7.9.10

Contra os mega-agrupamentos e o encerramento de escolas


Face à decisão do actual Governo de encerrar 701 escolas e acelerar o processo de criação de mega-agrupamentos de escolas tem vindo a alastrar um pouco por todo o país um movimento de contestação e rejeição ao encerramento das escolas, o que significa o definhamento e a morte de aldeias e a imposição de sacrifícios às crianças e jovens que terão de se deslocar por vezes para bem longe dos seus locais de residência. Mas o próprio modelo de gestão das escolas por meio da criação dos mega-agrupamentos não deixa de ser alvo de críticas duras por importantes sectores sociais que não descortinam benefícios com a criação destas estruturas administrativo-pedagógicas, nada recomendáveis pelos bons princípios pedagógicos, e modelo esse que está a ser revisto e substituído em muitos outros países que tinham há anos atrás promovido a política dos mega-agrupamentos de escolas que só agora Portugal está a seguir.
Entretanto, a Fenprof emitiu o seguinte Comunicado:


«A forma como foi divulgada a lista de 701 escolas que, em princípio, já não abrirão em Setembro corresponde ao culminar de um processo marcado por uma atitude prepotente em que o desrespeito e a demagogia do ME e do Governo estiveram sempre presentes.

Fica claro, pela reacção de surpresa de diversos autarcas, que muitos municípios não deram o seu aval ao encerramento imposto e que, em inúmeros casos, as verbas que o governo transferirá ficam muito aquém do necessário. Exemplo disso, é o que já se conhece em Lamego, cuja câmara municipal terá de arcar com cerca de 80% da despesa acrescida com transportes.

Segundo o ME, as escolas a encerrar têm menos de 21 alunos, mas sabe-se que tal não corresponde à verdade. Só na região centro, mais de duas dezenas de estabelecimentos têm mais do que esse número de alunos.

Para que este processo fosse transparente – e não é! – a lista de escolas a encerrar deveria ter sido divulgada com diversos elementos que continuam a ser desconhecidos. Deveria, para além do nome da escola, ser referido o número de alunos, a taxa de insucesso verificada e a escola de acolhimento dos alunos. Isto, partindo-se do princípio de que, em todos os casos, havia acordo do respectivo município e dos pais, o que já se sabe não acontecer. Foram estes os dados que, há mais de dois meses, a FENPROF solicitou ao ME, mas, até hoje, não obteve resposta. Assim, em pleno mês de Agosto e a menos de 15 dias do início de um novo ano escolar, as direcções regionais de educação limitaram-se a informar quais as escolas que irão encerrar e nada mais, o que é manifestamente insuficiente.

Principais penalizadas com esta imposição, serão as mais de dez mil crianças que passarão, em Setembro a ter de frequentar outra escola, principalmente se não estiverem asseguradas deslocações de curta duração nas condições de segurança e conforto legalmente estabelecidas e se não houver uma resposta social adequada e de qualidade que assegure refeições gratuitas e ocupação dos tempos que medeiam entre o final das aulas e o regresso a casa.

Todo o discurso do ME em torno da qualificação do sistema e da promoção do sucesso, não passa de pura demagogia. Esta é uma medida que se enquadra na política economicista de um governo que decidiu encerrar serviços públicos, independentemente dos seus custos sociais e das consequências para o futuro de um país que, cada vez mais, assiste à desertificação de vastas zonas do território, como consequência desta política.

A FENPROF rejeita e reprova este encerramento de escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, cego e em massa, e estará atenta às condições de transporte e de acolhimento dos alunos deslocados. Por entender que decisões deste tipo exigem sempre um amplo consenso dentro da comunidade educativa, estará ao lado de quantos, por não terem sido ouvidos ou ter sido desrespeitada a sua posição, decidirem protestar e lutar contra o encerramento das escolas imposto pelo Governo.»

O Secretariado Nacional da FENPROF
19/08/2010

http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=399&doc=4966



Entretanto estão a multiplicar-se as tomadas de posiçao dos mais variados sectors ( professores, pais, câmaras municipais, políticos, sindicatos, etc) contra a implementação artificial dos mega-agrupamentos de escolas. Para ver apenas uma amostra dessas críticas, consultar:

http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=399&mid=115



Ao contrário do que se está a passar presentemente em Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas
!

A criação de grandes agrupamentos escolares que irá começar a tomar forma em Portugal no próximo ano lectivo está em queda noutros países, que já viveram a experiência e tiveram maus resultados.

Os novos agrupamentos, que juntam várias escolas sob uma mesma direcção, terão uma dimensão média de 1700 alunos, se bem que p número limite fixado foi de três mil estudantes !!!

Um estudo elaborado há uns anos pelo EPPI-Centre, de Londres, com base nas experiências dos países da OCDE, concluía que os alunos tendem a sentir-se menos motivados nas escolas maiores e que os professores se sentem menos felizes com o ambiente vivido nestas.

Na Finlândia, quase não existem escolas com menos de 21 alunos, mas 40 por cento têm menos de 50 estudantes e são apenas três por cento as que vão além dos 600. Outra norma obrigatória: para chegar à sua escola, as crianças não podem ser obrigadas a deslocar-se mais do que cinco quilómetros. Por cá, serão cada vez mais os alunos que terão de percorrer uma distância quatro vezes superior a esta


Excertos de um texto publicado sobre o assunto no jornal Público

A Insurreição que vem, do comité invisível, já tem tradução em português nas edições antipáticas


Está já disponível graças às Edições Antipáticas a tradução para português do livro L´Insurrection qui vient do colectivo francês Comité Invisible e que foi oriiginalmente editado pelas Editions La Fabrique

“Este livro é assinado com o nome de um colectivo imaginário. Os seus redactores não são os seus autores. Limitaram-se a pôr um pouco de ordem nos lugares-comuns da época, naquilo que se sussurra nas mesas dos bares, por detrás das portas fechadas dos quartos. Não fizeram mais do que fixar as verdades necessárias, cujo recalcamento universal enche os hospitais psiquiátricos e os olhares de mágoa. Fizeram-se escribas da situação. É um privilégio das circunstâncias radicais que o rigor conduza logicamente à revolução. Basta falar daquilo que temos à frente dos olhos e não nos esquivarmos às conclusões.”


O livro integral em ficheiro PDF: AQUI
http://fr.wikipedia.org/wiki/L

Como se faz um povo - seminário em Lisboa no dia 8 de Setembro com Tony Negri


SEMINÁRIO - Como se Faz um povo
MUSEU DA ELECTRICIDADE
Avenida Brasília Central Tejo
1300-598 LISBOA
8 SET - 08 SET 2010

Como se Faz um Povo é o tema de um Seminário integrado na exposição “Povo-People”, que se realiza a poucos dias do encerramento da exposição, é a oportunidade para apresentar e discutir os resultados dos trabalhos realizados e dar início a futuros debates.

