8.3.07

A nossa acção de solidariedade para com Ungdomshuset

Boicotem TUBORG, CARLSBERG, LURPAK, LEGO,...

Boicotem todos os produtos dinamarqueses como forma de solidariedade para os activistas jovens do centro social Ungdomshuset, de Copenhaga!


Mostremos a nossa solidariedade para com os activistas sociais e alternativos de Copenhaga que defenderam enquanto puderam e de forma heróica o seu centro social alternativo face ao poder desmedido da polícia ao serviço do governo direitista e à Câmara social-democrata da capital da Dinamarca.

Na sequência do despejo e demolição do centro social foi lançado um apelo a nível internacional para boicotarmos os produtos de origem dinamarquesa como forma de contestar a arbitrariedade cometida pelos poderes políticos contra os jovens alternativos de Copenhaga e que levou à expulsão dos antigos utentes e subsequente demolição do centro social da juventude Ungdomshuset, assim como denunciar a detenção indiscriminada e abusiva de centenas de jovens activistas e manifestantes nas ruas da cidade de Copenhaga.
Os espaços auto-geridos autónomos de Copenhaga e arredores pertencem a toda a juventude insurgente e arternativa da Europa.


Recorde-se que no edifício que agora foi demolido, e que era o centro da juventude alternativa de Copenhaga, nesse mesmo local realizou-se em 1910 a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas com a presença de Clara Zetkin onde se propôs que o dia 8 de Março fosse declarado o Dia internacional da mulher.
De facto, três anos antes que Emily Davison tentasse travar o cavalo do rei Jorge em Epson, tornando-se na primeira mulher mártir da luta pelo sufragismo (1913) e dois anos depois que 129 trabalhadores da fábrica Cotton Textile Factory de Nueva York, sendo a maior parte delas emigrantes, morreram num incêndio quando reivindicavam melhores condições de vida e de trabalho ( «Bread and Roses», 1908), Clara Zetkin cruzou as portas de entrada do edifício Ungdomhus empunhando um sombrero e perante mais de 100 companheiras chagadas de 17 países lhes propôs o estabelecimento do Dia Internacional da Mulher para o dia 8 de Março.

Ironicamente foi esse mesmo edifício com toda essa simbologia histórica, e verdadeiro património histórico da humanidade que a Câmara social-democrata de Copenhaga resolveu demolir depois de ter despejado os activistas que ocupavam o seu centro social.

Com a demolição o que se pretendeu foi acabar como o mal exemplo, a administração colectiva e autogestionária, quantas vezes sem recursos e com grande ânimo e voluntarismo, abafar os projectos, as oficinas, os concertos, a autoconsciência crítica e não remunerada, o antagonismo prática à «cidade-supermercado» a que nos querem condenar

Dia Internacional da Mulher

"Every time we liberate a woman, we liberate a man."
Margaret Mead

Consultar os textos já publicados neste blogue:
- A origem do dia internacional da mulher
- 8 de Março – Greve global das mulheres
- A mulher é o futuro do homem ( canção de Jean Ferrat sob inspiração de Aragon)

Femmes debout
( série de 5 episódios sobre a luta pela emancipação da mulher)


Parte 1







Parte 2







Parte 3







Parte 4







Parte 5







A MULHER E A RESISTÊNCIA

8 de Março – A Mulher e a Resistência

O Movimento Não apaguem a Memória vai promover no dia 8 de Março um colóquio subordinado ao tema “A Mulher e a Resistência”.

Vai decorrer na Biblioteca-Museu República e Resistência e desenvolver-se-á em duas partes, reservando para a noite uma sessão de convívio, a decorrer na Associação 25 de Abril:

Manhã – 10h:
Abertura por Nuno Teotónio Pereira, em representação do Movimento.

Contextualização histórica do período ditatorial do Estado Novo, por Irene Pimentel.
Comunicações de Vanessa Almeida sobre “As mulheres das casas clandestinas”;e de Sónia Ferreira, sobre “Resistência feminina em Almada”
Apresentação das outras instituições promotoras do colóquio

Tarde – 14h30:

Projecção de um documentário sobre o papel das mulheres na resistência, no caso o estatuto das enfermeiras, centrado na figura da Isaura Borges Coelho, da autoria de Susana Sousa Dias.Seguem-se depoimentos, em breves intervenções de 5 minutos, a partir do próprio auditório, com testemunhos do cárcere e da vida de resistência, das mulheres presas pela PIDE/DGS no período ditatorial do Estado Novo.Para uma melhor articulação da sessão e evitar quebras de ritmo, ordenam-se os testemunhos em quatro grupos:Clandestinas: Albertina Diogo; Domicília Correia da Costa; Ivone Dias Lourenço; Georgete Ferreira; Sofia Ferreira; Teresa Dias Coelho.Resistência legal: Isaura Borges Coelho; Hortênsia Campos Lima; Isabel do Carmo; Helena Pato; Luísa Irene Dias Amado; Maria Eugénia Varela Gomes; Maria Purificação Araújo; Maria Jesus Barroso; Estela Piteira Santos.Movimento estudantil: Gina Azevedo; Maria Emília Neves; Maria João Gerardo; Sara Amâncio.Mulheres do Couço: Maria Custódia Chibante.

Encerramento das actividades do colóquio na Biblioteca-museu República e Resistência às 17h30

Reabertura das actividades às 19h, na Associação 25Abril

Inauguração da banca de livros alusiva ao tema, com apoio da Ler Devagar, e preparação da sala para o convívio da noite.

Noite:Convívio com poesia, música e canções, no átrio da Associação 25 de Abril, com o Vítor Sarmento e companheiros do Erva de Cheiro, um jogo de jograis, a cargo da Maria Emília Neves.


Programa da Romagem a Coruche e ao Couço
(10 de Março – sábado)

8h30 – Saída de Lisboa. Concentração na Avenida de Berna, junto à entrada principal da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (diante da Igreja Nossa Senhora de Fátima.

10h – Chegada a Coruche. Sessão de boas-vindas no Museu Municipal pelo presidente da Câmara, Dionísio Mendes da Silva.
Evocação da resistência antifascista no concelho de Coruche, feita pelo presidente do município e pela antropóloga Paula Godinho
Visita à exposição em homenagem a Zeca Afonso

13h – Almoço, oferecido pela Câmara Municipal de Coruche

14h30 – Partida para o Couço e Azervadinha

15h – Visita à igreja da Azervadinha e relato do episódio sobre a estadia dos padres holandeses na década de 1960, que levou à sua expulsão do país.

15h30 – Viagem para o Couço

16h – Visita ao Couço e aos lugares simbólicos da resistência antifascista, guiada pela resistente Maria Custódia Chibante e pela antropóloga Paula Godinho

17h – Momento de convívio e de petiscos na Cooperativa “Conquista do Povo”

18h – Regresso a Lisboa

Preço da viagem: 10 euros
Preço solidário: 15 euros

N. B. – As inscrições estão a limitadas às primeiras 43 pessoas, devido à lotação do autocarro.
Podem fazer-se até 8 de Março (inclusive), para os seguintes contactos:
Grupo de Ligação – e-mail: contacto@maismemoria.org


Romagem a Coruche e ao Couço

As inscrições para a romagem de 10 de Março, sábado, vão encerrar no final do colóquio “A Mulher e a Resistência”, que decorre amanhã, 8 de Março, na Biblioteca-Museu República e Resistência.
Pede-se às pessoas inscritas que regulem no decorrer do colóquio a sua prestação financeira, pois a conta da deslocação do autocarro, já fretado à Barraqueiro, terá que ser liquidada na manhã de sexta-feira, 9 de Março.

