17.2.07

Próximas actividades em Aljustrel (no Centro cultural Gonçalves Correia)

Dia 17 de Fev.(Sábado de Carnaval) - Festa Reggae no Clube Aljustrelense ( Aljustrel)

Mais info:
http://www.goncalvescorreia.blogspot.com/


Dia 23 De Fevereiro às 21 h. em Aljustrel - debate e apresentação de livro sobre

“O Terrorismo de Estado na Rússia. A Guerra na Tchetchénia”


Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim (Brasil) vêm falar sobre terrores escondidos que sucedem cada dia que passa. De regresso da Rússia, Cristina Dunaeva aproveita a ocasião para falar junto com Fernando Bonfim, da Guerra na Tchetchénia e da luta anti-militarista na Rússia.
Cristina Dunaeva e Fernando Bonfim, assinando pela Ação Literária pela Autodeterminação dos Povos, são autores do livro “O Terrorismo de Estado na Rússia: a guerra na Tchetchênia nos descaminhos da industria da violência” (ed. Achiamé, Rio de Janeiro 2006).
Fruto de trabalho de dois anos, procuraram contribuir com as lutas de movimentos pela autodeterminação do povo tchetcheno e de resistência à xenofobia, racismo e limpeza étnica no território da ex-URSS. O foco principal da publicação é o conflito dessa pequena républica situada na região a norte das montanhas do Cáucaso, iniciado em 1994 com a invasão do território pelo exército da Federação Russa. Há dois séculos que os tchetchenos são chamados de terroristas, ora pelos dirigentes do Partido Comunista da URSS, e agora por Putin e seus demais.
Mas quem é terrorista nesta História? Quem utiliza a retórica do terrorismo nos dias de hoje e com quais objectivos? Quais os interesses comuns entre os governantes de Estados e os Empresários ligados à industria transnacional da violência?


MOVIMENTO DE UTENTES DA S.T.C.P.PROSSEGUE

Depois de várias acções populares de contestação ao (péssimo)funcionamento das novas linhas dos autocarros da S.T.C.P.(Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), que passaram por várias manifestações e bloqueios de autocarros em vários locais do Porto metropolitano, contestando nomeadamente a eliminação de várias linhas, a alteração de percursos, a obrigatoriedade de mais transbordos e portanto de mais tempo de espera nas paragens e de bichas maiores (com a consequente sobrelotação dos autocarros), a inadequação dos abrigos das paragens (e mesmo da inexistência de quaisquer abrigos em muitas delas-apesar do aumento das bichas...),a inadequação da nova política tarifária ao nivel de vida da maioria dos utentes, etc., etc., a luta por melhores condições de transporte prossegue por parte deste movimento popular realizou-se no salão da Junta de Freguesia do Bonfim, ao Campo 24 de Agosto um ENCONTRO/ASSEMBLEIA de tod@s @s interessad@s e dos vários grupos/comissões locais que constituem este movimento , para trocar ideias e decidir novas formas de luta ...

Até porque, embora em alguns locais já se tenha conseguido vergar o autoritarismo e o desprezo da administração pelas populações (e pelos próprios trabalhadores da empresa), HÁ AINDA MUITAS INSUFICIÊNCIAS E ERROS NO FUNCIONAMENTO DESTES SERVIÇOS, A COLMATAR E A CORRIGIR!


entretanto foi lançado e está a circular uma convocatória para a realização de uma

ASSEMBLEIA DE UTENTES DA STCP BAIXA E PORTO-CENTRO

Com vista a organizar a comissão/grupo local deste movimento na zona da Baixa e parte da Zona Histórica do Porto, convocam-se @s utentes destas zonas para esta reunião SÁBADO, 17/2 ÀS 21.00 horas na sede da associação Terra Viva!Associação de Ecologia Social, RUA DOS CALDEIREIROS, 213, sala A, à Cordoaria, convidando to@s quantos destas zonas têm tido de aguentar O VENTO E A CHUVA NAS PARAGENS, OS NOVOS TRANSBORDOS, AS BICHAS , OS APERTÕES NOS AUTOCARROS, ETC., a aparecer.

PELA QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES!

POR CONDIÇÕES DE TRANSPORTES DIGNAS!

O POVO UNIDO FUNCIONA SEM PARTIDO!

A luta continua!

Haverá organização tão mafiosa como esta?

Será possível imaginar uma organização tão mafiosa como esta?

Uma organização que tem pouco mais de 500 «funcionários» de entre os quais encontramos elementos com os seguintes atributos:

29 foram acusados de maus tratos às suas respectivas mulheres

7 foram já presos por fraude

19 foram acusados de assinar cheques sem cobertura

117 arruinaram-se já nos negócios

3 foram presos por actos de violência

71 não possuem cartão de crédito devido a terem sido à sua reiterada má gestão

14 foram detidos por ladroagem

21 estão actualmente acusados em diferentes processos judiciais

E só no ano de 1998, 84 deles foram detidos por conduzirem alcoolizados

Poderás porventura adivinhar de qual a organização estamos a falar com «funcionários» deste calibre?

Trata-se nada mais nada menos do que o Congresso de deputados da maior potência do mundo, isso mesmo, do Congresso dos Estados Unidos da América !!!

Libertação imediata da Susana

Estudante portuguesa presa na Dinamarca espera julgamento há dois meses!!!
Fonte: jornal Público (16/2/2007)

A estudante portuguesa Susana Santos, de 26 anos, é hoje ouvida em tribunal em Copenhaga, Dinamarca, sob acusação de agressão às autoridades.
Susana Santos está presa preventivamente desde 16 de Dezembro passado, depois de ter participado numa marcha de protesto contra o encerramento de um centro de juventude de Copenhaga. Foram detidas cerca de 200 pessoas, entre as quais mais de 80 estrangeiros.
Os seus amigos lançaram há semanas uma campanha de solidariedade na Internet.
Familiares e amigos da jovem contestam a lentidão da justiça dinamarquesa, já que Susana Santos foi detida e presente a um juiz em Dezembro, tendo sido formalizada a acusação. Mas a estudante deveria ter sido presente a tribunal a 11 de Janeiro, já que a lei dinamarquesa indica que após a formalização da acusação o julgamento deve ocorrer nas quatro semanas seguintes.
A audiência foi adiada para 25 de Janeiro e o mesmo voltou a acontecer a 8 de Fevereiro. A nova sessão foi marcada para hoje e para dia 22, em que serão ouvidos outros activistas detidos no mesmo protesto. Susana Santos encontrava-se “numa visita de estudo”, como contou a mãe da jovem ao PÚBLICO, e solidarizou-se com a causa do Ungdomshuset, um centro social dinamizado por jovens e alvo de uma ordem de despejo, à qual resistiram.
Numa marcha de protesto no dia 16 ocorreram incidentes e focos de violência e, afirma Diana Dias, uma das mobilizadoras da campanha “Su livre!”, Susana e um grupo de amigos foram detidos pela polícia. “Viu o melhor amigo dela ser preso e reagiu”, resistindo à polícia. Desde então encontra-se detida no estabelecimento de Vestrefangsel, na ilha de Kobenhaven, nas imediações da capital dinamarquesa.
Do grupo de detidos, detalhou Diana Dias, “continuam presos a Susana, um amigo italiano — que vão ser julgados ao mesmo tempo —, um finlandês e também um inglês”, além de outros jovens identificados posteriormente pelas autoridades de Copenhaga, que estarão a recorrer a vídeos para identificar os envolvidos nos distúrbios.
Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse ao PÚBLICO que “tem conhecimento do caso e tem estado a acompanhá-lo”, adiantando que “o chanceler tem visitado” Susana Santos no estabelecimento prisional e que “há expectativa de que ela seja libertada” hoje, se o julgamento não sofrer mais adiamentos.
O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar a embaixada dinamarquesa em Lisboa e a embaixada portuguesa em Copenhaga. João Salgueiro, informático de Lisboa, tomou conhecimento do caso esta semana através da campanha de solidariedade, alojada num sítio da Internet, que levou amigos, familiares e simpatizantes a contactar a representação dinamarquesa em Lisboa. Tentou informar-se sobre a situação de Susana Santos. Falou na quarta-feira com uma representante da embaixada da Dinamarca em Portugal, junto da qual confi rmou que “tinham detido uma estudante portuguesa e que o prazo das quatro semanas tinha expirado”.
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Para escreverem à Susana a dar apoio escrevam para este e-mail (retsgruppe69@yahoo.dk), que é de uma associação que está a dar apoio, que eles imprimem e fazem chegar à Susana.
Ponham no assunto algo como "a letter for Susana".
Escrevam a dar apoio.

5.2.07

Vozes contra a globalização capitalista (série de 7 documentários em castelhano)

Uma série de 7 documentários produzida pela TVE ( Televisão espanhola), falados em castelhano, e que questionam o fenómeno da globalização


Documentário nº 1 – Os Senhores do Mundo

Sabes que existem multinacionais cujo volume de negócios é superior ao produto interior bruto de muitos países, tais como a Áustria e a Dinamarca?

