24.11.07

Seminário sobre Crises Esquecidas, organizado pela Plataforma das ONGD


A Plataforma portuguesa das ONGD organizações não governamentais para o desenvolvimento está a realizar o seminário "Crises Esquecidas", que começou em Lisboa no dia 21 e termina hoje 24 de Novembro, no Porto .



Neste seminário procura-se abordar algumas das crises humanitárias que continuam fora de uma, às vezes, tão necessitada atenção mediática. Para fazê-lo, convidamos representantes de ONGD Portuguesas que compõem o Grupo de Ajuda Humanitária e de Emergência da Plataforma ADRA, ASP, MdM-P e Oikos e um representante dos MSF Médicins Sans Frontières, para um pequeno colóquio introdutório, que será seguido da exibição do filme "Invisibles". Por fim teremos um espaço aberto á participação e ao debate.

"Invisíveis" são aqueles que não queremos ver, mas que acabam por aparecer atrás dos nossos medos e apreensões, entre outras coisas porque nunca deixaram de existir. São as vítimas de cinco crises esquecidas, duas epidemias mudas e três conflitos armados que não recebem a atenção mediática que merecem: a doença de Chagas, a doença do sono, as crianças soldado do Uganda, a violência sexual contra civis no Congo e os camponeses deslocados na Colômbia.

Coincidindo com o vigésimo aniversário do inicio das suas actividades em Espanha, os Médicos Sem Fronteiras quiseram fazer justiça a essas pessoas que foram esquecidas por governos, empresas, instituições e cidadãos. Quiseram dar-lhes voz através do olhar de cinco cineastas europeus.

"Invisibles" é um filme onde se combina realidade e ficção, no qual o talento de cineastas como Isabel Coixet e Mariano Barroso serve para falar dessas epidemias mudas que são a doença de Chagas na Bolivia com "Cartas a Nora" e a doença do sono, na Républica Centro-Africana en "El sueño de Bianca". Por sua vez, Fernando León de Aranoa dá voz aos civis convertidos em objectivos de guerra no Uganda em "Buenas Noches, Ouma", Javier Corcuera mostra as sequelas da violência na Colômbia com "La voz de las piedras" e Wim Wenders fala das agressões sexuais na Republica Democrática do Congo.

Este seminário surge com o objectivo de sensibilizar e mobilizar a opinião pública para estas graves crises humanitárias, bem como um convite à comunicação social para ser parte activa na divulgação das mesmas e na tomada de consciência sobre as causas do esquecimento e as responsabilidades de cada um em mitigar estas situações.



Para informação adicional, por favor contacte

ricardo.monteiro@plataformaongd.pt


ou 21 887 22 39.

Press Release - Crises Esquecidas 302.40 Kb





Trailer do documentário 'Invisibles' produzido porJavier Bardem e realizado por Isabel Coixet, Fernando León de Aranoa, Mariano Barroso, Javier Corcuera, Wim Wenders








A Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para Desenvolvimento é uma associação privada sem fins lucrativos que representa a grande maioria das ONGD portuguesas registadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Potenciando o trabalho das suas associadas a nível político e legislativo e promovendo as boas práticas, a Plataforma reúne as ONG que trabalham, para um mundo mais justo e equitativo, junto dos Países em Desenvolvimento, em áreas como a Cooperação para o Desenvolvimento, a Ajuda Humanitária e de Emergência e Educação para o Desenvolvimento


Próximas actividades:


Lançamento do Livro "Imaterial, Possível, Inevitável A viagem de um projecto" pela UCCLA / URB- África, no âmbito de um projecto de Educação para o Desenvolvimento co-financiado pelo IPAD e apoiado pela Câmara Municipal de Guimarães e Câmara Municipal de Lisboa.

O livro de distribuição gratuita pode ser adquirido nas sessões de lançamento:
Guimarães 27 de Novembro de 2007, 21H, Biblioteca Municipal Raul Brandão
Lisboa 29 de Novembro de 2007, 19H30, Fórum Lisboa (antigo cinema Roma)

O livro aborda os seguintes temas: Educação para o Desenvolvimento, Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, o projecto e a capacidade de intervenção da sociedade civil.
Informações e contactos Gabinete de Cooperação Técnica e Formação União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA / URBÁFRICA Rua de São Bento, 640 1250 – 222 Lisboa T. 21 384 56 22 / 00 F. 21 385 25 96

Um dia sem compras, e 364 de consumo sustentável

O que podemos fazer no Dia Sem Compras:

Para escapar ao consumismo que nos escraviza:





O dia sem compras (Buy Nothing Day) realiza-se há 15 anos e pretende ser como que uma espécie de greve geral dos consumidores, uma forma de contestação dirigida, não contra um produto em especial ou uma empresa multinacional em particular, mas contra a sociedade de consumo, essa que promove um modelo social baseado no consumismo, absolutamente insustentável.

Insustentável porque se o modelo consumista dos países ocidentais ( ou do hemisfério norte) se estendesse a toda a população mundial seriam necessários 3 planetas Terra para responder a uma tal procura.

Insustentável porque a ca da dois segundos uma área de floresta do tamanho de um campo de futebol é diizimada para o aproveitamento da madeira, ao mesmo tempo que a produção de lixo, a maior parte constituído por embalagens e invólucros, não pára de aumentar( meio quilo por pessoa há 30 anos atrás, e 1,5 Kg de lixo por pessoa na actualidade)

Insustentável porque 80% dos recursos naturais utilizados são-no por conta dos países ricos, no seio dos quais só 12% da população é responsável por 60% desse consumo

Insustentável também por causa do crescente impacto do consumismo dos países ricos nos ecossitemas de todo o planeta, evidenciado no uso exponencial de materiais que são importados para alimentar o modelo de vida consumista e depredatório seguido naqueles países, e que está, de resto, na origem da enorme dívida ecológica dos países do Norte em relação aos países do Sul, hipotecando assim a possibilidade de uma vida digna não só para as gerações futuras como ainda para as actuais populações dos países do Sul.

Insustentável ainda porque, apesar de todas essas taras consumistas, e do grau de produção e de consumo alcançados, as populações dos países ricos vêem-se confrontados com um sentimento larvar de infelicidade e enfado, a que não é alheio a percepção generalizada de que para ter êxito social precisamos de um emprego bem remunerado, ainda que não do nosso agrado, capaz de satisfazer os apetites consumistas espicaçados pela publicidade e outras técnicas de manipulação

Na realidade, uma terça parte dos consumidores adultos europeus revelam distúrbios comportamentais no exercício da sua função enquanto consumidores, enquanto metade dos jovens europeus (uns 46%) apresentam uma preocupante tendência consumista a raiar a adicção às compras. A publicidade é uma das causas primárias para isto acontecer na medida em que ao impingir produtos de beleza nos tenta convencer que somos feios, ou que a nossa identidade é moldada pelos produtos e pelas marcas que consumimos. No fim, o que se obtém é uma grande frustração e vazio existencial.

Por essas e outras razões é que hoje se realiza o dia sem compras. Mil e uma acções se realizarão para mostrar que existem alternativas ao modelo consumista, alternativas viáveis, eticamente responsáveis e existencialmente mais compensadoras.

Fonte: excertos traduzidos e adaptados do texto em castelhano da associação Ecologistas en Accion

http://www.ecologistasenaccion.org/diasincompras

Nasceu na Galiza um novo website para fazer trocas - Vigotroca



Acabou de nascer na Galiza um projecto que permite fazer trocas e cedências de bens entre os interessados, constituindo-se assim uma forma alternativa, mais justa e ecológica de satisfazer as necessidades das pessoas.