Com:
António Guerreiro
Antonio Negri
Bruno Peixe Dias
Diana Andringa
Fernando Oliveira Baptista
João Pinharanda
José Manuel dos Santos
José Neves
Manuela Ribeiro Sanches
Nuno Nabais


PROGRAMA

10h15 Recepção dos inscritos

10h30 VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO
Com João Pinharanda e José Manuel dos Santos, respectivamente comissário artístico e comissário coordenador da exposição.

11h30 Debate: A HISTÓRIA E O POVO
Trinta e dois investigadores, entre os quais historiadores, antropólogos e sociólogos, realizaram trabalhos em torno das representações e práticas populares na História Contemporânea de Portugal. Esses trabalhos são ponto de partida para um debate que contará com as intervenções de Fernando Oliveira Baptista e de Manuela Ribeiro Sanches, assim como dos autores que participaram no livro Como se Faz um Povo – Ensaios em História Contemporânea de Portugal. A moderação do debate estará a cargo de José Neves, coordenador do livro e comissário científico da exposição.

Intervalo de Almoço

15h Conversa: O POVO FILMADO
A exposição “Povo-People” implicou um trabalho de pesquisa em arquivos de imagens em movimento que, do documentário à televisão, permitisse dar conta da história das práticas populares a nível da política, do trabalho ou dos lazeres, e de caminho permitisse questionar as mudanças nos modos de filmar o povo. Esse trabalho é o mote para uma conversa com Diana Andringa, comissária da exposição para o audiovisual e coordenadora da equipa que realizou os filmes.

16h15 Debate: A POLÍTICA DOS MUITOS
Na sua dimensão política, a palavra povo convoca o debate em torno dos sujeitos colectivos. A partir do livro A Política dos Muitos – Povo, Classes e Multidão, que reúne textos de autores como Eric Hobsbawm, Michel Foucault, Giorgio Agamben, Antonio Negri ou Jacques Rancière, António Guerreiro e Nuno Nabais intervêm num debate moderado por Bruno Peixe Dias, organizador do livro, juntamente com José Neves.

18h15 Conferência de Encerramento: ANTONIO NEGRI – ENTRE POVO E MULTIDÃO, O COMUM.
Nascido em Pádua em 1933, Antonio Negri é autor de inúmeros livros, tendo publicado recentemente Commonwealth. Com este livro, e depois de Império, uma das obras políticas que alcançou maior impacto no novo século, e de Multidão, Negri completou uma trilogia escrita em parceria com Michael Hardt e na qual os dois autores procuram construir uma nova gramática política, reactualizando experiências políticas e sociais dos anos 60 e 70 à luz dos actuais processos de globalização. Com tradução simultânea.


*Lotação limitada
Inscrições em:
fundacaoedp@edp.pt
210028130

BIOS
António Guerreiro é crítico literário e tradutor. Escreve semanalmente no semanário Expresso. Encontra-se a realizar uma tese de doutoramento na Faculdade de Letras sobre Walter Benjamin.

Antonio Negri é um investigador independente e autor de uma vasta obra, na qual se destacam a recente trilogia escrita com Michael Hardt (Empire, Multitude e Commonwealth), os estudos sobre Maquiavel, Espinosa e Marx, e os textos políticos dos anos 60 e 70

Bruno Peixe Dias é investigador da Númena – Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.

Diana Andringa é jornalista e autora de vários documentários, o mais recente dos quais Tarrafal.

Fernando Oliveira Baptista é professor no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e autor de vários livros sobre sociologia e economia rurais, entre os quais A Política Agrária do Estado Novo.

João Pinharanda é professor na Universidade Autónoma de Lisboa, consultor artístico da Fundação EDP e foi Director Artístico do Museu de Arte Contemporânea de Elvas, entre 2007 e 2010. Tem publicado vários textos sobre a História da Arte em Portugal.

José Manuel dos Santos é director cultural da Fundação EDP, colunista do jornal Expresso e Comissário Coordenador da Exposição “Povo-People”.

José Neves é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto de História Contemporânea da mesma universidade. É autor de Comunismo e Nacionalismo em Portugal – Política, Cultura e História no Século XX.

Manuela Ribeiro Sanches é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigadora no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Recentemente organizou o volume Portugal não é um país pequeno. Contar a Império na pós-colonialidade.

Nuno Nabais é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do Centro de Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa. É fundador e coordenador da Fábrica de Braço de Prata e autor de A Metafísica do Trágico. Estudos sobre Nietzsche.


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EXPOSIÇÃO POVO - People
A Fundação EDP associa-se às comemorações do Centenário da República com a exposição internacional POVO - People.

A pergunta, «O que é o povo?» serviu de linha orientadora a esta exposição que propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO.

o povo é sereno; o povo é quem mais ordena; ganharás o pão com o suor do teu rosto; casas do povo; se isto não é o povo, onde é que está o povo? ; queres fiado, toma… são alguns dos slogans e dizeres que grafitam os espaços do Museu da Electricidade, nos quais se exploram arquivos de som e de imagem, obras de pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e cinema, textos literários, memórias e testemunhos populares e eruditos. Através do recurso a novas tecnologias, a exposição assume as características de uma «instalação» em permanente interactividade com o PÚBLICO – POVO. A Kameraphoto, colectivo de fotógrafos independentes, foi convidada a criar um mural dinâmico de fotografia.

POVOpeople oferece enquadramento para um projecto editorial, em parceria com a Tinta da China Edições, que se traduz no lançamento de três livros:

– Como se faz um povo Ensaios originais de investigadores portugueses acerca das práticas e representações populares, com apresentação de José Neves.

– A política dos muitos Antologia de textos teóricos de autores universais sobre os temas dos sujeitos colectivos (do POVO às «massas», entre outros).

– O que é o povo? Respondem… depoimentos de artistas, políticos, empresários, gestores, jornalistas e desportistas a propósito do conceito de POVO. À pergunta colocada respondem, entre outros, Aníbal Cavaco Silva, Frei Bento Domingos, Eduardo Lourenço, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Soares, Paulo Teixeira Pinto, Vasco Graça Moura. Para além dos 40 depoimentos recolhidos, esta publicação contará com a participação de conceituados ilustradores. São eles Alice Geirinhas, João Fonte Santa, Henrique Cayatte, Luís Afonso e Cristina Sampaio.


A equipa de comissários reúne José Manuel dos Santos, Director Cultural da Fundação EDP (coordenação), José Neves, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (comissariado científico), Diana Andringa (comissária para o audiovisual), e João Pinharanda, historiador e crítico de arte (comissariado artístico).
Destinados a vários públicos e envolvendo diversas abordagens, este momentos serão essenciais para entender do que se fala quando se fala de POVO. E, é claro, para perceber melhor a forma como esta exposição pretende que façamos a viagem pelos múltiplos sentidos deste conceito e da palavra que o nomeia.

