12.10.07

Em memória do estudante anti-fascista Ribeiro dos Santos




A 12 de Outubro de 1972, o estudante Ribeiro dos Santos, militante do MRPP, foi assassinado pela PIDE/DGS durante uma reunião de estudantes contra a repressão fascista de Marcelo Caetano na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa.

O funeral de Ribeiro dos Santos foi marcado pelos confrontos entre a PIDE e os estudantes que acorreram em massa.



Passam agora 35 anos deste acontecimento marcante na luta estudantil. Na Biblioteca-Museu República e Resistência decorre uma homenagem a prtir de hoje.

A Sexualidade no Mundo Antigo - colóquio na Fac. de Letras de Lisboa(24 - 26 de Out.)


O Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa anunciou a realizarção do Colóquio A Sexualidade no Mundo Antigo, que decorrerá no Anfiteatro III desta escola, entre 24 e 26 de Outubro próximo. A iniciativa reunirá investigadores da Universidade Católica e das Universidades do Minho, Porto, Coimbra e Lisboa (UL e UNL).


Aqui ficam os temas em perspectiva e respectivos conferencistas::

Foucault e a sexualidade no Mundo Antigo
Luís Filipe Barreto (Univ. Lisboa)

A pré-história do sexo
João Pedro Ribeiro/ Mariana Diniz (Univ. Lisboa)

Sexualidades mesopotâmicas: dos Sumérios aos Caldeus
Francisco Caramelo (Univ. Nova)

Direito e sexualidade na Mesopotâmia
António Ramos dos Santos (Univ. Lisboa)

A prostituição sagrada na Mesopotâmia
Maria de Lurdes Palma (Univ. Lisboa)

A expressão da sexualidade no Antigo Egipto
Luís Manuel de Araújo (Univ. Lisboa)

Sexualidade e sagrado entre os Egípcios
José das Candeias Sales (Univ. Aberta)

Amor e sexo na literatura egípcia
Rogério Ferreira de Sousa (Univ. Porto)

Os Hititas e a sexualidade
Carlos Casanova (Univ. Lisboa)

A sexualidade dos Cananeus
Célia do Carmo José (Univ. Lisboa)

A sexualidade no mundo fenício-púnico
Ana Margarida Arruda (Univ. Lisboa)

A sexualidade entre os Hebreus
José Augusto Ramos (Univ. Lisboa)

Sexualidade e mitologia grega
José Ribeiro Ferreira (Univ. Coimbra)

O sexo e o riso entre os Gregos
Maria de Fátima Silva (Univ. Coimbra)

A sexualidade na literatura grega
Maria do Céu Fialho (Univ. Coimbra)

O sexo e a cidade grega: norma e desvio
Delfim Ferreira Leão (Univ. Coimbra)

Homossexualidade masculina e cultura grega
Frederico Lourenço (Univ. Lisboa)

A intimidade pública: sexo e imagem na cultura grega
Luísa de Nazaré Ferreira (Univ. Coimbra)

Os Gregos e a sexualidade dos outros: dos reinos asiáticos à Pérsia
Carmen Leal Soares (Univ. Coimbra)

A sexualidade no Mundo Helenístico
Marília Futre Pinheiro (Univ. Lisboa)

Sexualidade e saberes médicos no mundo greco-romano
Ana Lúcia Curado (Univ. Minho)

Sexualidade e literatura latina republicana e imperial
Maria Cristina Pimentel (Univ. Lisboa)


Direito e sexualidade em Roma
Cláudia Teixeira (Univ. Évora)


Os submundos da sexualidade em Roma
Nuno Simões Rodrigues (Univ. Lisboa)

Sexo e poder na Roma imperial
José Luís Brandão (Univ. Coimbra)

Do grafito ao fresco: sexualidade e cultura popular entre os Romanos
Amílcar Guerra (Univ. Lisboa)


Do vocabulário às metáforas: o léxico da sexualidade romana
Carlos Ascenso André (Univ. Coimbra)

Sexualidade e ritual em Roma
Tatiana K. Resende (Univ. Lisboa)

A vida sexual no exército romano
José Varandas (Univ. Lisboa)

A Sexualidade no Novo Testamento
José Tolentino de Mendonça (Univ. Católica)

Sexualidade e cristianismo antigo
Paula Barata Dias (Univ. Coimbra)





Ver ainda, sobre cultura clássica, o excelente blogue



11.10.07

A Desobediência - estreia hoje peça de homenagem a um dos grandes portugueses que ousou desobedecer


«A Desobediência», peça de Luiz Francisco Rebello sobre o cônsul português em Bordéus Aristides de Sousa Mendes, que salvou 30 mil judeus passando-lhes vistos contra as ordens de Salazar, estreia hoje no Teatro da Trindade.


Esta peça, escrita em 1995 e baseada no livro de Rui Afonso «A Injustiça – O caso Sousa Mendes», “não pretende ser teatro histórico, mas sim teatro político e popular, na melhor acepção dos termos”, diz Rui Mendes, o encenador


A acção situa-se no Verão de 1940, quando as tropas nazis invadiram a França e a salvação de milhares de judeus na Europa dependia de um visto de trânsito para um país neutro.
Dividido entre a sua consciência e o cumprimento das ordens dadas por Salazar, Aristides de Sousa Mendes decidiu desobedecer ao ditador, o que resultou na salvação de 30 mil pessoas e no seu afastamento definitivo da carreira diplomática.
“Todos eles são seres humanos e o seu estatuto na vida, religião ou cor são totalmente irrelevantes para mim (...) Eu sou cristão e, como tal, acredito que não devo deixar esses refugiados sucumbir. E assim, declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça” – nestes termos se defendeu o cônsul português das acusações que o Estado Novo lhe dirigiu na sequência dos acontecimentos de Junho de 1940.


“Se outra valia não tiver – escreveu Luiz Francisco Rebello no texto de apresentação da peça – valerá como a simples homenagem de um simples dramaturgo português da segunda metade do século XX a um dos grandes portugueses desse século, que ousou desobedecer num tempo em que se exigia dos homens obediência cega”.


Depois de ser condenado à inactividade num processo disciplinar viciado, de estar arruinado e impedido de exercer a advocacia, Sousa Mendes viu-se obrigado a recorrer à caridade para sustentar a numerosa família.
Criado após a Segunda Guerra Mundial para julgar os crimes cometidos pelos nazis, o Tribunal de Nuremberga estabeleceria que ninguém pode atentar contra os valores humanos sob o pretexto da obrigação de cumprir ordens.

Com interpretação de Rogério Vieira, no papel do cônsul português, Carmen Santos, Diogo Amaral, Igor Sampaio, Joana Brandão, João Didelet, José Henrique Neto, Marques d’Arede e Rita Loureiro, entre outros, «A Desobediência» estará em cena até 25 de Novembro, na sala principal do Teatro da Trindade, de quarta-feira a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h00.

No mesmo espaço, decorrerá um ciclo de actividades paralelas com entrada gratuita, intitulado «Desobediências», que pretende “enquadrar a apresentação do espectáculo” e incluirá artes plásticas, uma mostra de cinema intitulada «Histórias de Resistência», vídeo e actividades lúdicas e expressivas para estudantes.



Ciclo de actividades paralelas ao espectáculo “A Desobediência”:




Cinema Ciclo de Cinema Histórias de Resistência


Seis filmes, muito diversos entre si, que servem para dar (mesmo de forma não exaustiva) uma ideia da atenção dispensada pelo cinema alemão ao tema da heroicidade e resistência (incluindo a não-violência), contra a demência e barbárie do regime nazi de Adolfo Hitler.

Outubro


Dia 16 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
O Nono Dia (Der Neunte Tag)
de Volker Schlondorff
com Ulrich Matthes, August Diehl, Hilmar Thate.
Alemanha / Luxemburgo, 2004 93 min. cópia DVD, Leg. português

>O dramático dilema do padre católico, Henri Kremer que tem nove dias para convencer o bispo a influenciar o Vaticano das” virtudes” do regime nazi e assim salvar a sua família e os amigos, prisioneiros, tal como ele, no campo de concentração de Dachau. Schlondorff (o autor do mítico “O Tambor), realiza uma exemplar, dramática e realista reflexão sobre a moral e a consciência durante o nazismo.




Dia 23 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
A Rosa Branca (Die Weisse Rose)
de Michael Verhoeven
com Lena Stolze, Wulf Kessler, Oliver Siebert.
Alemanha, 1982 123 min16mm, Leg. castelhano

>A história verídica de um grupo de estudantes da Universidade de Munique -Sophie Scholl, Hans Scholl, Willi Graf, Christoph Probst, Alexander Schmorell, e o professor Kurt Huber- que, em 1942, formaram uma célula de resistência (A Rosa Branca), não-violenta, contra o III Reich. Denunciados, são presos pela Gestapo e condenados à morte. Uma tocante lição de coragem e de abnegação.


Dia 30 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Os Cinco Últimos Dias Dias (Fünf letzte Tage)
de Percy Adlon
com Lena Stolze, Irm Herrmann, Joachim Bernhard
Alemanha, 1982 123 min16mm, Leg. castelhano

>Pela mão do realizador de, “Rosalie Vai às Compras” (divertida sátira ao consumismo), um drama intimista carregado de humanidade, dor e vida centrado nos derradeiros dias de cárcere de Sophie School, estudante de 21 anos, que ousou desafiar a tirania nazi.



Novembro


Dia 6 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Nú Entre Lobos (Nackt Unter Wolfen)
de Frank Beyer
com Krystyn Wojcik, Armin Mueller-Stahl, Fred Delmare
Alemanha (RDA, 1962 124 min. 16mm, Leg. inglês

>Baseado num romance célebre de Bruno Apitz, esta odisseia verdadeira de um grupo de prisioneiros no campo de concentração de Buchenwald que arrisca as suas vidas para salvar uma criança judia possui um inequívoco e tocante humanismo, que é mais forte em impacto do que a obra literária.


Dia 13 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
Coragem de minha Mãe (Mutters Courage)
de Michael Verhoeven
Alemanha, 1995 16mm 93 min. v. o. leg. em castelhano

>No verão de 1944, durante a ocupação alemã, uma mulher deportada pelos nazistas consegue escapar da morte no campo de concentração, graças à sua coragem. Baseado na história verídica de Elsa Tabori, que também foi adaptada para o teatro pelo seu filho, o dramaturgo George Tabori, o filme foi , em 1996, premiado “Filme do Mês”.pela igreja evangélica.



Dia 20 Terça-feira 18h30 // Sala Principal
O 20 de Julho (Der 20 Juli)
de Falk Harnack
com Wolfgang Preiss, Annemarie Düringer, Robert Freitag, Maximilian Schell
Alemanha, 1955 16mm 97 min. leg. em castelhano

>Reconstituição histórica da oposição militar antinazi nas vésperas do atentado contra Hitler e os acontecimentos de 20 de Julho de 1944 que redundaram no fuzilamento dos resistentes sublevados.

Turismo é cada vez mais um problema ambiental

Relatório sobre a situação do ambiente na Europa regista avanços e recuos em várias áreas. Mas ainda há muito por fazer para pôr em prática as boas intenções

Férias são sinónimo de lazer, descanso e lucros. Mas, para o ambiente, o turismo é cada vez mais visto como um problema. Segundo um relatório ontem divulgado pela Agência Europeia do Ambiente, o turismo é um dos sectores-chave a vigiar no futuro.


O relatório - o quarto do género - faz um balanço do estado do ambiente a nível pan-europeu, de Portugal à Ásia Central. São 53 países, que somam 870 milhões de habitantes.

Entre outros aspectos preocupantes, o turismo surge como uma das principais novidades. No ano passado, em toda a região pan-europeia, desembarcaram 458 milhões de turistas - 54 por cento do total mundial. Estimativas apontam para 717 milhões em 2020.
Com o benefício económico da actividade, vêm as mazelas ambientais: urbanização do litoral, maior consumo de água, mais lixo, perda de biodiversidade.

E mais: "Os modos de transporte mais danosos para o ambiente - carro e avião - são os preferidos para se chegar aos destinos", diz o relatório. Cerca de 59 por cento dos turistas na Europa viajam de carro e 34 por cento usam o avião. Já há pelo menos 50 companhias aéreas low-cost.

A mensagem da agência europeia surge no momento em que se discute a limitação das emissões de gases com efeito de estufa dos aviões. Uma directiva para incluir as companhias aéreas no comércio europeu de licenças de emissões está em discussão na União Europeia.

Um estudo divulgado no princípio do mês pela Organização Mundial do Turismo indica que o sector já é responsável por cinco por cento das emissões mundiais de gases com efeito de estufa.
As próprias alterações climáticas podem trazer dissabores ao turismo. Um aumento de dois graus Celsius na temperatura média pode fazer desaparecer um terço das áreas com cobertura fiável de neve para a prática de esqui nos Alpes, segundo o relatório da Agência Europeia do Ambiente.

Perante este problema, "os actuais métodos para manter a cobertura de neve vão ter de ser intensificados", diz o relatório. Ou seja, mais gastos de água e de energia para produzir neve artifical, e mais intervenção nas paisagens naturais, em zonas cada vez mais altas.

O relatório da agência europeia foi apresentado ontem, numa reunião ministerial, no âmbito do processo Ambiente para a Europa, lançado em 1991 pela Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa. Em 1995 foi feito o primeiro relatório de balanço. O segundo é de 1998 e o terceiro de 2003.
A avaliação do que se passou desde então tem notas boas, mas uma síntese negativa. "Não obstante os notáveis progressos alcançados a nível da promoção da política ambiental e desenvolvimento sustentável na região pan-europeia", diz o relatório, ainda há muito trabalho a fazer para concretizar o que está no papel.
"Temos de reforçar a vontade de agir sobre os problemas ambientais da região pan-europeia", disse a directora executiva da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, citada pela AFP.



Outros dados preocupantes

100 milhões de pessoas na região pan-europeia não têm acesso a água com qualidade e a saneamento

700 espécies de animais e plantas, aproximadamente, estão ameaçadas de extinção na Europa

348.000 mortes prematuras na Europa são causadas pela poluição do ar. Isto reduz em um ano a esperança média de vida
Texto retirado da edição de hoje do jornal Público

Noite Precária (12 de Out. às 21h.30 no Grémio Lisbonense, ao Rossio)



É só uma festa, um debate, uma reunião, um jogo de cintura.
É só um treino para a luta contra a precariedade e os seus abusos.

É a Noite Precária, organizada pelos precári@s-inflexíveis.

A 12 de Outubro, em Lisboa, no Grémio Lisbonense (ao Rossio).
A partir das 21:30.



Com música de Pedro e Diana e outros relatos e sons do precariado. Com debate aberto e a presença de artistas convidados do FERVE, ABIC, Sinttav, Intermitentes do Espectáculo e Move, entre outros.
E os ministros e patrões que quiserem aparecer.

http://precariosinflexiveis.blogspot.com/




O precariado está a acordar






Manifesto Precário

Somos precári@s no emprego e na vida. Trabalhamos sem contrato ou com contratos a prazos muito curtos. Trabalho temporário, incerto e sem garantias. Somos operadores de call-center, estagiários, desempregados, trabalhadores a recibos verdes, imigrantes, intermitentes, estudantes-trabalhadores...

Não entramos nas estatísticas. Apesar de sermos cada vez mais e mais precários, os Governos escondem este mundo. Vivemos de biscates e trabalhos temporários. Dificilmente podemos pagar uma renda de casa. Não temos férias, não podemos engravidar nem ficar doentes. Direito à greve, nem por sombras. Flexisegurança? O "flexi" é para nós. A "segurança" é só para os patrões. Esta "modernização" mentirosa é pensada e feita de mãos dadas entre empresários e Governo.

Estamos na sombra mas não calados. Não deixaremos de lutar ao lado de quem trabalha em Portugal ou longe daqui por direitos fundamentais. Essa luta não é só de números, entre sindicatos e governos. É a luta de trabalhadores e pessoas como nós. Coisas que os "números" ignorarão sempre. Nós não cabemos nesses números.

Não deixaremos esquecer as condições a que nos remetem. E com a mesma força com que nos atacam os patrões, respondemos e reinventamos a luta. Afinal, somos muito mais do que eles.
Precári@s, sim, mas inflexíveis.

10.10.07

Estudantes do secundário do Grande Porto vão manifestar-se amanhã (dia 11 às 9h.30) na Avenida dos Aliados

Todos à manifestação estudantil dos alunos do Secundário amanhã (dia 11 de Out.)na Avenida dos Aliados às 9.30


Queremos uma escola pública, gratuita e de qualidade
A manifestação, que visa lutar por “uma educação pública gratuita e de qualidade para todos”, deverá contar com a participação de estudantes das escolas secundárias do Porto e dos concelhos limítrofes.

Ricardo Marques salientou que os estudantes do Grande Porto decidiram avançar sozinhos para esta manifestação porque ainda não existem condições para promover um protesto a nível nacional.
“Nesta altura do ano lectivo, há muitas escolas onde ainda não estão formadas as associações de estudantes, o que iria criar problemas ao nível da coordenação de uma iniciativa nacional”, frisou.Admitiu, no entanto, que “talvez mais tarde se organize uma manifestação nacional, caso se mantenha a actual situação”.


