18.3.09

Festa das 13 Primaveras do GAIA (21 de Março)


São as 13 PRIMAVERAS e vamos bailar:
19h Oficina de Danças tradicionais (com Eva Parmenter)
20h Jantar Popular vegano
22h BAILE com NOODLE SOUP
24h DJS até ao infinito....


Entretanto está disponível em formato podcast uma entrevista de 50 minutos feita para a TSF a uma activista do GAIA transmitida na semana passada, e que pode ser escutada aqui:

17.3.09

0s 100 anos do café Piolho (no Porto) vão ter um ciclo de tertúlias do centenário (dia 21/3, às 17h vai-se falar sobre as lutas estudantis no Porto)

O mítico café Piolho na cidade do Porto, local de convívio e de conspiração dos estudantes e resistentes anti-fascistas, comemora neste ano de 2009 o seu centenário . Por esse motivo estão a ser organizadas várias iniciativas, das quais consta uma tertúlia sobre as lutas estudantis no Porto durante a ditadura fascista, e que se vai realizar no próximo Sábado, dia 21 de Março, a partir das 17h., com a presença de antigos estudantes anti-fascistas, frequentadores na época do café, para contarem histórias e peripécias das lutas estudantis durante o fascismo e que tiveram como cenário o Piolho, a saber: António Graça, Paulo Martins e Pedro Baptista.


O café Piolho é, desgraçadamente, um emblema de traição dos muitos que hoje atraiçoaram o espírito do espaço e os seus ideais quando o frequentaram, e que agora gravitam nas esferas enquistadas ( e mesquinhas) do poder


Oportuno e incisivo,
o escritor Manuel António Pina escreveu ontem, na sua coluna diária do Jornal de Notícias, um curto texto sobre o centenário do Piolho onde qualifica o café como símbolo de fidelidade ( para aqueles que se mantêm fieis aos seus ideais), mas ao mesmo tempo, emblema de traição, tantos são os que por lá passaram, e que hoje são os responsáveis pelo «nosso sujo e mesquinho presente», transformando-se naquilo que justamente combatiam, quando frequentavam o Piolho.


http://www.cafepiolho.com/

http://100anospiolho.blogspot.com/ ( o texto seguinte foi retirado deste blogue)


Café Âncora D’Ouro O “Piolho” - Síntese histórica dos 100 anos de vida (1909-2009)


Local mítico e já ex-líbris da cidade, conhecido nacional e internacionalmente pela simples designação de Café “Piolho”.

Conotado por ser um café de estudantes oriundos de diversas faculdades, sobretudo de Ciências e de Medicina, sendo também frequentado pelos comerciantes da zona, professores universitários e população em geral. Palco de debates e “conspirações” anti-fascistas nos tempos da ditadura, local de reunião de intelectuais e artistas de várias gerações, o “Piolho” acompanhou períodos fundamentais da história da cidade do Porto, como se pode ver pelas inúmeras placas de mármore ou ardósia colocadas nas suas paredes, oferecidas por todo o tipo de clientes. «Quando havia quaisquer manifestações públicas ou arruaças, complicava-se a situação.
Lembro-me, perfeitamente, de uma incursão a que assisti, desta vez, de um guarda da GNR, que entrou a cavalo no café, partindo uma mesa quando correu à pranchada (batimento com a bainha da espada de cavalaria) um contestatário da época» (1). Em 26 de Junho de 1909, Cremilda Reis Lima e Francisco José de Lima, em consonância com um sócio, compraram o Botequim Âncora D’Ouro, na antiga Praça da Rainha que, com a queda da Monarquia, passou a chamar-se Praça de Parada Leitão, nos números 42 a 57. Entretanto, e segundo relatos da época, mas não documentados, nem registados, o Botequim Âncora D’Ouro tinha sido já um misto de Tasca e Barbearia e estaria aberto desde 1880. Mais tarde é trespassado a Francisco José de Lima, antigo empregado de mesa do Botequim «O Martinho» em 1909 (2).

«Nos inícios, o Botequim Âncora D’Ouro funcionava com música ambiente, realizando-se periodicamente serões com cantores que interpretavam árias de óperas, de operetas, canções brejeiras e dançava-se o charleston, o tango, etc. Tudo isto, para encanto da clientela, nos anos loucos de 1920» (3).
Por aqui passaram sucessivas gerações de médicos que “faziam parte do curso às mesas do café”, estudando aqui até altas horas da noite, naquele tão especial ambiente, e quiseram marcar a sua presença, deixando nas paredes placas alusivas à sua passagem. E são muitas dezenas as existentes, havendo até algumas repetidas pelos mesmos, 50 anos depois da formatura dos seus elementos.
Em 1979, foi trespassado à actual gerência, composta por José Martins, José Pires e Edgar Gonçalves que, após algumas vicissitudes, conseguiram, sobretudo a partir dos anos 80, retomar as tradições emblemáticas deste carismático café que, em 2009, faz 100 anos ininterruptos ao serviço da população e serve já como ex-líbris e património histórico do Porto.
Entre muitas e ilustres figuras e personagens de relevo, das Letras às Ciências, do Jornalismo, da Rádio, da Política e da Música, o sócio-gerente José Martins salienta «… ainda me recordo da forma como a famosa fadista e já falecida, Amália Rodrigues, se me dirigiu ao balcão para pedir “um cimbalino” – Deia-me lá uma daquelas coisas que nós em Lisboa chamamos bica…».

Mas é, sobretudo, a partir de 1997 que o “Piolho” volta às suas origens, trazendo ao seu meio mais estudantes, tornando as noites mais quentes – com fados, tertúlias, recitais de poesia e descerramento de placas, enquadradas nas Semanas Culturais dos Estudantes.
O prolongamento do horário de funcionamento actual, até às 4 horas da manhã, provoca uma animação que mexe com todas as gerações do “Piolho”.
Por último, e em síntese dizer que o apelido o “Piolho” tem duas interpretações: uma, dado o movimento do café, das 13 às 15 horas, que era tanto e com tanta confusão, que todos apontavam o ambiente como uma “piolhice”, dada a agitação em que se vivia e daí a alcunha de café “Piolho”; outra, dada a frequência do café pelos alunos universitários e pelos professores deu origem à expressão de “piolhice”, na medida em que a convivência académica era um tanto ou quanto cerimoniosa (4).
Actualmente, e já depois das novas obras em 2006, o mítico café reabriu as portas com tertúlias sobre a cidade do Porto. Nota-se um reavivar de memórias, com um toque de modernidade, mantendo-se as colunas douradas e a velha ventoinha no tecto. Ao canto existe o “Museu do Piolho” com velhas máquinas registadores e de café, usadas “no antigamente”, mesmo ao lado de uma nova televisão de ecrã plano que substituiu o velho aparelho!

Finalmente e no ano em que se comemora os 100 anos do “Piolho”, registamos uma clientela jovem “a geração dos portáteis”, dos MP3, dos jogos de computador, das mensagens SMS enviadas pelos telemóveis, às dezenas para convocar encontros no centenário “Piolho”; ou para a marcação de “Manifes” e de contestações políticas, ambientais e de luta a favor do Património e dos locais de resistência e memória, emblemáticos nesta cidade, tais como o legendário e mítico “Piolho”.

Os namoros e as paixões continuam a marcar presença, na troca de olhares e de beijos sedutores e na mescla internacional, aliada agora ao programa ERASMUS e à multiplicidade e cumplicidade cultural que rompe e transforma o “Piolho”, tornando-o uma “Academia ou até uma das Universidades sui generis do Porto”.

