22.10.08

Dia Nacional de Luta dos Estudantes do Ensino Básico e Secundário ( 5 de Novembro): A Escola e a Educação estão piores! Ministra para a RUA

A ESCOLA E A EDUCAÇÃO ESTÃO PIORES !
Ministra para a RUA !




Está a ser organizado para o próximo dia 5 de Novembro um Dia Nacional de protesto do estudante, iniciativa que a Plataforma Estudantil «Directores Não» tenciona integrar e dinamizar, fazendo dessa jornada um dia histórico na Luta Estudantil dos alunos do ensino secundário.

O Dia Nacional de Luta vai ser vivido em todo o país, com acções em várias escolas e cidades. Em Lisboa vai haver uma manifestação regional, mas o mesmo deverá acontecer no Porto, Coimbra e, provavelmente, noutras capitais de distrito.

Entretanto, há quem não espere pelo Dia de Luta. É o caso de alunos de três escolas secundárias do concelho de Odivelas, que estão esta quarta-feira em greve e dirigem-se para o Ministério da Educação (ME) para protestar contra o novo estatuto do aluno. Os alunos juntaram-se na estação do Metro de Odivelas para se dirigirem ao ME.

A Luta é o Caminho!

O ano lectivo começou há pouco mais de um mês e o protesto Estudantil já se faz sentir ; são já muitas as escolas e os estudantes que protestam contra os directores nas escolas, contra o novo regime de faltas e contra a falta de condições materiais e humanas. Protesto contra o ministra da educação e a sua política educativa, protesto por uma escola mais justa e por uma educação ao serviço de todos .

Aqui ficam alguns exemplos das Lutas desenvolvidas na última semana :

Escola Secundária de Luísa de Gusmão - 15 / 10 / 2008

Os alunos da Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, encerraram a escola a cadeado e manifestaram-se em frente às instalações contra a falta de professores. Segundo os alunos, o Conselho Executivo da escola já pediu ao Ministério da Educação que colocasse os professores em falta na escola o que não aconteceu nem na primeira nem na segunda fase de colocação de docentes.Os alunos mantiveram-se frente ao portão da Luísa de Gusmão até cerca das 12h desta quarta-feira, partindo depois para as instalações da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) onde vão tentar ser recebidos. A escola acabou por ser aberta às 9h depois de os bombeiros terem cortado as correntes e os cadeados que os alunos aí tinham colocado durante a madrugada.


Escola Secundária de Sobral de Monte Agraço - 14 / 10 / 2008

Os alunos da escola secundária do Sobral de Monte Agraço encerraram a escola a cadeado e estão a recusaram-se a ir às aulas em protesto contra o novo regime de faltas."Estamos em greve porque segundo a nova lei das faltas, se faltarmos por doença temos que fazer uma prova com a matéria que não demos e se chumbarmos perdemos o ano", disse Catarina Augusto, aluna do 10º ano.

Escola Secundária de Odivelas - 15 / 10 / 2008

A grande maioria dos alunos da Escola Secundária de Odivelas está esta manhã em greve contra o novo Regime de Faltas que consideram vai prejudicar os estudantes.A greve está a decorrer de forma pacífica, com algumas centenas de alunos nos passeios junto à escola acenando cartazes.A greve foi ideia de um grupo de seis alunos, segundo nos explicou Anete, de 16 anos e uma das organizadoras, que começaram a enviar SMS a outros colegas e colocaram na escola duas grandes faixas de pano a convocar a greve. Segundo pudemos verificar a grande maioria dos alunos aderiu a esta greve, embora muitos outros preferissem ter aulas pelo que algumas turmas funcionaram.


A Luta continua !
Dia 5 de Novembro - Dia Nacional de Luta de todos os Estudantes !



A Plataforma Estudantil é um movimento de estudantes do ensino Básico e Secundário e tem como principal objectivo a Luta por uma escola democrática e sem directores (novo modelo de gestão das escolas) e por uma educação verdadeiramente publica e de qualidade.

Defendemos que as nossa opiniões e propostas têm de ser tidas em conta na definição da politica educativa, pois, em última instância nós somos o alvo dessa mesma politica.



Os estudantes do ensino básico e secundário reiteram mais uma vez que continuarão na Luta:

- Contra os directores nas escolas e por um modelo de gestão das escolas verdadeiramente democrático.

- Contra o Estatuto do aluno e contra o novo regime de faltas criado pelo estatuto.

- Contra a falta de professores, funcionários e por melhores condições materiais nas escolas.

- Por um modelo de avaliação escolar mais justo, pela valorização da avaliação continua e contra o excessivo peso dos exames nacionais.

- Por um acesso mais justo ao Ensino Superior.

Dia 5 de Novembro é dia de LUTA de todos os Estudantes !!!

A Plataforma Estudantil «Directores Não» tem gabinete de atendimento e de reuniões na B.O.E.S.G. (em Lisboa)

A Plataforma Estudantil «Directores NÃO!» pode a partir da próxima semana realizar reuniões, debates e receber colegas estudantes num local com mais condições e de uma forma mais organizada.

Para isso estabeleceu uma parceria com a B.OE.S.G, uma biblioteca localizada em Santos ( em Lisboa), que nos cedeu um espaço para a Plataforma.

Gabinete de atendimento Plataforma Estudantil:

Rua das Janelas Verdes 13 - 1º esq.(Santos)

Todas as Quartas-Feiras, entre as 15h30 e as 18h00.

Mais infos contactar:

926 854 208
912 952 917

http://directoresnao.blogspot.com/




Objectivos da Plataforma:
• Desemvolver uma campanha de Informação no maior número de escolas do País no sentido de alertar todos os colegas para o perigo deste Modelo.

• Desenvolver a Luta Estudantil necessária para Obrigar a Ministar da Educação e o Governo a desistir da aplicação deste Modelo.

• Alertar e consciencializar os estudantes em geral e as suas organizações representativas ( Associações de Estudantes) para o perigo que significa a aplicação do novo Modelo.

• Dar a conhcer e desmascarar os Objectivos do novo Modelo de Gestão das Escolas.


Contactos:
• Vera Nunes ( Conselho Pedagógico Sec. de Camilo Castelo Branco) - 919 193 448

• Luis Baptista ( Porta-Voz da Plataforma Estudantil) - 926 854 208



Actividade da Plataforma
• 24 de Outubro Reunião/Debate " 5 Novembro Dia Nacional de LUTA" -- Rua das Janelas Verdes nº 13 1 ºEsq

• 5 Novembro- Dia Nacional de Luta de todos os Estudantes



Não ao Novo Modelo de Gestão Escolar!
Chefes e directores, não queremos NÃO Senhor!

21.10.08

DocLisboa 2008 – VI Festival Internacional de Cinema Documental ( 16 a 26 Out.)

http://www.doclisboa.org/noticias.html

http://www.apordoc.org/index.htm?no=1000001

Doclisboa é o único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao documentário.
Em 2007, na sua quinta edição, o doclisboa apostou na capitalização do renovado interesse dos espectadores portugueses pelo documentário e conseguiu trazer às salas da Culturgest, do Cinema Londres e do Cinema São Jorge, um público muito numeroso e entusiasta. O documentário “foi assunto” e criou-se uma nova consciência da sua enorme riqueza, diversidade e potencialidades. O doclisboa apostou também na descoberta de novos territórios, na grande diversidade, e na vitalidade do cinema do real.

Em 2008 o festival tem como principais objectivos:
Mostrar ao público português filmes importantes e multi-premiados internacionalmente que ainda não chegaram às salas de Lisboa;
Permitir uma reflexão mais aprofundada sobre temas contemporâneos e de actualidade;
Dar a conhecer de forma mais sistemática a cinematografia de outros países;
Organizar debates que mobilizem o público em torno de filmes importantes e de temas transversais, presentes em várias obras

Quatro dias após o início do VI Festival Festival Internacional de Cinema Documental já foram emitidos 15 mil bilhetes. Os quatro cinemas que este ano acolhem o festival têm exibido documentários de realizadores consagrados: Frederick Wiseman, Avi Mograbi, Daniel Schmidt, Joris Ivens, Krzystof Kieslowski, Bruce Weber ou Jia Zhang-ke.
No festival estão já realizadores de diversos países, que vêm apresentar os seus filmes e debatê-los com o público. Destaque desde já para Frederick Wiseman, que este ano é o realizador homenageado com uma retrospectiva da sua obra e que na quarta-feira, dia 22, às 11h00, no grande auditório da Culturgest Wiseman dará uma lição pública de cinema.


