15.6.09

Declaração pública das companhias de teatro que participaram no III Festival das Companhias Descentralizadas em Campo Benfeito (Serra de Montemuro)

Terminou hoje, em Campo Benfeito, o III Festival das Companhias Descentralizadas, organizado pelo Teatro de Montemuro e que contou com a participação das outras cinco companhias de teatro profissional que integram a Plataforma das Companhias: A Escola da Noite (Coimbra), ACTA (Algarve), Centro Dramático de Évora, Companhia de Teatro de Braga e Teatro das Beiras (Covilhã).

Envolvendo directamente mais de 60 pessoas, o programa do Festival incluíu a apresentação de seis espectáculos (um por cada companhia), um workshop de escrita criativa com o dramaturgo Abel Neves, um workshop de teatro a cargo do grupo anfitrião, um debate sobre "O teatro na descentralização" (com a presença do Director Regional da Cultura do Centro) e ainda contactos informais com uma centenária associação cultural do concelho de Castro Daire, a propósito do trabalho artístico com jovens. As iniciativas espalharam-se por quatro localidades de dois concelhos da região - Campo Benfeito, Carvalhal, Castro Daire e Lamego - e integraram a programação de três salas: Espaço Montemuro, Auditório Municipal de Castro Daire e Teatro Ribeiro Conceição, Assistiram aos espectáculos cerca de 700 pessoas, o que representa uma média superior a 100 espectadores por sessão.

Um Festival em crescimento

A ideia do Festival das Companhias surgiu em 2005, na sequência dos contactos que vinham sendo estabelecidos entre estas seis companhias, organizadas informalmente numa Plataforma de debate, intercâmbio e colaboração. Para além de potenciar o conhecimento do trabalho que as suas congéneres vão realizando (objectivo a que estas seis companhias continuam a atribuir a maior importância), ele permite, de acordo com a lógica de rotatividade que vem seguindo, que as companhias de cada cidade apresentem aos seus públicos, de uma forma organizada, os espectáculos das estruturas de criação que com elas partilham este projecto.
Entre Faro (2005), Braga (2008) e agora Montemuro, o modelo do Festival tem vindo a ser aperfeiçoado, nomeadamente com a introdução de iniciativas paralelas à apresentação dos espectáculos, quer no âmbito da formação, quer aproveitando estas oportunidades para suscitar momentos de reflexão sobre áreas directamente relacionadas com o trabalho dos grupos - ao nível artístico e em matéria de política cultural. Simultaneamente, tem vindo a ser aumentado o tempo de encontro efectivo entre os diversos elementos que compõem cada companhia, de modo a fomentar um verdadeiro entrosamento entre os grupos. É por isso que todos os grupos tentam permanecer no local do Festival o maior tempo possível e com o maior número possível de pessoas – assim podem assistir aos espectáculos, mas também conhecer os colegas dos outros grupos com quem, ao longo do ano, vão comunicando e colaborando apenas à distância ou nos vários intercâmbios bilaterais estabelecidos entre estas companhias.

O conceito de “companhia”

Na origem do trabalho conjunto desenvolvido por estes grupos está a consciência partilhada por todos de que vale a pena, independentemente das diferenças estéticas que as caracterizam e que são mutuamente respeitadas, valorizar os múltiplos aspectos que as unem, decorrentes de duas marcas fundamentais: são companhias de teatro, com vários anos de existência tão estável quanto isso é possível na actual conjuntura nacional; e estão sediadas fora de Lisboa e Porto, assegurando uma significativa representatividade do chamado "resto do país" (num eixo que vai do Minho ao Algarve, passando pelo interior do território continental, e que cobre algumas das principais cidades médias portuguesas, como Braga, Coimbra, Covilhã, Évora e Faro).
Une-as igualmente a constatação que fazem dos contributos que têm dado para o desenvolvimento cultural das cidades onde estão sediadas. Mesmo apenas em termos quantitativos, será fácil somar o número de espectáculos anualmente apresentados por estes grupos (seguramente mais de 600), o número de espectadores que tiram partido destes espectáculos, bem como as acções de formação, as edições, as iniciativas para e com as escolas, os festivais e acolhimentos que organizam, o número de colaboradores que empregam, os jovens profissionais a quem dão oportunidades, os espaços que construíram, adquiriram e colocaram a funcionar e cuja existência se justifica, em larga medida, pelo trabalho que têm desenvolvido.

Contra o desconhecimento

Une-as também, contudo, a certeza de que estes seus contributos continuam a ser ignorados pela Administração Central, cujos discursos "descentralizadores", permanentemente contrariados por práticas centralistas, assentam num profundo desconhecimento sobre o que acontece no terreno e ignoram as especificidades do trabalho realizado longe dos centros de decisão política, económica e mediática.
Em contra-corrente com o balanço extremamente positivo que dele fazemos do ponto de vista do fortalecimento das relações entre as companhias, esta edição do Festival é, em si mesma, um exemplo dessa desconsideração pelo nosso trabalho. Quando, no verão passado, denunciámos publicamente a ausência de discussão pública sobre a alteração às normas do financimento público da criação artística, a DGArtes comprometeu-se a debater connosco e com outras estruturas a temática da descentralização, ainda que apenas depois de concluído o processo dos concursos que teriam que entrar em funcionamento rapidamente. Foi precisamente isso que quisemos fazer, no âmbito do Festival, convidando a DGArtes para estar presente no debate que organizámos e que foi aberto a todas as estruturas de criação do país. A representação oficial deste organismo foi sendo delegada em postos inferiores da hierarquia até acabar por não existir, o que consideramos inaceitável.

Recomendações

Também por isso, consideramos útil tornar públicas, após o encerramento dos trabalhos, as principais conclusões a que chegámos em conjunto, apresentando-as como recomendações aos vários decisores políticos envolvidos na definição e na concretização de políticas culturais em Portugal:


1. Retomar a discussão com os agentes culturais sobre o modelo de financiamento público às artes (abruptamente interrompida pelo actual Governo na segunda metade do seu mandato) a partir do quadro normativo aprovado pelo mesmo Governo nos seus dois primeiros anos e que nunca chegou a entrar em vigor;

2. Cumprir o programa de Governo no que respeita à dotação orçamental do Ministério da Cultura, aproximando-nos (e não afastando-nos, como tem vindo a acontecer) do 1% do Orçamento Geral do Estado;

3. Cumprir o programa de Governo no que diz respeito à separação entre apoios à criação e apoios à programação, em nome da clareza e da eficácia do investimento público;

4. Diferenciar de forma clara o apoio a estruturas de criação dos apoios a projectos pontuais e a novos criadores, o que implica a definição objectiva do conceito de "companhia" e a quantificação realista dos custos decorrentes da sua actividade regular e das obrigações legais a que estão sujeitas (encargos com pessoal, Segurança Social, Finanças, gestão de espaços, etc.);

5. Racionalizar os financiamentos públicos, valorizando as estruturas que melhores condições têm para cumprir o seu papel de serviço público, dotando-as de meios para que efectivamente o possam cumprir e de modo a que possam ser justamente avaliadas e seriamente responsabilizadas;

6. Clarificar os papéis dos diferentes níveis da Administração Pública, nomeadamente na articulação entre a Administração Central, as autarquias e as estruturas intermédias de governação (Direcções Regionais de Cultura, Direcções Regionais de Educação, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento) na gestão da política cultural. Promover activamente as indispensáveis complementaridades - até aqui, as companhias têm sido quase sempre deixadas sozinhas no papel de ponte entre estes diferentes níveis de decisão ou mesmo, nos piores mas frequentes casos, utilizadas como arma de arremesso entre cada um deles.

