22.3.09

Passeio de burro por montes e vales do Nordeste transmontano (Por Tierras D L Rei) em Miranda do Douro ( 3 a 6 de Abril)

Entre os dias 3 e 6 de Abril irá realizar-se a VI Edição do “Por Tierras D L Rei”, uma iniciativa da AEPGA com a colaboração da Associação Lérias.

Os participantes serão convidados a passear por montes e vales, utilizados desde tempos imemoriais pelas gentes das aldeias, sendo actualmente um ponto de passagem de pastores, cabreiros e agricultores. Nesta pequena viagem, os participantes desfrutarão de uma grande experiência através do passeio por paisagens naturais únicas e da observação e interpretação da fauna e flora existente no Planalto Mirandês.

Ao longo do fim-de-semana venha visitar e conhecer aldeias, paisagens, trilhos e caminhos, utilizando o Burro de Miranda como meio de transporte e a música tradicional como banda sonora!


Os sócios, amigos e curiosos que queiram participar nesta actividade deverão proceder ao envio da Ficha de Inscrição por via e-mail ou via-postal até dia 1 de Abril, onde deverão constar as opções de participação pretendidas.


Programa e Itinerário do Passeio de Burro “POR TIERRAS D L REI”
3 a 6 de Abril 2009

Sexta-feira, 3 de Abril 2009
Atenor, Miranda do Douro

20h30 - Recepção dos participantes na aldeia de Palaçoulo (até às 24h)
21h00 - Teatrinho na aldeia (organização Associação Lérias)

Sábado, 4 de Abril de 2009
Palaçoulo, Miranda do Douro

(Manhã)
09h00 - Concentração dos participantes em Palaçoulo
09h30 - Mata-bicho em Palaçoulo
10h00 - Início do passeio

O percurso inicia-se com uma arruada pela aldeia de Palaçoulo e seguirá por trilhos e caminhos antigos até à aldeia de Atenor, onde podem ser observados lameiros, cortinhas (hortas), vinhas e olivais, terrenos que caracterizam a paisagem transmontana e que representam um recurso imprescindível no quotidiano das gentes da Terra Fria. No passeio poderão ser apreciadas e identificadas azinheiras vulgarmente conhecidas como carrascos, freixos, carvalhos-negral, estevas, giestas e tantas outras espécies. A flora local existente na região, nomeadamente plantas aromáticas e medicinais, irá ser interpretada por técnicos especializados, que ajudarão todos os participantes a desvendar alguns segredos do mundo vegetal. Também é nesta zona que habita uma alcateia do lobo-ibérico e iremos falar um pouco sobre o Canis lupus signatus ao longo do percurso, identificando recantos e marcas que nos permitam interpretar e conhecer um pouco melhor sobre este animal, classificado mundialmente como uma espécie vulnerável.

13h00 - Almoço campestre na aldeia de Teixeira
15h30 - Continuação do passeio
17h00 - Chegada à aldeia de Atenor

Oficinas
Atelier de pequenos instrumentos de percussão
Atelier de danças mistas e jogos de roda
Jogos Tradicionais

20h00- Jantar-convívio com projecção de curtas-metragens
21h30- Actuação do grupo de música tradicional “Pé na Terra” (www.penaterra.com)

Domingo, 5 de Abril 2009
Vale de Algoso, Vimioso

(Manhã)
10h00 - Concentração dos participantes em Vale de Algoso
10h15 - Pequeno-almoço em Vale de Algoso
10h30 - Início do percurso
11h30 - Mata-bicho com produtos locais e regionais

O passeio decorre por vales e montes resguardados por azinheiras, freixos, carvalhos e a restante flora existente. Pelas sendas encontramos elementos pertencentes à história e cultura da região transmontana como os pombais tradicionais, construções que asseguram a sustentabilidade faunística, nomeadamente das aves rupícolas. No caminho iremos desfrutar da gastronomia e doçaria local através de um lanche tranquilo perto de uma curriça, onde se albergavam os animais durante a noite.

13h00 - Almoço na aldeia de Algoso
(Tarde)
17h00 - Conquista do Castelo de Algoso
Concerto na aldeia com o Grupo de Música Tradicional “Atropa Cantos” de Palencia
20h00 - Jantar-Convívio em Vale de Algoso
21h30 – Animação


(Opcional)

Segunda-feira, 6 de Abril 2009
Algoso, Vimioso

(Manhã)
10h00- Passeio de Burro Algoso/Atenor
13h30- Almoço campestre em local previamente determinado
17h00- Chegada à aldeia de Atenor
19h00- Jantar-Convívio, com projecção de fotografias e vídeos obtidos durante os passeios



*O programa poderá estar sujeito a alterações.


Para mais informações, consulte:
www.aepga.pt

Ou contacte: 96 0050722/96 6151131
E-mail:
burranco@gmail.com

Como um Burro a Olhar para um Palácio
Voo de Paramotor e Passeio de Burro por aldeias de Mogadouro
De 20 a 22 de Março Azinhoso (concelho de Mogadouro)

Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Anfíbios e Répteis no rio Sabor ( Mogadouro, 28 e 29 de Março)


Programa
Sábado, 28 de Março

9:00 – Abertura de secretariado e recepção de participantes na Casa da Cultura, Mogadouro

9:30 - Sessão Teórica. Biologia dos Anfíbios. Importância ecológica, características, identificação, distribuição e conservação das espécies que se encontram em Trás-os-Montes.

13:00 – Almoço (não incluído)

14:00 – Saída de campo na aldeia de Sampaio, percurso até ao Rio Sabor: Identificação de Anfíbios. Métodos de captura, observação e identificação de adultos e larvas em habitats aquáticos.

20:00 – Jantar (não incluído)

22:00 – 24:00 – Saída nocturna: Identificação de Anfíbios. Observação de anfíbios a partir de transectos terrestres e audição de cantos (opcional)

Domingo, 29 de Março

9:30 – Sessão Teórica. Biologia dos Répteis. História natural, ecologia, distribuição e conservação das espécies presentes na região na Casa da Cultura, Mogadouro.

13:00 – Almoço (não incluído)

14:00 – Saída de campo no Rio Sabor junto à Ponte de Remondes: Identificação de Répteis. Técnicas de observação, captura e identificação dos diferentes grupos de répteis.

16:00 – Discussão / Debate / Conclusões

17:00 – Encerramento do curso

NOTA: Trazer roupa e calçado confortáveis para as caminhadas, os percursos até ao rio e regresso à aldeia poderão apresentar alguma dificuldade.
FORMADOR:José Teixeira. Cibio - Universidade do Porto
José Teixeira é biólogo e mestre em Ecologia Aplicada pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde apresentou a dissertação sobre o estudo e modelação da biogeografia da salamandra-lusitânica. Actualmente é investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, onde realizou a tese de doutoramento sob o tema “Biogeografia, evolução e conservação da herpetofauna endémica do Noroeste da Península ibérica”. Integra as equipas de investigação de numerosos projectos de estudo da herpetofauna portuguesa, tendo sido responsável, por exemplo, pela realização do Atlas dos Anfíbios e Répteis do P. N. Montesinho. Pertence à direcção da Sociedade Portuguesa de Herpetologia desde 1996, na qual foi também editor da publicação periódica Folha Herpetológica, e da Plataforma Sabor Livre. Possui numerosos trabalhos sobre a herpetofauna ibérica publicados em revistas científicas da especialidade e faz também parte da equipa de autores do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, na secção de anfíbios e répteis, e do Guia Fapas dos Anfíbios e Répteis de Portugal.


Mais informações:

Manifestação da plataforma estudantil no Dia nacional de luta dos estudantes do secundário e básico (24 de Março)



Objectivos da Plataforma AGE!:

•Proporcionar de uma forma mais geral a concretização de momentos de convívio e troca de experiências entre colegas.
•Realizar ou participar em acções e processos de luta que tenham como objectivo derrotar a politica educativa deste Ministério.
•Organizar, informar e contribuir para consciencialização dos estudantes portugueses.


