23.3.07

Os ditadores são deficientes emocionais, defende António Damásio

... agora só falta mesmo mostrar como os neo-liberais são também eles narcisistas e indiferentes, desde que as leis do mercado funcionem!!!
(esperemos pelas próximas conclusões)

Não há escolha racional acertada sem emoções e intuição, defendeu um grupo de cientistas, entre os quais o português António Damásio, num artigo publicado ontem, na revista Nature.

As emoções, concluíram, desempenham um papel fundamental no nosso juízo moral.Segundo os investigadores, somos capazes da escolha moral mais humana e menos utilitária por causa do nosso cérebro emocional e os indivíduos que optam pela segunda hipótese apresentam lesões cerebrais, na região do córtex prefrontral ventromedial, situado ao nível da testa. A estes indivíduos falta-lhes empatia e compaixão.As conclusões levantam questões ligadas, por exemplo, à ética.

Uma racionalidade vista pelos olhos de Kant pode ser preterida em relação à perspectiva de David Hume, que entendia que a ética tinha por base as emoções.

Os ditadores, por exemplo, são, segundo esta perspectiva, deficientes emocionais sendo que isto não significa que haja necessariamente uma lesão cerebral clara. São pessoas, classificou António Damásio, em entrevista ao jornal Público, "psicopatas narcisistas que tentam alcançar recompensas através da brutalidade".

Caminhada ecológica em defesa do rio tinto

Mais info:
http://moveriotinto.blogspot.com

No dia 25 de Março, pelas 10:00 horas, está marcada uma caminhada pelo rio Tinto. Será mais uma jornada de divulgação e sensibilização para os problemas que afectam o rio que atravessa vários concelhos circunvizinhos da cidade do Porto.
Estamos certos de que, com a mobilização de todos, será possível recuperar o rio Tinto, transformando-o numa real mais-valia para todo os riotintenses.

22.3.07

Apresentação do nº1 do zine Pica-miolos na CasaViva (dia 24)

Programa para o dia 24 na CasaViva (Pr. Marquês de Pombal, no Porto) de lançamento do nº 1 do fanzine Pica-Miolos

18h30 – cinema
“Casa de Loucos”, de Andrei Kontchalovski (2003)
V.O. russa, legendado em inglês, 104’
Em 1995, durante as primeiras operações militares na guerra da Tchetchénia, um manicómio é abandonado pelos médicos e enfermeiros. Os pacientes – agora livres, em casa – passam a conviver com os rebeldes tchetchenos e o exército russo.

20.30 – jantar bio
Conscientes da importância de uma alimentação saudável baseada em alimentos de alta qualidade e isentos de químicos, Raízes e Rotomate passam, a partir deste mês, a realizar mensalmente um jantar Bio na CasaViva. Tornar possível uma refeição com a totalidade dos ingredientes biológicos a preço de churrasqueira. Isto para que o Biológico não seja como até aqui, algo disponível e permitido apenas a alguns mais afortunados. A alimentação saudável e de qualidade é um direito, não uma moda ou coisa de jet-set. Os interessados podem inscrever-se no jantar na CasaViva.

21h30 – cinema
“A Quarta Guerra Mundial”, de Rick Rowley (2003)
V.O. inglesa, legendado em português, 76‘
Da linha da frente dos conflitos no México, Argentina, África do Sul, Palestina, Coreia, de Seattle a Génova e da “Guerra contra o Terrorismo” em Nova Iorque, no Afeganistão e no Iraque, esta é a história de homens e mulheres de todo o mundo que recusam ser aniquilados nesta guerra. Numa altura em que as notícias estão cheias de palavras sobre uma nova guerra mundial, narrada por generais e filmada a partir dos narizes das bombas, a história humana deste conflito global continua por contar. O filme “The Fourth World War” junta as imagens e as vozes da guerra no terreno. É a história duma guerra sem fim e daqueles que resistem.

23h00 – concerto
AJA Força
O grupo, de cinco elementos, nasceu em Fevereiro de 2006, numa reunião da Associação José Afonso (AJA), aquando da preparação das comemorações populares do 25 de Abril. Cantam canções de Zeca Afonso e de Adriano Correia de Oliveira. As vozes são acompanhadas de guitarra acústica, unhas, maracas, adufe, pau-de-chuva, flauta irlandesa e transversal.

00.30 – concerto
The Moss
Depois da apresentação do EP nas fnacs do Porto, do apoio de algumas rádios e da participação no “aquário” do PortoCanal, Hugo Moss traz-nos o EP “the moss”. Desta vez a solo, traz-nos o folk/rock e a sensibilidade de um escritor de canções, a não perder.

01h30 – vídeo
“Manobra de Diversão Ridícula - 7/7 Documentário sobre bombas em Londres”
V.O inglesa, sem legendas, 27'53”
No dia 7 de Julho de 2005, Londres foi atingida por uma série de explosões. Provavelmente pensas que sabes o que aconteceu naquele dia. Mas não sabes. A polícia recusa-se a tornar públicas as provas que diz ter e terá mentido acerca de muitos aspectos dos atentados de Londres. Os média empresariais dispuseram-se a espalhar informações falsas e a ignorar as várias inconsistências e discrepâncias da história oficial. Ao fim de um ano, o governo decidiu finalmente apresentar a sua narrativa do acontecimento. No espaço de horas, conseguiu ver-se que tinha muitos erros, um facto já admitido pelo secretário de Estado dos Assuntos Internos John Reid. Rejeitaram sempre um inquérito público independente. Tony Blair descreveu tal inquérito como uma manobra de diversão ridícula (“Ludricous Diversion- 7/7 London Bombings Documentary ”). O que será que não querem que saibamos?

02h00 – música
DJ Mutante
Rádio vanguarda. Aleatória sintonia em alternativo pop, crises punk e electrónica rave/drum/dub. Pista em dança ou para ouvir em conversa de fundo. Também silêncios e músicas a pedido. Música estrangeira com alguns OVNIs tugas.

http://casa-viva.blogspot.com/
http://picamiolos-casaviva.blogspot.com/

Ciclo de cinema «4 anos de ocupação, 4 anos de resistência» ( 23 de Março a 11 de Maio na Casa Viva)


Em parceria com o Tribunal do Iraque Porto, a CasaViva (*) apresenta o ciclo de cinema "4 anos de ocupação, 4 anos de resistência" de 23 de Março a 11 de Maio


Entrada Livre


Programa
6ª, 23 Março
22h30"Faluja – O Massacre Oculto", de Sigfrido Ranucci (RAI News) italiano, legendado em português, 22'06''
23h15"Testimonios de Faluya" , de Hamodi Jasim legendado em castelhano, 48'11''


6ª, 30 Março
22h30"Cuatro Horas em Chatila", documentário de Carlos Lapeña, sobre texto de Juan Genet castelhano, não legendado,
23h15"Petrolio" , de Sigfrido Ranucci (RAI News) italiano, não legendado, 26'21''


5ª, 5 Abril
22h30"José Couso, Crimen de Guerra" - "Hotel Palestina" , de Alberto Arévalo Ferrera (Tele5) castelhano, não legendado. 55' "Muertos de Segunda" , de Gran Wyoming castelhano, não legendado, 4'11''


6ª, 13 Abril
22h30"Iraq, Histórias de Mujeres", de Zeena Ahmed e Amal Fadhel castelhano, não legendado, 48'


6ª , 20 Abril
22h30 "The Us Iraq War Hoax Of Private Jessica Lynch Rescue " BBC Panorama – inglês, não legendado, 33'23h15"Shamed" BBC Panorama – inglês, não legendado, 60'


6ª , 27 Abril
22h30 "Beyond Treason" , de William Lewisinglês, não legendado, 99'


5ª, 3 Maio
22h30"Control Room", de Jehane Noujaiminglês, não legendado, 86'


6ª, 11 Maio
21h30"Armas de Desinformação", de Danny Schechter inglês (EUA), legendado em português, 97'49''
23h15 conversa a concluir

(*) Praça Marquês de Pombal, 167 - Porto

21.3.07

Extrema-direita ameaça Universidade de Lisboa (comunicado do SOS Racismo)


