Canto Moço, por José Afonso
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
A procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Năo soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
A procura de manhă clara
Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para năo se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já năo espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
12.7.09
Somos filhos da madrugada ( José Afonso, in Canto Moço)
Judith Reyes ( cantora mexicana) canta Gorilita Gorilón
Gorilita, gorilon
El gobierno de hoy en día
nos vigila el pensamiento,
éste no es el porfiriato
pero es parecido el cuento.
Se amenaza al estudiante
con la represión al día
y el prestigio de la escuela
en manos de la policía.
Uno y uno suman dos,
dos y uno suman tres!
Gorilita, gorilón! Qué feo te ves!
Uno y uno y otro más,
salta y brinca para atrás!
Gorilita, gorilón, qué feo estás!
Es derecho ciudadano
apoyar a un compañero,
en esto que no se matan
policías ni granaderos.
Porque con los estudiantes
¡ay de aquel que mal se enreda!
Echenle, échenle muchachos
y ninguno retroceda!
Uno y uno suman dos...
El gobierno que ahora
manda soldadotes a mi escuela,
me reprime y me sofoca
y l sangre me rebela.
Gobiernito, gobiernito,
de la negra tradición,
se parece al que mi abuelo
le hizo una revolución.
Uno y uno suman dos...
http://www.geocities.com/yellymar/
9.7.09
Vídeos e debate sobre a obra e o pensamento de M. Foucault na livraria-bar Gato Vadio ( neste Domingo, dia 12, às 17h.)

GATO VADIO - Livraria. Atelier de Design. Café-bar
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/
Hoje à noite há cinema e café zapatista na livraria-bar Gato Vadio ( documentários sobre Chiapas, no México, e sobre os povos indígenas do Peru)

Hoje, quinta-feira, dia 9 de Julho, às 22h. na Livraria-bar Gato Vadio ( na Rua do Rosério nº 281, Porto), vai passar o filme A Placed Called Chiapas (México), integrado no ciclo de cinema dedicado à América Latina que está a decorrer naquele espaço. Entretanto, antes do filme, vai ser exibido um pequeno vídeo sobre o Massacre em Bágua, A Selva não se vende, a Selva defende-se. Ao longo da noite haverá ainda Café Zapatista e debate!
Livraria-bar Gato Vadio
Na Amazónia peruana vivem, desde milénios, mais de 1500 comunidades nativas, que habitam em cerca de 10 milhões de hectares. Sem contar com os grupos chamados de não contactados, que por decisão própria vivem afastados de todo o contacto com o homem branco ocidentalizado.
Além do mais, conta com áreas naturais protegidas pelas leis nacionais e internacionais, tomando em conta que são uma garantia para o frágil equilíbrio ecológico da terra e património com a maior diversidade do planeta em termos biológicos e culturais.
O desenvolvimento sustentável, conceito usado pelos governos auto-proclamados desenvolvidos, para uma responsável e racional exploração de recursos, brilha pela sua total ausência. Na Amazónia peruana, a negligência usada em nome do progresso social, tecnológico e económico de um país, promove a escandalosa devastação dos territórios das comunidades indígenas, da sua cultura e do modo de vida indígena. E alimenta a base da exploração com que se sustentam os aparelhos de Estado e as multi-nacionais.
Tecnocratas e capitalocratas mutilam o património da Amazónia, convertendo as florestas em produção permanente. Lotes de hidrocarbonetos e recursos minerais que são leiloados em milionárias concessões petro-mineiras para as maiores corporações internacionais.
Petrobras, Barret, Burlington, Pluspetrol, Ramshorn, Oxy, Nocol, Repsol, Hess, Loon, Sapet, Hunt Oil, Pan Andean, True energy e outras mais, podem agora usufruir de mais de 70 % da selva amazónica peruana em concessões para a exploração de todos os tipos, incluindo a maior parte dos territórios indígenas outrora legalmente considerados intangíveis.
No seguimento do Tratado de Livre Comércio assinado com os EUA, pouco antes de George Bush sair da presidência, o governo peruano aprovou e executou os Decretos Legislativos que provocaram o protesto e descontentamento popular, que se estenderam por todo o país, especialmente em Loreto, San Martín, Amazonas, Ucayali, Huánuco, Cuzco e Madre de Dios.
Alterações na lei que permitem o acesso à Amazónia Peruana ainda não capitalizada das multinacionais petroleiras e mineiras e de empresas dedicadas a produção de biocombustíveis.
As comunidades nativas (awajún-wampis, kichuas, arabelas, huaronis, pananujuris, achuar, murunahus, entre outras) uniram-se e reagiram contra o pacote legal por considerar que ele afecta os seus direitos e ameaçam o ecossistema da Amazónia, onde vivem.
Além do mais, o governo decidiu promulgar essas leis sem consultas, desrespeitando o Convénio 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que obriga à auscultação das comunidades nativas antes da definição de uma norma legal que possa afectá-los, transformando as leis em inconstitucionais.
A negativa do governo em derrogar as leis tornou impossível o diálogo com os indígenas e os protestos converteram-se em greves por tempo indeterminado que duram por mais de 60 dias, bloqueio das principais estradas e vias que ligam o país, ocupação de locais estratégicos, exigências e reclamações.
Como resposta, numa tentativa de calar a voz indígena, no início de Junho, o governo de Garcia suspendeu as Liberdades Civis, declarou estado de emergência e enviou militares para actuar sobre os protestos na região de Bagua.
A intervenção militar resultou em confrontos sangrentos (5 de Junho), onde morreram cerca de 30 indígenas. A polícia foi acusada de recolher e queimar corpos para esconder a chacina e de disparar de helicóptero para os indígenas armados com lanças. Estima-se que mais de 50 pessoas tenham sido mortas neste massacre.
Devido às proporções trágicas e ao mediatismo do conflito, uma semana após o massacre, o Congresso aceitou revogar dois dos decretos presidenciais questionados pelos indígenas, levantando os bloqueios dos protestantes.
De nada serviu para interditar as aspirações petroleiras, pois 13 dias depois do massacre, o governo de Alan Garcia deu luz verde para que uma empresa anglo-francesa perfure a Amazónia peruana em busca de petróleo.
O projecto da empresa Perenco está localizado numa região habitada por duas tribos de índios isolados. O projecto é considerado a maior descoberta de petróleo do Peru nos últimos 30 anos. A empresa Perenco, que é uma das maiores abastecedoras de petróleo do Reino Unido, negou anteriormente que índios isolados vivessem na região.
Se estas leis se mantêm, em curto prazo, as terras amazónicas passarão para as mãos das corporações petroleiras, mineiras, de água, madeireiras, produtoras de biocombustíveis, e a médio prazo, a Amazónia estará irreversivelmente destruída e as populações indígenas destroçadas.