No total estão reservados 34 lugares, para um total de 45 lugares



O nº 8 do Coice de Mula já está à venda

O nº 8 do jornal Coice de Mula ( preço de 2 euros) já está em circulação e à venda nos locais habituais e, como sempre, com um impecável aspecto gráfico.
A redacção e coordenação continuam a cargo de José Tavares e de Júlio Henriques


Deste número destaca-se um dossier sobre a agricultura industrial e a agricultura orgânica onde se incluem os seguintes textos:

- «Os sete mitos mortais da agricultura industrial» (extraído do livro Fatal Harvest: the tragedy of industrial agriculture, obra colectiva editada pela Island Press),
- «Guerra biológica contra a natureza» de Rachel Carson (bióloga e ensaísta, autora de Silent Spring, livro que contribuiu para a eclosão do movimento ecologista nos EUA), - - Hortas Urbanas ( de autoria do ornitólogo Paulo Barreiros),
- Nova agricultura: de biológica a biomercadológica ( por Maria José Macedo),
- Incêndio dos aspectos, Por detrás do fogo ( autor: Jorge Valadas).

Encontramos em seguida dois textos da crítica civilizacional, um de Marshall Sahlins, «A primeira sociedade da abundância», e um segundo que é um excerto do discurso de Russel Means proferido em Julho de 1980 perante vários milhares de pessoas que compareceram à Reunião para a sobrevivência internacional das Black Hills.
Acresce a isto um longo texto de Jacques Ellul retirado do seu livro Propagandes.

Encontramos também vários textos, crónicas e notícias brilhantemente escritas e sempre com um pendor de ironia e de crítica social, sem esquecer a sempre presente Banda Desenhada.
Finalmente, e como novidade, o jornal traz neste número um suplemento desporivo onde são desvendados alguns dos mais espantosos segredos do desporto nacional não fosse o título de um dos seus textos mais bem inpirados «Futebol e mais Massas».

Mais um número imperdível que simbolicamente é colocado sob o signo «da despoluição da arte contemporânea» como se pode ler na sua primeira página.


Do texto inicial, com o título A Nossa Civilização, escrito por Júlio Henriques respigamos este trecho:

«A civilização europeia é uma civilização do Ter. O seu único deus verdadeiro é o Dinheiro. Mostram-no as suas práticas mais comuns e revela-o à saciedade todo o processo colonial…»



O Coice de Mula encontra-se nomeadamente à venda nos seguintes locais:

Aljustral – no C.A. Gonçalves Correia
Almada – Centro de Cultura Libertária
Aveiro – Livraria O Navio dos Espelhos
Braga – Livraria Centésima Página
Coimbra – Café República; Livraria Nihil Obstat, Sé Vela
Évora – quiosque da Praça do Giraldo, e o da Praça Luís de Camões
Leiria – Livraria Arquivo
Lisboa – Livraria Letra Livre, livraria ler devagar e na BOESG
Montemor-O-Novo – Livraria Fonte de Letras
Ourém – Livraria Som da Tinta
Portalegre – Livraria Tavares, Livraria 8.6, quiosque do Parque
Porto – Livraria utopia, quiosquedo café Piolho
Setúbal – COSA


Informações e pedidos podem ser dirigidos para
jornal_coice_de_mula@hotmail.com

7.3.07

Encontro em defesa do Rio Sabor (10 e 11 Março)


Nos dias 10 e 11 de Março vai decorrer o II Encontro "Pelo Rio Sabor" no concelho de Mogadouro, recordando a concentração que ocorreu em 2004 em que se reuniram ali cerca de 400 pessoas de todo o país. Será um evento que pretende englobar uma descida de canoa/kayak de um troço do rio Sabor, e passeios temáticos nas suas margens orientados para temas relacionados com o rio. Esta será mais uma óptima oportunidade para se conhecer este magnífico rio.

Como se sabe, existe um projecto para a construção de uma mega-barragem na zona do Baixo Sabor, defendido pelo Governo e pelas autarquias locais. O Rio Sabor, é o último grande rio sem barragens do nosso país, e um dos últimos da Europa nestas condições, sendo por isso reconhecido por muitos, como o último grande rio "selvagem". De facto, este rio possui características únicas, que lhe permitem conservar uma importante comunidade de aves rupícolas ameaçadas e habitats de conservação prioritária a nível Europeu. Trata-se de uma área classificada como Rede Natura 2000 e Zona de Protecção Especial, segundo as Directivas Comunitárias, onde, por essas razões, não podem ser realizados empreendimentos causadores de grandes impactos ambientais. Face à decisão do Estado português aí construir uma barragem de grandes dimensões, que iria afectar 50 km de rio, a Plataforma Sabor Livre, apresentou uma queixa à Comissão Europeia, no sentido desta não aprovar a construção desta barragem e ainda de impedir o acesso a fundos comunitários para esse fim.
Numa altura em que a Comissão Europeia se encontra a analisar todo o processo, a Plataforma Sabor Livre pretende continuar a alertar a opinião pública para esta situação, tornando conhecida a opinião de muitos portugueses a favor do abandono deste projecto. Com este evento pretende-se demonstrar um dos grandes aproveitamentos do Sabor como rio de águas rápidas com enorme interesse para a prática de desportos ligados à canoagem, e de todo o seu ecossistema como exemplo de museu "vivo" para passeios temáticos orientados para a observação do património natural ou simplesmente para passeios turísticos na natureza.

A tua participação será muito importante! Junta-te a nós para continuarmos a fazer valer os nossos princípios!

Vem conhecer e passear "pelo rio Sabor" nos próximos dias 10 e 11 de Março!

Plataforma Sabor Livre


Mais informações e inscrições em:
www.saborlivre.org
www.aldeia.org

Contacto:
saborlivre@gmail.com
960 173 863






Ponto de encontro em Lisboa:
na Praça do Saldanha - na entrada do Atrium Saldanha, sexta-feira 9 de Março, partida às 19h.
Viagem em viaturas particulares, de Lisboa em direcção a Mogadouro (Trás-os-Montes). Pernoita de sexta para sábado em residencial, em localidade entre Guarda e Torre de Moncorvo (em função da hora de chegada).
Chegada no sábado ao rio Sabor, ao local de encontro, pelas 10h. Pernoita em S.Antão da Barca (Alfândega da Fé), conforme programa em anexo.
Partida para Lisboa no Domingo, de Santo Antão da Barca, pelas 15h.
Chegada prevista a Lisboa (Saldanha) pelas 21h30.

Contactos:
fapas.lisboa@clix.pt
telemóvel: Sérgio Gomes - 96 292 9227; João Morais - 93 84913 55 (a partir das 18h30).

Protestos contra os aumentos das rendas impostos pela Câmara do Porto


Pela Defesa dos Serviços Públicos
...nos transportes, na saúde, na educação e na habitação social


Consultar o blogue de defesa dos utentes dos transportes públicos



Jovens e velhos juntaram-se para contestar a política habitacional da Cãmara do Porto

Cerca de 100 inquilinos municipais manifestaram-se 2ª feira à noite junto aos Paços do Concelho da Câmara Muncipal do Porto contra o que dizem ser "uma política atroz da maioria PSD/PP em relação ao aumento brutal e ilegal das rendas".

Para cada um dos elementos da autarquia que entrava na Câmara para a Assembleia Municipal havia um grito de ordem. "Gatunos, gatunos", "Está na hora do Rio ir embora" marcavam a maioria dos protestos.