7. Envolver a Administração Central, as autarquias e as estruturas de criação numa análise séria das condições que os espaços teatrais do país oferecem para a criação e a apresentação de espectáculos. O Auditório de Castro Daire é um exemplo, entre tantos outros casos que conhecemos bem, de um equipamento em que pequenas e baratas intervenções poderiam melhorar substancialmente a funcionalidade dos espaços e a fruição por parte do público;


Coimbra, 2010

Realizado este ano sem qualquer apoio financeiro por parte do Ministério da Cultura, o III Festival das Companhias foi por elas suportado em grande parte - os apoios das autarquias de Lamego e Castro Daire e os patrocínios conseguidos não cobrem nem metade do orçamento. A importância e a singularidade do evento justificariam também outra atenção do Estado. Reivindicamo-la a partir de hoje já para a próxima edição, que terá lugar durante o ano de 2010, segundo decisão unânime, em Coimbra, com organização d'A Escola da Noite.

Campo Benfeito, 14 de Junho de 2009.



Consultar:

Ricardo Marques, médico português assassinado na Somália em 1997, vai ser recordado e homenageado em Viana do Castelo no próximo dia 18 de Junho

Ler sobre Ricardo Marques, médico obstectra do Hospital de Santo António do Porto, música, pacifista e objector de consciência ao serviço militar, o texto já publicado neste blogue: aqui

O médico Ricardo Marques, assassinado em 1997 na Somália onde estava em missão humanitária dos «Médicos Sem Fronteiras», vai ser homenageado quinta-feira, em Viana do Castelo, na abertura da Conferência Europeia das Cidades Saudáveis,

Ricardo Marques, 35 anos, foi assassinado a 20 de Junho de 1997 em Baidoa, cidade a duzentos quilómetros de Mogadixo, capital da Somália, no final de mais uma missão dos Médicos sem Fronteiras (MSF).

Participou pela primeira vez em missões humanitárias em África, em 1983, concretamente no Sudão, ainda como estudante universitário, após o que passou a integrar regularmente missões dos MSF naquele continente, durante a sua formação e actividade profissional nos hospitais de Viana do Castelo e do Porto.
Na homenagem marcada para quinta-feira, será também recordada a faceta artística do homenageado - foi compositor e intérprete musical – através da intervenção de Rita Gentil, também médica de profissão que cantará o poema de Eugénio de Andrade É Urgente o Amor, muitas vezes interpretado por Ricardo Marques e pelo seu grupo Nortada, que constituiu em 1987 com outros jovens músicos vianenses.

Tocar de Ouvido - Festival Internacional de música de Évora (18,19 e 20 de Junho): a grande reunião dos tocadores e dos instrumentos

Tocar de Ouvido 2009 em Évora
O "Tocar de Ouvido" é o grande encontro dos instrumentos tradicionais em Portugal com oficinas, exposições e debates. Este ano há também grandes concertos! E os artistas vão orientar oficinas, partilhando técnicas com os participantes do Tocar de Ouvido.

Tocar de Ouvido
Festival Internacional de Música de Évora
18 a 20 de Junho
A grande reunião dos Tocadores e dos Instrumentos

Aprender concertina com Kepa Junkera e Artur Fernandes? Tocar Gaita-de-foles com Joaquim Roque? Cantar e tocar com as Leilia? E que tal aprender Rabeca, Pandeiro, Percussão Corporal ou Violão com alguns dos melhores músicos do Brasil?

De 18 a 20 de Junho, integrado na Feira de São João, o Tocar de Ouvido - Festival Internacional de Música de Évora, recebe grandes nomes das Músicas do Mundo, com os concertos na Arena d'Évora e oficinas, colóquios, exposições e documentários em vários pontos da cidade.



CONCERTOS
No dia 18, Dazkarieh e Sara Tavares inauguram o cartaz;
no dia 19, é a vez de A Barca (Brasil) seguida de Rabih Abou Khalil e Ricardo Ribeiro (Líbano / Portugal);
no dia 20 termina em grande festa com as Leilia (Galiza) e Kepa Junkera (País Basco).
E para além dos concertos, ainda haverá oficinas com estes músicos!...

Formadores das Oficinas
Concertina/Trikitixa Artur Fernandes e Kepa Junkera
Gaita-de-fole Joaquim Roque e Francisco Pimenta
Pandeireta e Canto galego Felisa Segade (Leilía)
Voz Juçara Marçal e Sandra Ximenez (A Barca)
Violão brasileiro e composição Chico Saraiva (A Barca)
Rabeca Thomas Rohrer (A Barca)
Pandeiro e Ritmos brasileiros Ari Colares (A Barca)
Percussão Corporal Marcelo Pretto (A Barca)
Miixer Bitocas

Colóquios, Documentários e Exposições

E porque o saber não ocupa lugar, os dias serão também pontuados com conversas informais, colóquios e projecção de documentários sobre as músicas de raiz:
no dia 18, "Joaquim Roque - a Vida de um Gaiteiro";
no dia 19, "Tradições do Futuro", com Victor Fernandes e O Mistério das Vozes Vulgares;
no dia 20, "A Barca: reachamento do Brasil".
Durante todo o festival estará patente na Biblioteca Pública de Évora a exposição "Homem, Terra, Música e Cordas", de Lia Marchi e Zig Coch, sobre a música tradicional do Brasil e que inclui a projecção dos últimos documentários desta autora, nos dias 19 e 20.

http://www.tocardeouvido.com/
http://www.pedexumbo.com/
http://www.gaitadefoles.net/

Lançado movimento de recusa à mistificação da actual avaliação dos docentes através da não entrega da ficha de auto-avaliação dos professores


Revelando coerência, verticalidade, sentido de exigência e coragem, os professores(as) Ana Mendes Silva, Armanda Sousa, Fátima Freitas, Maurício de Brito, Maria José Simas, Mário Machaqueiro, Helena Bastos, Paulo Guinote, Paulo Prudêncio, Pedro Castro, Ricardo Silva, Rosa Medina de Sousa e Teodoro Manuel, juntam-se à decisão do mesmo tipo já, anteriormente, tomada e publicitada pelos colegas Octávio Gonçalves e José Aníbal Carvalho (elementos do Núcleo de Estratégia do movimento PROmova), de não entregarem a Ficha de Auto-Avaliação dos docentes através da publicação de um Manifesto no jornal Público que reproduzimos a seguir:



MANIFESTO

CONTRA A AVALIAÇÃO DOS DOCENTES ENQUANTO MISTIFICAÇÃO


Esta é a declaração de uma intenção tomada em consciência e coerência com as atitudes e posições por nós assumidas num passado recente. Não é um apelo a um qualquer movimento de desobediência civil, nem o seu contrário, assim como também não é uma recusa em nos submetermos à avaliação da qualidade do nosso desempenho enquanto docentes.É apenas a manifestação pública da impossibilidade, de acordo com princípios de coerência e responsabilidade de que nos orgulhamos, de aceitarmos seguir as directrizes de um modelo de avaliação do nosso desempenho que de forma alguma cumpre os objectivos afirmados pela tutela, em particular no regime simplificado em vigor, de constitucionalidade duvidosa e escassa qualidade técnica.Em conformidade com posições adoptadas por todos nós em momentos anteriores, os subscritores desta declaração afirmam a sua indisponibilidade para entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes predeterminados pelo Ministério da Educação.Esta posição implica rejeitar a transformação do biénio 2007-09 numa pseudo-avaliação com base em objectivos definidos entre três a cinco meses do final das actividades lectivas deste período. Esta atitude significa a recusa frontal em participar de forma activa numa mistificação pública cujo objectivo é fazer passar por verdadeira uma avaliação falseada do mérito profissional dos docentes, mistificação esta que sabemos ter objectivos meramente eleitoralistas mas que terá consequências profundamente negativas para a qualidade da educação em Portugal.