Raul Simões Pinto & Sílvia C. Silva

Porto, 31 de Janeiro de 2009


Notas:

(1) LIMA REIS, Fernando (Dr. e neto do 1º Sócio do “Piolho”);
(2) MARÇAL, Horácio in “Os Antigos Botequins do Porto”;
(3) LIMA REIS, Fernando (Dr. e neto do 1º Sócio do “Piolho”);
(4) FONTE: Curso Médico 1948-1954.



Coffee-house Âncora D’Ouro “Piolho - ”Historical overview of a hundred years (1909-2009)

This coffee-house is a mythical place and an ex-libris of the city of Porto, nationally and internationally known as “Piolho”.
It is considered to be a place attended by students from different universities, mainly Sciences and Medicine, but also by local traders, academics and population in general.
It has been the stage of discussions and “antifascist conspiracies” in the time of the dictatorship, a meeting place for intellectuals and artists from several generations, witnessing crucial periods of the history of the city of Porto, as shown by the numerous plaques of marble or slate placed on its walls, offered by all kinds of customers.
«When public demonstrations or civil riots occurred, things got complicated. I remember perfectly when a guard of GNR (1) entered the coffee riding his horse and breaking a table when he tried to kick out a rioter of the time» (2). On the 26th of June 1909, Cremilda Reis Lima and Francisco José de Lima, within a partnership, bought the coffee-house Âncora D’Ouro, in the former Praça da Rainha which has been called Praça de Parada Leitão, since the fall of the Monarchy, occupying the numbers 42 to 57. Meanwhile and according to stories of the time, still not documented nor recorded, the coffee-house Âncora D’Ouro had already been a Barber’s shop and a Tavern opened since 1880. Later it was conveyed to Francisco José de Lima, a former employee of the coffee-house “O Martinho” in 1909 (3).«In the beginning, one could listen to music in the coffee-house Âncora D’Ouro and evenings were often filled with singers who performed arias of operas, popular songs and people dancing the charleston, the tango, etc., to the joy of the customers in the roaring twenties» (4). This place was attended by successive generations of doctors who “graduated partially at the coffee tables”, studying here until very late at night, in that particular environment, and who wanted to mark their presence, leaving in the wall plaques alluding to their passage. As one can see there are many plaques, some repeated for the same doctors, 50 years after their graduation. In 1979, the coffee was conveyed to the current management, composed by José Martins, José Pires and Edgar Gonçalves who, after some obstacles, were succeeded, in particular since the 80’s, to keep the traditions of this charismatic coffee-house that, in 2009, is celebrating 100 years of uninterrupted service to the population as a symbol of Porto and its historical heritage. Among the many distinguished figures, from the Arts to Sciences, Journalism, Radio, Politics and Music, the managing partner José Martins emphasizes «… I still remember the way the famous and now deceased fado (5) performer, Amália Rodrigues, asked me for a coffee – I want one of those things we in Lisbon call “bica”…» (6). But it is mainly since 1997 that “Piolho” has recovered its roots, bringing more students and warming the nights with fados, literary assemblies, recitals of poetry, in the scope of the students’ cultural weeks.

The extension of its current schedule, until 4 o’clock in the morning, leads to an entertainment that involves all the generations of “Piolho”.Finally, we would like to explain that the nickname “Piolho” has two possible interpretations: one, given the coffee was overcrowded from 1 pm till 3 pm, due to the confusion that some pointed out as being swarmed with lice (“piolhice”); the other, due to the fact that the coffee was mainly attended by university students and teachers whose socialization consisted in a certain ceremony, the expression “piolhice” appeared (7).
Currently, and since the repairs in 2006, the mythical coffee-house reopened with literary assemblies concerning the city of Porto.
It is noticed the revival of memories, with a touch of modernity, keeping the golden columns and the old ceiling fan. At the corner there is the “Museum of Piolho” with old machines used “in the past”, right next to a new flat-screen TV which replaced the old device!
Finally and in the scope of the 100 years of “Piolho”, we emphasize the young clientele as “the generation of the laptops, the several SMS sent by mobile phones to convoke meetings in the coffee-house or planning demonstrations related to political, environmental issues or to fight for causes involving the heritage and the places of resistance and memory, emblematic in this city, such as the legendary and mythical “Piolho”.Flirting and passions are also present in the exchange of glances and through the international scope, allied to the program ERASMUS and its cultural multiplicity, “Piolho” is becoming an “Academy or even one of the most sui generis Colleges of Porto”.

Raul Simões Pinto & Sílvia C. Silva

Porto, 31 January 2009


Notes:

(1) GNR means “Guarda Nacional Republicana”, the Portuguese National Republican Guard.
(2) LIMA REIS, Fernando (Physician and grandson of the first partner of “Piolho”);
(3) MARÇAL, Horácio in “Os Antigos Botequins do Porto”;
(4) LIMA REIS, Fernando (Physician and grandson of the first partner of Piolho”);
(5) Fado is a music genre that can be translated as destiny or fate;
(6) In Portugal there are different terms to ask for a coffee. For instance, in Lisbon it is more usual to say “bica” while in Porto people say coffee or “cimbalino”;
(7) SOURCE: Class of Medicine 1948-1954.


CAFÉ PIOLHO
Praça Parada Leitão nº45, 4050 Porto
Tel: 22 2003749
Email:
geral@cafepiolho.com
Web: http://www.cafepiolho.com/

Percurso pedestre em Benavila – Avis, 22 de Março de 2009, organizado pelo núcleo de Portalegre da Quercus


O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus vai organizar em Benavila, concelho de Avis, no próximo dia 22 de Março, um percurso pedestre que visará observação e a compreensão do património natural da zona.

Esta actividade, integrada no projecto “Avis – Um concelho a caminhar” e nas celebrações do “Dia Mundial da Floresta e da Árvore” pretende sensibilizar os participantes para a valorização e conservação dos valores ambientais e paisagísticos, promovendo de igual forma, práticas activas de usufruto sustentável dos mesmos.

Ao longo deste percurso pedestre poderemos tomar contacto com a beleza e diversidade das paisagens existentes nesta zona, assim como identificar um pouco da fauna e flora existentes no local.

O percurso, com uma extensão de cerca de 7 km (dificuldade média/baixa), terá o seu início às 9.00h, e decorrerá na zona de Benavila/Valongo (Sítio de Cabeção – Rede Natura 2000). Durante o mesmo serão abordadas diversas temáticas relacionadas com a fauna e a flora, assim como outras questões de cariz ambiental.

Durante toda a actividade existirá uma presença permanente de elementos da organização, estando o programa sujeito às condições meteorológicas existentes no local. As inscrições, gratuitas, serão abertas a todos os interessados e deverão ser feitas até ao próximo dia 19/03/09.

Para efectivar as inscrições ou solicitar informações adicionais, agradecemos o contacto através dos e-mails “
portalegre@quercus.pt” ou “quercus.portalegre@gmail.com”, telfs.: 96 010 70 80 // 96 020 70 80.



QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Núcleo Regional de Portalegre
Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE,
Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80
Web page: www.quercus.pt

Sementeira de carvalhos e percurso pedestre em Monsanto (Lisboa) organizado pelo FAPAS para comemorar o Dia da Árvore(22 de Março)


Para comemorar o Dia da Árvore (21 de Março), o Núcleo de Lisboa do FAPAS organiza no próximo domingo, 22 de Março uma actividade no Espaço Monsanto (antigo Parque Ecológico):

SEMENTEIRA de CARVALHOS em Viveiro, e Percurso Pedestre para Interpretação da Vegetação Natural.

