28.12.07

Os discos de jazz mais emocionantes de 2007 segundo a Jazz Magazine


Les disques d'émoi 2007

Jason Moran - “Artist in Residence”
Blue Note/EMI

Michel Portal - “Birdwatcher”
Universal Music Jazz France/Universal

David S. Ware - “Balladware”
Thirsty Ear/Orkhêstra

Charles Tolliver - “With Love”
Blue Note/EMI

Noël Akchoté - “So Lucky”
Winter & Winter/Abeille Musique

Andy Emler Megaoctet - “West in Peace”
Nocturne

Martial Solal - “Solitude”
CamJazz/Harmonia Mundi

Archie Shepp - “Gemini”
Archiball/Abeille Musique

Eric Le Lann/Jannick Top - “Le Lann Top”
Utopic Records/Nocturne

Abbey Lincoln - “Abbey Sings Abbey”
Verve/Universal

Kartet - “The Bay Window”
Songlines/Abeille Musique

Michael Wollny - “Hexentanz“
Act/Harmonia Mundi

Simon Goubert/Sophia Domancich - “You Don't Know What Love Is”
Cristal/Abeille Musique

David Torn - “Prezens”
ECM/Universal

Michael Brecker - “Pilgrimage”
Verve/Universal

Airelle Besson/Sylvain Rifflet - “Rocking Chair”
Chief Inspector/Abeille Musique

Dré Pallemaerts - “Pan Harmonie”
B Flat/Discograph

Yaron Herman - “A Time For Everything”
Laborie Records/Naïve

Stéphane Kerecki - “Focus Dance”
Zig-Zag Territoires/Harmonia Mundi

Steve Coleman - “Invisible Paths: First Scattering”
Tzadik/Orkhêstra

Florian Ross - “Eight Ball & White Horse”
Intuition/Sphinx

Géraldine Laurent - “Time Out Trio”
Dreyfus/Sony BMG

David Linx - “Changing Faces”
O+/Harmonia Mundi

King Oliver - The Complete 1923 Jazzband Recording”
Off The Record/Archeophone

Chris Potter - “Lift Live at the Village Vanguard”
Emarcy/Universal

Enrico Rava-Stefano Bollani - “The Third Man”
ECM/Universal

Hélène Labarrière - “Les temps changent”
Emouvance/Abeille Musique

Beverly “Guitar” Watkins - “Don't Mess With Miss Watkins”
Dixefrog/Harmonia Mundi

Louis Armstrong - “Rétrospective 1923-1956”
Saga Jazz/Universal

Pony Poindexter - “Pony's Express”
Epic/Sony BMG

http://www.jazzmagazine.com/

Entre a loucura e a depressão – passagem de ano no bar-livraria Gato Vadio (no Porto)

Este é o esperado anúncio de um fracasso adiado!
Venha festejar connosco!

Preste atenção. Bem vistas as coisas é um milagre estarmos por cá. Ou um sacrilégio. Tanto faz. O que é certo é que a tragicomédia desta aventura do Gato Vadio está cada vez mais trágica e menos cómica. Ainda assim queremos partilhar a nossa loucura até ao fim. Passagem de ano 2007/2008. Algarve? Madeira? Ryan Air? Tudo Planos B. Olhem-me só pró cardápio: Gostávamos de ter circo, malabaristas, trapezistas, striptease literário, bailarinas da Sibéria com sotaque da Beira, caviar d' aeroporto, os fatos-de-treino da Ikea para os convidados darem uma mão quando a festa acabar, ainda pensámos trazer a mesa que o Woody Allen reserva no casino de Espinho vai para nove anos, falou-se ao Vasco Pulido Valente para animar a malta com as previsões hiper-óptimistas a que nos habituou para 2008, népias, vai passar o reveillon a repor whiskys na Makro de Alfragide, às duas por três ainda nos impingiam com o The Famous Grouse Vadio, a nossa história até já vem no jornal, ao fim ao cabo isto é só paleio por que não temos nada para lhe oferecer, como de costume aliás, quem sabe umas filhozes mal-amanhadas, torresmos gourmet à la garder, rabanadas de vento é fadado como'ó destino, meia-dúzia de passitas vá que não vá, (também temos sultanas e corintos), mas meu amigo para além da nossa grácil miséria temos só o sonho e uma contagem decrescente pela frente!

Vamos festejar enquanto é tempo, é que pelo andar da carruagem para o ano…Bah! Let's Dance!! Champagne (parece que no "Lidle"…) para todos!*


*mas é facultativo…

E já uma vez avisámos se isto por acaso lhe cheirar mal é da exclusiva responsabilidade do Gato Fedorento!


Entre a Loucura e a Depressão
Passagem de ano 2007/2008

5 euros (estes gajos estão loucos ou deprimidos?)

As reservas devem ser feitas
na livraria do Gato Vadio,
Rua do Rosário 281, Porto.


Festival da passagem de ano em Coimbra (28, 29, 30 e 31 de Dez) com workshops, bailes, festas e concertos





Toda a informação - aqui

Começa a chegar a chuva, o calendário a ficar sem folhas [electrónicas], os centros comerciais parecem hinos à parolice, o frio ataca e uma qualquer cidade tem a árvore de natal não sei o quê mais que todas as outras. Não há dúvida, está prestes a chegar mais um festival para celebrar o novo ano.

Desta vez no acolhedor Centro Norton de Matos, em Coimbra, que aceitou o desafio do Peixe com Botas [vulgo Rodobalho e Tradballs].


Vamos construir 3 dias [ou mais] de baile, aprendizagem, partilha, sensualidade, muita música e sorriso de lés-a-lés.

Passem palavra. Participem.
Dêm ideias . Acima de tudo, sejam felizes.


Os primeiros detalhes:
Bailes
Projecção de videos
Contador de histórias

Workshops dança:
Portuguesas, Irlandesas, Bourrees, Expressão dramática, Mazurka, Tango...

Workshops Instrumentos:
Sanfona, Gaita de Foles, Concertina, Cavaquinho, Percussão


Haverá um local para "acampamento seco", com acesso a chuveiros.

27.12.07

Coisas que me irritam...

Coisas que me irritam...

O Salário de Vítor Constâncio (como presidente do Banco de Portugal, e cujo vencimento é até superior ao do presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos) e a sua grande lata quando pede "contenção salarial"

O pretexto sempre invocado da falta de produtividade dos trabalhadores para explicar a incompetência dos gestores e a ineptidão das elites lusas

A esperteza saloia de Sócrates em vangloriar-se com um título e uma formação académica que nunca teve


A impunidade dos ricos em Portugal e a imunidade que gozam as grandes fortunas, apesar dos meios fraudulentos usados para as aumentar

O despudor e a inépcia dos sucessivos governos da direita conservadora

A resolução do problema do défice orçamental à custa dos direitos e da dignidade dos mais carenciados

A eleição para Presidente da República do principal responsável ( Cavaco Silva) pelo défice orçamental das contas públicas do Estado português

A promoção de um criminoso de guerra (Durão Baroso), e cúmplice da invasão norte-americana de um país soberano como era o Iraque, para Presidente da Comissão Europeia !!!

A futebolização do país

O amorfismo da juventude em geral, mas em especial dos estudantes

O poder oculto da Igreja, a obsessão sacrílega pelas aparições de Fátima e o elitismo serôdio da Universidade Católica

O poder tentacular do maior merceeiro português ( Belmiro de Azevedo e a fábrica de fazer dinheiro com o comércio retalhista do seu hipermercado)

O provincianismo cultural

A inércia, o fatalismo e a passividade geral do povo português

O Processo de Adultério de Camilo Castelo Branco - por António Rebordão Navarro


Conferências do Passeio Alegre

Estas conferências - que dão origem aos cadernos do mesmo nome - são intervenções, lidas ou não, diversas no tema e na maneira, em que assunto, ou orador, ou público, ou sítio da sessão, têm um fio de ligação, ainda que ténue, com a bela e milenar terra da Foz do Douro.

Repor a antiga e nobre tradição portuense de levar as elites intelectuais e sociais a falar aos cidadãos agrupados em torno das colectividades locais ou em lugares públicos é um dos objectivos destas conferências e, por extensão, dos cadernos.


Juro que sou Sou Suspeito - O Processo de Adultério de Camilo Castelo Branco

por

António Rebordão Navarro

o conferencista será apresentado pelo poeta Albano Martins

28 de Dezembro de 2007, sexta-feira, às 18,30,

no Restaurante Gilreu, Rua de S. Bartolomeu
(entre a Rua da Senhora da Luz e a Rua Coronel Raul Peres – Estrada Nova), 20, Foz

Pode reservar jantar a seguir à conferência pelo n° tel. 226 186 290


informação obtida junto do blogue:
http://culturanoporto.canalblog.com/

Mostra documental sobre Augusto Abelaira ( escritor, 1926-2003) na Biblioteca Nacional



MOSTRA DOCUMENTAL

de 29 de Novembro de 2007 a 9 de Fevereiro de 2008

na Biblioteca Nacional - Sala de Referência Entrada Livre

Augusto Abelaira 1926 – 2003

Esta mostra visa dar a conhecer o espólio de Augusto Abelaira (1926-2003), doado à BNP em 2004, reconstituindo, a partir dos materiais existentes no acervo, o seu percurso pessoal e literário. O espólio inclui fundamentalmente manuscritos do autor, correspondência recebida e documentos biográficos. A viagem através dos papéis do autor de A Cidade das Flores – romance marcante da década de 60 –, permitirá entrar nos bastidores da construção da sua obra literária (ficção e teatro), conhecer o seu laboratório de escrita, assim como acompanhar o seu percurso enquanto jornalista e cronista.