"Uma das principais razões que nos levaram a avançar para esta iniciativa foi o facto de ainda não terem sido cumpridas as promessas que nos foram feitas", afirmou Ricardo Marques, um dos organizadores da manifestação, em declarações à Lusa.
Segundo este estudante da Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, "continuam a existir situações gravíssimas nas escolas públicas", como a falta de condições das instalações escolares, o excesso de alunos por turma e os programas curriculares "extensos e desligados da realidade".
Para alertar para esta situação, mas também para exigir o fim dos exames nacionais e o início da educação sexual nas escolas, os estudantes do secundário vão manifestar-se ao princípio da manhã de quinta-feira na Avenida dos Aliados, no centro do Porto.

Outro objectivo da iniciativa – que começa com uma concentração às 9h30 junto à Câmara do Porto e inclui uma marcha até às instalações da DREN - , é “convencer” o Ministério da Educação a “esbater as barreiras” no acesso dos estudantes do Secundário ao Ensino Superior. “Queremos o fim do números clausus e dos exames nacionais porque entendemos serem suficientes uma avaliação contínua nos 11º e 12º anos de escolaridade e as provas de aptidão das próprias faculdades”, explicou

Ocupas do Rivoli vencem no Tribunal


Tribunal arquivou queixa apresentada por Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, e que visava fazer condenar os ocupantes que há uns meses atrás se barricaram durante alguns dias nas instalações do Rivoli-teatro municipal contra a entrega do teatro ao empresário La Féria.



As 15 pessoas que estiveram barricadas no Rivoli, no Porto, durante três dias em Outubro de 2006, em protesto pela concessão do teatro a Filipe La Féria, não serão julgadas. Apesar de, há um ano, o grupo de cidadãos ter sido retirado do teatro por uma centena de polícias, o Tribunal de Instrução Criminal do Porto decidiu arquivar o processo por considerar que os 'ocupas' não cometeram o crime de introdução em local vedado ao público, uma vez que tinham autorização para permanecer no equipamento.


A decisão é aplaudida por Regina Guimarães e por Francisco Alves, ambos arguidos neste processo. "Recebemos a notícia com agrado por várias razões, mas a mais importante é que o Tribunal reconhece o carácter político do acto. Estivemos lá por motivos políticos e não por mediatismo nem por sermos subsídiodependentes ou terroristas", remata Regina Guimarães, certa de que foi prestado um "serviço à liberdade de expressão" e de que esta sentença (e a aceitação da providência cautelar da Plateia, que suspende a concessão do Rivoli a La Féria) servirá para as pessoas reflectirem sobre o desmonoramento do serviço público.Também Francisco Alves vê, nesta decisão judicial, a prova de que está do lado da razão. Crê que o debate público sobre a gestão do Rivoli tem de continuar, até porque há companhias do Porto que estão a ser obrigadas a sair da cidade para exibir os seus espectáculos

Note-se que uma outra decisão judicial do tribunal administrativo do Porto considerou ilegal a concessão do teatro ao empresário La féria. Tudo se conjuga pois para o teatro volte para o seu fim inicial: servir a cultura da cidade e dos seus cidadão. Mas a luta continua.

Manifestações e protestos contra o governo e as políticas de Sócrates são festa da democracia

Depois de ter sido confrontado com protestos e vaias na Covilhã, Sócrates disse, com um sorriso visivelmente fabricado, que as manifestações eram "a festa da democracia".
Como os portugueses são muito festivos esperamos ansiosamente que novas manifestações democráticas se sucedam nos próximos dias ao som de palavras de ordem como "fascismo nunca mais! 25 de Abril sempre!" e protestos contra a política neo-liberal e anti-social deste governo de Só-cretinos…


Estes vídeos são imperdíveis. Rever.








Vídeos encontrados em:
http://covilhamaior.blogspot.com/2007/10/volta-escola.html

Em memória de Che Guevara que foi assassinado há 40 anos pela CIA

Ontem, 9 de Outubro, perfizeram 40 anos do assassínio pela CIA de Che Guevara, um jovem médico andarilho e inquieto que se assumiu como revolucionário lutando contra o imperialismo e pela emancipação social dos povos da América Latina. Um revolucionário que não se adaptou nem se conformou com as cadeiras governamentais depois da vitória da revolução cubana e decidiu corajosamente voltar à luta ao lado dos mais fracos.
Apesar de todas as diferenças de métodos e do contexto social e histórico, não temos dúvidas que El Che merece o nosso respeito e admiração pela generosidade, coragem, espírito combativo e idealismo que deu provas.

Para nós ele é e será sempre El Che libertário.




























El Comandante Che Guevarra.

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.



Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.

refrão

Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.

refrão

Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.

refrão

Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos
y con Fidel te decimos:
!Hasta siempre, Comandante!





Excerto do filme sobre as viagens de mota( Diários de moto)









9.10.07

Abertas as inscrições para o II Encontro da Convergir (19,20 e 21 de Out.), plataforma de associações sócio-ambientais do norte


Nos próximos dias 19, 20 e 21 de Outubro vai-se realizar o II encontro da CONVERGIR, uma plataforma de várias associações ambientalistas do Norte de Portugal, e de que o núcleo do GAIA-Porto faz parte e tem integrado nos últimos anos

Trata-se de um encontro alargado a todos os interessados para o levantamento e debate de alguns dos principais problemas ambientais desta área geográfica.

Pede-se por isso a participação de todos os interessados no evento

Para isso é preciso a inscrição dos participantes - ir para o efeito ao site da CONVERGIR (
www.convergir.org ) e preencher a ficha de inscrição.


Quem quiser almoçar ou inscrever-se numa visita ao recentemente criado Parque natural do Litoral-Norte (em Esposende) terá que no acto de inscrição mostrar o seu interesse e efectuar o pagamento prévio. Mas só para quem estiver interessado no almoço ou na visita.


Relativamente ao encontro propriamente dito ele durará 3 dias.

Na Sexta-feira /dia 19 de Outubro) haverá a passagem de um filme sobre o
belíssimo vale agrícola do Coronado, que abrange freguesias da Maia e da Trofa, onde querem construir um Terminal de mercadorias, o que irá destruir uma enorme mancha verde e descaracterizar completamente o local. A população já mostrou a sua indignação e mostra-se contra uma tal barbaridade.



No Sábado ( dia 20) de manhã estarão presentes vários vereadores do Ambiente
das autarquias do região metropolitana do Porto para debater alguns problemas ambientais da região.

À tarde haverá sessões sobre:

- a Agenda 21

- Transgénicos

- movimento ecologista na Galiza


No Domingo de manhã realizar-se-á uma visita guiada ao recente Parque natural do Litoral-Norte (em Esposende).

O Encontro terminará com um concerto de cítara.


Ver o programa completo do Encontro e inscreva-se já através do site:

www.convergir.org



ou através do telemóvel 931 620 252, das 9:00 às 17:00,
ao sábado das 9:00 às 13:00




A CONVERGIR é uma plataforma de associações cívicas que dedicam especial atenção às questões de ambiente, urbanismo e ordenamento do território na área do Noroeste e Norte de Portugal (grosso modo entre os rios Vouga e Minho, a Noroeste, e Trás-os-Montes, Alto Douro e Beira Alta, a Nordeste).


É uma plataforma informal, de geometria variável, isto é, certas posições podem ser tomadas por todas, outras apenas por algumas associações, para o que se tem por vezes usado a fórmula: A CONVERGIR, e designadamente as associações X, Y, Z, etc...


A Plataforma CONVERGIR surgiu em 2001-2002 em redor do processo de revisão do Plano Director Municipal para o Porto, tendo algumas associações que actuam no concelho sentido a necessidade de pôr em comum as suas reflexões e intervenções nessa matéria, sem prejuízo do que cada qual entendesse fazer por si própria.


A primeira reunião realizou-se nas instalações, à época, do Centro de Educação Ambiental de Matosinhos, gerido pela Quercus, e foi continuada por diversas outras, aí e noutros locais (sede do FAPAS, Terra Viva, NDMALO, Campo Aberto, Liga Portuguesa de Profilaxia Social, etc), que levaram à elaboração de vários documentos conjuntos, conferências de imprensa e diálogo com instituições municipais.


Em Setembro de 2005, por ocasião das eleições autárquicas, algumas associações juntaram-se para promover debates com as candidaturas a algumas autarquias da AMP, tendo assim sido iniciado um lento processo de alargamento que permitiu começar a intervir a nível da Área Metropolitana do Porto e até para além dela. O mesmo alargamento foi prosseguido com a realização do I Encontro Convergir, em 17 de Junho de 2006, realizado em Mindelo, tendo sido anfitriã a Associação dos Amigos do Mindelo

Outubro Justo na cidade do Porto para promover o Comércio Justo





O Outubro Justo é um festival de activismo e toda a gente está convidada, tu também. Durante o mês de Outubro, em diversos locais do Porto, acontecem várias actividades para promover o Comércio Justo e para expor problemas graves do actual sistema de comércio internacional, onde os direitos humanos são tantas vezes menosprezados em favor de maiores lucros. Este festival não tem fins lucrativos e toda a gente participa por Amor à causa, desde quem cede os espaços, aos formadores, aos músicos, toda a gente. A entrada é livre em todos os eventos. Vem pensar, debater e tomar chá do Comércio Justo


PROGRAMA


dia 11, 21:00, no Mutantes
- Fair Tales Workshop de Deidré Matthee

dia 13, 21:30, no Chã das Eiras
- workshop de consumo responsável
- concerto de Jorge Cruz

dia 20, 16:00, na CasaViva
- workshop de culinária justa
- histórias de Thomas Bakk

dia 20, 19:00, na Loja de Cedofeita de Comércio Justo
- formação de voluntários da Reviravolta


dias 22, 23 e 24, 21:30, algures*
- workshop de teatro-fórum de José Soeiro


dia 26, 22:00, na Praça dos Leões
- apresentação do teatro-fórum


dia 28, 17:30, na CasaViva
- projecção de documentários e debate
- concerto de António Serginho & Co.

Endereços


CasaViva
Praça do Marquês de Pombal, 167, Porto


Chã das Eiras
Rua Chã, 127, Porto


Mutantes
Rua de Trás, 49, Porto



Definição de Comércio Justo


"O Comércio Justo é uma parceria comercial baseada no diálogo, transparência e respeito. Contribui para o desenvolvimento sustentável oferecendo melhores condições de comércio tendo em conta os direitos dos produtores e trabalhadores marginalizados, especialmente no Sul do Mundo. As organizações de Comércio Justo (com a ajuda dos consumidores) estão empenhadas no apoio aos produtores, na sensibilização e na campanha pela mudança das regras e da prática do comércio tradicional entre os países." (FINE)


Princípios do Comércio Justo


1. O respeito e a preocupação pelas pessoas e ambiente, colocando as pessoas acima do lucro ("People Before Profit");
2. A criação de meios e oportunidades para os produtores melhorarem as suas condições de vida e de trabalho, incluindo o pagamento de um preço justo (um preço que cubra os custos de um rendimento aceitável, da protecção ambiental e da segurança económica);
3. Abertura e transparência quanto à estrutura das organizações e todos os aspectos da sua actividade, e informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os seus produtos e métodos de comercialização;
4. Envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
5. A protecção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, crianças e povos indígenas;
6. A consciencialização para a situação das mulheres e dos homens enquanto produtores e comerciantes, e a promoção da igualdade de oportunidades;
7. A promoção da sustentabilidade através do estabelecimento de relações comerciais estáveis de longo prazo;
8. A educação e a participação em campanhas de sensibilização;
9. A produção tão completa quanto possível dos produtos comercializados no país de origem

Regresso dos eléctricos à cidade do Porto

Depois de um interregno de vários anos os «velhinhos» eléctricos voltam a percorrer as principais ruas do centro da cidade do Porto. Um regresso feliz para dar outra animação às ruas mais ou menos desérticas da cidade e uma oportunidade renovada para ver os miúdos empoleirados nos varadins a viajar «à borla» enquanto os mais graúdos se deliciam com o ritmo cadenciado da viagem.
Depois dos amarelos de Lisboa serem um dos seus ex-libris é chegada a vez do Porto mostrar também o seu património em matéria de transportes.
Deixamos a seguir um vídeo de uma viagem de eléctrico pela zona marginal ao rio Douro, e inserimos outros quatro que mostram os eléctricos de Lisboa








Eléctricos em Lisboa










Lisboa a bordo do 28, a mais carismática carreira da Carris em Lisboa.




Passeio no 28 ( Camões – Graça)

Grupo de teatro de Lisboa promove formação em técnicas de teatro do oprimido


O OBJECTIVO DA FORMAÇÃO é capacitar os participantes nas técnicas do Teatro Fórum.


Serão experimentadas de forma prática e lúdica os seguintes conteúdos:


• A dinâmica do Teatro Fórum
• O Teatro do Oprimido com ferramenta de transformação social
• Princípios básicos do trabalho do actor
• Técnicas de improvisação
• Técnicas de dinamização de grupos
• Técnicas de criação de espectáculos
• O papel do Curinga
• A estética do oprimido



A METODOLOGIA DO TEATRO DO OPRIMIDO (TO) foi desenvolvida por Augusto Boal no Rio de Janeiro, Brasil, em meados da década de 60 e é hoje praticada em mais de 70 países. O seu objectivo é promover a reflexão do espectador sobre a sua realidade, expondo o modo como a sua conduta resulta da sua percepção das relações de poder, de processos de dominação e exclusão social. Pretende-se com esta metodologia clarificar estes processos, dando ao sujeito modos de agir com conhecimento e em liberdade.


O TEATRO DO OPRIMIDO envolve actores e público num processo de reflexão mútua sobre a nossa realidade. Ao contrário do que acontece no teatro convencional, os espectadores podem, no fim da peça, entrar em palco e propor/actuar possíveis soluções para o problema apresentado. O teatro surge como espaço de participação, discussão e análise de ideias.

O GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO DE LISBOA (GTO Lisboa) é uma associação sem fins lucrativos empenhada em estimular a participação activa e consciente dos cidadãos na construção da sociedade. A


ctualmente o GTO desenvolve as suas actividades teatrais no TeatroCinearte "A Barraca", com quem estabeleceu um protocolo de cooperação. Além da criação e apresentação de espectáculos de teatro fórum, o GTO trabalha como multiplicador da metodologia do Teatro do Oprimido, formando e acompanhando grupos de Teatro Fórum em bairros de Lisboa e Amadora, que desenvolvem a metodologia provocando a discussão e a mudança de mentalidades dentro das suas comunidades.

DESTINATÁRIOS DA FORMAÇÃO
• Pessoas que desenvolvam trabalho de intervenção social, sejam eles técnicos, professores, formadores, animadores sociais, etc.
• Estudantes e/ou interessados em teatro
• Estudantes e/ou interessados em projectos de carácter social




PREÇO
A formação tem um custo de 100 Euros
Número máximo de participantes: 15

PARA PARTICIPAR envia-nos uma pequena apresentação pessoal, em formato livre, referindo as tuas motivações para participar neste curso até dia 7 de Outubro.

CONTACTOS
GTO Lisboa
Rua da Ilha Terceira nº38 – 3º andar 1000-173 Lisboa
T. 96 2892673
gtolisboa@gmail.com

8.10.07

Rusga pidesca da PSP a Sindicato de professores


Os tiques fascistóides do Estado policial a mando de Xuxialista Sócrates são cada vez mais visíveis. Hoje foi a sede do sindicato de professores na Covilhã que foi objecto de rusga por agentes da polícia à paisana e que, não contentes com a façanha, ainda por cima se apropriaram de material de informação.

Aonde isto já chegou com este governo de Só-cretinos...




POLÍCIA LEVA MATERIAL DE INFORMAÇÃO DA SEDE DO SPRC NA COVILHÃ

Hoje, 8 de Outubro, dois polícias “à civil”, entraram na sede do SPRC na Covilhã e, na ausência de qualquer dirigente, por se encontrarem em actividade sindical, levaram consigo dois documentos de informação. Apesar de nunca vista, em 25 anos do SPRC e 33 de democracia, esta acção de características pidescas, a que um agente designou de rotina, assume contornos repugnantes e deploráveis, e constitui uma clara violação dos direitos, liberdades e garantias e das instituições democráticas.
O Sindicato dos Professores da Região Centro apela a todos os cidadãos para que não se deixem intimidar e aos professores para que participem em todas as acções de contestação a esta política e a este rumo de ataque ao regime democrático que o governo e o primeiro ministro entenderam tomar, a começar pelo Cordão Humano que se realiza amanhã na Covilhã, junto à Escola Secundária Frei Heitor Pinto, a partir das 14H30, organizado por diversos Sindicatos.
Para o SPRC é evidente que esta iniciativa da polícia não está desligada das declarações recentes do primeiro-ministro, cujo discurso, de teor absolutamente antidemocrático, faria corar os governantes mais à direita que passaram pelo poder no pós-25 de Abril.
Sabendo-se que as forças de segurança não agem sem comando e muito menos sem a direcção do poder político, o SPRC responsabiliza o governo por esta atitude intimidatória, autoritária e violadora dos mais elementares direitos democráticos e da liberdade do Povo Português.
A Direcção do SPRC decidiu apresentar queixa sobre esta violação dos direitos democráticos ao senhor Presidente da República, à Assembleia da República, à Provedoria de Justiça, à Procuradoria-Geral da República e entregar a análise deste acto de autoritarismo e totalitarismo aos seus advogados para que preparem a apresentação de uma queixa contra o governo português no Tribunal Europeu.
Entretanto, na sequência da situação a que foram sujeitos dirigentes sindicais de diversas organizações do distrito, designadamente o coordenador do SPRC, ontem, em Montemor-o-Velho, a Direcção do SPRC decidiu apresentar queixa-crime no Ministério Público daquela localidade contra o responsável local da GNR, o que será concretizado na próxima sexta-feira.

7.10.07

O nº 1 do jornal Mudar de Vida já se encontra em distribuição

Por intermédio do blogue O Bitoque tomo conhecimento do lançamento do primeiro número do jornal Mudar de Vida, que terá uma versão digital em constante actualização, e outra em suporte de papel, com periodicidade mensal. O nº 1 corresponde justamente a este mês de Outubro.
Independentemente das diferenças de pressupostos teóricos que possamos ter, registamos com agrado o aparecimento regular de um novo jornal para reforçar a luta anti-capitalista.


Consultar o website do jornal, e que incluiremos sem dúvida na nossa coluna na rubrica de contra-informação:


MUDAR DE VIDA é um jornal político popular que se edita em dois suportes: internet e papel. Um primeiro número experimental, em papel, foi amplamente divulgado no 25 de Abril e no 1.º de Maio de 2007; e, em 30 de Maio, foi distribuído um suplemento dedicado à greve geral.
A edição de papel sairá com regularidade mensal a partir da primeira semana de Outubro deste ano.


Os nossos propósitos estão expressos no estatuto editorial que a seguir se publica. Sem suportes financeiros, sem estrutura partidária que o apoie, MUDAR DE VIDA depende inteiramente, desde a nascença, do acolhimento que encontrar.
A todos fazemos um apelo. Enviem-nos críticas e sugestões. Se se sentirem cativados, colaborem na divulgação junto de colegas, amigos, vizinhos.


E se acharem que este projecto vale a pena, façam uma assinatura.




Estatuto Editorial

1
MUDAR DE VIDA é um jornal político popular.
O objectivo de MUDAR DE VIDA é contribuir para que os trabalhadores e as camadas populares ganhem confiança nas suas forças próprias; encorajá-los a agir contra os atropelos aos seus direitos; dizer-lhes, numa palavra, que mudar de vida depende da sua iniciativa política.
Opomos o trabalho ao capital.
Opomos a liberdade e a independência dos povos ao imperialismo.
Combatemos todas as formas de obscurantismo, de desigualdade e de discriminação.



2
MUDAR DE VIDA procura romper o monopólio da informação oficial, dominada pelos interesses do capital ou pelas conveniências das forças partidárias que detêm o poder.
Rejeitamos a informação institucionalizada, obediente a centros de decisão, submetida a hierarquias, que filtra a opinião popular e a impede de se fazer ouvir de viva voz.



3
MUDAR DE VIDA está ligado à vida do país e do mundo.
Centramos a atenção nas condições de vida, nos anseios e nas lutas dos trabalhadores e das camadas populares. Damos prioridade aos mais oprimidos da sociedade: o proletariado, a mulher trabalhadora, os imigrantes.
Somos uma tribuna de denúncia da exploração. Combatemos todas as situações em que as pessoas são tratadas como instrumentos de lucro e não como seres humanos.
Noticiamos a vida nas empresas e a actividade sindical. Fomentamos a troca das experiências dos colectivos de trabalhadores e dos agrupamentos cívicos, de qualquer país, com o fim de incentivar a resistência, a iniciativa própria, a auto-organização e o apoio mútuo sem fronteiras.
Procuramos criar uma corrente de opinião activa contra as guerras de agressão, a dominação neocolonial, a destruição da natureza. Incentivamos a solidariedade com os povos que resistem à opressão e defendem a sua independência e os seus recursos.
Damos importância a tudo o que na vida do país e do mundo - desde a actividade partidária à cultura ou ao quotidiano - seja espelho da oposição de interesses que marca as sociedades contemporâneas.



4
MUDAR DE VIDA está aberto a opiniões diversas sobre os assuntos que concitam o interesse do campo popular.
Fomentamos o debate e o confronto de ideias sob todas as formas de escrita jornalística. Damos lugar de destaque à polémica. Procuraremos ter posição sobre cada matéria em discussão.
Pomos de lado o academismo, o doutrinarismo, a frase fácil. O propósito é, pela informação objectiva, pelo relacionamento dos factos e pela argumentação, fornecer aos leitores chaves para o entendimento da realidade – ajudar a compreender a natureza da política dos governos e dos partidos do poder ocultada pelas querelas do dia-a-dia; ajudar a ver os interesses privados que se mascaram de interesse social ou nacional.
Mantemos com os leitores uma permanente troca de ideias, suscitando a crítica, a correspondência e a colaboração individual e colectiva.



5
MUDAR DE VIDA apresenta-se como um jornal de militância, feito e divulgado por pessoas empenhadas nos objectivos enunciados neste estatuto editorial.
Um projecto como o de MUDAR DE VIDA só pode ter êxito se for apoiado por uma rede de grupos locais.
A difusão e o enraizamento de MUDAR DE VIDA dependem, acima de tudo, da constituição e multiplicação desses grupos locais. Tais grupos serão os elos de ligação da redacção ao país. Deles se espera também a colaboração permanente no envio de notícias, na crítica ao que for publicado, na organização de debates.



6
MUDAR DE VIDA publica-se em dois suportes: página de Internet e papel.
A página Internet tem actualização permanente, pretendendo-se que constitua, quanto possível, um veículo diário de informação alternativa.
A versão em papel sai, inicialmente, com periodicidade mensal, e ainda quando os acontecimentos o exijam. Constitui base para a actividade dos grupos locais de apoio. Destina-se fundamentalmente a chegar às pessoas que não dispõem de acesso à Internet.



7
MUDAR DE VIDA é dirigido por um colectivo redactorial.
O colectivo é responsável, no quadro deste estatuto editorial, pela edição tanto da versão electrónica como da de papel.
Tem por missão reunir e seleccionar os textos a publicar (de sua autoria ou de colaboradores permanentes ou de correspondentes), com base em critérios de rigor informativo, de interesse político e de actualidade.







Manifesto

MUDAR DE VIDA

REERGUER A LUTA CONTRA O CAPITAL


Precarização, despedimentos colectivos, cortes drásticos nos direitos laborais e nas pensões de reforma, desmantelamento da segurança social, entrega dos serviços públicos às empresas privadas, quebra contínua do nível de vida – com o pretexto do equilíbrio orçamental e da “modernização”, o governo do Partido Socialista desencadeou uma ofensiva em todas as frentes contra os trabalhadores, para garantir lucros cada vez maiores aos capitalistas, os quais aplaudem a sua “determinação”. E estas não são medidas temporárias para superar a crise. Fazem parte do programa neoliberal posto em prática pela União Europeia, na sua ambição de se equiparar ao poderio dos Estados Unidos. São o modelo de sociedade que nos querem impor.



Esta pilhagem brutal dos pobres pelos ricos, acompanhada pelo apodrecimento das instituições e pelo envolvimento do país na escalada de guerras e invasões do imperialismo, desperta alarme e indignação. Alastra a consciência de que é preciso resistir à voracidade do capital. Mas, vendo que as greves, manifestações e protestos, o esforço de tantos militantes e activistas, não conseguem inverter a situação, espalha-se a ideia de que não há alternativa, de que o destino das pessoas está a partir de agora fatalmente subordinado às “leis do mercado”, à força cega e impessoal do capital.



É toda a acção tradicional da esquerda que é posta em causa pela nova correlação de forças entre Trabalho e Capital. Torna-se forçoso perguntar se há alguma perspectiva real de eleger, no actual quadro do “Estado de direito democrático”, um governo que defenda os trabalhadores. Como poderemos tomar medidas contra a ditadura do grande capital, aplicar uma política não aprovada por Bruxelas, desligar-nos das infames guerras da NATO? Como deter a ameaça já visível da fascização das instituições? Como romper o bloqueamento que estrangula as iniciativas do movimento popular?
Estas são perguntas novas colocadas pela ofensiva do capital mundializado. Deixá-las sem resposta é privar o movimento de capacidade ofensiva e preparar situações trágicas para a Humanidade.

A esquerda do regime

Denúncias certeiras e propostas positivas é o que não falta na actividade das forças da esquerda parlamentar. Mas, fazendo girar toda a sua acção em torno do parlamento e dos calendários eleitorais, os partidos reformistas acumulam votos mas não acumulam forças de mudança. As suas proclamações anticapitalistas acabam sempre na tentativa para se encaixarem nas instituições e serem reconhecidos pelo sistema como forças “responsáveis”. Receosos de que as acções “descontroladas” dos trabalhadores afugentem a pequena burguesia, afogam todas as iniciativas de base no controleirismo. Trocam a militância pela profissionalização. Privando o movimento de activistas conscientes e ousados, provocam a desmoralização e a desmobilização das grandes massas. Têm boa parte de responsabilidade no descrédito da política e dos partidos aos olhos das massas.



Implantado no movimento operário e popular como a força mais à esquerda e mais organizada, crítico da direita e do imperialismo, o PCP esgota contudo essas potencialidades no mito de “um novo governo e uma nova política”, o qual, na falta de um forte movimento de massas, só pode assentar numa coligação com o PS. Mas uma tal via ou não existe, ou não será anticapitalista. Em busca de horizontes aceitáveis para explorados e exploradores, o PCP dirige patéticas exortações aos capitalistas para que não busquem o “lucro excessivo” e se guiem pelo “interesse nacional”. Ilude os trabalhadores com o sonho de uma “democracia avançada”, de tranquila coexistência entre capital e trabalho, através da qual se faria a passagem ao socialismo sem ruptura da ordem vigente.
Cumprida a passagem do fascismo à democracia burguesa, desaparecida a esperança de chegar ao poder com a ajuda da União Soviética, o PCP ficou limitado ao objectivo de participar na gestão do capitalismo. Incapaz de resolver a contradição entre a “firmeza de princípios” proclamada e a prática reformista que o transforma num viveiro de sucessivas dissidências social-democratas, afunda-se na burocratização, na sufocação da vida interna e na senilidade ideológica.



O êxito eleitoral e mediático do BE, o mais recente produto na contínua invenção social-democrata de “novas esquerdas”, não pode disfarçar a inconsistência do seu estilo pseudo-radical. A sua prática sindical e anti-imperialista é em muitos casos mais recuada que a do PCP, a quem procura suplantar como possível parceiro do PS. Apregoando-se como a “esquerda moderna”, o Bloco especializou-se nos direitos das minorias, nas reivindicações de “cidadania” e nos “novos movimentos sociais” como alternativa à luta de classes. Cativa assim massas de eleitores, sobretudo jovens, desiludidos com a passagem do PS para o campo da direita, mas as suas campanhas ecológicas, humanistas, culturais são facilmente digeridas pelo sistema, justamente porque não confrontam explorados com exploradores, oprimidos com opressores.



A CGTP, que se impôs como o representante da massa assalariada devido à sua resistência aos ataques do patronato, dos governos e do sindicalismo amarelo da UGT, perde influência por se obstinar nos sermões sobre a colaboração de classes quando a burguesia impõe brutalmente a lei da selva neoliberal. Ansiosa por sensibilizar todos, operários, tecnocratas e patrões “esclarecidos”, apresenta protestos cordatos na Concertação Social e dá conselhos sobre o desenvolvimento económico e o crescimento da produtividade, como se se pudesse, ao mesmo tempo, estar contra o capitalismo e participar na gestão mesmo tempo, estar contra o capitalismo e participar na gestão dos seus interesses. Montou um enorme aparelho burocrático que mata o activismo nas empresas. Favorece o alastramento do corporativismo, do elitismo e do sindicalismo de gestão. No clima de paz social que a CGTP contribuiu para criar, as suas “jornadas de luta” são impotentes para deter a ofensiva do patronato.



O mal incurável desta esquerda é a sua prisão voluntária dentro da ordem existente, que a coloca na dependência estratégica do PS, apesar das críticas acesas que lhe faz no dia-a-dia. Ora, o PS confirmou-se ao longo dos últimos trinta anos como o principal obreiro da recuperação capitalista e do ataque ao movimento popular – mais eficaz inclusive que o PSD e CDS. O seu discurso sobre liberdade, solidariedade e progresso encobre a cumplicidade nas mais sinistras acções do grande capital e do imperialismo. Tem que ser reconhecido como um partido de direita. A prática de o tratar como uma alternativa “menos má” e de lhe dirigir apelos e desafios na esperança de o recuperar só tem servido para confundir os campos e paralisar os trabalhadores. Não é pela conciliação com o PS que se ganham as massas que nele votam mas pela afirmação de um novo pólo de atracção anticapitalista que o desmascare.

Libertar forças

Sabemos que a revolução social não está ao virar da esquina e que as lutas a travar em cada momento são aquelas que o estado de consciência das massas permite. É através da luta pelos seus interesses imediatos e objectivos parciais que os explorados se unirão e organizarão para lutas superiores. Exige-se-nos um trabalho paciente, que não se compadece com radicalismos verbais. Porém, ao empenharmo-nos nessas lutas diárias, por reivindicações muitas vezes modestas, não perdemos de vista que a sua utilidade é incutir gradualmente nos trabalhadores a confiança nas próprias forças, o repúdio pela ordem capitalista, a consciência e determinação revolucionárias. São positivas as lutas que contribuem para pôr explorados e exploradores em confronto, não as que semeiam ilusões na colaboração de classes. Alertamos os trabalhadores contra a miragem de que uma espiral infinita de reformas transformaria gradualmente o inferno capitalista num paraíso socialista. Dizemos que conquistas verdadeiras só com lutas superiores podem ser alcançadas e que tudo depende de se criar um campo resolutamente anticapitalista.


O ponto de partida para uma nova política é dizer frontalmente aos trabalhadores que nada têm a esperar do actual regime, romper com o fatalismo e o espírito da obediência à ordem reinante, incutir nos explorados o desprezo pelos valores do regime, alimentar-lhes a aspiração a um outro modo de vida, realmente democrático, liberto da opressão do capital. Para dar vigor às reivindicações e protestos da população pelos seus direitos é preciso fazer alastrar a todas as frentes a insatisfação com o infame modo de vida que nos é vendido como a “verdadeira democracia”, popularizar o direito à rebeldia, a ideia de que se pode viver de outra maneira. Há que retomar a linha de continuidade dos grandes movimentos populares de há trinta anos, que fizeram mais pela libertação e o progresso social do país que todas as leis de todos os parlamentos e governos. O proletariado já fez muitos sacrifícios por causas alheias – é hora de afirmar a sua própria causa, o seu antagonismo com o sistema e o objectivo de acabar com o capitalismo.



É dentro das empresas que o capitalismo manifesta toda a sua brutalidade. Hoje nenhum assalariado se sente seguro quanto ao seu posto de trabalho e aos seus direitos. Concentrar esforços nos sectores mais atingidos, criar focos de resistência nas empresas, é a via para erguer uma nova corrente popular combativa. Desclassificado, precarizado e atomizado, cercado pelas novas classes médias, bombardeado pela ideologia imperialista, o proletariado encontra-se em pesada desvantagem. Mas a experiência das últimas décadas já mostrou que não há outras forças motrizes da mudança social. Só o proletariado pode tornar-se a coluna vertebral da oposição popular ao regime, reganhando pela acção económica e política a confiança nas suas próprias forças e deslocando a luta das questões menores para o eixo da luta de classes: o trabalho contra o capital, as massas contra o poder do Estado.



A nossa presença no movimento sindical deve ter como objectivo impulsionar as reivindicações que melhor contribuam para unificar as classes trabalhadoras contra o patronato e o Estado, para avivar o antagonismo entre o Trabalho e o Capital. A ajuda organizativa às comissões de empresa e aos delegados sindicais mais activos, a prática da democracia dos plenários na preparação e durante as lutas, o apoio mútuo entre empresas dos mesmos sectores, a solidariedade para não deixar isolar e derrotar as greves, as ligações internacionais aos sindicatos combativos – são tarefas que darão vitalidade a uma futura corrente sindical de classe, independente dos aparelhos burocráticos da central.



Atenta às questões que em cada momento mobilizam as massas, uma política realmente anticapitalista não pode rebaixar-se ao nível da “comissão de melhoramentos” nem seguir ao sabor dos “factos políticos” criados pelos governantes. Puxando sempre o debate para as questões centrais da luta de classes, temos que mostrar que os abusos dos poderosos, a cumplicidade criminosa do Estado que os serve, o fosso cada vez maior entre pobres e ricos, o desemprego e a precariedade, a baixa do nível de vida, as chagas da criminalidade, da pilhagem dos bens públicos, da corrupção, da alienação, da prostituição, do abuso de crianças, não se curam com receitas “moralizadoras” porque fazem parte integrante de um sistema iníquo fundado na exploração e na mercantilização de todas as relações sociais. Trabalhando em muitos casos em acções comuns com a esquerda do sistema, cooperando lealmente com os militantes do PCP e BE, mantemos claro que existem dois caminhos na oposição ao regime – queremos mudar a sociedade, não remendar o capitalismo.



Há que estabelecer laços com o meio milhão de imigrantes, utilizados pela burguesia como mão-de-obra descartável, para fazer baixar o preço da força de trabalho no mercado. Com a imigração tratada pelo Estado como um assunto de polícia, com os sindicatos, partidos e ONGs a limitarem-se a esmolas e campanhas simbólicas, cava-se no seio do proletariado um perigoso fosso entre nacionais e imigrados e cresce em largos estratos da população a xenofobia e o racismo. O trabalho em associações que defendam os direitos dos imigrantes, o estabelecimento de laços culturais, as campanhas contra o racismo, formam uma frente prioritária de luta.


Vital também empenhar esforços num feminismo de massas que rompa as barreiras patriarcais da sobreexploração, da desigualdade e da violência machista. A integração em massa das mulheres na luta política geral não será possível enquanto as trabalhadoras continuarem a ser tratadas como mão-de-obra mal paga e precária, remetidas para tarefas subalternas, com jornadas múltiplas de trabalho, consideradas como máquinas de procriar. A revitalização da luta anticapitalista exige que a mulher deixe de ser a sombra e a proletária do homem, a criada para todo o serviço. Temos que contribuir para desmascarar a hipócrita “igualdade” actual, que esteriliza as reivindicações das mulheres em cargos decorativos e funções burocráticas, ou as trata como mera questão “cultural” no capítulo dos “direitos das minorias”, quando elas formam a maioria da população.



Recusamos deixar-nos envolver na dramatização eleitoral e na chantagem do voto no “mal menor”, expedientes com que os partidos do sistema têm conseguido neutralizar forças válidas e impedir a afirmação de novas correntes sociais. A intervenção nos períodos eleitorais, quer seja pela concorrência ou pela abstenção activa, conforme as situações, é para os revolucionários uma ocasião importante para transmitir a sua mensagem às grandes massas normalmente arredadas da política e para transformar em repúdio activo o desprezo passivo que normalmente manifestam pelas instituições. Medimos o êxito da participação eleitoral, mais do que em votos, pelos avanços que proporcionem no estado de espírito das massas.



A frente ideológica e cultural pode ter um papel decisivo no reagrupamento de forças nesta longa fase defensiva do movimento. Revelar, explicar, desmistificar, combater o obscurantismo, criar hábitos de independência crítica face à máquina alienante do sistema são para a esquerda revolucionária tarefas políticas de primeiro plano. É necessário por isso apoiar e estimular a criação literária e artística de denúncia e contestação, aproveitar todos os meios de imprensa, edição, internet, locais de convívio e debate, de modo a criar uma forte corrente de opinião materialista crítica, anticapitalista e anti-imperialista.



Contra a globalização capitalista, globalização da luta



É urgente despertar o povo português do seu alheamento suicida das questões internacionais. Debatendo-se convulsivamente com os limites à realização do capital e com a tendência para a baixa da taxa de lucro, os grandes centros capitalistas afundam-se no caos da especulação financeira e invocam as “leis incontornáveis do mercado” para degradar brutalmente a situação das massas produtoras, lançar centenas de milhões no desemprego, arruinar continentes inteiros. A concentração inaudita do poderio e da riqueza face a milhares de milhões de famintos anuncia batalhas de classe ainda mais gigantescas que as do passado. A pilhagem do mundo inteiro por um punhado de Estados ricos e poderosos, capitaneados pelos EUA, provoca um cortejo interminável de guerras, fomes e massacres. E a recusa das superpotências a partilharem o bolo com as novas potências capitalistas emergentes (China, Índia, Rússia, Brasil) vai colocar na ordem do dia novos conflitos destruidores.



A monopolização da economia gera a monopolização do poder político. O tremendo poder financeiro e militar da classe dirigentes dos Estados Unidos, imune a qualquer controle interno ou internacional, torna-a um foco de pulsões agressivas, que não admite qualquer obstáculo ao seu projecto de domínio total do planeta. Instaura o controle totalitário dos cidadãos. Depois de ter planeado friamente as sangrentas guerras no Afeganistão e no Iraque, tem na agenda novas invasões, golpes de Estado e, se necessário, ataques nucleares. O novo fascismo que irradia dos EUA sob a bandeira da democracia e dos direitos humanos está a ser adoptado pela burguesia à escala mundial e torna-se uma grande ameaça para os povos de todo o mundo. A mobilização antifascista, pela defesa das liberdades, é uma grande tarefa da nossa época.



A saída não virá de campanhas moralizadoras por “uma nova lei internacional”. As propostas irrealizáveis das Attacs e congéneres para diminuir o fosso entre Estados ricos e pobres, por um comércio justo, pela reforma da ONU, só contribuem para adormecer as massas para a gravidade da situação e empenhá-las em causas imaginárias. Êxitos reais na luta contra a barbárie das guerras de conquista, as armas de destruição maciça, contra a catástrofe económica, contra o fascismo, a rapacidade do FMI, a intoxicação ideológica, a destruição da natureza, só serão possíveis quando perdermos as ilusões num regresso ao passado, pusermos de lado a esperança na auto-regulação do sistema, incutirmos nas massas a consciência de que ele é irreformável e inscrevermos nos nossos programas a tarefa única da nossa época: pôr fim ao capitalismo.



Estamos solidários com os povos que lutam com os meios ao seu alcance para expulsar os invasores e opressores. Saudamos a luta armada dos povos do Iraque, Afeganistão, Líbano, Colômbia, Nepal, a resistência heróica da Palestina ao extermínio levado a cabo por Israel, a resistência de Cuba, da Venezuela e dos outros povos latino-americanos à ingerência e agressão dos Estados Unidos. Recusamos pôr em igualdade os agressores e as vítimas. Recusamos embarcar na histeria da “defesa da civilização” e do “antiterrorismo”. Repudiamos a bandeira esfarrapada da democracia e dos direitos humanos agitada pelo Ocidente imperialista para servir de capa à sua dominação sobre os povos. Não alinhamos no falso optimismo dos que, a todo o momento, para “dar ânimo”, pretendem descobrir nos sinais de crise o colapso iminente no imperialismo, vitórias populares imaginárias, entrada em cena de líderes “salvadores”. Só à custa de um tremendo esforço será possível levar a bom termo a luta anti-imperialista.



Apostada em disputar aos EUA o lugar de chefe mundial dos salteadores, a União Europeia pinta com as cores do “progresso económico e social” o seu projecto expansionista e agressivo. Executa todo um programa para baixar os custos da força de trabalho, escravizar os imigrantes, submeter as pequenas nacionalidades, pilhar as riquezas do Terceiro Mundo, criar um corpo policial e de vigilância continental, um exército. As propostas do PCP e BE para “refundar” a UE dotando-a de uma Constituição “de base democrática” e tornando a “Europa Social” um “espaço de solidariedade e de paz”, são uma grande mistificação – como se um bloco capitalista continental pudesse ser outra coisa do que geneticamente reaccionário. Unir à escala do continente as forças do trabalho contra as do capital é a tarefa que se coloca aos revolucionários europeus.



A marcha da globalização capitalista aglutina as burguesias nacionais no grande bloco continental europeu, que lhes é necessário para fazer frente aos concorrentes. Por isso, a luta no nosso país contra a UE não tem como meta a restauração da independência nacional burguesa, etapa ultrapassada quando a classe governante se vendeu ao mercado europeu, sem consultar sequer a população. Só a pequena burguesia pode ainda alimentar sonhos de renascimento do seu espaço próprio, expressos nos apelos “patrióticos” do PCP. O proletariado tem que rejeitar tanto essas utopias passadistas como as promessas que rejeitar tanto essas utopias passadistas como as promessas chauvinistas de “uma grande e boa Europa”. Tem de aprender a unificar as lutas interna e externa contra a burguesia, tendo como horizonte a livre associação de todas as nacionalidades, só possível quando for desmantelado o capitalismo.

Reconstruir o campo revolucionário

A reconstrução de uma autêntica corrente anticapitalista, que lute por uma nova ordem social, exige um longo combate contra os preconceitos instalados pela social-democracia ao longo das últimas décadas: pretender que já não há classes com interesses antagónicos, que a revolução passou à história e que todas as “pessoas de boa vontade” podem ser unidas na aspiração do “bem comum”; reduzir a política ao presente, ao imediato, como meio de apagar a memória histórica do movimento e de não ter que falar de um projecto futuro; difamar a militância política e os movimentos de massas como “opressores da individualidade”; e sobretudo utilizar os fracassos dos chamados “regimes comunistas” como eficaz arma de propaganda do capitalismo.
A reconstrução do campo revolucionário não tem que ficar refém dos desastres do passado. Se a revolução russa e as outras grandes revoluções do século XX não cumpriram o seu projecto de desmantelar o capitalismo e estabelecer a democracia dos produtores e se afundaram em regimes burocráticos e ditatoriais, isso em nada diminui o alcance histórico da modernização que trouxeram a sociedades até então mergulhadas no atraso, na miséria e na ignorância e o golpe que deram ao sistema imperialista. Não temos de que nos penitenciar. Iludidos muitos de nós tempo demais quanto à natureza do “campo socialista”, não nos enganámos contudo ao defender os interesses operários e populares, ao lutar contra o fascismo, o colonialismo e o imperialismo. Nada temos de comum com os saudosistas de um falso socialismo de aparatchiks obedientes e acéfalos, nem com os que concebem a democracia socialista à imagem da democracia burguesa. E não confundimos os ideais socialistas com os crimes odiosos que foram cometidos em seu nome. Por isso, precisamos de compreender as razões dessa degenerescência. Inspirando-nos nos revolucionários do passado, trabalhamos por aproximar a hora da emancipação dos explorados através do socialismo, que será também a libertação de toda a sociedade.



Só uma organização independente do regime dará corpo a uma corrente política independente. Vimos no passado que a organização pode degenerar, de instrumento de luta, em instrumento de opressão de militantes e de adaptação ao sistema, pelo que procuramos um tipo diferente de organização, unificada pela identidade de convicções políticas e não pelo aparelho e o controle. Uma organização em que cada militante exerça livremente as suas capacidades, onde se busque a confluência de energias e não a disciplina cega, onde o espírito crítico seja o instrumento decisivo da unidade política. Uma organização democrática, aberta ao debate dentro e fora de si própria, que não pretenda tornar-se proprietária do movimento de massas mas ser o seu fermento e instrumento unificador. Praticando a democracia proletária, respeitando sempre a inalienável soberania das massas populares, esse colectivo organizado, mesmo pequeno, poderá propagar entre as massas uma nova corrente política mais avançada que as do passado e tornar-se uma força real.



Sabemos que temos pela frente uma longa e difícil luta mas somos optimistas. Os donos do capital jogam contra a corrente da História. A abundância criada pelas novas tecnologias, o derrubamento das fronteiras, o mercado mundial único estão a criar um proletariado mundial e a dar-lhe novas armas para pôr termo à divisão milenar da humanidade em opressores e oprimidos, exploradores e explorados, à barbárie das guerras e do terror, à dominação patriarcal. No meio das catástrofes da nossa época, divisa-se a possibilidade de aceder a uma forma de viver digna de seres humanos, a Democracia do Trabalho, o Socialismo. Mas só se formos capazes de vencer a resistência do capitalismo a abandonar a cena histórica. Chamamos todos os que não se conformam com a actual impotência do mundo do trabalho a colaborar connosco nessa causa, a única digna de forças anticapitalistas consequentes.

Frentes de luta imediata

Trabalhar pela criação de um grande movimento que leve à demissão do governo de Sócrates e interrompa a ofensiva capitalista em curso.



Criar plataformas de acção unitária contra o desmantelamento dos serviços sociais, as privatizações e a montagem do Estado policial.



Na luta contra a exploração, a precariedade, o assalto aos direitos dos trabalhadores, desenvolver acção sindical de base nas empresas, dando especial apoio aos precários, aos imigrantes, às mulheres.



Trabalhar por um movimento nacional de condenação dos EUA e de Israel, de solidariedade com os povos do Iraque, Palestina e outros povos em luta, pelo regresso imediato dos soldados portugueses em “missões de paz”, pela saída de Portugal da NATO.



Trabalhar pela coordenação das lutas económicas e políticas do proletariado à escala europeia contra a UE do capital. Estabelecer relações internacionalistas com organizações da esquerda revolucionária de outros países.


Sumário de Outubro da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique




Colóquio sobre o «Poder e a Cidade - de Paris a S.Paulo»

no Instituto Franco-Português ( Av. Luís íver, 91, Lisboa) - 18 de Outubro às 21h.







EDITORIAL
● «Sarkozy» (editorial de Ignacio Ramonet)


IRÃO
● «Os ultras preparam a guerra contra o Irão» (Selig S. Harrison)

FUTEBOL E MODERNIDADE
● «Adorando José Mourinho: à procura dos “atributos de um Portugal moderno”» (José Neves)
UNIVERSIDADES
● «Avaliação do ensino superior: o autismo do critério único» (João P. Almeida Fernandes, Alexandre Bettemcourt, Christopher Bochmann, Manuel J. do Carmo Ferreira, António Fidalgo, Clara Meneres, Manuel Melo e Mota e Raul M. Rosado Fernandes)

FISCALIDADE
● «A França regressa aos privilégios fiscais do Antigo Regime» (Liêm Hoang-Ngoc)
● «Que outra reforma do imposto?» (L.N.)

CIDADES
● «A invenção dos “bairros problemáticos» (Sylvie Tissot)
● «Os sem-tecto acampam às portas de São Paulo» (Philippe Revelli)
● «Uma reforma urbana necessária e sempre adiada» (PH.R.)
● «Do Grito do Ipiranga ao Grito dos Excluídos» (Elisabeth Carvalho)

GEOPOLÍTICA
● «A Coreia do Norte torna-se respeitável» (Bruce Cummings)
● «Os Estados Unidos face ao traumatismo do fim do império» (Philip S. Golub)
● «O autoritarismo – um estudo de caso» (PH.S.G.)

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO
● «Cada um deve poder alimentar-se, não ser alimentado» (Jacques Diouf)

CIÊNCIA E PODER
● «Investigadores ao serviço da ordem estabelecida» (Jean-Pierre Garnier)

EM DEBATE
● «A esquerda a reconstruir» (Gérard Duménil e Jacques Bidet)

CADERNOS INÉDITOS
● «O socialismo segundo Che Guevara» (Michel Lövy)

EDIÇÃO
● «“Pequenos” editores escapam ao domínio dos grupos económicos (André Schiffrin)

CINEMA
● «DocLisboa: Os 10 dias do documentário» (Cátia Salgueiro)
● «O surpreendente sucesso dos documentários contestatários» (Christian Christiensen)

LEITURAS
● «Trabalho, desemprego, o tempo do desespero» (Noëlle Burgi)

ESCRITOS DO MÊS
> João Madeira, Irene Pimentel e Luís Farinha, Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política (recensão crítica de Daniel Melo);
> Manuel Pinto e Helena Sousa (org.), Casos em que o Jornalismo foi Notícia (recensão crítica de Carla Baptista);
> Anatol Lieven, América a Bem ou a Mal. Uma Anatomia do Nacionalismo Americano (recensão crítica de Mafalda Graça);
> Ryszard Kapuscinski, Andanças com Heródoto (recensões críticas de Rui Lobo);
> Manuel da Silva Ramos, A Ponte Submersa (recensão crítica de Jean-Claude Egídio).

Ainda sabemos escrever? - tema a debater na Cooperativa Árvore no Porto ( 8 de Out. às 21h)

"Ainda sabemos escrever?" é o título do debate público que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) promove amanhã, dia 8 de Outubro, pelas 21 horas, no auditório da Cooperativa Árvore, no Porto, no âmbito do ciclo "Conferências de Outono".

Com intervenções de Mário Cláudio, escritor - que acaba de ser agraciado com o Prémio Pen Clube pelo seu romance Camilo Broca - e docente da Universidade do Porto; Pedro Olavo Simões, jornalista no "Jornal de Notícias" e bloguer no "Fonte das Virtudes"; e José Mário Costa, responsável pelo sítio Ciberdúvidas, este será um encontro especialmente destinado a jornalistas, estudantes e professores da área do Jornalismo e das Ciências da Comunicação, mas também aberto ao público em geral.

Numa altura em que todos os dias somos inundados por novas tecnologias e novas plataformas capazes de vulgarizar os espaços destinados à escrita, é da maior relevância suscitar o debate a propósito da qualidade do que escrevem e como escrevem os jornalistas.

O ciclo "Conferências de Outono" realiza-se no Porto, às segundas-feiras, durante o mês de Outubro. Em Lisboa, decorrerá uma iniciativa similar em todas as quartas-feiras do mês de Novembro.

Próximas sessões no Porto

- 15.OUT - "Não te rias que é pior: Humor, Jornalismo e Política" ? Intervenções de Manuel António Pina (jornalista e escritor), Carlos Romero (jornalista) e José Manuel Ribeiro (jornalista em "O Jogo" e autor do cartune "Sistema ao Quadrado" neste diário).

- 22.OUT - "Vamos acabar no Museu? O futuro do jornalismo" ? Intervenções de Luís Humberto Marcos (antigo jornalista, director do Museu da Imprensa), Miguel Carvalho (jornalista na "Visão") e Jorge Fiel (jornalista no "Expresso").

- 29.OUT - "Ainda podemos escrever? - Incidências do Estatuto do Jornalista e das Novas Leis Penais" ? Intervenções de Rui Pereira (jornalista e docente da Universidade do Porto), António Arnaldo Mesquita (jornalista no "Público) e Horácio Serra Pereira (advogado, chefe do Gabinete Jurídico do Sindicato dos Jornalistas).

Lisboa acolhe conferências em Novembro

As Conferências de Lisboa, cujo programa detalhado será divulgado em breve, abordarão os seguintes temas:

- "Do caso Casa Pia ao caso Maddie - Jornalismo sob suspeita: Comunicação Social e Justiça"

- "Jornalismo, Ciência e Ambiente - Informar para uma cidadania activa"

- "O Jornalismo tem sexo? - A Comunicação Social Perante as Questões de Género"

- "Novas Tecnologias - Instrumento Para Uma Nova Ordem da Comunicação".



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