7.1.11

Fabricados para não durarem: sabias que a morte de muitos aparelhos e produtos está programada?



Comprar, usar, comprar ou a história secreta da obsolescência programada

Baterias que «morrem» 18 meses depois de terem sido estreadas, impressoras que bloqueiam depois de atingirem um determinado número de folhas impressas, lâmpadas que se fundem ao fim de mil horas de uso… Estes exemplos levam a interrogarmo-nos sobre as razões para que os produtos de consumo, apesar dos evidentes avanços tecnológicos, duram cada vez menos.

A explicação é simples, mas inaceitável : as empresas preparam e executam o que se costuma chamar de obsolescência programada, ou seja, a redução intencional e deliberada do prazo de vida dos seus produtos como forma de incrementar o consumismo.

O canal 2 da RTVE, televisão pública espanhola, emite no próximo Domingo, 9 de Janeiro, às 22h., um documentário sobre o fenómeno da obsolescência programada que se tornou a filosofia produtiva de um cresecnte número de empresas e que se tem mostrado como um motor da economia industrial. «Comprar, tirar, comprar» é o título do documentário, realizado por Cosima Dannoritzer, que foi rodado na Catalunha, França, Alemanha, Alemanha, Estados Unidos e Gana, e descreve não só o fenómeno através de casos concretos e ilustrativos, as consequências ambientais negativas dele decorrentes, mas ainda exemplos de resistência que está a alastar entre os consumidores e as alternativas apresentadas que pretendem salvaguardar a economia e o meio ambiente, como é o caso dos irmãos Neistat, do programador informático Vitaly Kiselev, ou do catalão Marcos López.

Fala-se ainda como um país africano comoo Gana se está a transformar numa lixeira informática, para onde é enviada uma boa parte do material usado nos países do primeiro mundo, ao mesmo tempo que entrevista autores que reflectem no assunto, como o economista e defensor da teoria do descrescimento, Serge Latouche que preconiza a redução do consumo e da produção a fim de promover outras formas de riqueza como a amizade e o conhecimento.

O documentário contém dados interessantes: Mostra, por exemplo, como os fabricantes de lâmpadas, a Philips e a Osram, acordaram secretamente entre si, a obsolescência programadas das lâmpadas por si produzidas. Foi assim que da produção e lâmpadas que tinham uma duração de 2.500 horas se passou à produção de lâmpadas com apenas uma duração de 1000 horas..

Refere-se também o caso do IPOD da Apple, em que a bateria deste aparelho tem uma duração de 18 meses, o que levou vários consumidores norte-americanos a recorrer aos tribunais a fim de denunciar a prática daquela empresa em reduzir o tempo útil dos seus produtos, contradizendo a imagem que a mesma empresa vende como respeitadora do meio ambiente.

A realizadora do documentário consegiu ainda encontrar na casa de uma antiga jornalista alemã um exemplar de meias de nylon antigas que duravam para toda a vida, tudo o contrário do que acontece com as meias de nylon produzidas actualmente.

Transmissão na RTVE 2 no próximo Domingo, dia 9 de Janeiro, às 22h.



A fotografia indica o chip instalado numa impressora destinado a registar o número de impressões






Rações contaminadas na Alemanha causam mais um escândalo e alarme público provocado pela indústria do agro-negócio

A Alemanha vive momentos de aflição. E a razão não é para menos: foi detectada uma substância tóxica dioxina cancerígena nos ovos. Esta descoberta já levou ao fecho temporário de mil explorações agrícolas. A contaminação atinge não apenas a produção de ovos, mas também a de carnes de aves e de porco.

Na análise de 34 amostras de ovos, as autoridades sanitárias encontraram dioxina em 18. Não se sabe ainda, contudo, o volume total de produtos contaminados com dioxina espalhados pelo mercado no país. Boa parte dos ovos contaminados já deve ter sido vendida e consumida. Representantes da indústria alimentícia e do varejo tentam tirar os produtos possivelmente contaminados de circulação.

Para piorar a situação os produtos derivados de ovos com dioxina foram também exportados para outros países, nomeadamente, o Reino Unido. Segundo a Comissão Europeia, 86 mil ovos presumivelmente contendo dioxina teriam sido vendidos à Holanda, lá misturados com outros ovos e processados industrialmente. Os produtos resultantes – ainda não se sabe se maionese, biscoitos, outros – teriam sido exportados para o Reino Unido em 12 de dezembro de 2010. As autoridades britânicas empenham-se para localizar os artigos em questão e interditar sua venda.
Aponta-se a criação industrial de animais como causa do escândalo da dioxina. Os alimentos produzidos localmente na região, e os produtos orgânicos são a melhor alternativa contra o veneno na comida produzida industrialmente pelas explorações agro-pecuárioas, nas quais a qualidade e proteção aos animais ficam, forçosamente, de lado, quando galinhas e porcos se transformam em produtos lucrativos nas fábricas do agro-negócio.

Por mais este escândalo fica também evidente quanto os ovos e costeletas supostamente baratos custam: com efeito, os prejuízos dos agricultores vão ser enormes, os custos de fiscalização são cada vez mais elevados, mas sobretudo expõe-se a saúde pública e o meio ambiente a danos incalculáveis.

RDA, Regueirão dos Anjos - programação para o mês de Janeiro de 2011

R. Reguerão dos Anjos, nº69, Lisboa

5.1.11

Encontro Europeu dos movimentos universitários (11-13 de Fevereiro de 2011) - European Meeting of University Movements


De Londres a Viena, de Roma a Paris, ou de Atenas a Madrid, tem vindo a emergir uma nova Europa. A Europa dos estudantes e dos precários, dos cidadãos e dos imigrantes, de todas as multitudes que lutam pelas suas vidas e pelos seus futuros nas frentes da batalha da crise. Lutam para reapropiar-se dos seus direitos e da riqueza que produzem todos os dias. Revoltam-se contra as medidas de austeridade que exploram o seu presente e roubam o seu futuro. Expressam a sua fúria contra a arrogância do poder.

Após o consenso colectivo alcançado nas reuniões «Bolonha Burns» em Viena, Londres, Paris e Bolonha no ano passado, assim como do encontro «Commoninversity» celebrado em Barcelona, a Edu-Factory (Fábrica Escolar) e a Autonomous Education Network unem-se para convocar uma reunião europeia de todos os que participam nesta luta comum com o objective de se crier uma poderosa rede europeia das lutes dentro e for a das universidades. Pretende-se criar um espaço transnacional para discutir e desenvolver a nossa capacidade política colectiva a fim de dar luta aos ataques contra a universidade e o bem-estar social, e contribuir para a construção de um novo futuro para todos.