Augusto Abelaira, nascido a 18 de Março de 1926, em Ançã (Cantanhede ), passou a sua infância entre os Açores e o Porto, fixando-se em Lisboa em 1943. Licenciou-se em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1953), depois de uma curta passagem pela Faculdade de Direito, apresentando uma tese, ainda inédita, sobre Garcia da Orta. Foi professor durante alguns anos, tendo-se dedicado posteriormente apenas à escrita, ou como jornalista ou como ficcionista e dramaturgo e mais esporadicamente como tradutor. Desempenhou alguns cargos, entre outros: director das revistas Seara Nova (1969-1973) e Vida Mundial (1974-1975), director adjunto de programas na RTP (1976) e presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-1979).

Cedo se iniciou na política e na escrita literária, como o atestam os materiais existentes no espólio, de que se dá conta nesta exposição: jornais infantis, poesias, contos, peças de teatro. Sabe-se que em criança também ensaiou argumentos para filmes.

A sua estreia literária data de 1947 com um pequeno ensaio «Sinceridade e falta de convicções na obra de Fernando Pessoa» (Mundo literário, nº 51, 25 Abr. 1947), embora em 1945 uma poesia sua (género que cedo abandonou) já tivesse aparecido na imprensa (Primeiro de Janeiro, 11 Jul. 1945).

Os seus primeiros romances, que datam dos anos 40, permanecem até hoje inéditos, tendo sido recusados pelas editoras da época: Lugar-geométrico, Beco sem saída e Os anos Inúteis. Recusado também pelas editoras, mas neste caso por razões políticas, A Cidade das Flores foi publicado em edição de autor (1959), tendo sido sucessivamente reeditado ao longo dos anos (a última em 2004). É de salientar que as primeiras edições sofreram significativas alterações, ou mesmo reescrita, como pode ser visto nos exemplares existentes no espólio. Romance que marcou toda uma geração, Florença, cidade onde se situa a narrativa, tornou-se uma «cidade abelairiana», como lhe chamam numerosos leitores e amigos que ao longo da vida lhe vão enviando notícias dessa «cidade das flores».

Como ficcionista publicou 11 obras, tendo o seu último romance (Nem só mas também) sido publicado postumamente. Foi distinguido com vários prémios literários: Boas intenções (1963) recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências; Sem texto entre ruínas o Prémio Cidade de Lisboa; Enseada amena (1966) o Prémio de Romance do IV Encontro da Imprensa Cultural e Outrora agora (1996) os seguintes prémios: Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB, Prémio da Crítica da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Prémio Municipal Eça de Queiroz, da C.M.L. e o Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção.

Como dramaturgo publicou três peças de teatro, uma delas – A palavra é de oiro (1961) – foi proibida de representação pela Comissão de Exame e Classificação dos Espectáculos.

Como jornalista foi colaborador da imprensa diária (Diário Popular, Diário de Lisboa) e de numerosas revistas (Almanaque; Gazeta Musical e de todas as Artes; Vértice; Seara Nova). Foi também cronista de O Jornal (1978-1992) e do JL ( 1981-1996), com as colunas intituladas, respectivamente, «Escrever na água» e «Ao pé das letras» .

A sua intervenção política data dos tempos da Faculdade (MUD Juvenil), tendo integrado os movimentos de oposição ao regime. Em 1965 foi preso por alguns dias juntamente com outros membros do júri que atribui o Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Autores a Luandino Vieira, na altura preso no Tarrafal.
Os cafés são locais privilegiados em Abelaira, locais de convívio e locais de escrita. Fez parte das tertúlias dos cafés «Bocage», «Chiado», «Monte Carlo», entre outros, e mais tarde da «Nobreza» (a figura de Carlos de Oliveira sempre presente mesmo quando já ausente) e da «Cister». Outros cafés (como o «Caleidoscópio» nos últimos tempos) estavam particularmente vocacionados para a escrita («a primeira fase consiste em escrever, escrever para a frente»), porque as fases seguintes, de reescrita e montagem, têm de ser em casa («seria preciso andar com uma mala e espalhar muitos papéis»), mas o café é também local de observação: estou a observá-la, embora não com os olhos, mas com uma esferográfica, uma esferográfica azul, cilíndrica, macia, a observá-la e a procurar adivinhar quem ela é (ela, mulher subitamente desconhecida, letra a letra se esclarecendo enquanto estas páginas se escurecem). (Bolor, Bertrand, 1968, p. 14)

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Horário de visita à exposição: 2ª a 6ª-feira – 10H00 às 19H00
Sábado – 10H00 – 17H00
Encerra domingos e feriados


Mais informações
através do endereço rel_publicas@bn.pt

ou dos tels.:
21 798 2124 / 21 798 2428
http://www.bn.pt/agenda/evento-abelaira.html


Manifesto do Partido Surrealista Situacionista Libertário de apoio à candidatura de António Pedro Ribeiro à Câmara do Porto

MANIFESTO DO PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO PELA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À CÂMARA DO PORTO


O poeta mijou na àrvore de Natal do Rio
o poeta plantou uma árvore mais alta da Europa
em todas as esquinas da cidade do Rio
o Rio prostitui-se na esquina

O Rio e o La Féria ocuparam o Rivoli
o poeta vomitou, em fúria,
as peças do La Féria
O Rio engoliu o vomitado
e masturbou-se no túnel
o poeta mijou no Rio
o Pai Natal e as renas
enrabaram o La Féria
As renas voaram com o poeta
o Pai Natal comeu o BCP
o PCP mantém-se marxista-leninista

O espírito do Natal mantém-nos juntos
o espírito do Natal está nos bancos
o Rio é o Pai Natal
a àrvore mais alta da Europa
é patrocinada pelo BCP
o poeta mija na árvore, na Europa e no BCP
o PCP mantém-se marxista-leninista
o poeta mantém-se surrealista
o Rio faz uma pirueta
e cai ao rio Douro
o La Féria enforca-se
na árvore mais alta da Europa
O PSSL ocupa a Câmara.

Porto, 24. Dez.2007


António Pedro Ribeiro e o Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL) apresentaram o manifesto e a candidatura à Câmara Municipal do Porto na passada quarta-feira, dia 26 de Dezembro, pelas 23,30 horas no Bar Púcaros no Porto (à Alfândega).

António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro acaba de lançar o livro "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora) e tem publicados "Saloon" (Edições Mortas, Março 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro. Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004) e "À Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001).

Nasceu no Porto em Maio de 1968, tendo sido pré-candidato à Presidência da República em 2005.
Foi acusado de derrubar a estátua do Major Mota na Póvoa de Varzim em 2003 por motivos políticos e há 20 anos que diz regularmente poesia.

É vocalista das bandas Mana Calórica (
www.myspace.com.manacalorica ) e Las Tequillas e é sociólogo.

Disse poesia ao lado de Adolfo Luxúria Canibal no Festival de Paredes de Coura de 2006.

O PSSL está em vias de legalização.


http://partido-surrealista.blogspot.com









Manifesto anti-Rio

por Eduardo Faria
retirado de
O quotidiano da miséria




O Rio, não é rio!......
O Rio, é um esgoto a céu aberto!
O Rio na cabeça tem um deserto!
O Rio não é um burocrata!......
O Rio é um burro que farta!
O Rio bem podia ter ido desaguar ao raio que o parta!
O Rio é uma vergonha de presidente!
O Rio é um indigente!
O Rio é completamente demente!......
E quem deixa a sua cidade se representar pelo Rio, não é filho de boa gente!
O Rio tem de se tratar!
O Rio não se trata num centro hospitalar!...
... O Rio trata-se numa, (muito boa), ETAR!
O Rio polui tudo por onde passa!
O Rio matou a praça!...
... O Rio é a verdadeira desgraça!
O Rio cheira mal!O Rio é animal!
O Rio é irracional!...
... E uma cidade conduzida por tal, Rio, será certamente, (e muito em breve), a vergonha de Portugal!
O Rio odeia o criativo!
O Rio é radioactivo!
O Rio não passa de um espermatozóide que encontrou um furo no preservativo!
O Rio é um asno que ri!
O Rio faz xixi por um pipi!
O Rio quer nos matar o Rivoli!
O Rio está armado em ditador!
O Rio não é um ponto negro, é um tumor!
O Rio é um estupor!
O Rio é um insecto!
O Rio é abjecto!
O Rio é um dejecto!
Se estais com pena do Rio, eu digo-vos... não estejais!
Porque o Rio é tudo isto e muito mais!
O Rio usa a clausula para tentar calar!
O Rio é horrível de se cheirar!...
... O Rio é igual ao resultado de defecar!
O Rio diz-se Dão!...
... Mas o Rio é Nabão!...
... Porque o Rio é Cabrão!
O Rio no intimo usa purpurina!
O Rio senta-se quando urina!
O Rio é pior de que o Katrina!...
... Uma cidade com um Rio destes a governar transforma-se numa latrina!
O Rio é um primata!
O Rio é um pirata!...
... O Rio faz mal à saúde e mata!
O Rio é um inculto!
O Rio é um insulto!...
... Por isso o Rio não merece o indulto!
O Rio é oleoso!
O Rio é piolhoso!
O Rio é mentiroso!...
... E se o povo voltar a eleger o Rio será para sempre um povo piroso!
O Rio gosta de corridas na Boavista!
O Rio não usava selim se fosse ciclista!
O Rio é um grande fascista!
O Rio é um reaccionário!
O Rio é um salafrário!
O Rio é um caudilho retardatário!
O Rio quer impor uma ditadura!
O Rio é contra a cultura!
O Rio é o fluxo que nos sai do corpo quando estamos de soltura!
O Rio é ruminante e só come aveia!
O Rio não tem massa cinzenta, tem areia!
O Rio não nasceu de um parto, nasceu de uma diarreia!
O Rio não merece PAM nem PIM!...
...O Rio só merece PUM!
E se um dia o Rio que é Rui vos quiser chatear,
Só tendes uma solução!... Usai da diplomacia e mandai-o fazer-se montar!