6.9.10

O astrofísico Stephen Hawking é peremptório: deus não criou o universo



No seu novo livro, o astrofísico Stephen Hawking defende que não há lugar para Deus nas teorias do universo e que este é fruto de um feliz acaso

"Não há lugar para Deus nas teorias da criação do universo." A frase contundente aparece no novo livro do físico Stephen Hawking, The Grand Design, em que o britânico defende que é provável que o universo tenha nascido do nada.

Apesar de um dia ter afirmado que a existência de um criador não era incompatível com a ciência, na sua nova obra – a ser lançada na quinta-feira - o físico mais famoso da Grã-Bretanha e de todo o mundo conclui que o big bang é uma consequência inevitável das leis da física e nada mais.

"A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo", afirma Hawking no livro, explicando que o universo não precisou de um deus para ser criado, ao contrário daquilo em que acreditava Sir Isaac Newton, que defendia que o universo não poderia ter nascido apenas do caos.
"Isto faz parte das coincidências da nossa condição planetária - um único Sol, a feliz combinação na distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - menos notável e muito menos convincente do que a Terra foi cuidadosamente desenhada apenas para agradar aos humanos", argumentou, citando a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbitava uma estrela além do Sol. "Por haver uma lei como a da gravidade, o universo pode e irá criar-se do nada", acrescentou.

Para Stephen Hawking, a "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar".

O livro The Grand Design foi co-escrito com o físico norte-americano Leonard Mlodinow e é aguardado com expectativa pela comunidade científica. Em 1988, ano em que saiu o seu best-seller Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking parecia aceitar o papel de Deus na criação do universo: "Se descobrirmos uma teoria completa, esse será o derradeiro triunfo da razão humana - e por isso devemos conhecer a mente de Deus", escreveu na altura.


Sapatos e Ovos contra o criminoso de guerra Tony Blair em visita a Dublin








Entrevista à activista Kate O'Sullivan que no passado dia 4 de Setembro tentou deter Tony Blair, quando este compareceu ao lançamento de um seu livro numa livraria em Dublin. Infelizmente a polícia irlandesa preferiu deter temporariamente aquela cidadã em vez de prender o reconhecido crimioso de guerra ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair.


Lisboa precisa de espaços autónomos


A gentrificação e a especulação imobiliária, levando ao aumento das rendas, constituem uma das principais ameaças a projectos emancipatórios que constroem alternativas ao capitalismo. A cidade de Lisboa é vítima destes processos, preenchendo-se cada vez mais com escritórios, bancos, sedes de grandes empresas e condomínios privados. Nos antípodas da cidade estéril e corporativa que os especuladores promovem encontram-se os espaços autónomos. Recentemente, Lisboa foi privada de vários espaços autónomos, tais como o Grémio Lisbonense, a Crew Hassan ou o Centro Social do GAIA na Mouraria. O despejo ou encerramento destes espaços constituem um ataque não só a quem desenvolve projectos nestes espaços, mas a também a todo o movimento social e cultural da cidade.

As geografias autónomas podem ser definidas como "espaços onde há um desejo de constituir uma forma de política, identidade e cidadania não-capitalista e colectiva, que se desenvolve a partir de uma combinação da resistência e criação e do questionamento e desafio das leis e normas sociais dominantes" (
http://www.autonomousgeographies.org/ ).

Estes espaços, fora da lógica especulativa do mercado, permitem e incentivam o confronto de ideias e a criação livre. São espaços onde os sonhos de cada um podem ser trabalhados, articulados e experimentados, sem o peso da burocracia e as limitações criadas pelo sistema monetário aos estratos sociais menos privilegiados.

A Câmara Municipal de Lisboa pouco ou nada tem feito para promover o uso de edifícios devolutos, os quais poderiam dinamizar a cidade quando transformados em espaços emancipatórios auto-geridos. Pelo contrário, tem apoiado a lógica da especulação imobiliária, como no caso do Grémio Lisbonense, onde foi complacente com as manipulações legais do proprietário para desalojar uma associação centenária com vista a instalar um hotel de luxo. Com Santana Lopes, construiu um parque de estacionamento para desalojar a Kasa Enkantada e com Carmona Rodrigues desalojou a okupa da rua do Passadiço.

Contudo, experiências recentes como a Severa, o Regueirão dos Anjos ou a Terra de Ninguém, bem como a
tentativa de encontrar um novo espaço para o Centro Social do GAIA, constituem exemplos de como, apesar das dificuldades, a mercadoria não consegue invadir todas as esferas da vida. Mesmo no seio da sociedade capitalista, é possível construir espaços onde os seus princípios são substituídos pela solidariedade, cooperação e horizontalidade entre pessoas.

Um pouco por todo o mundo, multiplicam-se as lutas em defesa dos espaços autónomos. Alguns casos incluem os centros sociais okupados
Køpi 137 em Berlim, ou o Can Masdeu em Barcelona, muitas das quais atingem dimensões transnacionais, num contexto global de luta contra a precariedade e contra a opressão dos movimentos sociais.

Fonte:
http://pt.indymedia.org/conteudo/editorial/2248


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GAIA Lisboa precisa de sede



O núcleo de Lisboa da associação GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) procura um novo espaço para a associação! Nos últimos três anos o GAIA contou com um espaço na Mouraria, alugado ao GDM (Grupo Desportivo da Mouraria), onde desenvolveu um projecto de um centro social e ambiental onde se desenvolveram diferentes actividades, abertas a todos: biblioteca, horta popular, jantares populares, grupo de teatro, núcleo de línguas, centro de explicações, filmes, debates, oficinas, educação ambiental, loja grátis, entre outros.

No entanto, com a recente mudança de direcção do GDM, o panorama alterou-se e a nova direcção diz que precisa de mais espaço para estender as modalidades desportivas, o que inclui recuperar as salas que o GAIA alugava, tal como o escritório, a sala de reuniões, a biblioteca e a loja grátis.

Assim sendo estamos à procura de um novo espaço para o GAIA, incluindo um escritório e, na situação ideal, um espaço mais amplo com condições para assegurar as actividades do GAIA. Estamos dispostos a negociar os requisitos deste espaço e estamos também abertos a partilhar espaços com outras associações, com vista a poupar recursos e ao mesmo tempo criar as sinergias necessárias para a construção de um movimento social mais forte.

Lisboa precisa de espaços sociais não formatados, de espaços livres para criar pensamento, modos de vida mais participativos, activos e justos. O GAIA pretende activar-se dentro destes espaços! Activa-te também: vem criar espaço livre!

Espalha a mensagem entre os teus contactos!