Skins tentam tornar Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa num palco para a difusão do racismo e da violência
Nos últimos dias, as mensagens de ódio racista proliferaram nas paredes da Faculdade de Letras. «Portugal aos portugueses» ou «Fascismo é solução» são algumas das frases escolhidas pela extrema-direita para a sua propaganda e ameaça. Também não faltaram as chamas do Partido Nacional Renovador (PNR). Pelo caminho, foram destruídos todos os murais ou outro tipo de comunicação (das mais diversas organizações) entendida como «comunista» (o facto era assinalado pelos próprios censores, ao lado das «emendas» efectuadas).
Ora, hoje alguns estudantes da faculdade, em conjunto com a União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), decidiram-se por uma acção pública: pintar um mural contra a ameaça do racismo e da violência. A verdade é que o mural não foi terminado, porque a polícia não o permitiu. Ainda mais preocupante é o facto de hoje se terem juntado, numa atitude claramente ameaçadora, com todo o à-vontade, várias dezenas de skins na faculdade de Letras. A mensagem era clara: ameaçar, condicionar, amordaçar; impôr a cultura do medo, à custa da impunidade: basta dizer que se deram ao luxo de tirar fotografias a todas as pessoas envolvidas na pintura do mural! E isto, nas barbas da polícia, que esteve sempre mais ocupada a impedir que o mural chegasse ao fim!
Tendo em conta estes preocupantes acontecimentos, o SOS Racismo gostaria de deixar claro que:
1 ) Este novo «palco» para os skins representa uma importante ameaça, que deve preocupar toda a comunidade escolar. Não é possível aceitar que esta realidade se torne normal ou aceitável.
2 ) Infelizmente, as respostas de quem tem responsabilidades deixam muito a desejar. Já no ano passado, quando o SOS Racismo alertou o Conselho Directivo, em reunião a nosso pedido, para o crescimento da extrema-direita dentro da faculdade e o perigo que isso representa, este órgão não revelou nenhum interesse pelo assunto. E hoje, o Conselho Directivo da Faculdade de Letras apenas se mobilizou para proibir a pintura do mural de hoje, mas nunca demonstrou preocupação com as mensagens de ódio dos skins. Esperamos não ter de ouvir este órgão, no futuro, lamentar a violência e o ódio na faculdade, quando podia e devia ter-se interessado a tempo!
3 ) A impunidade com que foi possível hoje, na presença da polícia, várias dezenas de skins fazerem a sua demonstração de força é um sinal muito inquietante. Não parece normal que a PSP tenha convidado a retirar-se quem pintava o mural, mas tenha deixado cerca de 50 skins no interior e nas imediações da faculdade, em pose ameaçadora, bebendo cerveja, fazendo uma espécie de guarda a um dos bares da faculdade, enquanto ia distribuindo panfletos.
4 ) Fica, mais uma vez, clara a ligação entre o movimento skinhead e o PNR!
5 ) O SOS Racismo vem há muito alertando para o perigo e a impunidade que caracterizam o crescimento da extrema-direita em Portugal. Para estas pessoas, a violência e o ódio são a dimensão essencial da política. Quantas mais vítimas serão necessárias para que se desenhe finalmente um combate a esta triste realidade?
6 ) Em pleno ?Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, em que vão abundando os discursos de circunstância sobre igualdade e a necessidade de combater as discriminações, seria mais útil ver quem tem responsabilidades empenhar-se no desmantelamento desta rede criminosa, tráfico de armas, de droga, cobranças difíceis, violência frequente, etc., de ameaça, ódio e morte.
15/03/2007
Pelo SOS Racismo, José Falcão

Dossier sobre Educação para o Desenvolvimento, Ambiente, Paz e Não violência

O editor do blogue BioTerra, preparou um Dossier Educação pelo Desenvolvimento, Ambiente, Paz e Não Violência, bastante heterogéneo, onde pretende "mostrar e dar a conhecer aos seus leitores" que existem muitas ONGs, Fundações, Universidades, pesquisadores, voluntários, jornalistas, e técnicos que estão fortemente activos e empenhados em soluções construtoras de Paz, Sustentabilidade e Não Violência.
Pretende ainda apresentar exemplos de homens e mulheres que, ao longo da História até aos dias de hoje, optaram por essa perspectiva, "com fortes projectos cívicos e ecosolidários"; uns, homenageados; outros, menos conhecidos, que urge não deixar esquecer e também homenagear, tendo sempre presente os seus ideais e "know-how" em cada um dos nossos actos.
Segundo o autor do referido blogue "torna-se urgente a exigência de um jornalismo de investigação, isento de poderes e lobbies" e "uma maior transparência universal".De modo a podermos enfrentar "uma nova categoria de refugiados", por via de mudanças climáticas e "dos enormes e vastos atentados ao ambiente" que, segundo João Soares, irão aparecer brevemente, juntando-se aos fugidos de armas, torturas e racismos, "urge criar e saber desenvolver dinâmicas de grupo, em genuína partilha de saberes, sabores, e artes", tendendo para "uma maior cooperação ambiental".
Na elaboração deste dossier, optou-se por uma listagem, de acordo com alguns parâmetros previamente definidos; esta listagem é, no entanto, aparentemente simples, já que todas as ligações remetem para entidades com bastante informação no âmbito das preocupações do dossier, tais como organizações, redes, e projectos escolares.
O organizador do Dossier «Educação pelo Desenvolvimento, Ambiente, Paz e Não Violência» informa, ainda, que a listagem estará "em actualização permanente", e disponível no blogue BioTerra - Dossier

Manifesto - Por uma nova política para o trabalho sexual

Este manifesto foi publicado no jornal Público de 15/03/2007 e é subscrito por Alexandra Oliveira, Manuel Castro Silva e Fernando Bessa (Universidade do Porto, Universidade do Minho, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douto), com Johanna Schouten (UBI), Ana Lopes (Universidade de Coimbra) e Octávio Sacramento (UTAD)



No momento político e social em que vivemos, marcado por um debate intenso sobre o trabalho sexual, entendemos que devemos mobilizar os conhecimentos resultantes de anos de reflexão e interacção com os actores sociais que vivem do comércio do sexo. Como cientistas sociais defendemos uma acção articulada dos académicos críticos com os movimentos sociais e as suas lutas, combinando o saber académico com o engajamento, segundo o sentido atribuído por Bourdieu: o saber socialmente comprometido, que desafia e transcende a fronteira, definida como sagrada e inscrita nas nossas mentes, da separação entre o conhecimento científico e a intervenção no mundo exterior à academia.
A assunção generalizada de que a prostituição constitui por si mesma uma forma de violência sobre as mulheres não tem consistência teórica e empírica. A maioria das pessoas que exerce trabalho sexual não se define como vítima, nem considera que é sexualmente explorada, o que, independentemente de o ser ou não objectivamente, pressupõe respeito pelo seu modo de vida. Bastantes destas mulheres, homens e transgéneros têm considerável poder sobre si e a sua vida, entendendo que fazem um trabalho como qualquer outro, mas sem direitos.
A prostituição não se confunde com o tráfico de mulheres, embora por vezes se cruzem. Algumas das pessoas que se prostituem são vítimas desse crime, mas a grande maioria dos trabalhadores do sexo não tem qualquer ligação às redes de tráfico e exploração sexual, considerando-se no exercício da sua liberdade, ainda que eventualmente condicionada. A imagem da mulher imigrante enganada por redes de tráfico e exploração sexual, além de abusivamente generalizada, oculta as políticas restritivas da emigração e os problemas dos imigrantes.
São as leis em vigor que levam a situações abusivas e criminosas face aos candidatos a imigrantes e que impedem a justa legalização de todos os homens, mulheres e transgéneros que trabalham, incluindo os da indústria do sexo.As leis proibicionistas e abolicionistas são igualmente repressivas. Embora diferentes, elas aproximam-se quando instituem a criminalização da procura, forma indirecta de impedir o livre exercício do sexo mercantil. Os apoiantes destas leis simplificam conceitos, deformam factos, desqualificam os trabalhadores do sexo e colocam sob suspeita os que se lhes opõem.
Repudiamos tais medidas discriminatórias e conducentes a uma maior estigmatização e marginalização dos trabalhadores do sexo. Para além de não terem em consideração os seus interesses e as suas reivindicações, não combatem formas de exploração, dominação e violência a que estão sujeitos.A descriminalização de todos os aspectos do trabalho sexual e a sua aceitação como profissão são a melhor forma de defender os adultos que trabalham neste sector e que têm graves problemas por falta de condições de trabalho adequadas, protecção jurídica, representação sindical e interesse das autoridades em as proteger.
Defendemos a adopção de medidas de intervenção social e psicológica para os casos de exclusão, bem como o apoio a projectos de vida realistas e alternativos para os que desejem deixar o trabalho sexual. Consideramos importante haver programas de ajuda efectiva e de protecção às vítimas de redes de tráfico e exploração sexual, em articulação com medidas policiais e judiciais de repressão dos traficantes, e ainda a sua prevenção nos países de origem.
Como cidadãos comprometidos com a construção de uma sociedade mais tolerante, desafiamos o poder político a trabalhar na definição duma agenda progressista e inclusiva para o trabalho sexual, reconhecendo o direito de dispor do seu próprio corpo e de utilizar para satisfação do prazer de outros em troca de remuneração.