26.12.07

Acerca da pseudo-democracia em que vivemos

Antigamente, e não há muito tempo, o conceito de democracia era vilipendiado e objecto das mais variadas sátiras pelos agentes do poder e pelos fazedores de opinião ( para eles não havia nada de mais caricatural que o poder da populaça, de uma múltidão de brutos e analfabetos como era visto o povo)

Hoje, a democracia só venceu na ordem discursiva dos media e na retórica diária dos agentes ao serviço do poder na medida em que o seu real significado e conteúdo ( = poder do povo) se foi esvaziando até se perder na realidade manipulada de umas eleições cozinhadas pela engenharia eleitoral e pelas campanhas de propaganda partidária



Evidências da falsa democracia em que vivemos:


O governo finge promover a estabilidade social, mas vive principalmente à custa do povo que vai sobrevivendo de crise em crise

O governo finge promover a educação, mas toda a sua força baseia-se na ignorância do povo;


O governo finge defender a liberdade constitutional, mas toda a sua política vai no sentido de constranger e delimitar a liberdade individual;

O governo finge melhorar a condição social do trabalhador, mas na realidade oprime-o para continuar a existir o domínio social de uma élite não-eleita sobre a maioria da população;

O governo elabora leis para para garantir a segurança mas a precariedade e a insegurança social não páram de crescer;

O governo elabora leis que dizem promover a educação mas isso não vai suprimir a ignorância nem a alienação, apenas as aumentam;

O governo elabora leis para garantir a liberdade constitucional, mas esconde o despotismo dos poderes ocultos que não são eleitos democraticamente ( o enorme poder dos grupos económico-financeiros e das grandes empresas multinacionais que são quem verdadeiramente governam o mundo);


O governo diz na sua vil propaganda, que aprova leis de protecção ao trabalhador, mas não o livra da dominação, e até acaba por bloquear e impedir alguma tantativa dos trabalhadores em sairem deste sistema de dominação social ( capitalismo) em que vivemos

Realizada a primeira acção do Clown Army (exército de palhaços) no Porto contra a árvore do Millenium





11 palhaços rebeldes veneraram a maior árvore de natal da Europa, com VIVAS ao consumo, ao desperdício, ao Millenium-bcp e ao rui rio!

Ver aqui o video-reportagem:
http://youtube.com/watch?v=jmkbYhFGL1k






No dia 23 de Dezembro a secção do Porto do universal exercito de palhaços decidiu adorar a arvore do millenium BCP, a maior árvore da europa, plantada na avenida dos aliados da cidade do Porto.
A grandeza do rídiculo daquela árvore deixou os palhaços estupefactos e de forma espontânea bradaram do fundo dos pulmões: Viva o desperdício, viva o Rui Rio, Viva o aquecimento global, viva o Millenium BCP.

Utilizando tácticas altamente avançadas, o muy nobre corpo expedicionário do CIRCA-PORTUGAL realizou durante a tarde do dia 23 do mês presente, a primeira de muitas acções de forma a reclamar uma série de objectivos ... ( falta texto ) ….
Toda a acção correu muito bem e foram cumpridos todos os objectivos acima assinalados.

Chegaram,
viram
e adoraram a árvore do Millenium BCP!
Gritaram muito alto em prol do desperdício e dançaram em honra do aquecimento global, agradecendo ao Rui Rio por tão nobre e grande esforço (construir a maior árvore da europa... e talvez do mundo).




Foi entretanto distribuído o seguinte texto:

Amar a árvore com todo o fervor.
Dar vivas ao aquecimento global.
Agradecer pela dívida.
Premiar o desperdício.
Incentivar as câmaras de vigilância.
Louvar Rui Rio.
Festejar e fazer rir.
Alterar o panorama chato de chatos protestos que chateiam as pessoas.

Divertirmo-nos. (este já está no papo)

CIRCA-PT


Dados recolhidos sobre a árvore do millenium que se encontra plantada na Avenida dos Aliados na cidade do Porto com a cumplicidade e o beneplácito de Rui Rio, querido líder da câmara da cidade, permitem-nos afirmar o seguinte:
a estrutura montada que pomposamente ( mas incorrectamente) dá pelo nome de árvore tem 180 toneladas de ferro, nas quais se devem incorpor 26 toneladas de CO2 eq. que foram emitidas aquando da sua produção. A isto se acrescem 132 toneladas de CO2 das emissões do gerador associadas a um consumo de cerca de 50 mil litros de gasóleo e à produção de 464100 kWh de energia eléctrica para a iluminação da árvore - o correspondente ao consumo de aproximadamente 170 lares com um agregado de 3 pessoas num ano.
Ou seja, um total das emissões - 158 toneladas de CO2 equivalente - que irá consequentemente contribuir para o aumento das emissões do nosso país e, como tal, engordar a factura que teremos que pagar pelo nosso incumprimento do protocolo de Quioto que o Estado português se comprometeu a respeitar !!!

Fuja do circo. Junte-se ao CIRCA (clandestine insurgent Rebel Clown Army)


Roll up, roll up - Ladies and gentlemen, meninas e meninos, amigos e amigas: bem vindos ao único, ao inesperado, ao paradoxal, ao grotescamente belo, ao novo e inútil mundo do Clandestine Insurgent Rebel Clown Army (Exército Insurgente Clandestino de Palhaços Rebeldes).


Somos clandestinos porque recusarmos o espectáculo e porque somos qualquer pessoa.
Porque sem nomes reais, rostos e narizes, mostramos que as nossas palavras, sonhos e desejos são mais importantes do que nossas biografias.
Porque nós recusamos a sociedade da vigilância e do controle: que observa, controla, espia, regista e acompanha cada um de nossos movimentos.
Porque ao esconder as nossas identidades nós recuperamos o poder dos nossos actos.
Porque mascarados nós resistimos de uma forma engraçada e tornamo-nos
visíveis.

Somos insurgentes por termos surgido do nada e estarmos em todos os lugares.
Porque as ideias podem ser ignoradas mas não censuradas, e uma insurreição da imaginação é irresistível.
Porque sempre que caírmos, nós nos levantaremos de novo, de novo e de novo, sabendo que nada se perde historicamente, nada é finito. Porque a história se projecta em linha recta, mas surge como a água: às vezes escorrendo em espiral, às vezes pingando, fluindo ou inundando tudo - sempre irreconhecível, inesperada, incerta.
Porque a chave da insurreicção é o improviso, e não meras reproduções baratas.

Somos rebeldes por amarmos mais a vida e a felicidade do que a 'revolução'.
Porque nenhuma revolução se completa e as rebeliões são eternas. Porque não queremos mudar 'o' mundo mas sim os 'nossos' mundos. Porque sempre iremos desertar e desobedecer àqueles que abusam e acumulam poder.
Porque os rebeldes transformam tudo: como vivem, criam, comem, riem, brincam, aprendem, trocam, ouvem, pensam e acima de tudo a forma como se rebelam.

Somos palhaços, porque, afinal o que mais poderíamos ser neste mundo estúpido?
Dentro de cada um de nós há um palhaço tentando revoltar-se. Porque nada afeta mais as autoridades do que ridicularizá-las.
Porque os idiotas são temíveis e inocentes, espertos e estúpidos, entertainers e dissidentes, curandeiros e subversivos.
Porque um palhaço sobrevive a tudo e sempre se sai bem.


Somos um exército por vivermos num planeta em permanente guerra - a guerra do dinheiro contra a vida, o lucro contra a dignidade, o progresso contra o futuro.
Porque uma guerra que se alimenta de sangue & morte e caga dinheiro & toxinas merece um corpo obsceno de soldados contestadores.
Porque apenas um exército pode declarar uma guerra absurda contra uma guerra absurda.
Porque o combate requer solidariedade, disciplina e comprometimento.
Porque palhaços sozinhos são figuras patéticas, porém em grupos, brigadas ou batalhões são extremamente perigosos.
Somos um exército por sermos putos: onde as bombas falharem nós vamos rir e ridicularizá-las.
E as nossas risadas precisam de eco.


Somos CIRCA por sermos próximos e ambivalentes, por estarmos no mais poderoso lugar: entre a ordem e o caos.


FUJA DO CIRCO
JUNTE-SE AO CIRCA




Para mais informação consultar aqui, e o website da Clow Army:

http://www.clownarmy.org/

24.12.07

Eu tenho um sonho...