Para mais informações, contactar:
lisboa@gaia.org.pt

Activismo social através da convivialidade comensal: comida e política numa zona temporária vegana


Tese de Mestrado sobre Activismo social através da convivialidade comensal: comida e política numa zona temporária vegana (Activism through Commensality: Food and Politics in the Temporary Vegan Zone)

Para consultar a tese de Mestrado: ver AQUI


Excerto inicial de apresentação da tese escrita:

Os problemas actuais do sistema alimentar global de produção, distribuição e consumo industrial de carne e o seu impacto nocivo no meio ambiente levaram investigadores e instituições como a FAO a concluir que a ingestão de menos carne e a adopção de uma dieta alimentar vegetariana – ou mesmo «vegana»1 – reduziria o impacto das emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE).

Do ponto de vista temático, o presente estudo etnográfico/dissertação tem como base o trabalho de campo que efectuei em 2009, observando e participando, ao longo de quatro meses, nas actividades de um grupo de activistas ambientais sediado em Lisboa. O estudo teve como objecto o «Jantar Popular»2 (JP) que o GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, uma ONGA3 – faculta todas as quintas-feiras, à excepção do mês de Agosto.

Esta organização pretende a mudança social através de «acções directas», de que o JP é exemplo, propondo a alternativa de uma dieta alimentar «vegana» como estratégia política para contrariar as pressões do sistema alimentar global corporativo relativamente à nossa dieta alimentar. No JP, o GAIA encontrou a ferramenta perfeita para exercer activismo político através da comensalidade. Quando as pessoas comem juntas, comungam em torno da comida.
Ora, quando a comida servida se relaciona com as tendências económicas, políticas e sociais ao nível global, a refeição torna-se um ritual de consumo, o qual, por sua vez, se torna um acto político. Por outras palavras, durante o JP, o «comedor»4 estabelece laços e cria afinidades com os outros através da comida. Embora óbvia, nem sempre se tem consciência desta função de comensalidade, mas a verdade é que o mero acto de comer em conjunto é a ferramenta ideal para pôr em prática políticas alimentares ambientais.

Paralelamente, o JP torna-se uma Zona Vegana Temporária (ZVT), na senda da «communitas» de Victor Turner, ou seja, como lugar onde as pessoas podem transcender a sua experiência quotidiana da alimentação.

Em suma, esta dissertação aborda o Jantar Popular na sua vertente de refeição ritualizada em que a comida exprime as escolhas políticas e culturais em termos de dieta alimentar dos participantes, desenvolvendo e reforçando simultaneamente a noção de que estes comungam de uma mesma crença.

O termo «vegano/a», traduzido directamente do Inglês (vegan) refere-se a um estilo de vida e a uma dieta alimentar que implica o não consumo de produtos ou alimentos provenientes de animais vivos ou mortos (carne, lã, pele, mel, leite, ovos, por exemplo). Apesar de a palavra não ter sido ainda oficialmente adaptada à grafia e à fonética portuguesas, optou-se pelo termo que a organização objecto de estudo neste trabalho (GAIA) utiliza .

Marinaleda - Uma aldeia andaluza que é um modelo de cooperação e de autogestão contra todos os centralismos

Marinaleda = 2600 habitantes,
Marinaleda= 0 banqueiros
Marinaleda = 0 Promotores imobiliários
Marinaleda = 0 Especuladores
Marinaleda = 0 polícias
Marinaleda = 0 desempregados


O município de Marinaleda tem uma longa tradição de luta travada pelos jornaleiros rurais o que explica o actual modo de vida existente naquela comunidade andaluz.
Em Marinaleda não há desemprego, nem guarda municipal, nem muito menos pároco.
Marinaleda está governada desde 1979 pelo Colectivo de Unidad de los Trabajadores - Bloque Andaluz de Izquierdas (CUT), partido de esquerdas e andalucista. No ano de 1986 o CUT, juntamente com outras organizações, criaram a Izquierda Unida, movimento que desde então governa o municipio.

http://www.marinaleda.com/inicio.htm




Marinaleda - Uma aldeia andaluza que é um modelo cooperação e de autogestão
por Mohamed Belaali

"Avenida da Liberdade", "Rua Ernesto Che Guevara", "Praça Salvador Allende, "Paz, Pão e Trabalho", "Desliga a TV, acende a tua mente", "Uma utopia rumo à Paz", etc são os nomes de ruas, de praças e dos slogans de uma aldeia andaluza não longe de Córdoba e de Sevilha que o visitante estrangeiro descobre no fim de uma estrada sinuosa em meio a campos de oliveiras, de trigo cortado e seco ao sol.

A rua principal da pequena aldeia com cerca de 3000 habitantes conduz directamente ao ayuntamiento dirigido por Juan Manuel Sánchez Gordillo, que ganhou todas as eleições por uma ampla maioria e isto desde há mais de trinta anos.

Juan Manuel é um homem simples que recebe os visitantes no seu gabinete, que ostenta um grande retrato de Ernesto Che Guevara, espontaneamente e naturalmente sem agendamento nem protocolo. Ele não hesita em deixar o seu gabinete para mostrar as casas brancas situadas em frente ao edifício e construídas colectivamente pelos próprios habitantes em terras oferecidas quase gratuitamente (15,52 euros por mês) pela comuna. Esta põe igualmente à sua disposição a ajuda de um arquitecto e de um mestre-de-obras. A região contribui com o grosso do material de construção. Promotores imobiliários, especuladores e outros parasitas não têm aqui lugar. A habitação deixa assim de ser uma mercadoria e torna-se um direito.

Juan Manuel fala com entusiasmo e orgulho das numerosas realizações dos habitantes do seu município, com números e gráficos para confirmar.

O empregado do café "La Oficina", um pouco afastado do ayuntamiento, relativiza um pouco as afirmações daquele dirigente mas confirma, no essencial, os avanços sociais da aldeia, nomeadamente a concessão dos terrenos àquelas e àqueles que precisam de uma habitação, primeira preocupação dos espanhóis. Ele confirma também a ausência total da polícia, símbolo da repressão estatal. Com efeito, os habitantes não experimentam qualquer necessidade de recorrer aos seus "serviços". Aqui os problemas de criminalidade, de delinquência, de vandalismo, etc estão ausentes. Eles pensam gerir e resolver eles próprios os problemas que possam surgir entre si. De qualquer forma, desde a partida para a reforma do último polícia, não consideraram útil substituí-lo.

Frente ao "La Oficina" ergue-se um edifício sobre o qual se pode ler "Sindicato de Obreros del Campo" e "Casa da Cultura". Mas esta grande sala serve igualmente como café, bar e restaurante. É um lugar de inter-relacionamento, debates, festa e convivialidade. É ali também que se encontram, a partir da madrugada, os trabalhadores agrícolas para um pequeno-almoço colectivo antes de partirem juntos para uma jornada de trabalho de 6h30 nos campo de "El Humoso", a 11 quilómetros da aldeia.

