28.1.09

Curso Livre sobre Sexualidade & História (10 sessões na Fac. de Letras de Lisboa)

I CURSO LIVRE
7/01/2009 a 11/03/2009 (10 sessões)

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Anfiteatro III •18h00 –20h00


7 de Janeiro
Roma e a sua Moral da violação
Prof. Doutor Júlio Machado Vaz (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar/Universidade do Porto)

14 de Janeiro
Na Pré-História do sexo: entre a natureza e a cultura
Prof. Doutor João Pedro Ribeiro (FLUL/UNIARQ) & Prof.ª Doutora Mariana Diniz (FLUL/UNIARQ)

21 de Janeiro
Assim na terra como no céu: a sexualidade no Antigo Egipto
Prof. Doutor Luís Manuel de Araújo (FLUL/CHUL)

28 de Janeiro
A sexualidade no Oriente pré-clássico e bíblico
Prof. Doutor José Augusto Ramos (FLUL/CHUL) & Prof. Doutor Francisco Caramelo (FCSH-UNL/CHAM)

4 de Fevereiro
Eurídice é morta. Parafilias e suas representações na mitologia grega
Prof. Doutor Nuno Simões Rodrigues (FLUL/CHUL)

11 de Fevereiro
O corpo e a sexualidade: entre Mouros e Cristãos
Prof.ª Doutora Maria Filomena Lopes de Barros (UE/CIDEHUS)

18 de Fevereiro
Sexualidade na Idade Média: o «fruto permitido» e o «fruto proibido»
Prof.ª Doutora Ana Maria Rodrigues (FLUL/CHUL)


25 de Fevereiro
Filhos da castidade e do pecado. Afectividade e enjeitamento na antiga sociedade portuguesa
Prof.ª Doutora Maria de Fátima Reis (FLUL/CHUL)


4 de Março
De Eva a Dánae: representações da sexualidade na Arte
Prof. Doutor Vítor Serrão (FLUL/CHUL) & Prof. Doutor Luís Urbano Afonso (FLUL/CHUL)

11 de Março
Sexualidade na época contemporânea: literatura licenciosa portuguesa dos séculos XVIII e XIX
Prof. Doutor António Ventura (FLUL/CHUL)



Sexualidade &História
I CURSO LIVRE
7/01/2009 a 11/03/2009 (10 sessões)
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Anfiteatro III •18h00 –20h00
Inscrição: 100 €
(alunos da Faculdade de Letras: 80 €)
Inscrições no Centro de História da Universidade de Lisboa
Coordenação:
Prof. Doutor António Ventura
Prof. Doutor Nuno Simões Rodrigues

Corpo de intervenção à solta procurado por cidadãos alarmados

clicar sobre a imagem para ampliar e ler em detalhe




A propósito da inqualificável acção violenta da polícia no passado dia 16 de Janeiro, em plena zona pedonal de Alamada, e como já devem saber, os agentes trataram de apagar fotos e filmes e/ou confiscar cameras.
Por isso há poucos registos do incidente.
Quem tiver fotos ou filmes do período da festa pedonal e da violência e confusão que lhe sucederam, por favor partilhem-nos! Publiquem nos vossos blogs, enviem para a imprensa,. ou até para o meu email.


Quem testemunhou os acontecimentos, por favor conte-nos o que viu, anonimamente ou não, faça comentários em blogs ou artigos ou mande-me um email!


Ainda pode ajudar da seguinte maneira:
- Participar o incidente à IGAI - Inspecção geral da Administração Interna: geral@igai.pt
- Se tiver ficado lesado de alguma maneira (perdeu camera, fotos, ficou ferido): pode apresentar queixa em qualquer esquadra da PSP


Em nome da cidadania e do respeito por todos

Juventude precária na rua? Da revolta grega à realidade portuguesa ( debate e filme no Café Aviz, Porto, no dia 29 de Janeiro às 21h.)

Juventude precária na rua?
da revolta grega à realidade portuguesa

quinta-feira :: 29 Janeiro 2009 :: Café Aviz :: filme e debate
(R. de Aviz, no centro do Porto)

21h :: Filme
“Revolta na Grécia”, de Tiago Afonso

22h :: conversa com
José Soeiro (sociólogo)
Cristina Andrade (fundadora do FERVE - Fartos dEstes Recibos Verdes)

Desemprego, precariedade, exploração, insegurança e incerteza são a marca da relação dos jovens de hoje (e não apenas dos jovens) com o mercado de trabalho. Mas a precariedade é também imposta como um novo modo de vida ao qual não se pode fugir: o mundo dos biscates, do trabalho temporário, do desemprego, dos contratos a prazo ou dos falsos recibos verdes significa não apenas um trabalho sem direitos mas uma vida congelada.
Foi também isto, a par de uma violenta repressão policial e de um ataque ao ensino público, que esteve na origem da revolta dos jovens gregos, que desde Dezembro vêm pondo em causa o poder naquele país.
Por cá, também a geração 500 euros se tem feito ouvir através de múltiplas acções. Com um filme de Tiago Afonso sobre os acontecimentos na Grécia e os testemunhos de José Soeiro, que esteve naquele país a acompanhar os protestos e de Cristina Andrade, fundadora e activista do FERVE (Fartos d’Estes Recibos Verdes), esta conversa, pretende pensar a partir de exemplos concretos os caminhos da luta dos desemprecários na Europa e imaginar alternativas libertadoras.

Debate: Perspectivas sobre Media e Intervenção Policial (29 de Janeiro às 21h30 na Casa do Brasil)


Debate: Perspectivas sobre Media e Intervenção Policial
Casa do Brasil
29 de Janeiro (quinta-feira), às 21h00

Intervenientes:
António Alves (colectivo Mumia Abu-Jamal),

Renato Teixeira (jornalista),
Cay Cay (Assoc. Laços de Rua)


http://www.blogdogaffe.blogspot.com/

http://www.casadobrasil.info/


O evento é organizado pelo GAFFE (Grupo A Formiga Fora da Estrada)

27.1.09

Jantar Popular na Casa Viva ( 1 de Fevereiro, às 20h. seguido de filme e tertúlia sobre o protocolo de Quioto)

Este Domingo na CasaViva (Praça do Marquês nº167), vamos ter um Jantar Popular apareçam!

Para mais Informações:
porto@gaia.org.pt -

Tlm - 965545519


18h Vem aprender uma receita VGT
19h Jantar "Caril de Grão de Bico com Passas
21h30 Documentário "Green Gold" seguido de Tertúlia sobre o Protocolo de Quioto

Crise económica - Mudar consciências ( sessão da Alternativa Libertária no dia 31 de Janeiro às 15h.)


Face à actual crise económica do capital, que os diversos poderes pretendem fazer recair sobre nós e cujos efeitos os comentadores das mais diferentes cores epaladares fazem recair sobre as populações, apenas se diferenciando por mais oumenos intervenção estatal para promover a defesa do sistema capitalista, a Tertúlia Liberdade e a Alternativa Libertária decidiram unir esforços e apelar a uma posição e intervenção bem diferentes.


Na sequência do encontro que promovemos em Dezembro passado no Museu da República e Resistência vamos organizar uma sessão no próximo sábado 31 de Abril, na AssociaçãoAbril/Casa do Brasil.


Desta vez iremos apresentar propostas práticas à apreciação dospresentes, para podermos encontrar caminhos de saída para o atoleiro em que o iníquosistema do domínio e da exploração nos mergulhou. Agimos sem desajustadas e falsas pretensões vanguardistas ou hegemónicas, neminterferências partidárias ou de outra ordem. Queremos contribuir para uma saídacomum de uma crise de que não somos responsáveis e nos recusamos a pagar.Defendemos a auto-organização das populações e acreditamos na conhecida máxima "aemancipação dos trabalhadores terá de ser obra dos próprios trabalhadores", por issote convidamos a participar neste encontro.
Vem ter connosco no sábado 31,


Aguardamos o teu contributo na sede da Associação Abril,
Rua S.Pedro de Alcântara, 63-1º, dtª.


Lá, em frente ao elevador da Glória,esperamos por ti, pelo teu contributo e dos teus amigos, entre as 15H e as 18H.

Os motins na Irlanda prenunciam tempos de revolução contra o capitalismo que levou o país à bancarrota

O governo da Islândia tinha uma fé tão grande no Mercado e no Capitalismo que até vendeu, há alguns tempos atrás, os genes e o código genético dos islandeses, a uma multinacional de biogenética!!!
Vejam o que são capazes, esses fanáticos do liberalismo!



A Islândia, país de 320.000 habitantes, é um dos países mais afectados com a crise do capitalismo financeiro. De uma situação invejável de crescimento, colocada no top dos países com a sua economia completamente liberalizada e globalizada, e vista como exemplo de prosperidade capitalista, a economia islandesa viu-se de um dia para o outro, no passado mês de Outubro, na bancarrota financeira, sob o peso insuportável das suas dívidas. A população responsabiliza o governo pela situação a que se chegou, e as perspectivas negras para os próximos tempos, com desemprego e recessão.

Recorde-se que tal era era a crença nas virtualidades do mercado global pelo governo da Islândia que este há alguns anos atrás assinou um tratado com uma multinacional de biogenética pelo qual se vendiam os genes e as características genéticas da população!!!


Neste momento, não há dia em que não se realizam manifestações e meetings de protesto junto do Parlamento em Reykjavik e o ambiente tenso prenuncia grandes transformações sociais e políticas naquele país. No fundo, trata-se da derrocada de todo um sistema económico ( capitalismo) em que assentava a sociedade, um sistema que mostra agora todas as suas fragilidades, um sistema injusto para as populações, mas que só agora os islandeses se deram conta.





Começou a revolução

26.1.09

O que é uma crise capitalista?


Desde logo, vejamos o que não é uma crise capitalista:

Haver 950 milhões de famintos em todo o mundo não é uma crise capitalista

Haver 4.750 milhões de pobres no mundo não é uma crise capitalista

Haver 1.000 milhões de desempregados espalhados por todo o mundo não é uma crise capitalista

Haver mais de 50% da população mundial no subemprego ou que trabalhe em condições precárias não é uma crise capitalista

Haver 45% da população mundial sem a acesso directo a água potável não é uma crise capitalista
Haver 3.000 milhões de pessoas sem serviços sanitários mínimos não é uma crise capitalista

Haver 113 miçhões de crianças sem acesso à educação e 875 milhões de adultos analfabetos não é uma crise capitalista

Morrerem 12 milhões de crianças todos os anos por doenças que são perfeitamente curáveis não é uma crise capitalista

Morrerem 13 milhões de pessoas morram em cada ano por causa da deterioração do meio ambiente e das mudanças climáticas não é uma crise capitalista

Haver 16.306 espécies em vias de extinção, das quais uma quarta parte são mamíferos não é uma crise capitalista



Tudo isto, como se sabe, já havia antes, e não gerou nenhuma crise capitalista.

Pode ser tudo, mas não é, segundo os economistas e «especialistas» na matéria, uma crise capitalista.

O que é, então, uma crise capitalista? Ou, dito por outras palavras, quando é que começa a sentir-se uma crise capitalista?

A crise capitalista aparece quando os lucros esperados, e que são o fim e a razão de ser das empresas capitalistas, não são alcançados. Aí sim, quando os lucros já não são tão elevados como se esperava, fala-se então de uma crise capitalista.

Ou seja, a crise capitalista surge quando os factos associados aos indicadores sócio-económicos acima referidos sobre a fome, a pobreza, o desemprego, a precariedade, a escassez de água potável e de apoio sanitário, mostram que não são suficientemente maus e negativos para garantir a rentabilidade dos investimentos e do capital dos poderosos grupos e empresas multinacionais, pelo que a manutenção da rentabilidade desses conglomerados empresariais exigirá ainda uma maior degradação das condições sociais de vida das populações como meio para garantir as tão almejadas taxas de lucro das grandes empresas mundiais, que são quem verdadeiramente dominam o mundo, segundo a lei que as governa, isto é, a maximização do lucro e a capitalização dos ganhos.

NOTA FINAL:

Curiosamente, dizem os «donos» deste mundo que quem não pensa em função da maximização dos lucros e da acumulação do capital, esses são pessoas sonhadoras, irresponsáveis, líricas, idealistas subversivos…

Mas, afinal, quem se mostra verdadeiramente fanatizado pelo fundamentalismo do lucro e do capital, longe das realidades e das necessidades das populações, quem tem sido responsável pelo crescimento insustentável e desigualitário, quem se revela completamente viciado na roleta desta economia de casino como é o capitalismo, são essas figuras pardas, cínicas e sombrias que nos governam, exploram e oprimem.

Na Tasca do Jaime ainda se ouve o genuíno fado vadio da Lisboa popular



Em boa hora o blogue Farpa Kultural recordou-nos há algumas semanas atrás a Tasca do Jaime, ali para os lados da Graça. Um local onde subsiste ainda o espírito do fado popular, aquele que é cantado à desgarrada e que fala dos dramas, anseios e tragédias das gentes do povo com a linguagem crua do fado vadio. Aos fins de semana, depois do almoço, podemos ali encontrar populares anónimos a mostrar os seus dotes fadistas, num ambiente único, das gentes humildes da cidade. É o próprio dono que dá o nome à casa, Tasca do Jaime. E é geral a opinião de que se trata de uma pessoa simpática, amigo do seu amigo, que faz juz ao ambiente descontraído e de boa disposição que se pode encontrar naquele recanto da Lisboa antiga.
Os petiscos e os condimentos adjacentes não ficam atrás, e constituem o salvo conduto garantido para uma boa refrega. Não faltam também as fotografias, as recordações e os elementos decorativos para criarem o ambiente tradicional do fado. E lá vão aparecendo os espontâneos, novos e antigos, eles e elas, a exibirem em versos as mágoas e os anseios próprios da gente que vive o Fado.

Uma tasca que, por enquanto, ainda não foi objecto de nenhuma OPA da indústria do show bizz. Até quando?

Tasca do Jaime
Rua da Graça, 91 - em Lisboa, naturalmente
Sábados e Domingos, das 16h. às 20h.








25.1.09

Pan-Amazónia é o território e o protagonista no Fórum Social Mundial 2009

De 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro a cidade de Belém deixa de ser a capital do Pará para se tornar o centro de toda a Pan-Amazónia, uma vez que durante aqueles seis dias decorrerá ali a 9ª edição do Fórum Social Mundial que prestará uma atenção especial às questões da Amazónia.

No dia 28 de janeiro de 2009, segundo dia do FSM 2009, ocorrerá o Dia da Pan-Amazónia, sob o lema "500 anos de resistência, conquistas e perspectivas afro-indígena e popular"

500 anos de resistência afro-indígena e popular



Durante aqueles seis dias, Belém, a capital do Pará, no Brasil, assume o posto de centro de toda a região para abrigar o maior evento altermundista da actualidade que reúne activistas de mais 150 países num processo permanente de mobilização, articulação e busca de alternativas por um outro mundo possível, livre da política neoliberal e todas as formas de imperialismo.

Composta por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além da Guiana Francesa, a Pan-Amazónia é conhecida pela riqueza da maior biodiversidade do planeta e pela força e tradição dos povos e das entidades que constroem um movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.

Muito mais que um território para abrigar o FSM, a Amazónia, representada por seus povos, movimentos sociais e organizações, será a protagonista no processo e terá a oportunidade de fazer ecoar mundialmente suas lutas, além de tecer alianças continentais e planetárias.

A escolha da Pan-Amazónia

O Conselho Internacional do FSM, composto por cerca de 130 entidades, escolheu a Pan-Amazónia para sediar o FSM 2009 em reconhecimento ao papel estratégico que a região possui para toda a Humanidade. A região é uma das últimas áreas do planeta ainda relativamente preservada, num espaço geográfico de valor imensurável por sua biodiversidade e que agrega um conjunto amplo e diverso de movimentos sociais, centrais sindicais, associações, cooperativas e organizações da sociedade civil que lutam por uma Amazónia sustentável, solidária e democrática, articuladas em redes e fóruns, construindo esse amplo movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.

Esse esforço traduzir-se-á na estrutura do evento com um dia inteiro dedicado à temática pan-amazónica – O Dia da Pan-Amazónia. Nesse dia, os testemunhos, painéis, conferências, discussões, marchas e alianças entre os povos da Pan-Amazónia e o mundo concretizarão a 5a edição do Fórum Social Pan-Amazónico (FSPA). Será um dia inteiro dedicado à temática regional, no qual os povos e movimentos da Pan-Amazónia poderão dialogar com o mundo e tecer alianças planetárias, em busca de uma outra Amazónia.

O protagonismo defendido e clamado pelas organizações Pan-amazónicas se dará por meio da participação massiva de representações do povos, movimentos sociais, organizações e entidades representativas da sociedade civil e do diálogo e convergências que serão estabelecidos com os movimentos e experiências de todo mundo.

Realizar-se-ão neste âmbito Encontros Sem-Fronteiras e as Caravanas Fluviais e Terrestres. Tal decisão materializa o desejo expresso de fazer do FSM 2009 um espaço onde os povos da Pan-Amazónia tenham vez e voz.






Os dez objectivos orientadores das acções do 9º FSM (Fórum Social Mundial)

As diversas actividades autogestionadas do FSM serão realizadas em torno de um entre os 10 objectivos a seguir, propostas por organizações, grupos de organizações e redes durante o processo de inscrições para o evento.
Os objectivos foram definidos após a realização de uma ampla consulta pública às diversas organizações e entidades participantes do processo FSM.

1-Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre de armas, especialmente as nucleares;

2-Pela libertação do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de comércio, com cancelamento da dívida dos países empobrecidos;

3-Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das florestas e fontes renováveis de energia;

4-Pela democratização e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;

5-Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de género, raça, etnia, geração, orientação sexual e eliminação de todas as formas de discriminação e castas (discriminação baseada na descendência);

6-Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos económicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente os direitos à alimentação (com garantia de segurança e soberania alimentar), saúde, educação, habitação, emprego, trabalho digno e comunicação;

7-Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes;

8-Pela construção de uma economia democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo, centrada em todos os povos;

9-Pela construção e ampliação de estruturas e instituições políticas e económicas (locais, nacionais e globais) realmente democráticas, com a participação da população nas decisões e controle dos assuntos e recursos públicos.

10-Pela defesa da natureza (Amazónia e outros ecossistemas) como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários do mundo (indígenas, afro-descendentes, tribais, ribeirinhos) que exigem seus territórios, línguas, culturas, identidades, justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.

O Fórum Social Mundial de 2009 realiza-se em Belém no Estado do Pará, Brasil, entre os dias 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro


De 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2009, a cidade de Belém abrigará o Fórum Social Mundial-2009. Durante esses seis dias, a cidade assume o posto de centro da cidadania planetária e referência mundial ao questionar a desigualdade, a injustiça, a intolerância, a devastação ambiental e o preconceito.


http://www.fsm2009amazonia.org.br/?set_language=pt-br

Os interessados em participar à distancia deven aceder por via:
http://openfsm.net/projects/fsm2009interconexoes


O Fórum Social Mundial (FSM) é um espaço aberto de encontro – plural, diversificado, não-governamental e não-partidário –, que estimula de forma descentralizada o debate, a reflexão, a formulação de propostas, a troca de experiências e a articulação entre organizações e movimentos engajados em acções concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo, mais solidário, democrático e justo.

As três primeiras edições do FSM, bem como a quinta edição, aconteceram em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil), em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, o evento mundial foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, na Índia. Em 2006, sempre em expansão, o FSM aconteceu de maneira descentralizada em países de três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007, voltou a acontecer de maneira central no Quénia (África).

O FSM mostrou a capacidade de mobilização que a sociedade civil pode adquirir quando se organiza a partir de novas formas de acção política, caracterizadas pela valorização da diversidade e da co-responsabilidade. O sucesso da primeira edição resultou na criação do Conselho Internacional que, em sua reunião de fundação, aprovou em 2001 uma Carta de Princípios, a fim de garantir a manutenção do FSM como espaço e processo permanentes para a busca e a construção de alternativas ao neoliberalismo. Hoje, são realizados fóruns sociais locais, regionais, nacionais e temáticos em todo o mundo, com base na Carta de Princípios. Em 2008, para marcar esse processo, foi realizado mundialmente no dia 26 de janeiro o Dia Global de Mobilização e Ação.

www.forumsocialmundial.org.br/index.php?cd_language=1

http://www.wsftv.net/

http://www.ciranda.net/spip/?lang=pt_br






FSM: de 2001 a 2008

As três primeiras edições do Fórum Social Mundial, realizadas em 2001, 2002 e 2003, em Porto Alegre (Brasil), foram organizadas por um comité organizador (CO) formado por oito entidades brasileiras: Abong, Attac, CBJP, Cives, CUT, Ibase, MST e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
Quando o FSM transferiu-se para Mumbai (Índia), foi criado um Comité Organizador Indiano, responsável pela organização do IV FSM em Mumbai, ocorrido em Janeiro de 2004.
Para a quinta edição do FSM (realizada em Janeiro de 2005, em Porto Alegre), foi constituído um Comité Organizador Brasileiro formado por 23 organizações, subdivididas em oito GTs (Grupos de Trabalho): Espaços, Economia Popular Solidária, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cultura, Tradução, Comunicação, Mobilização e Software Livre (articulado com o GT de Comunicação).
O VI Fórum Social Mundial foi policêntrico, ou seja, ocorreu de forma descentralizada, em três cidades: Bamako (Mali - África), de 19 a 23 de Janeiro de 2006; Caracas (Venezuela – América), de 24 a 29 de Janeiro de 2006, e Karachi (Paquistão – Ásia), de 24 a 29 de março de 2006. Para cada evento foi criado um comité organizador.
Da mesma forma, na sétima edição do FSM. realizada em Nairóbi, no Quênia, de 20 a 25 de Janeiro de 2007, também foi criado um comité organizador.
Uma nova modalidade do processo FSM foi explorada em Janeiro de 2008 com a Semana de Mobilização e Acção Global ou Jornadas de Ações Globais», durante as quais 800 actividades e acções autogestionadas foram realizadas em 80 países. Este evento foi iniciado após um apelo feito em Junho de 2007 pelas organizações membros do CI, logo estimulado pelas Comissões de Comunicação e Expansão



Carta de Princípios do Fórum Social Mundial

O Comité de entidades brasileiras que idealizou e organizou o primeiro Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre de 25 a 30 de janeiro de 2001, considera necessário e legítimo, após avaliar os resultados desse Fórum e as expectativas que criou, estabelecer uma Carta de Princípios que oriente a continuidade dessa iniciativa. Os Princípios contidos na Carta, a ser respeitada por tod@s que queiram participar desse processo e organizar novas edições do Fórum Social Mundial, consolidam as decisões que presidiram a realização do Fórum de Porto Alegre e asseguraram seu êxito, e ampliam seu alcance, definindo orientações que decorrem da lógica dessas decisões.

1. O Fórum Social Mundial é um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra.

2. O Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi um evento localizado no tempo e no espaço. A partir de agora, na certeza proclamada em Porto Alegre de que "um outro mundo é possível", ele se torna um processo permanente de busca e construção de alternativas, que não se reduz aos eventos em que se apóie.

3. O Fórum Social Mundial é um processo de caráter mundial. Todos os encontros que se realizem como parte desse processo têm dimensão internacional.

4. As alternativas propostas no Fórum Social Mundial contrapõem-se a um processo de globalização comandado pelas grandes corporações multinacionais e pelos governos e instituições internacionais a serviço de seus interesses, com a cumplicidade de governos nacionais. Elas visam fazer prevalecer, como uma nova etapa da história do mundo, uma globalização solidária que respeite os direitos humanos universais, bem como os de tod@s @s cidadãos e cidadãs em todas as nações e o meio ambiente, apoiada em sistemas e instituições internacionais democráticos a serviço da justiça social, da igualdade e da soberania dos povos.

5. O Fórum Social Mundial reúne e articula somente entidades e movimentos da sociedade civil de todos os países do mundo, mas não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial.

6. Os encontros do Fórum Social Mundial não têm caráter deliberativo enquanto Fórum Social Mundial. Ninguém estará, portanto autorizado a exprimir, em nome do Fórum, em qualquer de suas edições, posições que pretenderiam ser de tod@s @s seus/suas participantes. @s participantes não devem ser chamad@s a tomar decisões, por voto ou aclamação, enquanto conjunto de participantes do Fórum, sobre declarações ou propostas de ação que @s engajem a tod@s ou à sua maioria e que se proponham a ser tomadas de posição do Fórum enquanto Fórum. Ele não se constitui portanto em instancia de poder, a ser disputado pelos participantes de seus encontros, nem pretende se constituir em única alternativa de articulação e ação das entidades e movimentos que dele participem.

7. Deve ser, no entanto, assegurada, a entidades ou conjuntos de entidades que participem dos encontros do Fórum, a liberdade de deliberar, durante os mesmos, sobre declarações e ações que decidam desenvolver, isoladamente ou de forma articulada com outros participantes. O Fórum Social Mundial se compromete a difundir amplamente essas decisões, pelos meios ao seu alcance, sem direcionamentos, hierarquizações, censuras e restrições, mas como deliberações das entidades ou conjuntos de entidades que as tenham assumido.

8. O Fórum Social Mundial é um espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário, que articula de forma descentralizada, em rede, entidades e movimentos engajados em ações concretas, do nível local ao internacional, pela construção de um outro mundo.

9. O Fórum Social Mundial será sempre um espaço aberto ao pluralismo e à diversidade de engajamentos e atuações das entidades e movimentos que dele decidam participar, bem como à diversidade de gênero, etnias, culturas, gerações e capacidades físicas, desde que respeitem esta Carta de Princípios. Não deverão participar do Fórum representações partidárias nem organizações militares. Poderão ser convidados a participar, em caráter pessoal, governantes e parlamentares que assumam os compromissos desta Carta.

10. O Fórum Social Mundial opõe-se a toda visão totalitária e reducionista da economia, do desenvolvimento e da história e ao uso da violência como meio de controle social pelo Estado. Propugna pelo respeito aos Direitos Humanos, pela prática de uma democracia verdadeira, participativa, por relações igualitárias, solidárias e pacíficas entre pessoas, etnias, géneros e povos, condenando todas as formas de dominação assim como a sujeição de um ser humano pelo outro.

11. O Fórum Social Mundial, como espaço de debates, é um movimento de ideias que estimula a reflexão, e a disseminação transparente dos resultados dessa reflexão, sobre os mecanismos e instrumentos da dominação do capital, sobre os meios e acções de resistência e superação dessa dominação, sobre as alternativas propostas para resolver os problemas de exclusão e desigualdade social que o processo de globalização capitalista, com as suas dimensões racistas, sexistas e destruidoras do meio ambiente está criando, internacionalmente e no interior dos países.

12. O Fórum Social Mundial, como espaço de troca de experiências, estimula o conhecimento e o reconhecimento mútuo das entidades e movimentos que dele participam, valorizando o seu intercâmbio, especialmente o que a sociedade está construindo para centrar a actividade económica e a acção política no atendimento das necessidades do ser humano e no respeito à natureza, no presente e para as futuras gerações.

13. O Fórum Social Mundial, como espaço de articulação, procura fortalecer e criar novas articulações nacionais e internacionais entre entidades e movimentos da sociedade, que aumentem, tanto na esfera da vida pública como da vida privada, a capacidade de resistência social não violenta ao processo de desumanização que o mundo está vivendo e à violência usada pelo Estado, e reforcem as iniciativas humanizadoras em curso pela acção desses movimentos e entidades.

14. O Fórum Social Mundial é um processo que estimula as entidades e movimentos que dele participam a situar as suas acções, do nível local ao nacional e buscando uma participação activa nas instâncias internacionais, como questões de cidadania planetária, introduzindo na agenda global as práticas transformadoras que estejam experimentando na construção de um mundo novo solidário.

Aprovada e adoptada em São Paulo, em 9 de abril de 2001, pelas entidades que constituem o Comité de Organização do Fórum Social Mundial, aprovada com modificações pelo Conselho Internacional do Fórum Social Mundial no dia 10 de junho de 2001.

VI Fórum Mundial de Educação (26 a 29 de Janeiro, em Belém do Pará, Brasil)


Vai-se realizar em Belém do Pará, no Brasil, entre os dias 26 a 29 de Janeiro, o VI Fórum Mundial de Educação, no marco do Fórum Social Mundial (FSM), que decorrerá simultâneamente na mesma cidade

Recorde-se que o Fórum Social Mundial é um movimento social de cidadãos de todas as partes do mundo que reúne e acolhe todas as causas globais em favor dos desfavorecidos, excluídos e injustiçados. Propõe-se também contribuir para a construção de “um outro mundo possível” sem as amarras da globalização neoliberal.

As actividades autogestionadas relativas à área de Educação inscritas no FSM são selecionadas, aglutinadas e organizadas em blocos temáticos constituindo a grade de programação do VI FME, ocupando espaços e períodos devidamente identificados dentro da programação geral.
Os eixos temáticos que serão discutidos durante o VI FME são:
Educação,
Desenvolvimento,
Economia Solidária e Ética Planetária;
Educação Cidadã: Inclusão e Diversidade;
Educação, Direitos Humanos, Cooperação e Cultura de Paz;
Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade;
Educação de Jovens e Adultos na Perspectiva da Educação Popular;
Educação Emancipatória no contexto da comunicação e das tecnologias.

Haverá ainda duas conferências com os temas “Educação e Transgressão na construção da Cidadania Planetária” e “Educação, Diálogo e Utopia: Identidades Culturais em conflito”, a serem realizadas respectivamente nos dias 26 e 27 de janeiro. Também no dia 27 acontece uma mesa sobre a Conferência Internacional da Unesco em Educação de Adultos (Confintea), a ser realizada no Brasil, em Maio próximo.


O que é o FME?

O Fórum Mundial de Educação é um movimento pela cidadania planetária e pelo direito universal à educação.

Constitui-se como um espaço de constante diálogo entre todos os que, no mundo globalizado, levam por diante projectos de educação popular e de contestação ao neoliberalismo, seja na esfera pública, ou na sociedade em geral, no seio das comunidades ou em trabahos de pesquisa.
O neoliberalismo concebe a educação como mercadoria, despreza o espaço público, reduz os indivíduos à condição de consumidores e nega a dimensão humanista do processo educacional.
Opondo-se a tal perspectiva, o FME defende uma concepção libertadora, que respeita e convive com a diferença, promovendo a intertransculturalidade e reconhece a educação como direito social universal ligado à condição humana



Carta da 1ª Edição do Fórum Mundial de Educação

Carta de Porto Alegre pela Educação Pública para todos

Preâmbulo

Os mais de 15.000 educadores, educadoras, estudantes, pesquisadores, autoridades, sindicalistas, representantes de múltiplas e diferentes forças sociais e populares, sujeitos protagonistas da história e comprometidos com a educação pública, gratuita e de qualidade para todos os homens e mulheres de todas as idades, orientações sexuais e pertencimentos étnicos, religiosos e culturais da Terra, como condição necessária e possível à PAZ e a melhores perspectivas de vida para a Humanidade, apresentam aos governos de todos os países e a todos os povos do Mundo as posições aprovadas durante a plenária final do Fórum Mundial de Educação.

O período em que vivemos, quando o capital, para aumentar seus ganhos a concentrações nunca vistas, leva à miséria e à guerra a grande maioria da população mundial e produz no abandono e no massacre da infância a mais cruel e desumanizadora face deste modelo de sociedade, precisa ser entendido como de ruptura.

Na actual conjuntura internacional, após o acto terrorista de 11 de setembro, por todos repudiado, ficou mais claro tanto o desequilíbrio entre o norte e o sul e o fosso crescente entre ricos e pobres quanto o perigo da violência originária dos irracionalismos que ameaçam toda forma de civilização. As forças dominantes do mundo buscam mostrar o momento presente como sendo de catástrofe mundial. Para a grande maioria dos seres humanos, no entanto, esta ruptura pode ser vista como a passagem de uma situação para outra, na qual a solidariedade, a liberdade, a igualdade e o respeito às diferenças revigoram-se como valores aliados à compreensão de que existem hoje, no mundo, forças e riquezas capazes de alimentar os famintos e de fornecer a todos condições materiais e espirituais dignas, entre as quais salienta-se a educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada.

É neste contexto e como parte dessas forças que se reuniu o Fórum Mundial de Educação, demonstrando que o momento de passagem vem sendo construído em todos os cantos da Terra por movimentos sociais e governos comprometidos com a democracia e as causas populares, para a proposição de alternativas à excludente globalização neoliberal, no campo e na cidade.
São muitas as frentes de luta, em várias partes do mundo - forças zapatistas, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, movimentos contra o racismo, a intolerância racial e a xenofobia - culminantes na 3ª Conferência Mundial de Durban na África do Sul, contra o neoliberalismo e pela humanidade, a Marcha pela Paz - realizada pela ONU em Peruggia e Assis, a Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio ao Cidadão - ATTAC, entre tantas. Nelas vão sendo encontradas alternativas populares e democráticas que se opõem às pressões financeiras representadas pelo Banco Mundial, pela Organização Mundial do Comércio (notoriamente o acordo geral sobre o comércio e os serviços que põe em perigo a educação pública), pelo Fundo Monetário Internacional, que dizem "reorganizar a economia do mundo".

Neste contexto, entendemos como fundamental aprofundar a solidariedade e a organização entre os movimentos sociais, associativos, sindicais e parlamentários, promovendo encontros mundiais, em vários países e cidades. As reações ocorridas em Seattle, Davos, Cancun, Quebec e Génova, as greves e as marchas realizadas por trabalhadores de diferentes categorias, especialmente os trabalhadores em educação e os estudantes, o Fórum Social Mundial e este Fórum Mundial da Educação indicam que, com os pés no presente, criticando o que de terrível foi e vem sendo feito contra todos os povos, homens e mulheres vão construindo, com esperança, o futuro. Por isto, é necessário repudiar a mercantilização da educação que permite aos países do norte, aproveitando sua posição dominante, atrair cérebros dos países do sul através de uma imigração seletiva. Tudo isto indica a possibilidade de ampliação das alternativas realmente solidárias, populares e democráticas, entre elas as relativas à escola pública, gratuita e de qualidade, em todos os níveis.

Neste sentido, entendemos que a luta contra a globalização neoliberal exige que afirmemos as soluções já existentes e que busquemos novas oportunidades de actuação nos âmbitos local, regional, nacional e mundial.

Serão bem-vindas à luta e à concretização de tais alternativas todas as forças, organizações e setores que entendam a necessidade de uma radical mudança nas propostas econômicas em escala mundial, bem como nas políticas públicas nacionais e locais, para permitir a igualitária distribuição das riquezas, a sustentabilidade meio-ambiental e o amplo acesso por todos dos bens culturais comuns, entre os quais todos os tipos de educação, mediatizados por valores de solidariedade, de liberdade e de reconhecimento das diferenças para a superação dos fatores que criam hierarquias entre os seres humanos. A constituição de um projeto societário, em oposição ao modelo de globalização neoliberal, exige a incorporação de crescentes forças a esta luta apenas começada e o combate a todos os fundamentalismos.

Estamos irmanados pelo entendimento de que, quaisquer que sejam suas crenças, modos de viver, gostos, sentimentos, diferenças em termos de necessidades educativas especiais, o ser humano é sempre um sujeito de direitos. A educação, condição necessária para o diálogo e a PAZ, tem um papel importante nessa luta, na medida em que os tão diversos e sempre coletivos espaços, nos quais ela se dá, são lugares de discussão, vivência e convivência. A escola pública, nesse processo, transforma-se e se revifica como espaço/tempo de possibilidades para encontros de homens e de mulheres de todas as idades. Assim, ao contrário da afirmação das forças do capital, de que a escola pública já está superada, reafirmamos sua potência e permanente movimento na reinvenção do cotidiano de nossas sociedades e na sua própria transformação, como resultado do protagonismo dos excluídos.

A conquista do poder político em cada situação concreta, nacional e local, é também uma das frentes de luta, já que a globalização do capital sempre precisou de governos nacionais, regionais e locais capazes de executar seus planos e fazer valer sua força. A criação de alternativas às propostas neoliberais vem sendo construída com governos populares e democráticos, tecidos com dificuldades e que se configuram como possibilidade crescente.

A luta por mudanças no mundo do trabalho, na perspectiva de uma profissionalização sustentável, com acesso de todos à evolução científico-tecnológica, precisa ser acompanhada de garantias dos direitos sociais para os trabalhadores e trabalhadoras e de reconhecimento universal da certificação profissional. Essa luta mantém relação estreita com as tantas mudanças antes indicadas, exigindo, assim, a ampliação do conhecimento humanista, técnico-científico, ético e estético e a incorporação real do direito às diferenças, para que possamos nos compreender, nos aproximar e superar hierarquias entre seres humanos, dadas por gênero, idade ou pertencimentos étnicos, raciais, religiosos, culturais e políticos. Os trabalhadores/trabalhadoras da educação têm, com relação a isso, histórias para contar sobre seus esforços comuns e buscam crescentemente participar, com os múltiplos movimentos sociais, na tessitura de um mundo mais justo e pacífico, afirmando a importância de seu trabalho para a primeira infância, as crianças, os jovens, os adultos e os velhos.

Este Fórum Mundial de Educação soma-se às discussões realizadas nos diversos fóruns de Educação que aconteceram na última década, em escala mundial, identificados com o ideário expresso neste documento, indicando-as como eixos prioritários para o Fórum Social Mundial/2002.

O Fórum Mundial de Educação apresenta-se como realidade e possibilidade na construção de redes que incorporam pessoas, organizações e movimentos sociais e culturais locais, regionais, nacionais e mundiais para confirmar a educação pública para todos como direito social inalienável, garantida e financiada pelo Estado, nunca reduzida à condição de mercadoria e serviço, na perspectiva de uma sociedade solidária, radicalmente democrática, igualitária e justa.
Porto Alegre (Brasil), 27 de outubro de 2001.

Fórum Mundial dos Media Livres em Belém do Pará (26 e 27 de Janeiro)

Fórum Mundial de Mídia Livre 26e27/01/2009 -Belém-PA

http://forumdemidialivre.blogspot.com/

Nos dias 26 e 27 de Janeiro, na véspera do Forum Social Mundial, realiza-se em Belém do Pará o Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML) , os mídias livristas, como são chamados, de todo planeta reúnem-se para somar forças e discutir a criação de novas formas de comunicação.

Para aqueles(as) que praticam e lutam quotidianamente por uma outra comunicação, o momento presente combina a ampliação de oportunidades com o acirramento das desigualdades.

Ao mesmo tempo em que se multiplicam iniciativas contra-hegemónicas de comunicação, acentua-se a concentração das grandes corporações dos media e explicita-se o papel desses grupos como suporte do discurso hegemónico.

1. Os 30 anos de hegemonia neoliberal que antecederam a actual crise económica modificaram o mundo, a subjectividade, o imaginário humano e o papel da informação na sociedade. Já as últimas décadas de mudanças tecnológicas, de mutações no capitalismo, de invenção de outras formas de compartilhar, viver, trabalhar, apontam para a crise dos modelos neoliberais e para a emergência de novos paradigmas e outros imaginários.

2. Um consenso social tem sido modelado pelos sistemas de comunicação interligados por interesses e tecnologias avassaladores. Ao mesmo tempo, novas formas de resistência e contra-discursos surgem e se disseminam buscando quebrar os "consensos". Apesar das limitações, as novas tecnologias servem à democracia participativa e surgem com impacto global e capacidade de articular redes, que funcionam sob novos modelos.

3. Uma engrenagem dioturna, formada por grandes conglomerados da comunicação, reproduz e vocaliza a mesma narrativa hegemónica que condiciona impulsos, vontades, expectativas. Por outro lado, a possibilidade da construção de outras narrativas e da apropriação de novos media por novos sujeitos do discurso (colectivos, periferias, minorias, etc.) é uma criação experimentada local, nacional e globalmente, a despeito de novas formas de alienação. Nunca os processos culturais, a economia criativa, a valoração da informação e do conhecimento foram tão cruciais para se pensar a sociedade.


4. Esteja explícito ou não, muitas pessoas, redes, grupos estão condicionados a forças descomunais cujo poder destrutivo evidencia-se na incerteza desses dias, marcados por um modelo de sociedade cada vez mais socialmente injusto, economicamente insustentável, ambientalmente destrutivo, moralmente aético, acrítico e permissivo. A crise do capitalismo, da mídia de massa e do pensamento único cria, no entanto, uma oportunidade de reconfiguração das discussões sobre o papel da comunicação e da informação no mundo contemporâneo.

5. Desvelou-se, neste crash financeiro, o papel dos media oligopólicos com influência crescente sobre os destinos da sociedade, inclusive omitindo e isolando vozes e factos dissonantes. As intersecções entre os media e o poder dos mercados desregulados estreitaram-se nesses 30 anos. A financeirização da economia gerou uma contrapartida de financeirização do noticiário, adicionando-se um novo instrumento à manipulação da economia. Nada mais ilustrativo desse comprometimento do que o persistente malabarismo de ocultação de um sistema especulativo só reconhecido quando sua explosão ganhou evidência incontornável.

6. Estados, governos, democracias e processos de desenvolvimento foram colocados à mercê dos desígnios e chantagens impulsionados por essa lógica auto-destrutiva. A crise financeira expõe a crise do neoliberalismo. As grandes estruturas de comunicação avalizaram esse processo, emprestando-lhe legitimidade, sedução e argumentação coercitivos. Sobretudo, revestindo-o de múltiplas estratégias de desqualificação das vozes dissonantes ecoadas por governantes, partidos, lideranças sociais ou mesmo pela resistência de uma subjetividade atemorizada e constrangida.

7. Não é mais possível lutar pela democratização económica e social do mundo ou de uma aldeia, sem erigir muitas vozes dos mais diversos alcances, com influência internacional capaz de se contrapor à usina forjadora de supostos consensos sociais. Da mesma forma que o capitalismo é global, as lutas e a resistência são globais. Não queremos produzir um novo consenso, mas defender a possibilidade das diferenças e dos dissensos.

8. Essas vozes não serão um uníssono de sinal inverso ao que se combate, mas justamente a combinação harmônica das distintas e variadas vozes que hoje se levantam a partir da afirmação do direito à comunicação dos diversos grupos e indivíduos comprometidos com a luta por justiça social, e que tem nessa diversidade a sua fortaleza.

9. Neste momento, é ainda mais importante que os veículos não alinhados ao pensamento hegemônico, os produtores independentes de mídia e todos aqueles(as) que se pautam diariamente contra as injustiças e opressões decorrentes do neoliberalismo se reconheçam na semelhança e na pluralidade de suas inquietudes. A responsabilidade que nos une deve-se materializar em fóruns e acções de abrangência que se contraponham à crise que se alastra por todo o globo.

10. Convidamos assim os veículos de informação democrática, as comunidades, os colectivos, as entidades, os movimentos sociais, os blogueiros e cada individuo – que é em si um comunicador -, a participar do I Fórum Mundial de Mídia Livre, que acontece no Brasil (em Belém do Pará), nos dias 26 e 27 de janeiro de 2009. As conclusões do FMML terão importante incidência política nas deliberações do Fórum Social Mundial, que acontece nessa mesma cidade, a partir do dia 27 de janeiro de 2009.

11. Certos de que compartilhamos as mesmas preocupações e sentimento de urgência na construção dos media livres e democráticos, aguardamos a confirmação de sua presença.

Fórum de Mídia Livre, Brasil, novembro de 2008

Fórum Mundial da Teologia da Libertação - a 3ª edição termina hoje na cidade de Belém do Pará, no Brasil


O III FMTL (Fórum Mundial da Teologia da Libertação) pretende ser um encontro por uma teologia da sustentabilidade da vida no planeta. Destina-se a elaborar uma reflexão e um discurso teológico a partir de um sentido muito concreto e orgânico da vida. A realidade social e política no contexto amazônico promovem uma relação direta com a água e a terra. Mais que recursos naturais, estas são base de uma biodiversidade única no planeta.


Começou na noite desta quarta-feira (21 de Janeiro), a terceira edição do Fórum Mundial de Teologia e Libertação, que se estenderá até domingo (25), reunindo cerca de mil pessoas vindas dos cinco continentes. O tema principal do evento é "Água, Terra e Teologia para Outro Mundo Possível". A abertura contou com as presenças do teólogo Leonardo Boff, um dos idealizadores do Fórum.

O III Fórum Mundial de Teologia foi aberto com música, dança e performance, evocando a natureza e a necessidade de uma integração mais responsável entre o homem e o meio ambiente. Criado com a proposta de reunir indistintamente representantes de diversas matrizes religiosas, étnicas e culturais, o Fórum teve início com uma saudação dos povos indígenas presentes ao evento e também dos representantes das religiões de matriz africana.

Um dos idealizadores do Fórum de Teologia e Libertação, o padre Sérgio Torres, do Chile, lembrou o processo pelo qual, na década de 1970, teólogos de diversos países passaram a discutir uma necessidade de mudança na teologia, rumo a uma maior preocupação com a situação humana, a questão da pobreza, e ao compromisso de trabalhar pela transformação da sociedade. Um processo que culminou com o desenvolvimento das teologias contextuais, como a Teologia da Libertação, na América Latina. "A crise do socialismo real e a queda do muro de Berlim afectaram profundamente as teologias contextuais, mas então surgiu o Fórum Social Mundial, com a sua proposta de que um outro mundo é possível, e achamos que tínhamos que fazer parte desse processo. Assim surgiu o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, que já aconteceu em Porto Alegre e em Nairobi, no Quénia", lembrou.

A teóloga Tea Frigerio também fez uma saudação na abertura, reafirmando os princípios do encontro. "Este é um encontro de povo, de corações, mas sobretudo um encontro de sonhos. Vamos nos empenhar a reflectir para saber buscar os caminhos que vão fazer do mundo todo a 'Casa do Pão'". O frei Luiz Carlos Susin, secretário executivo do evento, afirmou a necessidade de discutir ecologia sem o esquecimento de que todos fazem parte de um único planeta. "Hoje estamos mais próximos uns dos outros, para o bem e para o mal. A Amazónia, e Belém, cidade do Círio de Nazaré, onde todos se tornam uma só família, podem-nos ensinar a abrir o coração para abrigar todas as formas de vida e para aprendermos a viver como um grande família", afirmou

Na quinta (22), às 9h, Leonardo Boff presidiu à conferência "Água, Terra, Teologia: Rumo a Paradigma Ecológico". Na sexta (23), às 9h, Emile Townes (EUA) e Steve Degruchy (África do Sul), estiveram na conferência "Espiritualidade e Ética na Agenda da Sustentabilidade". E no passado sábado (24 de Janeiro), Ching Hyun Kyung e Mary Hunt (EUA) e Michel Dubois (França) intervieram na conferência "Dimensão Eco-teológica da Corporalidade".



"Carta de Princípios do Fórum Mundial de Teologia e Libertação"
(formulada e aprovada pelo Comité Organizador do FMTL em 26 Outubro de 2007)

1. O Fórum Mundial de Teologia e Libertação (doravante FMTL) se afirma como um espaço ecumênico, dialogal, plural e diversificado. Relaciona "teologia" e "libertação" porque quer agregar diferentes teologias que herdam suas referências e/ou repercutem na assim chamada Teologia da Libertação. O FMTL se opõe, portanto, a quaisquer visões totalitárias, exclusivistas e reducionistas do ser humano, do fenómeno religioso, das tradições religiosas e de representações do transcendente. O FMTL pressupõe um determinado público que directa ou indirectamente faz teologia e ciências da religião e estão envolvidos de diferentes maneiras a acções de justiça e paz através de redes como o Fórum Social Mundial. Porém, de modo algum, tal perfil deve configurar como pré-requisito para a participação no FMTL, desde que respeitado esta Carta. Por um princípio metodológico, o FMTL promove uma abertura propositiva na liberdade de articulação de seus participantes, assegurando-lhes meios de participação activa no evento e na organização do mesmo.

2. Enquanto evento localizado no tempo e no espaço, o FMTL é um fórum que contribui à rede mundial de teologias contextuais comprometidas com a libertação, a opção pelos pobres e a capacitação dos/as excluídos/as e vítimas de hegemonias em suas diferentes expressões no mundo contemporâneo.

3. O FMTL é fruto do contacto entre teologias emergidas na Ásia, África, América Latina e Caribe, América do Norte, Europa, Oceania, e cada FMTL tem sido realizado vinculado ao FSM. Tem, pois, como marco "um outro mundo é possível" (Cf. Carta de Princípios do FSM, item 2). Assume e reformula os princípios do FSM a fim de reunir e articular pessoas interessadas na mediação teológica atenta à complexidade e diversidade de experiências éticas, estéticas e espirituais de compromisso por alternativas justas para as culturas e sociedades, géneros, religiões, em prol de espiritualidades ecológicas e planetárias.

4. Assim, o FMTL, com base no primeiro artigo da Carta de Princípios do FSM, define-se como um espaço aberto de encontro para aprofundamento da reflexão, o debate democrático de ideias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e enriquecimento mútuo de diferentes abordagens teológicas contemporâneas identificadas e comprometidas com práticas de libertação, de resistência e transformação frente a todo tipo de estrutura que oprime e nega a manifestação plena de vida, justiça e dignidade.

5. O debate, as trocas de experiências, as reflexões e as hermenêuticas promovidas no FMTL são orientadas por um princípio dialogal e consistem de um exercício de crítica afirmativa e de novas leituras teológicas comprometidas epistemologicamente com a libertação e opção pelos pobres, afirmadas na diversidade das teologias contextuais feministas, negras, indígenas, ecuménicas e das religiões, caracterizadas por seu compromisso com a diversidade de género, étnica, cultural, religiosa e de capacidades físicas (Cf. Cartas de Princípios do FSM, item 9), bem como por uma metodologia histórico-crítica e criativa, através de correlações multi, inter e transdisciplinares.

6. O FMTL tem uma relação de convergência com o FSM e outros espaços e iniciativas sociais e intelectuais de carácter alternativo. Não é um evento paralelo ao FSM. Por isso planeja e desenvolve metodologias em sintonia com o FSM e iniciativas similares. O FMTL ocorre imediatamente antes ou após as edições do FSM e se integra ao programa deste através de diferentes formas de participação.

7. O FMTL, como espaço de encontro, contribui com a formação de uma espiritualidade ecológica e planetária, fortalecendo a experiência de sentido e de esperança utópica expresso na certeza por alternativas de "outros mundos possíveis", em conexão com o compromisso social por justiça e dignidade numa acção política transformadora.

8. O FMTL, como espaço de reflexão teológica de alternativas e possibilidade de mundo, aprofunda problemas de ordem socioeconómica actuais à luz dos recursos da teologia e vice-versa, estimulando o conhecimento e reconhecimento mútuo da pluralidade de saberes que colaboram e promovem a capacidade de resistência não violenta ao processo de desumanização que o mundo está vivendo e à violência institucionalizada, reforçando as iniciativas de práticas libertadoras em curso (Cf. Cartas de Princípios do FSM, item 13).

9. O FMTL, como espaço de construção de uma rede mundial de teologias contextuais, favorece o diálogo entre diferenças de género, religião, etnias, culturas, gerações e capacidades físicas tendo em vista incentivar, promover e articular correlações críticas e criativas dessa diversidade, ampliando a sensibilidade teológica de percepção, interpretação e acção activa em questões relacionadas à cidadania, a acções e a processos políticos configurados como promotores de libertação, justiça e dignidade.

10. O FMTL, como espaço de reflexão teológica em perspectiva de libertação, fomenta uma produção teológica cujo discurso contribua com práticas transformadoras na sociedade, situando-se no espaço público a fim de promover a formação de sujeitos actuantes na construção de um mundo novo solidário (Cf. Cartas de Princípios do FSM, item 14).

11. As formas de participação de cada edição do FMTL (delegações, participação individual, percentagem de pessoas de cada região do mundo, etc.) e as maneiras de participar (mesas redondas, rituais, compartilhar de alimentos, conferências, oficinas, comunicações, etc.) são definidas pelos comités do FMTL, a saber, o Comité Organizador, Internacional e Secretaria Permanente, a partir do constante diálogo, reflexão e avaliação que consiste o processo do FMTL.

23.1.09

Recuperação de um bosque no Cabeço Santo na Serra do Caramulo


Damos aqui notícia de um projecto a todos os títulos louvável. Trata-se de uma acção de reflorestação de um bosque no Cabeço Santo, na Serra do Caramulo, levada a cabo por uma pequena equipa do Núcleo de Aveiro da Quercus e que pretende reconstituir os ecossistemas da zona, depois do violento incêndio que atingiu a Serra do Caramulo em 2005. Nota-se o cuidado em escolher as plantas e árvores mais apropriadas, lutando contra as plantas invasivas e, consequentemente contra a eucaliptização que infesta toda aquela região. Os intervenientes, que são elementos do núcleo de Aveiro da Quercus, têm um blogue onde dão conta das acções realizadas, dos seus objectivos, e das circunstâncias de concretização do projecto, em que se destaca a realização de várias jornadas de voluntariado neste projecto de reflorestação.



http://ecosanto.wordpress.com/

Aceitam-se voluntários que queiram participar e contribuir na reflorestação do Cabeço Santo, na Serra do Caramulo.

Para se inscrever envie uma mensagem para o endereço abaixo indicando (não esqueça que deve efectuar o seu pré-registo):


-Mês e dia no qual se inscreve;
-Se precisa ou disponibiliza lugares de transporte. No caso de precisar deverá aguardar a confirmação de disponibilidade

cabsanto@gmail.com

O Cabeço Santo

O Cabeço Santo é uma montanha que se estende entre o Rio Agadão e o Ribeiro de Belazaima, sendo, nesta latitude, a última elevação importante da Serra do Caramulo em direcção a Oeste. Do seu ponto mais alto, a 450 metros de altitude, avista-se o mar, a 40 km de distância. O seu cume alongado, que separa as freguesias de Belazaima e de Agadão, estendese ao longo de 5 km com uma orientação noroestesudeste, aproximadamente.
O ponto mais alto da Serra do Caramulo encontra- e, em linha recta, a escassos 12 km de distância, para leste.
Os bosques originais desta região eram bosques atlânticos dominados por árvores do género Quercus, onde coexistiam elementos característicos da região temperada com pluviosidade estival, e elementos característicos da região mediterrânica.
Após milénios de um uso tradicional que reduziu esses bosques a extensos matagais, o século XX assistiu à chegada das extensas plantações de eucaliptos, um uso do solo ainda mais comprometedor para a biodiversidade que o anterior, e ao qual escaparam apenas pequenos áreas de solo muito marginal.
Em Belazaima, é no Cabeço Santo que se encontram as mais importantes dessas áreas, com algumas dezenas de hectares distribuídos por vários núcleos.
Apesar das características do solo, esses núcleos apresentam uma biodiversidade notável, quando comparada com a das áreas plantadas.
A vegetação arbórea é dominada pelo medronheiro, encontrando- se também murta, espinheiro, lentisco, pilriteiro, salgueiro e, muito escassos, carvalho e sobreiro. O estrato sub-arbustivo é dominante em muitos locais com predomínio das urzes, mas encontrando- se também tojos, cistáceas, carqueja, gilbardeira, rosmaninho, tomilho e silvas.
Entre as trepadeiras encontramos a salsaparrilha-bastarda e a madressilva. Mas é entre as plantas herbáceas que a diversidade é maior, com várias e interessantes espécies características dos habitats rupícolas (arroz-dos-telhados, arrozdos- muros, orelha-de-monge, cravos-rosados, cila...), gramíneas dos géneros Agrostis, Briza, Festuca e outras aina não identificadas, campainha- de-outono e campainhasamarelas, esta última uma planta característica de pequenos charcos.


O Projecto

Adquirir um terreno com cerca de 7 hectares,inserido num dos núcleos de maior dimensão e
biodiversidade.Executar acções de controlo das plantas invasoras e promoção das nativas através darealização de campos detrabalho voluntário e da sensibilização de outros proprietários das áreasalvo, em particular da empresa de celulose StoraEnso/Celbi


1ª jornada de trabalho voluntário (transcrição do relato, retirado do blogue)

Realizou-se no dia 9 de Fevereiro a primeira jornada de trabalho voluntário de 2008 no Cabeço Santo. Foram cinco os voluntários participantes. Pouco depois das nove horas já rumavam ao local dos trabalhos transportando cerca de 130 medronheiros com torrão e uma centenha de bolotas de carvalho-roble pré-germinadas. Um vento de sudeste varria o cabeço com intensidade e o sol brilhava, antevendo-se um dia de temperaturas acima da média para a época do ano. Nada que desmotivasse os participantes.
Os trabalhos iniciaram-se no terreno do FCN da Quercus numa área de reconversão de eucaliptal. Apesar do acesso difícil, a equipa chegou em boas condições e os trabalhos começaram. As principais ferramentas em operação foram as forquilhas de dentes direitos. Com elas se ia sondando o terreno, procurando locais com menos pedras e mais solo. Em cada local escolhido soltava-se o solo, misturava-se com ele um pouco de adubo mineral rico em fósforo (mineral do qual estes solos são em geral bastante pobres), e depois colocava-se lá a planta.
Em torno dos vales, principal e secundário, do terreno, semearam-se as bolotas pré-germinadas e também algumas castanhas. De referir que estas bolotas se encontravam numa câmara frigorífica desde a sua colheita no Outono, pois de contrário o seu estádio de germinação estaria já muito mais avançado. Ao se semearem apenas nesta altura maximizam-se as suas hipóteses de sobrevivência. Essas hipóteses são ainda incrementadas pela colocação de um tubo de protecção, sem o qual a probabilidade de as bolotas não serem predadas por roedores é muito pequena. Na sementeira das bolotas, para além do adubo mineral, acrescentou-se uma pequena quantidade de vermicomposto à superfície.
Toda a manhã foi passada a trabalhar no terreno do FCN. Depois de uma pausa para almoço e retemperamento de forças, a equipa continuou, até praticamente se esgotar o espaço disponível. Foi altura de subir até ao caminho florestal da Silvicaima e plantar os medronheiros ainda restantes numa parcela de antigo eucaliptal a reconverter. Aqui o solo revelou-se bem mais difícil do que anteriormente, apelando à intuição dos participantes no sentido de encontrarem os locais mais apropriados. Para além disso, e apesar do trabalho já aí realizado em 2007, são ainda abundantes as plantas de Acacia longifolia neste local.
Pelo final da tarde os participantes deleitaram-se com um merecido lanche enquanto contemplavam um belo pôr-do-sol tendo por palco as terras baixas da Bairrada. Depois, foi altura de regressar, o que se fez pelo caminho florestal da Silvicaima, permitindo aos participantes ter uma perspectiva global sobre a área de intervenção para recuperação ecológica. Se isso lhes deu mais determinação ou os deixou desanimados, só eles poderão dizer!



Plantar árvores! Plantar árvores é como fazer amigos. Plantamo-las, cuidamos delas, e depois elas ficam lá, pela nossa vida fora, sempre prontas a ouvir-nos, a dar-nos sombra, abrigo, alimento mesmo. Sempre diferentes mas sempre distintas e únicas. Sempre a árvore que nós plantámos! Vêm e vão as tempestadas e a “nossa” árvore acalma o vento com os seus ramos e absorve a água com as suas raízes e a sua manta morta. Vem o calor e o frio e a “nossa” árvore atenua os extremos com a sua folhagem. Vem mesmo uma tempestade de fogo e a árvore resiste por detrás do seu manto de protecção ou refugia-se no solo para, quando a tormenta passar, voltar a olhar o céu. Provavelmente a árvore que nós plantámos sobreviver-nos-á. Quando já não estivermos cá para a visitar, ela continuará a crescer, a abrigar, a alimentar.
É o que fazemos, por estas alturas, no Cabeço Santo: plantamos e semeamos árvores. Não para serem cortadas dentro de alguns anos, não para serem conduzidas de maneira a produzirem o máximo de matérias primas, mas para cumprirem o desígnio da Vida, para serem belas, para permanecerem.
Às vezes pode parecer, e mesmo ser, um trabalho fisicamente exigente. Mas chegamos ao final do dia e parece-nos que afinal não foi assim tanto. É como se uma força invisível nos tivesse empurrado encosta acima e nos tivesse aliviado o peso das ferramentas. E no final do dia, não fosse o sol “ir descansar”, estariamos ainda com energias para continuar.

Quem quer vir plantar árvores connosco no Cabeço Santo? Ainda há vagas!




Comunicação da Quercus na cerimónia de assinatura do protocolo com a Silvicaima e a Câmara Municipal de Águeda:



O Projecto Cabeço Santo teve início, pode-se dizê-lo, no dia seguinte ao grande incêndio que atingiu a região no dia 18 de Setembro de 2005. E teve início nesse momento cinzento, porque as condições que o tornaram justificado e necessário tinham já sido criadas muito antes: a ausência de ordenamento na actividade de cultivo de espécies florestais, a ausência de medidas de protecção dos valores não passíveis de apropriação e gestão privada, a falta de cuidado e de controlo na difusão de espécies com características invasoras. Mesmo que o mínimo indispensável tivesse sido feito, as consequências sobre a paisagem e a biodiversidade teriam já sido grandes, sem esse mínimo, as consequências foram devastadoras. Parece uma palavra forte, mas só assim se pode definir um contexto de eliminação de espécies e habitats de tão grande alcance como o que aqui aconteceu.
A história é, como se sabe, já antiga, e, tal como naquela outra história da rã que é cozida devagarinho, não dá por nada, e portanto se vai deixando estar até que é tarde de mais, também o processo de degradação e alteração da nossa paisagem é antigo, cada fase ocorreu gradualmente e teve as suas justificações, pelo que as consciências humanas se foram a ele acomodando. Primeiro a eliminação dos antigos bosques, que deverá ter ocorrido ao longo de séculos, depois o estabelecimento de um coberto vegetal adaptado à pastorícia, e por ela mantido, que nos legou os matagais extensivos, formação semi-natural de forte carácter antrópico. Com o eclipsar das culturas rurais de subsistência e a emergência de novas necessidades, pareceu natural que, no contexto de uma nova cultura emergente, essas agora inúteis formações fossem transformadas para o fim que agora conhecemos: o cultivo de espéces arbóreas.
Mas, uma percepção sensível e sábia do que estava para vir poderia ter evitado males maiores: a potencial utilização de maquinaria pesada aconselharia a ponderação dos solos admissíveis, a utilização de um regime monocultural (e portanto com exclusão de outras espécies) aconselharia a reserva de espaço para os ecossistemas nativos, sobretudo nos habitats mais sensíveis, e o recurso a espécies exóticas aconselharia um cuidado muito maior com as espécies a utilizar e onde seriam utilizadas. Em geral, o desenvolvimento de actividades incapazes de sustentar os bens comuns (como a paisagem e a biodiversidade) deveriam, no mínimo, merecer um esforço de regulação, por parte de quem tem a missão de o fazer, no sentido de preservar esses bens comuns da apropriação privada. Não porque o privado seja essencialmente mau e o público bom, mas porque não é sua missão e responsabilidade fazê-lo, sobretudo num contexto como aquele em que hoje vivemos.
O momento em que se procedeu à privatização dos espaços comuns, na primeira metade do sec. XX, foi um daqueles em que essa visão não esteve presente, tal como não esteve presente quando se iniciou um processo generalizado de ocupação do espaço de montanha com plantações de árvores. Quando, tardiamente, o Estado reconheceu a necessidade de colocar alguma ordem no contexto, já era, para uma região como a nossa, tarde demais: todo o espaço era já explorado, não sendo muitas vezes viável qualquer outro tipo de usufruto privado mais compatível com a preservação dos bens comuns, a disseminação da propriedade inviabilizava a aplicação efectiva das medidas preconizadas e já haviam sido causados danos a esses mesmos bens comuns que só um investimento não produtivo poderia, em parte, recuperar. Por isso, desde a criação da Reserva Ecológica Nacional, de legislação restritiva quanto ao cultivo de espécies de crescimento rápido e de toda uma série de medidas com objectivos reguladores, a situação da nossa paisagem e dos nossos valores naturais não cessou de se agravar e a generalidade das medidas legislativas tomadas não teve quase nenhum impacto.
Hoje quase todos reconhecem que se foi longe demais. Mesmo aqueles que têm nos cultivos florestais o seu modo de vida e a sua sobrevivência. Basta olhar com os olhos do coração (mas os da inteligência servem igualmente bem) para um espaço como a pequena bacia do Ribeiro de Belazaima para o constatar.
E, se hoje assinamos com a Silvicaima este protocolo, isso também é uma consequência desse reconhecimento. O dos seus responsáveis como seres humanos, que reconhecem não ter o homem o direito de tomar toda a Terra para seu proveito exclusivo, e o dos seus responsáveis como produtores, que provavelmente reconhecerão que uma pequena perda em termos de produção é largamente compensada pelos benefícios em termos de imagem que um maior cuidado com os bens comuns acarretam. Isto para além de qualquer obrigação determinada pelas leis e pelos sistemas de certificação.
Entendemos que as práticas correntes de produção intensiva de espécies florestais exóticas de ciclo de exploração curto não são, em si, compatíveis com propósitos de conservação da natureza e de preservação dos bens comuns. Por isso, a única solução é uma de compromisso: a de reservar áreas exclusivamente com objectivos de conservação. Não será consensual qual a fracção da área total de uma região a reservar com esse propósito, mas haverá algum consenso quanto ao tipo de áreas a incluir: as áreas marginais para o cultivo, as áreas ribeirinhas e outras áreas de particular expressão da biodiversidade. Não quer também dizer que o ser humano seja proscrito das áreas de conservação. Mas o benefício que ele pode daí retirar é, mais uma vez, indirecto, e não compatível com o actual regime de propriedade. Pensamos nos aspectos paisagísticos, na apicultura, no turismo de natureza, e noutros serviços que as formações naturais prestam melhor que quaisquer outras, como a regulação do ciclo da água e a conservação de organismos úteis ao homem.
Para criar áreas de conservação numa região como a nossa, já não basta legislar e condicionar. É necessário agir activamente no terreno. Por um lado, porque as formações nativas já foram destruídas ou fortemente danificadas e têm de ser recuperadas. Por outro lado porque não se pode esperar que sejam os proprietários privados a fazê-lo. A propriedade da Silvicaima é, neste contexto, um caso algo especial, porque se trata de uma grande propriedade onde é e foi possível pôr em prática um plano de ordenamento onde as áreas prioritárias para conservação puderam ser libertadas da actividade de cultivo. Mas, fora dela, a inclusão de uma pequena faixa ribeirinha num projecto de conservação pode significar a absorção de parcelas inteiras de pequenos proprietários. Claro que não é legítimo pedir a esses proprietários que cedam as suas parcelas, ou mesmo parte delas, gratuitamente, mesmo que seja para o bem comum. A única forma é indemenizar esses proprietários pelo justo valor que, em termos produtivos, essas terras representam. Sabemos bem que os legisladores criaram uma figura de organização que facilitaria essa tarefa: as zonas de intervenção florestal, ZIF’s, que permitem gerir uma área extensa de forma ordenada e com consideração por critérios de preservação de bens comuns sem prejudicar os proprietários das parecelas a isso devotadas. Mas a adesão a tal figura de organização implica uma visão comum e o abandono de um individualismo que se encontra arreigado nas nossas populações, de tal maneira que aqui dificilmente seria implementado.
Deste modo, o Projecto Cabeço Santo, depois de um período inicial de maturação durante o qual teve como objectivo apenas a recuperação das áreas do Cabeço Santo que já não eram significativamente cultivadas antes de 2005, mas que se encontravam ameaçadas pela vegetação invasora, cresceu em âmbito e horizontes para ter também como objectivo a recuperação para efeitos de conservação de áreas ribeirinhas do Ribeiro de Belazaima. Embalada pelo facto de a margem direita ser, com duas excepções, propriedade da Silvicaima e de esta ter aceite a inclusão de áreas ribeirinhas de extensão significativa neste projecto, a Quercus tentará junto dos proprietários da margem esquerda, por meio de compras ou outras formas de cedência onerosa (ou gratuita, se for essa a vontade de algum deles!), obter o direito de intervir também nessa margem esquerda. Também o facto de terem sido criados corredores ecológicos ao longo dos vales principais na propriedade da Silvicaima permitirá criar uma área contínua de conservação, que abrange as zonas ribeirinhas e as relativamente extensas áreas de carácter rupícola já antes incluídas.
Não pretendemos dar a este projecto um alcance e uma relevância para além daqueles que ele tem por direito: ser um exemplo do mínimo que é exigível fazer numa região com as características da nossa, e dar um contributo, por modesto que seja, para contrariar a perda de biodiversidade, um problema de alcance planetário, e que, pelo menos na Europa, merece uma atenção de objectivos definidos: parar a perda de biodiversidade até 2010. Por isso, também é importante ter a Câmara Municipal neste protocolo. Não em primeiro lugar pela sua contribuição financeira para este esforço (embora todas sejam importantes), não porque seja uma forma de pedir responsabilidades aos poderes públicos por aquilo que não fizeram pela preservação dos bens comuns (embora, no contexto que nos ocupa, tenham de facto falhado nisso), mas como forma de os sensibilizar e de os comprometer (e neste caso à Câmara Municipal em particular) com uma acção que julgamos positiva, e com necessidade de uma expressão territorial muito mais larga do que aquela que é objectivo deste projecto. Oxalá daqui por 2, 5, 10 anos, todos nós possamos olhar para os resultados deste projecto e ter o sentimento de que valeu a pena, e de que o resultado nos inspira a fazer algo da mesma natureza noutros locais com problemas similares.
Outro dos objectivos importantes deste projecto é conseguir demonstrar às pessoas, sobretudo ao nível local, a relevância dos seus propósitos. Não pretendemos iludir o facto de ele não ter, até ao momento, suscitado o entusiasmo colectivo. Também não suscitou hostilidade, mas a atenção que recebeu da parte dos cidadãos, das empresas e da comunicação social local, são uma demonstração da escassa sensibilidade que ainda vigora para os problemas a que se procura dar resposta. Longe de emitir mensagens de censura e de queixume, entendemos essa realidade como um desafio, nem que seja de longo prazo, à nossa capacidade para demonstrar a validade dos nossos pressupostos e objectivos. Se, dentro dos mesmos 2, 5, 10 anos, o projecto não tiver dado uma contribuição decisiva para a alteração de percepção que cidadãos e organizações têm desta problemática, então também aí terá falhado. Para atingir esse objectivo, continuaremos a convidar ao envolvimento de escolas, escuteiros, empresas, associações e cidadãos. Como já tem vindo a acontecer, o trabalho voluntário será uma das componentes principais desse envolvimento. Será dada particular atenção à comunidade de Belazaima do Chão, pois ela será a principal beneficiária do trabalho desenvolvido, e será também a principal depositária, com o que isso tem de benefício e de responsabilidade. É importante que esta comunidade não olhe para as áreas onde se desenvolve o projecto como sendo propriedade da Quercus, da Silvicaima ou de outras entidades, mas que olhe para elas como suas, tanto em termos dos benefícios indirectos que daí pode recolher, como da responsabilidade que lhe cabe na sua preservação.
Por agora a Quercus e quem a constitui, com o apoio de entidades como as que assinam este protocolo, assegurará esta responsabilidade. Mas as pessoas e as organizações nem sempre duram, enquanto que os resultados deste projecto têm horizonte temporal indefinido. Acresce que não sabemos até que ponto é possível, e se o for, o tempo que é necessário, para que as formações nativas que pretendemos recriar atinjam uma fase mais ou menos climácea, e se perpetuem, ou evoluam como resposta às condições físicas sem a necessidade de intervenção humana. Na realidade, formações nativas puramente espontâneas já não existem entre nós há muitos séculos, e talvez nem seja possível recriar senão formações semi-naturais dependentes de uma intervenção humana auxiliadora.
Talvez no futuro as comunidades adquiram verdadeira consciência do grau em que a nossa civilização ameaçou a Vida na Terra, e cuidem dos pequenos fragmentos que restaram, como estes que agora procuramos salvaguardar, como preciosidades dignas da mais cuidada e apaixonada salvaguarda. E oxalá que assim seja porque significa que essa civilização ultrapassou o seu momento de crise, evoluindo, e não sucumbiu, levando consigo uma longa história de desenvolvimento e de vibrante expressão da Vida na Terra.



Jornada de Trabalho voluntário de 17 de Janeiro no Cabeço Santo


Trees for Life
(documentário de 1993 sobre o trabalho do colectivo Trees for Life em prol da recuperação da Floresta da Caledónia na Escócia. Versão portuguesa)



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