Contactos da Plataforma AGE!

•Porta-Voz da Plataforma: Luís Baptista – 926 854 208
• Responsável de Setúbal : Manuel Reis -
bioz_@hotmail.com
•Responsável Amadora: Miguel Dores - 961 096 733
•Responsável Almada: Tiago Ramalho - 965 345 269
Responsável do Concelho de Lisboa: Pedro Feijó - 917938369
•Responsável Regional de Lisboa: Pedro Faria Vaz – 912 952 917
•Responsável Oeiras/Cascais: Tiago Flôr - 931 133 624
•Email:
plataformaestudantil@gmail.com




Preparação da manifestação

Não serei o poeta de um mundo caduco (Drummond de Andrade)


Retirado de: http://ohomemrevoltado.blogspot.com/

21.3.09

Poesia dita e escrita por José Fanha

http://queridasbibliotecas.blogspot.com/ (blogue de José Fanha)


José Fanha no espectáculo realizado no Coliseu de Recreios em 2008.




Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui


José Fanha





José Fanha – Entrelinhas
Poesia á mesa no Neptulia Bar em 17/03/2009 com José Fanha





Romance ingénuo de duas linhas paralelas
( poema de José Fanha )


Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.
Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.
Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra lina
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim…”
Diz-lhe a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”
Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.
E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.
Assim nestas poucas linhas
fica uma história banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente!


José Fanha



José Fanha - declamando Cães da Infância
Poema de Jose Ary dos Santos

declamado por José Fanha em Março Mês da Poesia/09

20.3.09

Podemos viver sem capitalismo (nº 2 do jornal Crisis já está disponível)

Podemos viver sem bancos
sem empresas multinacionais
sem dinheiro
sem classe política

Podemos viver sem o capitalismo

Sejamos a mudança que queremos


http://www.17-s.info/es

Para descarregar Crisis nº1
www.vilaweb.cat/media/attach/vwedts/docs/200809/crisi.pdf

Para descarregar Crisis nº2
www.17-s.info/sites/www.podem.cat/files/PODEMOSCAST.pdf

Closed zone: filme de animação que mostra como 1 milhão e 500 mil palestinianos de Gaza vivem numa prisão a céu aberto!




Pequeno fime animado feito por Yoni Goodman, um dos autores de Waltz with Bashir, e que mostra metaforicamente como o Estado sionista de Israel mantém cercada e ferreamente fechada toda a região de Gaza, o que obriga a que cerca de 1 milhão e 500 mil palastenianos vivam como se estivessem num campo de concentração a céu aberto


http://www.closedzone.com/

Tributo a Rachel Corrie ( assassinada a 16 de Março de 2003 pelo exército israelita quando tentava impedir a demolição de uma casa palestiniana)




http://www.ism-france.org/news/


O fosso entre ricos e pobres, ou como a desigualdade não é apenas desigualdade, mas uma série de problemas sociais (texto de Rui Tavares)

Homogéneo e desigual
(reprodução do texto de Rui Tavares, publicado no jornal Público sob o título «Homogéneo e desigual», e retirado do blogue http://ruitavares.net/blog/)

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda.

Consideremos os (mais ou menos) dez milhões de portugueses que vivem em Portugal. Agora vamos escolher os dois milhões mais pobres e mais ricos, cerca de um quinto da população para cada lado. Agora, adivinhem qual é a diferença de rendimentos entre uns e outros: os mais ricos são oito vezes mais ricos do que os mais pobres.

O mesmo exercício repetido para a Espanha dá resultados diferentes: os mais ricos são apenas 5,6 vezes mais ricos que os mais pobres. É o jornal inglês The Guardian que apresenta estes dados na crítica a um novo livro, The Spirit Level, sobre o problema da desigualdade (só os gráficos que acompanham o texto já merecem uma visita; estão no meu blogue em ruitavares.net).

Em poucas frases, a questão é esta: a desigualdade nunca é apenas a desigualdade. A desigualdade é um monte de problemas: os países mais desiguais têm mais gravidezes na adolescência, têm mais gente na prisão, pessoas mais iletradas, mais corrupção, menos confiança no sistema político. A desigualdade não é apenas um efeito, mas uma causa do nosso atraso, e vai ser preciso repeti-lo enquanto formos desiguais e atrasados. Que no nosso caso vai dar ao mesmo.


O Japão e a Suécia, dois países muitíssimo distantes, tanto na geografia como na história, são bons exemplos. As suas sociedades e sistemas políticos têm poucas semelhanças, mas ambos são países bastante iguais (os mais ricos são apenas 3 ou 4 vezes mais ricos que os mais pobres) e ambos têm poucos problemas de crime ou ignorância. Todos saem a ganhar: na literacia, até as classes médias e altas dos países iguais são mais educadas do que as dos países desiguais.

Como mau exemplo: Portugal. A perplexidade dos autores é a agora inversa. Portugal e Espanha são tão próximos na geografia e na história. Como é possível que tenham divergido tanto em apenas trinta anos?

E chegados aqui, os jornalistas do Guardian cometem um erro. Dizem eles que em princípio seria de esperar que a Espanha fosse mais desigual, uma vez que é mais diversa internamente, com as suas regiões e autonomias. E Portugal é mais homogéneo e desigual ao mesmo tempo, o que não parece fazer sentido. Mas, pelo contrário!, faz todo o sentido.

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda. A direita preocupa-se menos com a desigualdade desde que o país seja homogéneo. O conservadorismo nacional é anti-regionalização, anti-imigração e anti-direitos dos gays (bom dia, Dra. Manuela Ferreira Leite) mas não perde o sono com a desigualdade. O projecto oposto não tem problemas em viver num país heterogéneo; o que nos interessa é dar a mesma dignidade a cada uma das partes que o constituem.

Em suma, eu diria que foi o quando a Espanha viu que é um país plural que começou a tornar-se um país mais igual. Mas que sei eu? Perguntem a Felipe González. O que ele respondeu numa entrevista recente foi que o segredo do crescimento da Espanha está em assumir a sua pluralidade interna: “Se há trinta anos atrás me dissessem que a Galiza viria a ser uma economia dinâmica na globalização, eu daria uma gargalhada”. Com o nosso desigual Norte a cair no atraso, é uma gargalhada amarga para nós.
--------------------------------
Consultar:

A precariedade no trabalho atinge hoje em Portugal 902 mil pessoas, segundo estudo do Instituto Nacional de Estatística

O emprego precário - contratos a termo, prestação de serviços, sazonal e pontual - tem vindo a subir em número e em peso. No ano passado atingiu já 902 mil pessoas. Um aumento de 52% em 10 anos.

Este valor absoluto foi calculado a partir da informação publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e com base no conceito de trabalho "não permanente" utilizado pelo professor António Casimiro Ferreira, num estudo que hoje é divulgado.

No relatório preliminar do documento "Da sociedade precária à sociedade digna: balanço da evolução social em Portugal", o professor da Universidade de Coimbra mostra que o peso destas situações sobre o total de pessoas empregadas tem vindo a crescer, passando de 12,3% em 1998, para 17,4% em 2008.

As mulheres são geralmente mais afectadas. Por outro lado, o Alentejo apresentava o valor mais alto (23,9%), seguido do Algarve (23,1%) e da região de Lisboa (21,1%).

"A desestabilização dos estáveis e dos instáveis tende a constituir-se num modelo de regulação que, caso venha a institucionalizar-se como modelo normal de relacionamento entre empregadores e trabalhadores conduzirá ao aumento da insegurança económica e social", escreve o autor, nas conclusões do estudo.

António Casimiro Ferreira alerta para a vulnerabilização de territórios, jovens e mulheres. Além da flexibilidade legal, "discutível no plano dos princípios e das consequências práticas", o caso português evidencia" sinais preocupantes" quanto à existência de trabalho à margem das normas, acrescenta o autor.