Estamos conscientes das potenciais consequências da nossa tomada de posição, nomeadamente quanto à ameaça da não progressão na carreira por um período de dois anos lectivos, assim como de um eventual procedimento disciplinar que todos contestaremos em seu devido tempo. Esta é uma atitude cujas implicações apenas recaem sobre nós, estando todos preparados para continuar a lutar pela demonstração da ilegalidade do regime da chamada avaliação simplex.

Estamos ainda conscientes de algumas críticas que nos serão dirigidas de diversos quadrantes. Todas elas serão bem-vindas, venham de onde vierem, desde que se baseiem em argumentos e não em meras qualificações destituídas de conteúdo.

Aos que nos queiram apontar que não compete a cada cidadão definir a forma de cumprimento das leis que se lhe aplicam, poderíamos evocar o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa, mas bastará sublinhar o que acima ficou explicitado sobre a forma como encaramos as consequências dos nossos actos. A todos os que considerarem que esta é uma radicalização excessiva do nosso conflito com o Ministério da Educação reafirmamos que o fazemos em consciência e coerência com os nossos princípios éticos, sem calculismos ou outros oportunismos de circunstância.

Por último, salientamos que esta declaração não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém, mas tão-só a afirmação da nossa. Não podemos, porém, deixar de constatar que a força de qualquer atitude é tão mais poderosa quanto consciente e esclarecida a convicção de quem a toma.

Ana Mendes da Silva (Esc. Sec. da Amadora), Armanda Sousa, (Esc. Sec./3 de Felgueiras) Fátima Freitas (Esc. Sec. António Sérgio, Porto), Helena Bastos (EB 2/3 Pintor Almada Negreiros, Lisboa), Maria José Simas (Esc. Sec. D. João II, Setúbal), Mário Machaqueiro (Esc. Secundária de Caneças), Maurício de Brito (Esc. Sec. Ponte de Lima), Paulo Guinote (EB 2/3 Mouzinho da Silveira, B. Banheira) Paulo Prudêncio (EBI Santo Onofre, Caldas da Rainha), Pedro Castro (Esc. Sec. Maia), Ricardo Silva (EB 2/3 D. Carlos I, Sintra), Rosa Medina de Sousa (Esc. Sec. José Saramago, Mafra) e Teodoro Manuel (Esc. Sec. Moita).

Público, 13 de Junho de 2009





As razões da não entrega da FAA e a falta de coragem que se abriga sob o chapéu esburacado da legalidade


A RECUSA DE ENTREGA DA FAA, AS SUAS RAZÕES E AS SUAS RÉPLICAS


Quando, este ano, os professores decidiram não entregar os objectivos individuais previstos no modelo de avaliação em vigor, muitos deles fizeram-no não porque a lei os desobrigasse de semelhante entrega, mas porque exigiam a suspensão imediata de tal modelo e, com esse gesto, pretendiam sublinhar a sua vontade de não participar em qualquer momento de um processo absurdo e iníquo. O corolário político (e lógico) desta atitude só pode ser, se quisermos manter um mínimo de coerência (e de decência), a recusa de entrega da ficha de auto-avaliação (FAA) fabricada pelo Ministério. Em meu entender, para que a rejeição do modelo de avaliação seja levada até às últimas consequências, essa recusa deve traduzir-se na não entrega de toda e qualquer forma de auto-avaliação. Para que fique claro, tal postura assume as consequências dela decorrentes, incluindo a possibilidade de procedimento disciplinar.

Considero que tudo o que seja menos do que isto constitui, objectivamente, uma cedência e uma forma de se pactuar com o modelo de avaliação e com o modo como ele reforça a divisão injusta entre os professores e fomenta assimetrias descabidas no seio da classe docente.

Esta é a minha posição pessoal, que não coincide inteiramente com o que os movimentos têm vindo a defender, nem corresponde ao que a APEDE, associação de que faço parte, sustenta como sua posição pública. Por conseguinte, ela vincula-me apenas a mim e à minha consciência. Não pretende vincular mais ninguém, embora saiba que outros colegas pensam como eu.

Sei que esta minha posição está nos antípodas do que os sindicatos, e a Fenprof em particular, defendem. Com efeito, as direcções sindicais, e os professores que se reconhecem na sua visão, têm desenvolvido vários argumentos contra a não entrega da FAA. Algumas dessas linhas argumentativas não primam exactamente pela seriedade e pela consistência, mas todas merecem, ainda assim, resposta. Julgo que se podem reduzir a três grandes argumentos:

1) Ao não entregar a FAA, os professores estão a indicar que não pretendem auto-avaliar o seu trabalho, dando assim razão aos que os acusam de não quererem ser avaliados de modo algum.
2) Ao não entregar a FAA, os professores aceitam continuar a não progredir na carreira, contribuindo assim para que o Ministério e o Governo mantenham a espoliação da classe docente.
3) Apelar à não entrega da FAA significa expor os professores mais frágeis e mais vulneráveis, nomeadamente os contratados, a consequências disciplinares que podem ameaçar a sua permanência no emprego.

Analisemos então cada um destes argumentos. O primeiro é simplesmente uma falácia que, ainda por cima, reproduz o discurso ministerial mais estafado. Todos conhecemos o estribilho segundo o qual os professores, ao lutarem contra o modelo de avaliação em vigor, não querem, “no fundo”, ser avaliados. O pior é que muitos dirigentes sindicais andam a subscrevê-lo sem corar de vergonha. Será preciso repetir, pela enésima vez, que os professores estão em luta contra este modelo de avaliação, e não contra a avaliação em si mesma? Será necessário insistir em que uma luta coerente contra este modelo faz-se da recusa de tudo o que ele implica, incluindo um momento da auto-avaliação que é precisamente aquele em que o professor, de forma individual, participa activamente no processo, desse modo dando-lhe implicitamente a sua caução? Será preciso dizer que a entrega de uma declaração pífia (e burocratizada como mais um papelucho) de crítica do modelo é absolutamente insuficiente e ineficaz perante o aproveitamento político maciço que o Governo não deixará de fazer do facto de um número significativo de professores ter aceite, para todos os efeitos, participar num momento decisivo do processo de avaliação cozinhado pelo Ministério? E será, finalmente, necessário mostrar que uma auto-avaliação, quando inscrita neste modelo, se nega a si própria e se desqualifica como forma de avaliação séria e digna?

O segundo argumento é, porventura, ainda menos sério do que o primeiro. De acordo com as suas premissas, ao exigirem ser avaliados – à luz, note-se bem, de um modelo que, ao mesmo tempo, dizem rejeitar –, os professores estarão a combater a forma como o Governo tem feito contenção orçamental à sua custa. Ocorre, no entanto, perguntar: desde quando é que esse foi um objectivo da luta contra o modelo de avaliação? Não fomos nós que sempre dissemos que não aceitaríamos progredir na carreira a qualquer preço? Não fomos nós que sempre dissemos que não faríamos depender a progressão na carreira de uma cedência que implicasse a manutenção, e até o reforço, de um modelo de avaliação cujos vícios são por demais conhecidos? Entendamo-nos: o combate contra a espoliação a que temos estado sujeitos constitui, sem sombra de dúvida, um objectivo fundamental. Mas ele não passa por uma cedência que, na prática, só vem consolidar a divisão da carreira docente, divisão essa que é a raiz de todos os entraves à progressão salarial dos professores. A luta contra esses entraves não se faz mediante a entrega da FAA. Bem pelo contrário: faz-se de forma total, combatendo integralmente e sem tergiversações todo o pacote legislativo que o Ministério construiu para drenar os professores de meios financeiros. Esse pacote inclui o Estatuto da Carreira Docente, o Decreto Regulamentar 2/2008 e, já agora (convém lembrá-lo), o Decreto-Lei 75/2008. Há mais leis, decretos e despachos, mas estes são os principais.