Domingo, 22 de Março (15h00-16h30)*

INSCRIÇÕES:
A participação é gratuita, mas de inscrição obrigatória.
Envie uma mensagem com o seu nome e contacto para
fapaslisboa kanguru.pt ou contacte pelo tm 93 8491355 (João Morais), indicando o ponto de encontro e o número de participantes (adultos e crianças).


Descrição da actividade:

1. Pequeno percurso pedestre com cerca de 500 metros em mata de sobreiros e azinheiras na encosta do Parque Florestal de Monsanto, entre a Rua Conde de Almoster e o Espaço Monsanto (desnível: 70 metros). Reconhecimento de algumas espécies da vegetação nativa.

2. Sementeira de Carvalhos-cerquinhos (espécie nativa de Portugal) no viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto, para futuras acções de plantação em áreas protegidas. A sementeira consiste na colocação de bolotas germinadas de carvalho-cerquinho em recipientes com terra.

Grau de dificuldade: fácil, acessível a a todas as idades.

Horário, Pontos de Encontro : A caminhada tem início às 15h00 junto ao viaduto para peões situado em frente ao n.80 da R.Conde de Almoster.

A sementeira tem início pelas 15h30 no viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto.

Se não participar na caminhada, pode dirigir-se à recepção do Espaço Monsanto a partir daquela hora, para participar na sementeira.

Pontos de Encontro:

14h30: Sete Rios, na paragem do autocarro 758 junto ao muro do Jardim Zoológico, próximo da Estrada de Benfica. (percurso de autocarro até à paragem em S.Domingos de Benfica, na Estrada de Benfica)

15h00: Rua Conde de Almoster, junto ao viaduto pedonal em frente ao número 80.

15h30: Na recepção do Espaço Monsanto (antigo Parque Ecológico), se tiver alguma dificuldade contacte 93 8491355.


15h30 - 16h30: No viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto.


Equipamento aconselhado:
O FAPAS e o Espaço Monsanto possuem os utensílios e recipientes necessários para a sementeira. Os participantes poderão, se desejarem, utilizar luvas e vestuários de protecção (bata ou avental).


O FAPAS é uma Associação de defesa da Vida Selvagem com 17 anos de existência, e uma vasta actividade na defesa e estudo da Natureza e Vida Selvagem em Portugal. Sede: Rua Alexandre Herculano, 371-4º Dtº, 4000-055 PORTO (telef.22 200 2472).


http://www.fapas.pt/

Não à associação da ENCE espanhola e a Portucel portuguesa para o projecto de construção de celuloses («papeleras») no Uruguai




“Estamos profundamente preocupados com a possível associação da empresa portuguesa Portucel ao projecto da empresa espanhola ENCE no Uruguai, actualmente suspenso por falta de financiamento” - é o que se lê numa carta aberta à sociedade portuguesa assinada por cerca de 30 organizações e movimentos sociais do Estado espanhol, Portugal e Uruguai, divulgada na semana passada.

Os assinantes destacam os impactos ambientais e sociais, verificados desde há vários anos, dos monocultivos de árvores a grande escala para a indústria da celulosa, especialmente as que a ENCE já detém no Uruguai. Advertem que a aprovação da fábrica de celulose agravará esses impactos e denunciam que a empresa espanhola nem sequer comunicou o seu plano de florestação para alimentar a fábrica.

As organizações e movimentos sociais portugueses, espanhóis e uruguaios entendem que a Portucel Soporcel se apresenta como o possível sócio da empresa espanhola na instalação de uma fábrica de pasta de papel em Punta Pereira, Colónia. De facto, a Portucel já havia manifestado o seu interesse em instalar uma fábrica de pasta no Uruguai e, perante a crise internacional, a ENCE, que havia iniciado as obras para instalar a sua fábrica, apela à empresa portuguesa.

O Uruguai tem cerca de um milhão de hectares florestados com eucalipto e pinho para a indústria da celulose local e estrangeira. O principal impacto ambiental da florestação tem sido a diminuição das fontes de água, ao ponto de secar os poços de água de pequenos produtores de diferentes zonas do país. Só em redor da cidade de Mercedes, no oeste uruguaio, mais de 150 famílias são abastecidas de água por camiões cisterna do governo local para a sua vida diária e produção. Perto desse lugar, no departamento de Colónia, produtores agrícolas dedicados à agricultura, apicultura e produção de lacticínios, alertam que a florestação na zona ameaça sua permanência no meio rural, ao esgotar as suas fontes de água e prejudicar gravemente a qualidade dos seus solos. As entidades sociais assinantes, contestam também os importantes benefícios e discriminações positivas com as quais conta todo o processo florestal-celulósico no país, ao ponto de a fábrica da ENCE e as suas instalações portuárias se terem incorporado no regime de zona franca.

Um dos grandes argumentos do sector industrial e do governo uruguaio a favor da instalação destes empreendimentos foi a geração de mão de obra que implicam, em benefício do desenvolvimento do país. “Uma vez terminado o período de construção da fábrica de celulose, serão unicamente 300 as pessoas empregadas”, asseguram os assinantes da carta. “O fabrico de celulose conduz, além do mais, à ocupação de grandes superfícies de territórios, ocupação de grandes superfícies de territórios, à perda de soberania nacional por causa da concentração da terra em mãos de empresas estrangeiras e à destruição de ecossistemas (no caso uruguaio basicamente de pastagens), deslocando de forma irreversível outras actividades agropecuárias”, acrescentam.

O projecto da ENCE no Uruguai propõe-se produzir mais de um milhão de toneladas por ano, o dobro da pasta de papel que é produzida pela empresa nas suas fábricas instaladas no Estado espanhol. A questão da escala do empreendimento não é menor já que qualquer acidente terá impactos consideráveis na região.

“Por estes motivos, as organizações sociais do Uruguai, Portugal e do Estado espanhol abaixo-asssinadas, opõe-se não só à possibilidade de que a Portucel se associe com a ENCE no Uruguai, como também à sua instalação em qualquer outra zona do país”, concluem os grupos sociais que já haviam realizado acções perante o governo do Estado espanhol contra o empreendimento da ENCE. Anunciam ainda que não irão descansar na luta contra este modelo florestal-celulósico.



Carta aberta à sociedade portuguesa sobre a possível parceria da Portucel com a ENCE no Uruguai


Nós, organizações da sociedade civil que monitorizam os impactos sociais e ambientais vinculados ao modelo florestal e de celulose tanto no Uruguai, como no Estado espanhol e em Portugal, estamos profundamente preocupados com a possível associação da empresa portuguesa Portucel com o projecto da empresa ENCE no Uruguai, actualmente suspenso por falta de financiamento.

Com efeito, entendemos que a Portucel apresenta-se como o possível sócio da empresa espanhola na instalação de uma fábrica de celulose em Punta Pereira (Conchillas, Uruguai) com capacidade de produzir um milhão de toneladas por ano e cerca de um milhão de megawatts hora de energia eléctrica "renovável". Talvez seja desconhecida a oposição que existe por parte da sociedade civil uruguaia em relação a tal projecto devido aos importantes impactos sociais e ambientais que dele resultarão.