Reagindo à fraca presença de manifestantes (a Câmara é a maior senhoria da Europa, detém 43 bairros sociais na cidade, com um total de cerca de 40 mil inquilinos), os organizadores afirmavam que isso se devia à política de Rui Rio, que, "tal como no tempo da PIDE, põe em prática uma política de divisão entre os moradores para assim melhor poder reinar"."

Para a próxima trazemos comidas e bebidas", comentava outro dos manifestantes, lamentadando "que os mais atingidos tenham preferido ficar em casa a ver televisão".

A razão da manifestação, marcada por um bem visível dispositivo policial, deveu-se ao facto de ao mesmo tempo decorrer uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal do Porto, em que seria analisada a legalidade da recente actualização das rendas dos bairros sociais.

O debate foi agendado por eleitos de toda a Oposição (PS, CDU e BE) nos termos de uma disposição regimental que permite a convocação de sessões a requerimento de pelo menos um terço dos deputados municipais. Embora as rendas fossem a razão do protesto, outros casos apareceram. Uma moradora da Pasteleira, ontem mesmo despejada sob a acusação de "prática de actos ilícitos (posse de armas e tráfico de droga)", aproveitou para lamentar e negar as acusações.

Josh Wolf, blogger preso por defender a liberdade de imprensa nos Estados Unidos


Consultar:





Texto de Joana Amaral Cardoso

Fonte : jornal Público


Preso por não colaborar com a justiça, Josh Wolf criou uma rede de apoio on-line (e não só) em defesa da sua libertação

Josh Wolf não é um jornalista tradicional, não garante a sua imparcialidade e é empregado do seu próprio vídeo-blogue.

Um sinal dos tempos em carne e osso, Josh Wolf está a bater recordes da defesa da liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Preso há cerca de 200 dias, Wolf, de 24 anos, é o primeiro blogger detido pelas autoridades federais por se recusar a entregar à justiça norte-americana imagens que recolheu durante uma manifestação. e tornou-se uma espécie de porta-estandarte da era digital do jornalismo convencional.

"Sou um jornalista. Sou um realizador de documentários. Fiz alguns filmes narrativos. Sou um activista. Uso muitos chapéus... também sou um vídeo-blogger", disse ao programa frontline, da estação pública norte-americana PBS.

Alvo da atenção da polícia de São Francisco e, depois, do FBI, durante o seu último ano na universidade estatal de São Francisco, foi preso a 1 de Agosto por desobediência ao tribunal, que exigia a entrega da gravação com as imagens que editou e vendeu a um canal de televisão, mas sobretudo com aquelas que ficaram de fora, e foi libertado um mês depois. Mas um recurso voltou a remetê-lo ao estabelecimento prisional de Dublin, na Califórnia, a 20 de Setembro, onde se encontra até hoje.

É o jornalista que há mais tempo está preso na história dos EUA por se recusar a entregar material ao governo. a organização Repórteres Sem Fronteiras considera que "a situação da liberdade de expressão em 2006 piorou com a prisão do blogger e jornalista freelance Josh Wolf". O jovem "não é só um blogger", considera o Publisher do San Francisco Bay Guardian, "é também um herói da primeira emenda, é um herói dos cidadãos, é um herói jornalístico".


Manifestação anarquista


Antes da era youtube, josh wolf já mexia com a imagem e com a internet, com um ângulo pessoal. Queria fazer algo pela democratização dos média, dos contributos que todos os cidadãos podiam trazer ao mundo tradicional da imprensa, rádio e televisão.

A internet permitiu-lhe transformar esse tríptico num diálogo a quatro. Montou a sua banca em www.joshwolf.net e, depois de se ter irritado com a current tv de Al Gore, um canal de televisão on-line que vive dos contributos dos utilizadores, criou a rede rise up!, semelhante ao indymedia.org, onde qualquer pessoa pode publicar as suas imagens e textos. No dia 8 de julho de 2005, Josh Wolf tinha o chapéu de jornalista posto e foi acompanhar uma manifestação em São Francisco contra a cimeira do g8 na Escócia.

Nas imagens que divulgou, e vendeu a estações de televisão locais, dezenas de manifestantes, alguns com máscaras na cara e com os logótipos do grupo anarchist action, acendem material pirotécnico e começam a bloquear o trânsito. No vídeo, vê-se o agente Michael Wolf perseguir um suspeito de bloquear o carro de patrulha em que chegou com o agente Pete Shields, tentando depois algemá-lo. O colega ficou a tentar prender alguém que acendia fogo-de-artifício sob o carro de patrulha, quando alguém o agrediu pelas costas. Josh Wolf estava a filmar o agente wolf e não shields. O governo federal quer as imagens que não foram mostradas para, defende, identificar os autores dos danos ao carro e ao agente agredido na cabeça.
O seu advogado, Martin Garbus, conhecido defensor da primeira emenda à constituição dos EAU (que garante a liberdade de expressão e de imprensa), desmonta as acusações e argumentos da procuradoria federal. Para Garbus, as autoridades federais não querem saber mais para constituir a sua investigação, mas sim identificar os participantes na manifestação, no âmbito de um esforço de catalogação dos anarquistas, extremistas e outros grupos políticos dissidentes no país. O próprio Wolf sugere que o governo poderá estar a agir de forma "coerciva e sigilosa". numa entrevista ao news.com, a partir da prisão durante a sua primeira detenção, opinou: "algo me diz que isto é sobre mais do que estragos num carro da polícia de são francisco".


Jornalista-activista Josh Wolf dedicou a sua curta vida semi-profissional ao activismo jornalístico, a criar uma alternativa à informação dos grandes grupos de média. Agora, são aqueles que trabalham para essas instituições e os organismos que representam o jornalismo tradicional que saem em sua defesa. Éo caso de judith miller, a ex-jornalista do New York Times que esteve presa 85 dias em 2005 por se recusar a testemunhar numa investigação federal sobre a fuga de informação que revelou que Valerie Plame era uma agente da agência de serviços secretos norte-americanos cia. Miller já manifestou publicamente o seu apoio à atitude de Wolf. O mesmo fizeram a sociedade de jornalistas profissionais (spj), os rsf, a american civil liberties union e o conselho editorial do jornal San Francisco Chronicle.

Na internet, à excepção dos seus amigos - que mantêm o activismo, o site de josh wolf e blogs actualizados com as palavras que recolhem junto dele na prisão -, apenas uma tímida fatia da blogosfera se lançou em sua defesa. Mas os seus diferentes chapéus e o seu hábito frequente de vestir a camisola das causas que filma coloca-o num patamar dúbio. Josh wolf é ou não jornalista? O jovem norte-americano auto-intitula-se cidadão-jornalista, ou jornalista freelance, para além dos outros rótulos que cola à sua actividade de câmara na mão.

No mundo há cada vez mais pessoas que, sem título profissional ou formação específica, criam conteúdos para a web ou contribuem, a convite de órgãos como a cnn, para os média tradicionais.

David Bodney, advogado especializado na área dos media, disse à online journalism review que o problema é que a lei ainda não se actualizou em relação aos efeitos que a internet está a ter nos processos de produção de informação. Mas no caso de wolf, a questão é que "não se pode ser e deixar de ser jornalista" de forma sistemática, argumenta Jane Briggs-Bunting, da cátedra de jornalismo da universidade de michigan. Em relação a Wolf, confessa ter sentido algum desconforto em relação às suas afirmações, nomeadamente pelo facto de "se ver como um advogado". "É muito, muito importante que se mantenha algum tipo de objectividade e distância".para a comunidade de defesa dos direitos civis e dos jornalistas, no entanto, o que mais pesa no caso wolf é a sua posição de força, de recusa de ceder sob a pressão do governo federal.