Qual é a função dos paraísos fiscais que dão cobertura ao dinheiro sujo da corrupção e do crime? Porque é que se permite tais territórios, que são deixados fora da tutela de qualquer lei?
Qual é o verdadeiro papel de organizações como o FMI, o Banco Mundial, e a OMC? O que se passou na Argentina e que levou ao colapso do seu sistema financeiro?
Estes e outros temas são abordados no 1º documentário da série «Vozes contra a globalização».

Nesta série documental diversas vozes fazem-se ouvir como, por exemplo,o economista Jeremy Rifkin (EUA); o ecologista Ramón Fernández Durán (España); o relator das Nacões Unidas para a alimentação, Jean Ziegler (Suiça); o analista da globalização David Held (Grã-Bretanha); o director do Centro Tridimensional, Francois Hautart (Bélgica); o ex portavoz do Forum Social de Génova, Vittorio Agnolletto (Italia); o escritor Eduardo Galeano (Uruguay); o especialista em Química Atmosférica James Lovelock (Grã Bretanha); o etnólogo Jean Malaury (França); a ensayista Fatema Mernissi (Marrocos); o premio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel; o premio Nobel de Literatura, Jose Saramago (Portugal); o analista social José Vidal Beneyto; o activista francês José Bové; la vicepresidenta de Attac, Susan George; o ex-presidente da Unesco, Federico Mayor Zaragoza; o profesor de Ciencia Política Carlos Taibo, o historiador Jaume Botey o economista SAMI NAIR, o jornalista IGNACIO RAMONET, o activista JOSE BOVE, omúsico Manu Chão, o filósofo Toni Negri, etc, vozes essas que arremetem contra o actual modelo da globalização.
A série consta de 7 episódios sob a forma de documentário com a duração aproximada de 1 hora cada e é o resultado do trabalho do realizador e guionista da série, Carlos Estévez, que através de uma linguagem simples e directa tentam fazer a denúncia contra o domínio de uma única potência imperialista sobre o resto do mundo, assim como se denúncia a indústria do medo que se abateu sobre os cidadãos, muitos dos quais lutam, apesar de tudo, para que um outro mundo seja possível.


Para ver o 1º documentário linkar aqui


2º Documentário – A Estratégia de Simbad
Analisa-se aqui o actual panorama laboral no mundo, nomeadamente, as deslocalizações de empresas, as economias emergentes ( China e índia), a imigração, o declínio da sociedade de Bem-Estar na Europa, as privatizações dos direitos laborais, a precariedade social, a vitória da economia especulativa sobre a economia produtiva e a política económica neoliberal.

Para ver o 2º documentário linkar aqui


Neste episódio analisa-se se uma só potência mundial poderá governar o mundo e função dos seus interesses estratégicos, económicos e culturais.O fim do mundo bipolar não deu lugar a um mundo mais tranquilo e estável, com menos tensões e conflitos militares, antes pelo contrário, assistimos a uma vontade desmedida das grandes potências em exercerem o seu domínio e controle sobre os mais variados recursos, sempre com a ajuda das grandes multinacionais de armanento e do petróleo. Ao mesmo tempo que os neoconservadores impõem nos Estados Unidos as suas ideias e os seus ideólogos proclamam o fim das ideologias e da História, regista-se no alvores do século XXI a grandes demonstrações de força por parte dos poderosos do mundo cujo efeito imediato é desestabilizar regiões inteiras do mundo e criar uma sensação de insegurança mundial.

Fala-se aqui da pobreza e de como os valores individuais deixaram de ter a mínima importância em favor do consumismo mais desenfreado. Um não-consumidor é um indivíduo marginal, e tal como ele existem países e até continentes inteiros marginais. Fala-se não só como foi possível esta evolução como também de como os meios de comunicação de massas, nas mãos dos grandes grupos económicos, fomentam o consumismo e o chamado «pensamento único». Denuncia-se também o papel das farmacêuticas no actual estado da saúde global.
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Aborda-se desta vez a questão do aquecimento global, a extinção de milhões de espécies, e a insensibilidade dos plíticos e a indiferença dos cidadãos perante este fenómenos da maior grandeza. Reúnem-se aqui vários cientistas e economistas prestigiados que se mostram críticos face a esta globalização que pode colocar em perigo a própria espécie humana.
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Pela voz dos indígenas fala-se aqui da colonização económica e cultural, a uniformização cultural e as privatizações na América Latina


Neste sétimo e último episódio pergunta-se se afinal esse outro mundo que se procura é possível ou não será tão-só uma utopia.

Para ver o 7º episódio linkar aqui

Decálogo-profecia a favor de um novo velho teatro, por Alfonso Sastre

( e que foi distribuída com o drama «Ulalume» escrito por Alfonso Sastre, e inspirado nos últimos dias de Edgar Allan Poe, e que foi estreado no passado dia 27 de Janeiro em San Sebastian,)

1. Tenho que confessar desavergonhadamente que «Onde estás, Ulalume, onde estás?» é um drama que cuidei em inseri-lo na melhor tradição do teatro europeu e americano

2. A minha profecia é que voltará a haver no mundo «ocidental» um drama digno daquela tradição literária e que vai desde Sófocles s Brecht, passando por Shakespeare, Ibsen, O´Neill Y Pirandello.


3. Creio que voltará a haver grandes autores dramáticos e que a sua história ainda não terminou

4. Voltará a haver um Drama que intervirá na vida social e na história do pensamento

5. Um Drama que voltará a ser um jogo perigoso, ou seja, uma actividade poética

6. Um drama que voltará a ser uma actividade política. Naturalmente crítica da política profissional e das suas corrupções; ou seja, um teatro crítico.

7.Um teatro que voltará a ser uma séria e divertida investigação (exploração) da realidade

8. Um Drama que exaltará a vida humana como uma praxis negadora de toda a agonia entendida como um absoluto ( um Drama contra o ilustre legado de Samuel Beckett, digamos) e também e ao mesmo tempo com o mesmo objectivo de perseguição da complexidade, como uma agonia negadora de qualquer activismo de revés ( contra o falso legado dos discípulos de Brecht)

9. A história do Drama não terminou, pois; e pela mesma razão pela qual q pós-modernidade começa hoje a ser uma antiguidade. Esta história do Drama continuará seguramente nas pequenas salas, naquelas onde se projectará uma luz sempre renovada sobre a vida social.

10. Nós acompanhamos hoje quase apologeticamente o nosso herói irrisório, Edgar Allan Poe, na sua morte histórica e na sua contínua ressurreição, também histórica. Esta é a pequena luz que agora acendemos neste palco em que nos encontramos, com a nossa agonia e a nossa praxis, ou seja, com a nossa praxis e a nossa agonia, à altura do nosso tempo

Tempos Modernos de Chaplin foi estreado a 5 de Fevereiro de 1936

Em 5 de Fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançava "Tempos Modernos" nos cinemas norte-americanos. Chaplin dirigiu o filme e interpretou o papel principal. Na Alemanha e na Itália, a película "de tendência comunista" foi proibida.

Na comédia Tempos Modernos, o autor, realizador e actor Charles Spencer Chaplin parodiava as facetas nefastas da crise económica mundial e da nova fase da industrialização. Gente lutando contra máquinas, a exploração, a necessidade extrema. No centro da história, alguém tenta sobreviver aos difíceis tempos: um vagabundo, com chapéu de coco, bigode, sapatos enormes e bengala.


Devido aos seus filmes de humor sofisticado, Charlie Chaplin pode ser considerado ainda hoje o comediante mais famoso de todos os tempos do cinema. Ele recusava, porém, a imagem que faziam dele em função de seu trabalho.
"As pessoas dizem que sou uma pessoa alegre. Não sou de jeito algum. Sou um homem bem sério. Com frequência não sei como devo expressar alguma coisa. Por isso os meus filmes são sempre tão longos. E o mais difícil é dar-lhes a aparência de simples."


Chaplin precisou de quatro anos para concluir Tempos Modernos. O filme tornou-se um momento de ruptura na sua carreira. Pela última vez, o artista levava para as telas o seu legendário vagabundo. E este entrou para a história do cinema como seu derradeiro filme mudo.

Pouco tempo antes as películas haviam ganhado som. Mesmo assim, Chaplin confiou mais uma vez na sua muda arte da pantomima, restringindo a sonorização à música e efeitos sonoros. Somente um personagem podia falar: o dono da fábrica, que vigiava seus operários através de uma gigantesca parede de projecção.

"Pavilhão Número 5 está trabalhando muito devagar! Dobrem a velocidade! Capataz, os parafusos estão frouxos demais. Verifique o que está acontecendo! Ei, aqui não é lugar de se fumar, mas para trabalhar!", ditava ordens o patrão, interpretado por Alan Garcia.

Cenas inesquecíveis – O pequeno vagabundo, auxiliar na linha de montagem, aperta os parafusos muito devagar. De repente, fica preso numa peça na esteira rolante e é arrastado para dentro de uma enorme engrenagem da máquina. Mais uma cena de Chaplin que entrou para a história do cinema. Tempos Modernos é antes uma sequência de cenas engraçadas isoladas do que grande roteiro dramático.