Assim, por exemplo, diversas organizações sociais, ambientais e de produtores rurais do Uruguai apresentaram-se no mês de Abril de 2008 a uma Audiência Pública - organizada pelo governo uruguaio para que a empresa espanhola apresentasse o seu projeto à população - para manifestar a sua oposição total à instalação de uma fábrica de celulose. Com efeito, depois de uma análise exaustiva do estudo de impacto ambiental apresentado pela ENCE, as organizações e grupos uruguaios concluiram que este não apenas está incompleto, como ainda conta com graves erros metodológicos, ao levar em conta unicamente aspectos positivos sem avaliar os impactos da florestação (para mais informações, aceder às observações das organizações uruguaias ao Resumo de Estudo de Impacto Ambiental enviadas à Direcção Nacional de Meio Ambiente e a carta apresentada posteriormente, assim que tiveram acesso ao expediente completo da ENCE em: http://www.guayubira.org.uy/celulosa/Ence.html).

De entre os motivos desta oposição, devem mencionar-se os impactos ambientais das monoculturas de árvores em grande escala em geral, e particularmente dos que a ENCE já possui no Uruguai, verificados há já vários anos. A aprovação da fábrica de celulose resultará, sem margem para dúvidas, num aumento destas plantações. Mesmo assim, a empresa ainda não comunicou o plano de florestação necessário para alimentar a fábrica. Este facto inquieta particularmente os produtores rurais do Departamento de Colónia, que se dedicam à agricultura, apicultura e produção de lacticínios. De acordo com os produtores, o projecto de florestação na zona ameaça sua permanência no meio rural, ao esgotar as suas fontes de água e prejudicar gravemente a qualidade dos seus solos. Por outro lado, o número de empregos fixos gerados tão pouco representa possibilidades de desenvolvimento na região, já que depois de finalizado o período de construção da fábrica de celulose esse número será apenas de 300. Além disso, toda a cadeia produtiva beneficia de importantes isenções, tanto assim que a fábrica de celulose e as suas instalações portuárias estarão em zona franca. A produção de pasta de papel conduz ainda à ocupação de grandes superfícies de territórios, à perda de soberania nacional por causa da concentração da terra em mãos de empresas estrangeiras e à destruição de ecossistemas (no caso uruguaio basicamente de pastagens), deslocando de forma irreversível outras actividades agropecuárias.

Estamos diante de um mega-empreendimento industrial que vai produzir mais de um milhão de toneladas por ano, o dobro da pasta de papel que é produzida pela empresa nas suas fábricas instaladas no Estado espanhol. A questão da escala do empreendimento não é menor já que qualquer acidente terá impactos consideráveis na região. Outro dos pontos que preocupa as organizações e produtores uruguaios é a falta de informação sobre a fabricação e manipulação de produtos químicos necessários para a produção de pasta de papel. Por último, a empresa ENCE considera-se - conforme refere o seu site na internet - líder mundial na produção de pasta branqueada com tecnologia TCF (totalmente livre de cloro), mas em contradição com isto, para o Uruguai anuncia que utilizará a tecnologia ECF (apenas livre de cloro elementar) justificando a sua proposta pela procura do mercado e não pelas consequências ambientais das técnicas empregadas.

Por estes motivos, as organizações sociais do Uruguai, Portugal e do Estado espanhol abaixo-asssinadas, opomo-nos não só à possibilidade de que a Portucel se associe com a ENCE no Uruguai, porque isso significaria a viabilização do seu projeto em Conchillas, como também à sua instalação em qualquer outra zona do Uruguai. Somos redes da sociedade civil que vão seguir de perto o possível avanço deste e de outros projetos de celulose, tanto na América do Sul como ao nível europeu. Prova disto é a carta de protesto enviada em Abril de 2008 ao Presidente Zapatero pelo possível apoio da Companhia Espanhola de Seguros de Créditos à Exportação (CESCE) a esse projecto, que foi assinada por 89 organizações dos nossos respectivos países.

É preciso que as sociedades civis estejam alerta perante os avanços de projectos industriais que têm demonstrado ser prejudiciais do ponto de vista social e ambiental. A nossa mobilização pode fazer a diferença.

Atenciosamente,

ASSINAM:

No Uruguai:

Asamblea Ambiental del Callejón de la Universidad

Asociación Agropecuaria de Tarariras (AAT)

Casa Pueblo Arcoiris - Tarariras

CAX Tierra

Comisión de Productores y Vecinos de Conchillas

Comisión Nacional en Defensa del Agua y la Vida

Cotidiano Mujer

Grupo Eco-Tacuarembó

Grupo Guayubira

Grupo Pirí - Grupo de rescate y revalorización de nuestra cultura nativa

Iniciativa Nacional por la Suspensión de la Forestación

Movimiento de Chacreros del Ejido de Mercedes

Movimiento de Productores de Colonia

Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales

MOVITDES (Movimiento Vida, Trabajo y Desarrollo Sustentable)

Rapal-Uruguay (Red de Acción en Plaguicidas en América Latina)

Red Alternativas y Solidaridad

Red Uruguaya de ONGs Ambientalistas

REDES-Amigos de la Tierra Uruguay

REL-UITA (Regional Latinoamericana de la Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación)

Uruguay Natural Multiproductivo (UNAMU)

SERPAJ Uruguay
Em Portugal:

GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente

Quercus

Solidariedade Imigrante - Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes


No Estado espanhol:

ADENEX

Ecologistas en Acción

EHNE – Bizkaia (Euskal Herriko Nekazarien Elkartasuna)

Veterinarios Sin Fronteras

Verdegaia

Xarxa de l’Observatori del Deute en la Globalització



Para saber mais:

Colóquio «A Crise do Capitalismo e o Futuro - Economia da Casino ou Economia Sustentável»? ( dia 21/3 às 15h, organizado pela ATTAC Portugal)



A CRISE DO CAPITALISMO E O FUTURO:
ECONOMIA DE CASINO OU ECONOMIA SUSTENTÁVEL?

Colóquio com os economistas: Carlos Gomes, João Rodrigues, José Castro Caldas, Ricardo Paes Mamede

21 de Março Sábado 15h


Auditório do Metropolitano de Alto dos Moinhos
(Estação de metro de Alto dos Moinhos, linha azul)

16.3.09

Marcha mundial pela Paz e a Não-Violência: acção de rua no Porto (21/3 às 15h30) e semana de divulgação na Fac. de Letras do Porto



A Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência é uma iniciativa impulsionada pela organização internacional "Mundo sem Guerras" em conjunto com um grande número de organizações e pessoas dispostas a percorrer todo o planeta, pedindo o fim das guerras, das armas nucleares e da eliminação de todo o tipo de violência.

Começando na Nova Zelândia, no dia 2 de Outubro de 2009, data em que se comemora o Nascimento de Gandhi e que foi declarada pelas Nações Unidas como o "Dia Internacional da Não-Violência", a marcha percorrerá durante 90 dias os seis continentes, terminando na Cordilheira dos Andes (Argentina) no dia 2 de Janeiro de 2010. À sua passagem irá juntando todos aqueles que clamam pela paz, todos aqueles que sentem que é necessário despertar uma nova consciência social mundial a favor de uma cultura não-violenta.

Na MM podem chegar a confluir milhares ou milhões de pessoas de todos os campos e sectores sociais. Nesse sentido, é surpreendente a grande diversidade ideológica, racial, geracional, religiosa e cultural que está a convergir neste objectivo comum da Paz e da Não-Violência. Se esta tendência se confirmar, a MM pode vir a converter-se numa manifestação histórica tendo em conta também que se trata da primeira marcha planetária.