Numa sociedade cada vez mais alienada por um progresso que é muito mal-entendido, numa sociedade obcecada pelo consumo desmedido, a troca e cedência de bens entre as pessoas é indiscutivelmente um contributo precioso para a sustentabilidade das nossas vidas e sociedades.

Todos temos em casa coisas, objectos, bens de que não precisamos, que não usamos, e mesmo que estorvam. E ao mesmo tempo todos nós precisamos de algo que não possuimos. O novo website Vigotroca pretende justamente ser um espaço de intercâmbio e troca desses bens.

Importa que os interessados se registem e comecem desde logo a fazer as suas trocas e intercâmbios. Pretende-se que este website seja mais uma ferramenta ao serviço das associações e colectivos que possam assim satisfazer as suas mais variadas carências.

VIGOTROCA é um espaço aberto de intercâmbio e cedência de bens, uma alternativa para satisfazer as nossas necessidades.

VIGOTROCA é a aposta dum conjunto de associações a favor do consumo consciente, pela reutilização e a reciclagem, pela participação cidadã e a recuperação da rua como espaçoo de conhecimento, relação e disfrute.

VIGOTROCA é uma aposta pela revalorização das relações personais face às imposicções do mercado: nós somos os que decidimos o valor que têm as nossas coisas e o nosso tempo.

VIGOTROCA quere também chegar a ser um local DE TROCA.


Sem dinheiro, nem moeda nem cartões bancários, porque a gente não tem preço

SE QUERES DAR MAIS VIDA À TUA, VEM TROCAR CONNOSCO



Esta é uma iniciativa dos seguintes colectivos e projectos:

·Centro Social A Revolta:
revolta.agal-gz.org
· ONG de cooperación para o desenvolvemento Amarante:
amaranteong.org
·Cooperativa de consumo consciente Árbore:
arbore.org
· Asociación cultural Caleidoskopio / CSA Cova dos Ratos:
sindominio.net/caleidoskpio
· Centro Social Faísca:
faisca-gz.blogspot.com/
·Cooperativa de comercio xusto Mundos:
tiendamundos.com
· Asociación ecoloxista Verdegaia:

Ciclo sobre William Blake em Coimbra durante o mês de Novembro


Teatro Gil Vicente de Coimbra - ICLO DE PROGRAMAÇÃO INTERDISCIPLINAR, QUE INCLUI EXPOSIÇÕES, MÚSICA, TEATRO, MULTIMÉDIA, CINEMA, DEBATES E RÁDIO, DURANTE O MÊS DE NOVEMBRO

Com o ciclo «Blake no TAGV», o Teatro Académico de Gil Vicente pretende celebrar e dar a conhecer de forma alargada a obra de um dos grandes artistas da humanidade, no ano em que se completam 250 anos sobre o seu nascimento. «Blake no TAGV» constitui um ciclo
interdisciplinar, que abrange de forma integrada a maior parte das áreas de programação do Teatro: exposições, teatro, música, multimédia, cinema e debates. Contamos ainda com a colaboração da Rádio Universidade de Coimbra na montagem e difusão de um conjunto de gravações, constituídas por traduções de poemas de William Blake e por composições musicais baseadas na sua obra. Enquanto produção própria e exclusiva, «Blake no TAGV» representa também um modelo de relação dialéctica entre criação e programação. Trata-se de uma iniciativa que combina várias disciplinas artísticas, integra a criação local na programação e, ao mesmo tempo, realiza a dimensão especificamente universitária do TAGV, mobilizando um conjunto de saberes científicos e artísticos.
No âmbito deste ciclo serão estreadas duas co-produções do TAGV: «Uma Ilha na Lua», pela Camaleão com a Orquestra Clássica do Centro, e «As Portas da Percepção», pela Marionet. A natureza multimédia da obra de William Blake (1757-1827) poderá assim ser objecto de ressignificação e releitura cénica na era digital.

No seu conjunto, a obra de William Blake constitui uma verdadeira cosmogonia, que reescreve e recombina diferentes mitos da criação. Ao escrever, desenhar, gravar, imprimir, pintar e publicar, William Blake tomou nas suas mãos todo o potencial simbólico do livro como máquina de criação e chamou a si o controlo do modo de produção tipográfico, num momento em que se acentuava a divisão do trabalho e se anunciava já a industrialização da imprensa. Além dos poemas proféticos em manuscrito Tiriel (c. 1789), The French Revolution (1791) e The Four Zoas (c. 1795-1804), a sua obra inclui os seguintes livros iluminados: All Religions are One (c. 1788), There is No Natural Religion (c. 1788), Songs of Innocence (1789), The Book of Thel (1789), The Marriage of Heaven and Hell (1790), Visions of the Daughters of Albion (1793), For Children: The Gates of Paradise (1793), America a Prophecy (1793), Europe a Prophecy (1794), Songs of Innocence and of Experience (1794), The First Book of Urizen (1794), The Book of Los (1795), The Song of Los (1795), The Book of Ahania (1795), Milton A Poem(1811) e Jerusalem: The Emanation of the Giant Albion (1820). Aos livros iluminados juntam-se ainda centenas de pinturas, desenhos e gravuras. Nos últimos dez anos, a digitalização da sua obra tem construído um espaço de leitura que permite olhar de forma renovada para a materialidade icónica do seu traço visionário, restituindo a integridade visual e literária dos originais.


BLAKE NO TAGV

Comemoração dos 250 anos do nascimento de William Blake [1757-1827]

Datas :
De 6 a 28 de Novembro de 2007

Programa

EXPOSIÇÕES

De 6 a 28, Café-Teatro
7 VISÕES DE WILLIAM BLAKE

Sete artistas desenvolvem um trabalho original a partir de sete gravuras de William Blake. Esta exposição inclui as reproduções das gravuras seleccionadas e as sete obras resultantes.
Artistas participantes: Pedro Pousada, Armando Azevedo, António Olaio, Emanuel Brás, Teresa Amaral, Gilberto Reis e Atelier Corvo.

Inauguração da exposição no dia 6, às 18h00, com a mesa-redonda Blakeana 1: «Blake pintor», com a participação dos artistas que realizaram obras a partir de gravuras e pinturas de William Blake para a exposição «7 visões de William Blake».


De 6 a 28, Sala Branca
WILLIAM BLAKE: LIVROS ILUMINADOS

Esta exposição consiste numa videoprojecção integral das páginas de 17 livros iluminados: All Religions are One (c. 1788), There is No Natural Religion (c. 1788), Songs of Innocence (1789), The Book of Thel (1789), The Marriage of Heaven and Hell (1790), Visions of the Daughters of Albion (1793), For Children: The Gates of Paradise (1793), America a Prophecy (1793), Europe a Prophecy (1794), Songs of Innocence and of Experience (1794), The First Book of Urizen (1794), The Book of Los (1795), The Song of Los (1795), The Book of Ahania (1795), Milton A Poem(c. 1804-1811), Jerusalem: The Emanation of the Giant Albion (1804-c.1820) e For the Sexes: The Gates of Paradise (1793, c. 1820). A natureza singular de cada página iluminada será ilustrada com 10 versões diferentes do poema «The Sick Rose» e 11 versões do poema «The Tyger». Esta singularidade poderá ainda ser apreciada em exemplares diferentes de The Book of Thel (1789), Songs of Innocence and of Experience (1794) e The Song of Los (1795).



