20.4.08

Visita guiada por ex-presos às instalações da ex-Pide no Porto ( dia 26 de Abril, às 15h30) e como se deu nesta cidade a queda da PIDE




No próximo dia 26 de Abril será realizada mais uma Visita ao edifício da EX-PIDE, no Porto, guiada por ex-presos políticos que aí foram encarcerados, humilhados e torturados.


Com esta acção, o Núcleo do Porto do movimento cívico "Não Apaguem a Memória!" pretende contribuir para o reforço da nossa identidade democrática, uma identidade que atravesse o tempo, que salvaguarde a continuidade da memória histórica da resistência ao fascismo entre as gerações presentes e as que viveram um mundo passado.


Considera-se que é importante patrimonializar as memórias dos resistentes antifascistas através da transmissão dos seus valores às gerações mais jovens, reconstruindo elos entre o passado e o presente


O edificío da PIDE situa-se na Rua do Heroísmo, onde presentemente está instalado o Museu Militar



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A Queda da PIDE na cidade do Porto

Testemunhos
Crónica do Dr. Arnaldo Mesquita



Poucos o saberão hoje e por isso o recordo aqui: Os três últimos presos políticos a serem libertados das garras e das cadeias da PIDE (DGS) no Porto, não no dia 25 mas já no dia 26 de Abril de 1974 - fez agora 33 anos! - foram um jovem comunista, chamado Jorge Pisco, de condição trabalhadora, que se havia destacado numa manifestação popular anterior enfrentando os policias (PIDE e PSP), que no decurso dela o pretenderam prender; eu próprio, seu advogado com procuração junta ao respectivo processo; e Óscar Lopes, o bem conhecido pensador, escritor, professor e ensaísta, meu querido camarada do PCP, então membro destacado (e abnegado) da tão necessária, útil (e valiosa) Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, felizmente hoje ainda vivo (e que o seja por muitos anos).
Já vos direi algo sobre o insólito de tudo isto. Por agora devo lembrar o que também nem todos saberão ou terão presente.


A queda do fascismo, na cidade do Porto, apenas se consumou no dia 26 de Abril de 1974, já com as massas populares a movimentarem-se e a manifestarem-se publicamente, assim forçando quer à rendição da famigerada PIDE (DGS), então aqui chefiada pelo depois muito falado Rosa Casaco, quer à semi- neutralização da PSP sob comando de Santos Júnior (coronel), de triste memória, celebrizado pelas malfeitorias das suas brigadas, bem conhecidas, porque especializadas em reprimir sobretudo as manifestações populares. Quanto ao Rosa Casaco (a quem eu já conhecia desde 1959, da tortura do sono por mim sofrida na sede da PIDE, em Lisboa) tinha sido escolhido depois, pelo próprio Salazar (o ditador, seu Chefe Supremo), para chefiar a brigada que atraiu Humberto Delgado a uma armadilha no Sul de Espanha e ali o assassinou).


Rosa Casaco encontrava-se então no Porto a frente da delegação da PIDE, (que Marcelo Caetano havia crismado de D.G.S)., e era secundado nisso por um tal Dr. Cunha, igualmente muito conhecido como dirigente local (e superior) dessa sinistra organização de malfeitores, torcionários e assassinos profissionais a mando dos dois, in loco.


Ora bem: Quando se tornou claro que o histórico levantamento dos militares de Abril havia triunfado em Lisboa, a multidão dos populares começou também a manifestar-se, embora de início ainda timidamente, nas ruas do Porto, concentrando-se, sobretudo de tarde, na Praça da Liberdade, na Avenida dos Aliados e ao redor delas.


Pela minha parte, deixei o meu filho mais velho na Praça da Liberdade e fui observar o que se passava com a PIDE/DGS, na sua delegação, à Rua do Heroísmo, constatando dali que o edifício estava com as portas e as janelas praticamente todas cerradas, embora com algumas sombras por detrás das mesmas, a espiar.


Junto dele não se via avistava ninguém. Literalmente, ninguém.
Concluí que a rendição (inevitável) daqueles miseráveis apenas se daria no dia (ou dias) seguintes e assim veio a acontecer de facto, no dia 26.


Quando nesse dia, seriam 8 horas, lá cheguei de novo, já as Forças Armadas estavam no interior do edifício e a multidão expectante, na rua, crescia momento a momento.
Juntei-me a um grupo de camaradas meus. Recordo alguns: Virgínia de Moura, Óscar Lopes, Papiniano Carlos, Olívia Vasconcelos. Ficamos todos junto do portão da entrada de serviço, a aguardar (e a influenciar também, na medida do possível, os soldados do MFA que ali estavam).

Em face das nossas insistências, passado já um tempão, permitiram por fim que entrássemos alguns: Virgínia de Moura (de todos bem conhecida e logo aplaudida); Óscar Lopes, idem: quer por si quer como membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos; e eu próprio, como advogado do Jorge Pisco, último preso político que a parte, mais retrógrada, dos militares ali presentes queria manter preso! Diziam estes (spinolistas) que não devia ser libertado, porque ele resistira à prisão defendendo-se, no acto dela!


Portanto era um preso de direito comum e não um politico, assim seguindo eles na mesma esteira da argumentação pidesca!
Tanto quanto pude perceber, o comandante dos militares que tal sustentavam, que teria negociado a rendição e que para isso teria sido destacado, era um coronel (ou major?) de seu nome Azeredo, que depois foi muito falado, nas voltas e reviravoltas do processo libertador; e que os jovens militares do MFA com quem falei, aliás, logo apontavam como spinolista ferrenho.


O qual não permitia, pois, a libertação do Jorge Pisco porque agressor da "autoridade", segundo o dissera a própria PIDE! E quiçá a PSP!
Claro, que nem eu nem Óscar Lopes, de modo nenhum podíamos concordar com isso e foi o cabo dos trabalhos:
Ficamos os três presos dentro do próprio edifício, enquanto sorrateiramente, quase sem nos darmos conta disso, os demais presos políticos já estavam em liberdade!


E (pasme-se!): os próprios PIDES em vias de o ser também.
Abro aqui um parêntesis: Logo à entrada, denunciei aos militares o famigerado inspector "Dr. Cunha" (que continuava armado, com as armas escondidas nos bolsos, e que só então foi, pressuroso, ao ver-nos, entregá-las a um militar).


Tal como denunciei o Rosa Casaco, indicando-os a ambos como responsáveis principais dos muitos crimes ali cometidos, e frisando bem que podia testemunhar, pessoalmente, quer a tortura do sono por mim sofrida anos antes, quer, como advogado, a tortura sofrida pelos outros presos às ordens do primeiro (Rosa Casaco) e do segundo (Dr. Cunha). Mas debalde o fiz.


Como que à socapa, passado pouco tempo e quase sem nos darmos conta disso, também os PIDES foram metidos em camiões, e retirados dali.
Soube-se mais tarde que vieram a ser soltos todos, imagine-se! para os lados da Maia nos arredores da cidade do Porto.


E assim ali ficamos nós - eu, Óscar Lopes e Jorge Pisco - guardados pelos militares, quais presos políticos de última hora, fechados no soturno edifício.


Fomos fotografados até, por um repórter que entretanto devia ter conseguido entrar, ao meio da tarde. Finalmente, meteram-nos num veículo militar e conduziram-nos ao Quartel General, aonde um jovem graduado do MFA, indignado com o que lhe contámos, nos mandou em paz depois de nos informar que os PIDES não se encontravam nem haviam passado por ali! Desconhecendo ele o seu paradeiro.


E assim, Rosa Casaco, o torcionário e assassino chefe da brigada que matou Humberto Delgado, etc, etc., pôde ir tratar da rica vidinha, para Espanha, como qualquer inocente cidadão deste país, até que a prescrição o salvasse!


No tocante ao "Dr. Cunha", este até teve a "lata" de tentar inscrever-se como advogado na respectiva Ordem, o que não conseguiria. Aliás, seguindo o exemplo doutros fascistas notórios, das altas esferas, ministros incluídos, que o conseguiram!


E pronto. Fico-me por aqui, por agora.
Não posso porém deixar de recordar (ainda que de passagem) o espectáculo empolgante que foi, sobretudo na Baixa do Porto, o 1.º de Maio de 1974, com a multidão de larguíssimas centenas e centenas de milhares e milhares de pessoas a gritarem Vivas à Liberdade a ao M.F.A! Espectáculo inesquecível, ainda hoje a merecer outra crónica, inclusive pelo que viria a acontecer anos depois, mormente em 1982, noutro 1.º de Maio (sangrento e vergonhoso) por obra da direita, em que ali perderam a vida dois trabalhadores.


