28.10.07

Necrocombustíveis : vamos alimentar carros e desnutrir pessoas? (texto de Frei Betto)

O prefixo grego bio significa vida; necro, morte. O combustível extraído de plantas traz vida? No meu tempo de escola primária, a história do Brasil dividia-se em ciclos: pau-brasil, ouro, cana, café etc. A classificação não é de todo insensata. Agora estamos em pleno ciclo dos agrocombustíveis, incorrectamente chamados de biocombustíveis.

Este novo ciclo provoca o aumento dos preços dos alimentos, já denunciado por Fidel Castro [ver Fraternizar n.º 166]. Estudo da OCDE e da FAO, divulgado a 4 de Julho, indica que “os biocom¬bustíveis terão forte impacto na agricultura entre 2007 e 2016.” Os preços agrícolas ficarão acima da média dos últimos dez anos. Os grãos deverão custar de 20% a 50% mais. No Brasil, a população pagou três vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2006.

Vamos alimentar carros e desnutrir pessoas. Há 800 milhões de veículos automotores no mundo. O mesmo número de pessoas sobrevive em desnutrição crónica. O que inquieta é que nenhum dos governos entusiasmados com os agrocombustíveis questiona o modelo de transporte individual, como se os lucros da indústria automobilística fossem intocáveis.

Os preços dos alimentos já sobem em ritmo acelerado na Europa, na China, na Índia e nos EUA. A agflação – a inflação dos produtos agrícolas – deve chegar, este ano, a 4% nos EUA, com¬parada ao aumento de 2,5% em 2006. Lá, como o milho está quase todo destinado à produção de etanol, o preço do frango subiu 30% nos últimos doze meses. E o leite deve subir 14% este ano. Na Europa, a manteiga já está 40% mais cara. No México, houve mobilização popular contra o aumento de 60% no preço das tortillas, feitas de milho.

O etanol made in USA, produzido a partir do milho, fez dobrar o preço deste grão em um ano. Não que os ianques gostem tanto de milho (excepto pipoca). Porém, o milho é componente essencial na ração de suínos, bovinos e aves, o que eleva o custo de criação desses animais, encarecendo derivados como carne, leite, manteiga e ovos.

Como hoje quem manda é o mercado, acontece nos EUA o que se reproduz no Brasil com a cana: os produtores de soja, algodão e outros bens agrícolas abandonam seus cultivos tradicionais pelo novo “ouro” agrícola: o milho lá, a cana aqui. Isso repercute-se nos preços da soja, do algodão e de toda a cadeia alimentar, considerando que os EUA são responsáveis por metade da exportação mundial de grãos.

Nos EUA, já há lobbies de produtores de bovinos, suínos, caprinos e aves pressionando o Congresso para que se reduza o subsídio aos produtores de etanol. Preferem que se importe eta¬nol do Brasil, à base de cana, de modo a evitar-se ainda mais a alta do preço da ração.
A desnutrição ameaça, hoje, 52,4 mi¬lhões de latino-americanos e caribenhos, 10% da população do Continente. Com a expansão das áreas de cultivo votadas à produção de etanol, corre-se o risco dele se transformar, de facto, em necrocombustível – predador de vidas humanas.
No Brasil, o governo já puniu, este ano, fazendas cujos canaviais dependiam de trabalho escravo. E tudo indica que a expansão dessa lavoura no Sudeste empurrará a produção de soja Amazónia adentro, provocando o des¬ma¬tamento de uma região que já perdeu, em área florestal, o equivalente ao território de 14 estados de Ala¬goas.
A produção de cana no Brasil é historicamente conhecida pela super-exploração do trabalho, destruição do meio ambiente e apropriação indevida de recursos públicos. As usinas se caracterizam pela concentração de terras para o monocultivo voltado à exportação. Utilizam em geral mão-de-obra migrante, os bóias-frias, sem direitos trabalhistas regulamentados. Os trabalhadores são (mal) remunerados pela quantidade de cana cortada, e não pelo número de horas trabalhadas. E ainda assim não têm controle sobre a pesagem do que produzem.
Alguns chegam a cortar, obrigados, 15 toneladas por dia. Tamanho esforço causa sérios problemas de saúde, co¬mo caibras e tendinites, afectando a coluna e os pés. A maioria das contratações dá-se por intermediários (trabalho terceirizado) ou “gatos”, arregi¬mentadores de trabalho escravo ou semi-escravo. Após 1850, um escravo costumava trabalhar no corte de cana por 15 a 20 anos. Hoje, o trabalho excessivo reduziu este tempo médio para 12 anos.

O entusiasmo de Bush e Lula pelo etanol faz com que usineiros alagoanos e paulistas disputem, palmo a palmo, cada pedaço de terra do Triângulo Mineiro. Segundo o repórter Amaury Ribeiro Jr, em menos de quatro anos, 300 mil hectares de cana foram plantados em antigas áreas de pastagens e de agricultura. A instalação de uma dezena de usinas novas, próximas a Ube¬raba, gerou a criação de 10 mil empregos e fez a produção de álcool em Minas saltar de 630 milhões de litros em 2003 para 1,7 bilhão este ano.
A migração de mão-de-obra desqualificada rumo aos canaviais – 20 mil bóias-frias por ano - produz, além do aumento de favelas, o de assassinatos, tráfico de drogas, comércio de crianças e de adolescentes destinados à prostituição.

O governo brasileiro precisa livrar-se da sua síndrome de Colosso (a famosa tela de Goya). Antes de transformar o país num imenso canavial e so¬nhar com a energia atómica, deveria priorizar fontes de energia alternativa abundantes no Brasil, como hidráulica, solar e eólica. E cuidar de alimentar os sofridos famintos, antes de enriquecer os “heróicos” usineiros.
Retirado daqui

Morreu António Cabral, uma das figuras mais destacadas da cultura transmontana


António Cabral morreu no passado dia 23 de Outubro. Autor de uma das mais significativas obras produzidas em Trás-os-montes, com incidêndia física no Douro e em Vila Real, o seu lirismo objectivo andou sempre distante das modalidades de voga. Cantado por José Afonso ou Francisco Fanhais, Antonio Cabral, poeta, romancista, ensaista, animador cultural, ainda participou há cerca de um mês, em Vilar, Boticas, n' Os Dias da Criação, sublinhando a sagesse popular como mosto da sua obra que, não raro, dialogava com António Nobre ou Camões, com uma vertente lúdico-irónica-dramática cujas afinidades electivas talvez possamos encontrar em Jacques Prévert.



Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura:
Vai formosa e não segura.