Esta terra andaluza, hoje trabalhada colectivamente, é testemunha de um passado carregado de acções, ocupações, manifestações, greves, marchas e processos nos tribunais. E é graças a esta luta muito dura e realmente popular que esta terra (1200 hectares) foi arrancada a um aristocrata da região, o Duque do Infantado. Nesta Andaluzia profunda as mulheres, apesar dos pesos sociais e dos preconceitos, desempenharam um papel determinante neste combate para que a terra pertença àquelas e àqueles que a trabalham.

Hoje "estas terras não são a propriedade de ninguém e sim de toda a comunidade de trabalhadores", como dizem os habitantes da aldeia.

Mas para estes operários, não se trata apenas de recuperar as terras, mas também de construir "um projecto colectivo no qual um dos objectivos é a criação de empregos e a realização da justiça social".

Foi assim que nasceu o conjunto das cooperativas que produzem e distribuem uma série de produtos agrícolas de grande qualidade que exigem ao mesmo tempo uma mão-de-obra abundante: azeite, conservas de alcachofras, pimentão vermelho, favas, etc. Os produtores directos destas riquezas trabalham de 2ª feira a sábado com um remuneração diária de 47 euros, qualquer que seja o seu posto ou seu estatuto. O excedente que resta é re-investido na empresa comum na esperança de criar mais empregos e permitir assim que todos trabalhem conforme o seu projecto colectivo. Eles tentam por a economia ao serviço do homem e não ao serviço do lucro. O desemprego aqui é quase inexistente, ao passo que ultrapassa os 25% da população activa na Andaluzia e 20% em toda a Espanha!

Em "El Humoso" as operárias e os operários falam com uma certa emoção da sua cooperativa, do seu trabalho, dos seus produtos, da solidariedade e da convivialidade que reinam entre eles. Mas evocam igualmente o temor de ver a sua unidade estalar por causa dos seus inimigos que pensam ser numerosos na região e mesmo em toda Espanha. Nos seus relatos revela-se muita convicção e muita humanidade.

Manolo, um operário da cooperativa, fala com carinho, como se se tratasse de uma pessoa, da máquina de extrair o azeite da azeitona, de que ele cuida. Não hesita em explicar o seu funcionamento, a manutenção de que precisa, etc a todos os visitantes. Fala igualmente com respeito do seu companheiro de luta, o presidente Juan Manuel que considera como "el ultimo" desta categoria de homens capazes de arrostar um tal desafio e de conjugar num mesmo movimento pensamento e prática. Manolo evoca também a vida ascética do autarca da aldeia, as prisões e as perseguições judiciais que sofreu e o atentado do qual escapou. Com insistência, Manolo convida o visitante a retornar à cooperativa no mês de Dezembro ou Janeiro para admirar o trabalho de extracção do azeite.

Mas na aldeia não há nem hotel nem pensão para uma eventual estadia. Entretanto, a municipalidade põe graciosamente à disposição dos visitantes pavilhões os quais podem igualmente, se quiserem, partilhar o alojamento de alguns habitantes por uma quantia simbólica como em casa de António na avenida principal da aldeia. António acolhe calorosamente seus convidados com os quais gosta de falar da originalidade da sua aldeia e parece feliz por viver ali: "agora, dizia ele, vivemos em harmonia aqui".

Vivem igualmente em harmonia com os habitantes da aldeia os trabalhadores imigrdos, também eles contratados pela cooperativa de "El Humoso". Segundo diz o empregado do café da delegação sindical estes homens e mulheres fazem parte integrante da comunidade dos trabalhadores e participam como os outros nas decisões tomadas em assembleias-gerais. Com efeito, estas famosas assembleias fazem-se numa grande sala junto à delegação sindical onde ao lado das cadeiras brancas de plástico há toda espécie de louça e de toalhas armazenadas, provavelmente à espera de uma próxima festa popular. A sala é também ornamentada por um imenso e esplêndido quadro no qual se podem ver homens e mulheres em linhas cerradas antecedidos por dois homens e uma mulher com uma criança nos braços, todos a marcharem para a mesma direcção. "Hoje às 20h30, assembleia-geral na delegação sindical", diz a menagem difundida incansavelmente por uma camioneta que percorre todas as ruas da aldeia, convidando os habitantes à reunião para decidir os seus assuntos.

Eles organizam também os chamados "Domingos vermelhos" em que voluntários encarregam-se gratuitamente, entre outras coisas, de limpar e embelezar a sua comuna: manutenção dos passeios e jardins públicos, plantação de árvores, etc. A aldeia é não só uma das mais seguras como também a mais limpa da região!

A aldeia é relativamente rica em equipamentos colectivos em comparação com as comunas vizinhas. Os habitantes podem banhar-se durante todo o Verão na piscina municipal pela módica quantia de três euros. O infantário para crianças não lhes custa senão 12 euros por mês, refeições incluídas. O complexo desportivo "Ernesto Che Guevara", bem conservado, permite-lhes que pratiquem vários desportos como futebol, ténis ou atletismo.

Durante o Verão, os habitantes assistem regularmente à projecção de filmes ao ar livre no parque natural. Debates, conferências, filmes e apoio aos povos oprimidos, nomeadamente aqueles que estão injustamente privados do seu território, fazem parte da vida cultural e política da aldeia. Juan Manuel usa muitas vezes, ostensivamente, o lenço palestino.

O desporto, a cultura, as festas etc são direitos abertos a todos, tal como o trabalho e a habitação. O desenvolvimento tanto material como intelectual de cada indivíduo é, aqui, a condição do desenvolvimento de todos.

Vá a Marinaleda ver e verificar a realidade desta "utopia". Vá ao encontro destes homens e destas mulheres admiráveis que conseguiram construir, graças ao seu trabalho diário e às suas convicções – e em meio a um oceano de injustiças, desgraças e servidão – uma sociedade diferente. O capitalismo, pelas suas crises repetitivas e o perigo que representa para o homem e a natureza, não tem futuro. O exemplo concreto e com êxito de Marinaleda mostra que uma outra sociedade é possível.
Fonte:

XXIV Festival da Poesia no Condado (4 de Setembro de 2010) em Salvaterra de Minho



http://www.scdcondado.org/index.htm



Poesia dita




XXIV Festival de poesia do Condado com música portuguesa

31.8.10

XXIV Festival da Poesia no Condado em Salvaterra de Minho (3 e 4 de Set.) sob o lema da defesa da língua galega e dos serviços públicos

O Festival da Poesia que se realiza anualmente em Salvaterra de Minho, na Galiza, junto a Monção, em Portugal, pretende unir festa e reivindicação social.
Nesta XXIV edição do Festival da poesia no Condado o lema é 'Língua e serviços em mao comum' , cuja escolha é justificada pelos ataques sucessivos contra a língua galega e os serviços públicos que se tem registado na Galiza.

Todos estes aspectos irão estar presentes durante o Festival da Poesia sob a forma de debates, de intervenções públicas, de poemas e canções.