Jornalista do ano "por mais inconvencional e não-tradicional que o seu trabalho seja no jornalismo, Josh Wolf está a reforçar um argumento ancestral...que os jornalistas nunca devem ser um braço da aplicação da lei", frisa Christine Tatum, presidente da SJP.


A SJP elegeu-o um dos jornalistas do ano de 2006 e nomeou-o para o seu prémio de liberdade de informação na categoria internet. Pueng vongs, da sociedade, remata: "quer se seja um jornalista profissional ou um cidadão-jornalista, os direitos (à luz) da primeira emenda são os mesmos".
Segundo a comissão norte-americana de jornalistas pela liberdade de imprensa (rcfp), o prazo legal para o final da investigação do caso está fixado para julho, mas pode prolongar-se até janeiro de 2008. Josh wolf pode permanecer preso durante esse período.

No dia 17 de Março todos à Pr. D.João I (Porto) às 17.30 para construirmos o símbolo da paz

No dia 17 de Março vai realizar-se em vários pontos do mundo uma mobilização pela paz e pela não violência.

Em todos os casos, os participantes desenharão numa praça um símbolo humano alusivo à paz e à não-violência e farão um pedido público pelo desarmamento nuclear mundial

No Porto, esta mobilização será realizada na Praça D. João I às 17h30.

A corrida ao armamento nuclear, apesar de todos os tratados de não-proliferação, está na ordem do dia. Por outro lado, as potências nucleares admitem explicitamente usar o seu arsenal atómico em caso de necessidade.
O armamento nuclear disponível neste momento no mundo dava para destruir várias vezes o planeta. Além disso, a sofisticaçãoo tecnológica permite criar artefactos nucleares do tamanho de uma pasta de executivo, mas com uma potência superior às bombas atómicas lançaadas no Japão em 1945.
O risco de um cataclismo nuclear voltou aos níveis do tempo da guerra fria, como os próprios cientistas reconhecem (ver
www.thebulletin.org).
Até ao dia 17 de Marçoo estão previstas acções de divulgação.


Mais informação:
Alice Ribeiro, tlm 96 643 24 74



Ver ainda o clip de anúncio:

5.3.07

Contra as Bases Militares Estrangeiras

Pela Abolição do Militarismo

Conferência Internacional contra as Bases Militares Estrangeiras, organizada pela Rede Mundial «No-Bases» (International Network for the Abolition of Foreign Military Bases) entre 5 a 9 de Março em Quito, no Equador


Activistas, académicos e políticos de todas as regiões do mundo empenhados a favor da paz estão neste momento reunidos em Quito e Manta, no Equador, entre os dias 5 a 9 de Março a propósito da realização da Conferência Internacional pela Abolição das Bases Militares Estrangeiras espalhadas pelos quatros cantos do mundo.

95% das bases militares instaladas em território de outros países pertencem aos Estados Unidos da América, e os restantes 5% à França, ao Reino Unido, Índia e outros países. Apesar do ponto principal da reunião incida sobre a presença militar do exército norte-americano em muitos países do mundo, o objectivo da reunião é mais vasto e pretende analisar o «papel das bases militares estrangeiras e outras formas de presença militar estrangeira dentro da estratégia de dominação mundial e os seus impactos sobre a população e o meio ambiente.»


Outro objectivo da Conferência é formalizar e fortalecer a rede mundial «Não às Bases» que é integrada por 300 organizações civis de todo o mundo e que nasceu no seio do Fórum Social Mundial.«Esta é a primeira vez que a Rede articulada a nível electrónico se reúne fisicamente para potenciar a luta contra as bases a nível local e a nível global. Num mundo globalizado é necessário debater como uma Rede global põe fortalecer uma rede local e vice-versa e como se pode dar a articulação das lutas e resistências», afirma Anabel Estrella, coordenadora da Conferência.

A tarefa desta Rede de activistas é gigantesca se se tomar conta que os protestos pacíficos visam desafias a política belicista dos Estados Unidos, esse gorila das mil libras, como lhe chama o conhecido intelectual Noam Chomsky. Nesse desafio estam implicados milhões de pessoas de todo o lado que têm levado à organização e à realização de multitudinárias marchas e mobilizações contra a Guerra nos últimos 5 anos, desde que começou a Guerra do Iraque. Algumas dessas figuras estarão presentes na Conferência como é o caso da norte-americana Cindy Sheeham, do filipino Walden Bello, da mexicana Ana Esther Ceceña, de Lidesey Collen, da australiana Hannah Middletom, da professora portoiquenha Deborah Santana, do grego Athansios Pafílis.



A ideia é aquilatar da dimensão das bases militares estrangeiras no mundo. Dados já adiantados mostram-nos que em 2005 existiam 735 bases militares dos Estados Unidos distribuídas pelos cinco continentes. Essas bases representam um valor aproximado de 127.000 milhões de dólares. O total de pessoal militar residente nessas Bases totalizará 1.840.062, que é apoiado por 473.306 funcionário civis do Departamento de Defesa e 230.328 funcionário locais. Além disso, o Pentágono é o maior latifundiário do mundo uma vez que as suas Bases ocupam 12 milhões 726 mil e 669 hectares


Note-se que essas 735 Bases não incluem os chamados Postos avançados de Operações ou os Centros de Segurança Cooperativa, resultantes de acordos de acesso e cooperação assinados com os governos servis dos Estados Unidos e cujo número se eleva a mais de 1.000 locais em todo o planeta. A presença militar não consiste apenas em soldados armados, mas disfarça-se frequentemente sob a capa de missões de ajuda humanitária, missões médicas, missões de construção de escolas, etc.


Na América Latina a base Howard no Panamá foi desmantelada e substituída por outras quatro bases: Compalapa em El Salvador, Reina Beatriz em Aruba, Hato Rey em Curazao y Manta no Ecuador. EM porto Rico existe a de Vieques, nas Honduras há a base de Soto Cano/palmerolas. A estas há a acrescentar a base de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam na ilha de Cuba e que se tornou muito conhecida por nela estarem detidos alguns dos chamados inimigos dos Estados Unidos e sobre eles se praticar múltiplas formas de tortura e experiências. A isto deve-se acrescentar 17 radares distribuídos por diversos países latino-americanos como Peru e Colômbia.


A Conferência terminará com uma grande Marcha que sairá de Quito em direcção a Manta onde simbolicamente se realizará um acto público contra a bases norte-americana instalada na cidade, cujo porto foi inteiramente militarizado em prejuízo dos pescadores, para além da sua tradicional tranquilidade ter sido completamente destruída com a chegada dos militares norte-americanos em 2000.

Nota: Os dados foram recolhidos em «737 U.S. Military Bases = Global Empire», escrito por Chalmers Johnson


Para consultar o programa da Conferência e as dezenas de oradores que irão intervir:
http://www.no-bases.net/

Ver ainda:
http://alainet.org/active/15986
http://www.ecuador.indymedia.org/es/index.shtml




As Populações não querem Bases militares estrangeiras nas suas terras

OUTRO MUNDO É POSSÌVEL…se disseres BASTA às Bases Militares Estrangeiras!



Another World is possible if we say “Enough” to the foreign bases implemented around the world due to the negative political, environmental, social and cultural impacts.




The members of the International Organizing Committee (IOC) of the International Conference for the Abolition of Foreign Military Bases, Herbert Docena from Focus on the Global South from Philippines, Andrés Thomas from Democracy Now in USA; Corazón Fabros Valdez from Philippines, member of the International Organizing de Filipinas, integrante del IOC; Lina Cahuasquí, from the Ecuador No Bases Coalition, held a press conference to inform on the main objectives of the No Bases Conference. More than 400 participants from 50 countries will be participating in the Conference that will take place in Quito and Manta from March 5-9.



There are more than 1.000 foreign military bases around the world. The US, Russia, China, the UK and Italy have foreign military bases. Most of them belong to the US. According to official figures, there are 737 US bases in different countries. This does not include the secret military bases, such as the 4 installed in Iraq. In Germany there are 81 US bases and 37 in Japan.



Military bases are used in Iraq for destruction and death. Philippines had military bases in the US for more than 100 year to attack Vietnam and other countries. In this country, one of the most important effects was on human rights and democracy. US supported dictator Marcos with huge amounts of money in exchange of keeping the foreign military bases. Without the support, such a long dictatorship would not have been possible. Only after 1992, after occupation, we see the contamination.



We oppose to the invasion in Iraq and Afghanistan. We rejected the plans to install new bases in these countries and to attack Iran. In Iraq, the negative effect in terms of military and death have been possible, by the installed foreign military bases in that country. Vieques, in Puerto Rico, was contaminated with heavy, chemical metals and with nuclear (Uranian reduced) remainders that effected the water, the human beings and the atmosphere.



In Ecuador, what was offered by the US didn't take place or had negative results. The action has been limited to improve the runway while infantile prostitution, the birth of non-recognized children, and the number of unwished pregnancies have increased. The United States has exceeded their functions when intercepting and sink boats with migrantes. From the base of Manta the boats with drugs are intercepted and they fight the guerrilla.



The national bases opened to joint activities do not escape to being catalogued as foreign bases. In Asia, concretely in Japan and the Philippines, the United States has taken part fixing the accesses to the bases. In exchange for this, the United States can use those accesses and store ordnance. This has been possible by a bilateral agreement to use specific places, nevertheless, the United States uses any place of the Philippines for the joint military maneuverses.



Several bases are presented like places of cooperation and interchange, but these sites maintain communications equipment and are used to spy, as it happens in New Zealand.



In spite of the described panorama, the present world-wide frame of fight against the foreign military bases inspires and gives energy to us. In Italy more than 100 thousand people marched out to express that they will not longer accept the violation of the sovereignty of Italy. We celebrated that the Puerto Rican town has chosen a non-violence active way for the closing of Vieques, after 60 years of American military presence, and is demanding the decontamination and the return of earth.



Ecuador said no to a proposal of the United States to install another military base in the island of Baltra in Galápagos, Panama obtained the exit of the Navy military of the United States. We also celebrated the cease of joint military maneuverses in Uruguay, Argentina and Brazil.



The international Community is here to support the Ecuadorian town in its fight against the base of Manta, as well as to request the support of this town in the fight against the bases of the world. The position of the Ecuadorian Government inspires us to close the base of Manta. But also we are worried about the pressure that exerts the United States on the Ecuadorian Government in order to maintain it. We know that the paper of the Government of Ecuador is the key. We invited president Rafael Correa to our Conference so that the delegates can take the message to their countries that yes it is possible forsmall countries of the South like Ecuador, to defend the peace and the sovereignty, and to say "no" to the United States.



The people who will participate in this Conference that will be held from the 5 to the 9 of March, come, practically, of all the continents. From Greece, the world-wide Secretary of the World-wide Council for peace will come; Brazil will be presented by Socorro Robles. We will count on the presence of Sindy Sheehan, mother of one of the soldiers who died in Iraq.



The Conference reunites,not only activists, but also parlamentarians of Europe, Brazil and Venezuela. The Conference wants to analyze the impacts that the presence of foreign bases causes and to emphasize the local fights anywhere in the world. For that reason on the first day of the Conference, the activists of the social movements will share their fights, achievements and also certain failures. On the second day, we will plan the strategies to continue with our actions. Here in Quito the conference will finish with a great cultural festival, in which a campaign of solidarity for the definitive closing of the base of Manta will be sent. In the city of Manta we will spread what happens in the military base, and fight against its presence. In this city the Conference will be closed with another cultural festival.



Quito 2 of March of 2007

Communication Team

The International Conference for the Abolition of Foreign Military Bases

Contact: Edgar Andrade

Solidarity Forever - Sempre solidários

Solidarity Forever é uma canção que foi escrita pelo músico e activista sindical Ralph Chaplin em 1915 no âmbito da actvidade sindical do IWW (International Workers of World), usando a música de Julia Ward em Battle hymn of the Republic.

Mais tarde é retomada por Pete Seeger como tributo a todos os trabalhadores que se sacrificaram na luta por um mundo melhor.



When the Union's inspiration through the workers' blood shall run,
There can be no power greater anywhere beneath the sun.
Yet what force on earth is weaker than the feeble strength of one?
But the Union makes us strong.


Solidarity forever!
Solidarity forever!
Solidarity forever!
For the Union makes us strong.

Is there aught we hold in common with the greedy parasite
Who would lash us into serfdom and would crush us with his might?
Is there anything left to us but to organize and fight?
For the Union makes us strong.

[chorus]


It is we who plowed the prairies; built the cities where they trade;
Dug the mines and built the workshops; endless miles of railroad laid.
Now we stand outcast and starving, 'midst the wonders we have made;
But the Union makes us strong.

[chorus]

All the world that's owned by idle drones is ours and ours alone.
We have laid the wide foundations; built it skyward stone by stone.
It is ours, not to slave in, but to master and to own,
While the Union makes us strong.

[chorus]

They have taken untold millions that they never toiled to earn,
But without our brain and muscle not a single wheel can turn.
We can break their haughty power; gain our freedom when we learn

That the Union makes us strong.


[chorus]


In our hands is placed a power greater than their hoarded gold;
Greater than the might of armies, magnified a thousand-fold.
We can bring to birth a new world from the ashes of the old.
For the Union makes us strong.

[chorus]



L'Affiche Rouge ( Aragon)

Letra de Aragon
Musica e voz de Léo Ferré


Vous n’avez réclamé ni gloire ni les larmes
Ni l’orgue ni la prière aux agonisants
Onze ans déjà que cela passe vite onze ans
Vous vous étiez servis simplement de vos armes
La mort n’éblouit pas les yeux des Partisans

Vous aviez vos portraits sur les murs de nos villes
Noirs de barbe et de nuit hirsutes menaçants
L’affiche qui semblait une tache de sang
Parce qu’à prononcer vos noms sont difficiles
Y cherchait un effet de peur sur les passants

Nul ne semblait vous voir Français de préférence
Les gens allaient sans yeux pour vous le jour durant
Mais à l’heure du couvre-feu des doigts errants
Avaient écrit sous vos photos MORTS POUR LA FRANCE
Et les mornes matins en étaient différents

Tout avait la couleur uniforme du givre
A la fin février pour vos derniers moments
Et c’est alors que l’un de vous dit calmement
Bonheur à tous Bonheur à ceux qui vont survivre
Je meurs sans haine en moi pour le peuple allemand

Adieu la peine et le plaisir Adieu les roses
Adieu la vie adieu la lumière et le vent
Marie-toi sois heureuse et pense à moi souvent
Toi qui vas demeurer dans la beauté des choses
Quand tout sera fini plus tard en Erivan

Un grand soleil d’hiver éclaire la colline
Que la nature est belle et que le cœur me fend
La justice viendra sur nos pas triomphants
Ma Mélinée ô mon amour mon orpheline
Et je te dis de vivre et d’avoir un enfant

Ils étaient vingt et trois quand les fusils fleurirent
Vingt et trois qui donnaient le cœur avant le temps
Vingt et trois étrangers et nos frères pourtant
Vingt et trois amoureux de vivre à en mourir
Vingt et trois qui criaient la France en s’abattant







Leo Ferre- L'affiche rouge

A merda do prof. Martelo

Mão amiga enviou-me esta história que partilho agora aqui. Leiam e riam-se.