"Bom dia, meus senhores e minhas senhoras, aqui fala o vendedor automático. Eu tenho a honra de apresentar-lhes o Sr. John Billows, inventor da máquina automática de alimentação. O aparelho é uma invenção genial para se comer automaticamente. Os senhores economizam o intervalo do almoço e dão um golpe na concorrência", anuncia a nova máquina.

Mas golpe mesmo sofre apenas o pequeno vagabundo. Tendo justamente ele como cobaia, a máquina vai ser testada em dar de comer e ao fazêlo sai fora do controle, dá um banho de sopa ao protagonista, alimenta-o com parafusos e surra-o com o mecanismo que deveria limpar a sua boca. O público na pré-estreia, a 5 de Fevereiro de 1936, no cinema Rivoli de Nova York, fica deslumbrado.

A música de Tempos Modernos também deve-se às ideias de Chaplin. A sua voz pode ser igualmente ouvida no filme. Num restaurante, o pequeno vagabundo deve entreter os fregueses com uma canção. No momento decisivo, ele esquece a letra, canta algo absurdo, improvisado, misturando idiomas, e vai de novo para a rua. Mais um trabalho sem sucesso.

Mensagem política ou pura diversão? - "Eu acho que passar mensagens é muito problemático. Elas podem ser indignas. Podem até mesmo serem ridículas. Não acredito em mensagens", comentou certa vez ao falar de Tempos Modernos.

Chaplin não via seu último filme mudo como uma sátira política, mas como entretenimento.
Mesmo assim, o governo americano sentiu-se incomodado, assim como os governos nazi da Alemanha e fascista da Itália, que proibiram a exibição da película. Após novos filmes e anos de atritos com o governo dos EUA, o artista britânico deixou o país que escolhera para viver, retornando à Europa.

Somente décadas depois Hollywood reconheceria o mérito das obras do criador do vagabundo. Em 1971, Chaplin, já com 83 anos, recebeu um Óscar pela sua "incalculável contribuição ao cinema".

29.1.07

Marcha contra a guerra do Iraque juntou mais de 100 mil em Washington




Milhares de opositores à intervenção dos Estados Unidos na guerra do Iraque realizaram no Sábado passado, 27 de Janeiro, um enorme marcha em Washington que contou com a presença de milhares de manifestantes e que pretende marcar o início de um movimento a nível nacional, de uma ponta a outra dos EUA, a favor da retirada das tropas norte-americanas.
Entre os manifestantes via-se figuras conhecidas como Jane Fonda ( que teve um destacado papel na luta contra a guerra do Vietname, que lhe valeu de resto o cognome dado pelos conservadores de «Hanoi Jane»), Susan Sarandon, Sean Penn e o rev Jesse Jackson

Mais de 100.000 pessoas participaram na Marcha convocada pela aliança United for Peace, e que foi integrada por várias associações e activistas vindos de todos os lados do território norte-americano.

http://www.unitedforpeace.org

A suprema elegância do ler o jornal!

Ler o jornal: suprema elegância nos dias de hoje!

Quando observamos hoje os jovens dentro dos cafés dá a impressão que lhes falta algo de essencial na sua vida: a arte e o estilo de andar com um jornal. Sentados, com os olhos virados para o écrã de um computador, algumas vezes com fios que lhes saem das orelhas, o seu quotidiano oscila entre a viagem na MySpace, essa patética enciclopédia, e um vídeo de um tipo qualquer a dançar a macarena. Como é triste e deprimente que, hoje, quase ninguém saiba quanto a leitura de um jornal é um dos segredos da elegância. Esquecemos aquelas frases tonitruantes sobre a função da imprensa numa democracia – e encaremos a situação de um outro ângulo: o jornal como uma questão de estilo.

Quer esteja sentado ou de pé, dentro ou no exterior, apoiado negligentemente contra a parede ou com os pés sobre a secretária, a leitura de um jornal permite desenvolver-vos um rico vocabulário gestual. Com um movimento de braços abrimo-lo ao mesmo tempo que se faz sentir o som de barulho do papel, e todo o nosso estilo se descobre na maneira como viramos as folhas e como percorremos com o nosso olhar os títulos e os blocos de notícias, os nossos olhos dançam sobre as infelicidades do mundo antes de passar para outra coisa até que num golpe seco fechamos o jornal, o dobramos em dois, depois em quatro, e colocamo-lo debaixo do braço ou dentro do bolso do sobretudo. Cary Grant, Spencer Tracy, Jimmy Stewart e todos os grandes actores utilizaram um jornal para mostrar o seu estilo. Indiscutivelmente folhear um álbum de fotos de uma criança, agora com 18 anos, mais o seu gato, é coisa que não tem estilo algum.
Um tipo sentado diante de um portátil é como um homem sentado numa secretária. Onde está aí o estilo? Inclinado para a frente, com a cabeça entre os olhos, o olhar vidrado, saliva no canto dos lábios, enquanto olha, fascinado, o vídeo do pescador caído sobre a sua barcaça. O leitor do jornal é, antes de mais, um mosqueteiro, um samurai. Ter um jornal, e lê-lo, permite exprimir-vos, tal como Coltrane com o seu sax. Basta para isso observar algumas regras muito simples:

1.Se quereis mesmo fazer sensação não compres só um jornal, mas três ou quatro. Toda a pessoa que entre num café com 4 jornais sob o braço é vista automaticamente como um sábio. Se for jovem, é um sábio de informática. Se não o for, e se tiver ainda o pijama debaixo do seu impermável, é certamente um sábio excêntrico.

2.Demorai o vosso tempo para abrirdes o jornal. Já conheceis a música, apreciai então o perfume; se o leres é justamente para saber o que os outros sabem, logo não há pressa.

3. Uma vez aberto, não levanteis nunca os olhos a menos que alguém vos chame pelo vosso nome. Não vos deixeis distrair, mesmo se uma loura com umas pernas intermináveis atravessar a sala deixando atrás de si eflúvios de tabaco de menta e perfurme de marca. Não vos esqueçais: vós sois aí o actor, os outros não são mais que o público, pelo que importa que desempenhaiss cabalmente o papel.

4.Percorrei a primeira página, os títulos, mas não fiqueis aturdido, nem vacileis com acabeça. Tende estilo. Ide directamente às páginas culturais, depois à da banda desenhada, às de política internacional e, finalmente, aos casos do dia. Nesta pirâmide invertida de informações está todo um estilo de viver.

5. Depois de ler um ou dois artigos, recortai-os e enfiai os dois recortes no fundo dos bolsos do casaco. Fazei isso não de uma forma banal e negligente, mas com alguma urgência de maneira a emprestar ao acto uma aura de mistério.

6.Quando terminardes de ler o jornal, fechai-o e mexei levemente a cabela (não há analogia possível para um portátil). Um gesto de desdenho que deve singificar: «Agora é que eles vão ver! Basta de palavras! Para diante é que é o caminho! Para as barricadas!»

7. Tudo isso não deve durar mais de 20 minutos. Conheço um tipo, quase da minha idade, que cresceu com os dedos cheios de tinta de tipografia, mas que, por razões que sou incapaz de explicar, virou-se para a leitura da imprensa pela net.Visita regularmente os sites do Times, do Washington Posto e da Slate, mas acaba sempre por ir dar a um site de video onde uma matrona austríaca com grandes tetas vos dá ordens. Com os olhos fulminados pelos da mulher, ele parece que ouve: «acaba o teu trabalho, maldito sejas!, antes de fazer uma ou outra visita que ele toma como transgressões imaginárias suas. E se ele tem a intenção de desligar o aparelho a valquíria logo lhe põe aos berros antes de lhe mandar um rotteweiler com ar ameaçador. Ele acaba, no fundo, por ser um prisioneiro do seu portador, e os seus dias são lixados.

Coisas deste género acontecem sem darmos conta. A internet acabará por vos queimar vivos. Com os jornais, não. Vós tendes 20 minutos, não mais. E depois é a vida, a vida que tendes de escolher.

Tradução livre e adaptada de um texto de Garrison Keillor, publicado no Le Monde de 20 de Janeiro de 2007
Nota do tradutor: dada a natureza paroquiana da imprensa escrita portuguesa (nas mãos dos grandes grupos económicos) não nos responsabilizamos pelos eventuais danos que a sua leitura possa causar ao leitor mais incauto. Existem excepções, é certo. Por exemplo: a edição em português do Le Monde Diplomatique.

28.1.07

Premiado o matemático que provou que o «caos é a regra»

A ideia de que o bater de asas de uma borboleta pode provocar uma tempestade no outro lado do mundo é talvez a metáfora que melhor explica o campo de estudos em que se destacou Marcelo Viana, o matemático luso-brasileiro de 44 anos que acabou de receber o Prémio Universidade de Coimbra 2007.