Folk urbana - ciclo de concertos no teatro da vilarinha (Porto)


Vai-se realizar um ciclo de concertos de folk urbana no no Teatro da Vilarinha, Porto, dia 22, 23 e 24 de Março a partir das 21.45h com as bandas Le Partisan, Lufa-lufa, Comvinha tradicional.
Trata-se de uma iniciativa que parte da associação Pé de Vento em colaboração com o Pinguim Café, emblemático lugar tertuliano da cidade do Porto.
A aposta central éclaramente na música tradicional portuguesa, através da apresentação de projectos emergentes no género.
Para cada noite está reservada uma actuação, estando estipulado um preço de 5 euros por concerto, ou um bilhete para a totalidade do evento, que custa 10 euros.
O Teatro da Vilarinha fica na Estrada da Circunvalação que delimita o concelho do Porto e já muito perto do Parque da cidade.

A importância do sono e em dormir bem

Hoje, celebra-se o Dia Mundial do Sono. E é precisamente no Dia Mundial do Sono que nos chega esta notícia: os portugueses gastaram, em 2006, 80 milhões de euros em sedativos, hipnóticos e ansiolíticos. Brutal!Somos entupidos com drogas, a bem do quê?
De certeza, apenas, a bem das carteiras das grandes empresas farmacêuticas e dos médicos que com elas partilham os despojos da fraca saúde mental dos portugueses!
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O texto seguinte foi retirado daqui

Assinala-se esta quarta feira, 21 de Março, o Dia Mundial do Sono. O sono é um indicador de saúde. Uma quantidade suficiente assim como uma qualidade adequada de sono devem ser considerados elementos indispensáveis para um estilo de vida saudável do mesmo modo que o exercício físico ou a nutrição.

As doenças cardiovasculares, respiratórias ou metabólicas estão ligadas à quantidade e à qualidade do nosso sono, segundo um conjunto de estudos publicados na edição de Setembro de 2006, na revista «
Archives of Internal Medicine», quase totalmente dedicados de forma monográfica às patologias relacionadas com os transtornos do sono e a «importância de dormir bem».
O
Editorial desta edição da revista, da autoria dos Drs. Phyllis C. Zee y Fred W. Turek, do departamento de Neurología da Universidade de Northwestern, em Chicago (Estados Unidos), que acompanha estes trabalhos destaca a relação estreita que existe entre os conceitos: sono e saúde.
Os autores salientam que os vários estudos concluíram que as alterações do sono podem acentuar alguns problemas médicos e psiquiátricos e, por sua vez, estes problemas produzem alterações na qualidade do sono, sublinhando que «esta relação bidireccional é um claro exemplo das doenças metabólicas, cardiovasculares e respiratórias, assim como a dor crónica ou a depressão».
Uma das investigações indica que a hipertensão, a insuficiência cardíaca, a doença coronária ou a diabetes mellitus estão associadas com uma elevada prevalência da apneia do sono, em pacientes com bronquites crónicas e asma onde a qualidade do sono é geralmente má.
Noutro dos
estudos publicados, os especialistas constataram que a rinite alérgica afecta a vida diária dos indivíduos e estas modificações na vida quotidiana influenciam o seu ciclo sono-vigília.
Os problemas com o sono não se limita às vias nasais, sendo que se estende ao tracto respiratório e também aos pacientes com apneia do sono, asma ou EPOC (enfermidade pulmonar obstrutiva crónica) têm também frequentemente alterações do sono.
Também existe uma ligação clara entre a obesidade e as alterações na qualidade e quantidade do sono diário. Esta ligação ficou comprovada através do estudo «
Sleep Duration and Health in Young Adults» que envolveu 17 465 estudantes de 27 países com poucas horas de sono (inferior a sete horas) em que se verificou que a sua saúde não era muito boa em ambos os sexos.
Também se associou a impressão subjectiva da duração curta do período de sono nocturno com um pior controlo da glicemia nos pacientes diabéticos.
Por último, um extenso
estudo baseado em 31 044 entrevistas realizadas no ano 2002 assina-la que, igualmente a outras investigações prévias, existe uma relação positiva entre sintomas de insónias e doenças comuns físicas e mentais como a obesidade, a diabetes, a hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, a ansiedade ou a depressão.
O editorial conclui que todavia faz falta investigar muito mais para compreender os mecanismos que ligam o sono e saúde para poder desenvolver um método mais seguro e eficaz de tratar os transtornos do sono.
Estudo relaciona a depressão infantil com perturbações de sono
Um grupo de investigadores da Universidade dos EUA de Pittsburgh concluiu que as crianças com perturbações de sono têm maior tendência para a depressão do que aquelas que dormem tranquilamente.
Os investigadores analisaram um grupo de 533 crianças com problemas relacionados com depressão, e constataram que 72,7 por cento sofriam de perturbações no sono, sendo que 53,5 por cento das quais tinham insónia, 9 por cento sofriam de vontade de dormir em excesso e 10,1 por cento, segundo as conclusões do estudo publicado no número de Janeiro de 2007 do
jornal SLEEP - publicação oficial da Academia Norte-Americana da Medicina do Sono e da Sociedade de Pesquisa sobre o Sono.
As crianças com problemas de sono, em que apresentam ambos os distúrbios (vontade de dormir em excesso e/ou sem sono) estão mais propensos à doença, encontrando-se «mais vezes severamente deprimidos, com maior possibilidade de perda de peso, retardamento psicomotor e fadiga do que aqueles têm apenas um dos problemas».
Os especialistas recomendam que as crianças em idade escolar durmam entre dez a onze horas por noite para atingir saúde e desempenho óptimos no dia seguinte, enquanto que as crianças em idade pré-escolar devem dormir entre onze e as treze horas por noite.

A poesia é o autêntico real absoluto (novalis)

A poesia é o autêntico real absoluto.
Isto é o cerne da minha filosofia.
Quanto mais poético, mais verdadeiro
novalis



MÃOS DADAS (Carlos Drummonde de Andrade)


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou carta de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os

homens presentes,

a vida presente.

Um dia com Leopoldo Maria Panero, poeta marginal de língua castelhana


http://www.youtube.com/watch?v=KpoGTtNMs0E


http://www.youtube.com/watch?v=nV4I-s-Tt2w

Leopoldo Maria Panero nasceu em Madrid, em 1948. O pai, Leopoldo Panero, é o poeta "oficial" do franquismo, enquanto o irmão, Juan Luis Panero, é um dos nomes mais significativos da geração de 50 da poesia espanhola. A sua vocação para a poesia e a tendência para pensamentos atormentados, evidenciaram-se desde quando era criança.

Na juventude interessou-se pela política e as suas ideias encontraram afinidades com o comunismo. Aos 16 anos aderiu ao Partido Comunista, na altura clandestino e chegou a estar preso durante um curto período, onde teve a oportunidade de contactar, pela primeira vez, com a droga.
A partir daí a sua vida foi ficando cada vez mais labiríntica. Tornou-se alcoólico e começou a sofrer crises depressivas frequentes. Tentou suicidar-se em duas ocasiões. Aos 21 anos, diagnosticaram-lhe esquizofrenia e Panero internou-se voluntariamente no manicómio de Tafira (Las Palmas, nas Grandes Canárias), lugar onde tem vivido até aos dias de hoje.

