Um blogue sobre os movimentos sociais, a ecologia, a contra-cultura, os livros, com uma perspectiva crítica sobre todas as formas de poder (económico, político, etc)
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente à secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus. Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho. ~
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la. É isto o que mais importa - essa alegria. Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão.
Confesso que muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável. Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã».
E. por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.
JORGE DE SENA Lisboa, 25/6/1959
in Metamorfoses
Jorge (Cândido) de Sena (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 — Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português. Licenciado em engenharia civil, dedicou-se à carreira de escritor, atuando como intervencionista político-pedagógico-cultural. Tinha um posicionamento político livre e denunciador, que lhe acarretou perseguições políticas durante a ditadura salazarista. Exilou-se no Brasil em 1959 e, posteriormente, nos Estados Unidos da América em 1965, onde veio a falecer. Foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas. Seu espólio conta com uma enorme quantidade de inéditos em permanente fase de preparação e publicação, aos cuidados de sua viúva, a Sra. D. Mécia de Sena. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina, pelo conjunto da sua obra poética, e foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu, postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago. Em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade da Califórnia em Santa Barbara.
A Fundação Eugénio de Andrade, vai dar agora início ao 2º ciclo de “Encontros com Poetas do Porto”.
No primeiro houve sessões com Manuel António Pina, João Luís Barreto Guimarães, Fernando Guimarães, Jorge de Sousa Braga, Fernando Echevarría, Ana Luísa Amaral e Albano Martins.
“Com este novo ciclo, que não será o último,” adianta o comunicado da Fundação, “mais se evidenciará a verdade do que dissemos: que o Porto “não é de modo nenhum a «terra poeticida» execrada por outro poeta portuense, Guilherme Braga”, e que, na modéstia das suas possibilidades, a Fundação Eugénio de Andrade quer contribuir para que não recaia sobre os nossos poetas - que nasceram ou vivem no grande Porto, mas são poetas nacionais - o desprezo que, com raras excepções, lhes votam os media”.
Eis os poetas do Porto deste segundo ciclo:
Rui Lage (17 de Maio),
Rosa Alice Branco (31 de Maio),
Inês Lourenço (7 de Junho),
António Barbedo (14 de Junho),
Isabel de Sá (21 de Junho),
António Rebordão Navarro (28 de Junho),
Daniel Maia-Pinto Rodrigues (5 de Julho),
José Emílio-Nelson (12 de Julho),
Daniel Jonas (19 de Julho)
Helga Moreira (26 de Julho).
Local da Fundação Eugénio de Andrade: Rua do Passeio Alegre 584 Porto Telef. 226105991
Um homem coloca água corrente num pé de laranjeira. Talvez troque umas palavras com ela. Lentamente dirige-se a uma sombra de nespereira, junto ao alpendre, e senta-se na pedra a ler um livro. Interrompe a leitura e desloca a água daquela laranjeira para outra. Ambas ainda pequenas, duas entre várias que ele regava nessa tarde. Volta à leitura. Todos os gestos tranquilos, num vai e vem sereno. Mas há coisas surpreendentes neste homem. É novo. É licenciado, aliás, é pós-graduado. É competente. Trabalha todos os dias na cidade. Anda sempre de transportes públicos. É absolutamente pontual. Usa a Internet para as comodidades bancárias, pesquisas e contactos. Todos o consideram uma pessoa muito calma. Como se de uma espécie de dom, apenas atribuído a alguns, se tratasse. Mas não é verdade e dizê-lo é importante. Aquela calma implica atenção e cuidado. Implica um empenho, muitas vezes difícil, de desaceleração. Foram certamente pessoas como este homem que criaram o Slow Movement. Este Movimento tem vindo a crescer desde 1986, altura em que foi criado o movimento Slow Food. Este último, surgiu em Itália e fez-se um movimento internacional de valorização da alimentação tradicional, das formas de cultivo, da escolha de produtos autênticos e da defesa das espécies de cada região. Todos os tempos e actos comunitários relacionados com comida são acarinhados. Criou-se numa evidente reacção ao Fast Food.
Esta palavra Slow (Lento) tem-se estendido a muitas áreas da vida urbana. E a essa palavra juntou-se a palavra Ligação. Ligação às pessoas, aos espaços, à cultura e a uma vida com sentido. Sentido que se pode perder quando, até nos momentos de lazer, nos impomos objectivos, prazos, cadências. Para chegar onde? Até à tarefa seguinte? Como evitar o espanto ao ouvir uma criança na praia que diz “Vou brincar aqui que é para não perder tempo.”? Bem diferente da criança de outro continente que, sentada quieta num degrau, ao ser questionada sobre o que ali fazia respondeu “Estou só a ficar.”
O Slow Movement propõe escolher simplicidade. Nunca negando as tecnologias, considera-as aliadas nesta valsa que se quer lenta, defendendo um desenvolvimento sustentado, respeitando as estações. Os ritmos lentos podem imergir em todas as vertentes da nossa vida. Trabalho Lento, uma vez que está provado que um maior número de horas não reflecte necessariamente maior produtividade. Um trabalho com maior atenção, maior concentração e menor competição. Sobretudo com mais gosto. Viagens Lentas, mudar e viver, tornar-se parte do local que se visita, apreciar as esplanadas, conversar com quem ali vive, procurando o entendimento daquilo que são as pessoas, os modos de viver os espaços. Escolher os locais com que mais nos identificamos e passar lá horas. Conhecer a pé, de bicicleta, de comboio. Participar nas actividades locais, contribuir para o seu desenvolvimento (numa nova expressão: Volunturismo). Livros Lentos, para que não seja mais difícil justificar a nós próprios o tempo em que nos sentamos e ler um bom livro. Reencontrar criatividade, inspiração, entusiasmo, novos modos de pensar. Música Lenta, com atenção à letra, às notas, aos sons singulares dos instrumentos. Escolas Lentas, aprendizagem e conhecimento (ainda assim é um pouco diferente de resultados). O tempo de cada um mostrar os seus talentos, os seus argumentos, o seu crescimento.
E numa escala maior que nós e as nossas opções individuais, serão possíveis Cidades Lentas? Em 1999 criou-se uma nova organização chamada Cittaslow, também em Itália. Esta organização, que tem como símbolo um Caracol, tem-se estendido a outros países como Inglaterra, Itália, Alemanha, Polónia, Noruega e Brasil. Em Portugal as cidades de Lagos, São Brás de Alportel, Silves e Tavira aderiram a este compromisso.
Uma Cidade Lenta deverá ter menos de 50.000 residentes e os manifestos das Cidades Lentas (que diferem em pequenas particularidades de país para país) têm entre 50 e 60 critérios concretos, agrupados em seis categorias que as cidades deverão atingir (sendo que, para serem inicialmente aceites, as cidades têm de cumprir já 50% deles). As seis categorias são: Política ambiental; Infra-estruturas; Tecido urbano; Apoio à produção e artigos locais; Hospitalidade e comunidade; Formação e consciência da condição de Cidade Lenta.
A terceira exigência para que se possa ser eleita como Cidade Lenta é a formação de uma plataforma do movimento Slow Food, uma vez que a boa alimentação e a defesa de produtos em risco de extinção regionais (sejam o queijo, o pão tradicional, ou determinadas receitas) não só foi a origem do movimento Cittaslow, como continua a ser um dos seus pilares fundamentais.
Destas cidades querem-se comunidades com identidade própria, identidade esta que seja reconhecida por quem chega e profundamente sentida porque quem dela faz parte. Continua-se aqui o sentido de Ligação, ligação entre os produtos e os consumidores, entre pessoas e meio ambiente protegido, entre residentes e visitantes (que se devem sentir residentes durante a estadia). As Cidades Lentas querem-se ajustadas à escala humana, com os centros históricos preservados e os edifícios novos harmonizados. Devem ser criados lugares de vivência comum da cidade, espaços de lazer e de cultura. A cidade tem de ser para todos e, para isso, as acessibilidades têm de prever a presença de todos por igual. O comércio tradicional, o atendimento personalizado e confiado têm necessariamente de ser encorajados. Devem ter menos trânsito e menos barulho. As possibilidades são infinitas e sempre inacabadas: espaços verdes, cafés, teatros, cinemas, albergarias, mercados com produtos locais, zonas exclusivamente pedonais, festivais de promoção da região, lojas de comércio justo, a promoção dos bairros mais antigos. Sempre presente é a honesta preocupação com as próximas gerações.
