20.5.08

Maio de 68: a questão da exploração dos trabalhadores foi o eixo das reivindicações estudantis ( texto de João Bernardo)

Texto retirado de:
www.jornalmudardevida.net/


Uns jovens interessantes, embora um tanto ou quanto estouvados, erguendo barricadas e lançando pedras à polícia em nome de ideias generosas mas completamente impraticáveis − eis como o Maio de 1968 tem sido frequentemente apresentado na avalanche de artigos e conferências que celebram os quarenta anos passados sobre o acontecimento. Muitos comentadores simpatizam com esse movimento na medida em que o consideram utópico e, portanto, inofensivo. Simpatizam mais ainda quando só vêem estudantes envolvidos, cujos protestos e desordens não punham directamente em perigo a base económica do sistema. Mas Maio de 68 não foi um movimento utópico, foi um movimento derrotado, o que é muito diferente; e mesmo durante a fase inicial, restrita ao meio estudantil, a questão da exploração dos trabalhadores foi determinante.

Os estudantes

Maio de 68 teve um único grande tema: a recusa de uma universidade ao serviço do capitalismo. Aquela contestação é hoje geralmente apresentada como uma luta entre gerações, jovens reivindicando a libertação sexual e de costumes e pondo em causa a autoridade dos mais velhos. Mas isto vinha já a suceder na prática e desde há vários anos. Foi outro o eixo das reivindicações estudantis, o lema que inspirou as principais palavras de ordem lançadas durante a greve. Os estudantes recusavam-se a ser técnicos superiores destinados a enquadrar e disciplinar a classe trabalhadora.

O Movimento do 22 de Março, uma das organizações mais expressivas da época, composta por libertários e por maoístas espontaneístas, proclamou num panfleto de 4 de Maio: «Nós batemo-nos […] porque recusamos tornar-nos: - professores ao serviço da selecção no ensino, selecção feita à custa dos filhos da classe operária, - sociólogos fabricantes de slogans para as campanhas eleitorais governamentais, - psicólogos encarregados de fazer “funcionar” as “equipas de trabalhadores” segundo os interesses superiores dos patrões, - cientistas cujo trabalho de pesquisa será utilizado de acordo com os interesses exclusivos de uma economia de lucro. […] Recusamo-nos a melhorar a universidade burguesa. Queremos transformá-la radicalmente para que de agora em diante ela forme intelectuais que lutem ao lado dos trabalhadores e não contra eles […] Queremos que os interesses da classe operária sejam defendidos também na universidade».

Esta declaração tinha um valor geral e as outras correntes políticas partilhavam a mesma opinião, tanto os maoístas da União das Juventudes Comunistas Marxistas-Leninistas (UJCm-l) como os trotskistas da Juventude Comunista Revolucionária (JCR), que seguiam a orientação de Mandel, e os trotskistas da Federação dos Estudantes Revolucionários (FER), que seguiam a orientação de Lambert. Como afirmou o Action nº 1, de 7 de Maio, o jornal da insurreição estudantil: «Aqueles que lutam contra a universidade capitalista encontraram-se lado a lado com aqueles que lutam contra a exploração capitalista».

Se havia unanimidade na rejeição de uma universidade ao serviço do capital, a divisão entre as várias correntes políticas contestatárias fez-se relativamente à questão da aliança entre estudantes e trabalhadores − e bastaria isto para confirmar que os problemas da classe trabalhadora foram determinantes no movimento. A FER considerava que a aliança dos estudantes com os trabalhadores se devia realizar mediante negociações entre a direcção da União Nacional dos Estudantes de França (UNEF), uma espécie de sindicato estudantil, e as direcções das várias centrais sindicais operárias. Para a FER tratava-se mais de estabelecer acordos entre burocracias sindicais do que de forjar uma comunidade de interesses nas lutas práticas. Para as outras correntes contestatárias as lutas práticas eram determinantes, mas enquanto a UJCm-l defendia que os estudantes se deviam colocar sob a condução política da classe trabalhadora, a JCR e o Movimento do 22 de Março defendiam que a convergência entre as lutas estudantis e as lutas operárias se devia fazer na rua, nos confrontos contra a polícia, e que deste modo o próprio movimento faria surgir uma vanguarda comum. Para estas duas organizações não se tratava de subordinar os estudantes aos trabalhadores mas de construir uma unidade de base.

A aliança com os trabalhadores foi anunciada desde o começo da greve estudantil. As palavras de ordem da manifestação de 6 de Maio foram tanto «Liberdade para os nossos camaradas» e «A Sorbonne para os estudantes» como «Estudantes solidários com os trabalhadores», e na grande manifestação de 7 de Maio, avaliada em 50.000 pessoas, a faixa que encabeçava o desfile proclamava «Os estudantes com os trabalhadores». Entretanto, as ocupações das Faculdades eram apresentadas pelos estudantes radicais como a reprodução de uma forma de luta caracteristicamente operária.

Num panfleto emitido a 6 de Maio, o Movimento do 22 de Março afirmou que «os estudantes utilizam de agora em diante os métodos de luta dos sectores mais combativos da classe operária». Mais tarde, a mesma organização escreveu num apelo destinado a estimular a formação de Comités de Acção Revolucionária: «Seguindo o caminho traçado pelos operários de Caen, de Mulhouse, de Le Mans, de Redon, da Rhodia [um grupo industrial centrado em Besançon], de Paris, os alunos das universidades e dos liceus e os trabalhadores que se manifestaram contra a repressão do Estado policial na noite de sexta-feira, 10 de Maio de 1968, lutaram na rua durante várias horas contra 10.000 polícias. […] A 13 de Maio, estudantes e operários encontraram-se de novo na rua, iniciaram uma discussão política conjunta e, para prossegui-la, ocuparam permanentemente as faculdades da Universidade de Paris. A partir de então multiplicaram-se as greves com ocupação das fábricas. Para que triunfem as reivindicações de todos os trabalhadores, para atingirmos realmente os nossos objectivos, para prepararmos na acção quotidiana a tomada do poder pelo proletariado, trabalhadores e estudantes, organizemo-nos nos locais de trabalho em comités de acção revolucionária».

A data evocada neste panfleto, 13 de Maio, marcou uma ampliação decisiva do movimento, porque começou nesse dia a maior greve geral da história da França, que chegou a mobilizar entre 9 e 10 milhões de grevistas.

A greve geral

Estava convocada para 13 de Maio uma manifestação que reuniu cerca de um milhão de pessoas, a maior realizada até então em Paris, onde se operou a junção entre estudantes e trabalhadores. À frente ia uma faixa proclamando «Estudantes, professores, trabalhadores solidários», e o facto mais significativo é que esta faixa só pôde encabeçar o cortejo depois de várias escaramuças entre os estudantes e os dirigentes da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical, hegemonizada pelo Partido Comunista, que era francamente oposto à luta estudantil e a qualquer tentativa de aproximação entre estudantes e trabalhadores.

Durante esta manifestação a CGT tentou enquadrar os trabalhadores e impedi-los de contactarem com os estudantes, mas não o conseguiu e os estudantes inseriram-se no cortejo operário. Estava anunciado o tema das semanas seguintes, porque enquanto durou a greve geral os estudantes tentaram repetidamente ligar-se aos trabalhadores na acção prática e os dirigentes da CGT fizeram tudo o que podiam para impedir essa convergência. Aliás, convém deixar claro que esta atitude caracterizou unicamente a CGT, porque a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), uma central sindical de origem cristã, apoiou a aliança entre trabalhadores e estudantes e no dia 20 de Maio realizou uma conferência de imprensa em conjunto com a UNEF, sublinhando que a luta dos estudantes e a dos trabalhadores era uma só.

A 16 de Maio cerca de mil estudantes dirigiram-se às grandes fábricas Renault de Billancourt, que se haviam juntado à greve, e a CGT opôs-se ao contacto dos estudantes com os operários com o curioso argumento de que «recusamos qualquer ingerência externa». A solidariedade era apelidada de «ingerência». No dia seguinte numerosos estudantes regressaram à Renault-Billancourt, e de novo a CGT os impediu de conviver com os grevistas.

Esta obstrução não fez desistir os estudantes mais radicais, que continuaram a procurar a ligação com as empresas em luta. A Moção Política Geral aprovada na Assembleia Geral realizada na Sorbonne a 20 de Maio considerou «que o objectivo político é o derrube do regime pelos trabalhadores e que a ocupação [das Faculdades] deve ser realizada nesse quadro político; que, com efeito, o ensino só corresponderá às necessidades da população quando esta tiver realmente derrubado o poder capitalista; que não podendo a remodelação da universidade ser concebida fora deste quadro, ela não deve, por conseguinte, ser prosseguida somente pelas pessoas que aí trabalham hoje, mas pelo conjunto dos trabalhadores» e concluiu recordando que «a tarefa essencial dos estudantes é ligarem-se ao combate da classe operária contra o regime».

Nesta perspectiva, a 31 de Maio um comunicado da Coordenação dos Comités de Acção, um organismo estudantil de base, insistiu: «A nossa força reside nas ocupações de fábrica». E a 1 de Junho um comunicado da UNEF incitou os estudantes a dirigirem-se às fábricas em greve da Renault e da Citroën.

Em 6 de Junho 4000 polícias fortemente armados ocuparam as fábricas Renault em Flins e expulsaram os piquetes de greve. No dia seguinte numerosos estudantes mobilizados pela UJCm-l e pelo Movimento do 22 de Março foram apoiar os piquetes estacionados nas ruas e estradas de acesso às fábricas. A CGT denunciou então os bandos «organizados militarmente» que «intervieram» em Flins, referindo-se não aos polícias mas aos estudantes, o que não impediu que naquele mesmo dia 7 de Junho, num comício em Elisabethville, junto às fábricas Renault de Flins, se consumasse a ligação dos estudantes aos trabalhadores.

Graças à exigência dos operários, e apesar da oposição dos burocratas da CGT, dois representantes da contestação estudantil tomaram a palavra no comício, ao lado dos oradores operários. Durante quatro dias, foi junto com os estudantes que os operários resistiram às cargas da polícia, até que em 11 de Junho as autoridades se viram obrigadas a fechar as fábricas Renault de Flins.

A comuna de Nantes

Os artigos e conferências dedicados ao Maio de 68 concentram-se geralmente no sucedido em Paris e nos subúrbios desta cidade, mas foi noutro lugar que o movimento atingiu o auge.

O número de 5 de Junho da Tribune du 22 mars, o jornal do Movimento do 22 de Março, descreveu o sucedido em Nantes, uma cidade do oeste da França.

«Enquanto em Paris, e sem demasiadas esperanças, incitamos à constituição do duplo poder, quer dizer, do poder das massas, da base auto-organizando-se frente ao poder estabelecido, enquanto exigimos a autogestão, eis que esta, ou pelo menos um esboço auspicioso, existe já à escala de uma cidade, em Nantes. […] Um comité intersindical estabelecido na Câmara Municipal dirige praticamente a cidade. Ele assegura não só a distribuição da água, do gás e da electricidade mas também o abastecimento de todos os grossistas, em colaboração com as organizações camponesas e com algumas aldeias vizinhas. Além disso, durante vários dias este comité intersindical distribuiu, devidamente certificados, vales de gasolina e vales de alimentação. Mais ainda, o comité controla os preços na cidade, os seus delegados inspeccionam os mercados e as lojas a retalho, obrigando os comerciantes a manter os seus preços. É isto o duplo poder. Também foram criados comités de bairro que, em colaboração com aldeias vizinhas, se ocupam do abastecimento das famílias dos grevistas, no que diz respeito aos bens essenciais. Os caponeses, sobretudo da CDJA [organização de jovens agricultores], vendem ao preço de custo, o que significa que assistimos concretamente, ainda que em escala reduzida, à supressão dos intermediários! Mas a originalidade de Nantes não se limita ao duplo poder. Há algo de surpreendente, e por isso de reconfortante. Trata-se da aliança real e concreta entre os trabalhadores, os camponeses e os estudantes, quer dizer, entre as classes revolucionárias e os estudantes revolucionários. Esta aliança ocorre sobretudo na base, os estudantes e os operários vão ajudar os camponeses nos seus trabalhos, os estudantes apoiam os piquetes de greve operários, todos agindo, na prática, de mãos dadas. Mas esta aliança ocorre igualmente ao nível das organizações. No comité intersindical estão representadas a CGT, a CFDT, a CGT-FO [central sindical de direita], a FEN [federação de sindicatos de professores], a UNEF (dirigida por anarquistas), a CDJA e a FDSEA [organização de agricultores].»

E depois?

Apesar dos esforços da CGT e do Partido Comunista para fraccionar a greve geral numa multiplicidade de greves particulares, desmobilizar os grevistas e convencê-los a regressar ao trabalho, a 14 de Junho havia ainda cerca de um milhão de grevistas. Nos dias 13 e 15 de Junho o governo proibiu todas as manifestações e 11 organizações de extrema-esquerda foram dissolvidas, as suas publicações proibidas e os seus militantes presos ou perseguidos. Estabeleceu-se assim o Estado de Direito tal como vigora hoje, baseado na generalização e na institucionalização das medidas de excepção.

Maio de 68 teve duas outras consequências a longo prazo. Por um lado, chamou a atenção dos trabalhadores franceses, e mesmo dos trabalhadores de outros países, para as greves com ocupação das empresas. As lutas autogestionárias foram fortemente impulsionadas por este exemplo e têm voltado a surgir sempre que existem condições concretas para levá-las a cabo. Aliás, as ocupações de empresas em Portugal em 1974 e 1975 podem ser analisadas nesta perspectiva.

Além disso, Maio de 68 ditou o declínio e a irrelevância do Partido Comunista Francês, que se opusera frontalmente à contestação, e embora a CGT seja ainda a principal central sindical francesa, ela detém esta posição num país onde hoje só estão sindicalizados cerca de 8% da força de trabalho. É certo que houve militantes comunistas a participar activamente no movimento e que muitos filiados na CGT defenderam o prosseguimento da greve e pronunciaram-se a favor dos estudantes, mas não foi esta a atitude dos dirigentes nacionais de ambas as organizações. A oposição dos dirigentes comunistas franceses ao Maio de 68 condenou-os perante a esquerda anticapitalista, sem que a direita ordeira lhes agradecesse o serviço prestado.

O FAPAS vai comemorar o dia internacional da Biodiversidade (21 de Maio) em Santa Maria da Feira


O FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens), no próximo dia 21 de Maio, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e com a colaboração do Museu de História Natural da Universidade do Porto e da Aspea vai desenvolver uma série de actividades para comemorar com a comunidade educativa, o Dia Internacional da Biodiversidade.

O programa consta de acções de sensibilização e de ateliers vários e poderá ser consultado na página do FAPAS (
www.fapas.pt )

Ainda há lugar para mais algumas inscrições.

Escolas interessadas devem contactar o FAPAS.


FAPAS

Rua Alexandre Herculano, 371, 4ºDtº

4000-055 Porto

Tel: 22 2002472; FAX: 22 2087455

Email:
fapas@claranet.pt ;







22 de Maio, Dia da Biodiversidade


Para o Fapas, todos os dias são dias da Terra e da Biodiversidade. Todos os dias há que fazer opções, tomar atitudes, definir comportamentos ambientalmente compatíveis com a sustentabilidade da vida na Terra.
Ao contrário, quem devia velar pelo Ambiente no nosso pais não consegue seguir as recomendações do Protocolo de Quioto, não cumpre as directivas sobre a conservação da natureza, promovendo grandes obras em áreas protegidas, não cumpre as directrizes da iniciativa countdown2010, para parar a perda de diversidade, ao mesmo tempo que anuncia pomposamente que está a cumprir!
De qualquer modo, devemos comemorar o dia de forma positiva.