Dos 902 mil indivíduos considerados, 727 mil têm contratos a prazo, enquanto os restantes apresentam formas mais atípicas de trabalho. Os dados de 2008 apontam para 174 mil pessoas. Neste segundo grupo incluem-se pessoas que apesar de terem contratos de prestação de serviços são consideradas "trabalhadores por conta de outrem"; indivíduos em "trabalho sazonal e sem contrato escrito" ou em situações de trabalho pontual.

São estas as pessoas mais expostas ao risco de desemprego. Os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) revelam que os despedimentos unilaterais ou por mútuo acordo estão a ganhar protagonismo, tendo explicado já cerca de um quarto das novas situações de desemprego em Janeiro. Apesar disso, o "fim de trabalho não permanente" continua a ser a principal causa de inscrição nos centros de emprego. Que inclui a não renovação de contratos a prazo ou a interrupção de contratos mais precários.

O conceito de precariedade aqui considerado exclui todos os trabalhadores por conta própria. Parte deles terão contratos de prestação de serviços, tal como explica Casimiro Ferreira no estudo que hoje será apresentado.

Os dados relativos a todo o ano de 2008 têm a vantagem de diluir alterações pontuais, mas escondem a redução do peso dos vínculos mais precários na segunda metade do ano.

Os contratos considerados neste conceito de precariedade registaram o ponto mais alto no segundo trimestre do ano, com 925 mil pessoas incluídas, mostram os dados do INE.

Desde então, a economia tem vindo a destruir emprego e o número tem vindo a cair: recuou para 901 mil pessoas no terceiro trimestre e 882 mil no final do ano.

Ao mesmo tempo, e numa altura em que o emprego caiu, aumentou o número de pessoas com contratos sem termo.

Uma inversão recente que pode ser explicada pela análise sectorial: Educação e Administração Pública continuam a criar emprego, em contraciclo com o resto da economia.
Fonte: jornal Diário de Notícias

Queima de Recibos Verdes - Sábado, 21 Março, 23h00, em frente ao Piolho, no Porto


Este ano o May Day desperta outras primaveras

No dia 21 de Março, desperta a primavera. É a partir do equinócio que dias e noites têm a mesma duração.

Este ano, o MayDay Porto vai assinalar o equinócio com uma fogueira na rua: será a queima dos recibos verdes.

Em Portugal, cerca de 900 mil pessoas trabalham como 'falsos' recibos verdes; são falsos trabalhadores independentes. Falsos porque deveriam ter um contrato de trabalho: cumprem horário, têm subordinação hierárquica e trabalham não em casa mas numa empresa ou num serviço do Estado. Os recibos verdes são assim utilizados para mascarar uma situação de trabalho por conta doutrem. Noutros casos, são apenas uma forma que impede que o trabalho intermitente tenha protecção social.

Em Portugal, cerca de 900 mil pessoas não têm protecção social, não têm direito ao subsídio de desemprego se ficarem sem trabalho, nem a protecção na doença. Muitas delas, acumulam dívidas imensas à segurança social e não têm sequer o direito de planear e organizar o futuro.

Os falsos recibos verdes são, na maior parte dos casos, um abuso, uma mentira e uma exploração para que os trabalhadores tenham menos direitos. O Estado é um dos grandes utilizadores desta falcatrua.

Estamos fartos. E com o despertar da Primavera, despertam também os nossos gritos de revolta. Na fogueira do equinócio vamos queimar este símbolo maior da precariedade. As nossas noites terão a mesma duração dos nossos dias e ambos têm sempre a exacta duração da nossa luta.

Dia 21 de Março, traz a tua indignação e vem queimar os teus recibos. Porque é a sede de justiça e de dignidade que desperta em nós profundas primaveras!

Pic-Nic na cidade de Lisboa - festa da Primavera e da Poesia (dia 21 de Março, às 14h.)


NÃO PRIVATIZES A TUA VIDA,
VEM VIVER O ESPAÇO PÚBLICO!

Pela primeira vez no ano o dia e a noite ficam iguais! Os dias escuros vão-se e a terra está pronta para ser plantada.

O Equinócio de Primavera é celebrado no hemisfério norte no dia 21 de Março. Este é o tempo ideal para rituais de fertilidade, por que é o momento no qual a vida se renova.

Na agricultura, sinaliza o tempo em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento!

Além de ser o Equinócio é também O DIA DA POESIA... Por isso, não faltam motivos para celebrar!!

Sábado dia 21 de Março às 14 horas no Miradouro São Pedro de Alcântara (ao lado do elevador da Glória)

Traz a tua Alegria partilhando algo para comer, um Poema, uma Bebida, um Instrumento e um saco de lixo e vem celebrar o renascimento e a renovação primaveril !



http://blogdogaffe.blogspot.com/

18.3.09

Michel Onfray vai estar amanhã em Lisboa a apresentar a edição portuguesa do seu livro «A potência de existir: manifesto hedonista»

«As eleições são paródias que se servem de palavras bonitas – democracia, povo, nação, república, soberania – mas que não conseguem esconder o cinismo dos governantes: trata-se para eles de instalar ou manter uma tirania que produza um homem unidimensional – o consumidor estupificado e alienado – como nenhuma ditadura alguma vez conseguiu produzir»
Michel Onfray

«O poder não está aí onde o vemos, onde se expõe ou se esconde; ele está em todo o lugar. Por isso, é em todo o lado que é preciso resistir à maneira de Diógenes: eis o espírito libertário»
Michel Onfray

PROPOSTA DE MICHEL ONFRAY: UM HEDONISMO ÉTICO E ESTÉTICO, IMANENTE E VOLUPTUOSO.




Michel Onfray, o insubmisso e mais popular filósofo francês da actualidade, estará no Instituto Franco-Português para a apresentação da edição portuguesa do seu livro “A Potência de Existir: manifesto hedonista” (“La puissance d’exister”), edição da Campo da Comunicação.

No mesmo âmbito será apresentado, também em edição portuguesa, o livro de Georges Palante “Les antinomies entre l’individu et la société” prefaciado por Michel Onfray.

Apresentação: Henrique de Melo e Nuno Nabais.

Lugar: Institut Franco-Portugais
Morada: Avenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 Lisboa
Tel: (+351) 21 311 14 00
Email:
infos@ifp-lisboa.com
Site:
http://www.ifp-lisboa.com/



Michel Onfray (Argentan, Orne, 1 de Janeiro de 1959) é um filósofo francês. Nascido numa família de camponeses na Normandia, obteve um doutorado em filosofia. Onfray leccionou filosofia numa escola técnica secundária entre 1983 e 2002, tendo abandonado o ensino oficial para criar o que ele chama a Université Populaire de Caen, sem fins lucrativos, com o manifesto escrito por Onfray em 2004 (La communauté philosophique).
Michel Onfray é um enérgico defensor do ateísmo, tendo escrito O Manifesto Ateísta. Os seus escritos em geral celebram hedonismo, razão e ateísmo.



Listagem das suas obras, editadas originalmente em francês:

-Le Ventre des philosophes, critique de la raison diététique, Grasset, 1989
-Physiologie de Georges Palante, pour un nietzschéisme de gauche, Folle Avoine, 1989
-Cynismes, portrait du philosophe en chien, Grasset, 1990
-L’art de jouir : pour un matérialisme hédoniste, Grasset, 1991

-La sculpture de soi : la morale esthétique, Grasset, 1991.
-L’œil nomade : la peinture de Jacques Pasquier, Folle Avoine, 1992
-La raison gourmande, philosophie du goût, Grasset, 1995
-Ars moriendi, Folle Avoine, 1995.
-Métaphysique des ruines : la peinture de Monsu Désidério, Mollat, 1995.
-Les formes du temps : théorie du Sauternes, Mollat, 1996
-Politique du rebelle : traité de résistance et d’insoumission, Grasset, 1997
-À côté du désir d’éternité : fragments d’Égypte, Éditions Mollat, 1998

-Prêter n’est pas voler, Mille et une nuits, 2000.
-Théorie du corps amoureux : pour une érotique solaire, Grasset, 2000.
-Antimanuel de philosophie : leçons socratiques et alternatives, Bréal, 2001.
-Célébration du génie colérique : tombeau de Pierre Bourdieu, 2002
-L’invention du plaisir : fragments cyrénaïques, 2002.
-Esthétique du Pôle nord : stèles hyperboréennes, Grasset, 2002.
-Splendeur de la catastrophe : la peinture de Vladimir Vélikovic, Galilée, 2002. -Les icônes païennes : variations sur Ernest Pignon-Ernest, Galilée, 2003.
-Archéologie du présent, manifeste pour l’art contemporain, Grasset, 2003.
-Féeries anatomiques, Grasset, 2003.
-La philosophie féroce, Galilée, 2004. -La communauté philosophique, Galilée, 2004.
-
Traité d’athéologie, Grasset, 2005. (Livre de poche numéro 30637)
-La sagesse tragique : du bon usage de Nietzsche, Livre de Poche, 2006. Biblio essais n°4388 - -Traces de feux furieux, La philosophie féroce II, Éditions Galilée, 2006.
-La puissance d'exister, Grasset, 2006.
-Théorie du voyage : poétique de la géographie, Éditions Galilée, 2007. (Livre de poche)
-
Fixer des vertiges. Les photographies de Willy Ronis., Éditions Galilée, 2007.
-La Pensée de midi. Archéologie d'une gauche libertaire, Éditions Galilée, 2007.

-Le songe d'Eichmann, Galilée, 2008.
-L'Innocence du devenir. La vie de Frédéric Nietzsche, Éditions Galilée, 2008
-Le Chiffre de la peinture - L'oeuvre de Valerio Adami, Éditions Galilée, 2008
-Le soucis des plaisirs : construction d'une érotique solair2,
-La Religion du poignard : Eloge de Charlotte Corday, Éditions Galilée


-Journal hédoniste :
T.1 Le désir d’être un volcan, Grasset, 1996.
T.2 Les vertus de la foudre, Grasset, 1998.
T.3 L’archipel des comètes, Grasset, 2001.
T.4 La lueur des orages désirés, Grasset, 2007.



-Contre-histoire de la philosophie :
T.1 Les sagesses antiques, Grasset, 2006.
T.2 Le christianisme hédoniste, Grasset, 2006.
T.3 Les libertins baroques, Grasset, 2007.
T.4 Les ultras des lumières, Grasset, 2007.
T.5 L'eudémonisme social, Grasset, 2008.
T.6 Les radicalités existentielles, Grasset, 2009.
T.7 À paraître.
T.8 À paraître.

-Les cours sur CDs (Contre-histoire de la philosophie) :
1. L'archipel pré-chrétien (1) de Leucippe à Épicure - éditions Frémeaux & Associés - 12 CDs
2. L'archipel pré-chrétien (2) d'Épicure à Diogène D'Oenanda - éditions Frémeaux & Associés - 11 CDs
3. La résistance au christianisme (1) de l'invention de Jésus au christianisme épicurien - éditions Frémeaux & Associés - 12 CDs
4. La résistance au christianisme (2) d'Érasme à Montaigne - éditions Frémeaux & Associés - 13 CDs
5. Les libertins baroques (1) de Pierre Charron à Cyrano de Bergerac - éditions Frémeaux & Associés - 12 CDs
6. Les libertins baroques (2) de Gassendy à Spinoza - éditions Frémeaux & Associés - 13 CDs
7. Les Ultras des Lumières (1) de Voltaire et Diderot à Maupertuis - éditions Frémeaux & Associés - 13 CDs
8. Les Ultras des Lumières (2) de Helvétius à Sade et Robespierre - éditions Frémeaux & Associés - 12 CDs
9. L’Eudémonisme social (1) Le XIXe siècle : De l'utopie libérale à Karl Marx - éditions Frémeaux & Associés - 12 CDs
10. L’Eudémonisme social (2) De John Stuart Mill à Michel Bakounine - éditions Frémeaux & Associés - 13 CDs

-Conférences sur CDs et DVDs :
Naissance d'une université populaire (conférence ; avec la participation de Stefan Leclercq), DVD, Editions Sils Maria, 2005. Le Pur plaisir d'exister (Conférences de Michel Onfray à la BNF en coffret de 3 CD Audio) - éditions Frémeaux & Associés - 3 CDs, 2007


Para saber mais:

http://pagesperso-orange.fr/michel.onfray/accueilonfray.htm

http://pagesperso-orange.fr/michel.onfray/accueilup.htm



Manifesto contra os economistas - por A.Pedro Ribeiro



MANIFESTO CONTRA OS ECONOMISTAS


“Vós, economistas,
que dais cabo da vida
que a reduzis à mesquinhez
da conta, do orçamento, do défice
vós, economistas,
que pregais a bolsa e o mercado
que vos masturbais com o dinheiro
sabei que vos amaldiçoo
e que venho combater a vossa ditadura
vós, economistas,
que estais feitos com a morte
que trazeis a vidinha do tédio,
do previsível, das estatísticas
sabei que não me levais na cantiga
vós, economistas,
que dominais o mundo
que tudo submeteis à vossa lei assexuada
sabei que estou vivo
que procuro o prazer e a loucura
que estou para lá das vossas teses
que o amor não se mede
que a liberdade não se quantifica
e que o vosso império vai cair!”

A. Pedro Ribeiro



Acaba de ser lançado o último livro de A.pedro Ribeiro, "Queimai o Dinheiro!" (Corpos Editora). A. Pedro Ribeiro é autor dos livros de poesia "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007) e "À Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001). Nasceu no Porto em Maio de 1968. "Queimai o Dinheiro!" fala de uma sociedade onde o dinheiro se tornou no deus supremo, onde o homem é reduzido a uma mercadoria que se compra e vende no mercado, onde reina a mentalidade do rebanho.

http://www.corposeditora.com/site/default.asp



MANIFESTOS, uma teoria
(Texto lido por A. dasilva O. na livraria-bar Gato Vadio no passado dia 14 de Março ao referir-se aos Manifestos do poeta A.pedro Ribeiro)


O que é que vos posso dizer de PR que vocês não saibam?
Desfaz-se, melhor sacrifidesfaz-se em manifestos como anunciasse uma nova linguagem, e uma nova filosofia da desmistificação
Utilizando os velhos utensílios da revolta para melhor socorrer todas as vítimas de injustiça dando razões aos seus pares a sensação de histerismo mas esses académicos com a sua longa memória curta esquecem-se que desde 1928 “ O histerismo não é um fenómeno patológico e pode sob todos os aspectos, ser considerado como um meio supremo meio de expressão (Aragon, Breton no 2 manifesto do surrealismo)
Oitenta anos depois da comemoração do cinquentenário da histeria, tendo como base os estudos realizados pelo dr Charlot no hospital de Salpêtrière, estes Manifestos representam para mim, também, que «este comportamento expressivo tido por aberrante e patológico como “uma das maiores descobertas poéticas do fim do século XIX.”»
Cem anos depois, e mais umas décadas, estamos perante uma sociedade, em toda a sua interdisciplinaridade, aberrante e patologicamente domesticada por um proselitismo, previamente preparado desinfectado nos grandes laboratórios da Misologia.
Este ódio à Razão é contestado por estes Manifestos que um pouco por todo o discurso poético se manifestam ridiculamente para nada. Necessariamente fruto do monstruoso que quer regressar ao útero e o inumano que tenta aniquilar o fantástico, o mágico e o fabuloso.
A nossa linguagem exige uma outra realidade prática, um outro humor negro que não nos reduza à afasia, ao silêncio ou ao suicídio.
PR a isso nos sacrfi-se-desfaz, tentando e invocando anti-publicitariamente a esse anticorpo e antijogo para que a poesia não passe dum mero lamento nos intervalos da revolta.

http://edicoes-mortas.blogspot.com

Apresentação da Plataforma Abstencionista ( na sexta-feira, dia 20 de Março, às 22h15)

Apresentação da Plataforma Abstencionista na livraria-bar Gato Vadio - no Porto

Sexta-feira, dia 20 de Março, 22h15
Local: Gato Vadio , na Rua do Rosário 281 , Porto



“A revolta, sem aspirar a resolver todas as coisas, pode já, pelo menos, opor-se. (…) Os homens da Europa, abandonados às sombras, afastaram-se do ponto fixo e irradiante. Esquecem o presente por amor do futuro; os seres escravizados, pelos fumos do poder, a miséria dos subúrbios, por amor de uma cidade radiosa e a justiça quotidiana por uma vã terra prometida. Perdida a esperança quanto à liberdade das pessoas, sonham com uma estranha liberdade da espécie; recusam a morte solitária e chamam imortalidade a uma prodigiosa agonia colectiva. Já não acreditam puerilmente que amar um só dia da existência equivalia a justificar os séculos de opressão. Essa a razão por que eles quiseram suprimir a alegria do mundo, adiando-a para outros tempos.”

Albert Camus, in O Homem Revoltado


No papel em 2004, Saramago propôs uma alegoria no Ensaio sobre a Lucidez: a população eleitoral decide votar massivamente em branco, provocando o curto-circuito do sistema eleitoral e esvaziando o poder regulador dos partidos políticos na sociedade.

Na realidade em 2009, a Plataforma Abstencionista reivindica o acto da abstenção como uma forma de provocar o tal curto-circuito descrito pelo escritor. Não sabemos se Saramago sairá da pura ficção para, acto contínuo, abandonar o seu papel literário (e o papel do boletim) e apoiar a proposta abstencionista, ou se colocará uma vez mais a sua cruz (parece ser a única cruzfixa de que ainda não fugiu…).

A utopia de Saramago lida ainda com uma improbabilidade, pois os votos em branco nos ciclos eleitorais são sempre residuais. Ao contrário, a abstenção não é um cenário de ficção já que quase sempre ronda, quando não supera, a percentagem de votos alcançada pelo partido a que sai a sorte grande de 4 em 4 anos.

Convidamos os interessados e o eternos desinteressados, os que votam e os que decidem não votar, os que desejam deixar à Literatura a alegoria e às romarias o alegórico, e, principalmente, convidamos aqueles que já desconfiam, por faducho lusitano, de mais uma iniciativa de cariz político a escutar, conhecer e discutir os objectivos da Plataforma Abstencionista.

Festa das 13 Primaveras do GAIA (21 de Março)


São as 13 PRIMAVERAS e vamos bailar:
19h Oficina de Danças tradicionais (com Eva Parmenter)
20h Jantar Popular vegano
22h BAILE com NOODLE SOUP
24h DJS até ao infinito....


Entretanto está disponível em formato podcast uma entrevista de 50 minutos feita para a TSF a uma activista do GAIA transmitida na semana passada, e que pode ser escutada aqui:

17.3.09

0s 100 anos do café Piolho (no Porto) vão ter um ciclo de tertúlias do centenário (dia 21/3, às 17h vai-se falar sobre as lutas estudantis no Porto)

O mítico café Piolho na cidade do Porto, local de convívio e de conspiração dos estudantes e resistentes anti-fascistas, comemora neste ano de 2009 o seu centenário . Por esse motivo estão a ser organizadas várias iniciativas, das quais consta uma tertúlia sobre as lutas estudantis no Porto durante a ditadura fascista, e que se vai realizar no próximo Sábado, dia 21 de Março, a partir das 17h., com a presença de antigos estudantes anti-fascistas, frequentadores na época do café, para contarem histórias e peripécias das lutas estudantis durante o fascismo e que tiveram como cenário o Piolho, a saber: António Graça, Paulo Martins e Pedro Baptista.


O café Piolho é, desgraçadamente, um emblema de traição dos muitos que hoje atraiçoaram o espírito do espaço e os seus ideais quando o frequentaram, e que agora gravitam nas esferas enquistadas ( e mesquinhas) do poder


Oportuno e incisivo,
o escritor Manuel António Pina escreveu ontem, na sua coluna diária do Jornal de Notícias, um curto texto sobre o centenário do Piolho onde qualifica o café como símbolo de fidelidade ( para aqueles que se mantêm fieis aos seus ideais), mas ao mesmo tempo, emblema de traição, tantos são os que por lá passaram, e que hoje são os responsáveis pelo «nosso sujo e mesquinho presente», transformando-se naquilo que justamente combatiam, quando frequentavam o Piolho.


http://www.cafepiolho.com/

http://100anospiolho.blogspot.com/ ( o texto seguinte foi retirado deste blogue)


Café Âncora D’Ouro O “Piolho” - Síntese histórica dos 100 anos de vida (1909-2009)


Local mítico e já ex-líbris da cidade, conhecido nacional e internacionalmente pela simples designação de Café “Piolho”.

Conotado por ser um café de estudantes oriundos de diversas faculdades, sobretudo de Ciências e de Medicina, sendo também frequentado pelos comerciantes da zona, professores universitários e população em geral. Palco de debates e “conspirações” anti-fascistas nos tempos da ditadura, local de reunião de intelectuais e artistas de várias gerações, o “Piolho” acompanhou períodos fundamentais da história da cidade do Porto, como se pode ver pelas inúmeras placas de mármore ou ardósia colocadas nas suas paredes, oferecidas por todo o tipo de clientes. «Quando havia quaisquer manifestações públicas ou arruaças, complicava-se a situação.
Lembro-me, perfeitamente, de uma incursão a que assisti, desta vez, de um guarda da GNR, que entrou a cavalo no café, partindo uma mesa quando correu à pranchada (batimento com a bainha da espada de cavalaria) um contestatário da época» (1). Em 26 de Junho de 1909, Cremilda Reis Lima e Francisco José de Lima, em consonância com um sócio, compraram o Botequim Âncora D’Ouro, na antiga Praça da Rainha que, com a queda da Monarquia, passou a chamar-se Praça de Parada Leitão, nos números 42 a 57. Entretanto, e segundo relatos da época, mas não documentados, nem registados, o Botequim Âncora D’Ouro tinha sido já um misto de Tasca e Barbearia e estaria aberto desde 1880. Mais tarde é trespassado a Francisco José de Lima, antigo empregado de mesa do Botequim «O Martinho» em 1909 (2).

«Nos inícios, o Botequim Âncora D’Ouro funcionava com música ambiente, realizando-se periodicamente serões com cantores que interpretavam árias de óperas, de operetas, canções brejeiras e dançava-se o charleston, o tango, etc. Tudo isto, para encanto da clientela, nos anos loucos de 1920» (3).
Por aqui passaram sucessivas gerações de médicos que “faziam parte do curso às mesas do café”, estudando aqui até altas horas da noite, naquele tão especial ambiente, e quiseram marcar a sua presença, deixando nas paredes placas alusivas à sua passagem. E são muitas dezenas as existentes, havendo até algumas repetidas pelos mesmos, 50 anos depois da formatura dos seus elementos.
Em 1979, foi trespassado à actual gerência, composta por José Martins, José Pires e Edgar Gonçalves que, após algumas vicissitudes, conseguiram, sobretudo a partir dos anos 80, retomar as tradições emblemáticas deste carismático café que, em 2009, faz 100 anos ininterruptos ao serviço da população e serve já como ex-líbris e património histórico do Porto.
Entre muitas e ilustres figuras e personagens de relevo, das Letras às Ciências, do Jornalismo, da Rádio, da Política e da Música, o sócio-gerente José Martins salienta «… ainda me recordo da forma como a famosa fadista e já falecida, Amália Rodrigues, se me dirigiu ao balcão para pedir “um cimbalino” – Deia-me lá uma daquelas coisas que nós em Lisboa chamamos bica…».

Mas é, sobretudo, a partir de 1997 que o “Piolho” volta às suas origens, trazendo ao seu meio mais estudantes, tornando as noites mais quentes – com fados, tertúlias, recitais de poesia e descerramento de placas, enquadradas nas Semanas Culturais dos Estudantes.
O prolongamento do horário de funcionamento actual, até às 4 horas da manhã, provoca uma animação que mexe com todas as gerações do “Piolho”.
Por último, e em síntese dizer que o apelido o “Piolho” tem duas interpretações: uma, dado o movimento do café, das 13 às 15 horas, que era tanto e com tanta confusão, que todos apontavam o ambiente como uma “piolhice”, dada a agitação em que se vivia e daí a alcunha de café “Piolho”; outra, dada a frequência do café pelos alunos universitários e pelos professores deu origem à expressão de “piolhice”, na medida em que a convivência académica era um tanto ou quanto cerimoniosa (4).
Actualmente, e já depois das novas obras em 2006, o mítico café reabriu as portas com tertúlias sobre a cidade do Porto. Nota-se um reavivar de memórias, com um toque de modernidade, mantendo-se as colunas douradas e a velha ventoinha no tecto. Ao canto existe o “Museu do Piolho” com velhas máquinas registadores e de café, usadas “no antigamente”, mesmo ao lado de uma nova televisão de ecrã plano que substituiu o velho aparelho!

Finalmente e no ano em que se comemora os 100 anos do “Piolho”, registamos uma clientela jovem “a geração dos portáteis”, dos MP3, dos jogos de computador, das mensagens SMS enviadas pelos telemóveis, às dezenas para convocar encontros no centenário “Piolho”; ou para a marcação de “Manifes” e de contestações políticas, ambientais e de luta a favor do Património e dos locais de resistência e memória, emblemáticos nesta cidade, tais como o legendário e mítico “Piolho”.

Os namoros e as paixões continuam a marcar presença, na troca de olhares e de beijos sedutores e na mescla internacional, aliada agora ao programa ERASMUS e à multiplicidade e cumplicidade cultural que rompe e transforma o “Piolho”, tornando-o uma “Academia ou até uma das Universidades sui generis do Porto”.

Raul Simões Pinto & Sílvia C. Silva

Porto, 31 de Janeiro de 2009


Notas:

(1) LIMA REIS, Fernando (Dr. e neto do 1º Sócio do “Piolho”);
(2) MARÇAL, Horácio in “Os Antigos Botequins do Porto”;
(3) LIMA REIS, Fernando (Dr. e neto do 1º Sócio do “Piolho”);
(4) FONTE: Curso Médico 1948-1954.



Coffee-house Âncora D’Ouro “Piolho - ”Historical overview of a hundred years (1909-2009)

This coffee-house is a mythical place and an ex-libris of the city of Porto, nationally and internationally known as “Piolho”.
It is considered to be a place attended by students from different universities, mainly Sciences and Medicine, but also by local traders, academics and population in general.
It has been the stage of discussions and “antifascist conspiracies” in the time of the dictatorship, a meeting place for intellectuals and artists from several generations, witnessing crucial periods of the history of the city of Porto, as shown by the numerous plaques of marble or slate placed on its walls, offered by all kinds of customers.
«When public demonstrations or civil riots occurred, things got complicated. I remember perfectly when a guard of GNR (1) entered the coffee riding his horse and breaking a table when he tried to kick out a rioter of the time» (2). On the 26th of June 1909, Cremilda Reis Lima and Francisco José de Lima, within a partnership, bought the coffee-house Âncora D’Ouro, in the former Praça da Rainha which has been called Praça de Parada Leitão, since the fall of the Monarchy, occupying the numbers 42 to 57. Meanwhile and according to stories of the time, still not documented nor recorded, the coffee-house Âncora D’Ouro had already been a Barber’s shop and a Tavern opened since 1880. Later it was conveyed to Francisco José de Lima, a former employee of the coffee-house “O Martinho” in 1909 (3).«In the beginning, one could listen to music in the coffee-house Âncora D’Ouro and evenings were often filled with singers who performed arias of operas, popular songs and people dancing the charleston, the tango, etc., to the joy of the customers in the roaring twenties» (4). This place was attended by successive generations of doctors who “graduated partially at the coffee tables”, studying here until very late at night, in that particular environment, and who wanted to mark their presence, leaving in the wall plaques alluding to their passage. As one can see there are many plaques, some repeated for the same doctors, 50 years after their graduation. In 1979, the coffee was conveyed to the current management, composed by José Martins, José Pires and Edgar Gonçalves who, after some obstacles, were succeeded, in particular since the 80’s, to keep the traditions of this charismatic coffee-house that, in 2009, is celebrating 100 years of uninterrupted service to the population as a symbol of Porto and its historical heritage. Among the many distinguished figures, from the Arts to Sciences, Journalism, Radio, Politics and Music, the managing partner José Martins emphasizes «… I still remember the way the famous and now deceased fado (5) performer, Amália Rodrigues, asked me for a coffee – I want one of those things we in Lisbon call “bica”…» (6). But it is mainly since 1997 that “Piolho” has recovered its roots, bringing more students and warming the nights with fados, literary assemblies, recitals of poetry, in the scope of the students’ cultural weeks.

The extension of its current schedule, until 4 o’clock in the morning, leads to an entertainment that involves all the generations of “Piolho”.Finally, we would like to explain that the nickname “Piolho” has two possible interpretations: one, given the coffee was overcrowded from 1 pm till 3 pm, due to the confusion that some pointed out as being swarmed with lice (“piolhice”); the other, due to the fact that the coffee was mainly attended by university students and teachers whose socialization consisted in a certain ceremony, the expression “piolhice” appeared (7).
Currently, and since the repairs in 2006, the mythical coffee-house reopened with literary assemblies concerning the city of Porto.
It is noticed the revival of memories, with a touch of modernity, keeping the golden columns and the old ceiling fan. At the corner there is the “Museum of Piolho” with old machines used “in the past”, right next to a new flat-screen TV which replaced the old device!
Finally and in the scope of the 100 years of “Piolho”, we emphasize the young clientele as “the generation of the laptops, the several SMS sent by mobile phones to convoke meetings in the coffee-house or planning demonstrations related to political, environmental issues or to fight for causes involving the heritage and the places of resistance and memory, emblematic in this city, such as the legendary and mythical “Piolho”.Flirting and passions are also present in the exchange of glances and through the international scope, allied to the program ERASMUS and its cultural multiplicity, “Piolho” is becoming an “Academy or even one of the most sui generis Colleges of Porto”.

Raul Simões Pinto & Sílvia C. Silva

Porto, 31 January 2009


Notes:

(1) GNR means “Guarda Nacional Republicana”, the Portuguese National Republican Guard.
(2) LIMA REIS, Fernando (Physician and grandson of the first partner of “Piolho”);
(3) MARÇAL, Horácio in “Os Antigos Botequins do Porto”;
(4) LIMA REIS, Fernando (Physician and grandson of the first partner of Piolho”);
(5) Fado is a music genre that can be translated as destiny or fate;
(6) In Portugal there are different terms to ask for a coffee. For instance, in Lisbon it is more usual to say “bica” while in Porto people say coffee or “cimbalino”;
(7) SOURCE: Class of Medicine 1948-1954.


CAFÉ PIOLHO
Praça Parada Leitão nº45, 4050 Porto
Tel: 22 2003749
Email:
geral@cafepiolho.com
Web: http://www.cafepiolho.com/

Percurso pedestre em Benavila – Avis, 22 de Março de 2009, organizado pelo núcleo de Portalegre da Quercus


O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus vai organizar em Benavila, concelho de Avis, no próximo dia 22 de Março, um percurso pedestre que visará observação e a compreensão do património natural da zona.

Esta actividade, integrada no projecto “Avis – Um concelho a caminhar” e nas celebrações do “Dia Mundial da Floresta e da Árvore” pretende sensibilizar os participantes para a valorização e conservação dos valores ambientais e paisagísticos, promovendo de igual forma, práticas activas de usufruto sustentável dos mesmos.

Ao longo deste percurso pedestre poderemos tomar contacto com a beleza e diversidade das paisagens existentes nesta zona, assim como identificar um pouco da fauna e flora existentes no local.

O percurso, com uma extensão de cerca de 7 km (dificuldade média/baixa), terá o seu início às 9.00h, e decorrerá na zona de Benavila/Valongo (Sítio de Cabeção – Rede Natura 2000). Durante o mesmo serão abordadas diversas temáticas relacionadas com a fauna e a flora, assim como outras questões de cariz ambiental.

Durante toda a actividade existirá uma presença permanente de elementos da organização, estando o programa sujeito às condições meteorológicas existentes no local. As inscrições, gratuitas, serão abertas a todos os interessados e deverão ser feitas até ao próximo dia 19/03/09.

Para efectivar as inscrições ou solicitar informações adicionais, agradecemos o contacto através dos e-mails “
portalegre@quercus.pt” ou “quercus.portalegre@gmail.com”, telfs.: 96 010 70 80 // 96 020 70 80.



QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Núcleo Regional de Portalegre
Apartado 163, 7301-901 PORTALEGRE,
Telefs: 96 010 70 80 / 96 020 70 80
Web page: www.quercus.pt

Sementeira de carvalhos e percurso pedestre em Monsanto (Lisboa) organizado pelo FAPAS para comemorar o Dia da Árvore(22 de Março)


Para comemorar o Dia da Árvore (21 de Março), o Núcleo de Lisboa do FAPAS organiza no próximo domingo, 22 de Março uma actividade no Espaço Monsanto (antigo Parque Ecológico):

SEMENTEIRA de CARVALHOS em Viveiro, e Percurso Pedestre para Interpretação da Vegetação Natural.

Domingo, 22 de Março (15h00-16h30)*

INSCRIÇÕES:
A participação é gratuita, mas de inscrição obrigatória.
Envie uma mensagem com o seu nome e contacto para
fapaslisboa kanguru.pt ou contacte pelo tm 93 8491355 (João Morais), indicando o ponto de encontro e o número de participantes (adultos e crianças).


Descrição da actividade:

1. Pequeno percurso pedestre com cerca de 500 metros em mata de sobreiros e azinheiras na encosta do Parque Florestal de Monsanto, entre a Rua Conde de Almoster e o Espaço Monsanto (desnível: 70 metros). Reconhecimento de algumas espécies da vegetação nativa.

2. Sementeira de Carvalhos-cerquinhos (espécie nativa de Portugal) no viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto, para futuras acções de plantação em áreas protegidas. A sementeira consiste na colocação de bolotas germinadas de carvalho-cerquinho em recipientes com terra.

Grau de dificuldade: fácil, acessível a a todas as idades.

Horário, Pontos de Encontro : A caminhada tem início às 15h00 junto ao viaduto para peões situado em frente ao n.80 da R.Conde de Almoster.

A sementeira tem início pelas 15h30 no viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto.

Se não participar na caminhada, pode dirigir-se à recepção do Espaço Monsanto a partir daquela hora, para participar na sementeira.

Pontos de Encontro:

14h30: Sete Rios, na paragem do autocarro 758 junto ao muro do Jardim Zoológico, próximo da Estrada de Benfica. (percurso de autocarro até à paragem em S.Domingos de Benfica, na Estrada de Benfica)

15h00: Rua Conde de Almoster, junto ao viaduto pedonal em frente ao número 80.

15h30: Na recepção do Espaço Monsanto (antigo Parque Ecológico), se tiver alguma dificuldade contacte 93 8491355.


15h30 - 16h30: No viveiro do FAPAS no Espaço Monsanto.


Equipamento aconselhado:
O FAPAS e o Espaço Monsanto possuem os utensílios e recipientes necessários para a sementeira. Os participantes poderão, se desejarem, utilizar luvas e vestuários de protecção (bata ou avental).


O FAPAS é uma Associação de defesa da Vida Selvagem com 17 anos de existência, e uma vasta actividade na defesa e estudo da Natureza e Vida Selvagem em Portugal. Sede: Rua Alexandre Herculano, 371-4º Dtº, 4000-055 PORTO (telef.22 200 2472).


http://www.fapas.pt/

Não à associação da ENCE espanhola e a Portucel portuguesa para o projecto de construção de celuloses («papeleras») no Uruguai




“Estamos profundamente preocupados com a possível associação da empresa portuguesa Portucel ao projecto da empresa espanhola ENCE no Uruguai, actualmente suspenso por falta de financiamento” - é o que se lê numa carta aberta à sociedade portuguesa assinada por cerca de 30 organizações e movimentos sociais do Estado espanhol, Portugal e Uruguai, divulgada na semana passada.

Os assinantes destacam os impactos ambientais e sociais, verificados desde há vários anos, dos monocultivos de árvores a grande escala para a indústria da celulosa, especialmente as que a ENCE já detém no Uruguai. Advertem que a aprovação da fábrica de celulose agravará esses impactos e denunciam que a empresa espanhola nem sequer comunicou o seu plano de florestação para alimentar a fábrica.

As organizações e movimentos sociais portugueses, espanhóis e uruguaios entendem que a Portucel Soporcel se apresenta como o possível sócio da empresa espanhola na instalação de uma fábrica de pasta de papel em Punta Pereira, Colónia. De facto, a Portucel já havia manifestado o seu interesse em instalar uma fábrica de pasta no Uruguai e, perante a crise internacional, a ENCE, que havia iniciado as obras para instalar a sua fábrica, apela à empresa portuguesa.

O Uruguai tem cerca de um milhão de hectares florestados com eucalipto e pinho para a indústria da celulose local e estrangeira. O principal impacto ambiental da florestação tem sido a diminuição das fontes de água, ao ponto de secar os poços de água de pequenos produtores de diferentes zonas do país. Só em redor da cidade de Mercedes, no oeste uruguaio, mais de 150 famílias são abastecidas de água por camiões cisterna do governo local para a sua vida diária e produção. Perto desse lugar, no departamento de Colónia, produtores agrícolas dedicados à agricultura, apicultura e produção de lacticínios, alertam que a florestação na zona ameaça sua permanência no meio rural, ao esgotar as suas fontes de água e prejudicar gravemente a qualidade dos seus solos. As entidades sociais assinantes, contestam também os importantes benefícios e discriminações positivas com as quais conta todo o processo florestal-celulósico no país, ao ponto de a fábrica da ENCE e as suas instalações portuárias se terem incorporado no regime de zona franca.

Um dos grandes argumentos do sector industrial e do governo uruguaio a favor da instalação destes empreendimentos foi a geração de mão de obra que implicam, em benefício do desenvolvimento do país. “Uma vez terminado o período de construção da fábrica de celulose, serão unicamente 300 as pessoas empregadas”, asseguram os assinantes da carta. “O fabrico de celulose conduz, além do mais, à ocupação de grandes superfícies de territórios, ocupação de grandes superfícies de territórios, à perda de soberania nacional por causa da concentração da terra em mãos de empresas estrangeiras e à destruição de ecossistemas (no caso uruguaio basicamente de pastagens), deslocando de forma irreversível outras actividades agropecuárias”, acrescentam.