O Genocídio perpetrado no Iraque pelo exército dos Estados Unidos da América, e que não pára de aumentar desde a invasão daquele país soberano em 2003, é já muito maior que o genocídio no Rwanda em 1994 ( 880.000 mortes).
Segundo fontes fidedignas o número de vítimas de iraquianos já ultrapassa o 1 milhão e 100 mil mortos, sem contar os 500 mil mortos da primeira guerra do Golfo.
A isto haverá a acrescentar os feridos, os presos, os torturados, os refugiados, e todo o sofrimento provocado pelas decisões de dois criminosos de guerra. Bush e Cheney ( presidente e vice-presidente dos Estados Unidos da América).
Não esquecer ainda os cúmplices: Durão Barroso. Aznar e Tony Blair ( o quarteto genocida dos Açores), e todos quantos colaboraram de perto ou de longe neste crime contra a Humanidade…

23.12.07

Palavras (Paroles), de Jacques Prévert, poeta anarquista - livro traduzido finalmente para português


"Embauché malgré moi dans l’usine à idées
J’ai refusé de pointer
Mobilisé de même dans l’armóc des idées
J’ai déserté"
J.Prévert

Empregado contra a vontade na fábrica de ideias
Recusei-me a marcar o ponto
Mobilizado mesmo assim para o exército das ideias
Eu desertei



«Notre Père qui etes aux cieux,... Restez y !
et nous,
nous resterons sur cette terre
qui est parfois si jolie. »
J. Prévert


Pai nosso que estais no céu…Ficai por lá!
Que nós,
Nós continuaremos na terra
Que por vezes é tão bonita.


Jacques Prévert, poeta francês (n. Neuilly-sur-Seine, 1900 - m. Ormonville-a-Petite, 1977), e um dos expoentes da literatura francesa, tem agora finalmente o seu livro Paroles traduzido para português nas edições Sextante com tradução de Manuela Torres

Poeta, surrealista, guionista, escritor de diálogos e de contos infantis, o seu talento desdobrou-se por múltiplos géneros e sempre com geral admiração. Foi um assumido e visceral poeta libertário, cultivador da liberdade e do espírito de revolta, a cujo humor corrosivo não escapava nenhum símbolo burguês, seja ele o clericalismo, o militarismo ou a moral hipócrita. ( um dos seus poemas mais corrosivos é "Tentative de description d'un dîner de tête à Paris-France”, de 1931.

A publicação do seu livro de poemas Paroles em 1946, constituiu um marco importante que mereceu o geral reconhecimento público, tendo então ingressado no colegio da patafísica, onde alcançou o grau de sátrapa em 1953.

Para além de representar a vida parisiense, as suas ruas e gentes, a cultura popular e boémia, a sua obra revela um empenhamento pelas causas sociais, pelo pacifismo e pela liberdade, identificando-se com o anarquismo e as ideias libertárias.

Jacques Prévert parece falar quando escreve. É um homem da rua e não da literatura de salões e de bibliotecas. Encontra a poesia por todo o lado que passa, ao virar da esquina ou nuns simples lábios.
A sua poética é des-respeituosa para com todos os conformismos e mostra-se delirante sobre as coisas simples da vida. São celebrações libertárias e improvisações de humor crítico e corrosivo.

Em 1930 rompeu com André Breton - representante máximo dos surrealistas - demasiado autoritario para o seu gosto, afastando-se igualmente do partido comunista onde nunca, de resto, chegou a militar, abraçando então assumidamente as ideias libertárias do anarquismo. Contra as pretensas virtudes o velho patriotismo, Prévert sempre se manifestou o seu declarado antimilitarismo e pacifismo que não admitia qualquer concessão.


Escreveu também vários guiões para cinema, em especial para o realizador Marcel Carné, entre as quais se encuentra Drôle de drame (1937), Le jour se lève (1939) e a mais famosa, Les enfants du paradis (1945).
Muitos dos seus poemas são cantados pelas figuras mais importantes da Chanson francesa e seleccionados para servir de lectura e estudo nas escolas de francês em todo o mundo.


Os seus poemas tratam geralmente do quotidiano de uma grande cidade como é Paris, dedicando-se a realizar contínuo jogos de palabras, e reinventando musicalmente a linguagem poética numa singular demonstração da sua capacidade imaginativa e inspiração poética.
Ligado ao surrealismo, mas mantendo a sua independencia e especificidade, a sua poesia está recheado de imagens e recursos literários que nos dão a ver uma naturaleza fluída e uma composição heteróclita de objectos e pessoas.

Nos seuscontos infantis, como O Pequemo Leão, Cartas desde as ilhas Baladar, Contos para crianças más, A pastora e outros ( já anteriormente traduzidos para português), Prévert mostra que sabe manejar com sensibilidade e maestria a rebeldia do eterno insubmisso que existe na criança e no jovem.




"Ni Dieu, ni Maître; Mieux d'Etre "
"Rêve + Evolution = Révolution "

Nem Deus, Nem Senhor; Melhor é Ser
Sonho + Evolução = Revolução





Filme sobre Jacques Prévert – realizado por Janine Marc Pezet, Alain Poulanges et Gilles Nadeau

Parte 1





Parte 2






Parte 3








Parte 4











Parte 5








Parte 6








Prévert no cinema








Um dos mais famosos textos de Prévert interpretado por Serge Reggiani










POESIA DE JACQES PRÉVERT




FAMILIALE

La mère fait du tricot
Le fils fait la guerre
Elle trouve ça tout naturel la mère
Et le père qu'est-ce qu'il fait le père?
Il fait des affaires
Sa femme fait du tricot
Son fils la guerre
Lui des affaires
Il trouve ça tout naturel le père
Et le fils et le fils
Qu'est-ce qu'il trouve le fils?
Il ne trouve rien absolument rien le fils
Le fils sa mère fait du tricot son père des
[ affaires lui la guerre
Quand il aura fini la guerre
Il fera des affaires avec son père
La guerre continue la mère continue elle
[ tricote
La père continue il fai des affaires
Le fils est tué il ne continue plus
La père et la mère vont au cimetière
Ils trouvent ça naturel le père et la mère
La vie continue la vie avec le tricot la guerre
[ des affaires
Les affaires la guerre le tricot la guerre
Les affaires les affaires et les affaires
La vie avec le cimitière.



FAMILIAR

Tradução: Silviano Santiago

A mãe faz tricô
O filho vai à guerra
Tudo muito natural acha a mãe
E o pai que faz o pai?
Negocia
A mulher faz tricô
O filho luta na guerra
Ele negocia
Tudo muito natural acha o pai
E o filho e o filho
o quê que o filho acha?
Nada absolutamente nada acha o filho
O filho sua mãe faz tricô seu pai negocia ele
[ luta na guerra
Quando tiver terminado a guerra
Negociará com o pai
A guerra continua a mãe continua ela tricota
O pai continua ele negocia
O filho foi morto ele não continua mais
O pai e a mãe vão ao cemitério
Tudo muito natural acham o pai e a mãe
A vida continua a vida com o tricô a guerra
[ os negócios
Os negócios a guerra o tricô a guerra
Os negócios os negócios e os negócios
A vida com o cemitério.


JE SUIS COMME JE SUIS

Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j'ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J'aime celui qui m'aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n'est pas le même
Que j'aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi

Je suis faite pour plaire
Et n'y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu'est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais
Qu'est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m'est arrivé
Oui j'ai aimé quelqu'un
Oui quelqu'un m'a aimée
Comme les enfants qui s'aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer...
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n'y puis rien changer.








CET AMOUR

Cet amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blêmir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l'avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C'est le tien
C'est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelles
Et qui n'a pas changé
Aussi vraie qu'une plante
Aussi tremblante qu'un oiseau
Aussi chaude aussi vivante que l'été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi j'écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s'aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Là où tu es
Là où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t'en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t'avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n'avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n'importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d'un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.






POUR TOI MON AMOUR

Je suis allé au marché aux oiseaux
Et j'ai acheté des oiseaux
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché aux fleurs
Et j'ai acheté des fleurs
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché à la ferraille
Et j'ai acheté des chaînes
De lourdes chaînes
Pour toi
mon amour
Et puis je suis allé au marché aux esclaves
Et je t'ai cherchée
Mais je ne t'ai pas trouvée










Texto retirado de:
http://ruibebiano.net/zonanon/non/abc/prevert.html


"De fora", como se dizia dos irredutíveis da anarquia, Jacques Prévert insurgiu-se sempre contra a Ordem – fosse ela moral, social, religiosa ou militar – com uma certa violência mas ao seu estilo, alternando alfinetadas com patas de veludo, vestindo-se como um dandi mas usando boina de operário. Nascido em 1900, Prévert inicia-se em Montparnasse, nos anos vinte, através de facécia e de invenções verbais, em conjunto com um grupo de amigos, mais próximos de Dada do que do surrealismo, que costumavam acampar na Rue du Château: Yves Tanguy, Marcel Duhamel, Benjamin Péret. Em seguida, entre provocações-escândalos e trabalhos de encenação, confirmará a eficácia dos seus gags produzindo sketches para Octobre, um grupo de agit-prop mais esquerdista do que comunista, ainda que o seu encenador, Louis Bonin, se tenha rebaptizado, exibindo um certo "chique" soviético, como Lou Tchimoukov. A propósito de uma possível ligação, Jacques recusar-se-á: «Aderir?.. Mas iam logo meter-me numa célula!». La Bataille de Fontenoy, Suivez le druide e outros escritos incendiários constituem nesta altura enormes sucessos.