Os sistemas dinâmicos, uma das áreas mais importantes da matemática pura e aplicada, são os modelos matemáticos decritivos da evolução da realidade ao longo do tempo. No fundo, estudam as minúsculas alterações nas variáveis de um sistema – hoje conhecidas como comportamentos caóticos – que podem provocar mudanças dramáticas no comportamento de todo esse sistema. Como explicou João Filipe Queiró, matemático e membro do júri do Prémio Universidade de Coimbra, «pequenas causas podem provocar perturbações enormes nas consequências».

A par da medicina, da biologia ou da economia, a meteorologia é uma área que beneficia do estudo dos sistemas dinâmicos. Estes ajudam a calcular o impacto que pequenas oscilações nas variáveis em causa vão ter sobre o estado do tempo no futuro. Apesar de tudo, actualmente, ainda é muito difícil fazer previsões meteorológicas rigorosas para mais de três dias.

O prestígio adquirido pelo premiado advêm dos trabalhos por ele desenvolvidos ainda na década de 1980 sobre a dimensão e o significado dos tais comportamentos caóticos.

Marcelo Viana veio provar, nomeadamente, que, «para uma grande classe dos sistemas dinâmicos, o caos não é a excepção, mas a regra».

Licenciado em Matemática em 1985 pela Universidade do Porto, Marcelo Viana segue para o Brasil onde vai passar a residir e faz o doutoramento no Instituto de Matemática Pura Aplicada (IMPA), o instituto de matemática mais importante da América Latina, e de que se torna director adjunto.

Fonte: Jornal de Notícias (26 de Janeiro de 2006)

O tráfego automóvel reduz o desenvolvimento pulmonar


As crianças que vivam nas proximidades de uma estrada com uma forte intensidade de tráfego têm um desenvolvimento pulmonar reduzido e é maior o risco para a sua saúde quando atingirem a idade adulta, segundo as conclusões de um estudo publicado na revista britânica de medicina The Lancet.

Mais de 3.600 crianças e adolescentes residentes no sul da Califórnia foram acompanhados durante 8 anos, entre os 10 e os 18 anos. As suas funções pulmonares foram medidas em cada ano. Os resultados são conclusivos: aqueles jovens que viveram a menos de 500 metros de uma estrada com forte intensidade de trânsito automóvel revelaram «défices substanciais» no desenvolvimento das suas funções respiratórias em comparação com aqueles outros que residissem a uma distância maior de 1,5 Km de uma via de trânsito intenso.
Esse défice mentem-se ao longo de toda a vida. »Quem sofra na infância de um défice nas funções pulmonares terá provavelmente pulmões menos saudável durante o resto da sua vida», afirma James Gaudeman. (University of Southern California, Los Angeles).
Ora sabe-se que uma reduzida função pulmonar na idade adulta é um factor de risco importante para as doenças respiratórias e cardiovasculares.

Crianças não-asmáticas e os não-fumadores sofreram défices significativos das suas funções respiratórias o que parece sugerir que todas as crianças que gozem de boa saúde são potencialmente afectadas pelo facto de estarem expostas ao tráfego automóvel. Tendo em conta estes resultados a conclusão é óbvia: uma redução à exposição da poluição automóvel levaria a significativas melhorias para a saúde pública. Algo que os legisladores deverão pois ter em conta quando aprovarem a regulamentação para a construção das vias e das casas.

«Estes resultados colocam importantes questões às sociedades sobre a estrutura do nosso sistema de transportes, sobre os motores, os carburantes, a combustão e a poeira das estradas dentro das áreas urbanas», declarou Thomas Sandstrom (University Hospital, Umea, Suède) no comentário acerca deste estudo e que o acompanha na última edição da The Lancet.

27.1.07

O desemprego mundial nunca foi tão alto

Pessoas sem lugar no mercado de trabalho eram 195,2 milhões em 2006.
Crescimento da economia não tem correspondência no aumento do emprego
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O mundo nunca teve tantos desempregados, pelo menos desde que as estatísticas os registam, como no ano passado.
O número dos que não têm emprego atingiu, em 2006, os 195,2 milhões de pessoas e os mais afectados são os jovens, indica o relatório Tendências globais de emprego 2007, ontem divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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Mesmo com crescimento económico, e apesar de mais gente ter trabalhado, o número dos que não têm emprego cresceu em números absolutos, ainda que ligeiramente: os desempregados eram 194,7 milhões em 2005. Os dados preliminares sobre 2006 divulgados pela OIT indicam também que a taxa de desemprego quase não sofreu alterações: 6,3 por cento, face aos 6,4 por cento do ano anterior.
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Em muitas regiões do mundo não houve mudanças significativas de um ano para o outro. A redução mais notória do desemprego ocorreu nas economias desenvolvidas e na União Europeia, onde baixou 0,6 e se fixou em 6,2 por cento.
No caso de Portugal, a taxa de desemprego estabilizou em Novembro passado nos 7,1 por cento, segundo a informação divulgada no início deste ano pelo Eurostat, serviço de estatística da Comissão Europeia.
O valor mais baixo de desemprego continua a ser o do Leste asiático, com uma taxa de 3,6 por cento. Os índices mais elevados são os apresentados pelo Médio Oriente e Norte de África, com 12,2 por cento em 2006.
O Médio Oriente e o Norte de África são também as regiões onde é menor a percentagem de população empregada: 47,3 por cento em 2006. O valor mais elevado é registado no Leste asiático, onde, apesar de uma descida de 3,5 por cento na última década - explicada por um aumento da escolarização - a percentagem de população empregada é a mais elevada: 71,6 por cento. Na União Europeia, a percentagem de população empregada é de 56,7 por cento.O crescimento económico da última década reflectiu-se mais no aumento da produtividade do que na criação do emprego, refere a OIT, que ilustra a afirmação com números: crescimento de 26 por cento na produtividade contra apenas 16,6 por cento no emprego.
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Os mais jovens são os mais atingidos pela falta de trabalho: 86,3 milhões dos desempregados em 2006, qualquer coisa como 44 por cento do total, tinham entre 15 e 24 anos, indica a organização. Outra tendência que permanece é a do fosso entre homens e mulheres em matéria laboral. No caso das mulheres, a percentagem das que tinham trabalho, que era de 49,6 por cento em 1996, está em 48,9 dez anos depois. No caso dos homens, passou-se de 75,7 para 74,0 por cento.
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1,87 mil milhões ganham menos de 1,54 euros por dia
O relatório da OIT dá também conta de ganhos muito modestos dos 1,87 mil milhões de pessoas que têm remunerações mais precárias: 507 milhões ganhavam menos de um dólar por dia (77 cêntimos de euro) e boa parte destes vivia no Sul da Ásia e na África subsariana, regiões onde estavam concentrados 348,2 milhões. Outros 1,37 mil milhões ganham menos de dois dólares diários (cerca de 1,54 euros).
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"O forte crescimento económico da última meia década teve um impacto mínimo na redução do número de trabalhadores que vivem com as suas famílias na pobreza", declarou o director-geral da OIT, Juan Somavia. Para a organização, "é tempo de os Governos, bem como a comunidade internacional, assegurarem que as condições económicas favoráveis na maior parte do mundo se traduzam em criação de bons empregos".
A distribuição do emprego por sectores conheceu algumas modificações: de 2005 para 2006 o peso dos serviços no conjunto do emprego subiu de 39,5 para 40 por cento e ultrapassou pela primeira vez a quota da agricultura, que baixou de 39,7 para 38,7 por cento. A indústria ocupava no ano passado 21,3 por cento do total do emprego.
fonte: jornal Público

Fast Food Nation - Geração Fast Food (2006)


Fast food nation - filme de Richard Linklater, baseado no best-seller do New York Times e selecção oficial do Festival de Cinema de Cannes de 2006, é já considerado um dos melhores filmes políticos de um realizador norte-americano desde Fahrenheit 9/11 de Michael Moore

Para começar. Apetece-lhe um hambúrguer?

Se sim, então tudo começa com uma fatia de pão, um pedaço de carne mal passada, queijo derretido q.b., meia folha de alface, duas rodelas de pepino, uma de tomate, um molho branco que escorrega pelos ingredientes anteriormente enumerados e a mão do funcionário que empurra tudo com mais uma fatia de pão, desta vez com sementes, enquanto deixa sair uma cuspidela e um sorriso de satisfação. A caixa de cartão fecha-se à pressa e o 'the big one' está pronto para seguir no tabuleiro e fazer mais uma família americana feliz.



Este é o cartão de visita de Michey's, a cadeia de fast food que graças ao hambúrguer 'the big one' se está a tornar um sucesso de vendas. Por pouco mais de 4 dólares, qualquer americano pode comprar um 'the big one' ajustado ao seu paladar, que pode passar pelo sabor barbecue ou frango calipso, com um ligeiro toque de lima, e que dá direito a uma bebida 'super-preço'. Mas por detrás de tal degustação dos tempos modernos, sabem realmente os consumidores o que estão a meter à boca?