O processo de candidatura deve ser liderado pelas autarquias, mas todos os habitantes da cidade são chamados a implicar-se, num diálogo que se quer participado, inteligente, solidário e criativo. Após vencer a candidatura, uma comissão externa à cidade verificará periodicamente a manutenção da designação e o atingir de novos critérios e soluções como Cidade Lenta.
As cidades com mais de 50.000 habitantes, não podendo candidatar-se, não devem inibir-se de adoptar os princípios e objectivos das Cidades Lentas, ganhando assim reconhecimento e, mais importante, a qualidade de vida dos seus cidadãos.
Goolwa na Austrália, Abbiategrasso na Itália, Mungia em Espanha, Levanger na Noruega, Enns na Áustria ou Ludlow em Inglaterra são algumas das Cidades Lentas que pode conhecer. Ludlow foi a primeira Cidade Lenta do Reino Unido, assim reconhecida em 2003. Ludlow é uma cidade no sul da região de Shropshire, perto do País de Gales, com cerca de 10.000 habitantes. Situa-se numa colina junto a uma curva do rio Teme. Entrar nesta cidade é ser recebido como residente, como parte integrante. Se percorrer o centro de Ludlow a pé pode encontrar mais de 500 edifícios referenciados. Nesses edifícios antigos moram pessoas e mora comércio, pode entrar e apreciá-los assim vividos. O centro é dinâmico, encontra padarias com fabrico tradicional, talhos com carnes criadas na região, restaurantes recomendados internacionalmente, lojas de artesanato local, lojas de design, livrarias e bancos. Muitas destas lojas têm-se mantido, por muitas gerações, nas mesmas famílias. O atendimento personalizado e conhecedor dos produtos tem sido preservado. Junto ao castelo podemos encontrar um impressionante mercado de produtos cultivados e criados à volta da cidade. Existe também um centro de artes que promove cinema, teatro, música e conferências. Todas as organizações são convidadas a envolver-se nas decisões que envolvem a cidade.
Em 2004 foi criado um Eco-Parque periférico. Todos os edifícios de negócios ali construídos têm de cumprir soluções ecológicas, nomeadamente quanto à emissão de gazes com efeito de estufa (tem de ser 50% inferior à dos edifícios comuns). Pretende-se aplicar uma arquitectura sustentável. Um grande estacionamento, servido por um autocarro, cria uma alternativa ao carro próprio no acesso à cidade.
Em Ludlow, decorrem todos os anos pelo menos quatro festivais: um de carros antigos; outro de artes com peças de Shakespeare, concertos, debates e animação de rua; um festival de gastronomia e um festival medieval. Todos estes enredos, e muitos outros, se podem descobrir em cidades lentas. Lugares bons para viver e para visitar... lentamente.
A Binaural e a Associação Cultural de Nodar apresentam uma selecção de vídeos realizados entre 2006 e 2008 no Centro de Residências Artísticas de Nodar.
Estes vídeos resultam de projectos artísticos desenvolvidos em articulação com o contexto geográfico e/ou sócio-cultural de Nodar, uma pequena aldeia rural situada no vale do Rio Paiva, entre as serras da Gralheira e do Montemuro (distrito de Viseu, Concelho de S. Pedro do Sul).
Desde Março de 2006 que residiram temporariamente em Nodar mais de 40 artistas contemporâneos, portugueses e estrangeiros, os quais desenvolveram projectos artísticos (nas áreas das artes sonoras, visuais e performance) em ligação com as comunidades locais.
Memória colectiva, lendas e mitos, identidade, género e idade, topografia, toponímia, música, património sonoro, paisagem, vegetação, água e fogo, novas e antigas dinâmicas de consumo, artefactos e utensílios, vida e morte, língua, agricultura e pastorícia, foram alguns das realidades que serviram de base para a concepção e realização dos projectos artísticos.
Concertos, workshops, exposições, palestras e projecções de vídeo realizaram-se em diversas aldeias e cidades da região com interesse e participação crescentes.
Filmes a serem projectados:
Contos do Paiva. De Martin Clarke (Reino Unido) e Alicja Rogalska (Polónia). 2007
Diálogos Tácteis. De Xesús Valle (Galiza, Espanha). 2007
Flowlines. De John Grzinich (EUA/Estónia). 2008
Split Pea Soup. De Suzanne Caines (Canadá). 2007
Nodar Fora do Tempo. De Colectivo Fora do Tempo (León, Espanha). 2006
Rapazes do bairro cultivam hortas para os vizinhos
Arlete Sousa hesitou durante uns minutos. Gostava de espreitar as hortas que os rapazes do bairro cultivaram ao pé da sua casa, em Lisboa, mas também não queria chegar atrasada à procissão da Nossa Senhora Saúde, no Martim Moniz. "Quando regressar passo por aqui", prometeu ontem a pensionista de 73 anos, resolvendo assim o seu dilema.
Os "rapazes do bairro" são sete jovens do Grupo Desportivo da Mouraria e do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA) que resolveram ocupar um terreno baldio da freguesia da Graça, com tomates, morangos, beringelas ou abóboras. "O objectivo passa por fazer uma horta para os moradores da zona que quiserem cultivar os seus próprios alimentos", explica Marcos Pais, um dos responsáveis do projecto.
A ideia é simples mas deu algum trabalho. No terreno, entre a rua Damasceno Monteiro e a calçada do Monte, começam agora a surgir as primeiras couves galegas, aipos, espinafres, ou beterrabas. Antes disso, porém, foi preciso obter autorização da câmara de Lisboa, retirar o lixo, cortar o capim, arrancar as ervas e sulcar a terra. Tarefas que começaram em Outubro do ano passado e ainda não estão concluídas.
Houve até plantas e árvores que estavam condenadas à morte mas que na horta popular da Graça tiveram uma segunda oportunidade. "É o caso dos pessegueiros e das videiras que estavam em Benfica e com a construção da CRIL iam ser destruídas", conta Marcos Pais. Mas os membros do GAIA chegaram a tempo de travar as retroescavadoras e salvar o mini-pomar.
O projecto está encaminhado, mas falta ainda uma parte essencial para ser bem sucedido - a adesão dos moradores. "As pessoas têm tido algum receio de se envolverem nesta iniciativa e estão à espera que a horta entre numa fase mais avançada para começarem a participar", desabafa Marcos Pais.
Por enquanto, apenas meia dúzia de residentes dos bairros da Graça e da Mouraria têm na horta popular um talhão onde cultivam as suas leguminosas. Há, no entanto, muitos mais moradores com vontade de dar os seus palpites: "Muita gente vai passando por aqui e dando as suas dicas." António Sanches, de 71 anos, é um deles. Quase todos os dias, o relojoeiro da Graça inspecciona um a um os legumes e os frutos da horta popular: "As alfaces precisam de mais água porque estão a perder a cor", avisa o morador da rua Josefa de Óbidos, que "percebe destas coisas" porque tem uma "grande horta" em Moimenta da Beira, onde costuma passar os fins-de-semana.
António Sanches é, aliás, um dos conselheiros de Sofia Figueredo, que todas as segundas-feiras sai de casa, na Mouraria, para levar o filho ver as abóboras que semearam em Fevereiro na horta popular da Graça: "Eu e o meu filho estamos a aprender a cultivar e ainda fazemos alguns disparates", confessa a moradora de 31 anos, que vai ter de transplantar as suas abóboras porque semeou-as "demasiado juntas e agora não têm espaço para crescer".
“No estado em que se encontra o país, os homens inteligentes que têm em si a consciência da revolução – não devem instruí-lo, nem doutriná-lo, nem discutir com ele – devem farpeá-lo”.