Se tivesse umas chinelas
iria melhor...mas não:
co dinheiro das chinelas
compra um pouco mais de pão.
Virá o dia em que os pés
não sintam a terra dura?
Leonor sonha de mais:
vai formosa e não segura.

Formosa! Não vale a pena
ter nos olhos uma aurora
quando na vida - que vida!
o sol já se foi embora.
Se os filhos se alimentassem
com a sua formosura...
Leonor pensa de mais
vai formosa e não segura.

Há verduras pelos prados,
há verduras no caminho;
no olmo ao pé da fonte
canta livre um passarinho,
Mas ela não canta, não,
que a voz perdeu a doçura.
Leonor sofre demais:
vai formosa e não segura.

Porque sofre? Nunca soube
nem saberá a razão.
Vai encher a talha de água,
Só não enche o coração.
Virá um dia...virá...
Os olhos voam na altura
Leonor não anda: sonha.
Vai formosa e não segura.

Antonio Cabral, Poemas Durienses


retirado de:
http://incomunidade.blogspot.com/

Não há pior que o analfabeto político

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956 )

Retirado de:
http://opaisdoburro.blogspot.com/

Curso de Iniciação ao Teatro do TUP (teatro universitário do Porto)


O TUP - Teatro Universitário do Porto promove a cada dois anos um Curso de Iniciação ao Teatro aberto a toda a comunidade da UP. Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o TUP cumpre assim a função pedagógica que o norteou desde a sua fundação.
O Curso incidirá em três componentes iniciais, Voz, Movimento e Interpretação, e culminará com a apresentação e carreira de um espectáculo resultante do módulo de Práticas Teatrais. Este espectáculo será também apresentado no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro. O acesso ao curso é feito mediante uma audição com os docentes e alguns membros da Direcção.

Inscrições: até 31 de Outubro para
tupporto@gmail.com

Audições: 3 e 4 Novembro, das 15h às 19h
Calendário do curso: de 12 de Novembro a 10 de Março
Paragem lectiva: de 17 de Dezembro a 7 de Janeiro

Docentes:
Voz - Patrícia Brandão
Movimento - Anabela Sousa
Interpretação - Catarina Lacerda
Práticas teatrais e Encenação - a definir.

Alguns esclarecimentos:
1 - O curso é dirigido aos estudantes universitários da UP. Ex-estudantes desta e de outras instituições poderão fazer a audição, se assim entenderem, mas ficarão em segunda prioridade, uma vez que temos um número limite de vagas.
2 - O curso funcionará de segunda a sexta, entre as 21h e as 24h, nas instalações do TUP - Travessa de Cedofeita, nº 65. Mapa disponível aqui.
3 - A frequência do curso não implica qualquer pagamento, mas implica total disponibilidade. Esta é uma oportunidade única de formação gratuita e de qualidade e que exije, por parte dos seleccionados, um compromisso.

Os interessados devem ligar para o 963526352 e marcar audição, fornecendo os seguintes dados: nome; idade; faculdade, curso e ano de frequência (quando aplicável); contacto (telefone e email, para recepção de textos).

PortoClown - 1º festival internacional de clown no Porto



PROGRAMAÇÃO

Dia 1 de Novembro
11h às 13h - Formação Ritmo e Movimento
11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

14.30hàs 19h - Formação +Clown
14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

19.30 – Filme + Conversa A Gravata de Alejandro Jodorowsky Chile/França, 1957

22h - Espectáculo Supper bigg magick shoow, por João Paulo da Silva, Portugal


Dia 2 de Novembro

18h às 20h - Formação Ritmo e Movimento

20.30 às 22h – Formação +Clown


22h - Espectáculo Ditu&Feitu , por Alter-Lego, Espanha

24h - Filme + Conversa Doc. dos Noveaux Nez, França, 1994


Dia 3 de Novembro

10h às 13h - Formação Ritmo e Movimento

11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar


14.30 às 19h - Formação +Clown
14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

19.30- Filme + Conversa Quand la mer monte... França, 2005

22h- Espectáculo A Galinha da Minha Vizinha, por Graça Ochoa, Circolando, Portugal


Dia 4 de Novembro

10h às 13h- Formação Ritmo e Movimento

11h às 13:30 - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar


14.30 às 18.30- Formação +Clown

14:30 às 17h - Formação Improvisação em Contexto Hospitalar

14h às 15h – Formação Dança criativa para crianças

19.30 - Filme + Conversa Doc. Doutores da Alegria, Brazil, 2005




Teatro do Frio

Do Frio à Pesquisa Este colectivo surge - tal como um calafrio que indicia uma reacção muscular de auto-aquecimento - da necessidade de gerar algo que active acções e reacções capazes de calor, de chama, de relação, de humanidade. Surge da necessidade artística e humana de criação de um espaço que privilegie na actividade teatral o lugar da pesquisa. Entendemos essa pesquisa como um processo simultaneamente físico e teórico, continuado, sustentado no conhecimento que se quer mais aprofundado, tanto de nós mesmos indivíduos em evolução, como do meio e do tempo em que nos inserimos, do contexto social em progressão.

Teatro do Frio - Contactos
mail: teatro.do.frio@gmail.com ,
tel: +351 93 161 72 93
Rua da Alegria, nº 341 4000-Porto

Debate sobre os OGMs no Instituto Superior de Agronomia (30 de Out. às 14h.)



OGM: O debate em falta - Riscos e (in)certezas da engenharia genética na agricultura

30 de Outubro,
14h00 – Sala de Actos do Instituto Superior de Agronomia


ENTRADA LIVRE


As posições dos vários actores no debate dos organismos transgénicos estão divididas. Enquanto que uma parte está seriamente convicta de que a aplicação da engenharia genética na agricultura é o caminho a seguir na agricultura global, a outra parte acredita que a utilização de OGM* é semelhante à abertura da caixa de Pandora, contendo toda uma série de riscos e ameaças para o ambiente, saúde humana e sociedade em geral. Muitas questões pairam no ar: De que riscos se tratam? O que sabemos destes? E o que não sabemos?
Apesar de estas questões serem por si só suficientemente difíceis de responder, outra série de questões apresenta-se como fulcral: Quem são exactamente os actores no debate? E, por outro lado, como decidimos como cidadãos se consideramos os riscos aceitáveis em comparação com os benefícios que se proclamam?
Há muito em jogo. De todas as formas, o debate está aberto.


PROGRAMA

1ª PARTE:
14h00 – Abertura e apresentações.
• “O direito inalienável de não ser cobaia: transgénicos e a investigação que as empresas se esqueceram de fazer” – Prof. Dra. Margarida Silva, Bióloga e Coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

• "O que são plantas geneticamente modificadas e em que diferem das obtidas por melhoramento convencional" - Prof.ª Dr.ª Maria Margarida Oliveira, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa

• “Society and Technological Advance. What risks are we willing to take?” – Johan Diels, GAIA (apresentação em Inglês)

16h45 – Pausa para café


2ª PARTE

17h00 – Mesa redonda com moderação de Luísa Schmidt.
• Prof.ª Dr.ª M. Margarida Oliveira
• Eng.º Gualter Baptista, doutorando em Ciências do Ambiente e activista do GAIA
• José Alfredo, Vice Presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa
• Prof. Dr. Antero Lopes Martins, do Departamento de Botânica e Engenharia Biológica do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa

19h00 – Encerramento do debate

Localização: Tapada da Ajuda, Lisboa -
http://www.isa.utl.pt/home/node/269

27.10.07

Poesia para os distraídos

No primeiro diploma,
Congelam as progressões,
Acabam os escalões,
E não dizemos nada.

No segundo diploma,
Aumentam o tempo das reformas,
Mexem com todas as normas,
E não dizemos nada.

No terceiro diploma,
Alteram o sistema de saúde,
Há um controlo amiúde,
E não dizemos nada.

No quarto diploma,
Criam-se informações,
Geram-se várias divisões,
E não dizemos nada.

No quinto diploma,
Passa a haver segredo,
As pessoas vivem com medo,
E não dizemos nada.

Até que um dia,
O emprego já não é nosso,
Tiram-nos a carne fica o osso,
E já não podemos dizer nada.

Porque a luta não foi travada,
A revolta foi dominada,
E a garganta está amordaçada.


(de autor anónimo)

26.10.07

Nem tudo o que luz é verde ( texto de Boaventura Sousa Santos)

Acerca dos oportunistas no ambientalismo e alguns critérios para fugir deles e manter viva a luta ecológica, um bom texto de Boaventura Sousa Santos que se reproduz a seguir:


A questão ambiental entrou finalmente no discurso público e na agenda política, o que não deixa de causar alguma surpresa aos activistas dos movimentos ecológicos, sobretudo àqueles que militam há mais tempo e se habituaram a ser apodados de utópicos e inimigos do desenvolvimento. A surpresa é tanto maior se se tiver em conta que o fenómeno não parece estar relacionado com uma intensificação extraordinária da militância ecológica. Quais, pois, as razões?

Ao longo das últimas quatro décadas, os movimentos ecológicos foram ganhando credibilidade à medida que a investigação científica foi demonstrando que muitos dos argumentos por eles invocados se traduziam em factos indesmentíveis – a perda da biodiversidade, as chuvas ácidas, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a escassez de água, etc. – que, a prazo, poriam em causa a sustentabilidade da vida na terra. Com isto, ampliaram-se os estratos sociais sensíveis à questão ambiental e a classe política mais esclarecida ou mais oportunista (ainda que por vezes disfarçada de sociedade civil, como é o caso de Al Gore) não perdeu a oportunidade para encontrar nessa questão um novo campo de actuação e de legitimação. Assim se explica o importante relatório sobre a “conta climática” de um economista nada radical, Nicholas Stern, encomendado por um político em declínio, Tony Blair. Neste processo foram “esquecidos” muitos dos argumentos dos ambientalistas, nomeadamente aqueles que punham em causa o modelo de desenvolvimento capitalista dominante. Este “esquecimento” foi fundamental para a segunda razão do actual boom ambiental: a emergência do ecologismo empresarial, das indústrias da ecologia (não necessariamente ecológicas) e, acima de tudo, dos agrocombustíveis cujos promotores preferem designar, et pour cause, como biocombustíveis.

As reservas que os movimentos sociais (ambientalistas e outros) levantam a este último fenómeno merecem reflexão tanto mais que, tal como aconteceu antes, é bem provável que só daqui a muitos anos (tarde demais?) sejam aceites pela classe política e opinião pública. A primeira pode formular-se como uma pergunta:


é de esperar que as indústrias da ecologia resolvam o problema ambiental quando é certo que a sustentabilidade económica delas depende da permanente ameaça à sustentabilidade da vida na terra?


A eficiência ambiental dos agrocombustíveis é uma questão em aberto que, aliás, se agravará com a “segunda geração de agrocombustíveis” que, entre outras coisas, inclui a introdução de plantas (árvores) geneticamente modificadas. Por outro lado, a produção dos agrocombustíveis (cana do açúcar, soja e palma asiática) usa fertilizantes, polui os cursos de água e é já hoje uma das causas da desflorestação, da subida do preço da terra e da emergência de uma nova economia de plantação, neocolonial e global. A segunda reserva está relacionada com a anterior e diz respeito ao impacto da expansão dos agrocombustíveis na produção de alimentos. No início de Setembro, o bushel de trigo (cerca de 36 litros) atingiu o preço record de 8 dólares na bolsa de mercadorias de Chicago. Más colheitas (derivadas das mudanças climáticas), o aumento da procura pela China e a Índia e a produção de agrocombustíveis foram as razões do aumento e a expectativa é de que a subida continue. O aumento do preço dos alimentos vai afectar desproporcionalmente populações empobrecidas dos países do Sul, pois gastam mais de 80% dos seus parcos rendimentos na alimentação. Ao decidir atribuir 7,3 biliões de dólares em subsídios para a produção de agrocombustíveis, os EUA produziram de imediato um aumento (que chegou a 400%) do preço do alimento básico dos mexicanos, a tortilla. Reside aqui a terceira reserva: os agrocombustíveis podem vir a contribuir para a desigualdade entre países ricos e países pobres. Enquanto na UE a opção pelos agrocombustíveis corresponde, em parte, a preocupações ambientais, nos EUA a preocupação é com a diminuição da dependência do petróleo. Em qualquer dos casos, estamos perante mais uma forma de proteccionismo sob a forma de subsídios à agro¬ indústria, e, como a produção doméstica não é de nenhum modo suficiente, é, de novo, nos países do Sul que se vão buscar as fontes de energia. Se nada for feito, repetir¬ se¬ á a maldição do petróleo: a pobreza das populações em países ricos em recursos energéticos.