Os resultados de análises que indicam a existência de estrume na carne (e ameaçam o bom desempenho do negócio) levam a multinacional a enviar o seu inspector sanitário Don a Cody, uma localidade do Colorado, onde se encontram o matadouro e a fábrica onde a carne vendida pela multinacional é embalada. Uma vez chegado ao UMP (Uniglobe Meet Packing), Don é conduzido por um mundo artificial de brancura e desinfecção imaculadas, onde cada funcionário de avental fardado nasceu com a vocação inquestionável de separar a gordura da carne com um gancho de talhante.



Mas por detrás desta higiene aparente, Don vai conseguir averiguar que cada 'the big one' esconde estórias medonhas, como passadeiras rolantes por onde passam as vísceras mal lavadas, animais que são cruelmente maltratados e funcionários ilegais que perdem pernas e braços em acidentes de trabalho.À medida que cada "the big one" é trincado por uma boca de 1º Mundo que o pode comprar, dezenas de mexicanos continuam a saltar fronteiras em busca do novo sonho americano de ganhar dinheiro rápido com a comida rápida. Mas o único que encontram é um trabalho nojento e mal-cheiroso onde as cabeças de vaca rebolam sem olhos pelo chão do matadouro, a carne congelada é empacotada com vestígios de tripas e pêlo, e as trituradoras da fábrica engolem acidentalmente funcionários que antes de perderem alguma parte do corpo precisam de andar de galochas para que o sangue não lhes chegue até aos joelhos. Uma utopia de gente pobre seduzida pelo novo 'american way of life' que põe de lado a dignidade laboral e sexual em troca de um afortunado posto na fila dos que têm jeito para arrancarem rins de vaca.



Uma denúncia em estado cru do realizador Richard Linklater, que conta com as interpretações de Ethan Hawke, Greg Kinnear, Catalina Sandino Moreno, Patricia Arquette, Avril Lavigne e Bruce Willis.



Depois disto, será que ainda lhe apetece um hambúrguer?


Retirado de:
http://www.rascunho.net/critica.asp?id=1048

O Império Segundo Sócrates

retirado de:
www.vozdapovoa.com/diversos/opiniao.html

Texto de Artur Queiroz

A Oferta Púbica de Aquisição (OPA) da Sonae à Portugal Telecom faz lembrar os tempos em que Salazar assentava o seu poder em três pilares: a Igreja, a Repressão e o Império da CUF. O velho ditador percebeu que só conseguia impor a sua tacanhez e mediocridade se tivesse do seu lado o Poder Económico e fizesse do Poder Judicial um feroz aparelho de repressão ao serviço da ditadura. A PIDE e as forças armadas e militarizadas garantiam que ninguém ousaria pôr em causa o edifício salazarista. Hoje, José Sócrates, na senda de Salazar, faz tudo para pôr de pé o Império Sonae, dando a Belmiro de Azevedo, de mão beijada, a maior empresa portuguesa. De merceeiro açambarcador, com maior ou menor habilidade para as engenharias financeiras, Belmiro passa a ser detentor daquela que já foi a jóia da coroa do sector empresarial do Estado.

No primeiro dia da OPA, o principal noticiário da RTP convidou Rosado de Carvalho, um empregado de Belmiro de Azevedo, para comentar a operação. No dia seguinte, a Autoridade da Concorrência divulgava um estudo patético que dava gás às pretensões de Belmiro. Fora o árbitro, que está comprado! Ainda a poeira do estudo não nos tinha cegado de todo, já Judite de Sousa convidava o merceeiro do Continente para uma grande entrevista, na antena da RTP. Belmiro mostrou a arrogância própria de quem ostenta o título de homem mais rico de Portugal, insinuou que tem no bolso o Primeiro-Ministro, que só avançou com o negócio porque tinha garantias do Governo e ousou chamar pedintes aos accionistas de referência da PT que, na sua santa ingenuidade, proclamam que a empresa vale mais do que as cascas de alhos que o merceeiro quer dar. Puro engano de alma!

A Portugal Telecom não vale 9,5 euros como quer Belmiro nem 11,5 euros como avalia a administração da empresa. A Portugal Telecom pura e simplesmente não tem preço. O ministro das Finanças de Sócrates se não sabe isto, nem sequer serve para moço de fretes de uma mercearia. Se José Sócrates não sabe que o Poder Político se comprometeu a manter o controlo estratégico da empresa nas mãos do Estado, está a trair a boa fé dos portugueses. E não venham com truques baixos alegando que a União Europeia quer acabar com as “golden share”. Porque se mudam as regras que levaram à privatização da empresa, então o Governo tem a obrigação de fazer regressar a PT ao sector empresarial do Estado, custe o que custar.

Face à desgraça anunciada, os portugueses lá vão cantando e rindo a caminho da penúria absoluta. O Estado já pouco mais é do que um domador de funcionários públicos, proprietário de edifícios em ruínas, pagador de pensões de reformas e subsídios de desemprego. Os Belmiros ostenta os anéis que nos pertencem e arrotam milhões. Já é tempo de perceberemos que com o nosso silêncio e indiferença face a golpadas como a que está em curso na Portugal Telecom, somos cúmplices da morte anunciada do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos. É tempo de nos interrogarmos porque razão a televisão do Estado está ao serviço de Belmiro de Azevedo no negócio da Portugal Telecom. E porque será que José Sócrates e o seu ministro da tutela estão a caucionar esta iniquidade sem nome.

Vive! Pensa! Lê! Aprende! Conhece! Age!

Escolhe a afirmação seguinte que melhor reflecte as tuas atitudes e o teu comportamento quotidiano, e serve-te das tuas respostas para te conhecer melhor :


Afirmação A = 0 pontos
Cito a Bíblia 10 vezes ao dia e leio o Correio da Manhã todos os dias


Afirmação B = 5 pontos
Sei tudo o que se passa no mundo do futebol

Afirmação C = 10 pontos
Não perco nenhum programa dos «Prós e Contras», compro e leio todos os livros da Margarida Pinto Rebelo, e acho imensa piada ao Herman


Afirmação D = 20 pontos
Sou vegetariano, amigo dos animais domésticos, mas gosto de comprar roupas de marca

Afirmação E= 30 pontos
Vejo e leio atentamente as notícias em casa, sentado no meu sofá, a comer biscoitos e a tomar chá, e leio habitualmente algum livro antes de adormecer

Afirmação F= 40 pontos
Gosto de me divertir, vou aos bares e discotecas, ouço e converso com os amigos e conhecidos, porque a vida são só dois dias, e o que temos é de a gozar ao máximo.


Afirmação G= 50 pontos
Sou um leitor compulsivo, amante do bom cinema, e um apreciador de arte


Afirmação H = 60 pontos
Pertenço a quatro associações cívicas, a uma cooperativa e sou voluntário de várias campanhas sociais, a nível nacional e internacional

Afirmação I = 70 pontos
Fui excomungado por várias igrejas, e expulso de diversos locais selectos por não suportar os convencionalismos bacocos dos hipócritas.

Afirmação J = 80 pontos
Gosto de ler literatura e poesia de vanguarda, escrevo os meus textos e tento lutar contra as injustiças sociais.

Afirmação L = 90 pontos
Tento levar à prática o máximo possível as minhas ideias ecologistas, vivo em comunidade, recuso-me a ver televisão e o ar abafado e as luzes artificiais dos centros comerciais atordoam-me.

Afirmação K = 100 pontos
Envolvo-me no activismo social, leio quer autores clássicos quer os marginais, e sempre que posso vou viver para junto da natureza


Conclusão: Ler jornais ou ver Tv não nos faz estar mais bem informados. Até pelo contrário: as notícias dos media são em grande parte enviesadas senão mesmo deturpadas. Mais importante do que isso é desenvolver uma contínua auto-formação alimentada por uma boa dose de curiosidade, e uma predisposição para apoiar e ajudar os mais carenciados a terem uma vida digna e autónoma. Pensar, investigar e explorar as questões à nossa própria custa constitui não só uma manifestação da nossa inteligência como um poderoso antídoto contra as manipulações de toda a espécie. E nunca fechar-se em dogmas e conclusões definitivas. Mostrar espírito aberto, inconformista e imaginativo. Agir a favor da justiça e da liberdade, no respeito pela natureza e dos outros.
Tudo isto pela simples razão de que a vida, a nossa curta vida é mais, muito mais do que futebol e televisão…

24.1.07

A descriminalização do aborto


Numa tentativa de contribuir para esclarecer o que está em questão quando se fala da descriminalização do aborto seguem-se algumas notas propedêuticas sobre o assunto que possam de alguma forma clarificar o tema.


Começaria por dizer que existem várias ordens normativas na nossa sociedade.
Entre outras, podem-se indicar as seguintes:
as normas religiosas ( exemplo: o direito canónico proíbe os padres de se casarem);
as normas consuetudinárias (os usos e costumes de uma região ou de um grupo social);
as normas morais ( não matar, etc)
as normas jurídicas ( que são elaboradas, aprovadas e impostas pelos Estados)

Acontece que entre estas várias ordens normativas podem haver coincidências ou divergências.