Por agora envio apenas, em anexo, com vista, se possível, à desejável publicação, o poema que no entretanto escrevi e publiquei sobre o 1.º de Maio de 1973, último anterior à queda do fascismo português (ou seja, deste mesmo que agora tenta erguer de novo a cabeça e tenta criar falsamente saudades dessoutro tempo maldito, do sumo poder do grande capital explorador, que, também ele, cada vez mais, levanta a cabeça para nos sugar a todos.
Mas que não podemos deixar (nem deixaremos) que volte como antigamente!


E também por isso (benvinda seja a próxima greve geral, anunciada para o próximo dia 30).
Que os trabalhadores, de novo tão prejudicados, de novo avancem decididos, no seu protesto, geral e à escala de todo o Pais.
E que a maioria PS da Assembleia da República desperte finalmente! Que não continuem a repetir-se aqui os bem conhecidos erros do passado cometidos cá e lá fora.
Acabe-se com o retrocesso!
Atenda-se a quem trabalha!
Combatam-se, sim, seriamente, os grandes exploradores, os do grande capital, e dos seus grandes grupos económicos, nos seus chorudos lucros, juros e dividendos!
E para isso, defenda-se a Liberdade que em 1974 Abril nos trouxe e o 1.º de Maio mais confirmou!

Crónica publicada no semanário Terras Vale do Sousa - Lousada

este último texto foi retirado daqui

19.4.08

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Manifestação antiautoritária contra a repressão policial ( 25 de Abril, Pr. da Figueira às 17h30)


Um ano depois do ataque policial em pleno Chiado no dia 25 de Abril de 2007, dois meses depois da carga policial no despejo do Grémio Lisbonense , perante os ataques continuados da polícia em Bairros Sociais e por todos os episódios de abuso e violência perpetrados pela repressão organizada do Estado, convocamos uma manifestação antiautoritária contra a repressão policial.

Manifestamo-nos neste dia porque passaram 34 anos desde que uma pseudo-revolução substituiu um governo fascista por um governo que continua a controlar, a matar e a reprimir e cujos antecessores rapidamente se preocuparam em controlar o "descontrolo" das populações no pós 25 de Abril.

A marcha dos tristes, que todos os anos comemora esta transição, não nos diz nada, pois não queremos celebrar o quotidiano policial nem a liberdade-de-centro-comercial.

O sistema capitalista, na sua vertente democrática, leva-nos a pensar que não sabemos gerir as nossas vidas e que a polícia é uma realidade à qual não podemos fugir. Como se não bastasse vivermos num estado policial, querem que sejamos nós próprios os polícias das outras pessoas, de nós próprios e dos nossos vizinhos. A polícia, que todos os dias reprime e violenta, não serve a ninguém se não àqueles que lucram com a miséria de todos os outros, àqueles que nos oferecem uma vida controlada, que destroem os ecossistemas, que impõem fronteiras entre regiões, que nos roubam no trabalho, que nos dizem como devemos ser e que nos querem convencer que somos indivíduos, quando a nossa individualidade não passa de uma ilusão no leque de possibilidades que a sociedade de consumo nos deixa ter.

Assim, esta como qualquer outra data, serve para contestar este e qualquer governo pois, inevitavelmente, todos nos querem impor uma vida debaixo de câmaras de vigilância, fronteiras e polícias várias. Todos estes métodos de controlo e repressão são tendencialmente universais e à medida que o tempo passa achamos serem cada vez mais normais e sabemos serem também mais presentes.


Todos conseguimos resolver os nossos conflictos, pensar pelas nossas próprias cabeças, imaginar como realmente queremos que sejam as nossas vidas.


Apelamos à participação de todos aqueles que condenam a violência policial e os métodos que o capitalismo e o estado têm para nos controlar.


Praça da Figueira, Lisboa, 17:30h, 25 de Abril de 2008.

Arraial do 25 de Abril ( no dia 24 entre as 18h e as 2h.)


O Arraial do 25 de Abril parte da iniciativa da Associação ABRIL, com a colaboração e participação de várias Associações, Movimentos e Grupos de carácter político, cívico e cultural e realiza-se na noite de 24 de Abril, no Largo do Carmo.

Pretende-se que este evento se torne num momento significativo da intervenção cívica e política dos cidadãos. Por isso, este Arraial, para além do seu carácter lúdico transmitido pela mostra das actividades desenvolvidas pelas diversas entidades, nomeadamente a nível de artesanato, música, dança e gastronomia, tem também um cunho pedagógico, manifestado através dos diversos painéis/ exposições alusivos às realidades não só do quotidiano do país mas também a factos históricos de profundo valor simbólico para o desenvolvimento e aprofundamento da democracia em Portugal e, até, no mundo.

Esta Festa expressa ainda um apelo para que a chama dos ideais do 25 de Abril permaneça acesa no coração e na esperança de todos nós. Exprime também o desejo de que o cravo que animou a revolução e a canção da fraternidade entre “o povo que mais ordena”continuem vivos na memória e na concretização de uma sociedade mais justa e solidária, afirmada pelos decisores políticos e reivindicada pelas pessoas em geral.



No Arraial do Largo do Carmo (dia 24 de Abril, entre 18.00h as 02.00h) este ano estará patente a exposição itinerante “Direito a Habitar”.
Nesta exposição - na qual é relembrado o processo de políticas públicas de habitação dos últimos 40 anos, cujas várias tentativas de resolução do problema não conseguiram evitar que, em muitos bairros, se chegasse à situação precária em que se encontram hoje - reafirma-se, sobretudo, o Direito à Habitação para todos, como estipula o artigo 65º da Constituição da República e procura-se sensibilizar para o problema das carências habitacionais em Portugal.






ORGANIZAÇÕES PARTICIPANTES NO ARRAIAL
ABRIL – Associação Regional para a Democracia e Desenvolvimento
ACOSP – Associação da Comunidade de S. Tomé e Príncipe
AJA – Associação José Afonso
ALDRABA – Associação do Espaço e Património Popular
ACMJ – Associação Cultural Moinho da Juventude
AMS – Associação Moçambique Sempre
AUCV – Associação Unidos de Cabo Verde
CBL – Casa do Brasil de Lisboa
CMA-J – Colectivo de Solidariedade Múmia Abu Jamal
Edições Dinossauro
Edições Ela por Ela
ERN-A – Espaço Rui de Noronha
Associação Espírito Nativo
GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
GIRASSOL SOLIDÁRIOS
GZ.PT – Associação de Solidariedade com a Galiza
Jornal Popular “Mudar de Vida”
Livraria Letra Livre
PLATAFORMA ARTIGO 65 – Habitação para Tod@s
Rede ex aequo
RefugiActo – Conselho Português para os Refugiados
SEIS
SOLIM – Associação Solidariedade Imigrante
SOS Racismo
TMI – Tribunal Iraque

Rosario, dinamitera (poema de Miguel Hernández)


Poesia escrita por Miguel Hernández em 1937, inspirada na história e experiência de uma jovem miliciana Rosario Sánchez Mora, La Dinamitera, na frente de combate contra os militares fascistas que avançavam sobre Madrid para derrubar a República espanhola:



Rosario, dinamitera
Rosario, dinamitera,
sobre tu mano bonita
celaba la dinamita
sus atributos de fiera.

Nadie al mirarla creyera
que había en su corazón
una desesperación,
de cristales, de metralla
ansiosa de una batalla,
sedienta de una explosión.

Era tu mano derecha,
capaz de fundir leones,
la flor de las municiones
y el anhelo de la mecha.

Rosario, buena cosecha,
alta como un campanario
sembrabas al adversario
de dinamita furiosa
y era tu mano una rosa
enfurecida, Rosario.

Buitrago ha sido testigo
de la condición de rayo
de las hazañas que callo
y de la mano que digo.

¡Bien conoció el enemigo
la mano de esta doncella,
que hoy no es mano porque de ella,
que ni un solo dedo agita,
se prendó la dinamita
y la convirtió en estrella!

Rosario, dinamitera,
puedes ser varón y eres
la nata de las mujeres,
la espuma de la trinchera.

Digna como una bandera
de triunfos y resplandores,
dinamiteros pastores,
vedla agitando su aliento
y dad las bombas al viento
del alma de los traidores.








«Rosario dinamitera. Una mujer en el frente», é um livro de Carlos Fonseca onde se conta a história desta miliciana.
Ver o video com entrevista:






Rosario Sánchez Mora tenía 17 años cuando se alistó voluntaria para luchar contra las tropas fascistas que pretendían tomar Madrid en los primeros días de la Guerra Civil. Fue el poeta Miguel Hernández quien la inmortalizó en un poema como “Rosario dinamitera".

Madrid no tenía el aire festivo de otros fines de semana. Aquel sábado 18 de julio de 1936, la capital había abortado el levantamiento militar iniciado la víspera en el protectorado español de Marruecos, que se había extendido como el aceite por la Península. Miles de obreros habían asaltado el Cuartel de la Montaña, principal foco de los rebeldes, y se preparaban para defender la ciudad del autodenominado Ejército Nacional, que avanzaba desde el Norte para hacerse con los embalses del Lozoya.

Decenas de camionetas partieron la madrugada del día 19 rumbo a la sierra repletas de jóvenes que se habían ofrecido voluntarios para combatir, convencidos de que en cuestión de días estarían de vuelta en casa. Entre los que viajaban en uno de esos camiones, camino de Buitrago, estaba una muchacha de diecisiete años, Rosario Sánchez Mora. Se había alistado la tarde anterior, sin decir nada a su familia, en el centro cultural Aída Lafuente, que la Juventud Socialista Unificada (JSU) tenía en el número 10 de la calle de San Bernardino, a unas manzanas de su domicilio.

Rosario llevaba un año viviendo en casa de unos vecinos de Villarejo de Salvanés, que se la habían traído con ellos a Madrid para que cuidara de sus hijos. Andrés Sánchez, su padre, no quería que se marchara del pueblo, pero al final accedió con la condición de que aprendiera corte y confección. Él hubiese preferido que estudiara para comadrona o maestra, pero sin dinero para pagar los estudios, un oficio era lo más que podía ofrecerle. Andrés había enviudado años antes, al morir la madre de Rosario se había vuelto a casar y tenía otros cinco hijos de su segundo matrimonio, de modo que no le pareció mal que su hija mayor se marchara a la capital para labrarse un futuro.

Cuando llegaron a su destino, Rosario y sus compañeros fueron encuadrados en una de las unidades de choque que se batían con el enemigo en primera línea de fuego, a las órdenes de un muchacho de veintiséis años, robusto, de mediana estatura y barba cerrada: Valentín González, al que todos apodaban El Campesino. Con un mosquetón de siete kilos de peso y sin otras nociones de armas que las que recibió en la trinchera, Rosario comenzó a pelear como un miliciano más en una línea del frente que se prolongaba a través de kilómetros. Disparaba contra un enemigo que sabía a escasa distancia, pero al que raramente veía. En la Peña del Alemán, una posición avanzada que los fascistas habían señalado como objetivo prioritario, vio morir a muchos de los muchachos que viajaron con ella desde Madrid.

Tras dos semanas de enfrentamientos, en las que lograron contener a los rebeldes, la guerra en la sierra dejó de ser una batalla abierta para convertirse en una batalla de posiciones. Rosario fue destinada entonces a la sección de dinamiteros, que estaba al mando del capitán Emilio González González, un minero barrenista de Sama de Langreo (Asturias) especialista en el manejo de los fulminantes y la dinamita. El grupo tenía su base en una casa abandonada entre Buitrago y Gascones, a unos cinco kilómetros de la línea de fuego, donde disponían de un pequeño polvorín en el que almacenaban los explosivos y se confeccionaban unas rudimentarias bombas. Los artefactos en cuestión eran botes de leche condensada que se reciclaban hasta convertirse en granadas de mano. El proceso era simple: se llenaba la lata con clavos, tornillos y cristales, y sobre ellos se vertía la dinamita. Después se cerraba el bote con su propia tapa y se ataba con una cuerda y trapos para que no se derramase el contenido. La tarea más peligrosa era colocar el fulminante y la mecha para que aquello estallara, de lo que se encargaba personalmente el capitán González.

La mañana del 15 de septiembre, Rosario y sus compañeros aprendían a efectuar una descarga con cartuchos de dinamita, mucho más fáciles de manejar que las bombas lata. Eran diez milicianos, y Rosario estaba situada la última a la izquierda. Cuando prendió su mecha, la oyó silbar. La noche anterior había llovido y estaba húmeda. Se quemaba por dentro, pero no por fuera, y no sintió el calor de la llama en la uña de su dedo pulgar, que indicaba el momento de lanzarla. El cartucho estalló en su mano derecha, que quedó destrozada por encima de la muñeca. Herida de gravedad, la operaron en el hospital de sangre de la Cruz Roja en La Cabrera, donde consiguieron salvarle la vida.

Llevaba varios días convaleciente en el hospital cuando el filósofo y catedrático de la Universidad Central de Madrid José Ortega y Gasset acudió a visitarla al conocer la historia de una muchacha muy joven que había perdido una mano en el frente. Iba camino de Valencia y aprovechó el viaje para informar de lo ocurrido a los padres de Rosario, que esa misma noche se desplazaron al hospital. “Miren ustedes, lo siento mucho, siento muchísimo que mi hija mayor haya perdido una mano, pero les aseguro que si mis otros cinco hijos perdieran la suya por la misma causa, estaría orgulloso de ellos. No tienen de qué preocuparse", les dijo Andrés, su padre, a los médicos que les recibieron con la intención de tranquilizarles. Ferviente republicano y presidente de Izquierda Republicana (IR) en Villarejo, el valor de su hija le llenaba de orgullo.

Rosario fue trasladada al hospital de la Cruz Roja en la calle de la Reina Victoria, y de allí a otro instalado en la Facultad de Filosofía y Letras para que concluyera su recuperación. Para entonces, 4 de noviembre, los fascistas se encontraban a cinco kilómetros de la capital. La caída de Madrid parecía inminente, y con ella el fin de la guerra. Así lo creía hasta el propio Gobierno de Largo Caballero, que abandonó la capital rumbo a Valencia. Dos días más tarde, Rosario y todos sus compañeros de convalecencia fueron evacuados del hospital ante la proximidad del enemigo, que estaba a punto de lanzar su mayor ofensiva por la Ciudad Universitaria. Aún débil, fue ingresada en el hospital de San José y Santa Adela, en la calle de Eloy Gonzalo, que abandonó fechas después con la intención de volver a las trincheras, aunque fuera con una sola mano.

La unidad de choque de El Campesino se había convertido en la 10ª Brigada Mixta, con más de tres mil hombres, y su comandancia estaba en el convento de las clarisas de Alcalá de Henares. Rosario fue recibida como una heroína y destinada al Comité de Agitación y Propaganda.
La estancia en Alcalá fue corta, apenas unas semanas, porque El Campesino trasladó su Estado Mayor a Ciudad Lineal, primero, y a un chalé en el número 11 de la calle de O’Donnell de Madrid, después, y Rosario se fue con él como encargada de la centralita del edificio. Antonio Aparicio, el joven poeta sevillano al que había conocido en Alcalá, se convirtió en uno de los habituales del lugar y pronto entablaron amistad. Un día vino acompañado de otro poeta y amigo al que, por sus palabras, rendía veneración. Éste no era otro que Miguel Hernández, que había escrito un poema a aquella joven de cuyas hazañas en el frente tanto le hablaba su compañero. Se lo presentó y le dio a leer los versos:

“Rosario, dinamitera, / sobre tu mano bonita / celaba la dinamita / sus atributos de fiera. / Nadie al mirarla creyera / que había en su corazón / una desesperación / de cristales, de metralla / ansiosa de una batalla, / sedienta de una explosión. / Era tu mano derecha, / capaz de fundir leones, / la flor de las municiones / y el anhelo de la mecha (…) / ¡Bien conoció el enemigo / la mano de esta doncella, / que hoy no es mano porque de ella, / que ni un solo dedo agita, / se prendó la dinamita / y la convirtió en estrella! (…)".

La amistad con Antonio se amplió también a Miguel, y con el tiempo a Vicente Aleixandre, compañero inseparable de los dos anteriores, ante los que oficiaba de maestro desde sus 38 años y su experiencia de escritor.

Los días discurrían tranquilos en el chalé de la calle de O’Donnell, aunque las noticias que llegaban del frente eran cada vez más preocupantes. Los bombardeos se iniciaban al amanecer –“el lechero", los llamaban los madrileños– y los cañones batían la Gran Vía, bautizada como avenida de los Obuses o del Quince y Medio por el calibre de los proyectiles que impactaban en ella. Una mañana irrumpió en las oficinas un joven al que Rosario no había visto nunca. Era alto y apuesto, el pelo o¬ndulado y los ojos claros. Un latigazo le recorrió el corazón. Desde entonces esperaba con impaciencia sus visitas, que comenzaron a hacerse cada vez más frecuentes. Del cruce de miradas pasaron a los saludos y a animadas charlas. Se llamaba Francisco Burcet Lucini, tenía veinte años y era sargento de la Sección de Muleros de la Brigada. Comenzó a cortejarla y semanas después, azorado y nervioso, le pidió relaciones. Rosario aceptó. Su recién estrenado noviazgo se limitaba a encuentros fugaces y a algún breve paseo por el Retiro. Nunca fueron juntos al cine, ni ella le dejó que la cogiera de la mano, y mucho menos que le diera un beso.