O terceiro argumento é o único que encerra alguma pertinência. No entanto, padece de um problema: seria um argumento sério se houvesse, de facto, alguém a apelar a todos os professores para que não entreguem a FAA. Acontece que ninguém, incluindo o autor deste texto, anda a fazer esse apelo. Tudo o que há são professores, a título meramente individual, que anunciam uma posição e que tentam justificá-la. Com isso querem marcar algum exemplo? Esperam que haja colegas a segui-los? Provavelmente até querem e até esperam. Mas não têm mais expectativas senão que outros professores tomem também uma decisão individual, ainda que o somatório dessas decisões possa, eventualmente, originar uma bola de neve em crescimento exponencial.Se essa bola conseguir realmente crescer, pode ser que uma pequena revolução esteja prestes a eclodir no sistema educativo. Uma revolução imprevista e incómoda para muitos (a começar pelos tartufos do Ministério da Educação).

Essa revolução tem um nome de que não devemos ter medo. Chama-se «desobediência civil». Para o caso de não estarem lembrados, foi ela que permitiu a conquista dos direitos laborais que agora nos querem roubar.

Mário Machaqueiro



A RECUSA DE ENTREGA DA FAA E O SINDICALISMO QUE NOS FALTA


Um dos argumentos que tem sido utilizado para justificar a posição das direcções sindicais sobre a entrega da ficha de auto-avaliação (FAA) é o de que os sindicatos são organizações responsáveis e, como tal, não podem apelar que os seus representados desobedeçam à lei. Ora aqui está um argumento cuja naturalidade deveria ser de molde a afastar qualquer objecção. E, no entanto, são justamente estes argumentos “naturais” que deveriam suscitar em nós as maiores suspeitas. De facto, o que o argumento mostra é o estado a que chegou o sindicalismo entre nós. E, quando digo «nós», refiro-me a «nós, europeus» (sem querer parafrasear o mote da campanha do agora desvitalizado Vital).

Façamos, de forma despretensiosa, um pouco de história. Convém recordar que o nosso sindicalismo, o sindicalismo de hoje, não é o mesmo que se formou com as lutas heróicas dos operários de finais do século XIX e princípios do século XX, quando o direito à greve e o direito à própria constituição de sindicatos não eram sequer reconhecidos. Em grande medida, o combate pelos direitos laborais foi também, ao mesmo tempo, um combate pelo reconhecimento dos sindicatos enquanto formas de representação dos trabalhadores e pela negociação inter-classista como a forma de relacionamento «normal» entre trabalhadores e patronato ou, para usar a vulgata marxista, entre o proletariado e a burguesia. Como Lénine percebeu, essa luta não tinha a revolução como seu desiderato e seu horizonte. Mas, seja como for, era uma luta por novos arranjos jurídicos e institucionais, o que significa que, na ausência dos mesmos, ela só se poderia fazer contra a legalidade então dominante. Várias décadas de «contrato» social-democrata – uma realidade que só se generalizou (a alguns países) após a Segunda Guerra e, no caso de Portugal, apenas a seguir ao 25 de Abril – levaram a que essas origens ilegais do sindicalismo fossem sendo, gradualmente, esquecidas. O sindicalismo legalista que hoje se pratica é, pois, um produto de um contexto europeu em que a concertação social se tornou a norma. Essa norma, sabemo-lo bem, está hoje em vias de extinção acelerada.

Está-lo, aliás, desde a era Thatcher-Reagan, embora só ao longo dos anos 90, com o colapso retumbante do «socialismo real», o grande capital tenha encontrado os meios políticos para se furtar inteiramente ao “consenso” social-democrata referido atrás. O sindicalismo encontrou-se, de súbito, a falar sozinho numa mesa de negociações da qual o interlocutor tinha desaparecido, entregue à vertigem dos seus negócios e ao desmantelamento dos direitos laborais anteriormente «adquiridos». Em lugar desse interlocutor, o sindicalismo deparou-se com poderes de Estado empenhados em aprofundar a erosão do contrato social-democrata. Uma erosão feita inteiramente com meios legais. Uma erosão que configurava, de facto, uma nova legalidade.

Essa nova legalidade consiste em ilegalizar, de forma gradual mas decidida, os direitos laborais que haviam sido conquistados em lutas contra a lei – lutas ilegais, pois – ou em lutas conformes à lei no quadro da concertação inter-classista.

A relação do sindicalismo com a legalidade inscreve-se, portanto, num mapa muito mais complexo e muito menos linear do que se supõe quando tomamos como evidente a necessidade de os sindicatos respeitarem as leis vigentes. A história do sindicalismo é indissociável de muitos momentos de desobediência civil. O problema é que os dirigentes sindicais de hoje, formatados por esse sindicalismo mole que se constituiu quando os modelos da concertação social e do Estado-Providência pareciam dados irreversíveis, não estão minimamente preparados para enfrentar uma nova legalidade apostada em ilegalizar os direitos laborais. Na verdade, estão desfasados da ordem política actual, funcionando como se as premissas subjacentes ao consenso social-democrata ainda estivessem de pé.

Os sindicatos dos professores, sublinhe-se, não são excepção a esta regra. Antes a confirmam abundantemente.

Ora, por tudo o que vimos antes, as novas leis laborais não podem ser combatidas eficazmente se nos mantivermos dentro do estrito limite de respeito pela legalidade. Pois o problema maior está justamente nesta e no tipo de respeito a que compele. A única forma consistente de combater as referidas leis, a única forma de não sermos derrotados e esmagados por elas, está na recusa de as cumprirmos. Torna-se cada vez mais urgente a redescoberta, colectiva mas também individual, da desobediência civil enquanto matriz histórica da conquista dos direitos cívicos e sociais.

E o sindicalismo de que precisamos, um sindicalismo em sintonia com a luta eficaz contra a nova legalidade anti-laboral, tem de ser um sindicalismo à margem desta última, já que ela nega as próprias condições legais em que o sindicalismo tradicional se pode desenvolver.

Só assim será possível lutar pela reposição de uma outra legalidade: a que devolva o carácter legal a direitos que foram tornados fora da lei.

O sindicalismo que nos falta não estaria, hoje, a apelar a que os professores entreguem, obedientemente, a ficha de auto-avaliação (ainda que se lhe junte uma declaração feita para aliviar más-consciências). O sindicalismo que nos falta teria, há muito, abandonado uma mesa de negociações na qual os sindicatos não se sentam com interlocutores sérios, e estaria a fazer tudo por tudo para que os professores pudessem organizar colectivamente a sua recusa. Mas esse sindicalismo (que nos falta) requer uma cultura de desobediência civil que é incompatível com a moleza negocial da maior parte dos dirigentes sindicais.Seremos nós capazes de inventar o sindicalismo que nos falta?


Mário Machaqueiro

Textos retirados do blogue http://movimentopromova.blogspot.com/

Campo holístico do Solstício de Verão no Carvalhal de Valinhas, em Monte Córdova (Santo Tirso) a 19,20 e 21 de Junho (organiza Terra Viva)


CAMPO HOLÍSTICO DO SOLSTÍCIO DE VERÃO 2009


CARVALHAL DE VALINHAS.MONTE CÓRDOVA -SANTO TIRSO


19,20 e 21 de JUNHO.2009

No próximo fim de semana realiza-se o Campo Holistico do Solsticio promovido pela Associação de ecologia social TerraViva, do Porto


Se quiseres participar e ainda não fizeste a incrição no campo podes fazê-la ainda.

