19.12.08

Processo pelo crime de adultério contra Camilo Castelo Branco ou os pesadelos macabros do Direito Penal: para que conste...

Cela do edifíco da Cadeia da Relação na cidade do Porto onde esteve preso Camilo Castelo Branco.

Nota Importante: o actual edifício encontra-se hoje restaurado, e não é comparável à prisão que existia, ainda não há muitos anos atrás, em pleno centro da cidade do Porto, verdadeira nódoa que, por decoro, foi encerrada e substituída por outras que se encontram fora da cidade, longe de olhares da crítica


Camilo Castelo Branco esteve preso mais de um ano na cadeia da Relação do Porto, aguardando julgamento por causa do seu relacionamento amoroso com uma mulher casada, Ana Plácido, ela própria também levada para o cárcere.

Dizem os registos que ninguém queria julgar Camilo por dormir com mulher alheia e a “espinhosa missão” acabou por ser confiada ao pai do escritor Eça de Queirós que despachou uma absolvição por falta de provas, “deixando o povo feliz e contente”.

Dos argumentos aduzidos pelo juiz José Joaquim de Queiroz, em 17 de Outubro de 1861, não sobra prova material, já que se goraram todos os esforços para encontrar o processo do julgamento de Camilo Castelo Branco e da sua amada Ana Plácido.

Mas todas as razões que levaram à dedução de acusação contra os “adúlteros” e à sua prisão preventiva na Cadeia da Relação por um ano e 16 dias resistem no Museu Judiciário do Tribunal da Relação do Porto.
A acusação que todos podem ver agora em amarelecidas páginas sustenta que “seria um contra-senso inqualificável que esse homem que a teve [a Ana Basílio] teúda e mateúda (…) ficasse impune”.

Texto da agência Lusa

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PROCESSO DO CAMILO
Tribunal Criminal, 1.º Distrito do Porto.


Por queixa de Manuel Pinheiro Alves, marido de Ana Augusta Plácido, foi instaurado processo de querela, por adultério, contra Camilo Castelo Branco e aquele Ana. O processo foi objecto de despacho lavrado, em 22 de Dezembro, pelo juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, pai do Eça, titular daquele Tribunal Criminal, sito na Praça D.ª Filipa de Lencastre, na esquina com a Rua da Picaria. A queixa foi assinada pelo advogado Alexandre Couto Pinto e os acusados tiveram como defensor Marcelino de Matos que também havia de defender, noutro processo, o Zé do Telhado.

Camilo e Ana acabaram por ser pronunciados, ela por adultério e ele por ter copulado com mulher casada, por decisão do Tribunal da Relação do Porto, já que o juiz Queirós apenas pronunciara a Ana. Isto por que só o adultério da mulher era punível e, relativamente ao homem compartiticipante, a punibilidade pressupunha o flagrante delito (sós e nus na mesma cama) ou a existência de cartas ou outro documento escrito. O flagrante não se verificava e apenas existia uma carta dirigida a um tio (informador de Pinheiro Alves da infidelidade da mulher) de Ana, mas em que não era mencionado o nome desta. Na sequência da pronúncia, Ana Plácido e, mais tarde Camilo, recolheram à Cadeia da Relação. Depois de muitos incidentes (pedidos de escusa de juízes, recursos), chegando o processo a subir ao Supremo Tribunal de Justiça, foi efectuado o julgamento, num ambiente extremamente emo-tivo, correspondente à grandiosidade do escândalo. Estava ao rubro a curiosidade das provectas virgens, das matronas desocupadas e dos conquistadores frustrados, além dos seráficos moralistas de fachada. Se a Relação ultrapassara a desadequação legal à evolução se senso comum, pronunciando ambos os Réus, considerando que "seria um contra-senso inqualificável que esse homem que a teve teúda e manteúda já nesta cidade na Rua da Picaria, já em Lisboa e na Foz: que a foi tirar ao Convento da Conceição em Braga aonde se achava, para assim continuar com ela uma vida de escândalo e imoralidade que afecta a sociedade em geral ficasse impune ...", o júri, acaba, de forma oposta por tornear aquela desadequação, não considerando provados quesitos fundamentais. A sentença, proferia em 17 de Outubro de 1861 (peça que, presentemente, não se encontra no processo por ter desaparecido), limitou-se a absolver os acusados e emitir mandados de soltura..


Camilo permaneceu na cadeia, em prisão preventiva, um ano e dezasseis dias. Ana um pouco mais. Durante a prisão, ele receou que o tio da Ana que esteve na base da descoberta da situação de amantismo, pagasse a alguém, dentro da Cadeia, para o matar. Acabrunhado, terá desabafado os seus temores perante um outro preso o qual lhe terá garantido que estivesse descansado, pois, se alguém ali lhe tocasse com um dedo, três dias e três noites não chegariam para enterrar os mortos. Este outro preso era José do Telhado. O gratidão de Camilo levá-lo-ia a compartilhar o seu advogado de defesa. A aura romântica do assaltante também a isso se terá ficado a dever.


Retirado de:
www.trp.pt/historia/processoshistoricos.html


Sobre Camilo Castelo Branco:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Castelo_Branco

http://camilo20.wordpress.com/

http://www.geira.pt/CMCamilo/

Festival Geada 2008 em Miranda do Douro (26, 27 e 28 de Dezembro)