Exemplo de divergências:
- os padres não podem casar-se segundo o direito canónico mas já podem fazê-lo segundo o ordem jurídica estatal ( direito civil);
-divorciar-se é proibido pela norma religiosa mas aceite actualmente pela norma civil estatal
- ludibriar os outros através da publicidade pode ser legal, na ordem jurídica, mas ser inaceitável na ordem moral.
- tratar e cuidar dos parentes doentes pode ser uma norma moral, mas já não ser uma norma jurídica

Exemplo de convergência:
- não matar é uma norma comum à ordem jurídica e à ordem moral
- drogar-se pode ser condenável pela norma civil e pela norma moral

Para a questão do aborto importa sobretudo as normas consuetudinárias (usos e costumes), as normas morais e as normas jurídicas.

Quanto às primeiras ( usos sociais) é objecto de conhecimento geral que o aborto ( o «desmancho» na linguagem popular) é algo de habitual ( fala-se de milhares de abortos anuais) , já de há muitíssimo tempo, tanto nas classes altas como nas baixas, e o seu número só terá vindo a diminuir com os métodos contraceptivos, a que nem todos conseguem ter fácil acesso.



Pelas normas morais, e segundo a moral ( os valores, os princípios orientadores das nossas condutas) partilhada por certas pessoas o valor da vida é um valor absoluto, logo por consequência, o aborto seria um acto moralmente censurável.
(curiosamente este enunciado nem sempre se verifica, uma vez que alguns defensores desta tese admitem a pena de morte e a morte como consequência da guerra)



Para outras pessoas, outras normas morais se impõem e são tanto ou mais valiosas que o valor da vida. Dou apenas três exemplos:
a) aquele que dá a vida na luta pela liberdade, está implicitamente a colocar ao mesmo nível o valor da liberdade e o da sua própria vida
b) aquele que se suicida, porque algo na sua vida o atingiu tão fortemente ( ter sido desonrado, ter sido apanhado a roubar, etc), fá-lo porque para ele é impossível continuar a viver ( um valor mais alto se sobrepõe ao da sua vida)
c) uma mulher que interrompe voluntariamente a sua gravidez fá-lo porque outros valores se sobrepõem e são determinantes da sua decisão



Estes exemplos mostram como cada indivíduo tem a sua moral ( a sua consciência moral), e como a moral varia de época para época ( antigamente certos actos eram moralmente condenáveis, e hoje não o são) e de sociedade para sociedade ( os juros podem ser moralmente censuráveis numa sociedade e não o ser noutra)



Estes exemplos mostram também como é muito «feio» alguém impor a sua moral aos outros através dos mais variados artifícios ( imposição coerciva, ameaça e intimidação, do tipo «faz isto senão...»), pois o que importa é a formação e a educação das pessoas segundo certos e determinados valores e princípios que livremente escolherem para si como orientadores dos seus comportamentos dentro de uma comunidade humana, valores e princípios esses que devem estar em sintonia com todo o historial e todos os avanços da Humanidade, por maior que seja a sua diversidade cultural.


Finalmente temos a ordem jurídica, isto é, as leis produzidas e impostas pelos Estados modernos, desde que se formaram a partir do século XVII. Estamos aqui ao nível da chamada política legislativa que se desdobra em muitíssimas áreas ( legislação comercial, legislação ambiental, legislação criminal, etc).


O aborto é um acto que tem sido criminalizado em Portugal até este momento.
(recorde-se já agora que há pouco anos atrás a infidelidade no casamento era considerado um crime, o mesmo se passava com os actos homossexuais, etc



A descriminalização ( ou, então, a manutenção da sua criminalização) do aborto é pois uma questão de política criminal estatal. Trata-se de saber se, segundo determinados critérios, a sua criminalização ou a sua descriminalização satisfaz os interesses que o Estado (no entedimento dos governos ou dos deputados) ou os cidadãos (através de um referendo) consideram relevantes.


E neste plano é sobejamente conhecido que em quase todos os países europeus ( com a excepção de Portugal, Irlanda, Malta) os respectivos Estados consideraram que era do interesse social ( saúde pública, não humilhação para as mulheres, respeito pela escolha da mulher, etc, etc) que o aborto fosse descriminalizado, pois que o aborto clandestino trazia mais prejuízos e danos à mulher e à sociedade, pelo que foi legalizada e admitida a realização do acto de interrupção voluntária de gravidez de forma a garantir boas condições sanitárias e outros bens considerados de interesse relevante


E é neste ponto que nos encontramos em Portugal: saber qual dos dois, o aborto clandestino ou o aborto legal (sujeito a determinados condições: até às 10 semanas), serve melhor os interesses sociais em jogo ( do Estado, da mulher, e da sociedade).

Trata-se pois de uma questão de política legislativa ( mais exactamente de política criminal).

Claro que me podem dizer que atrás das normas jurídicas esconde-se uma moral. Sim, é verdade!

Só que há dois tipos de moralidade:

A - aquela concepção moral que se quer impor aos outros, nem que seja recorrendo a meios coercivos ( prisão, multa, sanção criminal)

B- aquela concepção de moral que parte do princípio que cada indivíduo é um cidadão livre e responsável que é capaz de desenvolver uma consciência moral por si próprio, respeitadora da pluralidade de opções que cada qual faz perante os dilemas existenciais da sua vida, sem querer impor pela força ( isto é, pela lei criminal) uma determinada moral e determinados valores, deixando portanto às pessoas auto-determinarem-se em função da sua consciência moral.

Falta falar finalmente do referendo e saber até que ponto ele constitui um dispositivo idóneo em plena «democracia parlamentar e representativa» para auscultar e retratar a opinião da população. Mas aí entraremos no terreno da teoria política ...

A Situação Global da Agricultura Transgénica

DEZ ANOS DE FALHANÇO E REJEIÇÃO GENERALIZADA

Foi divulgado hoje ao fim da tarde o relatório sobre o cultivo de transgénicos em todo o mundo publicado anualmente pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), um organismo financiado pelas indústrias da biotecnologia e engenharia genética. O cenário cor-de-rosa e sem mancha apresentado pelo ISAAA, no entanto, choca directamente com a realidade e a rejeição demonstrada em todo o mundo por consumidores, agricultores, estados, regiões e concelhos, e até por empresas alimentares. Alguns exemplos recentes mostram os problemas, bloqueios e recusas que o ISAAA se esquece de referir.


Embora o ISAAA transmita a ideia de que os transgénicos obtiveram adopção generalizada, o total de área cultivada com transgénicos representa menos de 2% do total mundial de área agrícola. Além disso, 88% de toda a área cultivada com transgénicos está concentrada em apenas quatro países (Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil).

Os primeiros transgénicos foram aprovados em 1994. Treze anos depois apenas duas características transgénicas (tolerância a herbicidas e resistência a insectos) e quatro espécies geneticamente alteradas (milho, soja, colza e algodão) são cultivadas de forma significativa nalguma parte do mundo.

• Há milhares de zonas livres de transgénicos declaradas por todo o mundo, em particular na Europa.
• Sete países da União Europeia proibiram variedades transgénicas autorizadas por Bruxelas devido aos riscos e incertezas associados à sua libertação no ambiente e consumo.
• A Roménia, identificada como um dos 'Mega-Países' que mais transgénicos cultivam (devido à sua produção de soja transgénica), proibiu já esse cultivo.
• Em 2006, devido a três ondas de contaminação com diferentes variedades não-autorizadas de arroz transgénico, a Associação de Produtores de Arroz da Califórnia pediu a proibição de cultivo de qualquer tipo de arroz transgénico, incluindo ensaios de campo.
• Os industriais de arroz dos dois maiores exportadores mundiais de arroz (Vietname e Tailândia) assinaram um acordo para se manterem livres de transgénicos.
• O supremo tribunal indiano suspendeu, para já, todos os cultivos experimentais de transgénicos no país.
• O governo chinês continua a impedir o cultivo comercial de arroz transgénico, apesar dos muitos esforços das empresas nesse sentido.
• Mesmo as empresas mostram resistência global aos transgénicos. A Kraft Foods, a segunda maior empresa alimentar do mundo, começou a vender à China produtos exclusivamente não transgénicos.
• Na Rússia a empresa Sodruzhestvo, que fornece 70% de toda a soja usada em alimentos e rações naquele país, declarou-se livre de transgénicos. Na Europa as maiores multinacionais do sector alimentar não vendem alimentos contendo transgénicos.
As estatísticas apresentadas pelo ISAAA apresentam falta de credibilidade e de rigor. Por exemplo:
• Há um ano o ISAAA anunciava o cultivo comercial de arroz transgénico no Irão. O governo iraniano veio depois desmentir tal afirmação, uma vez que não há qualquer cultura transgénica autorizada no país.
• Ainda no relatório do ano passado do ISAAA se afirmava que eram cultivados nas Filipinas 50 mil hectares de milho transgénico. A fonte indicada era o próprio governo filipino que, no entanto, não possui quaisquer estatísticas oficiais sobre a matéria. A discrepância levou um governante a afirmar que aquele número era infundado.
• O governo romeno anunciou que em 2005 tinham sido cultivados 87 mil hectares de soja transgénica no país. No entanto o ISAAA usou para esse país o valor de 125 mil hectares.
• Mesmo em países com sistemas de estatísticas consolidados o ISAAA tende a inflacionar os números. Nos Estados Unidos um estudo detalhado demonstrou que o ISAAA «engorda» os valores das áreas cultivadas em 2 a 9% relativamente aos números oficiais do Departamento de Agricultura.

O relatório de 2004 refere sete milhões de agricultores chineses que cultivam algodão transgénico. Em 2005 esse número já só atingia 6,4 milhões, sem qualquer explicação.
Em 2003 a Indonésia era anunciada como o 19º maior produtor mundial de transgénicos. Mas no ano seguinte este país nem sequer constava do mapa de produtores, mais uma vez sem qualquer explicação.

O ISAAA também se mantém silencioso no que toca a problemas de contaminação, processos judiciais contra agricultores provocados pela aplicação de patentes, aparecimento de ervas daninhas resistentes aos herbicidas aplicados nas culturas transgénicas, disfunções genéticas em variedades transgénicas, ou ainda sobre o custo económico dos sucessivos falhanços de uma tecnologia incontrolável e de má qualidade (exemplos disso são os escândalos Starlink, Bt10 e LL601, entre outros).




Transgénicos no Parlamento Europeu


CAMPANHA CONTRA RELATÓRIO EUROPEU MOBILIZA PORTUGUESES E FOMENTA ACÇÃO DE EURODEPUTADOS

Foi hoje votado na Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu o Relatório Virrankoski sobre engenharia genética e transgénicos alimentares - Perspectivas e Desafios para a Agricultura na Europa (2006/2059). Este texto toma como certas as promessas sebastiânicas de uma indústria em sérias dificuldades por falta de mercado para escoar os seus produtos e prescinde de qualquer avaliação do que tem sido a experiência europeia real nesta área, nomeadamente a nível da contaminação resultante da coexistência impossível entre cultivos transgénicos e convencionais ou biológicos.


Graças a uma campanha dinamizada pela Plataforma Transgénicos Fora do Prato, uma estrutura informal que agrega numerosas entidades da defesa do ambiente e agricultura, dois eurodeputados portugueses na Comissão de Ambiente (a terceira eurodeputada - Ilda Figueiredo - indicou desde logo que votaria contra o Relatório) foram submersos por faxes e emails de portugueses indignados com esta tentativa de abrir as portas à manipulação genética irreversível da alimentação actual e futura.


Gualter Barbas Baptista, activista da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, considera que "esta mobilização levou os visados [Duarte Freitas, PSD, e Capoulas Santos, PS] a ponderar de novo a questão e apoiarnumerosas emendas que, embora não reformulem totalmente o documento, lhe impõem mais precaução, rigor e independência". O Relatório acabou por ser aprovado com 22 votos a favor, 15 contra e 6 abstenções.


Para Gualter Barbas Baptista, "esta acção veio revelar que os cidadãos portugueses também estão preocupados com a expansão dos transgénicos na agricultura e com os efeitos irreversíveis que estes podem ter no na saúde humana e no ambiente". O activista adianta ainda que a Plataforma "vai continuar a esforçar-se no sentido de envolver os cidadãos nos processos de decisão sobre os transgénicos, contra a vontade do lobby da biotecnologia que faz de tudo para manter o público afastado do seu direito de escolher as tecnologias e riscos que a sociedade está disposta a assumir".


Embora o Relatório Virrankoski não resulte directamente em legislação comunitária, vai agora ser votado em Março em plenário do Parlamento Europeu e propõe-se assumir o papel de vector estratégico de legislações futuras. Nesse momento será crítica a votação de cada um dos 24 eurodeputados portugueses, que em breve serão contactados individualmente pela Plataforma no sentido de divulgarem publica e antecipadamente a sua posição.


Para Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, "independentemente de quaisquer linhas partidárias, os eurodeputados têm a responsabilidade última de dar voz aos que legitimam o seu poder". Em Portugal, segundo dados publicados no Relatório do Estado do Ambiente de 2003, 74.6% dos portugueses com opinião não querem que os transgénicos sejam comercializados no imediato. "Votar contra este relatório será pois votar em consonância com esse sentir profundo dos portugueses - os nossos eurodeputados vão ser chamados a colocar frontalmente a protecção dos objectivos de bem comum, como a sustentabilidade, a transparência, a protecção ambiental e a busca de alternativas mais seguras, acima dos interesses de uma indústria cujo grande alvo é a privatização do património genético da Humanidade", conclui Margarida Silva.

Para mais informações: Gualter Baptista, 91 909 0807



A Plataforma 'Transgénicos Fora do Prato' é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras.
Para mais informações contactar info@stopogm.net

23.1.07

Reedição do livro Socialismo Libertário ou Anarquismo, de Silva Mendes

A Livraria Letra Livre acaba de reeditar, numa tiragem limitada, o livro de Silva Mendes «Socialismo Libertário ou Anarchismo» a mais importante obra escrita sobre anarquismo em língua portuguesa.
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Esse livro de 1896, hoje raro, escrita por um jovem licenciado em Direito, teve um importante papel na divulgação das teorias libertárias na Universidade de Coimbra, contribuindo para formar a geração da Greve Académica de 1907, mas também os militantes socialistas e sindicalistas do final do século XIX e começos do século XX.
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A apresentação será feita na Livraria Letra Livre sábado, dia 27 de Janeiro, pelas 18.30h.
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Livraria Letra Livre
Calçada do Combro, 139 (Bairro Alto)
1200-113 Lisboa
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Morreu Abbé Pierre, o Gandhi francês

Abbé Pierre, o Gandhi francês, fundador das comunidades Emmaus, morreu ontem aos 94 anos.

Abbé Pierre, do seu verdadeiro nome Henri Antoine Groués, nasce em Lyon a 5/1/1912, numa família numerosa e socialmente bem colocada, e entra aos 19 anos para os franciscanos, transitando depois para a Ordem dos Capuchos que é de todas e a congregação mendicante mais pobre.

Como vigário da Catedral de Grenoble envolveu-se na resistência anti-nazi, arriscando a sua vida na ajuda aos judeus perseguidos, e transportando ele próprio refugiados judeus para a Suiça. Foi nessa época que adoptou o cognome de Pierre. Organizou mesmo uma grupo armado no seio da Resistência francesa à ocupação nazi.
No final dos anos 40 fundou a Comunidade Emmaus vocacionado para a ajuda aos sem-abrigo e aos pobres e marginalizados em geral. A comunidade Emmaus espalhou-se entretanto por vários países e ganhou uma dimensão internacional de fraternidade e partilha. A 1 de Fevereiro de 1954 lança pela rádio o célebre apelo «A insurreição da bondade» a favor dos pobres e dos grupos sociais carenciados. Infatigável na sua luta pelos mais fracos e desprotegidos, ele tornou-se uma figura conhecida e respeitada pelos franceses e até a nível internacional. Era o porta-voz dos párias, dos humilhados e ofendidos. Merece pois o nosso reconhecimento. Nele o amor pelos outros, o respeito pelos outros, o bem para os outros não eram só palavras. Ele personificava o homem que combatia a favor do outro, e dava voz à cólera dos que pediam justiça.
Ao lado de Josué de Castro, participou da fundação da Associação Mundial de Luta Contra Fome (Ascofam), em 1957, e de diversos congressos e reuniões internacionais a favor do bem estar dos excluídos
É o fundador da Comunidade Emmaus ("O nome Emmaus corresponde a uma localidade da Palestina onde alguns desesperados voltaram a encontrar esperança. Esse nome evoca em todos crentes ou não, nossa comum convicção que só o amor pode nos unir e permitir avançar juntos”). As Comunidades de Emmaus são compostas por pobres que, através do trabalho de recuperação e reutilização daquilo que é lançado fora, adquirem o seu próprio sustento e ajudam quem se encontra em condições piores.

Independentemente da sua ligação à Igreja e da sua fé católica, Abbé Pierre merece o nosso reconhecimento por tudo o que fez a favor dos mais pobres e dos mais fracos. Defensor dos direitos humanos, ele não hesitava em intervir em prol das causas justas contra a iniquidade e a opressão. Será recordado como um homem bom que lutava pela vitória da justiça no mundo.

20.1.07

Há 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções

“Somos Nós os Teus Cantores"

PARA O QUE DER E VIER...SEM MUROS NEM AMEIAS!

IGUAIS POR DENTRO E IGUAIS POR FORA!


José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, foi, com Adriano Correia de Oliveira, umas das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.
Neste ano de 2007 passam 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções. Aquele que deu voz à resistência anti-fascista, e foi um dos símbolos do 25 de Abril do povo e, mais tarde, uma bandeira de luta contra a recuperação capitalista no período cinzento do eanismo e do soarismo, será lembrado ao longo de todo este ano através das mais variadas iniciativas, sempre com o apoio da Associação José Afonso.