Até agora, há dezenas de iniciativas propostas: concertos, conferências, encontros, exposições, documentários, etc.
Neste momento está a decorrer na Faculdade de Letras do Porto, dinamizada pela associação de estudantes, uma campanha de promoção e esclarecimento sobre a MM, podes ver aqui http://www.aeflup.com/index.asp

No próximo dia 21 (aniversário da invasão do Iraque) será levado a cabo na rua de santa Catarina uma "minimarcha" cujo ponto de encontro será às 15.30 na porta do mercado do Bolhão do lado de Fernandes Tomás, com a ideia alertar para a necessidade da PAZ, propõe-se a todos os que queiram aderir que se vistam de branco (logo que tenhamos um cartaz definitivo deste evento envio-te por mail).

Neste momento estão a ser dinamizadas várias acções de promoção da MM, com a ideia de ir mobilizando cada vez mais gente para que possamos, nos dias em que a MM terá mais força em Portugal, obter uma adesão significativa.

Até ao presente, já aderiram à MM personalidades como José Saramago, Desmond Tutu, Ian Gibson, Alexandre Jodorowsky, Federico Mayor Zaragoza, Zubin Mehta, Noam Chomsky, Ramos Horta e outros. Em Portugal, já aderiram nomes como Richard Zimler ou Fernando Nobre (AMI).



Podes ver estas e outras adesões no site oficial da Marcha:


bem como outra informação mais particular no website português:

Existe um vídeo promocional em Português no qual se divulga os objectivos e o espírito da MM, bem como algumas adesões mais significativas, podes ver aqui:



Vergonhosa condenação de 3 activistas do MUT (Movimento de Utentes dos Transportes do Porto) ou o que acontece quando se julga contra a lei em vigor!

Nota prévia do blogue Pimenta Negra: este blogue solidariza-se em absoluto com estes activistas «condenados» por alguém que exerce as funções de Juíz mas que, pelos vistos, interpreta arbitrariamente a legislação vigente segundo critérios que vão ao arrepio do sentido consolidado da maior parte da Doutrina e Jurisprudência existente sobre a matéria. Simplesmente lamentável...



Está caladinho, senão levas no focinho!


Três activistas do MUT - Movimento de Transportes da Área Metropolitana do Porto, foram hoje condenados no Tribunal do Bolhão (Porto) pelo simples facto de não terem avisado atempadamente as autoridades para a realização de uma marcha dos Aliados ao Governo Civil em 2007.

A marcha decorreu pacificamente pelo passeio, sem incidentes, e sem "perturbação da ordem pública" mas no final 3 pessoas foram identificadas pela polícia para mais tarde serem acusadas de desobediência...

Perante uma sala cheia de cidadãos solidários com os três arguidos, o Juiz não teve qualquer contemplação e condenou-os ao pagamento de quantias entre os 540 e os 450 euros pelo crime de desobediência qualificada, por não terem cumprido todas as formalidades associadas à promoção de uma manifestação. O próprio Ministério Público tinha pedido, nas suas alegações finais, a substituição da pena de multa por uma simples admoestação!

O Juiz fez ainda questão de refutar qualquer comparação com as manifestações de adeptos de futebol na baixa do Porto, por considerar que esse tipo de manifestações são espontâneas e impossíveis de prever. Mesmo sendo por vezes bem violentas.

3 cidadãos que "cometeram o crime" de lutar pela melhoria da qualidade de vida da sua cidade, foram condenados pelo simples facto de terem entregue fora do prazo a informação da realização da acção no Governo Civil!

Na mesma cidade onde, por exemplo, grupos de estudantes universitários organizam durante vários meses concentrações em espaços públicos e marchas ruidosas pelas ruas (a qualquer hora do dia e da noite sem qualquer comunicação ao Governo Civil) onde humilham à vista de todos, outros estudantes (caloiros), vandalizam o espaço público e deixam atrás de si um rasto de lixo, perante a cumplicidade das autoridades...


O texto intitulado «Está caladinho, senão levas no focinho» foi retirado do blogue:
http://www.mruim.blogspot.com/

Projecto Arte de Viver:a próxima acção é neste fim-de-semana e destina-se a ajudar à reflorestação da Faia Brava e construção de mandalas com sementes


morada: Associação ORÁGÁ - Rua Antero de Quental, 153, Porto



Próximas acções calendarizadas do Porjecto Arte de Viver:

21 e 22 de Março - Reflorestação da mata portuguesa - Construção de mandalas com sementes (info)



28/03 - Criação de moda: Reciclagem de roupas antigas (info)




O que é o PROJECTO ARTE DE VIVER


O Projecto Arte de Viver surge de um grupo de moças, mulheres, mães que sentem a necessidade de partilhar o sonho de uma educação pintada de arco-íris para a geração de Seres Livres.

Este projecto tem lugar na cidade do Porto, num espaço partilhado com a recentemente criada Associação ORÁGÁ cujo objectivo é a educação formal e informal de crianças e jovens.

As temáticas das acções planeadas para este projecto estão integradas nos três pilares da sustentabilidade das comunidades: ambiente, saúde e social. Pretendemos assim contribuir para a construção sustentável da nossa comunidade, partilhando conhecimento e espaço com tod@s aquel@s que queiram participar.

Entre Março e Junho serão levadas a cabo treze acções (ver
aqui), todas com participação gratuita (sujeitas a inscrição prévia no site ou na Associação Orágá), a decorrer na sua maioria no espaço da Associação ORÁGÁ (Rua Antero de Quental, nº 153) mas algumas serão fora da cidade do Porto.

Informa-te! Inscreve-te! Participa!

Próxima Assembleia MayDay em Lisboa ( 18 de Março às 21h.)




Próxima Assembleia MayDay:

4ª feira, dia 18 de Março, 21:00

na sede do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
Rua Fialho de Almeida, 3
(Bairro Azul :: metro São Sebastião )

http://www.maydaylisboa.net/


"Aqui não há emprego!" (Ocupação dum Centro de Emprego )
O MayDay Lisboa 2009 ocupou na passada 3ª feira, o Centro de Emprego da Av. 5 de Outubro, no centro de Lisboa.

"Aqui não há emprego!" é a afirmação de que os Centros de Emprego são hoje locais de perseguição aos desempregados e não servem para o que deviam.

"500 000? Somos muitos mais!". Porque as estatísticas, apesar de assustadoras, escondem uma realidade ainda pior. O desemprego não pára de crescer. E sabemos muito bem que anda de mãos dadas com a precariedade: é este o clima de chantagem que aumenta a exploração e nos leva os direitos






MayDay Porto Acção Divulgação 2009





http://www.maydayporto.blogspot.com/

Ciclo de cinema «Palestina Livre» na Casa Viva exibe o filme «A Muralha de Ferro» (no dia 17/3 às 21h30)

3ªfeira, 17 março, 21h30, na Casa Viva (Praça do Marquês de Pombal, 167, Porto)
entrada livre

The Iron Wall, de Mohammed Alatar

(52' Inglês, Árabe e Hebraico; legendas em Inglês)

Quando o pai da direita israelita, Valdimir Jabotinsky, formulou a irredutível estratégia da Muralha de Ferro, em 1923, afirmou-se então que o diálogo com os árabes palestinos só seria empreendido quando estes estivessem totalmente derrotados.