O famoso comentador da TV, Marcelo Rebelo de Sousa, seguia a bordo de um avião, de Lisboa para o Porto. Ao seu lado, reparou num garoto de uns 10 anos, de óculos com ar sério e compenetrado. Assim que o avião descolou, o garoto abriu um livro, mas Marcelo Rebelo de Sousa puxou conversa.

- Ouvi dizer que o voo parece mais curto se conversarmos com o passageiro do lado. Gostarias de conversar comigo?
O garoto fechou calmamente o livro e respondeu:
- Talvez seja interessante. Qual o tema que o Sr. gostaria de discutir?
- Ah, que tal política? Achas que devemos reeleger Pedro Santana Lopes ou dar uma chance a José Sócrates?
O garoto suspirou e replicou: - Pode ser um bom tema, mas antes preciso de lhe fazer uma pergunta.
- Então manda! - Encorajou MarceloRebelo de Sousa.
- Os cavalos, as vacas e os cabritos comem a mesma coisa, certo? Pasto, ervas, rações. Concorda?
- Sim. - Disse MarceloRebelo de Sousa.
- No entanto, os cabritos excrementam bolinhas, as vacas largam placas de bosta e os cavalos grandes bolas... Qual é arazão para isto?
Marcelo Rebelo de Sousa pensou por alguns instantes, mas confessou que não sabia a resposta...E o garoto concluiu:
- Então como é que o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar Portugal, se não entende de merda nenhuma?

Pedro pedreiro ( Chico Buarque)



Pedro pedreiro penseiro
esperando o trem
Manhã parece, carece
de esperar também para o bem
de quem tem bem
de quem não tem vintém

Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando o tempo passa
e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
esperando o trem,
esperando aumento
desde o ano passado
para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro está esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Pedro pedreiro está esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Que a esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem



FUNERAL DO LAVRADOR
(João Cabral de Melo Neto, voz de Chico Buarque)

Pau de arara ( Vinicius de Morais)

Pau de Arara
( letra de Vinicius de Morais, e voz de Zélia Barbosa)


Eu um dia cansado que tava
da fome que eu tinha
eu não tinha nada
que fome que eu tinha ,
que seca danada no meu Ceará
eu peguei e juntei
um restinho de coisas que eu tinha :
duas calças velhas e uma violinha
e num pau de arara
toquei para cá.
E de noite eu ficava na praia de Copacabana
zazando na praia de Copacabana
dançando o chachado pras moças olhá

Virgem Santa
que a fome era tanta
que nem voz eu tinha
Meu Deus quanta moça
que fome que eu tinha

Mais fome que tinha no meu Ceará
puxa vida que num tinha uma vida
pior do que a minhaque vida danada , que fome que eu tinha
zazando na praia pra lá e pra cá
quando eu via toda aquela gente
no come que come
eu juro que eu tinha saudades da fome
da fome que eu tinha no meu Cearà
e ai eu pegava e cantava
e dançava o xaxado
e só conseguia porque no xaxado
a gente só pode mesmo se arrastá.

Virgem Santa
que a fome era tanta
qu'inté parecia que mesmo xaxado
meu corpo subia
igual se tivesse querido voar.

Vou-me embora pró meu Ceará
porque lá tenho um nome
aqui não sou nada
sou só Zé com fome
sou só Pau de Arara
nem sei mais canto
vou picar minha mula
vou antes que tudo rebente
porque estou achando que o tempo está quente
pior do que antes não pode ficar.

Mais de 120 mil trabalhadores nas ruas de Lisboa em protesto contra o Governo Sócrates

Face ao silenciamento quase absoluto a que a grande manifestação da CGTP realizada no passado dia 2 de Março foi votada pelos media torna-se imperioso dar notícia desse acontecimento que revela o descontentamento e o grau de contestação que se vai espalhando pelo país fora face à política liberal do governo Sócrates e que atinge os mais pobres e carenciados.
Na verdade não é só a política de saúde e a política educativa que geram revolta e insatisfação junto da população mas toda a orientação governativa que, sob o pretexto da contracção orçamental, vai tomando as mais variadas medidas lesivas do bem estar dos trabalhadores portugueses.



http://www.cgtp.pt/index.php


Manifestação da CGTP foi provavelmente "a maior de todos os tempos"


A concentração nacional convocada pela CGTP, sob o lema “Juntos pela mudança de políticas”, entupiu as principais artérias de Lisboa. Aderiram ao protesto mais de 120 mil pessoas de todo o país, no que foi o maior número de manifestantes em dois anos do Governo liderado por José Sócrates. As críticas mais fortes visaram as políticas seguidas pelo Executivo socialista nas áreas da saúde e da educação.


A manifestação concentrou, durante quatro horas, trabalhadores dos sectores público e privado, que encheram as ruas e pararam o trânsito, do Saldanha aos Restauradores, e da Av. da Liberdade até junto à Assembleia da República, por onde passaram 120 mil pessoas, segundo afirmou ao PÚBLICO a PSP no local.Contudo, a organização do protesto referiu a presença de entre 130 mil a 150 mil manifestantes, o que supera a concentração realizada também pela Intersindical no passado dia 12 de Outubro – juntou na capital entre 80 mil e cem mil pessoas.


A dar voz a todos os protestos esteve o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, que, em frente à Assembleia da República, quando ainda muitos manifestantes estavam na Avenida da Liberdade, proferiu o discurso de encerramento da concentração nacional, que terminou já depois das 18h30, com a aprovação de novas manifestações a concretizar durante a presidência portuguesa da União Europeia.


Descontentamento pelas condições de vida e de trabalho


Carvalho da Silva considerou, no final, que a manifestação foi provavelmente "a maior de todos os tempos" e um grande protesto contra as políticas seguidas pelo Governo, acrescentando que, mais uma vez, os trabalhadores portugueses se mobilizaram para mostrar o descontentamento pelas actuais condições de vida e de trabalho.O desemprego, a precariedade laboral, o aumento do custo de vida e a formação profissional foram as principais questões abordadas pelo sindicalista no seu longo discurso.


.Às 14h30, a hora marcada para o início da concentração, já se encontravam milhares de trabalhadores do sector privado no Saldanha – os da Administração Pública reuniram-se à mesma hora nos Restauradores, juntando-se depois a meio da Avenida da Liberdade –, mas a longa marcha de alguns quilómetros começou apenas uma hora depois.


“Com razão protestamos e lutamos por políticas socialmente justas”, podia ler-se num cartaz transportado por manifestantes de Leiria, enquanto, ali ao lado, Domingos Rodrigues, de Setúbal, “dirigente sindical a tempo inteiro”, tentava começar a coordenar-se com os outros homens da organização do protesto.


“Tenho estado sempre ao lado da luta dos trabalhadores. Há ainda centenas de autocarros a entrar em Lisboa”, disse Domingos Rodrigues, quando eram 14h40, mostrando-se satisfeito com a multidão à sua volta e com o número de pessoas esperado.


“O custo de vida aumenta, o povo não aguenta”


Entre a música de José Afonso que ecoava das inúmeras colunas de som, os incessantes bombos e as palavras de ordem entoadas sempre contra o Governo – “O custo de vida aumenta, o povo não aguenta” ou “Direitos conquistados não podem ser roubados” –, o reformado José Guerreiro, 71 anos, quis que o seu protesto também fosse ouvido: “Este Sócrates não aguenta muito tempo, é só a determinação que o aguenta”.


“A saúde faz imensa falta à população. Estão a atacá-la de uma maneira estúpida”, vincou José Guerreiro, que fez questão de sublinhar – “escreva aí” – que foi preso político antes do 25 de Abril de 1974 durante oito anos, em Peniche e Lisboa.


Já para António Vinhas, um professor de Coimbra, de 54 anos, as questões relativas à educação são as mais preocupantes, nomeadamente o “encerramento arbitrário de escolas”. O docente considerou ainda que “o Ministério da Educação está cheio de burocratas que não sabem nada de ensino”.

4.3.07

VI Encontro Internacional de Poetas (Coimbra 24 a 27 de Maio)


"I am large. I contain multitudes."
Walt Whitman

VI Encontro Internacional de Poetas


"Poesia e Violência"


Coimbra, 24-27 Maio 2007 (FLUC/CES)


O VI Encontro Internacional de Poetas conta já com a presença confirmada do/as seguintes poetas:


Alemanha- Zehra Çirak (http://www.juergen-walter.com)


Angola- Chó do Guri


Brasil- Claudia Roquette-Pinto- Márcio-André (http://www.confrariadovento.com)


Cabo Verde- José Luís Tavares




Chile/Holanda- Myriam Dias-Diocaretz


China - Xiao Kaiyu


Cuba- Pedro Marqués de Armas


Espanha - Alexandre Nerium - Helena Villar- Jesús Munárriz- Miro Villar - Ramiro Fonte - Xesús Rábade Paredes


EUA- C. D. Wright - Forrest Gander- Joan Retallack - John Taggard- Stephen Rodefer



Holanda- Arjen Duinker


Irlanda- Eiléan ní Chuilleanóin - Macdara Woods


Israel- Yitzhak Laor



Palestina- Faiha Abdulhadi- Mourid Barghouti


Perú- Ch’aska Anqa Ninawaman- Roxana Crisólogo (http://www.roxanacrisologo.com)


Portugal- Alberto Pimenta- António Jacinto Pascoal- Feliciano de Mira- Gastão Cruz- João Rasteiro- Regina Guimarães- Sandra Guerreiro


Reino Unido- Jonathan Morley- Maggie O’Sullivan (http://www.maggieosullivan.co.uk)


S. Tomé e Príncipe- Conceição Lima


A informação dos presentes estará em permanente actualização e a Organização apresentará em breve a lista completa dos poetas convidados e também o programa do evento. A Comissão Organizadora.



Mais info:




Os Urban Center e a gestão informada e participada da cidade

SEMINÁRIO

Os Urban Center e a gestão informada e participada da cidade.

GIOVANNI ALLEGRETTI, arquitecto(CES e Università degli Studi di Firenze).

INTRODUÇÃOJosé António O. Bandeirinha, arquitecto(CEARQ e Departamento de Arquitectura da FCTUC)7

de Março de 2007, 18:00h.

Local: Departamento de Arquitectura da FCTUC, Sala T2, Colégio das Artes, Largo de D. Dinis


Organização: CEARQ, CES (Núcelo de estudos de Democracia, Cidadania Multicultural e Participação)

Apoio: ProUrbe, Associação Cívica de Coimbra


http://www.darq.uc.pt/estudos/inicio.html

Para Além do Pensamento Abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes

Conferência na Faculdade de Economia de Coimbra em
6 de Março de 2007, 15:00h,
Sala Keynes - Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Entrada livre - Inscrição

Programa

15h00 - Abertura

15h10
"Para Além do Pensamento Abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes"Boaventura de Sousa Santos (CES/FEUC)

16h00 – 16h30
Para Além do Pensamento Abissal: comentários a partir das Ciências Sociais e Humanas António Sousa Ribeiro (CES/FLUC) Margarida Calafate Ribeiro (CES) Paula Meneses (CES)

16h30 - 17h – Intervalo

17h – 17h45
Para Além do Pensamento Abissal: comentários a partir do Direito Joaquín Herrera Flores (Universidad Pablo Olavide, Sevilha, Espanha) Conceição Gomes (CES) João Pedroso (CES/FEUC) Cecília MacDowell dos Santos (CES/University of San Francisco)

17h45 - 19h - Debate

Moderação da Conferência: António Sousa Ribeiro (CES/FLUC)

Com o apoio dos Núcleos do CES "Estudos do Estado, do Direito e da Administração", "Estudos de Democracia, Cidadania Multicultural e Participação", e "Estudos Culturais Comparados".


Resumo:

O pensamento moderno ocidental é um pensamento abissal. Baseia-se em linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos: o universo "deste lado da linha" e o universo "do outro lado da linha". A divisão é tal que "o outro lado da linha" desaparece enquanto realidade, torna-se inexistente, e é mesmo produzido como inexistente. Tudo aquilo que é produzido como inexistente é excluído de forma radical porque permanece exterior ao universo que a própria concepção aceite de inclusão considera como sendo o Outro. Deste modo, a característica fundamental do pensamento abissal é a impossibilidade de uma co-presença dos dois lados da linha. O "outro" lado da linha abissal é um universo que se estende para além da legalidade e ilegalidade, para além da verdade e da falsidade (crenças ininteligíveis, idolatria, magia). Juntas, estas formas de negação radical produzem uma ausência radical, a ausência de humanidade, a sub-humanidade moderna. Assim, a exclusão torna-se simultaneamente radical e inexistente, uma vez que seres sub-humanos não são considerados sequer candidatos à inclusão social [1]. A humanidade moderna não se concebe sem uma sub-humanidade moderna [2]. A negação de uma parte da humanidade é sacrificial, na medida em que constitui a condição para a outra parte da humanidade se afirmar enquanto universal[3) .

O meu argumento nesta comunicação é que esta realidade é tão verdadeira hoje como o era no período colonial. O pensamento moderno ocidental continua a operar mediante linhas abissais que dividem o mundo humano do sub-humano, de tal forma que princípios de humanidade não são postos em causa por práticas desumanas. As colónias representam um modelo de exclusão radical que permanece actualmente no pensamento e práticas modernas ocidentais tal como acontecia no ciclo colonial. Hoje, como então, a criação e ao mesmo tempo a negação do outro lado da linha fazem parte integrante de princípios e práticas hegemónicos. Hoje, como então, a impossibilidade de uma co-presença entre os dois lados da linha continua a ser absoluta. Hoje, como então, a civilidade legal e política deste lado da linha baseia-se na existência da mais absoluta incivilidade do outro lado da linha. Actualmente, Guantánamo representa uma das manifestações mais grotescas do pensamento legal abissal, da criação de um outro lado da linha enquanto um não-território em termos legais e políticos, um espaço impensável para o primado da lei, dos direitos humanos e da democracia. Porém, seria um erro considerá-lo uma excepção. Há muito Guantánamos, desde o Iraque à Palestina e a Darfur. Mais do que isso, existem milhões de Guantánamos nas discriminaçãoes sexuais e raciais quer na esfera pública, quer na privada, nas zonas selvagens das mega-cidades, nos guetos, nas sweatshops, nas prisões, nas novas formas de escravatura, no tráfico ilegal de órgãos humanos, no trabalho infantil, e na prostituição.