O que há a fazer?
Critérios exigentes de sustentabilidade global; democratização do acesso à terra e regularização da propriedade camponesa; subordinação do agrocombustível à segurança e à soberania alimentares; novas lógicas de consumo (se a eficiência do transporte ferroviário é 11 vezes superior à dos transportes rodoviários, porque não investir apenas no primeiro?); alternativas ao mito do desenvolvimento e numa nova solidariedade do Norte para com o Sul.
Neste domínio, o governo equatoriano acaba de fazer a proposta mais inovadora: renunciar à exploração do petróleo numa vasta reserva ecológica se a comunidade internacional indemnizar o país em 50% da perda de rendimentos derivados dessa renúncia.

retirado de:

Amnistia Internacional organiza o 8º Campo de Trabalho «Vamos defender os direitos humanos» para jovens

Amnistia Internacional vai realizar nos próximos dias 1 a 4 de Novembro, o seu VIII Campo de Trabalho "Vamos Defender os Direitos Humanos", para jovens dos 14 aos 18 anos, a realizar na Pousada de Juventude de S. Pedro do Sul.
Deixo-vos aqui a inscrição e abaixo a programação deste ano. Apareçam!

Programa

Quinta, 1 de Novembro
13h-14h30 – Chegada e Alojamento
15h00 – Sessão de abertura
15h45 – Apresentação do Campo
16h15 – Coffee Break
16h30 – A Amnistia Internacional – Visão e Missão
19h00 / 21h00 – Jantar
21h15 – Noite de Jogos

Sexta, 2 de Novembro
10h00 – Rede de Acção Jovem / Activismo Juvenil
11h15 – Coffee break
11h30 – “Guerra contra o Terrorismo ou contra os Direitos Humanos?”
12h30/14h00 – Almoço
14h15 – “Campanha Global pela Dignidade Humana” - 1ªparte
16h30 – Coffee break
16h45 – “Campanha Global pela Dignidade Humana”- 2ªparte
19h30 / 21h00 - Jantar
21h30 – “Make Some Noise for Human Rights!” – Festa dos Direitos
Humanos

Sábado, 3 de Novembro
10h00 – “Pena de Morte – Justiça ou Crueldade?”
11h15 – Coffee break
11h30 - Pena de Morte – Justiça ou Crueldade? (2ªparte)
13h00/14h30 - Almoço
14h45 – “Discriminar Não é Humano!”
16h30 - Coffee break
16h45 –“Discriminar Não é Humano!” (2ªparte)
18h30 – Chill out time
19h30/21h00 – Jantar
21h30 – Peddy Paper nocturno (É necessário trazeres uma lanterna)

Domingo, 4 de Novembro
10h00 – Actividade Lúdica –Espaço para troca de impressões sobre o Campo
11h00 – Avaliação do Campo
12h30/14h00 – Almoço
14h00 - Despedidas


A Reuniões da ReAJ realizam-se, presentemente, na cooperativa cultural Crew Hassan, perto do Rossio - Lisboa, todas as Sextas-feiras, entre as 17:00 e as 18:00.




Para participares imprime e envia o cupão de inscrição, acompanhado de um cheque ou vale postal no valor de 30 euros, até ao dia 23 de Outubro, para:
Amnistia InternacionalAv. Infante Santo, 42, 2º1350-179 Lisboa

O pagamento da inscrição inclui o alojamento, refeições e materiais do Campo de Trabalho.
Para qualquer esclarecimento contacta:
Tel. 21 386 16 52 / 64;
Fax: 21 386 17 82

As inscrições são limitadas, por isso despacha-te.

Ficha de inscrição

25.10.07

O interesse pelos livros libertários nunca foi tão grande como agora

Acerca da Livraria Público




fotografia do interior da conhecida livraria anarquista de Paris


A livraria PUBLICO (Publicações Libertárias Cooperativas) foi criada e registrada no Registo Público de Comércio em 1959. É uma Cooperativa de Consumo com capital e pessoal misto. Desde 1981, a sede da livraria é no endereço: 145, rue Amelot, Paris, no 11º bairro adminsitrativo. A livraria é especializada em livros e revistas novas. O seu propósito é fornecer um amplo leque de publicações de ficção e documentais, numa tentativa de introduzir na reflexão o olhar libertário do pensamento. Algumas secções são específicas como a "Literatura Proletária", a "Comuna de Paris", a "Revolução espanhola de 1936". Outras são mais gerais como "Literatura", "Romances Policiais", "Pedagogia", "Poesias e Canções", e dão lugar a um espaço de escolha de autores de espírito libertário, que vão de Albert Camus a Michel Ragon, de Jean-Bernard Pouy a Jean Amila, de Paul Robin a Célestin Freinet, de Georges Brassens a Léo Ferré… A livraria emprega dois assalariados. A seguir, uma pequena entrevista com Jean Claude Richard, da livraria e do Grupo Henry Poulaille da FA (Federação Anarquista), que nos conta um pouco mais deste projesto libertário.

Agência de Notícias Anarquistas - Poderia nos contar como chegou a Federação Anarquista? A anarquia...

Jean Claude Richard - Tenho 60 anos e descobri o pensamento libertário em princípios da década de 1970. Nasci, de pais trabalhadores, em uma cidade governada pelo Partido Comunista. Os valores marxistas não me convenciam, buscava outras correntes ideológicas e evidentemente o pensamento libertário me seduziu por completo. Desde o ponto de vista da organização, escolhi a Federação Anarquista, porque sua organização me parece que é a estrutura mais "séria" em termos de funcionamento e de futuro. O fato de que ela ainda esteja presente, 35 anos depois de minha primeira adesão confirma este sentimento de juventude.
Desde um ponto de vista mais teórico, me reivindico como "comunista libertário", mas sem excluir aos demais, já que valorizo as contribuições do anarquismo individualista e do anarco-sindicalismo, como necessários na expressão de um anarquismo social.

ANA - Quem são os que visitam a livraria?

JCR - Nestes dias, a livraria PUBLICO está aberta e recebe a visita de militantes e simpatizantes de diversas tendências revolucionárias e sociais. Dado que a ideologia marxista está em franca descrença, somos (com a livraria libertária QUILOMBO) a única livraria "política" de Paris.

ANA - Quantos títulos possuem a livraria na atualidade?

JCR - Temos 5.000 artigos, dos quais 4.200 são livros. A diferença está representada pelos CDs, os DVDs, as camisetas (T-Shirt) e outros acessórios.

ANA - Que critérios são aplicados na escolha dos livros?

JCR - Desde o ponto de vista de fundos anarquistas, colocamos a venda todas as produções (livros, revistas, folhetos...) ainda que estejam em desacordo com as posições teóricas da Federação Anarquista. O único critério de recusa, dado ao administrador por nossos congressos, é a presença de textos "caluniosos ou mentirosos" com respeito a Federação.
No espaço para a literatura, nosso princípio é que as obras sejam de escritores/as que se considerem de pensamento libertário, e isto independentemente da qualidade literária.
Com respeito às seções: "Internacionalismo", "Direitos Humanos", "Religiões", "Feminismo", "Sindicalismo e Movimentos Sociais" etc… O critério de escolha é essencialmente qualitativo.