PROGRAMA DO XXIV FESTIVAL DA POESIA NO CONDADO

3 E 4 DE SETEMBRO 2010 em SALVATERRA DE MINHO.

-Sexta-feira 3 de Setembro

19.30
Apertura de exposiçons
COVAS DE DONA URRACA / CASA DO CONDE

Pintura: monográficos do Zeca Afonso e do Che Guevara

20.15
Projecçom de Audiovisuais
COVAS DE DONA URRACA

22.30
Noite nas minas
COVAS DE DONA URRACA
Sonhos

23.30
Charanga
Caldo verde
e festa rachada



-Sábado 4 de Setembro

11.30
Passa-ruas
Gaiteiros e murga
Viagens no Comboio de baixa velocidade

12.30
Campionato de bilharda
Feira popular: colectivos e artesanato
ZONA DAS MURALHAS


13.00
Palestra com Colectivos Sociais
CASA DO CONDE

17.00
Festa Infantil
- Galiza Pulgas Circus
- Obradoiros
ZONA DAS MURALHAS

19.00
Audiovisual
COVAS DE DONA URRACA
Curtas premiadas no Festival de Cans

20.30
FESTIVAL POÉTICO-MUSICAL
ZONA DAS MURALHAS

- Apresenta: Berrobambán


POETAS PRESENTES

- Alicia Fernández
- Branca Novoneyra
- Carlos Quiroga
- Carlos Negro
- Calros Solla
- David Rodríguez
- Elvira Riveiro
- Kiko Neves
- Laura Branco
- Samuel L. París
- Samuel Solleiro
- Tiago Gomes
- Xulia María


GRUPOS
- De outra margem
- Uxía
- Labregos do tempo dos Sputniks
- Os tres trebóns
- Afro-vungo (Tonecas Prazeres. S. Tomé, Principe)


Serviços

- Zona de campismo
- Duches


info@scdcondado.org

http://www.scdcondado.org

X Encontro Internacional de Pastores, Nómadas e Transumantes (3, 4 e 5 de Set.) em Guadalaviar (Teruel)

Os pastores da Baviera e da Colômbia vão encontrar-se em Guadalaviar ( Teruel) durante o X Encontro Internacional de Pastores, Nómadas e Transumantes que se realizará naquela localidade da Serra de Albarracin nos dias 3, 4 e 5 de Setembro.

A reunião desenrolar-se-á no Museu da Transumância, existente naquela localidade.



Para mais informação:

http://museodelatrashumancia.com/

http://www.pastos.org/


Transumância

The Hive, comunidade de permacultura sedeada na aldeia do Rossaio ( Colmeal, em Góis) recebe visitantes no seu dia aberto ( 4 de Setembro)

O próximo 4 de Setembro vai ser o dia aberto na Comunidade de Permacultura The Hive, sedeada na aldeia do Rossaio, perto da aldeia do Colmeal, concelho de Góis, na região do Centro de Portugal

Todos os interessados em conhecer e visitar a comunidade e saber alguma coisa mais sobre os seus princípios e funcionamento serão bem-vindos


http://www.thehiveportugal.org/

O que é a Comunidade The Hive

The Hive is an egalitarian collective, based upon consensus decision-making, and recognising the need for, and beauty of, individual and collective responsibility for action in agriculture, arts, design and politics


The Hive is based upon permaculture principles of:

* The recognition that all that we do affects the environment
* Working with nature rather than against nature
* The problem is the solution; transforming challenges into opportunities
* Taking small steps to create big changes

Objectivos da Comunidade The Hive

* To get first hand experience of permaculture design and organic growing
* To get into the countryside
* To make contact with other people in the permaculture movement
* To form links and foster understanding between city and rural dwellers
* To facilitate inter-cultural understanding between people of different nationalities
* To form links with social justice and environmental networks and campaigns


A desuniversidade ( texto de Boaventura Sousa Santos)

O processo de Bolonha — a unificação dos sistemas universitários europeus com vista a criar uma área europeia de educação superior — tem sido visto como a grande oportunidade para realizar a reforma da universidade europeia. Penso, no entanto, que os universitários europeus terão de enfrentar a seguinte questão: o processo de Bolonha é uma reforma ou uma contra-reforma?

A reforma é a transformação da universidade que a prepare para responder criativamente aos desafios do século XXI, em cuja definição ela activamente participa. A contra-reforma é a imposição à universidade de desafios que legitimam a sua total descaracterização, sob o pretexto da reforma. A questão não tem, por agora, resposta, pois está tudo em aberto. Há, no entanto, sinais perturbadores de que as forças da contra-reforma podem vir a prevalecer. Se tal acontecer, o cenário distópico terá os seguintes contornos.

Agora que a crise financeira permitiu ver os perigos de criar uma moeda única sem unificar as políticas públicas, a política fiscal e os orçamentos do Estado, pode suceder que, a prazo, o processo de Bolonha se transforme no euro das universidades europeias. As consequências previsíveis serão estas: abandonam-se os princípios do internacionalismo universitário solidário e do respeito pela diversidade cultural e institucional em nome da eficiência do mercado universitário europeu e da competitividade; as universidades mais débeis (concentradas nos países mais débeis) são lançadas pelas agências de rating universitário no caixote do lixo do ranking, tão supostamente rigoroso quanto realmente arbitrário e subjectivo, e sofrerão as consequências do desinvestimento público acelerado; muitas universidades encerrarão e, tal como já está a acontecer a outros níveis de ensino, os estudantes e seus pais vaguearão pelos países em busca da melhor ratio qualidade/preço, tal como já fazem nos centros comerciais em que as universidades entretanto se terão transformado.

O impacto interno será avassalador: a relação investigação/docência, tão proclamada por Bolonha, será o paraíso para as universidades no topo do ranking (uma pequeníssima minoria) e o inferno para a esmagadora maioria das universidades e universitários. Os critérios de mercantilização reduzirão o valor das diferentes áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.

Os gestores universitários serão os primeiros a interiorizar a orgia classificatória, objectivomaníaca e indicemaníaca; tornar-se-ão exímios em criar receitas próprias por expropriação das famílias ou pilhagem do descanso e da vida pessoal dos docentes, exercendo toda a sua criatividade na destruição da criatividade e da diversidade universitárias, normalizando tudo o que é normalizável e destruindo tudo o que o não é.

Os professores serão proletarizados por aquilo de que supostamente são donos — o ensino, a avaliação e a investigação — zombies de formulários, objectivos, avaliações impecáveis no rigor formal e necessariamente fraudulentas na substância, workpackages, deliverables, milestones, negócios de citação recíproca para melhorar os índices, comparações entre o publicas-onde-não-me-interessa-o-quê, carreiras imaginadas como exaltantes e sempre paradas nos andares de baixo.