Citação retirada de «As Farpas», conforme os objectivos definidos por Eça de Queiroz para essas crónicas
UM MÊS, MUITOS MUNDOS EM PALCO, UMA SÓ VOZ: A PERCUSSÃO
Em 2008, este evento decorrerá entre o dia 1 de Maio, dia de abertura e encerrará no dia 1 de Junho, dia Mundial da Criança.
Esta quarta edição do PORTUGAL A RUFAR insiste na promoção dos instrumentos e dos estilos desta linhagem musical e na divulgação de novas formações artisticas em seu redor.
Durante cinco fins de semana, num total de 40 espectáculos envolvendo mais de 60 grupos, actuarão dezenas de artistas, entre os quais músicos, bailarinos, actores e cantores, provenientes de África, América do Sul, Ásia e Europa, respondendo ao bramir dos tambores da Associação Tocá Rufar, principal promotora do festival.
A animação será constante ao longo de todo o mês com espectáculos, oficinas de percussão, dança e teatro, feira de artesanato e exposição permanente sobre a percussão no mundo.
O alvoroço de 1400 tambores, em desfile matinal pelas ruas do Seixal, encerra o festival no Domingo, dia 1 de Junho. É o DIA DO BOMBO, que finaliza com as actuações de todos os grupos envolvidos no desfile.
Como é usual será dada particular atenção às necessidades das pessoas portadoras de deficiência e população sénior, tal como o apoio às crianças e respectivas familias.
Tudo isto, num ambiente agradável, cívico e fraterno.
Entre os dias 12 e 18 de Maio, realiza-se na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto um ciclo de cinema intitulado "UMAR-te assim perdidamente", organizado pela UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, como preparativo para o Congresso Feminista. Cada sessão contará com convidados que animarão o debate a realizar a seguir aos filmes.
É doloroso aturar chefes. E mais imbecil é escolhê-los
Todo o poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente
O patrão precisa de ti. Tu não precisas dele.
Trabalhador, tens 25 anos, mas o teu sindicato é de outro século
Professores, vocês são tão velhos quanto a vossa cultura.
A idade de ouro era a idade onde o ouro não reinava.
Nem deus, nem mestre
A obediência começa pela consciência. A consciência pela desobediência
Agressor não é quem se revolta, mas quem reprime
Eu participo (…) nós participamos (…) eles lucram
Não queremos um mundo onde a certeza de não se morrer de fome se troca contra o risco de morrer de aborrecimento
O direito de viver não se mendiga, toma-se
Trabalhadores de todos os países, divirtam-se!
Sob as calçadas, a praia
O álcool mata. Tome LSD
Não quero perder a minha vida a ganhá-la
As reservas impostas ao prazer excitam o prazer de viver sem reserva
A poesia está na rua
Tomemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério
Não se fica apaixonado de uma taxa de crescimento
A imaginação ao poder
Falta de imaginação é não saber que ela falta
Viva a comunicação, abaixo a telecomunicação
Desejar a realidade está bem; realizar desejos é melhor
Sejamos realistas, exijamos o impossível
Um homem não é estúpido ou inteligente. É livre ou não é
Que se danem as fronteiras
A Humanidade só será feliz no dia em que o último capitalista for pendurado com as tripas do último burocrata
O movimento popular não tem templo
É preciso matar o polícia que existe dentro de cada um de nós
Sou marxista, tendência Groucho
Ele demorou três semanas para anunciar em cinco minutos que faria dentro de um mês o que não fez durante dez anos
Se as eleições pudessem mudar o que quer que fosse, há muito teriam sido proibidas
A luta continua!
Professores, vocês fazem-nos envelhecer
Alerta! Os recuperadores andam no meio de nós
Em francês (abaixo de cada frase, indica-se o local onde foi escrita):
• À bas la charogne stalinienne
• À bas les groupuscules récupérateurs Rue d'Ulm
• À bas la société de consommation.
• À bas la société spectaculaire-marchande.
• À bas le crapaud de Nazareth Sorbonne
• À bas le réalisme socialiste. Vive le surréalisme. Condorcet
• À bas les journalistes et ceux qui veulent les ménager Sorbonne, hall grand amphi.
• À bas l'État.
• À bas le sommaire Vive l'éphémère Jeunesse Marxiste Pessimiste Vive l'Association Internationale des Travailleurs Sorbonne
• À bas le vieux monde
• À bas l'objectivité parlementaire des groupuscules. L'intelligence est du côté de la bourgeoisie. La créativité est du côté des masses. Ne votez plus. Sorbonne
• Abolition de l'aliénation.
• Abolition de la société des classes.
• L'aboutissement de toute pensée, c'est le pavé dans ta gueule, C.R.S. Rue de Rennes
• L'action ne doit pas être une réaction mais une création Censier
• L'action permet de surmonter les divisions et de trouver des solutions.
• L'âge d'or était l'âge où l'or ne régnait pas. Le veau d'or est toujours de boue. Odéon, foyer
• L'agresseur n'est pas celui qui se révolte mais celui qui affirme Nanterre
• L'agresseur n'est pas celui qui se révolte mais celui qui réprime Rue Saint-Jacques
• Aimez-vous les uns sur les autres Censier
• L'alcool tue. Prenez du L.S.D.
• "Amnistie : acte par lequel les souverains pardonnent le plus souvent les injustices qu'ils ont commises." (Ambrose Bierce) [La définition dans le Devil's Dictionary de Bierce est plus précisément : "magnanimité de l'État envers les contrevenants qu'il serait trop coûteux de punir".]
• L'anarchie c'est Je Nanterre, entrée côté A1
• L'aptitude de l'étudiant à faire un militant de tout acabit en dit long sur son impuissance. -Les filles enragées.
• Les armes de la critique passent par la critique des armes Odéon, rue Rotrou
• Arrêtez le monde, je veux descendre Cité ici par le Garde-mots; certains attribuent cette phrase à Obaldia.
• L'art est mort. Godard n'y pourra rien. Sorbonne
• L'art est mort, libérons notre vie quotidienne.
• L'art est mort, ne consommez pas son cadavre.
• Attention : les arrivistes et les ambitieux peuvent se travestir en "socialards".
• Attention les cons nous cernent. Ne nous attardons pas au spectacle de la contestation, mais passons à la contestation du spectacle. Odéon
• "Au grand scandale des uns, sous l'oeil à peine moins sévère des autres, soulevant son poids d'ailes, ta liberté." André Breton, "Ode à Charles Fourier", Salle C20, Nanterre
• Autogestion de la vie quotidienne Place du Panthéon
• Autrefois, nous n'avions que le pavot. Aujourd'hui, le pavé. Nanterre
• Avant donc que d'écrire, apprenez à penser.
• À vendre, veste en cuir spéciale manifestation, garantie anti-CRS, grande taille, prix 100 F Nanterre
• Ayez des idées Faculté de droit du Panthéon
• Baisez-vous les uns les autres sinon ils vous baiseront Sorbonne, hall Richelieu
• Bannissons les applaudissements, le spectacle est partout.
• La barricade ferme la rue mais ouvre la voie Place Saint-Michel et/ou Nanterre, amphi musique
• Le bâton éduque l'indifférence Sorbonne (certaines sources mentionnent "béton" et non "bâton"; "béton" me semble moins compréhensible)
• Belle, peut-être pas, mais ô combien charmant. La vie contre la survie.
• Bien creusé vieille taupe Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève
• Le bleu restera gris tant qu'il n'aura pas été réinventé Nanterre
• Le bonheur est une idée neuve.
• Un bon maître nous en aurons dès que chacun sera le sien Hall Sc. Po.
• La bourgeoisie n'a pas d'autre plaisir que de les dégrader tous Assas
• Cache-toi, objet Sorbonne, hall Richelieu
• Camarades, 5 heures de sommeil sur 24 sont indispensables : nous comptons sur vous pour la révolution.
• Camarades, l'amour se fait aussi à Sc. Po., pas seulement aux champs Sciences Po
• Camarades, lynchons Séguy !
• Camarades, si tout le peuple faisait comme nous...
