemos afirmar que os crimes políticos no geral aumentaram durante esse governo, mesmo porque só levantamos dados sobre esse período e não temos nada com que comparar. Mas dados tanto da CPT quanto da Ouvidoria Agrária Nacional mostram que no caso dos conflitos por terra, o número aumentou muito no primeiro ano do governo Lula com relação ao governo anterior, e se manteve mais alto até o ano passado.
Dito isso, é claro que consideramos um absurdo que esses crimes continuem a acontecer durante um governo de um presidente que foi ele mesmo vítima de repressão política. Acho que as iniciativas deste governo – como a criação do Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos – são ainda fracas. Seria necessário um posicionamento mais firme neste sentido, mais pressão para que esses casos andem na justiça. Acreditamos que, como atentados à democracia, eles devem ser tratados de forma exemplar – todos eles deveriam seguir o exemplo da apuração da morte de Dorothy Stang.



5 - Como foi feita a pesquisa para o livro, você foi em algum lugar?


A pesquisa para o livro foi basicamente documental, feita a partir de dados da organizações que já citei, pesquisas acadêmicas, processo judiciais e inquéritos. Além disso, conversei longamente com parentes das vítimas e pessoas envolvidas, movimentos e advogados que trabalham com os casos. Isso porque desde o começo a idéia era fazer uma listagem mais do que apurar cada caso com pormenores, o que seria impossível. Queríamos reunir o máximo de casos porque sabíamos que íamos chegar a um número grande que ia surpreender muita gente –a idéia era mostrar que há um fenômeno acontecendo no Brasil que não tem recebido a devida atenção.


6 - De quem foi a idéia e como está a repercussão do livro disponibilizado na internet?


Desde o começo eu queria disponibilizar o livro para download porque, como já disse, a idéia sempre foi propor a discussão. E realmente tem sido muito legal. Agora estamos estudando como licenciar o livro em creative commons para disponibilizar mais abertamente em outro sites como o Overmundo. Além disso, como o livro tem um site próprio(www.conradeditora.com.br/plantadosnochao), com mais informações do que no livro, e um blog sobre o tema (www.conradeditora.com.br/plantados ), sinto que ele tem uma vida que vai além do formato papel, e além de tudo pode ser atualizado a qualquer momento. O formato virtual me parece ser muito mais livre.


7 - Há alguns retornos interessantes da proposta?


Tem, claro. Tenho recebido emails de muitas partes do país - outro dia me escreveu um rapaz da China, veja só que incrível, isso jamais seria possível se o livro ficasse só no formato papel. Como ele está disponível para todos, ficou bem mais fácil ele ser comentado, resenhado e indicado; muitas listas de discussão e blogs passaram a idéia adiante. É muito bacana isso.




8 - Pretende voltar ao Brasil e continuar a pesquisa? Há algum outro projeto em vista?


Sim, sem dúvida quando voltar ao Brasil pretendo continuar a cobrir o tema. Por enquanto, continuo o trabalho como eu posso, através do blog Plantados no Chão (http://www.conradeditora.com.br/plantados/ ), que estamos fazendo em parceria com a revista Caros Amigos. Nele eu estou atualizando alguns casos relatados no livro e também acompanhando sempre que possível outros casos de violência contra defensores de direitos no Brasil. Comecei há menos de um mês, e eu mesma estou perplexa com a quantidade de notícias que tenho recebido – prova de que a violência contra quem protesta ainda é rotina no nosso país.

9 - Como você vê, em termos gerais, o Brasil, como a oitava economia do mundo, uma democracia consolidada e, mesmo assim, ainda com números tão altos de assassinatos políticos principalmente no campo?



Basicamente, acho que o alto número de assassinatos políticos mostra que a nossa democracia ainda está no caminho da maturidade, estamos ainda no estágio em que atores políticos legítimos são vistos como criminosos e onde em muitas regiões disputas políticas ainda são resolvidas a bala. Em anos recentes, os movimentos sociais compreenderam o seu papel na sociedade, e estão reivindicando legitimidade e apoio dos poderes para agirem de acordo com o que são – atores políticos de pressão. De certo modo acho que o problema é que os poderes em geral – inclusive a mídia – demoram um pouco em perceber essa mudança. As pessoas ainda não perceberam que em muitos casos quem está forçando a aplicação da lei são os movimentos populares.


10 - Porque estes casos foram escolhidos como emblemáticos?


Cada um dos seis casos relatados no livro foi selecionado por um motivo de modo que a reunião dos seis casos ilustrasse diferentes aspectos do problema. A escolha de Dorothy Stang foi óbvia pois, além da repercussão, e até por causa dela, foi um caso que andou rápido e de maneira exemplar na justiça. Para contrastar, achamos interessante relatar o massacre de Felisburgo, um episódio brutal em que o próprio fazendeiro, segundo testemunhas, entrou na terra ocupada para matar a sangue-frio um ex funcionário e outros sem-terra. A coisa ainda está parada principalmente no processo contra o próprio fazendeiro. Depois, achamos bom incluir também um caso envolvendo conflitos por terra indígena, que também são muitos dentro do quadro de violência por questão de terra. Aí encontrei o caso dos Xukuru, que aponta como a justiça repetidamente criminalizou esses indígenas ao longo dos anos, com vários Xukuru respondendo processos judiciais. Muito indígenas foram assassinados, mas há poucos assassinos punidos. Um dos assassinos dos jovens Josenilson e José Ademilson, em 2003, por exemplo, foi inocentado e o outro já está em liberdade depois de ter cumprido quatro anos de cadeia.
Depois, quisemos chamar atenção para o fato de que nas cidades também há violência contra militantes, embora haja muito menos informação sobre esses casos – nenhuma organização coleta tais dados. Então tratamos do caso de Anderson Luís, que aliás deu origem ao livro, como já falei, e o caso dele mostra como a investigação policial é lenta e falha em muitos casos. O assassinato vai fazer dois anos em abril, e o inquérito policial nem foi concluído ainda. O caso do Anderson Amaurilio, um estudante atropelado durante um protesto em Londrina, revela também a forte repressão policial e institucional que os estudantes do movimento pelo Passe Livre têm sofrido no país. E por fim, o caso do sindicalista Anderosn Luís, porque ele demonstra a violência policial contra manifestantes. O caso dele é de arrepiar; ele foi estrangulado por policiais em frente a uma multidão no final de uma passeata – ora, uma coisa dessas só pode acontecer em um país que permite abertamente a violência contra quem protesta.