Había transcurrido un año de guerra cuando se le presentó la ocasión de volver al frente. La 10ª Brigada Mixta de El Campesino se había convertido en la 46 División, con más de doce mil hombres a sus órdenes, que en el verano de 1937 intervino en una ofensiva hacia Brunete para intentar atrapar en una bolsa a las fuerzas nacionales que sitiaban Madrid desde el suroeste. El ataque fue de tal magnitud que el pueblo claudicó en apenas unas horas, aunque las pequeñas guarniciones de Quijorna y Villanueva del Pardillo resistieron la acometida. Rosario fue elegida para convertirse en cartera del frente, encargada de ser el nexo de unión con el Estado Mayor en la capital y de llevar la correspondencia de los soldados.

Las cartas para el frente se recibían en una dependencia situada en el número 18 del paseo del Prado. Un grupo de muchachas las ordenaban por brigadas, batallones y compañías, y las introducían en sacas debidamente identificadas. A las ocho de la mañana, Rosario y sus compañeros acudían puntuales a recoger la correspondencia, y sin demora se dirigían dando un rodeo para evitar las zonas más próximas a las posiciones enemigas, aunque en más de una ocasión fueron tiroteados al introducirse por error en territorio controlado por los nacionales. Hasta que el 25 de julio, festividad de Santiago Apóstol, los nacionales recuperaron de nuevo Brunete.

Rosario regresó a Alcalá con las tropas de El Campesino y aprovechó la ocasión para casarse con Paco, que llevaba meses insistiendo en ello. El enlace por lo civil se celebró el 12 de septiembre, acompañados de familiares y amigos. Alquilaron una modesta vivienda en la localidad, donde vivieron su pasión durante unas semanas intensas. Rosario se quedó embarazada, pero su felicidad duró poco. El 21 de enero de 1938, Paco partió rumbo a Teruel con los hombres de la 46 División para relevar a los de la 11, que habían participado en la toma de la ciudad, la primera capital de provincia que las tropas republicanas conseguían conquistar desde el inicio de la guerra. Como antes en Brunete, los republicanos cedieron poco después Teruel y las tropas de El Campesino regresaron a la capital agotadas y maltrechas. Estuvieron dos semanas juntos, hasta que la unidad fue enviada al frente de Aragón para contener otra ofensiva fascista en la zona.

Durante meses, su único contacto fueron las cartas que se escribían. Largas misivas en las que competían por expresar sus sentimientos. Angustiada por semanas de espera sin nada que hacer, limitándose a ver pasar los días desde su estado de gravidez, Rosario comenzó a trabajar en la oficina que Dolores Ibárruri, La Pasionaria, había organizado en el número 5 de la calle de Zurbano para reclutar mujeres que cubrieran los puestos de trabajo que los hombres dejaban libres cuando marchaban al frente. Estuvo hasta el 22 de julio, cuando dio a luz a una niña en el hospital de Santa Cristina, en la calle de O’Donnell, a la que puso de nombre Elena.

Las tropas de El Campesino participaban por entonces en la ofensiva republicana del Ebro. La batalla más decisiva de la guerra concluyó cuatro meses más tarde, el 15 de noviembre, cuando las tropas de Franco dieron por reconquistadas las posiciones que habían perdido durante el verano, partieron en dos la zona republicana y decidieron avanzar hacia Barcelona. Fue entonces cuando las cartas de Paco dejaron de llegar, y Rosario no supo si había muerto, había logrado escapar a Francia o era uno de los miles de prisioneros que hicieron los nacionales en su avance. El 26 de enero de 1939, las tropas de Franco entraban en Cataluña, y tres meses más tarde lo hacían en Madrid. La guerra había terminado.

Rosario dejó a su hija con su madre e intentó escapar por Alicante con su padre, donde fueron capturados con otros 15.000 republicanos que esperaban exiliarse a bordo de barcos de la Sociedad de Naciones que nunca llegaron a puerto. Fueron conducidos al campo de los Almendros, donde fusilaron a Andrés. Rosario fue liberada y trasladada semanas después a Madrid, donde fue detenida de nuevo por vecinos falangistas de su pueblo, que la encarcelaron en la prisión de Villarejo y después en la de Getafe mientras se incoaba el procedimiento sumarísimo de urgencia 34.378. La petición fiscal de muerte fue conmutada por 30 años de reclusión por un delito de adhesión a la rebelión. Ella, que había defendido la legalidad republicana, era acusada de haberse levantado contra quienes la violentaron.

Su primer destino como penada fue la prisión de Ventas, convertida en un enorme almacén humano en el que se hacinaban más de cuatro mil mujeres, pese a que su capacidad era de cuatrocientas. En ella permaneció por espacio de dos meses y medio, hasta su traslado a la prisión de Durango, un convento de monjas en el que hasta no hacía mucho tiempo tomaban sus votos las novicias. Comenzaba un periplo carcelario que habría de llevarla a las cárceles de Orúe y, finalmente, a la de Saturrarán, donde el 28 de marzo de 1942, tras sufrir tres años de encierro y todo tipo de calamidades, fue puesta en libertad gracias a los beneficios penitenciarios que el nuevo régimen se veía obligado a decretar periódicamente para aliviar sus prisiones. El mismo día en que ella pisaba de nuevo la calle moría en la prisión reformatorio de Alicante su querido poeta Miguel Hernández, víctima de una larga enfermedad agravada por el penoso tránsito por numerosas prisiones. “¿Qué hice para que pusieran / a mi vida tanta cárcel?", dejó escrito el poeta oriolano.

Desterrada a doscientos kilómetros de Villarejo, Rosario marchó a Samprón, una pequeña aldea del Bierzo leonés, en el que vivía una compañera de prisión que había recuperado la libertad antes que ella. Durante dos meses, la guerra se convirtió en un recuerdo lejano, hasta que el instinto por recuperar a su hija le hizo regresar a Madrid pese a la prohibición de hacerlo. En la capital buscó la ayuda de otra compañera, Rufina Núñez, que la acogió en su domicilio.

Las semanas siguientes descubrió que su hija Elena estaba al cargo de su suegra. Acababa de cumplir cuatro años y era una niña espigada y flaca que rompió a llorar cuando aquella desconocida que decía que era su madre la abrazó con toda la fuerza de que fue capaz. La vida pareció recuperar el sentido, y por Rufina mandó también recado a su madre, que no tardó en viajar a Madrid para reencontrarse con ella. Tan sólo faltaba Paco, de quien su suegra le aseguró que no sabía nada desde el final de la guerra. Tuvo que ser su cuñado José Luis quien le desvelara que su marido vivía en Oviedo, se había vuelto a casar y tenía dos hijos. El régimen de Franco había anulado los matrimonios civiles de la República y ella era, a efectos legales, una madre soltera.

Viajó a Asturias en su busca, pero tampoco lo encontró. Los padres de Socorro, su nueva mujer, le dijeron que hacía nueve días que se había mudado con su familia a Barcelona en busca de trabajo. Pensó que todo había terminado. Rehízo su vida con un hermano del marido de Rufina, con quien tuvo otra hija, se separaron al cabo de dos años y ella comenzó a vender tabaco americano de contrabando en la plaza de Cibeles. Hasta allí fue a su encuentro Paco. Cuando se encontraron habían transcurrido quince años desde su despedida en el ya lejano marzo de 1938, cuando él marchó a Teruel con las tropas de El Campesino. Demasiado tiempo para que todo volviera a ser igual.

“La mía ha sido una vida dura y valiente, porque si no le hubiera echado agallas no sé qué habría sido de mí", dice Rosario setenta años después de aquella mañana de julio de 1936 que marchó al frente. Hoy, a sus 86 años cumplidos, es una mujer rebelde y de una memoria prodigiosa, que se afana en conservar sus recuerdos escribiéndolos en enormes cuadernos de anillas. “Mi lucha", dice, “mereció la pena".
retirado daqui

Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora em defesa da soberania alimentar


A crise alimentar que está instalada é consequência das políticas agrícolas que diminuíram drasticamente o número de agricultores e fizeram crer à opinião pública que vivíamos num mundo de abundância e de excedentes agrícolas.

Mas as coisas não são assim. No nosso país, em particular, estamos altamente dependentes de importações alimentares, que já ultrapassam os 80% do consumo.

As subidas de preços verificam-se por todo o mundo e as manifestações de rua, do México a Marrocos, do Brasil ao Bangladesh, já conduziram a mortes e prisões. Segundo a FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura, o custo das principais matérias primas agrícolas subiu, a nível mundial, perto de 40% apenas em 2007.

O trigo atingiu o valor mais alto em 28 anos, e o arroz, milho, soja e óleos duplicaram (nalguns casos triplicaram) em dois anos o seu preço ao consumidor. Os resultados, catastróficos, fazem sentir-se sobretudo nas regiões menos desenvolvidas: segundo o Banco Mundial a crise instalou-se em 37 países pobres, num total de 100 milhões de habitantes. As Nações Unidas estimam ainda que, face às presentes tendências, até 2025 mais 600 milhões de pessoas estarão a passar fome para além dos 800 milhões que já a sofrem cronicamente neste momento.

Este drama global não é uma supresa nem resulta de coincidências – constitui, isso sim, o culminar de um conjunto de opções políticas agrícolas (e, mais recentemente, energéticas) que os principais blocos económicos, incluindo a União Europeia (UE), têm vindo a implementar ao longo das últimas décadas. No entanto, em vez de reconhecer as causas e procurar novas estratégias, a agro-indústria portuguesa, em particular a dos alimentos compostos para animais, reclama mais do mesmo: apoios do estado e acesso irrestrito a transgénicos não autorizados na UE.

No entanto, tal como o mais recente estudo da agricultura global pôde constatar, os transgénicos não são de todo a solução para o presente nem para o futuro próximo, nem contribuem para o que realmente interessa a qualquer sociedade: eliminar a fome e a pobreza, melhorar as condições de vida da população rural e promover um desenvolvimento sustentável, justo, social e ambientalmente equilibrado. Nesta avaliação de 2500 páginas (o IAASTD, que envolve dezenas de países e organizações), realizada por mais de 400 cientistas e especialistas ao longo de quatro anos e trazida este mês a público, as soluções para as almejadas soberania e segurança alimentares passam sobretudo pela valorização das actividades tradicionais, pela salvaguarda dos recursos naturais e protecção da produção local, e pela canalização da produção agrícola para o consumo alimentar directo, em vez de ser desviada para outros fins

Mudanças, precisam-se

Assim, de acordo com o princípio da precaução, e assumindo um ponto de vista assente na coerência, a política europeia e nacional em matéria de agricultura e alimentação deve ser urgentemente corrigida:

– a importação de carne proveniente de animais alimentados com transgénicos não autorizados para consumo na UE deve ser proibida;

– a aprovação de novos transgénicos deve ser sujeita a uma avaliação de impacto na agricultura tradicional e familiar;

– a meta de incorporação de 10% de biocombustíveis (provenientes de produção agrícola) nos transportes até 2020 deve ser abandonada;

– os apoios à agricultura devem ser dirigidos para o apoio às actividades de diversificação e policultura, maximização da soberania alimentar, redução do consumo de agroquímicos, criação de postos de trabalho e sustentação das comunidades em espaço rural.

Acordo de Blair House dificulta busca de soluções

No que concerne à política agrícola há que referir que o acordo de Blair House, que veio limitar o cultivo europeu de matérias-primas importantes para a alimentação animal, como a soja, tem necessariamente que ser revisto pois dificulta a resolução dos actuais problemas. Acreditamos que, deste ponto de vista, a pressão e apoio por parte da indústria de produção animal para que novas medidas permitam aumentar o cultivo na Europa das variedades tradicionais para estes fins não só seria benéfico como bem-vindo pelos consumidores portugueses.

Portugal deve competir na qualidade e diversidade

Todas as pequenas regiões têm necessariamente que optar por competir na qualidade e na diversidade e nunca no preço ou na quantidade. Infelizmente, em Portugal, constatamos que frequentemente, e em nome da competitividade, se envereda por estratégias das quais tendem a resultar elevados impactos não só ambientais, mas também sociais e económicos. Estas estratégias comprometem o desenvolvimento sustentável e o respeito pelas gerações futuras.

Estamos convictos de que Portugal está num ponto de viragem em que a opção por novas estratégias, ecológicas e competitivas, ainda é possível!

O mercado nacional e internacional procura produtos animais livres de transgénicos

Uma estratégia de marketing que permite a diferenciação da agropecuária de qualidade é a rotulagem de produtos de origem animal (carne, leite, ovos) como livres de transgénicos ou sem OGM, ou seja, em que foram excluídas as rações transgénicas. Como a actual lei não impõe a rotulagem destes produtos quando provenientes de animais que tenham sido alimentados com OGM, os consumidores actualmente não podem optar por uma cadeia alimentar 100% natural. Quem será a primeira empresa a satisfazer o mercado português?

Não existe ainda evidência científica de que os transgénicos sejam seguros

Não se pode dissociar a questão do cultivo de transgénicos dos seus potenciais riscos, nomeadamente dos riscos para a saúde humana e animal. Apesar das referências científicas de testes toxicológicos ser muito limitado, são já vários os estudos que têm detectado mútliplos problemas na saúde dos animais sujeitos a experimentação. Parece-nos pois sensato promover actualmente um maior investimento na investigação e uma menor aposta no consumo.

Note-se que a EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, não desenvolve actualmente quaisquer estudos independentes, baseando as suas avaliações de inocuidade dos transgénicos nos dados apresentados pelas próprias multinacionais que os comercializam. Enquanto a investigação em torno dos potenciais riscos não for totalmente independente dos interesses económicos, a alimentação portuguesa e europeia estará sujeita a novas e desagradáveis surpresas.


Para mais informações
Alexandra Azevedo (Plataforma Transgénicos Fora): 936 464 658 ou 917 463 902
João Vieira (Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa): 912 262 841

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por doze entidades não governamentais da área do ambiente e agricultura e apoiada por dezenas de outras.


Para mais informações contactar
info@stopogm.net

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.

Encontro mundial de luta anti-OGM: Conferência Internacional sobre o futuro da Agricultura e da Alimentação em Bona, Alemanha, de 12 a 16 de Maio


O grande encontro mundial para a luta anti-OGM vai ter lugar este ano de 2008 em Bona, na Alemanha, entre 12 e 16 de Maio.



Este momento, para além de proporcionar uma oportunidade única de colaboração, aprendizagem e entreajuda à escala internacional, será sobretudo uma celebração da diversidade natural e cultural da vida, da alimentação e da agricultura.



Ao mesmo tempo, também em Bona, estarão a decorrer as negociações das Nações Unidas sobre a Convenção da Biodiversidade

Para ver detalhes sobre o programa e inscrever-se deve ir a
http://www.planet-diversity.org/


Se tenciona participar neste encontro, escreva-nos!





Segunda-feira, 12 de maio
Manifestação e Festival da Diversidade


Às 10 da manhã reunião no Parque Rheinaue com faixas, bandeiras, música de todas as delegações de países de todo o mundo. De lá parte-se em marcha até ao centro de convenções para apresentar nossas reivindicações:

􀂃 Que parem de usar alimentos para biocombustível;

􀂃 Pelo direito humano à alimentação adequada, diversificada e saudável;

􀂃 Pelo livre intercâmbio de sementes e conhecimento e contra a biopirataria e patentes
sobre seres vivos;


􀂃 Por uma agricultura diversificada, natural, livre de monoculturas e que apoie a pequena
produção, familiar, camponesa e tradicional;


􀂃 Pela diversidade biológica e cultural, regional, justa e livre de transgênicos.


Retornando ao Parque Rheinaue, haverá uma apresentação de iniciativas através de imagens, sons e saberes da Alemanha e de todo o mundo.
Haverá grande variedade de comidas, bebidas, músicas, informação e entretenimento – para um público de todas as idades.


De 13 a 15 de maio
O Congresso

De terça a quinta-feira serão realizadas 6 sessões plenárias com tradução simultânea para espanhol, inglês, francês e alemão, 30 oficias e 20 apresentações de iniciativas, organizações, idéias e projetos de todo o mundo.


Consulte a página da conferência para a programação completa e para inscrever-se:
http://www.planet-diversity.org/



Informações: info@planet-diversity.org


“Não podemos resolver os problemas que criamos com o mesmo pensamento que os criaram” (Albert Einstein)


Um Congresso das esperanças locais e sonhos globais


Ao lado das mudanças climáticas, a perda de biodiversidade natural e cultivada representa o maior desafio ecológico da história da humanidade. A dimensão da perda de espécies é comparável à do fim da era dos dinossauros. Cerca de 75% das variedades das plantas cultivadas nossos antepassados usavam há cem anos desapareceram.
Contra este cenário, representantes de 190 governos se reunirão em Bona, Alemanha, em Maio de 2008 para negociar meios de proteger a biodiversidade no quadro da Convenção da Diversidade Biológica da ONU (CDB) e de seu Protocolo de Cartagena de Biossegurança.
Com o início das negociações, o Congresso Planeta Diversidade reunirá agricultores, militantes sociais, ONGs e representantes de governos locais e regionais de todo o mundo para discutir alternativas práticas ao modelo vigente de agricultura.
No centro do debate estará o actual modelo de produção e consumo de alimentos.
As actuais políticas de promoção do crescimento a qualquer custo destroem o sustento de milhões de pequenos agricultores anualmente, seja no Norte ou no Sul. Com eles comunidades inteiras desaparecem, junto com seus conhecimentos e culturas.
A agricultura familiar continua sendo o caminho mais eficiente para a produção de alimentos em termos de pessoas alimentadas por área cultivada.
Há alternativas à destruição dos recursos naturais promovida pelo sistema das monoculturas industriais? Sim, milhares de alternativas.

O Planet Diversity será o local de encontro, debates e intercâmbios em busca de estratégias comuns.


Temas do Planet Diversity:


o paradigma da diversidade

soberania alimentar e êxitos da agricultura familiar e camponesa

auto-determinação local e regional

um mundo livre de transgênicos

a diversidade e mudança climática

patentes sobre seres vivos

agricultura urbana

inovação agroecológica

direitos do agricultor e do indígena

diversidade de sistemas de conhecimento


À procura dos estudantes portugueses que foram presos em 1960 por terem brindado à liberdade! (acerca da origem da Amnistia Internacional)

Em 1960 , um advogado britânico , Peter Benenson , leu num jornal , enquanto ia para o trabalho , que dois estudantes portugueses tinham sido presos . Uma ocorrência bastante comum , mas quando Benenson continuou a ler , mal conseguiu acreditar no que os seus olhos viam : os estudantes tinham sido presos e condenados a sete anos de prisão . Porquê ? Por terem brindado à liberdade , num restaurante .

Esta história tocou bem fundo o advogado que já estava consciente das injustiças que ocorriam no mundo inteiro . Pensou organizar uma campanha que teria a duração de apenas um ano . Dar-lhe –ia o nome de “Apelo para a Amnistia 1961” e seria a favor de todos os prisioneiros que estavam na prisão devido às suas convicções religiosas , opinões políticas , sexo e raça ( prisioneiros de consciência ) . Queria ajudar os que estavam presos sem um julgamento justo e aqueles que enfrentavam a pena de morte . Num ano era possível fazer muita coisa .

Peter Benenson encontrou o seu amigo Eric Baker e , juntos , discutiram a ideia com entusiasmo . Assim , no domingo , 28 de Maio de 1961 , Benenson publicou um artigo no jornal The Observer , que se destinava a pôr em acção todo o movimento . Chamava-se “ Os prisioneiros esquecidos “ e , no mesmo dia , foi publicado um artigo similar no jornal francês Le monde . O “Apelo para a Amnistia 1961” estava lançado .
Num curto espaço de tempo recebeu milhares de respostas . Assim nasceu uma Organização Mundial , independente e imparcial que se preocupa apenas com a defesa e promoção dos Direitos Humanos .
Como símbolo da luta da Amnistia , para manter a luz da esperança a brilhar num mundo de injustiça , Peter Benenson escolheu uma vela a arder rodeada de arame farpado e adoptou uma celebre frase de Voltaire que diz “ Mesmo que não concorde com o que dizes lutarei para que o possas dizer “ .
Passados mais de 40 anos a Amnistia Internacional é a maior organização voluntária que trabalha em prol dos Direitos Humanos .

Para ler o histórico artigo publicado no jornal Obsever que esteve na origem da Amnistia Internacional: clicar aqui



À procura dos estudantes portugueses de 1960 que foram presos por terem brindado à liberdade!

O grupo local de La Coruña vai fazer 20 anos e está a organizar um evento de celebração. Para isso teve a ideia de convidar os estudantes que brindaram à liberdade num restaurante de Lisboa e foram condenados a 7 anos de prisão.
Recorde-se que este acto do governo português sensibilizou um advogado em Inglaterra que deu início a um movimento de solidariedade mundial pela libertação desses estudantes. Esta acção foi o mote que daria início à Amnistia Internacional.

Se alguém tiver alguma informação a respeito destas pessoas, por favor contacte o grupo local 6 do Porto.

Veja o vídeo desta história



http://aiporto.blogspot.com/


COMO CONTACTAR A AI PORTO

Para qualquer informação relativa à AI PORTO, contacta:
Virgínia Silva ou Raquel Barbosa através de:
amnistia-internacional-porto@googlegroups.com

ou 967800269/912447428

17.4.08

Unir os professores para continuar a luta


Este blogue não apoia o acordo com a Tutela


A luta continua apesar do «entendimento» assinado entre a plataforma sindical de professores e o ministério da (des)educação.

Hoje foi assinado o «entendimento» entre a plataforma sindical de professores e o Ministério da (des)educação. Um «entendimento» ambíguo que obriga a uma maior consciencialização social e política de todos e ao reforço da unidade e da luta dos professores.

Não é altura para parar nem para desanimar. Mas sim para continuar a lutar unidos contra o abastardamento e a funcionalização da função de professores e em defesa da profissão docente, assim como por um ensino público, universal, gratuito e de qualidade.

Não podemos baixar os braços, nem desperdiçar energias com erros de análise e cedências negociais

Como se dizia em Maio de 68 isto não é mais que o início e a experiência de uma luta prolongada

É preciso pois relançar a luta para desmascarar a política só-cretina e dar ânimo a todos os professores de que uma outra escola é possível…


Consultar:

http://sinistraministra.blogspot.com/

http://delutoeemluta.blogspot.com/

http://escolapublica2.blogspot.com/

http://apede.pt/joomlasite/

http://defendeaprofissao.wordpress.com/

http://emdefesadaescolapublica.blogspot.com/

http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/

http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/

http://movimentoprofessoresrevoltados.blogspot.com/

http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/

17 de Abril é o dia mundial das lutas camponesas




No dia 17 de Abril de 1996 dezanove camponeses do Movimento dos trabalhadores rurais sem-terra do Brasil foram assassinados às ordens dos grandes latifundiários. Para que este bárbaro morticínio não caia no esquecimento nem as lutas dos camponeses sejam esquecidas, e possam ainda ser conhecidas e apoiadas por todo o mundo, os membros da organização internacional Via Campesina declararam o 17 de Abril como Dia mundial das lutas camponesas.

Por todo o lado os camponeses – que formam mais de metade da população do nosso planeta – são atingidos pelo rolo compressor da globalização capitalista. Para além disso, em muitas regiões do mundo, as lutas dos camponeses são reprimidas, causando anualmente centenas de vítimas. Noutros casos registam-se suicídios de agricultores deseperados pelo empobrecimento galopante provocado pela rapacidade das multinacionais da indústria agro-alimentar, as empresas de biotecnologia e os poderosos interesses dos grandes proprietários.

A Via Campesina é uma organização internacional que coordena as lutas de mais de 70 organizações camponesas e de trabalhadores agrícolas, mulheres rurais, e comunidades indígenas dos cinco continentes; apesar de ter sido criada em 1993 na Bélgica, foi no seu encontro do México em 1996 que, no entanto, a organização viu ser definido o seu programa de acção.

Do texto que serve de Apelo da Via Campesina para a mobilização do dia 17 de Abril sob o título « As empresas transnacionais dos agronegócios estão a causar uma crise alimentaria de proporções incalculáveis» pode-se ler:

O impacto da crise alimentaria começou a revelar-se com toda a sua crueza durante este ano. Nos últimos anos a fome estava escondida» nas zonas rurais e marginais. Mas agora o número de afectados aumentou extraordinariamente e já há pessoas que não aguenam mais. Já surgiram tumultos e voltaram a sugir filas de famintos em muitos lugares do mundo.

África e Ásia são as regiões mais atingidas pela fome e miséria nas zonas rurais e pelos efeitos das mudanças climáticas. O desenvolvimento e o crescimento só beneficiam uma minoria da população e estão a provocar danos ambientais. Na Índia, por exemplo, o boom económica só está a beneficiar uma pequena parte da população. Ao mesmo tempo que isso acontece, a agricultura camponesa caminha a passos largos para a ruína e milheres de camponeses acabam por se suicidar em desespero.

As grandes empresas transnacionais do agronegócio querem aumentar o seu controlo sobre a alimentação mundial e a economia agrícola por via da liberalização do comércio, apostadas como estão em acabar com a agricultura com o modelo de agricultura familiar e converterem a agricultura camponesa em agricultura industrial. Quando tiverem realizado este seu objectivo e acabarem por controlar a produção agrícola mundial essas empresas transnacionais poderão passar a explorar os consumidores aumentando sempr que queiram os preços dos bens alimentares.

Para ver as mais de 60 acções previstas para hoje a fim de comemorar o Dia Mundial das lutas camponesas (60 actions for the International Day of Peasant's Struggle): aqui




A Via Campesina







Mulheres da Via Campesina ocupam fazenda da multinacional Stora Enso no interior do Rio Grande do Sul e são violentamente reprimidas pela PM durante a Jornadas de Lutas do 8 de março.













A propósito do massacre de camponeses de Eldorado de Carajás (Brasil) em 17 de Abril de 1996

Em 17 de abril de 1996 aconteceu o Massacre de Eldorado de Carajás, que ganhou repercussão internacional e deixou a marca na história do país, ao lado do Massacre do Carandiru (1992) e da Chacina da Candelária (1993), como uma das acções policiais mais violentas do Brasil.

Passados 12 anos do massacre no Pará, permanecem soltos os 155 policiais que mataram 19 trabalhadores rurais, deixaram centenas de feridos e 69 mutilados. Entre os 144 incriminados, apenas dois foram condenados depois de três conturbados julgamentos: o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, que aguardam em liberdade a análise do recurso da sentença, que está sob avaliação da ministra Laurita Vaz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Hoje, os trabalhadores Sem Terra cobram da actual governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), o cumprimento de diversas promessas como atendimento médico multidisciplinar aos sobreviventes feridos durante o massacre, que ficaram com balas alojadas pelo corpo. Até hoje esse atendimento não começou.

“A gente lamenta essa mentalidade de grande parte dos juristas, que acha que a pessoa deve recorrer eternamente, pela chamada presunção de inocência. Esse processo acaba gerando impunidade total e absoluta” afirma o promotor de Justiça do caso, Marco Aurélio Nascimento.

O advogado do MST, Carlos Guedes, que acompanhou o caso desde abril de 1996 até o último julgamento, em maio de 2002 acredita que a Justiça ainda não resolveu o caso. Guedes também alerta que existem dois tipos de responsabilidades em relação ao massacre que a Justiça tem de levar em consideração: as responsabilidades criminal e política.

“Se todos os que foram denunciados, desde o coronel Pantoja até o último soldado, tivessem sido condenados, isso por si só seria insuficiente. Outras pessoas tiveram participação decisiva no massacre, como o governador (Almir Gabriel), o comandante geral da Polícia Militar e o secretário de Segurança Pública (Paulo Sette Câmara). Estes sequer foram envolvidos no caso”, contesta o advogado.

Na opinião dos sobreviventes do massacre e dos advogados do MST, a justiça ainda não veio. As pessoas mutiladas, assim como as 13 viúvas que tiveram seus maridos executados naquele dia, ainda não receberam indenizações.

Tanto para o coordenador nacional do MST no Pará, Charles Trocate, quanto para os mutilados do massacre, o Estado foi o culpado pelo incidente. “A cultura da violência gera a cultura da impunidade. Carajás evidenciou um problema em proporções maiores, mas o Estado não foi capaz de criar instrumentos que corrigissem isso. Primeiro se negou julgar e condenar o governador, o secretário de Justiça e o comandante geral da PM. Segundo, nestes 10 anos, não foi produzida nenhuma condenação porque é o Estado que está no banco dos réus”, afirmou Trocate.

Caminho do processo na Justiça

Abaixo, leia a cronologia do processo dos envolvidos no Massacre de Eldorado de Carajás.

Junho de 1996 - Início do maior processo em número de réus da história criminal brasileira, envolvendo 155 policiais militares. Em 10 anos, o processo ultrapassou as 10 mil páginas.

16 de agosto de 1999 - Primeira sessão do Tribunal do Júri para julgamento dos réus em Belém, presidida pelo juiz Ronaldo Valle. Foram absolvidos três oficiais julgados - coronel Mário Colares Pantoja, major José Maria Pereira de Oliveira e capitão Raimundo José Almendra Lameira. Foram três dias de sessão com cerceamento dos poderes da acusação, impedimento da utilização em plenário de documentos juntados no prazo legal, permissão de manifestações públicas de jurados criticando a tese da acusação e defendendo pontos de vista apresentados pela defesa.

Abril de 2000 - O Tribunal de Justiça do Estado do Pará determinou a anulação do julgamento, decisão mantida em um segundo julgamento, em outubro de 2000. Antevendo a anulação do julgamento, o juiz Ronaldo Valle solicitou o afastamento do caso. Dos 18 juízes criminais da Comarca de Belém, 17 informaram ao Presidente do Tribunal de Justiça que não aceitariam presidir o julgamento, alegando, na maioria dos casos, simpatia pelos policiais militares e aversão ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aos trabalhadores rurais.

Abril de 2001 - Nomeada uma nova juíza para o caso, Eva do Amaral Coelho, que designou o dia 18 de junho de 2001 como data para o novo julgamento dos três oficiais. Alguns dias antes do início da sessão, a juíza determinou a retirada do processo da principal prova da acusação, um minucioso parecer técnico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com imagens digitais que comprovavam que os responsáveis pelos primeiros disparos foram os policiais militares. O MST reagiu e a juíza reviu sua posição, suspendendo o julgamento sem marcar nova data.

14 de maio a 10 de junho de 2002 - O julgamento foi retomado. Após cinco sessões, entre os 144 acusados julgados, 142 foram absolvidos (soldados e 1 oficial) e dois condenados (coronel Pantoja e major Oliveira), com o benefício de recorrer da decisão em liberdade. Em decorrência dos benefícios estendidos aos dois únicos condenados, as testemunhas de acusação não compareceram mais ao julgamento, em função de ameaças de morte e por não acreditar na seriedade do julgamento. Durante vinte dias, jornais do Estado do Pará publicaram detalhes sobre intimidações e ameaças de morte que estariam recebendo as principais testemunhas da acusação, principalmente Raimundo Araújo dos Anjos e Valderes Tavares. Nada foi feito em relação à proteção e salvaguarda de tais testemunhas. O MST não aceitou participar de um julgamento onde não estivessem sequer garantidas a segurança e a tranqüilidade das pessoas fundamentais para a acusação.

Novembro de 2004 - A 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Pará julga numa só sessão todos os recursos da defesa e da acusação e mantém a decisão dos dois julgamentos realizados pelo Tribunal do Júri, absolvendo os 142 policiais militares e condenando o coronel Pantoja (228 anos de prisão) e o major Oliveira (154 anos de prisão).

22 de setembro de 2005 – O coronel Pantoja é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal.

13 de outubro de 2005 – O major Oliveira é posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal.

2006 - Depois de dois anos, aguarda-se o julgamento do recurso especial apresentado ao Superior Tribunal de Justiça e posteriormente do recurso extraordinário apresentado ao Supremo Tribunal Federal.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Eldorado_dos_Caraj%C3%A1s



A destruição em Lisboa das hortas urbanas de Benfica e a criação da horta popular da Graça-Mouraria


http://horta-popular-graca-mouraria.blogspot.com/


Desde final de Março que várias pessoas têm andado atarefadas na área das portas de Benfica, fazendo algo pouco comum a habitantes da cidade: salvar uma série de árvores de fruto, flores, vegetais. É que a cidadecontinua a crescer. Cresce em perímetro, ao mesmo tempo que se densifica e perde espaços verdes participados, ao mesmo tempo - estranho fenómeno -que tem cada vez menos habitantes. O concelho de Lisboa perdeu mais de300.000 habitantes desde 1980, ou seja, entre 30% a 40% da sua população.

A obras da CRIL e dos respectivos acessos prossegue, fazendo avançar "Buldozers" por cima de hortas que algumas pessoas mantinham nas Portas de Benfica, para que os alimentos criados ajudassem a economia familiar.
Estas hortas, independentemente do maior ou menor talento de cada hortelão,são espaços na cidade que permitem a manutenção mínima de um ambiente salutar. São espaços que, entre outras coisas, ajudam à infiltração das águas da chuva diminuindo os riscos de cheias, regulam a ilha de calor urbano, criam habitats para várias espécies animais e vegetais, melhoram a qualidade de vida de quem nelas trabalha ao ser local de lazer, exercício,contacto com a natureza, terapia,...

Estando a ser destruído este espaço, que com um pequeno investimento poderia ser ainda mais uma local de convívio e reforço das relações de vizinhança, começa a surgir um outro. Que espaço é esse? Simplesmente,uma auto-estrada, algo que não necessita de grandes apresentações.
Muitas faixas de rodagem, asfalto quente e estéril, automóveis a grandes e ruidosas velocidades. Uma barreira intransponível entre vizinhos. Um estímulo ao uso do automóvel privado, uma dificuldade para quem deseja circular a pé ou de bicicleta.