Durante toda a sua vida, a paixão pela literatura e pela escrita foram uma constante, a elas se dedica exclusivamente desde que foi internado. As “vozes” que ouve, não são as mesmas que ouvem os outros alienados com quem vive há mais de 15 anos. Aos ouvidos de Panero, sussurram as vozes de Lewis Carroll, Edgar Allan Poe, James M. Barrie, H. P. Lovecraft...
“Por el camiño Swan” foi o seu primeiro livro, publicado em 1968. para além de poeta, traduziu e escreveu ensaios e prosas. Da sua obra destacam-se: «Así se fundó Carnaby Street» (1970), «En Teoría» (1973), «Narciso en el acorde último de las flautas» (1979), «Dioscuros» (1982), «Poemas del manicomio de Mondragón» (1987) y «Heroína y otros poemas» (1992).
Leopoldo Maria Panero, tornou-se no único poeta maldito conhecido da moderna literatura espanhola. Enquanto os outros ganham prémios, ocupam cargos importantes e discutem nas tertúlias dos ilustres meios de comunicação, Panero vai escrevendo em cárceres, manicómios e sórdidas pensões

Biografia retirada
daqui
Mais informações: aqui,
http://es.wikipedia.org/wiki/Leopoldo_María_Panero
http://www.letras.s5.com/ar131204.htm





DESEO DE SER PIELROJA

La llanura infinita y el cielo su reflejo.
Deseo de ser piel roja.
A las ciudades sin aire llega a veces sin ruido
el relincho de un onagro o el trotar de un bisonte.
Deseo de ser piel roja.
Sitting Bull ha muerto: no hay tambores
que anuncien su llegada a las Grandes Praderas.
Deseo de ser piel roja.
El caballo de hierro cruza ahora sin miedo
desiertos abrasados de silencio. Deseo
de ser piel roja.S
itting Bull ha muerto y no hay tambores
para hacerlo volver desde el reino de las sombras.
Deseo de ser piel roja.
Cruzó un último jinete la infinita
llanura, dejó tras de sí vana
polvareda, que luego se deshizo en el viento.
Deseo de ser piel roja.
En la Reservación no anida
serpiente cascabel, sino abandono.
DESEO DE SER PIEL ROJA.
(Sitting Bull ha muerto, los tambores
lo gritan sin esperar respuesta. )

A revolta estudantil na cena final do Clube dos Poetas mortos

Clube dos poetas mortos (Dead Poets Society ) é um filme de 1989 realizado por Peter Weir.
Conta a história de um professor de literatura heterodoxo, de nome John Keating, num colégio privado, a Academia Welton, na qual predominam valores tradicionais e conservadores. Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares:
Tradição ,Honra, Disciplina , Excelência

Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias contrariando aqueles valores conservadores.

Repleto de citações de grandes nomes da literatura de língua inglesa, como Henry David Thoreau, Walt Whitman e Byron, e de belas imagens metafóricas, o Clube dos poetas mortos deixa uma mensagem de vida que se pode sintetizar na expressão latina Carpe diem


No filme estão representadas duas perspectivas diferentes de ensino.


A primeira era praticada na escola pela maioria dos professores e
era tipicamente tradicional, conservadora, e regia-se de acordo com
o método de ensino inglês da época em vigor.

Por ex.: a cena do filme da cerimónia de abertura de aulas, com o discurso do director da escola.

A segunda abordagem era praticada por um só professor (Professor Keating) e era um
ensino mais liberal onde era permitida a liberdade de expressão de cada aluno, sendo
estes vistos como pessoas únicas e com vontade própria.

Por ex.: a cena do filme onde se rasga o livro de poesia, o ensino na rua.


Na cena final do filme o professor substituto está a começar a aula quando Keating entra para vir vir buscar os seus objectos pessoais depois de ter sido despedido pela direcção da escola. É então que num acto de solidariedade os alunos põem-se de pé em cima das carteiras e começam a recitar a célebre frase «Oh Captain, my captain» dirigida ao professor expulso num acto de rebeldia perante o ar impotente e estupefacto do professor tradicionalista. Keating apenas consegue balbuciar: «obrigado, rapazes».


Citações do filme

Fui à floresta, porque queria viver profundamente...
Para sugar a essência da vida!
Eliminar tudo o que não era vida...
E para, quando morrer, não descobrir que eu não vivi.

(Henry David Thoreau)


Oh Capitain, my capitain.
(Walt Whitman, sobre Abraham Lincoln)


As virgens que fazem muito caso do tempo
Apanha os botões de rosa enquanto podes
O tempo voa
E esta flor que hoje sorri
Amanhã estará morta.
(Robert Herrick)


Duas estradas divergiam num bosque e eu segui pela menos usada. Isso fez toda a diferença.
(Robert Frost)


Oh eu, oh vida
Das perguntas sempre iguais
Dos interminaveis comboios de descrentes
Das cidades a abarrotar de idiotas
O que há de bom no meio disto
Oh eu, oh vida?
(Walt Whitman)


Carpe diem. (Horácio)


O texto de cima foi recolhido na Wikipedia. Video da cena final:


19.3.07

Concentrações pela paz amanhã ( dia 20 de Março) em Lisboa e Porto


No Porto a concentração realiza-se às 17.30 na Praça da Liberdade

Para ver fotografias das manifestações e concentrações realizadas nos anos anteriores contra a guerra, a invasão e ocupação do Iraque consultar o website




Em Lisboa a concentração convocada pela Audiência Portuguesa do Tribunal mundial sobre o Iraque está marcada para as 17.30 no Rossio.


Entretanto, no próximo dia 23 vai realizar-se um espectáculo com o lema «Canções pelo Iraque) no Cinema São Jorge às 21h.30 com a presença de vários cantores e músicos ( Camané, Fausto, Jorge Palma, José Mário Branco, Luís Represas, Pacman, Paulo de Carvalho e Pedro Abrunhosa)

Mais info:
http://www.tribunaliraque.info/pagina/inicio.html


O BE convocou igualmente uma concentração para Lisboa no Chiado (Largo de Camões) com a mesma finalidade às 17.30h com música: Kumpania Al-Gazarra, e intervenção de Miguel Portas


Em todo o Mundo, serão assinalados os 4 anos de Ocupação e Guerra no Iraque.




Segundo a revista Lancet e estudos da Universidade John Hopkins, desde a ocupação do Iraque em 2003, em média, mil iraquianos por dia tiveram morte violenta na primeira metade de 2006; pelo menos 800 mil iraquianos foram feridos nos últimos dois anos; mais de 7% da população adulta já foi morta pela violência, atingindo-se os 10% em algumas áreas; as tropas de ocupação mataram mais iraquianos em 2006 do que nos primeiros anos de ocupação, incluindo a invasão e o massacre de Faluja; e são 2,5 milhões os refugiados. Estas são as consequências reais da guerra e da falsificação que esteve na sua origem.
Neste último fim de semana já se realizaram inúmeras manifestações um pouco por todo o mundo. Deixamos abaixo um video sobre a manifestação contra a guerra realizada em Barcelona.
Seguem-se depois dois videos da Marcha sobre o Pentágono realizada no Sábado passado em Washington que contou com várias dezenas de milhares de pessoas.



MANIFESTAÇÃO EM BARCELONA




MARCHA SOBRE O PENTÁGONO (17 DE MARÇO DE 2007)









Para terminar deixamos um video que recorda a grande e célebre Marcha sobre a Casa Branca realizada há 40 anos, mais propriamente em 1967 contra a Guerra do Vietname.


18.3.07

Há 4 anos Rachel Corrie era selvaticamente morta por um tanque israelita

A 16 de Março de 2003 a activista pacifista norte-americana Rachel Corrie que se tinha deslocado à Palestina para no terreno defender as casas e as crianças palestinianas que eram destruídas e alvejadas pelas tropas israelitas foi assassinada por um cater-pillar ao serviço do exército israelita quando este se preparava para demolir mais uma casa palestiniana

Para mais informação ler os textos já editados neste blogue:
aqui, aqui, aqui
e consultar ainda o extenso artigo existente na Wikipedia

Entrevista





A vida de Rachel Corrie - Parte 1 e 2








Entretanto foi encenada e representada já em vários países uma peça de teatro «My name is Rachel Corrie» que pretende recordar uma das heroínas do nosso tempo na sua luta contra a barbárie e a favor da paz e justiça. Consultar:
http://en.wikipedia.org/wiki/My_Name_is_Rachel_Corrie

Escutar alguns dos seus escritos:
http://www.youtube.com/watch?v=pQBLiAk9thk
http://www.youtube.com/watch?v=W-sajcPhSX8
http://www.youtube.com/watch?v=TF1iXerLRdI&mode=related&search=

O cantor folk irlandês Christy Moore dedicou-lhe também o seu álbum Burning Times.

Deixamos um vídeo musical de Christy Moore que fala da luta antifascista durante a guerra civil espanhola e outro sobre as lutas das mulheres







The Magdalene Laundry



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Radicais livres 3.1 pela OrchestrUtopica (hoje à noite no CCB)

Música contemporânea livre e sem concessões em cinco obras ( de Franco Donatoni, Helmut Lachenmann, António Pinho Vargas, Salvatore Sciarrino e Giacinto Scelci )


Radicais livres 3.1 é o programa para hoje à noite às 21h. no CCB em Lisboa e dedicado aos novos compositores que apostam na liberdade e na vanguarda para desenvolverem as suas obras e músicas - Franco Donatoni, Helmut Lachenmann, António Pinho Vargas, Salvatore Sciarrino e Giacinto Scelci – e que vão ser interpretados pela OrchestrUtopica, que se assume como algo mais do que o "grupo residente de música contemporânea do CCB": trata-se de um projecto que reúne músicos e compositores para programar, interpretar e discutir a música que se faz hoje.