É chegado o momento para nos levantarmos em conjunto, e de forma colectiva e singular, recuperar as nossas vidas e construer uma nova Europa, baseada nos direitos e no acesso. Chegou o momento de reivindicar o que é nosso: o comum .
Para mais informação: INFO@EDU-FACTORY.ORG

As once was the factory, so now is the university. We start with this plain and apparently unproblematic statement, not to affirm but to interrogate it. We want to radically rethink this assertion by means of both theory and politics. It is from here that the edu-factory project begins. Edu-factory has been running for two years. The project began as a transnational mailing-list for discussion of transformations to the university, the production of knowledge and forms of conflict. About 500 militants, students and researchers have participated. Rejecting the notion that networks necessarily institute horizontal and spontaneous relations, we proceed with the view that networks must be organized if they are to operate as political spaces. The model has involved two temporally circumscribed and thematically identified rounds of discussion: the first on conflicts in the production of knowledge and the second on hierarchisation of the market for education and the construction of autonomous institutions. After each round of discussion, the list closes to await a new opening in a successive cycle. In this way, edu-factory moves from an extensive to an intensive mode of organizing networks.

Not surprisingly the edu-factory process has not been without tensions and conflicts. The opening and closing of the list in particular has led to debates with participants and onlookers regarding the openness and the ownership of networks. Despite these tussles, the project has assumed a life that beyond the list. Not only a website but also participation in and organisation of events in three different continents (Europe, Australia, and North America) have become part of edu-factory. Materials from the list have been collected and translated for a book publication in Italian: L’università globale: Il nuovo mercato del sapere (Roma: Manifestolibri, 2008). This volume became a central reference point in the ‘anomalous wave’ movement of students, researchers, parents and teachers that swept Italy in late 2008. Autonomedia Books will publish an English version of the text in early 2009.

Edu-factory is now at a critical turning point where the question of its political application becomes paramount. A central interest is the transnational linking of variously existing autonomous edu-initiatives, but this brings up problems and politics of translation, scale and resources. Has edu-factory lived beyond its life as a list? Or must its continued organisation involve the reinvention of the list and its modulation with other forms of practice and action?
After the last edu-factory round, we proposed the project of a global autonomous university. We do not want to enter the education market. On the contrary, our aim is to open a process of conflict in the knowledge production system and its mechanisms of hierarchisation. From this standpoint, the global autonomous university is not simply an alternative university but a process to build up a transnational organized network of research, education and knowledge production, based on experiments and experiences that already exist across the globe.
We now wish to propose another step in the process of the construction of edu-factory as an organized network, as well as in the evolution of the global autonomous university: a transnational journal. We choose this medium for two reasons. First because it will give continuity to the analysis on university transformations and knowledge production carried on in edu-factory. Second because it offers a stable platform of connection among the critical research projects, auto-education experiments, and struggles that connect to the project. In this framework, we want to re-open the list, in order to make it a collective place of debate, self-evaluation, and development for the journal.


Toward a Global Autonomous University
Cognitive Labor, The Production of Knowledge, and Exodus from the Education Factory
The Edu-factory Collective

What was once the factory is now the university.

We started off with this apparently straightforward affirmation, not in order to assume it but to question it; to open it, radically rethinking it, towards theoretical and political research. The Edu-factory project took off from here….Edu-factory is, above all, a partisan standpoint on the crisis of the university…. The state university is in ruins, the mass university is in ruins, and the university as a privileged place of national culture — just like the concept of national culture itself — is in ruins.

We’re not suffering from nostalgia. Quite the contrary, we vindicate the university’s destruction. In fact, the crisis of the university was determined by social movements in the first place. This is what makes us not merely immune to tears for the past but enemies of such a nostalgic disposition.

University corporatization and the rise of a global university…are not unilateral impositions or developments completely contained by capitalist rationality. Rather they are the result — absolutely temporary and thus reversible — of a formidable cycle of struggles. The problem is to transform the field of tension delineated by the processes analyzed in this book into specific forms of resistance and the organization of escape routes.

This is Edu-factory’s starting point and objective, its style and its method.

Contents

Introduction: All Power to Self-Education!
Edu-factory Collective

Production of Knowledge in the Global University

The Rise of the Global University, Andrew Ross
Eurocentrism, the University, and Multiple Sites of Knowledge Production, Amit Basole
Global Assemblages vs. Universalism, Aihwa Ong
Management of Knowledge vs. Production of Knowledge , Sunil Sahasrabudhey
Short–Circuiting the Production of Knowledge ,Nirmal Puwar & Sanjay Sharma
Conditions of Interdisciplinarity, Randy Martin

Hierarchies in the Market for Education

Lean and Very Mean: Restructuring the University in South Africa, Franco Barchiesi
Governmentality and Commodification: The Keys to Yanqui Academic Hierarchy, Toby Miller
The Social Production of Hierarchy and What We Can Do About It: Notes from Asia, Xiang Biao
Border as Method, or, the Multiplication of Labor ,Sandro Mezzadra and Brett Neilson
The Pedagogy of Debt, Jeffrey Williams
Management’s Control Panel, Marc Bousquet
Cognitive Labor: Conflicts and Translations
Report from the Greek Student Movement, Dionisis
Practices of Radical Cartography
Counter Cartographies Collective
Online Education, Contingent Faculty and Open Source Unionism, Eileen Schell
Cognitive Capitalism and Models for the Regulation of Wage Relations, Carlo Vercellone
Notes on the Edu–factory and Cognitive Capitalism George Caffentzis and Silvia Federici
Translation, Biopolitics and Colonial Difference ,Naoki Sakai and Jon Solomon
The Production of the Common and the Global Autonomous University
A Hierarchy of Networks? Ned Rossiter
The University and the Undercommons ,Stefano Harney and Fred Moten
Neoliberalism against the Commons, Jason Read
The Autonomous University and the Production of the Commons, James Arvanitakis
From a Liberal Arts Student, Erik Forman
Conflicts in the Production of Knowledge, Universidad Experimental
The Global Autonomous University, Vidya Ashram
On the Institution of the Common ,Toni Negri and Judith Revel
The Corporate University and the Financial Crisis, What Is Going On? ,Christopher Newfield & edu-factory Collective

A liberdade de imprensa na Hungria acabou, quando o governo daquele país assumiu a presidência da União Europeia




No dia 1 de janeiro, quando Budapeste assumia a presidência da UE, entrou em vigor na HUngria a nova lei para a Comunicação Social que termina com a liberdade de imprensa naquele país. O jornal húngaro Népszabadság vem di-lo expressamente na sua primeira página em todas as línguas dos países integrantes da União Europeia.
Esta lei para a Comunicação Social serve efectivamente as intenções censórias e autoritárias do Governo de coligação Fidesz-KDNP [aliança entre o partido de centro-direita do primeiro-ministro Viktor Orbán e o Partido Democrata Cristão, no poder desde abril de 2010], criando condições para refrear, punir e, a prazo, eliminar qualquer entidade que não partilhe das suas opiniões.