O projecto da ENCE no Uruguai propõe-se produzir mais de um milhão de toneladas por ano, o dobro da pasta de papel que é produzida pela empresa nas suas fábricas instaladas no Estado espanhol. A questão da escala do empreendimento não é menor já que qualquer acidente terá impactos consideráveis na região.

“Por estes motivos, as organizações sociais do Uruguai, Portugal e do Estado espanhol abaixo-asssinadas, opõe-se não só à possibilidade de que a Portucel se associe com a ENCE no Uruguai, como também à sua instalação em qualquer outra zona do país”, concluem os grupos sociais que já haviam realizado acções perante o governo do Estado espanhol contra o empreendimento da ENCE. Anunciam ainda que não irão descansar na luta contra este modelo florestal-celulósico.



Carta aberta à sociedade portuguesa sobre a possível parceria da Portucel com a ENCE no Uruguai


Nós, organizações da sociedade civil que monitorizam os impactos sociais e ambientais vinculados ao modelo florestal e de celulose tanto no Uruguai, como no Estado espanhol e em Portugal, estamos profundamente preocupados com a possível associação da empresa portuguesa Portucel com o projecto da empresa ENCE no Uruguai, actualmente suspenso por falta de financiamento.

Com efeito, entendemos que a Portucel apresenta-se como o possível sócio da empresa espanhola na instalação de uma fábrica de celulose em Punta Pereira (Conchillas, Uruguai) com capacidade de produzir um milhão de toneladas por ano e cerca de um milhão de megawatts hora de energia eléctrica "renovável". Talvez seja desconhecida a oposição que existe por parte da sociedade civil uruguaia em relação a tal projecto devido aos importantes impactos sociais e ambientais que dele resultarão.

Assim, por exemplo, diversas organizações sociais, ambientais e de produtores rurais do Uruguai apresentaram-se no mês de Abril de 2008 a uma Audiência Pública - organizada pelo governo uruguaio para que a empresa espanhola apresentasse o seu projeto à população - para manifestar a sua oposição total à instalação de uma fábrica de celulose. Com efeito, depois de uma análise exaustiva do estudo de impacto ambiental apresentado pela ENCE, as organizações e grupos uruguaios concluiram que este não apenas está incompleto, como ainda conta com graves erros metodológicos, ao levar em conta unicamente aspectos positivos sem avaliar os impactos da florestação (para mais informações, aceder às observações das organizações uruguaias ao Resumo de Estudo de Impacto Ambiental enviadas à Direcção Nacional de Meio Ambiente e a carta apresentada posteriormente, assim que tiveram acesso ao expediente completo da ENCE em: http://www.guayubira.org.uy/celulosa/Ence.html).

De entre os motivos desta oposição, devem mencionar-se os impactos ambientais das monoculturas de árvores em grande escala em geral, e particularmente dos que a ENCE já possui no Uruguai, verificados há já vários anos. A aprovação da fábrica de celulose resultará, sem margem para dúvidas, num aumento destas plantações. Mesmo assim, a empresa ainda não comunicou o plano de florestação necessário para alimentar a fábrica. Este facto inquieta particularmente os produtores rurais do Departamento de Colónia, que se dedicam à agricultura, apicultura e produção de lacticínios. De acordo com os produtores, o projecto de florestação na zona ameaça sua permanência no meio rural, ao esgotar as suas fontes de água e prejudicar gravemente a qualidade dos seus solos. Por outro lado, o número de empregos fixos gerados tão pouco representa possibilidades de desenvolvimento na região, já que depois de finalizado o período de construção da fábrica de celulose esse número será apenas de 300. Além disso, toda a cadeia produtiva beneficia de importantes isenções, tanto assim que a fábrica de celulose e as suas instalações portuárias estarão em zona franca. A produção de pasta de papel conduz ainda à ocupação de grandes superfícies de territórios, à perda de soberania nacional por causa da concentração da terra em mãos de empresas estrangeiras e à destruição de ecossistemas (no caso uruguaio basicamente de pastagens), deslocando de forma irreversível outras actividades agropecuárias.

Estamos diante de um mega-empreendimento industrial que vai produzir mais de um milhão de toneladas por ano, o dobro da pasta de papel que é produzida pela empresa nas suas fábricas instaladas no Estado espanhol. A questão da escala do empreendimento não é menor já que qualquer acidente terá impactos consideráveis na região. Outro dos pontos que preocupa as organizações e produtores uruguaios é a falta de informação sobre a fabricação e manipulação de produtos químicos necessários para a produção de pasta de papel. Por último, a empresa ENCE considera-se - conforme refere o seu site na internet - líder mundial na produção de pasta branqueada com tecnologia TCF (totalmente livre de cloro), mas em contradição com isto, para o Uruguai anuncia que utilizará a tecnologia ECF (apenas livre de cloro elementar) justificando a sua proposta pela procura do mercado e não pelas consequências ambientais das técnicas empregadas.

Por estes motivos, as organizações sociais do Uruguai, Portugal e do Estado espanhol abaixo-asssinadas, opomo-nos não só à possibilidade de que a Portucel se associe com a ENCE no Uruguai, porque isso significaria a viabilização do seu projeto em Conchillas, como também à sua instalação em qualquer outra zona do Uruguai. Somos redes da sociedade civil que vão seguir de perto o possível avanço deste e de outros projetos de celulose, tanto na América do Sul como ao nível europeu. Prova disto é a carta de protesto enviada em Abril de 2008 ao Presidente Zapatero pelo possível apoio da Companhia Espanhola de Seguros de Créditos à Exportação (CESCE) a esse projecto, que foi assinada por 89 organizações dos nossos respectivos países.

É preciso que as sociedades civis estejam alerta perante os avanços de projectos industriais que têm demonstrado ser prejudiciais do ponto de vista social e ambiental. A nossa mobilização pode fazer a diferença.

Atenciosamente,

ASSINAM:

No Uruguai:

Asamblea Ambiental del Callejón de la Universidad

Asociación Agropecuaria de Tarariras (AAT)

Casa Pueblo Arcoiris - Tarariras

CAX Tierra

Comisión de Productores y Vecinos de Conchillas

Comisión Nacional en Defensa del Agua y la Vida

Cotidiano Mujer

Grupo Eco-Tacuarembó

Grupo Guayubira

Grupo Pirí - Grupo de rescate y revalorización de nuestra cultura nativa

Iniciativa Nacional por la Suspensión de la Forestación

Movimiento de Chacreros del Ejido de Mercedes

Movimiento de Productores de Colonia

Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales

MOVITDES (Movimiento Vida, Trabajo y Desarrollo Sustentable)

Rapal-Uruguay (Red de Acción en Plaguicidas en América Latina)

Red Alternativas y Solidaridad

Red Uruguaya de ONGs Ambientalistas

REDES-Amigos de la Tierra Uruguay

REL-UITA (Regional Latinoamericana de la Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación)

Uruguay Natural Multiproductivo (UNAMU)

SERPAJ Uruguay
Em Portugal:

GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental

GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente

Quercus

Solidariedade Imigrante - Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes


No Estado espanhol:

ADENEX

Ecologistas en Acción

EHNE – Bizkaia (Euskal Herriko Nekazarien Elkartasuna)

Veterinarios Sin Fronteras

Verdegaia

Xarxa de l’Observatori del Deute en la Globalització



Para saber mais:

Colóquio «A Crise do Capitalismo e o Futuro - Economia da Casino ou Economia Sustentável»? ( dia 21/3 às 15h, organizado pela ATTAC Portugal)



A CRISE DO CAPITALISMO E O FUTURO:
ECONOMIA DE CASINO OU ECONOMIA SUSTENTÁVEL?

Colóquio com os economistas: Carlos Gomes, João Rodrigues, José Castro Caldas, Ricardo Paes Mamede

21 de Março Sábado 15h


Auditório do Metropolitano de Alto dos Moinhos
(Estação de metro de Alto dos Moinhos, linha azul)