8.2.08

Violência policial sobre cidadãos e associados do Grémio Lisbonense, incluindo um fotógrafo da agência Lusa!


Pelas últimas notícias que nos chegam a realização hoje do despejo de uma colectividade centenária da cidade de Lisboa, mais propriamente o Grémio Lisbonense, só foi possível com o recurso à violência bruta da PSP sobre os sócios e amigos do Grémio que rapidamente se solidarizaram com aquela agremiação que se tornou num importante centro de animação socio-cultural.

As bastonadas da força policial não pouparam um fotógrado da agência Lusa que ali se encontrava no exercício das suas funções.



Numa época em que tanto se fala de mediação e de mediadores, em que já existe legislação a promover a mediação extra-judicial, parece que no caso pendente a força bruta prevaleceu sobre o bom senso e os interesses públicos da cidade...


Solidariedade para com os agredidos


Relato dos acontecimentos retirado daqui:

De cabeça ainda a latejar de duas bastonadas da polícia, escrevo ainda sem acreditar muito na futilidade do que vi. Por volta das 18:00 reuni-me com mais alguns habituais do Grémio Lisbonense em frente ao prédio. Queríamos mostrar a nossa indignação pelo despejo da sociedade. Eramos 80 a 100 pessoas, que viam desde a cadeira do barbeiro até às paletes de garrafas de água a serem carregadas para fora do prédio. A informação que circulava era de que negociações ainda seriam feitas até quarta-feira, e “aí veremos”. Após uma curta reunião nas escadas do prédio (e devo dizer, a mais eficaz reunião em que alguma vez estive) todos concordaram em subir as escadas para o Grémio, para ocupar as instalações em forma de protesto. No topo das escadas, fomos recebidos por cinco polícias e respectivos bastões.

Aparentemente, a defesa da ordem pública e a salvaguarda do bem estar dos cidadãos é algo que deve ser dado para o final do curso, e ao qual a maior parte dos graduandos de polícia faltam. As bastonadas deram origem a protestos, e o que até ao momento tinha sido uma acção ordeira tornou-se numa altercação com os agentes (nota: mas sempre pacífico, o único acto mais físico que presenciei, por parte dos manifestantes, foi uma rapariga que abraçou literalmente o braço de um polícia para evitar nova bastonada). Palavras de ordem, frase para aqui, frase para ali, tudo sem confronto físico. Até chegar nova remessa de agentes (cerca de 10, chegariam mais tarde a 20). Subiram a escada (com a permissividade dos manifestantes, que não os impediram), reuniram número no topo, e desataram à bastonada, como se pode observar no vídeo da TVNET. Uma acção nojenta. Muitas pessoas no fundo das escadas foram colhidas pelas pessoas que fugiam das bastonadas de cima. As agressões policiais foram absolutamente gratuitas, sem em algum momento se colocar em causa a integridade física dos agentes (como se pode ver pelas imagens, os manifestantes apelam à calma, recebem bastonadas em troca). Os agentes não deram qualquer pré-aviso. Para além disso, nem sequer foi tentado retirar-nos das escadas sem recurso a este tipo de força. A táctica policial não levou em qualquer conta a segurança dos manifestantes ou a índole do protesto.

Foi-nos recusada a identificação da maior parte dos agentes agressores (já os que de início se encontravam à porta). Violência gratuita e irresponsável sem nome. Fui agredido numa altura em que dei espaço para alguns colegas sairem pela porta, empurrado por agentes. Alguns dos manifestantes encontravam-se encurralados de braços sobre as cabeças, com bastonadas a choverem. Nenhum dos agentes parecia preocupado em retirá-los do local, a preocupação parecia ser enfardar o mais possível antes que eles saíssem. De braços esticados para libertar espaço, não pude proteger a cabeça de dois agentes que por trás dos colegas distribuiam um pouco de lei e ordem no átrio.

Vou dormir, espero que a pessoa detida esteja de boa saúde. Se não estiver, sei a quem agradecer,...

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Outro relato retirado daqui :

O alarme soou a meio da tarde de sexta-feira (dia 8): «Estão a despejar o Grémio!».
Uma multidão de amigos do Grémio começou a concentrar-se junto à entrada. Pelas 19 horas seríamos pelo menos uma centena de pessoas que olhavam impotentes para os trabalhadores de uma companhia de mudanças que iam retirando os bens do Grémio para uma Carrinha.

Nos últimos meses, o Grémio Lisbonense, associação com mais de 150 anos, situada em pleno Rossio, tornou-se um espaço querido para tod@s @s que o passaram a frequentar. Muit@s se fizeram sóci@s e outr@s mais amig@s do Grémio, que se transformou num centro de dinamismo cultural e num ponto de encontro nesta cidade abandonada aos caprichos da especulação capitalista.

Há já alguns meses que a ameaça de despejo pendia sobre esta associação. Algumas obras realizadas sem a autorização do proprietário foram o pretexto para uma acção de despejo. O espaço amplo com varandas e janelas sobre o Rossio é cobiçado pelo senhorio para a instalação de um hotel.

Enquanto nos concentrávamos em frente ao Grémio, muit@s queriam fazer algo. Houve uma assembleia na escadaria da entrada do Grémio. Um representante do vereador Sá Fernandes disse que iriam realizar uma reunião na quarta-feira para chegar a um acordo com o proprietário. A assembleia desmobilizou. Mas não as pessoas. Discute-se o que fazer.

Há uma nova assembleia. Pouco depois das 19.30 decidimos avançar com um protesto pacífico subindo tod@s - dezenas de pessoas - para ocupar a escadaria do Grémio como forma de protesto. A guardar a porta do Grémio estavam cinco mercenários de azul. Reparámos que tinham retirado as suas identificações do peito. Mal chegámos junto dos polícias, um deles perguntou “que fazem aqui?”. Uma companheira respondeu simplesmente “Estamos aqui” e os polícias começaram a empurrar e a agredir à bastonada as pessoas que ocupavam a escada, fazendo-os cair sobre os que estavam mais em baixo na escada.

Alguns apelam à calma. As agressões param. Aparece um membro da direcção do Grémio a dizer que haverá uma reunião na quarta-feira com um representante do proprietário para chegar a uma acordo que salve o Grémio com uma actualização da renda.

Os presentes, que foram agredidos, não desmobilizam, pedem os nomes dos polícias que os agrediram. Estes não respondem. Grita-se: “ O Grémio é nosso!” e “Repressão policial, terrorismo oficial”. Chegam reforços policiais que tentam abrir caminho pelas escadas para chegar aos colegas que estão em cima. Sentamo-nos no chão, tentando impedir a sua passagem.

Mal os reforços se juntaram aos polícias que já permaneciam na entrada do grémio, começaram a varrer à bastonada a escadaria do Grémio. Os manifestantes foram recuando firmemente a golpes de bastão, sem hipótese de se defenderem, até serem expulsos da entrada do edifício. Formou-se de seguida um cordão policial em frente à entrada do Grémio.

Temos conhecimento de que um manifestante foi detido. Foi apanhado no meio da razia da polícia, detido e só levado para a carrinha após os manifestantes desmobilizarem, de forma que não podessemos ver.

Diversas pessoas tiveram de receber tratamento hospitalar.

Aguardamos os resultados da anunciada reunião de quarta-feira… Não desmobilizaremos da luta pelo Grémio, um espaço de tod@s para tod@s. O Grémio é nosso!



Solidariedade para com os agredidos

Mais uma vez e de cada vez, de forma mais vergonhosa - embora nunca envergonhada - a polícia carregou sobre sócios e amigos do Grémio Lisbonense, quando estes tentavam impedir que o edifício fosse fechado.
Noticias como as que recebemos de estações de televisão e previsivelmente, tentam legitimar este tipo de intervenção policial, caso da SIC e Diário do Noticias. Deixemos, portanto, de pensar que algo de verdadeiro pode daí advir e começar a criar meios autónomos de divulgação da barbárie estatal e capitalista.
Desde já se faz o apelo para que os feridos peçam relatórios de médicos, guardem radiografias, etc, para que, se necessário, existirem provas das agressões.

Força Companheir@s!






Depois disto tudo é caso para dizer:

A polícia protege-nos, mas quem nos protege da polícia ?

Lançamento do Movimento «Escola Pública Pela Igualdade e Democracia» e o seu Manifesto (dia 9, às 16h na Ass. 25 de Abril)

LANÇAMENTO DO MOVIMENTO "ESCOLA PÚBLICA PELA IGUALDADE E DEMOCRACIA"COM DEBATE

"ESCOLA: PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA"
E QUE DIZER DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PROPOSTO PELO GOVERNO?

