29.4.09

Parada MayDay contra a precariedade em Lisboa (Largo de Camões) e Porto ( Pr. dos Poveiros) às 12h no 1º de Maio


Lisboa e Porto juntam-se a cidades como Berlim, Roma, Helsínquia, Viena, Tóquio ou Toronto numa iniciativa que levará às ruas milhares de pessoas fazendo ouvir a sua voz na luta contra a precariedade.

Somos "recibos verdes" e trabalhadores de empresas de trabalho temporário, estagiários e pensionistas, imigrantes e endividados perante o banco, estudantes-(já/ainda/quase)-trabalhadores e operadores de call-center, bolseiros e intermitentes do espectáculo, contratados a prazo e desempregados ou simplesmente pessoas que não aceitam a chantagem da precariedade.

Lisboa às 12h00 ( para pic-nic e animação), na Praça de Camões

Partida às 14h30 em direcção ao Martim Moniz para nos integrarmos no desfile da Manifestação do Dia do Trabalhador (CGTP)

Porto às 12h00, na Praça dos Poveiros

Se todas/os as/os precárias/os baterem o pé, o mundo treme!

CONTAMOS CONTIGO!


O MayDay é contigo
Se estás farta de estar desempregada, o MayDay é contigo.




Se és estagiário “não remunerado” e te fazem a chantagem do currículo e não te pagam apesar de trabalhares, mesmo que produzas a riqueza do escritório ou da empresa ou da escola onde trabalhas, o MayDay é contigo.

Se ganhas mal, se te vês à rasca para sobreviver com o que te pagam, se não sabes mais que equilibrismo inventar para pagar a casa e a luz e os transportes e a comida e tudo o resto de que precisas, então o MayDay é contigo.

Se trabalhas a recibo verde, não tens direitos nem protecção social e te dizem que tens de pagar à segurança social uma quantia que não tens, em troca de protecção quase nenhuma, o MayDay é contigo.

Se és estudante e não tens como pagar as propinas ou te falta acção social escolar e até fazes um part-time para ajudar a pagar os estudos, então o MayDay é contigo.

Se trabalhas para uma empresa de trabalho temporário e tens dois patrões para o mesmo trabalho, se te roubam uma parte do que é teu quando te alugam a uma empresa, a um call-centre ou a uma obra, então o MayDay é contigo.

Se és imigrante e não tens papeis, ou se tens papeis e mesmo assim não tens direitos, se te usam contra o teu colega de trabalho e se servem da tua dificuldade, então o MayDay é contigo.

Se tens um contrato a prazo para teres menos direitos e vais vivendo a prazo mesmo se a empresa precisa sempre de ti, então o MayDay é contigo.

Se te sentes preso à precariedade e congelado nos teus projectos e ainda não saíste da casa dos teus pais porque não tens um trabalho que te permita fazer planos, então o MayDay é contigo.

Se estás farto de tanto abuso, se estás farto do silêncio, se estás farto da injustiça e estás farto de não ter voz, se achas que já basta de exploração, então o MayDay é contigo.

Se és um pouco disto tudo, ou se conheces quem é, ou se já foste ou se vais ser ou se és amigo de quem seja, então o MayDay é contigo.

Traz merenda, traz a voz, traz palavras, traz ideias...

No dia 1 de Maio, 12h, contamos contigo em Lisboa e no Porto


http://www.maydaylisboa.net/



Ouvi agora senhores uma história de pasmar. Há em Portugal uma autarquia original, que decidiu custear o aumento de espaço físico de uma empresa de sucesso - a ES Contac Center, do grupo Espírito Santo. Qual será o sucesso da dita empresa, perguntais? É na casa dos milhões de euros de volume de negócios, à custa da exploração de precários:
12,8 milhões de euros em 2007.

Mas a chantagem da crise parece que rende a alguns. É que como passou a ser do conhecimento público na semana passada - apesar de se dizer uma
"empresa em crescimento" - a ES Contact Center irá gozar de um investimento de 700 mil euros da câmara municipal das Caldas da Rainha.

Segundo uma
notícia recente do DN, a ES Contact Center mencionou epistolarmente a possibilidade de procurar outras paragens caso a autarquia recusasse embarcar nesta ajuda. Importa aqui referir que o administrador delegado da ES Contact Center é Pedro Champalimaud, presidente da Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC), pelo que a ameaça de deslocalização assume uma gravidade acrescida.

Mas está tudo bem, a ameaça não se concretizará. Afinal, a mesma ES Contact Center que agora vem pedir patrocínio aos contribuintes das Caldas da Rainha e de todo o país foi considerada há um ano a
empresa do ano em 2007, recebendo um prémio da própria Câmara Municipal das Caldas da Rainha. E Pedro Champalimaud recebeu do sector o prémio individualidade do ano em Dezembro, pelo seu trabalho à frente da ES Contact Center e da APCC. Por isso, há que mantê-los nas Caldas da Rainha a todo custo, não é? Terá sido o que pensou o Presidente da autarquia, Fernando Costa (PSD), que fez aprovar o negócio há dias em assembleia municipal. Argumenta o Presidente que estes 700 mil euros representam a garantia de mais “300 a 350 postos de trabalho” no concelho e "150 mil euros de ordenados por mês".

Ora, é só fazer as contas:

150 mil euros a dividir por 350 “postos de trabalho” dá 428 euros. E 150 mil euros a dividir por 300 “postos de trabalho” dá 500 euros. Mas estaremos a falar de “postos de trabalho” à séria? Ou será que os novos postos de trabalho que a ES Contact Center obrigou os contribuintes a custear serão para pessoas que trabalharão de forma precária? A estes 428/500 euros ainda será necessário descontar Segurança Social?

Trata-se portanto de “postos de trabalho” que na melhor das hipóteses rondam o salário mínimo e que a autarquia das Caldas da Rainha compra a um preço entre os 2000 e os 2333 euros a cabeça, conforme se tratem afinal de 300 ou 350 postos de trabalho. Se a moda pega…

Nesta história de pasmar entra então a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, a quem ficaria bem perguntar se repudia esta prática no mínimo estranha da autarquia das Caldas da Rainha.

E ficaria também bem perguntar aos responsáveis da
RTP, do Turismo de Portugal, do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e do Instituto Português da Juventude – todos clientes ilustres da ES Contact Center - se estão dispostos a assumir uma posição clara contra esta extorsão de dinheiro dos contribuintes e acima de tudo contra a precariedade e exploração dos trabalhadores do call center.

Ficamos à espera das perguntas e sobretudo das respostas.

http://www.precariosinflexiveis.blogspot.com/