O fapas, este ano, organiza actividades para as escolas, com a colaboração da Câmara, ICNB, Museu de História Natural da Universidade do Porto e ASPEA.


O Programa é:

21 de Maio 2008 / Santa Maria da Feira/ Quinta do Castelo (Casa do Moinho)


(9h-18.30h) ACTIVIDADES LUDICO-PEDAGÓGICAS PARA CRIANÇAS
(O programa comporta 6 estações)


Estação 1. Biodiversidade, para quê?
Estação 2. Vamos ajudar a fauna, construindo caixas-ninho
Estação 3. Descodificar a Natureza (sons e pegadas)
Estação 4. Constrói animais (TÉCNICA DE ORIGAMI)
Estação 5. Vamos ser mochos, corujas, morcegos, cobras……….
Estação 6. Jogo da glória

II Congresso da Fauna Selvagem (23 a 25 de Maio em Mogadouo)



Organização: WAVES (Sociedade Euromediterrânea de Vigilância de Fauna Selvagem)

Data: 23 a 25 de Maio de 2008

Local: Casa da Cultura (Mogadouro)

O alojamento é gratuito para os primeiros 60 participantes estudantes!

Mais informações:
WAVES Portugal
Telefones: 91 9609273, 96 7845074, 259 350628
E-mail:
waves.portugal@gmail.com








II CONGRESSO DA FAUNA SELVAGEM
MOGADOURO Casa da Cultura
23 a 25 de Maio de 2008



Dia 22 de Maio, Quintafeira


18H00 Recepção dos participantes
Colocação de Posters


Dia 23 de Maio, Sextafeira


9H00 Distribuição de documentação aos participantes


9H30 Abertura Oficial do Congresso



Modulo I: Planeta e cidadania
10H00 Aquecimento global: Mito ou realidade?
Eng. Rui Moura
2º Orador ( orador a confirmar)


12H30 Almoço livre


Modulo II: Uso Sustentável dos Recursos Biológicos


14H30 Ganaderia y fauna selvage
Vicente González Eguren Univ. León


15H00 Modelação do habitat para a recuperação de cervídeos no sítio Freita Arada.
Estefânia Lopes


15H15 Efeitos da aquacultura de água doce na fauna selvagem.
José da Costa


15H30 Conservação de recursos piscícolas em rios do norte de Portugal: Quais os impactos dos
repovoamentos de truta nas populações selvagens.
Amílcar Teixeira


15H45 Debate


16H00 Pausa para café


16H30 Presas para grandes mamíferos
Jesus Palácios Alberti Junta de Castilla y Leon


17H00 Diferenciação do sexo em aves como ferramenta de gestão dos recursos genéticos.
Estela Bastos


17H15 Implementação de modelos de gestão do habitat para o fomento do coelhobravo
(Oryctolagus cuniculus).
Aurora Monzón


17H30 Hábitat del jabalí (Sus scrofa) en el Parque Nacional Lanín, Argentina.
Salvador Peris


17H45 Debate


22H00 Noite cósmica, observações astronómicas


Dia 24 de Maio, Sábado


Modulo III: Conservação e Recuperação da Fauna Selvagem


9H30 Reintroduções de populações de cervídeos em Portugal
Carlos Fonseca Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro/CESAM


10H00 Situação populacional do Lobo (Canis lupus) no distrito de Vila Real
Ana Guerra


10H15 Inventariação e Caracterização dos Micromamíferos no Parque Natural do Alvão.
Hélia Gonçalves


10H30 Líbelulas de Portugal, de onde vêm para onde vão.
Sónia Ferreira


10H45 Debate


11H00 Pausa para café


11H15 Lince ibérico, conservação e recuperação.
(Orador a confirmar)


11H45 Implementação de medidas compensatórias na região do Sabor exemplo de um processo
de pósavaliação com objectivo de conservação.
Inês do Rosário


12H00 Avifauna rupicola no PN/ZPE DI, situação demográfica e problemática de conservação.
António Monteiro


12H15 Monitorização do impacte do uso ilegal de venenos nas espécies ameaçadas o papel do
Programa Antídoto Portugal
Ricardo M. L. Brandão, Coordenador do Programa Antídoto Portugal


12H30 Debate


12H45 Almoço Livre



Modulo IV: Fauna Selvagem e Saúde Pública
14H30 Necrópsia de animais selvagens
Francisco Garcia Marin Universidade de León


15H00 As ferramentas “ómicas” no estudo da resistência a antibióticos em estirpes de bactérias
potencialmente patogénicas de animais selvagens.
Gilberto Igrejas Universidade de TrásosMontes e Alto Douro


15H15 Presença da brucelose em animais cinegéticos.
Cláudia Almendra CIBIO/ ICETA. Universidade do Porto.


15H30 Estudo epidemitologico da Triquinelose em javalis no Alentejo.
Catarina Valadas Instituto Nacional Saúde Dr. Ricardo Jorge


15H45 Debate


16H00 Pausa para café


16H15 Sistemas de vigilância em fauna selvagem. O enquadramento actual dos serviços oficiais e as perspectivas futuras.
Andreia Cara D’Anjo Direcção Geral de Veterinária


16H45 Micromamíferos: Importância na transmissão da leptospirose.
Maria das Neves Paiva Cardoso Universidade de TrásosMontes e Alto Douro


17H00 Caracterização de estirpes genéticas de Toxoplasma gondii isoladas de javalis e frequência da infecção em animais de abate e gatos selvagens.
Anabela Vilares Instituto Nacional Saúde Dr. Ricardo Jorge


17H15 Epidemiologia da infecção por Mycobacterium bovis no javali (Sus scrofa) em Portugal
Nuno Santos


17H30 Debate


18H00 Leitura das conclusões e encerramento do Congresso



18H30 Assembleia geral da WAVES Portugal


20H00 Jantar do Congresso


Dia 25 de Maio, Domingo


9H30 Visita á Estação Biológica Internacional de Cozcorrita e Cruzeiro Ambiental de Barco no Rio Douro (Miranda do Douro)

Curso Transfronteiriço de Etnobotânica (22 a 25 de Maio de 2008 em Vimioso, Miranda do Douro, Fornillos de Fermoselle, Mogadouro)


Programa


5ª Feira – 22/05/2008

16h00 – Recepção dos participantes (local: Casa de Turismo Rural de Vale de Algoso)
Ver informações sobre "como chegar" a Vale de Algoso aqui

16h30 – Boas vindas e apresentação do Programa
17h00 – Etnobotânica – história, objectivos e principais metodologias. Importância da conservação da biodiversidade vegetal.
18h00 – Breve síntese sobre a etnobotânica portuguesa e europeia
18:30 – Prova de Chás.
20:00 – Jantar Etnobotânico.
21:30 – Prova de licores.
Tertúlia com projecção de filme


6ª Feira – 23/05/2008

09h30 – Partida para Fornillos de Fermoselle.
10h00 – Etnobotânica de Sayago.
11h30 – Oficina de Flautas e Vassouros.
13h00 – Pausa para Almoço.
14h30 – Saída de Campo em Fariza
16h30 – Identificação, preparação e acondicionamento do material vegetal recolhido (Local: Museu Etnográfico de Miranda do Douro)
18h00 – Encerramento dos trabalhos


Sábado – 24/05/2008

09h30 – Saída de Campo
13h00 – Almoço Campestre (Local: Santuário de S. João das Arribas)
15h00 – Identificação, preparação e acondicionamento do material vegetal recolhido.
16h00 – Análise, organização e tratamento dos resultados obtidos.
16h30 – Etnobotânica de Trás-os-Montes
17h30 – O linho: do cultivo à farmacopeia tradicional. Síntese de usos em Trás-os-Montes.
18h00 – Encerramento dos trabalhos.