Daremos disso conta à medida que tais acções se forem realizando.Por enquanto, e que tenhamos conhecimento, estão programadas várias manifestações culturais na Moita, no Porto ( mais concretamente no Clube Literário) e na Casa do Povo da Longra (no concelho de Felgueiras).


Assim já no próximo dia 3 de Fevereiro, na Casa do Povo da Longra ( Felgueiras) e numa parceria com o núcleo do Norte da AJA realiza-se um concerto sob o lema “Somos Nós os Teus Cantores”, que contará com a participação de Francisco Fanhais, Tino Flores, grupo Erva de Cheiro, grupo AJAFORÇA, banda Hyubris e, possivelmente, Manuel Freire.
Os actores Alexandre Castanheira e Fernando Soares farão da poesia o eco do homem da "Grândola". Neste dia vai falar-se, também, de Adriano Correia de Oliveira, companheiro de canções de luta e de vida de José Afonso.
Na parte de tarde, pelas 16 horas, haverá lugar a um debate/tertúlia, ao qual foram convidados Alexandre Manuel (jornalista e ex-editor do DN), Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos de Adriano), Paulo Alão (músico que participou em algumas gravações do Zeca e do Adriano), Alexandre Castanheira, Soares Novais (jornalista e editor da Arca das Letras), representantes da AJA-NORTE e da Casa do Povo, entre outros que poderão juntar-se.

Segue-se depois um conjunto de iniciativas na cidade do Porto ao longo do mês de Fevereiro em memória de José Afonso promovido pelo núcleo do norte da AJA a desenrolarem-se no espaço do Clube Literário do Porto (
http://www.clubeliterariodoporto.org/) e cujo programa é o seguinte:

14 Fevereiro
21h30 - Inauguração da exposição “José Afonso: Vida e obra”
22h - “José Afonso: Testemunhos" Colóquio/Debate com a participação de Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.
15 Fevereiro
21h 30m – Tertúlia no “Piano-Bar” do CLP integrada na iniciativa “O Prazer do Texto” – “Música e poesia de José Afonso”
16 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a obra poética" Colóquio/Debate com a participação de Elfried Elgelmeyer e José António Gomes.
17 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a música" Colóquio/Debate com a participação de José Mário branco e Francisco Fanhais.


Também a Câmara Municipal da Moita recorda José Afonso, 20 anos depois da sua morte, com um ciclo de três espectáculos de música popular portuguesa (o primeiro dos quais hoje à noite, depois um outro, com Vitorino, a 27 de Janeiro, e um terceiro com a Brigada Victor Jara a 24 de Fevereiro) a realizar no Fórum José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.
Além dos três espectáculos, o conjunto de iniciativas agendadas inclui uma declamação de poemas de José Afonso na Biblioteca de Alhos Vedros, uma festa popular também nesta freguesia e ainda uma romagem à campa do autor de "Grândola, vila morena", no cemitério de Setúbal, organizada pela Academia Musical 8 de Janeiro no dia 23 de Fevereiro à tarde

Estão previstas, segundo sabemos, ainda iniciativas similares em Guimarães, Espinho e Odivelas.

Entretanto tomamos conhecimento que os «Frei Fado d’El Rei» irão muito em greve editar um cd com o título «Senhor Poeta» e que será justamente uma homenagem a José Afonso.
Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda).

Info:

http://vejambem.blogspot.com/

http://www.aja.pt/

19.1.07

Apoia e vai ver teatro!


O teatro independente, o teatro experimental, o teatro amador e o teatro de rua devem merecer a nossa atenção e apoio.


Breve questionário sobre a tua relação com o teatro
Escolhe a afirmação seguinte que melhor reflecte as tuas atitudes e o teu comportamento para avaliares a qualidade da tua relação para com teatro:


Afirmação A = 0 pontos
Nunca fui ver uma peça de teatro


Afirmação B = 10 pontos
Já fui a Lisboa ver uma peça do Filipe La Féria, mas nunca fui ver qualquer teatro feito na minha cidade



Afirmação C = 40 pontos
Já fui ver uma única vez uma peça de teatro ao auditório municipal da minha cidade.



Afirmação D = 60 pontos
Costumo ir ao teatro municipal assistir às peças e aos grupos de teatro que lá passam.



Afirmação E = 60 pontos
Sou espectador assíduo de teatro, consulto a agenda semanal dos espectáculos de teatro, e leio frequentemente as críticas de teatro publicadas na imprensa. Gostaria de fazer teatro.



Afirmação F = 100 pontos
Vou sempre que posso ao teatro, mesmo àquelas peças mais difíceis de entender, as quais servem, aliás, de motivo para eu conversar e debater com os meus amigos/as ou com quem me acompanhou ao espectáculo.
Enquanto não tiver oportunidade de fazer teatro vou utilizando a expressão dramática na minha comunicação pessoal.



Conclusão: o teatro em geral, e o teatro independente em particular, mesmo aquele que possa ser de mais difícil compreensão ( o teatro experimental), põe-nos em contacto com novas ideias, e utiliza novas formas de comunicar e exprimir ideias e sentimentos. Acontece que habitualmente os grupos de teatro independente defrontam-se permanentemente com problemas de financiamento das suas actividades, pelo que é altamente meritório o envolvimento e o apoio aos grupos de teatro de todos quantos consideram o teatro como uma arte maior e uma excelente forma de manter a nossa condição de seres humanos



Seguem-se três propostas para ver teatro


«A um dia do Paraíso» ( texto e encenação de José Carretas) no Teatro Nacional Carlos Alberto de 18 a 28 de Janeiro (de 3ª feira a Domingo), numa co-produção TNSJ e Panmixia

Sinopse:

Aventureiro, diplomata e espião ao serviço de sua majestade D. João II, Pêro da Covilhã parte em finais do séc. XV para a costa oriental de África. Procura o reino do Preste João, onde florescem maravilhas de todo o tipo, entre o quase divino e o quase diabólico, mito cuja matriz literária remonta ao séc. XII, à Carta do Preste João das Índias, síntese efabulada do imaginário medieval do ocidente cristão. No fim da viagem, descobre afinal a distância (drástica mas conciliável…) entre a ideia de um reino utópico e a experiência "claramente vista" de um pequeno território pobre e ameaçado pelos vizinhos muçulmanos. Indiferente a qualquer tipo de rigor historicista, José Carretas propõe-nos uma incursão nos últimos anos da venturosa vida de Pêro da Covilhã, arriscando uma alegoria cénica sobre a necessidade prática da utopia, sobre o desencanto como forma irónica, melancólica e combativa da esperança.

http://www.tnsj.pt/



Outra proposta é o Festival Nacional de Teatro de Amadores promovido pelo Cale Estúdio Teatro – Associação Cultural de Actores (CET) e que com o curioso título de «Cale-se» vai decorrer de 20 de Janeiro a 24 de Março na sede do daquele grupo de teatro - Rua do Meiral, 51 ; 4400-501 Vila Nova de Gaia Tels. 963 697 254
Mais info:
caleestudioteatro@portugalmail.pt
http://festivalcale-se.blogspot.com/
O Festival contará com a presença de vários grupos sendo que todos são associados da ANTA - Associação Nacional de Teatro de Amadores.

A última proposta de teatro é reservada para a digressão que o Teatro Montemuro vai realizar com a sua peça UBELHAS, MUTANTES E TRANSUMANTES
Segundo as datas divulgadas são estes os locais por onde a peça será representada:
20 de Jan. PINHEL22,
23 e 24 de Jan. CAMPO BENFEITO sessões escolares
25 de Jan. VIANA DO CASTELO Teatro Sá de Miranda
26 de Jan. PAREDES27 de Jan. SEIA
2 de Fev. LISBOA Teatro da Comuna ( sala 1, 21h30)
3 de Fev. LISBOA Teatro da Comuna ( sala 1, 21h30)
4 de Fev. LISBOA Teatro da Comuna ( sala 1, 16h00
)7 de Fev. FARO Teatro Lethes
9, 10 e 11 de Fev. PORTO Balletteatro
17 de Fev. VILA NOVA DE PAIVA Auditório Carlos Paredes
3, 4, 5 e 6 de Março COIMBRA A mUSEU DOS tRANSPORTES
31 de Março LEIRIA Teatro José Lúcio da Silva (21h00)

18.1.07

Concentração dos utentes dos transportes públicos do Porto na Pr. da Liberdade (19 de Janeiro) às 17h.30

Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto

Concentração e Marcha lenta até ao governo civil
dos utentes dos transportes públicos
na Praça da Liberdade (Porto)
dia 19 de Janeiro de 2007 às 17h30

O Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto convida a população para a Concentração na Praça da Liberdade e Marcha até a Governo Civil para entrega do Caderno Reivindicativo dos utentes que a Nova Rede da STCP retirou direitos como o acesso a transportes públicos de qualidade e de proximidade, a mobilidade, o percurso num único meio de transporte desde a origem ao destino, com facilidade de acesso e de bilhética funcional e a preço justo.

A participação de todos é importante para vencermos esta luta.

A luta é justa, participe connosco.