11 - O que fazer, em sua visão, para combater a impunidade neste tipo de crime?


Olha, é um problema complexo que inclui várias instâncias e vários atores. Como jornalista, o que eu pude fazer foi chamar a atenção para o problema e tentar propor um debate para que se busquem soluções. Mas a pesquisa do livro me leva a crer que, para acabar com os assassinatos políticos é preciso, primeiro, que se reconheça e inclua os movimentos como atores políticos legítimos e importantes para o funcionamento da democracia. Os assassinatos de militantes só são possíveis em um contexto em que os líderes populares, organizações e movimentos sociais ainda podem ser taxados de baderneiros e criminosos. O primeiro passo seria esse.
Outra possibilidade que ainda não foi usada é a federalização dos casos, cuja possibilidade foi aprovada em 2004 para todos os crimes em que há grave violações de direitos humanos – todos os assassinatos de defensores de direitos humanos, poderiam de encaixar nessa lei. Só que o pedido de federalização tem que ser feito pelo procurador-geral da República, o que só foi feito em um caso desde a lei ter sido aprovada: no caso da Dorothy Stang, e foi negado pelo STJ. Federalizar os casos de assassinatos políticos poderia ser uma boa maneira de combater um problema sério nas justiças locais, onde a influência regional de muitos dos possíveis executores dos crimes, como fazendeiros, madeireiros e empresários pode perverter o rumo da justiça.



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Links úteis sobre os temas tratados no livro:


1. Documentos


Relatório World Report 2008, da Human Rights Watch. Em português: http://hrw.org/portuguese/docs/2008/01/31/brazil17926.htm


Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. www.social.org.br/relatorio2007.pdf


Relatório Preliminar Conflitos no Campo 2007, da Comissão Pastoral da Terra.
www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=2108&eid=6


Relatório da enviada da ONU Hina Jilano sobre a situação dos Defensores de Direitros Humanos no Brasil. Em Inglês:
www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/4session/A-HRC-4-37-Add.2.doc






Relatório Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2002-2005), da organização Justiça Global:

www.global.org.br/portuguese/relatoriodefensores2005.html


2. ONGs:

Comissão Pastoral da Terra - ligada à Igreja Católica, acompanha a violência causada por conflitos de terra no Brasil.
http://www.cptnac.com.br/


Conselho Indigenista Missionário - também ligado à Igreja Católica, acompanha a violência contra indígenas.
http://www.cimi.org.br/


Terra de Direitos - oferece auxílio jurídico aos movimentos que lutam pela terra.
http://www.terradedireitos.org.br/


Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) - dá apoio jurídico a movimentos populares
http://www.gajop.org.br/


Movimento Nacional de Direitos Humanos - Reúne diversos movimentos e organizações que trabalham com direitos humanos.
http://www.mndh.org.br/


Fórum de entidades Nacionais de Direiros Humanos - traz notícias sobre direitos humanos.
http://www.direitos.org.br/


Conectas Direitos Humanos - acompanha todos os tipos de violações aos direitos humanos.
http://www.conectas.org/


Anistia Internacional - organização com forte atuação no país que costuma emitir apelos pela defesa dos defensores de direitos no aís.
http://www.amnesty.org/


Instituto Socio Ambiental - acompanha movimentos sociais que trabalham com temas ligados ao meio ambiente
http://www.socioambiental.org/home_html


Organização das Nações Unidas (ONU) - Seção Brasil
http://www.onu-brasil.org.br/


3. Movimentos sociais:


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
http://www.mst.org.br/


Via Campesina
http://www.viacampesina.org/


Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB)
http://www.mabnacional.org.br/


Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
http://www.mpabrasil.org.br/


Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
http://www.mtst.info/


Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
http://www.mmcbrasil.com.br/


4. Sites de Notícias

Repórter Brasil - site de jornalismo social com especial enfoque no trabalho escravo.
http://www.reporterbrasil.org.br/


Carta Maior - agência de notícias que cobre amplamente os movimentos sociais
http://www.agenciacartamaior.org.br/


Repórter Social - agência de notícias sobre temas sociais em geral
http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1407


Correio da Cidadania - veículo independente que cobre temas sociais.
http://www.correiocidadania.com.br/


Brasil de Fato - jornal ligado ao movimento sem-terra http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia


Caros Amigos - revista mensal de esquerda
http://www.carosamigos.com.br/


Centro de Mídia Independente - seção brasileira do movimento internacional Indymedia.
http://www.midiaindependente.org/


Rede Direitos Humanos e Cultura (DHNET) - notícias sobre direitos humanos no Brasil e demais países lusófonos.

http://www.dhnet.org.br/interagir/noticias/noticias.htm


Agência Chasque - agência de notícias sobre trabalhadores rurais e urbanos o Rio Grande do Sul
http://www.agenciachasque.com.br/


Blog do Sakamoto - o jornalista Leonardo Sakamoto traz notícias sobre desigualdade social, movimentos e combate ao trabalho escravo.
http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/