O primeiro ponto do meu argumento é que a tensão entre regulação e emancipação continua a coexistir com a tensão entre apropriação e violência, ao ponto de a universalidade da primeira tensão não ser questionada pela existência da segunda. Em segundo lugar, argumento que as linhas abissais continuam a estruturar o conhecimento e a legalidade modernos. Por fim, o meu terceiro ponto é de que estas duas linhas abissais são partes constitutivas das próprias relações e interacções políticas e culturais de origem ocidental no sistema mundial moderno. Resumindo, a cartografia metafórica das linhas globais sobreviveu à cartografia literal das linhas de amizade que separavam o Velho do Novo Mundo. A injustiça social global está, desta forma, intimamente ligada a uma injustiça cognitiva global. Por isso, a luta pela justiça social global tem de ser também uma luta pela justiça cognitiva global. Para conseguir ter sucesso, esta luta necessita de um novo pensamento: um pensamento pós-abissal.

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[1] Na verdade, a suposta exterioridade do outro lado da linha é consequência da sua dupla pertença ao pensamento abissal: enquanto fundador e ao mesmo tempo enquanto negação desse fundamento.
[2] Fanon denunciou esta negação de humanidade com uma lucidez inexcedível. O extremismo dessa negação constitui o fundamento que leva Fanon a defender a violência como uma dimensão intrínseca à revolta anti-colonial. O contraste entre o pensamento de Fanon e de Gandhi a este respeito, ainda que partilhando a mesma luta, deve ser objecto de uma reflexão cuidadosa, particularmente porque foram dois pensadores-activistas muito importantes do último século.
[3] Esta negação fundadora permite, por um lado, que tudo o que é possível se torne uma possibilidade de tudo, e por outro, que a criatividade celebratória do pensamento abissal trivialize tão facilmente o preço da sua própria destruição.



http://www.ces.uc.pt/misc/papa.php

As desigualdades sociais e a desvalorização dos diplomas


Texto retirado de Jornal universitário de Coimbra A Cabra (06/02/2007)

Autor:
Elísio Estanque
estanque@fe.uc.pt

A actual convulsão do mercado de trabalho e a crescente precariedade no emprego, induzidas pela globalização da economia, recolocaram de novo as desigualdades sociais no centro das preocupações. E a desvalorização dos títulos académicos, no quadro das mudanças em curso no ensino superior, insere-se nesse processo.
Durante o século passado, e sobretudo desde o pós-Guerra, o desenvolvimento tecnológico e a modernização do sistema produtivo elegeram as qualificações – e portanto os diplomas escolares – como critério decisivo de recrutamento de funcionários e técnicos nas mais diversas áreas da administração e do mercado de trabalho, fazendo assim engrossar a nova "classe média" ou os, também designados, empregados de "colarinho branco". O alargamento do ensino público e a crescente democratização do acesso à universidade, em particular devido à acção do Estado providência nas sociedades democráticas mais avançadas, instituíram o ensino superior como uma plataforma fundamental de mobilidade social ascendente.
Em Portugal este processo ocorreu, como se sabe, num período bem mais recente do que noutros países, e ainda assim permeado por múltiplas contradições e insuficiências. Durante muito tempo o acesso a um diploma universitário permitiu, no nosso país, aceder com relativa facilidade a um emprego qualificado, com o correspondente estatuto social, e, além disso, o próprio diploma "universitário" constituía em si mesmo um importante símbolo de status. Isto, enquanto o acesso à universidade era exclusivo das elites.
A formação escolar, lado a lado com a situação socioprofissional e o nível de rendimento, constituem os três critérios basilares de definição do "estrato" ou "classe social" a que se pertence. Mas é preciso notar, por um lado, que as condições "de partida" (ou seja, a classe de origem) são muitas vezes determinantes da posição que se consegue alcançar, quer no nível educacional quer em todos os outros indicadores de status, desde logo porque a própria família, as suas posses e por vezes até o nome, é em si mesma um elemento importante na definição do prestígio e das oportunidades de cada um. Por outro lado, a importância de um dado recurso – por exemplo o diploma de "licenciatura" – é tanto maior quanto mais ele for escasso, e portanto, vai-se desvalorizando à medida que se massifica. É nesse sentido que se pode dizer que as desigualdades sociais não se fundam apenas em diferenças gradualistas, mas sim numa lógica de classe que perpetua os privilégios de umas à custa da exclusão ou exploração de outras.
Num cenário como o actual, em que o grau de licenciatura está a tornar-se acessível a uma parte significativa dos jovens portugueses (embora apenas a uma minoria dos filhos da classe baixa), o acesso aos diplomas académicos mais elevados e exigentes obedece à mesma lógica selectiva. O grau de licenciatura vem perdendo valor distintivo à medida que o título de "Dr" se banaliza. Quer isto dizer que a disputa em torno dos títulos escolares é expressão das contradições estruturais e dos conflitos de classe que continuam em vigor na nossa sociedade. Mesmo quando estes se esbatem no plano político continuam muito vivos no plano simbólico. Assim, a tendência será para que as famílias das elites pressionem no sentido de criar condições para que os seus filhos alcancem graus de mestrado e doutoramento e frequentem as escolas mais exigentes (e mais caras). Não se trata aqui de uma estratégia intencional, mas de um processo social que objectivamente cria novas e sucessivas barreiras, de modo a que atravessá-las seja sempre mais difícil. Desde logo, porque subir mais um patamar no ensino superior exige uma despesa incomportável para as classes baixas – além de ser impossível por razões económicas, em geral não chega sequer a ser percepcionado como necessidade – e, depois, porque os critérios de selecção para os bons empregos obedecem aos mesmos valores das próprias elites e tendem, portanto, a fazer prevalecer a defesa dos seus interesses específicos.
Como afirmou recentemente o conhecido sociólogo Ralf Dahrendorf, mesmo aqueles (poucos) que chegam às elites pelo seu talento fecham as portas atrás de si logo que tenham alcançado o seu status. "os que lá chegaram por ‘mérito’ passam a querer ter tudo o resto – não apenas poder e dinheiro, mas também a oportunidade de decidir quem entra e quem fica de fora". Assim, pode dizer-se que a retórica da "meritocracia" não passa, regra geral, disso mesmo, nomeadamente no acesso ao emprego de um jovem recém formado. Em vez disso, parecem cada vez mais fortes as redes informais e o "capital social", o que remete directamente para a questão das influências que a família de origem possui. Muito embora a formação superior e o diploma avançado seja um requisito fundamental, ele exige como complemento decisivo, não apenas o mérito e o conhecimento, mas sim conhecer quem vai abrir a porta. Como dizem os ingleses «the important is not what you know, but who you know». E isto é também uma questão "de classe".

BLOGUE:
http://boasociedade.blogspot.com)

Apresentação do novo livro de A. Pedro Ribeiro - Saloon


A. Pedro Ribeiro lançou ontem o seu novo livro de poesia na Livraria Pulga , Saloon, editado pelas Edições Mortas.. A sessão contou com intervenções poéticas e experimentalistas do autor, do editor António Oliveira, e dos "diseurs" João Tiago e Luis Carvalho.

Vocalista da banda Mana Calorica & Las Tequillas participou em inúmeras performances, sessões de poesia e espectáculos teatrais e musicais em vários lugares, bares, tascos e saloons do país.

O livro tem nova apresentação marcada para o Púcaros Bar, também no Porto (à Alfândega) no dia 7, quarta, pelas 23,30 horas.


Saloon narra também a história dos bares e da noite na cidade, das mulheres que amamos e que passam por nós, do sexo que tarda a vir ou vem logo, da prostituição, das bailarinas, dos "barman", das personagens da noite, da antiga liberdade. Tem igualmente um lado místico/messiânico, retoma, em três ou quatro poemas, o dada/surrealismo da Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro mas não renega a revolta pura em textos como Porto 2001 ou A Arder.
O livro é vendido na «A Pulga, a minha querida livraria», para onde podem ser dirigidas quaiquer pedidos.