SÁBADO, DIA 9 DE FEVEREIRO, 16H, ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL

(Rua da Misericórdia, nº95, Bairro Alto-Lisboa)

ORADORES CONFIRMADOS:

ANA BENAVENTE (Investigadora em Educação)
SÉRGIO NIZA (Movimento Escola Moderna)
LUIZA CORTESÃO (Professora Catedrática jubilada da Universidade do Porto, Presidente da direcção do Instituto Paulo Freire)


O manifesto "Escola Pública pela Igualdade e democracia" já está online nesta morada:

http://www.PetitionOnline.com/mudar123/petition.html




Manifesto

Escola Pública pela Igualdade e Democracia



A Escola Pública é uma conquista de que a esquerda só se pode orgulhar. Mas esta conquista está hoje esvaziada de quaisquer valores emancipadores. Atacada por todos os lados pela Direita e pela agenda neoliberal, a escola pública está em crise. Falhou na sua promessa de corrigir as assimetrias e diferenças sociais que atravessam o país: hoje, 75% dos filhos de pobres são pobres, a taxa de abandono escolar é de 39% (contra 15% da União Europeia), metade dos alunos reprova no ensino secundário e os últimos dados das comparações internacionais colocam a escola portuguesa na dianteira da reprodução das fronteiras sociais e culturais de partida.

A reprodução das desigualdades de origem e a exclusão escolar acompanham, sem variações, as rotas do insucesso: o interior do país, os concelhos mais pobres das áreas metropolitanas, os nichos guetizados dentro das cidades e subúrbios, as classes sociais mais desfavorecidas.

As políticas educativas das duas últimas décadas muito contribuíram para a desfiguração da escola pública. Reformas sobre reformas, e nas costas dos parceiros, uma trovoada de medidas legislativas, tantas vezes contraditórias, e orçamentos estrangulados foram marcas de uma constante: a debilidade das políticas públicas para a Educação, demonstrada pela persistência do insucesso e do abandono.

Sobre esta debilidade instalou-se o autoritarismo e mantêm-se o laxismo e a irresponsabilidade. Investido na ideologia da rentabilização e da gestão por resultados, que branqueia os verdadeiros problemas e encavalita a urgência dos números do sucesso nas costas dos professores, o PS oferece mais Governo e menos serviço público à educação. E na escola-empresa, que vai triunfando contra a escola-democrática, crescem novas burocracias feitas por decreto, centraliza-se o poder em figuras unipessoais, desenvolve-se a cultura da subordinação e do sacrifício acrítico.

Nenhum outro governo foi tão longe na amputação de direitos aos professores e na degradação das suas condições de trabalho, abrindo caminho à desvalorização social da escola pública e do papel dos profissionais de educação, que são o seu rosto . A resposta não se pode ficar pelo protesto. Ela exige o projecto, e há nas escolas experiências e práticas que são património e potencial deste projecto.


É urgente relançar a escola pública pela igualdade e pela democracia, contra a privatização e a degradação mercantil do ensino, contra os processos de exclusão e discriminação. Uma escola exigente na valorização do conhecimento, e promotora da autonomia pessoal contra a qualificação profissionalizante subordinada.


Somos pela escola pública laica e gratuita e que não desiste de uma forte cultura de motivação e realização, que não pactua com a angústia onde os poderes respiram. Uma escola que não desiste é aquela que combate a fatalidade: pelas equipas multidisciplinares e redes sociais, determinantes na prevenção e intervenção perante dificuldades de aprendizagem; pela valorização das aprendizagens não formais; pelas turmas mais pequenas e heterogéneas como espaço de democracia, potenciador de sucesso; pela discriminação positiva das escolas com mais problemas; pela real aproximação à cultura e à língua dos filhos de imigrantes.

Somos pela escola pública que assume @s alun@s como primeiro compromisso, lugar de democracia, dentro e fora da sala de aula, de aprendizagem intensa, apostada no debate para reflectir e participar no mundo de hoje.
Somos por políticas públicas fortes, capazes de criar as condições para que a escolaridade obrigatória seja, de facto, universal e gratuita e de assumir que o direito ao sucesso de todos e de todas é um direito fundador de democracia e é o desafio que se impõe à esquerda.

Porque queremos fazer parte da resposta emancipatória, empenhamo-nos na construção de um Movimento que promova a escola pública pela igualdade e pela democracia. Ao subscrever este Manifesto queremos dar corpo a uma corrente que mobilize a cooperação contra a competição, a inclusão contra a exclusão e o preconceito, que dê visibilidade a práticas e projectos apostados numa escola como espaço democrático, de cidadania, de conhecimento e de felicidade, porque uma outra escola pública é possível.


Primeiros subscritores:

Arsélio Martins (Professor de Matemática, Aveiro); Ana Maria Pessoa (Escola Superior de Educação de Setúbal); Sérgio Niza (Movimento Escola Moderna); Ana Filgueiras Soares (Vice Presidente da Associação Cidadãos do Mundo); José Luis Peixoto (Escritor); Beatriz Dias (Professora de Biologia, Lisboa); Boaventura Sousa Santos (Sociólogo); Cecília Honório (Professora de História, Lisboa); João Curvelo (Associação de Estudantes da Escola Secundária Raínha Dona Leonor, Lisboa); Almerinda Bento (UMAR, Professora de Inglês do ensino básico, Seixal); João Paraskeva (Universidade do Minho); Catarina Alves (Associação de Estudantes da Escola Secundária de Gondomar); António Avelãs (Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa); Teresa Cunha (Escola Superior de Educação de Coimbra); José Manuel Pureza (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, núcleo de estudos pela Paz); Helena Ralha simões (Escola Superior de Educação, Universidade do Algarve); Chullage (Músico, Associação Khapaz); Manuela Tavares (Professora do ensino secundário, Almada); António Sousa Ribeiro (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra); Maria José Vitorino (Professora bibliotecária, Lisboa); Jonas Lopes Vilar (Presidente da Interculturalidade – Associação de Professores); Maria Helena Caldeira Martins (Universidade de Coimbra); Fernando Cruz (Presidente da AGIR- Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-Cultural, Porto); Luísa Sola (Escola Superior de Educação de Setúbal); João Antunes (Psicólogo, dirigente do SOS Racismo, Porto); Maria José Araújo (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto); Paulo Peixoto (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra); Heloísa Luz (Professora do ensino secundário, Pinhal Novo); Manuel Grilo (Sindicato dos Professores da Grande Lisboa); Deolinda Devesas (Professora do ensino secundário, Lagos); Fernando Rosas (Historiador); Marta Araújo (Universidade de Coimbra, doutorada em Sociologia da Educação pela Universidade de Londres); Joaquim Raminhos (Professor do ensino básico, Director Centro de Formação de Docentes do Concelho da Moita); Albertina Pena (Professora, Lisboa); Joaquim Sarmento (Movimento Escola Moderna); Berta Alves (Professora do ensino secundário, Lisboa); Rodrigo Rivera (Associação de Estudantes da Escola Secundária Jaime Cortesão, Coimbra); Paula Capelo (Professora, EB 2/3 D.João I, Baixa da Banheira); Manuel Portela (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, director do Teatro Académico Gil Vicente); Alda Matos (Escola Superior de Educação de Coimbra); João Teixeira Lopes (Sociólogo); Anabela da Silva Moura (Escola Superior de Educação Instituto Politécnico de Viana do Castelo); Luís Farinha (Professor, Director adjunto da Revista História)
Sincerely,
The Undersigned

«Voz do Operário» comemora 125 anos

A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário faz 125 anos. O dia 13 de Fevereiro, dia oficial da sua constituição, marcará o arranque das comemorações que se vão prolongar durante um ano, com inúmeras iniciativas não só na sede de A Voz como em diferentes locais da... Na ocasião, vão ainda ser apresentadas as iniciativas a realizar durante este ano de 2008, na sede da «Voz do Operário» e em espaços culturais e sociais da cidade, como, por exemplo, a estreia de uma peça do «Novo Grupo/Teatro Aberto».

Vai ainda ser assinado um protocolo para a construção de um elevador na «Voz do Operário», uma aspiração há muito desejada.


Esta sociedade de instrução e beneficência, com uma história e património inigualáveis, tem, actualmente, uma população estudantil de 457 crianças e jovens, nas escolas do 1.º, 2.º e 3.º ciclos, creches e jardins de infância, com uma valiosa acção social, cultural, desportiva e associativa.


No dia 16 de Fevereiro irá realizar-se um jantar de «amizade e solidariedade» com aquela instituição, uma vez que o Ministério da Educação suspendeu o contrato, com o «Voz do Operário», de apoio às crianças e jovens com mais dificuldades financeiras.