O grupo Octobre auto-dissolver-se-á em 1936, depois de achar que a Frente Popular era demasiado consensual, mas manter-se-á para sempre a amizade entre os seus membros: J. B. Brunius, Yves Allégret, Raymond Bussières, Yves Deniaud, que Prévert jamais esquecerá na formação dos seus castings.
Ei-lo agora, com Drôle de drame, mais do que um cenófrogo-dialoguista: será ele o verdadeiro autor de filmes que irão rodar Renoir (Le Crime de M. Lange, um testamento do grupo Octobre), Grémillon (Remorques, Lumière d'été), o seu irmão Pierre Prévert (L’affaire est dans le sac, Adieu Léonard, Voyage surprise), Christian Jaque (Les Disparus de Saint-Agil, Sortilèges), Carne por fim, com o qual assinará algumas das obras-primas do realismo poético francês: Jenny, Drôle de drame, Le Quai dês brumes, Le jour se leve, Les Visiteurs du soir, Les Enfants du paradis, Les Portes de la nuit.
E a escrita? Prévert não se considerava um homem de letras, mas Un peu de ténue, Souvenirs de famílle ou Le Diner de têtes apareceram regularmente em revistas desde 1929. Em 1936, regressado (com o grupo Octobre) com um grande desencantamento de Moscovo, irá até às Baleares com a mulher amada. Aí escreverá Lumières d'homme, poemas cheios de implícitos sentidos («Toujours três près des camarades/Mais si loin tout de même si loin.»), num livro dado a um impressor e editor, que não os publicará senão em... 1955!
Todavia, desde antes da guerra que alguns dos seus poemas circulavam já por albergues da juventude. Será em 1946 que René Bertelé reunirá Paroles, cujo enorme sucesso editorial não terá precedentes senão no Livro dos Cantos, de Heine, nos tempos idos do romantismo alemão. «Notre Père qui Êtes aux cieux/Restez-y»: é difícil imaginar hoje o significado, naquela época, desta nova Libertação! Seguir-se-ão Spectacle, La Pluie et le Beau Temps, Histoires, Fatras, Choses et autres. Uma obra complexa e erudita, mesmo quando ela parece superficial ao brincar, como brincava, com as palavras. Uma obra de reivindicação, mas também de um profundo lirismo, de pudor mais do que de fracasso, inscrevendo-se naquela estreita linha da poesia francesa que, de Villon a Hugo, se consegue dirigir a todos e a cada um.
Poesia viva ainda devido às canções musicadas por Bessières, Crolla, e sobretudo Kosma, que soube encontrar melodias simplesmente memoráveis para Agnès Capri ou Yves Montand; devido às suas variações em homenagem às pinturas de Miró, Chagall, Ernst, Braque, e Picasso, seu amigo; devido aos reflexos do seu próprio imaginário que se encontram representados em fotografias de Brassaï, Izis, Villers, Doisneau; devido aos inúmeros recortes, colagens e colorações da sua lavra.
«Quando ele escreve, é como se falasse.», dizia Ribemont-Dessaignes antes ainda de 1930. Claro que sim, mas olhada mais de perto, a sua frase, longamente experimentada no decorrer de inesgotáveis monólogos, aparece como busca paciente de uma apenas aparente simplicidade, de uma perfeição minimal. Nada pois de automático, de improvisado: Prévert polia e voltava a polir. Quanto aos «temas», às escolhas se quisermos, elas foram aquelas do repertório eterno dos poetas: o amor pela vida, a fraqueza do homem, a nobreza da fraternidade, o amor do amor.
A criação e a vida: poesia de imagens, de palavras, de sons, de cores. De amor e de revolta. Um rendez-vous previsto com o século seguinte, com este terceiro milénio, quando forem esquecidos de vez os nomes dos académicos e dos eminentes "protectores das artes", ao mesmo tempo que continuarão a sua ronda os estranhos personagens de JP.

22.12.07

Solstício de Inverno



Em Astronomia, o Solstício de Inverno é o momento em que a Terra está naquele ponto da sua órbita onde um dos pólos da Terra está mais afastado do Sol . Ocorre, no hemisfério norte, em 21 de Dezembro ou em 22 de Dezembro e no hemisfério sul em 21 de Junho ou em 22 de Junho.

O solstício de Inverno é o primeiro dia de Inverno. No calendário chinês, por exemplo, o solstício de Inverno chama-se dong zhi (chegada do Inverno) e é considerado uma data de importância extrema, visto ser aí festejada a passagem de ano. É também nesta data que se celebra o Sabbat Neopagão Yule.


A celebração pagã do Soltício do Inverno é considerada a mais antiga celebração do mundo.


Pagan Tradition stonehenge winter solstice





Há milhares de anos a humanidade festeja o nascimento do sol como sendo o acontecimento mais importante da Terra.

O chamado Solsticio de Inverno acontece anualmente no periodo que varia de 17 a 25 de dezembro, dependendo do ciclo solar de cada ano.

A comemoraçao do solsticio de inverno foi totalmente modificada e readaptada pelo Imperio Romano e as geraçoes subsequentes e esse Imperio. Foi em Roma que o solsticio passou a ser conhecido como sendo a data fixa do nascimento do filho de Deus, salvador da humanidade, e nao mais do So. Foi no ano de 336 de nossa era, que o Imperador Romano Constantino I, aproveitando os festejos do solsticio da luz, anunciou para os povos do imperio a nova religiao de Roma e contou a historia de seu salvador.Essa religiao tomou como base para a sua formaçao, muitas das valiosas e preciosas informaçoes mais antigas. O nascimento do filhode Deus na Terra na mesma data do nascimento do sol, foi uma dessas adaptaçoes feitas para a nossa era. Roma simplemente usou uma data que já existia como festejo tradicional dos povos e criou um novo motivo para as pessoas continuarem comemorando.
Desde que Roma modificou os motivos dos festejos, o solsticio perdeu o seu significado

O solsticio de inverno era uma data comemorada por todos os povos de todas as religioes pois se tratava do nascimento do novo ciclo do sol sob a Terra. Essas informaçoes do solsticio ainda estão registradas nas paredes dos monumentos egípcios e nos registros indianos. O solsticio tambem estava registado em muitos livros que foram destruidos e queimados pelo Imperio Romano.


É sabido tambem, que aquele que chamam de Jesus Cristo (seu verdadeiro nome de fato nao importa), nao nasceu em 25 de dezembro como dizem os "boatos"... Nem na propria biblia existe a data correcta deste suposto nascimento. Segundo a biblia, esse ser sem registros nasceu em algum momento entre agosto e setembro, no ano de 7 Antes de Cristo (antes dele mesmo)... Ou algo parecido...
Foi através da formaçao do que ficou registrado em Roma como o concilio de Niceia, concilio formado por 800 dos mais sabios ministros de Roma, que Roma mudou toda a historia da humanidade. Esse concilio foi criado pelo imperio Romano no ano de 336 com o intuito de criar uma religiao oficial para o imperio. Roma elaborou nao somente um novo calendário para o mundo, como tambem mudou o rumo da humanidade, atirando as pessoas no que nos chamamos de era da escuridao. Foi a partir do controvertido livro religioso criado pelo concilio de Niceia, que perdemos completamente a consciencia de quem de fato somos. Essas confusoes foram e sao motivo de muitas guerras que ainda acontecem no mundo. Actualmente sao mais de 2500 diferentes religioes que interpretam a biblia de formas contràrias a Roma.
A biblia demorou 4 anos para ser escrita e elaborada e nela estao reunidas muitas informações, porem essas mensagens e códigos estao misturados com informaçoes manipuladas pelas instâncias dominantes.

Esta data do solsticio é reconhecida como o dia em que o sol atinge o seu grau minimo de luminosidade na Terra. Por esse motivo, os magistas e filosofos chamam esse dia de dia do renascimento da luz... Depois do dia 21 de dezembro, o sol renasce e recomeça o seu ciclo em torno do planeta.

Os Egípcios festejavam o solsticio com rituais de magia que envolviam os cultivos de sementes e as fecundaçoes...
Os Indianos festejavam o solsticio transcendendo os corpos em rituais dimensionais magicos...
Os Mayas elaboraram um perfeito calendario usando o solsticio como o inicio do ciclo do sol e da lua na Terra... Nos periodos de 21 de dezembro e 21 de junho, a radiaçao do sol na Terra atinge o seu momento maximo e os Mayas projetaram esses ciclos num calendario que vai até o dia 21 de dezembro de 2012.


E se voltassemos a comemorar o solsticio da luz como era comemorado no nosso esquecido passado?

Alegria, danças, frutas, flores, amigos, amores... Da luz do sol a luz da lua, assim se comemorava o nascimento da vida.

A partir deste ano, nao festejarei mais o convencional natal. Essa é mais uma algema que me liberto nesta vida!
Comemoro sim, o renascimento da vida em todos os dias.
Sem religioes, sem rituais, sem regras e sem condiçoes sociais, no dia 21 de dezembro vamos festejar novamente o renascimento do sol e saldar incondicionalmente esse novo ciclo da luz que se inicia na Terra.

Um orgasmo pela paz mundial para hoje (primeiro dia do Inverno)


Pelo segundo ano consecutivo a Global Consciousness Project marcou para hoje, o primeiro dia do Inverno, um Orgasmo simultâneo em todo o mundo em prol da paz. Esta singular forma de manifestação sexual está marcada para as 6h.08 da manhã, hora de Lisboa. Recomenda-se que nos países que possuam armas de destruição maciça os aderentes se preparem com mais cuidado e durante mais tempo.