António Pinho Vargas, um dos directores artísticos do projecto e também um dos compositores incluídos no programa de hoje, "a Orchestrutopica não é um simples grupo de música contemporânea que recebe convites, com um director artístico único. A Orchestrutopica reúne um núcleo de compositores para programar e discutir. É um núcleo que discute a posição a tomar, pensando a sua actividade a passo e passo."

O que liga estas 5 obras, como afirma José Júlio Lopes no texto de apresentação do concerto, é o facto de serem "peças de câmara de compositores com uma atitude musical (estética e "política") crítica." As aspas em "política" não significam uma suavização da sua atitude radical, mas antes a ideia de que são políticas sobretudo pela forma como pensam a música: "A sua posição manifesta-se, desde logo, e, em primeiro lugar, na sua própria música - e não se disfarça com efeitos e mecanismos recuperadores", afirma José Júlio Lopes.


António Pinho Vargas diz em que medida ela pode ser considerada radical e livre, como propõe a provocação do título do concerto. "Radicais livres é um pretexto genérico para organizar um concerto em torno de determinadas problemáticas. Mas em relação à minha peça, "livre" aplica-se com propriedade, na medida em que representa um corte importante na minha obra." E explica esse corte como um risco assumido plenamente: "é a primeira peça em que da melhor forma consegui lançar-me no acto de compor, dando um salto no ar, como o salto de tigre de que fala Walter Benjamin. Fiz um corte radical com a prática pós-serial e a partir de um gesto inicial fixei a energia e concentração no acto de compor, sem regras pré-estabelecidas." A partir daí, afirma Pinho Vargas, "passei a pensar de uma forma diferente. As regras que cada peça estabelece para si própria não obrigam a que na peça seguinte seja da mesma forma. Cada peça é um risco." Um traço que, segundo o compositor, aproxima a sua composição da obra de Giacinto Scelsi, que se ouvirá esta noite.

Desde que foi estreada, em 1993 pelo grupo Musikfabrik, a obra Monodia- quasi un requiem andou pelo mundo - Londres, Paris, Pequim - em múltiplas apresentações por quartetos de cordas tão importantes como o quarteto Arditti. "Julgo que é uma peça que contém em si uma capacidade de viajar. É com prazer que vou voltar a ouvi-la."

A peça, segundo Pinho Vargas, "é sobre a morte (daí o quasi un requiem) e o grito que não se ouve. Cheguei a escrever uma teoria do grito, uma teoria particular para esta obra. Eram frases que me permitiam reflectir sobre o desaparecimento." Musicalmente, Pinho Vargas considera que ela "está próxima da ideia de um canto suspenso, sem apoio, como o Luigi Nono gosta e também um outro compositor, Nicolaus Huber, que me disse a propósito da minha peça: I like monodia." E explica-nos: "monodia não é o mesmo que melodia. É uma linha de uma extrema fragilidade."

Programa

Salvatore Sciarrino :: Ommagio a Burri

Giacinto Scelsi :: Quarteto de cordas # 4

[INTERVALO]

Franco Donatoni :: Alamari

António Pinho Vargas :: Monodia - quasi un requiem

Intérpretes

Katharine Rawdon, flauta

Luis Gomes, clarinete

Elsa Silva, piano

Xuan Du, violino

Vítor Vieira, violino

Juan Carlos Maggiorani, violino

JanoLisboa, viola


Guenrikh Elessine, violonceloMarco Pereira, violoncelo


Contrabaixo, Vladimir Kousnetsov

Biografias e Notas de Programa

SALVATORE SCIARRINO Omaggio a Burri (1995) 13’[Flauta, clarinete, violino]


Omaggio a Burri permite uma observação aprofundada das preferências pontilisticas de Sciarrino, incluídas nestes treze minutos de pontos e contrapontos, suspiros, guinchos, pequenas estridências.
O verdadeiro prodígio está em que tudo isto resulta, e é essa, aliás, a pedra/palavra-chave: sucesso.

Enquanto determinadas obras de câmara transmitem a impressão de terem instrumentos mais potentes – parecem sinfónicas - a mais recente e sobejamente conhecida destas obras, Introduzione all’oscuro (1981) para 11 músicos, realça a individualidade dentro do grupo. Não é disso que se trata em Omaggio a Burri. Esta especificidade, que pode não ser o deleite de alguns, suscita seguramente o interesse de outros.

Nascido em 1947, começou a compor em 1959, dando o seu primeiro concerto em 1962.

Sete anos depois, deixou Palermo para viver em Roma, depois em Milão em 1977 e finalmente para a Città di Castello em 1983, onde ainda hoje reside.

Academicamente, Sciarrino não é um produto de escolas de música. Apesar de ter desenvolvido contactos importantes com Antonino Titone, Turi Belfiore e Franco Evangelisti, foi efectivamente um auto-didacta, sendo que o seu conhecimento musical advém directamente do estudo sobre os compositores modernos e clássicos.Recebeu vários prémios e aos 30 anos foi nomeado director artístico do Teatro Comunale di Bologna (cargo que exerceu entre 1978 e 1980). Entre os prémios mais recentes salienta-se o Prémio de Composição Musical da Fundação Principe Pierre, do Mónaco (2003) para Macbeth (melhor obra inédita de 2002), e o Prémio Internacional Feltrinelli, de 2003.

A mesma precocidade com que o seu estilo inconfundível se revelou, oferece-nos um invulgarmente longo e diversificado catálogo de obras. A docência ocupou grande parte da actividade de Sciarrino: para além das masterclasses, leccionou nos Conservatórios de Milão, Perugia e Florença desde 1974, até renunciar a todos os seus compromissos oficiais em 1996. Desde então, tem dedicado muito do seu tempo à escrita, como: Le figure della musica da Beethoven e Carte da suono scritti 1981-2001.

GIACINTO SCELSI Quarteto de cordas # 4 (1964) 10’[Quarteto de cordas]

A música da segunda fase da obra de Scelsi (a que corresponde o Quarteto # 4, de 1964) é marcada por uma suprema concentração na ideia de notas isoladas e únicas com uma enorme mestria na manipulação da forma.

Estas notas únicas são reelaboradas através de sombras micro-tonais, alusões harmónicas e variações de timbre e dinâmica.

A polifonia emerge da monodia.

Os movimentos de Scelsi revelam uma unidade de gestos e a polifonia da sua escrita para cordas integra uma concepção puramente melódica que é assumida como um aspecto essencial do som em si mesmo.

GIACINTO SCELSI (1905-1988), compositor

Nascido em La Spezia, no seio de uma família aristocrática e vivendo numa Villa antiga nos arredores de Nápoles, apesar de ter tido um escasso estudo formal de musica é reconhecido hoje como um dos mais criativos compositores do século XX.

Scelsi estudou primeiro música em Roma e, mais tarde, em Viena como discípulo de Schönberg. Tornou-se num dos primeiros adeptos da dodecafonismo em Itália.

No final dos anos quarenta passou por uma profunda crise religiosa que o levou à descoberta da espiritualidade oriental e também a uma mudança radical do seu olhar relativamente à música. Rejeita as noções de composição e de autor a favor da improvisação.Scelsi concebeu a criação artística como uma forma de comunicar uma realidade transcendental com o ouvinte.

Deste ponto vista, o artista é considerado um mero intermediário.

Por essa razão nunca permitiu que a sua imagem fosse associada à sua música.

Em vez disso, preferia ser identificado com uma linha debaixo de um círculo, um símbolo de proveniência oriental.

Foi amigo e mentor de Alvin Curran e outros compositores americanos expatriados como Frederic Rzewski que viveu em Roma nos anos 60.

Também “conspirou” com outros compositores americanos como John Cage, Morton Feldman e Earle Brown que o visitavam em Roma.Alvin Curran disse a propósito de Scelsi: “Veio a todos os meus concertos em Roma, até ao último que dei poucos dias antes da sua morte…

Isto foi no Verão e ele não gostava de sair.

Apresentou-se de fato e chapéu em pele.

Era um concerto ao ar livre.

Acenou-me de longe, com olhos brilhantes e o seu sorriso de sempre, foi a última vez que o vi”.

FRANCO DONATONI Alamari (1983) 13’[Violoncelo, contrabaixo e piano]

O título, bem como o material musical desta obra tem origem em trabalhos anteriores do compositor: Lame para violoncelo, Lem para contrabaixo, ambos de 1982, e Rima de 1979, este último com origem em Ed Insieme Bussarino de 1978.

O ímpeto de compor a partir de material de obras já existentes, é uma constante no trabalho de Donatoni, seja este originário das suas próprias obras ou das de outros compositores como Schoenberg ou Stockhausen.

Em nenhum dos casos se trata de uma colagem, mas antes de uma utilização de técnicas de composição muito precisas, demonstrativas de um certo automatismo em que o autor desenvolve um pequeno fragmento da peça tornando assim como impossível a identificação de um modelo.O contrabaixo, instrumento central desta obra, é utilizado de uma forma pouco habitual o que lhe confere uma cor estranha.

Os instrumentos dão-nos elementos que vão desde o pizzicato, produzindo efeitos de uma “mecânica de precisão”, a trechos de grande exigência técnica e artística, passando por movimentos desarticulados que sugerem danças únicas que mergulham na atmosfera nocturna e fúnebre desta música.

Como é habitual em Donatoni, a textura musical exige um grande virtuosismo dos intérpretes.

FRANCO DONATONI (1927-2000), compositor


Franco Donatoni nasceu em Verona em 1927. Estudou composição no Conservatório Giuseppe Verdi com Ettore Desderi, em Milão e com Lino Liviabella, no Conservatório de Bolonha.
Em 1949 completou o curso de composição e de orquestração e em 1950 o curso de música coral. Fez ainda o curso avançado de composição com Ildebrando Pizzetti na Accademia Nazionale de S. Cecília, em Roma, e frequentou, em Darmstadt, os Ferienkurse de 1954, 1956, 1958 e 1961.

A par da sua carreira de compositor, Donatoni manteve uma intensa actividade como professor de composição, tendo ensinado nos conservatórios de Bolonha, Turim e Milão, na Accademia Nazionale de S. Cecília em Roma, na Academia Chigi em Siena.

Em 1972 Donatoni foi convidado pela Deutscher Akademischer Austauschdienst para uma residência de um ano em Berlim.

Em 1985 recebeu o título de “Commandeur dans l’Ordre des Arts et des Lettres” do Governo Francês.

A sua música e o seu pensamento musical influenciaram várias gerações de compositores e a sua vasta obra é regularmente apresentada em concertos.

Em 1990 o Festival Settembre Musica de Turin dedicou uma série de concertos à sua música e, em 1982, em Milão, o Festival “Milano Musica” organizou um importante programa com a sua música, apresentando um grande número das suas mais importantes obras, incluindo a primeira audição de "Feria II"– para órgão e "A arte da fuga" de Bach, numa transcrição de Donatoni para orquestra.

Na década de 90 devem ser mencionadas obras como "Sweet Basil" (1993) para trombone e Big Band, "Portal" (1995) para clarinete baixo, clarinete em si bemol e orquestra, "In Cauda II" (1996), e "In Cauda III" (1996). Em 1996 completou o ciclo (iniciado em 1983) com "Françoise Variationen" para piano. Em 1998 a sua ópera curta, "Alfred Alfred", foi apresentada no Festival Musica de Strasbourg. Faleceu em Milão em 2000.

ANTÓNIO PINHO VARGAS Monodia – quasi un requiem (1995) 13’[Quarteto de cordas. Encomenda das Jornadas de Arte Contemporânea do Porto de 1993]

“Esta peça foi concebida para ser tocada usando um pequeno sistema de amplificação e reverberação, excepto se for apresentada numa sala com muita ressonância.

O material original é muito simples: duas melodias, uma linha a duas vozes e um agregado cromático.

A atitude rítmica deve ser sempre solta e flexível…A ideia de ressonância é central nesta peça.

O som de cada nota e a imaginação tímbrica dos músicos são muito importantes.O meu primeiro título foi Quasi un Requiem.

É uma peça acerca da extinção do som e da vida.

É sobre o absurdo da morte, do racismo e da intolerância. A secção central é uma espécie de “non-sense” passacaglia… “

ANTÓNIO PINHO VARGAS (1951), compositor

“Inquietação é uma das palavras que melhor sintetizam a personalidade artística de António Pinho Vargas, um músico integral que tem abordado com igual sucesso a composição livre de preconceitos de escola e os mais diversos géneros musicais, a interpretação e o ensaio musical, a pedagogia e a gestão cultural.

A sua música e o seu posicionamento estético têm contribuído para uma mudança radical no panorama musical nacional nas últimas décadas, tendo sido a sua influência determinante na aceitação em Portugal do pluralismo no âmbito da composição erudita.Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluiu o curso de composição no Conservatório de Roterdão, na classe de Klaas de Vries.

É professor na Escola Superior de Música de Lisboa desde 1991 e tem compaginado os seus labores docentes com a assessoria musical na Fundação Serralves e do Centro Cultural de Belém.

É ainda co-fundador e co-director artístico da OrchestrUtopica.Ligado ao jazz durante vários anos e sendo unanimemente considerado um dos mais importantes músicos portugueses neste domínio, começou o seu percurso criativo no âmbito da composição erudita em fins dos anos 80.As obras compostas até 1993 revelam a aderência à técnicas de composição mais rigorosas, ligadas à vanguarda musical posterior à Segunda Guerra Mundial. Porém, nesse ano, a composição de “Monodia.

Quasi un Requiem” marca um primeiro ponto de viragem na sua obra, que monstra a partir de então uma liberdade na escolha de materiais e de linguagens pouco habitual na música portuguesa contemporânea.À clareza estrutural das suas obras une-se a exploração exaustiva de novas abordagens de aspectos característicos do estilo tonal (por exemplo, a pulsação regular em obras como “Estudos e Interlúdios”, para percussão, escrita em 2000).

A sua obra em conjunto revela ainda uma rara capacidade para evocar e desenvolver em termos sonoros imagens poéticas, por vezes referidas nos títulos das suas peças.

Tem-se destacado como compositor de obras vocais de grande formato: as óperas “Édipo Tragédia do Saber” (1996) e “Os Dias Levantados” (1998), respectivamente sobre textos de Pedro Paixão e de Manuel Gusmão, e a oratória “Judas” (2002).”




Biografia de António Pinho Vargas

António Pinho Vargas nasceu em Vila Nova de Gaia, em Agosto de 1951.
Colabora com os A Grelha, grupo de rock do Porto. Em 1970 fundou, com Carlos Zíngaro e Jorge Lima Barretto, a Associação de Música Conceptual.
Com Lima Barretto e Artur Guedes faz parte do Anar Jazz Trio. Com Artur Guedes, José Nogueira e Pedro Cavaco forma os Abralas (1975/77).
Licencia-se em História pela Faculdade de Letras do Porto. Foi professor de História nos anos de 1975 e 1976. Enfrenta os anos 70 com algumas dificuldades pessoais pelo facto de querer ser músico de jazz.
Colabora com o grupo de jazz Araripa de João Heitor e José Eduardo. Com este grupo participa, em 1976, nas gravações do álbum "Malpertuis" de Rão Kyao. Participa também no disco "Bambu" de Rão Kyao, editado em 1978.
Ainda com José Nogueira faz parte do grupo de jazz-rock instrumental Abralas (ex-Zanarp). Os dois músicos fazem também parte da primeira formação dos Jáfumega. Durante algum tempo integra os Arte & Ofício com quem grava, em 1979, o álbum "Faces".

Em 1981 entra para a Banda Sonora de Rui Veloso com quem grava o álbum "Fora de Moda".
Em 1982 fez parte do Quarteto de Rão Kyao juntamente com Mário Barreiros e José Eduardo. Participa nas gravações do álbum "Ritual" de Rão Kyao. Nesse ano frequenta os cursos de Emmanuel Nunes.
Em 1983 grava o seu disco de estreia, "Outros Lugares". O Quarteto que gravou o disco incluía ainda Mário Barreiros, Pedro Barreiros e José Nogueira.
Em 1984 volta a colaborar com Rão Kyao participando nas gravações do álbum "Estrada da Luz" .
O seu segundo álbum, "Cores e Aromas", é editado em 1985. O Quarteto que gravou o disco é o mesmo do seu disco de estreia.
Em 1987 é lançado o disco "As Folhas Novas Mudam de Cor". O disco vende mais de 9.000 exemplares e atinge o top 10 de vendas. Nesse ano faz a banda sonora da peça "Hamlet", de William Shakespeare, com encenação de Carlos Avilez. Vai para a Holanda, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudar composição com o compositor Klaas de Vries.
Em 1988 compõe a música para o filme "Tempos Difíceis" de João Botelho que recebeu o prémio do Instituto Português de Cinema para a melhor música de Cinema. Também fez as bandas sonoras dos filmes "Uma Pedra No Bolso" (1988) e "Onde Bate o Sol" (1989) de Joaquim Pinto.
Em Abril de 1989 é editado o álbum "Os Jogos do Mundo". Além de António Pinho Vargas participaram os instrumentistas José Nogueira (saxofones), Mário Barreiros (bateria), Quico (sintetizadores), Pedro Barreiros (contrabaixo) e Rui Junior (tablas e percussão).
Diplomou-se em Composição no Conservatório de Roterdão em 1990. A partir da sua passagem pela Holanda passa a dedicar-se principalmente à composição erudita contemporânea.
Em 1991 é lançado o disco "Selos e Borboletas" que foi canditado ao Prémio José Afonso. Neste ano inicia actividade de professor de Composição na ESM (Escola Superior de Música) de Lisboa. Trabalha com Amália num trabalho que não chegou a ser publicado devido a um problema de direitos com os herdeiros da poetisa Cecilia Meireles. Tinha outros projectos com a fadista mas que não chegaram a ser concretizados.
Em 1993 retoma a colaboração com João Botelho e Carlos Avilez para quem faz a banda sonora do filme "Aqui na Terra" e da peça "Ricardo II".
O CD "Monodia", gravado na Igreja da Cartuxa e no Estúdio A da RDP, foi editado, em 1995, pela EMI Classics. A edição contou com o apoio de Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura. Neste ano foi condecorado, pelo Presidente de República Portuguesa, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.
Em 1996 é editado o álbum "A Luz e a Escuridão". O disco conta com a participação da cantora Maria João e do saxofonista José Nogueira.
Faz a banda sonora do filme "Cinco Dias, Cinco Noites" de José Fonseca e Costa. Por essa banda sonora recebeu o prémio da melhor música do Festival de Cinema de Gramado (Brasil).
Apresentou, em 1996, na Culturgest, a ópera de câmara "Édipo - Tragédia do Saber", a partir de textos de Pedro Paixão.
A EMI-Valentim de Carvalho lança em 1998 a colectânea "As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas. O quarteto de cordas "Monodia-quasi un requiem" foi tocado pelo Quarteto Artis de Viena e incluido no CD "Quartet Portuguese Chamber Music" do Arditti String (edição Etcetera Records).
Escreve "Os Dias Levantados", ópera sobre o 25 de Abril, com libreto de Manuel Gusmão.
O CD "Versos" foi editado, em 2001, pela Strauss, com o apoio do IPAE. É o autor da música do filme " Quem és tu?" de João Botelho.
Em Novembro de 2001, desloca-se a Londres onde participa no festival Atlantic Waves 2001.
A Culturgest organizou um Festival António Pinho Vargas, entre 16 de Fevereiro e 6 de Março de 2002, com a maior parte da sua obra. Foi feito o documentário "António Pinho Vargas, notas de um compositor", encomenda da Culturgest, LxFilmes e RTP, com realização de Manuel Mozos e Luís Correia. A obra "Judas", resultado de uma encomenda do Festival de Música Sacra, foi estreada em Viana do Castelo.
A Afrontamento editou, ainda em 2002, o livro "Sobre Música" com sete ensaios e uma recolha de textos e entrevistas.
É um dos membros fundadores da direcção artística da OrchestrUtópica formada em 2003. Participa também no disco "Movimentos Perpétuos - Música Para Carlos Paredes" com o tema "Dois Violinos para Carlos Paredes".
Em Fevereiro de 2004 é editado o CD com a gravação da ópera "Os Dias Levantados", realizada em 6 de Março de 2002, na Culturgest.


DISCOGRAFIA
Outros Lugares (LP, EMI, 1983)Cores E Aromas (LP, EMI, 1985)As Folhas Novas Mudam De Cor (LP, EMI, 1987)Os Jogos do Mundo (LP, EMI, 1989)Selos e Borboletas (CD, EMI, 1991)Monodia (CD, EMI Classics, 1994) A Luz e a Escuridão (CD, EMI, 1996)As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas (Compilação, EMI, 1998)Versos (CD, Strauss, 2001)



COMENTÁRIOS
«Eu toquei rock em baile de finalistas, toquei e toco jazz, toquei com a Amália, o Carlos do Carmo, o Vitorino. Num dado momento comecei a trabalhar também noutra área, com possibilidades permanentes de trabalho. Julgo que o status da música erudita portuguesa nunca terá deixado de olhar para mim como aquele rapaz que veio do jazz e que agora compôe umas coisas contemporâneas e tal. É uma marca que transporto comigo, nada a fazer.» APV/DNA
«Uma das coisas escritas sobre mim que mais me comoveu foi 'O homem que fez com que começasse a ser possível falar de jazz português'. A minha vida como músico de jazz nos anos 80 foi relativamente semelhante ao que está a ser agora na música erudita. Também aí achavam que aquilo não era bem jazz...» APV/DNA
«Posso dizer que aprendi a não ter complexos de superioridade em nenhum momento. Aprendi a respeitar a diversidade, aprendi que um rapaz de 18 anos pode pegar num PC e ser mais criativo do que um estudante do conservatório que anda a ver se consegue tocar igual ao pianista X ou Y. É bom que a atenção seja recíproca, ou seja, que as tribos da pop, do rock, do metal ou da electrónica, não se fechem demasiado com base num complexo qualquer e perceba que o mundo é mais diverso do que aquilo que pensam. A mensagem fundamental é estar atento à diversidade do Mundo!» APV/Divergências (2004)

17.3.07

O terrorista nº1 e os quatro mentirosos que lançaram uma guerra criminosa



Passam agora 4 anos que 4 mentirosos se reuniram na Cimeira dos Açores e concertaram entre si lançar uma criminosa guerra contra o Iraque a quem acusavam de possuir armas de destruição maciça.
E não olharam a meios para levarem a efeito os seus intentos. Desde intimidações, ameaças, manipulações e falsificações, a tudo recorreram para desencadearem uma guerra criminosa contra um país soberano e contra todos os princípios que regem as relações internacionais e que devem orientar a paz do mundo.
Esses mentirosos têm um nome e ainda andam à solta: são eles o presidente dos Estados Unidos da América, G.W. Bush, o primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar e o então primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barrosos. São estes os criminosos de guerra que ainda não foram presos nem julgados e a eles devem ser assacadas as devidas responsabilidades pelas milhares de perdas em vidas humanas e os colossais prejuísos materiais e ambientais que representou, e que não deixaram de aumentar, com o seu acto premeditado em invadir e ocupar o Iraque através dos exércitos da coligação.
Enquanto tais personagens sinistros não forem responsabilizados e chamados a responder pelos seus actos criminosos não haverá Justiça nem muito menos se podem pedir responsabilidades aos mais fracos, uma vez que o mau exemplo está lá bem em cima com o líder da maior potência do Mundo a ser considerado o mais perigoso terrorista do mundo e inimigo confesso da Paz mundial.
As 650.000 vítimas que a guerra do Iraque já ´causou, segundo fontes independentes, impõem que os 4 principais responsáveis deste genocídio sejam presos e condenados pela comunidade nternacional por crimes contra a Humanidade e a Paz mundial.

16.3.07

Campos Lima

O texto que a seguir reproduzimos foi retirado do blogue Almanaque Republicano ,cuja consulta se recomenda, e a quem saudamos pela qualidade de conteúdo e o interesse dos seus artigos, e no pressuposto da sua anuência para a publicação no Pimenta Negra deste post acerca de Campos Lima, uma figura ímpar do movimento anarquista português.

Campos Lima a discursar aos estudantes por ocasião da Greve Académica de 2007 na Universidade de Coimbra



João Evangelista de Campos Lima [1877 ?-1956 * ver nota no fim do post] nasce a 16 de Setembro no Porto. Foi estudante de direito em Coimbra e destacou-se (ver aqui e aqui) na denominada Questão Académica de 1907 ou Greve Académica de 1907. Colaborou, muito cedo, em jornais e revistas literárias (e libertárias).



[Ave Azul, Viseu, 1900 / Bohémios, 1900, publicação simbolista do Porto / Mocidade, de Lisboa, 1901 (data desse ano o opúsculo de C.L., "Nova Crença", Coimbra, 1901) / Revista Livre, publicação libertária de Coimbra sob sua direcção, 1902 / Arte e Vida, Coimbra, 1904-1906 / A Vida, Porto, 1905 - curioso semanário libertário, dirigido por Manuel Joaquim de Sousa e a partir de 1909, por Álvaro Pinto, com colaboração de Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Teixeira de Pascoaes, Alfredo Pimenta, Pinto Quartim, Homen Cristo Filho, etc / Nova Silva, Porto, 1907, revista dirigida por Leonardo Coimbra - veja-se, Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Séc XX, Lisboa, Grifo,1996]




Em finais de 1905, Campos Lima, que se tornaria num hábil orador, aparecia já a pronunciar conferências sobre questões sociais [como em Outubro de 1905, na Liga das Artes Gráficas, sob o tema "A Questão Social", conferência que foi publicada em 1906, em livro, sob edições do NEA] e militava na corrente libertária, integrando o NEA [Núcleo de Educação Anarquista de Coimbra, 1906], pelo que colabora no seu jornal, Era Nova [nº1, 3 de Fevereiro 1906, onde escreviam, também, Alfredo Pimenta, Ângelo Vaz, Pestana Júnior, Araújo Pereira (actor), Bento Faria (jornalista), Emílio Costa, Gonçalves Preto, Lopes Oliveira, Pulido Valente,.., ver Edgar Rodrigues, Breve Historia do Pensamento e das Lutas Sociais em Portugal, p. 124].



