No prosseguimento do ciclo de cinema dedicado à América Latina que tem decorrido na livraria-bar Gato Vadio vai passar amanhã o filme The Revolution Will Not Be Televised, com realização de Kim Bartley e Donnacha O'Brian Quinta-feira, dia 2 de Julho, 22h
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/
Ao longo da história sonegada do século transacto, o grande desejo das sucessivasadministrações dos EUA, como império moderno, é o de dominar todo o continente latino-americano, não secontentando apenas em considerá-lo o “quintal da sua casa”.
O império é conquista e ataque, controlo e segredo.
Desde 1946, os Estados Unidos tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles eleitos democraticamente.
Nessa guerra obscura, 40 países foram atacados e bombardeados, e no poder foram colocados ditadores ou líderes pró-americanos ao serviço dos EUA e das suas multinacionais, deixando um rasto de inúmeras vidas que se perderam iniquamente.
No final dos anos 80, a política de Washington mudou. Ditadores como Pinochet passaram a ser vistos como uma vergonha desnecessária. Foi, então, lançada uma forma inovadora de controlar as nações da sua horta. Um programa com visão e propósitos nobres, o Programa Nacional para a promoção da democracia.
O estabelecimento deste programa é o principal objectivo dos ideais americanos e das suas instituições, uma ilusão de marketing. Esta flamejante “democracia” pressupõe que, seja quem for em quem se vote ou ganhe as eleições, as políticas vão ser as mesmas, e a economia do país vai ser moldada pela dos Estados Unidos. Washington vai ser um amigo íntimo, uma iminência menos parda, mais sofisticada e cínica, brandindo toda a arte de branding americana para vender a sua asquerosa e sanguinária marca: “democracy”. Franchising da política, carimbado pelo dólar, e com os logótipos das suas grandes corporações.
Retirado de uma música/poema de Gil Scott-Heron, The Revolution Will Not Be Televised é uma visão, com acesso ilimitado, ao golpe de estado ao governo de Chavez em Abril de 2002.
Os realizadores irlandeses Kim Bartley e Donnacha O'Brian viajaram para a Venezuela para filmar um documentário sobre o carismático e polémico presidente Hugo Chavez nos seus primeiros anos de presidência da 4ª nação exportadora mundial de petróleo e de importância vital no fornecimento a baixo custo aos EUA.
Retratam Hugo Chavez – por vezes, com um favorecimento notório – como um colorido herói popular, amado e idolatrado pela classe trabalhadora, pobre e miserável, e odiado por uma estrutura de poder de magnatas petroleiros e a alta classe que o adorariam ver deposto.
Este documentário resultou numa brilhante peça de jornalismo, mas também num espantoso retrato do conflito de forças na Venezuela. De um lado, as classes que vestem Versace, desde há décadas inchadas de lucro petrolífero, do outro, os pobres e miseráveis sem outro horizonte que as suas favelas.
O documentário recebeu 12 prémios e 4 nomeações.
Kim Bartley, Donnacha O'Brian (Venezuela)
2002
tempo: 74 min
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Revolution_Will_Not_Be_Televised_(documentary)


