Durante os próximos dias vão continuar os trabalhos das máquinas. As hortas que ainda subsistem, mais próximas das portas de Benfica, vão também ser terraplanadas. Belos talhões com batatas, milho, pimentos, ervilhas, favas, serão arrasados a meio do seu desenvolvimento. Pessegueiros, figueiras, laranjeiras, bananeiras. Colmeias de um lado, e o alecrim onde as abelhas recolhem pólen do outro, também.

Qualquer pessoa que, desejando um desenvolvimento mais harmonioso da cidade,queira tentar salvar o máximo de vegetais e árvores destas hortas, pode entrar em contacto com Marcos Pais através do email marcos.abyz@gmail.com para informação sobre os dias em que vamos estar nas hortas.

Vamos tentar trazer o maior número possível de plantas para a horta popular da Mouraria, local aberto que tod@s estão convidad@s a visitar para contactar um pouco com o campo, mesmo no coração da cidade, encima da Calçada do Monte.

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Para a descrição sobre o que se tem passado com as hortas de Benfica e a sua destruição, leia-se o seguinte texto que retiramos do blogue http://supergreenme.blogspot.com


O jardim da D. Ondina – uma história de hortas com vida e vidas em hortas

No início dos anos 70 a proprietária da Quinta das Pedralvas, em Benfica, doou as suas terras à Câmara Municipal de Lisboa sob condição de serem utilizadas para habitação e fins sociais. Num pedaço de terra da boa que tapa a encosta entre o castelinho das Portas de Benfica e a estrada dos Salgados ergueram-se hortas em lotes arrendados pela Câmara.



Até à segunda-feira passada entre 50 a 70 pessoas cultivavam aí legumes e árvores de fruta para o seu sustento suplementar ou total, para além de plantas mais decorativas para o sustento da alma... Ladeado de árvores, algumas de grande porte, freixos, oliveiras, amoreiras, choupos, alguns pinheiros mansos e até um ulmeiro, o terreno representava um dos últimos resquícios de ruralidade em Lisboa, numa zona que outrora era dominada por quintas e onde agora os prédios infelizes dos anos 70 enclausuram a população humana, animal e vegetal.

Segunda-feira passada chegaram as retroescavadoras e fizeram evaporar a esperança secreta dos hortelões de que esta obra “de utilidade pública” chamada CRIL, com a mesma idade de algumas árvores de médio porte na zona, não seria mais do que um fantasma e voltaria a atrasar por mais uns tantos anos. Apesar dos avisos, o choque foi grande.

Eu andei no terreno uma semana, mobilizada por uma “colega” do ambiente, e falei com pessoas confusas, incrédulas, revoltadas e algumas com claros sintomas de choque. Duas irmãs dos seus 60 anos pediram-me para conseguir adiar as máquinas até às favas estarem prontas para a colheita, pois só faltava um mês e deixaram-me assinalar a bela figueira no meio da sua horta com fita polícia (Foi a primeira árvore a ir abaixo, pois o recado não tinha sido passado ao encarregado de obra). Outra senhora, mais resignada, entregava-me enormes sacos de couve portuguesa para distribuir a quem precisasse. “ Mas vai usar mesmo, não vai? Pois deve, visto que a senhora é do ambiente..”


O Sr. Porfírio, já com um quarto do terreno arrasado, olhava preocupado para a sua mulher, a D.Helena, uma mulher miniatura com uma cara redondinha saudável que revelava a sua ascendência beirã. A D. Helena continuava a trabalhar no seu quinhão como se houvesse amanhã. “Eu aguento-me”, dizia o Sr. Porfírio, “Mas a minha mulher não tem outra ocupação. Trabalhar a terra é o que ela sabe. Vou plantá-la a frente da televisão agora?”


Alguns donos das hortas zangavam-se connosco por estarmos a tirar plantas e marcar árvores para um transplante que negociámos com o empreiteiro. Consideravam que estávamos a roubar, por mais que insistissemos que o terreno ia mesmo ser destruído. “A CRIL ainda está embargada”, diziam sabidos, “Isto é tudo ilegal.” Até as máquinas chegarem a meio das hortas tornando a destruição demasiado óbvia, as pessoas continuavam a ir aos seus bocados de terra, colhendo legumes, regando, conversando entre elas como sempre fizeram. Os moradores do bairro adjacente continuavam a atravessar o terreno, com crianças pela mão, cumprimentando os hortelões e as hortelonas. O fim social idealizado pela antiga proprietária esteve à vista até ao derrube do jardim da D.Ondina, às 13 horas de quarta-feira..

Aaah, a D. Ondina merece menção especial. Até marcámos o seu lote com fita polícia toda a volta para garantir que houvesse tempo para tirar os seus tesouros. No meio do stress de tentar parar as obras para que os ninhos fossem poupados e de bombardear a Câmara com pedidos de viabilizar o transplante de árvores, o jardim da D.Ondina conseguiu um lugar central na acção. Hoje com setenta e qualquer coisa anos, optou em tempos por criar o seu próprio jardim secreto em vez de uma horta lavradinha com filas de couves e batatas. Tal como o paraíso, não parecia ter entrada nem saída. Espreitando através das sebes e as yucas que rodeavam o lote e por cima da vedação tosca avistávamos uma autêntica estufa de flores, plantas aromáticas e uma variedade de cactos. A D. Ondina, com os olhos intensos lavados em lágrimas, explicava-nos os benefícios de cada uma das suas plantas. “Os cactos absorvem a radiação, é bom para quem trabalha no computador e para toda a electricidade em casa. Assim nós não ficamos ‘radiados’.” “Esta cardeira até soube que a procuram noutros países, que já é rara, é para fazer um queijo especial.” “Com isto faz um chá e limpa os rins.” A vizinha, D. Deolinda, ia dizendo que sim e repetia orgulhosa os conhecimentos da sua amiga curandeira de olhos azuis e lenço preto na cabeça para quem quisesse ouvir. A D.Ondina foi resistindo às ofertas de apoio para transplantar o seu jardim. Todos os dias levava calmamente umas cestas cheias para um novo terreno que escolheu, pouco além do perímetro marcado pelo empreiteiro. Mas o fim não teve o mesmo ritmo da vida das hortas. Em poucas horas os voluntários tiveram que desenterrar o que conseguiam e com a ajuda dos trabalhadores da obra, entretanto já bastante sensibilizados e cheios de conselhos, levaram as plantas e sebes para os novos anfitriões, a eco-escola Verdes Anos e a Horta popular da Graça. À sombra de um choupo à espera do abate, dezenas de plantinhas em vasos ainda aguardam que a D.Ondina os leve.

Foi uma semana dura. Dura para os voluntários que lutaram pelos ninhos com crias e pelas árvores e plantas que nunca foram consideradas para a recuperação paisagística obrigatória, pois este terreno rural foi considerado baldio e não entrou na declaração de impacto ambiental. Dura para os pássaros que escolheram passar a Primavera num espaço condenado. Dura para as árvores que não vamos conseguir salvar. Mas sobretudo, acima de tudo, dura para os hortelões e hortelonas de Benfica, a quem ninguém ofereceu uma alternativa para o seu passatempo, sustento e paz de alma. Lisboa virou mais um pouco as costas à natureza livre e perdeu mais um pedaçinho de história e mais um pedaçinho de humanidade em prol de betão, ruído e ar irrespirável.

Textos retirados daqui

2ª audiência portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque realiza-se no dia 18 de Abril


Segunda Audiência
Lisboa, 18 de Abril, 21:30h,
na Casa do Alentejo
Entrada livre

Cinco anos de ocupação e de resistência em avaliação
. as responsabilidades dos EUA e do Reino Unido
. a cumplicidade das autoidades portuguesas
. as violações do direito, os crimes cometidos, a restrição das garantias individuais, os pretextos da luta "antiterrorista", as prisões secretas e os voos da CIA, a resistência iraquiana

Acusação formulada pelo magistrado Dr Eduardo Maia Costa

Grupo de Jurados constituído por personalidades representativas da sociedade portuguesa

Testemunhos
. Eman Khamas, Iraque
. Carlos Varea, Espanha
. Manuel Raposo, Tribunal-Iraque

Contamos com a sua presença e o seu apoio

A Comissão Organizadora do Tribunal-Iraque
Amílcar Sequeira, António Alves, Berta Macias, Cristina Meneses, Eduardo Maia Costa, Guadalupe Margarido, Helena Nascimento, João Mário Mascarenhas, José Mário Branco, Júlio Moreira, Manuel Monteiro, Manuel Raposo, Mário Tomé, Paulo Esperança



http://tribunaliraque.info/pagina/inicio.html