Domingo – 25/05/2008

09h30 – Saída para Soutelo – O ciclo do linho
12h00 – Avaliação do Curso.
12h30 – Encerramento do Curso.


Apresentação


A estreita ligação que existe entre o homem e as plantas é antiga, e nos últimos anos tem-se assistido ao renascer do entusiasmo por um recurso natural que desde sempre acompanhou o homem nas suas manifestações culturais e religiosas, na sua alimentação, na procura de alívio para doenças, na construção de abrigos, etc.
Foi muitas vezes da tentativa de dar resposta à necessidade que surgiu o saber fazer aliado aos recursos vegetais. A Etnobotânica pode ser entendida como a ciência que estuda as inter-relações entre o homem e as plantas, e o modo como as populações dão uso aos recursos vegetais. Resulta de uma grande multidisciplinaridade, mas assenta fundamentalmente nas ciências sociais e na botânica, na tentativa de descrever a relação que une o homem com o ecossistema vegetal. As potencialidades e aplicações de várias espécies passam por domínios medicinais, aromáticos, condimentares, alimentares, e o contributo dos conhecimentos etnobotânicos é de grande utilidade para o conhecimento científico moderno, contribuindo também para o desenvolvimento local através da valorização dos recursos endógenos e da conservação da natureza e da biodiversidade.
Com este curso pretende-se dar uma panorâmica daquilo que é a investigação e pesquisa etnobotânica em Portugal e em Espanha, expressão das várias dimensões que compreende esta área do conhecimento.

Links de interesse:


Plants for a future: http://www.pfaf.org/

Le réseau de la botanique francophone:
http://www.tela-botanica.org/

Actualitées botaniques:
http://www.tela-botanica.org/actu/rubrique20.html

Wild Collection of Medicinal and Aromatic Plants:
http://www.wwf.de/fileadmin/fm-wwf/pdf_neu/Standard_Version1_0.pdf

Grupo de Trabalho em Etnobotânica Portuguesa:
http://www.etnobotanica.uevora.pt/

Journal of Ethnobiology and ethnomedicine:
http://www.ethnobiomed.com/home/

Ethnobotany Research and Applications:
http://www.ethnobotanyjournal.org/

Sistema de información sobre las plantas de España (Flora iberica):
http://www.anthos.es/

Lições de Botânica on-line:
http://www.unex.es/botanica/

Spice pages:
http://www.uni-graz.at/~katzer/engl/index.html

Fruit crops:
http://www.uga.edu/fruit/#Crops

Flora iberica:
http://www.rjb.csic.es/floraiberica/

Angiosperm Phylogeny Website:
http://www.mobot.org/MOBOT/research/Apweb/


USDA Plant database:
http://plants.usda.gov/

New Crop Resource Online Program:
http://www.hort.purdue.edu/newcrop/

Ethnobotanical leaflets:
http://www.siu.edu/~ebl/

Museu Etnobotânico de Beja
http://www.esab.ipbeja.pt/museu/


Inscrição e preço:
www.aldeia.org/portal/PT/5/EID/92/DETID/3/default.aspx

Futebol de rua versus a Indústria do Futebol



A propósito da edição do livro « Futebol De Rua: Um Beco Com Saída. Jogo Espontâneo E Prática Deliberada» de Helder Fonseca & Júlio Garganta

A actividade lúdica e espontânea do futebol de rua está a morrer. As crianças e os jovens estão a ser agora adestrados em recintos fechados, em escolas de futebol, tornaram-se bonecos amestrados de circo. O futebol tornou-se numa indústria pesada, num espectáculo alienante, monocórdico e embrutecedor, protagonizado por «jogadores-robot» telecomandados à distância…

Estão a esgotar-se os tempos em que crianças e jovens, através do denominado Futebol de rua, iniciavam de forma espontânea e sem qualquer supervisão dos adultos, a prática do Futebol. Por isso, o desaparecimento do Futebol de rua tem sido referido como uma das razões que actualmente a explicar a menor qualidade individual dos jogadores e a falta de criatividade no jogo de Futebol.

Com o desaparecimento do futebol de rua, berço da maioria dos grandes futebolistas do passado, a criança, em vez de descobrir o jogo num ambiente favorável como a rua, foi despojada do jardim de infância e submetida, em instalações desportivas, a métodos que não respeitam os seus desejos e expectativas, nem se ajustam à sua capacidade física e mental...

O Futebol de rua é uma actividade que se consubstancia em condições deveras importantes para o desenvolvimento das habilidades para jogar e para a potenciação da aprendizagem, a saber: o envolvimento prematuro com a bola e o(s) jogo(s); a elevada quantidade de horas dessa prática (jogo) acumulada; o prazer e a paixão que a criança mantém pelo jogo; a presença constante da auto e da heterocompetição; a possibilidade da criança explorar, criar e construir o jogo, sob condições de elevada variabilidade e instabilidade.

18.5.08

Encontro/reunião dos Precári@s Inflexíveis no café do cinema São Jorge no dia 21 às 21h30

O PI, enquanto grupo informal e conjunto de pessoas que querem ser mais, e com mais força, vai juntar-se no café do Cinema São Jorge às 21h30 da próxima 4a feira, dia 21 de Maio, para pensar e planear as próximas acções de intervenção, rebeldia e luta contra a precariedade que nos querem impor e contra ela vencer. Ainda há cadeiras livres...

Porque a precariedade não acabou no Mayday, nós não paramos, e estamos a preparar novas acções, intervenções, divulgações, ideias mais e menos subversivas de contra-ataque ao ataque "original".

Estamos em fase de "negociação" de alteração ao Código do Trabalho e de toda a informação e contra-informação baseada na propaganda e mentira. A concertação social é só para alguns, e o milhão de trabalhadores precários e os outros que espreitam "a oportunidade" de em tal se tornar não estão verdadeiramente representados nestes fóruns.

Iremos fazer ouvir a nossa voz, enunciar as questões que alguns não querem mesmo responder - e outros não saberiam - e vamos criar novas oportunidades, as nossas, que criamos com as nossas vozes, ideias e capacidades.

O precariado já não é o que era...

http://precariosinflexiveis.blogspot.com/

Júlio Pereira apresenta hoje à noite o seu último cd, «Geografias», na Casa da Música

Domingo 18 Maio 2008
22:00, Sala Suggia, Casa da Música ( Porto)

O novo CD de Júlio Pereira - Geografias - assinala o esperado regresso aos palcos do multi-instrumentista e compositor.

Ficaram célebres os seus discos Cavaquinho (1981), Braguesa (1982) e O meu bandolim (1992), onde revelava a identidade quase perdida de instrumentos com um enorme potencial expressivo e intimamente ligados às tradições musicais portuguesas.

No concerto de hoje à noite, com o acompanhamento de Miguel Veras (viola) e Sofia Vitória (voz e teclados), volta a trazer para a ribalta os instrumentos tradicionais de cordas e leva-os a percorrer latitudes menos comuns à música portuguesa.


http://www.myspace.com/juliopereira



Video-Clip CD-GEOGRAFIAS – 2007



Júlio Pereira Live Festival "Maré de Agosto" Azores





Júlio Pereira é um músico, compositor e musicólogo português, cujas músicas se caracterizam pela utilização de instrumentos tradicionais portugueses, como o cavaquinho, o bandolim e a viola braguesa. Apesar de ter iniciado a sua carreira como músico rock, cedo começou a trabalhar na música tradicional portuguesa.