A luta contra estas leis, é uma luta pela sobrevivência das comunidades amazónicas e da sua cultura.

A Place Called Chiapas
Nettie Wild,
Documentário (México)
Chiapas e a resistência Zapatista
Em 1993, o governo federal mexicano assinou o acordo de comércio livre da América do Norte (NAFTA) com os EUA e anunciou ao povo mexicano que a penetração livre das corporações americanas na economia promoveria um inusitado e exótico salto do México do 3º para o 1º mundo.
Depois de o povo indígena ter lutado durante anos para ganhar representação política e justiça económica, em resposta ao acordo e à linha dura do mercantilismo, uma facção político-militar, liderada por um homem misterioso conhecido apenas por subcomandante Marcos, insurgiu-se numa insurreição armada na região de Chiapas no dia 1 de Janeiro de 1994, dominando quatro municípios e cerca de 650 ranchos privados, que historicamente tinham provocado a deslocação de nativos.
As acções do exército Zapatista de libertação nacional (EZLN) em protesto contra a ratificação do acordo NAFTA, exigiam o "controlo sobre as nossas vidas e a nossa terra" como forma de garantir a autonomia e a sobrevivência das comunidades indígenas.
Como resposta receberam as investidas do exército federal. Em 1999 ....ambas as facções acordaram um desconfortável cessar-fogo e trégua. Pese embora, um quarto do exército mexicano continue ainda hoje instalado nas redondezas das comunidades Zapatistas, fazendo um cerco às aldeias e cidades da cultura indígena de Chiapas.
Instando os cidadãos a uma guerra pacífica, o subcomandante Marcos usa os media como misseis de longo alcance para manter afastados os 30.000 militares mexicanos que rodeiam o território Zapatista. As suas comunicações no mundo virtual, desafiam o governo mexicano e desmascaram o sistema capitalista internacional.
A sua poesia e a sua retórica, corteja os mexicanos com sonhos de uma nova democracia.
Com o intuito de realizar um documentário sobre esta revolução na zona de Chiapas, Nettie Wild, esteve lá nove meses, numa das zonas mais pobres do México, e seguiu as actividades dos rebeldes zapatistas e do grupo paramilitar opositor Partido Paz e Justiça.
"A place called Chiapas" ganhou o prémio de melhor documentário em 1998 no festival internacional de Los Angeles.
A Place Called Chiapas
Nettie Wild
1998
tempo: 89 min
México
Concentração de anarquistas em Lisboa e Porto em solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru

Respondendo ao apelo internacional feito pela União Socialista Libertária do Peru para o próximo dia 8 de Julho, algumas dezenas de anarquistas e anti-autoritários concentraram-se na Praça Camóes, em Lisboa, em solidariedade com a luta dos povos indígenas no Perú.
Foram distribuídos panfletos à população em que, para além de se denunciar a situação vivida pelos indígenas do Perú, se indicava de uma forma muito clara que se estava em luta ... "Contra o capitalismo e a destruição do nosso mundo natural, solidariedade com a luta dos povos indígenas!!! ", e que ... "Nenhuma agressão sem resposta", assinado por "Anarquistas por uma terra livre".
7.7.09
A «gestão» de Rui Rio e a privatização do pavilhão Rosa Mota

Como um zombie a olhar o palácio
Deixemos de chutar para canto o que os nossos olhos vêem: o poder municipal não está ao serviço dos munícipes e de uma ideia de serviço dos interesses sociais da comunidade, mas está ao serviço do mercantilismo. Desse princípio orientador, autarcas e políticos, extraem a sua verdade: quando advogam que o mercantilismo está ao serviço da comunidade e do serviço público é quando o serviço público e a comunidade passam a estar ao serviço do mercantilismo.
Ou seja, não fora isso uma desmesurada mentira, a ideologia actual do capitalismo avançado postula que a liberdade e a realização do sujeito e a sua vida comunitária é determinada pelos valores do Mercado e pela sagrada virtude da Economia. Por outras palavras, o livre uso da vida e o espaço social onde ela se expressa, com a natureza e com outros seres humanos, depende de uma relação de troca mercantil, desta ideia sufocante e maldita da hiper-mercadoria ter saltado do plano da História, das ideologias, para o plano de um processo inexorável, sem origem nem fim, sem fronteiras nem horizonte.
Neste contexto de embuste ideológico, iniquidade social e cinismo político, vamos pedir ao poder municipal que tenha em conta a lei e o PDM? O que é que podemos querer negociar com uma elite política quando para nós a vida humana e social, a sua liberdade e realização, não é negociável porque não é um negócio?
O que se pode obter ainda de quem vende o património de todos confundindo a gestão pública com a liquidação lucrativa, esvaziando de sentido a substância humana desse património, depois de desde há décadas terem eles próprios feito depender a sua humanidade de valores monetários, do dogma do mercado e do fetiche da mercadoria?
O que temos ouvido da boca de autarcas ou de governantes é aquilo que ouvimos da boca dos altos administradores de multi-nacionais ou de representantes das confederações do patronato e da finança: todo o serviço público deve desaparecer assim como desaparece a sociedade para se entronizar o indivíduo, esse ente superiormente libertado pela sociedade de consumo para nela se acoitar e ingurgitar a sua cota parte do reino da insustentabilidade, do saque e da depredação de recursos, a troco de uma passividade face à insânia da exploração humana global. Falácia da cultura neo-yuppie que esconde no discurso do individualismo não só a cegueira do egoísmo e da ganância, como o facto de ser a própria noção e possibilidade do indivíduo que desaparecem na economia de mercado actual – quantos resistem aos códigos e ao controlo dessa ideologia das relações públicas globais? Quem não afoga os seus desejos, sonhos, pensamentos, críticas, disposições, numa sociedade que substitui o rosto humano pelo rosto da mercadoria? Quantos ganham a sua individuação na propaganda do individualismo vendida a torto e a direito?
…não fora a narrativa do individualismo o canto da sereia ditado às massas e em coro pelos trovadores da esperança cínica, de Sócrates a Rui Rio, de Valentim Loureiro a George Obama, de Jardim Gonçalves a Dias Loureiro…
É tempo de nos libertarmos da agonia de uma resposta que venha do sistema. Negociar com políticos que insultam quotidianamente a inteligência e a sensibilidade de seres humanos é absorver toda a negatividade – vil e pesada – gerada pela degradação humana desse sistema. De uma vez por todas, uma só proposta vinda dos interesses políticos instalados (ou um discurso na televisão) tende a fazer incomensuravelmente pior à democracia do que mil gestos infantis de um ministro em plena Assembleia da República.
Não estamos aqui para obter uma resposta do poder municipal. Todas as respostas do poder autárquico em geral, como do governativo, já foram dadas: o capital, o interesse económico e a protecção desses interesses (e da elite restrita do círculo de interesses), excluem a possibilidade do diálogo – e o diálogo é a reversibilidade plena e democrática de um poder – e a crítica desses interesses. E a legitimação dessa democracia que começa e que se encerra numa urna de quatro em quatro anos é uma miserável e funérea ideia do que poderá ser uma democracia.
Estamos aqui para obter uma resposta das pessoas. De todos aqueles que vivem nesse misto de sonolência, impotência e humilhação causados pela realidade política do país. E a realidade política do país é, grosso-modo, dominada pura e simplesmente por uma ideia economicista, que tudo reduz à circulação de mercadorias e ao proveito de uma elite. E as pessoas que se sentem enojadas por esta grande ideia de estarem sempre perto de se tornarem uma mercadoria útil ou inepta do sistema, uma estatística da base de dados de um sistema bancário, uma vítima a mais de um sistema público de saúde, um precário a tempo inteiro e indefinido, não podem responder com o silêncio e (só) a cruz do seu voto. Não podem ceder à conquista mais sofisticada do capitalismo Ocidental, essa miscelânea entre o sistema representativo e a sociedade de consumo que desenraizou de cada cidadão a sua possibilidade e potência de intervenção, de participação e de união no espaço público.
Que resposta se pode obter de um homem que não representa os interesses da cidadania e do humano, mas os próprios interesses do sistema?
Será necessário ter como referente do estado doentio da democracia homens como Berlusconi, Mesquita Machado ou Isaltino Morais, para ilibar da nossa mais firme censura quem orienta a sua conduta pessoal e política segundo os interesses da máquina financeira, da avidez das multi-nacionais e que não equaciona nenhuma manifestação da vida humana a não ser se ela for sancionada pelo altar do lucro e pela hóstia do mercado?
E que resposta podemos obter daqueles que se não revêem nesse tipo de exemplos? O bocejo, o shopping, o cansaço, a psicanálise de café? Ou estar onde estão aqueles que recusam a preeminência do dinheiro e a ignominia de uma sociedade que converte cada humano no homem-mercadoria?
Sabemos todos que nenhum argumento racional subsiste para acreditar no Capitalismo actual como sistema político e económico – como ideologia. Que para essa ideia ser justa, democrática, socializante, era preciso acreditar que a felicidade humana dependesse desse sistema bárbaro de consumo e desperdício per capita de energia dos recursos da terra e da energia humana. Era preciso acreditar na exploração contínua do homem, do outro, nesse esclavagismo legal de estimação de uma minoria (minoria alargada que pode ir de uma multi-nacional ao café da esquina).
O território desta luta não é por isso o presidente da Câmara do Porto, mas as pessoas que não querem viver sob a mentira do lucro, que querem libertar toda a sua possibilidade de dizer que a sua vida passa também por um gesto de união solidária sem competições, sem estruturas partidárias, sem visar lucros, juros, contas, dívidas ou proveitos, mas apenas contar com a riqueza do humano.
Que mais precisamos de ver para sairmos do nosso sono?
Os Vadios, 7 de Julho de 2009, Porto
Texto retirado de:
http://gatovadiolivraria.blogspot.com/
Imagem pescada de:
http://www.mruim.blogspot.com/
Quando Tróia era livre: petição pública contra a privatização de parcelas da península de Tróia, e a sua conversão em resort de luxo

Petição Quando Tróia era livre
Para:
É com enorme desgosto que assisto a destruição de mais uma das belas paisagens do meu conselho de Grândola, estou a falar de Tróia é claro que deixou de ter aquelas belas praias selvagens para passar a ter betão.
Tróia foi servida de bandeja ao paradigma nacional dos negócios de lucro fácil e do capital intensivo, Belmiro de Azevedo. Pelo meio, a perspectiva de um Casino a fazer brilhar de cobiça os olhos do um autarca de Grândola a sonhar com o dinheiro que lhe permitirá acrescentar "obra" àquela que tem deixado implantar nas zonas dunares e agrícolas ao longo da costa alentejana... O facto de Tróia pertencer ao Concelho de Grândola não foi a única justificação para que o "Debate Público" sobre o projecto fosse agendado para Grândola, para bem longe daqueles que historicamente usaram as suas praias.
A um Estado incompetente em gerir um recurso natural e histórico de valor inestimável, juntou-se a oportunidade do negócio exclusivo. Com a desculpa do turismo, a construção maciça de segunda habitação para rico desfrutar. E o autarca "socialista" de Grândola a sonhar com o dinheiro das licenças de construção e do imposto autárquico...
José Sócrates, também "socialista" rendido aos valores da especulação imobiliária, o mesmo que patrocinou a co-incineração do outro lado do rio no meio das crateras da cimenteira Secil (convenientemente tapada digitalmente nos primeiros vídeos de apresentação do empreendimento), lá foi fingir a ignição da implosão das duas torres que teriam ficado mal construídas desde os tempos da Soltróia.
Hoje, os velhos ferrieboats a preto e branco da Transado, que transportavam pessoas e automóveis para o outro lado do rio, foram substituídos por outros de uma toda modernaça cor verde-alface... de estufa. Não foi só a cor das embarcações que foi alterada, o trajecto também, que passou a ser mais longo e feito para o interior do rio, para um antigo embarcadouro dos fuzileiros e pelo meio da rota de alimentação dos famosos golfinhos de Setúbal - de facto, roazes corvineiros, uma comunidade em declínio acelerado e já considerada em extinção pelos biólogos marítimos.
Para colmatar a distância do cais às praias da costa, a empresa de Belmiro colocou autocarros para levar as pessoas do cais dos ferrieboats para a costa. E fez cair sobre os "clientes" a duplicação do tempo de viagem e sobretudo o preço de acesso às praias. As embarcações que transportavam exclusivamente pessoas estão paradas no estaleiro, anunciaram-se novos hovercraft para os substituir mas estes ainda não apareceram - hovercraft, já os ouve no Rio Sado, mas desapareceram: dentre outras razões, o preço era tão proibitivo que os "convencionais" mantiveram a preferência dos setubalenses.
Quem pretender fazer o caminho a pé ao longo da costa terá à sua frente vedações e seguranças que o demoverão de passar na "propriedade privada". Uma repetição do abusivo impedimento da passagem pelo meio das urbanizações construídas em redor dos antigos caminhos de acesso às praias, iato num país que escreveu na Constituição que a orla marítima é de Direito Público e que não reconhece a existência de praias privadas... A desculpa: “os abusos” de alguns . A velha desculpa dos gestores incapazes de defenderem o Bem Público, e de quem encontra aí o argumento-chave para convencer os idiotas úteis quando é necessário acabar com o que é de Todos e de Todas.
Os signatários ...
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N186
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O que está a acontecer em Tróia?
Apartheid em Tróia
Com o início da época balnear, confirmam-se os efeitos da grande operação de especulação imobiliária de Belmiro de Azevedo em Tróia - os setubalenses estão de facto impedidos de frequentar as praias de Tróia.
O betão ocupou a praia do povo de Setúbal. Os setubalenses não são desejados numa urbanização de milhões, de carácter elitista, destinada a garantir lucros chorudos e rápidos. Os ferries aumentaram os preços para o dobro e levam os passageiros para a zona dos fuzileiros, tornando penoso o acesso à praia. Os prometidos empregos não existem, já que o objectivo não é a hotelaria mas vender imobiliário.
As viagens dos ferries para o novo cais junto aos fuzileiros, coincidindo com a área mais importante de alimentação dos golfinhos do Sado, constitui também grave ameaça à sua subsistência no estuário.
São agora evidentes os efeitos da conivência do poder central e local com os interesses imobiliários, bem como da farsa mediática que juntou Belmiro e Sócrates.
Praia do povo, ao longo dos tempos frequentada livremente pelas populações de Setúbal, foi nas décadas 60 e 70 que a Torralta construiu torres e bandas de prédios. Com o 25 de Abril foi possível garantir que esse betão não impediria o acesso à praia. Existiu uma convivência pacífica entre essa urbanização e os frequentadores da praia. Com a falência do projecto da Torralta, vieram os despedimentos do pessoal e um semi-abandono da área construída.
Um governo PS lançou um projecto diferente. Os créditos do estado foram oferecidos, praticamente dados, ao grupo SONAE, que foi impondo a sua vontade. Beneficiando da colaboração do PCP (nas câmaras de Grândola e Setúbal), garantido o do PS, e com o natural apoio e entusiasmo do PSD, os anos foram passando e os projectos avançando no papel.
Já com Sócrates, esse especialista em farsas mediáticas, os três partidos uniram-se, disputando lugares ao lado de Belmiro de Azevedo: as torres apodrecidas foram destruídas em directo nas televisões. Muitas pessoas baixaram os braços perante a indestrutível aliança destes partidos com o maior "empresário" do país.
No extremo da península de Tróia virada para Setúbal, a duna primária foi arrasada. A popular praia, do lado direito do passadiço de desembarque, desapareceu substituída por uma marina. Uma muralha de prédios de 4 e 5 pisos, bem próxima da água, deixa para trás, cercada e sem vistas, a antiga área edificada pela antiga Torralta (perante a indignação dos antigos proprietários). A erosão da costa é secundária perante a ganância de quem finge não ver a destruição das dunas.
Para os golfinhos do Sado, o "resort" actualmente em desenvolvimento em Tróia, levanta novas e graves ameaças. O projecto imobiliário, implicou a deslocação do cais dos ferries para a zona próxima das instalações da marinha. Essa zona coincide com a área de mais importante alimentação dos golfinhos.
O estudo de impacte ambiental efectuado pela Comissão de Avaliação do Projecto "Marina e novos cais dos ferries do Tróiaresort", deu parecer desfavorável por causa dos riscos eventuais para a população de golfinhos e por existir a alternativa de manter a actual localização. Este estudo foi ignorado pelo Governo. Um princípio mínimo de precaução, aconselharia a que a mudança do cais dos ferries não tivesse lugar e se mantivesse o actual cais.
A Tróia do povo está transformada numa espécie de condomínio privado de novos ricos e patos-bravos carentes de estatuto. É provável que mais dunas e cordões dunares sejam inevitavelmente destruídos, rompidos, a água comece a ameaçar com as marés e os temporais. Que a salinização e contaminação dos escassos aquíferos pela ocupação desenfreada, pelos campos de golfe, venha a sair cara a todos nós ou que cá estiver para ver.
Quando a operação imobiliária estiver concluída, Belmiro de Azevedo abandonará rapidamente Tróia e lá estará o orçamento do Estado a pagar os efeitos nefastos da destruição das dunas, construindo muros e diques para defender a selva de betão...
Texto de Álvaro Arranja retirado do website Esquerda.net
Filme/debate O Mar é Nosso! (dia 11 de Julho, às 17h., Figueira da Foz), contra a privatização do mar e do litoral
Sábado, dia 11 de Julho, Clube União Brenhense, na Figueira d Foz, às 17 horas
Projecção do filme seguida de debate aberto, com a presença de Fernando Varela, representante do Movimento de Pescadores e Cidadãos contra o Mar Privado, e Sofia Rajado pelo Colectivo Revista Rubra.
Colóquio sobre patrimónios pastoris no núcleo museológico da pastorícia do Fundão ( dia 10 de Julho)

O colóquio «Patrimónios Pastoris – cruzar olhares II» acontece na sequência de várias actividades que têm vindo a ser feitas, no Núcleo Museológico da Pastorícia, com o propósito de reflectir e valorizar o património material e imaterial que nos é legado por séculos de práticas pastoris.
Está patente, no Núcleo Museológico do Salgueiro, a exposição “Tectos Pastoris céu, colmo, barro, pedra” na qual se apresenta um grande trabalho de recolha fotográfica de elementos arquitectónicos efectuada nas vias pecuárias espanholas. Entendemos que esta é uma óptima ocasião para fazermos um cruzamento de olhares entre a arquitectura e a cultura pastoril.
Um dos objectivos deste colóquio é reflectir acerca das técnicas e materiais utilizados ancestralmente e as actuais preocupações ecológicas na arquitectura. Para nos falarem acerca destes temas vamos ter connosco a Arqt.ª Ana Cunha, o Dr. António Catana, o Dr. Santiago Bayón Vera e o Dr. Pedro Salvado.
Após este debate, iremos apresentar um filme que resultou de algumas recolhas de histórias de vida que fizemos, e está integrado no Projecto «O Céu dos Nossos Avós».
Estão todos convidados a aparecer no Núcleo Museológico da Pastorícia pelas 21h00 no dia 10 de Julho 2009.
«Abri ! Eu chamo-me a Anarquia», poesia de Gomes Leal (1848-1921) publicada no jornal anarco-sindicalista brasileiro «A Plebe»
E sou o Turbilhão colérico e profundo,
que vem varrer a terra, o rato nunca visto.
Venho cheio de pó, cansado, todo immundo.
Em toda parte o mal! Em toda parte o Christo!
Sou quem trago a sentença escripta contra o mundo,
e que açouto o cavallo em sangue do Anti-Christo!
Sou quem trago commigo os rotos esquadrões
da plebe esguedelhada, anonyma, assassina.
Sou quem hei de varrer reis e religiões,
a indignação de baixo, a colera ferina
Já chegou a Justiça o sangue das Nações!
- A pé, a pé, a pé! A cotovia trina!
Papas, bispos, e reis, peitos de diamante!
Como não chorareis ouvindo o grande abalo?
Allemanha, arremessa ao Rheno o teu guante
Tu, Igreja, renega antes que cante o gallo
- Justiça, mostra já teu dedo flamenjante!
- Vingança, vai sellar o teu feroz cavallo!
Gomes Leal
A Plebe - Anno I - num 4 - 30 de Junho de 1917
Quem foi Gomes Leal?
Filho ilegítimo de um funcionário, António Duarte Gomes Leal nasceu em Lisboa no dia 6 de Junho de 1848. Chegou a frequentar o Curso Superior de Letras, mas a sua cultura literária foi quase toda adquirida no seu meio de trabalho e nos cafés.
Começou cedo a trabalhar no mundo jornalístico, tendo também feito edição de livros e panfletos. Colaborou com diversos jornais da época, publicando críticas literárias e artigos satíricos. Enquanto crítico, Gomes Leal era já defensor do realismo, mas como poeta era ainda ultra-romântico, sobretudo a nível formal.
O seu primeiro livro de poesia, Claridades do Sul, foi publicado em 1875, e nele já se notam os seus ideais anticlericalistas e republicanos, preocupações também presentes em obras posteriores. A partir de Anticristo (1886), e com A Mulher de Luto (1902), a poesia de Gomes Leal torna-se mais negativa, de uma certa inspiração ocultista, provavelmente devido à decadência física e moral sofrida pelo poeta. Em 1910 converteu-se ao catolicismo, mudança que se manifestou na sua obra, em livros como A Senhora da Melancolia.
A fase final da vida de Gomes Leal foi marcada por um grande fervor religioso, associado à degradação física e moral consequente do seu alcoolismo. Morreu em Lisboa no dia 30 de Janeiro de 1921.
Dandy saturniano, entre a boémia e a pobreza, entre o prestígio panfletário e o abandono visionário, Gomes Leal publicou irregularmente a mais extraordinária e desconcertante obra poética do seu tempo. Personificando a figura romântica do predestinado para os rasgos de génio e para os transes da desgraça, Gomes Leal revelou logo na primeira e insuperada colectânea — Claridades do Sul (1875) — as potencialidades ímpares e nunca perfeitamente actualizadas. Aí cruzava todas as tendências do século XIX; e por vezes antecipava aspectos do Modernismo e da imaginação surrealista.
Com a morte da sua mãe, em 1910, caiu na pobreza e converteu-se ao Catolicismo, vivendo da caridade alheia, chegando a passar fome e a dormir ao relento, em bancos de jardim, como um vagabundo, tendo uma vez sido brutalmente agredido pela canalha da rua. No final da vida, Teixeira de Pascoaes e outros escritores lançaram um apelo público para que o Estado lhe atribuísse uma pensão, o que foi conseguido, apesar de diminuta.
Funda com Magalhães Lima, Silva Pinto, Luciano Cordeiro e Guilherme de Azevedo, em 1872, o jornal satírico "O Espectro de Juvenal".
Obras suas importantes são também " A Mulher de Luto" (depois da sua viagem a Madrid em 1878, por ocasião do casamento de Afonso XII) - 1902 -; "A Fome de Camões" e "A Morte de Bocage" (aquando do centenário épico Nacional, em 1881. Reflecte nelas sobre o destino fatal do poeta de missão, com que ele próprio se identificava); no ano seguinte os panfletos poéticos "A Traição" e "O Herege" (pondo em causa o trono na pessoa do rei D.Luís, as Instituições burguesas e a Igreja, gerou um verdadeiro escândalo literário e político); e na linha desta "poesia como voz da Revolução" (como o anunciara Antero de Quental nas Odes Modernas), os folhetins satíricos "A Orgia", "A Morte do Atleta", "A Noviça", e "O Remorso do Facínora"; "A História de Jesus" em 1883 (tendência agora calma e cristã) ; "Fim do Mundo" (volume com as suas poesias de combate) - 1899 -; "Mefistófele em Lisboa" e "Retratos Femininos" ( novas sátiras e quadros da vida urbana) - obras extraordinárias onde conflui o Ultra-Romantismo, satanismo byrónico, Parnasianismo e Simbolismo.
Foram publicadas em 2000 pela Assírio & Alvim, com edição de José Carlos Seabra Pereira, as seguintes obras, até à data esgotadas ou de difícil acesso:
A Fome de Camões e Outros Destinos Poéticos
A Mulher de Luto – Processo Ruidoso e Singular
Claridades do Sul
Fim de um Mundo – Sátiras Modernas
História de Jesus (Para as Criancinhas Lerem)
Mefistófeles em Lisboa e Outros Humorismos Poéticos
O Anti-Cristo – Primeira Parte – Cristo é o Mal
O Anti-Cristo – Segunda Parte – As Teses Selvagens
Para saber mais sobre Gomes Leal:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5656.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Gomes_Leal

O Mundo Velho
Nas crises d'este tempo desgraçado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado...
Quem não verá, contente ou consternado,
- Mundo velho que estás a desabar - ?!...
Sim tu estás a morrer, vil socio antigo...
E Pae de nossos vicios e paixões!
Camarada dos crimes, torpe amigo...
- Morre, emfim, correrá no teu jazigo,
Em vez de vinho, o sangue das nações!
Deves morrer, provecto criminoso!
Tens vivido de mais, vil sensual!
Tu estás velho, cansado e desgostoso,
E, como um velho principe gotoso,
Ris, cruelmente, ás sensações do mal.
- Que é feito do teu Deus, do teu Direito?
- Onde estão as visões dos teus prophetas?
- Quem te deu esse orgulho satisfeito?
Muribundo Caiphaz, junto ao teu leito,
Morrem, debalde, os gritos dos poetas!
No tempo em que eras forte, foi teu braço
Que apunhalou os grandes ideaes!...
Hoje estás gordo, sensural, devasso,
E andas, torpe a rir, como um palhaço,
N'um circulo lusente de punhaes.
Tu tens vendido os justos no mercado!
Crucificado o nobre, o bello e o bom!
Vaes cahir templo pôdre e abandonado,
Não á voz de Jesus ensanguentado,
- Mas ao verbo sinistro de Proudhon.
É elle que te arrasta ao teu jasigo,
Andas vergado á sua maldição!
Cambalêas ao funebre castigo,
E passas corcovado como o antigo,
Escravo, sob o lenho da paixão!
O seu grande clarão inda t'innunda,
Fulminou-te, morcêgo, á sua luz!
Marcou-te a consciençia rôta e immunda,
E a chaga que te abriu é mais profunda
Que a do lado direito de Jesus!
Nenhum deus, já ninguem póde cural-a!
Has-de morrer, caido amphytrião;
É essa a dôr eterna que te rala,
- Manda erguer o caixão na tua salla,
Prepara o funerario cantochão!
Tu tens quebrado os peitos mais robustos,
Tens dado aos santos o vinagre e o fel...
- Bom conviva de Nero e dos Procustos,
Andas ebrio do sangue de mil justos,
De mil sabios... de Christo e de Rossel!
Tens talhado a teu modo a Sociedade!
E por isso o infeliz que te condemne;
Ensanguentaste as mãos da Mocidade,
Nunca amaste o Direito ou a Equidade,
Matas Vallès...... Deixas viver Bazaine.
Tu viveste contente e agasalhado
Entre os brilhantes, e as visões do gaz!
- Bem te importava a neve... e o ar gelado,
O Frio e a Fome... É tepido o Peccado!
Calvo amigo!... Venceu-te Satanaz!
Tornaste o Templo casa de penhores,
- Mas ninguem ora a Deus nas cathedraes!
E já cheios de lastimas e dôres,
Nós lemos mais nas petalas das flores
Do que em todas as folhas dos missaes!
Morre, morre, venal, sem um gemido!
- Nem podes, levantar as mãos aos ceus!
Ha muito que ris d'isso, aborrecido?
Em nada crêste, em nada!--Adeus vencido!
Morre ahi como um cão!--Vencido, adeus!
Morre, morre, na lucta, pois, soldado!
Corpo cheio de tedio e de bolor!
- Adeus, velho navio destroçado!
- Morre! antigo conviva do peccado!
- Faltou-te sempre Deus, a Lei e o Amor!
António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
Acusação à Cruz
Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podridão, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pendão de luto levantado.
Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle está mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.
Ha muito já que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!
Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!
António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul

Lisboa
De certo, capital alguma n'este mundo
Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,
Mais collinas azues, rio d'aguas mais mansas,
Mais tristes procissões, mais pallidas creanças,
Mais graves cathedraes - e ruas, onde a esteira
Seja em tardes d'estio a flor de larangeira!
A Cidade é formosa e esbelta de manhã! -
É mais alegre então, mais limpida, mais sã;
Com certo ar virginal ostenta suas graças,
Ha vida, confusão, murmurios pelas praças;
- E, ás vezes, em roupão, uma violeta bella
Vem regar o craveiro e assoma na janella.
A Cidade é beata - e, ás lucidas estrellas,
O Vicio á noute sae ás ruas e ás viellas,
Sorrindo a perseguir burguezes e estrangeiros;
E á triste e dubia luz dos baços candieiros,
- Em bairos sepulchraes, onde se dão facadas -
Corre ás vezes o sangue e o vinho nas calçadas!
As mulheres são vãs; mas altas e morenas,
D'olhos cheios de luz, nervosas e serenas,
Ebrias de devoções, relendo as suas Horas;
- Outras fortes, crueis, os olhos côr d'amoras,
Os labios sensuaes, cabellos bons, compridos...
- E ás vezes, por enfado, enganam os maridos!
Os burguezes banaes são gordos, chãos, contentes,
Amantes de Cupido, avaros, indolentes,
Graves nas procissões, nas festas e nos lutos,
Bastante sensuaes, bastante dissolutos;
Mas humildes crhistãos! - e, em lugubres momentos,
Tendo, ainda, crueis saudades dos conventos!
E assim ella se apraz n'um somno vegetal,
Contraria ao Pensamento e hostil ao Ideal! -
- Mas mau grado assim ser cruel, avara, dura,
Como Nero tambem dá concertos á lua,
E, em noutes de verão quando o luar consolla,
Põe ao peito a guitarra e a lyrica violla.
No entanto a sua vida é quasi intermitente,
Afunda-se na inação, feliz, gorda, contente;
Adora inda as acções dos seus navegadores
Velhos heroes do mar; detesta os pensadores;
Faz guerra a Vida, á Acção, ao Ideal - e ao cabo
É talvez a melhor amiga do Diabo!
António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
O Selvagem
Eu não amo ninguem. Tambem no mundo
Ninguem por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.
Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitario, inerte e mudo,
- Passividade estupida das Cousas.
Fechei, de ha muito, o livro do Passado
Sinto em mim o despreso do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N'um egoismo barbaro e escuro.
Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regiões dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.
E não vejo ninguem. Saio sómente
Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguem me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os cães ladram à lua...
6.7.09
Trabalhadoras/es corticeiras/os da Facol (Lourosa, St. M. Feira) estão há mais de um mês junto da empresa a reclamar por 7 meses de salários em atraso
Os trabalhadores da corticeira Facol há mais de um mês mantêm-se junto dos portões da empresa a reclamar sete meses de salários em atraso.
Resistência popular contra o golpe militar fascista nas Honduras

Para acompanhar os acontecimentos:
Rádio Liberada ( radio clandestina das Honduras): aqui
http://radioprogresohn.com/ - ouvir online aqui
http://radioeslodemenos.blogspot.com/
http://www.radioglobohonduras.com/
http://chiapas.indymedia.org/
http://unionsl.blogspot.com/
http://hondurasresists.blogspot.com/
http://www.hondurasgolpeada.net/
http://hondurasenlucha.blogspot.com/
http://hablahonduras.com/
http://resistenciahondurena.blogspot.com/
http://porhonduraslibre.blogspot.com/
http://laluchasigue.org/
http://upsidedownworld.org/main/content/category/5/23/46
http://contraelgolpedeestadohn.blogspot.com/
OUTROS MEIOS QUE ESTÃO TAMBÉM A ACOMPANHAR OS ACONTECIMENTOS:
http://oclibertaire.free.fr/spip.php?article590
http://oclibertaire.free.fr/spip.php?breve157
http://amerikenlutte.free.fr/index.php
Telesur: http://www.telesurtv.net
Alba TV http://www.albatv.org:80/
Aporrea: http://www.aporrea.org/
Agencia Bolivariana de Noticias: http://www.abn.info.ve
Prensa Latina: http://www.prensa-latina.cu/
ANMCLA Corresponsalía Honduras:
http://www.medioscomunitarios.org/honduras/
Asociación Latinomerica de Educación Radiofónica:
http://www.aler.org/
Diario Nuestro País Costa Rica: http://www.elpais.cr/

Concentração solidária com as lutas dos povos indígenas do Peru ( dia 8 de Julho no Largo de Camões, ao Chiado)
PELO RESPEITO E AUTONOMIA DAS CULTURAS ANCESTRAIS
Em Lisboa:
Dia 8 de Julho (quarta-feira) pelas 18h
Praça de Luís de Camões (Lisboa)
Concentração de solidariedade com a luta dos povos indígenas do Peru
No Porto:
Dia 8 de Julho (quarta-feira) pelas 18h
Em resposta ao apelo da União Socialista Libertária (USL) a IniciativaLibertária do Porto convoca uma acção de informação para o Porto.
No passado dia 5 de Junho a polícia peruana atacou brutalmente manifestantes na região de Bagua, no norte do Peru, resultando na morte de cerca de 50 indígenas da floresta amazónica, em mais de 100 feridos e vários desaparecidos, tendo também sido detidas perto de 130 pessoas. Este massacre é consequência da repressão estatal de uma luta que os povos indígenas daquela região travam há bastante tempo contra os projectos de desenvolvimento, promovidos pelo Tratado de Comércio Livre assinado pelo governo do Peru concedendo o direito de exploração dos recursos naturais aí existentes, que irão abalar por completo o seu modo de vida e que levarão a uma destruição ambiental sem retorno. Esta é uma luta que não é só dos povos amazónicos, mas que se alastra a todos nós, já que pretende preservar aqueles que são os poucos vestígios de um mundo selvagem que tem vindo a ser arrasado em nome de um dito progresso com o único objectivo de enriquecer alguns à custa da devastação do nosso planeta.
Daí, respondemos ao apelo internacional feito pela União Socialista Libertária do Peru para o próximo dia 8 de Julho, convocando uma concentração de solidariedade com a luta dos povos indígenas.
Contra o capitalismo e a destruição do nosso mundo natural,
solidariedade com a luta dos povos indígenas!!!
Nenhuma agressão sem resposta!!!
Anarquistas por uma Terra Livre
http://uslperu.blogspot.com/
Pronunciamento internacional libertário
Apelamos para a vocação solidária que nos caracteriza como revolucionários libertários, para fazer causa comum por nossos irmãos indígenas e para fazê-los saber que não estão sozinhos, já queas suas lutas são as nossas, até alcançar a verdadeira sociedade de plena liberdade, autonomia e progresso humano, sem explorados nem exploradores.
SOLIDARIEDADE COM A LUTA DOS POVOS AMAZÓNICOS DO PERU!
As comunidades amazónicas e indígenas da selva peruana (especialmente em Loreto, San Martín, Amazonas, Ucayali, Huánuco, Cuzco e Madre de Dios) novamente fazem soar os seus tambores de luta e resistência frente aos ataques do modelo económico neoliberal defendido pelo governo peruano (com o Partido Aprista à frente) e como medida de força fazem o apelo à rebelião popular através do Paro General Indefinido acatado massivamente desde 9 de Abril deste ano. Já passaram mais de 50 dias em pé de luta, o que, sem dúvida, vem a ser um claro exemplo de valor, organização e heroísmo.
O papel do Estado peruano
Está claro que todo este processo de denúncias e perseguição judicial e política se insere dentro de uma vontade por parte do Estado de criminalizar toda forma de protesto popular e reprimir as justas demandas sociais, apresentando para a opinião pública como “simples vândalos ou selvagens ignorantes do progresso que significa a globalização” os irmãos e irmãs indígenas do Peru.
Apoiar o justo protesto dos povos indígenas e amazónicos
Em tal sentido, apoiamos a luta do povo amazónico e suas diversas comunidades para conseguir soluções imediatas e fazemos o chamado para:
• Anulação da normativa que atenta e vulnera os interesses das Comunidades Nativas e Camponesas. Ou seja, a anulação da Lei Nº 29317 ou nova Lei Florestal e de Fauna Silvestre, produto de uma apressada e parcial modificação do Decreto Legislativo Nº 1090 (Lei da Selva) e os conexos Decretos Legislativos 1089, 1064 e 1020. Ou seja, os 99 decretos impostos e jamais consultados aos povos.
• Exigir o respeito da autonomia e autodeterminação das comunidades nativas e sua participação política activa na tomada de decisões e na aprovação ou não, através dos mecanismos da democracia directa (Assembleias populares, referendos, etc.) das normas legais ou contratos de concessão.
• Exigir benefícios e facilidades para que as comunidades e povos originários possam desenvolver suas actividades produtivas, de comércio e industrialização, com a perspectiva de controle directo destes processos pelos mesmos moradores baseando-se em princípios autogestionários e de socialização.
• Exigir benefícios e facilidades para a abertura e promoção da educação e cultura nas comunidades (desde estas e para estas). Mais colégios, professores capacitados, promover a profissionalização dos estudantes indígenas. Ou seja, a construção de um sistema educativo racional e de qualidade sem as tendências competitivas e vorazes que ordena o mercado capitalista mundial.
• Exigir os maiores benefícios das actividades de exploração do Petróleo e do Gás, em favor dos povos originários, assim como a edificação de Hospitais, estradas e a infra-estrutura requerida, sempre que sejam aprovados pelos próprios povos e que a gestão dos mecanismos, controle e administração sejam feitas pelas mesmas comunidades.
• Fim imediato da campanha de criminalização do protesto que tem empreendido o governo aprista e a direita peruana, e também fim da perseguição aos lutadores sociais e a criação de notícias que desviem a atenção social sobre os problemas reais do país.
Solidariedade internacionalista com a luta dos povos amazónicos do Peru!
Viva as lutas heróicas dos povos indígenas do Abya Yala!
Somos todos amazônicos!
Viva os que lutam!
Lima, 05 de junho de 2008
Assinam:
1.- Unión Socialista Libertaria (Lima, Perú)
2.- Red Libertaria Popular Mateo Kramer (Colombia)
3.- Periódico Barrikada (Uruguay)
4.- Convergencia Anarquista Específica (Chile)
5.- Corriente Acción Libertaria (Chile)
6.- Huancayo Rebelde (Huancayo, Perú)
7.- Centro de Estudios Sociales Manuel González Prada (Huancayo, Perú)
8.- Columna Libertaria Joaquín Penina (Argentina)
9.- Organisation Communiste Libertaire (Francia)
10.- Asociación Obrera de Canarias / Ēššer Ămăhlan n Təkanaren (Islas Canarias, África)
11.- Frente de Estudiantes Libertarios (Chile)
12.- Federazione dei Comunisti Anarchici (Italia)
13.- Ateneo Autónomo de Contracultura y Estudios “La Libertaria” (Venezuela)
14.- Red Libertaria (Argentina)
15.- Antorcha Libertaria (Colombia)
16.- Revista libertaria Divergences (Bélgica)
17.- Colectivo de comunicación y agitación popular “Mecha” (Colombia)
18.- Colectivo ReXiste Riot Grrrl (Colombia)
19.- Estrategia Libertaria (Chile)
20.- Federación Anarquista Uruguaya (Uruguay)
21.- Organización Socialista Libertaria (Argentina)
22.- Organización Comunista Libertaria (Chile)
23.- Colectivo Agitación Libertaria (Chile)
24.- The Anarchist International (V/P)
25.- Espacio Libertario (Argentina)
26.- Kolectivo Utopía Ácrata Libertario (Argentina)
27.- Colectivo ResGestae (Colombia)
28.- Federation Anarchiste (Francia/Bélgica)
29.- Colectivo Qespikay (Cusco, Perú)
30.- Periódico Anarquista "El Surco" (Chile)
31.- Buffalo Class Action (EE.UU.)
32.- Zabalaza Anarchist Communist Front (Sudáfrica)
33.- Unión Solidaria y Libertaria (Argentina)
34.- Workers Solidarity Alliance (EE.UU. y Canadá)
35.- La Batalla de los trabajadores (Chile)
36.- Colectivo: Kolumna Insumisa Fraternal Anarquista (Colombia)
37.- Alternative Libertaire (Francia)
38.- Coordination des Groupes Anarchistes (Francia)
39.- Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Brasil)
40.- Comité de solidarité avec les peuples du Chiapas en lutte (Francia)
41.- Miami Autonomy and Solidarity (EE.UU.)
42.- Társadalmi Forradalom -anarcho communist portal- (Hungría)
43.- North Eastern Federation of Anarchist-Communists (EE.UU.)
44.- Colectivo de Género Libertario de Arica (Chile)
45.- Grupo Militante Libertario (México)
46.- Revista “Hombre y Sociedad” (Chile)
47.- Vermelho e Negro – Fórum do Anarquismo Organizado (Brasil)
48.- Confédération Nationale du Travail (Francia)
49.- Melbourne Anarchist Communist Group (Australia)
50.- Common Action (EE.UU.)
5.7.09
O aumento do garimpo e da actividade dos garimpeiros ameaçam a vida e as terras indígenas dos Yanomani

http://www.socioambiental.org/
Sobre os Índios Yanomani:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ianom%C3%A2mis
Em carta enviada à presidência da Funai em 27 de maio, a Associação Yanomami Hutukara (HAY) denuncia o crescimento desenfreado das actividades garimpeiras em seu território e exige das autoridades providências urgentes temendo que o garimpo cresça aos índices da década de 1980 quando a presença de mais de 45 mil garimpeiros resultou em mortes, epidemias, degradação ambiental e desestruturação social.
A carta divulgada pela HAY se baseia em relatos recebidos das comunidades e no crescimento nas vendas de material para garimpo no comércio de Boa Vista. O secretário da Hutukara, Dário Vitório, disse que nos últimos meses aumentou o número de cartas vindas das comunidades yanomami pedindo ajuda para a retirada dos garimpeiros. “Os parentes nos falam por radiofonia e através de cartas que estão com medo porque aumentou muito o barulho de aviões, helicópteros e motores nas proximidades das comunidades. Em alguns lugares, como no Papiú, os garimpeiros se aproximam das comunidades para tentar comprar nossa comida e nos convidando para trabalhar."
Segundo a carta da Hutukara, é visível o aumento da actividade garimpeira também em Boa Vista, capital de Roraima: “Em Boa Vista, aumentou o número dos comércios que vendem material para garimpo, e também as casas de compra de ouro e diamantes. O ouro voltou a ser moeda nas lojas do centro da cidade de Boa Vista".
A Hutukara critica as poucas operações até então deflagradas pela Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), apontando para a sua ineficácia, pois os garimpeiros fogem para dentro da mata assim que ouvem o barulho do avião, e os que são pegos têm a certeza da impunidade: “De vez em quando garimpeiros são retirados pela Funai, porém nenhum garimpeiro foi preso e eles sempre voltam para a terra Yanomami, para garimpar. É comum na época das chuvas os garimpeiros aparecerem nos postos da Funai e se entregarem. Eles ganham uma “carona” para voltar para casa e no verão voltam para os garimpos ilegais.
A solução, conclui a Hutukara, é fazer "o controle da entrada dos garimpeiros, a prisão dos garimpeiros e dos equipamentos, mas principalmente dos empresários do garimpo, que contratam os garimpeiros e financiam esta atividade."
Para ler a carte supra referenciada: aqui
Fonte da notícia:
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2900
A formação de professores Yanomami já inclui referências às mudanças climáticas globais
Na penúltima etapa do curso de Magistério Yarapiari, na Missão Catrimani (RR), os cerca de 80 participantes ouviram apresentações sobre gases poluentes e efeito estufa entre outros itens. Eles se comprometeram a fazer pesquisas sobre como a mudança climática é percebida pelas lideranças Yanomami e de que forma impacta o seu modo de vida. Devem apresentar os resultados ainda este ano, no final do curso.
Foi a décima-primeira etapa do Magistério Yarapiari de Formação de Professores Yanomami, promovida pelo Projeto Pró-Yanomami do Programa Rio Negro do ISA.
Entre 4 e 31 de maio, cerca de 80 professores falantes de quatro línguas, vindos de 11 regiões da TI, lotaram a Missão Catrimani, na TI Yanomami (RR) para participar da penúltima etapa do curso.
Os temas foram “Alimentação e Mudanças Climáticas” com a consultoria de Márcio Santilli, do ISA; “Política Lingüística e Políticas Públicas em Educação”, com a consultoria de Maria Cristina Troncarelli; “Nutrição”, com o consultor Maurice Tomioka Nilsom (Inpa/AM) e “Pesquisa” com a orientação de Judite Gonçalves de Albuquerque da Universidade Estadual de Mato Grosso – Unemat/Unicamp).
Em relação à mudanças climáticas, por exemplo, foram abordados conteúdos introdutórios, a visão da ciência sobre as mudanças climáticas, . e o aumento da emissão de gases poluentes, os chamados gases de efeito estufa, desde os tempos da revolução Industrial no século XVIII.
Como orientação para o próximo curso, no qual o tema será abordado novamente, os professores, jovens em sua maioria, realizarão pesquisas com os xamãs e lideranças tradicionais, enfatizando a visão dos Yanomami sobre as mudanças climáticas e seus possíveis impactos na vida do seu povo.
A primeira turma de professores Yanomami iniciada em 2001 vai se formar este ano. As etapas intensivas são apenas uma modalidade da formação, que inclui intercâmbios, pesquisa, acompanhamentos pedagógicos in loco e estudos autônomos. Em parceria com a Hutukara Associação Yanomami, o ISA pretende lutar para que a primeira turma de professores formados seja certificada.
Esta etapa do curso contou com a parceria da Fundação Rainforest, do Ministério das Relações Exteriores da França (MAE), da Missão Consolata (Diocese de Roraima) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Fonte da notícia:
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2904
CANTOS YANOMANI
A Hutukara Associação Yanomami lançou o CD Reahu He Ã, com Cantos da Festa Yanomami
Yanomamis: A última tribo (1/2)
Uma viagem para conhecer uma das tribos mais ancestrais que habitam na Terra, e que vive na selva tropical no norte do Brasil
Yanomamis: A última tribo (2/2)