Em 1906, Campos Lima, regressado de Paris, onde tinha ido com o Orfeão Académico de Coimbra [ver, Campos Lima, "Os meus dez dias em Paris", 1906] lança o projecto da "Escola Livre", que de algum modo reflecte essa ideia de "educação libertária", tão cara ao ideário anarquista, e que teve em Portugal, nesses anos, uma considerável difusão através da chamada "Escola Moderna" [a Escola Moderna seguia os métodos do espanhol Francisco Ferrer e de La Ruche de Sebastião Faure, em França].



Nesse mesmo ano adere à maçonaria, tendo sido iniciado [24/11/1906] na Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz [onde temporariamente residiu] com o nome simbólico de Kropotkine [depois, dado a sua mudança da Figueira da Foz para Lisboa, pede o atestado de quite a 27/12/1907], tendo atingido posteriormente "cargos relevantes no GOLU e no Grande Tribunal Maçónico" [ver, A Loja Fernandes Tomás, O Arquivo e a História, ed. Museu Figueira da Foz, 2001 e o Dicionário de Maçonaria de Oliveira Marques, Delta, 1986]


Em 1907, em consequência da Greve Académica de Coimbra, é expulso da Faculdade de Direito, sendo depois "indultado e formando-se nesse ano" [refª Gr. Enc. Port-Bras., vol 5]. Depois, exerceu a advocacia em Lisboa com grande sucesso, participou na comissão da "Reforma da Lei do Inquilinato", fez parte da comissão organizadora do Congresso Cooperativista, integrou a Comissão do Congresso de Livre Pensamento (Outubro de 1913) e surge como fazendo parte da Caixa de Previdência dos Profissionais de Imprensa ("até à sua dissolução, em 1934"). Ao mesmo tempo continuava a realizar conferências sobre questões sociais e o ensino (principalmente "em associações operárias"), participava activamente na luta política, onde se distinguia como excelente orador, ao mesmo tempos que era professor na Escola Industrial de Afonso Domingues, em Lisboa.




[NOTA: a data de nascimento de Campos Lima torna-se, de algum modo, complicado de apurar a partir das diferentes biografias consultadas. Em quase todas elas, e foram muitas (como Oliveira Marques, António Ventura, a enc. Portuguesa e Brasileira,etc.), surge como data do seu nascimento 1887 (o que a ser verdade significa que C.L. teria 20 anos quando se formou, bem como seria muitíssimo jovem quando começa a publicar textos em revistas e jornais, o que nos deixou perplexos). A enciclopédia Lello refere o ano de 1877, o mesmo ano de nascimento que lhe atribui Edgar Rodrigues (A Oposição libertária em Portugal 1939-1974, Sementeira, 1982), significando que Campos Lima, que se formou em 1907, teria na época 30 anos, o que não sendo impossível, nos parece pouco provável. Outra fonte - A Loja Fernandes Tomás O Arquivo e a História, ed. Museu Figueira da Foz, 2001 - refere como data de nascimento 1874, o que ainda é menos plausível. Portanto, a nosso ver e salvo melhor opinião, existe alguma inexactidão sobre a data de nascimento de Campos Lima, que de momento não conseguimos ultrapassar, de todo. No Arquivo da U. de Coimbra há o registo da matrícula de Campos Lima a 4/10/1902. Porém não se conseguiu encontrar a sua certidão de nascimento, bem como na Carta de Curso não aparece nenhum documento sobre o aluno J.E.C.L., pelo que a dúvida subsiste. Continuaremos, quanto nos for possível, a investigação sobre o assunto - em actualização]


Em 1924, Campos Lima funda a Editora Spartacus


[onde publicou contos, romances e opúsculos seus, como O Amor e a Vida, 1924; A Revolução em Portugal, 1925; A Ceia dos Pobres (3ª ed., peça para teatro, publicada inicialmente em 1906 e que teve grande êxito no Brasil entre a comunidade libertária), a Teoria Libertária ou o Anarquismo, 1926; Gente Devota, 1927; Mulher Perdida, 1928; etc. Registe-se a publicação, pelas Edições Spartacus, das raras novelas de Ferreira de Castro, "Sendas do Lirismo e de Amor”" e "A Casa dos Móveis Dourados"]


e mantêm a sua faceta de jornalista [sócio efectivo da Casa dos Jornalistas nº 120, de 11/11/1924], articulista e, mesmo, de director, num conjunto quase infindável de publicações periódicas. Assim, colabora no jornal Vanguarda (1899-1911), no jornal O Mundo (1900), na Verdade (1903), no jornal republicano País (1905-1921), na Era Nova (já citado), na Greve (jornal republicano-sindicalista, dir. Alexandre Vieira, 1908), no jornal republicano O Povo (1911-1916), no importante semanário libertário Terra Livre (1913), no diário do partido republicano "Portugal" (1917-1920), no jornal O Século, na Pátria (1920), no Diário de Notícias, no jornal republicano da tarde A Notícia (1928), no Diário da Noite (Lisboa, 1932-33), Gleba (1934-35), no jornal anarquista A Batalha e no seu importante suplemento literário, na Revista do Instituto de Coimbra, na Vida Contemporânea (1934-36), no magazine mensal Civilização [dirigido por Ferreira de Castro e Campos Monteiro, 1925-37]. Foi também [proprietário e] director do diário da tarde "A Boa Nova" [nº1, 1 Maio 1908], da Imprensa de Lisboa [diário dos grevistas e único que se publicou na Greve de 1921], do jornal Imprensa Livre [1925, onde colaborou Ferreira de Castro que, curiosamente nesse mesmo ano, publica o célebre e raro livro Mas...], funda [Março de 1929-Fevereiro 1930] a revista libertária Cultura [XIV numrs] e é, ainda, director [entre o nº 275-326] do semanário de critica literária e artística O Diabo, em 1939.


Campos Lima foi um manifestamente um intelectual de orientação libertária [registe-se que João Freire, no seu artigo "A evolução ideológica de alguns expoentes do anarquismo português no pós-guerra" (Revista da Biblioteca Nacional, 1-2, 1995, p. 140) assinala a existência de um "grupo informal de antigos libertários" reunidos como tertúlia, da qual fazia parte, além de Campos Lima, Emílio Costa, Pinto Quartim, Jaime Brasil e Alexandre Vieira, e que se "reuniam habitualmente no Café Chiado", debatendo, conspirando e estabelecendo "programas políticos libertários"], um historiador do movimento operário, libertário e republicano [veja-se a sua Dissertação para a cadeira de Ciência Económica da FDUC, "O Movimento Operário em Portugal" (publicado em 1910 e, depois, em 1972), "O Estado e a Evolução do Direito" (1914), "O Reino da Traulitânia (25 dias de reacção monárquica" (1919), "A revolução em Portugal" (1925) ou leia-se os artigos da revista Cultura (em especial "Nós e as Ditaduras", nº 3, 1929)], um verdadeiro romântico de "ideias livres". Nunca aceitou ser deputado, tendo recusado cargos de chefia de estado, como governador civil de Braga (durante o "ministério de Bernardino Machado") ou ministro da Justiça (convite que lhe é feito depois do "movimento de 19 de Outubro de 1921").


Torna-se por isso tudo e, justamente, pela "sua conduta”", "aprumo moral", "tolerância", "indiferença à glória" e total "desassombro" [refª a artigo de Belisário Pimenta sobre C.L., Vértice, nº 153] uma figura absolutamente notável, que assume, defende e professa as suas ideias até ao fim da sua luminosa vida, a 15 de Março de 1956.


Bibliografia geral consultada: Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal: as convergências possíveis (1892-1910), de António Ventura, Cosmos, 2000 / Breve História do Pensamento e das Lutas Sociais em Portugal, por Edgar Rodrigues, Assírio & Alvim, 1977 / Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Séc XX, de Daniel Pires, Grifo,1996 / Jornais Diários Portugueses do séc. XX, de Mário Matos e Lemos, Ariadne Editora, Coimbra, 2006 / Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol 5

J.M.M.