25.4.08

Reviver lágrimas de alegria pelo 25 de Abril de 1974





Grândola vila morena cantada por
José Afonso, Vitorino e Francisco Fanhais
na Herdade Torre Bela ocupada pelos trabalhadores







O Sexto Cesto (Governo) está Roto









Vídeos sobre o 25 de Abril de 1974

Cantores de Intervenção - Página Márius 70


Sons do "Pulsar da revolução"

Rendição de Cavalaria 7 (Voz de Salgueiro Maia)






25 de Abril – nunca é demais relembrar ó povo cinzento que um dia foste livre













A revolução dos Cravos – 25 de Abril – parte 1







Parte 2





Parte 3






Capitães de Abril - Filme de Maria de Medeiros (excerto)

Resistir é vencer ( concerto de José Mário Branco no Coliseu em 2004)

RESISTIR É VENCER



Parte 1






Parte 2






Parte 3

Fausto – Grande, grande é a viagem - Concerto ao vivo em 1990 de Fausto Bordalo Dias

Parte 1





Parte 2





Parte 3


Sérgio Godinho ao vivo no Coliseu em 2004

Parte 1






Parte 2






Parte 3


24.4.08

IndieLisboa - o 5º festival internacional de cinema independente arranca hoje


Hoje, quinta-feira, 24 de Abril, arranca o Festival IndieLisboa 2008 em vários espaços, constituindo, sem dúvida, um dos poucos momentos onde se pode ver e apreciar cinema não-comercialóide.
O INDIELISBOA é um local privilegiado para a descoberta de novos autores e tendências do cinema mundial e integra uma competição de longas e curtas metragens de novos realizadores.

Encenação teatral a partir de Loucos por Amor de Sam Shepard


Sinopse
Um motel. Eddie, um homem que regressa à sua amada. May, uma mulher sensual e selvagem. Martin, um outro homem.
Um amor que está, ou parece estar, condenado ao fracasso. Um desejo que não pode ser cumprido.



Encenação Manuel Tur
Assistência de Encenação António Parra
Interpretação André Brito, Teresa Arcanjo e Tiago Correia
Cenografia Ana Gormicho e Daniel Teixeira
Figurinos Anita Gonçalves
Desenho de Luz Francisco Teles
Sonoplastia Filipe Azevedo
Direcção de Cena e Produção Joana Neto
Design Gráfico Inês Ferreira




bilhete para estudantes: 3 euros
bilhete normal: 5 euros

Lotação 25 Lugares por marcação
nº 91 843 16 54

maria vai com as outras
loja de livros, tabacos, chás, artesanato, mobiliário, vinhos, outras cores, outros cheiros, outros sabores


R. do Almada, 443, Porto
tel.220167379


segunda a quinta: 16h00-24h00 sextas e sábado: 16h00-20h00/ 22h00-24h00 domingos e feriados: 16h00-20h00
domingos e feriados: 15h00-20h00

Amsterdam é a nova capital mundial do livro



A cidade holandesa de Amsterdam substituiu desde ontem a cidade de Bogotá como Capital Mundial do livro. Trata-se de mais uma iniciaitva da Unesco que selecciona cada ano uma cidade capital do livro como forma de servir de referencial geográfico para a promoção do livro, constituindo o dia mundial do livro ( 23 de Abril) como o momento de passagem do testemunho.

Como é fácil de imaginar Amsterdam já tem pronto um programa anual repleto de actividades em torno do livro. Para começar está previsto um Simpósio sobre sobre o livro e os direitos de autor na era da Internet The Book in the Internet Era: Copyright and the future for Authors, Publishers and Libraries), e uma exposição intitulada Amsterdam em palavras Amsterdam in Words).

Note-se que Amsterdam é a oitava cidade-capital do livro, depois de Madrid, Alexandría, Nova Deli, Amberes, Montreal, Turim e Bogotá.
Consultar também:

www.uba.uva.nl/news/news.cfm ( biblioteca da Universidade de Amsterdam)

www.bookstoreguide.org/ ( guia das livrarias europeias)

www.sjakoo.nl/ livraria libertária de Amsterdam




Fotos da Sjakoo, livraria libertária em Amsterdam




23.4.08

Ler, ler e nunca parar de ler... ( a propósito do dia mundial do livro)

Pode-se avaliar a beleza de um livro
pelo vigor dos safanões que ele nos deu
e pelo tempo que levamos depois a recompor-nos.
Flaubert










1. Quem lê, vê mais.

2. Quem lê, sente mais.

3. Quem lê, vive mais.

4. Quem lê, ama mais

5. Quem lê, sonha mais.

6. Quem lê, decide melhor.

7. Quem lê, governa melhor.

8. Quem lê, escreve melhor.

9. Quem lê, argumenta melhor.

10. Quem lê, pensa melhor








A verdadeira Universidade, nos nossos dias, é uma boa colecção de livros
Thomas Carlyle






Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
Sois de vento, ides no vento,
No vento que não retorna,
E, em tão rápida existência,
Tudo se forma e transforma!

