Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)
No seu novo livro, o astrofísico Stephen Hawking defende que não há lugar para Deus nas teorias do universo e que este é fruto de um feliz acaso
"Não há lugar para Deus nas teorias da criação do universo." A frase contundente aparece no novo livro do físico Stephen Hawking, The Grand Design, em que o britânico defende que é provável que o universo tenha nascido do nada.
Apesar de um dia ter afirmado que a existência de um criador não era incompatível com a ciência, na sua nova obra – a ser lançada na quinta-feira - o físico mais famoso da Grã-Bretanha e de todo o mundo conclui que o big bang é uma consequência inevitável das leis da física e nada mais.
"A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo", afirma Hawking no livro, explicando que o universo não precisou de um deus para ser criado, ao contrário daquilo em que acreditava Sir Isaac Newton, que defendia que o universo não poderia ter nascido apenas do caos.
"Isto faz parte das coincidências da nossa condição planetária - um único Sol, a feliz combinação na distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - menos notável e muito menos convincente do que a Terra foi cuidadosamente desenhada apenas para agradar aos humanos", argumentou, citando a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbitava uma estrela além do Sol. "Por haver uma lei como a da gravidade, o universo pode e irá criar-se do nada", acrescentou.
Para Stephen Hawking, a "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar".
O livro The Grand Design foi co-escrito com o físico norte-americano Leonard Mlodinow e é aguardado com expectativa pela comunidade científica. Em 1988, ano em que saiu o seu best-seller Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking parecia aceitar o papel de Deus na criação do universo: "Se descobrirmos uma teoria completa, esse será o derradeiro triunfo da razão humana - e por isso devemos conhecer a mente de Deus", escreveu na altura.
Entrevista à activista Kate O'Sullivan que no passado dia 4 de Setembro tentou deter Tony Blair, quando este compareceu ao lançamento de um seu livro numa livraria em Dublin. Infelizmente a polícia irlandesa preferiu deter temporariamente aquela cidadã em vez de prender o reconhecido crimioso de guerra ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair.
A gentrificação e a especulação imobiliária, levando ao aumento das rendas, constituem uma das principais ameaças a projectos emancipatórios que constroem alternativas ao capitalismo. A cidade de Lisboa é vítima destes processos, preenchendo-se cada vez mais com escritórios, bancos, sedes de grandes empresas e condomínios privados. Nos antípodas da cidade estéril e corporativa que os especuladores promovem encontram-se os espaços autónomos. Recentemente, Lisboa foi privada de vários espaços autónomos, tais como o Grémio Lisbonense, a Crew Hassan ou o Centro Social do GAIA na Mouraria. O despejo ou encerramento destes espaços constituem um ataque não só a quem desenvolve projectos nestes espaços, mas a também a todo o movimento social e cultural da cidade.
As geografias autónomas podem ser definidas como "espaços onde há um desejo de constituir uma forma de política, identidade e cidadania não-capitalista e colectiva, que se desenvolve a partir de uma combinação da resistência e criação e do questionamento e desafio das leis e normas sociais dominantes" (http://www.autonomousgeographies.org/ ).
Estes espaços, fora da lógica especulativa do mercado, permitem e incentivam o confronto de ideias e a criação livre. São espaços onde os sonhos de cada um podem ser trabalhados, articulados e experimentados, sem o peso da burocracia e as limitações criadas pelo sistema monetário aos estratos sociais menos privilegiados.
A Câmara Municipal de Lisboa pouco ou nada tem feito para promover o uso de edifícios devolutos, os quais poderiam dinamizar a cidade quando transformados em espaços emancipatórios auto-geridos. Pelo contrário, tem apoiado a lógica da especulação imobiliária, como no caso do Grémio Lisbonense, onde foi complacente com as manipulações legais do proprietário para desalojar uma associação centenária com vista a instalar um hotel de luxo. Com Santana Lopes, construiu um parque de estacionamento para desalojar a Kasa Enkantada e com Carmona Rodrigues desalojou a okupa da rua do Passadiço.
Contudo, experiências recentes como a Severa, o Regueirão dos Anjos ou a Terra de Ninguém, bem como a tentativa de encontrar um novo espaço para o Centro Social do GAIA, constituem exemplos de como, apesar das dificuldades, a mercadoria não consegue invadir todas as esferas da vida. Mesmo no seio da sociedade capitalista, é possível construir espaços onde os seus princípios são substituídos pela solidariedade, cooperação e horizontalidade entre pessoas.
Um pouco por todo o mundo, multiplicam-se as lutas em defesa dos espaços autónomos. Alguns casos incluem os centros sociais okupados Køpi 137 em Berlim, ou o Can Masdeu em Barcelona, muitas das quais atingem dimensões transnacionais, num contexto global de luta contra a precariedade e contra a opressão dos movimentos sociais.
O núcleo de Lisboa da associação GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) procura um novo espaço para a associação! Nos últimos três anos o GAIA contou com um espaço na Mouraria, alugado ao GDM (Grupo Desportivo da Mouraria), onde desenvolveu um projecto de um centro social e ambiental onde se desenvolveram diferentes actividades, abertas a todos: biblioteca, horta popular, jantares populares, grupo de teatro, núcleo de línguas, centro de explicações, filmes, debates, oficinas, educação ambiental, loja grátis, entre outros.
No entanto, com a recente mudança de direcção do GDM, o panorama alterou-se e a nova direcção diz que precisa de mais espaço para estender as modalidades desportivas, o que inclui recuperar as salas que o GAIA alugava, tal como o escritório, a sala de reuniões, a biblioteca e a loja grátis.
Assim sendo estamos à procura de um novo espaço para o GAIA, incluindo um escritório e, na situação ideal, um espaço mais amplo com condições para assegurar as actividades do GAIA. Estamos dispostos a negociar os requisitos deste espaço e estamos também abertos a partilhar espaços com outras associações, com vista a poupar recursos e ao mesmo tempo criar as sinergias necessárias para a construção de um movimento social mais forte.
Lisboa precisa de espaços sociais não formatados, de espaços livres para criar pensamento, modos de vida mais participativos, activos e justos. O GAIA pretende activar-se dentro destes espaços! Activa-te também: vem criar espaço livre!
Espalha a mensagem entre os teus contactos! Para mais informações, contactar: lisboa@gaia.org.pt
Tese de Mestrado sobre Activismo social através da convivialidade comensal: comida e política numa zona temporária vegana (Activism through Commensality: Food and Politics in the Temporary Vegan Zone)
Os problemas actuais do sistema alimentar global de produção, distribuição e consumo industrial de carne e o seu impacto nocivo no meio ambiente levaram investigadores e instituições como a FAO a concluir que a ingestão de menos carne e a adopção de uma dieta alimentar vegetariana – ou mesmo «vegana»1 – reduziria o impacto das emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE).
Do ponto de vista temático, o presente estudo etnográfico/dissertação tem como base o trabalho de campo que efectuei em 2009, observando e participando, ao longo de quatro meses, nas actividades de um grupo de activistas ambientais sediado em Lisboa. O estudo teve como objecto o «Jantar Popular»2 (JP) que o GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, uma ONGA3 – faculta todas as quintas-feiras, à excepção do mês de Agosto.
Esta organização pretende a mudança social através de «acções directas», de que o JP é exemplo, propondo a alternativa de uma dieta alimentar «vegana» como estratégia política para contrariar as pressões do sistema alimentar global corporativo relativamente à nossa dieta alimentar. No JP, o GAIA encontrou a ferramenta perfeita para exercer activismo político através da comensalidade. Quando as pessoas comem juntas, comungam em torno da comida.
Ora, quando a comida servida se relaciona com as tendências económicas, políticas e sociais ao nível global, a refeição torna-se um ritual de consumo, o qual, por sua vez, se torna um acto político. Por outras palavras, durante o JP, o «comedor»4 estabelece laços e cria afinidades com os outros através da comida. Embora óbvia, nem sempre se tem consciência desta função de comensalidade, mas a verdade é que o mero acto de comer em conjunto é a ferramenta ideal para pôr em prática políticas alimentares ambientais.
Paralelamente, o JP torna-se uma Zona Vegana Temporária (ZVT), na senda da «communitas» de Victor Turner, ou seja, como lugar onde as pessoas podem transcender a sua experiência quotidiana da alimentação.
Em suma, esta dissertação aborda o Jantar Popular na sua vertente de refeição ritualizada em que a comida exprime as escolhas políticas e culturais em termos de dieta alimentar dos participantes, desenvolvendo e reforçando simultaneamente a noção de que estes comungam de uma mesma crença.
O termo «vegano/a», traduzido directamente do Inglês (vegan) refere-se a um estilo de vida e a uma dieta alimentar que implica o não consumo de produtos ou alimentos provenientes de animais vivos ou mortos (carne, lã, pele, mel, leite, ovos, por exemplo). Apesar de a palavra não ter sido ainda oficialmente adaptada à grafia e à fonética portuguesas, optou-se pelo termo que a organização objecto de estudo neste trabalho (GAIA) utiliza .
O município de Marinaleda tem uma longa tradição de luta travada pelos jornaleiros rurais o que explica o actual modo de vida existente naquela comunidade andaluz. Em Marinaleda não há desemprego, nem guarda municipal, nem muito menos pároco. Marinaleda está governada desde 1979 pelo Colectivo de Unidad de los Trabajadores - Bloque Andaluz de Izquierdas (CUT), partido de esquerdas e andalucista. No ano de 1986 o CUT, juntamente com outras organizações, criaram a Izquierda Unida, movimento que desde então governa o municipio.
Marinaleda - Uma aldeia andaluza que é um modelo cooperação e de autogestão por Mohamed Belaali
"Avenida da Liberdade", "Rua Ernesto Che Guevara", "Praça Salvador Allende, "Paz, Pão e Trabalho", "Desliga a TV, acende a tua mente", "Uma utopia rumo à Paz", etc são os nomes de ruas, de praças e dos slogans de uma aldeia andaluza não longe de Córdoba e de Sevilha que o visitante estrangeiro descobre no fim de uma estrada sinuosa em meio a campos de oliveiras, de trigo cortado e seco ao sol.
A rua principal da pequena aldeia com cerca de 3000 habitantes conduz directamente ao ayuntamiento dirigido por Juan Manuel Sánchez Gordillo, que ganhou todas as eleições por uma ampla maioria e isto desde há mais de trinta anos.
Juan Manuel é um homem simples que recebe os visitantes no seu gabinete, que ostenta um grande retrato de Ernesto Che Guevara, espontaneamente e naturalmente sem agendamento nem protocolo. Ele não hesita em deixar o seu gabinete para mostrar as casas brancas situadas em frente ao edifício e construídas colectivamente pelos próprios habitantes em terras oferecidas quase gratuitamente (15,52 euros por mês) pela comuna. Esta põe igualmente à sua disposição a ajuda de um arquitecto e de um mestre-de-obras. A região contribui com o grosso do material de construção. Promotores imobiliários, especuladores e outros parasitas não têm aqui lugar. A habitação deixa assim de ser uma mercadoria e torna-se um direito.
Juan Manuel fala com entusiasmo e orgulho das numerosas realizações dos habitantes do seu município, com números e gráficos para confirmar.
O empregado do café "La Oficina", um pouco afastado do ayuntamiento, relativiza um pouco as afirmações daquele dirigente mas confirma, no essencial, os avanços sociais da aldeia, nomeadamente a concessão dos terrenos àquelas e àqueles que precisam de uma habitação, primeira preocupação dos espanhóis. Ele confirma também a ausência total da polícia, símbolo da repressão estatal. Com efeito, os habitantes não experimentam qualquer necessidade de recorrer aos seus "serviços". Aqui os problemas de criminalidade, de delinquência, de vandalismo, etc estão ausentes. Eles pensam gerir e resolver eles próprios os problemas que possam surgir entre si. De qualquer forma, desde a partida para a reforma do último polícia, não consideraram útil substituí-lo.
Frente ao "La Oficina" ergue-se um edifício sobre o qual se pode ler "Sindicato de Obreros del Campo" e "Casa da Cultura". Mas esta grande sala serve igualmente como café, bar e restaurante. É um lugar de inter-relacionamento, debates, festa e convivialidade. É ali também que se encontram, a partir da madrugada, os trabalhadores agrícolas para um pequeno-almoço colectivo antes de partirem juntos para uma jornada de trabalho de 6h30 nos campo de "El Humoso", a 11 quilómetros da aldeia.
Esta terra andaluza, hoje trabalhada colectivamente, é testemunha de um passado carregado de acções, ocupações, manifestações, greves, marchas e processos nos tribunais. E é graças a esta luta muito dura e realmente popular que esta terra (1200 hectares) foi arrancada a um aristocrata da região, o Duque do Infantado. Nesta Andaluzia profunda as mulheres, apesar dos pesos sociais e dos preconceitos, desempenharam um papel determinante neste combate para que a terra pertença àquelas e àqueles que a trabalham.
Hoje "estas terras não são a propriedade de ninguém e sim de toda a comunidade de trabalhadores", como dizem os habitantes da aldeia.
Mas para estes operários, não se trata apenas de recuperar as terras, mas também de construir "um projecto colectivo no qual um dos objectivos é a criação de empregos e a realização da justiça social".
Foi assim que nasceu o conjunto das cooperativas que produzem e distribuem uma série de produtos agrícolas de grande qualidade que exigem ao mesmo tempo uma mão-de-obra abundante: azeite, conservas de alcachofras, pimentão vermelho, favas, etc. Os produtores directos destas riquezas trabalham de 2ª feira a sábado com um remuneração diária de 47 euros, qualquer que seja o seu posto ou seu estatuto. O excedente que resta é re-investido na empresa comum na esperança de criar mais empregos e permitir assim que todos trabalhem conforme o seu projecto colectivo. Eles tentam por a economia ao serviço do homem e não ao serviço do lucro. O desemprego aqui é quase inexistente, ao passo que ultrapassa os 25% da população activa na Andaluzia e 20% em toda a Espanha!
Em "El Humoso" as operárias e os operários falam com uma certa emoção da sua cooperativa, do seu trabalho, dos seus produtos, da solidariedade e da convivialidade que reinam entre eles. Mas evocam igualmente o temor de ver a sua unidade estalar por causa dos seus inimigos que pensam ser numerosos na região e mesmo em toda Espanha. Nos seus relatos revela-se muita convicção e muita humanidade.
Manolo, um operário da cooperativa, fala com carinho, como se se tratasse de uma pessoa, da máquina de extrair o azeite da azeitona, de que ele cuida. Não hesita em explicar o seu funcionamento, a manutenção de que precisa, etc a todos os visitantes. Fala igualmente com respeito do seu companheiro de luta, o presidente Juan Manuel que considera como "el ultimo" desta categoria de homens capazes de arrostar um tal desafio e de conjugar num mesmo movimento pensamento e prática. Manolo evoca também a vida ascética do autarca da aldeia, as prisões e as perseguições judiciais que sofreu e o atentado do qual escapou. Com insistência, Manolo convida o visitante a retornar à cooperativa no mês de Dezembro ou Janeiro para admirar o trabalho de extracção do azeite.
Mas na aldeia não há nem hotel nem pensão para uma eventual estadia. Entretanto, a municipalidade põe graciosamente à disposição dos visitantes pavilhões os quais podem igualmente, se quiserem, partilhar o alojamento de alguns habitantes por uma quantia simbólica como em casa de António na avenida principal da aldeia. António acolhe calorosamente seus convidados com os quais gosta de falar da originalidade da sua aldeia e parece feliz por viver ali: "agora, dizia ele, vivemos em harmonia aqui".
Vivem igualmente em harmonia com os habitantes da aldeia os trabalhadores imigrdos, também eles contratados pela cooperativa de "El Humoso". Segundo diz o empregado do café da delegação sindical estes homens e mulheres fazem parte integrante da comunidade dos trabalhadores e participam como os outros nas decisões tomadas em assembleias-gerais. Com efeito, estas famosas assembleias fazem-se numa grande sala junto à delegação sindical onde ao lado das cadeiras brancas de plástico há toda espécie de louça e de toalhas armazenadas, provavelmente à espera de uma próxima festa popular. A sala é também ornamentada por um imenso e esplêndido quadro no qual se podem ver homens e mulheres em linhas cerradas antecedidos por dois homens e uma mulher com uma criança nos braços, todos a marcharem para a mesma direcção. "Hoje às 20h30, assembleia-geral na delegação sindical", diz a menagem difundida incansavelmente por uma camioneta que percorre todas as ruas da aldeia, convidando os habitantes à reunião para decidir os seus assuntos.
Eles organizam também os chamados "Domingos vermelhos" em que voluntários encarregam-se gratuitamente, entre outras coisas, de limpar e embelezar a sua comuna: manutenção dos passeios e jardins públicos, plantação de árvores, etc. A aldeia é não só uma das mais seguras como também a mais limpa da região!
A aldeia é relativamente rica em equipamentos colectivos em comparação com as comunas vizinhas. Os habitantes podem banhar-se durante todo o Verão na piscina municipal pela módica quantia de três euros. O infantário para crianças não lhes custa senão 12 euros por mês, refeições incluídas. O complexo desportivo "Ernesto Che Guevara", bem conservado, permite-lhes que pratiquem vários desportos como futebol, ténis ou atletismo.
Durante o Verão, os habitantes assistem regularmente à projecção de filmes ao ar livre no parque natural. Debates, conferências, filmes e apoio aos povos oprimidos, nomeadamente aqueles que estão injustamente privados do seu território, fazem parte da vida cultural e política da aldeia. Juan Manuel usa muitas vezes, ostensivamente, o lenço palestino.
O desporto, a cultura, as festas etc são direitos abertos a todos, tal como o trabalho e a habitação. O desenvolvimento tanto material como intelectual de cada indivíduo é, aqui, a condição do desenvolvimento de todos.
Vá a Marinaleda ver e verificar a realidade desta "utopia". Vá ao encontro destes homens e destas mulheres admiráveis que conseguiram construir, graças ao seu trabalho diário e às suas convicções – e em meio a um oceano de injustiças, desgraças e servidão – uma sociedade diferente. O capitalismo, pelas suas crises repetitivas e o perigo que representa para o homem e a natureza, não tem futuro. O exemplo concreto e com êxito de Marinaleda mostra que uma outra sociedade é possível.
O Festival da Poesia que se realiza anualmente em Salvaterra de Minho, na Galiza, junto a Monção, em Portugal, pretende unir festa e reivindicação social. Nesta XXIV edição do Festival da poesia no Condado o lema é 'Língua e serviços em mao comum' , cuja escolha é justificada pelos ataques sucessivos contra a língua galega e os serviços públicos que se tem registado na Galiza.
Todos estes aspectos irão estar presentes durante o Festival da Poesia sob a forma de debates, de intervenções públicas, de poemas e canções.
PROGRAMA DO XXIV FESTIVAL DA POESIA NO CONDADO
3 E 4 DE SETEMBRO 2010 em SALVATERRA DE MINHO.
-Sexta-feira 3 de Setembro
19.30 Apertura de exposiçons COVAS DE DONA URRACA / CASA DO CONDE
Pintura: monográficos do Zeca Afonso e do Che Guevara
20.15 Projecçom de Audiovisuais COVAS DE DONA URRACA
22.30 Noite nas minas COVAS DE DONA URRACA Sonhos
23.30 Charanga Caldo verde e festa rachada
-Sábado 4 de Setembro
11.30 Passa-ruas Gaiteiros e murga Viagens no Comboio de baixa velocidade
12.30 Campionato de bilharda Feira popular: colectivos e artesanato ZONA DAS MURALHAS
13.00 Palestra com Colectivos Sociais CASA DO CONDE
17.00 Festa Infantil - Galiza Pulgas Circus - Obradoiros ZONA DAS MURALHAS
19.00 Audiovisual COVAS DE DONA URRACA Curtas premiadas no Festival de Cans
20.30 FESTIVAL POÉTICO-MUSICAL ZONA DAS MURALHAS
- Apresenta: Berrobambán
POETAS PRESENTES
- Alicia Fernández - Branca Novoneyra - Carlos Quiroga - Carlos Negro - Calros Solla - David Rodríguez - Elvira Riveiro - Kiko Neves - Laura Branco - Samuel L. París - Samuel Solleiro - Tiago Gomes - Xulia María
GRUPOS - De outra margem - Uxía - Labregos do tempo dos Sputniks - Os tres trebóns - Afro-vungo (Tonecas Prazeres. S. Tomé, Principe)
Os pastores da Baviera e da Colômbia vão encontrar-se em Guadalaviar ( Teruel) durante o X Encontro Internacional de Pastores, Nómadas e Transumantes que se realizará naquela localidade da Serra de Albarracin nos dias 3, 4 e 5 de Setembro.
A reunião desenrolar-se-á no Museu da Transumância, existente naquela localidade.
O próximo4 de Setembro vai ser o dia aberto na Comunidade de Permacultura The Hive, sedeada na aldeia do Rossaio, perto da aldeia do Colmeal, concelho de Góis, na região do Centro de Portugal
Todos os interessados em conhecer e visitar a comunidade e saber alguma coisa mais sobre osseus princípios e funcionamento serão bem-vindos
The Hive is an egalitarian collective, based upon consensus decision-making, and recognising the need for, and beauty of, individual and collective responsibility for action in agriculture, arts, design and politics
The Hive is based upon permaculture principles of:
* The recognition that all that we do affects the environment * Working with nature rather than against nature * The problem is the solution; transforming challenges into opportunities * Taking small steps to create big changes
Objectivos da Comunidade The Hive
* To get first hand experience of permaculture design and organic growing * To get into the countryside * To make contact with other people in the permaculture movement * To form links and foster understanding between city and rural dwellers * To facilitate inter-cultural understanding between people of different nationalities * To form links with social justice and environmental networks and campaigns
O processo de Bolonha — a unificação dos sistemas universitários europeus com vista a criar uma área europeia de educação superior — tem sido visto como a grande oportunidade para realizar a reforma da universidade europeia. Penso, no entanto, que os universitários europeus terão de enfrentar a seguinte questão: o processo de Bolonha é uma reforma ou uma contra-reforma?
A reforma é a transformação da universidade que a prepare para responder criativamente aos desafios do século XXI, em cuja definição ela activamente participa. A contra-reforma é a imposição à universidade de desafios que legitimam a sua total descaracterização, sob o pretexto da reforma. A questão não tem, por agora, resposta, pois está tudo em aberto. Há, no entanto, sinais perturbadores de que as forças da contra-reforma podem vir a prevalecer. Se tal acontecer, o cenário distópico terá os seguintes contornos.
Agora que a crise financeira permitiu ver os perigos de criar uma moeda única sem unificar as políticas públicas, a política fiscal e os orçamentos do Estado, pode suceder que, a prazo, o processo de Bolonha se transforme no euro das universidades europeias. As consequências previsíveis serão estas: abandonam-se os princípios do internacionalismo universitário solidário e do respeito pela diversidade cultural e institucional em nome da eficiência do mercado universitário europeu e da competitividade; as universidades mais débeis (concentradas nos países mais débeis) são lançadas pelas agências de rating universitário no caixote do lixo do ranking, tão supostamente rigoroso quanto realmente arbitrário e subjectivo, e sofrerão as consequências do desinvestimento público acelerado; muitas universidades encerrarão e, tal como já está a acontecer a outros níveis de ensino, os estudantes e seus pais vaguearão pelos países em busca da melhor ratio qualidade/preço, tal como já fazem nos centros comerciais em que as universidades entretanto se terão transformado.
O impacto interno será avassalador: a relação investigação/docência, tão proclamada por Bolonha, será o paraíso para as universidades no topo do ranking (uma pequeníssima minoria) e o inferno para a esmagadora maioria das universidades e universitários. Os critérios de mercantilização reduzirão o valor das diferentes áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.
Os gestores universitários serão os primeiros a interiorizar a orgia classificatória, objectivomaníaca e indicemaníaca; tornar-se-ão exímios em criar receitas próprias por expropriação das famílias ou pilhagem do descanso e da vida pessoal dos docentes, exercendo toda a sua criatividade na destruição da criatividade e da diversidade universitárias, normalizando tudo o que é normalizável e destruindo tudo o que o não é.
Os professores serão proletarizados por aquilo de que supostamente são donos — o ensino, a avaliação e a investigação — zombies de formulários, objectivos, avaliações impecáveis no rigor formal e necessariamente fraudulentas na substância, workpackages, deliverables, milestones, negócios de citação recíproca para melhorar os índices, comparações entre o publicas-onde-não-me-interessa-o-quê, carreiras imaginadas como exaltantes e sempre paradas nos andares de baixo.
Os estudantes serão donos da sua aprendizagem e do seu endividamento para o resto da vida, em permanente deslize da cultura estudantil para cultura do consumo estudantil, autónomos nas escolhas de que não conhecem a lógica nem os limites, personalizadamente orientados para as saídas do desemprego profissional. O serviço da educação terciária estará finalmente liberalizado e conforme às regras da Organização Mundial do Comércio.
Nada disto tem de acontecer, mas para que não aconteça é necessário que os universitários e as forças políticas para quem esta nova normalidade é uma monstruosidade definam o que tem de ser feito e se organizem eficazmente para que seja feito. Será o tema da próxima crónica.
Integrado num vasto conjunto de workshops sobre teoria política a realizar na Universidade Metropolitana de Manchester entre os dias 1 e 3 de Setembro está previsto um workshop sobre anarquismo sob a organização do prof. Alex Prichard ( fundador da Anarchist Studies Network) onde serão apresentadas e discutidas as seguintes comunicações:
Alex Prichard: ‘Proudhon: The Lost Prophet of Paris’ Joan Rapp: ‘Neo-anarchism and the state in the People’s Republic of China’ Matt Wilson: ‘Prefiguration and Anarchist Theory’ Ruth Kinna: ‘Title TBC’ Alexandre Christoyannopoulos: ‘Tolstoy’s Approach to Christianity’
Workshops in Political Theory 2010 Seventh Annual Conference September 1st - 3rd 2010
Following another successful sixth annual Workshops held in Manchester, September 2009, at which a hundred and fifty papers were given by participants from over twenty countries, we are pleased to announce the details of this year's conference. These workshops reflect the wide diversity of interests and idioms within the discipline and give delegates plenty of time to discuss their papers in a relaxed setting as well as to attend other panels. There will be a conference web-site (www.hlss.mmu.ac.uk/politicaltheory ) where papers and conference details will be posted.
The Historian and the Shaping of Political Ideology
(Aude Attuel-Hallade, University of Paris III-Sorbonne-NouvelleUniversity, audeattuel@yahoo.fr)
The organisers are: Professor Joe Femia (School of Politics and Communication Studies, University of Liverpool, femia@liv.ac.uk) and Professor Jules Townshend (Department of Politics and Philosophy, Manchester Metropolitan University, j.townshend@mmu.ac.uk )
Decorrerá, entre os dias 1 e 4 de Setembro, no Museu do Abade de Baçal, em Bragança o ciclo de Cinema "As Vozes do Silêncio - Trás-os-Montes no Cinema e no Museu"
O ciclo As Vozes do Silêncio – Trás-os-Montes no Cinema e no Museu terá duas sessões diárias, uma à tarde (18h00), no espaço expositivo do Museu do Abade de Baçal, e outra à noite (22h00), ao ar livre, nos jardins do Museu. O acesso às sessões é gratuito.
Pretende-se com a amostra reunir um conjunto de filmes feitos na região de Trás-os-Montes.No total, serão oito filmes projectados no Museu do Abade Baçal.
No início de cada sessão, os filmes serão apresentados por António Preto (programador do ciclo) e pelos realizadores convidados, abrindo-se a discussão ao público no final de cada projecção.
O acesso às sessões é livre (entrada gratuita).
A mostra contará com as participações, já confirmadas, de Manoel de Oliveira, Noémia Delgado, Regina Guimarães e Saguenail, prevendo-se ainda a presença de Margarida Cordeiro e de Pedro Sena Nunes
As Vozes do Silêncio – Trás-os-Montes no Cinema e no Museu será, por isso, uma oportunidade única para ver "in loco" e na presença dos seus autores um conjunto significativo de filmes raramente apresentados em Trás-os-Montes. A restituição destes filmes – peças fundamentais na construção de um património imaginário transmontano – aos lugares onde foram realizados é levar o cinema onde este poucas vezes chega, mas também uma forma de descentralizar a oferta cultural e remar contra o estigma do isolamento. Será aínda um pretexto para promover um reencontro entre os filmes e os seus protagonistas, gentes e paisagens.
PROGRAMA
1 Setembro
18h00 – Sabores Regina Guimarães e Saguenail Em resposta a uma encomenda específica da Escola Superior Agrária de Bragança para a realização de um documentário sobre os recursos ambientais da bacia hidrográfica do Alto Sabor, Regina Guimarães e Saguenail acabariam por produzir um filme centrado na paisagem transmontana e na mundividência e função político-cultural dos “guardadores de paisagens”. Estes, segundo o olhar resoluta e manifestamente exteriorizado dos autores, seriam dois dos principais pilares da riqueza patrimonial da região
22h00 – Máscaras Noémia Delgado Rodado em Trás-os-Montes, poucos meses depois do 25 de Abril, entre o Natal de 1974 e Fevereiro de 1975, o filme Máscaras dá conta dos rituais dos “caretos”, “chocalheiros” e outros mascarados que, tanto no período do Natal como no do Carnaval, saem à rua nalgumas localidades da região transmontana.
2 Setembro
18h00 – Matar Saudades Fernando Lopes A vinda de um emigrante à sua aldeia natal, em meados dos anos 80, serve a Fernando Lopes de pretexto para reflectir sobre as diferentes razões que a muitos obrigaram a sair do país, sobrea fidelidade às origens, sobre o desenraizamento e sobre a condição social de quem parte e de quem regressa, mas também para fazer um balanço do que foram algumas das modificações ocorridas em Portugal durante os primeiros dez anos de vivência democrática que se seguiram ao 25 de Abril.
22h00 – Acto da Primavera Manoel de Oliveira Acto da Primavera, filme rodado entre 1961 e 1962, é a versão cinematográfica da preparação e representação de um auto popular pelos habitantes da Curalha, aldeia do concelho de Chaves, a partir de um texto escrito no século XVI por Francisco Vaz de Guimarães. O texto conta a história, por todos conhecida, da paixão de Cristo
3 Setembro
18h00 – Margens Pedro Sena Nunes À borda das celebrações, mas no centro dos acontecimentos, o filme de Pedro Sena Nunes atravessa a inauguração de uma ponte que, em Chelas (Mirandela), passaria a ligar as margens do rio Tuela, para, paradoxalmente, produzir uma reflexão acerca do isolamento.
22h00 – Veredas João César Monteiro Realizado na senda da Revolução de 1974, Veredas é uma longa descida pelo interior de Portugal. Pelas suas paisagens naturais e sociais, pelas histórias, lendas e tradições, e por tudo o mais que, numa resoluta vontade de descentralização, João César Monteiro elege, a um tempo equiparando (na sua descoincidência) e diferenciando (na sua simultaneidade), como representações e retratos do país
4 Setembro
18h00 – Terra Fria António Campos O filme é consequência de um cinema que, firmando uma vocação documentarista – ou, se preferirmos, etnocinematográfica (como se vê, por exemplo, no filme Falamos de Rio de Onor, de 1974), sempre tendeu para a ficção, naquilo que esta comporta de confronto directo com a realidade pré-existente. Rodado durante oito semanas do Inverno de 1991, em Padornelos (Montalegre), Terra Fria é baseado no romance-reportagem homónimo de Ferreira de Castro, escrito e situado nessa mesma aldeia.
22h00 – Ana António Reis e Margarida Cordeiro Quase dez anos depois de Trás-os-Montes (1976), Ana é o segundo filme co-realizado por António Reis e Margarida Cordeiro, rodado como as restantes obras do casal no Nordeste Transmontano, entre Miranda do Douro e Bragança.
Este Sábado, dia 4 de Setembro, realizar-se-á em França, um protesto contra a politica de expulsão étnica de Sarkozy. Segundo esta politica todos os indivíduos de etnia cigana , não franceses, vão ser repatriados para o País de origem de onde emigraram buscando melhores condições de vida. Infelizmente, nada tem impedido esta imposição Francesa e a mesma política está em vias de execução noutros países. Esta política e as medidas em curso são xenófoba e vão contra os direitos de livre circulação na Europa Sem Fronteiras.
A manifestação europeia em Paris é promovida pela União do Povo Cigano. O apelo que lançou conta já com o apoio de três dezenas de organizações sociais e partidos políticos franceses. A manifestação, preparada cuidadosamente, deverá ser unitária não só dos ciganos europeus, mas de todas as forças democráticas comprometidas com o respeito dos direitos humanos», lê-se no apelo divulgado no site da organização
CONCENTRAÇÃO EM LISBOA
Em Portugal realiza-se uma concentração frente à embaixada francesa em Lisboa( Calçada Marquês de Abrantes, nº 5, em Santos) no dia 4 Setembro, às 15h.30.
E no Porto também foi convocada uma concentração para a frente do Consulado francês ( Avenida da Boavista nº 1681) para a mesma hora.
Esta concentração acompanha a manifestação do mesmo dia, em Paris, convocada por muitas Associações de Direitos Humanos.
Em Portugal a Concentração, entre muitas outras pessoas, está a ser apoiada por:
Ass. Cigana de Braga Ass. Cigana Canto e Dança Cigana (Porto) Ass. Cigana de Coimbra Ass. Cigana de Espinho Ass. Cigana de Gondomar Ass. Cigana de Matosinhos Ass. Cigana Os Vikings (Porto) Ass. Cigana Pedro Bacelar Vasconcelos (Braga) Ass. Desportiva dos Ciganos do Porto AMUCIP (Seixal) APODEC (Lisboa) Centro de Estudos Ciganos (F. da Foz) Ciganos d’ Ouro Gipsy Produções Ass. Cultural (Águeda) Olho Vivo Solim SOS Racismo Union Romani
Rábula anti-militarista de Raul Solnado sobre a guerra em que o maior humorista português diz a certo momento com a sua proverbial ironia:
«(…) o jornal trazia o anúncio da guerra. E diz a minha tia: - Por que é que não aproveitas o emprego? A guerra é uma coisa muito boa, porque a gente mata, mata, mata, e nunca vai presa!!!...»
A ida à guerra de 1908 foi o primeiro grande êxito de Raúl Solnado, inspirado num sketch do espanhol Miguel Gila, e que foi adaptado por humorista português. É interpretado na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória em 1961. É depois editado em disco, em 1962, e bateu todos os recordes de vendas. Durante três anos, Solnado contou a história da sua ida à guerra, um monólogo que de forma irónica denunciava a guerra. Recorde-se que Portugal vivia em plena Guerra Colonial sob o regime fascista de Salazar e a censura impedia a liberdade de expressão
Carta de Bakunine ao irmão Paulo ( 29 de Março de 1845)
Continuo a ser eu próprio, como antes, inimigo declarado da realidade existente, só que com uma diferença: eu parei de ser um teórico, eu venci, enfim, em mim, a metafísica e a filosofia, e entreguei-se inteiramente, com toda a minha alma, ao mundo prático, ao mundo dos factos reais.
Acredite em mim, amigo, a vida é bela; agora tenho pleno direito de dizer isto porque parei há muito tempo de olhá-la através das construções teóricas e de conhecê-la somente em fantasia, pois experimentei efectivamente muitas das suas amarguras, sofri muito e entreguei-me frequentemente ao desespero.
Eu amo, Paulo, amo apaixonadamente: não sei se posso ser amado como gostaria que fosse, porém não me desespero; sei, pelo menos, que tem muito simpatia por mim; devo e quero merecer o amor daquela a quem amo, amando-a religiosamente, ou seja, activamente; ela está submetida à mais terrível e à mais infame escravidão e devo libertá-la combatendo os seus opressores e incendiando no seu coração o sentimento da sua própria dignidade, suscitando nela o amor e a necessidade da liberdade, os instintos da rebeldia e da independência, fazendo-lhe recordar a sensação da sua força e dos seus direitos.
Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro; o primeiro acto do verdadeiro amor é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode amar verdadeiramente a não ser alguém perfeitamente livre, independente, não só de todos os demais, mas também e, sobretudo, daquele de quem é amado e a quem ama.
Esta é a profissão da minha fé política, social e religiosa, aqui está o sentido íntimo, não só dos meus actos e das minhas tendências políticas, mas também, tanto quanto me é possível, da minha existência particular e individual; porque o tempo em que poderiam ser separados estes dois géneros de acção está muito longe da gente; agora o homem quer a liberdade em todas as acepções e em todas as aplicações desta palavra, ou então não a quer de modo algum; querer a dependência daquele a quem se ama é amar uma coisa e não um ser humano, porque o que distingue o ser humano das coisas é a liberdade; e se o amor implicar também a dependência, é o mais perigoso e infame do mundo porque é então uma fonte inesgotável de escravidão e de embrutecimento para toda a humanidade.
Tudo que emancipa os homens, tudo que, ao fazê-los voltar a si mesmos, suscita neles o princípio da sua vida própria, da sua actividade original e realmente independente, tudo o que lhes dá força para serem eles mesmos, é verdade; tudo o resto é falso, liberticida, absurdo. Emancipar o homem, esta é a única influência legítima e bem-feitora.
Abaixo todos os dogmas religiosos e filosóficos – que não são mais que mentiras; a verdade não é uma teoria, mas sim um facto; a vida é a comunidade de homens livres e independentes, é a santa unidade do amor que brota das profundidades misteriosas e infinitas da liberdade individual.
NOTA BIOGRÁFICA
Mikhail Bakunin (1814-1876), de origem aristocrática, que percorreu toda a Europa como activista revolucionário e exilado político, foi um dos fundadores da Associação Internacional dos Trabalhadores, também conhecida por I Internacional, sendo uma das figuras mais importantes do movimento e do pensamento anarquista. Da sua bibliogarfia destaca-se o livro Deus e o Estado.
A carta reproduzida acima tem data de 29 de Março de 1845 e foi enviada de Paris por Bakunine ao seu irmão Paulo.
Do teatro à música, passando pelas curtas metragens, artes plásticas, debates, aos espectáculos de sala e de rua, formas artísticas emergentes e de natureza pluridisciplinar, a XII Festa do Teatro continua a ser um interlocutor entre os artistas e a comunidade, potenciando hábitos de fruição cultural, continuando a apostar na formação de públicos e no desenvolvimento da sua capacidade crítica, assim como, na divulgação de novas práticas.
O Festival de Teatro “Festa do Teatro” continua a ser um momento cultural de relevo na cidade de Setúbal que se vai afirmando sempre e cada vez mais como um acontecimento que proporciona, ao público autóctone e aos visitantes, momentos de verdadeiro divertimento, de enriquecimento e de crescimento intelectual, no qual o teatro assume o papel de dinamizador de redes de difusão, permitindo a interligação de experiências e a movimentação de espectáculos de carácter profissional. Um dos objectivos deste Festival é também manter uma programação eclética e diversificada, privilegiando o nacional sem descurar a participação estrangeira.
A cultura é fundamental para a criação de identidade e para o desenvolvimento económico e social da sociedade, sendo, pois, uma aposta valiosa, na qual se insere a Festa do Teatro pelo seu contributo na formação de novos públicos e na consolidação dos já existentes. Além disso disso, a cidadania também se constrói através da Arte e, neste caso, do Teatro.
"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma".
BLUE IN THE FACE um filme de Wayne Wang e Paul Auster 1995 - 83 min
Estamos em Brooklyn, Nova York, numa tabacaria de esquina, Auggie Wren's Brooklyn Cigar Store. A acção desenvolve-se em torno de Auggie e do seu estabelecimento, um ponto de encontro de diversos personagens. Entre cigarros, desabafos, tesões e peripécias humoradas, assistimos a momentos da vida daquele bairro.
“Prometi-te uma outra Grécia e em vez disso mando-te um canto fúnebre.”
Encontramos-nos à deriva pelas margens dum centro, numa cidade em pano de fundo que aos olhos de uns se vai afogando numa qualquer esperança de um dia se encontrar nomeada e colocada num mapa, inserida numa qualquer ordem estipulada, decifrável e facilmente lida, sem rugosidades e escarradelas no chão. A cidade que nos surge em “O último mergulho” de João César Monteiro é a das profundezas de quem a vive, do barco atracado no rio à tasca do amanhecer, dos caminhos trôpegos das escadarias das ruas e das pensões do 2º andar, das deambulações sem tempo nem propósito. Neste caso é a de Lisboa, ruína sobre ruína que, de lá para cá, vai perdendo o pulso da sua existência. Poderia ser outra como outras em transformação, ou já transmutadas em parques temáticos longes da vida,onde se querem imperiais relações pacíficas onde a paz raramente habitou,onde o fígado sempre foi sendo corroído, e onde as ruas foram ganhando os caminhos das fugas ou dos naufrágios, amorosos, da graça e da desgraça, da mesquinhez e da solidariedade manhosa. Limpam-se os abismos, terraplenam-se as vidas e ganha-se o orgulho alheio.
Para que ninguém se afogue, ordenam-se os factores, dá-se a transformação prometida em nome das comodidades que irão resolver todas as nossas lacunas, uma existência que se vende maquilhada, uma solução longe das nossas mãos mas que tudo irá resolver. Do reumático ao criativo, do biológico ao sustentável, do higiénico ao autêntico. E a nossa vida aqui no meio, onde é que se encontra? Falamos para além do filme, das imagens que nos remetem à nossa existência, vivida aqui por uns e por outros noutros sítios onde os pulsares sempre foram incontroláveis, onde ao controlo lhe custou espreitar e que, assim sendo, prefere esconder. O centro dá então lugar ao olhar periférico, abre as portas ao turista fascinado pelo reconhecimento das fachadas e destas estranhas formas de vida. A quem o habitava resta o subúrbio...É bom para o negócio, bom para o progresso da zona, sabe-se lá o que vai acontecer mas eles têm é de vir...E nós à nora, a ver se percebemos o nosso lugar, como nos colocamos na voracidade daquilo que intuímos que irá acontecer correndo o risco de corremos com a corrente sem saber a altura certa para saltar.
Encontramo-nos então onde o passado presente ganha o lugar de um museu paralisado, como se nada nunca nos tivesse pertencido, onde tudo se torna recuperadamente intocável com medo de não se inserir no padrão original ,como se a sua origem não tivesse surgido de uma fonte de desenrascanços onde a necessidade se alimenta do instinto, da perícia e da preguiça. E não é a nostalgia que nos remete para aqui, trata-se sim da impossibilidade de um presente que dificilmente foge à histeria da modernidade, da categorização, da profissionalização e da requalificação. Trata-se de uma memória que aqui procuramos construir para assim criarmos o nosso chão, terreno de batalhas e histórias futuras, descobertas para além do reconhecimento.
De acordo com a U.S. Department of Labor's Bureau of Labor Statistics existem actualmente nos Estados Unidos da América cerca de 31 milhões de desempregados . Situação igual ou pior do que na Grande Depressão.
Os estudos da investigadora LaToya Egwuekwe revelam o alcance e a evolução dramática do desemprego na maior potência capitalista através de uma cartografia animada com o sugestivo título "The Decline: The Geography of a Recession,"
Em entrevista publicada num livro editado há alguns meses atrás, o escritor António Lobo Antunes, que esteve incorporado no exército colonial português na qualidade de médico-miliciano, afirmou o seguinte sobre o que viu e viveu durante o período em que esteve integrado num batalhão militar em Angola:
“«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».
Estas afirmações parece que provocaram alguns engulhos em certos militares e veteranos de guerra que, pelos vistos, ainda não perceberam o papel que foram desempenhar nas colónias!
Realiza-se nos dias 27 e 28 de Agosto na Quinta do Pinheiro em Castelo de Paiva o 6º Arraial P’ra Pular. A entrada é livre.
Com um programa recheado, esta 6ª edição conta ainda com workshop’s musicais para os mais pequenos e jogos tradicionais para os graúdos durante a tarde de sábado. Com o objectivo de promover a cultura popular, procura aliar as antigas tradições com o que melhor se faz actualmente em termos música tradicional. Esta mistura proporciona um encontro inter-geracional, onde os mais pequenos acompanham os pais e os avós e onde os jovens podem divertir-se, encontrando assim uma alternativa aos Festivais de Verão. Para além da música e dança popular não faltarão jantares e petiscos tradicionais da região, que completam assim o evento que, de alguma forma, recria os antigos arraiais populares.
Programa
27 (sexta-feira) 19.00 h. – Abertura 20.30 h. – PANTOMINA 21.30 h. – RANCHO FOLCLÓRICO Nª SRª das AMORAS 22.45 h – COMVINHA TRADICIONAL
28 (sábado) 15.00 h. – Abertura do Recinto 16.00 h. – Workshop's 17.00 h. – Torneio do Jogo da Malha 21.00 h. – GAITAS DANINHAS 22.00 h. – P'RA PULAR 22.30 h. – BAILENDA 23.30 h – PÉ NA TERRA .