A Arquitectura de Oscar Niemeyer – conferência na faculdade de arquitectura do Porto (15 de Fev)



Oscar Niemeyer fez 100 anos a 15 de Dezembro


A FAUP associa-se à celebração do centenário, convidando a Arqª. Fernanda Barbara (São Paulo, Brasil) e o Arq. Manuel Graça Dias, para apresentar


"A Arquitectura de Oscar Niemeyer",

no dia 15 de Fevereiro, às 14.30

no Auditório Fernando Távora


• Simultaneamente será aberto um Concurso de Ensaios sobre a obra de Oscar Niemeyer para estudantes de Escolas de Arquitectura portuguesas e brasileiras.

Poesia quase anónima - a poesia na blogosfera portuguesa


Poesia Quase Anónima
a poesia na blogosfera portuguesa


Combinando ilustração e poesia, "Poesia Quase Anónima" é uma pequena antologia possível de novos autores dispersos pela blogosfera portuguesa.

*Selecção de textos: Mercado Negro
*Design e ilustrações: Menina Limãomeninalimão@gmail.com


Textos de:


*c-asa (carolina rodrigues) em A Casa Imaginada



*nocturnidade (cláudia ferreira) em Agulha

*marta em Do Avesso

*martinha. (marta poiares) em Entre Linhas

*r. (rute mota) em Esta Distância Que Nos Une

*eyes shut em Eyes Shut

*gato legível em Gato Legível

*saturnine (raquel costa) em Little Black Spot


*happy and bleeding em Morrer de Improviso



*hugo em Solvstäg

*o peixe que queria ser um tira linhas (rita alberto) em Tampadecaneta

*ana (ana filipa gonçalves) em Tarte de Rabanete

*clAud (cláudia caetano) em Tempo Dual

*lebre do arrozal (maria sousa) em There’s Only 1 Alice

*tratado de botânica (joana serrado) em Tratado de Botânica

*papel químico (sónia oliveira) em Triplicado


Patente na Maria vai com as outras de 1 de fevereiro até 1 de março de 2008.


de segunda a sábado: 12h00-20h00/22h30-24h00
domingos e feriados: 15h00-20h00



maria vai com as outras
loja de livros, tabacos, chás, artesanato, mobiliário, vinhos, outras cores, outros cheiros, outros sabores
R. do Almada, 443, Porto
tel.220167379s

Grande concentração no Bolhão (Sábado, dia 9 de Fev. às 10 h.) de apoio aos comerciantes e contra a demolição de um símbolo histórico do Porto

ESTE SÁBADO, 9 FEVEREIRO - A partir das 10h.


Mais pessoas e associações estão a aderir à onda de críticas ao projecto da Cãmara do Porto de demolir o interior do tradicional mercado do Bolhão e construir aí mais um centro comercial/shopping, desfigurando e destruindo um dos símbolos da cidade, com o seu ambiente típico das vendedeiras e dos produtos frescos vindos da região.
É todo um património histórico-cultural que querem arrasar.

Será que vamos permitir esta barbaridade?

Aparece e traz mais um amigo

Temos de apoiar os comerciantes e o comércio tradicional

Grande concentração neste Sábado. Estamos todos com o NOSSO BOLHÃO.

Está a circular uma Petição que será entregue na Assembleia da República, por forma a "Impedir a demolição do Mercado do Bolhão".

Foi elaborada por vários cidadãos do Porto, que pretendem impedir que um dos maiores símbolos Arquitectónicos e Humanos da cidade, o Mercado do Bolhão, se perca, para dar lugar a mais um Shopping de mau gosto.


Encontra-se acessível para assinatura, nos seguintes locais:

- em todo as lojas e bancas dos Comerciantes do Mercado do Bolhão



Vejam o historial e os projectos que a empresa a quem vai ser entregue a destruição do Bolhão e digam se não são os tais caixotes urbanísticos que andam a plantar por aí fora, e a desfigurar o nosso património paisagístico e histórico:


The Shopping Centre (Guarda Mall)
DHL Express and Logistics
Aveiro Retail Park
Portimão Retail Park
EXPONOR XXI

7.2.08

Aquele que fala verdade ( entrevista-documentário com N. Chomsky)

Parte 1




Parte 2

Fim de semana ( 9 e 10 de Fevereiro) de contestação ao programa de desincentivo ao arrendamento jovem

O Movimento Porta 65 Fechada promove, nos dias 9 e 10 de Fevereiro, um Fim-de-Semana de Contestação ao programa de “desincentivo” ao arrendamento jovem.

Em Lisboa, no dia 9, Sábado, José Mário Branco participa numa tertúlia, a partir das 20h, na Crew Hassan ao pé do Coliseu.

No Porto, é a vez dos F.R.I.C.S., à mesma hora, na Casa Viva à Praça Marquês de Pombal. Entrada livre em todas as iniciativas.

O Movimento integrará ainda, no dia 9 em Faro, o Komboio dos Lokos, organizado pela Associação Recreativa e Cultural do Algarve.

Dia 10 às 16.30, manifestação em simultâneo no Rossio em Lisboa e na Praça da Batalha no Porto.

Seguem todos os detalhes por cidade:

:::::::::::::::::::: LISBOA ::::::::::::::::::::

DIA 9 —- // Crew-Hassan \\ 20h

Projecção de vídeo
Tertúlia - Representantes de Plataforma Artigo 65 (Helena Roseta), Movimento
Porta 65 Fechada (João Cleto), Associação dos Inquilinos Lisbonenses (Romão Lavadinho) e José Mário Branco
Música - José Mário Branco, Corsage e Baby Jane



DIA 10 —- MANI FESTA ACÇÃO

// Concentração \\ 16h30 Praça do Rossio
Representação da casa Porta 65 Jovem
Enterro da Porta 65 Jovem e música com os Farra Fanfarra
Rossio - Praça do Comércio


:::::::::::::::::::: PORTO ::::::::::::::::::::

DIA 9 —- // Casa-Viva \\ 21h

projecção de vídeo
Continuação da noite com dj


DIA 10 —- MANI FESTA ACÇÃO

// Concentração \\ 16h30 Praça da Batalha

Enterro da porta
Mimos e músicos
Batalha - Santa Catarina - Bolhão - Aliados.


Para mais informações, por favor, contactar:
João Cleto
964255386
porta65fechada@gmail.com



www.porta65.blogspot.com

Comunicado de Imprensa do Movimento Porta 65 Fechada

O Movimento Porta 65 Fechada congrega cidadãos de todo o país afectados ou preocupados com o novo programa de apoio ao arrendamento jovem - Porta 65 Jovem. Este movimento apartidário reclama a alteração profunda das condições de acesso a este apoio, agora apreensivamente restritivas e não inclusivas.

Um mês depois do fecho da primeira fase de candidaturas, não se vislumbra o sucesso anunciado pelos responsáveis do programa Porta 65 Jovem. Das 20.000 candidaturas esperadas pelo Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), apenas foram submetidas 3561. Tudo por causa dos novos parâmetros de acesso ao Porta 65 Jovem, absurdamente desfasados da realidade. Acusamos assim, o rotundo falhanço deste programa que já devolveu centenas de jovens a “casa dos pais” e promete devolver ainda mais.

Como resposta, o movimento Porta 65 Fechada organiza em Lisboa e no Porto um Fim de Semana de Contestação.

O movimento Porta 65 Fechada está empenhado em denunciar as graves situações criadas pelo novo programa de apoio ao arrendamento jovem, que derivam da definição de critérios absolutamente desajustados da realidade, afastando os jovens que mais necessitariam deste apoio. Seguem também, em anexo, um cartaz do fim de semana de protesto, assim como os principais pontos de contestação do movimento Porta 65 Fechada.






Principais problemas do Porta 65 Jovem


O programa Porta 65 Jovem sintetiza o total desinteresse do governo pela população jovem do país e demonstra falta de coragem política em assumir esse alheamento. De facto, o Porta 65 Jovem é um programa de fachada que existe apenas para que se possa dizer que existe. Toda a sua lógica de construção foi pensada por forma a dificultar o acesso ao próprio programa.

Assim, os principais motivos que conduzem o programa ao fracasso são, em primeiro lugar, as condições absolutamente irrealistas que são exigidas aos jovens candidatos:

Rendas Máximas Admitidas – Utilizando o argumento do combate à especulação imobiliária, o Governo introduziu tectos máximos às rendas, sendo que apenas os arrendatários cujas rendas se encontram dentro destes limites poderão ser apoiados. Uma medida justa, não fossem os valores apontados serem tão baixos que é quase impossível encontrar casas a esse preço.
A título de exemplo, apresentamos os valores máximos estipulados pelo Porta 65 Jovem para apartamentos T0/T1 e T2/T3 em Lisboa, Porto e Castelo Branco.