• Camarades, vous enculez les mouches Nanterre, amphi. musique
• Céder un peu c'est capituler beaucoup Beaux-Arts
• Celui qui peut attribuer un chiffre à une (é)motion est un con Sorbonne
• Ce n'est pas seulement la raison des millénaires qui éclate en nous, mais leur folie, il est dangereux d'être héritier Nanterre
• C'est en arrêtant nos machines dans l'unité que nous démontrons leur faiblesse. Rue de Seine
• "C'est parce que la propriété existe qu'il y a des guerres, des émeutes et des injustices." (Saint Augustin)
• C'est pas fini ! Boulevard Saint-Michel
• Ceux qui ferment les portes à clé sont des froussards donc des ennemis Censier
• Ceux qui font les révolutions à moitié ne font que se creuser un tombeau.
• Ceux qui parlent de révolution et de lutte des classes sans se référer à la réalité quotidienne parlent avec un cadavre dans la bouche Lycée Henri IV
• Changez la vie, donc transformez son mode d'emploi Odéon, rue Rotrou
• Chassez le flic de votre tête.
• Colle-toi contre la vitre. Croupis parmi les insectes Nanterre
• "Le combat est père de toute chose." (Héraclite)
• Comment penser librement à l'ombre d'une chapelle ? Sorbonne
• Concours du prof le plus bête. Osez donc signer les sujets d'examen. Sorbonne
• Le conservatisme est synonyme de pourriture et de laideur Nouvelle faculté de médecine, Grand Hall
• Consommez plus, vous vivrez moins Rue de Rennes et/ou Sorbonne, hall Richelieu
• Construire une révolution, c'est aussi briser toutes les chaînes intérieures Médecine
• Contestation. Mais con d'abord Nanterre, escalier C
• Cours camarade, le vieux monde est derrière toi Sorbonne et/ou Odéon, rue Rotrou et/ou Sorbonne, hall grand amphi.
• Cours camarade, le P.C.F. est derrière toi ???? Référence à G. Séguy, à la position ("récupératrice", disait-on à l'époque) du Parti Communiste Français lors des élections, etc.
• Cours, connard, ton patron t'attend Métro Duroc
• Créez.
• Crier la mort c'est crier la vie Nanterre, salle C20
• C.R.S. qui visitez en civil, faites très attention à la marche en sortant Odéon
• La culture c'est l'inversion de la vie Rue de Vaugirard
• "Dans la révolution, il y a deux sortes de gens : ceux qui la font et ceux qui en profitent." (Napoléon)
• Dans le décor spectaculaire, le regard ne rencontre que les choses et leur prix.
• Dans les chemins que nul n'avait foulés, risque tes pas ! Dans les pensées que nul n'avait pensées, risque ta tête ! Odéon, escalier hall
• Debout les damnés de l'Université.
• Déboutonnez votre cerveau aussi souvent que votre braguette Odéon
• Déchristianisons immédiatement la Sorbonne Sorbonne
• Déculottez vos phrases pour être à la hauteur des Sans-culottes Rue d'Ulm et/ou Cour Sorbonne
• Déjà 10 jours de bonheur La Mutualité et/ou Censier
• Défense de ne pas afficher Sc. Po
• Désirer la réalité, c'est bien ! Réaliser ses désirs, c'est mieux Sorbonne, Hall Grand amphi.
• Dessous les pavés c'est la plage... Sorbonne
• Dieu, je vous soupçonne d'être un intellectuel de gauche Condorcet
• Le discours est contre-révolutionnaire.
• Le droit de vivre ne se mendie pas, il se prend Nanterre
• L'économie est blessée, qu'elle crève ! Rue Linné
• Écrivez partout !
• L'éducateur doit être lui-même éduqué Sorbonne
• Élections pièges à cons Place Saint-Michel
• L'émancipation de l'homme sera totale ou ne sera pas Censier
• Embrasse ton amour sans lâcher ton fusil Odéon
• L'ennemi du mouvement, c'est le scepticisme. Tout ce qui a été réalisé vient du dynamisme qui découle de la spontanéité.
• L'ennui est contre-révolutionnaire.
• Enragez-vous Nanterre, amphi. Musique et/ou Censier, les C.A.
• En tout cas pas de remords !
• Espérance : ne désespérez pas, faites infuser davantage. Sorbonne, Cour. Cette phrase est dûe à Henri Michaux.
• Est prolétaire celui qui n'a aucun pouvoir sur l'emploi de sa vie quotidienne et qui le sait Nanterre et/ou Odéon
• Et cependant, tout le monde veut respirer et personne ne peut respirer et beaucoup disent "nous respirerons plus tard". Et la plupart ne meurent pas car ils sont déjà morts.
• Êtes-vous des consommateurs ou bien des participants ?
• Être libre en 1968, c'est participer.
• Être réactionnaire c'est justifier et accepter la réforme sans y faire fleurir la subversion E.S. Saint-Louis
• Être riche c'est se contenter de sa pauvreté ? Censier
• Et si on brûlait la Sorbonne ? Sorbonne
• L'état c'est chacun de nous Quai Malaquais
• Les étudiants sont cons.
• Exagérer c'est commencer d'inventer Censier
• Exagérer, voilà l'arme Censier
• Examens = servilité, promotion sociale, société hiérarchisée.
• Explorons le hasard Boulevard Saint-Germain
• Fais attention à tes oreilles, elles ont des murs Censier
• Faites l'amour et recommencez Rue Jacob et/ou Odéon
• Faites la somme de vos rancoeurs et ayez honte Censier
• Le feu réalise ! Nanterre
• Fin de l'Université.
• Un flic dort en chacun de nous, il faut le tuer Censier
• La forêt précède l'homme, le désert le suit. Sorbonne, hall grand amphi.
• Les frontières on s'en fout.
• Les gens qui travaillent s'ennuient quand ils ne travaillent pas. Les gens qui ne travaillent pas ne s'ennuient jamais Sorbonne
• Godard : le plus con des Suisses pro-chinois !
• L'homme n'est ni le bon sauvage de Rousseau, ni le pervers de l'église et de La Rochefoucauld. Il est violent quand on l'opprime, il est doux quand il est libre.
• Un homme n'est pas stupide ou intelligent : il est libre ou il n'est pas Médecine
• D'un homme, on peut faire un flic, une brique, un para, et l'on ne pourrait en faire un homme ? Nanterre, amphi. musique
• L'humanité ne sera heureuse que quand le dernier capitaliste sera pendu avec les tripes du dernier gauchiste Condorcet
• L'humanité ne sera vraiment heureuse que lorsque le dernier des capitalistes aura été pendu avec les tripes du dernier des bureaucrates Rue Lhommond
• Hurle.
• Ici, bientôt, de charmantes ruines.
• Ici, on spontane Censier
• Il est douloureux de subir les chefs, il est encore plus bête de les choisir.
• Il est interdit d'interdire Rue Saint-Jacques et/ou Nanterre, amphi musique
• Il est interdit d'interrompre Hall, Sciences Po.
• "Il faut porter en soi un chaos pour mettre au monde une étoile dansante." (Nietzsche)
• Il faut systématiquement explorer le hasard Censier
• Il n'est pas de pensées révolutionnaires. Il n'est que des actes révolutionnaires Rue Gay-Lussac
• Il n'y a de mortel, de temporel, de limitée et d'exclusif que dans l'organisation et dans les structures Nanterre, hall A1
• Il n'y aura plus désormais que deux catégories d'hommes : les veaux et les révolutionnaires. En cas de mariage, ça fera des réveaulutionnaires. Educat. surveillée
• Ils pourront couper toutes les fleurs, ils n'empêcheront pas la venue du printemps ? • Il y a, en France, 38 000 communes... nous en sommes à la seconde Sciences-Po
• "Imagination n'est pas don mais par excellence objet de conquête." (Breton)
• L'imagination prend le maquis Sorbonne
• L'imagination prend le pouvoir Rue de Seine et/ou Science Po., escalier
• L'insolence est la nouvelle arme révolutionnaire Médecine
• Interdit d'interdire. La liberté commence par une interdiction : celle de nuire à la liberté d'autrui. Sorbonne
• Inventez de nouvelles perversions sexuelles (je peux pus !) Nanterre, devant cafetaria hall C
• J'aime pas écrire sur les murs.