À frente da ideia está o casal Donna Sheehan e Paul Reffel que são dois eco-pacifistas e antigos hippies que se inspiraram no projecto da consciência global, um programa da Universidade de Princeton, que pretende medir o efeito que pode ter o pensamento humano no devir dos acontecimentos. O casal promotor da iniciativa tem a esperança de que o enorme influxo da energía física, mental e espiritual tenha efeitos positivos profundos que modifiquem o estado de violência do mundo. Segundo eles, a injecção dessa força no campo energético da Terra contribuirá para essa mudança positiva.

Consultar:
http://global-o.org/
http://globalo.blogspot.com/



3 Reasons ... for Global Orgasm

Peace
Orgasm and the sense of well-being it brings - how would the planet be if it felt that good? Could that be one definition of Peace? Practice visualizing the planet experiencing the afterglow of your Big Oh and ignoring the Govern-Men as they try to drum up support for their next invasion. As global population expands, we will all feel the pressures that They will manipulate to justify violent takeover of resources.

Use less, have fewer babies, live more simply and think outside the box that They would lock you in. Nations are made up of people like you and us, and we allow people like Them to act as if they run everything, just to keep Them out of our neighborhoods. It is an act and it can only become real if we allow it to. Visualize a world in which public servants serve the public.


Gender & Social Justice
Justice starts with compassionate understanding. Only when we can visualize ourselves in someone else’s place can we understand what drives them to behave the way they do. Empathy, compassion, love – these are the Feminine traits that all women and men are born with in varying ratios. When they are used in our interactions with others and with the other species, justice will prevail. Differences in gender, social status and race are not delineators of bad and good. We are all worthy of justice. To combine the energy of orgasm with a conscious empathy for all beings, human and otherwise, would be a powerful boost to the well-being of our planet and species. Visualize true partnership to heal the planet.


Global Warming
The planet needs a rest from all our other desires, so what better way to get us to take a rest from over-consumption than an orgasm? And if we can combine that energy with a resolution to be satisfied with less of everything (except orgasms, of course), perhaps the collective mindset will change. And since a major cause of global warming, peak oil, peak water, peak everything is overpopulation by humans, lets put in a collective request for fewer offspring. Every cute baby is another consumer. Let’s make children even more valued by making fewer of them, before the pressures of overpopulation drive our children to kill each other.


OBJECTIVOS DA INICIATIVA


WHO? All Men and Women, you and everyone you know.

WHERE? Everywhere in the world, but especially in countries with weapons of mass destruction and places where violence is used in place of mediation.

WHEN? Solstice Day - December 22, at 06:08 Universal Time (GMT)

WHY? To effect positive change in the energy field of the Earth through input of the largest possible instantaneous surge of human biological, mental and spiritual energy.

WHO? All Men and Women, you and everyone you know.

WHERE? Everywhere in the world, but especially in countries with weapons of mass destruction and places where violence is used in place of mediation.

WHEN? Solstice Day - December 22, at 06:08 Universal Time (GMT)

WHY? To effect positive change in the energy field of the Earth through input of the largest possible instantaneous surge of human biological, mental and spiritual energy.



Donna Sheehan e Paul Reffel

Natal dos Simples - por José Afonso







José Afonso - Ao Vivo no Coliseu

Natal dos Simples

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

José (Zeca) Afonso

21.12.07

Por uma nova forma de viver e de jogar: não aos brinquedos bélicos, sexistas e que promovam o egoísmo


Escolhe e dá preferência a brinquedos que não sejam bélicos, sexistas, nem promovam o egoísmo,…


...que sejam construtivos e que, acima de tudo, ensinem uma nova forma de viver, distinta da concorrência individualista própria do mercado capitalista



Dizemos não aos brinquedos bélicos
Porque por intermédio deles e com a compra de brinquedos que simulam armas estamos na prática a legitimar o uso de armas e da guerra na resolução de conflitos aos olhos dos nossos filhos e jovens. (há que argumente que assim estamos a contrariar a vontade da criança, ou que agindo dessa forma estaríamos a potenciar o seu desejo, mas cabe perguntar se ele quisesse jogar com fogo, acaso o permitíramos?)
Na realidade, é importante formar um sentimento de auto-estima e na base da qual ele poderá construir uma personalidade capaz de vencer a pressão exercida pelos seus amigos. Ensina-o por isso a pensar pela sua própria cabeça. Mostra-lhe que o objectivo dos empresários de brinquedos é aumentar o seu lucro, e não garantir o bem estar das pessoas.


Dizemos não aos brinquedos sexistas
Porque por intermédio deles estamos a fomentar a desigualdade de género. Não se trata de impor nada, mas simplesmente de superar a uma construção social ideologicamente direccionada que afirma que «isto é para rapazes» e «aquilo é para raparigas». Note-se que quando se chama rapariga a um rapaz que brinca às casinhas o efeito depreciativo desaparecerá se os modelos referenciais da criança (o pai, a mãe, o professor, …) realizam indistintamente as mesmas tarefas, contrariando os padrões convencionais que tendem a desvalorizar as actividades realizadas pelas mulheres. Com os brinquedos tais esquemas mentais poderão diluir-se ou reforçar-se.


Conselhos básicos ao comprar brinquedos:
- Brinquedos de paz e não deguerra
- Evitar os brinquedos que não sejam só para raparigas ou só para rapazes
-Brinquedos em demasia não são bons
-Brinquedos que possam também divertir os adultos
-Os jogos de computador devem ser usados com bom senso e não serem demasiados absorventes
-Fazer sempre que possível os nossos próprios brinquedos
- Os brinquedos não deverão reproduzir nem reforçar comportamentos sexistas, autoritários, agressivos, racistas e egoístas.
- Ensinar as crianças a partilhas os seus brinquedos



Ler outros textos já publicados neste blogue: aqui, aqui

Mais info:
http://www.elmonoazul.org

As melhores tascas do Porto por Raúl Simões Pinto

Sugestões retiradas do livro «As Tascas do Porto», de Raul Simões Pinto, editado recentemente pela Afrontamento, e que constitui um inventário fascinante das casas de pasto e tascas, e de muitas histórias e memórias, que ainda vão subsistindo na cidade do Porto.


Uma lista elaborada por Raúl Simões Pinto, autor do livro As Tascas do Porto, onde são inventariadas dezenas de tabernas, adegas, casas de pasto, tasquinhas, botequins e tascas que ainda existem na cidade do Porto e que esperam por todos nós para se manterem vivas e com elas algumas das características mais marcantes da cultura popular urbana.


As «minhas» 20 tascas antigas e tradicionais do Porto, para que conste, antes que fechem as portas (por Raúl Simões Pinto):


1) Adega de S. Martinho - R. D.João IV, 795

2) O Alfredo Portista - R. do Cativo, junto a Cimo da Vila)

3) O Escondidinho de Paranhos - R. de Costa e Almeida, 255 (junto à Arca d'Água)

4) O Presuntinho - R. de Sro Ildefonso

5) Filha da Mãe Preta - R. dos Canastreiros ( à Ribeira)

6)Casa das Iscas - Largo da Igreja de Paranhos

7) Adega da Piedade - Muro do Ouro ( na marginal do rio)

8) O Firmino - R. da Preciosa ( em Pereiró, Ramalde)

9 ) O João do Fado - R. Direita de Francos, 146, Ramalde

10) Adega O Cantinho - Campo Mártires da Pátria, 130

11) Casa Costa - R. de Trás, 224 (na Vitória)

12) O Manel do Abade - R. da Estação ( em Campanhã)

13) O Tone das Águas - R. da Arrábida, 153 ( no Aleixo)

14) O Leandro - R de Trás (perto dos Lóios)

15) O Radar - R. das Taipas, 17C (perto do tribunal de S.joão Novo)

16) O Túnel - R. de Serralves (junto ao Hotel Ipanema)

17)O Escondidinho do Monte Aventino - R. do Monte Aventino, 236 ( às Antas)

18) A Flor de S. Vítor - R. de S. Vítor ( no Bonfim)

19) A Floresta - R. de Afonso Martins do Alho, 115 ( antiga travessa das Flores)

20) A Badalhoca - R. do Dr. Alberto Macedo ( em Ramalde)

Solidariedade com o bispo Dom Cappio em greve de fome na defesa do Rio São Francisco e contra o transvase das águas


Poesia de cordel em solidariedade com o bispo Dom Cappio em greve de fome na defesa do Rio São Francisco e contra o transvase das águas como está previsto no projecto governamental em vias de execução



Entre as muitas balelas
Que fazem divulgação
Com promessas mentirosas
De fartura e redenção
A mais deslavada eu digo
Pode acreditar amigo
É a da transposição.

Dizem que nosso sertão
Só vai melhorar um dia
Se as águas do São Francisco
Aqui fizer moradia
Transportando o velho Chico
Fazendo o maior fuxico
Com um rio em agonia.

Eu acho uma ironia
Trazer um rio cansado
Do estado da Bahia
Pra ele ser desviado
Do seu leito, do seu canto
Quando precisa portanto
De ser revitalizado.

Mas é que foi inventado
Pelo Dom Pedro Segundo
Desde o tempo do império
Um governo moribundo
Que seria a salvação
Trazer água pra o sertão
Dum rio grande e profundo.

Mas, é preciso ir mais fundo
Na nossa realidade
Hoje é bem diferente
Seja no campo ou cidade
Do século dezessete
Onde não pintavam o sete
Nem havia liberdade.




Sem ser dono da verdade
Posso afirmar que o rio
Sendo transposto assim
Num constrangido desvio
Para outra região
Não será a solução
Para a fome e o fastio.

Porque se somente água
Fosse a solução real
Não existiria fome
Em bacia fluvial
Amazônia e Mato Grosso
Onde a água corre grosso
De forma descomunal.

Só água não basta não
Tem que ter seriedade
Gerenciar os recursos
Com ética e muita vontade
Com políticas sociais
Compromisso e ideais
E solidariedade.

Dizer que 12 milhões
De pessoas no Nordeste
Vão saciar sua sede
E ficar livres da peste
Com esta transposição
É conversa pra bobão
E não pra cabra que preste.

Peço até que me conteste
Mas, é conversa fiada
Dizer que a transposição
Vai trazer uma enxurrada
De bênçãos e matar a sede
De quem dorme numa rede
Isso é promessa de fada

Porque a nossa desgraça:
Fome, sede e coisa e tal.
Nunca foi por falta d’água
Ou recurso natural
Mas, é a concentração
De renda e a exploração
Do sistema social.



Porque a transposição
Tem o seu objetivo
Voltado ao agronegócio
O seu marco decisivo
Criador de camarão
De tilápia e de salmão
Tem água e mais incentivo.


No eixo do Ceará
O destino é consciente
Água para a siderúrgica
Para o Pecém água quente
As empreiteiras lucrando
Com as obras faturando
E nosso povo doente.

Então vem um cearense
Radicado em Pernambuco
Escrever contra o bispo
Com sentimento caduco
Num cordel intransigente
Agressivo e inconseqüente
Igual bala de trabuco.

Seu alan Sales devia
Pesquisar mais a história
E não cair na conversa
Tão insensata e simplória
Que a fome no sertão
É por falta d?água, irmão
Reze uma ?jaculatória.?

A fome, sede e miséria
No sertão já faz alarde
Desde o tempo do império
O couro do pobre arde
É pela concentração
De terra e a opressão
Do latifúndio covarde.

O bispo Dom Cappio é
Fervoroso Franciscano
Que defende a natureza
Sem consultar o Vaticano
Seu compromisso é com a vida
Das pessoas sem guarida
Que esperam em Deus soberano.


Pois se São Francisco fosse
Vivo não comungaria
Em desviar nosso rio
Ele não concordaria
Transportar o velho Chico
Fazendo esse fuxico
Com tanta selvageria.

O bispo Dom Cappio é
Um homem justo e humano
Sem ganância e em soberba
Confirma o povo baiano
Porém foi desrespeitado
E ridicularizado
Por um poeta mundano.

A greve do bispo é
Um protesto rigoroso
Contra o cruel latifúndio
Atrasado e asqueroso
Pela vida e a favor
Da justiça e do amor
Contra quem é poderoso.

Os que são contra o bispo
E sua manifestação
São também contra as lutas
De Canudos e Caldeirão
Do Beato Zé Lourenço
Conselheiro que sem lenço
Queria um outro sertão.

A atitude do bispo
É uma revolução
Como foi com o beato
Construindo o Caldeirão
E Conselheiro em Canudos
Sertanejos sem escudos
Resistindo à opressão.

Canudos e Caldeirão
Tinham tudo com fartura
Farinha, milho e feijão,
Leite, carne e rapadura
Tinham água à vontade
Mas, destruíram a cidade
De forma cruel e dura.



A luta do bispo clama
Por vida com dignidade
Para o povo do sertão
Seja do campo ou cidade
Sem fazer transposição
Mas, buscando solução
Com solidariedade.


Se o rio for transportado
Vai se sentir muito mal
Será grande a agressão
Pra natureza em geral
Alertamos a toda gente
Que será sem precedente
O impacto ambiental.


O bispo Dom Luiz Cappio
Tem comportamento ético
É humilde e humanista
Tem pensamento eclético
Porque defende os pobres
É um perigo para os nobres
Este seu gesto profético.


O bispo Dom Luiz Cappio
Merece nosso respeito
E não ser zombado assim
Por um maldoso sujeito
Que usa a poesia
Pra dizer tanta heresia
De um homem de conceito.

A greve do bispo é feita
Para sensibilizar
Governantes insensíveis
Para não continuar
Esta obra inconseqüente
Do rio que está doente
Devemos lhe preservar.

Porque hoje o velho Chico
Está muito ameaçado
Queimadas, desmatamento
Encontra-se assoreado
Tem que ficar no seu canto
Precisa ele, portanto
É ser revitalizado.

Água estocada em açudes
Aqui no Nordeste tem
O problema é o destino:
Quem vai usá-la também
Quem controla é a questão
O problema é a gestão
De séculos sem fim, amém.

O presidente devia
Ouvir a população
Movimentos Sociais
E o povo do sertão
Fazer cisternas de placas
Pagar bom preço por sacas
De milho, fava e feijão.

Para que transposição
Se a água vai ser cobrada ?
O destino está traçado:
Fruticultura irrigada
Das multinacionais;
Carcinicultura e mais
Pra siderúrgica implantada.


O compromisso de Lula
Agora é com empresário
E com o agronegócio
E o latifundiário
Que atrasou o Brasil
Explorando a mais de mil
O agricultor e operário.

Se Lula não abre mão
Da obra descomunal
É porque tem compromisso
Com o grande capital
Se o bispo morrer de fome
Morre o corpo a terra come
Mas fica o seu ideal.


A concentração de renda
Desigualdade social
Falta de políticas públicas
Para a zona rural
É o grande mal e a mágoa
De quem não tem terra e água
Pra tomar um sonrisal.
Se a esmola é muito grande
Todo cego desconfia
Este projeto promete
Redenção e galhardia
Mas, tem ?gente? interessada
Quer só o lucro e mais nada
Deus nos livre, Ave Maria.


Se o governo quer mesmo
O sertanejo com água
Faça milhões de cisternas
Para a chuva que deságua
Ser pra dentro captada
Água boa armazenada
E o povo com menos mágoa.

Façam pequenas barragens
E açudes no sertão
Sejam também equipados
Pra pequena irrigação
Com correto equipamento
E com acompanhamento
Técnico e orientação.


Se a água existente
Nos açudes armazenada
Fosse bem distribuída
Com justiça utilizada
Com um programa de gestão
Seria a solução
Sem transposição, sem nada.

Já chega de violência
Contra o meio ambiente
A natureza devastada
Morre bicho, planta e gente
Efeito estufa é o tal
Aquecimento global
E o planeta doente.

Defendem a transposição
E falam em crescimento
Econômico voltado
Para o desenvolvimento
Visando o lucro insano
Sem pensar no ser humano
Na vida em seu elemento.


Pensam no imediato
O lucro é sua verdade
Devastam a flora e a fauna
Nossa biodiversidade
O planeta ameaçado
Por um modelo atrasado
Sem sustentabilidade.

Dizem que isso é progresso
Que a ciência não erra
Transgênicos, Transposição
Vão devastar nossa terra
E as multinacionais
Lucrando cada vez mais
Deixando o planeta em guerra.


Conviver no semi-árido
É realmente viável
Sem transposição de um rio
Com esta agressão terrível
Uma obra deplorável
Mas, outro mundo é possível
Sem essa agressão terrível
E com vida sustentável.

Portanto, Seu Alan Sales
Esqueça a transposição
Escreva o seu cordel
Com outra conotação
Respeite o bispo e o povo
Que querem um mundo novo
E vida para o sertão.




José Rogaciano S. Oliveira
Tauá-CE, dezembro de 2007



Mai info: aqui, aqui, aqui








Informação sobre o rio São Francisco retirada da Wikipedia:

O rio São Francisco, também chamado de Opará, como era conhecido pelos indígenas antes da colonização, ou popularmente de Velho Chico, é um rio brasileiro que nasce na Serra da Canastra no estado de Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude, atravessa o estado da Bahia, fazendo a divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas. Por fim, deságua no Oceano Atlântico, na região nordeste do Brasil.
Com 2.800 km de extensão, e drenando uma área de aproximadamente 641.000 km2, o rio São Francisco nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da Canastra, desemboca no Oceano Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. Apresenta dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 km de extensão, entre Pirapora(MG) e Juazeiro(BA)/Petrolina(PE) e o baixo, com 208 km, entre Piranhas(AL) e a foz, no Oceano Atlântico.
O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas. As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e sub-médio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total.
A área compreendida entre a fronteira Minas Gerais-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual.
Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora (MG), Januária (MG) e até mesmo em Carinhanha (BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho.
À medida em que o São Francisco penetra na zona sertaneja semi-árida, apesar da intensa evaporação, da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à estação seca.

20.12.07

Jaime, de António Reis ( filme de 1974)


Consultar o excelente blogue dedicado à obra de António Reis:




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Reproduz-se a seguir o texto de Mathias Lavin, retirado de um das edições da revista Docs.pt :

Jaime de António Reis (1974)
A VIDA DE UM HOMEM INFAME

Jaime pertence à categoria pouco frequente de filmes cuja singularidade é quase ofuscante. Não a essa “aristocracia de obras primas” de que falava Susan Sontag a propósito de Hitler de Syberberg, nem a essas obras menores das quais muitos cinéfilos são apreciadores, mas antes à constelação desses filmes solitários e frágeis que figuram à margem de toda a genealogia estilística e quase sem linhagem. Hoje estamos algo esquecidos de que nos anos 70, sobretudo depois da realização de Trás-os-Montes (1976), António Reis era considerado no discurso crítico, tanto em Portugal como no estrangeiro, o realizador português mais importante juntamente com Oliveira – à frente de Paulo Rocha, Fernando Lopes, ou César Monteiro, que avançará para primeiro plano durante o decénio seguinte. Se a morte prematura do cineasta e o número diminuto das suas obras lhe conferem desde logo um estatuto quase secreto, à distância de 30 anos a emoção crítica provocada por Jaime torna-se ainda mais surpreendente.


Oriundo do Porto, Reis iniciou a sua actividade cinematográfica como assistente de Oliveira em Acto da Primavera (1963) e como argumentista de Mudar de Vida (1967) de Rocha, realizando três curtas-metragens documentais nos anos 60. É preciso lembrar igualmente que, desde finais dos anos 50, Reis escrevia poesia, uma prática que não deixou de se reflectir no conjunto da sua obra. Porque, se por um lado, podemos colocar Jaime na linha dos documentários que tentaram transformar a visão comum sobre a loucura, por outro, a sua vertente poética distingue-o de Matti da Slegare (Agosti/Bellocchio/Petraglia/Rulli, 1975), Animación en la Sala de Espera (Coronado/Rodriguez Sans, 1981) ou San Clemente (Depardon-Ristelhueber, 1982).


Para evocar Jaime, que deu a conhecer o nome de António Reis, um quase estreante de 47 anos, e o da sua companheira e colaboradora, Margarida Cordeiro, deve referir-se o contexto da sua realização. Filmado durante o ano de 1973, estreado de forma providencial logo após a revolução, no início de Maio de 1974, o filme esteve em adequação perfeita com o seu tempo. Compreende-se de que maneira o retrato de Jaime Fernandes - um camponês originário da região da Covilhã, que tendo passado quase 30 anos num asilo, onde morreu em 1969, começou subitamente a desenhar e a pintar depois dos 60, na mais pura tradição da arte bruta - podia rimar com a época da anti-psiquiatria, da crítica da clausura e das instituições.


Ao rever o filme, torna-se evidente a proximidade com um dos mais belos textos de Michel Foucault, La vie des hommes infames, ambos atendendo às “existências obscuras e infortunadas”. Mais ainda, no contexto português, o filme (o início em particular) oferece uma metáfora suficientemente legível de um país sufocado pelo Salazarismo – como o fará alguns meses mais tarde o Benilde de Oliveira num registo diferente. E compreende-se que esta obra, apesar da sua curta duração, tenha suscitado inúmeras discussões ao longo de toda a Primavera de 74, como se o silêncio ao qual estavam confinados os loucos tivesse um valor de metonímia para todo um povo e devesse ser compensado por uma libertação geral da palavra.


Após uma fotografia de Jaime, e um plano sobre as suas notas, o filme abre-se no pátio circular do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa. Estes planos utilizam efeitos de íris que, mais do que um processo do cinema mudo, evocam uma visão através de um óculo de alcance ou de um buraco de fechadura. As poucas silhuetas pressentidas, apanhadas na sua inacção ou na repetição de gestos simples, parecem remeter para um universo carcerário. Se a entrada no asilo se faz por arrombamento, a inteligência do cineasta reside na escolha de não associar a obsessão de um olhar e o carácter espectacular do que é mostrado. Vemo-lo claramente nesse plano onde as sombras imóveis de três pacientes são projectadas sobre uma parede, enquanto um médico de bata branca atravessa o espaço em diagonal. Não se trata de descrever, nem de denunciar, mas de recolher e de produzir um conjunto de signos com carácter fragmentário assumido. Nessas imagens em parte encobertas, nesses corpos filmados à distância, ou nessas sombras, inscreve-se a dimensão de vestígio do filme. Dessa maneira, emergem os magros rastos da vida de Jaime no seio da instituição asilar, como outros tantos retalhos da grande História.


O filme é pontuado regularmente por imagens mostrando a escrita de Jaime e as suas fórmulas opacas, pelos seus desenhos (personagens, animais), ou ainda por documentos que emanam da instituição médica (notas, gráficos), diversas marcas dessa existência de clausura. Uma fórmula anotada por Jaime é particularmente tocante: “morrereis como estes retratos” – logo depois, Reis mostra detalhes de um desenho, um animal (difícil de identificar) levado pela trela por um personagem. Estariam as imagens, elas próprias, condenadas à morte? O risco existe e toda a obra de Reis está assombrada pela angústia de ver desaparecer o que foi gravado pela câmara, mas o filme não coloca a morte como uma paragem definitiva: “oito vezes Jaime já foi morto aqui” adianta um outro fragmento de texto. A morte torna possível o renascimento como indica uma das sequências mais impressionantes do filme: filmado de costas, um homem vestido com uma capa de cores faz um gesto com a mão em direcção a uma porta do asilo enquadrada por dois pacientes deitados. Essa benção profana, quase tão miraculosa como a de Johannes em A Palavra [Carl T. Dreyer, 1955], faz abrir a porta do edifício e, após um raccord no eixo, um médico sai, precipitando-se então a câmara através da abertura para conduzir a uma banheira, que passa a ocupar todo o plano.


Reis não se contenta com a imagem, apesar de tudo muito atraente, deste lugar de cura e de tortura. Ele associa a esta imagem o som do vento e, sempre com esse mesmo som, faz o encadeamento com planos de uma barca, depois de uma torrente. Neste fragmento, vemos como a dimensão política (fazer justiça ao que se manteve na noite da clausura) é utilizada juntamente com um princípio de movimento poético: o vento que reforçava o aspecto desértico do asilo acompanha o fluxo da corrente, a banheira transforma-se em embarcação, etc.. Não se trata de uma estrita equivalência, mas sim de um princípio de encadeamento que se encontra frequentemente no filme, seja pelo parentesco das formas (por exemplo, um pouco mais adiante, uma panorâmica sobre uma colina e depois sobre um cavalo) ou pelo choque de elementos (especialmente a dissociação entre som e imagem). Reis e Cordeiro dão assim a experimentar uma sensação de co-dependência dos diferentes elementos filmados.


Este último ponto permite atenuar uma interpretação frequente que considera Jaime como um meio de encontrar, através de um certo número de artifícios, a subjectividade de um alienado. Se, por um lado, essa leitura se justifica, nela falta todavia um elemento essencial: tudo aponta no filme para a recusa de uma fronteira entre objectividade e subjectividade – como entre normalidade/ anormalidade – o que faz com que a identificação de um ponto de vista, ainda que delirante, se torne problemática. Trata-se de operar a passagem do ponto de vista à visão, para tornar sensível essa co-dependência dos dois elementos separados pela experiência quotidiana. Assim, um outro olhar é frequentemente lançado sobre as coisas do mundo e não apenas sobre o asilo. Vemo-lo, por exemplo, nos planos filmados num interior sombrio (sem dúvida a casa da esposa de Jaime), onde a câmara se demora sobre réstias de cebolas, um monte de espigas de milho, ou uma pipa de vinho. Estas coisas vulgares tornam-se tão estranhas como as maçãs artificiais de tamanho desproporcionado ou a cabra imóvel num palheiro (o do asilo ou o da casa de família?). E poderíamos continuar ainda a enumerar outras imagens: o curso de um ribeiro, um campo de flores atravessado por uma câmara que enlouquece, uma tigela vazia poisada sobre uma mesa; tantos planos que ficam fortemente impregnados na memória devido à sua estranheza, e à sua quase novidade.


Numa entrevista feita por João César Monteiro no momento da estreia do filme, Reis compara as criações de Jaime às do fauvismo e do expressionismo - apesar dele não ser contemporâneo destes dois movimentos pictóricos - afirmando: “o seu tempo histórico e psicológico era outro.” Evidentemente, esta observação remete para a arte de um cineasta que se quis sempre “excentrado” e cujo lado inactual convida à redescoberta.


Mais ainda, parece-me que a herança de António Reis e de Margarida Cordeiro mereceria finalmente ser assumida. Seguindo este exemplo maior, os realizadores de documentário não deveriam renunciar à dimensão poética da sua arte. Poderiam autorizar-se uma força visionária, não se contentando com uma atitude de aceitação ou de denúncia do que existe. Isto, em suma, para seguir o programa de Foucault que comecei por usar para descrever a sua afinidade com Jaime: “fazer aparecer o que não aparece – não pode ou não deve aparecer: dizer os últimos níveis, os mais ténues do real.” •


Referências:

Anabela Moutinho e Maria da Graça Lobo (org.), António Reis e Margarida Cordeiro – A poesia da terra, Cineclube de Faro, 1997. [Uma obra de referência de grande qualidade]



ANTÓNIO REIS
António Reis (1927-1991) chega ao cinema nos anos 60, quando já exercia actividade como pintor e poeta. Após curtas-metragens documentários, chama a atenção para o seu trabalho com Jaime (1974), a que se seguiram três longas-metragens (Trás-os-Montes, Ana e Rosa de Areia), realizadas com a sua mulher Margarida Cordeiro. As suas obras, oscilando entre o ensaio e o poema, são consagradas à cultura popular de Trás-os-Montes. Reis foi igualmente um grande pedagogo que formou a nova geração de cineastas portugueses na Escola Superior de Teatro e Cinema.

MATHIAS LAVIN
Mathias Lavin, doutor em cinema pela universidade Paris III (tese consagrada à obra de Manoel de Oliveira), lecciona Estética e História do Cinema (Lyon II e Paris III). Autor de diversos artigos, nomeadamente para as revistas Trafic, Cinergon, Vertigo; chefe co-redactor da revista de literatura Action Restreinte.