Lisboa Porto Castelo Branco
T0 / T1 340 220 180
T2 / T3 550 360 300

Fazendo uma pesquisa a apartamentos dentro destes valores, verificamos imediatamente que a porta está muito bem fechada. Como foi noticiado em vários meios de comunicação social, o número de apartamento elegíveis nas diversas zonas do país contam-se pelos dedos da mão.
No entanto, muito mais “generosos” foram os resultados apresentados pelos próprio director do IHRU que, orgulhosamente e sem pudor, veio dizer a público que «ainda ontem, numa ronda por vários sites, verificámos que só na região de Lisboa havia mais de 40 apartamentos T2 compatíveis com as rendas máximas admitidas no programa» (Lusa - 21/1/2008). APENAS 40 apartamentos para uma região com MILHARES de jovens candidatos!


Taxa de esforço máximo 40% – Através deste parâmetro, o Governo alega que está apenas a procurar assegurar o apoio somente aos jovens que reunem as condições mínimas para se emanciparem. Deste modo, criou uma taxa percentual que impede os jovens a se candidatarem a casas demasiado caras para os seus rendimentos. Contudo, a taxa estipulada tem o valor irrisório de 40%. Isso obriga a que os jovens encontrem casas que não excedam 40% dos seus rendimentos.

Em termos práticos, um jovem que receba 500 euros mensais só se poderá candidatar a uma casa até 200 euros. E visto que apenas são contabilizados 70% dos rendimentos dos jovens veiculados a recibos verdes, nestes casos, a renda não poderá ser superior a 140 euros! Para um candidato poder aceder a uma casa de 300 euros, um valor já baixo na maioria dos casos, os jovens terão de contar com uma remuneração mínima de 750 euros mensais. Se estiverem a recibos verdes, o rendimento mínimo terá de ser de 1071 euros.


Desta forma, esta taxa obrigatória fecha a porta aos candidatos que auferem rendimentos baixos e médios, os jovens a quem este programa deveria justamente servir, os jovens do país real.

No entanto, estes não são os únicos problemas do Porta 65 Jovem. Ao examinarmos a portaria que regulamenta o programa, identificamos a existência de vários parâmetros que dificultam a implementação de uma política razoável, justa e eficaz. Chamamos então a atenção para os seguintes aspectos:

• Regime de transição entre os dois programas não permite aos jovens adaptar-se às novas regras;
• Orçamento anual do programa perverte os objectivos;
• Redução do valor percentual das comparticipações;
• Redução da duração do apoio;
• Redução do número de beneficiários;
• Metodologia de cálculo das rendas máximas desfasada da realidade, uma vez que uma das bases é a média das rendas praticadas em cada região, onde se incluem muitas rendas congeladas;
• Processo de candidatura exclusivamente on-line complexo e inflexível, que acentua dificuldades de acesso aos jovens com menores conhecimentos de informática, existindo mesmo casos em que os dados não podem ser introduzidos devido a falhas técnicas absolutamente alheias aos candidatos.



Consequências do Porta 65 Jovem

A repercussão destas medidas e situações, agudizada pelo seu cruzamento, far-se-á sentir de imediato, com consequências danosas quer para os jovens, como para o compromisso supostamente assumido pelo Porta 65 Jovem:

• Diminuição da qualidade de vida e da possibilidade, consagrada na constituição, de ter uma habitação digna;
• Aumento da precariedade na já frágil situação dos jovens;
• Diminuição ainda mais acentuada da natalidade;
• Abandono e degradação dos centros urbanos;
• Fuga dos jovens e mão-de-obra especializada para o estrangeiro;
• Criação de condições propícias a transacções ilegais entre arrendatários e senhorios (valores de renda falsos), que resultam na perda de receita fiscal e no aumento da desigualdade de oportunidades.
• Agravamento das debilidades do mercado de arrendamento;
• Inexistência de programas alternativos para jovens em situação de precariedade laboral, que não poderão aceder a este programa, e que representam uma grande parte da força laboral jovem.


Se atentarmos ao programa Porta 65 Jovem de uma forma geral, consideramos que se encontram comprometidos os direitos inalienáveis dos cidadãos portugueses expressos nos artigos 65 (direito a uma habitação digna) e 70 alínea c) (criação de condições favoráveis aos jovens no acesso à habitação) da Constituição.


Actividades do movimento

O grupo está organizado em plataformas de trabalho, debate na internet, e em núcleos locais activos em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Faro.

Através de fóruns, o movimento tem promovido a discussão, divulgação e expansão do grupo, tendo por vista a organização de várias formas de contestação, incluindo manifestações de rua.

Também graças ao empenho do movimento em incentivar os jovens a protestar e a descreverem os casos de injustiça e desrespeito decorrentes do Porta 65 Jovem ao Provedor de Justiça, foi já anunciado que será iniciado um processo que visa o esclarecimento dos fundamentos do programa. Da mesma forma, dado o volume e tom das críticas, foi anunciado que o director do Instituto da Habitação e Reabilitação e Urbana, organismo responsável pela execução do Porta 65 Jovem, será chamado ao Parlamento assim que saírem os resultados da primeira fase de candidaturas (que desde já fracassou ao nível do número de candidaturas aceites) a fim de justificar as medidas apresentadas e os resultados obtidos.

Os jovens estão unidos e não vão baixar os braços. Não aceitamos ser tratados com o desrespeito que tem sido demonstrado. Somos cidadãos de direito plenos e lutaremos por isso até às últimas consequências.

Concentração por um mundo sem fronteiras (9 de Fevereiro, 15h. na Pr. da Batalha, Porto)


Por Um Mundo Sem Fronteiras


Esta é uma acção contra as políticas hipócritas, securitárias e injustas de imigração. A Europa da união criminaliza e discrimina quem cruza as suas fronteiras em busca de uma vida melhor.

Os imigrantes, legais ou não, contribuem através do seu trabalho e do pagamento de impostos para a acumulação capitalista da riqueza da União Europeia, assim como para o rejuvenescimento populacional do espaço Schengen. Ao mesmo tempo que o Estado Português os reconhece nas suas obrigações, discrimina-os nos seus direitos. Aos ilegais é negado o acesso à habitação, educação, saúde e cidadania.

Porque não queremos viver num mundo dividido em redomas mais impenetráveis para uns do que para outros. Porque não são as pessoas que atravessam as fronteiras, mas sim estas que se atravessam nos caminhos das pessoas, negando assim uma qualidade inerente ao humano: o desejo de ir além, de procurar, de conhecer.

Ninguém é Ilegal


9 de Fevereiro, Praça da Batalha, 15H
Concentração de solidariedade com os 23 Marroquinos expulsos a 23 de Janeiro de 2008

Início de Dezembro de 2007:23 emigrantes marroquinos chegaram à costa portuguesa, depois da embarcação onde viajavam ficar à deriva. Estes imigrantes foram imediatamente detidos e encarcerados num Centro de Detenção no Porto.

23 de Janeiro de 2008: início da expulsão, sem que o estado português informe os respectivos advogados e acautele as condições que os esperariam de volta ao país de origem.

Durante o tempo de detenção, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) impediu, na prática, o contacto com o exterior e a visita de várias associações de defesa dos Direitos Humanos.

Pelo Direito à Mobilidade
Pela Cidadania plena, Inclusão, direitos e Liberdade
Por uma Lei de Imigração justa e de acção concreta.




A recente expulsão dos marroquinos detidos na unidade habitacional de santo António veio não só expor uma lei incompatível com os mais básicos direitos humanos, como também confirmar a natureza dos poderes governantes. Vivemos num Estado de excepção mais permanente para os mais pobres do que para os mais ricos em que leis, direitos, liberdades e garantias perdem o seu significado perante os interesses de Estado e da economia. Só assim se explicam as ilegalidades processuais cometidas neste processo, como a supressão informativa realizada às advogadas das pessoas expulsas, ou simples omissões jurídicas, como a recusa em aplicar a cláusula que adia a repatriação caso os detidos colaborem no desmantelamento de redes de tráfico de imigrantes.

Porém, apesar da sua brutalidade, este caso não constitui uma novidade. Em Portugal, há muito que se expulsam pessoas por não preencherem certos e determinados requisitos. Há muito que existem prisões para imigrantes obra do actual presidente da república Cavaco Silva, enquanto chefe de governo onde estes são detidos porque simplesmente estão onde não podem estar. Por nada mais. Há muito que se mantêm pessoas na clandestinidade, para que possam trabalhar sem contratos e sob salários de miséria. Há muito que se esqueceram as histórias dos avós e bisavós que entraram, permaneceram e trabalharam ilegalmente em França e outros países da Europa.

Os tempos são outros. O país é parte integrante da União Europeia (U.E) e, como tal, deve participar no seu processo de afirmação a nível mundial. Doa a quem doer. A organização da Cimeira UE-África, em que a tentativa de impor acordos de comércio livre se fez acompanhar pela negociação de parcerias na repressão à população imigrante; a participação no programa Frontex, um dispositivo de controlo fronteiriço, que inclui os barcos de guerra que patrulham o litoral, as vedações em Melila e Ceuta ou centros de detenção espalhados por toda a Europa; ou as rusgas realizadas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras os grandes centros urbanos ilustram o papel português na conspiração europeia contra os imigrantes.

Manifestamo-nos hoje contra qualquer lei de imigração que não garanta, sem quaisquer limitações, o direito a viver livremente neste país. Não só devido à existência de necessidades imperativas que obrigam as pessoas a partir e deixar as suas famílias a fuga às guerras, à pobreza e à destruição de recursos naturais, que alimentam as contas bancárias das grandes empresas transnacionais mas também porque não queremos viver num mundo dividido em redomas mais impenetráveis para uns do que para outros. Porque não são as pessoas que atravessam as fronteiras, mas sim estas que se atravessam nos caminhos das pessoas, negando assim uma qualidade inerente ao humano: o desejo de ir além, de procurar, de conhecer. Tudo isto é muito anterior à existência de fronteiras. Tudo isto continuará quando forem abolidas.

O teatro da palmilha dentada tem em cena o seu novo trabalho - Bucket

http://adentadadapalmilha.blogspot.com/

O Teatro da Palmilha Dentada tem em cena o seu novo trabalho de palco: “Bucket”. Este novo trabalho é o fruto de um trabalho de pesquisa em laboratório. O texto escrito teve por ponto de partida os improvisos realizados pelos actores.


De 11 de Janeiro a 17 de Fevereiro, de 2008

De Terça a Domingo às 21h46

Sala Estúdio Latino (Teatro Sá da Bandeira) no Porto

Informações e reservas, pelo número 91 5000 464.
Bilhetes a 7,49€ e 9,99€
O espectáculo para maiores de 16 anos


TEXTO E ENCENAÇÃO
RICARDO ALVES

MÚSICA ORIGINAL
RODRIGO SANTOS

INTERPRETAÇÃO
DANIEL PINTO
IVO BASTOS
RODRIGO SANTOS
DESENHO DE LUZ E FOTOGRAFIA DE CENA
PEDRO VIEIRA DE CARVALHO
APOIO AO MOVIMENTO
VERA SANTOS
ADEREÇOS
RICARDO ALVES
SANDRA NEVES

OPERAÇÃO TÉCNICA
RICARDO ALVES
HELENA FORTUNA

PRODUÇÃO TÉCNICA
ADELAIDE BARREIROS

“Um balde divide o mundo. Havendo um balde, há o que está dentro e o que está fora. De pernas para o ar é um banco. Com um pé dentro é um gag antigo. Empilhados, uma torre. Numa loja de cristais é um erro, na construção civil uma constante, se tiver um furo é inútil, se tiver muitos, dependurado num ramo de árvore, é um chuveiro. Há baldes que são dois, meio balde de detergente, meio balde de água limpa. Alguns têm tampa, outros têm rodas, quase todos têm asa. Transportam água, guardam o leite e um balde foi à lua e voltou cheio de pedras lunares. E se um dia nos faltarem?
Um balde é também um bom ponto de partida para as historias que se querem contar.”

6.2.08

Curso de Engenharia Civil para Totós


Uma proposta magnífica do governo, integrada na Campanha «Novas Oportunidades».

Vamos fazer de Portugal um país de Engenheiros!

Frequência disponível em várias modalidades:

1)
Sem pôr lá os pés!
Só aos fins-de-semana
Um professor para 4 cadeiras

2)
Permuta directa de favores (isto é, de cargos)

3)
Pontos da Farinha Amparo



http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/



5.2.08

O riso é uma forma de resistir ( a propósito do livro «Riso de resistência», de Jean-Michel Ribes)



Um livro editado há pouco tempo em França é motivo de júbilo para todos os que se reconhecem em nomes como Rabelais, Molière, Jarry, Dário Fo, Coluche, Picabia e demais dadaístas - para todos aqueles para quem o riso, a gargalhada e a insolência são modos de resistir à ditadura da realidade e à hegemonia do sério. Esse mesmo sério que solidifica as ideias, que a moral consolida e que o bom gosto alimenta ao ponto de acabar por atrofiar o pensamento.

Tem como título «Riso de resistência» ( Rire de resistance, de Diógenes à Charlie Hebdo) e o seu autor é Jean-Michel Ribes que publicou o livro no âmbito da programação do teatro onde é encenador, o Thêatre du Rond-Point, inteiramente virado este ano para o riso da resistência(
www.theatredurondpoint.fr/saison/temps_fort.cfm?id=4978 )

Será então o riso uma forma de resistir?

Ri-se sempre de alguém, ou de alguma coisa. Rir é também uma maneira de dizer que não temos medo, e por via do riso podemos estar a resistir a alguma coisa ou a uma situação que nos é imposta.
Quando nos rimos, mostramos os dentes, tal como acontece quando fazemos uma ameaça ( = mostrar os dentes) - um paralelismo que nos pode levar a concluir que o riso é sem dúvida mais uma forma de resistência.

Ingrediente imprescindível da utopia e da criação, são numerosos aqueles e aquelas que por via das piadas iconoclastas, conseguiram fecundar o riso de modo a vermos de novo alguma luz. De Rabelais a Jarry, de Voltaire a Picabia, de Chaplin a Dário passando por Duchamp, Bunuel, Topor, Copi, Hara-kiri, oulipianos, fumistas e zutistas, muitos são aqueles que são recordados e homenageados neste livro em virtude da sua coragem, da sua insolência e da sua capacidade de rir de todas as dominações, testemunhando o seu vivo compromisso contra a tirania do sério.

Não se trata simplesmente de um dicionário ( de A, como «AH!,AH!,AH!», até Z, como os zutistas) ou de uma antologia das tiradas mais ou menos burlescas de certos autores e figuras conhecidas. Trata-se sim de um obra que reúne algumas reflexões sérias e sábias sobre o riso, tal como o riso de combate ( «rir até às lágrimas»), o riso em Aristófanes, ou então o de Paul Valéry ( «O partido do espírito é sempre aquele que diz não, não e não»). Outros autores são igualmente convocados para se entregarem a exercícios de reflexão e análise acerca do riso. Os activistas americanos do Yes Man, por exemplo, marcam também presença nesse conjunto. Le Canard Enchaîné, Diógenes, Nietzsche são outras tantas referências incontornáveis que se passeiam ao longo da obra, sem esquecer os inimigos do riso como o fundador da Companhia de Jesus, Ignácio de Loyola ( «Não se riem, nem digam nada que provoque o riso»), ou o sério Staline («um povo feliz não precisa de humor»).
Felizmente, os ataques ao riso são ineficazes e não passam de uma vã tentativa de impor a ditadura do sério nas relações sociais entre os homens.

Alguns nacos do livro:

"Les femmes qui veulent être l'égale des hommes manquent sérieusement d'ambition" (Reiser).

"Il y a beaucoup de gens dont la facilité de parler ne vient que de l'impuissance de se taire" (Savinien Cyrano de Bergerac).

"Je n'ai pas aimé la pièce mais il faut dire que je l'ai vue dans les pires conditions : le rideau était levé" (Groucho Marx).

"Les morts ont de la chance, ils ne voient leur famille qu'une fois par an, à la Toussaint" (Pierre Doris)

"Les hommes appelés à en juger d'autres devraient avoir fait un stage de deux ou trois mois en prison" (Marcel Aymé)



História do Riso e do Escárnio", de Georges Minois, editado agora pela Teorema


O riso é uma virtude que Deus deu aos homens para os consolar por serem inteligentes, dizia Marcel Pagnol. Uma virtude que tem mais de dois mil anos, como testemunham as recolhas de histórias engraçadas com que já os gregos e os romanos se deliciavam. Mas podemos rir de tudo? Sim, afirma Demócrito cujo riso atrevido tem acentos espantosamente modernos. Sim, diz também Cícero, que inventaria mil formas de fazer rir. Não, proclamam em contrapartida os Padres da Igreja, porque o riso é um fenómeno diabólico, um insulto à criação divina, uma manifestação de orgulho. Os seus argumentos contudo não foram ouvidos na Idade Média: os reis fazem-se rodear de bobos, os homens divertem-se a rir uns dos outros, quando das assuadas, e o humor, que ainda não é mais do que paródia, infiltra-se mesmo nos sermões dos pregadores.


Com Rabelais, surge uma outra forma de rir, um riso ambíguo que abala todas as certezas e prolonga-se para além do Renascimento, um riso ora picaresco, ora grotesco, ora burlesco. A monarquia absoluta quer fazer entrar na ordem todos os amantes do riso. Mas será possível domesticar o riso? Disfarçado de humor ácido, o riso corrói pouco a pouco os fundamentos do poder e da sociedade. No século XIX, o humor encontra o seu terreno predilecto na sátira política, enquanto que os filósofos dissecam as suas virtudes, por vezes para as deplorarem, e Baudelaire procura o «cómico absoluto». A ironia torna-se uma forma de relação do homem com o mundo. Protege contra a angustia e, ao mesmo tempo exprime-a. «Eu rio-me com o velho maquinista Destino», escreve Vítor Hugo, que fixa em fórmulas imortais a ambiguidade do riso. O século XIX acaba com uma apoteose do riso e do nonsense. A partir de então, o mundo vai escarnecer de tudo, dos seus deuses como dos seus demónios.

As lágrimas de Heráclito e o riso de Demócrito

A lenda histórica diz-nos que o filósofo Demócrito (sec. V a.C.) se ria sem cessar, ao passo que o seu contemporâneo Heraclito de Éfeso era visto a chorar continuadamente, circunstâncias essas que eram normalmente interpretadas como sendo uma viva ilustração do nosso mundo, e motivo por que nos interrogamos ainda hoje se devemos chorar ou rir do mundo.Ou seja, o que será mais razoável: o riso de Demócrito, que zombava de tudo, ou o pranto de Heráclito, que por tudo chorava?

Demócrito, de quem não se conservou qualquer texto original, segundo a lenda, ria-se sobretudo da estupidez humana e, por isso, autores romanos como Horácio utilizam a sua figura para criticar os seus contemporâneos e dizem que o filósofo se teria rido à gargalhada deles.

O riso de Demócrito pode ser visto de duas maneiras: por um lado, expressa uma decepção perante a condição humana e, nesse sentido, seria uma variante do pranto de outro filósofo, Heraclito; por outro lado, o riso de Demócrito tem um aspecto afirmativo que mostra que, apesar de toda sua decepção perante a humanidade, o filósofo grego não estava disposto a renunciar a gozar a vida.

Diferentemente de Demócrito, para quem o riso e o humor pareciam ser um a atitude vital, Diógenes o Cínico, acérrimo rival de Platão, utilizava esses dois elementos como armas críticas. Os alvos de Diógenes eram as cidades gregas e os costumes dos seus habitantes, o poder político e, acima de tudo, a doutrina platónica.
Platão quis efectivamente desterrar o riso ao ver o hábito de rir como uma manifestação de arrogância, muitas vezes injustificada. Rabelais, por sua vez, via o riso como o melhor que há no ser humano. Kant via no humor um sintoma de argúcia e inteligência, e concebia o riso como uma consequência de uma tensão que se dilui subitamente quando entra em jogo algo absurdo e incoerente.

À teoria do riso como expressão de um sentimento de superioridade e da gargalhada em consequência de uma incoerência, aparece uma outra teoria, centrada na ideia do contraste que, com diferentes matizes, representam Arthur Schopenhauer, Soren Kierkegaard e Henri Bergson, entre outros.

O riso materialista é aquele que se ri dos temores, das superstições e até dos valores seguidos pela humanidade. É o riso de filósofos como Demócrito, Epicuro, Spinoza, Rabelais, La Mettrie, etc. Um riso que humaniza e nos aproxima uns dos outros.

O riso é necesário, indispensável mesmo. Mas o riso tanto pode ser a expressão de um prazer, como um máscara que assumimos. Diz-se por exemplo que os profissionais, que fazem rir os outros, são pessoas desesperadas.


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Em 1674, na corte da Rainha Cristina da Suécia, em Roma, o padre Antônio Vieira profere - em italiano - um discurso em que defende o pranto de Heráclito em contraposição ao riso de Demócrito. Traduzido mais tarde para o português, As Lágrimas de Heráclito passaria a integrar as principais edições das obras de Vieira.


«Demócrito ria, porque todas as coisas humanas lhe pareciam ignorâncias; Heraclito chorava, porque todas lhe pareciam misérias: logo maior razão tinha Heraclito de chorar, que Demócrito de rir; porque neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias, e não há ignorância que não seja miséria».

(…)

«Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso: chorar com lágrimas é sinal de dor moderada, chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva... »
Padre António Vieira - O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito


Discurso integral do Padre António Vieira,
em Roma no ano de 1674,
a convite da Rainha Cristina da Suécia



Se o mundo é mais digno de riso ou de pranto, e se à vista do mesmo mundo tem mais razão quem ri, como Demócrito, ou quem chora, como chorava Heraclito, eu pretendo defender a parte do pranto.
Confesso que a primeira propriedade do riso é o risível; e digo que a maior impropriedade da razão é o riso.
O riso é o final do racional; o pranto é o uso da razão.
Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há-de chorar; e quem ri, ou não chora, não o conhece.
Que é este mundo senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes?
E à vista deste teatro imenso, tão trágico, tão lamentável, que homem haverá (se acaso é homem) que não chore?
Se não chora, mostra que não é racional, e se ri, mostra que também as feras são capazes de rir.
Mas se Demócrito era um homem tão grande entre os homens, e um filósofo tão sábio, e se não via este mundo, mas tantos outros mundos por si inventados como poderia rir?
Poderá dizer-se que ele não ria deste mundo, mas daqueles seus mundos.
E com razão; porque a matéria de que eram compostos os seus mundos imaginados, toda era de riso.
É certo porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo. Como pois se ria ou podia rir-se Demócrito do mesmo mundo e das mesmas coisas que via e chorava Heraclito?
A mim, senhores, me parece que Demócrito não ria, mas que Demócrito e Heraclito ambos choravam, cada uma seu modo.
Que Demócrito não risse, eu o provo.
Demócrito ria sempre, logo, nunca ria.
A sequência parece difícil, mas é evidente.
O riso, como ensinam todos os filósofos, nasce da novidade e da admiração; e cessando a novidade e a admiração, cessa também o riso.
Por isso, quando vemos uma figura ridícula, ou então ouvimos algum dito engraçado e faceiro, rimos de princípio, mas uma vez dada razão àquela primeira surpresa, uma vez que cesse a novidade, cessa ao mesmo tempo o riso; e como Demócrito se ria dos ordinários desconcertos do mundo e o que quando sai de casa rindo, sendo sem controvérsia, já que o que é comum e vulgar não pode causar nenhuma admiração nem novidade, depreende-se, como consequência, que, se ria sempre, nunca ria, e aquilo que parecia, de facto não era riso.
Há chorar de lágrimas, chorar sem lágrimas e ainda chorar com riso.
Chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suprema e excessiva.
A dor moderada solta as lágrimas, a grande dor as enxuga e as seca.
Dor que pode sair pelos olhos, não é grande dor; por isso não chorava Demócrito.
E como era pequena demonstração da sua dor, não só chorar com lágrimas, mas ainda sem elas, para declarar-se com o sinal maior, sempre se ria.
Desta sorte a tristeza, se moderada, faz chorar, se excessiva, pode fazer rir.
Se a excessiva alegria é causa de pranto, a excessiva tristeza não será causa de riso?
Na guerra morrem muitos soldados rindo e a razão é, diz Aristóteles, porque são feridos no diafragma.
Não se ria Demócrito, como contente, ria como ferido.
Os olhos poderão queixar-se desta minha filosofia mas, acho eu, sem razão, pois o pranto vem da dor provocada pelo batimento nas mãos e, se se reflectir, vê-se que os olhos não são necessários à capacidade de falar.
E se choram as mãos por que não há-de a boca chorar?
Heraclito chorava com os olhos; Demócrito chorava com a boca; o pranto dos olhos é mais fino; o da boca mais mordaz.
Demócrito ria porque todas as coisas humanas lhe pareciam ignorâncias; Heraclito chorava porque todas lhe pareciam misérias; logo, tinha mais razão Heraclito para chorar do que Demócrito para rir, porque neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias e não há ignorância que não seja miséria.
E como nem todas as misérias são ignorâncias e todas as ignorâncias são misérias, razão tinha Heraclito de chorar que Demócrito de rir, antes digo, que só Heraclito tinha toda a razão e Demócrito nenhuma.

O entrudo chocalheiro com o diabo e os caretos à solta no carnaval de Podence




Caretos de Podence






Em Podence, próximo a Macedo de Cavaleiros (Bragança), durante o Carnaval há chocalhos, que são pendurados pela cintura dos Caretos, vestidos com cores vivas, e que dançam a tradicional dança do chocalhar, uma representação do diabo assediando as mulheres, invadindo adegas e casas, e cometendo todo o tipo de excessos.

Os Caretos de Podence estão a elaborar, conjuntamente com a Galiza, uma candidatura a Património Cultural Imaterial Galego-Português.

http://caretosdepodence.no.sapo.pt/

4.2.08

Carnaval na Mouraria!

Clicar por cima da imagem para ler em pormenor


Para quem não vai a lado nenhum, para quem não sabe de que se disfarçar, para quem sempre que se disfarça ninguém adivinha de que é, para quem nem sequer sabe o que é carnaval, mas quer aprender, Há Carnaval na Mouraria!

Há jantar (vegan), teatro, oficinas, concerto(s), tanta coisa que não cabe aqui.

Para compreender o afundamento do dólar, da economia norte-americana e a impotência de Bush para resolver a crise financeira

O texto que se segue encontra-se em http://resistir.info/

A armadilha do dólar de Bush

por Dave Lindorff [*]

A primeira resposta do governo ao afundamento da economia dos Estados Unidos foi a negação. Ainda há um mês atrás responsáveis da administração e charlatães da Wall Street diziam-nos que a economia estava robusta e que não haveria uma recessão. Agora dizem-nos que a economia está em perturbação, mas que o governo está a tomar acções decisivas para escorá-la.

Nós vimos quão efectiva era a primeira proposta "decisiva". Bush anunciou um plano para dar a todo contribuinte adulto (não pessoas pobres, obrigado) US$800 em deduções fiscais no próximo mês de Abril. O mercado de acções respondeu a esta ideia caindo uns poucos por cento. A ideia, como escrevi na minha última coluna, era estúpida desde o início porque, com os EUA a já não produzirem muito seja do que for, de qualquer modo todos aqueles bónus de dinheiro emprestado acabariam por ser gastos com bens importados, pouco fazendo para a economia estado-unidense.

Agora o Federal Reserve avançou com um corte de ¾ por cento na taxa dos Fundos Federais. Mesmo considerando que bancos comerciais façam o mesmo, reduzindo a taxa básica (prime lending rate) uns ¾ semelhantes, o mercado de acções mostrou quanto faria tal movimento caindo quase 300 pontos no momento em que tocou o sino de abertura – aproximadamente o mesmo que se esperava acontecer sem um corte na taxa de juro.

Contudo, houve um lugar onde a acção do Fed teve um impacto: o valor de troca do dólar nos mercados estrangeiros de divisas. Mal foi ouvido o anúncio do corte na taxa de juro, o dólar caiu contra as divisas principais como a Libra britânica, o Euro e o Yen japonês.

Aí é que são elas. O Fed está numa armadilha. Ele não pode cortar taxas de juros muito mais sem provocar um colapso no dólar, o qual, devido ao enorme desequilíbrio comercial dos EUA, e todos aqueles bens de consumo e matérias-primas – especialmente petróleo – que são importados – conduziria a uma inflação séria e politicamente perigosa. E há um outro constrangimento com a actual taxa de juro: os EUA agora têm a terceira mais baixa taxa de juro do mundo. Se o Fed fizer um outro corte, como tem sugerido poder fazer em uma ou duas semanas, apenas o Japão teria um ambiente com taxa de juro mais baixa do que os EUA. Isto torna o dólar uma divisa muito indesejável para investidores estrangeiros, o que significa que eles não desejarão possuir dólares e que não desejarão possuir acções estado-unidenses.

Mas se o Fed não cortar ainda mais nas taxas de juro, o mercado de acções continuará a mergulhar, o que mais uma vez desencoraja investidores estrangeiros de despejarem o seu dinheiro para dentro dos EUA, o que por sua vez coloca uma pressão baixista sobre o dólar.

Isto era tudo previsível.

Uma economia que está quase totalmente dependente dos gastos do consumidor, o que é o caso nos EUA, fica em grande perturbação quando os consumidores começam a preocupar-se acerca da segurança dos seus empregos, e quando vêm a inflação a comer o seu rendimento disponível. Eles naturalmente simplesmente param de gastar. E isto também está a acontecer.

Assim, prepare-se para uns tempos económicos difíceis. O próximo passo será inflação ascendente, quando companhias atadas à China, Índia e alhures começarem a aumentar os seus preços para bens despachados para os EUA e pagos em dólares. Então o Fed terá de responder elevando taxas de juro outra vez, num esforço para escorar a divisa. E com aquilo desencadeará recessão mais profunda e um mercado de acções ainda mais baixo.

Os medos de Bush – défices infindáveis tanto quanto se pode ver, e uma derrota militar de US$ 2 milhões de milhões (trillion) sem fim à vista e que está a sugar dinheiro para fora do país como um gigantesco aspirador de pó industrial – começam a concretizar-se. O presidente e o vice-presidente esperavam claramente que pudessem passar a ruína dos seus oito anos no gabinete e correr para o retiro e o status de estadista sénior antes de isto tudo explodir, mas a sua sorte fugiu. A merda económica foi espalhada frente à ventoinha. As probabilidades são de que a guerra que eles tentaram esconder no armário com um "aumento disfarçado" ("surge") de tropas e uma campanha brutal de bombardeamento aéreo também explodirão sobre eles antes que o ano acabe.

Isto é de pouco consolo para todos nós que temos de viver com os desastres a seguir, mas pelo menos – se pudermos vê-los adequadamente impedidos (impeached) e indicíados, e se os Democratas no Congresso não estragarem as coisas de modo a que também possam ser culpabilizados pela confusão – em Janeiro próximo teremos a satisfação de ver Bush e Cheney expulsos da cidade.

[*] Autor de Killing Time: An Investigation into the Death Row Case of Mumia Abu-Jamal , Marketplace Medicine: The Rise of the For-Profit Hospital Chains e "This Can't be Happening!". Seu livro mais recente é The Case for Impeachment: The Legal Argument for Removing President George W. Bush from Office , em co-autoria com Barbara Olshansky.


O original encontra-se em



The Bush Dollar Trap
By DAVE LINDORFF

The first government response to America's sinking economy was denial. We were told as recently as a month ago by administration officials and Wall Street charlatans that the economy was robust and that there would not be a recession. Now we are told that the economy is in trouble, but that the government is taking decisive action to shore it up.
We saw how effective the first "decisive" proposal was. Bush announced a plan to give every adult taxpayer (no poor people, thank you) $800 in a tax rebate this April. The stock market responded to this idea by dropping a few percent. The idea, as I wrote in my last column, was stupid to begin with because, with the US no longer producing much of anything, all that bonus borrowed cash would end up getting spent on imported goods anyhow, doing next to nothing for the US economy.
So now the Federal Reserve has weighed in with a 3/4 percent cut in the Federal Funds rate. Even though commercial banks followed suit, lowering the prime lending rate by a similar 3/4 percent, the stock market showed how much good that move would do, dropping almost 300 points at the opening bell today--about what it had been expected to do even without an interest-rate cut.
There was one place where the Fed's action did have an impact though: the exchange value of the dollar in foreign currency markets. No sooner was word of the interest rate cut announced, than the dollar fell against major currencies like the British Pound, the Euro and the Japanese Yen.
And there's the rub. The Fed is in a trap. It cannot cut interest rates much more without causing a collapse in the dollar, which, because of the huge US trade imbalance, and all those consumer goods and raw materials--especially oil--that are imported--would lead to serious and politically dangerous inflation. And there is another constraint: with the current rate cut, the US now has the third lowest interest rates in the world. If the Fed makes another cut, as it has hinted it might in a week or so, only Japan would have a lower interest rate environment than the US. That makes the dollar a very undesirable currency for foreigner investors, which means they won't want to hold dollars, and they won't want to hold US stocks.
Yet if the Fed doesn't cut interest rates even further, the stock market will continue to plunge, which again discourages foreign investors from pouring their money into the U.S., which in turn puts downward pressure on the dollar.
This was all predictable.
An economy that is almost wholly dependent on consumer spending, which is the case in the US, is in big trouble when consumers start to worry about the security of their jobs, and when they see inflation eating away at their disposable income. They naturally just stop spending. And that is happening, too.
So get ready for some hard economic times. The next step will be soaring inflation, as strapped companies in China, India and elsewere start raising their prices for goods shipped to the US and paid for in dollars. Then the Fed will have to respond by raising interest rates again, in an effort to shore up the currency. And with that will come deeper recession and an even lower stock market.
The Bush chickens--endless deficits as far as the eye can see, and a $2-trillion military debacle that has no end in sight and that is sucking money out of the country like a giant industrial vacuum cleaner--are coming home to roost. The President and Vice President clearly hoped that they could pass the wreckage of their eight years in office on to the next president and run off to retirement and senior stateeman status before it all blew up, but their luck ran out. The economic shit has hit the fan. Chances are that the war that they have tried to tuck away in the closet with a "surge" in troops and a brutal campaign of aerial bombardment, will also blow up on them before the year is out.
That's small consolation for all of us who have to live with the ensuing disasters, but at least--if we can't see them properly impeached and indicted, and if the Democrats in Congress don't manage to screw things up further so they can be blamed for the mess too--we'll have the satisfaction of seeing Bush and Cheney run out of town next January on a rail.

Dave Lindorff is the author of Killing Time: an Investigation into the Death Row Case of Mumia Abu-Jamal. His n book of CounterPunch columns titled "This Can't be Happening!" is published by Common Courage Press. Lindorff's newest book is "The Case for Impeachment", co-authored by Barbara Olshansky.

He can be reached at: dlindorff@yahoo.com

Exibição do filme VICAM - Encontro dos Povos Indigenas das Américas ( no dia 8 de Fevreiro, às 21h. na Fábrica de Braço de Prata)


Exibição do filme VICAM - Encontro dos Povos Indigenas das Américas
Seguido de debate.

Sexta-feira 8 de Fevereiro 21 h

Fábrica de Braço de Prata
Rua da Fábrica do Material de Guerra (junto ao Largo do Poço do Bispo)

Transporte: Autocarros 28, 718, 755 e 210 (saída no Largo do Poço Bispo); Autocarros 81 e 82 (saída Av. Infante D. Henrique)

Sessão organizada pela Tertúlia Liberdade.


Filme inédito em Portugal, realizado no México, em Outubro do ano passado, num encontro no território do povo Yaqui. Testemunhos de luta e resistência cultural. Mensagens da luta por “um mundo sem dominantes nem dominados, um mundo sem capital, um mundo melhor”. Sinais de esperança e rebeldia apelando à resistência global.

http://tertulialiberdade.blogspot.com/

e-mail: tertúlia.liberdade@yahoo.com


Sinopse do filme - Vicam

O filme «Vicam» documenta o Encontro dos Povos Indígenas da América que se realizou em Outubro de 2007 na localidade do mesmo nome, território do povo Yaque, no México. Inédito em Portugal e realizado por um participante que quis permanecer anónimo, o contraponto entre a força das ideias e a simplicidade dos meios, fez nascer um documentário cheio de originalidade e riqueza humana organizado como se de um bloco de apontamentos se tratasse.

Em cerca de hora e meia, desfilam no écran, testemunhos de luta e resistência cultural numa sucessão em que se alternam depoimentos, música e danças tradicionais dos povos, nações e tribos indígenas da América.

A mensagem de luta por «um mundo sem dominantes e dominados, um mundo sem capital, um mundo melhor» marca a parte final do filme, o comício de encerramento do encontro. A leitura das conclusões e o discurso do Subcomandante Insurgente Marcos são sinais de esperança e também de rebeldia apelando à resistência global.

Filme não legendado – falado em castelhano com alguns depoimentos em inglês.

Antígona, a peça de Sófocles, está em cena pelo grupo de teatro A Barraca


Uma peça sobre o conflito que opõe Antígona ao poder autoritário

Ler um texto sobre Antígona já publicado neste blogue: aqui



A profundidade de Sófocles a analisar problemas como a fractura entre a lei natural e a lei do estado. A contradição entre a Justiça e a Lei, a tirania que se serve de decretos casuísticos para fundamentar e apoiar a sua “vontade de poder” e a desobediência de quem se torna intolerante perante o domínio do arbitrário transformado em lei, fazem de Antígona o texto mais exemplar e duradouro da tragédia grega.

Consultar:
www.abarraca.com/info/emcenaantigona.html

Luz de Antígona ( texto de Maria do Céu Guerra)


Vinte e seis séculos depois da sua criação, “Antígona” de Sófocles ainda ilumina o nosso tempo. Estreada no século de Péricles quando em Atenas se inventava e se levava à prática a construção da primeira democracia da História, Antígona é elevada a mito pelo seu autor a partir de meia dúzia de linhas da Ilíada e de Esquilo. Sófocles quis deixar-nos uma história de proveito e exemplo. E por isso deixou-nos nas suas obras do ciclo Tebano o itinerário de Antígona paradigma de amor filial, fraternal, de resistência ao autoritarismo, de cumprimento da Justiça e da lei natural.
Sófocles, como Péricles, como Fídias, como Sólon, quiseram, no seu tempo de vida, deixar claros os fundamentos e a lei com que devia reger-se uma sociedade democrática, equilibrada, feliz e por isso duradoura e resistente. A sua Atenas não era uma utopia, pois, ainda que por pouco tempo, ela existiu. Mas passou a sê-lo para os vindouros. E Sófocles deixou-nos nesta peça-lição, lida diferentemente ao longo dos séculos, o exemplo da cidade negra onde se conflituam, sublimes ou baixos comportamentos, caracteres e destinos a evitar.
Nunca um autor se deixou tão presente distribuindo-se nas personagens do seu drama. Porque Sófocles é Creonte no que ele tem de defensor da cidade, é Antígona no que ela tem de resistente à tirania e arbitrariedade e de defensora da lei que aprendeu a respeitar como justa, e é principalmente Hémon quando este é capaz de confrontar o pai com a discricionariedade com que ele vive o exercício do poder e quando sintetiza em três frases a essência do poder absoluto, e é Tirésias quando antevê a desgraça do que a injustiça de Creonte irá trazer de volta à sua cidade: a Guerra, o Caos. E é também, ainda que a meu ver, menos, o Coro que à maneira ocidental vê, ouve, lê, não ignora, mas aceita viver dentro de parâmetros que o paralisam para além do seu direito de usar a palavra e deixar acontecer.


Ao longo da História Antígona foi lição e luz. No tempo da construção do Estado-Nação, Antígona e Creonte foram vistos como opositores iguais na dicotomia Família / Estado, chegando Hegel a considerar Creonte uma figura da mesma qualidade da sua antagonista. Eram extremos opostos que personificavam um conflito que era preciso superar. Outra leitura faz Brecht que vê nela uma heroína pacifista. E por aí fora Antígona foi paradigma da luta anti-nazi, resistente contra a ocupação, paradigma feminista, reflexão sobre a Lei e a Justiça. Foi à volta desta última leitura que me apeteceu reflectir sobre esta tragédia porque afinal, como é possível vivermos pacífica e passivamente sob o domínio da fractura entre a Justiça (Dike) e a Lei (Nomos) onde todos os dias regulamentar é legislar contra a Lei. Todos os dias se emendam constituições, sempre ao arrepio do bom impulso que as fez nascer. Todos os dias se editam despachos normativos e decretos que corrigem na especificidade leis mais amplas e generosas, porque elas atrapalham o interesse dos mais poderosos. Todos os dias sob a capa dos direitos humanos se impõe ao mundo uma regra de eleições “democráticas” como a única maneira de chegar à legalidade que, depois não serve, quando quem ganha são os “inconvenientes”, caso do Hamas, da Fretilin, etc, etc. Todos os dias milhões de juristas trabalham nessa fractura entre a Justiça e a Lei para, por dinheiro, conseguirem defender os crimes dos seus clientes.


Antígona defende a Justiça (religiosa ou laica) contra um decreto que, publicado no rescaldo de uma guerra, não é mais do que uma demonstração da capacidade de instalar o terror obediente que, segundo Creonte, salvará a cidade. E morre por isso. Última herdeira de uma família maldita (Ismena, a irmã perde, por obediência, a Eternidade), ela nem por um momento, mesmo diante da morte que receia como todos os heróis antes do sacrifício, recua nas suas convicções. Por isso os séculos fizeram dela a heroína. E por isso Sófocles dá o seu nome à peça.


Não me perguntem onde se passa o meu espectáculo. Passa-se num pequeno país injusto chamado Mundo, onde os tempos e as referências se misturam. Onde há militares a usarem da sua força desmedidamente, onde há gente a correr atrás das macas dos seus mortos, e mortos aos milhares sem sepultura, onde há homens assassinados (príncipes enfurecidos) por quererem voltar às suas terras e casas que lhes estão vedadas contra toda a lei. E nós no meio deles. Nós, um coro de bem intencionados, nós que não gostamos de “matar galinhas, mas que gostamos de comer galinha”. Nós de sobretudo, não vá o frio desabrigar-nos, paralisados, porque não queremos incorrer no excesso, mas que, e mais uma vez como a nossa “grega” Sophia escreveu, “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”.
Maria do Céu Guerra

Horários:
5ª a sábado às 21h30
Domingo às 16h00
M/12

Ficha Artística e Técnica
Texto de Sófocles
Espectáculo de Maria do Céu Guerra
versão da responsabilidade de Maria do Céu Guerra, a partir da tradução de
Maria Helena da Rocha Pereira
Cenografia de Carlos Amado sob Consultoria de Lagoa Henriques

Elenco: Rita Lello (Antígona), José Medeiros (Creonte), João D’Ávila, Jorge Gomes Ribeiro, Maria do Céu Guerra, Mariana Abrunheiro, Rita Fernandes, Pedro Borges, Ruben Garcia, Sérgio Moras, Tiago Cadete
Grupo Abadá-Capoeira: Adriano (Sossego), Daniel Botelho (Alf), Diogo Ferrasso (Mister), Geovasio Silva (Dinho), Jadei (Magrão), Rodoval Ruas (Chá Preto), Yuri Buba (Kalu)