MESAS-REDONDAS

Dia 6, 18h00, Café – Teatro
BLAKEANA 1: «BLAKE PINTOR»
Mesa-redonda com a participação dos artistas que realizaram obras a partir de gravuras e pinturas de William Blake para a exposição «7 visões de William Blake».

Dia 13, 18h00, Café-Teatro
BLAKEANA 2: «BLAKE POETA»
Com Gastão Cruz e Manuel Portela

CINEMA

Dias 12, 13 e 14, 21h30
CINEBLAKE
Dia 12, Blade Runner (1982, 1991), de Ridley Scott
Dia 13, Dead Man (1995), de Jim Jarmusch
Dia 14, The Wind that Shakes the Barley (2006), de Ken Loach


Nos três filmes escolhidos, as referências a William Blake e à sua obra surgem de forma indirecta, através de alusões ou de citações. Não se trata de adaptações de obras ao cinema, nem de reconstituições biográficas, ou sequer de referências centrais. São antes presenças marginais, quase parasitas às vezes. Em Blade Runner, a referência a Blake surge através do nome de um dos replicantes, Orc, e através de uma citação de dois versos da 11ª gravura do poema America a Prophecy (1795): «Fiery the Angels rose, & as they rose deep thunder roll ' d / Around their shores; indignant burning with the fires of Orc» [«Fogosos os Anjos ergueram-se, e nesse instante um tremendo trovão/ Sacudiu a costa: indignados, a arder com os fogos de Orc»]. Em Dead Man, um certo William Blake, contabilista homónimo do autor, colocado no contexto do oeste norte-americano, serve o propósito de produzir o estranhamento que desnaturaliza a ficção. Em The Wind that Shakes the Barley, dedicado à guerra civil da independência irlandesa em 1922, é um dos prisioneiros políticos que cita o poema «The Garden of Love» (1794), aludindo ao papel da religião naquela guerra fratricida: «And I saw it was filled with graves, /And tomb-stones where flowers should be: /And Priests in black gowns, were walking their rounds, /And binding with briars, my joys & desires». [«E vi-o cheio de campas, /Lápides em vez de flores: /E Padres de preto, em seus afazeres, /Com silvas tolhiam desejos & prazeres.»] São três presenças oblíquas, fugazes, enigmáticas, da obra de William Blake, mediadas pela escrita de Philip K. Dick, Jim Jarmusch e Paul Laverty.

TEATRO E MÚSICA

Dia 8, 21h30, Dia 9, 15h00 e 21h30, Dia 10, 21h30
UMA ILHA NA LUA
Co-produção Camaleão – Associação Cultural, Orquestra Clássica do Centro e Teatro Académico de Gil Vicente




TEATRO E MULTÍMÉDIA

Dia 23, 15h00 e 21h30, Dia 24, 21h30

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO
Co-produção Marionet e Teatro Académico de Gil Vicente
Projecto financiado pelo Instituto das Artes



AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

a partir dos poemas iluminados de William Blake

Tal como nos poemas iluminados, texto e imagem colaboram na produção de um sentido, a selecção do Manuel Portela produziu para nós um mundo dentro da cosmogonia visionária de William Blake. Aqui estão ideias de liberdade para os corpos e para as emoções na forma de um novo Génesis. Um mundo sem escala ou tempo absolutos, em que o nascimento de um homem é também a explosão original geradora do mundo finito. Mente e corpo são um só, encerrado nos cinco sentidos finitos. Antes era o infinito e só a vontade determinava a forma. Depois de cairmos da Eternidade ficámos condenados aos limites do mundo material que podemos percepcionar. Instituições seculares como Igreja, Estado e parte da comunidade científica procuram organizar esta percepção para legitimar as suas leis com medições e cálculos.
Limpar as portas da percepção permitirá contemplar esta conspiração mas também encontrar o indivíduo incapaz de obedecer. O Homem ilimitado, que suportará a complexidade sem se esconder aquém do horizonte.




RÁDIO

De 6 a 28 de Novembro
RÁDIO BLAKE: VERSÕES DE WILLIAM BLAKE

Selecção de textos e canções Manuel Portela
Realização Alexandre
Co-produção TAGV – Rádio Universidade de Coimbra


Leitura de poemas de William Blake, ao ritmo de um por dia, com o objectivo de representar a maior parte dos tradutores portugueses e brasileiros da sua obra. A leitura completa-se com uma selecção de canções, de diferentes géneros musicais, concebidas a partir de livros do autor.

Traduções de: António Herculano de Carvalho, Augusto de Campos, David Mourão-Ferreira, Gastão Cruz, Hélio Osvaldo Alves, João Almeida Flor, João Ferreira Duarte, Jorge de Sena, Jorge Sousa Braga, José Paulo Paes, Manuel Portela, Mário Alves Coutinho e Leonardo Gonçalves, e Paulo Quintela.

Canções de: Billy Bragg, Bob Dylan, Bruce Dickinson, Caprice, Daniel Amos, Hughes de Courson, Jah Wobble, Patti Smith, Ralph Vaughan Williams, The Doors, Ulver e¬ Van Morrison



Concepção e programação: Manuel Portela
Produção: TAGV

23.11.07

Encontro dos REUTILIZADORES + Acção do DIA SEM COMPRAS (24 Nov) em Lisboa e Porto


O objectivo do ENCONTRO DOS REUTILIZADORES é que todas as pessoas interessadas em reutilizar materiais e objectos úteis, em vez de os atirar para o lixo, se encontrem já no próximo Sábado, dia 24 de Novembro.


Vamos ter todos um Almoço, levar coisas para dar, de que já não precisamos em casa, e receber outras que nos fazem falta!


Actualmente existem vários Grupos de Reutilização, e o objectivo é juntar as pessoas dos vários grupos, e todas as outras pessoas interessadas em Reutilizar!


Os grupos já existentes são, por exemplo:


o Freecycle - www.freecycle.org [1] (grupos locais em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Alcobaça!)


o Trocal de Lisboa - http://tlx.mahost.org/ [2]



o Dado.Tricla - http://dado.tricla.com/ [4]

E o objectivo para este sábado é também que as pessoas que já pertencem a estes grupos combinem as suas trocas no Centro Social da Mouraria!


Quem não pertence aos grupos, pode e deve! vir à mesma, e tem também uma muito boa

oportunidade para dar e receber coisas, conhecer os grupos, e ver como funcionam!


O Encontro dos Reutilizadores é já no próximo Sábado!


Todos são bem-vindos!!Com ou sem coisas para oferecer ou receber!Tragam os amigos, a família, os colegas!TODOS ESTÃO CONVIDADOS!!!


Para o nosso encontro temos um espaço espectacular disponível: o Centro Social do GAIA no Clube Desportivo da Mouraria!

O GAIA - http://gaia.org.pt [4] - lançou-nos o desafio para esta iniciativa e disponibiliza-nos o seu espaço!

Fica mesmo junto ao Martim Moniz e também muito perto do Largo da Graça!

Morada
Clube Desportivo da Mouraria, Travessa da Nazaré, nº 21Lisboa

Mapa



Neste mesmo dia, 24 de Novembro, celebra-se também o Dia Sem Compras


Durante este dia, como um manifesto contra o consumismo desmedido e insustentável tão presente na sociedadeocidental, pessoas de todo o Mundo, decidem não comprar nada!