Em concreto, os cinco membros do Conselho para a Comunicação Social, escolhidos exclusivamente entre personalidades do Fidesz, podem aplicar multas a uma redação a qualquer pretexto: porque consideram que um artigo não é objetivo, ou porque não gostam do que se diz de alguém do seu partido, mesmo que seja verdade. O jornal pode recorrer aos tribunais para pedir a suspensão da pena e proclamar a sua inocência. Mas com que bases será decidida em tribunal essa suspensão?

Infelizmente, a Hungria não é um caso isolado. Em todos os países, a classe política não resiste a tentar controlar os órgãos de comunicação social independentes. Itália a Áustria são os casos mais conhecidos. Em França, o Presidente Nicolas Sarkozy arranjou maneira de uma série de importantes jornais ser adquirida por empresários seus amigos.

Assiste-se a um nítido processo de condicionamento e controle da imprensa independente que tem sobrevivido, apesar das dificuldades e dos obstáculos.
Parece pois que os tempos da comunicação social amordaçada regressam em força à Europa, dita democrática !!!

4.1.11

Concertos Benefit ( dia 8 de Jan.) e cinema comunitário (dia 7) na Casa Viva

No mês de Janeiro o cinema comunitário dedica as suas sessões ao tema das ocupações sob o lema OKUPA!

Local: Casa Viva
Praça marquês pombal, 167 Porto
http://casa-viva.blogspot.com/

Quatro sessões sobre o mesmo tema: OKUPA!
Quatro abordagens diferentes e um objectivo: provocar a discussão sobre as diferentes formas de okupas. Às Sextas-feiras, às 22h00.

6ª, 7 janeiro 22h00 entrada livre

I. Contracultura: dois documentários

69, de Nilolaj Viborg (60')
Dinamarca, 2008 (Dinamarquês, com legendas em Inglês)
Um grupo de jovens, que não se sentia cultural nem politicamente parte da sociedade, okupa legalmente, em 1982, a chamada Casa das Jovens (Youth House), em Jagtvej 69, nos subúrbios de Copenhaga. O documentário mostra a situação da casa em 2007, nos seus últimos seis meses de funcionamento. Pelo filme, descobrimos mais sobre os princípios do grupo e as razões da sua acção.

Nécessaire(s) territoire(s) (21')
de Benoît Perraud e Creadoc Angouleme
França, 2006 (Francês, com legendas em Inglês)
Um documentário que, usando imagens de diferentes lugares em França, tenta descobrir o que é a alternativa e a utopia em movimento de okupas.

CONCERTOS BENEFIT da CASA VIVA

sábado, 8 janeiro 17h00
entrada livre

Participam:
TrashBaile
www.myspace.com/trashbaile
Estado de Sítio
www.myspace.com/estadodesitiopunx
Protest Underground Noise Kaos
www.myspace.com/ultragrind
Helliminator
www.myspace.com/helliminator

3.1.11

O grande roubo de livros palestinianos pelo exército sionista de Israel

O ‘saque’ de livros pertencentes a intelectuais palestinos pelo exército israelitae é tema de um documentário que está sendo realizado pelo cineasta israelita de origem holandesa Benny Brunner.
Ele afirma que cerca de 30 mil livros e manuscritos árabes, alguns deles raros e valiosos, acabaram na Biblioteca Nacional de Israel depois da guerra de 1948.
O interesse de Brunner pela história começou com um artigo escrito por um jovem académico israelita, Gish Amit, que por acaso encontrou livros ‘colectados’ de bibliotecas pessoais de palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas casas em 1948 quando fazia a pesquisa de sua tese de doutorado.
Benny Brunner agora está recriando o que ele chama de ‘saque’ dos livros no documentário “The Great Book Robbery” (O grande roubo de livros). Ele espera localizar os proprietários originais dos livros. Uma testemunha entrevistada por ele é Nasser Eldin Al Nashashibi, membro de uma conhecida família de intelectuais em Jerusalém, que em 1948 tinha 20 anos: "Nossos livros foram roubados da minha casa. Eles foram saqueados por judeus. Vi isso com meus próprios olhos.”

De acordo com Brunner, funcionários da Biblioteca Nacional, coordenados com o exército israelita, entravam nas casas depois que os proprietários palestinos eram retirados à força. Às vezes, os livros eram colectados enquanto o conflito ainda estava acontecendo, conta Al Nashashibi.

A Biblioteca Nacional de Israel nega a acusação de saque. O porta-voz Oren Weinberg disse à Radio Naderland numa declaração por escrito que sua instituição está apenas administrando os livros em nome do Departamento de Custódia de Propriedade Abandonada do Ministério das Finanças.

Numa curta reposta, um oficial do ministério confirmou que a biblioteca está administrando a colecção. De acordo com ele, no entanto, os livros foram colectados em 1948 por um terceiro: a Universidade de Haifa. Pela resposta, não fica claro sob quais circunstâncias os livros foram colectados e como se tornaram propriedade do Ministério das Finanças. Os proprietários originais, de acordo com o ministério, são desconhecidos.

Testemunhas

Brunner conseguiu localizar testemunhas tanto do lado palestino como israelita, incluindo uma que trabalhou no processo de indexação. Aziz Shehadah, um advogado árabe-israelita de Nazaré, era estudante na Universidade Hebraica, em 1960, quando trabalhou para a biblioteca. “Alguns eram livros raros sobre literatura árabe antiga e sobre o islão”, ele diz. “Todo mundo sabia que eles vinham de cidades árabes. Alguns ainda estavam em sacos.”

Sinais de propriedade
Brunner diz que muitas das pessoas que localizou que estiveram envolvidas na história em torno dos livros se recusaram a falar com ele ou serem filmadas para o documentário. Um ex-funcionário da biblioteca inclusive “reagiu agressivamente, e descobriu-se que era ele o responsável pelo processo de indexação”.
No entanto, outros foram mais cooperativos e um ex-funcionário revelou a Brunner que os empregados da biblioteca removeram os sinais de propriedade árabe da maioria dos livros. Isso, segundo Brunner, “explica porque apenas seis mil livros permanecem como ‘propriedade abandonada’, enquanto documentos originais mencionam 30 mil”.

Brunner também encontrou um israelita de origem palestina que comprou livros do Departamento de Custódia de Propriedade Abandonada nos anos 1960 e descobriu que eles pertenciam a um amigo que havia emigrado para o Líbano. “Quando os livros não eram interessantes para a biblioteca, como livros escolares, eles os revendiam. Imagine vender propriedade roubada para as pessoas de quem você roubou!”

Campanha


Junto com o parlamentar de origem palestina Arjen El Fassed, do Partido Verde da Holanda, Brunner lançou uma campanha online para localizar pessoas que de alguma forma estiveram envolvidas nos eventos ou que ouviram od seus pais ou avós falar sobre eles. Todas as informações serão usadas no documentário.


Fonte:
www.rnw.nl/portugues/article/%E2%80%9Co-grande-roubo-de-livros%E2%80%9D

http://thegreatbookrobbery.org/
http://thegreatbookrobbery.org/blog

2.1.11

O espectro da anarquia - mesa-redonda na Casa da Achada no dia 8 de Janeiro às 15h.