ANA - Há algum "best- sellers" anarquista?

JCR - A melhor venda é da novela de nosso companheiro Michel Ragon, "La mémoire des vaincus" (A memória dos vencidos) foram vendidos 918 exemplares.
Nessa novela, o comunismo, o anarquismo, o fascismo aparecem em sua complexidade, com suas lutas ferozes, por meio do "herói", Fred Barthélemy, de personagens históricos e também por meio de homens e mulheres menos conhecidos, obscuros, eternos vencidos por um poder onipotente, continuamente atacados e sempre renascendo.
Sobre a base de uma documentação excepcional, essa novela veiculariza a memória política do século.

ANA - A venda de livros anarquistas têm aumentado ultimamente na França? É um "mercado" em expansão?

JCR - O interesse do público pelo livro libertário nunca foi tão forte. Os editores burgueses têm se dado conta, já que editam ou re-editam numerosos textos libertários.
Simultâneamente, e isso é o mais importante, numerosos militantes se lançaram a edição. As Edições do Mundo Libertário (FA) é claro, com 65 títulos, mas também existem as Edições Libertárias, com 52 títulos. As Edições da CNT-RP com 32 títulos. As Edições ACL com 71 títulos. As Edições TOPS-TRINQUIER com 32 títulos. As Edições de INSOMNIAQUE com 44 títulos. As Edições ACRATIE com 21 títulos. E muitas outras com pequenas estruturas…
Muitos editores trabalham com um distribuidor nacional, o que permite uma melhor distribuição aos livros libertários. A título informativo, a seção "anarquismo" de nossa livraria tem 385 títulos.
Por outra lado, em 2002 foi organizado um salão do livro libertário. Outra maneira de encontrar-se com o público. A última edição, em 2006, na cidade de ciências e indústria de Paris, registrou entre 3.000 e 4.000 visitantes. (sítio http://salonlivrelibertaire.radio-libertaire.org/).

ANA - Lêem muito os anarquistas franceses?

JCR - Em geral, os anarquistas lêem muito, mas nossa clientela é muito mais ampla que o círculo libertário. A partir de 2000, temos registrado a primeira visita de mais de 10.000 pessoas. Nosso catálogo de novidades, bimensal, chega a mais de 2.000 pessoas.

ANA - Já sofreram ataques das autoridades, de grupos fascistas?

JCR - A livraria PUBLICO, juridicamente é totalmente independente da Federação Anarquista. É uma cooperativa de consumo, portanto é uma empresa, e por essa condição não pode sofrer ataques especiais por parte do poder.
No plano político, no passado sofremos ataques da extrema direita fascista. Desde já fazem uns vinte anos, os dissensos se expressam por meio de grafites ou de outras inscrições na vitrine.

ANA - Há outras livrarias como a PUBLICO em Paris?

JCR - Fazem 5 anos existe a livraria QUILOMBO, no 11º distrito de Paris, que nos acompanha. Isto é algo bom, já que este desenvolvimento comprova o crescente interesse do público pelas idéias libertárias.
Desde princípios de 2007, já coordenei quatro encontros com pessoas que têm projetos de abrir uma livraria libertária em Paris ou na província… Em conseqüência disso, são boas as notícias para o ideal libertário no hexágono (Paris).

ANA - Que livro anarquista você gostaria que fosse transformado em filme?

JCR - Sem dúvida, o livro de nosso companheiro Michel Ragon, La mémoire des vaincus.


Librairie du Monde libertaire (PUBLICO)

145 rue Amelot

Métro République

75011 - Paris-França









Com a usura (with usura) - poesia de Ezra Pound


Com a Usura


Com a usura nenhum homem tem casa de pedra firme
de blocos bem talhados
e bem lisos
para o desenho os recobrir na face,
com a usura
nenhum homem tem um paraíso pintado na sua igreja

harpes et luthes
nem sítio onde a Virgem receba a anunciação
e onde um feixe de luz jorre da ferida,
com a usura
nenhum homem vê Gonzaga os seus herdeiros e as suas concubinas
nenhum quadro é pintado para durar
ou viver com ele
é pintado mas é para vender,
para vender depressa
com a usura, pecado contra a natureza,
o teu pão é feito cada vez com piores farrapos
o teu pão é seco como o papel,
sem trigo da montanha, sem boa farinha
com a usura o traço torna-se grosseiro
com a usura não há fronteiras
e nenhum homem pode achar um lugar para a sua casa.
0 pedreiro fica longe da sua pedra o tecelão longe do seu ofício.
COM A USURA
a lã não chega aos mercados
os carneiros não ganham lã com a usura
A usura é uma peste, a usura torna romba a agulha nas mãos da virgem
e embaraça os gestos da fiandeira.
Pietro Lombardo não veio pelo caminho da usura.
Duccio não veio pela usura
Nem Pier della Francesca; Zuan Bellin` também não foi pela usura
nem foi com ela que pintaram «La Calumnia».
Não foi pela usura que veio Angelico; nem Ambrogio Praedis,
Nem veio a igreja talhada em pedra assinada: Adamo me fecit.
Não veio pela usura Santa Trófima
Não veio pela usura Santo Hilário,
A usura corrói o cinzel
Ela corrói a arte e o artesão
Ela enrodilha o fio no ofício
Ninguém aprende a bordar a ouro seguindo o modelo dela;
0 azul tem um cancro por causa da usura; o carmesim fica por bordar
A esmeralda não encontra Memling
A usura mata a criança ainda no ventre
Ela corta a carreira aos jovens
Ela leva à cama a paralisia, ela está deitada entre a jovem desposada e o seu esposo.
CONTRA NATURA
Levaram prostitutas a Eleusis
Ao banquete assentam-se cadáveres
A convite da usura.


WITH USURA

With usura hath no man a house of good stone
each block cut smooth and well fitting
that delight might cover their face,
with usura
hath no man a painted paradise on his church wall
harpes et luthes
or where virgin receiveth message
and halo projects from incision,
with usura
seeth no man Gonzaga his heirs and his concubines
no picture is made to endure nor to live with
but it is made to sell and sell quickly
with usura, sin against nature,
is thy bread ever more of stale rags
is thy bread dry as paper,
with no mountain wheat, no strong flour
with usura the line grows thick
with usura is no clear demarcation
and no man can find site for his dwelling
Stone cutter is kept from his stone
weaver is kept from his loom
WITH USURA
wool comes not to market
sheep bringeth no gain with usura
Usura is a murrain, usura
blunteth the needle in the the maid's hand
and stoppeth the spinner's cunning.
Pietro Lombardo came not by usura
Duccio came not by usura
nor Pier della Francesca; Zuan Bellin' not by usura
nor was "La Callunia" painted.

Came not by usura Angelico; came not Ambrogio Praedis,
No church of cut stone signed: Adamo me fecit.

Not by usura St. Trophime
Not by usura St. Hilaire,
Usura rusteth the chisel
It rusteth the craft and the craftsman
It gnaweth the thread in the loom
None learneth to weave gold in her pattern;
Azure hath a canker by usura; cramoisi is unbroidered
Emerald findeth no Memling

Usura slayeth the child in the womb
It stayeth the young man's courting
It hath brought palsey to bed, lyeth
between the young bride and her bridegroom
CONTRA NATURAM

They have brought whores for Eleusis
Corpses are set to banquet
at behest of usura.


Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, Idaho, 30 de outubro de 1885 — Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta, músico e crítico que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo e do Vorticismo.


Cresceu em Wyncote, perto de Filadélfia e formou-se na universidade da Pennsylvania em 1906. Durante um breve período deu aulas em Crawfordsville, Indiana, e entre 1906-1907 viajou por Espanha, Itália e França. O seu primeiro livro de poemas, A Lume Spento, foi publicado em Veneza em 1908. Nesse ano fixou-se em Londres, onde viveu até 1920 e onde travou conhecimento com alguns dos mais importantes escritores da época: Ford Madox Ford, James Joyce, Wyndham Lewis, W. B. Yeats e T. S. Eliot, entre outros.



Em 1909 publicou Personae e Exultations, a que se seguiu um volume de ensaios críticos intitulado The Spirit of Romance de 1910. Entre 1914-1915 foi co-editor da revista do movimento Vorticista, Blast. Em Londres teve ainda a seu cargo a edição da revista de Chicago Little Review (1917-1919) e a partir de 1920 tornou-se correspondente da publicação The Dial na capital francesa, para onde se mudou em 1921.



Datam de 1920 as publicações de um segundo volume de textos críticos, Instigations, e de Hugh Selwyn Mauberley, uma das suas obras-primas. O poema Homage to Sextus Propertius foi publicado no ano anterior. Conhecedor das literaturas europeia e oriental, Pound associou-se desde muito cedo à escola dos imagistas, que liderou de forma particularmente enérgica. Os adeptos desta corrente poética, fundada em 1912 sob inspiração das ideias de T. E. Hulme, pretendiam explorar de forma disciplinada as potencialidades da imagem e da metáfora, consideradas a essência da poesia. O movimento, que Pound abandonou em 1914, teve a sua expressão na revista inglesa The Egoist (iniciada em 1912) e na revista americana Poetry (a partir de 1914). As raízes do movimento encontravam-se fundamentalmente na poesia chinesa e japonesa, mas os imagistas inspiraram-se também na poesia latina, em poemas da tradição medieval inglesa, nas composições poéticas dos trovadores provençais e em alguns poetas italianos. Nos seus Cantos, publicados numa longa série entre 1917-1949 e inacabados, Pound procurou elaborar uma versão moderna da Divina Comédia.



A fase de maior proximidade do escritor em relação ao movimento imagista é ilustrada pelas obras Ripostes (1912) e Lustra (1916). Em 1924 Pound mudou-se para Itália, onde as teorias económicas que defendeu o associaram ao fascismo, tendo chegado a proferir comunicações anti-democráticas na rádio italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Nos seus tratados económicos e históricos, Jefferson and/or Mussolini de 1935 e Guide to Kulchur de 1938, Pound comprometeu-se definitivamente com o fascismo e foi preso em 1945, tendo sido posteriormente repatriado.



Considerado mentalmente incapaz, foi internado durante 13 anos num hospital psiquiátrico em Washington DC. A acusação de traição foi retirada em 1958 e Pound voltou a Itália depois da sua libertação. Trabalhou nos seus Cantos até 1972, ano da sua morte. A obra, carregada de citações e alusões históricas, permanece uma das mais controversas da poesia deste século. A influência de Ezra Pound e do seu projecto de renovação da linguagem poética fez-se sentir em Joyce, Yeats, William Carlos Williams e particularmente em T. S. Eliot, que submeteu o manuscrito da sua obra The Waste Land à apreciação de Pound antes de o publicar em 1922. As correcções feitas por Pound mereceram-lhe a dedicatória de Eliot: "For Ezra Pound, il miglior fabbro" (A Ezra Pound, o melhor artífice).

http://en.wikipedia.org/wiki/Ezra_Pound


24.10.07

Na última sexta-feira de cada mês realizam-se bicicletadas em Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto às 18h.


Bicicletadas / Massas Críticas - em Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto


26 de Outubro, sexta-feira
18h00

Aparece e traz amigas/os!



* Aveiro - Início de encontro na Praça Melo Freitas (perto do Rossio)

* Coimbra - Concentração no Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades.

* Lisboa - Concentração na Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII.

* Porto - Concentração na Praça dos Leões.


Mais informações:
http://massacriticapt.net/


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Bicicletas de utilização gratuita no Porto


Os portuenses já podem andar de bicicleta de forma gratuita. Cerca de 150 veículos de duas rodas podem ser requisitados nas instalações do Complexo Desportivo do Monte Aventino(perto das Antas,em frente à praça Velasquez), das 9h às 20h, por um período máximo de seis meses.
Se quiser utilizar a bicicleta por um período não superior a 48 horas, terá apenas que entregar um documento identificativo, tal como o cartão de contribuinte, carta de condução ou passaporte!

Mais informações em
www.cm-porto.pt/media/448251/regulamento_pedalar.pdf

Curso de Clown no TUP (teatro universitário do Porto)

Curso "Clown - Criação, Evolução - Aplicações"

Inscrições até 29 Outubro.

Na Sede do TUP Teatro Universitário do Porto
Travessa da Cedofeita, nº65 Porto (rua do 77)


Dias, 2 e 3 de Nov. - 20h/23h

4 de Nov. - 14h/20h c/ intervalo

Dias, 9 e 10 de Nov. - 20h/23h

11 de Nov. - 14h/20h c/ intervalo

Total de 24 Horas de Curso.

Custo: 40 €
Inscrições até dia 29 de Outubro de 2007
Nº limitado de inscrições.

OBJECTIVOS
Encontrar no nosso interior, a nossa essência esse toque ingénuo de loucura: as emoções mais nossas, a capacidade de surpreendermos e nos entusiasmar.
Soltar as defesas: a responsabilidade, o excesso de lógica e a compostura.
Reconciliarmo-nos com a nossa própria estupidez e procurar a nossa maneira genuína de fazer humor, rindo-nos das nossas vulnerabilidades.
Jogar em liberdade, um tempo e um espaço para habitar o nosso corpo com prazer e com orgulho , incluindo a sua dimensão grotesca.
Delirar com o quotidiano
Partilhar uma estrutura de jogos e exercícios (duos e trios), como apoio na descoberta e desenvolvimento do Clown pessoal.
Viver os sonhos, em vez de sonhar a vida.


JORGE PACHECO
"Clown do mundo, actor, encenador, formador, contador de histórias". é desta forma que se apresenta o homem que aprendeu a "ser Clown" com Leo Bassi, Jango Edwards, Fraser Hooper, Koldobika Vio, tendo feito mais de 300 horas de formação com Jesus Jara e Virgínia Imaz, ambos seguidores da escola de Philippe Gaulier e do Bataclown, em França.
Com Lee Strasberg, em Nova Iorque, Stanislavsky, Michael Chekov, Alexander Technique, Polina Klimovstkaya, Vera Keel, Howard Sonnenklar e Filipe Crawford, Jorge Pacheco aprendeu também técnicas de actor e movimento. Do seu currículo destacam-se trabalhos em vários grupos em Portugal, Espanha, Itália, e Croácia, dando formação de Clown e Teatro e fazendo espectáculos de rua e de interior.
Actualmente, vive entre Espanha e Portugal com acções de expressão dramática e de animação à leitura, estando a preparar a abertura de um espaço de reflexão e treino da arte clown.

INSCRIÇÕES:
Ficha de inscrição

MAIS INFORMAÇÕES:
Folheto informativo em formato Word
workshop-clown@sapo.pt
ou pelo móvel 964678507

23.10.07

A pouca-vergonha das remunerações aos professores das actividades de enriquecimento curricular

Porque se trata de um autêntico escândalo
Porque se trata de mais uma indignidade neste país de injustiças
Porque mostra o que é capaz de fazer o Estado português e o seu Ministério da Educação
Porque as injustiças devem ser combatidas
Porque é a triste realidade social deste pobre Portugal de 4 milhões de pobres

Porque é urgente resistir e lutar

Importa que se saiba que os professores a quem foram entregues as designadas Actividades de Enriquecimento Curricular estão a ganhar por hora uns parcos e indignos 3 Euros e cinquenta cêntimos.

São professores de Inglês, Informática, Música, etc, a quem foram entregues a chamada área de enriquecimento curricular que tanto deu brado e cuja implementação foi apresentada pelo Governo – e pela dita cuja Ministra – como um grande passo na melhoria da educação em Portugal.

Professores esses que trabalham a recibo verde e que são tratados pior do que as tão dignas, mas tão mal consideradas, «mulheres-a-dias».


Ou seja: limpar o pó é uma actividade – por muito digna que ela seja - melhor remunerada que ensinar Inglês ou informática às nossas crianças e jovens !!!!

Receber 3 euros e meio por uma hora de ensino a crianças, é uma completa falta de respeito.
E há quem aceite...

Assim vai este país …
…com um governo de ministros sem vergonha na cara!

A política salarial do governo português, a degradação das condições de vida dos portugueses e a pobreza que alastra no país

Comparação da política salarial dos governos português e espanhol ao longo dos últimos 7 anos


Salário Mínimo em Portugal


371 € (no ano de 2000)
390 € (2001)
406 € (2002)
416 € (2003)
426 € (2004)
437 € (2005)
450 € (2006)
470,2 € (2007)


Salário Mínimo em Espanha

425 € ( no ano de 2000)
433 € (2001)
516 € (2002)
526 € (2003)
537 € (2004)
598,5 € (2005)
631 € (2006)
665,7 € (2007)


Ou seja:
No ano 2000 a diferença entre o salário mínimo em Portugal e Espanha era de 99 euros

No ano 2007 a diferença entre o salário mínimo em Portugal e Espanha é mais de 240 euros




O salário português corresponde actualmente a 70,6% do salário espanhol, quando em 2000 correspondia a 87,3%.

Note-se que na Irlanda o salário mínimo é de 1403 €, o que significa que é 2,9 vezes superior ao português


Variação do Salário Médio

O salário bruto anual (€ reais e não nominais) da zona EURO passou, no período de 2000 a 2005, de 28 194 € para 29 886 €, correspondendo a um aumento de 6%.

O caso português mais uma vez foi escandalosamente diferente. Baixou de 12 276 € (mais uma vez € reais) para 12 230 €, correspondendo a uma diminuição de 0,4%


Fonte:Eurostat, Salário Bruto anual-indústria e serviços

Retirado de:
http://oquotidianodamiseria.blogspot.com/

Pergunta nada ingénua sobre o direito constitucional de reunião e manifestação

Será que as manifestações de apoio e os ajuntamentos dos apoiantes do primeiro-ministro Sócrates, quando este se desloca pelo país fora, cumprem com antecedência os prazos legais e as formalidades exigidas pela polícia e governo aos manifestantes e ao coro de protestos de quem se mostra indignado com as políticas governativas que aumentam as injustiças e as desigualdades sociais?

Sob a inspiração de:
http://navedosdias.blogs.sapo.pt/

O estado da nação em 2007


População residente em Portugal:
Pouco mais de 10 000 000 residentes

Pobreza absoluta:
2 000 000 Portugueses em Pobreza Absoluta

Pobreza relativa:
4 600 000 Portugueses em Pobreza Relativa



Obrigado a Cavaco e Silva, Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates.

Obrigado a todos os governos do PPD/PSD, CDS e PS que nos têm (mal…) governado nos últimos 31 anos ( desde o longíquo ano de 1976)

O pobres e submissos portugueses estão imensamente agradecidos pela Vossa Obra !!!

Os portugueses não se esquecerão de vos agradecer no momento de… votarem!!!



Texto sob a inspiração de:
http://sacosmolhados.blogspot.com/

A luta dos intermitentes em Portugal

O QUE QUEREM OS PROFISSIONAIS DO ESPECTÁCULO E DO AUDIOVISUAL?

QUEREM, SIMPLESMENTE, TER OS MESMOS DIREITOS BÁSICOS QUE QUALQUER OUTRO TRABALHADOR TEM, ADAPTADOS À ESPECIFICIDADE DAS SUAS PROFISSÕES!!!!

PROBLEMAS ESSENCIAIS COM QUE SE DEPARAM OS PROFISSIONAIS DAS ARTES DO ESPECTÁCULO E DOS AUDIOVISUAIS:

• Intermitência;
• Insuficiência do regime de segurança social;
• Insuficiência da regulamentação do modo de prestação do trabalho.


A PROPOSTA DO GOVERNO NÃO NOS SERVE, PORQUE:

• Contém um sistema de certificação profissional facultativa que não tem absolutamente nenhum alcance prático;

• Não cria condições para que se generalize a celebração de contratos de trabalho;

• Não apresenta nenhuma solução para a intermitência da actividade dos trabalhadores, em especial por não acrescentar nada em matéria de regime de segurança social;

• Apresenta uma regulamentação do modo de prestação do trabalho profundamente insuficiente e que prejudica, inclusivamente, algumas práticas adoptadas em alguns sectores (por exemplo, no que respeita a descanso semanal obrigatório);

• Precariza a situação dos poucos trabalhadores por conta de outrem do sector, que sofrem uma diminuição dos seus direitos relativamente ao regime do Código do Trabalho sem que tenham qualquer benefício correlativo;

• Cria deveres especiais para os trabalhadores, sem qualquer espécie de contrapartida nos seus direitos;

• Contém um sistema de reclassificação profissional com soluções mínimas em face da potencial gravidade de alguns casos concretos, e faz apelo a critérios vagos como a recusa injustificada do trabalhador em aceitar a reclassificação;

• Confunde o carácter inalienável dos direitos conexos com a celebração de um contrato de trabalho;

• Não apresenta qualquer proposta para o regime de Segurança Social a criar, tal como fizeram as propostas do PCP e BE, também em discussão.


POR TUDO ISTO: ESTA LEI NÃO, OBRIGADO!


O dia de sensibilização para a Intermitência teve lugar na Sexta-Feira dia 19 de Outubro e pretendeu chamar à atenção para os problemas relativos aos profissionais com trabalho intermitente.

O objectivo era que em TODOS OS EVENTOS CULTURAIS DAQUELE DIA (antes dos espectáculos, nos intervalos dos concertos, das filmagens, nos ensaios...). fosse lido um comunicado reivindicativo, onde se lia:

«Sabia que não há enquadramento jurídico que se adeque a estas profissões? Sabia que estes profissionais não podem estar doentes, grávidos, lesionados ou desempregados? Hoje é o nosso dia nacional de sensibilização para a intermitência. Dizemos que somos intermitentes porque o nosso trabalho é sempre descontínuo e temporário. Essa é a natureza das nossas profissões! Trabalhamos sucessivamente de projecto em projecto, com pessoas diferentes e isso implica a mobilidade dos profissionais e permite a diversidade das produções. Queremos ter acesso aos mesmos direitos e às condições básicas de qualquer trabalhador por conta de outrem. Como estes, somos profissionais especializados, cumprimos horários, num local de trabalho específico, sob a direcção duma entidade.

Por todas estas razões, precisamos de uma definição legal de intermitência, que nos permita pagar a segurança social de acordo com o salário que recebemos e que nos proteja de situações de carência. Precisamos de um contrato de trabalho adequado à nossa realidade. No último ano, representantes das áreas da dança, do teatro, da música, do circo, do cinema e do audiovisual têm vindo a apresentar e a defender propostas concretas sobre esta questão. Esperamos que este esforço resulte numa lei que nos sirva a todos.
Lembrem-se que apagadas as luzes da ribalta existe uma realidade que não pode continuar a ser ignorada. Muito Obrigado e Bom Espectáculo!»



Fonte: aqui

Vídeo das reivindicações dos intermitentes portugueses:

Contra a sociedade do desperdício e os electrodomésticos consumistas de energia

Texto retirado do jornal O Primeiro de Janeiro


As desvantagens do «standby»


Representantes da Comissão Europeia da indústria e dos consumidores europeus discutiram no final da passada semana “acções concretas” para reduzir o consumo dos electrodomésticos que continuam a gastar energia mesmo depois de desligados.
Electrodomésticos como máquinas de lavar a roupa e a loiça, ou de entretenimento, como vídeos e televisões, continuam a consumir energia depois de desligados, ou seja, quando se encontram em modo «standby».

Nesse sentido, o Fórum Consultivo para o Eco-design (Desenho Ecológico) encara a possibilidade de solicitar que se imponham standards obrigatórios sobre o consumo eléctrico em «standby» na Europa, explicou a Comissão Europeia (CE), em comunicado, após um encontro entre representantes dos 27 Estados-membros da UE no final da passada semana.
De acordo com um estudo desenvolvido pela CE, a aplicação de medidas para reduzir o consumo de electrodomésticos e aparelhos de escritório que se encontram nesse modo “permitiria poupar cerca de trinta teravatios, energia equivalente ao consumo anual de um país como a Hungria”. “O nosso objectivo é utilizar a directiva europeia sobre desenho ecológico para reduzir drasticamente o consumo eléctrico do aparelhos em «standby» nas casas e escritórios”, anunciou na ocasião o comissário europeu de Energia.

“Contribuição importante”

De acordo com Andris Piebalgs, esta medida pode ser uma “contribuição importante para atingir os objectivos de eficiência energética e alterações climáticas acordados pelos Estados-membros da UE e, ao mesmo tempo, uma forma de poupar para os cidadãos”.

Um recente estudo sobre os gastos energéticos de 30 famílias portuguesas desenvolvido pela associação ambientalista Quercus, indicou que a redução nos consumos energéticos no lar passava pela “eliminação dos consumos fantasma e de«standby»”.

Para a elaboração do estudo, apresentado no passado mês de Setembro, a Quercus recolheu dados junto de 30 famílias voluntárias entre Novembro de 2005 e Abril de 2006.
Os dados analisados corresponderam aos primeiros seis meses de estudo – a fase de diagnóstico – e nesse período a organização ecologista realizou 155 visitas aos domicílios e mediu os consumos de 235 equipamentos eléctricos.
Segundo a coordenadora do estudo Ecofamílias, Rita Antunes, a principal conclusão da análise foi que “os consumos energéticos das famílias não dependem do número de pessoas que habitam dentro das casas”, mas sim “dos hábitos de utilização de equipamentos e o tempo de ocupação das habitações”.
A redução nos consumos energéticos no lar passa pela eliminação dos consumos fantasma e de standby, “substituindo as habituais fichas triplas por fichas com interruptor”, recomendou.

Sessões de apresentação do jornal Mudar de Vida em Braga, Guimarães, Porto e Coimbra




Sessões de apresentação do jornal Mudar de Vida


25 Outubro - Braga. Local: Velha-a-Branca

26 Outubro - Guimarães. Local: Círculo de Arte e Recreio (CAR)

27 Outubro - Porto. Local: Casa-Viva

1 Novembro - Coimbra. Local: Ateneu


Todas as sessões às 22 horas.

Com as presenças de José Mário Branco, Manuel Raposo, Renato Teixeira, Rui Pereira, Tino Flores e Vladimiro Guinot