Os estudantes serão donos da sua aprendizagem e do seu endividamento para o resto da vida, em permanente deslize da cultura estudantil para cultura do consumo estudantil, autónomos nas escolhas de que não conhecem a lógica nem os limites, personalizadamente orientados para as saídas do desemprego profissional. O serviço da educação terciária estará finalmente liberalizado e conforme às regras da Organização Mundial do Comércio.

Nada disto tem de acontecer, mas para que não aconteça é necessário que os universitários e as forças políticas para quem esta nova normalidade é uma monstruosidade definam o que tem de ser feito e se organizem eficazmente para que seja feito. Será o tema da próxima crónica.


Fonte:

Teoria Política ( workshop sobre anarquismo na Manchester Metropolitan University, 1 a 3 de Set.)


Integrado num vasto conjunto de workshops sobre teoria política a realizar na Universidade Metropolitana de Manchester entre os dias 1 e 3 de Setembro está previsto um workshop sobre anarquismo sob a organização do prof. Alex Prichard ( fundador da Anarchist Studies Network) onde serão apresentadas e discutidas as seguintes comunicações:

Alex Prichard: ‘Proudhon: The Lost Prophet of Paris’
Joan Rapp: ‘Neo-anarchism and the state in the People’s Republic of China’
Matt Wilson: ‘Prefiguration and Anarchist Theory’
Ruth Kinna: ‘Title TBC’
Alexandre Christoyannopoulos: ‘Tolstoy’s Approach to Christianity’


Workshops in Political Theory 2010
Seventh Annual Conference September 1st - 3rd 2010

Following another successful sixth annual Workshops held in Manchester, September 2009, at which a hundred and fifty papers were given by participants from over twenty countries, we are pleased to announce the details of this year's conference. These workshops reflect the wide diversity of interests and idioms within the discipline and give delegates plenty of time to discuss their papers in a relaxed setting as well as to attend other panels. There will be a conference web-site (www.hlss.mmu.ac.uk/politicaltheory ) where papers and conference details will be posted.

The workshops and convenors are as follows:

The Legitimacy of International Law
(Dean Machin, University of Warwick, D.J.Machin@warwick.ac.uk)

Democratic Public Reason In Practice
(Enrico Biale, UCL and University of Louvain, enrico.biale@uclouvain.be and
Valeria Ottonelli, University of Genoa, vottonel@nous.unige.it.

Green Political theory
(Corey MacIver, Nuffield College, Oxford, corey.maciver@nuffield.ox.a c.uk)

Radical Democracy
(Clare Woodford, University of Southampton, cmw202@soton.ac.uk)

Marxism
(Mark Cowling, University of Teesside, C.M.Cowling@tees.ac.uk)

Toleration and Respect: Concepts, Justifications and Applications
(Emanuela Ceva, University of Pavia, emanuela.ceva@unipv.it ,
Sune Laegaard, University of Copenhagen, laegaard@hum.ku.dk and
Federico Zuolo, University of Pavia, federico.zuolo@unipv.it

Global Justice and Collective Responsibility
(Avia Pasternak, University College, London, avia.pasternak@ucl.ac.uk)

British Idealism
(David Boucher, University of Cardiff, BoucherDE@cardiff.ac.uk)

Anarchism
(Alex Prichard University of Bristol, alprich@gmail.com)

Bacon and Hobbes
(Noel Boulting, nobossneb@clara.co.uk and
Brendan O'Byrne, Trinity College, Dublin, )

Just War Theory: Contemporary Failings and Challenges
(Peter Sutch, University of Cardiff, ilto:SutchP@cardiff.ac.uk">SutchP@cardiff.ac.uk and Graham Long, University of Newcastle, g.m.long@ncl.ac.uk)

The Idea of Friendship in Political Theory
(Derek Edyvane, University of Leeds, D.J.Edyvane@leeds.ac.uk and
Kerri Woods, University of York, kaw507@york.ac.uk.

The Political Thought of Antonio Gramsci: New Developments in Theory and Practice
(Mark Mcnally, University of Leeds, M.A.Mcnally@leeds.ac.uk)

Feminist Theory
(Becca Lawrence, University of Durham, 0becca.lawrence0@googlemail.com )

Political Theory and Animal Rights
(Rob Garner, University of Leicester, rwg2@leicester.ac.uk)

Fictional Accounts of Domination and Resistance
(Ian Fraser, Loughborough University, I.Fraser@lboro.ac.uk and
Larry Wilde, Nottingham Trent University, )

'Dirty Hands'
(Michael Neu, University of Sheffield, M.Neu@sheffield.ac.uk)
Classical and Modern Elite Theory
(Körösényi András, Eotvos University of Budapest, korosen@t-online.hu and
John Higley, University of Texas, jhigley@austin.utexas.edu)

The Historian and the Shaping of Political Ideology
(Aude Attuel-Hallade, University of Paris III-Sorbonne-NouvelleUniversity, audeattuel@yahoo.fr)

The organisers are:
Professor Joe Femia (School of Politics and Communication Studies, University of Liverpool,
femia@liv.ac.uk) and
Professor Jules Townshend (Department of Politics and Philosophy, Manchester Metropolitan University,
j.townshend@mmu.ac.uk )

Ciclo de Cinema em Bragança: As Vozes do Silêncio - Trás-os-Montes no Cinema e no Museu ( de 1 a 4 de Set.)


Decorrerá, entre os dias 1 e 4 de Setembro, no Museu do Abade de Baçal, em Bragança o ciclo de Cinema "As Vozes do Silêncio - Trás-os-Montes no Cinema e no Museu"

O ciclo As Vozes do Silêncio – Trás-os-Montes no Cinema e no Museu terá duas sessões diárias, uma à tarde (18h00), no espaço expositivo do Museu do Abade de Baçal, e outra à noite (22h00), ao ar livre, nos jardins do Museu. O acesso às sessões é gratuito.

Pretende-se com a amostra reunir um conjunto de filmes feitos na região de Trás-os-Montes.No total, serão oito filmes projectados no Museu do Abade Baçal.

No início de cada sessão, os filmes serão apresentados por António Preto (programador do ciclo) e pelos realizadores convidados, abrindo-se a discussão ao público no final de cada projecção.

O acesso às sessões é livre (entrada gratuita).

A mostra contará com as participações, já confirmadas, de Manoel de Oliveira, Noémia Delgado, Regina Guimarães e Saguenail, prevendo-se ainda a presença de Margarida Cordeiro e de Pedro Sena Nunes

As Vozes do Silêncio – Trás-os-Montes no Cinema e no Museu será, por isso, uma oportunidade única para ver "in loco" e na presença dos seus autores um conjunto significativo de filmes raramente apresentados em Trás-os-Montes. A restituição destes filmes – peças fundamentais na construção de um património imaginário transmontano – aos lugares onde foram realizados é levar o cinema onde este poucas vezes chega, mas também uma forma de descentralizar a oferta cultural e remar contra o estigma do isolamento. Será aínda um pretexto para promover um reencontro entre os filmes e os seus protagonistas, gentes e paisagens.

PROGRAMA

1 Setembro

18h00 – Sabores Regina Guimarães e Saguenail
Em resposta a uma encomenda específica da Escola Superior Agrária de Bragança para a realização de um documentário sobre os recursos ambientais da bacia hidrográfica do Alto Sabor, Regina Guimarães e Saguenail acabariam por produzir um filme centrado na paisagem transmontana e na mundividência e função político-cultural dos “guardadores de paisagens”. Estes, segundo o olhar resoluta e manifestamente exteriorizado dos autores, seriam dois dos principais pilares da riqueza patrimonial da região

22h00 – Máscaras Noémia Delgado
Rodado em Trás-os-Montes, poucos meses depois do 25 de Abril, entre o Natal de 1974 e Fevereiro de 1975, o filme Máscaras dá conta dos rituais dos “caretos”, “chocalheiros” e outros mascarados que, tanto no período do Natal como no do Carnaval, saem à rua nalgumas localidades da região transmontana.

2 Setembro

18h00 – Matar Saudades Fernando Lopes
A vinda de um emigrante à sua aldeia natal, em meados dos anos 80, serve a Fernando Lopes de pretexto para reflectir sobre as diferentes razões que a muitos obrigaram a sair do país, sobrea fidelidade às origens, sobre o desenraizamento e sobre a condição social de quem parte e de quem regressa, mas também para fazer um balanço do que foram algumas das modificações ocorridas em Portugal durante os primeiros dez anos de vivência democrática que se seguiram ao 25 de Abril.

22h00 – Acto da Primavera Manoel de Oliveira
Acto da Primavera, filme rodado entre 1961 e 1962, é a versão cinematográfica da preparação e representação de um auto popular pelos habitantes da Curalha, aldeia do concelho de Chaves, a partir de um texto escrito no século XVI por Francisco Vaz de Guimarães. O texto conta a história, por todos conhecida, da paixão de Cristo

3 Setembro

18h00 – Margens Pedro Sena Nunes
À borda das celebrações, mas no centro dos acontecimentos, o filme de Pedro Sena Nunes atravessa a inauguração de uma ponte que, em Chelas (Mirandela), passaria a ligar as margens do rio Tuela, para, paradoxalmente, produzir uma reflexão acerca do isolamento.


22h00 – Veredas João César Monteiro
Realizado na senda da Revolução de 1974, Veredas é uma longa descida pelo interior de Portugal.
Pelas suas paisagens naturais e sociais, pelas histórias, lendas e tradições, e por tudo o mais que, numa resoluta vontade de descentralização, João César Monteiro elege, a um tempo equiparando (na sua descoincidência) e diferenciando (na sua simultaneidade), como representações e retratos do país

4 Setembro

18h00 – Terra Fria António Campos
O filme é consequência de um cinema que, firmando uma vocação documentarista – ou, se preferirmos, etnocinematográfica (como se vê, por exemplo, no filme Falamos de Rio de Onor, de 1974), sempre tendeu para a ficção, naquilo que esta comporta de confronto directo com a realidade pré-existente. Rodado durante oito semanas do Inverno de 1991, em Padornelos (Montalegre), Terra Fria é baseado no romance-reportagem homónimo de Ferreira de Castro, escrito e situado nessa mesma aldeia.

22h00 – Ana António Reis e Margarida Cordeiro
Quase dez anos depois de Trás-os-Montes (1976), Ana é o segundo filme co-realizado por António Reis e Margarida Cordeiro, rodado como as restantes obras do casal no Nordeste Transmontano, entre Miranda do Douro e Bragança.

Concentração contra a expulsão dos ciganos ( dia 4 de Setembro às 15h.30 em frente à Embaixada de França em Lisboa)




Este Sábado, dia 4 de Setembro, realizar-se-á em França, um protesto contra a politica de expulsão étnica de Sarkozy. Segundo esta politica todos os indivíduos de etnia cigana , não franceses, vão ser repatriados para o País de origem de onde emigraram buscando melhores condições de vida. Infelizmente, nada tem impedido esta imposição Francesa e a mesma política está em vias de execução noutros países. Esta política e as medidas em curso são xenófoba e vão contra os direitos de livre circulação na Europa Sem Fronteiras.

A manifestação europeia em Paris é promovida pela União do Povo Cigano. O apelo que lançou conta já com o apoio de três dezenas de organizações sociais e partidos políticos franceses.
A manifestação, preparada cuidadosamente, deverá ser unitária não só dos ciganos europeus, mas de todas as forças democráticas comprometidas com o respeito dos direitos humanos», lê-se no apelo divulgado no site da organização


CONCENTRAÇÃO EM LISBOA

Em Portugal realiza-se uma concentração frente à embaixada francesa em Lisboa ( Calçada Marquês de Abrantes, nº 5, em Santos) no dia 4 Setembro, às 15h.30.


E no Porto também foi convocada uma concentração para a frente do Consulado francês ( Avenida da Boavista nº 1681) para a mesma hora.
Esta concentração acompanha a manifestação do mesmo dia, em Paris, convocada por muitas Associações de Direitos Humanos.

Em Portugal a Concentração, entre muitas outras pessoas, está a ser apoiada por:
Ass. Cigana de Braga
Ass. Cigana Canto e Dança Cigana (Porto)
Ass. Cigana de Coimbra
Ass. Cigana de Espinho
Ass. Cigana de Gondomar
Ass. Cigana de Matosinhos
Ass. Cigana Os Vikings (Porto)
Ass. Cigana Pedro Bacelar Vasconcelos (Braga)
Ass. Desportiva dos Ciganos do Porto
AMUCIP (Seixal)
APODEC (Lisboa)
Centro de Estudos Ciganos (F. da Foz)
Ciganos d’ Ouro
Gipsy Produções Ass. Cultural (Águeda)
Olho Vivo
Solim
SOS Racismo
Union Romani

Rábula anti-militarista de Raul Solnado sobre a guerra

Rábula anti-militarista de Raul Solnado sobre a guerra em que o maior humorista português diz a certo momento com a sua proverbial ironia:

«(…) o jornal trazia o anúncio da guerra. E diz a minha tia:
- Por que é que não aproveitas o emprego? A guerra é uma coisa muito boa, porque a gente mata, mata, mata, e nunca vai presa!!!...»






A ida à guerra de 1908 foi o primeiro grande êxito de Raúl Solnado, inspirado num sketch do espanhol Miguel Gila, e que foi adaptado por humorista português. É interpretado na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória em 1961. É depois editado em disco, em 1962, e bateu todos os recordes de vendas. Durante três anos, Solnado contou a história da sua ida à guerra, um monólogo que de forma irónica denunciava a guerra. Recorde-se que Portugal vivia em plena Guerra Colonial sob o regime fascista de Salazar e a censura impedia a liberdade de expressão