Mesa-redonda O ESPECTRO DA ANARQUIA
Local: Casa da Achada , Rua da Achada, nºs 11 r/c e 11B (na Mouraria) Lisboa
Sábado, 8 de Janeiro, às 15h
entrada livre

organização UNIPOP

com a participação de:

António Cunha
membro do colectivo Casa Viva

António Pedro Dores
sociólogo e prof. no ISCTE

José Carvalho Ferreira
economista e prof. no ISEG

José Neves
historiador e prof. na FCSH

Miguel Madeira
economista

Miguel Serras Pereira
tradutor
Ricardo Noronha
doutorando em História

O recurso a etiquetas ideológicas é uma prática recorrente, quer por parte de correntes de pensamento e movimentos sociais e políticos quer por parte dos poderes instituídos. Se para os primeiros uma lógica de fixação identitária parece impô-lo, para o segundo trata-se de uma técnica de definição de um inimigo, interno ou externo, identificável, de um processo de naturalização do recurso à violência autorizada. «Comunismo», «terrorismo», «antiglobalização», «anarquismo» têm sido algumas dessas etiquetas. Mais recentemente, o «anarquismo» – ou mais sofisticadamente as «ideias anarquistas» – instalou-se no espaço mediático a propósito de um conjunto de movimentações sociais contra os poderes instituídos. Detenções, condenações judiciais, cordões policiais em manifestações, a coberto da defesa da democracia contra as «ideias anarquistas», têm, na verdade, sustentado a criminalização de todas as lutas que procuram situar-se para lá da intervenção política e social institucionalizada. Partindo do reconhecimento de que por detrás da designação «anarquismo» se esconde uma enorme pluralidade teórica e prática, a UNIPOP propõe uma discussão acerca do percurso histórico das «ideias anarquistas» em Portugal, bem como uma abordagem cruzada de algumas das tradições teóricas que se colocam sob essa etiqueta.

http://u-ni-pop.blogspot.com/

1.1.11

Estamos nas mãos de delinquentes ( conclusão da conferência do economista Arcadi Oliveres, catedrático da Universidade autónoma de Barcelona)

Estamos nas mãos de delinquentes - esta é a conclusão de Arcadi Oliveres, doutor em Ciências Económicas, e especialista em economia internacional, da Universidade autónoma de Barcelona. Para o comprovar o conferencista refere-se ao tráfico de armas ( do Norte para Sul) e de drogas ( do Sul para o Norte), da corrupção dos líderes políticos de vários países. Palavras importantes para quem queira entender o mundo actual


Invisíveis (explicação histórica da desigualdade de género)




O conceito de género tem a ver com a diferenciação social entre os homens e as mulheres. Tem a vantagem, sobre a palavra "sexo", de sublinhar as diferenças sociais entre os homens e as mulheres e de as separar das diferenças estritamente biológicas.
Os estudos das relações sociais de género foram bastante marcados pelo trabalho de investigação levado a cabo pela socióloga feminista norte-americana Jessie Bernard, que, em meados dos anos 40 do século XX, iniciou a abordagem da importância do "género" na organização da vida em sociedade. A obra mais conhecida desta autora, The Future of Marriage (1982), procura mostrar como é que o casamento constitui um contexto institucional de cristalização de normas, valores, papéis e padrões de interacção entre o homem e a mulher, que são ideologicamente dominantes e que subjugam e oprimem a mulher. Esse estudo tornou-se já um clássico, num dos domínios de investigação sobre as relações sociais de género que mais se tem desenvolvido: a divisão tradicional dos papéis sexuais e as suas repercussões ao nível da família e do trabalho, ou em relação ao domínio privado e ao domínio público.
A investigação sociológica no domínio das relações sociais de género centra-se em dois pressupostos de análise principais:
1) a posição ocupada na sociedade pelos homens e pelas mulheres não são apenas diferentes, mas também desiguais;
2) a desigualdade social entre homens e mulheres resulta, principalmente, da organização da sociedade e não de diferenças biológicas ou psicológicas significativas entre os mesmos.
Em relação ao princípio analítico de que não há apenas uma diferenciação socialmente construída entre homens e mulheres, mas também, e sobretudo, uma desigualdade social, isto significa que os estudos em função do género supõem que as mulheres têm menos recursos materiais, estatuto social, poder e oportunidades de auto-realização do que os homens com quem partilham a mesma posição social.
O género é, assim, considerado um elemento que condiciona a posição social dos indivíduos, tais como a classe, os rendimentos económicos, a profissão, o nível de escolaridade, a idade, a raça, a etnia, a religião e a nacionalidade. Neste âmbito, têm-se desenvolvido estudos sociológicos centrados na discriminação e na diferenciação social, em função do género, em diversas áreas da vida em sociedade, tais como, por exemplo, as desigualdades no acesso ao poder e ao emprego e na atribuição de rendimentos salariais.
No que respeita ao princípio de que as diferenças entre os dois sexos são sobretudo socialmente instituídas e não predeterminadas, o conceito explicativo principal é o de "socialização".
Por outras palavras, uma parte significativa dos estudos no domínio das relações sociais de género supõe que a diferenciação de comportamentos e de traços de personalidade consoante o género resulta de expectativas socialmente incutidas nos indivíduos desde a infância, pelas quais as crianças são socializadas no sentido de desempenharem diferentes papéis, "masculinos" ou "femininos". Basicamente, trata-se de investigar como é que, ao nível das interacções entre os indivíduos, são construídas e recriadas de um modo permanente as dicotomias entre o homem e a mulher. Neste domínio, são de salientar os trabalhos da socióloga feminista britânica Dorothy Smith (1987) e da teórica feminista francesa Luce Irgaray (1985), sobre o modo como as linguagens actuais estão dominantemente ancoradas em experiências e conceitos masculinos.


Retirado de:

29.12.10

O regresso da Economia Política (The Revival of Political Economy) - Videos das conferências realizadas a 21,22,23 de Out. na Universidade de Coimbra


Apresentação

The recent financial collapse and the ensuing economic downturn are still imposing hardship and suffering upon millions all over the world, especially the poor and the unemployed. The crisis has raised public awareness of the consequences of neoliberal drift and of the shortcomings of a mainstream academic economics that did not anticipate the financial meltdown and economic downturn, and even actively contributed to setting up the new (toxic) financial architecture. For many - economists, managers and politicians - the depression has been a sobering experience. Statements produced in the heat of events even suggest that this could be an opportunity both for seriously reconsidering and reversing the trend towards a growing financialisation of the economy, and for recasting the very foundations of knowledge of the economy. However, at the first signs of recovery, the habitual ways of thought, and of doing politics and business are settling down once again.
The need is therefore felt - with a sense of urgency - to widen public debate stimulated by renewed social science perspectives on economic issues. The failure of mainstream economics, acknowledged by many, calls for a revival and renewal of political economy. This will be achieved by strengthening the ongoing dialogue among scholars in all fields of the social sciences and humanities interested in economic processes and their relation to politics, morality, culture and nature.
The reflection needed must go beyond means and measures that may secure a return to a ‘normal’ growth regime and move on to reconsider the ends to be pursued by public policies and institutional change. The new political economy in the making should address the issue of sustainability: economic, social and environmental. Prosperity – the purpose of any economy – can no longer be separated from social justice and environmental values.

Capitalisms and Institutional Change
Peter Hall (Harvard University)
The Political Origins of our Economic Discontents





Capitalisms and Institutional Change
Brigitte Young (University of Münster)
The Revival of Political Economy: Bringing Capitalism Back In (Again), the State (Once Again), and Financial/Economic Culture(s)






Capitalisms and Institutional Change
José Reis (University of Coimbra)
Why variety is still a good reason to think about political economy?
Institutional based strategies and “mixed economies”





Sustainability: Economic, Social and Environmental
Robert Boyer (CEPREMAP-CNRS, France)
THE SOCIAL AND POLITICAL SUSTAINABILITY OF CAPITALISMS
After the subprime crisis





Sustainability: Economic, Social and Environmental
Joan Martinez-Alier (University of Barcelona)
Environmental justice and economic degrowth: an alliance between two
movements






Sustainability: Economic, Social and Environmental
Boaventura Sousa Santos (University of Coimbra)
presented by João Arriscado Nunes (University of Coimbra)
Learning from the South




The Revival of Political Economy
Nuno Martins (OPorto Portuguese Catholic University)
Heterodox Economics and the Revival of Political Economy





The Revival of Political Economy
Phil O’Hara (University of Technology, Australia)
Core General Principles for the Revival of Political Economy






The Revival of Political Economy
Ana Cordeiro Santos (University of Coimbra)
RECENT ECONOMICS AND THE REVIVAL OF POLITICAL ECONOMY



Apenas uma crise de crescimento - texto de José Vítor Malheiros

Apenas uma crise de crescimento
texto de José Vitor Malheiros, publicado no jornal Público de 28/12/2010

Os números do défice e da dívida e os indicadores económicos não encorajam qualquer optimismo, apesar de as exportações se estarem a portar melhor do que se esperava e de, nestes dias de fim de ano, ser tradicional expressar votos de prosperidade para 2011 com o mais cândido dos sorrisos afivelado na face.

A verdade é que os juros da dívida crescem mais depressa do que a nossa capacidade de a pagar e o buraco em que nos encontramos é cada vez maior. Como os juros aumentam, devemos cada vez mais. Como devemos cada vez mais, os juros aumentam. Como devemos cada vez mais e os juros aumentam, as agências de rating baixam-nos a classificação, o que faz os juros subir e a dívida aumentar. Ao círculo vicioso sucede-se a espiral infernal. Os especuladores esfregam as mãos de contentes, mas os especialistas garantem-nos que eles têm uma função higiénica essencial à vida económica (como as hienas que comem os animais doentes), o que significa que o sistema caminha para um rápido saneamento e que todo este panorama é apenas um passo doloroso mas necessário.

O que sabemos é que, depois desta crise, o nosso país será um lugar mais eficiente, a nossa economia será mais robusta, a nossa administração pública será mais magra e mais rápida, as empresas que não têm direito à vida terão desaparecido, as outras pagarão muito menos impostos e salários mais baixos, o euro talvez tenha desaparecido (o que apenas significará que não devia ter nascido), a ideia de uma Europa solidária ter-se-á desvanecido (o que quererá dizer que afinal era só um conto de Dickens), só haverá reivindicações laborais nos filmes e o Estado social será uma memória vaga. Será maravilhoso para os ricos.

As únicas entidades que poderão sair prejudicadas serão as pessoas, mas essas são substituíveis: há sempre pessoas novas a nascer, a crescer e à procura de trabalho e dispostas a aceitar relações de trabalho muito mais flexíveis. Os historiadores olharão para trás e verão a crise de 2008-2018 em Portugal apenas como uma crise de crescimento que serviu para fortalecer as empresas, a economia, os mercados financeiros, a banca, as lideranças empresariais e os serviços de segurança.

Se a crise serviu para alguma coisa foi para compreender que as pessoas estavam a ter salários demasiado altos, impostos demasiado baixos, demasiada estabilidade de emprego, demasiados serviços públicos, demasiada liberdade, saúde e educação de excessiva qualidade e juros demasiado baixos nos empréstimos bancários.

E, não havendo possibilidade de dissolver o povo, como Brecht sugeria, o Governo tentou pelo menos reduzi-lo à sua justa dimensão. A dura verdade é que o povo faz menos falta do que os bancos. Mais: o povo não só não faz falta como dá muita despesa. Como seríamos prósperos se fôssemos só os 5 milhões que os finlandeses são! Se pudéssemos dissolver os 5 milhões de portugueses menos letrados e mais velhos (que gastam uma fortuna em subsídios, em reformas, em saúde), seríamos um dragão, um tigre, um furão.

Não há razões para pensar que o país não é viável. Os testes de stress feitos ao sistema financeiro deram excelentes resultados. A economia reanima-se e as exportações dão sinal disso. Temos indicadores de inovação extraordinários. Todos os nossos ministros das Finanças sem excepção sabem qual é a receita para recuperar a economia. Basta ouvi-los. Todos eles sem excepção sabem que fizeram sempre tudo bem. Os dirigentes políticos também. Os do Governo e os da oposição. Os banqueiros sabem que sempre fizeram tudo bem. Todos sabem que são perfeitos. As nossas elites sabem que são esclarecidas, brilhantes, iluminadas e outras coisas com luz. O país é viável! O povo é que não é, mas já estamos a tratar desse pormenor.

21.12.10

Foi criada a BrusselsLeaks vocacionada para ser uma WikiLeaks da União Europeia



Um grupo autofinanciado, constituído por antigos funcionários da UE e de ONG e por trabalhadores de órgãos de informação, acabou de criar a BrusselsLeaks vocacionada para publicar documentos confidenciais e reservados da União Europeia.

BrusselsLeaks.co iniciou as suas actividades a 9 de Dezembro e já convidou todas as pessoas a enviarem anonimamente documentos sensíveis relacionados com a UE, utilizando um formulário de contacto codificado.

Trata-se de mais uma forma de melhorar a transparência de Bruxelas e da União Europeia que não merece muita confiança aos europeus porque não está garantida a sua democraticidade, para além de que existem muita coisa que acontece por baixo das mesas, e por detrás das fachadas já para não lembrar a quantidade de lobbies que se instalaram nos corredores das instituições da União Europeia.

Pelo que se conta há fugas frequentes da União Europeia mas dado seu melindre as pessoas preferem não os divulgar, em claro prejuízo do interesse público.

O site tenciona divulgar em breve o primeiro lote de documentos sobre o sector dos transportes e da energia

Website da BrusselsLeaks:
http://brusselsleaks.com/

Liberdade de Informação na UE: AQUI

Consultar também:
http://www.worstlobby.eu/


APRESENTAÇÂO

Many of these decisions happen behind closed doors and we have been working to make it more transparent for many years. Journalists, activists and communications professionals have now come together to form Brussels Leaks, a place to centralise intelligence gathered on the inner-workings of the EU.
We are asking for more support: if you work for a corporation, consultancy, institution or NGO and want to release some information in a completely secure – and anonymous, if prefered – way, contact us now. We are trustworthy, reliable professionals with excellent Brussels contacts. We work to make sure the information gathered is 100% reliable and correct, and only then do we act on it.
We have the network and experience to make sure the right thing is done.


...

19.12.10

Carta aberta de um jovem afegão aos líderes mundiais no Dia Mundial para escutar o que os Afegãos têm a dizer



Dear Mr Obama, Mrs Clinton, Mr Petraeus, Mr Rasmussen, and all our world leaders

We are Afghans and we ask the world to listen.

Like yourselves, we couldn’t live without the love of our family and friends.

We were hurt by your criticism of Mr Karzai for voicing the people’s anguished pleas, “Stop your night raids.”

Please, stop your night raids.

If you could listen, you would have heard 29 NGOs in Afghanistan describe how we now have “Nowhere to Turn”.

If you could listen, you would also have heard Mr Karzai and the 29 NGOs express concern over your Afghan Local Police plan; the world will henceforth watch our militia killing the people, your people and our people, with your weapons and your money.

If you could listen, you would have heard the sound of your drones crystallizing the nights of hatred among the Afghan, Pakistani and global masses.
Instead, we hear your determination to ‘awe, shock and firepower’ us with Abrams tanks. We hear distant excitement over your new smart XM25 toy, a weapon you proudly proclaim will leave us with ‘nowhere to hide’.

Nowhere to turn and nowhere to hide.Your actions have unfortunately dimmed our hopes that we the people could turn to you. Along with our Afghan war-makers, you are making the people cry.

Yet, we understand. You are in the same trap we’re in, in a corrupt, militarized mania.
Love is how we’re asking for peace, a love that listens, and reconciles.

And so, we invite you to listen to the people of Afghanistan and to world public opinion on the Global Day of Listening to Afghans, to be internet-broadcast from Kabul this December.

It is time to listen broadly and deeply to both local and overseas Afghan civil groups and the numerous alternative solutions they have proposed for building a better socio-political, economic and religious/ideological future for Afghanistan.

We have shared the pain of our American friends who lost loved ones on September 11, by speaking with and listening to them.

Though, if the world could listen like these American friends did, the world would know that few Afghans have even heard about September 11 and that no Afghans were among the 19 hijackers. The world would have heard our yearnings as we were punished over the past 9 years.

If the world could listen, they would know how much we detest the violence of the Taliban, our warlords, any warlord, or any bullet-digging finger-trophy troops.

And now, for at least another four more years, we will grieve over souls who you are unwilling to ‘count’ and we are unwilling to lose.

It is extra painful to us and to your troops because clearly, there are non-violent and just alternatives.

We understand the pain of financial hardships but try telling an Afghan mother about to lose her child or a soldier about to take his life that the only way their illiterate and angry voices can ruffle the posh feathers of our world leaders is when it disturbs not their human or truth deficit, but their trillion dollar economic deficits. How do we explain that without denuding ourselves of human love and dignity?

What more can we say?

How else can we and our loved ones survive?

How can we survive with hearts panicking in disappointment while perpetually fleeing and facing a ’total’ global war, a war that wouldn’t be questioned even in the crude face of a thousand leaks?

We would survive in poverty, we may survive in hunger, but how can we survive without the hope that Man is capable of something better?

We sincerely wish you the best in your lives.

We are Afghans and we ask the world to listen.

سلامت باشین!
Salamat bAsheen!
Be at peace!

Meekly with respect,
The Afghan Youth Peace Volunteers
Global Day of Listening to Afghans
19th December 2010

Why not listen?
Why not love?

A ciberguerra do Wikileaks ( texto de Manuel Castells)

Como documentei no meu livro Comunicação e Poder, o poder baseia-se no controle da comunicação. A reacção histérica dos Estados Unidos e outros governos contra o Wikileaks confirma isso. Entramos numa nova fase da comunicação política. Não tanto porque se revelem segredos ou fofocas como porque eles se espalham por um canal que escapa aos aparatos de poder.

O vazamento de confidências é a fonte do jornalismo de investigação com que sonha qualquer meio de comunicação em busca de furos. Desde Bob Woodward e sua "Garganta Profunda" no Washington Post até as campanhas de Pedro J. [Ramírez, fundador do diário El Mundo] na política espanhola, a difusão da informação supostamente secreta é prática usual protegida pela liberdade de imprensa.

A diferença é que os meios de comunicação estão inscritos num contexto empresarial e político susceptível a pressões quando as informações resultam comprometedoras. Daí que a discussão académica sobre se a comunicação pela internet é um meio de comunicação tem consequências práticas. Porque se o é (algo já estabelecido na investigação) está protegida pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, e os veículos e jornalistas deveriam defender o Wikileaks porque um dia pode ser a vez deles.

Ordem de prisão

Ocorre que ninguém questiona a autenticidade dos documentos vazados. De facto, destacados periódicos do planeta publicaram e comentaram esses documentos para regozijo e educação dos cidadãos que recebem um cursinho intensivo sobre as misérias da política nos corredores do poder (com efeito, por que Zapatero está tão preocupado?).

O problema, diz-se, é a revelação de comunicações secretas que poderiam dificultar as relações entre estados (o perigo para as vidas humanas é baboseira). Na verdade seria preciso sopesar esse risco contra a ocultação da verdade sobre as guerras aos cidadãos que pagam e sofrem por elas.


Em qualquer hipótese, ninguém duvida que, se essas informações chegassem aos meios de comunicação, estes também quereriam publicá-las (se poderiam é outra questão). E mais: uma vez difundidas na rede, publicam-nas. O que está em questão é o controle dos governos sobre seus próprios vazamentos e sobre sua difusão por meios alternativos que escapam à censura directa ou indirecta. Um tema tão fundamental, que motivou uma reacção sem precedentes nos Estados Unidos, com apelos ao assassinato de Assange por líderes republicanos e até colunistas do Washington Post e uma gritaria mundial generalizada de Chávez até Berlusconi, com a honrosa excepção de Lula e a significativa reacção de Putin.

A esta cruzada para matar o mensageiro se uniu a justiça sueca numa história rocambolesca onde o pseudofeminismo se alia à repressão geopolítica. Dá-se que as namoradas suecas de Julian Assange (alguém investiga sua conexão com serviços de inteligência?) o denunciaram porque em pleno ato (consentido) a camisinha rasgou, ela diz que não queria continuar e Assange não pôde ou não quis interromper o coito e isso, segundo a lei sueca, poderia ser violação. O que não impediu que a violada organizasse no dia seguinte em sua casa uma festa de despedida para Assange.

A partir de tamanho acto de terrorismo sexual, a Interpol emite uma euroordem de prisão com nível de alerta máximo, desmentindo que seja por pressão dos Estados Unidos. E quando Assange se entrega em Londres, o juiz não aceita fiança, talvez para enviá-lo aos Estados Unidos via Suécia.

Infraestrutura icónica

Com o mensageiro atrás das grades, falta mandar para lá a mensagem. E aí começam pressões que levam a que PayPal, Visa, MasterCard e o banco suíço do Wikileaks fechem suas contas, que cancelem seu domínio e que a Amazon o remova de seus servidores (o que não impede a Amazon de oferecer por 7 dólares o conjunto completo de e-mails vazados).

A contraofensiva internauta não se fez esperar. Os ataques de serviços de inteligência contra a rede do Wikileaks fracassaram porque proliferaram as redes espelho, ou seja, cópias imediatas das redes existentes, mas com outro endereço. A esta altura há mais de mil em funcionamento.

Em represália à tentativa de silenciar o Wikileaks, Anonymous, uma popular rede hacker, coordenou ataques contra as empresas e instituições que o fizeram. Milhares de voluntários se juntaram à festa, utilizando o Facebook e Twitter, embora com crescentes restrições. Os amigos do Wikileaks no Facebook superaram o milhão e aumentam a uma pessoa por segundo.
Wikileaks distribuiu a 100.000 usuários um documento encriptado com segredos supostamente mais danosos para os poderosos, cuja chave se espalharia caso a perseguição se intensifique.
Não está em jogo a segurança dos Estados (nada do revelado põe em perigo a paz mundial nem era ignorado nos círculos de poder). O que se debate é o direito do cidadão de saber o que fazem e pensam seus governantes. E a liberdade de informação nas novas condições da era da internet. Como dizia Hillary Clinton em sua declaração de Janeiro de 2010: "A internet é a infraestrutura icónica da nossa era… Como acontecia com as ditaduras do passado, há governos que se voltam contra os que pensam de forma independente usando esses instrumentos". Agora ela aplica a si mesma essa reflexão?

Novas gerações

Porque a questão fundamental é que os governos podem espionar, legal ou ilegalmente, aos seus cidadãos. Mas os cidadãos não têm direito à informação sobre aqueles que actuam em seu nome, a não ser na versão censurada que os governos constroem. Neste grande debate vão ver quem realmente são as empresas de internet autoproclamadas plataformas de livre comunicação e os meios de comunicação tradicionais tão zelosos de usa própria liberdade.

A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas entre os Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão estar seguros de manter os seus cidadãos na ignorância de suas manobras. Porque enquanto houver pessoas dispostas a fazer leaks e uma internet povoada por wikis surgirão novas gerações de wikileaks.
Manuel Castells, em texto publicado no jornal La Vanguardia de 11 de Dez. de 2010

Quem tem medo do Wikileaks? (texto de Manuel Castells)

“Uma organização de comunicação livre, assente no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta neste momento aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o facto de que as suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos”
Manuel Castells

Quem tem medo do Wikileaks ?
(texto de Manuel Castells, publicado no jornal La Vanguardia, em 30/11/2010)

Tinha que acontecer. Há tempo os governos estão preocupados com sua perda de controle da informação no mundo da internet. Já estavam incomodados com a liberdade de imprensa. Mas haviam aprendido a conviver com os meios de comunicação tradicionais. Ao contrário, o ciberespaço, povoado de fontes autónomas de informação, é uma ameaça decisiva a essa capacidade de silenciar sobre a qual a dominação sempre se fundou. Se não sabemos o que está acontecendo, mesmo que teimamos, os governantes têm as mãos livres para roubar e amnistiar-se mutuamente, como na França ou na Itália, ou para massacrar milhares de civis e dar livre curso à tortura, como fizeram os Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão.

Os ataques contra o Wikileaks não questionam a a veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação com o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e cidadãos. Por isso o alarme das elites políticas e mediáticas diante da publicação de centenas de milhares de documentos originais incriminatórios para os poderes fáticos nos Estados Unidos e em muitos outros países por parte do Wikileaks. Trata-se de um meio de comunicação pela internet, criado em 2007, publicado pela fundação sem fins lucrativos registrada legalmente na Alemanha, mas que opera a partir da Suécia. Conta com cinco empregados permanentes, cerca de 800 colaboradores ocasionais e centenas de voluntários distribuídos por todo o mundo: jornalistas, informáticos, engenheiros e advogados, muitos advogados para preparar sua defesa contra o que sabiam que lhes aconteceria.

O seu orçamento anual é de cerca de 300 milhões de euros, fruto de doações, cada vez mais confidenciais, mesmo que algumas sejam de fontes como a Associated Press. Foi iniciado por parte de dissidentes chineses com apoios em empresas de internet de Taiwan, mas pouco a pouco recebeu o impulso de activistas de internet e defensores da comunicação livre unidos numa mesma causa global: obter e divulgar a informação mais secreta que governos, corporações e, às vezes, meios de comunicação ocultam dos cidadãos. Recebem a maior parte da informação pela internet, mediante o uso de mensagens encriptadas com uma avançadíssima tecnologia de encriptação cujo uso é facilitado àqueles que querem enviar a informação seguindo seus conselhos, ou seja, desde cibercafés ou pontos quentes de Wi-Fi, o mais longe possível de seus lugares habituais. Aconselham não escrever a nenhum endereço que tenha a palavra wiki, mas utilizar outras que disponibilizam regularmente (tal como http://destiny.mooo.com). Apesar do assédio que receberam desde a sua origem, foram denunciando corrupção, abusos, tortura e matanças em todo o mundo, desde o presidente do Quénia até a lavagem de dinheiro na Suíça ou as atrocidades nas guerras dos Estados Unidos.

Receberam numerosos prémios internacionais de reconhecimento pelo seu trabalho, incluindo os do The Economist e da Amnistia Internacional. É precisamente esse crescente prestígio de profissionalismo que preocupa o poder. Porque a linha de defesa contra as webs autónomas na internet é negar-lhes credibilidade. Mas os 70.000 documentos publicados em Julho sobre a guerra do Afeganistão ou os 400.000 sobre o Iraque divulgados agora, são documentos originais, a maioria procedentes de soldados norte-americanos ou de relatórios militares confidenciais. Em alguns casos, filtrados por soldados e agentes de segurança norte-americanos, três dos quais estão presos. O Wikileaks tem um sistema de verificação que inclui o envio de repórteres seus ao Iraque, onde entrevistam sobreviventes e consultam arquivos.