O caso do nosso país é ainda mais agudo,pois consumimos 3 vezes mais do que o adequado para ter um planeta sustentável, disse-o publicamente o Presidente da Oikos (http://www.oikos.pt [6]) há um mês atrás.


Pensemos, por exemplo, nos pratos abastados das ementas portuguesas, na comida que se costuma deixar no prato no fim da refeição ounas acelerações desnecessárias dos carros, que consomem combustível a mais...


O próximo Sábado 24 de Novembro, é pois um dia muito especialpara todos nós, durante o qual muitas pessoas não vão comprar nada,e nós como Reutilizadores de Materiais que

somos,podemos manifestarmo-nos realizando ofertas e procurando objectos que outras colegas nossos já não querem!


Para além de não comprarmos nada.. claro!!!


Com o objectivo de expormos a Reutilização e divulgar o Dia sem Compras ao povo de Lisboa, juntamente com o GAIA lembrámo-nos de organizar


A Loja Grátis , um espaço na Rua Augusta, na Baixa de Lisboa, com todo o tipo de produtos que tenhamos para dar!


Serão gratuitos e para todas as pessoas que os quiserem!!!Deste modo, estamos a intervir directamente na Reutilização de materiais já existentes,e consequentemente na inibição do consumo desses mesmoprodutos em superfícies comerciais!


Para além disso, vamos distribuir panfletos na rua,sobre o Dia sem Compras, os vários Grupos de Reutilização existentes, e convidar as pessoas para irem à Loja Grátis!!!


Fica então aqui resumido o Horário:


ALMOÇO - 12H (traz a comida / bebida / pratos e talheres que puderes sff)
HORA DAS TROCAS - 14H
LOJA GRÁTIS + DISTRIBUIÇÃO DE PANFLETOS – entre as 15H e as 20H


* Na R. Augusta - 15H-18H (quando o sol se puser e fizer mais frio)

* Rumo à Rua do Carmo (bem perto do C. C. do Chiado) - 18H-20H



Links:








No PORTO

Não se consumam mais...

chegou a hora da ACÇÃO!


24 DE NOVEMBRO DE 2007

DIA SEM COMPRAS - PORTO


O ponto de encontro para esta acção será às 15 horas em frente ao ViaCatarina.

Será montada uma banca com material informativo.


Apareçam, sejam criativos e Activos.

Actividades na Casa Viva para amanhã (Sábado, 24 de Novembro)

Actividades para este Sábado - 24 novembro na Casa-Viva no Porto
entrada livre
20h00 Acção de desobediência civil contra o cultivo transgénico em Silves
Vídeo (12'50'')

22h00 Jantar e conversa em torno do livro
Acção Sindical e Representatividade (Lisboa, Autonomia 27, 2007),
com a presença do autor, José Nuno Matos.

O Pica Miolos poderá aparecer e diz que vem cabreado com o querido líder Rui Rio.

CasaViva
praça marquês de pombal 167 porto
(bate o batente)

A TOCA foi demolida! Todos à acção de protesto na próxima 2ªfeira em frente à Câmara da Amadora pelas 18h.30


Na quarta-feira, a cultura na Amadora sofreu uma machadada brutal. A Taberna Ocupada p'la Cultura na Amadora (TOCA) foi demolida sem qualquer pré-aviso por escavadoras, enquanto a PSP cortava os acessos. A TOCA era um projecto do Movimento de Acção Reivindicativa pela Cultura e Habitação na Amadora (MARCHA).

O sonho de transformar um espaço abandonado num centro de cultura onde os jovens pudessem produzir e viver cultura durou oito meses. Mas o nosso sonho era um pesadelo para o proprietário e para a Câmara Municipal da Amadora. Através deste espaço denunciámos a especulação imobiliária e a falta de habitação para os jovens e denunciámos a falta de políticas por parte de Joaquim Raposo que apoiassem a cultura.


Ocupámos uma casa antiga, património histórico da nossa cidade, e remodelamo-la. Através do trabalho voluntário, centenas de jovens, com o apoio de vizinhos, limparam, pintaram as paredes, arranjaram o telhado, mobilaram a casa e deram-lhe vida abrindo-a à população e aos jovens.

Durante oito meses, resgatamos um espaço do silêncio e da degradação e demo-lo à juventude. Organizámos dezenas de concertos de todos os tipos de música, exposições de fotografia, sessões de cinema, debates, convívios e reuniões. Era raro o fim-de-semana em que a TOCA não se enchia de gente, com centenas de jovens da Amadora e de outros concelhos.


Mas não. Era um sonho demasiado bonito. Era um projecto que impulsionava a participação juvenil numa sociedade dominada pelo individualismo e pela apatia. Como tal, importava destruí-lo para abrir caminho à fúria dos construtores e para silenciar aqueles que lutam pela cultura na Amadora.

Desse ódio são exemplo a preocupação da Câmara Municipal da Amadora em enviar a Polícia Municipal para intimidar e ameaçar os jovens da TOCA, prometendo "desocupa-la" em breve. Quando, logo após a ocupação, o MARCHA se dirigiu à Assembleia Municipal da Amadora para explicar os seus objectivos e as razões da acção, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Raposo, afirmou, em relação às nossas preocupações, que tínhamos "o azar de viver numa cidade assim". Mesmo depois de termos convidado todos os deputados municipais a visitar a TOCA. Porém, não desistimos. Apesar de todas as ameaças e dificuldades, o MARCHA promete não se conformar com a cidade em que vive e lutar para que esta seja um lugar melhor para a população e para os jovens.

*O brutal ataque, sem qualquer pré-aviso, do especulador imobiliário com a autorização da Câmara Municipal da Amadora à Taberna Ocupada p´la Cultura na Amadora merece uma resposta. Por isso, apelamos à população e aos jovens para que participem numa acção de protesto em frente à Câmara Municipal da Amadora na próxima segunda-feira, às 18:30 com o lema

CONTRA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONTRA A DEMOLIÇÃO DA CULTURA JUVENIL NA AMADORA!*


Movimento de Acção Reivindicativa pela Cultura e Habitação na Amadora



mais em:
http://www.em-marcha.blogspot.com/




A quem quiser demonstraR o seu desagrado:

Camara:
geral@cm-amadora.pt


Assembleia: geral@am-amadora.pt

O paradigma ecológico nas ciências sociais


Ensaios de E.Morin, G.Munda, M-Nardo, A.Puleo, V.Toledo, Á. Valência, F.GArrido, M.GOnzález de Molina, J.L.Serrano y J.L.Solana (eds)


«O paradigma ecológico nas ciências sociais » é um livro agora editado pelas edições Icaria, e disponível somente em castelhano, que pretende ser uma primeira abordagem, assim como oferecer um panorama geral do actual estádio de conhecimentos, sobre o impacto do paradigma ecológico nos diferentes campos do saber social: antropologia, economia, sociologia, ética, política… Com efeito, em cada um destes campos quebrou-se o binómio homem/natureza e foi definitivamente ultrapassada a separação artificial abstracta entre a espécie humana e o resto da natureza pelo que urge reequacionar os pressupostos a partir dos quais as ciências sociais se desenvolveram.

Agora que o pensamento científico superou esse binómio é chegado o momento de questionar as consequêcias e procurar situar o homem no lugar que lhe corresponde no seio de um contexto problemático de sistemas naturais. Tarefa que é cada vez mais urgente face à tentação a que não são alheias as ciências sociais de inserirem o ser humano num vazio, como se as suas acções não tivessem impactos decisivos, e da maior importância, sobre a natureza. Esta concepção releva de dois axiomas: o mito do progresso ilimitado e o antropocentrismo.


O paradigma ecológico permite voltar a considerar a natureza dentro da sociedade. A viragem operada pelo paradigma ecológico parte de um princípio fundamental: o de que as sociedades humanas, quaisquer que sejam as suas condições históricas ou graus de complexidade, não existem no vazio ambiental, bem pelo contrário, pois todas elas afectam e são afectadas pelos fenómenos e pelas leis da natureza. E isto não de forma determinista, mas antes como um duplo jogo em que ambos os termos se determinam reciprocamente Trata-se no fundo de uma relação co-evolutiva que passa assim a ser o fundamento epistemológico em que se baseia o paradigma ecológico.


No livro com 304 páginas uma série de investigadores abordam esta questão tendo por base o novo paradigma emergente: Edgar Morin, Alicia Puleo, Francisco Garrido, Manuel González de Molina, Giuseppe Munda, Michela Nardo, José Luis Serrano, José Luis Solana, Víctor Toledo y Ángel Valencia

Bibliotecas sem fronteiras


A Biblioteca sem fronteiras é uma Organização Não-governamental franco-americana criada em Dezembro de 2006 que tem como objectivos:

-facilitar o acesso aos livros nos países em vias de desenvolvimento através do envio de obras, colecções e periódicos para as bilbiotecas públicas, as universidades locais, as cidades e as aldeias.

-Desenvolver a troca de livros e obras, a criação de redes académicas, a informatização de bibliotecas em parceria e criar novas bibliotecas.

Bibliotecas sem fronteiras é uma ONG de soldariedade internacional que assume uma clara vontade de partilha de saberes à escala internacional, assim como a doação de livros e a criação e montagem de bibliotecas nos países em vias de desenvolvimento.

www.bibliosansfrontieres.com



Workshop de Soma - Uma terapia libertária ( Sábado, 24 de Nov. na BOESG, em Lisboa)

com João da Mata,
escritor, somaterapeuta, psicólogo,mestre em Filosofia e
doutorando em Sociologia Económica e das Organizações - ISEG/UTL.

A Soma é um processo pedagógico-terapêutico, corporal e em grupo. Foi criada e desenvolvida no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire, como um instrumento para aqueles que buscam respostas originais nas suas vidas, procurando entender o comportamento humano em sociedade a partir do quotidiano das pessoas.

Baseado nas pesquisas de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, a Soma nasceu de estudos sobre o desbloqueio da criatividade. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, fomos criando uma série de vivências que possibilitam uma rica descoberta sobre o comportamento e suas inúmeras nuances.

Perceber como o corpo reage diante de situações tão diferentes, como a agressividade, a comunicação, a sensorialidade, a sensualidade e sua relação com sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a singularidade contra a massificação. Esta oficina é um primeiro contacto com a Soma, onde buscaremos apresentar as principais bases teóricas e práticas do processo.


”...não é apenas uma terapia. É uma terapia lúdica e uma pedagogia nova. É poder se conhecer na diversão e, divertindo-se conhecer o outro. Estimular a solidariedade e a sinceridade como princípios da relação."


16h - Palestra "Psicologia, corpo e política"

17h - Oficina de Somaterapia


entrada livre

INCRIÇÕES: jodamata@terra.com.br ou 916759883

www.somaterapia.com.br


Local: BOESG - Rua das Janelas Verdes, 13 - 1º esq.
(em SANTOS, Lisboa)



Realização: Associação Cultural A Vida / Coletivo Anarquista Brancaleone

22.11.07

Ordem judicial para demolir o «Shopping cidade do Porto»

Recorde-se que o «Shopping Cidade do Porto» foi construído ilegalmente sob a conivência dos ex-autarcas xuxialistas do Porto (Fernando Gomes e Cia)

Foi tornada pública hoje a decidão judicial nos autos que correm no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto de mandar demolir o edificio do Shopping Center do Bom Sucesso, perto da Rotunda da Boavista, na cidade do Porto. O prazo fixado para a demolição é de 42 meses.


O edifício foi construído à revelia das normas urbanísticas e do Plano de ordenamento da cidade do Porto, tendo a sua construção só sido possível com a conivência dos autarcas xuxialistas que se encontravam naquela época à frenta da Câmara Municipal do Porto, Fernando Gomes e Cia.

Anteriormente o tribunal considerou que a demolição do centro comercial era a única forma de reparar uma ilegalidade muito grave e calculou os custos da operação em 125 milhões de euros.

Uma vitória do arquitecto José Pulido Valente, que tem lutado nos tribunais pela reparação da ilegalidade, e que sempre se mostrou crítico à forma como os sucessivos autarcas geriam os assuntos urbanísticos da cidade.

Recorde-se que o processo judicial arrasta-se desde 1995. No início de 2002, o Supremo Tribunal Administrativo confirmou que o licenciamento municipal do shopping foi ilegal. A construção do Bom Sucesso violava algumas normas legais, nomeadamente o regulamento do Plano Director Municipal do Porto em vigor desde 1993.
Face a esta deliberação, o processo regressou ao Tribunal Administrativo do Porto. Em 2003, o juiz determinou a demolição do centro comercial, esgrimindo duras críticas à actuação do Município por não cumprir as regras que aprovou para regular a sua actividade. A sentença avalia em 125 milhões de euros a operação, que iria "devolver aos cidadãos da zona a qualidade de vida que brutalmente lhes foi roubada".

Após várias peripécias e manobras dilatórias o processo veio parar novamente ao Tribunal Administrativo que acabou de proferir a decisão de ordenar a demolição do edifício do Shopping do Bom Sucesso, um autentico monstro encravado numa área nobre da cidade.

Este desfecho deve-se por inteiro à luta e persistência do arquitecto José Pulido Valente que moveu a acção judicial no longíquo ano de 1995 pedindo a demolição do edifício por contrariar as mais elementares normas urbanísticas em vigor na cidade, e denunciando o conluio de ex-autarcas e construtores civis .

A rebeldia do arquitecto José Pulido Valente

Último livro do arquitecto José Pulido Valente:
A Remar Contra a Maré, da Fólio Edições

Outro Livro do autor:
Acuso - Crónicas de Urbanismo e Arquitectura



O texto seguinte foi retirado daqui


O amplo ateliê está tomado pelo silêncio e luz, suave, de Inverno. Há algumas maquetas sobre os estiradores, a brancura do cartão manchada pelo pó. Das paredes, entre muitas memórias, ressalta um cartaz, também ele marcado pelo tempo, com o rosto do Che Guevara e um recorte amarelecido de jornal com a fotografia do arquitecto que continua a remar contra a maré. A rebeldia, continuada, tem um preço. "Como vê estou sem trabalho, não toca o telefone, nem ninguém me bate à porta."

José Pulido Valente, arquitecto polémico, traço e voz próprios, foi dos primeiros a opor-se à construção do Prédio Coutinho, em Viana do Castelo. Mas os protestos caíram na indiferença da Comissão de Estética, "presidida pelo escultor Álvaro Rocha e uns merceeiros da terra": deu parecer favorável com o argumento de que na "horizontalidade da cidade ficava bem um elemento alto". Corria a década de setenta. O jovem arquitecto, na altura com ateliê em Viana, esgrimia contra os autores do mamarracho em artigos que assinava no jornal Aurora do Lima.

Perdeu essa batalha. Terá perdido outras, mas nunca baixou os braços. Ao longo da vida, espevitou a luta contra as ligações "mafiosas" entre autarquias e construtores civis e a dignificação do ofício da arquitectura. Um combate sem tréguas pela cidadania plena. Há dias, saiu mais um livro seu: A Remar Contra a Maré, com a chancela da Fólio Edições, que reúne crónicas publicadas na imprensa. Na sessão de lançamento, na Fnac de Santa Catarina, no Porto, "não apareceu nenhum" colega de profissão. Um facto banal, previsível, para José Pulido Valente.

"Grande parte dos arquitectos da cidade não fala comigo", diz. Os de Lisboa, cidade onde nasceu há 70 anos, seguem o mesmo caminho. Em 2001, na sessão de lançamento de Acuso - Crónicas de Urbanismo e Arquitectura, outro livro polémico do autor, na sede da Ordem dos Arquitectos, também não apareceu nenhum companheiro de ofício.

O Prédio Coutinho será, em breve, demolido. Enfim, a altura - descobriram décadas volvidas - destoava na "horizontalidade" da cidade. Pulido Valente discorda, no entanto, da solução encontrada para resolver o problema. "Eu lutei contra este prédio desde a sua construção, e agora estou contra o plano para a zona: é um crime o que estão a fazer." E o "crime", refere, começa com a destruição do Mercado de Viana, "um belíssimo projecto de João Andersen", para dar lugar a um edifício que albergará os desalojados do Coutinho.

E quem colabora neste "atentado" ao património? "Alves Costa, Siza Vieira, Souto Moura... Esses professores da faculdade tiveram a coragem de participar na destruição do mercado. Isso é mafia, é pornografia intelectual, moral e ética. E a Ordem dos Arquitectos não faz nada! Andam feitos uns com os outros", acusa. Pulido Valente defende para o Prédio Coutinho "a demolição apenas do que está a mais".

É muito crítico com os colegas e não menos com os autarcas. Entrou em divergências, que depois acabaram em tribunal, com vários. Foi ele que levantou a voz contra a construção do Centro Comercial Cidade do Porto, no tempo de Fernando Gomes. A obra avançou, anos depois o Supremo Tribunal dá razão ao arquitecto: "É ilegal e não há maneira de vir a ser legal." O caso baixou ao Tribunal Administrativo do Porto, e Pulido Valente espera que o juiz não utilize o Plano Director, aprovado anos depois, para decidir sobre algo que foi feito antes - "Isso seria o banditismo completo."

Pode acontecer "uma coisa espantosa", diz o arquitecto. Em Viana do Castelo, "o Prédio Coutinho, que formalmente está de acordo com as leis vigentes na altura, vai abaixo"; na cidade do Porto, "o Edifício do Bom Sucesso, que violava as leis vigentes quando foi construído, pode continuar de pé".

Mas José Pulido Valente não se dá por vencido: "Enquanto eu for vivo e tiver saúde, tudo farei para o Bom Sucesso ser destruído."
A rebeldia, continuada, tem um preço. "Estou sem trabalho e tenho um camarada que trabalha comigo há 30 anos que não quer deixar de trabalhar comigo mas também não arranjo trabalho para ele." Há um travo de amargura na voz do arquitecto.

21.11.07

A fábrica do conformismo – o tema para um número especial do Le Monde Diplomatique


Como é que o poder dominante produz (ou fabrica) o conformismo, a apatia e a inércia que paralisa e bloqueia a acção social dos indivíduos e dos grupos sociais nas nossas sociedades capitalistas?
Uma interrogação extremamente pertinente que nos reenvia para a poderosa indústria do divertimento, para o insidioso consumismo compulsivo e alienante, e ainda para as várias técnicas de management que explicam em grande medida o ambiente geral de amorfismo que se vive hoje nos países ocidentais.


Justamente a esse propóstio, chegou a Portugal o último número especial do Le Monde Diplomatique( em francês) dedicado à temática da produção social do conformismo.
Trata-se de uma recolha de textos e artigos relacionados com aquele tema e que ao longo dos últimos anos foram sendo publicados por aquele jornal francês.
Supondo nós que não haverá tradução para português, deixamos aqui o sumário deste número excepcional do Diplo.

SUMÁRIO

I. Captiver les masses

Art et argent, histoire d’une soumission
Armand Mattelart

Le désir asphyxié, ou comment l’industrie culturelle détruit l’individu
Bernard Stiegler

La « culture Disney » à l’assaut de l’Europe
Yves Eudes

Un cinéma à deux vitesses
Carlos Pardo

La science-fiction à hauteur d’époque
Valerio Evangelisti

MTV, la chaîne musicale qui zappe toute seule
Y. E.

Les écrans du mépris
Martin Winckler

Laboratoire russe pour un théâtre public
Béatrice Picon-Vallin


II. Séduire le client

Spectateur et publicité, un mariage forcé
François Brune

Publicis, héraut de la mondialisation heureuse
Marie Bénilde

Les enfants en première ligne
M. B.

Vraie et fausse gratuité
Jean-Louis Sagot-Duvauroux

Consommateurs sous influence : l’irrésistible perversion du besoin
Franck Mazoyer

Restaurants rapides pour société sans classes
Rick Fantasia

Rébellion en solde au centre commercial
Thomas Frank

L’« antipub », marché porteur
F. B.

De la résistance des choses peintes
John Berger


III. Motiver le travailleur

La tentation du « loft management »
Stéphane Haefliger

Joyeuse surexploitation aux Etats-Unis
Ibrahim Warde

Repenser la place du travail
Jacques Robin

Léon Tolstoï, consultant en entreprise
Christian Salmon

Ouvriers sous surveillance
Benjamin Coriat

Des salariés pris au piège du consensus
Danièle Linhart et Robert Linhart

Les syndicalistes français face à la logique participative
Maurice Najman

L’utopie au miroir de décembre 1995
Edgar Roskis

Un nouvel ordre
Herbert Marcuse


Biographies
Gilles Deleuze. Le théoricien des sociétés de contrôle (O. P.)
Theodor Adorno. Le père de l’école de Francfort (O. P.)
Asa Griggs Candler. Au nom de Dieu et de Coca-Cola (M. C.)
Edward L. Bernays. L’inventeur du marketing (M. C.)
George Elton Mayo. Le psychologue de la motivation (M. C.)
Daniel Goleman. Le culturiste émotionnel (M. C.)

Iconographie
Sauf mention contraire, les photographies qui illustrent ce numéro sont de Dolorès Marat.

Infographies
Cécile Marin
Des groupes multimédias omniprésents
Six mastodontes de la publicité


Dans les livres

Les Sentiments du capitalisme, d’Eva Illouz
L’ère des psychologues

L’Ecran et le Zoo, d’Olivier Razac
Téléréalité : l’art du dressage

Propagandes silencieuses, d’Ignacio Ramonet
En contrebande

La Société de consommation, de Jean Baudrillard
Attendre que le bonheur se pose

Les Boîtes, de René Péron
Zola même fut conquis...

Non-Lieux, de Marc Augé
Perdus dans l’« espace »

United Emmerdements of New Order, de Jean-Charles Massera
« L’imaginaire d’un cadre comme votre mari »

Produisez, consentez !, d’Etienne Rodin
Le mode d’emploi du cerveau

Documentation
Olivier Pironet
Essais
Sur la Toile

Consultar:
http://www.monde-diplomatique.fr/

Acção contra o aproveitamento abusivo do aumento do preço do petróleo por parte das empresas de distribuição de combustíveis em Portugal

Contra o cartel das empresas de distribuição de combustíveis, e o domínio oligopolístico que exercem sobre o mercado de combustíveis em Portugal

Chegou ao nosso conhecimento por mão amiga uma interessante proposta de acção contra o aproveitamento abusivo do aumento do preço do petróleo por parte das empresas de distribuição de combustíveis que operam em Portugal, e que passamos a reproduzir


Está previsto que o preço da gasolina irá ultrapassar brevemente os 1,40 Euros/litro e do gasóleo os 1,20 Euros/litro!! !

Você quer que os preços baixem? É preciso agir conjunta e solidariamente.

Os mercados internacionais aumentam constantemente os preços através de medidas especulativas

Mas parece existir uma cartelização no sector dos combustíveis em Portugal.

A Galp tem o monopólio da refinação e existe pouca importação directa pelas outras petrolíferas. Além disso, a Galp controla, também, uma série de infra-estruturas de armazenagem.

Assim, a falta de concorrência estrutural no mercado português é uma realidade.

Temos de actuar decididamente para lhes mostrar que, num mercado livre e concorrencial, são os compradores e os vendedores que, ambos, controlam os preços de mercado e não apenas um deles.

Face aos aumentos, por vezes até mais do que uma vez por semana, do preço dos combustíveis, devemos reagir como consumidores que somos.

A única forma de se verificar a queda do preço terá de passar por uma vontade firme em não comprarmos gasolina ou gasóleo a essas empresas petrolíferas

EIS A PROPOSTA:

NÃO COMPRAR UMA GOTA DE COMBUSTÍVEL ÀS TRÊS MAIORES EMPRESAS DE
COMBUSTÍVEIS NO PAÍS: GALP, BP e REPSOL .


( nota : EXISTEM OUTRAS EMPRESAS COMO A CEPSA, ELF, ESSO,etc. .... )

Se aquelas empresas virem as suas vendas de combustíveis reduzirem, serão obrigadas a baixar os seus preços, e romper o cartel.

Se uma delas baixar os seus preços, as outras empresas terão também de os baixar.

Mas para criar o tal impacte, temos de conseguir a compreensão e a
colaboração de milhões de clientes da Galp, BP Repsol.

A Internet dá-nos a possibilidade de conseguir isso. Se esta mensagem for distribuída e lida por outras pessoas, e se cada uma destas a transmitir a mais pessoas e assim por diante, esta mensagem será lida por milhões…

Em suma: o que temos de fazer é boicotar os postos daquelas 3 empresas petrolíferas no nosso país


E é tudo !

Se agirmos conjuntamente vamos conseguir a diferença!

Acredite que pode provocá-la e obrigar ao desmantelamento do cartel entre as empresas distribuidoras de combustíveis em Portugal.


NÃO SE PERDE NADA EM TENTAR.

O Vício da Liberdade: Jornais e Panfletos Anti-Napoleónicos (1807-1815) – exposição na Hemeroteca municipal de Lisboa

A Hemeroteca municipal de Lisboa tem vindo a desenvolver um trabalho digno de realce, um verdadeiro serviço público, ao colocar à disposição dos interessados um acervo importante de publicações que fizeram história. Contávamos dar conta do facto a propósito da digitalização de muitas publicações do período de 1974-75, mas surgiu agora uma mostra documental que, em breve, estará também online, sobre os jornais a panfletos anti-napoleónicos (1807-1815) sob o curioso título «O Vício da Liberdade».

Temos assim oportunidade de «revisitar a notável expansão que a imprensa periódica conheceu nesta época, primeiro com a “terrível invenção dos jornais de Londres”, depois com o aparecimento de novos periódicos no país, a par da disseminação de uma vasta e difusa literatura panfletária (folhas volantes, libelos, panfletos, manifestos, na sua maioria anti-franceses), num fenómeno sem precedentes na história editorial portuguesa»


Local: Átrio e Escadaria da Hemeroteca Municipal de Lisboa
Inauguração a 12 de Novembro; em exibição até 31 de Dezembro


Ciclo de Conferências

1.ª Conferência

Os Panfletos Anti-Franceses, subsídios para a sua história,
por António Ventura (UL/FL).

Data: 28 Novembro (quarta-feira), 18 horas.
Local: Sala do Espelho da Hemeroteca Municipal de Lisboa

2.ª Conferência

Invasões Francesas: o esgrimir das penas e os papéis incendiários,
por Rita Correia (CML/HML)

Data: 6 Dezembro (quinta-feira), 18 horas.
Local: Hemeroteca Municipal _ Sala do Espelho

Conteúdos Digitais
No âmbito do Bicentenário das Invasões Francesas (1807-2007), a Hemeroteca Municipal disponibilizará na Internet alguns documentos históricos relacionados com esta efeméride, como panfletos, manifestos e libelos, editados entre 1807 e 1815, na sua maioria contra a ocupação francesa,
uma introdução histórica ao tema, bibliografia que os investigadores e leitores poderão encontrar nas bibliotecas municipais de Lisboa, entre outros conteúdos informativos, como sites e blogues sobre as Invasões Francesas. Isto é, um manancial de dados e informações sobre este dramático episódio da História Contemporânea de Portugal, a partir do dia 27 de Novembro, na Hemeroteca Digital.

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/


A Hemeroteca Digital, sítio da Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML), tem por objectivo a construção duma biblioteca digital de jornais e revistas caídos em domínio público. Com este projecto pretende-se criar um sítio de referência para a consulta em linha e difusão pública do universo fascinante da imprensa periódica portuguesa.

Disponibilizamos, assim, através da Internet, em formato HTML e PDF, diversos títulos de publicações periódicas, com destaque para as colecções digitais de periódicos do fundo local e histórico, completadas com fichas históricas de apresentação dos jornais e revistas, raridades bibliográficas relacionadas com a imprensa escrita, e bibliografia de referência para o estudo e consulta do acervo bibliográfico da HML.

Disponibilizamos ainda outros recursos informativos, resultantes da actividade cultural e científica da biblioteca, bem como o acesso a serviços electrónicos, que simplificam muito o contacto do utilizador com a HML.

Assembleia do Movimento de utentes dos Transportes da área Metropolitana do Porto (23 Nov às 21h.30)


MOVIMENTO DE UTENTES DOS TRANSPORTES DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO

O Movimento cívico dos utentes dos transportes da área metropolitana do Porto tem como objectivo principal contribuir para o desenvolvimento dos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto.

Nesse sentido, este Movimento vai organizar uma Assembleia Pública no dia 23 de Novembro de 2007, pelas 21h30, na Junta de Freguesia de Massarelos subordinada ao tema "Balanço do Movimento" para a qual apela à participação da população interessada na defesa do serviço público de transportes.

Salientamos desde já alguns temas que serão abordados:
a.. Alterações conquistadas pelas justas reivindicações dos utentes.
b.. Modelo de funcionamento do sistema de transportes.
c.. Entre outros conforme o Debate decorrer


MUT-AMP
André Dias - 917 014 753
Domingos Alves - 966 526 528
José Ribeiro - 964 564 936

Greve dos trabalhadores dos STCP a partir de hoje

Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) iniciaram esta madrugada de quarta-feira uma greve parcial, que afectará as últimas horas de serviço.