Documentário (2006). Aborda a história da implantação sionista na Palestina até aos mais recentes projectos de Israel para a construção de colonatos permanentes, confisco de propriedades, furto de recursos naturais, privação de Direitos Humanos e criação de um sistema de segregação social baseado no factor étnico-racial, semelhante ao apartheid que vigorou na África do Sul.

Petição «Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!» e concentração de protesto (18/3 às 18h)


18 de Março
Manifestação contra a deslocalização do Museu dos CochesLisboa, 18h,
na Avenida da Índia, junto à Praça Afonso de Albuquerque
Iniciativa da Plataforma pelo Património Cultural e Fórum Cidadania Lisboa

É um verdadeiro escândalo, em pleno século XXI, iniciar uma obra contra todas as disposições regulamentares de carácter cultural e ambiental.É um crime.É o oposto do que se faz por toda a Europa, na reabilitação e preservação do património histórico e cultural.

Já não nos chegou a vergonha dos comentários sarcásticos sobre a ignorância e presunção portuguesas, aquando da Expo 98, pela criação de um novo e grande Aquário, orgulho dos governantes deste país. Quando, nessa data, já todo o mundo civilizado via esses tanques como meras gaiolas ou prisões de peixes e animais arrancados aos seus habitats.Quando já todos procuravam reabilitar, preservar e mentalizar a população a conservar os espaços e meios naturais onde se desenvolvem as espécies, tentando detectar e minimizar todos os factores de risco para os evitar, fomos nós mostrar a nossa "categoria", digo, a falta dela, criando, em grande escala, precisamente aquilo que é o exemplo do que se ensinava às criancinhas na verdadeira Europa que se devia evitar; que tinha sido um erro andar a fazer isso em vez de andar a perceber e a tentar preservar a natureza, pugnando pelo sua sobrevivência.

No meio das coisas boas que nessa data se fizeram, isto foi a chacota total, com que nos desacreditamos aos cultos que nos visitaram (não foram assim tão poucos, pois os comentários, não divulgados por cá, apareceram bem lá fora).Mais uma vez, vamos prendar o mundo com a nossa falta de conhecimento e civilidade, dando provas de incompetência pura.

Quando vamos lá fora visitamos museus. Eles, quando se dignam vir cá, visitam os nossos museus.

O museu dos coches é o melhor, o mais visitado, e como tal subejamente conhecido por esse mundo fora.Vamos dar cabo dele.Vamos vestir os nossos velhos coches de um embrulho branco, vasto e triste.Eles que se encontravam aconchegados e acarinhados no berço de um velho espaço à sua escala, à sua côr, à sua proporção; envoltos no sentido do ambiente dos cavalos. Cavalos esses sem os quais os coches nunca se moveram. Isto é um casamento centenário que só a incúria, a má fé e o despeito poderão querer separar... ou então a falta de conhecimento, de sentimento, de um mínimo interesse pelo bem fazer.Os coches vão morrer, pois é impossível aguentar tal rotura.

O edifício vai-se perder, da memória de um século de visitas de todo o povo.Vamos ser novamente a chacota do mundo civilizado: por não sabermos fazer, e pior, por deixarmos fazer mal quem não sabe o que anda a fazer.É triste.É muito triste, e, dentro de pouco tempo, vamos ser acusados pelos nossos filhos de termos permitido que isto se fizesse quando por aqui andávamos.

Muito se disse dos que, durante a 2ª guerra, lavaram as suas mãos e permitiram a chacina que ocorreu.É o que agora se vai dizer de nós.Uma vergonha...Depois de dar cabo desta pequena jóia preciosa, sá falta dar cabo da outra: da Torre de Belém; a única que se pode comparar com esta, pela escala e pelo carinho que, do povo, lhe temos...Para fazer este novo "prédio à beira Tejo", não importa o custo ambiental, o investimento económico ( num período em que o povo passa fome), que seja o exemplo do que não se deve fazer, que até nem seja preciso, que não respeite o regulamento térmico, e venha a ser mais um monstro consumidor de energia e de terrível manutenção (estes custos futuros vão multiplicar por 20 ?...)Que se está a fazer agora no 1º e 2º mundos? Edifícios de custos energéticos e de manutenção reduzidos, que diminuam as emissões de dióxido de carbono, que tratem naturalmente as ventilações e a iluminação natural... Olhem como os Espanhóis dão à população como exemplo a seguir, o desempenho ambiental do "supositório" de Barcelona. E já tantos outros que se encontram construidos. Isto já não é novidade em projecto. É já a realidade que nos envolve por este mundo fora.E vamos nós agora, timonados por quem não sabe, nem quer ouvir de quem sabe, pagar e aturar no futuro mais uma atoarda... uma grande burrice...Haverá ainda alguém que se consiga fazer ouvir por tamanhos moucos?...

Vamos todos à concentração marcada para dia 18, no local da obra.

texto retirado de: http://cidadanialx.blogspot.com/



PETIÇÃO

O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.

O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha – Século XVI- XVII – e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.

O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.

Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;

Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização;

Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);

Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;

Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sedeados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);

Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.

15.3.09

Conferências sobre A Moeda Viva ( de Pierre Klossowski) e a contemporaneidade - por Rui Trindade,na Culturgest (3,17,24 e 31 de Março)


Conferências às 3ª FEIRAS: 3, 17, 24 E 31 de Março de 2009 pelas 18h30 no Pequeno Auditório do edifício da Culturgest, em Lisboa

Entrada Gratuita



A Moeda Viva
Por Rui Trindade

Em 1970, Pierre Klossowski – cujo pensamento influenciou intelectuais tão diversos como Georges Bataille, Gilles Deleuze ou Jean-François Lyotard – publicou um pequeno livro, delicado e intenso, a que chamou A Moeda Viva.


O livro é uma espécie de fábula, misturando registos diversos, e seduz pela formulação condensada que faz de muitas das ideias de Klossowski, nomeadamente no que toca à visão das sociedades como estruturas cuja economia assenta não em bens materiais, mas em investimentos pulsionais e afectivos, que se transfiguram e interligam no corpo social.

Este conjunto de conferências toma como ponto de partida a ‘fábula’ de Klossowski para reflectir sobre algumas dimensões da nossa contemporaneidade, em especial sobre aquelas que, nesta fase de desmaterialização do capitalismo, prefiguram relações e vivências cujos contornos parecem ecoar, à distância, o pensamento de Klossowski.

Começaremos por abordar a questão da ‘celebridade’ nos nossos dias enquanto espelho de uma economia ‘sem valores’, cuja ‘moeda forte’ se traduz na capacidade de produzir ‘mais-valias’ de notoriedade e, assim, incrementar retornos.

Olharemos de seguida para os estudos que têm sido realizados sobre o modo como é hoje gerida a ‘vivência’ do dinheiro, isto é, as emoções, os afectos e as representações que emergem num mundo dominado pela monetarização do quotidiano.

Esta questão liga-se, por seu turno, à própria evolução do capitalismo no século XX. Não é por acaso que a ‘depressão’ se tornou na grande epidemia ‘pós-moderna’. O que aqui se propõe é uma viagem pelo século XX que mostre como os ‘modos de vida’ e a organização económica e social passaram de uma norma assente na culpabilidade e na disciplina para uma outra em que, perante o desaparecimento das ‘grandes narrativas’ ideológicas, cada um é suposto tratar de si. Para aqueles que não suportam o fardo de construir a sua própria ‘narrativa’ a alternativa é o colapso, a depressão.