De fato, os ataques contra o Wikileaks não questionam sua veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação, sob o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e de cidadãos. A resposta do Wikileaks: os nomes e outros sinais de identificação são apagados e são divulgados documentos sobre fatos passados, de modo que é improvável que possam colocar em perigo operações actuais. Mesmo assim, Hillary Clinton condenou a publicação sem comentar a ocultação de milhares de mortos civis e as práticas de tortura revelados pelos documentos. Nick Clegg, o vice-primeiro-ministro britânico, ao menos censurou o método, mas pediu uma investigação sobre os fatos.

Mas o mais extraordinário é que alguns meios de comunicação estão colaborando com o ataque que os serviços de inteligência lançaram contra Julian Assange, diretor do Wikileaks. Um comentário editorial da Fox News chega inclusive a cogitar o seu assassinato. E mesmo sem ir tão longe, John Burns, no The New York Times, procura mesclar tudo num nevoeiro sobre o personagem de Assange. É irónico que isso seja feito por este jornalista, bom colega de Judy Miller, a repórter do The Times que informou, consciente de que era mentira, a descoberta de armas de destruição em massa (veja-se o filme A zona verde).

Essa é a táctica mediática mais antiga: para que se esqueçam da mensagem, atacar o mensageiro. Nixon fez isso em 1971 com Daniel Ellsberg, que publicou os famosos papéis do Pentágono que expuseram os crimes no Vietnam e mudaram a opinião pública sobre a guerra. Por isso Ellsberg aparece em entrevistas colectivas ao lado de Assange.

Personagem de novela, o australiano Assange passou boa parte de seus 39 anos mudando de lugar desde criança e, usando seus dotes matemáticos, fazendo ativismo hacker para causas políticas e de denúncia. Agora está mais do que nunca na semiclandestinidade, movendo-se de um país para outro, vivendo em aeroportos e evitando países onde se procuram pretextos para prendê-lo. Por isso, foi aberto na Suécia, onde se encontra mais livre, um processo contra ele por violação, que logo foi negado pela juíza (releiam o começo do romance de Stieg Larsson e verão uma estranha coincidência). É o Partido Pirata da Suécia (10% dos votos nas eleições europeias) que está protegendo o Wikileaks, deixando seu servido central trancado em um refúgio subterrâneo à prova de qualquer interferência.

O drama apenas começou. Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos.

Wikiliquidação do Império? ( texto de Boaventura Sousa Santos)

A divulgação de centenas de milhares de documentos confidenciais, diplomáticos e militares, pela Wikileaks, acrescenta uma nova dimensão ao aprofundamento contraditório da globalização. A revelação, num curto período, não só de documentação que se sabia existir mas à qual durante muito tempo foi negado o acesso público por parte de quem a detinha, como também de documentação que ninguém sonhava existir, dramatiza os efeitos da revolução das tecnologias de informação e obriga a repensar a natureza dos poderes globais que nos (des)governam e as resistências que os podem desafiar. O questionamento deve ser tão profundo que incluirá a própria Wikileaks: é que nem tudo é transparente na orgia de transparência que a Wikileaks nos oferece.

A revelação é tão impressionante pela tecnologia como pelo conteúdo. A título de exemplo, ouvimos horrorizados este diálogo: Good shooting. Thank you, enquanto caem por terra jornalistas da Reuters e crianças a caminho do colégio, ou seja, enquanto se cometem crimes contra a humanidade. Ficamos a saber que o Irão é consensualmente uma ameaça nuclear para os seus vizinhos e que, portanto, está apenas por decidir quem vai atacar primeiro, se os EUA ou Israel. Que a grande multinacional farmacêutica Pfizer, com a conivência da embaixada dos EUA na Nigéria, procurou fazer chantagem com o procurador-geral deste país para evitar pagar indemnizações pelo uso experimental indevido de drogas que mataram crianças. Que os EUA fizeram pressões ilegítimas sobre países pobres para os obrigar a assinar a declaração não oficial da Conferência da Mudança Climática de dezembro passado em Copenhaga, de modo a poderem continuar a dominar o mundo com base na poluição causada pela economia do petróleo barato. Que Moçambique não é um Estado-narco totalmente corrupto mas pode correr o risco de o vir a ser. Que no "plano de pacificação das favelas" do Rio de Janeiro se está a aplicar a doutrina da contrainsurgência desenhada pelos EUA para o Iraque e Afeganistão, ou seja, que se estão a usar contra um "inimigo interno" as táticas usadas contra um "inimigo externo".

Irá o mundo mudar depois destas revelações? Já sabíamos que os poderes políticos e económicos globais mentem quando fazem apelos aos Direitos Humanos e à democracia, pois que o seu objetivo exclusivo é consolidar o domínio que têm sobre as nossas vidas, não hesitando em usar, para isso, os métodos mais fascistas e violentos. Tudo está a ser comprovado, e muito para além do que os mais avisados poderiam admitir. O maior conhecimento cria novas oportunidades para mobilizações de cidadãos em defesa da democracia e da transparência. Mas também cria novas exigências de análise.

Há que distinguir entre a autenticidade dos documentos e veracidade do que afirmam. Por exemplo, que o Irão seja uma ameaça nuclear só é "verdade" para os maus diplomatas que, ao contrário dos bons, informam os seus governos sobre o que estes gostam de ouvir e não sobre a realidade dos factos. Do mesmo modo, que a tática norte-americana da contrainsurgência esteja a ser usada nas favelas é opinião do Consulado Geral dos EUA no Rio. Compete aos cidadãos interpelar o governo nacional, estadual e municipal sobre a veracidade desta opinião. Tal como compete aos tribunais moçambicanos averiguar a alegada corrupção no país. O importante é sabermos que muitas das decisões de que podem resultar a morte de milhares de pessoas e o sofrimento de milhões são tomadas com base em mentiras.

Por outro lado, será cada vez mais crucial fazermos o que chamo uma sociologia das ausências: o que não é divulgado quando aparentemente tudo é divulgado. Resulta muito estranho que Israel, um dos países que mais poderia temer as revelações devido às atrocidades que tem cometido contra o povo palestiniano, esteja tão ausente dos documentos confidenciais. Há a suspeita fundada de que foram eliminados por acordo entre Israel e Julian Assange. Isto significa que vamos precisar de uma wikileaks alternativa ainda mais transparente. Talvez já esteja em curso a sua criação.

Flashmob de protesto das mulheres pela paz contra os negócios entre Estados Unidos e Israel

Na acção realizada no Marriott Hotel, em Oakland, no passado dia 13 de Dezembro, foram detidas 7 activistas participantes da Flashmob de protesto e denúncia pela reunião do American Israel Public Affairs Committee naquele Hotel

Women for Peace




FlashMob contra a colaboração da Motorola com o Apartheid israelita



A acção foi realizada pelo St Louis Palestine Solidarity Committee (STL-PSC)

http://www.stl-psc.org