A greve dos trabalhadores da STCP vai decorrer entre as 24:00 desta quarta-feira (dia 21) e as 02:00 de sexta-feira ( dia 23), prosseguindo depois entre as 24:00 de domingo e as 02:00 de segunda-feira e entre as 24:00 de segunda-feira e as 02:00 de terça-feira.


Segundo Jorge Costa, do Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM), a adesão ronda os 40 por cento, percentagem que se justifica pelo facto dos três sindicatos que emitiram o pré-aviso de greve terem dado indicações aos trabalhadores para apenas paralisarem nas últimas duas horas do seu turno de trabalho.
Manuel Alves, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), confirmou os números de adesão, admitindo, contudo, que a adesão será maior a partir das 17:00.
«A greve será mais sentida a partir das 17:00», disse o sindicalista, acrescentando que é a partir do meio da tarde que «um maior número de turnos acabará».


As fontes sindicais afirmaram que em causa está o falhanço das negociações do Acordo de Empresa com três sindicatos do sector: STRUN, Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA) e SNM.
Manuel Alves afirmou que o Conselho de Administração da STCP «ataca direitos dos trabalhadores», designadamente através da imposição das férias, sem acordo dos trabalhadores.
«A administração pretende assegurar poucos direitos aos trabalhadores no activo, mas recusa-se a estendê-los a todos os que entrarem de novo na empresa», disse, considerando esta situação «inaceitável».

Sessão de apresentação do jornal Mudar de Vida no Grémio Lisbonense(22de Nov às 21h.30)


Sessões de apresentação do jornal Mudar de Vida


Lisboa, Grémio Lisbonense (Rossio), 22 Nov, 21:30h
RUA DOS SAPATEIROS Nº 226 1º 1100-581 LISBOA TEL: 213 420 266

Pinhal Novo, Soc. Filarmónica União Agrícola, 23 Nov, 21:30h
Aljustrel, Clube Aljustrelense, 24 Nov, 17:00h

http://jornalmudardevida.net/




NOTA: Já saiu entretanto a edição de Novembro do Mudar de Vida.

Assinem a petição do FERVE (fartos destes recibos verdes) para o extermínio dos falsos recibos verdes

Reportagem da RTP1 sobre o movimento FERVE




Consultem e assinem em:
http://www.fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/




O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes promove um abaixo-assinado, para apresentação à Assembleia da República.

Obrigada a todos/as e contamos convosco!


PETIÇÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PARA NEUTRALIZAR A UTILIZAÇÃO DOS DENOMINADOS “FALSOS RECIBOS VERDES”

Os/As signatários/as desta petição solicitam à Assembleia da República, enquanto órgão constitucional representativo dos/as cidadãos/ãs portugueses/as, e ao abrigo da sua função de controlo, que, desencadeie e incremente as acções tendentes a corrigir todos os vínculos laborais constituídos directamente com a Administração Pública a recibos verdes, pela consideração de que, embora designados como prestações de serviço tout court, respeitadores dos regimes de contratação pública em vigor, são antes trabalho prestado por conta de outrem com características em tudo subsumíveis ao conceito de “contrato de trabalho”, vivendo de forma dissimulada pela desoneração que os laços precários trazem para o contratante público.

Defendem os/as signatários/as que cabendo à Assembleia da República, de acordo com o texto constitucional, a vigia do cumprimento da lei, lhe são devidos todos os actos de controlo da preservação dos institutos jurídicos da legislação portuguesa e, concretamente do cumprimento pela Administração Pública das normas jurídicas em vigor.

No universo laboral português, há milhares de pessoas que são contratadas para exercer funções em entidades públicas, sendo para tal recrutadas como trabalhadores/as independentes. Esta situação permite o seu fácil despedimento, sem que tenham direito a receber subsídio de desemprego e habilita o Estado a demitir-se de lhes assegurar o pagamento de subsídios de Natal e de Férias.

Consideramos que o Estado tem de se afirmar como um garante da legalidade e, no que concerne à contratação laboral, constituir-se como exemplo a seguir pelas entidades privadas. Neste sentido, tendo em conta que a situação dos “falsos recibos verdes” também se verifica em entidades privadas, o Estado deve agir de forma a fazer cumprir a lei.

Pelo exposto, solicitamos que a Assembleia da República legisle no sentido de fazer com que:

1) se regularizem, com a generalização de contratos individuais de trabalho, todas as situações de uso de “falsos recibos verdes” na Administração Pública;

2) pelo aperfeiçoamento dos mecanismos legais, se incremente a actividade da Inspecção Geral da Administração do Território de modo a que esta possa ser mais eficaz na verificação da utilização de "falsos recibos verdes” por parte de entidades públicas;

3) o Estado exija às entidades com as quais trabalha ou às quais solicita serviços que estas tenham a situação laboral dos/as seus/suas trabalhadores/as regularizada, certificando-se de que não recorrem à contratação com "falsos recibos verdes”;

4) pelo aperfeiçoamento dos mecanismos legais, se reforce o poder fiscalizador da Inspecção-Geral do Trabalho para que esta possa ser mais eficaz na verificação da utilização de "falsos recibos verdes” por parte de entidades privadas.

20.11.07

Sétimo dia de greve na ValorSul: trabalhadores continuam a sua luta por melhores condições de trabalho


Apesar da presença maciça da GNR, das ameaças e intimidações policiais, e de toda a campanha de intoxicação lançada pelo Governo Xuxialista contra a greve dos trabalhadores da empresa ValorSul, a greve mantém-se e chega hoje ao seu sétimo dia.


Durante este últimos dias os grevistas mantiveram-se junto ao aterro sanitário, procurando dissuadir os trabalhadores da recolha de lixo dos vários municípios servidos pela Valorsul. Alguns motoristas dos Serviços Municipalizados de Loures chegaram mesmo a recusar-se a entrar no aterro, merecendo os aplausos dos trabalhadores em greve. Tudo isto perante a presença intimidatória de dezenas de militares da GNR, que fez deslocar para o local três carros do corpo de intervenção rápida.

Um aparato policial que desagradava aos trabalhadores da Valorsul. "É a GNR que neste momento toma conta de todas as operações, dá ordens aos motoristas, aos encarregados, a toda a gente", dizia Adolfo Zambujo, dirigente sindical.

Está marcado para hoje um novo plenário dos trabalhadores que decidirão o rumo a tomar para a sua luta por melhores condições de trabalho.


Os trabalhadores insistem na importância do apoio da população ao piquete de Mato da Cruz, cientes de que a greve é uma prova de força e de resistência. Com efeito, a policia reprime os grevistas de forma sorrateira, dispersando o piquete assim que verifica que os trabalhadores estão sozinhos, são pouco numerosos ou estão cansados. Por isso, a solidariedade activa, no local, conta muito para denunciar e tentar impedir o uso da força por parte da polícia. E bem assim, para denunciar o pretexto da defesa do interesse público - invocado pelo governo e pela administração da Valorsul para usar a força policial - quando o que está em causa é a recusa da empresa em discutir as reivindicações dos trabalhadores.


Apelamos a que todos se desloquem para apoiar os grevistas. Por várias vezes, estes nos disseram “Venham! Venham! O vosso apoio é indispensável, seja a que horas for, dia e noite”. Neste caso, como em tantas outras pequenas-grandes lutas, “resistir é vencer”.

mais info:

www.jornalmudardevida.net/?p=354

www.jornalmudardevida.net/?p=354

www.jornalmudardevida.net/?p=334

www.jornalmudardevida.net/?p=330