PROGRAMAÇÃO DIÁRIA do FESTIVAL

16 de Outubro - quinta-feira

CURSO CLOWN ( com Jorge Pacheco no BalletTeatro – Porto durante o mês de Novembro)



CURSO CLOWN no BalletTeatro – Porto durante o mês de Novembro

Curso de 24 h

6,7,8, / 13,14,15 de Novembro 2008

METODOLOGIA:

Nada neste curso será relacionado a um estilo mas sim, em ver e encontrar, o que é
excepcionalmente engraçado em cada pessoa e como ela pode tornar isso, acessível aos outros.

As sessões do curso pretendem ser energéticas e lúdicas. Os Participantes serão incentivados a se divertirem e a terem prazer, usando isso como um começo. Na minha opinião quando as pessoas se divertem e jogam instintivamente, é então que começam a 'jogar' o tolo, a dizer histórias, a se libertarem a gracejar e a descobrir a sua criatividade.

Curso essencialmente prático, com utilização de dinâmicas que promovam a descoberta e aproximação individual ao 'eu ' Clown.

As dificuldades como plataforma da acção de clown, com espírito lúdico e positivo.

Criar condições para todos vivenciarem as emoções de Clown, através do prazer de jogar e improvisar. A importância do desejo no jogo e na acção.

OBJECTIVOS:

Encontrar no nosso interior, a nossa essência esse toque ingénuo de loucura: as emoções mais nossas, a capacidade de surpreendermos e nos entusiasmar.

Soltar as defesas: a responsabilidade, o excesso de lógica e a compostura.


Reconciliarmo-nos com a nossa própria estupidez e procurar a nossa maneira
genuína de fazer humor, rindo-nos das nossas vulnerabilidades.

Jogar em liberdade, um tempo e um espaço para habitar o nosso corpo com prazer e com orgulho , incluindo a sua dimensão grotesca.


Delirar com o quotidiano.

Dar a conhecer sequências de exercícios, como apoios na descoberta e no desenvolvimento do Clown.

CONTEÚDOS

O Corpo Clown


Jogos de aquecimento e preparação ao imaginário individual e grupo CLOWN.

Rir por dentro, sentir respirando.

O jogo clown e o teatro de máscara .

A improvisação: o espaço preferido do clown.

O que é ser Clown


Emoções biológicas e emoções culturais.

A inocência, sabedoria e coração do Clown.

O proibido e a loucura. A tragédia e o sagrado num clown.

A escuta e o contacto com o momento.

Jogar a verdade. A honestidade emocional.

Entusiasmo e desejo de um objectivo.

1º Nascimento de Clown.

Criar e crer nos imaginários.

O nariz - a mais pequena máscara e a que mais revela.

Criação e desenvolvimento


O tempo, o espaço, a voz, o vestuário e os objectos no jogo clown

Trabalhar o olhar como meio de transmitir emoções e de receber.

Bases de improviso para o desenvolvimento do Clown (Siameses, Cumplicidade, Duelos, Irmão maior e irmão mais pequeno). Improvisações individuais, em pares e trios.

Renascimento Clown . Festa final com um bolo de anos

Avaliação, temas para reflexões finais: - O Clown como actor / actriz social na história dos povos. - Clown ou Palhaço no novo circo?


Jorge Pacheco

Palhaço do mundo, abri os olhos em 61 em Lisboa e fui descobrindo que afinal tinha um nariz vermelho, como todas as outras pessoas. Em 1981, descobri a mímica na rua e o Circo com um curso de mímica com Yass Hakochima e num estágio de Clown / Técnica da Escola Russa- no Fabrik Circus em Berlim.
Curioso fiz Formação de Actor e de movimento, de 1990 a 2007, (Michael Tchekov, Stanislavsky, Comédia dell Arte, Alexander Technique, Contact Improvisation, Laban, Pilates) estagiei em Milão com Mamadou Diome da escola de Peter Brook e em New York na escola Lee Strasberg.
O que é ser CLOWN, agradeço em particular a Philippe Gaulier, Jesus Jara e Virgínia Imaz (que trabalhou 3 anos no Cirque du Soleil) e a Leo Bassi, Jango Edwards, Fraser Hooper, Koldobika Vio, sendo com Virgínia e Jesus que fiz mais horas de formação, identifico-me muito com as suas metodologias, seguidoras da escola de Philippe Gaulier e da escola humanista Bataclown - França.
Encantado com o Teatro do Oprimido, aprendi com Iwan Brioc, José Soeiro e Julian
Boal .Teatro- Ferramenta de Intervenção na FPCE.UP. Sou também Actor desde 1986, participei em mais ou menos 48 espectáculos. De 1993 a 2008, encenei vários espectáculos para adultos. Dei formação de Expressão corporal e dramática no ensino profissional, básico e secundário. .Workshop: 'Acção / Teatro' 3 edições(ESAP) . Orientei oficinas de expressão em ESTGAD-Caldas da Rainha, ESBAL, ESBAP, Universidade de Medicina e Psicologia -Lisboa. FLUP, ICBAS-Porto, ZDB-Lisboa, Encenei para e com as crianças na F.C.Gulbenkian, Oficinas de Teatro CML 1994/98. Associação Infante Sagres- Lisboa. Dei formação sobre a expressão de CLOWN em Milão e na Croácia (Festival Internacional de Pula) e Portugal (Balleteatro, Barcelos,TUM e IPJ Braga, Amares, Guarda, Idanha-a-Nova, Abrantes, Lisboa) .
Actualmente, dou aulas e promovo encontros em torno da expressão dramática. Faço parte do programa de itinerâncias da DGLB para a promoção da leitura com acções de formação e ateliers. Colaboro com Municípios em projectos educativos de animação e expressão teatral. Preparo um espectáculo e a abertura de um espaço de pesquisa e Clowning. Com Virgínia Imaz faço um'Clown in progress', no Pais Vasco, continuando a aprender e a investigar o 'mundo' do Clown.

INFORMAÇÕES

Local: Balleteatro - Porto

Curso aberto a todos, c/ e s/ experiência, maiores de 16 anos,


Recomenda-se vir com uma atitude lúdica, positiva, apaixonada e receptiva para viver uma aventura cheia de emoções e divertidos desastres.

Pré - Inscrições - até ao dia 4 de Novembro 2008

Nº limite de participantes - entre 8 e 18

Materiais colectivos: Um bolo para a festa final

Material individual: um nariz com elástico se tiveres... roupas confortáveis.

Vestuário: que tenha a ver com o teu herói infantil ou com alguém que tu admirasses em pequeno.


Objectos: instrumentos musicais, gorros, roupas usadas e tudo aquilo que consideres 'divertido'.

HORÁRIO
Dias 6, 7 e 13, 14 de Nov..,................. 18.30 H - 21 H
8 e 15 de Nov. ................... 10 H /13 H - 15 H /19 H

Duração............ 24 H
Custo................. 50 ¤

Pré-inscrição (até 4 de Novembro por transferência) ...... 25 e.


O nº de inscrições é limitado.

Inscrição CURSO (1º dia de curso)..... 25 e.

Apesar de ser muito pouco provável, caso o curso não se realize por motivos de força maior, os custos pagos serão devolvidos na sua totalidade.

No final da formação, será emitido um certificado de participação

Informações e pré-inscrições:
Balleteatro (arca d' água) on line em: http://www.balleteatro.pt/


Balleteatro (arca d' água)
Praça 9 de abril, 76
4200-422 Porto
Tel: 225 508 918
Mail to:
formacao@balleteatro.pt
transportes: 304, 600, 704 . Metro pólo universitário

contacto de Jorge Pacheco. Tel 964678507


Mail to:clowncurso@gmail.com, manupacheco@sapo.pt

Já saiu o nº 81 da Revista Crítica das Ciências Sociais com um dossier sobre os movimentos estudantis ( os números até ao nº 76 estão em acesso livre)




Já disponíveis integralmente, em regime de acesso livre, os números da Revista Crítica de
Ciências Sociais do nº 1 (1978) ao nº 76 (2006).

Consultar:
http://www.ces.uc.pt/publicacoes/rccs/



Saiu entretanto o nº 81 da revista crítica das ciências sociais corrspondente ao mês de Junho de 2008. Reproduzimos a seguir o seu Índice:


Memória e actualidade dos movimentos estudantis― Elísio Estanque e Rui Bebiano

Jovens, estudantes e ‘repúblicos’: Culturas estudantis e crise do associativismo em Coimbra (p. 9-41) Elísio Estanque

Some Reflections on Student Movements of the 1960s and Early 1970s (p. 43-91) Colin Barker
El Movimiento Estudiantil español durante el Franquismo (1965-1975) (p. 93-110) Miguel Gómez Oliver

Memórias incómodas e rasura do tempo: Movimentos estudantis e praxe académica no declínio do Estado Novo (p. 111-131) Miguel Cardina

A Universidade e o Estado Novo: De “corporação orgânica” do regime a território de dissidência social (p. 133-153) Álvaro Garrido

A juventude e a(s) política(s): Desinstitucionalização e individualização (p. 155-177) Nuno Miguel Augusto

Cultura e política: A experiência dos coletivos de cultura no movimento estudantil (p. 179-207)
Marcos Ribeiro Mesquita

Já saiu o nº 11 do jornal Mudar de Vida ( edição em papel)




Os meios políticos e capitalistas nacionais começaram por fazer crer que a crise era “americana” e que o sistema financeiro português não iria sofrer grandes danos. Agora, que a recessão é dada como certa, aproveitam a mundialização da crise para justificar a deterioração das condições de vida dos trabalhadores. A afirmação do ministro da Economia de que acabou “o mundo de prosperidade (?) em que vivemos durante 10 a 15 anos” é um primeiro sinal de uma nova ofensiva sobre o trabalho a coberto das “dificuldades”.
O facto de termos um capitalismo débil faz com que as consequências por cá sejam ainda mais graves. As empresas com alguma expressão, sendo subcontratantes das transnacionais, serão as primeiras sobre as quais o grande capital sacudirá os custos da crise que, por sua vez, serão sacudidos sobre os trabalhadores.
Enquanto o capitalismo durar, os trabalhadores terão um dilema que é uma das armas mais fortes dos capitalistas. Se se recusam a suportar o peso da crise e o empurram para o capital, os lucros dos patrões diminuirão, os investimentos mais se retrairão e o desemprego aumentará. Se cedem à ilusão de pacto entre capital e trabalho para ultrapassar a crise “em conjunto”, a deterioração das condições de vida é consentida pelos trabalhadores ou pelos seus “representantes” sindicais. A história mostra que a agudização das crises, em vez de proporcionar melhores condições de luta, tem servido para vergar a resistência dos trabalhadores.
A resposta agora tem de ter por base o interesse de classe dos assalariados, contra o interesse de classe dos capitalistas. Não há interesses “nacionais” ou “económicos gerais” que estejam acima deste confronto. É pois urgente dar voz a todas as lutas, impedir o seu isolamento, estimulá-las, reforçar a solidariedade entre os trabalhadores. É o que nós, Mudar de Vida, procuraremos fazer.

20.10.08

Revista electrónica O Comuneiro nº 7 ( Setembro de 2008) já está disponível online


http://www.ocomuneiro.com/

Nota prévia: destaque especial para o texto de um autor libertário, Jean-Claude Michéa, sobre o «O Ensino da Ignorância». A ler.

Introdução ao nº 7 da revista electrónica O Comuneiro ( coorespondente a Setembro de 2008)

Vivemos tempos de excepção, em que a pulsação histórica no mundo se acelera enormemente. Estes são os tempos que, por um lado, esperávamos e sentíamos ser inevitáveis; por outro lado, lamentamos não estar ainda preparados para eles, pois que estamos ainda longe de ver formado, a nível global, no plano teórico e no plano organizativo, um bloco político coeso, capaz de forçar de forma consciente e determinada uma ruptura efectiva com o modo de produção capitalista. É essa a via que procuramos servir, com o melhor do nosso esforço, não porque acreditemos na inevitabilidade dos “amanhãs que cantam”, mas, pelo contrário, porque estamos convencidos de que pode mesmo não haver qualquer futuro digno para a civilização humana, se não actuarmos hoje, de forma livre e auto-determinada, tomando colectiva e democraticamente as rédeas do nosso próprio destino histórico. Será então a altura de jogar finalmente no caixote do lixo da história a crença numa providencial “mão invisível” que supostamente resultaria da benigna confluência da cupidez e da ganância individuais. No novo terreno em que se vai travar, doravante, a batalha ideológica, já não terá curso forçado a "teologia do mercado", tão propagada pelos arautos do pensamento único neoliberal. Mas ainda serão necessárias longas e duras batalhas – e não só no campo das ideias, naturalmente - para extirpar de vez essa superstição.

As épocas de crise são tempos de risco, de bifurcações sucessivas, de decisões críticas, de oportunidades que se oferecem uma só vez, em exíguas e fugazes janelas. Em nossa apreciação, esta crise em que estamos agora a entrar, vai prolongar-se, provavelmente por umas duas décadas, no mínimo. É essa também a opinião de François Chesnais, de cuja lucidez e penetração analítica nos orgulhamos por poder contar, uma vez mais, no artigo de abertura deste número. O desfecho e sequência histórica desta crise são absolutamente imprevisíveis, tanto podendo ser o pesadelo de uma pós-humanidade, de que Mike Davis nos dá uma antevisão arrepiante (bem plausível e, em muitos sentidos, já actual), como uma sociedade globalmente mais igualitária e participativa, em rumo para a abolição das classes sociais e da propriedade privada.

Por todo o tempo de uma geração, provavelmente, assistiremos a nível mundial a uma intensa agudização das lutas de classes, com numerosos episódios de ruptura de equilíbrio, tomada do poder, reordenamento socio-económico, com reversões pontuais e reconquista de posições. Pelo mesmo tempo, teremos agudos conflitos inter-imperialistas, guerras e insurreições, instáveis alianças entre alguns blocos nacionais e/ou regionais burgueses com forças revolucionárias em ascenção, de diversos matizes e configurações.

É bem real, no nosso campo, aquilo que na linguagem “diamática” doutros tempos, se dizia o “atraso no factor subjectivo” e que hoje se dirá, simplesmente, défice de projecto e de definição estratégica. Só na América Latina é que podemos ver levantar-se já o esboço coerente e estruturado de um desafio anti-sistémico, que por vezes se designa a si próprio de “socialismo do século XXI”. Em outros azimutes é ainda grande a indefinição reinante. Nos primeiros embates, isso pode ser perigoso, porque, em tempos de anomia social, a direita populista e autoritária está sempre pronta para ocupar todo o terreno que encontrar livre. Essa não precisa de projecto algum: basta-lhe a brutalidade, a demagogia e a falta de escrúpulos, no serviço da classe dominante.

É também verdade, porém, que nunca poderíamos estar em posição de prever todos os desafios que teremos pela frente, dando-lhes respostas já estudadas e provadas. No calor da luta, ao sabor dos seus sucessos e revezes, a consciência transformadora irá, sem dúvida, ser moldada e temperada a um ritmo muito acelerado, derrubando pelo caminho muitas e bem espessas lombadas de dogmas “r-r-revolucionários”. É importante sabermos de onde vimos, que temos atrás de nós uma história, uma tradição de lutas e de esperanças. Que temos até, vá lá, alguma sabedoria e malícia histórica acumulada. Mas também é importante a disponibilidade de um novo olhar sobre o mundo. Mais vale errar por ousadia inexperiente do que por tacanhez escolástica. Alea jacta est!

Sobre a presente crise, suas causas e circunstâncias, temos ainda neste número uma preciosa e límpida exposição de Walden Bello. O nosso companheiro Emir Sader reflecte também sobre o tema, com especial incidência sobre o espaço latino-americano, em jeito bloguista que nós aqui coligimos. O californiano Mike Davis não se debruça sobre os intricados meandros dos “derivativos” ou do short selling, mas o seu agudo olhar de geógrafo e paisagista urbano capta também, como ninguém, estes tempos de crise como distopia real e presente.

Os nossos companheiros Virgínia Fontes e Reinaldo Carcanholo oferecem-nos duas reflexões teóricas sobre a economia política do capitalismo contemporâneo, com incidência na teoria do imperialismo. Ivonaldo Leite faz um balanço de revisita à Teoria da Dependência, concluindo que a notícia da sua morte contém graves exageros. João Mosca reflecte sobre o modelo de desenvolvimento prosseguido actualmente por Moçambique, contranstando-o com o da economia da era colonial.

Graças à prestimosa colaboração de João Esteves da Silva, enquanto tradutor, temos também um pequeno lote representativo do actual pensamento social crítico francês. Bernard Stiegler é talvez o mais ousado, conceptualmente, e também nisso um intelectual mais tipicamente parisiense, na linha cosmopolita interrompida com Foucault e Deleuze. A sua reflexão é de inspiração marxista (também freudiana), marcada pela escola crítica de Frankfurt e por André Gorz, dispondo contudo de grande amplitude e originalidade próprias. As suas observações sobre os efeitos da mercantilização e dos modernos meios de comunicação de massa sobre o processo social de “individuação” são penetrantes. É nesse mesmo campo e com as mesmas preocupações que se situa o esforço de Dany-Robert Dufour. Jean-Claude Michéa é um “caso” distinto, de um pensador ferozmente independente, orgulhosamente popular e provinciano, em ruptura total com o progressivismo elitista que, a seu ver, concentrando-se em questões pseudo-fracturantes de costumes, serve apenas de sinalizador de vanguarda à crescente mercantilização da esfera privada.

ìndice do Nº 7 da revista O Comuneiro


Introdução
Crise vem pôr a nu os limites históricos do sistema capitalista - François Chesnais
Breviário sobre a catástrofe de Wall Street - Walden Bello
A crise do capitalismo e a esquerda - Emir Sader
Vivendo na plataforma gelada - Mike Davis
Marx, expropriações e o capital monetário - Virgínia Fontes
Interpretações sobre o capitalismo atual - Reinaldo Carcanholo
A Teoria da Dependência e a América Latina - Ivonaldo Leite
Recuperação do modelo económico colonial em Moçambique - João Mosca
A hipermassificação e a destruição do indivíduo - Bernard Stiegler
O Ensino da Ignorância - Jean-Claude Michéa
Perfilados de medo - Dany-Robert Dufour

Colectivo Açoriano de Ecologia Social (CAES)



Ler o 1º número do boletim «Terra Livre» que tem como finalidade a criação de um colectivo de ecologia social nos Açores: aqui


Em processo de formação, o Colectivo Açoriano de Ecologia Social (CAES) é uma nova associação, de carácter informal, que pretende ser um grupo de reflexão e acção junto da sociedade, com o objectivo de provocar alterações sociais profundas.

O actual modelo de civilização é o primeiro “alvo” da associação, que considera o sistema capitalista o principal responsável pela crise global que afecta todos os habitantes do planeta Terra.

Assim, o primeiro ponto do texto-base da associação defende que “a política e a economia deverão sofrer alterações profundas, contemplando o desenvolvimento humano e a satisfação equitativa das necessidades, ultrapassando a sua obsessão pelo crescimento ilimitado”.

O principal mentor deste novo projecto, Teófilo Braga - activista experiente que recentemente deixou a direcção da Associação Amigos dos Açores - faz questão de salientar que “o CAES vai ser uma associação informal”.

Isto quer dizer que vai funcionar com base no voluntariado dos associados, sem receber qualquer apoio do Estado ou outras empresas, quer sejam públicas ou privadas, e que nunca será reconhecida oficialmente como instituição, porque, segundo Teófilo Braga, “mais importante do que fazer parte de comissões e órgãos consultivos, é influenciar a sociedade, porque só quando as pessoas estiverem bem educadas é que os responsáveis políticos vão agir de maneira diferente”.

Na base do afastamento dos órgãos públicos de decisão está também o desagrado de Teófilo Braga com a forma como decorre a participação das associações ecológicas em comissões, já que “muitas vezes as associações não têm conhecimento prévio dos assuntos a tratar, nem dos documentos a discutir”.

O impulsionador do CAES acredita mesmo que, em todo o mundo, com a colaboração com estas associações, “os Estados, muitas vezes, pretendem apenas legitimar as suas decisões”.
O activista ressalva, no entanto, que a associação vai estar disponível para colaborar com todas as entidades, mas sem compromissos formais.

A acção do CAES aposta mais na mudança da mentalidade de cada um, do que na imposição de medidas e regras pelos poderes políticos e vai muito para além da defesa e conservação do ambiente e da natureza.

“Não vamos roubar espaço às associações existentes, porque temos um conjunto de princípios diferentes, e bem definidos”, garante Teófilo Braga.

A paz, a justiça social, a pobreza, o desarmamento, ou a utilização de energia nuclear, são temas sobre os quais o CAES pretende fazer passar a sua mensagem, sensibilizando a sociedade para os problemas existentes.

Descontentamento

Criticando a forma como o associativismo ambiental tem sido encarado por muitos, nos Açores, Teófilo Braga acusa responsáveis de algumas instituições ambientais de ocuparem lugares de direcção “para benefício próprio ou como trampolim para outros cargos” e lamenta que, embora algumas associações tenham muitos membros, os verdadeiramente activistas e que se dedicam às causas e iniciativas ambientais sejam sempre poucos.

Os governos também não escapam às críticas de Teófilo Braga: “na área ambiental, a actuação dos sucessivos governos, desde há dezenas de anos, tem ficado muito aquém das expectativas”, uma vez que existem problemas que persistem constantemente, como o ordenamento do território e a eutrofização das lagoas, cuja resolução devia estar numa fase mais avançada.

Colectivo Açoriano de Ecologia Social

O documento “Que ecologismo?”, que serve de base do CAES, estabelece, em dez pontos, a linhas de actuação e os princípios defendidos pela associação.
Acusando o capitalismo de ser responsável pelo actual estado da civilização, o CAES defende o respeito pelos animais, a implementação de medidas para a conservação da biodiversidade e da geodiversidade e a agricultura sustentável, rejeitando os alimentos geneticamente modificados. No que diz respeito à energia, o CAES defende um modelo alternativo, baseado na poupança e eficiência energética e nas energias renováveis, rejeitando categoricamente a utilização da energia nuclear. Associação pacifista, o CAES é a favor do desarmamento dos Estados e quer promover o respeito intercultural.


João Cordeiro, Açoriano Oriental, 19 de Outubro de 2008

Boletim Anarco-Sindicalista nº 28 (Outubro - Novembro 2008)


Boletim Anarco-Sindicalista nº 28 (Outubro - Novembro 2008)

Publicação da Associação Internacional d@s Trabalhador@s – Secção Portuguesa



http://ait-sp.blogspot.com/



Descarrega em PDF aqui:

- Versão para net (em A4; 1,5 Mb):

- Versão para impressão (em A3; 5,5 Mb):


Neste número do Boletim:
- Cerâmica Torreense: mais um caso de repressão patronal
- Vila Verde: Trabalhadoras de fábrica têxtil impedem saída das máquinas
- Barcelos: Tor encerra e deixa 255 trabalhadores no desemprego
- Operários da Camac (Santo Tirso) em greve devido a salários em atraso
- Três milhões de euros de salários em atraso no primeiro semestre de 2008
- Trabalho infantil perdura em Portugal
- Metade dos trabalhadores portugueses ganha até 600 euros
- Empresa FIDAR – um exemplo de resistência. Há dois meses em contestação em frente às instalações da fábrica
- A “crise” do sistema financeiro. Será que os parasitas “foram longe demais”?
- Código do Trabalho? Não, Código do Capital!
- Instituto de (Des)Emprego
- Protestos e razões para protesto no País do medo
- Não à nova guerra do Cáucaso!
- Dias de Acção Global da AIT
- A FORA-AIT ganha conflito com o restaurante La Pérgola
- Sevilha: Foi assassinada a companheira Rosa Pazos
- Despejo do Centro Social Libera de Modena em Itália
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- Supremo Tribunal dos EUA rejeita recurso de Mumia Abu-Jamal
- O que é uma organização anarco-sindicalista?

Trabalhadores portadores com deficiência vão ser prejudicados com o Orçamento de 2009 do governo de Sócrates

Os impostos dos trabalhadores com deficiência estão a subir e os média limitam-se a republicar as notas de imprensa do Governo que dizem precisamente o contrário.


Reposição dos Benefícios Fiscais – Movimento dos Trabalhadores Portadores de Deficiência

Não é verdade que os trabalhadores com deficiência irão pagar menos impostos em 2009, como poderão pensar aqueles que leram os títulos dos jornais que saíram depois da entrega da proposta de Lei do Orçamento de Estado.

Está montada a operação de mistificação mediática.

O que se passou afinal com a fiscalidade das pessoas com deficiência?

Desde 1988, o cálculo de IRS dos trabalhadores com deficiência incidia sobre metade do rendimento bruto, ou seja, 50% do rendimento estava isento de imposto. É importante recordar que esses 50% isentos não podiam ultrapassar 13.774 € para quem tivesse 60 a 80% de taxa de incapacidade e 15.840 € acima de 80%.

Em 2006 alteram-se as regras, tendo o Governo eliminado os benefícios fiscais, encontrando uma nova fórmula de cálculo.

A partir de então o imposto é calculado da mesma forma que é calculado para qualquer pessoa e existe um abatimento à colecta (esta coisa da colecta, para quem não está muito familiarizado com o “fiscalês” é o imposto que tem de entregar ao Estado) de 3,5 salários mínimos para quem tenha 60 a 90% de incapacidade e 5,5 salários mínimos acima de 90%.

Porque é que o IRS de 2007 foi maior que o de 2006?

Em 2006, como dissemos, estava isento de imposto 50% do rendimento com os limites já referidos. Em 2007, considerando a totalidade dos rendimentos, os contribuintes com deficiência passaram a estar noutros escalões de rendimento com taxas de tributação muito superiores.

Em 2006 a dedução específica que é abatida ao rendimento bruto, no caso das pessoas com deficiência, era multiplicada por 1,5. Em 2007 também essa majoração desapareceu.

Por último, ao passar de 80 para 90% de incapacidade o patamar de acesso às condições mais vantajosas dos benefícios fiscais, o Governo reduziu o universo das pessoas que tinham esse direito. Com esta artimanha o Governo deixou de fora talvez milhares de pessoas com deficiência como , por exemplo, os paraplégicos e tetraplégicos que, não será demais referir, têm enormes despesas adicionais para competir no mercado de trabalho.

Dizer que vamos pagar menos impostos é a mais descarada das demagogias. Em 2009 ninguém vai pagar menos impostos. E se compararmos com o que pagávamos em 2006, então nem vale a pena falar.

Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios fiscais

http://mtpd.blogspot.com/

A Água é de todos. Não é o negócio de alguns: diga não à privatização da água!


Considerando que a água é um elemento indispensável à vida neste planeta e é indissociável de qualquer actividade humana, social ou económica;

Considerando que a água é um imperativo de acesso universal, um efectivo equalizador das diferenças sociais e territoriais dos povos, verdadeiro instrumento da democracia participada e participativa;

Considerando que a água é um direito que tem de ser assegurado a todas as pessoas, independentemente da sua condição económica e social ou da região onde habitem;

Considerando que a salvaguarda deste bem público essencial e a necessidade da sociedade portuguesaemgeral exigem:

A consagração da propriedade comum da água e da igualdade de direito ao seu usufruto como direito de cidadania

A garantia do acesso de todas as pessoas à água potável com o serviço público

A manutenção dos serviços de água sob propriedade e gestão públicas e sem fins lucrativos

O enquadramento legal, institucional e de administração económica que garanta de facto o direito de cada pessoa à água, à saúde e à natureza

A gestão integrada da água como responsabilidade pública inalienável, assegurada por legítimos representantes dos cidadãos, visando a melhoria do bem-estar comum da população actual e das gerações vindouras

Serviços públicos de água competentes, transparentes e funcionais dotados dos recursos necessários

Uma gestão da água baseada num planeamento participado e democrático

Subscreva os princípios e os objectivos da campanha «A água é de todos, não o negócio de alguns», assumindo o seu envolvimento nas acções gerais que venham a ser desenvolvidas ou na programação de iniciativas específicas que contribuam para alargar a sensibilização da população portuguesa para esta problemática.



Enviar a sua assinatura para:

Água é de todos, não o negócio de alguns - Rua D. Luís I, 20-F - 1249-126 Lisboa


http://www.aguadetodos.com/content/view/18/1/

DECLARAÇÃO DA ÁGUA - ENTIDADES SUBSCRITORAS

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DEFICIENTES
BALFLORA - Secretariado dos Baldios Distrito Viseu
CÂMARA MUNICIPAL DE SERPA
FESAHT - AGRICULTURA, ALIMENTAÇÃO, TURISMO
JUNTA DE FREGUESIA ALHOS VEDROS - MOITA
JUNTA DE FREGUESIA BOIDOBRA - COVILHÃ
JUNTA DE FREGUESIA CONCEIÇÃO - VILA VIÇOSA
JUNTA DE FREGUESIA Nª SRª DO BISPO - MONTEMOR-O-NOVO
JUNTA DE FREGUESIA PARREIRA - CHAMUSCA
JUNTA DE FREGUESIA PINHAL NOVO - PALMELA
JUNTA DE FREGUESIA POCEIRÃO - PALMELA
JUNTA DE FREGUESIA RIO DE MOINHOS - ALJUSTREL
JUNTA DE FREGUESIA SAMOUCO - ALCOCHETE
JUNTA DE FREGUESIA SANTA MARIA MAIOR - VIANA DO CASTELO
JUNTA DE FREGUESIA SANTA SUSANA - ALCÁCER DO SAL
JUNTA DE FREGUESIA SANTO ESTEVÃO - LISBOA
JUNTA DE FREGUESIA SÃO CLEMENTE - LOULÉ
JUNTA DE FREGUESIA SENHORA DA HORA - MATOSINHOS
JUNTA DE FREGUESIA SENHORA DA VILA - MONTEMOR-O-NOVO
JUNTA DE FREGUESIA SILVEIRAS - MONTEMOR-O-NOVO
JUNTA DE FREGUESIA SINES - SINES
JUNTA DE FREGUESIA VIALONGA - VILA FRANCA DE XIRA
JUNTA DE FREGUESIA VILA VERDE DE FICALHO - SERPA
MOVIMENTO 6 DE NOVEMBRO - CIDADANIA E INTERVENÇÃO
SINDICATO DOS TRABALHADORES FUNÇÃO PÚBLICA CENTRO
SINDICATO DOS TRABALHADORES IND. ELÉCTRICA NORTE E CENTRO
SINDICATO DOS TRABALHADORES INDUSTRIA VIDREIRA
SINDICATO DOS TRABALHADORES INDUSTRIAS CELULOSE
UNIÃO SINDICATOS COIMBRA
UNIÃO SINDICATOS GUARDA
UNIÃO SINDICATOS LISBOA
UNIÃO SINDICATOS PORTO


Marcha de Tractores até à Agrovouga ( em Aveiro, dia 22 de Out. às 11h. a partir da estação da CP) em defesa da agricultura familiar


À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, a ALDA - Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro, com o apoio da CNA, vai promover uma marcha de tractores e outras máquinas agrícolas entre Válega (Ovar) e Aveiro, até à AGROVOUGA, no dia 22 de Outubro, data que marca o início desta feira.

A partir das 11h00, frente à Estação da CP em Aveiro, há uma concentração de Agricultores promovida pela ALDA e pelas associadas da CNA da Beira Litoral. Os Agricultores vão desfilar a pé até à entrada da AGROVOUGA, juntando-se assim à coluna dos tractores, que vem do Norte do distrito.

Esta iniciativa pretende chamar a atenção do Governo e do MADRP, e da opinião pública em geral, para os principais problemas que afligem os Agricultores e a Agricultura Familiar da Região e do País.

A partir do dia 22, e até ao dia 26 de Outubro, a CNA estará também presente na AGROVOUGA, com um "stand" onde será exibido material com algumas das suas posições e actividades.

No dia 22 de Outubro, a partir das 9h30, vamos marchar:

• Em defesa da produção da região;

• Pela exigência do escoamento dos nossos produtos pelas grandes superfícies;

• Pela baixa do preço dos factores de produção (rações, adubos, combustíveis, etc);

• Pelo escoamento dos nossos produtos a preços compensadores;

• Pela intervenção do estado na retirada dos bezerros.

Vamos todos fazer a maior marcha de tractores de sempre!

Organiza a ALDA - Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro

Para mais informações, contacto com Albino Silva: 968 580 707

Concentração de professores em Portimão (amanhã, dia 21 de Outubro, em frente à Câmara às 19h.)

Concentração em Portimão - Frente à Câmara Municipal
Dia 21 de Outubro(3ª Feira), às 19.00 h



Contra a Indignidade!
Contra a Punição!
Contra a Afronta!
Contra a Injustiça!
Contra a destruição da Escola Pública!

Vamos reactivar as Lutas – agora começa pelo Sul!


Reenvia! Divulga! Aparece! Revolta-te!

DIZ NÃO!

Movimento Escola Pública
Movimento Professores Indignados

18.10.08

Contra Salazar ( todos os textos anti-salazaristas de Fernando Pessoa reunidos num só livro, editado pela Angelus Novus)


Acabou de sair pela editora de Coimbra, «Angelus Novus», um volume reunindo todos os textos anti-salazaristas , em verso e em prosa, da autoria de Fernando Pessoa, organizado e prefaciado por António Apolinário Lourenço


Da contracapa:


Quando em 25 de Abril de 1974 a Revolução dos Cravos pôs termo ao regime totalitário de Marcelo Caetano, não era previsível que a escalpelização do espólio de Fernando Pessoa viesse revelar um anti-salazarista inesperado: o próprio Fernando Pessoa. Os textos reunidos em Contra Salazar revelam como foi profunda a aversão do autor da Mensagem ao ditador santacombadense, e, sobretudo, que o rancor que estes textos manifestam tinha na sua base motivações tão nobres como o repúdio do autoritarismo do Estado corporativo e a defesa da liberdade de expressão.

http://www.angelus-novus.com/livros/detalhe.php?id=178





COITADINHO DO TIRANINHO

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.

( poema de Fernando Pessoa)



Excerto da Introdução do livro ( retirado do site da editora):

Em 1926, Fernando Pessoa foi um dos inúmeros intelectuais portugueses que receberam com expectativa e até com esperança a chamada «Revolução Nacional» de 28 de Maio. A posição de Pessoa está perfeitamente expressa no opúsculo que publicou em 1928, intitulado O Interregno. Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal. A entrada em cena de Oliveira Salazar não alterou substancialmente a apreciação que o poeta fazia da situação. O lente de Coimbra não o empolgava, ao contrário do que havia sucedido com Sidónio Pais, mas apreciava o modo como, através da gestão política da sua acção nas finanças públicas, se havia transformado na figura carismática do novo regime.
O conservadorismo extremo de Salazar, sobretudo, nunca mereceu a simpatia de Fernando Pessoa, e a sua preocupação ia aumentando à medida que se apercebia da influência crescente na doutrina política do Estado Novo da ideologia do Integralismo Lusitano. Inquietava- o igualmente alguma macaqueação que ia sendo feita pelo poder político português de iniciativas e rituais próprios dos regimes totalitários da Itália e da Alemanha.
Em 1935, dois acontecimentos vêm acabar com todas as ilusões pessoanas relativamente a Salazar e ao Estado Novo: a aprovação, pela Assembleia Nacional, de um projecto de lei, apresentado pelo deputado José Cabral que proibia as Sociedades Secretas (como a Maçonaria) e a intervenção do Presidente do Conselho de Ministros na cerimónia de atribuição dos Prémios do Secretariado da Propaganda Nacional, em que a Mensagem foi um dos livros distinguidos, em 21 de Fevereiro.
A apresentação do projecto de José Cabral motivou da parte de Pessoa a redacção de um extenso artigo, intitulado «Sociedades secretas» e publicado em 4 de Fevereiro, no Diário de Lisboa. O resultado, no entanto, não foi o pretendido pelo autor de «Chuva Oblíqua». Em vez da compreensão que ingenuamente esperava, viu-se cruelmente criticado e insultado pela imprensa afecta ao regime.
Em 1934, Salazar tinha proibido o Movimento Nacional- -Sindicalista (da extrema-direita monárquica e católica), fundado por Rolão Preto em 1932 e apresentado publicamente em Fevereiro de 1933. O Chefe de Governo conseguira, no entanto, atrair para a órbita do Estado Novo uma parte significativa dos elementos desse grupo político, que, nos seus dias áureos, terá chegado a ter algumas dezenas de milhar de aderentes. Era justamente do grupo
nacio nal-sindicalista de Coimbra que provinha José Cabral.
Talvez esta circunstância permita compreender que tenha sido Rolão Preto, com muitos motivos para estar agastado com o seu antigo correligionário, a única voz a apoiar explicitamente — no Fradique — o protesto lavrado por Fernando Pessoa nas páginas do Diário de Lisboa.
Quanto à intervenção de Salazar, compreende-se pela leitura das cartas ou projectos de cartas ao Presidente da República e a Adolfo Casais Monteiro o motivo da irritação de Pessoa: a imposição de vexatórias directrizes políticas aos intelectuais portugueses. Refira-se, contudo, que Salazar se limitou a ler, na cerimónia, um excerto do prefácio do primeiro volume dos seus Discursos (1928- -1934), que seriam publicados pela Coimbra Editora, apelando realmente à responsabilidade social dos escritores.





ÍNDICE do livro

INTRODUÇÃO

POESIA

LIBERDADE

[António de Oliveira Salazar]
[Este senhor Salazar]
[Coitadinho do tiraninho]
[Mata os piolhos maiores]
[Vai p’ra o seminário]

À EMISSORA NACIONAL
[Solenemente]
[O rei reside em segredo]
[E o Salazar, artefacto]
[Salazar é mealheiro]

ELEGIA NA SOMBRA
[Sim, é o estado novo, e o povo]
[Dizem que o Jardim Zoológico]
[Meu pobre Portugal]

POEMA DE AMOR EM ESTADO NOVO
[Eu falei do «Mar Salgado»]

FADO DA CENSURA

PROSA
[A tese do prof. Salazar]
[Este movimento político representa uma
imoralidade]

ASSOCIAÇÕES SECRETA
[Sou situacionista por aceitação]
[Tudo isto é com a patroa]
[O reaccionário prático, o reaccionário teórico
e o reaccionário a fingir]
[Sarampo das novas épocas]
[Não publico porque não posso]
[Censura]
[O Estado Novo existe. O Interregno cessou]
[Ditadura à Mussolini]
[O argumenta essencial contra uma Ditadura
é que ela é Ditadura]
[Nacionalismo e Liberalismo]
[Civilização Cristã]
[Um cadáver emotivo]
[O Chefe do Governo não é um estadista: é
um arrumador]
[Salazar é Deus]

CARTAS
[A Adolfo Casais Monteiro]
[A Marques Matias]
[Ao Presidente da República]

NOTAS







A economia está a matar a Terra: afinal, eles (os economistas e os políticos) são irresponsáveis e loucos obsessivos ( segundo a New Scientist)

Se foi preciso apenas alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas económicas liberais ortodoxas (a favor do mercado e da não-intervenção do Estado), para tentar salvar o sistema financeiro capitalista de um colapso, por que se há-de demorar mais tempo para se introduzir um plano para parar o colapso do planeta provocado por uma gestão e política irresponsável que poderiamos apelidar por obsessão pelo crescimento?



Em plena crise global com os governos e os mercados financeiros preocupados com uma possível recessão mundial, a revista científica britânica New Scientist dedica a capa da sua última edição à obsessão e irresponsabilidade demonstrada pelos políticos e economistas em continuarem apostados no crescimento económico quando tal se torna comprovadamente impossível pelo um cenário de recursos finitos o que tem como efeito que a procura obsessiva por mais crescimento económico está a matar o planeta.

Por via de série de entrevistas e artigos de especialistas em desenvolvimento sustentável, a revista New Scientist no seu último número, publicado nesta semana, traça um quadro em que todos os esforços para desenvolver combustíveis limpos, reduzir as emissões de carbono e buscar fontes de energia renováveis podem ser inúteis enquanto o nosso sistema económico continuar apostado no crescimento económico.

“A Ciência diz-nos que se for para levarmos a sério as tentativas para salvar o planeta, temos que reformar a nossa economia”, afirma a revista.

Segundo os analistas consultados pela publicação, o grande problema na equação do crescimento económico está no facto de que, enquanto a economia busca um crescimento infinito, os recursos naturais da Terra são limitados.

“Os economistas não perceberam um facto simples que para os cientistas é óbvio: o tamanho da Terra é fixo, nem sua massa nem a extensão da superfície variam. O mesmo vale para a energia, água, terra, ar, minerais e outros recursos presentes no planeta. A Terra já não está conseguindo sustentar a economia existente, muito menos uma que continue crescendo”, afirma num artigo o economista Herman Daly, professor da Universidade de Maryland e ex-consultor do departamento para o meio ambiente do Banco Mundial.

Para Daly, o facto do nosso sistema económico ser baseado na busca do crescimento acima de tudo o mais, faz com que o mundo estejamos a caminhar para um desastre ecológico e também económico, dadas as limitações dos recursos.

“Para evitar este desastre, precisamos de mudar a nossa aposta no crescimento quantitativo para um qualitativo e impôr limites nas taxas de consumo dos recursos naturais da Terra”, escreve.

“Nesta economia de estado sólido, os valores das mercadorias ainda podem aumentar, por exemplo, por causa de inovações tecnológicas ou melhor distribuição. Mas o tamanho físico dessa economia deve ser mantido num nível que o planeta consiga sustentar”, conclui Daly, que compara a actual economia a um avião em alta velocidade e a sua proposta a um helicóptero, capaz de voar sem se mover.

Mas essas mudanças no sistema não serão fáceis. Na entrevista à revista, James Gustav Speth, ex-conselheiro do governo Jimmy Carter (1977-1981) e da ONU, afirma que o movimento ambiental nunca conseguirá vencer dentro do actual sistema capitalista.

“A única solução é reformarmos o capitalismo actual. Os Estados Unidos cresceram entre 3% e 3,5% por um bom tempo. Há algum dividendo deste crescimento? Existem melhores condições sociais? Não. Os Estados Unidos têm que apostar em indústrias sustentáveis, necessidades sociais, tecnologias e atendimento médico decente, e não sacrificar isso para fazer a economia crescer.”, diz.

“A comunidade ambientalista, pelo menos nos Estados Unidos, é muito fraca quando falamos sobre mudança de estilo de vida, consumo e sobre sua relutância em desafiar o crescimento ou o poder das corporações. Nós precisamos de um novo movimento político nos EUA. Cabe aos cidadãos injectarem valores que reflictam as aspirações humanas, e não apenas fazer mais dinheiro.

Obsessão pelo crescimento

A revista também traz um artigo que discute o argumento de que o crescimento económico é necessário para erradicar a pobreza e que quanto mais ricos ficam alguns, a vida dos mais pobres também melhora. É a chamada Teoria do Gotejamento.

Segundo Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, em Londres, este argumento, além de “não ser sincero”, sob qualquer avaliação, é “ impossível”.

“Durante os anos 1980, para cada 100 dólares adicionados na economia global, cerca de 2,20 dólares chegavam àqueles que estavam abaixo da linha de pobreza. Durante a década de 1990, esse valor passou para US$ 0,60. Essa desigualdade significa que para que os pobres estão a tornarem-se cada vez mais pobres e os ricos a ficar muito mais ricos”.

“A humanidade está indo para além da capacidade da biosfera ao sustentar as actuais actividades anuais desde meados dos anos 1980. Em 2008, nós ultrapassamos essa capacidade anual em 23 de Setembro, cinco dias antes do ano anterior”.

Ele ainda afirma ser impossível que um dia toda a humanidade tenha o padrão de vida dos países desenvolvidos.

“Seriam necessários pelo menos três planetas Terra para sustentar essas necessidades se todos vivessem nos padrões da Grã-Bretanha. Cinco se vivêssemos como os americanos”.

Para Simms, a Terra estaria inabitável há muito tempo antes que o crescimento económico pudesse erradicar a pobreza.

Para que o mundo possa ter uma economia ecologicamente sustentável, segundo Simms, é preciso acabar com o preconceito de alguns em relação ao conceito de “redistribuição”, que, para ele, é o único modo viável de acabar com a pobreza.

“Só foi preciso alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas económicas para tentar resgatar o sistema financeiro de um colapso. Por que tem que demorar mais para introduzirem um plano para deter o colapso do planeta trazido por uma conduta irresponsável e ainda mais perigosa chamada obsessão pelo crescimento?”.


Fonte:
BBC Brasil




Boletim da Federação dos trabalhadores(as) da educação da CNT francesa fala da luta dos professores portugueses


Por via do blogue http://delutoeemluta.blogspot.com/2008/10/luttes-au-portugal-sinistra-ministra.html tomamos conhecimento de uma referência às lutas dos professores(as) portugueses (as) no último boletim da Federação dos(as) trabalhadores (as) da educação pertencente à CNT francesa ( de inspiração anarco-sindicalista). O boletim pode ser descarregado aqui e tem como título « Classes en lutte » - Por uma revolução social, educativa e pedagógica


Reproduzimos a seguir o original ( em francês):



Au Portugal, ces trois dernières années, le gouvernement Sócrates (PS), et la ministre de l’éducation, Maria de Lurdes Rodrigues, ont lancé plusieurs offensives contre l’école publique.
Les réformes ont provoqué une dégradation sans précédent de l’enseignement, et créé un profond mal-être chez les professeurs . Le 8 mars 2008, 100 000 enseignants (un sur trois) vêtus de noir en signe de deuil ont défilé dans les rues de Lisbonne. Ce fut le plus grand mouvement de protestation des enseignants qui ait jamais eu lieu au Portugal.
Cette manifestation a été le point culminant de semaines de lutte et de contestation nées au sein même des écoles contre les nouvelles modalités d’évaluation des enseignants, unanimement rejetées à cause de leur contenu irrationel et de leurs objectifs purement économiques. Ces modalités d’évaluation découlent du Statut de Carrière des enseignants, que le gouvernement a imposé contre la volonté des professeurs et qui a donné lieu a une énorme contestation.
Les centaines de rassemblements, manifestations, et “vigílias” qui ont précédé la mega-manifestation furent très souvent conduites par des groupes de professeurs qui s’étaient organisés à l’intérieur des établissements. Beaucoup de rendez-vous ont circulé anonymement par sms ou par internet. Ces mouvements de contestation de la base, nés en dehors des structures syndicales enseignantes, ont mis la pression sur les syndicats de professeurs.
Ce mécontentement est la réponse naturelle à des années de réformes économiques qui ont gravement mis en cause la qualité du travail enseignant, et qui ont contribué à la dégradation de l’école publique au Portugal. Ces réformes ont mené à la fermeture de nombreuses écoles , ont modifié la nature des programmes et ont réduit la participation des enseignants aux instances dirigeantes des établissements. L’enseignement spécialisé et l’enseignement artistique ont également subi de graves attaques, qui ont sérieusement mis à mal les principes de l’école pour tous (“inclusive”). Le plan qui est en marche vise au désengagement progressif de l’État du secteur éducatif pour le transférer aux municipalités et ouvrir ainsi la porte à une future privatisation de l’enseignement. Ce plan, qui a débuté par la remise aux collectivités locales de la gestion du parc scolaire, pour ensuite être éventuellement confiée a l’Eglise, menace maintenant d’être étendu aux travailleurs non-enseignants ainsi qu’aux professeurs eux- mêmes qui courent le risque de changer de ministère de tutelle et de perdre leurs droits . Un récent projet de loi ouvre la porte au passage des professeurs sous la dépendance des municipalités. (1)
Au Portugal le réseau public d’enseignement aurait perdu entre 16 et 23 000 enseignants ces trois dernières années.(2) Ces réductions ne sont pas causées par la diminution du nombre d’élèves, comme le gouvernement a voulu le faire croire, mais plutôt à la fermeture d’écoles et à l’augmentation des horaires de travail.
Le Plan de fermetures d’écoles mis en place dès l’entrée en fonctions du gouvernement Sócrates prévoyait de fermer environ 4000 écoles primaires jusqu’au terme de la législature en 2009 (3). Rien qu’au début de l’année scolaire 2006/2007, 1500 écoles ont été fermées, la fermeture de 900 écoles supplémentaires étant prévue pour l’année suivante. Ces fermetures touchent surtout les zones de l’intérieur nord et du centre du Portugal, déjà largement désertifiées et elles vont naturellement accentuer cette tendance. Les élèves des écoles primaires fermées sont aujourd’hui obligés de rester la journée entière loin de leur domicile et perdent de longues heures dans les transports. Le réseau de transports scolaires, dépendant des municipalités, fonctionne avec de graves déficiences. Des enfants très jeunes sont ainsi obligés d’utiliser les transports publics sans que la surveillance adéquate ne soit garantie, ce qui a déjà provoqué des morts.(4)
L’enseignement spécialisé (pour handicapés) est un autre secteur qui a subi des assauts qui ont mis en danger les principes de l’école « inclusive ». La disparition des Équipes de l’Éducation Spécialisée et de leurs coordinations régionales a laissé les enseignants du secteur isolés dans les écoles. Le gouvernement a imposé un plan de restructuration qui prévoit uniquement un soutien aux handicapés (déficients), laissant de côté des milliers d’élèves dyslexiques, hyperactifs et ayant des problèmes de comportement et d’apprentissage. Ceux-ci courent le risque de se perdre et d’être envoyés dans les “circuits alternatifs” perdant ainsi toute possibilité de progresser a l’intérieur du système éducatif.(5)(6)
L’enseignement artistique, qui était déjà le parent pauvre, n’a pas non plus été épargné par les réformes. À l’école primaire, il a même été retiré du programme obligatoire tout comme l’éducation physique. Ces activités sont maintenant inclues dans les “prolongement d’horaires” et laissées à des moniteurs sans qualification apropriée , engagés sous contract précaire et mal payés par les municipalités(7).
Le système éducatif Portugais se trouve donc dans une situation réellement préoccupante. Le profond mal-être causé par les réformes du gouvernement actuel et menées à bien par la ministre Maria de Lurdes Rodrigues lui font pleinement mériter son surnom de “ Sinistre Ministre”.
José António Antunes .



Blogues de interesse :
A Sinistra Ministra (com participação de companheiros libertários)
http://sinistraministra.blogspot.com/


Movimento dos Professores Revoltadoshttp://movimentoprofessoresrevoltados.blogspot.com/


Em defesa da Escola Pública

http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/

16.10.08

Judith Butler, teorizadora da Queer Theory e do pós-estruturalismo anarquista, vai dar hoje uma conferência em Serralves ( Porto ) às 21h30



Integrado no ciclo sobre o Pensamento Crítico Contemporâneo que está a decorrer ao longo de todo o ano de 2008 em Serralves ( no Porto), começa hoje o ciclo dedicado a analisar a dimensão social das actuais sociedades com uma conferência de Judith Butler, uma das principais figuras da chamada Queer Theory e ainda do pós-estruturalismo anarquista. O interpelante será o antropólogo Miguel Vale de Almeida.



Judith Butler (24 de fevereiro de 1956, Cleveland, Ohio) é uma filósofa pós-estruturalista norte-americana, que tem dado importante contribuições teóricas para o feminismo, Teoria Queer, filosofia política e ética.

A Teoria queer é uma teoria sobre o género que afirma que a orientação sexual e a identidade sexual ou de género dos indivíduos são o resultado de um constructo social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais.
Não há uma definição genericamente aceite para esta corrente de pesquisa acadêmica e forma particular de política pós-identitária. Os estudos queer constituem um corpus grande e variado de empreendimentos dispersos por áreas como os Estudos Culturais, a Sociologia da Sexualidade, Antropologia Social, Educação, Filosofia, entre outras.

De uma forma geral, é possível afirmar que a Teoria queer busca ir além das teorias feministas baseadas na oposição homens x mulheres e também aprofundar os estudos sobre minorias sexuais (gays, lésbicas, transgêneros) dando maior atenção aos processos sociais amplos e relacionados que sexualizam a sociedade como um todo de forma a heterossexualizar e/ou homossexualizar instituições, discursos, direitos.

A Teoria queer recusa a classificação dos indivíduos em categorias universais como "homossexual", "heterossexual", "homem" ou "mulher", sustentando que estas escondem um número enorme de variações culturais, nenhuma das quais seria mais "fundamental" ou "natural" que as outras. Contra o conceito clássico de género, que distinguia o "heterossexual" socialmente aceite (em inglês straight) do "anómalo" (queer), a Teoria queer afirma que todas as identidades sociais são igualmente anómalas.

A Teoria queer critica também as classificações sociais da psicologia, da filosofia, da antropologia e da sociologia tradicionais, baseadas habitualmente na utilização de um único padrão de segmentação —seja a classe social, o sexo, a raça ou qualquer outro— e defende que aas identidades sociais se elaboram de forma mais complexa, pela intersecção de múltiplos grupos, correntes e critérios.

A Teoria queer propõe explicitar e analisar esses processos a partir de uma perspectiva comprometida com aqueles socialmente estigmatizados, portanto dando maior atenção à formação de identidades sociais normais ou "desviantes" e nos processos de formação de sujeitos do desejo classificados em legítimos e ilegítimos. Neste sentido, a Teoria queer é bem distinta dos estudos gays e lésbicos, pois considera que estas culturas sexuais foram normalizadas e não apontam para a mudança social. Daí o interesse em estudar o travestismo, a transsexualidade e a intersexualidade, mas também culturas sexuais não-hegemônicas caracterizadas pela subversão ou rompimento com normas socialmente prescritas de comportamento sexual e/ou amoroso.

A teoria queer teve origem nos Estados Unidos em meados da década de 1980 a partir das áreas de estudos gay, lésbicos e feministas, tendo alcançado notoriedade a partir de fins do século passado. Fortemente influenciada pela obra de Michel Foucault, a teoria queer aprofunda as críticas feministas à ideia de que o gênero é parte essencial do ser individual e as investigações de estudos gays/lésbicos sobre o constructo social relativo à natureza dos actos sexuais e das identidades de gênero. Enquanto os estudos gays/lésbicos se centravam na análise das classificações de "natural" ou "contra-natura" em relação aos comportamentos homossexuais, a teoria queer expande o âmbito da análise para abranger todos os tipos de actividade sexual e de identidade classificados como "normativos" ou "desviantes".

Butler obteve seu Ph.D. em filosofia da Yale University em 1984, e sua dissertação foi subseqüentemente publicada como Subjects of Desire: Hegelian Reflections in Twentieth-Century France. Em fins da década de 1980, entre diversas designações de ensino e pesquisa (tais como no Centro de Humanidades na Johns Hopkins University), ela envolveu-se nos esforços "pós-estruturalistas" da teoria feminista ocidental em questionar os "termos pressuposicionais" do feminismo.

Obras
• 2007: Who Sings the Nation-State?: Language, Politics, Belonging (com Gayatri Spivak)
• 2005: Giving An Account of Oneself
• 2004: Undoing Gender
• 2004: Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence
• 2003: Women and Social Transformation (com Elisabeth Beck-Gernsheim e Lidia Puigvert)
• 2000: Contingency, Hegemony, UniversalityContingency, Hegemony, Universality: Contemporary Dialogues on the Left (com Ernesto Laclau e Slavoj Žižek)
• 2000: Antigone's Claim: Kinship Between Life and Death
• 1997: The Psychic Life of Power: Theories in Subjection
• 1997: Excitable Speech: A Politics of the Performative
• 1993: Bodies That Matter: On the Discursive Limits of "Sex"
• 1990: Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity
• 1987: Subjects of Desire: Hegelian Reflections in Twentieth-Century France


Fonte: Wikipedia




Sobre Butler, a Queer Theory e as relações entre a teoria Queer e o anarquismo:




JUDITH BUTLER
(DOCUMENTÁRIO REALIZADO EM 2006 POR PAULE ZAJDERMANN DO CANAL FRANCO-ALEMÃO ARTE COM O TÍTULO « JUDITH BUTLER, PHILOSOPHE EN TOUT GENRE » )

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