9.11.06

Edição portuguesa do Le Monde Diplomatique volta aos quiosques





O jornal mensal Le Monde Diplomatique, de origem francesa e publicado há já algumas décadas, tem vindo a ter edições em vários países e em várias línguas, incluindo mesmo o esperanto (edição digital).
Em Portugal o Le Monde Diplomatique começou por ser publicado e traduzido em português nos anos de 1980 pela mão de Snu Abecassis, através da sua editora, a D. Quixote. Interrompida a sua publicação pouco tempo depois, o jornal passou a ser lido apenas na sua edição original ( em francês). Só há 7 anos atrás é que a editora Campo das Letras, formada há pouco tempo, começou novamente a editar em português o jornal que, entretanto, ganhara prestígio e se multiplicara por várias edições em diversas línguas. No início de 2006 a Campo das Letras decide suspender a sua publicação, restando aos leitores portugueses que não dominam a língua francesa, recorrer à leitura de textos da edição brasileira no respectivo website.
Entretanto, os trabalhadores ( tradutores e outros) que garantiam a edição do Le Monde Diplomatique decidiram constituir nos últimos meses uma cooperativa («Outro Modo») a fim de relançar mais uma vez a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique, que volta a estar nas bancas dos jornais a partir deste mês de Novembro de 2006.
Face ao panorama paupérrimo da imprensa portuguesa, ao seu controlo pelos grandes grupos económicos, e a todas as dificuldades de sobrevivência no mercado de órgãos independentes do poder económico e político, a existência em português do Le Monde Diplomatique constitui uma brecha no discurso neo-liberal dominante. Por isso não hesitamos em saudar e apoiar o reaparecimento do Le Monde Diplomatique, em edição portuguesa. O que não significa que partilhamos muitos dos pontos de vista que aí são defendidos. Tal não deve, no entanto, impedir a sua leitura atenta, e o seu uso como ferramenta para o debate e estudo dos problemas contemporâneos do mundo actual.

Pelo que não podemos deixar de apoiar e manifestar a nossa satisfação pelo relançamento da edição portuguesa, e a solidariedade aos seus trabalhadores que decidiram manter e defender o título, e tornar possível aos leitores portugueses o acesso a uma das publicações de qualidade que mais se tem batido a nível internacional contra o neoliberalismo e a globalização capitalista.

Nessa medida, e independentemente de divergências de perspectivas teóricas que nos possam separar, o Pimenta Negra saúda e apoia a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique.


Edição portuguesa:
http://pt.mondediplo.com/

Edição brasileira:
http://diplo.uol.com.br/

Edição francesa ( original)
http://www.monde-diplomatique.fr/

Edição espanhola:
http://www.monde-diplomatique.es/

Edição no Chile:
http://www.lemondediplomatique.cl/



Nota Importante:

O website francês do Le Monde Diplomatique costuma editar artigos com alguma regularidade sobre a actualidade. Consultar:


http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/

O mesmo website disponibiliza ainda uma valiosa Agenda e uma interessante recensão de imprensa ( com um notável lista de remissões para revistas e jornais):

http://www.monde-diplomatique.fr/revues/

http://www.monde-diplomatique.fr/agenda/


Para além de tudo isso, cada edição inclui normalmente a referência e por vezes recensões críticas a livros editados ( em Portugal, na edição portuguesa; e em França, na edição francesa).
No último número do Le Monde Diplomatique ( de Novembro de 2006) aparece, por exemplo, a referência a um livro acabado de aparecer em França com os Contos (« Les Contes») escritos por Mumia Abu-Jamal ( jornalista e activista negro, actualmente preso nos USA, e condenado à morte) , assim como o livro, editado em 2005 pela edições L’Echappée, de Alexander Berkman, «Qu’est-ce que l’anarchisme?». Reproduzimos o comentário a este último livro:


«Qu’est-ce que l’anarchisme?», de Alexander Berkman, editions L’Echappée, Paris, 2005.
Anarquista russo exilado nos Estados Unidos em 1888, Alexander Berkman (1870-1936) foi expulso da Rússia em 1919, juntamente com Emma Goldman pela sua participação nas lutas sociais. Ambos partiram em 1921, desencantados e amargurados. Berkman escreveu o Mito Bolchevique para explicar como a ditadura tinha destruído a liberdade e a revolução. No livro, que agora sai à estampa, reúnem-se dois textos de 1929, traduzidos pela primeira vez para o francês, onde sintetiza pela primeira vez um pensamento comunista libertário, tendo em consideração os acontecimentos do seu tempo ( fracasso da revolução russa e das insurreições europeias) e dirigindo-se a um operário americanos médio através de uma linguagem simples e límpida. A primeira parte analisa os males que não mudaram (trabalho assalariado, governo, funcionamento do sistema, guerra, desemprego, religião) e as falsas soluções para eles ( Igrejas, Partidos políticos, sindicatos, socialismo reformista e o bolchevismo). A segunda parte define o anarquismo como «a concepção mais racional e mais prática de uma vida social livre e harmoniosa», e a terceira parte explica finalmente a necessidade da revolução social para pôr termo à autoridade dos senhores que dirigem as nossas vidas.
( autor deste comentário do jornal em edição francesa: Charles Jacquier)

Greve Geral na Administração Pública a 9 e 10 de Novembro



A apresentação do Orçamento do Estado para 2007 e as declarações do Ministro de Estado e das Finanças sobre o tema dão ainda mais razão à realização e a uma massiva participação dos trabalhadores na greve geral da Administração Pública de 9 e 10 de Novembro.
O Governo não pode continuar a atacar impunemente as condições de vida e de trabalho e a dignidade dos trabalhadores, para favorecer os grandes grupos económico-financeiros!
A degradação das condições de vida e de trabalho daqueles que produzem a riqueza deste país não pode continuar!
Os trabalhadores exigem uma política diferente para o país!
É mentirosa a afirmação de que “os sacrifícios são para todos “, pois Portugal é o país da União Europeia com o maior fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres e este fosso tem vindo a aumentar nos últimos anos. É a própria UE a reconhecer este facto.
E, em paralelo, possuímos algumas das maiores fortunas a nível europeu…
Os trabalhadores e a população em geral sentem na pele o continuado aumento do preço de bens essenciais, muito superior às taxas de inflação, na água, no pão, nos combustíveis, nos transportes e na generalidade dos bens de primeira necessidade. Está a ser agora anunciado o aumento de 16% dezasseis por cento, na electricidade.
Entretanto, o capital financeiro paga cerca de metade da percentagem do IRC que pagam as micro, pequenas e médias empresas e as percentagens de lucros dos Bancos são cada vez maiores – em 2005, segundo o Banco de Portugal, aumentaram 71,5% e ultrapassaram os 2,2 mil milhões de euros. Na situação actual de crise e empobrecimento da maioria da população, esta situação assume um carácter de autêntica obscenidade.
Para que isto assim seja, o Governo PS/Sócrates tem que tirar poder de compra aos trabalhadores e aos reformados, tem de acabar com direitos sociais, degradar a Segurança Social e os Serviços Públicos e entregar as partes rentáveis ao grande capital, tal como exigiu a irmandade do Compromisso do Beato, em propostas que a CGTP não hesitou em classificar de terroristas.
Isto não pode continuar!
Na Administração Pública, estamos a ser confrontados com o maior ataque aos direitos dos trabalhadores que se verificou desde o 25 de Abril, mesmo a direitos que constituíam valores civilizacionais indiscutíveis, como o direito ao trabalho – aliás, constitucionalmente garantido.
O Governo de Sócrates não tem pejo em apresentar uma proposta de tabela que retiraria a todos os trabalhadores, em 2007, entre 3,7% e 0,7% do seu poder de compra. Isto depois de, desde 2000, terem perdido uma média de 10%.
Nas reuniões já realizadas, o Governo apresentou uma proposta de aumento salarial de 1,5% que é efectivamente de 1%, já que pretende descontar 0,5% mais para a ADSE .
É a primeira vez, desde 1977, que o Orçamento de Estado regista uma diminuição nas despesas com o pessoal (0,9%) em 2 anos consecutivos.
Os objectivos nefastos do Governo manifestam-se em todas as áreas da Administração Pública:
. Na Educação, com a privatização de segmentos do sistema e o ataque ao Estatuto das Carreiras dos Professores e Educadores e do Pessoal não Docente;
. Na Saúde, tentando concretizar a máxima “quem quer saúde paga-a”, com o cortejo de mazelas sociais que daí resultará;
. Na Justiça, com um ataque aos Tribunais e às independência das Magistraturas e dificultando, quando não impossibilitando, a acesso à justiça aos mais desfavorecidos;
. Nas Forças de Segurança, com a degradação das condições de trabalho e de intervenção no terreno;
. Nas Autarquias Locais, com a limitação ou a retirada de autonomia do poder local democrático.
E as propostas apresentadas aos Sindicatos pelo Governo pretendem:
. Degradar as pensões de aposentação, o que também se propõe fazer no regime geral de segurança social;
. Acabar com o vínculo de emprego público de todos os trabalhadores;
. Implementar o despedimento sem justa causa;
. Acabar com o regime de carreiras;
. Aumentar o horário de trabalho, alterar o regime de faltas (com a exigência de justificações em duplicado) e diminuir o período de férias.
Os Trabalhadores da Administração Pública não vão baixar os braços. Vão continuar a lutaram a lutar, com determinação e entusiasmo

EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS !

POR CARREIRAS E SALÁRIOS DIGNOS !

CONTRA A PRECARIEDADE, O DESEMPREGO E OS DESPEDIMENTOS !

CONTRA A DESTRUIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E AS PRIVATIZAÇÕES !

POR UMA NOVA POLÍTICA.


E contra o simulacro de negociações que o Governo pratica com os Sindicatos da Administração Pública, através de uma Greve Geral de dois dias, nos dias 9 e 10 de Novembro.
Só a luta e a unidade dos trabalhadores da Administração Pública poderão contrariar ou minorar os efeitos desastrosos para os trabalhadores e para as camadas mais desfavorecidas dos portugueses das medidas que o Governo PS/Sócrates quer implementar.


Dia 9 e 10 de Novembro vamos mostrar que os trabalhadores não estão dispostos a aturar mais tempo as patifarias deste Governo.


Quem trabalha, tem direito a ser tratado com dignidade!


A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública

8.11.06

Dia Mundial contra a Shell ( 10 de Nov ) - sessão promovida pelo GAIA na Casa Viva ( no Porto ), às 21 horas.



A 10 de Novembro de 2006, no espaço CASA VIVA
(Praça do Marquês de Pombal, 167, Porto)

será relembrado o assassinato do activista ambiental Ken Saro-Wiwa

e a problemática das alterações climáticas no
Dia Mundial Contra a Shell



Ken Saro-Wiwa assumiu funções de presidente do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP), uma das etnias que vivem no delta no rio Níger: Wiwa lutou pela defesa dos direitos dos 550 mil habitantes da região.
Um projecto de extracção de petróleo da Shell, implantado no país em 1958, destruiu os meios de sobrevivência deste povo indígena.
Saro-Wiwa juntou 300 mil pessoas numa marcha de protesto, exigindo à Shell o pagamento de indemnizações e a reparação dos danos ambientais causados. No ano seguinte, o líder do movimento é preso, junto com outros dirigentes, acusados da morte de quatro líderes Ogoni. A Amnistia Internacional considera Saro-Wiwa, defensor da não-violência, um “prisioneiro de consciência”. Um tribunal militar condena Saro-Wiwa por homicídio. Governos e organizações de todo o mundo acusam o tribunal de fraude, apelam à libertação do líder e ecologista e tentam levar a Shell a intervir. Sem êxito.
A 10 de Novembro, Saro-Wiwa e os oito dirigentes do movimento são enforcados.

Olhando do espaço, conseguimos distinguir na Terra miríades de pontos luminosos na superfície. Uns são facilmente preceptiveis como sendo cidades. Porém, uma parte substancial são impressões digitais de crimes. Não são mais do que queimadas realizadas nas zonas florestais do planeta.
Cada ponto luminoso, das centenas que podem ser avistados diariamente, corresponde à pira funerária de milhares de árvores, em queimadas megalómanas, patrocinadas por empresas petrolíferas como a Shell.
A destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono pelos automóveis e máquinas afins que utilizamos, têm vindo a intensificar a concentração deste gás na atmosfera.
Como consequência, temos vindo a assistir por todo o planeta ao chamado aquecimento global: um aumento da temperatura média superficial global que se têm registado nos últimos 150 anos.
Embora a Shell alegue estar a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono (o principal causador das alterações climáticas), a quantidade de dióxido de carbono produzida pelo petróleo da Shell excede a produzida pelo Brasil.
A Shell pretende aumentar a sua produção de petróleo para além dos 100 milhões de barris por dia nos próximos 10 a 15 anos.
Simultaneamente, procura aumentar a dependência mundial do gás natural, que também contribui para o aquecimento global.
Como membro do American Petroleum Institute, a Shell continua a fazer um lobby feroz contra as medidas para mitigar as alterações climáticas, incluindo o Protocolo de Quioto.


Assim, por um mundo melhor,
em colaboração com o Espaço CASA VIVA,
o GAIA apresenta:
o filme,
A Herança – “O Mundo dos Nossos Filhos”

21:00
A Hora do Chá: Um Momento de Meditação por um Mundo Melhor e por aqueles que lutam para que esse mundo “aconteça”;

22:00
Documentário sobre as Alterações Climáticas;

23:00
Tertúlia dinâmica sobre as Alterações Climáticas e a Procura de Soluções para o problema;

00:00
Música, Actividades Interactivas e Convívio.

Cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse ( breves citações)



Que a tua graça multiplique por dez as minhas forças naturais
In Cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse


Quando estiveres na cama e ouvires o uivar dos cães no campo, esconde-te debaixo dos cobertores, não te rias do que eles fazem; eles têm sede insaciável de infinito, como tu, como eu, como os restantes humanos, de rosto pálido e comprido
In Cantos de Maldoror, de Isidore Ducassé


Vai realizar-se em Barcelona (22 a 25 de Novembro) um Colóquio Internacional sobre Lautréamont. Ver:
http://www.maldoror.org/Programme_Barcelone.rtf

Ver ainda:

http://www.maldoror.org/
.
Ler artigo de R.Vaneigem sobre Lautréamont em:
http://library.nothingness.org/articles/SI/fr/display/72

Chico Science, os «Nação Zumbi» e a Mangue beat




Francisco de Assis França, mais conhecido pela alcunha de Chico Science (13/3/1966- 2/2/1997) foi um cantor e compositor do Recife (Pernambuco, Brasil), e um dos principais colaboradores do movimento Manguebeat em meados da década de 90.

Mangue – Em rápidas palavras, foi um movimento que surgiu no Recife (Pernambuco, Brasil) nos primeiros anos da década de noventa. Trabalhando em cooperativa, dois grupos desconhecidos, Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, juntaram-se a alguns jornalistas, designers e desempregados, para tentar criar uma cena artística capaz de quebrar o marasmo que dominava a vida local. O termo é inspirado nos manguezais, a vegetação que dominava boa parte da área sob a qual foi construído o Recife. A ideia era gerar uma cena tão rica e diversificada quanto esse ecossistema, de modo a abranger toda a complexidade embutida potencialmente na vida de uma cidade grande.
A empreitada foi um sucesso: em poucos anos, centenas de bandas estavam actuando em bares, casas nocturnas e garagens, e a agitação havia se espalhado para o cinema, as artes plásticas e a moda. Recife, desde então, passou a ser conhecida como a “Manguetown”.


Chico Science

Líder da banda Nação Zumbi e principal expoente do movimento mangue beat de Pernambuco, teve sua carreira precocemente abortada por um acidente de carro. Chico Science participava de grupos de dança e hip hop em Pernambuco no início dos anos 80. No final da década integrou algumas bandas de música como Orla Orbe e Loustal, inspiradas na música soul, no funk e no hip hop.
A fusão com os ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, veio em 1991, quando Science entrou em contacto com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, subúrbio de Olinda. Misturou o ritmo da percussão com o som de sua antiga banda e formou o Nação Zumbi.
A partir daí o grupo começou a apresentar-se em Recife e Olinda e iniciou o "movimento" mangue beat, com direito a manifesto ("Caranguejos com Cérebro"). Em 1993 a sua apresentação por São Paulo e Belo Horizonte chamou a atenção dos principais media. O primeiro disco, "Da Lama ao Caos", projectou a banda nacionalmente. O segundo, "Afrociberdelia", mais pop e electrónico, confirmou a tendência inovadora de Chico Science e Nação Zumbi, que viajaram e apresentaram-se então pela Europa e Estados Unidos. O Nação Zumbi lançou um CD duplo em 1998, depois da morte do líder, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.


Monólogo ao Pé do Ouvido (Chico Science)

Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui?
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrôgancia, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios os que detroem o poder
Bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi
Antônio conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza eles também cantarm um dia.



Os grandes marcos do mangue beat

Há alguns anos, em Recife (PE), Fred Rodrigues Montenegro encantava-se com Jorge Ben e a sua mistura de samba, rhythm'n'blues e baião. Ainda adolescente, foi convidado para tocar guitarra. O seu primeiro grupo, ainda no início dos anos 80, chamava-se Trapaça. Influências de bandas paulistas provocaram o surgimento de uma segunda banda, os Serviço Sujo, em cuja formação Fred tinha o cognome de "Rato". Em 1984, dos restos das bandas punks, surge o mundo livre S/A e seu cognome definitivo: Zero Quatro. Enquanto isso, na mesma cidade... Francisco de Assis França era daqueles músicos que não estudaram em conservatórios, mas que ouviam de tudo. Frequentava festas funk e os seus ídolos eram James Brown, Grandmaster Flash e Kurtis Blown. Nos anos 90, Francisco, ou melhor, Chico Science, descobriu o Lamento Negro, um grupo de samba-reggae. Impressionado com o som, chamou dois colegas do Loustal, o seu anterior grupo de hip hop e funk, para formar, o Chico Science e Lamento Negro no início de 1991. Aí, começa a história...
No início da década de 90, Zero Quatro, Chico Science e amigos em comum - entre eles futuros integrantes da Nação Zumbi - encontravam-se com regularidade. Foi este convívio que deu origem ao movimento que ficou conhecido como mangue beat. Em 1994 foram lançados os discos Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi, e Samba Esquema Noise, do MLS/A .
O famoso manifesto dos "Caranguejos com cérebro" foi escrito por Zero Quatro. Segundo o jornalista e escritor Renato L, o texto era, na verdade, um release, um "book do mangue" para acompanhar os shows. Quando chegou à imprensa, passou a ser considerado um manifesto. Talvez eles não imaginassem que aquele texto, utópico, iria mudar a cara da música pernambucana e elevar o estado nordestino a um dos mais criativos e efervescentes da cultura brasileira. Passada mais de uma década, o mangue beat continua influenciando as novas gerações com seu som e sua ideologia. Ao fim de 10 anos foi organizada uma exposição com acervo de Chico Science, que morreu em Fevereiro de 1997 num acidente de carro. Passada a morte do vocalista, os Nação Zumbi pararm por um tempo e só voltaram depois com Jorge Du Peixe na voz. Saiu um livro e um cd por essa altura.


MANIFESTO CARANGUEJOS COM CÉREBRO

Mangue --- O conceito
.
Estuário. Parte terminal de um rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos dos mares. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.
Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem dos alagadiços costeiros.
Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas os mangues são tidos como os símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

Manguetown - A cidade

A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada, é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex) cidade "maurícia" passou a crescer desordenadamente as custas do aterramento indiscriminado e da destruição dos seus manguezais.
Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de "progresso", que elevou a cidade ao posto de "metrópole" do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.
Bastaram pequenas mudanças nos "ventos" da história para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem no início dos anos 60. Nos últimos trinta anos a síndrome da estagnação, aliada à permanência do mito da "metrópole", só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.
O Recife detém hoje o maior índice de desemprego do país. Mais da metade dos seus habitantes moram em favelas e alagados. Segundo um instituto de estudos populacionais de Washington, é hoje a quarta pior cidade do mundo para se viver.

Mangue --- a cena
Emergência! Um choque rápido, ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico pra saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruir as suas veias. O modo mais rápido também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paraliza os cidadãos? Como devolver o ânimo deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Em meados de 1991 começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo é engendrar um "circuito energético", capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo, uma antena parabólica enfiada na lama.
Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em: quadrinhos, tv interativa, anti-psiquiatra, Bezerra da Silva, Hip Hop, midiotia, artismo, música de rua, John Coltrane, acaso, sexo não-virtual, conflitos étnicos e todos os avanços da química aplicada no terreno da alteração e expansão da consciência
.

Contra a vídeovigilância e a sociedade de controle






«Para sua segurança, este local encontra-se equiapdo com câmaras vídeo», «Local vigiado por sistema de vídeo», «Sorria, está a ser filmado» - anúncios/avisos do género multiplicam-se hoje por toda a parte: «shoppings», aeroportos, estradas, edifícios, fábricas, escolas, estádios, ao mesmo tempo que uma câmara oculta de TV pode estar em qualquer lugar à espreita…Um imenso «bufo» electrónico, ao serviço de uma difusa e inverificável autoridade, segue cada um dos nossos passos, cada um dos nossos gestos, cada um (como na vigilância informática na Net) dos nossos pensamentos e desejos, sem, ao contrário dos seus congéneres humanos, qualquer escrutínio moral ou jurídico, antes suportado num discurso securitário que é o paroxismo do panopticismo benthaminano feito ideologia. Agora são as auto-estradas que, a partir do próximo ano serão equipadas com 510 câmaras capazes de registas todos os «comportamentos fora do padrão». A Brisa terá ainda acesso aos dados da DGV e Direcção-Geral de Registos e Notariado. Como no panóptico de Bentham, o guarda invisível nem precisa já de estar lá. Basta sabermos que somos observados para nos transformarmos nós mesmos em guardas da nossa conformidade ao «padrão» e ao que o «big brother» espera de nós.
(crónica de Manuel António Pina, publicada no Jornal de Notícias de 6 de Nov. de 2006, sob o título «Policia-te a ti mesmo» )

5.11.06

Luta contra as mudanças climáticas

Ontem realizaram-se por todo o mundo acções para a sensibilização da população e dos poderes instituídos quanto ao problema das mudanças climáticas.
As fotos que se seguem foram retiradas da manifestação realizada em Londres, e que contou com a presença de milhares de manifestantes.
Ver:








Imprensa ecologista em Portugal: dois exemplos históricos

A Urtiga foi a melhor revista ecologista de sempre em Portugal.
Coincide também com uma época importante na história ( meados e fins dos anos 70) da nossa sociedade portuguesa, para além de ter marcado (pela positiva) a evolução existencial de alguma gente, da qual me incluo.




O jornal Terra Mágica, que aparece algum tempo depois e de que saíram alguns números, representa uma época de alguma reanimação ecologista em Portugal. A sua publicação pretendia relançar a temática e o movimento ecologista na nossa sociedade.


Memória histórica: anarquistas entram no governo republicano há 70 anos (4 de Nov. de 1936)



No dia 4 de Novembro de 1936, faz hoje 70 anos, quatro dirigentes da CNT entraram no governo da República em guerra e que era presidido pelo socialista Francisco Largo Caballeo. Tratava-se de um «facto transcendente» como afirmava nesse mesmo dia o jornal Solidaridad Obrera, o principal órgão de expressão da CNT, porque os anarquistas nunca haviam confiado nos poderes da acção governativa e porque era a primeira vez que isso ocorria na história mundial.Anarquistas no Governo de uma nação era realmente um facto transcendental e irrepetível.
Poucos homens ilustres do anarquismo espanhol se negaram a dar esse passo e as resistências da «base», dessa base sindical que era suposto ser revolucionário e fazer frente aos dirigentes reformistas foram também mínimas. O Verão, sangrento ainda que mítico verão revolucionário de 1936 já havia passado. Anarquistas radicais e sindicalistas moderados, que se tinham enfrentado e separado nos primeiros anos republicanos, estavam agora juntos, esforçando-se por obter os apoios necessários para pôr em marcha as suas novas convicções políticas. Tratava-se de não deixar os mecanismos do poder político e armado nas mãos das restantes organizações políticas, uma vez que foi claro que o que estava a acontecer em Espanha era uma guerra e não uma festa revolucionária.
O Comité Nacional da CNT elegeu os quatro nomes para essa missão: FedericaMontseney, Juan Garcia Oliver, Joan Peiró e Juan López. Nesses quatro dirigentes estavam representados de forma equilibrada os dois principais sectores que haviam pugnado pela supremacia no anarco-sindicalismo durante os anos republicanos: os sindicalistas e a FAI. Joan Peró e JUan lópez, ministros da Idústria e do Comércio, eram as figuras indiscutíveis daqueles sindicatos de oposição que tinham sido expulsos da CNT e, 1933 e que haviam voltado mais tarde, pouco antes da sublevação militar. Juan Garcia Oliver, novo ministro da Justiça, era o símbolo do «homem de acção», da «ginástica revolucionária», da estratégia insurreccional contra a República, que havia ascendido como a espuma a partir das jornadas revolucionárias de Julho em Barcelona. De Federica Montseney, ministra da saúde, a fama vinha de ser da família onde nascera – era filha de Federico Urales e Soledad Gustavo – e que se havia empenhado na República para atacar desde um anarquismo mais intrasigente todos os traidores reformistas. Ela ia ser, além disso, a primeira mulher a desempenhar o cargo de ministro na história do país.
Da passagem da CNT pelo Governo ficaram poucos vestígios. Entraram em Novembro de 1936 e abandonaram em Maio de 1937. Pouco puderam fazer em sete meses. Recorda-se muito mais o que significou a participação dos quatro anarquistas num Governo do que a sua actividade legislativa. Como a revolução e a guerra foram perdidas, nunca eles puderam expor a sua dignidade como ministros na história. E como não podia ser, semelhante acto de ruptura para com a tradição anti-política trouxeram-lhes as maiores desgraças. Para memória colectiva do movimento libertário, derrotado, e no exílio, aquela traição e aquele erro só podia trazer consequências funestas. Toda a literatura anarquista posterior, quando aborda o assunto, deixa de lado a análise, para descarregar um chuva de censuras e críticas por demais conhecidas. De um lado, fica a revolução, vigorosa e soberana; do outro, a sua destruição, feita realidade pela ofensiva que desde o poder se lançou contras as milícias, os comités revolucionários, as colectivizações, as três solenes manifestações pela mudança revolucionária.
Se menospreza assim, nesse ajuste de contas com o passado, o que de necessário e de positivo houve naquele momento extraordinário. Necessário, porque a revolução e a guerra, que os anarquistas não haviam provocado, obrigaram a articular uma solução que, evidentemente, devia afastar-se das doutrinas e das atitudes com que historicamente se identificavam. Positivo, porque essa defesa da responsabilidade e da disciplina, que converteu justamente a participação no Governo num dos seus símbolos, melhorou a situação na retaguarda, evitou ainda mais derramamentos inúteis de sangue, e contribuiu a mitigar a resistência que a outra estratégia disponível, a maximalista e a do confronto radical com as instituições republicanas, havia alimentado.
Evidentemente que uma análise deste tipo que separa o historiador do juízo de autenticidade sobre a pureza doutrinal daqueles protagonistas leva a considerar outras facetas esquecidas. Como aquela que se refere ao facto de ter sido um «anarquista de acção» como Garcia Oliver quem consolidou os tribunais populares ou que criou os campos de trabalho, substituindo os tiros na nuca para os presos fascistas. Ou que um sindicalista de toda uma vida como Juan Peiró se encarregara das intervenções nas industrias de guerra. Ou que uma mulher subisse às cúspide do poder politico, um espaço negado tradicionalmente às mulheres e que Franco voltaria a negar durante décadas, e desde aí empreendesse uma política sanitária de medicina preventiva, de controle das doenças venéreas, uma das pragas da época, e da reforma eugenésica do aborto que, apesar de não ter passado das intenções, fez avançar alguns debates ainda presentes das sociedades actuais.
Acabada a guerra, as prisões, as execuções e o exílio meteram o anarquismo num túnel de que é difícil sair. Na memória dos anarquistas, na literatura e no cinema a figura que acabou por sobressair foi Buenaventura Durrutti, com todo o seu passado novelesco e façanhas de herói, ficando na obscuridade outras figuras como Juan Peiró que dedicou a sua vida a fabricar bombas, a organizar sindicatos e a ajustar o anarquismo com o relógio da história. Denunciou ante de todos, e por escrito, em Agosto de 1936, a violência revolucionária de destruição dos opositores. Quando, depois dos acontecimentos de Maio de 1937, Manuel Azaña encarregou Juan Negrín da formação de um novo governo sem CNT, Peiró acusa os comunistas de term provocado a crise e denunciou a repressão contra o POUM. Com a ocupação da Catalunha pelo exército franquistas , foge para França, onde foi detido pela Gestapo em Novembro de
1940 tendo sido entregue às autoridades franquistas que não demoraram em executá-lo em 24 de Julho de 1941.
O anarquismo arrastou atrás da sua bandeira vermelha e negra vastos e diversos sectores populares.Lançou raízes em sítios tão díspares como a Catalunha industrial, onde até à Guerra Civil, nunca entrara o socialismo organizado, e na Andaluzia camponesa. Muitos dos seus militantes participaram durante décadas numa frenética actividade cultural e educativa. Nesse trajecto a violência sempre esteve presente. A sua lenda de honradez, sacrifício e combate foi cultivadas durante décadas. Os seus inimigos, à direita e à esquerda, sempre se referiram à tendência dos anarquistas em lançar bombas e a empunhar um revólver. São, sem dúvida, imagens exageradas das quais os historiadores não escaparam e que até as tem alimentado. Uma prova mais das múltiplas facetas daquilo que se chama hoje por memória histórica.

Julián Casanova, texto publicado no El País de 4 de Novembro.

Polónia 1944

As SS chegam a uma aldeia e reúnem a população.
Um jovem padre consegue escapar-se mas é imediatamente perseguido por um jovem nazi.
O padre encontra-se encurralado num pátio, sem esperança.
O jovem soldado aponta e prepara-se para disparar quando subitamente o céu escurece e Deus intervém gritando:
- «Pára, infeliz! Não dispares! Um dia este jovem polaco será Papa!»
Perplexo, o alemão responde:
- «Sim, Senhor, e eu?»
- «Tu, virás depois».
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retirado de:

3.11.06

Sobre o caso IKEA em Paços Ferreira - comunicado da Convergir

CONVERGIR
Plataforma de associações cívicas do Noroeste/Norte de Portugal em matéria de ambiente, urbanismo e ordenamento do território
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COMUNICADO
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Em nome de um modelo social e económico assente na sustentabilidade, a Plataforma Convergir não pode deixar de se opor à recente decisão do Grupo IKEA, há dias anunciada, de instalar as suas projectadas fábricas à custa da destruição de cerca de 50 hectares de Reserva Ecológica Nacional.
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Apesar de existirem alternativas, não estando pois em causa a viabilizaçãodo empreendimento, o Grupo IKEA optou por negar clamorosamente na prática as suas proclamadas intenções de respeitar o ambiente e a natureza nas suas actividades empresariais, expondo assim ao desmentido e ao ridículo a sua tão cuidada imagem «verde».
Mas, obviamente, os principais responsáveis são as autoridades ei nstituições nacionais que consentiram em mais uma operação de destruição deáreas naturais protegidas, designadamente o Governo, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional doNorte.
Mais uma vez, o Governo autorizou a que se suspenda a lei (neste caso oPlano Director Municipal de Paços de Ferreira, além da desanexação da REN) para permitir a destruição daquilo que a lei protege. Casos recentes como oCentro Comercial Nassica ou a Lactogal, ambos licenciados à custa dadestruição de áreas consideráveis da Reserva Agrícola Nacional no concelhode Vila do Conde, juntamente com diversos outros casos semelhantes pelopaís fora, consumados ou previstos, banalizam o recurso à excepção à lei, aponto de se poder dizer que a excepção à regra se está a tornar na regra daexcepção. Com isso, o Governo, que apregoa a necessidade de uma firmepolítica de ordenamento do território, torna a lei o motor da sua própriasubversão e o ordenamento uma simples tirada retórica.
Não pode esquecer-se, neste contexto, a responsabilidade da Comissão deCoordenação /Norte que, contra toda a lógica, e ciente da oferta domunicípio de Paredes de alojar as referidas fábricas em zona jáinfraestruturada e que não provocaria nova destruição de valores naturais,emitiu parecer favorável, atrás do qual se escuda o Governo, à desanexaçãode uma zona de protecção de cabeceiras de água e dotada de povoamentos desobreiros, espécie protegida por lei. Tanto mais extraordinário quanto aCCDRN integra a ex-Direcção Regional do Ambiente, a quem caberia o papelprincipal na defesa dos referidos valores.
A região Norte do País, deprimida social e economicamente em relação à médianacional, necessita certamente de uma resposta a essa depressão. Talresposta, no entanto, sob risco de se tornar ilusória, efémera econtraproducente, tem que assentar firmememente nos valores dasustentabilidade.
Se necessitamos de investimento e emprego, também não podemos dispensar afirme protecção dos solos, da biodiversidade, das paisagens e das nascentesdas linhas de água. O Norte necessita de um modelo que aposte nosinvestimentos e no emprego que valorizem os seus recursos naturaisfundamentais, não que promovam a sua destruição. A criação de riquezaeconómica através da destruição irreversível de riqueza natural tão ou maisvaliosa prepara a prazo a desertificação e a pobreza para os nossos filhos eos nossos netos.
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A Plataforma Convergir, e designadamente as associação ALDEIA - Acção,Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente, a APRIL -Associação Política Regional de Intervenção Local, a Associação dos Amigosdo Mindelo, a Associação dos Amigos do Rio Ovelha, a Campo Aberto -associação de defesa do ambiente, o FAPAS - Fundo de Protecção dos AnimaisSelvagens, o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, a LigaPortuguesa de Profilaxia Social, o NDMALO - Núcleo de Defesa do MeioAmbiente de Lordelo do Ouro, o Núcleo do Porto da Quercus - AssociaçãoNacional de Conservação da Natureza, e a Vento Norte - Associação de Defesado Ambiente e Ocupação dos Tempos Livres, que subscrevem este comunicado,apoiam ainda em conjunto a posição recentemente tomada sobre este assuntopela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, inclusive oeventual recurso a acção judicial que anule esta infracção às regras básicasdo ordenamento do território.
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Porto, 2 de Novembro de 2006
Para mais informações: Leonor Costa Pinto 931 620 212

A impostura democrática ( entrevista com José Saramago)


O livro «Ensaio sobre a lucidez» de José Saramago acabou de ser traduzido para a língua francesa com o título « La Lucidité », numa edição da Seuil.
A conhecida revista semanal francesa Le Nouvel Observateur publica no seu último número uma breve entrevista com o escritor português, onde ele denuncia a impostura democrática.


Le Nouvel Observateur – O seu romance «Ensaio sobre a lucidez» é uma dura crítica aos nossos governos. O que é que o irrita no sistema actual?

José Saramago – As democracias ocidentais não são senão as fachadas políticas do poder económico. Uma fachada com cores, bandeiras, discursos intermináveis sobre a democracia. Vivemos uma época em que podemos discutir tudo. Com uma excepção: a democracia. Ele está aí, é um dado adquirido. Não tocar, como se diz nos museus. Ora é necessário lançar um grande debate mundial, antes que seja tarde, sobre a democracia.

N.Obs. – Em que é que as democracias não são democráticas, segundo você?

José Saramago - Durante muito tempo, falava-se de pleno emprego. Estava nos programas de todos os partidos. Hoje, isso acabou. Vivemos numa espécie de anestesia social generalizada. Quando se chega aos 40 anos, e vos é dito, que não há nada para você, o que é que isso significa? Para onde vais o dinheiro? Passou-se do ideal, dessa utopia do pleno emprego ao emprego precário? Quem decidiu esta mudança brutal nas relações das pessoas com o direito ao trabalho? Um governo? O governo francês, italiano, português? Não, claro que não. Foi antes o poder económico. Eu sei que esta expressão pode parecer arcaica. E, todavia, é o poder económico que controla o mundo. Mas ninguém se lembra do momento em que se passou do ideal do pleno emprego a este dado tornado obrigatório que é o emprego precário. Trata-se de um êxito completo da arte do esconde-esconde.

N.Obs. – Você pede para se votar em branco?

J. Saramago – Não, eu não faço essa porpaganda. O que eu digo é que se pode escolher votar por um partido, ficar em casa, anular o seu boletim ou votar em branco. A abstenção é a solução mais fácil, mas pouco significativa. Ao passo que as pessoas que se esforçam por votar podem, através do voto branco, exprimir de uma forma muito clara o seu descontentamento. E mostrar o seu descontentamento em votar sem que realmente nada mude. 20% de votos brancos já daria para as pessoas reflectirem. Você sabe, até porque nunca fiz segredo disso, que sou comunista. Houve quem me censurasse, como se eu fosse inimigo da democracia. Tal é um absurdo. Até pelo contrário. Sou um comunista que diz: salvemos a democracia. Porque o que temos, àquilo que chamamos de democracia, não é senão um simulacro.. Nos gabinetes do poder ri-se dos pobres. Divertem-se à nossa custa. É tempo de fazer qualquer coisa.

N.O. – O comunismo não mudou lá as coisas…

J. Saramago – O comunismo? Isso nunca existiu. Não se sabe o que é. Há ideais, princípios. Mas esses princípios foram desnaturados, quando começaram a ser aplicados. Pode-se dizer que o comunismo é isto ou aquilo, mas a verdade é que não se sabe nada. Na União Soviética o comunismo não foi outra coisa senão um capitalismo de Estado. E a China segue a mesma via, com a cumplicidade das potências ocidentais., que aplaudem e não se cansam de dizer bravo. É lamentável.

N.O. –Na sua opinião essa abertura económica não poderá levar a China para a democracia?

J. Saramago – Abertura? Mas as democracias são governadas por poderes que não são democráticos. O Fundo Monetário Internacional é uma instituição democrática? Não. A Organização Mundial do Comércio? Não. E são ambos que decidem os nossos destinos, a nossa felicidade. Não existe democracia, apenas uma aparência democrática. Quanto aos media, eles são propriedade de grandes empresas, de bancos. Vivemos num simulacro. Se queremos a verdadeira democracia, temos que a inventar.

N.O.- Parece que você anuncia no seu romance uma viragem das democracias para o autoritarismo?

J. Saramago – Posso enganar-me talvez. Mas acho que vamos viver uma nova era de democracias mais autoritárias.

N.O – Você tem 84 anos. É célebre em todo o mundo. O que é que o leva a lutar por um mundo melhor?

J. Saramago – Milhões e milhões de pessoas têm o mesmo discurso que eu, se pudessem. Tão simples como isso. Se se puder dizer o que achamos o que é verdade, então não nos devemos calar. Trata-se de uma possibilidade extraordinária poder exprimir-me pela escrita. Poderia ficar na minha casa , com o meu prémio Nobel, cultivar o meu jardim, metafórico ou real. Mas não posso. Sou um simples cidadão que fala. Mas falar não é suficiente. Já se falou muito. Acho que é tempo de ladrar. De ladrar como os cães, tal como escrevo na epígrafe do meu livro. Com a minha fraca voz é aquilo que eu faço.

2.11.06

Apelo contra os liquidatários do vinho e da diversidade das vinhas


Eles querem transformar os nossos vinhos numa bebida industrial e estandardizada
Querem impor às vinhas e aos seus cultivadores o seu «modelo do produtivismo»

As aldeias, os terrenos, as paisagens, a história, as mulheres e os homens da vinha, os saberes acumulados, o saboroso vinho popular, as mil e uma cepas existentes no país, e as cinco mil variedades de vinho que existirão em todo o mundo, deverá toda essa riqueza desaparecer para ser substituída pela uniformidade e capacidade de reprodução?

A Confederação Camponesa (França) lança um apelo para uma grande campanha de mobilização geral para a rejeição da uniformização e estandardização dos vinhos e dos sabores.

Será que também nós iremos aceitar que toda a riqueza das cepas de vinho desapareça em proveito de uma insípida e uniforme bebida?

Ler o apelo:

1.11.06

A tropa é para os estúpidos


Piada anti-militarista ou como a tropa é para os estúpidos

John Kerry, senador democrata e ex-candidato presidencial dos Estados Unidos contou ontem em público uma piada anti-militarista.

Numa reunião com estudantes liceais na Califórnia Kerry, e a propósito do valor e da importância da educação para o futuro dos jovens, aconselhou-os a estudarem muito e a terem boas notas, sob pena de se assim não o fizerem irem parar ao Exército e serem enviados para o Iraque.
Textualmente foram estas as palavras de Kerry: «Se vocês estudarem muito, se fizerem os deveres e se esforçarem para serem espertos, vocês hão-de ter sucesso. Senão fizerem isso, vão acabar por irem para o Iraque.».

Bush e os seus apaniguados não demoraram a classificar os chistes de Kerry como um insulto ao Exército e às tropas norte-americanas, exigindo-lhe desculpas públicas.

Mas, John Kerry, que combateu na Guerra do Vietname, ao contrário de Bush, não se desfez e um pouco mais tarde numa conferência de imprensa, declarou:
«Quem deve pedir desculpa às nossas tropas é Bush e o vice-presidente Dick Cheney que enganaram a América e que lançaram o país numa guerra

Etelvina ( letra e voz de Sérgio Godinho)


Etelvina com seis meses já se tinha de pé
foi deixada num cinema depois da matinée
com um recado na lapela que dizia assim:
"Quem tomar conta de mim
quem tomar conta de mim
saiba que fui vacinada
saiba que sou malcriada"

Etelvina com dezasseis anos já conhecia
todos os reformatórios da terra onde vivia
entregaram-na a uma velha que ralhava assim:
"Ai menina sem juízo
nem mereces um sorriso
vais acabar num bueiro
sem futuro nem dinheiro"

Eu durmo sozinha à noite
vou dormir à beira rio à noite à noite
acocorada com o frio à noite à noite

Etelvina era da rua como outros são do campo
sua cama era um caixote sem paredes nem tampo
sua janela uma ponte que dizia assim:
"Dentro das minhas cidades
já não sei quem é ladrão
se um que anda fora das grades
se outro que está na prisão"

Etelvina só gostava era de andar pela cidade
a semear desacatos e a colher tempestade
a meter com os ricaços a dizer assim:
"Você que passa de carro
ferre aqui a ver se eu deixo
venha cá que eu já o agarro
dou-lhe um pontapé no queixo"

Eu durmo sozinha à noite ...

Etelvina já cansada de viver sem ninguém
a não ser de vez em quando amores de vai e vem
pôs um anúncio no jornal que dizia assim:
"Mulher desembaraçada
quer viver com alma irmã
de quem não seja criada
de quem não seja mamã"

Etelvina já sabia que não ia encontrar
nem um príncipe encantado nem um lobo do mar
só alguém com quem pudesse dizer assim:
"O amor já não é cego
abre os olhinhos à gente
faz lutar com mais apego
a quem quer vida diferente"

O seu homem encontrou-o à noite
a dormir à beira rio à noite à noite
acocorado com o frio à noite à noite

(Etelvina, letra e voz de Sérgio Godinho)

Grandes Portugueses(as) (1)


Ti' Helena, por Luciano Rodrigues.
Começamos hoje uma série interminável de nomes e fotos de grandes portugueses (as) que este blog irá divulgar ao longo dos próximos meses
Para início temos a Ti'Helena, na imagem de Luciano Rodrigues e que fomos buscar ao insónia, um blog de consulta imperdível.

31.10.06

Dar vida ao mundo rural

Reportagem na Serra de Montemuro

No interior do país, onde falta passar a carruagem da regionalização e a desertificação continua a notar-se, há quem contrarie o isolamento que os “muros” da interioridade teimam em impor.
John Mcadam, 53, americano de nascimento e, principalmente “revolucionário rural” - diz-nos o próprio num português fluente e matizado com um ligeiro sotaque inglês -, chegou há já 22 anos à aldeia de Mezio, rodeada pela serra de Montemuro, no concelho de Castro Daire. E, desde então, é um dos dinamizadores da vida local.
Começou por ser um projecto de desenvolvimento para aldeias montanhosas que trouxe este americano para cá, porém, as suas raízes aprofundaram-se na terra de Mezio com a iniciativa, juntamente com mais dois sócios, de criação de uma empresa local de plantas aromáticas e medicinais.


A hortelã comum, pimenta ou aquática, alecrim, alfazema, rosmaninho, carqueja, sabugueiro, perpétua-roxa e maravilhas são uma breve amostra da diversidade das plantas medicinais e aromáticas que podemos ver, tocar e cheirar na estufa localizada no ponto mais alto desta aldeia – Eira Velha, assim se chama a esse lugar.
Depois de se ver como se procede à reprodução das plantas na estufa, por meio do enraizamento de estacas e sementes, o conhecimento do cultivo é enriquecido com a visita aos 950 metros do campo de plantação, onde a vista é presenteada com um cocktail de cores, desde o roxo ao amarelo e com o verde sempre como pano de fundo, que pontilham a paisagem. É um itinerário que permite conhecer de perto as diferentes fases de trabalho precedentes à compra de um saco de chá.
Por detrás das estufas e dos campos de cultivo das plantas, está “uma combinação muito fértil de ideias com pessoas muito diferentes.”
De facto John Mcadam, formado em Psicologia, conta com uma vasta experiência de trabalho em projectos de desenvolvimento local desde os Estados Unidos da América, com as tribos de índios no Arizona, até à Índia. E, em 1984, parou em Portugal, onde desenvolveu durante 10 anos o Projecto de Desenvolvimento Integrado de Montemuro, no âmbito do Instituto de Assuntos Culturais, associação internacional de apoio a zonas montanhosas, com sede em Bruxelas. Os restantes sócios são dois irmãos, filhos da terra, Delfim, 40, e Joaquim Morgado, 41, respectivamente, um doutorado em Filosofia e o outro é engenheiro agrónomo.
Colocar uma aldeia nos itinerários da investigação e formação em agricultura biológica é um feito que estes três habitantes de Mezio já conseguiram com o seu projecto, iniciado em 1995, de produção, embalamento e venda de plantas medicinais e aromáticas. Para isso contribuíram “os vários projectos agro para fazer campos de experimentação e demonstração para experimentar as plantas silvestres que estão em vias de extinção e tentar adaptá-las para a agricultura. Estes projectos contaram com a parceria do Banco Português do GermoPlasma Vegetal, em Braga, do Ministério da Agricultura da Beira Litoral, em Coimbra e da Universidade do Minho”, explica Mcadam.
Por outro lado, também orientam visitas guiadas de grupos académicos ou pessoas individuais. Nesse sentido, “tanto as universidades como o Ministério da Agricultura, organizam cursos de dois ou três meses e encaminham visitas de estudo para aqui. E, também, recebemos estagiários”, acrescenta Mcadam.





Um saber antigo

O uso das plantas no tratamento e prevenção de doenças é um conhecimento muito antigo que tem acompanhado o Homem de geração em geração.
Esse facto pode ser comprovado no museu da Associação Etnográfica e Social de Montemuro - desenvolve uma cooperativa de artesãos e um restaurante de cozinha típica, cujo prato principal é o famoso “arroz de feijão com salpicão cozido”-, onde estiveram “desde o início expostas as plantas, porque as pessoas não iam ao médico. Conforme os sintomas que sentiam, assim se medicavam com ervas existentes na localidade”, esclarece Dolores Jesus, 77, professora reformada com 36 anos de ensino básico, presidente e fundadora da Associação Etnográfica de Montemuro que assinalou este ano outros 25 de actividade “na recolha, preservação e divulgação da cultura popular desta região.”
Por mera coincidência ou não, esta empresa nasceu num lugar que é considerado o centro de produção de plantas medicinais para o país. Sublinha Mcadam: “Nós não sabíamos, mas quando começámos havia jeiras de carqueja, porque a fonte desta planta para o país inteiro é aqui, em Montemuro.”
A procura crescente de plantas medicinais e produtos com certificação biológica é já um dado adquirido tanto no mercado nacional como internacional. “Cada vez mais pessoas procuram este tipo de produtos ou para a saúde ou para o gosto dos sabores. Vimos através dos meus contactos profissionais que era uma pequena onda que parecia que ia crescer. E nós quisemos captar essa onda e parece que apostámos bem”, verifica Mcadam.

Desafios a vencer

Se, por um lado, a falta de água e as ameaças dos incêndios no Verão são dificuldades inerentes ao contexto geográfico, já no que toca às exigências da certificação biológica o que está em causa é o cumprimento de uma série de requisitos qua garantam a qualidade ecológica do produto final.
Desde a plantação até ao embalamento, uma das fases de permeio é a esterilização que segundo a explicação de Mcadam é conseguida por meio “do sistema de refrigeração que congela as plantas depois de estarem secas.” E compara que “outras empresas que não são certificadas podem usar processos químicos como herbicidas, por exemplo, ou esterilizações por radiações.”
A estes desafios, acrescenta-se o de não deixar morrer a aldeia. Desafio este que parece estar a ser ganho, pois, “as pessoas estão a construir casas e a criar famílias aqui”, segundo observa Mcadam.
E olhando para trás até consegue ver diferenças na economia e organização social locais: “Quando cheguei, há 20 anos atrás, era uma economia de subsistência, a maioria das famílias trabalhava na agricultura. E, agora, Mezio mudou para ser um subúrbio no meio rural. As mulheres e os filhos vivem aqui e o homem trabalha fora e vai e vem todos os dias ou cada semana ou mês, às vezes seis meses. É muito variado: alguns trabalham em Porto, Lisboa ou Suíça e têm a família e a casa aqui. Por isso, eu chamo subúrbio em meio rural.”
Nuno Gaspar, 21, morador em Mezio, estudante de Engenharia Informática, em Viseu, é um dos 521 habitantes de Mezio e reconhece que “todas estas iniciativas de criação de empresas, especialmente das que trabalham na base de aldeia são importantes, porque desenvolvem e demonstram a terra e o que se pode fazer nela.”
Conciliar o desenvolvimento com a preservação do património natural e cultural é tanto possível como desejável. Mcadam comprova, baseando-se nos seus 22 anos de vivência rurais: “Uma parte mudou muito, mas a outra parte, mais interior, não mudou nada. Na parte cultural, eles têm as mesmas crenças, os mesmos valores sociais e culturais que tinham as pessoas quando vim para cá. Acho muito interessante ver como é que eles podem modernizar, mas com o centro não deteriorado com hábitos novos. É interessante!”



Texto de autoria de Fátima Santos, a quem agradecemos de o ter cedido para ser publicado e divulgado aqui.

30.10.06

José Couso: um crime de guerra

Conferências com
JAVIER COUSO



Dia 2 de Novembro 21:00 h
Porto na Casa Viva 167 (Pç. Marquês de Pombal, 167)
com o apoio: Espaço Musas; CasaViva167, Tribunal Internacional do Iraque –Porto.



Dia 3 de Novembro (21.30)
Lisboa na BOESG (Rua das Janelas Verdes 13 1º Esq)
com o apoio do Centro de Cultura Libertária e da BOESG



Dia 4 de Novembro (17.30)
Aljustrel no Clube Aljustrelense
com o apoio do Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia


Conferência acerca do assassinato pelo exército norte-americano do repórter de imagem José Couso em 2003 e da ocupação do Iraque.

O caso judicial encontra-se presentemente no Tribunal Supremo Espanhol após a queixa-crime que dera origem a um mandato de “Busca e Captura Internacional por Crimes de Guerra” contra os autores materiais do assassinato (a primeira na história contra militares norte-americanos), ter sido arquivada num claro aviso da Audiência Nacional Espanhola à navegação para que se calem os jornalistas que são os nossos ouvidos e os nossos olhos…



Acerca de JAVIER COUSO PERMUY, nascido em Ferrol (Corunha) a 8-11-1968.

Irmão de José Couso, repórter de imagem da Tele5 assassinado pelo Exército dos Estados Unidos de América, em Bagdad a 8 de Abril de 2003.

A partir da morte de José e com outras pessoas cria a associação Hermanos, Amigos y Compañeros de José Couso (HAC-José Couso), que desenvolve uma incessante actividade com vista a exigir uma investigação e justiça, tanto para o assassinato de José como dos outros três companheiros mortos no mesmo dia, ao serem atacadas todas as sedes informativas independentes estacionadas em Bagdad.

Viajou duas vezes ao Iraque ocupado, a primeira com o objectivo de denunciar e homenagear José no mesmo lugar do seu assassinato e agradecer o trabalho dos serviços de saúde pública daquele pais no esforço generoso em salvar a sua vida. A segunda como integrante da Delegação Espanhola que no âmbito da Campanha de Emergência Sanitária pôs em marcha a CEOSI (Campanha Estatal contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque). Uma semana na qual se estabeleceram contactos com um amplo espectro de organizações, civis e políticas do campo anti ocupação. Esta delegação, foi a primeira que consegui entrar em Faluja depois da devastação causada pelo ataque criminoso de Novembro de 2004 por parte das forças militares norte-americanas, constatando tanto os crimes de guerra cometidos como o uso de armamento proibido por as diversas Convenções Internacionais que conformam o Direito Internacional Humanitário.

Tem participado deste modo em dezenas de conferencias no seu país e em diversos eventos internacionais (Argentina, Cuba, Bélgica, Estados Unidos, Palestina, Venezuela, Parlamento Europeu…) tornando público a análise dos factos sucedidos no dia 8 de Abril em Bagdad, inseridos dentro do controlo informativo da ocupação do Iraque, país no qual se tem conseguido bloquear e controlar praticamente todas as fontes informativas independentes.

Que sirva como exemplo que nestes três anos e meio de ocupação foram assassinados mais de 100 jornalistas independentes.

Toda a informação em:

http://www.josecouso.info/

http://www.goncalvescorreia.blogspot.com/

29.10.06

Os milieux libres («os círculos ou meios livres») na Belle-époque



Os milieux libres («círculos ou meios livres») na Belle-epoque ou viver como um anarquista

Conferência a 4 de Novembro às 17 h. no CIRA (3, rue Saint-Dominique 13001 Marseille - angle Place des Capucines) de Céline Beaudet, autora do livro «Les milieux libres anarchistes en France au début du 20ème siècle), éditions Libetaires, 2006


A época que habitualmente é designada por Belle-époque é vista por quase todos como a «época de ouro» do anarquismo. Normalmente trata-se de um momento histórico que geralmente é associado ao anarco-sindicalismo. A verdade, porém, é que no anarquismo francês se podem distinguir duas correntes muitos demarcadas. Uma delas, talvez mais «oficial», a que é incomparavelmente mais conhecida na História, é constituída pelos teóricos e pelos sindicalistas.
Mas existe uma outra, frequentemente negligenciada, mas que não é menos importante do que a primeira, e que teve as suas práticas, jornais e adeptos próprios, e que exerceu uma influencia nada desprezível na maneira de pensar e na forma de se conduzir dos meios e dos círculos anarquistas. Falámos da corrente do anarquismo individualista. Anarquistas que colocam o indivíduo, a sua autonomia, a sua liberdade no coração das suas reflexões e preocupações.
Não faltam discussões entre os que pretendem que sem revolução não pode haver emancipação e aqueles outros para quem uma hipotética revolução não modificará nada, caso os indivíduos, eles mesmos, não mudarem. Para os anarco-individualistas a educação é pois algo de muito primordial. Mais ainda: eles consideram que é preciso viver, desde já, de acordo com as ideias que se defende, ou seja, viver a sua revolta e a emancipação social e individual no próprio quotidiano, sem estar à espera da «Grande Noite» da Revolução.
É no seguimento destas ideias que surgem os assim designados «milieux libres» ( meios livres), meios ou círculos onde se praticava uma vida em comum e que visavam garantir a cada um dos seus elementos libertarem-se do salariato, do patriarcado e da família, etc. Os meios livres eram formados entre 5 a 20 pessoas que se empenhavam em vivem juntos de um outro modo, distinto do que era seguido pela sociedade em geral.. Em França existiram um dezena de experiências e que envolveram algumas centenas de elementos ( homens, mulheres e crianças), para além de diversos jornais como Le Libertaire, L’Anarchie e ainda L’Ère Nouvelle. Todas essas experiências reflectem variadas ideias e práticas que testemunham esse desejo de «viver como anarquista»: educação libertária, camaradagem amorosa, redução de bens supérfluos , agricultura, artesanato, vegetarianismo, ilegalismo, propaganda pela acção e pelo texto escrito, etc, etc. Tudo isso com alicerçado numa firme vontade de viver de modo independente (face ao salariato e ao Estado), e num grande empenhamento na educação permanente ( liquidando a autoridade interiorizada…), nunca deixando de realizar a divulgação das ideias e do ideário anarquista de forma que se considerasse mais eficaz.

Para mais informações sobre os «milieux libres» consultar o livro de Céline Beaudet «Les milieux libres anarchistes en France au début du 20ème siècle), éditions Libertaires, 2006

http://www.editionslibertaires.org/

http://cira.marseille.free.fr/


CENTRE INTERNATIONAL DE RECHERCHES SUR L'ANARCHISME.
BP 20040, 13381
Marseillecedex 13.
Permanences du lundi au vendredi de 15 h à 18 h 30 avec une prolongation le mardijusqu’à 21 h
au 3 rue Saint-Dominique,13001 Marseille.
Courriel : cira.marseille(a)free.fr

Expériences de vie communautaire anarchiste en France
Le milieu libre de vaux (Aisne) 1902-1907
et la colonie naturiste et végétaliennede bascon (Aisne) 1911-1951
Autor do livro: Tony Legendre

Georges Brassens, cantor e poeta anarquista



Quando há festa nacional
Eu deixo-me ficar na cama
Porque a música militar
Nunca me fez levantar

Hoje passam 25 anos que morria George Brassens, cantor anarquista francês, pacifista e nome grande na poesia e na música francesa.

Para quem quiser ouvi-lo e conhecer o homem, o poeta e o cantor, consultar

http:/ /www.georges-brassens.com/