Finalmente, tentaremos averiguar que espaço sobra para o dom e a dádiva nas nossas sociedades ‘utilitárias’.


Rui Trindade nasceu em Lisboa, em 1954. Formado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tem trabalhado sobretudo na área da Comunicação quer no jornalismo, quer na produção de eventos.


3 de Março
Dias de Glória - A celebridade como padrão-ouro do capitalismo ficcional


17 de Março
Investimentos SA - Dinheiro & Afectos


24 de Março
O cansaço de mim - O capitalismo: da culpa à depressão


31 de Março
Trocos & Trocas - A monetarização da vida quotidiana

O dinheiro e/ou a Felicidade (tema geral da comunidade de leitores a decorrer na Culturgest)

LEITURAS às 4ªFEIRAS: 28 DE JANEIRO, 11 E 25 DE FEVEREIRO, 4, 18 E 25 DE MARÇO DE 2009 pelas 18h30 na Sala 4 no edifício da Culturgest em Lisboa
Entrada Gratuita

Comunidade de Leitores

O Dinheiro e/ou a Felicidade?
Por Helena Vasconcelos


Nesta época ‘de crise’, como convivemos com o dinheiro (ou com a sua falta)? Estarão o dinheiro e a felicidade estreitamente ligados? Anthony Trollope, no século XIX, inspirou-se em escândalos financeiros para contar, em The Way We Live Now (1875), várias histórias – entre elas a de Lady Carbury, que recorre à escrita para sobreviver e manter a sua ‘reputação’ – que ilustram a corrupção económica, moral, política e intelectual, do seu tempo. Durante os séculos XVIII e XIX, esta questão foi alvo de escrutínio por parte de pensadores e analistas económicos.

Em Candide (1759), Voltaire remete a felicidade, enigmaticamente, para a forma como “cultivamos o nosso próprio jardim” e critica asperamente o consumismo desregrado. Do século XVIII para o XIX, o dinheiro – heranças, investimentos, especulações – foi o centro das atenções como nos mostra William Thackeray em Barry Lyndon (1844) e Vanity Fair (1848), dois romances que satirizam uma sociedade dependente do ‘vil metal’, recuperando a tradição picaresca de Henry Fielding (Tom Jones, 1749).

Nesta Comunidade, começaremos por Alain de Botton e a sua análise do conceito de status contemporâneo, cuja fragilidade se revelou no crash económico recente. Com Amis, revisitaremos um clássico que ilustra os excessos dos anos 1980 e, com Fitzgerald, mergulharemos na plena nostalgia de um breve tempo de abundância. Henry James mostra-nos o lado sombrio do dinheiro e o seu poder manipulador, o que acontece, também, na recordação de Duras, condenada a uma pobreza abjecta na remota Indochina. Para terminar, Jane Austen revela a sua atitude em relação ao dinheiro no seu romance mais inquietante. Através destas leituras discutiremos o lugar dos bens materiais na vida dos seres humanos que, afinal, parecem não ter mudado muito, ao longo dos tempos.


28 de Janeiro
Status. Ansiedade
Alain de Botton, Ed. Dom Quixote

11 de Fevereiro
Money
Martin Amis , Ed. Teorema

25 de Fevereiro
O Último Magnate
Scott Fitzgerald, Ed. Relógio D’Água

4 de Março
Washington Square
Henry James, Ed. Europa-América, Ed. Estampa como “A Herdeira”

18 de Março
Uma Barragem Contra o Pacífico
Marguerite Duras, Ed. Difel

25 de Março
O Parque de Mansfield
Jane Austen, Ed. Europa-América


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Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos
Rua Arco do Cego, Piso 1
1000-300 Lisboa

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21 848 39 03

Conferência/debate sobre os riscos induzidos pela barragem de Fridão (20 de Março, em Amarante)


Câmara de Amarante promove Conferência/Debate sobre riscos induzidos pela Barragem de Fridão

A Câmara Municipal de Amarante promove, no próximo dia 20 de Março, sexta-feira, a partir das 21:00, no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, uma Conferência/Debate sobre “Riscos induzidos pela Barragem de Fridão”, que contará com a participação do Presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Carlos Alberto Matias Ramos, de Ferreira Lemos, Director do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e de João Avilez do Instituto Nacional da Água (INAG) – Autoridade Nacional de Barragens.
Sabia que...

Sabia que o governo, aprovou a construção de 5 barragens hidroeléctricas na bacia do Tâmega, a montante da cidade de Amarante?...Uma dessas barragens será construida em Fridão, a cerca de 6 quilómetros da cidade de Amarante?...Esta barragem tem uma altura prevista de 90 metros acima do leito do rio?...Por força da construção deste conjunto de barragens, a qualidade da água piorará drasticamente?...O documento que sustenta esta decisão não faz qualquer referência aos impactes da construção da barragem e em particular relativamente ao património ambiental histórico e paisagístico da cidade de Amarante







14 de Março - Dia Internacional de Acção Contra as Barragens e em Defesa dos Rios, da Água e da Vida


Movimento dos atingidos pelas barragens:

COAGRET (Coordinadora de Afectados por GRandes Embalses y Trasvases):


No Brasil, as barragens já expulsaram cerca de 1 milhão de pessoas e mais de 34 mil Km² de hectares de terras foram encobertos pelos reservatórios. Denunciamos estes projetos que beneficiam prioritariamente as empresas transnacionais, as quais se apropriam da natureza e destroem a vida em nome do “desenvolvimento” e do lucro. Para facilitar este modelo, os governos e a justiça são extremamente rápidos em liberar licenças ambientais e realizar desapropriações com o objetivo de construir barragens.

Os últimos anos foram marcados pelo avanço das grandes empresas nacionais e estrangeiras no controle das riquezas naturais, minerais, da água, das sementes, dos alimentos, do petróleo e da energia elétrica. Todos estes bens tornam-se mercadorias e são explorados pelos setores da indústria que se abastecem com o alto consumo de energia. A atual crise do capitalismo mostra o quanto este modelo de produção e consumo é insustentável e insano, centrado apenas no lucro de poucos. Para o MAB é necessário construir um novo modelo de desenvolvimento, centrado na busca de condições dignas de vida para a classe trabalhadora.

Cada vez mais nosso compromisso é de nos organizarmos e de nos inserirmos nas lutas contra as transnacionais, pelos direitos dos trabalhadores, na defesa dos rios, da água e da vida. As manifestações da semana do 14 de março serão realizadas para pedir solução para a enorme dívida social e ambiental deixada pelas usinas já construídas e para fortalecer a luta por um outro modelo energético. Portanto, essa luta não é apenas da população atingida pelos lagos, pois todo o povo brasileiro é atingido pelas altas tarifas da energia, pela privatização da água e da energia, pelo dinheiro público investido em obras privadas (via BNDES).

Alternativas existem

Em se tratando do modelo energético, a crise nas atividades econômicas e a conseqüente queda no consumo da energia abrem a possibilidade de discutir uma reestruturação profunda, que parta das necessidades reais de superação das contradições do atual modelo e que carregue os princípios da soberania energética a partir de um projeto popular.

Portanto, cabe a nós fazermos a luta de resistência e construirmos um novo modelo energético e de sociedade!

Águas para vida, não para morte!Água e energia não são mercadorias!