Para isso basta copiar a ficha de incrição disponivel no Site ou então apareceres na sede da Terra Viva! durante a semana entre as 15:30 e as 18:30 horas.


Os workshops previstos, e a realizar durante o evento, serão diversos:

FAZER TEEPEES (aprender a fazer tenda índia c/ pano - cortar varas e montar tripé de sustentação - .entrada e chaminé – orientação ritual – decoração)

CONSTRUÇÕES E TÉCNICAS PRIMITIVAS ( instrumentos pedra e pau – principais amarrações e estruturas c/varas – uso de machado – esteira de ervas ou palha)

LAND-ART (Arte Efémera na Paisagem:- descoberta formas zoomórficas e antropomórficas- objectos e instalações c/ elementos naturais – mandalas

SAUNA RITUAL ÍNDIA (construção de estrutura de tenda de sudação e sua cobertura – recolha de seixos para “aquecer” - recriação de ritual índio )

DESENVOLVIMENTO PERCEPÇÃO SENSORIAlL (jogos de apuramento do tacto,olfacto e visão – camuflagem e” fusão”no terreno – expressão gráfica sensorial)

PLANTAS SILVESTRES MEDICINAIS E COMESTÍVEIS ( passeio de reconhecimento de espécies – recolha de algumas – utilizaç.1ºs socorros, sobrevivência e colin.ª)

PINTURA RITUAL FACIAL E CORPORAL ( índios americanos lakotas e cheyenes- das tribos celtas- pícteos e outros– de outros povos de sociedades orgânicas )

“DO-IN” E PRIMEIROS SOCORROS ( Técnica oriental milenar: -concentração/absorção de energia vital – principais pontos e meridianos – exercícios práticos )

IDENTIFICAÇÃO DE ASTROS E CONSTELAÇÕES (leitura de cartas estelares - utilização de telescópio – orientação pelas estrelas e lua -…. …. )

ALFABETOS PROTO-HISTÓRICOS ( escrita ogâmica – alfabeto arbóreo druídico – runas - significados antropológicos


NOTA IMPORTANTE:

TRAZ TENDA,SACO-CAMA, PROVISÕES PARA 2 DIAS E UTENSÍLIOS PESSOAIS E ACAMPA CONNOSCO (de acordo c/ normas básicas de relacionamento inter-pessoal e de preservação da Natureza)

NAS ASSEMBLEIAS DE CAMPO (A 1ªSERÁ NA MANHÃ DE SÁBADO) DEFINIREMOS A ORDEM DE REALIZAÇÃO DOS VÁRIOS WORKSHOPS DE ACORDO COM O CRITÉRIO DOS QUE ENVOLVEREM MAIS INSCRIÇÕES OU DE OUTROS A DEFINIR NA ASSEMBLEIA

Outras possibilidades de actividades extras:
-BANHOS NA CASCATA DA FERVENÇA (troço não poluído do rio Leça)e
-VISITA AO CASTRO DE MONTE PADRÃO E SEU CENTRO INTERPRETATIVO
-VISITA À ALDEIA DE PEREIRAS

Apoios:
IPJ/PAJ
Junta de freguesia de Monte Córdova

TERRA VIVA!/Terra Vivente–Associação de Ecologia Social
Rua dos Caldeireiros, 213 .PORTO
telef.: 223324001


14.6.09

Q'Orianka Kilchner, a conhecida actriz que desempenhou o papel de Pocahontas, chegou ao Peru para solidarizar-se com os povos indígenas em luta




A conhecida actriz Q’orianka Kilchner, de 19 anos, com nacionalidade peruana-americana, e empenhada defensora da causa dos povos indígenas, chegou ao Peru para se solidarizar com os povos indígenas da Amazónia peruana, após ter tomado conhecimento do massacre de Bagua, onde foram assassinados pela polícia peruana mais de 34 indígenas e cerca de 200 ainda se encontram desparecidos, temendo-se que a polícia esteja a ocultar os cadáveres e os vestígios do massacre cometido às ordens do Presidente e do governo do Peru.


Q’Orianka chegou com uma fita de pano na boca onde se podia ler em inglês «Listen to the people» («Ouçam o povo»), mostrando interesse em deslocar-se a Bagua ( a 1.000 km a norte de Lima, capital do Peru). Na semana passada a actriz recebeu o Prémio Young Hollywood Green Award que dedicou a Alberto Pizarro, o líder do protesto indígena e que se encontra actualmente na Embaixada da Nicáragua, depois de ter pedido exílio político por motivo da perseguição de que é alvo no Peru.

A actriz pretende unir-se aos manifestantes que por todo o Peru contestam a chamada Lei da Selva que confere direitos de exploração mineira e petrolíferas às empresas multinacionais em prejuízo do meio ambiente e do habitat das populações locais.

Q'Orianka Waira Qoiana Kilcher (nascida em 11 de Fevereiro de 1990) é uma actriz e cantora americana, talvez mais conhecida pelo seu papel de Pocahontas no filme O Novo Mundo de 2005.
Kilcher nasceu Schweigmatt, Alemanha. O seu pai é um artista peruano de ascendência Quechua/Huachipaeri, e a sua mãe, Saskia Kilcher, uma activista dos direitos humanos de ascendência suíça, nasceu no Alaska e foi criada na Suíça. O avô de Kilcher era Ray 'Pirata' Genet, um famoso escalador.

Kilchner é conhecida pelo seu activismo, tendo participado na campanha da Amnesty International sobre os direitos das mulheres e dos povos indígenas, especificamente a Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Descriminação Contra Mulheres e contaminação por petróleo da bacia do Rio Amazonas


PLEASE TAKE ACTION
Demand an immediate end of violence!
Email the President of the Congress of Peru Javier Velásquez-Quesquén:
Please send emails to Alan Garcia, in Spanish here.

Presidente Alan García
Despacho Presidencial
Jirón de la Unión S/N 1 cda
Lima 1, PERU
El mundo se preocupa por lo que ocurre en Perú y en nombre de los derechos humanos de los pueblos indigenas amazónicos peruanos, les solicito que detengan la violencia contra inocentes ciudadanos que están defendiendo sus territorios y sus vidas.
Por favor respete la vida de los peruanos, esto es un crimen de lesa humanidad que ustedes están promoviendo y en nombre de los tratados de derecho internacional que Perú ha firmado, le exijo que respete la vida de los indigenas amazónicos y suspenda el Estado de Emergencia.
Solicito respetuosamente que ordene el fin de los ataques policiales y que restituya el diálogo respetuoso y honesto con los pueblos indigenas amazónicos de Perú.Por la vida, por la paz, por la justicia.
Here is another model of letter of Global Response.
Please send copies of your letter to:

Yehude Simon Munaro, President of the Council of Ministers
(ysimon@pcm.gob.pe, Fax +51 1- 716- 87-35 )
Rafael Vásquez Rodríguez, President of Congress
(rvasquezr@congreso.gob.pe, Fax +51 1- 311- 77- 03 )
Public Ombudsman Office of Peru
(centrodeatencionvirtual@defensoria.gob.pe)
Peruvian Embassador in your country (for contact details - see http://www.embassiesabroad.com/embassies-of/Peru
UN Special Rapporteur on the Rights of Indigenous Peoples
(indigenous@ohchr.org)
UN Working Group on Enforced or Involuntary Disappearances
(wgeid@ohchr.org)
UN Special Rapporteur on the promotion and protection of the right to freedom expression
(freedex@ohchr.org)
United Nations Permanent Forum on Indigenous Issues
(indigenous_un@un.org)
IACHR Rapporteur on the Rights of Indigenous Peoples
(cidhoea@oas.org)
IACHR Rapporteur on the Right to Freedom of Expression
(
cidh-expresion@oas.org)








Reportagem de uma anterior viagem de Q'orianka Kilcher à selva norte do Peru, para constatar la contaminação por petróleo junto do río Corrientes, territorio de los indios achuar.




Q'Orianka Kilcher fala dos direitos dos povos indígenas no Fórum sobre a Globalização





Q'orianka Kilcher defende os povos nativos peruanos











ACTRIZ QORIANKA KILCHER declara o seu apoio às comunidades indígenas




Manifestação em defesa do rio Tejo em Talavera de la reina ( 20 de Junho) sob o lema «Pelos nossos rios, pelo nosso futuro»


Sob o lema «Pelos nossos rios, pelo nosso futuro», a Plataforma de defesa do rio Tejo convocou uma grande Manifestação a realizar no dia 20 de Junho em Talavera de la reina. A acção conta com o apoio de ONG's e autarquias ribeirinhas. O objectivo é a mobilização dos cidadãos da bacia do Tejo em defesa de uma gestão razoável, sustentável, transparente e participativa da bacia hidrográfica do Tejo.

A Plataforma em Defesa dos Rios Tejo e Alberche constituiu-se em Setembro 2006 e está formada por grupos sociais, naturalistas e de moradores, organizações agrárias, desportivas, empresariais e de trabalhadores, para além de partidos políticos, de Talavera de la Reina e a sua região.
O objetivo da Plataforma desde a própria criação é o de defender os rios Tejo e Alberche e se opor a todos os transvases, incluindo o possível transvase de o Tejo médio. Com este fim as organizações da Plataforma acordaram seis pontos reivindicativos fundamentais e comuns.Sob o lema «Pelos nossos rios, pelo nosso futuro», a Plataforma convoca todos os coletivos ribeirinhos do Tajo e afluentes para realizarem uma grande manifestação no próximo 20 de Junho em Talavera de la Reina a 12 horas.
Com a dita manifestação queremos demonstrar o descontentamento da cidade, a sua região e toda a bacia do Tejo com a política hidrológica em Espanha (na que a nossa bacia é a grande prejudicada) e dar uma imagem de unidade da nossa bacia, semelhante à que estão a dar outras regiões espanholas que aproveitam os nossos recursos naturais para se desenvolverem

Os seis pontos reivindicativos fundamentais comuns da Plataforma:

1. Estabelecimento de caudais ecológicos reais diários, semanais e mensais, reflectidos no Plano Hidrológico do rio Tejo, em Aranjuez, Toledo, Talavera de la Reina e Puente del Arzobispo.Num prazo de 10 anos, o suficiente para pôr em funcionamento as instalações de dessalinização do Mediterrâneo, deverá desaparecer o transvase Tajo-Segura ou para outras bacias. Em nenhum caso a água transvazada nesse período será utilizada para a rega.
2. A proibição absoluta da venda, pelos regantes do Tejo, das suas dotações de irrigação a outras bacias hidrográficas.
3. Depuração terciária de água do Jarama e do Guadarrama, afluentes do Tejo médio.
4. Assegurar um caudal ecológico mínimo no rio Alberche, para além das atribuições da água de irrigação para o Canal Baixo do Alberche.
5. Absoluta recusa em realizar transvases a partir do Tejo médio, quer através de novos gasodutos ou vendendo água de outras bacias.6. Realização de ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente.






Textos sobre o assunto:

Jornadas del Río Tajo 20 al 22 de abril de 2007 Talavera de la Reina, España

Battle of the Tagus: Citizens of Spain and Portugal unite to save their greatest river

20 de junio, con el Tajo en Talavera

El 20 J

El Estado Proxeneta

Los Señores del Tajo

Por una Nueva Cultura del Agua en el Tajo

25 años del Trasvase Tajo

Aranjuez y Abrantes, demasiados puntos en común

El Segura en alza

Entrambosríos

Los peces en el río

Trasvases, quién la tiene más grande

Trasvases

Vestidos de Santos

Artigos e documentação técnica

A gestão da bacia do Tejo

EL Tajo, río traicionado

La destrucción ambiental del río Tajo. Orígenes, procesos y consecuencias

La determinación de excedentes trasvasables

ETI Talavera

Situación del Río

Documentação da Plataforma

Alegaciones_ETI-Tajo_Plataforma-Colectivos

Carta a Barreda

Carta a Cospedal

Respuesta al Presidente de Castilla La Mancha

Carta a Ministra Narbona en respuesta a las concesiones


Quercus manifestou-se na Barragem de Belver contra o Plano Nacional de Barragens

Barragens ameaçam a biodiversidade não a promovem

A Quercus manifestou-se ontem com uma acção na Barragem de Belver contra o Plano Nacional de Barragens e a campanha publicitária da EDP

Ontem, dia 13 de Junho (Sábado), a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza esteve presente na Barragem de Belver, Abrantes, em protesto contra o anunciado Programa Nacional de Barragens e a campanha de comunicação recentemente lançada pela EDP.

A acção, com início às 8.00 horas, constou de uma ocupação pacífica da referida barragem, com afixação de faixas alusivas à temática e descida do paredão em rapel por activistas com mensagens de protesto.

Com esta iniciativa pretende-se chamar a atenção para os enormes impactes ambientais negativos que decorrerão do avanço do Programa Nacional de Barragens, aprovado pelo Governo, que colocará em perigo diversos valores naturais em consequência da construção das novas barragens.

Pretende-se igualmente protestar contra a recente campanha de comunicação lançada pela EDP, que erradamente associa a construção de barragens à protecção da biodiversidade, quando na verdade o que ocorre são impactes fortemente negativos e irreversíveis associados à construção destas infraestruturas.

Nesse sentido, a grande maioria das medidas de minimização tão sobejamente anunciadas, não passam disso mesmo, “minimização” e “compensação” dos impactos provocados, aliás medidas essas previstas e obrigatórias de acordo com a Declaração de Impacte Ambiental.


DOC'S KINGDOM, Seminário Internacional sobre Cinema Documental (16 a 21 de Junho em Serpa): o tema desta edição vai ser Reinterrogar a Imagem Política


FILMES e DEBATES no Cineteatro Municipal de Serpa e Escola Secundária de Serpa.

REINTERROGAR A IMAGEM POLÍTICA


As relações entre a política e o cinema são o tema da edição de 2009 do Doc’s Kingdom – Seminário Internacional sobre Cinema Documental, organizado pela Apordoc (Associação pelo Documentário), a decorrer no Cineteatro Municipal de Serpa, entre 16 e 21 Junho:

“Ainda nas cinzas dum século que foi da política e do cinema, como pensar hoje as relações entre estes dois campos? Começando por evocar gestos seminais de uma época em que já tinham sido questionados radicalmente os termos dessa dicotomia (a viragem dos anos sessenta para setenta), avançamos depois para filmes recentes que nos ajudam a pensar o intervalo decorrido e a abertura de novos ciclos. Por um lado, obras em que pesa a agonia dum tempo – a política depois da política do século XX, a política depois da política. Por outro, explorações cinematográficas de territórios marcados pela memória, ou pela ruína desse tempo. Por outro ainda, novos libelos políticos directos que, num equilíbrio hoje raríssimo, se desenrolam também como um discurso sobre o uso da imagem. Algumas pistas, num programa que não se pretende sistematizador, antes é feito de interrogações parciais, de títulos que podem abrir fendas nos clichés que perduram. Ainda e sempre: o que é uma imagem política?”