Destaque-se a sua participação com outros músicos como os The Chieftains, Carlos do Carmo, Zeca Afonso ou Pedro Burmester. Colaborou também com Fausto Bordalo Dias no álbum Por Este Rio Acima de 1982, um dos álbuns mais importantes da música popular portuguesa, tocando cavaquinho e viola braguesa. Na sua carreira a solo editou alguns albums memoráveis como Cavaquinho em 1981, Braguesa em 1982 e O Meu Bandolim em 1992.


Discografia
• 1971 - Marasmo [EP] Petrus Castrus
• 1972 - Tudo Isto, Tudo Mais [EP] Petrus Castrus
• 1973 - Acid Nightmare / Wish Me Luck [Single] Xarhanga
• 1973 - Great Goat / Smashing Life (in a City) [Single] Xarhanga
• 1973 - Mestre Petrus Castrus
• 1975 - Bota-Fora (c/ Carlos Cavalheiro)
• 1976 - Fernandinho Vai ó Vinho
• 1978 - Lisboémia
• 1979 - Mãos de Fada
• 1981 - Cavaquinho
• 1983 - Braguesa
• 1984 - Cadói
• 1986 - Os Sete Instrumentos
• 1988 - Miradouro
• 1990 - Janelas Verdes
• 1990 - O Melhor de Júlio Pereira
• 1992 - O Meu Bandolim
• 1994 - Acústico
• 1995 - Lau Eskutara
• 2001 - Rituais
• 2003 - Faz-de-Conta
• 2007 - Geografias


Fonte: Wikipedia

Morreu Zélia Gattai, autora do livro «Anarquistas, graças a deus»


A escritora Zélia Gattai, autora do livro «Anarquistas Graças a Deus», e viúva de Jorge Amado, morreu ontem aos 91 anos. Nasceu no seio de uma família de imigrantes italianos anarquistas no Brasil do início do século XX e participou activamente na sua juventude no movimento político-operário anarquista.

Anarquistas, graças a Deus descreve o quotidiano da uma família de imigrantes italianos anarquistas no Brasil no início do século XX. É uma história familiar mas que está eivada de preocupações com questões ideológicas e valores humanistas, em particular o apoio mútuo, a amizade e o companheirismo entre todos os seres humanos na sua luta diária pela subsistência e as contrariedades da vida social.




Zélia Gattai (São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008) foi uma escritora e fotógrafa brasileira, tendo também sido um expoente da militância política durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste.

Filha dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, nasceu e morou durante toda a infância na Alameda Santos, 8, no bairro Paraíso, em São Paulo.
Zélia participava, com a família, do movimento político-operário anarquista que tinha lugar entre os imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, no início do século XX.
Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga. Deste casamento, que durou oito anos, teve um filho, Luís Carlos, nascido em São Paulo, em 1942.
Leitora entusiasta de Jorge Amado, Zélia Gattai conheceu-o em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela amnistia dos presos políticos. A união do casal deu-se poucos meses depois. A partir de então, Zélia Gattai trabalhou ao lado do marido, passando a limpo, à máquina, os seus originais e o auxiliando no processo de revisão.
Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família teve que se exilar.
Viveram em Paris por três anos, período em que Zélia Gattai fez os cursos de civilização francesa, fonética e língua francesa na Sorbone. De 1950 a 1952, a família viveu na Checoslováquia, onde nasceu a filha Paloma. Foi neste tempo de exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano.
Em 1963, mudou-se com a família para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem incompleta.
Aos 63 anos de idade, começou a escrever as suas memórias. O livro de estreia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. A sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.
Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para mini-série pela Rede Globo. Censurada em 1983 acabou por ser transmitida só em 1985. Foi escrita por Walter George Durst, que adaptando o romance autobiográfico de Zélia Gattai, e dirigida por Walter Avancini.

Fonte: parte do texto foi retirado da Wikipedia



Obras:
• Anarquistas Graças a Deus, 1979 (memórias)
• Um Chapéu Para Viagem, 1982 (memórias)
• Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983
• Senhora Dona do Baile, 1984 (memórias)
• Reportagem Incompleta, 1987 (memórias)
• Jardim de Inverno, 1988 (memórias)
• Pipistrelo das Mil Cores, 1989 (literatura infantil)
• O Segredo da Rua 18, 1991 (literatura infantil)
• Chão de Meninos, 1992 (memórias)
• Crônica de Uma Namorada, 1995 (romance)
• A Casa do Rio Vermelho, 1999 (memórias)
• Cittá di Roma, 2000 (memórias)
• Jonas e a Sereia, 2000 (literatura infantil)
• Códigos de Família, 2001
• Um Baiano Romântico e Sensual, 2002



Abertura da mini~série Anarquistas Graças a Deus




Ler o livro









Discografia da mini-série Anarquistas, Graças à Deus

• 01 - Mattinata - Mario Del Monaco
• 02 - Comme Facette Mammeta - Sergio Franchi
• 03 - Core'ngrato - Mario Lanza
• 04 - Torna A Surriento - Beniamino Gigli
• 05 - Una Furtiva Lagrima - Placido Domingo
• 06 - Santa Lucia - Tito Schipa
• 07 - Quel Mazzolin Di Fiori - Luciano Tajoli
• 08 - Musica Probita - Beniamino Gigli
• 09 - Un Amore Cosi' Grande - Mario Del Monaco
• 10 - Tarantella - Mangini Coletti
• 11 - O Sole Mio - Tito Schipa
• 12 - Serenata - Armando Sorbara
• 13 - E Lucevan La Stelle - Placido Domingo
• 14 - Nabucco: Va Pensiero... - Robert Shaw Choracle & Orchestra



Actores que participam na mini-série:

Ney Latorraca - Ernesto Gattai
Débora Duarte - Angelina Gattai
Daniele Rodrigues - Zélia Gattai
Marcos Frota - Remo
Lilian Vizzachero - Vanda
Cristiane Rando - Vera
Afonso Nigro - Mário (Tito)
Gianni Ratto - Nonno
Zenaide Pereira - Maria Negra
Bárbara Fazio - Ada





Letra de Comme Facette Mammeta - Sergio Franchi
Parte I


Quanno màmmeta t'ha fatta,
quanno màmmeta t'ha fatta...
Vuò' sapè comme facette?
vuò' sapè comme facette?...
Pè 'mpastà sti ccarne belle,
pè 'mpastà sti ccarne belle...
Tutto chello ca mettette?
tutto chello ca mettette?...
Ciento rose 'ncappucciate,
dint''a màrtula mmescate...
Latte, rose, rose e latte,
te facette 'ncopp''o fatto!...
Nun c'è bisogno 'a zingara
p'andivinà, Cuncè'...
Comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te!...
Parte II
E pè fà 'sta vocca bella,
e pè fà 'sta vocca bella...
Nun servette 'a stessa dose,
nun servette 'a stessa dose...
Vuò' sapè che nce mettette?
Vuò' sapè che nce mettette?…
mo te dico tuttecosa...
mo te dico tuttecosa:
nu panaro chino, chino,
tutt''e fravule 'e ciardino...
Mèle, zuccaro e cannella:
te 'mpastaje 'sta vocca bella...
Nun c'è bisogno 'a zingara
p'andivinà, Cuncè'...
Comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te...
Parte III
E pè fà sti ttrezze d'oro,
e pè fà sti ttrezze d'oro...
Mamma toja s'appezzentette,
mamma toja s'appezzentette...
Bella mia, tu qua' muneta!?
bella mia, tu qua' muneta!?
Vuò' sapè che nce servette?
vuò' sapè che nce servette?...
Na miniera sana sana,
tutta fatta a filagrana,
nce vulette pè sti ttrezze,
che, a vasà, nun ce sta prezzo!
Nun c'è bisogno 'a zingara,
p'andivinà, Cuncè'...
comme t'ha fatto màmmeta,
'o ssaccio meglio 'e te...

17.5.08

1968-2008 A beleza continua na rua



Algumas mulheres do anos 60 e do Maio de 68



Caroline de Bendern, a imagem feminina das ruas de Paris no Maio de 68



Valérie Lagrange, compositora,autora e intérprete,
participante do movimento hippie e da organização «Cantores sem fronteiras»

São dela, as seguintes palavras:
«O lucro. esse monstro insensível e cruel, está a tornar-se o valor supremo do nosso mundo. Isso está a fazer retornar a nossa dignidade à época da barbárie. É por isso que há cada vez mais miséria, injustiça e ódio pelo mundo fora.»





Zouzou, actriz, cantora, com um percurso marginal




Juliet Berto, actriz de alguns dos filmes marcantes da época, descoberta por Jean-Luc Godard






Nico, cantora e actriz, um dos ícones dos anos 60



Margeurite Duras , escritora



Monique Wittig, escritora lésbica, intelectual, co-fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres (MLF)



Bulle Ogier, actriz anti-star e resistente ao show-bizz




Antoinette Fouque, uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres (MLF)

Noite cigana ( com música dos Balcãs) hoje à noite no Porto ( na Chã das Eiras)



Uma noite de homenagem ao universo cigano.
As danças, o circo e as músicas ciganas em todas as suas vertentes e influências.
Viagens sonoras que passam pela Sérvia, Macedónia, Bósnia, Bulgária, Roménia, Hungria, França, Espanha e Portugal…
Uma noite para usufruir o espírito nómada e rebelde de uma cultura muitas vezes incompreendida pelas sociedades modernas.


Danças ciganas


Circo
Gato Sapato
Pedro Correia, Jorge Freitas (malabarismo, acrobacia, clown) Ferrer Leandro (guitarrra)


Música >
djzuki (balkankitch)


Eira - Espaço Comunitário de Maturação, Secagem e Desfolhagem de Ideias
Rua chã das eiras, 127 – (junto à sé)
Porto

A Economia é uma ciência que foi elaborada pelos ricos, e para os ricos!

Desde os tempos imediatamente posteriores a Adam Smith, quando a Economia começou a ser ensinada nas universidades anglo-saxónicas e francesas, que se pode afirmar que a economia começa a configurar-se como uma ciência elaborada «pelos ricos e para os ricos»

Com uma ou outra excepção, pode-se na verdade dizer que a elaboração da maior parte das teorias económicas nasceram nas universidades das elites – frequentadas pelos círculos sociais mais ricos dos países ricos – pelo que são projecções sobre as condições de vida desses mesmos meios abastados.De tal modo isto se consolidou, que na época actual, a maior parte dos textos da economia ortodoxa fazem apenas uma ligeira alusão à problemática dos mais desfavorecidos, e quando o fazem, equacionam-na como uma variável exógena ao modelo económico vigente, e ainda por cima, com uma certa dose de «compaixão», mas jamais como um facto merecedor de ser considerado como objecto de estudo por parte da Ciência Económica. Ou seja, é como se as Faculdades de Medicina não tivessem os doentes como objecto central da sua actividade de investigação.

Não é, pois, de espantar que a imprensa económica especializada, ou as secções de economia nos jornais diários ou dos canais de televisão, só ofereçam notícias sobre a Bolsa, as taxas de juros ou as fusões de empresas, muito embora tais notícias só interessem a uma minoria muito restrita da população.

Logicamente que esta projecção da Economia ortodoxa sobre os meios privilegiados não é explicada nos manuais de Economia, nem muito menos é tratada nas aulas das faculdades de economia, pelo que provavelmente nenhum estudante de Economia tenha tido alguma vez ocasião para reflectir e analisar esta autêntica distorção científica relativamente ao verdadeiro objecto de estudo da Ciência Económica.

Na sua principal obra, o grande economista Alfred Marshall considerava que o objectivo essencial da Ciência Económica era incrementar o bem-estar material da humanidade e dizia-o em 1890 com as seguintes palavras: «a Economia é o estudo dos assuntos ordinários da vida na humanidade, e analisa a parte da acção individual e colectiva que se encontra mais empenhada em conseguir alcançar os requisitos materiais do bem-estar»Não obstante a alusão à humanidade, a verdade é que as contribuições teóricas de Marshall, catedrático de Cambridge, não tomavam em consideração aquela parte da mesma humanidade que vivia na miséria material mais extrema, atitude esta a que não era estranho o facto de que a realidade económica observada por Marshall, e pelos economistas anteriores a ele, se limitar à Inglaterra, bem como à sua área de influência económica e política.

Anteriormente a Marshall, o pensamento económico dominante, encarnado pelo utilitarismo de Bentham e J. Stuart Mill, já tinha adoptado o mercado como um pilar fundamental do edifício teórico da Economia, pelo que as desigualdades sociais passaram a ser uma norma geral que a Ciência Económica se habituou a não combater.Um tal fenómeno era observado por intelectuais da época, que nada tinham a ver com o economicismo emergente, como foi o caso de Víctor Hugo, que em 1862, nos «Miseráveis», escrevia o seguinte: « Inglaterra produz admiravelmente riqueza, mas distribui-a mal; e isto leva fatalmente a estes dois extremos: opulência monstruosa e miséria monstruosa; todo o gozo para alguns e todas as privações para os demais, ou seja, para o povo.»Regressando ao nosso tempo, refira-se um artigo de Paul Krugman, publicado nos finais do ano de 2002, onde é feita uma análise das desigualdades de rendimento nos Estados Unidos, e que se estão a acentuar por todos os países ocidentais, desde a década de 70 do século XX. Para Krugman estamos a regressar à «realeza do antigo regime». Isto é, a uma plutocracia em que as crescentes fortunas de uns poucos compram vontades, financiam campanhas eleitorais e acabam por impor os seus interesses particulares nas políticas e nas decisões governamentais quer de natureza económica quer mesmo no campo político.

Acontece que, aquilo a que se refere Krugman no que toca às crescentes desigualdades, não se explica apenas pelos interesses da cada vez mais poderosa plutocracia norte-americana, mas encontra as suas raízes na forma como a Ciência Económica foi e continua a ser elaborada, principalmente nas universidades anglo-saxónicas de «prestígio», e que esquece em grande medida as camadas sociais mais carenciadas. Em suma: século e meio depois de ter sido inventada, a Economia continua a ser elaborada «pelos ricos e para os ricos»

Tradução livre do texto de Joaquín Guzmán Cuevas, professor catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Sevilha, e autor de várias obras sobre Finanças

O texto original encontra-se no blogue do seu autor:
aqui

Em defesa do património imaterial: festival internacional dos cantos improvisados em Alcácer do Sal neste fim de semana


O Canto de Improviso está em destaque neste fim-de-semana em Alcácer do Sal, com um festival internacional do verso de improviso e um colóquio sobre o mesmo tema.


Do programa do Festival Internacional dos Cantos Improvisados pode-se ler:

A Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Munícipio de Alcácer do sal, preocupados com o estado actual da décima e do verso improvisado no Sul de Portugal, em particular do “Canto do Ladrão do Sado”, e no âmbito do Programa para a Salvaguarda do Património Intangível do Alentejo (PI), assumiram em conjunto a intenção de proceder à salvaguarda destas práticas poético-musicais.


Esta intenção visa não só contribuir para um melhor conhecimento destas espressões, como também desenvolver um conjunto de acções práticas que possibilitem a sua salvaguarda e promoção aos níveis local, regional, nacional e internacional. Criar uma sustentabilidade social, económica daqueles que detêm as aptidões culturais consideradas fundamentais a este programa de salvaguarda, potenciando a sua transmissão é imperativo.

Estes objectivos só poderão ser alcançados num amplo e profundo diálogo no qual os improvisadores, poetas, músicos, investigadores e outros agentes participem, procurando encontrar soluções para a continuidade destas práticas poéticas fundamentais para a permanência da diversidade cultural do Alentejo.

A diversidade e o dálogo intercultural que a décima e o verso improvisado permitem entre pessoas de diferentes regiões, diferentes países e diferentes continentes, são um exemplo profundo do diálogo de Paz que o Património Intangível da cultura dos povos pode ajudar a construir, e que a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada pela UNESCO em 2003, e já ratificada pela Assembleia da República Portuguesa, assume e reconhece.

Com o colóquio “cantos de despique”- expressão portuguesa para o verso e o canto de improviso - pretende-se abir um espaço de reflexão sobre o que é o Património Intangível e o verso improvisado, bem como discutir metodologias de inventário e estratégias de salvaguarda, dando particular atenção a um conjunto de experiências desenvolvidas no Mediterrâneo e em Portugal.

(in programa)


As noites de sexta-feira, dia 16, e sábado, dia 17 de Maio vão receber improvisadores de Itália, Espanha e Portugal que vão actuar no palco do auditório municipal da cidade, às 21h30. A iniciativa, chamada “Rede Artes da Fala” recebe o Trovo de Múrcia, de Espanha, a Oitava Rima, de Itália, Bonecos de São Bento do Cortiço, de Estremoz, Rap, de Portugal, o Cante do Baldão e Despique, de Portugal e o Ladrão do Sado, de Alcácer do Sal.

16.5.08

Dia internacional das histórias de vida (16 de Maio): um dia para celebrar a importância de compartilhar histórias de vida!


http://www.museu-da-pessoa.net/
(em Portugal)

http://www.museudapessoa.net/


Em nome da Rede Internacional de Museus da Pessoa (Brasil, Portugal, EUA e Canadá) e do Center for Digital Storytelling (EUA) foi lançado um apelo para se apoiar o Dia Internacional de Histórias de Vida, que acontece hoje, dia 16 de Maio de 2008. O dia será uma oportunidade para que pessoas de todo o mundo se encontrem em locais públicos, praças, salas de aula, teatros ou até mesmo em ambientes virtuais para compartilhar as suas histórias de vida uns com os outros.


Trata-se de um movimento internacional de pessoas e organizações que acreditam que ouvir, coleccionar e compartilhar histórias de vida, são parte de um processo crítico para a democratização da cultura e promoção da transformação social. Queremos que este dia seja especialmente dedicado à celebração e à promoção de projectos voltados à preservação das memórias e histórias de vida, que tenham provocado mudanças em bairros, comunidades e na sociedade como um todo.


Encorajamos a participação no Dia Internacional de Histórias de Vida de diversas formas, por meio da promoção ou presença em eventos, a criação de Círculos de histórias em locais públicos, escolas, casas, centros comunitários, ambientes virtuais etc.;


• Espaços abertos para performances diversas para se contarem histórias;


• Exposições de histórias de vida em locais públicos utilizando os mais diversos formatos (fotografias, textos, vídeos, áudios, etc.);


• Eventos homenageando contadores de histórias locais, mestres da cultura popular, griôs, além de organizações e projetos de memória e histórias de vida;• Promoção de eventos diversos abertos ao público que tenham como base o compartilhamento de histórias de vida;


• Reuniões virtuais simultâneas para promoção de trocas de histórias de vida;


• Difusão de histórias de vida e de documentários sobre histórias orais e temas relacionados nos mais diversos meios de comunicação: jornais, revistas, rádios, televisão etc.;


. Se você quiser apoiar esta idéia, por favor, escreva para internacional@museudapessoa.net.

O Museu da Pessoa é uma rede internacional de museus virtuais de histórias de vida, localizados no Brasil, Canadá, Portugal e EUA


A sua missão é contribuir para que a história de vida de cada pessoa seja valorizada pela sociedade.Center for Digital Storytelling


O Center for Digital Storytelling é uma organização sem fins lucrativos, que trabalha auxiliando pessoas a contarem histórias significativas de suas vidas usando medias digitais. Com sede em Berkeley, na Califórnia, desenvolve projectos e realiza pesquisas em comunidades, escolas e empresas, utilizando a metodologia e os princípios do Workshop de Histórias Digitais – Digital Storytelling.


Para conhecer as organizações e pessoas que já apoiam o Dia Internacional de Histórias de Vida, clique aqui em Endorsements. Se você tem dúvidas, comentários ou quer declarar seu apoio ao Dia Internacional de Histórias de Vida, preencha o formulário em Contact ou escreva diretamente para internacional@museudapessoa.net.




Video Promocional do Dia Internacional de Histórias de Vida

O espírito libertário de Maio de 68




Artigo de Tito Cardoso e Cunha*

Publicado na edição de 7 de Maio de 2008 do JL, Jornal das Letras, Artes e Ideias, que contém um dossier sobre os acontecimentos de Maio de 1968

http://www.bloguedeletras.blogspot.com/



Um novo espírito libertário


por Tito Cardoso e Cunha

Maio 68 foi certamente um acontecimento relevante, antes do mais para os franceses, mas foi também e sobretudo um sintoma de toda uma época e do ar do tempo que então se respirava. A francofonia era nesse tempo, particularmente entre nós, uma área cultural de grande influência e que delimitava os interesses e a atenção de sectores sociais com grande visibilidade politica e cultural.


Passados 40 anos, a francofonia não ocupa mais esse lugar, o que torna possível, hoje, reavaliar e recentrar a relevância daquilo de que Maio 68 foi sintoma. E foi sintoma sobretudo do estado de espírito de uma geração, nascida imediatamente depois da guerra e que se confrontava com uma cultura tradicionalmente patriarcal e autoritária. Nuns casos mais do que noutros. Mais entre nós, que vivíamos em ditadura, esquecido que tinha sido, pelos aliados, o ímpeto libertador anti-fascista no fim das hostilidades, em nome da nova guerra fria.

Maio 68 foi o sintoma sobretudo de um novo espírito libertário e anti autoritário que se exprimira também filosoficamente num existencialismo como o sartriano para o qual Maio representou, a nosso ver, o apogeu e simultaneamente o canto do cisne.

Com a sua filosofia libertária, decifrando a existência como um constante exercício da escolha livre do indivíduo, único responsável de si mesmo, Sartre tinha fornecido o background ideológico que iria lançar toda uma geração ao assalto das autoridades e dos seus dispositivos de obediência. Tudo o que vem a seguir, pelo menos em França, Foucault, Barthes, Levy-Strauss, Althusser, etc., já pertence a um outro mundo então nascente.

Hoje, à distância de 40 anos, torna-se no entanto claro que o sintoma Maio 68 foi apenas um elo numa cadeia mais vasta do que aquilo que o etnocentrismo francês poderia fazer crer. Maio 68 começou muito antes e muito longe dos acontecimentos parisienses. Mesmo entre nós que, não nos esqueçamos, vivíamos sob o então mais feroz e simultaneamente mais serôdio dos autoritarismos europeus, a geração do pós- -guerra já tinha iniciado a sua luta seis anos antes, na chamada crise académica de 1962, com todos os seus prolongamentos até 1968-69, em Coimbra. Aí se atingiram níveis de combatividade raramente até então conhecidos com a ocupação policial da Universidade e a greve aos exames.

A nível global não se pode esquecer o que pouco antes, em 1964, se passava na distante Califórnia, então governada pelo conservador Ronald Regan. Aquele que ficou conhecido como Free Speech Movement, desencadeou na sua Universidade, em Berkeley, uma luta pela liberdade de expressão contra o autoritarismo universitário conservador que deixou marcas e teve repercussões em quase todo o mundo estudantil da época. A guerra do Vietnam, então no auge, viria a ser, também na Europa, o leit motiv de todas as reivindicações anti-autoritárias. Era igualmente na Califórnia, bem perto de Berkeley, na cidade de San Francisco, contemporaneamente a Maio 68, que florescia o movimento hippy, na esteira e no lugar de eleição da sua antecedente beat generation.

Mesmo na Europa, Paris não foi o único centro da batalha. Na Alemanha as universidades também se mobilizavam contra os autoritarismos, nomeadamente em torno do emblemático Rudi Dutschke e fazendo circular entre fronteiras personalidades igualmente emblemáticas, como Sartre ou Cohn-Bendit. Sem esquecer, naturalmente, outros nomes de referência como um Herbert Marcuse, este fazendo a ponte entre a Califórnia e a Alemanha, passando pelo resto da Europa.

Foi da Alemanha que saiu também uma das consequências mais gravosas de todo esse movimento geracional, sob a forma militarizada da Rote Armee Fraktion (RAF). Não único, aliás, porque contemporâneas são ainda as Brigate Rosse italianas, se não mesmo a ETA basca, na sua fase anti-franquista.

Uma referência caberá também aos Weather Underground que nesse terreno privilegiado da Califórnia então representaram uma vontade mais violenta de afrontar o establishment e que ainda hoje alguns dissabores causam, ao que parece, à candidatura do senador Barak Obama.
Outros casos houve na Europa, no mesmo ano de 1968, de que pouco se fala, mas cujas consequências ainda hoje persistem e estão activas. É o caso da Bélgica, onde a crise académica de 68, em torno da Universidade de Lovaina, tomou contornos de início semelhantes a todo o restante movimento geracional mas, com o andar dos tempos, inscreveu-se na main stream politics ao ponto de poder ser hoje vista como um momento chave na história da reivindicação nacional(ista) flamenga.

Nessa época, outros fenómenos mais longínquos não deixavam de ter algum eco no espírito combativo e reivindicativo do(s) movimento(s). Era o caso do que se passava, por exemplo, em África com as lutas anti-coloniais, na América Latina com o guevarismo e até no mais que longínquo Império do Meio com a celebrada Grande Revolução Cultural Proletária, então percebida como uma manifestação de anti-autoritarismo em que a juventude rebelde partia ao assalto do quartel general, na florida linguagem dos «guardas vermelhos», guiados pela estátua impávida do Grande Timoneiro.

Tudo isto de certo modo estava presente e se confundia no Paris de Maio 68, bem como em todos os outros campos da batalha anti-autoritária que então percorria o mundo e muito especialmente, se não mesmo exclusivamente, os campus universitários.

Tudo era também sintoma de uma mutação fundamental no campo político da esquerda saído da II Guerra Mundial, pelo menos no que diz respeito ao espaço europeu. De uma esquerda hegemonizada pelos partidos comunistas no imediato pós-guerra, a baby boom generation iria, nos anos 60, fragmentar esse espaço politico sobretudo sob influência de um certo espírito libertário. No então chamado Bloco de Leste, o acontecimento mais emblemático foi certamente Praga 68, que só veio reforçar ainda mais a referida fragmentação politica à esquerda.

A prevalência da atitude crítica não era apenas no campo politico que se fazia sentir. Também culturalmente as correntes libertárias fortemente se manifestavam. O então chamado Internacional Situacionismo, com Guy Debord como figura carismática, teve uma influência relevante no espírito de Maio e mesmo entre nós também.

Os mais célebres slogans que Paris consagrou, como por exemplo «É proibido proibir!» ou «Sejam realistas, peçam o impossível!», reflectiam de algum modo um estado de espírito que abarcava domínios do quotidiano, não propriamente políticos no sentido estreito do termo, como sejam a famosa «revolução sexual», civilizacionalmente permitida e induzida pela descoberta e generalização dos meios contraceptivos e o surgimento dos feminismos, americanos e europeus, onde a figura de Simone de Beauvoir, muito apoiada no pensamento sartriano, desempenhou um papel de relevo com o seu célebre Deuxième Sexe.

Sendo os campus universitários, na Europa como nos Estados Unidos, um terreno privilegiado para toda essa agitação que percorre os anos 60, a própria instituição universitária se posicionava como alvo central da inquietação estudantil, bem como da sua atitude crítica. A organização interna das academias, estruturada em torno do chamado mandarinato, sofreu um inevitável abanão. Nada, no entanto, que não lhe tenha sido permitido recuperar posteriormente, até por via dos mais jovens lobos que a vieram a integrar.

Aliás, de alguma pertinência é hoje a pergunta inevitável sobre o que dos anos 60 vai restando. Poderá haver quem se lamente do afastamento da juventude relativamente a um certo empenhamento social e politico que então era proverbial. Nada disso poderá ser motivo de espanto. Cada geração só pode recordar e de algum modo integrar o que constitui a sua experiência vivida. E as vivências são sempre diferentes de geração para geração. O que para uns foi profundamente existencial para outros é apenas História e as duas coisas não são o mesmo.

Algumas diferenças existenciais são profundamente marcantes. Os que nos anos 60 eram jovens e frequentavam as universidades (muito antes da explosão demográfica que mais tarde teve lugar, particularmente entre nós) sabiam que nenhuma incerteza de fundo lhes toldava o horizonte. É claro que corriam riscos. No caso português, a prisão fora de qualquer protecção legal séria, as incertezas do exílio ou a guerra colonial que já então se percebia estar condenada ao desastre, eram ameaças muito reais. Mas, de uma maneira geral, o jovem universitário sabia que mais cedo ou mais tarde, com as suas qualificações, a vida lhe asseguraria uma estabilidade reconfortante e muito provavelmente no domínio de actividade da sua eleição.

Bem diferente será a situação actual. Para os jovens de hoje a liberdade é já de tal modo adquirida que nenhuma resistência se lhe opõe. O problema deixou de ser esse, em qualquer das formulações que nos anos 60 ele tinha, político, artístico, sexual ou outro. Em contrapartida, o horizonte é que se fechou. Em liberdade mas sem perspectivas numa vida condenada à precariedade, ao provisório, à instabilidade em contraste com os seus maiores que, porventura sem liberdade, tinham mesmo assim como horizonte a perspectiva securizante de um destino que eles próprios poderiam construir. É isso que hoje falha. A ansiedade, não pela falta de liberdade, mas pela falta de futuro, que era o que antes abundava, terá necessariamente consequências gravosas em termos políticos e até civilizacionais. Quais elas venham a ser, ignoramos. Mas podemos vir a esperar o pior.

Um outro aspecto faz divergir radicalmente a situação actual do que então se experimentava no quotidiano. Em 1968 ainda eram os jornais o principal meio de comunicação social. Os movimentos estudantis exprimiam-se sobretudo através da escrita, se bem que a rádio tivesse tido algum papel no caso parisiense. Mas a rádio era então um meio de comunicação de controle sobretudo governamental e a televisão, se bem que já existisse, não tinha ainda a proeminência que veio a ter. Pode-se imaginar o que teria sido todo esse movimento sob o império do lixo televisivo tal como hoje a conhecemos: um imenso reality show maximamente espectacularizado.

Quando se tenta hoje em dia interrogar o alheamento da juventude, dever-se-ia também ter em mente esse império televisual que quotidianamente manieta os espíritos. Se, como diz Niklas Luhman, «o que sabemos acerca da nossa sociedade , ou mesmo o mundo em que vivemos, sabemo-lo através dos meios de comunicação de massa»1 (mormente da televisão, poder-se-ia acrescentar), compreende-se que a mentalidade reinante seja feita de alheamento e fait divers, porque é esse o enquadramento do real que tais meios nos comunicam. l

*Prof. da Un. de Coimbra, Nova Lisboa e actualmente da Beira Interior. Doutorado em Lovaina com a tese "Estrutura e Existência"

Notas: (1)Niklas Luhman, The Reality of The Mass Media. Stanford University Press, 2000.