Movimento dos Atingidos por Barragens (Brasil)

Entrevista com a Plataforma abstencionista



O (não) voto é uma arma? (Entrevista com a Plataforma Abstencionista)

Pode o não voto ser uma forma de luta anticapitalista?
Entrevista com a Plataforma Abstencionista que apela ao não-voto em massa, neste ano eleitoral em Portugal.

http://plataforma-abstencionista.blogspot.com/



texto retirado de:http://passapalavra.info/?p=1417

Passa Palavra (PP) - A Plataforma abstencionista visa sistematizar a expressão abstencionista. Como tenciona fazê-lo? Por outras palavras, em que consiste o conceito de «abstenção activa»?

Plataforma Abstencionista (PA) - Para as pessoas que fazem parte da PA o conceito de “não voto” implica mais qualquer coisa do que a simples não ida às urnas no dia das eleições. Implica, por exemplo, a promoção do abstencionismo como forma de luta consciente, a ligação desta atitude às lutas populares que vão sendo desencadeadas nas mais diversas áreas e também a divulgação de que é possível e indispensável uma nova organização social e económica da sociedade, em que capitalismo, hierarquia e dominação sejam conceitos e práticas não existentes. Uma sociedade em que as decisões sejam tomadas de forma participada e horizontal, sem que ninguém tenha de delegar a sua opinião de forma sistemática e irrevogável.


PP - Sendo a abstenção (tal como o voto, de resto) um acto de consciência individual, faz sentido torná-la matéria de campanha?

PA - Faz todo o sentido. É uma forma de luta contra esta sociedade capitalista como outra qualquer. Se os partidos fazem do apelo ao voto matéria de campanha, porque é que o apelo à abstenção não pode ser também feito? Numa frase, as campanhas servem, exactamente, para tentar mudar consciências.

PP - Que críticas fundamentais dirigis ao sistema eleitoral representativo e por que devem, em vosso entender, as pessoas recusá-lo?

PA - Porque na chamada democracia representativa os cidadãos não significam nada. Os cidadãos são chamados periodicamente a pronunciarem-se sobre ideias e projectos já preparados por outros e para os quais não tiveram, nem vão ter, qualquer participação. Ao longo da História, as democracias representativas têm inculcado na cabeça dos cidadãos que os resultados dos actos eleitorais significam uma procuração irrevogável para o Estado e seus representantes agirem em seu nome de forma omnipotente e omnipresente. A representatividade como modelo parece-nos, aliás, um atestado de infantilidade às pessoas em geral, que necessitam de entregar a decisão sobre o que afecta as suas vidas a pretensos especialistas, abdicando da sua individualidade, da sua autonomia e da sua capacidade de análise e decisão. Ao contrário, a democracia directa promove a criação de ideias e a sua aprovação de forma colectiva e participativa. Os delegados que daqui emanam são eleitos apenas para representar uma decisão específica, não tendo o direito de alterar uma decisão tomada numa assembleia popular e podendo ser demitidos dos seus mandatos em qualquer altura.

PP - A luta pela igualdade do direito ao sufrágio foi uma das mais encarniçadas batalhas da esquerda europeia e americana na modernidade. Um dos factores seus distintivos, até, relativamente à direita censitária (que preconizava o voto exclusivo para certas classes de cidadãos e camadas sociais, económicas ou intelectuais, ou ainda o valor diferenciado do voto de cada pessoa pela sua posição sócio-económica e política). A vossa posição é, hoje, uma posição de esquerda, ou isso não vos preocupa?

PA - Será que os governos têm posições de esquerda ou de direita? Consideramos que o apelo a que as pessoas deixem de legitimar elites e tomem as suas próprias vidas é uma posição que pode ser catalogada no que, habitualmente, se designa por “esquerda”, mas é uma questão que não nos preocupa.

PP - Gerações de pessoas foram impedidas de votar em Portugal pela ditadura do Estado Novo. Que dizeis a essas pessoas que, até a partir da sua própria experiência passada, criticam o não voto e associam apelos como o vosso a uma natureza de coisas idêntica à que as privou durante décadas da escolha eleitoral?

PA - Dizemos que a luta pelo direito ao voto, em que alguns de nós participaram, significa sempre o direito ao “não voto”! Em termos estritamente políticos são duas situações não comparáveis. Durante o fascismo, a luta pelo direito ao voto foi uma das formas possíveis para pôr fim a um regime político ditatorial e opressivo. Actualmente, somos de opinião que existem outras formas de luta para acabar com esta sociedade capitalista e hierarquizada, sendo o abstencionismo uma delas.

PP - Como responde a Plataforma Abstencionista à crítica de que, se nada muda com o voto, também nada muda com a recusa do voto?

PA - Como é referido na resposta anterior, a luta pelo direito ao voto significa também o direito ao “não voto”. Por isso, consideramos que é uma crítica que não está correcta. É óbvio que haverá sempre pessoas a votar, mas uma abstenção massiva é um claro sinal de rejeição dado às estruturas do poder político. No entanto, não chega a simples recusa do voto, se esta atitude não for acompanhada pela recusa activa ao capitalismo e a todas as outras formas de dominação. E é esta atitude que se procurará incentivar nas acções a desenvolver pela PA. Em suma, a recusa massiva do voto, desde que acompanhada por atitudes e acções onde as pessoas se apercebam que têm capacidade suficiente para, juntas, tratar dos assuntos comuns, parece-nos um bom caminho revolucionário e, assim, potenciador de mudança.

PP - Para alguns sectores de opinião, a mobilização em torno da abstenção é um processo secundário, em relação à «luta de classes» nos processos de combate ao capitalismo. Estão errados, esses sectores? Porquê?

PA - Estarão errados se considerarem o apelo à abstenção como um processo secundário. Consideramos que no combate ao capitalismo não existem processos principais ou secundários. Todos são necessários nesse combate, dependendo apenas a sua utilização do foro individual de cada um.

PP - Conhecem, na vossa plataforma, algum método mais democrático do que as eleições? Há alguma metodologia eleitoral com a qual estivésseis de acordo?

PA - Os abstencionistas opõem-se a eleições, defendendo que a acção directa e outras alternativas são soluções mais democráticas para uma sociedade mais justa do que eleger o Candidato X para um cargo qualquer. Assim sendo, não concordamos com qualquer metodologia eleitoral que delegue noutros o poder de decisão – usado posteriormente como poder omnipotente – e sem possibilidade de revogação.

PP - Que proposta alternativa, para que modelo de organização da sociedade aponta a vossa política? Que há de mais democrático do que eleições?

PA - No entendimento das pessoas subscritoras da PA não é forçoso termos de apresentar alternativas ao sistema actual. Isso seria entrar na lógica de actuação dos partidos, o que recusamos. A PA não tem de ter “política”, nem tem de propor um modelo de organização da sociedade. Isso é uma coisa que tem de ser construída dia-a-dia pelas pessoas, com avanços e recuos, com erros e sucessos. No entanto, somos de opinião que a alternativa mais consistente a esta sociedade tem de passar por uma sociedade autogestionada e anticapitalista, na qual as pessoas participem activamente nos processos de tomada de decisões.

PP - Que entidades, pessoas, movimentos incluem a vossa plataforma e quais os vossos projectos de acção e iniciativas futuras? Como pode a Plataforma ser contactada por quem nela esteja interessado?

PA - As pessoas e grupos que subscreveram a PA estão mencionados na lista de subscritores. Projectos de acção: reuniões, debates públicos, apoio a lutas e reivindicações populares.



A PA pode ser contactada através do respectivo blogue: