16.4.08

2º Festival ImigrArte (18, 19 e 20 de Abril de 2008) em vários espaços da cidade de Lisboa

http://lisboaintercultural.blogspot.com/





Programa


Clicar em cima da imagem para ampliar
e ler em detalhe o programa do ImigrArte 2008


O livro Apocalipse Motorizado pode ser descarregado aqui



A tirania do automóvel num planeta poluído


As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.


O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...


Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.


O livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo os seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social.


Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe acções práticas e soluções com vista à libertação da humanidade dessa tirania.


A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.


Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso actual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.


O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro na nossa sociedade, a história do movimento anticarro, os seus objetivos, como organizar uma ´Massa Crítica´ nas nossas cidades, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas

http://apocalipsemotorizado.net/




O livro «Apocalipse Motorizado, tirania do automóvel em um planeta poluído» pode ser descarregado gratuitamente aqui


Até o dia 30 de abril, a editora Conrad está disponibilizando para download gratuito o livro “Apocalipse Motorizado - A tirania do automóvel em um planeta poluído”.
Basta visitar este link, fazer o cadastro no site da editora e baixar o PDF.

A obra é uma coletânea de textos organizada e apresentada por Ned Ludd. Uma referência para quem busca entender e superar a sociedade do automóvel, que serviu de inspiração (devidamente autorizada) para o título e para o conteúdo deste blogue.


Debate e apresentação do MayDay em Coimbra (dia 18 às 21h30 na Casa municipal da Cultura)


Literatura em viagem na biblioteca municipal de Matosinhos (19 a 23 de Abril)



PROGRAMA


Dia 19 de Abril

11h00 — Salão Nobre
Conferência de Abertura por Maria Barroso
Apresentação da 1ª Itinerâncias - a revista oficial do LeV

15h15 — Inauguração das Exposições
“Peregrinaçam”, de Maria Leal da Costa
“Quatro ventos , Sete mares”, de Pedro Mota
“Expo-total”, de Daniel Mordzinski

16h00 — Galeria Municipal
1ª Mesa “ Viajar É Perder Países “
Gonçalo Cadilhe
Pedro Mota
Isabel da Nóbrega
Jorge Sousa Braga
Mod: Marcelo Correia Ribeiro

18h00 – Galeria Municipal
2ª Mesa “ África: os Imaginários por Descobrir “
António Cabrita
Luís Carlos Patraquim (Moçambique)
Karla Suarez (Cuba)
Victor Andresco (Espanha)
Mod: Carlos Quiroga (Espanha)


Dia 20/04/08

11h00 — Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos
Ensemble Carl Orff — “ Todas as manhãs do Mundo” (em torno de J.S.Bach, M.S. Colombe e J. Vermeer)

15h30 — Galeria Municipal
3ª Mesa “Orientes e Ocidentes: a Cultura”
Cláudio Torres
Christian Garcin (França)
Fernando António Almeida
José Medeiros Ferreira
Mod: António Cabrita

Lançamento de livros - Biblioteca Municipal Florbela Espanca
17h00 - “Memórias de notícias do jornal”, de Frederico Martins Mendes, Câmara Municipal de Matosinhos. Apresentação de Germano Silva

18h00 — Galeria Municipal
4ª Mesa - “ A Viagem Começa Aqui “
Rui Reininho
John Lantigua (EUA)
Rhys Hughes (País de Gales)
Fernando Pinto do Amaral
Mod: José Carlos de Vasconcelos

22h00 — Salão Nobre Câmara Municipal de Matosinhos
“De António a Salomé”, espectáculo com Vitorino (voz), João Paulo Esteves da Silva (piano), Daniel Salomé (clarinete) e Carlos Salomé (viola)

Dia 21/04/08

10h30 — Biblioteca Anexa de S. Mamede de Infesta
“Do Livro à Ilustração “, oficina com Cristina Valadas

10h30 — Escola Secundária de Matosinhos - “Da Escrita sem Fitas à Escrita das Fitas “, oficina com António Cabrita (1ª sessão)

Lançamento de livros - Biblioteca Municipal Florbela Espanca
15h00 - “Retornados: um amor que nunca se esquece”, de Júlio Magalhães, Esfera dos Livros. Apresentação de Manuel Serrão

15h45 — Galeria Municipal
5ª Mesa “ A Viagem do Gosto”
Francisco José Viegas
José Manuel Fajardo (Espanha)
José Pedro Lima-Reis
Mod: Helena Vasconcelos

Lançamento de livros - Biblioteca Municipal Florbela Espanca
17h00 - “Exploradores do abismo”, de Enrique Vila Matas, Teorema. Apresentação de Nuno Júdice

17h30 - “O que resta de Deus: uma história de desencantos”, de António M. Oliveira, Edium. Apresentação de João Paulo Meneses

18h00 — Galeria Municipal
6ª Mesa “ (Re)encontro-me Viajando “
Enrique Vila Matas
Nuno Júdice
José Riço Direitinho
Tessa de Loo (Holanda)
Mod: Laurinda Alves

Dia 22/04/08

10h30 — Escola Secundária de Matosinhos - “ Da Escrita sem Fitas à Escrita das Fitas “, oficina com António Cabrita (2ª sessão)

Lançamento de livros - Biblioteca Municipal Florbela Espanca
15h00 - “Algumas notas para a história da alimentação em Portugal”, de José Pedro Lima-Reis, Campo das Letras
“As agruras de Beiraldo Alma”, de Jorge Carlos Amaral de Oliveira, Teorema

15h45 – Galeria Municipal
7ª Mesa “Em Perseguição do Sol”
EBRawson (Argentina)
Jorge Carlos Amaral de Oliveira
Cristina Ali Farah (Itália)
João Paulo Cuenca (Brasil)
Mod: Vitor Quelhas

Lançamento de livros - - Biblioteca Municipal Florbela Espanca
17h15- “Tormentas de Mandrake e de Tintin no Congo”, de António Cabrita, Teorema
“Um património humano de Matosinhos - Histórias de Mulheres e Homens da minha terra”, de Eunícia Salgadinho, Edium, será apresentado por Conceição Pires

18h00 – Galeria Municipal
8ª Mesa “A Viagem ou a Inquietude da Solidão”
Mempo Giardinelli (Argentina)
Adriana Lisboa (Brasil)
José Luís Peixoto
Mod: M. Sobrinho Simões


Dia 23/04/08
(Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor)
Serão realizados encontros de escritores na Biblioteca Anexa de S. Mamede de Infesta e nas Escolas do Concelho



Biblioteca Municipal Florbela Espanca


Em 7 de Dezembro de 1990, a Biblioteca Municipal passou a chamar-se Biblioteca Municipal Florbela Espanca, poetisa alentejana. nascida em Vila Viçosa, que viveu os últimos anos da sua vida em Matosinhos, onde faleceu aos 36 anos de idade. A Biblioteca possui da escritora uma razoável colecção de documentos, que devem, naturalmente, fazer parte do Fundo Local.
A 9 de Maio de 2005 foi inaugurado o edifício da nova Biblioteca e ”Centro Cultural”, da autoria do arquitecto Alcino Soutinho, passando assim a funcionar neste local a Biblioteca Municipal Florbela Espanca, a Galeria Municipal e o Arquivo Histórico. A transferência para este espaço permite oferecer aos utilizadores e funcionários da Biblioteca, espaço e condições de fruição dos serviços e de realização de outras actividades, e também de condições de trabalho que já se tinham tornando bastante limitadas no edifício do Palacete de Trevões. Assim, a Biblioteca Florbela Espanca, objectiva a adaptação a uma nova realidade, melhorando os serviços prestados à população e tornando-se o centro de uma rede concelhia, através do projecto de criação de pólos de leitura nas diversas freguesias, compromisso assumido com a assinatura do contrato-programa com o IPLB de apoio a construção e montagem da biblioteca.

15.4.08

7º congresso da associação CAIS realiza-se entre 15 e 17 de Abril


Desde 2002, a Associação CAIS dedica o mês de Março ao debate e à reflexão das questões sociais. Os Congressos CAIS têm permitido reunir diversas organizações e profissionais do sector social, políticos e estudiosos, em reflexões que visam colocar as questões sociais na ordem do dia e, como resultado, produzir e disseminar conteúdos relevantes nestas áreas.

Este ano, o Congresso CAIS decorre entre 15 e 17 de Abril e é dedicado ao tema "Bem Comum: para além do privado e do público".



01 Congresso - UM ABRIGO PARA TODOS 8 e 9 de Março de 2002
02 Congresso - ABRIGO, UM DIREITO DE TODOS, Imigração e Sem-abrigo 21 e 22 de Março de 2003
03 Congresso - GOSTAR DE SI, O lugar do amor numa economia liberalizada 19 e 20 de Março de 2004
04 Congresso - ECONOMIA PARA TODOS, Que não nacionalize o sucesso e privatize o sofrimento, 14 e 15 de Março de 2005
05 Congresso - JORNALISMO SOCIAL, Por uma ética da comunicação, 20 a 22 de Março de 2006
06 Congresso - EMPOWERMENT, Capacitar para participar, 21 a 23 de Março de 2007
07 Congresso - O BEM COMUM, Para Além do Privado e do Público, 15 a 17 de Abril




http://www.cais.pt/page.php?ID=21





Revista CAIS
Um instrumento de capacitação para a participação de pessoas em situação de Sem-Abrigo.


Inspirada na revista inglesa, The Big Issue, a Revista CAIS é a primeira criação da Associação, e tem-se revelado uma estratégia sócio/cultural de sucesso, nos processos de acompanhamento psicossocial e profissional dos sem-abrigo, e de outras pessoas em risco. São estes que a vendem, em exclusivo, na rua.
Privilegia as temáticas sociais, culturais e cientificas na selecção e abordagem editorial. O seu principal objectivo é despertar os leitores e a opinião pública em geral, para as problemáticas sociais relacionadas com os sem-abrigo e com outras formas de exclusão.
O preço de capa são 2€ e a receita das vendas reverte para os vendedores (70%). É distribuída por instituições de cariz social em todo o país, que seleccionam, entre os seus utentes, os vendedores CAIS.
A revista CAIS não é um porto de chegada, mas um ponto de partida, uma resposta de transição para a vida activa.


A Associação CAIS
CAIS, foi fundada em 1994 e é uma Associação de Solidariedade Social sem fins lucrativos, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública.
A CAIS tem como missão contribuir para o melhoramento global das condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco.
OBJECTIVOS
• Colocar na ordem do dia as temáticas relacionadas com a Pobreza e Exclusão social;
• Potenciar o trabalho em Rede e consolidar parcerias;
• Valorizar os beneficiários (utentes) do sistema social enquanto elementos críticos e activos;
• Desenvolver e implementar estratégias de intervenção social adequadas às necessidades das populações alvo.



Sobre os centros CAIS
Os Centros CAIS, em Lisboa e Porto, impulsionam o desenvolvimento do potencial de cada pessoa, através de estratégias inovadoras de inclusão que têm por base o afecto, o reconhecimento e valorização da pessoa humana. São uma resposta social de apoio psicossocial, formação, requalificação de competências profissionais e escolares.
Objectivos:
• Acompanhamento psicossocial e profissional, contribuir para o equilíbrio e bem-estar do utilizador, acompanhando-o no seu processo de autonomia pela inserção profissional;
• Promoção de acções formativas em competências sociais, relacionais e profissionais;
• Desenvolvimento, promoção e acompanhamento em iniciativas, acções culturais e recreativas, facilitando o acesso e a utilização dos espaços culturais;
• Oficinas ocupacionais e de formação que promovem o desenvolvimento da criatividade, auto-estima e outras aptidões pessoais dos utilizadores.


Horário de funcionamento dos Centros CAIS:
• Lisboa:9h00 - 18h00
• Porto:9h00-18h00




Centro CAIS Lisboa
Rua do Vale Formoso de Cima, 49-55
1950-265 Lisboa
Tel.: 21 836 9000 Fax: 21 836 9019
E-mail:
cais@cais.pt



Centro CAIS Porto
Rua Mártires da Liberdade, 150-152
4050-359 Porto
Tel.: 22 207 1320
E-mail:
cais@cais.pt



13.4.08

Dia Internacional pelo Darfur

Esperança para o Darfur.


Ajudar quem o mundo esqueceu.


www.dayfordarfur.org/

www.darfurinfo.org/oldnews.html


www.savedarfur.org/content?splash=yes



O Sudão é o maior país de África e uma antiga colónia britânica que sofreu, desde praticamente a independência, uma guerra entre o norte (maioritariamente árabe e que tem vindo a ser governado por partidos que assentam a sua autoridade no crescente fundamentalismo religioso) e o sul (de população maioritariamente africana e um longo passado de exploração pelo norte relacionada com o comércio de escravos). Os acordos de paz assinados a 9 de Janeiro de 2005, em Naivasha - Quénia, deixaram em aberto a independência do sul, a decidir por referendo em 2011.

Sobre o Darfur

Darfur é uma região do tamanho da França, situada no oeste do Sudão, que antes da colonização inglesa era independente de Cartum
Durante a guerra entre o norte e o sul, o exército de Cartum (norte) utilizou os jovens do Darfur como manancial de soldados africanos utilizados para combater os grupos armados do sul (muitas vezes através do rapto de crianças e jovens nas aldeias), mas a região foi relativamente poupada pela guerra e assistia até há pouco tempo a uma coexistência pacífica entre os pastores nómadas árabes e a população de etnia africana.

O genocídio

Desde 2003 que a população de etnia africana de Darfur sofre razias e morticídios que fazem parte de uma estratégia promovida pelo governo de Cartum com o apoio militar de países como a Arábia Saudita e a Líbia, apostados em impor a Charia e arabizar todo o norte do Sudão. Uma campanha de fomento do ódio étnico e racial, armando as populações de pastores árabes (politicamente mais fáceis de controlar e manipular por Cartum) e financiando as razias às populações africanas vitimou quase meio milhão de civis (!).
Ante os olhos passivos da comunidade internacional, o Governo de Cartum continua a patrocinar uma radical operação de limpeza étnica. Estima-se em mais de 3.000 o número de ataques a comunidades e aldeias destas milícias armadas e mantidas pelo governo (a uma média de cerca de 60 ataques por mês!). Todos os dias perdem a vida centenas de pessoas!

(Obs.: Quer a população árabe, quer a africana falam o árabe e professam maioritariamente o islamismo. )

Em apenas quatro anos, morreram no Darfur, vítimas da guerra, da fome ou da doença pelo menos 200 mil pessoas - os piores prognósticos apontam para 400 mil - na sua larga maioria civis indefesos.
Calcula-se que pelo menos 2,3 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar as suas casas e a procurar refúgio em campos onde estão totalmente dependentes das organizações humanitárias. Todos os dias morrem pessoas, a maior parte crianças, de todas as mais vulneráveis.
Apesar do Tribunal Penal Internacional ter declarado a existência de práticas de Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade e da ONU ter reconhecido a existência de indícios de um Genocídio, a tragédia da província sudanesa do Darfur arrasta-se desde Fevereiro de 2003, debaixo dos olhos de uma comunidade internacional pouco consequente.
Os ataques às populações sucedem-se em redor dos próprios campos onde se concentram as populações deslocadas, não sendo garantida a sua segurança. As organizações de ajuda humanitária tem sido também alvos frequentes das milícias, que procuram paralisar a sua actuação, agravando ainda mais a situação de extrema debilidade de milhões de pessoas refugiadas.
Entretanto o sofrimento causado pelo conflito já ultrapassou as fronteiras do Sudão, com milhares de refugiados a fugirem para o Chade (gerando por sua vez um número de deslocados internos que ascende já a 200 mil) e para a República Centro-Africana, aonde continuam a ser perseguidos pelas milícias Janjauid.



Darfur: chamamento à consciência













Darfur: a vergonha do mundo
Por José Manuel Pureza


Publicado nedição especial do Jornal A Cabra ( jornal da Academia da Universidade de Coimbra) dedicado ao tema e à tragédia do Darfur

O Darfur é há anos palco de uma tragédia humanitária de enormes proporções, possibilitada por um crime de esquecimento por parte da comunidade internacional. Os mais de 250 mil mortos, os dois milhões de refugiados e de deslocados internos e os mais de dois milhões de pessoas totalmente dependentes da ajuda externa são o rosto incontornável desta tragédia.


O Darfur – com uma extensão territorial comparável à da França – é apenas um dos capítulos, o mais recente, de uma extensa série de conflitos que têm atravessado o Sudão desde a sua independência em 1956. Como em tantos outros pontos do globo, a divisão étnica e religiosa (70 por cento de muçulmanos, 25 por cento de animistas e 5 porcento de cristãos) e entre diferentes modos de vida (culturas sedentárias e culturas nómadas), não pode ser absolutizada enquanto causa dos conflitos. É um ingrediente importante, sem dúvida, mas indissociável quer do peso de um passado colonial (anglo–egípcio) que separou o Norte do Sul, dando às elites do primeiro a primazia da governação – desigualdade esta que a islamização, conduzida no país a partir de 1969, durante a ditadura de Nimeiri, veio radicalizar – quer do apetite internacional pelas riquezas petrolíferas do país e das alianças por ele determinadas.


O actual poder despótico, personificado em Omar el–Bashir, não é, pois, mais do que um prolongamento de um passado de profunda discriminação e de guerra interna. Neste contexto de discriminação colectiva, o Darfur veio juntar–se – através do Exército de Libertação do Sudão (SLA) e do Movimento Justiça e Igualdade – a outras revoltas contra a marginalização económica, política e social.


Animaram essa mobilização sobretudo tribos sedentárias como os Fur, os Massaleit ou os Zaghawa. A resposta das autoridades de Cartum tem sido esmagadora e traduz–se sobretudo em acções directas de destruição por raids aéreos e no apoio às milícias Janjaweed e às suas acções de devastação das populações civis e das suas fontes de sustento.


Mas além de uma longa história de conflito e de chacina, o Darfur é também uma história repetida de acordos de paz fracassados. O último desses acordos, de Maio de 2006, mostrou–se desde o início demasiado limitado quer no elenco dos signatários quer nas obrigações concretas dos que o assinaram.


Desde logo o Partido do Congresso Nacional, no poder em Cartum, tudo tem feito para boicotar o acordo, designadamente através da integração de membros das Janjaweed nas forças policiais regulares em vez de os desarmar. Por outro lado, grupos rebeldes como algumas facções do Exército de Libertação do Sudão (Minni Minawi) têm vindo a intensificar ataques contra populações civis, especialmente em campos de deslocados.


Face a este estado de coisas, há muito que urge estabelecer naquele território uma força internacional de paz, que ponha termo aos desmandos dos diferentes grupos que chacinam a população civil.


O Conselho de Segurança da ONU, através de Resolução 1706, de Agosto de 2006, aprovou o reforço da anterior Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS), mandatada para vigiar o cumprimento do Acordo Geral de Paz que pôs fim à guerra entre o Norte e o Sul do Sudão. Está em causa o envio de uma força de 20.600 homens (no quadro restrito das Nações Unidas ou num quadro misto entre a ONU e a União Africana), complementados por pessoal civil, especificamente para o Darfur. O governo de Bashir, com fortes apoios sobretudo na China, tem tido a liberdade necessária para boicotar insistentemente esta decisão. Até agora sem consequências.


Está mais do que na hora de a comunidade internacional cessar a transigência com os perpetradores do massacre do Darfur. A cessação imediata da ofensiva militar contra o território, a plena cooperação das autoridades sudanesas com a força internacional de paz, o levantamento de todos os obstáculos burocráticos à ajuda humanitária às populações são exigências mínimas de cumprimento absolutamente inadiável. Há instrumentos para garantir a sua satisfação: sanções personalizadas contra os responsáveis pelos massacres, vigilância


apertada sobre os rendimentos dos negócios do petróleo e sobre os fluxos de investimento directo estrangeiro ou fiscalização, sob a égide do Conselho de Segurança, das contas “offshore” dos membros da direcção do partido maioritário, tudo pode e deve ser implementado para limitar a chacina.
Assim haja vontade política.

Os 10 mandamentos da religião (neo)liberal em veneração ao divino Mercado apresentados por Dany-Robert Dufour

Nota prévia: a divulgação aqui das teses de Dany-Robert Dufour não significa obviamente a nossa concordância com todas elas. Pensamos sim que o seu conhecimento permitirá um debate mobilizador sobre os efeitos da ideologia neo-liberal e a consequente capacitação crítica de quem resiste a mais este deus, desta vez sob a forma do divino Mercado.

Um novo deus subiu aos altares nas nossas sociedades contemporâneas, o Mercado.
Um deus que se apresenta como um remédio para todos os males e que promete a felicidade eterna.
A religião, que o glorifica, esteve em gestação nos últimos 3 séculos e assistimos hoje aos seu triunfo e consagração.
Na sua origem está um princípio axiomático tão simples quanto paradoxal - «os vícios privados fazem as virtudes públicas», ou seja, os maus vícios privados levam à fortuna pública.
Este princípio moral reinante hoje em dia pode-se traduzir em 10 Mandamentos implicítos, muito poderosos, que são os 10 mandamentos do (neo)liberalismo:


1) Deixar-te-ás guiar pelo egoísmo e entrarás alegremente no rebanho dos consumidores

Nota: o que equivale à destruição de qualquer individualidade

2) Utilizarás o outro como um meio para alcançares os teus fins

Nota: o que equivale à destruição de toda a «common decency»

3) Poderás venerar todos os ídolos à tua escolha, desde que adores o deus supremo, o mercado

Nota: trata-se aqui do retorno (e reforço) do elemento religioso

4) Não quererás ser um Kant-em-si a fim de escapares ao rebanho

Nota: o que equivale à neutralização do ideal ( isto é, do espírito) crítico

5) Combaterás todo o governo e serás tu a assumir a boa governação

Nota: este mandamento acabará por se traduzir na destruição da dimensão política substituída pela soma dos interesses privados

6) Ofenderás todo o professor que esteja em posição para te educar

NOTA: o que equivale à desconsideração da transmissão de saberes e ao descrédito do poder formador das obras

7) Ignorarás a gramática e maltratarás o vocabulário

Nota: tal conduzirá à criação de uma novlíngua

8)Violarás as leis sem te importares com isso

Nota: o que vai levar, paradoxalmente, à proliferação do direito e dos procedimentos quanto à invalidação de toda a Lei

9) Abrirás indefinidamente a porta já aberta por Duchamp

Nota: o que comduzirá à transformação da negatividade da arte numa comédia de subversão

10) Libertarás as tuas pulsões e procurarás uma fruição sem limites

Nota: o que equivale à destruição de uma economia do desejo e sua substituição por uma economia de fruição



«Os vícios privados fazem as virtudes públicas» é uma fórmula que se tornou hoje banal mas que escandalizaou a Europa das Luzes quando foi enunciada em 1704 por Bernard de Mandeville, médico, e precursor mal conhecido do liberalismo. O seu enunciado, considerado perverso na época, foi fazendo escola ao longo dos séculos até se ter tornado hoje no princípio moral que rege o nosso planeta, na medida em que se constituiu no núcleo de uma nova religião que parece reinar um pouco por todo o lado e votada à veneração do divino Mercado.
A pergunta que nos assalta de imediato é logo a de saber se as fraquezas individuais contribuem para as riquezas colectivas, não se deverá então privilegiar os interesses egoístas de cada um?

Quem se interroga assim e nos faz um diagnóstico analítico da nova religião éo filósofo Dany-Robert Dufour, apostado como está em interrogar as últimas evoluções das nossas sociedades contemporâneas.

No seu último livro, com o sugestivo título «Divino Mercado.A revolução cultural liberal», ele aponta 10 mandamentos que consubstanciam a moral neoliberal hoje dominante em domínios tão variados como a relação de cada um em relação a si mesmo e ao outro, a sua relação para com a escola, bem com para com a política,a economia, a empresa, o saber, a língua a Lei, a arte, o inconsciente, etc. Com a sua abordagem o autor mais não pretende que dar conta da autêntica revolução cultural que vivemos hoje, e que não sabemos onde nos pode levar.

Com efeito, no livro «O Divino Marcado, a revolução cultural liberal» o filósofo francês Dany-Robert Dufour pretende mostrar que longe de termos saído da dominação religiosa acabamos na actualidade por sermos submergidos por uma nova e poderosa religião, o Mercado, duplamente mais eficaz, e funcionando segundo um princípio muito simpes que já fora apresentado por Bernard de Mandeville em 1704 : «os vícios privados fazem as virtudes públicas». Um milagre foi possível graças à intervenção de uma Providência divina, nada mais nada menos que a célebre «mão invisível» de que dam Smith falava. O autor apresenta ainda os 10 Mandamentos desta nova religião que se revela menos proibicionista que as religiões anteriores, porque apostada sobretudo em incitar e orientar os seus fiéis.

No seguimento da sua teorização e na linha de um Jean-Claude Michéa, tenta analisar o acontecimento histótico que foi o Maio 68 como uma formidável armadilha na medida em que os estudantes em luta contra o capitalismo acabaram por obter efeitos exactamente opostos àqueles que pretendiam atingir com o seu combate, uma vez que este acabou por abrir o passo a uma nova forma capitalismo, um capitalismo desregulado e desinstitucionalizado. Nesse sentido Maio de 68 é-nos apresentado como desencadeador de um espírito liberal, e não tanto libertário, uma vez que a transgressão permanente preconizada acabaria por desencadear uma libertação de paixões e de pulsões que se mostrava indispensável para o emergente reino da livre circulação das mercadorias.
Os pensamentos de Deleuze, Bourdieu e Foucault , aparentemente revolucionários quando questionavam toda a identidade e toda a cultura dominante, redundaram antes numa desimbolização liberal dos indivíduos ( isto é, numa desinibição simbólica), numa desubjecitivação do humano, contribuindo involuntariamente para o mercado conquistar mais facilmente os espíritos.
Livro:
Le Divin Marché. La révolution culturelle libérale
de Dany-Robert Dufour




Dany-Robert Dufour - Le Divin Marché






Parte 1






Parte 2






Parte 3

Escravatura na sociedade actual: debate a realizar pela Tertúla Liberdade no dia 19 de Abril às 16h.

Local: Espaço PAR situado na Rua Padre Gregório Verdonk, nº 4 em Lisboa
(escadas junto ao Centro Comercial Novo Areeiro, perto da Rotunda, no lado oposto ao da Segurança Social).

Esta iniciativa integra-se no Festival Imigrarte 2008.

A Tertúlia da Liberdade promove, no próximo Sábado dia 19 de Abril pelas 16 horas, o debate «Escravatura na sociedade actual?».
A iniciativa pretende dar continuidade ao trabalho iniciado em Dezembro de 2007 com a realização do evento «200 anos de denúncia da escravatura».

Apesar de terem passado já tantos anos sobre a primeira lei abolindo oficialmente a escravatura, promulgada pela Inglaterra em 1807, calcula-se que existam ainda cerca de 27 milhões de escravos no mundo. O papel que Portugal assumiu neste tráfico contínua por discutir assim como suas consequências nas sociedades actuais e as novas formas de escravatura em desenvolvimento.

http://tertulialiberdade.blogspot.com/





http://www.antislavery.org/2007/


http://www.antislavery.org/breakingthesilence/

http://www.anti-slaverysociety.addr.com/index.htm

Hoje há Assembleia dos precários, e no próximo Sábado (19 de Abril) há Festa MayDay no Ateneu de Lisboa

Assembleia MayDay
Hoje
Domingo - 13 de Abril às 17h

Se puderes aparecer mais cedo, juntamo-nos às 15 horas, para fazer materiais para a Festa MayDay e para a parada!!


Local:
Cooperativa Cultural Crew Hassan
Rua das Portas de Santo Antão, 159 (perto Coliseu)

Divulga já pelos teus contactos!!
Não faltes!




Festa Mayday no próximo Sábado, 19 Abril - 21h30

Local: Ateneu de Lisboa
Portas de Santo Antão







Ciclo de Cinema sobre o tema do Trabalho organizado pelo Cinemalfa


O
Cinemalfa organiza, nas próximas Quintas deste mês:


Ciclo de Cinema sobre o tema do Trabalho


dia 17 e 24 de Abril


Inicio das sessões às 21h30


Rua dos Fanqueiros, 286, 1°, Lisboa

http://cinemalfa.blogspot.com/


Encontro de precários(as) nas Caldas da Rainha ( 16 de Abril, às 18h., na Pensão Portugal)


O Precariado a rebelar-se nas Caldas da Rainha!!


Debate e preparação para a participação de todos os precários
da região à volta das Caldas da Rainha no MayDay-Lisboa 2008

Seminário na Corunha ( Galiza) sobre «A globalização em crise. Controle, governamentabilidade e movimentos sociais» (18 e 25 de Abril)


Promovido pelo colectivo Assembleia de Precárias vai-se realizar na Corunha (Galiza) nos dias 18 e 25 de Abril um Seminário autogestionado sob o tema «A globalização em crise. Controle, governamentabilidade e movimentos sociais»

http://cognitarias.blogaliza.org/

A actual globalização dos sistemas de educação do ensino superior ameaça anular todo o espaço de critica e de dissidência; a cada vez maior tendência para a tecnocratização dos conteúdos, a elevada precarização dos estudantes e investigadores, os regimes de propriedade intelectual privada e as complexas hierarquias obstaculizam gravemente as possiblidades de um oposição e alternativa à Universdidade neoliberal.
A difícil abertura de um espaço político outro, no que toca a produzir um saber comum a partir do nosso desejo de autonomia, horizontalidade e participação, anima os organizadores deste Seminário, o colectivo « Assembleia de Precárias»
Nesse sentido lançou-se na oferta formativa no Campus uma acção que será a nossa primeira experiência de autoformação sob o tema «A globalização em crise. Controle, governamenbilidade e movimentos sociais» que pretende mapear os territórios e as lógicas da sociedade de controle e os novos movimentos sociais que a questionam a partir dela.


Programa:

18 de abril
Local: Faculdade de Direito, Aula 5

9:30 - 10:30 Conferencia inaugural: Abertura e creatividade: a historia do ser humano.
José Antonio Fernández de Rota, Catedrático de Antropología da UDC.

O ser mais incontrolado do planeta substituiu os instintos pelas muito complexas redes do controle social. O controle e as suas correspondentes iniciativas de resistencia, umas e outras são uma mostra clara da creatividade humana, da sua abertura radical. Esta conferência tratará de buscar as relaciões existentes entre creatividade e liberdade.

10:30 - 12:00 Poder e contestação (de Foucault a Tarrío).
Luis García Soto. Professor Titular de Filosofía Moral na Universidade de Compostela.

Segundo Foucault, na sociedade ocidental contemporânea dá-se un novo tipo de poder (Biopoder) e novas formas (regulações, disciplinas, dispositivos) de poder, que se soman ao tipo (poder de morte) e as formas (poder militar, poder ideológico) tradicionais. Perante esses poderes, a contestação (a resistência, a oposição, a alternativa) vai do anti-poder ao contra-poder. A este respecto, Tarrío proporciona un exemplo e um contributo concreto.

12:15 - 13:45 Novo capitalismo e lógicas de controle.
José Ángel Brandariz. Professor Titular de Direito Penal na Universidade da Coruña.

Há tres décadas Foucault intuiu que a lógica disciplinária que animava então os dispositivos de sanção estavam mudando, na abertura duma etapa já embrionáriamente postmoderna. Hoje é o momento de testar as instituções de sanção e de controle presentes, para comprovar a certeza ou inveracidade daquela intuição.

16:00 - 17:30 O risco como dispositivo de governo na sociedade de controle. Algumas notas sobre Frontex.

David San-Martín. Investigador Predoutoral en Filosofía do Direito da Universidad de La Rioja.
A evolução do do risco como dispositivo em sentido foucaultiano (isto é, como entramado de racionalidades, discursos e técnicas de governo) permite descortinar alguns dos traços distintivos da sociedade de controle: as novas formas de objetivação securitária, a relación poder-saber e, em definitivo, a governamentabilidade que o dito modelo traz consigo. Como exemplo, apresentam-se algumas notas sobre os usos das técnicas notariais por parte da Frontex na gestión das fronteiras exteriores da UE.

17:45-19:30 Virtual WWWorlds. Servidões e libertação na era digital.
Rosendo González. Revista Transversal

A nova rede digital não é só uma nova forma de transmissão e difusão de información senão também, e sobretudo,um novo modo de existência. Uma nova forma de “estar no mundo” que combina, paradóxicamente, os mais íntimos e brutais métodos de controle com as possibilidades mais radicais de libertação. Produção maquínica de subjetividade, aceleração, virulência, espectáculo, sociedade-rede, fragmentação, etc. Há dois dispositivos que por concentrar parte destas problemáticas se converteram em representantes desta contradição: a web 2.0 e Google. Sobre eles versará em grande medida a nossa abordagem, através do movimento pelo software livre ou as reflexões de autores como Jean Boudrillard, Marshall McLuhan, Gilles Deleuze, Guy Debord e Félix Guattari.

Sexta-Feira, 25 de abril
Local: Faculdade de Socioloxía, Salón de Graos

9:30 - 10:30 Apresentação

10:30 - 12:00 Metrópole e multitude.
Emmanuel Rodríguez. Doutor em Historia pola Universidad Complutense de Madrid.

O conceito de metrópole, além do seu uso nos estudos urbanos e para designar determinadas morfologías urbanas, é hoje o designador da situação actual. A metrópole é tanto a fábrica do capital como a grande máquina social. A metrópole é a pele da multitude, o governo complexo duma produção tendencialmente socializada; a realidade mesma da complexidade e da extremada fragmentação social. Por isso a metrópole só é governável mediante o estado de excepção. E por isso também, a metrópole é o grande desafio de uma política que vá para além dos episodios festivos do baile das revoluções moleculares e das pequenas insurrecções. A pergunta é sempre a mesma, que política é hoje possível?

12:15 - 13:45 A imaginación ao poder?: estrategias de renovacção urbana na cidade de Los Ángeles.
José María Cardesín. Professor Titular de Sociología na Universidade da Coruña.

Abordar-se-ão três projectos de remodelação urbana desenvolvidos na cidade de Los Ángeles na segunda metade do século XX: Bunker Hill, Hollywood Boulevard e Plaza México. Os três definem outros tantos modelos, tanto no que respeita aos objectivos como à implicação dos poderes públicos. Da primeira estratégia de demolição total passa-se a uma segunda de renovação urbana, para concluir na reinvenção do Kitsch.

16:00 - 17:30 As políticas da narração. Simulacro e reflexividade.
Antón Fernández de Rota. Doutorando en Antropologia.

Através duma revisão histórica das teorías da postmodernidade tentaremos aproximarmo-nos sas políticas da narração dos novos movimentos sociais. Deste jeito empreender-se-á uma viagem que vai entre a antropología, o cinema e os movimentos até entrarmos nas contra-estratexgas que a multitude emprega na era da simulação com o fim de expandir uma reflexividade antagonista sob a forma de obra aberta (opera aperta).

17:45 - 19:30 A política para além do soberano
Raimundo Viejo Viñas. Professor de Ciencia Política na Universitat Pompeu Fabra.

Com o desenvolvimento da vaga de mobilizações globais que se estende de 1994 até a actualidade, o modo de domínio inícia uma readaptação às exigências de controle que impõem novos repertórios da acçã colectiva. Esta mudança de paradigma no modo de governação está a pivotar sobre a excepção como limite da produção de uma governabilidade outra pata além dos constrangimentos da constituição formal. A fim de fazer possível o ajuste do modo de governo é preciso a suspensão de garantias jurídico-formais por meio da difusão gernealizada de uma nova cultura da emergência baseada numa nova forma de soberania: o Império. Esta, porém, mina os fundamentos da legitimidade liberal-democrática que se ancoravam no Estado nacional abrindo com isso o horizonte de um poder constituinte.

A Inscrição serve para o obtenção de créditos concedidos aos participantes.

Podes fazer a tua inscrição antecipada enviando nome e apelidos e o nº do teu documento de identidade para:
cognitarias@gmail.com

«A Tradição da Contestação.Resistência estudantil em Coimbra»:um livro de Miguel Cardina



Entrevista com Miguel Cardina que acaba de publicar, na revitalizada editora Angelus Novus, e de cujo blogue retiramos esta entrevista, o livro A Tradição da Contestação. Resistência Estudantil em Coimbra no Marcelismo.

AN: O título do seu livro, que se coloca explicitamente sob a égide de revisões contemporâneas da ideia de tradição como as activadas por Eric Hobsbawm, quer dizer exactamente o quê?


MC: Remete para duas ideias complementares. A primeira procura desmistificar um certo discurso sobre a «tradição académica», que ainda hoje persiste em Coimbra, e que entende a praxe como uma espécie de património ancestral, mais ou menos perene e incontestado, o que não é inteiramente verdade. Houve uma contestação da tradição que ocorreu durante toda a década de sessenta e que resultou na recusa de rituais, práticas e simbologias tidas como arcaicas. E esse não foi um processo inédito: de maneira distinta, nos finais do século XIX e inícios do século XX, estudantes identificados com o ideário republicano tinham-no já feito, o que levou, aliás, ao desaparecimento da praxe entre 1910 e 1919. Curiosamente, hoje é esse pedaço da história que anda desaparecido…
A segunda ideia relaciona-se com esta e diz respeito ao objecto central do livro: o estudo do processo de politização da juventude estudantil entre meados da década de cinquenta e o 25 de Abril. É a este percurso - variado e com algumas descontinuidades - que eu chamo de tradição da contestação. Ele é feito de profundas mudanças ao nível da contestação política mas também no campo das sociabilidades académicas. Algumas dessas mudanças são ainda hoje visíveis nas Repúblicas ou no próprio entendimento da Academia como «espaço de reivindicação».

AN: Ainda é possível dizer coisas novas sobre as «crises estudantis em Coimbra no antigo regime»?


MC: Julgo que sim. Parece-me que esta obra, bem como os diferentes trabalhos efectuados por Rui Bebiano - desde O Poder da Imaginação, até à recuperação de memórias dos activistas (com Maria Manuela Cruzeiro) ou o recente livro de articulação com o presente (com Elísio Estanque) - demonstram o interesse em se analisar os movimentos estudantis sob um prisma não simplesmente político, mas também social, moral e cultural.
De qualquer modo, o meio estudantil coimbrão é aquele que se encontra melhor estudado. Sobre o Porto, por exemplo, existe uma nebulosa quase total. Mas mesmo sobre Coimbra, faria falta um trabalho sobre o meio estudantil no contexto da 2ª guerra mundial ou sobre os posicionamentos sócio-políticos do corpo docente. Existe um livro de Luís Reis Torgal sobre o assunto, mas que se concentra no período entre 1926 e 1961. Seria interessante uma abordagem que fosse dessa data até ao 25 de Abril de 1974. E que colocasse em diálogo a composição, as práticas e as convicções do corpo docente e do corpo discente.

AN: No seu livro propõe que se considere a especificidade do período pós-69, mais propriamente o que coincide com o consulado de Marcelo Caetano. Mas tem noção que não é possível substituir, na economia simbólica das «crises estudantis em Coimbra» e mesmo na memória das gerações que as viveram, a centralidade mítica de 69 pelo período que se segue até 74, ou não?


MC: Não existe, naturalmente, uma intenção de substituir a centralidade de 69 por uma outra, colocada entre 70 e 74. Até porque isso seria conferir um poder à história que ela não detém. Mas procurei, sem dúvida, chamar a atenção para tempos menos conhecidos, menos celebrados, e que, não tendo tido a «dimensão de massas» da «crise de 69», foram inovadores em diferentes níveis: na recusa de um tradicionalismo ainda utilizado durante a “crise”, na politização da cultura ou na introdução de uma retórica anticolonial, que em 1969, por exemplo, nunca aparece explicitada. Para se fazer a história do processo revolucionário de 1974-1976, bem como, em certa medida, a (pré-) história das elites emergentes anos depois na política, na cultura, no jornalismo, etc., tem de se ter em conta aquele período.

AN: A sua área de trabalho é a «história contemporânea». Como sabe, há ainda muito quem considere a expressão duvidosa, para não a dizer uma contradição nos termos. Como vê essas posições?


MC: A desconfiança coloca-se mais ao nível da chamada História do Tempo Presente, que se baseia numa relação de coetaneidade entre o historiador e o objecto de investigação. Tem-se a ideia de que essa proximidade é perniciosa. No meu caso, isso nem se põe: directamente, não vivi o Estado Novo, como não vivi a implantação da República ou a matança de judeus em Lisboa no início do século XVI.
O que na realidade se pretende sugerir é que nos casos em que o passado está demasiado presente, a objectividade fica deturpada. O que é uma noção ainda devedora do positivismo e algo ilusória do ofício. A escrita historiográfica é sempre feita por um sujeito situado no tempo e no espaço, com um conjunto nunca infinito de fontes, seleccionadas por um olhar pessoal e visando uma coerência interna. O produto desse trabalho apenas participa da Verdade na medida em que está aberto ao confronto crítico. É certo que se podem colocar alguns entraves ao nível do acesso aos arquivos, ou algum melindre por se estar a falar de pessoas que ainda podem estar vivas. Mas isso leva-nos, mais do que a um limite, a uma potencialidade associada à história (muito) contemporânea: a oportunidade de recurso à memória vivida. A História Oral é, aliás, um dos eixos da tese de doutoramento que estou agora a realizar.

AN: O seu trabalho actual, sobre a constituição da extrema-esquerda em Portugal, é uma sequência natural de A Tradição da Contestação? Ou seja, foi na universidade que nasceu a extrema-esquerda e foi esse o seu nicho ecológico preferencial?


MC: A primeira organização portuguesa de extrema-esquerda é a FAP/CMLP, que aparece em 1964, resultado de uma cisão no interior do PCP, no contexto do conflito sino-soviético. Estritamente, o grupo não nasceu no seio estudantil, ainda que tenha recolhido simpatias de sectores mais politizados, em regra jovens ligados ao PCP e que se vão afastando deste partido por não concordarem com a linha de integrar o exército e ir para a frente de combate fazer trabalho político.
Mas a FAP/CMLP sofreu uma forte repressão entre 1965 e 1966, o que fez com que a organização - e sobretudo os textos do seu ideólogo, Francisco Martins Rodrigues - permanecesse mais como inspiração do que como suporte organizacional dos múltiplos grupos de matriz maoísta que emergiram nos anos seguintes. Pequenos e por vezes inorgânicos grupos de matriz trotskista ou socialista radical também apareceram nessa curva da década de sessenta para a década de setenta. E foi efectivamente no meio estudantil que se deu esse florescimento. No final do Estado Novo, o PCP, que era tradicionalmente a força dominante nos meios estudantis até meados da década de sessenta, repartia e por vezes era suplantado por estruturas como os Núcleos Sindicais, ligados à OCMLP, no Porto e em Coimbra, o MRPP, em Lisboa, ou a UEC(m-l), em Lisboa e no Porto. Foi este fragmentado activismo de extrema-esquerda que colocou o anticolonialismo no topo da agenda estudantil.

AN: Hoje em dia, tem-se a sensação de que tanto os princípios que orientavam os estudantes nos seus protestos nos anos 60 (e passam 40 anos sobre o Maio parisiense) como a própria ideia de extrema-esquerda se tornaram obsoletos. Os estudantes de hoje lutam contra os princípios de Maio de 68 - na medida em que lutam por escolas «articuladas» com as empresas, cursos práticos e orientados para o emprego, etc. - e a extrema-esquerda só sobrevive em recodificações como as do Bloco de Esquerda, em que o político, lato sensu, se tornou o cultural: aborto, casamento homossexual, etc. Trabalhar sobre a extrema-esquerda é hoje fazer «arqueologia do presente», para falar à Foucault?


MC: Referiu a caducidade do Maio de 68, atestada pela ausência desses princípios no ideário reivindicativo estudantil de hoje, o que é inteiramente verdade. Mas também é verdade, a outro nível, a sua presença praticamente consensual em diversos domínios da sociedade. Algumas questões relacionadas com o direito das minorais, o feminismo, a ecologia, o recuo de uma moral conservadora, etc., devê-las a esse «espaço 68». Na semana passada, num artigo no Público, Pacheco Pereira dizia que era paradoxal a condenação do Maio de 68 efectuada por Nicolas Sarkozy na última campanha presidencial francesa, já que sem aquele momento nunca teria sido visto como admissível um presidente casar com uma cantora pop que se tinha mostrado nua em revistas. Queiramos ou não, hoje somos todos um pouco filhos desse passado.
Talvez seja importante também não amalgamar completamente aquele «espaço 68» à extrema-esquerda daqueles anos. Na verdade, alguns sectores mais ortodoxos viram a emergência daquelas temáticas que mencionei com desconfiança, por acharem que se estava a descentrar indevidamente a militância da questão fundamental da luta de classes. É, aliás, esse aspecto mais rigidamente marxista-leninista que hoje aparece como obsoleto, até porque desapareceu o mundo bipolarizado da Guerra-Fria, bem como a sedução pela China, por Cuba e pelos independentismos africanos e asiáticos e o próprio modelo de organização ferreamente disciplinada mostrou-se pouco operativo e asfixiante.
Mas o radicalismo daqueles anos teve uma outra dimensão, que em Portugal foi, aliás, minoritária. Ela consistiu naquilo que Julie Stephens, uma historiadora australiana dos anos sessenta, chamou de “protesto antidisciplinar”, isto é, a capacidade de invenção de uma nova linguagem de protesto. Ela consistia numa recusa da “disciplina do político” e das correlativas noções de organização, hierarquia e liderança. Esta nova dinâmica de contestação levou a transgredir distinções rígidas como a efectuada entre radicalismo político e radicalismo cultural. A acção dos Provos, na Holanda, dos situacionistas, em França, ou dos Diggers, nos EUA, foram exemplos mais visíveis disso. A cólera e a festa, o colectivo e o individual, a política e a cultura, eram dois lados da mesma moeda. Em certa medida, a esquerda radical pós-moderna inscreve-se na linha de continuidade deste filão.

http://angnovus.wordpress.com/


A TRADIÇÃO DA CONTESTAÇÃO
Resistência Estudantil em Coimbra no Marcelismo
Miguel Cardina


Sobre o livro
Decorridas mais de três décadas sobre a queda do Estado Novo, as lutas estudantis travadas contra o regime de Salazar e Marcelo Caetano continuam a dispor de um lugar relevante na memória colectiva. Partindo do caso concreto de Coimbra, A Tradição da Contestação aborda a dissidência política e cultural que atravessa as universidades entre 1956 e 1974, focalizando a análise no período marcelista. Durante estes anos, um vasto processo de politização acentua-se nas práticas e nos discursos estudantis, contribuindo de forma decisiva para a quebra de legitimidade que a ditadura experimenta no seu troço final.



«Miguel Cardina observa um período do movimento estudantil que tem permanecido encoberto pela memória mais divulgada da 'crise académica' de 1969. E fá-lo num trabalho pioneiro, com uma atenção e um rigor absolutamente exemplares».
Rui Bebiano










11.4.08

Polícia Judiciária não conhece a lei nem sabe o que é o terrorismo, pois classificou uma acção contra um campo de milho transgénico como "terrorismo"


O último relatório da Europol sobre as tendências do terrorismo, classifica a ceifagem do campo de milho transgénico em Silves como acto de terrorismo. Na França, Alemanha ou Reino Unido, este tipo de acções, muitas delas bastante mais radicais, decorrem de forma sistemática, mas não vêm classificadas neste relatório como actos terroristas. Neste momento estão também em curso acções de ocupação de campos de cultivo experimental de transgénicos na Alemanha.

O Rádio Clube Português fez uma reportagem sobre esta classificação no relatório da Europol. Nem o advogado de acusação consegue ver qualquer forma de terrorismo nesta acção. Um especialista em direito penal diz não ver qualquer relação entre a acção de Silves e actos terroristas.


O relatório da Europol diz que Portugal teve o único ataque ligado ao terrorismo ambientalista ou ecológico, no ano passado. Apesar da classificação da Policia Judiciária, o caso não está a ser investigado pelo crime de terrorismo.


O especialista em direito penal, Germano Marques da Silva, explica o que diz a lei sobre o terrorismo e garante que o ataque ao campo de milho algarvio não é um ataque terrorista.


O advogado do agricultor que viu destruído um hectare de milho transgénico espera ainda pela acusação do Ministério Público. André Botelheiro espera uma acusação por dano em propriedade privada e pede justiça, mas não pelo crime de terrorismo.


O director do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, general Garcia Leandro, admite que não faz sentido classificar o caso do campo de milho no Algarve como um ataque terrorista.


É evidente o interesse que o governo português tem em esmagar a oposição aos transgénicos, ao classificar uma acção política pacífica e não violenta como acto de terrorismo (o relatório é elaborado a partir das contribuições das entidades responsáveis de cada país). Quando a democracia é fraca, a polícia, neste caso a Polícia Judiciária tem o terreno livre para colocar este tipo de disparates num relatório. Quem sofre somos todos aqueles que lutamos de uma forma ou outra por um mundo melhor, livre de transgénicos.


Info:

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ÚLTIMA HORA

Estado alemão da Baviera abandona o cultivo de transgénicos

O governo da Baviera (CSU), partido conservativo cristão, lançou ontem uma conferência imprensa, anunciando que o milho transgénico (MON 810) não tem nenhuma vantagen sobre o milho convencional.
Nem os agricultores, nem os consumidores querem os transgénicos, segundo eles. Assim vão acabar com os campos experimentais, que existem na Baviera (nos campos estatais). Só um de 1,6 ha vai ficar, segundo o ministro de agricultura, Miller, "para não temos de confiar nas resultados que foram feitos pelos próprias empresas."

Os Verdes criticam uma política dividida. Enquando o governo de Baviera está deixar praticamente o cultivo, o governo alemão, com ministro de Agricultura de CDU (partido irmão de CSU), ainda continua a apoiar as empresas agrobiotecnológicas e o cultivo dos OGM's. Assim, não é proibido cultivar OGM na Baviera, por que a lei do país federal se sobrepõe à lei do estado.

Para a discussão sobre uma nova moratória, que já teve lugar na Alemanha no ano passado, este passo da Baviera torna-se ainda mais importante.
Fonte: aqui

Programação da Biblioteca Museu da República e Resistência recorda o Maio de 68


Programação das próximas semanas da Biblioteca Museu da República e Resistência inclui iniciativas e conferências sobre Maio de 68

ABRIL
Dia 15 (Terça) 18.30h – Comemorações dos 40 anos do Maio de 68 – Lançamento da revista «A comuna dedicada ao Maio de 68» apresentada por Mário Tomé


MAIO
Dia 6 (Terça) 18.30h – Comemorações dos 40 anos do Maio de 68 «Luta estudantil no pós 25 de Abril» por Dr. Rui Faustino



Dia 14 (Quarta) 18.30h – Comemorações dos 40 anos do Maio de 68 «Reflexão sobre o Maio de 1968» pela Dra. Eduarda Dionísio


Dia 19 (Segunda) 18.30h - Comemorações dos 40 anos do Maio de 68 – Conferência «A Crise Académica de 61/62 anuncia o Maio de 68» por Hélder Costa

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A restante programação do mês de Abril:


Dia 1 (Terça) 19.00h – Inauguração da exposição «URAP»

Dia 1 (Terça) 19.00h – Cultra – Conferência

Dia 2 (Quarta) 18.30h – Congresso livre pensamento «A importância da Cultura do Livre Pensamento em Portugal» por Dr. Luís Vaz

Dia 4 (Sexta) 19.00h – Cultra – Conferência

Dia 5 (Sábado) 14.00h/19.00h - «URAP» - Conferência

Dia 7 (Segunda) 16.00h – Inauguração da exposição “25 de Abril

Dia 8 (Terça) 10h/13h – Reunião Associação Portuguesa de Psoríase

Dia 8 (Terça) 19.00h – Cultura – Conferência

Dia 9 (Quarta) 18.30h – Congresso livre Pensamento «Teófilo Braga-Discurso Inaugural» por Dr. Firmino Mendes

Dia 11 (Sexta) 18.30h – Circulo de Leitura por Dr. Rui Faustino

Dia 14 (Segunda) 18.30h – Ciclo de conferências Diferentes Territórios (de) Marcados - «Caminos Arcaicos de Lusibona» pr Arq. Manuel Nicolau

Dia 15 (Terça) 18.30h – Comemorações dos 40 anos do Maio de 68 – Lançamento da revista «A comuna dedicada ao Maio de 68» apresentada por Mário Tomé

Dia 16 (Quarta) 18.30h – Congresso livre Pensamento «Livre Pensamento e Livre Exame» por Dr. Firmino Mendes

Dia 18 (Sexta) 18.30h – Circulo de leitura por Dr. Rui Faustino

Dia 19 (Sábado) 16.00h – Cerimónia Evocativa do Massacre dos Judeus – Conferencistas: António Borges Coelho e Jorge Martins. Moderador: João Mário Mascarenhas

Dia 22 (Terça) 18.30h – Conferência «O 25 de Abril» por Coronel Mário Tomé e Dr. Rui Faustino

Dia 24 (Quinta) 9.30h/18h - «Governo Jovem» org. Fórum Estudante

Dia 30 (Quarta) 18.30h – Ciclo de conferências Diferentes Territórios (de) Marcados «Arte Rupestre e Megalitismo: Questões à volta da origem dos Símbolos» por Dr. Manuel Calado


http://www.cm-lisboa.pt/cultura/DBD/brepublica/




A Biblioteca-Museu República e Resistência constitui hoje um reconhecido espaço de encontro entre a investigação científica e a divulgação de qualidade, o testemunho histórico e a reflexão sobre elementos sobre elementos estruturantes da nossa memória colectiva.
Sob o signo da contemporaneidade, com respeito das exigências didácticas próprias da comunicação com um público vasto e diversificado, nele têm sido promovidas realizações de alcance não apenas cultural e científico, como cívico.
Esta última dimensão, aliás, sublinhando o papel dos valores da liberdade e da tolerância na formação das gerações, é uma dimensão que se não quer alheia aos objectivos de uma Biblioteca-Museu que nasceu para invocar a República e a Resistência, criado pela Câmara Municipal de Lisboa.



Morada
Espaço Cidade Universitária

Horário de Inverno: De Terça a Sexta: Das 10:00 às 20:00. Sábados e Segundas: Das 13:00 às 20:00. Última Quarta do mês: Das 14:00 às 20:00

Morada: Rua Alberto de Sousa, nº 10 A - Zona B do Rêgo
1600-002 Lisboa

Tel: 21 7802760

Fax: 21 7802788

Email: bib.republica@cm-lisboa.pt

Especializada em História Contemporânea e preservação das memórias da Resistência; documentação sobre os movimentos cívicos de séc. XX

Valências: Biblioteca Dulce Ferrão, Auditório Ribeiro Santos, Ciber café, Restaurante, Galeria, Exposições, Formação

Espaço Grandella
Horário de Inverno: De 2ª a 6ª feira das 10:00 às 17:30

Última Quarta de cada mês: Das 14:00 às 17:30
Morada: Estrada de Benfica, 419

Tel.: 21 7712310/29 Fax: 21 7782681


Exposições do Museu Nacional de Imprensa para comemorar o 25 de Abril


As comemorações do “25 de Abril” e o cartoon estão a marcar as actividades do Museu Nacional da Imprensa, com a apresentação de dez exposições de norte a sul do país, para além das cinco patentes na sua sede.

De Guimarães a Sesimbra, o MNI mostra ao público testemunhos da história recente de Portugal e o melhor do humor mundial, prosseguindo dessa forma a sua política de descentralização cultural.

Em Guimarães podem ser vistas duas mostras promovidas pela autarquia local:
“Livros Proibidos na Ditadura de Salazar” na Biblioteca Municipal Raul Brandão; e “RevoluSam” no Museu de Arte Primitiva Moderna. A primeira apresenta dezenas de livros e outros documentos ilustrativos da acção dos Serviços de Censura na literatura portuguesa e estrangeira. “RevoluSam” mostra cerca de 100 desenhos originais do caricaturista SAM. Muito censurado durante a ditadura, nos desenhos que produzia para o Expresso e a revista Seara Nova, o humorista revelou-se, com o 25 de Abril, um dos espíritos mais clarividentes na análise satírica do rumo dos acontecimentos durante a “revolução” e depois, até pouco antes de morrer, em 1993.

As centenas de cartazes que o Museu Nacional da Imprensa possui sobre o 25 de Abril, permitem que Albergaria, Palmela e Sesimbra possam mostrar ao público, dezenas de cartazes alusivos à “Revolução dos Cravos”. Promovidas pelas respectivas Câmara Municipais, as exposições apresentam ícones do “
25 de Abril” da autoria de Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira.


Em Santo Tirso, o Museu Municipal Abade Pedrosa tem patente ao público a exposição “Bordallo Pinheiro: um génio sem fronteiras”.

Ainda no âmbito da descentralização, o Museu da Imprensa tem patente no Museu do Hospital das Caldas da Rainha, a exposição internacional de cartoon “
Água com Humor”.

Em Paços de Ferreira,
na Casa da Eira (no Parque Urbano da cidade) podem ser vistos cerca de 40 dos melhores desenhos (em reproduções) d “Água com Humor”.

Também no Aeroporto do Porto (Maia) pode ser vista uma mostra do Museu da Imprensa: “
Fuga Real por um triz”.
Na sua sede, o Museu Nacional da Imprensa tem patentes cinco mostras: “memórias vivas da imprensa” (permanente); “As Manchetes do Regicídio”; a mostra original da “Fuga Real por um triz”; o “IX PortoCartoon” e o Riso do Mundo. Esta última mostra tem uma extensão dos melhores desenhos na estação da CP de Braga.

O Museu Nacional da Imprensa está aberto ao público, todos os dias, entre as 15h e as 20h.





MORADA do MUSEU:
Estrada Nacional 108, nº206
4300-316 Porto (junto à Ponte do Freixo)


Telefones: 22 530 49 66 / 22 530 06 48
Fax: 22 530 10 71
E-mail: mni@museudaimprensa.pt

ACESSIBILIDADES
. STCP (Autocarro 400, 205 e ZR – Zona Rio)
. Gondomarense
. Comboio (o museu fica a cinco minutos da Estação de Campanhã)
. Parque de Estacionamento

Electricista e dirigente sindical despedido por ter falado num programa de televisão!!!

Pedro Jorge, Electricista e dirigente sindical, interveio no Programa Prós e Contras de 28/1/2008.

Por esse facto foi-lhe movido um processo disciplinar para despedimento pela empresa para onde trabalha, a Cerâmica Torreense

Só por dizer a verdade em público!

No vídeo anexo reproduzimos as 4 intervenções de Pedro Jorge no programa.

São um libelo à liberdade que nos têm destinada as classes dominantes: a liberdade dos escravos.

As liberdades defendem-se exercendo-as!

O Vídeo com as intervenções de Pedro Jorge no programa Prós e Contras que serviram de argumento para o processo disciplinar para despedimento movido pela empresa Cerâmica Torreense:

Mumia Abu-Jamal está há 26 anos no corredor da morte


A revista francesa Marianne, no seu número 572 de 5/4, recorda a situação de Mumia Abu-Jamal com uma crónica de Jack Dion que merece tradução integral.


Mumia Abu-Jamal , o prisioneiro da vergonha

O seu nome simboliza simultaneamente a iniquidade da justiça americana e o escândalo da pena de morte.


Hoje, se voltamos a falar de Munia Abu-Jamal, jornalista, antigo membro das Panteras Negras, condenado à morte pelo controverso assassinato de um polícia, em Filadélfia, em 1981, é porque renasce a esperança daqueles, numerosos, que esperam vê-lo sair para sempre do corredor da morte, onde está aprisionado há 26 anos.


No momento actual, Mumia Abu-Jamal não está mais oficialmente condenado à pena capital, por força de irregularidades processuais. Com efeito, os juízes de um tribunal federal de recurso proferiram uma sentença que não anula em nada a culpabilidade deste jornalista de 53 anos, mas simplesmente a pena à qual tinha sido condenado, no fim de um processo que é um insulto à consciência. Perante a imprensa, Lynne Abraham, procurador do Estado da Pensilvânia, não hesitou em declarar : «Não chorem lágrimas por M. Abu-Jamal. Ele está onde deve estar, em prisão, pelo menos até ao fim dos seus dias.» Em suma, se o jornalista não é morto por envenenamento, ou por electrocussão, ele sê-lo-á de outra maneira, estando prisioneiro por toda a vida. Mumia Abu-Jamal foi condenado à morte em 3 de Julho de 1982, pela morte do polícia Daniel Faulkner. Na época, Abu-Jamal, conhecido como «a voz dos sem voz», tinha-se convertido em taxista da noite, após ter perdido o seu emprego de jornalista sob pressão do FBI que o tinha na sua linha de mira.


O que é que verdadeiramente se passou na noite do drama, em que Mumia Abu-Jamal foi encontrado ferido e Daniel Faulkner morto ? Ninguém o sabe, tantas são as zonas de sombra que permanecem. Em contrapartida, é certo que o julgamento se realizou na sequência de um processo ubuesco: peritagem balística inexistente, balas não identificáveis, testemunhas subornadas ou ameaçadas, relatórios de polícia contraditórios... Mumia Abu-Jamal foi condenado à pena capital em Julho de 1982. Depois desta data, foi encerrado no corredor da morte, onde se bate por obter um novo processo, encorajado por um campanha de solidariedade internacional onde brilha um grande ausente: Repórteres sem Fronteiras, uma organização mais preocupada com a justiça chinesa do que com a americana.


Quarenta anos depois do assassinato de Martin Luther King, o líder negro que se batia pelos direitos cívicos, a América honrar-se-ia se não se obstinasse em justificar o injustificável.»


Retirado do blogue:

Manifestações convocadas pela CGTP para os próximos dias 16 ( no Porto) e 17 ( em Lisboa)






A CGTP convocou duas manifestações em Lisboa e Porto para os dias 17 e 16 de Abril, para demonstrar a oposição dos trabalhadores em relação às políticas sociais do governo.

A CGTP-IN promove um «aviso geral» no Porto ( dia 16 às 15h30 na Praça da Liberdade) e em Lisboa ( dia 17 às 14h30 no Saldanha)

A central apela à resistência e luta dos trabalhadores, para responder à ofensiva conjunta do Governo e do patronato e para defender os direitos conquistados e a contratação colectiva, exigindo melhores salários e estabilidade no emprego.

A CGTP-IN está a preparar uma grande jornada de luta, dando seguimento às conclusões do seu recente congresso e à decisão tomada na última reunião do Conselho Nacional.
A mobilização dos trabalhadores para este «aviso geral», que se vai expressar nas duas manifestações convocadas para a próxima semana, e a interligação desta acção com as lutas em curso, em vários sectores e empresas, e com o próximo 1.º de Maio, estiveram em análise no Plenário de Sindicatos, que reuniu em Lisboa, na quarta-feira da semana passada.

Nos motivos de luta - que estão a ser divulgados através de um folheto central, de outros meios editados por sindicatos e federações, e em plenários e contactos informais nas empresas e serviços - sobressai a exigência de revogação das normas gravosas do Código do Trabalho e das leis laborais para a Administração Pública, a par da rejeição da «flexigurança» e dos objectivos expressos no Livro Branco das Relações Laborais: aumentar a exploração, liquidar a contratação colectiva e generalizar a precariedade dos vínculos laborais.

Reclamando respostas do Governo e do patronato, a CGTP-IN apela à luta contra os despedimentos sem justa causa, o alargamento dos horários de trabalho, o não pagamento do trabalho suplementar e a redução de direitos dos trabalhadores. Em vez de precariedade e desemprego, a Intersindical Nacional exige políticas económicas que promovam emprego de qualidade, reivindica a melhoria dos salários e a sua aproximação à média da UE (15 países) e reclama mais igualdade na distribuição da riqueza.

Entre os objectivos, a central coloca ainda a dinamização do aparelho produtivo, o aumento das pensões e das prestações da Segurança Social (revogando o «factor de sustentabilidade» e o indexante que reduz o valor das pensões), a luta contra a pobreza e a exclusão social e a promoção da igualdade, a melhoria dos serviços públicos (sobretudo educação e saúde), a prevenção da sinistralidade laboral e a melhoria na resposta social aos sinistrados.

Para este «aviso geral», a CGTP-IN salienta que «os trabalhadores merecem respeito», antecipando a palavra de ordem que surge associada às comemorações do 1.º de Maio, «Respeitar os trabalhadores, mudar de políticas». A central revelou, entretanto, que em Lisboa o Dia do Trabalhador será assinalado, de novo, no tradicional percurso entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques.


PORTO

Para o Porto, dia 16, quarta-feira, confluem trabalhadores dos distritos do Norte e Centro, até Coimbra (inclusive).
Estão convocadas pré-concentrações, às 15 horas, na Praça da Batalha (Administração Pública) e na Praça dos Leões (sector privado). Juntam-se na Praça da Liberdade, cerca das 15.30, e deslocam-se em seguida para o Governo Civil.


LISBOA

Em Lisboa, dia 17, quinta-feira, trabalhadores dos distritos a Sul de Coimbra convergem para a Praça do Duque de Saldanha.
A partir das 14 horas, trabalhadores do sector privado encontram-se junto à sede da CIP. Do Saldanha, cerca das 15 horas, juntamente com a Administração Pública, deslocam-se rumo à Assembleia da República.