15.4.10

Derivas de Maio organizam um ciclo de debates no dia 22/5 e trazem ao Porto o filósofo catalão Santiago López-Petit

Este ano, as Derivas são em Maio, que é um bonito mês. Na Esmae, para a Rua da Alegria, na cidade do Porto.

O tema: Com uma Faca nos Dentes, muito pela onda de António José Forte. Sinais dos tempos que correm.

Para além da política e da filosofia, vêm aí mais surpresas com a construção de pedagogias livres. No dia 22 de Maio.

Estas segundas derivas propõem-se debater a educação e a revolução. Um binómio nem sempre conjugado e que foi convenientemente separado à nascença. Mas nem sempre foi assim: em todas as revoluções dignas desse nome o amor, o quotidiano, a educação pertenciam às mesmas ondas de choque. Em cada inovação e transformação revolucionárias no campo livre da educação o Estado soube recuperá-las e cedê-las à sua classe e aos seus sequazes. Trata-se, portanto, de inventar caminhos impossíveis de serem recuperáveis, ou seja, de criar situações
verdadeiramente irreversíveis.


Nos campos da realidade e do quotidiano, pretende-se igualmente transformá-los de modo a criar objectos reconhecíveis pelos deprimidos do mundo inteiro; um modo moderno de superação niilista dos novos cadáveres esquisitos e das nossas máscaras acinzentadas em que nos tornámos.

Vamos promover estes e outros debates entre nós, que teimamos em realizá-los.

As Derivas de Maio convidam-no, e à Suzana Ralha, ao António Alves da Silva, ao Rui Pereira e ao Santiago López-Petit a passar pelo Café Concerto da ESMAE, no dia 22 de Maio, pela manhã e tarde de um sábado. A falarmos e a encontrarmos saídas.


«E se a Revolução significasse,
antes de tudo, Educação?»


Programa

9:30 – Entrega do certificado de presença
9:45 – Abertura
Moderação: António Luís Catarino
10:00 –– Suzana Ralha, Professora
11:30 – António Alves da Silva, Professor
Debate

12:30 – Intervalo para almoço

«Fazer o Pensar e Pensar o Fazer – Como atacar a Realidade?»
Moderação: António Luís Catarino
14:30 – Rui Pereira, Jornalista
15:00 – Santiago López-Petit, Filósofo. Universidade de Barcelona
Debate

16:00 –– Apresentação do livro de Santiago López-Petit, A Mobilização Global seguido de O Estado-Guerra e Outros Textos. Tradução e Comentários de Rui Pereira. Deriva Editores, 2010

17:00 – Projecção do Filme El Taxista Ful de Jordi Solé (Jo Sol)


Textos de Santiago López-Petit:

Outros textos -
AQUI e AQUI

De Bakunin a Lacan:anti-autoritarismo e a deslocação do poder(From Bakunin to Lacan:Anti-Authoritarianism and the Dislocation of Power)de Saul Newman

Ler o livro de Saul Newman, From Bakunin to Lacan: anti-authoritarianism and the dislocation of power - AQUI

Recensão crítica de Todd May do livro «De Bakunine a Lacan: anti-autoriatrismo e o deslocamento do poder» (From Bakunin to Lacan: Anti-Authoritarianism and the Dislocation of Power), de Saul Newman, retirada
daqui

1. O objectivo geral do novo livro de Saul Newman, From Bakunin to Lacan: Anti-Authoritarianism and the Dislocation of Power, é oferecer uma crítica aomodo pelo qual o poder, e especificamente o poder político, é comummenteconcebido. Ele evita a abordagem padrão a tais discussões que giram em tornode um abraço ou uma modificação de Marx, voltando-se, ao invés, à desprezadaarena do anarquismo e articulando-a com pensadores actuais associados pelotermo de “pós-estruturalismo”. Newman argumenta que o que ele chama de“local do poder”, a ideia de que o tratamento dado ao poder parecefrequentemente constrangê-lo conceptualmente à certa região ou tipo – e com efeito, essencializando o poder num tipo natural – interpreta mal, assim, a verdadeira operação do poder.

O poder, como muitos pensadores recentesargumentaram, é mais difuso e incircunscrito do que foram capaz de reconheceros tratamentos progressistas tradicionais ao tema, especialmente o Marxismo.


2. O livro inicia-se com um tratamento ao Marxismo, e mostra que, para osMarxistas, o local do poder é sempre na economia, e abordagens ao poder não-economicistas não são consideradas. A discussão foca aqui a ideia de que, umavez que os Marxistas pensaram frequentemente o estado como determinadopelo poder económico, não se embaraçaram, então, em assumir o controle doestado a fim de mudança nas relações económicas. As consequências de talpensamento, longamente criticado pelos anarquistas, manifestaram-se durantetoda a história de nosso século.

3. Anarquismo, em contraste, enxerga que o Marxismo perdeu devista o papel do poder de estado nas relações sociais. Infelizmente, osanarquistas parecem querer colocar todo poder no nível do estado, e assimmeramente substituir um local de poder pelo outro. Em sua visão, o estado é olocal do poder, e a resistência reside nos impulsos naturais de uma humanidadenão-contaminada por tal poder. Elimine o estado, e as deletérias relações depoder cairão por si mesmas.


4. Neste ponto, Newman volta-se para o anarquista Max Stirner, numa mistura interessante de explicações padrões, a fim de criticar o tipo de humanismoinerente ao pensamento de tantos outros anarquistas. Para Stirner, o humanonão é um recurso natural de resistência não-contaminada, mas antes é um localvazio, um projecto a ser realizado. Este projecto pode ser realizado igualmentepor meios opressivos ou não-opressivos. A questão é, então, como conceber opoder e a resistência se a nenhum deles é relegado a um local natural.


5. Michel Foucault começa tal processo através da análise dos meios polimorfos pelos quais o poder opera. Entretanto, ele vacila, pois, ao enxergar o poder emtodo lugar, parece prescindir da possibilidade de contextualizar a resistênciasem retornar a um lugar externo ao poder e não-contaminado por ele. Tal lugarseria tão essencialista como aquele oferecido pelo anarquismo.

6. Deleuze e Guatarri, ao buscarem novas categorias conceituais para o poder,minam a ideia de locais distintos para o poder e a resistência, especialmentecom o seu conceito de “máquina de guerra”. Entretanto, ao contrapor o desejo ao social, acabam retornando a muitas categorias que sua obra propõe-se a resistir.

7. Derrida, ao deslocar muito da estrutura oposicional que caracteriza o pensamento político (e outros), oferece uma abertura para re-conceber o poder ea resistência. Se o poder e a resistência estão entrelaçados a ponto de prescindir de uma separação em dois locais distintos, então um pensamento que envolve categorias derrideanas, como differance e infra-estrutura, pode ser mais apropriado para compreender tal operação. Derrida, entretanto, não oferece um tratamento ao sujeito da resistência, ao actor político.

8. Aqui, finalmente, Lacan, o verdadeiro herói do livro de Newman, se torna relevante. Para Lacan, o poder contém a sua própria falta. O significante é internamente fendido, permitindo que a resistência ocorra no poder e não fora dele. Se o sujeito lacaniano é incrustado no e resistente ao poder em sua estrutura mesma, então ambos poder e resistência existem sem locais distintos e essenciais, são dispersos e polimorfos, e podem ser pensados sem os problemas que caracterizaram os tratamentos dados desde Marx até Deleuze e Guatarri.
Um pensamento pós-anarquista, que leva a sério o impulso anti-autoritário do anarquismo, ao passo que se livra do tratamento humanista ao poder e a resistência, se iniciaria a partir daqui.

9. Newman acredita que ao usar um framework lacaniano, também utilizado na obra de Ernesto Laclau, em sua discussão sobre a lógica do significante vazio,pode ao mesmo tempo abraçar uma ética da crítica e evitar qualquer carácter essencializante aos quais os termos da crítica poderiam prestar-se. Se isto soa à abordagem desconstrutiva da linguagem de Derrida, a verdade é que Newman busca alcançar uma abordagem ao pensamento progressista que parta do anarquismo e do pós-estruturalismo, e não do Marxismo, e que enxerga nos impulsos por trás desses movimentos não somente uma abordagem para conceber o poder, mas também, indissociavelmente, uma abordagem à linguagem.

10. Há diversos aspectos de From Bakunin to Lacan que particularmente o recomendam. Em primeiro, diferente de tantas explicações referentes aos pensadores citados, o livro é claro e coerente. As visões sumárias que providencia de filósofos tão difíceis como Lacan e Deleuze são ambos acurados e legíveis. É uma virtude difícil de se alcançar em tal trabalho. Em segundo, Newman afunilou uma vasta gama de visões num programa único de teoria política. Não se lê o livro como um conjunto de capítulos desconectados, mas como um movimento progressivo por sobre diversas visões em direcção a uma abordagem teórica coerente sobre a concepção de política. Finalmente, em contraste com minha própria obra, que focava Foucault, Deleuze e Lyotard em contraste a Derrida e Lacan, o livro de Newman busca articular um anarquismo alinhado a elementos desconstrutivos do pensamento francês actual.


11. A questão que resta para mim é se tal intento foi conseguido. Eu acredito que não, sobretudo pelas razões que motivaram o meu afastamento de Derrida e Lacan, num primeiro momento. Eu não estou convencido de que ao utilizar uma abordagem desconstrutiva à linguagem e à política, haveria lugar para o tipo de acção colectiva que parece necessária para o sucesso político. Indeterminação, no meu entender, é uma base fraca para o pensamento e para a organização política. Ele tende a afastar as pessoas e não juntá-las.

Eu entendo que Newman põe em causa, e correctamente, que juntar também traz o risco de abraçar de novo conceitos essencializantes e formas autoritárias de poder. Para mim, parece que uma abordagem política adequada não pode se furtar a esse risco; sua tarefa é articular uma concepção de linguagem que enxergue o significado – e as categorias políticas que daí ascendem – como determinado, mas contingente, e não como necessariamente indeterminado.

A escolha, em suma, me parece não residir unicamente entre a indeterminação derrideana/lacaniana (ou uma determinação sempre ameaçada) e a determinação autoritária essencializante.

Uma terceira possibilidade, e na minha opinião a correcta, seria uma determinação contingente, uma determinação que pode flutuar ao redor das margens, ser criticada e alterada pela crítica genealógica ou outra crítica, mas que retenha seu poder de providenciar o tipo de margem ética que Newman busca (mas me parece não encontrar) em Derrida e Lacan.

12. Dito isto, recomendo altamente o livro a pesquisadores do pensamento progressista. Newman, para mim, parece estar correcto em seu alvo, em enxergar o anarquismo e não o Marxismo como o ponto de partida apropriado para a teoria política progressista; e nisso seu trabalho, além disso, está em consonância com a tendência actual dos movimentos anti-globalização ao redor do mundo. A questão de saber se se há-de escolher Foucault/Deleuze/Lyotard ou Derrida/Lacan como herdeiros e modificadores do pensamento anarquista clássico continua em aberto. De qualqiuer forma, Newman mostra através desta sua obra que adoptou uma perspectiva interessante e original, enraízada no local correcto, o que não pode ser negado.



Todd May é Professor de Filosofia na Clemson University. Escreveu extensivamente sobre o pensamento de Michel Foucault e Gilles Deleuze.




Saul Newman: Postanarchism between Politics and Anti-Politics








Zélia Barbosa canta algumas canções de protesto da música popular brasileira








Funeral do lavrador


Esta cova em que estás
Com palmos medidos
e a conta menor
que tiraste em vida !

E de bom tamanho
nem largo nem fundo
e a parte que te cabe
nesse latifúndio ...

Não é cova grande
e a cova medida
e a terra que querias
vai ser dividida

E uma cova grande
pra teu pouco defunto
mas estás mais ancho
que estavas no mundo

E uma cova grande
pra teu defunto parco
porém mais que no mundo
te sentirás largo.

E uma cova grande
pra tua carne pouco
mas a terra dada
não se abre a boca

E a parte que te cabe
nesse latifúndio
E a terra que querias
ver dividida








Canção da Terra

Olorum dê
Olorum dê
Olorum
I si bê o bá
I si bê o bá

Ave meu pai o teu filho morreu

Sem ter nação para viver
sem ter um chão para plantar
sem ter amor para colher
sem ter voz livre pra cantar
e meu pai morreu

Salve meu pai o teu filho nasceu

E preciso ter força para amar
pois o amor é uma luta que se ganha
e preciso ter terra para morar
e o trabalho que é teu ser teu
só teu de mais ninguém

Salve meu pai teu filho cresceu

E muito mais é preciso não deixar
Que amanhã por amor possas esquecer
que quem manda na terra tudo quer
e nem o que e teu bem vai querer dar
por bem não vai não vai

salve meu pai o teu filho viveu

Olorum dê







Opinião

Podem me prender,
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer,
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio, não !

Se não tem água, eu furo um poço.
Se não tem carne, eu compro um osso
E ponho na sopa e deixo andar,
Deixo andar.

Fale de mim quem quiser falar !
Aqui eu não pago aluguel.
Se eu morrer amanhã, seu doutor,
estou pertinho do céu.

Podem me prender...

14.4.10

Cada homem um artista - livro de Joseph Beuys editado pela 7nós, uma nova editora portuguesa

"Toda a gente é um artista."
Joseph Beuys


"Libertar as pessoas é o objectivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade."
Joseph Beuys


"To make people free is the aim of art, therefore art for me is the science of freedom."
Joseph Beuys

Cada homem um artista, de Joseph Beuys
Tradução de Júlio Gomes
Editora: 7Nós


A vida, a obra e as ideias de Beuys sobre a arte, a sociedade e o ser humano, nunca encontraram um espaço de discussão e questionamento em Portugal. Cada Homem Um Artista pretende colmatar essa lacuna da edição portuguesa e dos espaços próprios de crítica e discussão, apresentando aos leitores portugueses um dos mais discutidos e diatribizados artistas do século XX.

Figura central da consciência artística na Europa do pós-guerra, a obra de Beuys (1921-1986) tornou-se numa permanente "instalação verbal", fulcro da sua desdobragem enquanto activista, pensador e professor itinerante (o fluxo beuysiano levou-o a fundar a Universidade Livre Internacional, a Organização para a Democracia Directa ou os Verdes), e rastilho incontornável da sua figura controversa e prometeica. Poucos artistas no século XX rivalizaram Beuys na ruptura estética, na amplitude artística e na contínua experimentação do seu inusitado processo de expressão artística enquanto escultor, performer, pedagogo, pensador radical e activista social e político.

Em formato de "entrevista", Cada Homem Um Artista reúne diálogos de Joseph Beuys com vários interlocutores numa "acção" levada a cabo pelo autor no documenta 72, certame de arte contemporânea de Kassel, Alemanha, e onde se debatem questões sobre a Arte, a sociedade do capitalismo liberal, a educação, a emancipação das mulheres, a consciência crítica e social do ser humano, etc.
Cada Homem Um Artista é precedido por uma aprofundada introdução que parte de uma leitura global sobre o pensamento e a actividade do artista alemão no confronto com a sua época, não se confinando nunca a uma mera crítica d'arte. O ensaio introdutório Beuys, Homem-Arena, traça um itinerário abrangente sobre o criador de "Cadeira com Gordura", "Para acabar de vez com a ditadura dos partidos" e "Como explicar quadros a uma lebre morta", procurando problematizar a praxis e as reais criações do autor, e contestando amiúde as interpretações prevalecentes sobre Beuys e que habitualmente se centraram meramente no discurso, ou mesmo na retórica, do artista plástico.
Uma biografia completa e uma extensa bibliografia sobre Beuys enriquecem ainda este inédito da 7Nós.

http://www.7nos.pt/


Joseph Beuys (Krefeld, 12 de maio de 1921 — Düsseldorf, 23 de janeiro de 1986) foi um artista alemão que produziu em vários meios e técnicas, incluindo escultura, performance, vídeo e instalação. Ele é considerado um dos mais influentes artistas europeus da segunda metade do século XX.

Em 1962, Beuys conheceu o movimento Fluxus, e as performances e trabalhos multidisciplinares do grupo - que reuniam artes visuais, música e literatura - inspiraram-no a seguir uma direção nova também voltada para a performance. Beuys se associou ao Fluxus e se tornou seu membro mais significativo e famoso. Sua obra tornou-se cada vez mais motivada pela crença de que a arte deve desempenhar um papel ativo na sociedade.

Beuys foi um dos pioneiros do movimento ambientalista alemão e teve participação activa na política. Ele fundou várias organizações políticas, como o Partido Alemão dos Estudantes, em 1967 (alemão: Deutsche Studentenpartei DSP), e a Organização para a Democracia Directa, em 1970. Em 1979, ele tornou-se um dos membros fundadores do Partido Verde Alemão. Tendo arriscado uma candidatura a uma eleição pelos verdes, Beuys expressou no fim da vida o seu desgosto pela política partidária.

Obras
-A Matilha (1969) - instalação com uma Kombi Volkswagen e 24 trenós de madeira contendo feltro, lânternas e gordura;
-Como Explicar Desenhos a uma Lebre Morta (1965) - o artista vaga pela galeria com o rosto recoberto de mel e ouro, carregando no colo uma lebre morta com quem ele fala;
Terno de Feltro (1970) - um terno de feltro em um cabide de arame;
-Canto Gorduroso (1973) - gordura de porco no canto de um espaço. A gordura derrete e se torna rançosa com o tempo;
-Eu Amo a América e a América me Ama (EUA, 1974) - performance em que o artista ficou envolvido em feltro em uma sala com um coiote durante cinco dias;
-Bomba de Mel no Local de Trabalho (Documenta de Kassel, 1977) - instalação / performance em que alunos da Universidade Livre Internacional de Criatividade e Pequisa Interdisciplinar tomam parte;
-7.000 Carvalhos (1979) - Sete mil pedras foram espalhadas em Kassel durante uma documenta: para cada pedra retirada, Beuys determinou que seria plantado em seu lugar um carvalho, na esperança de que a idéia se espalharia para mais cidades.


Para saber mais:

Venha homenagear o arroz doce e dizer NÃO ao arroz transgénico(todos ao Rossio,às 15h. do dia 17/4, dia de acção internacional contra os transgénicos)


Pela primeira vez uma empresa (a alemã Bayer) pretende comercializar arroz transgénico na União Europeia. Até aqui as plantas transgénicas estavam praticamente limitadas às rações animais. Mas agora a engenharia genética chegou directamente ao nosso prato. O que fazer?

SABIA QUE...

... o arroz é o alimento mais importante do mundo? Mais de metade da população mundial come arroz todos os dias. E, de entre os europeus, os portugueses são os maiores consumidores de arroz: cada um de nós come em média cerca de 17 quilos por ano!

... a empresa Bayer pretende que a União Europeia aprove em 2010 a importação e consumo do arroz LL62, um arroz transgénico que é muito diferente do arroz convencional tanto em termos de vitaminas (B5 e E), como em cálcio, ferro e ácidos gordos?

... o arroz transgénico LL62, da empresa Bayer, foi manipulado para se tornar resistente a grandes doses do herbicida glufosinato, também da Bayer? Isso significa que cada bago de arroz transgénico vai ter mais resíduos desse poluente do que qualquer outro tipo de arroz - e o glufosinato foi avaliado como sendo de «alto risco» para o ser humano e outros mamíferos.

... na verdade, esse herbicida glufosinato é tão tóxico que já foi decidida a sua proibição na União Europeia a partir de 2017? Se a União Europeia aprovar o arroz transgénico é como estar a dizer: «Não permitimos cá este herbicida, mas não queremos saber se abrimos as portas para este arroz ser produzido noutros países que assim vão ficar poluídos. Também não nos interessa se o glufosinato, apesar de proibido, acaba por voltar a entrar na nossa cadeia alimentar através do arroz que importarmos.»

... os resíduos do herbicida não desaparecem quando se coze o arroz?

... a entrada do arroz transgénico na Europa, segundo documentos da própria empresa Bayer, vai levar à contaminação dos campos de cultivo de arroz normal?

... a Bayer não é de confiança? Nos Estados Unidos em 2006 uma das suas variedades de arroz transgénico, apenas autorizado para testes experimentais, contaminou extensas áreas de arroz agulha e o resultado foi um prejuízo superior a 1,2 mil milhões de dólares para toda a indústria arrozeira daquele país. E a Bayer, o que fez? Descartou-se de todas as responsabilidades afirmando simplesmente em tribunal que esse acidente tinha sido «um acto de Deus»!

... esta é uma decisão sem retorno? Não existe cultivo comercial de arroz transgénico em país algum do mundo. A Bayer quer forçar a União Europeia a aprovar a importação do arroz LL62 de modo a depois começar o cultivo em países com legislação mais frágil. A consequências será a contaminação das variedades de arroz um pouco por todo o mundo. E finalmente a União Europeia ver-se-á obrigada a autorizar o cultivo transgénico também por cá, porque – tal como já acontece com outras espécies – as variedades normais de arroz terão ficado irremediavelmente comprometidas.

... nada está perdido? Ainda estão pela frente duas votações em Bruxelas, uma a nível de comité regulador e outra no Conselho de Agricultura, que ainda não têm data marcada. Portugal tem 12 votos e são necessários 91 votos contra para bloquear esta aprovação. Para a chumbar definitivamente é preciso reunir 255 votos (existe um total de 345 votos no Conselho). Se Portugal se abstiver é como se estivesse a votar a favor - só um voto contra é que interessa! Por isso vale a pena mostrar ao ministro de que lado temos de nos colocar, porque a nossa posição pode fazer a diferença na balança europeia.





ALGUÉM QUER ARROZ TRANSGÉNICO?
Manifesta-te !

Dia 17 Abril, sábado, às 15h na Praça do Rossio, Lisboa

A Plataforma Transgénicos Fora convoca todos os cidadãos a manifestarem-se contra a proposta de introdução de arroz transgénico na União Europeia, no dia 17 de Abril a partir das 15h na Praça do Rossio em Lisboa.



Com esta concentração na Praça do Rossio pretendemos informar e chamar a atenção de tod@s sobre esta situação, e mostrar que os cidadãos portugueses não querem a aprovação de arroz transgénico produzido e consumido em Portugal.


Teremos banca informativa, jogos, música e um enorme arroz doce biológico para partilhar! :)

Esta manifesta! está integrada num dia internacional de acção contra os transgénicos, focando-se no actual problema da tentativa de introdução de Arroz Transgénico em Portugal, e representando solidariamente também o dia da Luta Camponesa (no 17 de abril de 1996, 19 camponeses foram assassinados durante uma manifestação do “Movimento dos Sem Terra”, pela policía brasileira. Desde então assinala-se o Dia Internacional da Luta Camponesa, em memória dos falecidos e pelas lutas dos camponeses em geral.)

Os transgénicos ameaçam a nossa saúde e o meio ambiente. Contaminam outros cultivos e destroem a agricultura familiar, agravando a fome no mundo. A coexistencia não é possível. Somos consumidores/as e agricultores/as e temos o direito e a responsabilidade de conhecer e decidir como e onde se produzem os nossos alimentos.



Alguns dos perigos destes cultivos para o meio ambiente e para a agricultura são o aumento do uso de tóxicos (pesticidas e herbicidas) na agricultura, a contaminação genética, a contaminação do solo, a perda de biodiversidade, o desenvolvimento de resistências em insectos ou os los efeitos não desejados noutros organismos. Os efeitos sobre os ecossistemas são irreversíveis e imprevisíveis.

Os transgénicos reforçam o controlo da alimentação mundial por parte de meia dúzia de empresas multinacionais. Os países que os adoptaram massivamente o cultivo de transgénicos são agora exemplos crassos de uma agricultura não sustentável. Na Argentina, por exemplo, a entrada massiva de soja transgénica exacerbou a crise da agricultura com um alarmante aumento da destruição dos seus bosques primários, o deslocamento de camponeses e trabalhadores rurais, um aumento do uso de herbicidas e uma grave substituição da produção de alimentos para consumo local.


A solução para a fome e desnutrição passa pelo desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e justas, pelo acesso aos alimentos e emprego de técnicas de agricultura ecológicas. A indústria dos transgénicos utiliza o seu poder comercial e influencia a política para desviar os recursos financeiros que requerem as verdadeiras soluções.

Por estes motivos contamos com a vossa presença em Lisboa, no Rossio às 15h para participar e animar a Manifesta!, representando um momento importante para informar e demonstrar uma posição pública sobre a tentativa da Bayer de introduzir a produção de arroz transgénico para consumo humano em Portugal.



O Governo português ainda não tomou posição sobre isto, mas calcula-se que se os cidadãos não se manifestarem, dirá o Sim à Bayer e daí a termos todo o arroz português contaminado é um pequeno passo... que não queremos dar!


Arroz Transgénico - Situação Actual:

Portugal é o país da Europa que mais come arroz, per capita. Este cereal representa um pilar central na nossa alimentação e cultura gastronómica. E até agora não havia arroz geneticamente modificado em circulação na União Europeia.

Neste momento a Bayer, uma multinacional alemã, pretende importar para toda a União Europeia uma variedade de arroz geneticamente modificado, para consumo humano. Este arroz GM foi manipulado para aguentar elevadas doses de um herbicida (glufosinato de amónio) que mataria as variedades convencionais. Mas não há país nenhum no mundo que cultive arroz transgénico para fins comerciais e, além disso, o glufosinato de amónio é tão tóxico que já está oficialmente prevista a sua proibição na União Europeia. No entanto a Comissão Europeia quer a sua aprovação e está previsto que seja votado em Bruxelas (ainda não há data marcada) se este arroz LL62 da Bayer vai ou não poder chegar aos nosso pratos. Se houver aprovação, países como os Estados Unidos poderão começar a exportá-lo (nos estados unidos ja pode cultivar só não existe mercado no momento. então podem cultivar mas no existe incentivo para cultivar). E a partir daí a contaminação vai liquidar o arroz não transgénico, como já está a acontecer com no milho e na soja, Aconteceram vários casos de contaminação nos estados unidos em 2007, que resultaram numa crise que seguiu para os produtores de arroz americanos, tornando o mundo irreversivelmente dependente de uma empresa cujo único objectivo é o lucro.É um mau negócio para todos, mas é um excelente negócio para a Bayer.

Se não quiser assistir passivamente a este desfecho, junte-se a nós Dia 17 Abril, sábado, às 15h na Praça do Rossio, Lisboa, para uma concentração pública e criativa em que todos juntos podermos mostrar publicamente que não queremos a aprovação do arroz transgénico para produção e consumo humano.

www.stopogm.net



Jantar popular com ciclo de cinema sobre transgénicos ( dia 15 de Abril, no centro social do GAIA, na Mouraria)



Esta semana antes e depois do Jantar Popular, projectamos filmes sobre o tema dos alimentos Transgénicos, a propósito da Manifesta! do próximo sábado por um Arroz Livre de Transgénicos.

Jantar Popular:
Refeição vegana, biológica e local - 20h

Passagem de Filmes:
The Future of Food - 15h - http://www.thefutureoffood.com/
Food Inc. - 17h - http://www.foodincmovie.com/
Neste Chão Tudo Dá: Semeando conhecimento e colhendo resultados - 19h
- sinopse
O Mundo Segundo a Monsanto - 21h30 - sinopse
Conversa no final.


Dia 15 de Abril, 5ª feira, a partir das 15h,



Local: Travessa da Nazaré, 21, 2º

Aparece e traz um amigo também!




O que é o Jantar Popular?

- Um Jantar comunitário vegano e LIVRE DE OGMs que se realiza todas as Quintas-feiras no Grupo Desportivo da Mouraria

- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h30.

- Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do Centro Social do GAIA que mantém assim a sua autonomia.

- Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço normal são 3 euros.

- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.

- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente


Jantar vegetariano no CCL ( dia 17 de Abril) de apoio à Feira do Livro anarquista de 2010


Jantar vegetarianode apoio à Feira do Livro Anarquista de 2010

7 de Abril – 20h

menu: seitan à alentejana

contribuição: 3 euros

Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. – Cacilhas – Almada



2.ª Marcha contra Biotério da Azambuja ( dia 24 de Abril às 14h30, em Lisboa)

No dia 24 de Abril a Plataforma de Objecção ao Biotério ( POB ) realiza a segunda marcha de protesto contra a construção do biotério da Fundação Champalimaud

A marcha começará às 14h30 na Rotunda do Saldanha (Lisboa) em frente à Fundação Champalimaud (Atrium Saldanha) e seguirá até à Fundação Calouste Gulbenkian.

Contamos com a colaboração de todos em mais esta altura crucial para travar este projecto

Não falte!

Por uma Ciência Séria em Portugal, queremos uma ECVAM (Centro Europeu de Validação de Métodos Alternativos) e que não se usem fundos públicos para financiar o Biotério Comercial da Fundação Champalimaud.




A Plataforma de Objecção ao Biotério trabalha há mais de um ano contra a construção da "fábrica" de animais para pesquisas laboratoriais promovida pela Fundação Champalimaud, em terrenos da Azambuja.

A POB é um movimento cívico criado por um grupo de pessoas, na sua maioria ligadas às ciências da vida (Biólogos, Veterinários, Psicólogos) que se juntaram com o objectivo de combater este projecto.

É inadmissível este gasto de 27 milhões de euros de fundos públicos que podem reverter para servir as diversas necessidades das populações em vez de alimentar uma obra que não irá criar riqueza, nem trabalho, nem inovação científica.

Após a entrega na Assembleia da República da petição assinada por mais de 7000 apoiantes desta causa, vários partidos políticos mostraram-se sensíveis à mesma, o que levou a pequenas/grandes vitórias que podem ser consultadas no site da POB.

Estamos em mais uma altura crucial para conseguir travar este projecto!

A POB pede a colaboração de todos para continuar a combater esta iniciativa extemporânea e eticamente reprovável.

Se acha que a construção deste biotério é um mau investimento para o país, seja por razões científicas, económicas ou éticas;
Se quer que Portugal tenha um centro de alternativas à experimentação animal;
Se quer ver Portugal ser um exemplo de transparência e inovação cientifica;

Não falte à 2.ª Marcha contra o Biotério Central dia 24 de Abril, dia Mundial do Animal de Laboratório.

Jantar de mesa corrida na Casa da Horta com conversa pelo meio sobre militarismo e pacifismo (15 de Abril, às 20h.)



A Casa da Horta tem uma proposta para tod@s os associados. Esta Quinta-Feira, 15 de Abril convidamos-te a um convivo na Casa da Horta ao qual chamamos Jantar de Mesa Corrida.


E porquê um jantar de mesa de corrida?A ideia é confraternizar e debater variados temas, conviver, partilhar de ideias e criar um maior interacção entre os sócios da Horta e quem sabem potenciar a criação de novos projectos de activismo ou então simplesmente passar uma noite diferente.


Neste Jantar Casa da Horta propõe um tema de conversa, O militarismo e Pacifismo. Claro que não será obrigatório escolher este tema, esta é a ideia que propomos só como ajuda ou desinibidor, depois quem tiver na mesa pode propor outras ideias e lançar o debate. Temos também preparado um Quizz sobre o tema proposto que tod@s podem participar!

Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges.
Email: casadahorta@pegada.net

Tel: 222024123 / 965545519

http://casadahorta.pegada.net/entrada/

13.4.10

X Semana da História da Arte ( 19 a 23 de Abril). O tema desta edição é « Anos 70: as liberdades da Arte»



http://anos70arteliberta.blogspot.com/

X Semana de História da Arte

Somos um grupo de alunos do 1º ciclo da Licenciatura em História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e, no âmbito da 10ª Edição da Semana de História da Arte, propomos dar a conhecer à comunidade académica, e ao público em geral, a Arte e as vivências artísticas, culturais e sociais da década de 70 em Portugal!

Movimento Democrático de Artistas Plásticos (MDAP) - história e criação do MDAP: ver AQUI

9.4.10

Oração pelas privatizações



«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos.E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

O que é o neoliberalismo? (Por Frei Betto)

O neoliberalismo é o novo carácter do velho capitalismo. Este adquiriu força hegemónica no mundo a partir da Revolução Industrial do século 19. O aprimoramento de máquinas capazes de reproduzir em grande escala o mesmo produto e a descoberta da electricidade possibilitaram à indústria produzir, não em função de necessidades humanas, mas sobretudo visando ao aumento do lucro das empresas.

O excedente da produção e a mercadoria supérflua obtiveram na publicidade a alavanca de que necessitavam para induzir o homem a consumir, a comprar mais do que precisa e a necessitar do que, a rigor, é supérfluo e até mesmo prejudicial à saúde, como alimentos ricos em açúcares e gordura saturada.

O capitalismo é uma religião laica fundada em dogmas que, historicamente, merecem pouca credibilidade. Um deles reza que a economia é regida pela "mão invisible" do mercado. Ora, em muitos períodos o sistema entrou em colapso, obrigando o governo a intervir na economia para regular o mercado.

O fortalecimento do movimento sindical e do socialismo real, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial (1940-1945), ameaçou o capitalismo liberal, que tratou de disciplinar o mercado através dos chamados Estados de Bem-Estar Social (previdência, leis trabalhistas, subsídios à saúde e educação etc.).

Esse carácter "social" do capitalismo durou até fins da década de 1970 e início da década seguinte, quando os EUA se deram conta de que era insustentável a conversibilidade do dólar em ouro. Durante a guerra do Vietnam, os EUA emitiram dólares em excesso e isso fez aumentar o preço do petróleo. Tornou-se imperioso para o sistema recuperar a rentabilidade do capital. Em função deste objectivo várias medidas foram adoptadas: golpes de Estado para estancar o avanço de conquistas sociais (caso do Brasil em 1964, quando foi derrubado o governo João Goulart), eleições de governantes conservadores (Reagan), cooptação dos social-democratas (Europa ocidental), fim dos Estado de Bem-Estar Social, utilização da dívida externa como forma de controle dos países periféricos pelos chamados organismos multilaterais (FMI, OMC etc.) e o processo de erosão do socialismo real no Leste europeu.

O socialismo ruiu naquela região por edificar um governo para o povo e não do povo e com o povo. À democracia económica (socialização dos bens e serviços, e distribuição de renda) não se adicionou a democracia política; não nos moldes do Ocidente capitalista, mas fundada na participação activa dos trabalhadores nos rumos da nação.

Nasceu, assim, o neoliberalismo, tendo como parteiro o Consenso de Washington ¬ a globalização do mercado "livre" e, segundo conveniências, do modelo norte-americano de democracia (jamais exigido aos países árabes fornecedores de petróleo e governados por oligarquias favoráveis aos interesses da Casa Branca).

O capitalismo transforma tudo em mercadoria, bens e serviços, incluindo a força de trabalho. O neoliberalismo o reforça, mercantilizando serviços essenciais, como os sistemas de saúde e educação, fornecimento de água e energia, sem poupar os bens simbólicos ¬ a cultura é reduzida a mero entretenimento; a arte passa a valer, não pelo valor estético da obra, mas pela fama do artista; a religião pulverizada em modismos; as singularidades étnicas encaradas como folclore; o controle da dieta alimentar; a manipulação de desejos inconfessáveis; as relações afectivas condicionadas pela glamourização das formas; a busca do elixir da eterna juventude e da imortalidade através de sofisticados recursos tecnocientíficos que prometem saúde perene e beleza exuberante.

Tudo isso restrito a um único espaço: o mercado, equivocadamente adjectivado de "livre". Nem o Estado escapa, reduzido a mero instrumento dos interesses dos sectores dominantes, como tão bem analisou Marx. Sim, certas concessões são feitas às classes média e popular, desde que não afectem as estruturas do sistema e nem reduzam a acumulação da riqueza em mãos de uma minoria. No caso brasileiro, hoje os 10% mais ricos da população ¬ cerca de 18 milhões de pessoas ¬ têm em mãos 44% da riqueza nacional. Na outra ponta, os 10% mais pobres sobrevivem dividindo entre si 1% da renda nacional.

Milhares de pessoas consideram o neoliberalismo estágio avançado de civilização, assim como os contemporâneos de Aristóteles encaravam a escravidão um direito natural e os teólogos medievais consideravam a mulher um ser ontologicamente inferior ao homem. Se houve mudanças, não foi jamais por benevolência do poder.

Autor: Frei Betto.

Ciclo de conversas da PAGAN (plataforma anti-guerra anti-Nato) termina amanhã com uma sessão sobre acção directa não-violenta

A Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO (PAGAN) organizou nas últimas semanas um ciclo de conversas no bar 2aoQuadrado, em Sintra, aos sábados, às 17h00, sobre questões relativas ao militarismo e guerra. Amanhã realiza-se a última sessão, dedicada desta vez ao tema da Acção directa não-violenta, pacifismo e anti-militarismo, e que vai ser animada por Manuel Baptista.

Local:
Bar2aoQuadrado
Rua João de Deus, 70, Sintra (atrás da estação de comboios)

http://antinatoportugal.wordpress.com
http://bar2aoquadrado.blogspot.com

Encontro sobre Paisagens Literárias Urbanas na livraria Fabula Urbis ( dia 10, às 18h.)


Encontro
Paisagens Literárias Urbanas
na Fabula Urbis, 18h
10 de Abril
Porquê as paisagens literárias? Que escritores nos falam de Lisboa? O que nos contam da cidade? Que urbe tivemos, temos e queremos? Ana Isabel Queiroz pretende reflectir sobre estas e outras questões, misturando um bocadinho de teoria com algumas boas leituras.
Este encontro serve também de pretexto para divulgar um projecto de investigação sobre paisagens literárias que o IELT está a desenvolver e para constituir uma Comunidade de Leitores dedicada às "Paisagens literárias de Lisboa", com sede na livraria Fabula Urbis

Ana Isabel Queiroz é Bióloga, Mestre em Etologia e Doutorada em Arquitectura Paisagista, Os seus temas de investigação sã "A Literatura e o Ambiente" e "A Literatura e a Ciência". Actualmente, é investigadora do IELT -Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL) onde coordena o projecto "Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental".

Recentemente publicou:
Queiroz, A.I., 2009. A Paisagem de Terras do Demo. Esfera do Caos, Lisboa.
Queiroz, A.I., 2009. Gregor Samsa sob o olhar da Biologia. Espéculo, nº43
www.ucm.es/info/especulo/numero43/grsamsa.html



Livraria Fabula Urbis
Rua de Augusto Rosa, 27
1100-058 Lisboa
tel: 351 21 888 50 32
fabula-urbis@fabula-urbis.pt

Encontro sobre Geografias Libertárias na Universidade de São Paulo (12 e 13 de Abril)

Mini-Encontro Geografias Libertárias - História do Pensamento Geográfico

Nos dia 12 e 13 de abril, próximas segunda e terça-feira, ocorrerá um dia aberto para discussão sobre Geografia Libertárias no Departamento de Geografia (DG) da Universidade de São Paulo (USP).

Horário:
Segunda-feira: 14h
Terça-feira: 19h30

Local:
Sala 1 do DG

Programa:
Os encontros se iniciarão com a apresentação de uma pesquisa sobre a vida e a obra do geógrafo francês Élisée Reclus por parte dos alunos da disciplina "História do Pensamento Geográfico", seguido da apresentação de pesquisas e da realização de um debate.

• Élisée Reclus: Vida e Obra: Grupo de alunos de HPG
• Piotr Kropotkin: Anarquismo e Discurso Geográfico: Rafael Florêncio
• Anarquismo e a Guerra Civil Espanhola: Experiências Históricas: Jean Pires de Azevedo
• Geografia e Literatura: Liberdade Negativa em Kafka: Allan de Campos
• Anarquismo e Educação Libertária: Amir El Hakim

Endereço:
Avenida Prof. Lineu Prestes, 338. Cidade Universitária, São Paulo.

Todo/as estão convidado/as!

Fonte: ANA, agência de notícias anarquistas

Tertúlia Liberdade apresenta amanhã (dia 10) em Setúbal o Sindicato dos Camponeses da Andaluzia

Amanhã, sábado, dia 10 de Abril, a partir das 21H, na Cooperativa Prima Folia, em Setúbal, a Tertúlia Liberdade irá proceder à apresentação do SOC - Sindicato dos Camponeses da Andaluzia.

Trata-se de um sindicato diferente, que interessa dar a conhecer em Portugal. Tem 20.000 camponeses associados e luta através da acção directa contra a opressão, pela dignidade dos camponeses, pela terra e pela liberdade.
Não está controlado por nenhuma centra sindical, nem por partidos. Apenas 3 dos seus responsáveis são remunerados, mas sem privilégios, prestando contas às assembleias, que se reúnem regularmente.

Fomentam as cooperativas agrícolas em latifúndios que continuam a ocupar e a habitação boa e barata para os camponeses, geridas também através de cooperativas verdadeiras, em terras próprias ou adquiridas, em que fomentam a auto-construção e a entreajuda

Com estes processos desenvolvem um plano geral de habitação e urbanismo de boa qualidade e promovem um sentido de identidade e cooperação elevado.

Nós apontamos para o início da sessão às 21h. Levaremos uma exposição fotográfica e promoveremos também uma sessão de canto progressista ao vivo, bem como a projecção de fotos e um debate sobre uma realidade que conhecemos.

http://tertulialiberdade.blogspot.com/

http://primafolia.blogspot.com/

Local:
http://primafolia.blogspot.com/2008/03/onde-estamos.html

Curso de pensamento crítico contemporâneo - Estética & Política (de 10 de Abril a 5 de Junho)

Curso Pensamento Crítico Contemporâneo ESTÉTICA & POLÍTICA
Organização: UNIPOP / Fábrica Braço de Prata
Inscrições (no valor de 25 €) através de
pccestetica@gmail.com

De 10 de Abril a 05 de Junho de 2010
Aos sábados, das 18h00 às 20h00

na Fábrica Braço de Prata
Rua da Fábrica do Material de Guerra, n.º 1
1950 LISBOA

Entre política e estética, há uma longa história de mútuas suspeitas, denúncias e incompreensões, que têm coexistido com uma intensa e fértil, ainda que por vezes clandestina, interdependência. Tomamos a ambivalência que marca esta relação como testemunho de um terreno comum que importa revisitar, longe das caricaturas habituais, mas igualmente sem elidir as tensões que o constituem. O espaço para que esta discussão seja pensável de forma simultaneamente esclarecedora e crítica permanece em construção: o objectivo primordial deste curso é, por isso mesmo, o de contribuir para a sua criação, visibilidade e alargamento.

PROGRAMA

10 de Abril
Apresentação do curso por Manuel Deniz Silva e Miguel Cardoso
Kant por Adriana Veríssimo Serrão

17 de Abril
Hegel por Miguel Cardoso
Marx por José Bragança de Miranda

24 de Abril
Nietzsche por Nuno Nabais
Freud por João Peneda

8 de Maio
Oficina de leitura: “O inconsciente político do sublime. Em torno de Lyotard e Rancière”. Orientação: Manuel Deniz Silva

15 de Maio
Walter Benjamin por Pedro Boléo
Theodor W. Adorno por João Pedro Cachopo

22 de Maio
Gilles Deleuze por Catarina Pombo
Guy Debord por Ricardo Noronha

29 de Maio
Jacques Rancière por Vanessa Brito
Giorgio Agamben por António Guerreiro

05 de Junho
Debate de encerramento: “Estética e Política”
Silvina Rodrigues Lopes
Manuel Gusmão
Mário Vieira de Carvalho


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Apresentação do curso:

Entre política e estética, há uma longa história de mútuas suspeitas, denúncias e incompreensões, que têm coexistido com uma intensa e fértil, ainda que por vezes clandestina, interdependência. Tomamos a ambivalência que marca esta relação como testemunho de um terreno comum que importa revisitar, longe das caricaturas habituais, mas igualmente sem elidir as tensões que o constituem.

O espaço para que esta discussão seja pensável de forma simultaneamente esclarecedora e crítica permanece em construção: o objectivo primordial deste curso é, por isso mesmo, o de contribuir para a sua criação, visibilidade e alargamento. Tal trabalho preparatório implica reinscrever a estética na trajectória da nossa modernidade histórica e filosófica, com todas as contradições que isso acarreta, perceber o quanto as categorias políticas que marcam a nossa contemporaneidade devem a conceptualizações estéticas, bem como submeter o campo estético a uma análise crítica, confrontando-o com as suas exclusões e ângulos cegos.

Partimos para estas interrogações com a premissa de que a sociedade em que vivemos é atravessada por divisões e conflitos a que o estético não é imune, mas a que também não pode ser reduzido. Isto implica uma dupla rejeição: da inflação do potencial crítico da obra de arte, assente na ideia de que o estético é por si só emancipador, por um lado; e, por outro, da redução do estético ao ideológico e do recurso à sua explicação sociológica que neutraliza o seu potencial crítico.

De um ponto de vista político, a estética tem sido simultaneamente subestimada e sobrestimada. Sendo plural, contraditória – e inseparável das práticas artísticas a cujo perímetro, porém, não se restringe –, é muitas vezes reduzida ora à apreciação de obras de arte, ora a uma forma de consumo cultural privatizada que constituiria um abrigo imune às intrusões da história, aos constrangimentos do social e à vulgaridade dos interesses. Devemos entender as razões desta cristalização, trazer à luz a forma como um certo discurso filosófico estético institui tais divisões e não meramente as reflecte, e submetê-la a uma crítica feroz.

Contudo, entender a estética a partir desta versão redutora é deixar pelo caminho muitas outras definições e, desse modo, excluir as tensões que a atravessam. O estético é também o espaço que questiona os limites e esquadrias da razão, que confronta uma visão idealista do mundo com o seu substrato material e a sua imanência sensível, que trabalha nas zonas cinzentas em que a nossa experiência e a nossa praxis são ainda órfãs de um conceito que as balize. É ainda o espaço daquilo a que Rancière chamou a ‘partilha do sensível’, ou seja, da ordem que estrutura a nossa inclusão e exclusão num mundo comum, os modos de percepção, os lugares, os limites e os horizontes da nossa visibilidade e participação nele. O espaço, em suma, da nossa mundanidade.
Porque compreender o presente implica perceber a sua densidade histórica, propomos, na primeira parte do curso, um percurso arqueológico através de Kant, Hegel e Marx, Freud e Nietzsche. Partir destas figuras permitirá mapear a emergência de uma campo de reflexão sobre o estético, reconfigurar criticamente a própria noção de estética, bem como procurar pontos de contacto entre o estético e o político em lugares menos habituais. Destes autores emergirá uma constelação de problemáticas que têm estado na base de importantes debates contemporâneas. Pretendemos interrogá-los enveredando, na segunda parte do curso, pelos pensamentos de Benjamin e Adorno, Debord e Deleuze, Agamben e Rancière.

8.4.10

Apresentação de um documento histórico sobre as Fontes e Chafarizes da cidade do Porto ( dia 15 de Abril no Arquivo Histórico Municipal do Porto)


O Departamento Municipal de Arquivos da Câmara Municipal do Porto promove no próximo dia 15 de Abril, pelas 15:30h, mais uma sessão da iniciativa intitulada “O Documento do Mês”.
Esta actividade, que acontece todas as terceiras quintas-feiras de cada mês, traz para fora das estantes documentos caracterizadores da nossa memória e do nosso passado cultural.

A sessão será apresentada por Rute Reimão, que destacou como documento base desta apresentação: “A Memória das Águas que vem para as fontes desta cidade…, do Padre Baltazar Guedes de 1669.
A autora focará a responsabilidade da Câmara na gestão das águas públicas, percorrendo algumas Fontes e Chafarizes da cidade, com destaque para as emblemáticas Fontes das Virtudes e da Colher, ambas construídas no século XVII.

Para participar apenas tem de fazer a sua inscrição através do e-mail
ou ainda através do telefone 222060423.

Saiu o nº 27-28 da Utopia, revista anarquista de cultura e intervenção



Já se encontra disponível nos locais habituais o último número da Utopia, revista anarquista de cultura e intervenção, editada pela Associação Cultural A Vida. Trata-se, desta vez, um número duplo ( nº27-28) relativo ao ano de 2009.

Mais uma vez a revista Utopia presenteia-nos com um conjunto variado de textos e documentação com inegável interesse para todos quantos sentem afinidades com as ideias e as práticas do anarquismo. Textos que pretendem ser, como se escreve no editorial da revista, «uma reflexão, que pretendemos continuar, sobre as ideias anarquistas no mundo de hoje», pelo que não é de estranhar a presença de um autor como Foucault ao longo de muitos dos textos da última edição da revista.

Do índice da revista destacam-se, desde logo, dois dossiers de leitura obrigatória: um sobre Mundos Urbanos e Vidas nas Cidades, e outro sobre Anarquia/Pós-Anarquismo?, com originais e traduções de textos que visam problematizar aqueles temas.
Referência especial merece , sem dúvida, o dossier sobre o pós-anarquismo, uma vez que supomos ser a 1ª vez que uma publicação escrita portuguesa trata desta temática.

Um artigo de José Tavares sobre o Trabalho, e outro de Christian Ferrer sobre a Semana de Janeiro de 1919 em Buenos Aires, na Argentina, ocupam também um lugar de destaque neste número duplo da revista Utopia

A publicação termina com a habitual rubrica da Crítica de Livros, e a referência ao desaparecimento de diversos militantes anarquistas, como Abel Paz, Luiz Andrés Edo e Edgar Rodrigues, a cuja vida e obra são dedicados textos bastante esclarecedores por parte de José Maria Carvalho Rodrigues e Marcolino Jeremias..

A revista Utopia mantém a qualidade e o interesse a que nos habituou, ao longo dos anos, confirmando-se mais uma vez como uma voz inigualável no campo do anarquismo em Portugal.

7.4.10

Festa MayDay no Porto ( dia 10 de Abril na Fábrica da Rua da Alegria)


Festa MayDay PORTO

O MayDay Porto está na Rua e organiza uma festa


QUANDO: Sábado, 10 de Abril
A QUE HORAS: 22h00
ONDE: Fábrica da Rua da Alegria (Rua da Alegria, nº341). Porto

O QUE VAI ACONTECER:
Haverá teatro, música, filmes e muita animação com a participação (entre outros) de:
- Erva Daninha
- DJ Ruba Linho
- DJ's Golpe de Estado (RUC)


PORQUÊ: o MayDay está aí chegar! No dia 1 de Maio, o precariado sai à rua e faz ouvir a força da sua voz!

QUEM É O PRECARIADO?:

- somos 2 milhões de pessoas que não têm um vínculo estáel de trabalho;
- somos 900 mil falsos recibos verdes;
- somos 400 mil pessoas contratadas através de empresas de trabalho temporário,
- somos bolseiros/as de investigação científica;
- somos 600 mil pessoas que estamos desempregados/as;
- somos todos/as os/as trabalhadores que estão solidários/as com esta luta pela dignidade laboral e pelo direito ao trabalho com direitos

- O PRECARIADO SOMOS TODOS NÓS!.


NO SÁBADO, DIA 10, APARECE NA FÁBRICA E TRAZ UM/A AMIGO/A TAMBÉM!