(...)

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...

(...)

Detrás de grossas paredes,
De leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
Sem peso de ação nem de hora...
- e estais no bico das penas,
- e estais na tinta que se molha,
- e estais nas mãos dos juízes,
- e sois o ferro que arrocha,
- e sois barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!

(...)

Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro de aragem...
- sois um homem que se enforca!


Cecília Meireles




Há o hábito de pensar que se entra numa biblioteca para procurar um livro. Não é verdade. Sim, por aí se começa, mas o que na realidade se busca é a aventura.
Umberto Eco



A leitura não é a mesma coisa aos vinte anos que aos sessenta. O jovem lê tudo. (…) Com a idade as leituras vão-se reduzindo. Dizia um filósofo que o importante é saber não o que se há-de ler, mas sim o que «não» há que ser lido.
Azorin

22.4.08

A Carta da Terra ( versão integral)


A carta da Terra é o resultado de um diálogo intercultural que se estendeu ao longo de anos e que pretendeu fazer uma síntese de valores e objectivos de vida partilhados por pessoas de várias culturas e sociedades e que reúne igualmente um conjunto de aspirações comuns.




A Carta da Terra -Versão Integral


PREÂMBULO


Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça económica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.


Terra, Nosso Lar


A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A protecção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.


A Situação Global


Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e é causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.


Desafios Para o Futuro


A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano é primariamente ser mais, não, ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios, ambientais, económicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções inclusivas.


Responsabilidade Universal


Para realizar estas aspirações devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos ao mesmo tempo cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual, a dimensão local e global estão ligadas. Cada um comparte responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem estar da família humana e do grande mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo presente da vida, e com humildade considerando o lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à emergente comunidade mundial. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas de negócios, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.



PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA


1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente do uso humano.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.



2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger o direito das pessoas.
b. Afirmar que, o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder comporta responsabilidade na promoção do bem comum.



3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e dar a cada a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça económica propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.



4. Garantir a generosidade e a beleza da Terra para as actuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de acção de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, a longo termo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.



Para poder cumprir estes quatro extensos compromissos, é necessário:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA



5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adoptar planos e regulações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas em perigo.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como a água, solo, produtos florestais e a vida marinha com maneiras que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extracção e uso de recursos não renováveis como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminua a exaustão e não cause sério dano ambiental.



6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de protecção ambiental e quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho da prudência.
a. Orientar acções para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica seja incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ónus da prova àqueles que afirmam que a actividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo termo, indirectas e de longa distância.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioactivas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que actividades militares causem dano ao meio ambiente.



7. Adoptar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Actuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adopção e a transferência equitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar aos consumidores identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal ao cuidado da saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adoptar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e o suficiente material num mundo finito.



8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e uma ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a protecção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a protecção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.



III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÓMICA


9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social, económico e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e dar seguro social [médico] e segurança colectiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se a si mesmos.
c. Reconhecer ao ignorado, proteger o vulnerável, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.



10. Garantir que as actividades económicas e instituições em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro e entre nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e aliviar as dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transacções comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis, a protecção ambiental e normas laborais progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais actuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas actividades.



11. Afirmar a igualdade e a equidade de género como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, ao cuidado da saúde e às oportunidades económicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação activa das mulheres em todos os aspectos da vida económica, política, civil, social e cultural como parceiros plenos e paritários, tomadores de decisão, líderes e beneficiários.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a criação amorosa de todos os membros da família.



12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, dando especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas na raça, cor, género, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os para cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis, de significado cultural e espiritual.



IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ



13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, a participação inclusiva na tomada de decisões e no acesso à justiça.
a. Defender o direito a todas as pessoas de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e actividades que poderiam afectá-las ou nos quais tivessem interesse.
b. Apoiar sociedades locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na toma de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembleia pacífica, de associação e de oposição [ou discordância].
d. Instituir o acesso efectivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo mediação e rectificação dos danos ambientais e da ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes e designar responsabilidades ambientais a nível governamental onde possam ser cumpridas mais efectivamente.



14. Integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e a jovens, oportunidades educativas que possibilite contribuir activamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades assim como das ciências na educação sustentável.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massas no sentido de aumentar a conscientização dos desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.



15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e diminuir seus sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento externo, prolongado o evitável.



16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a protecção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações correctas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE


Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adoptar e promover os valores e objectivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objectivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efectiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

Três blogues ecologistas para assinalar o Dia da Terra

Neste Dia da Terra nada melhor que convidar os nossos leitores a conhecerem dois outros blogues de matriz ecologista que importa visitar diariamente, pois no nosso entender assim o merecem.

Dois blogues que nos acompanham desde a primeira hora e a quem sempre fiz questão de lhes fazer justiça porque são o que se faz de melhor na blogosfera portuguesa em termos de defesa e sensibilização para os problemas ambientais, sem desprimor para muitos outros, claro está.

Aproveitamos também, apesar do atraso de um mês, para endereçar ao autor do blogue BioTerra as felicitações devidas pela passagem do 4º aniversário do blogue. Que a perseverança e o optimismo pedagógico, bem patente nos textos e dossiers a que nos fomos habituando a ler e consultar, continuem a ser a imagem de marca do BioTerra, é o nosso desejo.

Acrescentaria ainda um weblogue de óptima qualidade que merece uma menção especial: o Ecoblogue.

Aproveitamos para reproduzir aqui a videocomposição feita na ocasião para assinalar o 4º aniversário do BioTerra.




Fazer a Festa de 2008 - 27ª edição do festival internacional de teatro ( de 25 de Abril a 4 de Maio nos jardins do Palácio de Cristal, no Portol)




27ª edição do Fazer a Festa - Festival Internacional de Teatro

25 de Abril a 4 de Maio de 2008

Jardins do Palácio de Cristal, e
Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett


Programa


Dia 25 Abril, sexta-feira

15.30h
"D. INÊS DE CASTRO" ¬ S.A. MARIONETAS . Alcobaça ¬ M/4


16.30h estreia
"SOMBREIROS SEN CHAPEU" ¬ TANXARINA TÍTERES . Galiza, Espanha ¬ M/4


21.30h
"A CARTOMANTE" ¬ CIA PAULISTA DE REPERTÓRIO . S. Paulo, Brasil ¬ M/12

21.45h
"CONTRACURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16


23.30h
"O CANTO DE INTERVENÇÃO" ¬ AJA - ASS. JOSÉ AFONSO . Porto ¬ M/ 12




Dia 26 Abril, sabádo

15.30h
"PERDIDO ENTRE CARTAS E SELOS" ¬ TOSTA MISTA . Portugal / Alemanha ¬ M/4

16:30h
"NARIZES II" ¬ BAAL 17 . Serpa ¬ M/6

21.30h
"MARIA CURIE" ¬ TEATRO EXTREMO . Almada ¬ M/12


21.45h
"CONTRA CURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16

23.30h
"O CANTO DO CISNE" ¬ O NARIZ - TEATRO DE GRUPO . Leiria ¬ M/12




Dia 27 Abril, domingo

15.30h
"Nº8" ¬ BALLETEATRO . Porto ¬ M/4


16.00h
"AUTO DAS ESTRELAS" ¬ ESAP . Porto ¬ M/4


16:30h
"ESTRANHÕES E BIZARROCOS" ¬ TEATRO ANIMAÇÃO DE SETÚBAL . Setúbal ¬ M/4

21.45h
"CONTRA CURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16




Dia 28 Abril, segunda-feira

10:00h e 14.30h (#)
"A MALA DA ALICE" ¬ CPA / CCB . Lisboa ¬ 3-6


21.45h
"CONTRA CURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16


Dia 29 Abril, terça-feira

10:00h e 14.30h (#)
"OS MINPINS" ¬ CPA / CCB . Lisboa ¬ 6-10


21.45h
"CONTRA CURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16




Dia 30 Abril, quarta-feira

10:00h e 14.30h (#)
"A MALA DAS PEDRAS" ¬ CPA / CCB . Lisboa ¬ 3-10


21.30h
"AUTO DA BARCA DO INFERNO" ¬ CT BRAGA . Braga ¬ M/6


21.45h
"CONTRA CURVA" ¬ VARAZIM TEATRO . Póvoa de Varzim ¬ M/16


23.30h
"CAFÉ VALENTIN" ¬ COMPANHIA DO JOGO . Albergaria-a-Velha ¬ M/ 12




Dia 1 Maio, quinta-feira

15.30h
"COR DA PELE - UM ROSTO DIFERENTE" ¬ ENTRETANTO TEATRO . Valongo ¬ M/4


16.30h
"BOLBORETA" ¬ TÍTERES TROMPICALLO . Galiza, Espanha ¬ M/4


21.30h
"GIL VICENTE ? SAMICAS..." ¬ O TEATRÃO . Coimbra ¬ M/12


23.30h
"SEGUNDO SEGUNDO" ¬ MAU ARTISTA . Porto ¬ M/12




Dia 2 Maio, sexta-feira

10:00h e 14.30h (#)
"CONTO COM TODOS: O ELEFANTE ELMER" ¬ TEATRO ART’IMAGEM . Porto ¬ 5-12

21.30h
"À ESPERA DE GODOT" ¬ URZE TEATRO . Vila Real ¬ M/12


23.30h
"CONCERTO Nº1 EM TOM ZÉ" ¬ CENA . Porto ¬ M/ 12




Dia 3 Maio, sábado

15.30h
"MARIONETAS NO JARDIM" ¬ INSTITUTO SUPERIOR JEAN PIAGET . VN Gaia ¬ M/4


16:30h
"YNARI" ¬ TEATRO DAS BEIRAS . Covilhã ¬ M/6


21:30h
"AUTO DA BARCA DO INFERNO" ¬ DRAGÃO 7 . S. Paulo, Brasil ¬ M/6


23.30h
"CANTATA PARA O HONORÁVEL BANDIDO CHILENO JOAQUÍN MURIETA" ¬ TEATRO ART’IMAGEM . Porto ¬ M/ 12




Dia 4 Maio, domingo

15.30h
"VOLTA AO MUNDO EM 10 INSTRUMENTOS" ¬ MARIMBONDO . Lousã ¬ M/4

16:30h
"VALDEMULLER" ¬ CENTRO DRAMÁTICO GALEGO . Galiza, Espanha ¬ M/ 6


(#) - marcação prévia

Programa sujeito a alterações


Actividades paralelas


[ projecção videográfica ]
"VINTE SETE ANOS A FAZER A FESTA" ¬ TEATRO ART’IMAGEM

[ exposição ]
"FAZER A FESTA EM CARTAZ(ES)" ¬ TEATRO ART’IMAGEM


Bilheteira


Preço (segunda a sexta, 10h00 e 14h30 - grupos escolares):
3 € - preço por aluno (gratuíto para professores e acompanhantes).
15.30h - gratuíto
16.30h - 3,00 €uros (até 12 anos) e 5,00 €uros


21.30h e 21.45h - 5,00 €uros

23.30h - 3,00 €uros

21.30h ou 21.45h + 23.30h - 7,00 €uros (sessão dupla)

Bilhetes já à venda na bilheteira Tzero, na Rua da Picaria, 89, Porto.
Bilhetes também à venda na bilheteira do festival, instalada no Palácio de Cristal, de 25 de Abril a 4 de Maio.


Contactos


Bilheteira (durante o Festival)
tel. 00351 22 600 99 05


Teatro Art Imagem
Rua da Picaria, 89
4050-478 Porto
tel - 00351 22 208 40 14
tlm - 00351 96 020 88 19
fax - 00351 22 208 40 21
e-mail -
producao@teatroartimagem.pt

Festa de inauguração da sede do SOS Racismo no Porto (24 de Abril às 22h.)


http://sosracismoporto.blogspot.com/


Inauguração da Sede do SOS RACISMO no PORTO


No próximo dia 24 de Abril, a partir das 22 horas, vai haver uma feira do livro, projecções de fotos e vídeos sobre o Mumia Abu Jamal e a sua luta pela liberdade, bancas de materiais, muita música com os DJ's Pedro Ferreira e Ruba Linho, copos and cigarettes.



Contamos com a vossa presença na RUA DO ALMADA, Nº 254, nesta e noutras ocasiões.

21.4.08

Movimento Porta 65 promove Grande Acampamento citadino em Lisboa e Porto ( dia 23 às 19h)


O Movimento Porta 65 Jovem promove o "Grande Acampamento Citadino", uma nova acção de contestação ao programa do governo conhecido por Porta 65 Jovem em Lisboa e no Porto na próxima Quarta-Feira, dia 23 de Abril, a partir das 19h.


Esta iniciativa tem em vista exigir a reformulação profunda deste programa.


Vamos acampar durante algumas horas em frente às instalações do IHRU e assinalar o início da segunda fase de candidaturas do Porta 65 Jovem, mais um momento em que milhares de jovens vão ver o acesso este apoio negado e a sua vida andar para trás.

Locais do acampamento citadino:

Lisboa - Av. Columbano Bordalo Pinheiro, 5

Porto - Rua D. Manuel II, 296 (ao Palácio de Cristal)

Se quiseres mais informações liga

964255386 em Lisboa e

963916977 no Porto.

http://porta65.blogspot.com/


Manifesta-te!

Traz a tua tenda e vem montá-la à porta do IHRU!!!

20.4.08

Visita guiada por ex-presos às instalações da ex-Pide no Porto ( dia 26 de Abril, às 15h30) e como se deu nesta cidade a queda da PIDE




No próximo dia 26 de Abril será realizada mais uma Visita ao edifício da EX-PIDE, no Porto, guiada por ex-presos políticos que aí foram encarcerados, humilhados e torturados.


Com esta acção, o Núcleo do Porto do movimento cívico "Não Apaguem a Memória!" pretende contribuir para o reforço da nossa identidade democrática, uma identidade que atravesse o tempo, que salvaguarde a continuidade da memória histórica da resistência ao fascismo entre as gerações presentes e as que viveram um mundo passado.


Considera-se que é importante patrimonializar as memórias dos resistentes antifascistas através da transmissão dos seus valores às gerações mais jovens, reconstruindo elos entre o passado e o presente


O edificío da PIDE situa-se na Rua do Heroísmo, onde presentemente está instalado o Museu Militar



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A Queda da PIDE na cidade do Porto

Testemunhos
Crónica do Dr. Arnaldo Mesquita



Poucos o saberão hoje e por isso o recordo aqui: Os três últimos presos políticos a serem libertados das garras e das cadeias da PIDE (DGS) no Porto, não no dia 25 mas já no dia 26 de Abril de 1974 - fez agora 33 anos! - foram um jovem comunista, chamado Jorge Pisco, de condição trabalhadora, que se havia destacado numa manifestação popular anterior enfrentando os policias (PIDE e PSP), que no decurso dela o pretenderam prender; eu próprio, seu advogado com procuração junta ao respectivo processo; e Óscar Lopes, o bem conhecido pensador, escritor, professor e ensaísta, meu querido camarada do PCP, então membro destacado (e abnegado) da tão necessária, útil (e valiosa) Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, felizmente hoje ainda vivo (e que o seja por muitos anos).
Já vos direi algo sobre o insólito de tudo isto. Por agora devo lembrar o que também nem todos saberão ou terão presente.


A queda do fascismo, na cidade do Porto, apenas se consumou no dia 26 de Abril de 1974, já com as massas populares a movimentarem-se e a manifestarem-se publicamente, assim forçando quer à rendição da famigerada PIDE (DGS), então aqui chefiada pelo depois muito falado Rosa Casaco, quer à semi- neutralização da PSP sob comando de Santos Júnior (coronel), de triste memória, celebrizado pelas malfeitorias das suas brigadas, bem conhecidas, porque especializadas em reprimir sobretudo as manifestações populares. Quanto ao Rosa Casaco (a quem eu já conhecia desde 1959, da tortura do sono por mim sofrida na sede da PIDE, em Lisboa) tinha sido escolhido depois, pelo próprio Salazar (o ditador, seu Chefe Supremo), para chefiar a brigada que atraiu Humberto Delgado a uma armadilha no Sul de Espanha e ali o assassinou).


Rosa Casaco encontrava-se então no Porto a frente da delegação da PIDE, (que Marcelo Caetano havia crismado de D.G.S)., e era secundado nisso por um tal Dr. Cunha, igualmente muito conhecido como dirigente local (e superior) dessa sinistra organização de malfeitores, torcionários e assassinos profissionais a mando dos dois, in loco.


Ora bem: Quando se tornou claro que o histórico levantamento dos militares de Abril havia triunfado em Lisboa, a multidão dos populares começou também a manifestar-se, embora de início ainda timidamente, nas ruas do Porto, concentrando-se, sobretudo de tarde, na Praça da Liberdade, na Avenida dos Aliados e ao redor delas.


Pela minha parte, deixei o meu filho mais velho na Praça da Liberdade e fui observar o que se passava com a PIDE/DGS, na sua delegação, à Rua do Heroísmo, constatando dali que o edifício estava com as portas e as janelas praticamente todas cerradas, embora com algumas sombras por detrás das mesmas, a espiar.


Junto dele não se via avistava ninguém. Literalmente, ninguém.
Concluí que a rendição (inevitável) daqueles miseráveis apenas se daria no dia (ou dias) seguintes e assim veio a acontecer de facto, no dia 26.


Quando nesse dia, seriam 8 horas, lá cheguei de novo, já as Forças Armadas estavam no interior do edifício e a multidão expectante, na rua, crescia momento a momento.
Juntei-me a um grupo de camaradas meus. Recordo alguns: Virgínia de Moura, Óscar Lopes, Papiniano Carlos, Olívia Vasconcelos. Ficamos todos junto do portão da entrada de serviço, a aguardar (e a influenciar também, na medida do possível, os soldados do MFA que ali estavam).

Em face das nossas insistências, passado já um tempão, permitiram por fim que entrássemos alguns: Virgínia de Moura (de todos bem conhecida e logo aplaudida); Óscar Lopes, idem: quer por si quer como membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos; e eu próprio, como advogado do Jorge Pisco, último preso político que a parte, mais retrógrada, dos militares ali presentes queria manter preso! Diziam estes (spinolistas) que não devia ser libertado, porque ele resistira à prisão defendendo-se, no acto dela!


Portanto era um preso de direito comum e não um politico, assim seguindo eles na mesma esteira da argumentação pidesca!
Tanto quanto pude perceber, o comandante dos militares que tal sustentavam, que teria negociado a rendição e que para isso teria sido destacado, era um coronel (ou major?) de seu nome Azeredo, que depois foi muito falado, nas voltas e reviravoltas do processo libertador; e que os jovens militares do MFA com quem falei, aliás, logo apontavam como spinolista ferrenho.


O qual não permitia, pois, a libertação do Jorge Pisco porque agressor da "autoridade", segundo o dissera a própria PIDE! E quiçá a PSP!
Claro, que nem eu nem Óscar Lopes, de modo nenhum podíamos concordar com isso e foi o cabo dos trabalhos:
Ficamos os três presos dentro do próprio edifício, enquanto sorrateiramente, quase sem nos darmos conta disso, os demais presos políticos já estavam em liberdade!


E (pasme-se!): os próprios PIDES em vias de o ser também.
Abro aqui um parêntesis: Logo à entrada, denunciei aos militares o famigerado inspector "Dr. Cunha" (que continuava armado, com as armas escondidas nos bolsos, e que só então foi, pressuroso, ao ver-nos, entregá-las a um militar).


Tal como denunciei o Rosa Casaco, indicando-os a ambos como responsáveis principais dos muitos crimes ali cometidos, e frisando bem que podia testemunhar, pessoalmente, quer a tortura do sono por mim sofrida anos antes, quer, como advogado, a tortura sofrida pelos outros presos às ordens do primeiro (Rosa Casaco) e do segundo (Dr. Cunha). Mas debalde o fiz.


Como que à socapa, passado pouco tempo e quase sem nos darmos conta disso, também os PIDES foram metidos em camiões, e retirados dali.
Soube-se mais tarde que vieram a ser soltos todos, imagine-se! para os lados da Maia nos arredores da cidade do Porto.


E assim ali ficamos nós - eu, Óscar Lopes e Jorge Pisco - guardados pelos militares, quais presos políticos de última hora, fechados no soturno edifício.


Fomos fotografados até, por um repórter que entretanto devia ter conseguido entrar, ao meio da tarde. Finalmente, meteram-nos num veículo militar e conduziram-nos ao Quartel General, aonde um jovem graduado do MFA, indignado com o que lhe contámos, nos mandou em paz depois de nos informar que os PIDES não se encontravam nem haviam passado por ali! Desconhecendo ele o seu paradeiro.


E assim, Rosa Casaco, o torcionário e assassino chefe da brigada que matou Humberto Delgado, etc, etc., pôde ir tratar da rica vidinha, para Espanha, como qualquer inocente cidadão deste país, até que a prescrição o salvasse!


No tocante ao "Dr. Cunha", este até teve a "lata" de tentar inscrever-se como advogado na respectiva Ordem, o que não conseguiria. Aliás, seguindo o exemplo doutros fascistas notórios, das altas esferas, ministros incluídos, que o conseguiram!


E pronto. Fico-me por aqui, por agora.
Não posso porém deixar de recordar (ainda que de passagem) o espectáculo empolgante que foi, sobretudo na Baixa do Porto, o 1.º de Maio de 1974, com a multidão de larguíssimas centenas e centenas de milhares e milhares de pessoas a gritarem Vivas à Liberdade a ao M.F.A! Espectáculo inesquecível, ainda hoje a merecer outra crónica, inclusive pelo que viria a acontecer anos depois, mormente em 1982, noutro 1.º de Maio (sangrento e vergonhoso) por obra da direita, em que ali perderam a vida dois trabalhadores.


Por agora envio apenas, em anexo, com vista, se possível, à desejável publicação, o poema que no entretanto escrevi e publiquei sobre o 1.º de Maio de 1973, último anterior à queda do fascismo português (ou seja, deste mesmo que agora tenta erguer de novo a cabeça e tenta criar falsamente saudades dessoutro tempo maldito, do sumo poder do grande capital explorador, que, também ele, cada vez mais, levanta a cabeça para nos sugar a todos.
Mas que não podemos deixar (nem deixaremos) que volte como antigamente!


E também por isso (benvinda seja a próxima greve geral, anunciada para o próximo dia 30).
Que os trabalhadores, de novo tão prejudicados, de novo avancem decididos, no seu protesto, geral e à escala de todo o Pais.
E que a maioria PS da Assembleia da República desperte finalmente! Que não continuem a repetir-se aqui os bem conhecidos erros do passado cometidos cá e lá fora.
Acabe-se com o retrocesso!
Atenda-se a quem trabalha!
Combatam-se, sim, seriamente, os grandes exploradores, os do grande capital, e dos seus grandes grupos económicos, nos seus chorudos lucros, juros e dividendos!
E para isso, defenda-se a Liberdade que em 1974 Abril nos trouxe e o 1.º de Maio mais confirmou!

Crónica publicada no semanário Terras Vale do Sousa - Lousada

este último texto foi retirado daqui

19.4.08

O projecto agricabaz na região de Coimbra, Montemor-O-Velho e Figueira da Foz



O AgriCabaz é uma rede de agricultores, artesãos, microempresários, empreendedores sociais e consumidores, cúmplices no apoio ao desenvolvimento das pequenas produções locais. O Projecto AgriCabaz pretende: proporcionar produtos de qualidade para que seja mais fácil a elaboração de refeições saudáveis; contribuir para o escoamento das pequenas produções de qualidade promovendo as economias locais; participar no movimento da economia solidária reforçando os compromissos com o social, o ambiente, a cultura e a justiça.

LOJA
AgriCabaz
R. Quinta das Fonsecas, Lt. 4 - Lj. 2
3080-480 Coimbra
Telefone: 23 940 54 46
E-mail:
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Como pedir o seu AgriCabaz?

Pode pedir através de:

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912434316 / 239405446

Qual o preço?

-Valor mínimo de entrega: 10 euros


-10 euros, aprox, é o valor do AgriCabaz da semana para 1 ou 2 pessoas

-Se optar por escolher os alimentos, outras quantidades ou variedades, o valor será a soma dos valores dos produtos

Como escolher os alimentos?

-Pode receber uma lista com os alimentos disponíveis no seu telemóvel ou no email
-Ou consultar a página do AgriCabazLoja


Como receber?

-Entregamos o AgriCabaz de quarta a sexta, das 14:30 ás 22h na zona de Coimbra, Figueira da Foz e Montemor o velho


-Indique-nos a hora a que deseja receber, com um intervalo de 60 min

Todos os alimentos têm o peso e valor indicados. IVA incluído.



Caso deseje receber regularmente informações sobre o AgriCabaz envie um e-mail para:
agricabaz@gmail.com

com o texto
"sim info AgriCabaz"

Manifestação antiautoritária contra a repressão policial ( 25 de Abril, Pr. da Figueira às 17h30)


Um ano depois do ataque policial em pleno Chiado no dia 25 de Abril de 2007, dois meses depois da carga policial no despejo do Grémio Lisbonense , perante os ataques continuados da polícia em Bairros Sociais e por todos os episódios de abuso e violência perpetrados pela repressão organizada do Estado, convocamos uma manifestação antiautoritária contra a repressão policial.

Manifestamo-nos neste dia porque passaram 34 anos desde que uma pseudo-revolução substituiu um governo fascista por um governo que continua a controlar, a matar e a reprimir e cujos antecessores rapidamente se preocuparam em controlar o "descontrolo" das populações no pós 25 de Abril.

A marcha dos tristes, que todos os anos comemora esta transição, não nos diz nada, pois não queremos celebrar o quotidiano policial nem a liberdade-de-centro-comercial.

O sistema capitalista, na sua vertente democrática, leva-nos a pensar que não sabemos gerir as nossas vidas e que a polícia é uma realidade à qual não podemos fugir. Como se não bastasse vivermos num estado policial, querem que sejamos nós próprios os polícias das outras pessoas, de nós próprios e dos nossos vizinhos. A polícia, que todos os dias reprime e violenta, não serve a ninguém se não àqueles que lucram com a miséria de todos os outros, àqueles que nos oferecem uma vida controlada, que destroem os ecossistemas, que impõem fronteiras entre regiões, que nos roubam no trabalho, que nos dizem como devemos ser e que nos querem convencer que somos indivíduos, quando a nossa individualidade não passa de uma ilusão no leque de possibilidades que a sociedade de consumo nos deixa ter.

Assim, esta como qualquer outra data, serve para contestar este e qualquer governo pois, inevitavelmente, todos nos querem impor uma vida debaixo de câmaras de vigilância, fronteiras e polícias várias. Todos estes métodos de controlo e repressão são tendencialmente universais e à medida que o tempo passa achamos serem cada vez mais normais e sabemos serem também mais presentes.


Todos conseguimos resolver os nossos conflictos, pensar pelas nossas próprias cabeças, imaginar como realmente queremos que sejam as nossas vidas.


Apelamos à participação de todos aqueles que condenam a violência policial e os métodos que o capitalismo e o estado têm para nos controlar.


Praça da Figueira, Lisboa, 17:30h, 25 de Abril de 2008.

Arraial do 25 de Abril ( no dia 24 entre as 18h e as 2h.)


O Arraial do 25 de Abril parte da iniciativa da Associação ABRIL, com a colaboração e participação de várias Associações, Movimentos e Grupos de carácter político, cívico e cultural e realiza-se na noite de 24 de Abril, no Largo do Carmo.

Pretende-se que este evento se torne num momento significativo da intervenção cívica e política dos cidadãos. Por isso, este Arraial, para além do seu carácter lúdico transmitido pela mostra das actividades desenvolvidas pelas diversas entidades, nomeadamente a nível de artesanato, música, dança e gastronomia, tem também um cunho pedagógico, manifestado através dos diversos painéis/ exposições alusivos às realidades não só do quotidiano do país mas também a factos históricos de profundo valor simbólico para o desenvolvimento e aprofundamento da democracia em Portugal e, até, no mundo.

Esta Festa expressa ainda um apelo para que a chama dos ideais do 25 de Abril permaneça acesa no coração e na esperança de todos nós. Exprime também o desejo de que o cravo que animou a revolução e a canção da fraternidade entre “o povo que mais ordena”continuem vivos na memória e na concretização de uma sociedade mais justa e solidária, afirmada pelos decisores políticos e reivindicada pelas pessoas em geral.



No Arraial do Largo do Carmo (dia 24 de Abril, entre 18.00h as 02.00h) este ano estará patente a exposição itinerante “Direito a Habitar”.
Nesta exposição - na qual é relembrado o processo de políticas públicas de habitação dos últimos 40 anos, cujas várias tentativas de resolução do problema não conseguiram evitar que, em muitos bairros, se chegasse à situação precária em que se encontram hoje - reafirma-se, sobretudo, o Direito à Habitação para todos, como estipula o artigo 65º da Constituição da República e procura-se sensibilizar para o problema das carências habitacionais em Portugal.






ORGANIZAÇÕES PARTICIPANTES NO ARRAIAL
ABRIL – Associação Regional para a Democracia e Desenvolvimento
ACOSP – Associação da Comunidade de S. Tomé e Príncipe
AJA – Associação José Afonso
ALDRABA – Associação do Espaço e Património Popular
ACMJ – Associação Cultural Moinho da Juventude
AMS – Associação Moçambique Sempre
AUCV – Associação Unidos de Cabo Verde
CBL – Casa do Brasil de Lisboa
CMA-J – Colectivo de Solidariedade Múmia Abu Jamal
Edições Dinossauro
Edições Ela por Ela
ERN-A – Espaço Rui de Noronha
Associação Espírito Nativo
GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
GIRASSOL SOLIDÁRIOS
GZ.PT – Associação de Solidariedade com a Galiza
Jornal Popular “Mudar de Vida”
Livraria Letra Livre
PLATAFORMA ARTIGO 65 – Habitação para Tod@s
Rede ex aequo
RefugiActo – Conselho Português para os Refugiados
SEIS
SOLIM – Associação Solidariedade Imigrante
SOS Racismo
TMI – Tribunal Iraque