http://festivalgeada.blogspot.com/

O "GEADA 2008 - I Festibal de Cultura Tradecional de las Tierras de Miranda", é uma das iniciativas que integram o plano de actividades da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa - ARJM, que deste modo, em parceria com o Grupo de Pauliteiros da Cidade de Miranda do Douro, assinalarão o 3º aniversário deste grupo e o 1º desta jovem associação.A 1ª edição do GEADA terá como objectivos principais: festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições de Inverno das Terras de Miranda e prestar homenagem a um dos maiores vultos da cultura nacional, José Leite de Vasconcelos, no ano em que se comemoram os 150 anos do seu nascimento.
Ao participante, ao longo do festival será dada a possibilidade de viver, pela primeira vez, algumas das tradições de inverno próprias do planalto mirandês. Assim, qualquer um poderá intervir pessoalmente, numa matança tradicional, dançar à volta da tradicional fogueira do galo, e ao som ecoante das mais belas gaitas-de-foles poderão dançar pauliteiros e música tradicional mirandesa, tocar instrumentos tradicionais, conhecer a lingua mirandesa, passear por algumas das mais belas aldeias do planalto, acompanhando a vida e obra de José Leite de Vasconcelos, fazer e provar enchidos, e deliciar-se com os sabores da gastronomia tradicional mirandesa.Pretende-se então, que todos os visitantes e participantes levem algo mais que uma recordação, mas antes uma experiência, que sintam a motivação de fazerem parte integrante de uma cultura tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante, tentando percebê-la por dentro e não só a estudando.
O GEADA envolve música e quando se fala de música tradicional, este planalto acorda e revela-se ao mundo. Grupos como "Galandum Galundaina", "Pauliteiros de Miranda do Douro", "L Bombo", "La Xaranga de Zeek i Trasgo", "Gaiteiricos" e "Quinteto Reis" são referência no nordeste musical que se farão ouvir durante o festival.
Mas o festival, tal como a música, não se cingirá às sua fronteiras geográficas. Do mundo encantado das gaitas, dos bombos e das tradições chegarão os "Tuttis Catraputtis", os "Roncos do Diabo" e os asturianos "L'Andecha Turcipié", perfeitos reis magos da festa.
Durante o GEADA, a miscelânia de gerações criará um ambiente inter-geracional fantástico, em que o convívio e a troca de experiências, serão o ponto de partida para a festa ao longo de todo o fim-de-semana.

BAMOS DERRETIR L GELO!



Programa:



Dia 26
21h30 - Recepção aos visitantes junto à Fogueira do Galo - Sé Catedral.

22h00 - Baile Tradicional com Quinteto reis e L'Andecha Turcipié (Astúrias)

23h00 – Gaitas à solta na fogueira.


Dia 27
10h00 – Visita ao Centro de Interpretação - Ambiental de Miranda do Douro

10h00 – Matança Tradicional.

11h00 - Inauguração da exposição "La nuossa tiêrra"

12h00 – Vamos fazer fumeiro13h00 – Almoço tradicional

15h00 – Workshops:Danças tradicionais mirandesasPauliteirosPequenas percussões16h00 – Palestra "José Leite de Vasconcelos i la lhéngua mirandesa" com Amadeu Ferreira

17h00 – Arruada

19h00 – Jantar tradicional

21h00 – Baile Tradicional com:
Pauliteiros de Miranda do DouroRoncos do DiaboGalandum GalundainaTuttis CatraputtisLa Charanga de Zeek i Trasgo


Dia 28 - Passeio "Na ruota de Vasconcelos"

10h00 - Miranda do Douro.
Concentação
Leitura de poemas.

11h00 - Duas Igrejas
Duas Igrejas na obra de José Leite de Vasconcelos.
Visita à estação Arqueológica da Solhapa.

12h30 – São Martinho
Encontro com a história local
São Martinho no percurso de Vasconcelos

14h00 - Póvoa - NASO
Aparições e religiosidade popular
Almoço tradicional
Jogos Tradicionais

15h00 – Sessão de encerramento:Baile Tradicional com "Ls Gaiteiricos" e "L' Bombo".

Contactos:
915088034
936576314
e-mail:
pauliteiros@gmail.com

Bush apanhou já, em poucos dias, com 20.000.000 sapatos num dos jogos mais bem conseguidos que apareceram na Internet


Dezenas de sapatos, cada um com o nome de iraquianos mortos por causa da invasão norte-americana do Iraque, foram colocados em frente à Casa Branca, em Washington. No fundo, podia-se ler numa grande faixa : «Pelas viúvas, os órfãos e os assassinados no Iraque»


Entretanto,multiplicam-se na Internet os jogos e as montagens de sapatos atirados a Bush a servir de alvo. No site «Sock and awe» já se acumularam 20.000.000 lançamentos certeiros contra Bush, ficando-se ainda a saber a proveniência do país dos jogadores. Curiosamente o primeiro país com mais jogadores a lançarem-se contra Bush é … os Estados Unidos da América!

Festa das Migrações ( 20 de Dezembro, a partir das 18h. no Centro Social da Mouraria)



O Grupo A Formiga Fora da Estrada (GAFFE) é um grupo que se constituiu depois da manifestação de imigrantes de 12 de Outubro em Lisboa. Pretende trabalhar em parceria com várias associações e movimentos sociais e culturais, procurando através da arte e do debate mudar a sociedade.

No dia 20 de Dezembro, Sábado, vai organizar no Centro Social da Mouraria em Lisboa, a "Festa das Migrações". É uma actividade que começará às 18h com chá, documentário e debate sobre a questão das migrações, performance dos palhaços pelos direitos humanos, jantar vegan e três concertos: Mukio e Dawda, Katharsis e Pedro e Diana

Para ver o Mapa do local onde se realiza a Festa das Migrações:
aqui



O que é o dia 18 de Dezembro? É o dia internacional das Migrações.

Trata-se do fenómeno mais antigo da humanidade: o ser humano desloca-se para cumprir as suas necessidades.


O que é o dia 10 de Dezembro? O Dia Internacional dos Direitos Humanos.Mundialmente adoptados há 60 anos, até aqui desrespeitados pelas inúmeras leis e práticas.


Qual é o Artigo 13 desta Declaração? O direito à livre circulação das pessoas:Toda a pessoa tem o direito de circular livremente e escolher a sua residência no interior de um Estado. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.


O que é que justifica o direito à circulação?Partindo do principio base de que um ser humano vale o mesmo que outro, cada um tem direito a procurar a felicidade e, por isso, mudar de país. Se não nasceu num sitio que lhe permite realizar os seus sonhos.Cada um tem direito a ter expectativas na vida que ultrapassam a sobrevivência, cada um tem direito a ser curioso e conhecer o mundo!

O que justifica a militarização excessiva das fronteiras externas da Europa?Construir muros altos entre os povos, cavar hiatos, erigir diferenciais artificiais.

Por que razão se deve impôr barreiras e adoptar politicas de imigraçao escolhida e, ao mesmo tempo querer cada vez mais a circulaçao livre dos fluxos monetários?Com que direito é que se pode decidir o domínio de uma parte do mundo, de fazer perdurar o espírito colonial através duma super protecção do nosso continente-bloco?

A Europa foi sempre terra de partidas para o desconhecido, para a exploração de um novo mundo. Explorou lugares, gentes em busca de riqueza e de poder. E agora vêmo-la fechar os caminhos que andou a abrir.



18 de Dezembro - Dia Internacional d@ Migrante


No dia de hoje sucedem-se as celebrações sob o mote do Dia Internacional d@ Migrante. Numa altura em que nos aproximamos do encerramento do Ano Europeu para o Diálogo Intercultural e em que muito se falou sobre a importância e os avanços no domínio das políticas de integração, não podemos deixar de alertar para a precariedade da situação em que se encontram largos milhares de imigrantes em Portugal, nomeadamente @s “indocumentad@s”, e para o desrespeito institucionalizado pelos Direitos Humanos, cada vez mais patente nas políticas europeias anti-imigração.

A revolta e a determinação de milhares de imigrantes que desceram à rua, em Lisboa, a 12 de Outubro, continuam bem vivos: no passado Domingo, 14 de Dezembro, centenas de imigrantes encheram à cunha o Auditório do CNAI, num Plenário muito participado, respondendo à convocatória da Associação SOLIDARIEDADE IMIGRANTE. Razões para este descontentamento não faltam e extravasam as próprias fronteiras.

NA EUROPA, estão-se a verificar retrocessos civilizacionais preocupantes, em matéria de Direitos Humanos, perante os quais não podemos ficar indiferentes. A aprovação do Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo, o Pacto Sarkozy, representa o endurecimento da vertente repressiva do controlo de fronteiras e da criminalização da imigração. O Pacto formaliza ainda uma prática que tem sido adoptada pela maior parte dos países europeus: proíbe os processos de regularização nos Estados membros da UE, remetendo para a clandestinidade os cerca de 8 milhões de indocumentados que vivem e trabalham na Europa

A Directiva da Vergonha que, apesar de ter merecido forte contestação e repúdio por parte de amplos sectores da sociedade civil, foi formalmente aprovada, com o voto favorável do governo português, nas vésperas das comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, representa um passo gigante no sentido da criminalização e expulsão dos indocumentados. Trata-se uma má notícia não só para Imigrantes como para Europeus, pelo profundo retrocesso civilizacional que representa.

Com a crise, diz-se que é necessário proteger os postos de trabalho d@s nacionais. Mas a manutenção destes imigrantes na clandestinidade tem dois resultados práticos: alimenta bolsas de trabalhadores/as desprotegid@s perante a exploração laboral e alimenta a exclusão social. Além disso, a posição de querer expulsar aqueles/as sem os/as quais teria sido impossível manter os níveis de crescimento verificados nas economias europeias nas últimas décadas é duma hipocrisia atroz. Na prática, trata-se de “usar e deitar fora”.

EM PORTUGAL, o divórcio entre a propaganda oficial e a realidade torna-se cada vez mais evidente. A Lei de Imigração -em vigor desde Julho do ano passado - deixa milhares de pessoas à margem da sua justa regularização e aumenta o poder discricionário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Eis alguns dos problemas mais gritantes:

A lei cria um ciclo vicioso – é necessário trabalho para ter direito a residência, mas é preciso residência para trabalhar – o que deixa @s migrantes num beco de difícil saída, precariza a sua situação e alimenta os “falsos contratos”.

Os mecanismos de regularização de indocumentados/as que vivem e trabalham neste país (Artigos 88º e 89º) têm carácter oficioso e são definidos na Lei como excepcionais, o que reforça os poderes discricionários do SEF e do Governo.

É praticamente impossível para um/a estrangeir@ obter o visto para trabalhar em Portugal, antes de vir para cá, pois é necessário apresentar previamente um contrato de trabalho, ou, no mínimo, uma “manifestação individualizada de interesse da entidade empregadora”, além da extrema dificuldade e morosidade em todo o processo. Ora, qual o empregador que vai oferecer emprego a um/a imigrante antes de @ conhecer? O actual sistema não promove na realidade a tão apregoada “imigração legal”.

As políticas de quotas foram mais uma vez mais uma fracasso. Piorando a situação, o Governo contabiliza a regularização dos indocumentados que já cá vivem e trabalham para as quotas, como se de novas entradas para o mercado de trabalho se tratasse.

Com a definição de rendimentos mínimos, o direito ao reagrupamento familiar tem sido mais e mais limitado e desadequado à realidade do salário médio nacional.

No seu relacionamento com o Estado português, @s imigrantes não regularizados verificam que existem dois pesos e duas medidas claramente diferenciados, segundo se trate de cumprir deveres ou de verem reconhecidos os seus direitos. Por exemplo, a Segurança Social e as Finanças recebem as contribuições de quem não tem a situação documental regularizada, mas, se @ imigrante for dispensado do trabalho vê negado o seu direito a receber o subsídio de desemprego, alegando a falta de Visto ou de Autorização de Residência. O mesmo se passa com as licenças de maternidade e com quaisquer outro tipo de protecção social sociai.

No dia 18 de Dezembro – Dia Internacional d@ Migrante – de 2008, Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, ano em que se assinala também o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reivindicamos o que deveria ser o verdadeiro significado destas efemérides, reivindicamos direitos e tratamento digno para todas as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido.






Para saber mais:





Lição de Geografia Humana sobre migrações

18.12.08

20 de Dezembro - Dia Internacional de Acção contra os assassínios cometidos pelo Estado e em solidariedade com o actual movimento social grego


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20 de Dezembro - Dia Internacional de Acção - Apelo das Universidades Ocupadas de Atenas


“We don’t forget, we don’t forgive” - day of international action against state murders

A assembleia do Politécnico Ocupado de Atenas decidiu fazer um apelo internacional para acções de resistência, a nível europeu e mundial, em memória de todos os jovens assassinados, imigrantes e todos aqueles que estavam a lutar contra os servos do estado:
Carlo Juliani;
A juventude dos subúrbios franceses;
Alexandros Grigoropoulos
e os inúmeros outros, em todo o mundo.
As nossas vidas não pertencem aos Estados nem aos seus assassinos! A memória dos irmãos e irmãs, amigos e companheiros assassinados mantém-se viva através das nossas lutas! Não nos esquecemos dos nossos irmãos e irmãs, nós não perdoamos os seus assassinos. Por favor traduzam e espalhem esta mensagem por um dia comum de acções coordenadas de resistência, no maior número de sítios possível.



Concentração em Lisboa no Sábado ( dia 20 de Dez.) às 15h na Praça da Figueira

O movimento social na Grécia protesta contra a violência que a polícia exerce sobre os cidadãos, cujo caso mais recente foi o assassinato de um jovem de 15 anos. Mas os protestos são também contra as crescentes desigualdades sociais.

Neste mundo, quase todos os gregos com menos de 25 anos sabem que pertencem ao que é chamado por todo o lado como “a geração 700 euros”, a primeira geração depois da segunda guerra mundial que cresce com a certeza que vai viver uma situação pior que a dos seus pais. Uma geração com poucas perspectivas de um futuro melhor e ainda menos esperança nesse futuro.


No Porto- Solidárixs com o movimento grego ( 20 de Dez.)

Ao contrário do que nos querem fazer crer os meios de comunicação, o assassinato, às mãos da polícia grega, no passado dia 6, do jovem de 15 anos Alexandros Grigoropoulos (Alexis) não foi um incidente isolado. Tratou-se, antes, duma explosão do Estado repressivo que, de forma sistemática e organizada, aponta para os que resistem, os que se revoltam, os que combatem o estado actual das coisas e a autoridade que lhe dá corpo. (...)

Daqui, queremos deixar bem claro que não temos dúvidas sobre o lado em que estamos. Ao lado dos que apelam "não deixem este hálito flamejante de poesia atenuar-se ou extinguir-se". Solidários com os que lutam, com os detidos nos confrontos dos últimos dias, com todos os que se juntaram à mesma luta em muitos outros locais deste planeta que é nosso.


Junta-te ao Jantar Popular (a partir das 21h), preparado com alimentos de mercados locais e preferencialmente de agricultura biológica, e envolve-te também no Mercado de Trocas (a partir das 15h pela tarde fora) trazendo tudo aquilo que queiras e trocando por tudo aquilo que gostas. Traz uma iguaria (de preferência veggie, bio, ou regional), vê crescer o cabaz de natal e torce para que te saia a ti! (Casa Viva)

Também a partir das 15h, começam as Jornadas de Outono de Xadrez do Musas-2008, no Espaço Musas. Um torneio amigável em que te podes inscrever através do email


Se preferires, dedica-te à construção de instrumentos musicais (também a partir das 15h), pelos Ritmos de Resistência, recém banda de samba do Porto. (Casa Viva)

Às 20h será projectado Zero em Comportamento, de Jean Vigo (1933), com banda sonora ao vivo de Hayena Reich.



Para saber mais:

15.12.08

O jornalista iraquiano que lançou os sapatos a Bush é nomeado como a Personalidade do Ano

RESISTE POR TODOS OS MEIOS NECESSÁRIOS

O Prémio da Personalidade do Ano é atribuído por unanimidade ao jornalista iraquiano Muntazir Az-Zaydi que pela sua coragem e o seu magnífico acto simbólico ao enfrentar Bush, o criminoso de guerra mais poderoso do mundo, conseguiu mostrar a todo o mundo que a Dignidade Humana é um alto valor que a todos deve inspirar, apesar dos criminosos governarem o nosso planeta.


A ilustração de cima é de Zack Furness, membro do website Bad Subject, enquanto a de baixo é do conhecido cartoonista brasileiro Latuff


14.12.08

Sapatos iraquianos lançados contra Bush fazem do jornalista iraquiano Muthathar al Zaidi o herói do ano


O Herói do Ano: o jornalista iraquiamo Muthathar al Zaidi, quando era manietado pelos gorilas norte-americanos ( em baixo), depois de ter atirado os seus dois sapatos em direcção a Bush ( em cima)


Numa visita rápida ao Iraque por Georges W. Bush, realizada hoje, e durante uma conferência de imprensa em Bagdad, o jornalista iraquiano Muthathar al Zaidi descalçou-se e arremessou os seus dois sapatos em direcção ao Presidente dos Estados Unidos da América, e reconhecido criminoso de guerra, transformado agora em boneco de tenda de feira. Por pouco, os pobres dos sapatos não acertaram no alvo.

O corajoso jornalista ainda teve tempo, antes de ser retirado pelos gorilas ao serviço de Bush, em gritar: "This is a goodbye kiss, you dog," ( este é um beijo de adeus, seu cão).

Note-se que o arremesso de sapatos contra alguém, na cultura árabe, é uma das maiores ofensas pessoais.

Dois outros jornalistas iraquianos, presentes na sala, declararam pouco depois que a acção do seu colega revelara uma enorme coragem.





13.12.08

Não, estes bancos não estão em crise!



Não, este banco não está em crise,
Nem sequer está cotado na Bolsa

É um banco que aceita abraços das pessoas
E os partilha sem falar de hipotecas,
De créditos,
avales
e fianças
Só aceita beijos

Neste banco beijaram-se os amantes,
Os amigos,
os idosos
e os jovens,
nas tardes dos sábados
e aos Domingos a qualquer hora

Gosto dos bancos como este,
São feitos de madeira,
e estão rodeados de relva e flores.
São bancos inofensivos e sensíveis,
Que sorriem quando alguém se senta neles
E escutam pacientemente todas as palavras

Este é o género de bancos
Que deveriam povoar o mundo.

(adaptação de uma poesia de Maria Novo)


Georges Brassens canta
«Les amoureux des bancs publics » (Os amantes dos bancos públicos)



Sobre os bancos públicos e o espaço público, consultar::

http://bancspublics.canalblog.com/

Fotografias:
http://www.flickr.com/groups/bancspublics/

Rebelião de jardins
http://rebellionjardiniere.free.fr/

Robin das cidades (fr)
http://www.robinsdesvilles.org/spip.php?rubrique7

Espaço público republicano
http://www.robinsdesvilles.org/spip.php?rubrique7

Reclaim the streets
http://rts.gn.apc.org/





«Quando se suprimiu a rua, as consequências não tardaram: a extinção da toda a vida, a redução da cidade ao dormitório, o funcionalismo aberrante da existência…a rua é a desordem, e esta desordem existe, viva, informe. É surpreendente. Lugar da palavra, lugar de trocas para as palavras e para os signos tanto como para as coisas. »
(Henri Lefebvre, La révolution Urbaine, Paris; Gallimard; 1970)


Vivemos numa sociedade em que a estandardização e o mercantilismo têm a pretensão de substituir a criatividade, o sonho e a partilha







Livro de fotografias: o amor nos bancos públicos


Sonho com um banco público ... aqui



12.12.08

Greve geral e protestos na Grécia contra a violência policial e governo.Em Lisboa há manifestação em frente à embaixada grega no dia 13 de Dez às 17h.

MANIFESTAÇÃO EM LISBOA

Em LISBOA, sábado dia 13 de Dezembro as 17 h,em frente da EMBAIXADA GREGA,R. Alto Duque 13, queremos manifestar a nossa indignação pela violência policial.

Queremos apoiar as lutas pacíficas das pessoas que saíram na rua para dizer basta desta política.


Queremos demonstrar pacificamente a nossa vontade de uma sociedade nova, refutando a violência e as devastações.


Queremos falar com as pessoas para tentar dar uma informação quanto mais possível completa, objectiva e verdadeira.

PORQUE COSTRUIR UMA CONSCIÊNCIA CRITICA É O PRIMEIRO PASSO PARA SERMOS CIDADÃOS ACTIVOS.


Polícia grega assassina jovem anarquista em Atenas

Um jovem anarquista de 16 anos, Alexandros Grigoropulos, morreu, no pássado Sábado (6 de Dezembro), atingido por um tiro da polícia durante enfrentamentos entre as forças de segurança e um grupo de activistas no bairro de Exarhia em Atenas
O assassinato ocorreu na noite de sábado, quando um polícia, que segundo fontes bem informadas, está vinculado a grupos fascistas, estava numa viatura e disparou a sua arma, atingindo mortalmente o jovem Alexis


Mais informação consultar:

http://exarchialx.blogspot.com/
http://www.occupiedlondon.org/blog/
http://giantakos.blogspot.com/
http://garizo.blogspot.com/
http://anarchiststrategy.blogspot.com/
http://katalipsisxolistheatrou.blogspot.com/
http://directactiongr.blogspot.com/
http://www.toutsurlagrece.com/actualites/info.htm


O edifício do Eurobank em chamas, num destes dias de tumultos em Atenas




Declaração do Grupo surrealista de Atenas
O ESPECTRO DA LIBERDADE SURGE SEMPRE COM UMA FACA NOS DENTES



O nec plus ultra da opressão social está a ser atingido a sangue frio.
Todas as pedras arrancadas do pavimento e atiradas contra os escudos da políicia ou contra as fachadas dos templos comerciais, todas as garrafas flamejantes que traçam suas órbitas no céu nocturno, todas as barricadas erguidas nas ruas das cidades, separando a nossa área da deles, todos os caixotes do lixo do consumo que, graças ao fogo da revolta, tornaram-se Algo saindo do Nada, todos os punhos erguidos sob a Lua, são as armas dando carne, assim como a força verdadeira, não só à resistência como também à liberdade. E é precisamente o sentimento da liberdade que, nesses momentos, é a única coisa em que vale a pena apostar: aquele sentimento das manhãs esquecidas da infância, quando tudo pode acontecer, porque fomos nós, como seres humanos criativos, que despertámos, e não aquelas futuras máquinas humanas produtivas conhecidas como “sujeito obediente”, “estudante”, “trabalhador alienado”, “proprietário”, “mulher ou homem de família”. O sentimento de enfrentar os inimigos da liberdade – de não mais os temer.


É portanto com boas razões que estão preocupados, aqueles que desejam continuar com a sua azáfama como se nada estivesse a acontecer, como se nada tivesse acontecido. O espectro da liberdade surge sempre com a faca nos dentes, com a vontade violenta de quebrar as cadeias, todas aquelas cadeias que tornam a vida uma miserável repetição, servindo para reproduzir as relações sociais reinantes. No entanto desde Sábado, 6 de Dezembro, as cidades do país não estão a funcionar correctamente: nenhuma terapia de compras, nenhuma abertura de estradas para nos levar para o trabalho, nenhumas notícias sobre as próximas iniciativas governamentais de recuperação da economia, nenhuma mudança tranquila de uma telenovela para outra, nenhuma condução nocturna à volta da Praça Syntagma, etc, etc, etc. Estes dias e estas noites não pertencem aos mercadores, comentadores de TV, ministros e bófia: Estes dias e estas noites pertencem ao Alexis!

Como surrealistas estamos nas ruas desde o início, juntamente com milhares de outros, em revolta e solidariedade; pois o surrealismo nasceu com o hálito da rua, e não tenciona abandoná-la jamais. Após a resistência massiva ante os assassinos do estado, o hálito da rua tornou-se ainda mais cálido, mais hospitaleiro e criativo que antes. Não é da nossa competência propor uma linha geral ao movimento. No entanto assumimos a nossa responsabilidade na luta comum, já que é uma luta pela liberdade. Sem ter que concordar com todos os aspectos deste fenómeno de massas, sem sermos partidários do ódio cego e da violência pela violência, aceitamos que este fenómeno existe por um bom motivo.

Não deixemos este hálito flamejante de poesia atenuar-se ou extinguir-se.

Tornemo-lo numa utopia concreta: transformar o mundo e mudar a vida!

Nenhuma paz com a polícia e seus mandantes!


Todos para as ruas!

Aqueles que não sentem a raiva que se calem!


Grupo Surrealista de Atenas, Dezembro de 2008




COMUNICADO DE OCUPAÇÃO DA FACULDADE DE ECONOMIA


Na noite do sábado 6/12 um policia disparou a sangue frio contra Alexis Grigoropoulos de 15 anos, em Exarchia (Atenas).

Este facto fala por si só, como também os actos de resistência e revolta que se estenderam rapidamente essa mesma noite em Atenas e em todo o país. Este assassinato estatal em particular é a gota que fez transbordar o copo da violência e do terrorismo da cada dia que sofre cada vez com mais dureza nos últimos tempos grande parte da sociedade, através de despedimentos em massa, da degradação económica, do estado policial e do terrorismo psicológico que divulgam as notícias das oito. Este assassinato estatal em particular não foi um caso isolado.

Os que têm um mínimo de memória colectiva não esquecem nem o assassinato do Michalis Kaltezas de 15 anos em Novembro de 1985 às mãos do polícia Melista, nem os assassinatos mais recentes de Hraklis Maragakis de 23 anos por um guarda em Iraklio (Creta), de Maria Koulouri de 43 anos em Leukimi, nem os combatentes assassinados pelo regime democrático (Kumis, Kanelopulu, Tsironis, Temponeras etc).

Também não esquecemos a política assassina em geral do estado e do capital. Como são exemplo os «acidentes de trabalho», assassinatos diários nas galés do trabalho, como o exemplo mais recente do extermínio em massa de trabalhadores em Perama em Julho, os assassinatos e surras diários a incontáveis imigrantes anónimos desde as fronteiras do estado grego até aos calabouços da polícia, assim como os assassinatos dos detidos nas salas de torturas da democracia.

Este assassinato estatal em particular, no final recebe a resposta que lhes corresponde… Nas ruas das cidades que ardem às mãos de milhares de jovens, de trabalhadores, de desempregados e imigrantes que enfrentam as unidades de repressão e atacam os templos do consumo, os ladrões legais que se encontram nos bancos e os assassinos legais que se encontram nos quartéis da polícia.

Entretanto a luta estende-se na sociedade, com os cidadãos que atiram vasos aos policias, imigrantes que se confrontam com a polícia anti-motim nos seus bairros, estudantes que ocupam suas escolas e que saem e se confrontam nas ruas, os meios de comunicação que mudam o significado dos confrontos, que na verdade têm um carácter social e classista.

Enquanto que por um lado mostram as suas lágrimas de crocodilo pelo assassinato, por outra tentam voltar a sociedade contra os que lutam, apresentando os ataques contra os grandes armazéns e multinacionais como reacções extremistas que prejudicam o conjunto da sociedade.

Assim como não aceitamos este assassinato a sangue frio como um caso isolado de violência estatal, também não nos voltamos apenas contra a «má direita», mas também contra todos os governos e em geral contra o regime explorador e repressor da democracia burguesa.

Por isso não pedimos nenhuma demissão de ministros nem do governo nem esperamos nenhuma justificação institucional pelo assassinato. Não existe justificação para um assassinato, para nenhum assassinato estatal. Existe só a difusão da raiva, a agudização das respostas que se dão nas ruas, o nosso desejo que a raiva social-classista se volte total e subversivamente contra o sistema capitalista e as relações de poder, sobre as quais se constrói a realidade repressiva da qual todos nos damos conta.

Como parte do confronto social-classista, a ocupação da faculdade de economia (ASOEE) representa um espaço aberto para a informação e a configuração em comum do conjunto das actividades nas ruas. Ao mesmo tempo achamos que é importante a ocupação das instituições universitárias como um lugar de reorganização e autogestão de nossas forças frente à repressão estatal para que nesta luta que suscitou não fique ninguém isolado ante o estado.

-Solidariedade com os detidos nos confrontos dos últimos dias.

-Que nenhum assassinato estatal fique sem resposta.

-Com o passar dos anos o ódio aumenta, policias porcos assassinos.

Ainda não dissemos a última palavra, estas noites são de Alexis

Assembleia da ocupação da faculdade de economia 08/12/08



Sumário e editorial da edição de Dezembro do Le Monde Diplomatique ( versão em português), que já está disponível nas bancas dos jornais



Editorial
Um G20 inútil, por Serge Halimi

[...] Dois meses após a bancarrota de Wall Street, é inútil procurarmos neste texto do G20, mescla de banalidades e de chavões (mas também de reiteração do dogma), uma qualquer crítica às políticas baseadas nas desigualdades – e às instituições financeiras – que, por exemplo, levaram dezenas de milhões de pessoas a endividar-se para compensar o esboroamento contínuo dos seus rendimentos. Nem uma palavra, tão-pouco, sobre os paraísos fiscais, a não ser que estes últimos não devem temer como uma sentença de morte o anúncio de que vão ser estudadas certas disposições com vista a «proteger o sistema financeiro mundial das jurisdições não cooperantes e não transparentes que apresentem riscos de actividades financeiras ilegais» [...]



Destaques


Dossiê «Como responder à crise? Propostas para uma economia ao serviço dos cidadãos»
A impossibilidade de uma economia amoral, por José Castro Caldas


Com as ondas de choque da crise financeira chegam-nos apelos à «moralização do capitalismo» e ao «castigo dos culpados». Estas exortações, porque vêm de onde nunca antes vimos preocupações deste tipo, não podem deixar de suscitar estranheza. Não estará a moralidade a ser instrumentalizada, seja para desviar a indignação para o espectáculo de autos-de-fé judiciais, esvaziando-a, seja para legitimar uma «auto-regulação» fundada na «responsabilidade social» das empresas? [...]


Para uma resposta à crise, por Octávio Teixeira


[...] A economia deve estar ao serviço do desenvolvimento do Homem; não são os direitos, o nível de vida e o bem-estar dos trabalhadores que devem ser subordinados ao enriquecimento do capital e aos seus disparates que estão na base da crise.


Política de inovação: a crise como oportunidade, por Jorge Bateira


[...] Assim, num contexto de crise global do capitalismo neoliberal, o desafio que hoje se coloca a um governo de esquerda é enorme. Não se trata apenas de reinventar um Estado keynesiano que, nas condições do século XXI, recupere o controlo da economia e a subordine ao interesse público. Trata-se, ao mesmo tempo, de construir um Estado schumpeteriano que, assumindo-se como animador de processos de inovação, promova o desenvolvimento sustentável das nossas sociedades. Nada menos do que isto resultará. Mas, em tempo de crise de paradigmas, os cidadãos estão mais do que nunca receptivos a propostas políticas audazes.Dossiê «A crise do imobiliário»


Pulmão e elo frágil da economia mundial, por Akram Belkaïd


[...] O imobiliário estende a sua esfera de influência a vários domínios: a actividade económica «real», o crédito, o consumo das famílias e o destino das poupanças que estas destinam à constituição de um património. [...]


Febre da construção em Espanha, por José García Montalvo


[...] A par dos enormes lucros da especulação, as causas da formação deste cancro são múltiplas: expectativas irrealistas em relação à evolução futura dos preços do alojamento; perenidade de uma longa lista de mitos populares em relação a esta questão; subvenções públicas dadas à compra de habitações; e aumento das facilidades na concessão dos créditos. [...]


A crise e o processo de financeirização em Portugal, por Nuno Teles


[...] Os portugueses vivem hoje endividados durante metade das suas vidas, gerindo o seu dia-a-dia em função das variações da taxa de juro e da prestação a pagar ao banco. [...]


Agências apanhadas na sua própria armadilha, por Marc Endeweld


[...] Com a dispersão do conhecimento público e a falta de economistas independentes especializados, o mercado do sector imobiliário, apesar da importância estratégica que adquiriu, surpreende pela opacidade de que se reveste. [...]


O universo televisivo do «porno-imobiliário», por Aditya Chakrabortty


[...] Neste Verão, a BBC transmitiu uma série de programas em que o apresentador devia ajudar o vendedor a preparar as visitas de potenciais compradores. De cada vez, apareciam apenas um ou dois casais, que percorriam a casa distraidamente e voltavam a partir sem sequer tentarem saber o preço. [...]



Dossiê «Timor-Leste na encruzilhada do desenvolvimento»


Construir a ténue condição do temporário, por Maria Moita


[...] Acredito que os arquitectos têm um papel fundamental a desempenhar na edificação qualificada e que devem abordar o projecto numa perspectiva integrada dos aspectos construtivos, sociais e económicos, de forma a dar resposta às condicionantes dos projectos e às reais necessidades das pessoas, procurando a harmonia do projecto com o meio onde se insere e a valorização pessoal de cada um. Valores-base para a promoção do desenvolvimento das comunidades afectadas, neste caso por uma grave crise política.


Amnistias em Timor: entre justiça e reconciliação, por Angela Robson


[...] Após o voto maciço a favor da independência em 1999, soldados e milicianos apoiados pela Indonésia cometeram novos actos de violência. Cerca de mil pessoas terão sido mortas e três quartos dos edifícios destruídos. [...]


Outros artigos


A tormenta financeira vista de um paraíso fiscal, por Olivier Müller-Cyran


[...] A engenharia da evasão fiscal invadiu a marginal de Saint-Helier, capital da ilha de Jersey, massa de betão offshore flanqueada de falésias que mergulham na bruma. Dos 90 000 habitantes da pequena ilha anglo-normanda, mais de doze mil trabalham para a finança, ou seja, uma quarta parte da população activa. [...]


O Partido Democrata estará vinte anos no poder?, por Jerome Karabel


[...] Ainda que seja demasiado cedo para o afirmar com certeza, a chegada de Barack Obama à Casa Branca pode ser o início de um novo período propício aos democratas. [...]


Marx contra-ataca, por Lucien Sève


[...] Mas para lá das semelhanças óbvias, as diferenças de época tornam falaciosa qualquer transposição directa. É bem mais no fundo que se situa a actualidade de novo flagrante desta magistral «Crítica da Economia Política» que continua a ser O Capital de Marx. [...]


Artigos inéditos sobre temas tratados nesta edição (acesso livre no sítio Internet)
«A arte dos fundos de pensões em França», por Jean-François Couvrat
«Balcanização e pilhagem no Leste do Congo», por Delphine Abadie, Alain Deneault e William Sacher
«Perturbação entre os militantes no Líbano», por Vicken Cheterien

Lançamento da 3ª edição do livro «Pasteleira city» de Raul Simões Pinto

O lançamento da 3ª edição do livro "Pasteleira City" de Raul Simões Pinto vai realizar-se hpje, sexta feira, dia 12, pelas 21h30 no Auditório da Igreja da Pasteleira, ao bairro da Pasteleira, Porto.
Estão todos convidados para a sessão de lançamento.

http://edicoes-mortas.blogspot.com/

Apresentação e debate sobre a intervenção social e laboral dos libertários e o anarco-sindicalismo hoje ( no Terra Viva, dia 13 de Dez. às 15h.)




Anarco-Sindicalismo Hoje
Debate sobre intervenção social e laboral libertária
Apresentação da Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa
http://ait-sp.blogspot.com/

Dia 13 de Dezembro - Sábado - 15 horas

Terra Viva!
Associação de Ecologia Social
Rua dos Caldeireiros, 213 (à Cordoaria) - Porto

Exibição do documentário «Surplus» na Casa da Horta (14 de Dez. às 21h30)

Surplus “Terrorized into being consumers” é o documentário que vai ser exibido na Casa da Horta no próximo Domingo, dia 14 de Dezembro às 21h30

Sinopse:
Surplus é uma intensa odisséia visual pela destrutiva cultura do consumismo.
O ponto de partida é o espanto diante da onda de protestos como as registradas em Génova em 2001. O documentário interroga-se sobre o porquê do estilo de vida consumista estar atiçando a ira da população em diversos pontos do planeta

Local:
Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges.
Email:
casadahorta@pegada.net
Tel: 222024123 / 965545519

Parte 1



Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

11.12.08

Sessão de informação sobre a cidade verde de Auroville ( Índia) na Casa da Horta ( 11 de Dez. às 21h30)


Auroville, Tamil Nadu, na Índia
Cidade verde
Auroville (City of Dawn) é uma cidade experimental em Viluppuram distrito do estado de Tamil Nadu, na Índia, perto Puducherry ( Sul da índia) .
Tem sido descrita como uma metrópole New Age que tenta articular a vida ecológica com a vida espiritual

Sessão de informação sobre Auroville
11 de Dezembro - Quinta-feira- às 21h30

Apresentação de um documentário sobre esta cidade modelo, com 40 anos de existência, 2000 habitantes de 35 países diferentes.
Palestra de Perguntas e Respostas, com o tema: Viver em Comunidade.

Tiago Rouxinol e Ana Rute Costa acabam de chegar de lá e irão partilhar a sua experiência de mais de um ano a viver em Auroville, onde desenvolveram um novo modelo de Educação Integral-Criadores de Esperança.

Às 22h30m exibição do Documentário: Criadores de Esperança em acção-Thamarai Cultural and Social Center.

Às 23h - Concerto de músicas ao vivo com músicos convidados. Canções étnicas do Cd, “Shanti is Inside”, feito na Índia por Criadores de Esperança.


Auroville, também conhecida como "A Cidade do Amanhecer", é uma povoação internacional perto de Pondicherry, no sul da Índia, construída com o propósito de realizar a unidade humana na diversidade. Conta atualmente com cerca de 2 mil pessoas, um terço das quais indianas e as demais originárias de 35 países
Foi fundada dentro dos princípios da ioga integral, desenvolvida por Sri Aurobindo.


Local:
Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges.
Email:
casadahorta@pegada.net
Tel: 222024123 / 965545519

Sessão com a poesia de Djuna Barnes na livraria-bar Gato Vadio (14 de Dez. às 18h.)


O crepúsculo do ilícito

Tu, de tetas escorridas,
Com toda a tua calma,
A tua roupa interior manchada de nódoas, os teus
Braços caídos.
E esses teus dedos saciados pendendo
Da palma das mãos.

Os teus joelhos um para cada lado
São como duas esferas pesadas;
As rodelas sobre os teus olhos parecem
Vagens de lágrimas;
Presas às tuas orelhas,
Duas enormes argolas de ouro, horríveis.

O teu cabelo sem vida, espalmado numa trança
À volta da cabeça.
Os teus lábios, alongados por palavras sábias
Mas nunca ditas.

E na vida que vives, já o esgar
Dos mortos.

Vêem-te sentada ao sol,
Adormecida;
Lembrando a suave graça que costumavas ter
E não conservaste,
Lamentam como em ti estão sepultados
Os altares da luxúria. (…)

Enquanto as outras definham na virtude,
Tu foste vida.

Ver-te-emos a olhar o sol
Por mais alguns anos,
Tendo sobre os olhos rodelas que parecem
Vagens de lágrimas;
E duas enormes argolas de ouro, horríveis,
Presas às orelhas.

Djuna Barnes, in O Livro das Mulheres Repulsivas, ed. &ETC, 2007, (tradução de Fernanda Borges)

Djuna Barnes (1892-1982) nasceu em 1892, em Cornwall-on-Hudson, Nova Iorque. Desde cedo, começou a publicar artigos de imprensa, com um cunho muito pessoal e totalmente alheios à chapa do convencional. Haveria de escrever para a Vanity Fair, a Charm e The New Yorker. Foi, aliás, na qualidade de jornalista, que – depois de ter passado por Nova Iorque – rumou a Paris, mesmo a tempo da tempestade modernista. Regressada à América, levaria uma vida de reclusão voluntária, no seu exíguo apartamento de Greenwich Village. Viria a morrer em 1982. Na sua obra avultam não só a poesia, mas também o teatro e a ficção, na qual merece destaque o romance Nightwood (que Eliot prefaciou), de 1936, publicado em Portugal pela Relógio d’Água com o título “O Bosque da Noite” .

Djuna Barnes
Sessão de poesia. Por Nuno Meireles e Júlio Gomes
Domingo, dia 14 de Dezembro, 18h
Gato Vadio, rua do rosário 281 Porto

10.12.08

Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: os direitos humanos são para serem cumpridos por todos, e em 1º lugar pelos Estados


Amnistia Internacional apela hoje aos governos para que o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) seja uma data de acção e não apenas de celebração. “As mortes sem sentido em Bombaim, os milhares de pessoas em fuga do conflito na República Democrática do Congo, as centenas de milhares de pessoas encurraladas em condições extremas no Darfur, em Gaza, na zona norte do Sri Lanka, e uma recessão económica global que pode empurrar muitos milhões mais para a pobreza, criam uma plataforma premente para a acção no âmbito dos direitos humanos,” afirmou a Secretária-Geral da Amnistia Internacional, Irene Khan.

Face a este cenário do 60º aniversário da DUDH, a Amnistia Internacional alerta o mundo para os múltiplos desafios que enfrenta.

Ao denunciar os ataques terroristas no Mumbai, a Amnistia Internacional advertiu os governos no sentido de evitar atropelos aos direito humanos em nome da segurança. “Os governos têm o dever de proteger a população do terrorismo, mas prender pessoas indefinidamente sem acusação ou julgamento formal, perdoando ou infligindo tortura e corroendo o estado de direito não faz do mundo um sítio mais seguro”, afirmou Irene Khan.

Ao observar o impacto da crise económica global nos países mais pobres, que representa o risco de colocar milhões de pessoas em situação de pobreza, a Amnistia Internacional apelou aos governos para que estes protejam os direitos económicos e sociais com tanto vigor como protegem os direitos políticos e civis.

“O contributo da DUDH é a universalidade e a indivisibilidade. Os direitos humanos são universais – todos os indivíduos nascem livres e iguais em direitos e dignidade. Os direitos humanos são indivisíveis, todos os direitos, sejam eles económicos, sociais, civis, políticos ou culturais – são igualmente importantes não existe qualquer hierarquia de direitos”, sustenta Irene Khan.

“Apesar do progresso nas várias áreas que se fez sentir nas últimas décadas, a injustiça, a desigualdade e a impunidade persistem em demasiadas partes do mundo.
O problema real reside no facto dos governos fazerem promessas e adoptarem leis mas falharem no seu cumprimento”.

“Já é altura de os governos corrigirem seis décadas de falhas ao nível dos direitos humanos e do incumprimento das suas promessas”.

Seis décadas de sucessos nos direitos humanos incluem:

Tratados e leis nacionais para salvaguardar os direitos humanos.
Reconhecimento dos direitos das mulheres e das crianças
Criação do Tribunal Criminal Internacional e o julgamento de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por tribunais internacionais e alguns tribunais nacionais
Constituição do Gabinete do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas e, em alguns países, de comissões nacionais para os direitos humanos
Fim da pena de morte em mais de dois terços do mundo
Progressos no sentido do controle de armas
Fortes apoios aos direitos humanos por parte de sociedades civis, incluindo uma rede mundial de defensores dos direitos humanos e organizações de direitos humanos


Seis décadas de insucessos nos direitos humanos incluem:

Violações em massa dos direitos humanos e da lei humanitária nos conflitos armados
Aumento de ataques a civis por parte dos grupos armados e de terroristas
Violência contra mulheres e crianças, incluindo a recruta de crianças-soldado
Negação dos direitos económicos e sociais de milhões que vivem em situação de pobreza
Sistemas judiciais corruptos e injustos em muitos países
Recurso a tortura e outras formas de maus-tratos
Recusa de direitos a refugiados e migrantes
Ataques a activistas, jornalistas e defensores dos direitos humanos
Repressão de dissidentes em muitos países
Discriminação com base na etnia, religião, género e identidade