• J'ai quelque chose à dire mais je ne sais pas quoi Censier
• Je décrète l'état de bonheur permanent Sc. Po., escalier
• Je joue Nanterre
• Je jouis dans les pavés Rue Gay-Lussac
• "Je me propose d'agiter et d'inquiéter les gens. Je ne vends pas le pain mais la levure." (Unamuno)
• J'emmerde la société et elle me le rend bien Condorcet
• Je ne sais qu'écrire mais j'aimerais en dire de belles et je ne sais pas Censier
• Je ne suis au service de personne, le peuple se servira tout seul Sorbonne
• Je ne suis au service de personne (pas même du peuple et encore moins de ses dirigeants) : le peuple se servira tout seul. Censier
• Je participe. Tu participes. Il participe. Nous participons. Vous participez. Ils profitent.
• Je plane/hashich Nanterre, ascenseur bâtiment GH
• Je prends mes désirs pour la réalité car je crois en la réalité de mes désirs Sorbonne, hall Grand amphi.
• Je rêve d'être un imbécile heureux Nanterre, amphi. musique
• Je suis marxiste, tendance Groucho Nanterre, salle C20
• Je suis venu, j'ai vu, j'ai cru Sorbonne
• Je t'aime !!! Dites-le avec des pavés Gare de Nanterre
• Jeunes femmes rouges toujours plus belles Faculté de médecine
• Les jeunes font l'amour, les vieux font des gestes obscènes.
• Jouissez ici et maintenant Nouvelle Faculté de médecine
• Jouissez sans entraves, vivez sans temps morts, baisez sans carotte Nanterre, cité universitaire, ascenseur
• Laissons la peur du rouge aux bêtes à cornes... et la peur du noir aux staliniens Rue Bonaparte et/ou Beaux-Arts
• Les larmes des Philistins sont le nectar des dieux Sorbonne, hall Grand amphi.
• La liberté, c'est la conscience de la nécessité Place de la Sorbonne
• La liberté, c'est le crime qui contient tous les crimes, c'est notre arme absolue Sorbonne, hall Grand amphi.
• La liberté, c'est le droit au silence Censier
• La liberté commence par une interdiction. Celle de nuire à la liberté d'autrui Nanterre
• La liberté d'autrui étend la mienne à l'infini.
• La liberté est le crime qui contient tous les crimes. C'est notre arme absolue.
• La liberté n'est pas un bien que nous possédions. Elle est un bien que l'on nous a empêché d'acquérir à l'aide des lois, des règlements, des préjugés, ignorance... Nanterre
• Libérez nos camarades.
• Luttons contre la fixation affective qui paralyse nos potentialités. -Comité des femmes en voie de libération.
• Lynchons Séguy ! La marchandise, on la brûlera ! Institut pédagogique
• Le mandarin est en vous Nouvelle faculté de médecine, grand hall
• Mangez vos professeurs Sorbonne
• Manquer d'imagination, c'est ne pas imaginer le manque Nanterre, amphi. musique
• La marchandise, on la brûlera Sorbonne, hall Richelieu
• Le masochisme aujourd'hui prend la forme du réformisme Sorbonne
• Make love, not war.
• La marchandise est l'opium du peuple.
• Même si Dieu existait, il faudrait le supprimer.
• Merde au bonheur (vivez) Sorbonne
• Mes désirs sont la réalité Nanterre, C 24
• Métro, boulot, dodo Ce slogan serait tiré d'un poème de Pierre Béarn, Couleurs d'usine, paru chez Seghers en 1951: Au déboulé garçon pointe ton numéro / pour gagner ainsi le salaire / d'une morne journée utilitaire / métro, boulot, bistro, mégots, dodo, zéro. • Mettez un flic sous votre moteur Rue Daubenton et/ou Censier
• Millionnaires de tous les pays, unissez-vous, le vent tourne.
• Mort aux tièdes Censier
• La mort est nécessairement une contre révolution Langues orientales
• Les motions tuent l'émotion Censier
• Mutation lave plus blanc que révolution ou réformes Censier
• Mur baignant infiniment dans sa propre gloire Nanterre, Hall A
• Les murs ont des oreilles. Vos oreilles ont des murs Condorcet • N'admettez plus d'être / immatriculés / fichés / opprimés / réquisitionnés / prêchés / recensés / traqués / Odéon, escalier foyer
• La nature n'a fait ni serviteurs ni maîtres, je ne veux donner ni recevoir de lois Hall, Sciences Po.
• Ne changeons pas d'employeurs, changeons l'emploi de la vie Sorbonne
• Ne consommons pas Marx Censier
• Ne dites plus : Monsieur le Professeur, dites : crève salope ! Rue Cujas
• Ne dites plus : urbanisme, dites : police préventive Beaux-Arts
• Ne me libère pas, je m'en charge Nanterre, bâtiment GH, ascenseur
• Ne nous attardons pas au spectacle de la contestation, mais passons à la contestation du spectacle.
• Ne nous laissons pas bouffer par les politicards et leur démagogie boueuse. Ne comptons que sur nous-mêmes. Le socialisme sans la liberté, c'est la caserne.
• Ne prenez plus l'ascenseur, prenez le pouvoir 107, avenue de Choisy
• Ne travaillez jamais ! Nanterre et/ou Sorbonne
• Ne vous emmerdez pas, merdifiez Censier
• Ne vous emmerdez plus, emmerdez les autres Nanterre, Hall C. Rz.
• Le n'importe quoi érigé en système Nanterre
• Le nihilisme doit commencer par soi-même Censier
• Ni maître, ni Dieu. Dieu, c'est moi Censier
• Ni robot, ni esclave Censier
• Non à la révolution en cravate.
• Notre espoir ne peut venir que des sans-espoir Hall Sc. Po.
• Nous avons une gauche préhistorique • Hall Sc. Po.
• Nous n'avons fait que la 1ère insurrection de notre révolution "Or, les vraies vacances, c'était le jour où nous pouvions regarder une parade gratuitement, où nous pouvions allumer un feu géant au milieu de la rue sans que les flics nous en empêchent." Harpo Marx (Harpo speaks) Sorbonne
• Nous ne voulons pas d'un monde où la certitude de ne pas mourir de faim s'échange contre le risque de mourir d'ennui. Sorbonne (une autre source mentionne "garantie" au lieu de "certitude")
• Nous refusons d'être H.L.M.isés, diplômés, recencés, endoctrinés, sarcellisés, sermonés, matraqués, télémanipulés, gazés, fichés.
• Nous sommes des rats (peut-être) et nous mordons. Les enragés Sorbonne
• Nous sommes rassurés : 2 + 2 ne font plus 4 Censier
• Nous sommes tous des "indésirables".
• Nous sommes tous des juifs allemands Gare de Lyon
• Nous voulons : les structures au service de l'homme et non pas l'homme au service des structures. Avoir le plaisir de vivre et non plus le mal de vivre Odéon
• Nous voulons une musique sauvage et éphémère. Nous proposons une régénération fondamentale : grève de concerts, des meetings sonores : séances d'investigation collectives, suppression du droit d'auteur, les structures sonores appartiennent à chacun.
• Nous voulons vivre.
• La nouveauté est révolutionnaire, la vérité aussi Censier
• Nul n'arrive à comprendre s'il ne respecte, conservant lui-même sa propre nature, la libre nature d'autrui Censier
• L'obéissance commence par la conscience et la conscience par la désobéissance Censier
• Occupation des usines.
• O gentils messieurs de la politique, vous abritez derrière vos regards vitreux un monde en voie de destruction. Criez, criez, on ne saura jamais que vous avez été castrés. Sorbonne, galeries Lettres
• On achète ton bonheur, vole-le ! Sorbonne, hall Richelieu
• On n'a... pas le temps d'écrire !!!
• On n'efface pas la vérité (ni d'ailleurs le mensonge) Nanterre, salle C20
• On ne revendique rien, on prend Faculté de médecine
• On ne revendiquera rien, on ne demandera rien, on prendra, on occupera Sorbonne, hall grand amphi.
• L'orthografe est une mandarine Sorbonne
• Ôsons Nanterre
• "Ôsons ! Ce mot renferme toute la politique de cette heure." (Saint-Just)
• Oubliez tout ce que vous avez appris. Commencez par rêver Sorbonne
• Ou vous vous emparez des usines, des bureaux, des banques, de tous les moyens de distribution, ou vous disparaîtrez sans laisser de traces ! La révolution a besoin d'argent et vous, aussi; les banques sont là pour nous en fournir ! Une organisation, oui ! Une autorité ou un parti, NON ! (Bonnot and Clyde) Rue de l'Estrapade
• Ouvrez les fenêtres de votre coeur Censier
• Ouvrons les portes des asiles, des prisons et autres facultés Nanterre, amphi. Musique
• La paresse est maintenant un crime, oui, mais en même temps un droit Censier
• Parlez à vos voisins (et à vos voisines, bordel !) Rue Racine et/ou Censier
• Participez au balayage. Il n'y a pas de bonnes ici Beaux-Arts
• Pas de liberté aux ennemis de la liberté.
• Pas de replâtrage, la structure est pourrie.
• "La passion de la destruction est une joie créatrice." (Bakounine)
• Le patron a besoin de toi, tu n'as pas besoin de lui.
• Au pays de Descartes les conneries se foutent en cartes Lycée Condorcet
• La pègre, c'est nous Rue Moufetard
• Une pensée qui stagne est une pensée qui pourrit Rue des Fossés-Saint-Jacques et/ou Sorbonne
• Penser ensemble, non. Pousser ensemble, oui Assas, faculté de droit
• La perspective de jouir demain ne me consolera jamais de l'ennui d'aujourd'hui Nanterre, escalier C, 1er étage
• Plébicite : qu'on dise oui qu'on dise non, il fait de nous des cons.
• Pluie. Pluie et vent et carnage ne nous dispersent pas mais nous soudent (Comité d'agitation culturelle) Sorbonne
• La plus belle sculpture, c'est le pavé de grès. Le lourd pavé critique c'est le pavé que l'on jette sur la gueule des flics. Sorbonne, hall du grand amphi
• Plus jamais Claudel Nanterre, Hall E
• Plus je fais l'amour, plus j'ai envie de faire la révolution. Plus je fais la révolution, plus j'ai envie de faire l'amour Sorbonne
• La poésie est dans la rue Odéon, rue Rotrou
• La politique se passe dans la rue.
• Pour mettre en question la société où l'on "vit", il faut d'abord être capable de se mettre en question soi-même.
• Pourvu qu'ils nous laissent le temps...
• Le pouvoir avait les universités, les étudiants les ont prises. Le pouvoir avait les usines, les travailleurs les ont prises. Le pouvoir avait l'O.R.T.F., les journalistes lui ont pris. Le pouvoir a le pouvoir, prenez-le lui ! Sc. Po., hall d'entrée
• Le pouvoir est au bout du fusil (est-ce que le fusil est au bout du pouvoir ?) Nanterre, hall C Rz
• Le pouvoir sur ta vie tu le tiens de toi-même Rue Dauphine et/ou Odéon, rue Rotrou
• Prenez vos désirs pour la réalité (photo)
• Prenons la révolution au sérieux, mais ne nous prenons pas au sérieux Odéon
• Professeurs, vous êtes aussi vieux que votre culture, votre modernisme n'est que la modernisation de la police, la culture est en miette (les enragés) Sorbonne
• Professeurs, vous nous faites vieillir Rue Soufflot
• Quand l'assemblée nationale devient un théâtre bourgeois, tous les théâtres bourgeois doivent devenir des assemblées nationales Odéon
• Quand le dernier des sociologues aura été étranglé avec les tripes du dernier bureaucrate, aurons-nous encore des "problèmes" ? Sorbonne, hall GD amphi.
• Quand le doigt montre la lune, l'imbécile regarde le doigt (proverbe chinois) Conservatoire de musique
• Quand les gens s'aperçoivent qu'ils s'ennuient, ils cessent de s'ennuyer.
• Que c'est triste d'aimer le fric.
• Qu'est-ce qu'un maître, un dieu ? L'un et l'autre sont une image du père et remplissent une fonction oppressive par définition Médecine
• Qui parle de l'amour détruit l'amour.
• Le reflet de la vie n'est que la transparence du vécu Sorbonne, hall Grand amphi.
• Réforme mon cul.
• Regarde-toi : nous t'attendons ! Odéon
• Regarde ton travail, le néant et la torture y participent Sorbonne, hall grand amphi.
• Regardez en face !!!
• Les réserves imposées au plaisir excitent le plaisir de vivre sans réserve.
• Le respect se perd, n'allez pas le rechercher Condorcet
• Le rêve est réalité Censier
• La révolution cesse dès l'instant qu'il faut se sacrifier pour elle.
• La révolution, c'est une INITIATIVE.
• La Révolution doit cesser d'être pour exister Nanterre, hall A1
• La révolution doit se faire dans les hommes avant de se faire dans les choses Beaux-Arts
• La révolution est incroyable parce que vraie Censier
• Révolution, je t'aime.
• Un révolutionnaire est un danseur de cordes Nouvelle faculté de médecine
• La révolution n'est pas seulement celle des comités mais avant tout la vôtre.
• Une révolution qui demande que l'on se sacrifie pour elle est une révolution à la papa Médecine
• Un rien peut être un tout, il faut savoir le voir et parfois s'en contenter Nanterre, amphi. musique
• Le rouge pour naître à Barcelone, le noir pour mourir (non, Ducon, pour vivre à Paris) Boulevard Saint-Michel
• Le sacré, voilà l'ennemi Nanterre, hall B
• Savez-vous qu'il existait encore des chrétiens ? Sorbonne
• Scrutin putain Censier
• Seule la vérité est révolutionnaire.
• Un seul week-end non révolutionnaire est infiniment plus sanglant qu'un mois de révolution permanente Institut des langues orientales
• SEXE : c'est bien, a dit Mao, mais pas trop souvent.
• Si besoin était de recourir à la force, ne restez pas au milieu Rue Champolion
• Si tu rencontres un flic, casse-lui la gueule Gare Saint-Lazare
• Si tu veux être heureux, pends ton propriétaire.
• Si vous continuez à faire chier le monde, le monde va répliquer énergiquement Nanterre, salle des prof. RC
• Si vous pensez pour les autres, les autres penseront pour vous Nanterre, salle C24
• La société est une fleur carnivore
• La société nouvelle doit être fondée sur l'absence de tout égoïsme, de tout égolatrie. Notre chemin deviendra une longue marche de la fraternité. Sorbonne, hall bibliothèque
• Sous les pavés la plage Place du Panthéon, place Edmond-Rostand et beaucoup d'autres lieux
• Soyez réalistes, demandez l'impossible Censier
• Soyez salés, pas sucrés ! Lycée Louis-le-Grand et/ou Odéon
• Soyons cruels Rue des Écoles
• Staliniens vos fils sont avec nous Place Denfert-Rochereau
• Les syndicats sont des bordels Rue Lafayette
• Toi, mon camarade, toi que j'ignorais derrière les turbulences, toi jugulé, apeuré, asphyxié, viens, parle à nous.
• Tout acte de soumission à la force qui m'est extérieure me pourrit tout debout, mort avant que d'être enterré par les légitimes fossoyeurs de l'ordre. Hall Nouvelle fac. médecine
• Tout ce qui est discutable est à discuter Nanterre
• Tout enseignant est enseigné. Tout enseigné est enseignant. Sc. Po., hall bibliothèque
• Tout est Dada Odéon, foyer
• "Toute vue des choses qui n'est pas étrange est fausse." (Valéry)
• Tout le pouvoir aux conseils ouvriers (un enragé).
• Tout le pouvoir aux conseils enragés (un ouvrier).
• Tout pouvoir abuse. Le pouvoir absolu abuse absolument. Nanterre, escalier C, 2è étage
• Tout réformisme se caractérise par l'utopiste de sa stratégie et l'opportunisme de sa tactique Sorbonne, Grand Hall
• Travailleur : tu as 25 ans mais ton syndicat est de l'autre siècle.
• Le vent se lève. Il faut tenter de vivre Nanterre, salle C20
• Vibration permanente et culturelle.
• La vie est ailleurs Sorbonne
• La vieille taupe de l'histoire semble bel et bien ronger la Sorbonne. Télégramme de Marx, 13 mai 1968.
• Vigilance ! Les récupérateurs sont parmi nous ! "Anéantissez donc à jamais tout ce qui peut détruire un jour votre ouvrage." (Sade) Sorbonne • Violez votre Alma Mater.
• Vite ! Collège de France
• Vive le pouvoir des conseils ouvriers étendu à tous les aspects de la vie Nanterre
• Vive les enragés qui bâtissent des aventures. Sorbonne, hall Grand Amphi.
• Vive les mômes et les voyous Nanterre, hall C. Rz.
• Vivre au présent.
• Voir Nanterre et vivre. Allez mourir à Naples avec le Club Méditerranée.
• Vous aussi, vous pouvez voler Sorbonne
• Vous êtes creux.
• Vous êtes en face d'une force. Prenez garde de déclencher la guerre civile par votre résistance. Nanterre
• Vous finirez tous par crever du confort Nanterre, hall grand amphi.
Em Lisboa realizou-se ao longo deste Sábado uma exposição de panos tradicionais da Guiné-¬Bissau recentemente integrados no circuito do Comércio Justo, cujo dia internacional é hoje assinalado.
Este evento foi promovido por: CIDAC (Lisboa), Ecos do Sul (Damaia) e Mó de Vida (Almada). Estas 3 organizações representam o Espaço por um Comércio Justo (ECJ) em Portugal, uma rede de âmbito ibérico que promove um Comércio Justo transformador.
Os produtos de Guiné-¬Bissau provêm da Associação Guineense Artissal, uma organização de tecelões e costureiras das etnias Manjaca e Pepel que assenta a sua intervenção nos princípios do Comércio Justo.
À venda estiveram produtos alimentares e de artesanato, tais como chá, café, chocolate, quinoa, arroz, bijuteria, artigos de decoração e brinquedos.
A rede ECJ (www.espaciocomerciojusto.org) , que reúne cerca de 40 organizações, defende os princípios do Comércio Justo para todos os actores da cadeia comercial, desde a produção até ao consumo.
A aposta é num trabalho assente na Economia Social e na defesa da Soberania Alimentar, negando por exemplo a venda nas grandes superfícies ou parcerias com as multinacionais.
Para esclarecimentos ou informações adicionais não hesite em nos contactar:
Também no Porto este dia foi assinalado. A recente associação cultural Casa da Horta decidiu dar o seu contributo com um jantar com produtos de comércio justo e locais.
Comércio justo (Fair Trade em inglês) é um dos pilares da sustentabilidade económica e ecológica. Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos bem como de padrões sociais e ambientais nas cadeias produtivas de vários produtos. O movimento dá especial atenção às exportações de países em desenvolvimento para países desenvolvidos, como artesanato, café, cacau, chá, banana, mel, algodão, vinho, frutas in natura, e muitos outros. Em poucas palavras, é o comércio onde o produtor recebe remuneração justa por seu trabalho. Neste comércio eliminam-se os intermedíários ao mínimo necessário.
Alguns países têm consumidores preocupados com a sustentabilidade e que optam por comprar produtos vendidos através do comércio justo. Esta opção ética tem permitido que pequenos produtores de países tropicais possam viver de forma digna ao fazeram a opção pela agroecologia, como agricultura orgânica.
O Comércio Justo é definido pela News! (a Rede Européia de Lojas de Comércio Justo) como: "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado. O Comércio Justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é a de promover a equidade social, a proteção do ambiente e a segurança econômica através do comércio e da promoção de campanhas de conscientização".
Quinzena do Comércio Justo ( Almada, 6-17 de Maio)
Entretanto, em Almada, está a realizar-se a Quinzena do Comércio Justo ( de 6 a 17 de Maio) com encontros, cine-documentários e gastronomia do mundo
6 de Maio, 10h30 Espaço Mó de Vida
Abertura da Quinzena e Workshop para jornalistas
9 de Maio, 19h00 Solar dos Zagallos Conversas sobre Consumo Responsável Estreia do 1º documentário em Português “Agrovidas - Comércio Justo” e debate com a presença de Rafael Cezimbra Souza (representante da Cealnor, associação de produtores frutícolas, Bahia, Brasil)
10 de Maio, 11h/18h Solar dos Zagallos Dia Mundial do Comércio Justo Teatro de Sombras, Filme “Agrovidas - Comércio Justo” e conversa, Mural Justo,Piquenique Solidário, Gincana Justa com alunos das escolas do concelho e famílias. Inscrição gratuita: modevida@modevida.com
12 e 13 de Maio Encontros do Produtor Cealnor nas escolas
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Entre 10 e 17 de Maio Comércio Justo à mesa Pratos confeccionados com sabores solidários nos restaurantes aderentes:
Chá e Guloseimas Praça da Liberdade, Galeria Comercial 1º piso Loja 1N 2800-648 Almada Tel.: 212743782 / 963788023 Neste local será realizada uma mostra de produtos do Comércio Justo
Tasquinha da Ti Aida Largo 25 de Abril, 8 – r/c 2800-564 – Pragal Tel.: 212763425 / 919721617
A Taberna Av. da Liberdade 19, 2825-870 Trafaria Tel.: 212944387 / 918776262
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14 a 17 de Maio Fórum Romeu Correia
Festival Cine’Eco em Almada
14/5 - Quarta (16h00 às 19h00)
– “Da Terra das Lágrimas Amargas” / “Nigai Namida No Daichi Kara”, de Tomoko Kana, Japão, 84 min. – “Xingu – A Terra Ameaçada”, de Washington Novaes, Brasil, 17min. – “Aquecimento Global/Guerra Global”, de Kathrin Gnorski, Alemanha, 11 min. 40’’ – “Rapsódia do Absurdo”, de Cláudia Nunes, Brasil, 15 min. – “The Meadow / A Campina”, de Jan Haft, Alemanha, 43 min
15/5 - Quinta (16h00 às 19h00) – “Carvão, Terra, Casa”, de Robert Harding Pittman, Alemanha/EUA, 40 min. – “As Pessoas que Vivem do Lixo”, de André Cywinski e João D. Gomes, Brasil, 7 min 56’’ – “Um Palito Até à China”, de Ingvild Soderlind, Noruega, 43 min. – “Tirol – Terra de Água”, de Johannes Koeck e Georg Riha, Áustria, 7 min. 46’’ – “Outros Mundos”, de Marko Skop, Eslováquia,75 min
16/5 - Sexta (16h00 às 19h00) – “Guardas do Paraíso”, de Yoran Parath, EUA, 74 min. – “Detectives da Água”, de David Springbett, Canadá, 11 min 30´´ – “No Crepúsculo do Silêncio”, de Josef Císarovskç, República Checa, 33 min. – “Yandabad”, de Mariano Agudo, Espanha, 58 min. Prémio ÁGUA 2007
17/5 - Sábado (16h00 às 19h00) – “1907 – 2007: Quando a Vinha Dorme”, de François Manceaux, França, 58 min. – “Sempre Coca-Cola”, de Inge Altemeier, Reinhard Hornung, Alemanha, 29 min. – “Encontro com Milton Santos”, de Silvio Tendler, Brasil, 89 min., Grande Prémio AMBIENTE 2007
Contactos: Espaço Mó de Vida Calçadinha da Horta 19 Pragal/Almada Tel. 212720641
Solar dos Zagallos Largo António José Piano Júnior – Sobreda Tel. 212947000
Fórum Romeu Correia Praça da Liberdade Almada Tel. 212724928
Um grupo de 32 cidadãos apresentou queixa na Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI) contra o tratamento brutal de que foram alvo por parte da polícia quando, no passado dia 8 de Fevereiro, resistiam pacificamente ao fecho do Grémio Lisbonense, em Lisboa.
A Lusa esteve presente na conferência de imprensa que anunciou esta iniciativa, mas praticamente nada passou para os médias dominantes. Trata-se, ao que sabemos, da primeira queixa colectiva deste género
Os manifestantes dizem que as autoridades não souberam lidar com a situação e abusaram da força.
Recorde-se que a Inspecção Geral da Administração Interna recebeu mais de 630 queixas contra a actuação das forças de segurança no ano de 2005.
O II Encontro Nacional sobre Orçamento Participativo vai ter lugar nos próximos dias 15 e 16 de Maio em Palmela. O programa/ficha de inscrição está disponível no site http://www.cm-palmela.pt/
Estão ainda previstos 4 workshops regionais de apoio à concepção de modelos de Orçamento Participativo, que terão lugar em
Silves (19 de Maio),
Aveiro (28 de Maio),
Braga (17 de Junho)
Lisboa (23 de Junho).
Estes workshops são especialmente destinados às autarquias. O programa assim como as inscrições estão disponíveis no site do CEFA - http://www.cefa.pt/
Uma Acção de Formação Regional de Lisboa sobre Orçamento Participativo vai realizar-se nos dias 2 e 3 de Junho, na Junta de Freguesia de Carnide. Inscrições abertas no site do CEFA - http://www.cefa.pt/
A participação em qualquer uma das actividades do projecto é gratuita.
• Trata-se um projecto apoiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL (Acção 3) que tem como objectivo geral disseminar o tema e a metodologia do Orçamento Participativo (OP) a nível nacional. Em termos específicos isto significa:
• Apoiar a adopção do OP por parte das autarquias portuguesas;
• Capacitar teórica e metodologicamente os diferentes intervenientes no desenvolvimento de processos de OP;
• Criar instrumentos de apoio à implementação, desenvolvimento, monitorização e avaliação desses processos;
• Promover a partilha de experiências e as relações em rede entre as autarquias promotoras do OP;
Criar um manancial informativo e documental sobre o tema do OP, acessível aos mais variados actores interessados no tema.
Tudo isto será desenvolvido assegurando uma perspectiva de articulação com as “práticas de participação” já existentes ao nível de cada território.
A Tertúlia Liberdade promove em Lisboa um debate sobre a Globalização da Fome.
A iniciativa contará com a presença dos economistas Zaluar Basílio, Pedro Goulart e José Luís Félix.Num momento em que tanto se fala da crise alimentar, persistem multidões de esfomeados no Mundo ao mesmo tempo que a obesidade se tornou uma epidemia que adoece e mata.
Neste cenário uns poucos acumulam riqueza. Porquê?Qual o papel da indústria agro-alimentar, da especulação bolsista com alimentos e do desvio de alimentos para a produção de combustível na globalização da fome?
São estas e outras questões que vamos discutir na próxima quarta-feira dia 14 de Maio pelas 18.15 h.
O debate será na CREW HASSSAN na Rua das Portas de Santo Antão 159-163.
Há muito conhecido dos que estudam a questão alimentar, o escândalo finalmente estalou na opinião pública: a substituição da agricultura familiar, camponesa, orientada para a auto-suficiência alimentar e os mercados locais, pela grande agro-indústria, orientada para a monocultura de produtos de exportação (flores ou tomates), longe de resolver o problema alimentar do mundo, agravou-o.
Tendo prometido erradicar a fome do mundo no espaço de vinte anos, confrontamo-nos hoje com uma situação pior do que a que existia há quarenta anos. Cerca de um sexto da humanidade passa fome; segundo o Banco Mundial, 33 países estão à beira de uma crise alimentar grave; mesmo nos países mais desenvolvidos os bancos alimentares estão a perder as suas reservas; e voltaram as revoltas da fome que em alguns países já causaram mortes. Entretanto, a ajuda alimentar da ONU está hoje a comprar a 780 dólares a tonelada de alimentos que no passado mês de Março comprava a 460 dólares.
A opinião pública está a ser sistematicamente desinformada sobre esta matéria para que se não dê conta do que se está a passar. É que o que se está a passar é explosivo e pode ser resumido do seguinte modo: a fome do mundo é a nova grande fonte de lucros do grande capital financeiro e os lucros aumentam na mesma proporção que a fome.
A fome no mundo não é um fenómeno novo. Ficaram famosas na Europa as revoltas da fome (com o saque dos comerciantes e a imposição da distribuição gratuita do pão) desde a Idade Média até ao século XIX. O que é novo na fome do século XXI diz respeito às suas causas e ao modo como as principais são ocultadas.
A opinião pública tem sido informada que o surto da fome está ligado à escassez de produtos agrícolas, e que esta se deve às más colheitas provocadas pelo aquecimento global e às alterações climáticas; ao aumento de consumo de cereais na Índia e na China; ao aumento dos custos dos transportes devido à subida do petróleo; à crescente reserva de terra agrícola para produção dos agro-combustíveis. Todas estas causas têm contribuído para o problema, mas não são suficientes para explicar que o preço da tonelada do arroz tenha triplicado desde o início de 2007.
Estes aumentos especulativos, tal como os do preço do petróleo, resultam de o capital financeiro (bancos, fundos de pensões, fundos hedge [de alto risco e rendimento]) ter começado a investir fortemente nos mercados internacionais de produtos agrícolas depois da crise do investimento no sector imobiliário.
Em articulação com as grandes empresas que controlam o mercado de sementes e a distribuição mundial de cereais, o capital financeiro investe no mercado de futuros na expectativa de que os preços continuarão a subir, e, ao fazê-lo, reforça essa expectativa. Quanto mais altos forem os preços, mais fome haverá no mundo, maiores serão os lucros das empresas e os retornos dos investimentos financeiros.
Nos últimos meses, os meses do aumento da fome, os lucros da maior empresa de sementes e de cereais aumentaram 83%. Ou seja, a fome de lucros da Cargill alimenta-se da fome de milhões de seres humanos.
O escândalo do enriquecimento de alguns à custa da fome e subnutrição de milhões já não pode ser disfarçado com as “generosas” ajudas alimentares. Tais ajudas são uma fraude que encobre outra maior: as políticas económicas neoliberais que há trinta anos têm vindo a forçar os países do terceiro mundo a deixar de produzir os produtos agrícolas necessários para alimentar as suas próprias populações e a concentrar-se em produtos de exportação, com os quais ganharão divisas que lhes permitirão importar produtos agrícolas... dos países mais desenvolvidos. Quem tenha dúvidas sobre esta fraude que compare a recente “generosidade” dos EUA na ajuda alimentar com o seu consistente voto na ONU contra o direito à alimentação reconhecido por todos os outros países.
O terrorismo foi o primeiro grande aviso de que se não pode impunemente continuar a destruir ou a pilhar a riqueza de alguns países para benefício exclusivo de um pequeno grupo de países mais poderosos. A fome e a revolta que acarreta parece ser o segundo aviso. Para lhes responder eficazmente será preciso pôr termo à globalização neoliberal, tal como a conhecemos.
O capitalismo global tem de voltar a sujeitar-se a regras que não as que ele próprio estabelece para seu benefício. Deve ser exigida uma moratória imediata nas negociações sobre produtos agrícolas em curso na Organização Mundial do Comércio.
Os cidadãos têm de começar a privilegiar os mercados locais, recusar nos supermercados os produtos que vêm de longe, exigir do Estado e dos municípios que criem incentivos à produção agrícola local, exigir da União Europeia e das agências nacionais para a segurança alimentar que entendam que a agricultura e a alimentação industriais não são o remédio contra a insegurança alimentar. Bem pelo contrário.
Os cidadãos têm de começar a privilegiar os mercados locais, recusar nos supermercados os produtos que vêm de longe, exigir do Estado e dos municípios que criem incentivos à produção agrícola local