A edição do Doc's Kingdom apresenta um percurso por uma série de obras históricas e contemporâneas, propondo, na tradição do Seminário, uma abordagem transversal que permita reflectir sobre diversos aspectos da imagem política (e imagem da política) no cinema.

Entre os convidados esperados em Serpa este ano incluem-se Abderramane Sissako. Considerado um dos mais importantes realizadores africanos da actualidade, Sissako nasceu em 1961 no Mali, tendo estudado cinema em Moscovo e rodado o seu primeiro filme em 1989, Le Jeu, seleccionado para a Quinzena dos Realizadores em Cannes. Os seus filmes cruzam a ficção e o documentário, pensado como espaço simbólico que permite uma reflexão sobre temas concretos que se relacionam com o continente africano de forma crítica, eminentemente política mas igualmente poética. Realizou, entre outros, Octobre (1993), Rostov-Luanda (1997), La Vie Sur Terre (1998), Heramakomo (2002) e Bamako (2006). A complexidade e o interesse dos seus filmes reside numa forma particular de "ruptura" com algum cinema "observacional" e pela forma como coloca em cena uma visão nova do conflito e história africana. A obra de Sissako foi objecto de retrospectivas recentes, como aconteceu em Londres no BFI e vai ser retrospectiva no MoMA em Nova Iorque pouco tempo depois desta homenagem em Serpa.
Um dos temas presentes neste Seminário é o da memória dos eventos políticos e particularmente da Revolução. Eduardo Escorel, que vai apresentar em Serpa os filmes 35 - O Assalto ao Poder, J. e O Tempo e O Lugar, foi uma das figuras essenciais no Novo Cinema Brasileiro, assinando a montagem das grandes obras de Glauber Rocha como Terra em Transe, mas também de Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade, de Eles Não Usam Black-Tie de Leon Hirszman ou de Cabra Marcado para Morrer de Eduardo Coutinho. A temática política permanece no centro da sua obra enquanto realizador, variando entre documentários que procuram pensar a História do século XX brasileiro e filmes que procuram investigar a situação política actual e dar a palavra aos intervenientes directos nas questões sociais do momento. Escorel é igualmente um ensaísta profícuo que tem reflectido sobre a história recente do documentário. Vai estar presente em Serpa para falar do seu cinema político e apresentar uma obra de Glauber Rocha em que colaborou.
Dois filmes evocam a complexidade identitária e política da Rússia contemporânea: o filme de Aliona Polunina, Uma Revolução que não o foi é uma aproximação impressionante e cumulativa do percurso dos militantes do partido nacionalista bolchevique russo no ano que antecedeu as eleições de 2007. Documentário com um fôlego formal invulgar, centra os acontecimentos na história da relação entre um pai e um filho, ambos militantes do partido e o seu percurso, ambições e frustrações, num retrato da Rússia moderna, dos seus líderes políticos e finalmente da formação da ideologia, do associativismo partidário e da sombra do totalitarismo político.
O filme de Mónica Baptista, Territórios, atravessa a Rússia num vagão de terceira classe em que viajam, lado a lado, um soldado russo e um checheno. Mónica Baptista usa esse vagão como maquete do complexo puzzle político russo, sempre à beira da desagregação, e acompanha os dois viajantes numa travessia a um tempo geográfica e histórica.
Robert Fenz, outro dos cineastas presentes em Serpa elege como preocupação fundamental da sua prática cinematográfica a questão da memória política, da inscrição dos vestígios históricos dos locais que filma numa série de retratos cinematográficos que se inserem numa tradição rica da história do cinema que cruza o ensaio visual com as potencialidades descritivas da imagem. Herdeiro de cineastas como Peter Hutton (com quem estudou), mas igualmente dos grandes retratistas do século XX, James Agee ou Rudy Burckhardt, Fenz realizou uma série de "meditações", aproximações sensíveis e variadas à memória da revolução e da sua história pessoal na passagem por países como Brasil, Cuba, Polónia, Turquia e Estados Unidos.
Marcado pelo cinema militante clássico, nomeadamente pelos filmes dos colectivos Newsreel, pela obra de Santiago Alvarez, mas igualmente pelo cinema experimental, a obra de Fenz é profundamente marcada pela sua formação como músico de Jazz e pela colaboração regular com aquele que foi seu professor e mentor, o trompetista Wadada Leo Smith. A sintaxe dos seus filmes deve então tanto à sua formação e conhecimento da história do cinema como ao seu interesse pelas estruturas de improvisação e relação entre imagem e som (e a sua ausência) que define os seus filmes. Fenz é igualmente operador de câmara, tendo colaborado com Chantal Akerman em From the Other Side, o seu filme sobre a fronteira entre o México e os EUA e com outros cineastas como o libanês Wael Noureddine. Fenz vai apresentar em Serpa as suas meditações mas igualmente filmes de outros cineastas como Johan van der Keuken, Ken Jacobs, etc. O próximo projecto de Robert Fenz é uma reflexão sobre a obra cinematográfica do documentarista Robert Gardner com quem Fenz teve a oportunidade de colaborar.
Também da memória dos lugares falam os filmes de Manuel Mozos e de Lee Anne Schmitt. São dois filmes muito diversos, eventualmente até opostos na forma como abordam a questão da memória dos lugares, das suas histórias e abandonos.
O filme de Mozos apresenta "fragmentos de espaços e tempos, restos de épocas e locais onde apenas habitam memórias e fantasmas. Vestígios de coisas sobre as quais o tempo, os elementos, a natureza, e a própria acção humana modificaram e modificam. Com o tempo tudo deixa de ser, transformando-se eventualmente numa outra coisa. Lugares que deixaram de fazer sentido, de serem necessários, de estar na moda. Lugares esquecidos, obsoletos, inóspitos, vazios." Uma viagem por lugares vazios, pelos sons que os habitaram, por textos e camadas de referência que a eles se referem.
Lee Anne Schmitt passou os últimos anos a viajar pela Califórnia e a investigar a história das cidades fundadas por corporações e colectividades empresariais. Cidades satélites, artificiais, a orbitar em redor dos grandes centros económicos da Califórnia, muitos dos locais são hoje praticamente abandonados, vestígios históricos da exploração capitalista ao longo do século. O filme de Lee Anne Schmitt instala-se nos locais para deles extrair uma imagem "histórica", com um rigor que lembra os filmes de James Benning (de quem foi aluna) e o interesse na investigação e clarificação que se encontra nos ensaios cinematográficos de outro dos mais importantes cineastas norte-americanos, Thom Andersen. Mas a cineasta transforma o filme numa obra sua pela forma como organiza a viagem pelos lugares, como põe em destaque as diferentes camadas e estratos que definem a paisagem americana e as diferentes histórias que encerra.

Dois dos filmes portugueses incluídos em Serpa pensam o tema da aproximação à revolta e ao epicentro dos acontecimentos políticos do nosso tempo de duas formas diversas. O filme colectivo Cobra G8 reflecte sobre a presente e aparente impossibilidade de filmar os acontecimentos políticos e o seu afastamento das pessoas a quem interessam directamente (a sociedade civil), filmando na fronteira sitiada para onde são remetidos os protestos e questionando o modo como "a fobia da imagem impede a revolução de ser filmada". Foi filmado num dia, num bloqueio de uma estrada que conduzia a Heiligendamm. O filme que daí resultou é um regresso a essas imagens, a uma tentativa de ordenação posterior e dá corpo a uma personagem misteriosa que permanece precisamente na fronteira, imóvel e central a tudo o que o rodeia.
O filme de Tiago Afonso Lefteria = Liberdade foi realizado em Atenas em Janeiro de 2009, nos dias logo a seguir às revoltas de Dezembro por toda a Grécia, e é uma tentativa de perceber e apreender a partir de dentro as razões e as vozes dessa revolta. Renegar as generalidades do discurso mediático para se instalar nos bastidores e ouvir as discussões, as vozes dos estudantes, dos professores, dos sindicalistas e jornalistas.
O cineasta francês Sylvain George junta-se ao grupo de convidados de Serpa para nos ajudar a reflectir sobre as formas do cinema militante e sobre a acção política/ cinematográfica e o activismo. Formado em Filosofia e tendo trabalhado essencialmente nas áreas sociais e das ciências políticas, os filmes de Sylvain George filmados em diversos registos e formatos constituem ensaios poético-políticos e retratos sobre a realidade da imigração em França, numa série de manifestos, "contra-fogos" e filmes de combate. A contribuição de Sylvain George ajudar-nos-á a pensar sobre o que é que pode ser o cinema militante, as suas limitações e possibilidades concretas de intervenção. Apresentar-se-ão filmes como Un homme ideal, Qu'ils reposent en révolte (Des figures de guerre). Encontra-se igualmente a realizar um filme a partir dos textos teóricos (e imagens) do filósofo Guy Hocquenghem.



Sessão por ocasião do Seminário, na Galeria Vemos, Ouvimos e Lemos em Serpa, com a presença do realizador
15 SEGUNDA-FEIRA18h30
Eduardo Escorel, 35 - O Assalto ao Poder, 2002, 100'

PROGRAMA
16 TERÇA-FEIRA
21h00 Sessão de abertura
Pier Paolo Pasolini
La Rabbia, 1963, 83'

17 QUARTA-FEIRA
10h00
Glauber Rocha
Terra em Transe,1967, 115'
Eduardo Escorel
J., 2008, 12'
O Tempo e o Lugar, 2008, 98'

15h15
Mónica Baptista
Territórios, 2009, 11'
Aliona Polunina
Revolutsioon Mida Polnud, 2008, 96'
17h30 Debate colectivo (Escola Secundária de Serpa)

18 QUINTA-FEIRA
10h00
Manuel Mozos
Ruínas 2009, 60'
Lee Anne Schmitt
California Company Town, 2008, 77'

15h15
Sessão apresentada por Robert Fenz:
Bruce Baillie
All my Life, 1966, 3’
Peter Hutton
NY Near Sleep For Saskia, 1972,10’
Raymond Depardon
New York, N.Y., 1986, 9’
Robert Fenz
Meditations on Revolution, Part IV: Greenville, 2001, 29'
Meditations on Revolution, Part V: Foreign City, 2003, 32'
Johan van der Keuken
The Filmmaker's Holiday, 1974, 39'

18h30 Debate colectivo (Escola Secundária de Serpa)

19 SEXTA-FEIRA
10h00
Sessão apresentada por Robert Fenz:
Robert Fenz
Crossings, 2006, 10'
Meditations on Revolution, Part I: Lonely Planet, 1997, 12'
Meditations on Revolution, Part II: The Space in Between, 1997, 8'
Meditations on Revolution, Part III: Soledad, 2001, 14'
Ken Jacobs
Perfect Film, 1986, 27'
Robert Fenz
Vertical Air, 1996, 26'

12h00
Cobra T e Cobra G
Cobra G8, 2009, 10'
Tiago Afonso
Lefteria, 2009, 30’

15h15
Sylvain George
No Border, (Aspettavo Che Scendesse La Sera), 2005-2008, 23'
N'entre pas sans violence dans la nuit, 2005-2008, 20'
(Contre-feux nº 3): Europe année 06 (Fragments Ceuta), 2006-2008, 12’
Sessão com excertos de filmes apresentados por Sylvain George

17h30 Debate colectivo (Escola Secundária de Serpa)

22h00
Abderrahmane Sissako
Curtas-metragens
Rostov-Luanda, 1997, 59'

20 SÁBADO
10h00
Sylvain George
Qu'il reposent en revolte (des figures de guerre), 2009, 60'
L'impossible - pages arrachés, 2009, 60'

Pier Paolo Pasolini
Appunti per una Orestíade Africana, 1970, 70'

15h15
Abderrahmane Sissako
Bamako, 2006, 115'

18h00 Debate colectivo (Escola Secundária de Serpa)

21 DOMINGO
10h30
O Cinema, Cem Anos de Juventude
Programa de iniciação ao cinema, apresentado pela Associação Os Filhos de Lumière. Inclui a exibição de filmes realizados no ano corrente por alunos da Escola Secundária de Serpa.
sessão antecedida pela exibição de
A Caça
Manoel de Oliveira, 1964, 30’


INSCRIÇÕES E ALOJAMENTOS LIMITADOS
Os pacotes com refeições e alojamentos incluídos já não estão disponíveis. As modalidades de inscrição total ou parcial sem alojamento ainda estão disponíveis. Para garantir a sua participação nos eventos sociais, envie-nos a sua inscrição antes do seminário ter início.
INSCREVA-SE AQUI

Informações:
docskingdom@sapo.pt docskingdom@gmail.com
T/218 885 266

12.6.09

Os povos indígenas da Amazónia resistem ao neoliberalismo do governo e do presidente vendepátrias do Peru


Pelo menos 34 pessoas morreram em confrontos entre a polícia e tribos índias no Perú que protestavam contra a exploração de petróleo e gás natural nos seus territórios, revelaram hoje fontes policiais e tribais.
A violência deu-se durante a madrugada do passado dia 4 de Junho quando agentes da polícia tentaram dispersar uma barricada montada numa estrada por cerca de cinco mil índios numa área chamada Curva del Diablo, na província nortenha de Utcubamba.Os líderes do protesto afirmaram que a polícia disparou balas e granadas de gás lacrimogéneo a partir de helicópteros.


Recorde-se que o governo peruano aprovou uma legislação quer permitirá a exploração mineral e agrícola em larga escala na Amazónia peruana, contribuindo assim para uma rápida devastação ambiental da região.

Os grupos indígenas protestaram pacificamente durante dois meses reivindicando o direito de opinar sobre os decretos que irão danificar dramaticamente a ecologia e os povos nativos da floresta, além de representar um desastre para o clima global. Na semana passada o Presidente peruano Alan García enviou forças especiais para suprimir os protestos gerando conflitos violentos e chamando os manifestantes de terroristas.

Estes grupos indígenas estão na linha de frente da para proteger o planeta


Mais de 70% da Amazónia peruana está agora à disposição da indústria. Gigantes do petróleo e gás como a empresa Anglo-Francesa Perenco e as Norte Americanas Conoco Phillips e Talisman Energy, já fizeram linvestimentos de biliões na região. Ma está comprovado que estas grandes indústrias extractivas não trazem nenhum desenvolvimento local aos lugares que exploram, além de ter também baixa preocupação ambiental. Por isso os povos indígenas estão exigindo seu direito legítimo como consultores para a elaboração das novas leis.

Por décadas o mundo e os povos indígenas olharam as indústrias extrativistas a devastarem a maior floresta do planeta, responsável por guardar os maiores tesouros naturais da humanidade e por limpar a atmosfera do perigoso carbono que está causando o aquecimento global.

Os protestos no Peru representam o maior e mais desesperado grito de desespero dos povos indígenas deste país – por isso temos que dar o nosso apoio internacional.


Massacre en Bagua












MASSACRE EN BAGUA




A responsabilidade do Governo Peruano pelo massacre de Bagua





Protestos contra o Massacre de Bagua



Para saber mais: