5.11.06

Luta contra as mudanças climáticas

Ontem realizaram-se por todo o mundo acções para a sensibilização da população e dos poderes instituídos quanto ao problema das mudanças climáticas.
As fotos que se seguem foram retiradas da manifestação realizada em Londres, e que contou com a presença de milhares de manifestantes.
Ver:








Imprensa ecologista em Portugal: dois exemplos históricos

A Urtiga foi a melhor revista ecologista de sempre em Portugal.
Coincide também com uma época importante na história ( meados e fins dos anos 70) da nossa sociedade portuguesa, para além de ter marcado (pela positiva) a evolução existencial de alguma gente, da qual me incluo.




O jornal Terra Mágica, que aparece algum tempo depois e de que saíram alguns números, representa uma época de alguma reanimação ecologista em Portugal. A sua publicação pretendia relançar a temática e o movimento ecologista na nossa sociedade.


Memória histórica: anarquistas entram no governo republicano há 70 anos (4 de Nov. de 1936)



No dia 4 de Novembro de 1936, faz hoje 70 anos, quatro dirigentes da CNT entraram no governo da República em guerra e que era presidido pelo socialista Francisco Largo Caballeo. Tratava-se de um «facto transcendente» como afirmava nesse mesmo dia o jornal Solidaridad Obrera, o principal órgão de expressão da CNT, porque os anarquistas nunca haviam confiado nos poderes da acção governativa e porque era a primeira vez que isso ocorria na história mundial.Anarquistas no Governo de uma nação era realmente um facto transcendental e irrepetível.
Poucos homens ilustres do anarquismo espanhol se negaram a dar esse passo e as resistências da «base», dessa base sindical que era suposto ser revolucionário e fazer frente aos dirigentes reformistas foram também mínimas. O Verão, sangrento ainda que mítico verão revolucionário de 1936 já havia passado. Anarquistas radicais e sindicalistas moderados, que se tinham enfrentado e separado nos primeiros anos republicanos, estavam agora juntos, esforçando-se por obter os apoios necessários para pôr em marcha as suas novas convicções políticas. Tratava-se de não deixar os mecanismos do poder político e armado nas mãos das restantes organizações políticas, uma vez que foi claro que o que estava a acontecer em Espanha era uma guerra e não uma festa revolucionária.
O Comité Nacional da CNT elegeu os quatro nomes para essa missão: FedericaMontseney, Juan Garcia Oliver, Joan Peiró e Juan López. Nesses quatro dirigentes estavam representados de forma equilibrada os dois principais sectores que haviam pugnado pela supremacia no anarco-sindicalismo durante os anos republicanos: os sindicalistas e a FAI. Joan Peró e JUan lópez, ministros da Idústria e do Comércio, eram as figuras indiscutíveis daqueles sindicatos de oposição que tinham sido expulsos da CNT e, 1933 e que haviam voltado mais tarde, pouco antes da sublevação militar. Juan Garcia Oliver, novo ministro da Justiça, era o símbolo do «homem de acção», da «ginástica revolucionária», da estratégia insurreccional contra a República, que havia ascendido como a espuma a partir das jornadas revolucionárias de Julho em Barcelona. De Federica Montseney, ministra da saúde, a fama vinha de ser da família onde nascera – era filha de Federico Urales e Soledad Gustavo – e que se havia empenhado na República para atacar desde um anarquismo mais intrasigente todos os traidores reformistas. Ela ia ser, além disso, a primeira mulher a desempenhar o cargo de ministro na história do país.
Da passagem da CNT pelo Governo ficaram poucos vestígios. Entraram em Novembro de 1936 e abandonaram em Maio de 1937. Pouco puderam fazer em sete meses. Recorda-se muito mais o que significou a participação dos quatro anarquistas num Governo do que a sua actividade legislativa. Como a revolução e a guerra foram perdidas, nunca eles puderam expor a sua dignidade como ministros na história. E como não podia ser, semelhante acto de ruptura para com a tradição anti-política trouxeram-lhes as maiores desgraças. Para memória colectiva do movimento libertário, derrotado, e no exílio, aquela traição e aquele erro só podia trazer consequências funestas. Toda a literatura anarquista posterior, quando aborda o assunto, deixa de lado a análise, para descarregar um chuva de censuras e críticas por demais conhecidas. De um lado, fica a revolução, vigorosa e soberana; do outro, a sua destruição, feita realidade pela ofensiva que desde o poder se lançou contras as milícias, os comités revolucionários, as colectivizações, as três solenes manifestações pela mudança revolucionária.
Se menospreza assim, nesse ajuste de contas com o passado, o que de necessário e de positivo houve naquele momento extraordinário. Necessário, porque a revolução e a guerra, que os anarquistas não haviam provocado, obrigaram a articular uma solução que, evidentemente, devia afastar-se das doutrinas e das atitudes com que historicamente se identificavam. Positivo, porque essa defesa da responsabilidade e da disciplina, que converteu justamente a participação no Governo num dos seus símbolos, melhorou a situação na retaguarda, evitou ainda mais derramamentos inúteis de sangue, e contribuiu a mitigar a resistência que a outra estratégia disponível, a maximalista e a do confronto radical com as instituições republicanas, havia alimentado.
Evidentemente que uma análise deste tipo que separa o historiador do juízo de autenticidade sobre a pureza doutrinal daqueles protagonistas leva a considerar outras facetas esquecidas. Como aquela que se refere ao facto de ter sido um «anarquista de acção» como Garcia Oliver quem consolidou os tribunais populares ou que criou os campos de trabalho, substituindo os tiros na nuca para os presos fascistas. Ou que um sindicalista de toda uma vida como Juan Peiró se encarregara das intervenções nas industrias de guerra. Ou que uma mulher subisse às cúspide do poder politico, um espaço negado tradicionalmente às mulheres e que Franco voltaria a negar durante décadas, e desde aí empreendesse uma política sanitária de medicina preventiva, de controle das doenças venéreas, uma das pragas da época, e da reforma eugenésica do aborto que, apesar de não ter passado das intenções, fez avançar alguns debates ainda presentes das sociedades actuais.
Acabada a guerra, as prisões, as execuções e o exílio meteram o anarquismo num túnel de que é difícil sair. Na memória dos anarquistas, na literatura e no cinema a figura que acabou por sobressair foi Buenaventura Durrutti, com todo o seu passado novelesco e façanhas de herói, ficando na obscuridade outras figuras como Juan Peiró que dedicou a sua vida a fabricar bombas, a organizar sindicatos e a ajustar o anarquismo com o relógio da história. Denunciou ante de todos, e por escrito, em Agosto de 1936, a violência revolucionária de destruição dos opositores. Quando, depois dos acontecimentos de Maio de 1937, Manuel Azaña encarregou Juan Negrín da formação de um novo governo sem CNT, Peiró acusa os comunistas de term provocado a crise e denunciou a repressão contra o POUM. Com a ocupação da Catalunha pelo exército franquistas , foge para França, onde foi detido pela Gestapo em Novembro de
1940 tendo sido entregue às autoridades franquistas que não demoraram em executá-lo em 24 de Julho de 1941.
O anarquismo arrastou atrás da sua bandeira vermelha e negra vastos e diversos sectores populares.Lançou raízes em sítios tão díspares como a Catalunha industrial, onde até à Guerra Civil, nunca entrara o socialismo organizado, e na Andaluzia camponesa. Muitos dos seus militantes participaram durante décadas numa frenética actividade cultural e educativa. Nesse trajecto a violência sempre esteve presente. A sua lenda de honradez, sacrifício e combate foi cultivadas durante décadas. Os seus inimigos, à direita e à esquerda, sempre se referiram à tendência dos anarquistas em lançar bombas e a empunhar um revólver. São, sem dúvida, imagens exageradas das quais os historiadores não escaparam e que até as tem alimentado. Uma prova mais das múltiplas facetas daquilo que se chama hoje por memória histórica.

Julián Casanova, texto publicado no El País de 4 de Novembro.

Polónia 1944

As SS chegam a uma aldeia e reúnem a população.
Um jovem padre consegue escapar-se mas é imediatamente perseguido por um jovem nazi.
O padre encontra-se encurralado num pátio, sem esperança.
O jovem soldado aponta e prepara-se para disparar quando subitamente o céu escurece e Deus intervém gritando:
- «Pára, infeliz! Não dispares! Um dia este jovem polaco será Papa!»
Perplexo, o alemão responde:
- «Sim, Senhor, e eu?»
- «Tu, virás depois».
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retirado de:

3.11.06

Sobre o caso IKEA em Paços Ferreira - comunicado da Convergir

CONVERGIR
Plataforma de associações cívicas do Noroeste/Norte de Portugal em matéria de ambiente, urbanismo e ordenamento do território
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COMUNICADO
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Em nome de um modelo social e económico assente na sustentabilidade, a Plataforma Convergir não pode deixar de se opor à recente decisão do Grupo IKEA, há dias anunciada, de instalar as suas projectadas fábricas à custa da destruição de cerca de 50 hectares de Reserva Ecológica Nacional.
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Apesar de existirem alternativas, não estando pois em causa a viabilizaçãodo empreendimento, o Grupo IKEA optou por negar clamorosamente na prática as suas proclamadas intenções de respeitar o ambiente e a natureza nas suas actividades empresariais, expondo assim ao desmentido e ao ridículo a sua tão cuidada imagem «verde».
Mas, obviamente, os principais responsáveis são as autoridades ei nstituições nacionais que consentiram em mais uma operação de destruição deáreas naturais protegidas, designadamente o Governo, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional doNorte.
Mais uma vez, o Governo autorizou a que se suspenda a lei (neste caso oPlano Director Municipal de Paços de Ferreira, além da desanexação da REN) para permitir a destruição daquilo que a lei protege. Casos recentes como oCentro Comercial Nassica ou a Lactogal, ambos licenciados à custa dadestruição de áreas consideráveis da Reserva Agrícola Nacional no concelhode Vila do Conde, juntamente com diversos outros casos semelhantes pelopaís fora, consumados ou previstos, banalizam o recurso à excepção à lei, aponto de se poder dizer que a excepção à regra se está a tornar na regra daexcepção. Com isso, o Governo, que apregoa a necessidade de uma firmepolítica de ordenamento do território, torna a lei o motor da sua própriasubversão e o ordenamento uma simples tirada retórica.
Não pode esquecer-se, neste contexto, a responsabilidade da Comissão deCoordenação /Norte que, contra toda a lógica, e ciente da oferta domunicípio de Paredes de alojar as referidas fábricas em zona jáinfraestruturada e que não provocaria nova destruição de valores naturais,emitiu parecer favorável, atrás do qual se escuda o Governo, à desanexaçãode uma zona de protecção de cabeceiras de água e dotada de povoamentos desobreiros, espécie protegida por lei. Tanto mais extraordinário quanto aCCDRN integra a ex-Direcção Regional do Ambiente, a quem caberia o papelprincipal na defesa dos referidos valores.
A região Norte do País, deprimida social e economicamente em relação à médianacional, necessita certamente de uma resposta a essa depressão. Talresposta, no entanto, sob risco de se tornar ilusória, efémera econtraproducente, tem que assentar firmememente nos valores dasustentabilidade.
Se necessitamos de investimento e emprego, também não podemos dispensar afirme protecção dos solos, da biodiversidade, das paisagens e das nascentesdas linhas de água. O Norte necessita de um modelo que aposte nosinvestimentos e no emprego que valorizem os seus recursos naturaisfundamentais, não que promovam a sua destruição. A criação de riquezaeconómica através da destruição irreversível de riqueza natural tão ou maisvaliosa prepara a prazo a desertificação e a pobreza para os nossos filhos eos nossos netos.
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A Plataforma Convergir, e designadamente as associação ALDEIA - Acção,Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente, a APRIL -Associação Política Regional de Intervenção Local, a Associação dos Amigosdo Mindelo, a Associação dos Amigos do Rio Ovelha, a Campo Aberto -associação de defesa do ambiente, o FAPAS - Fundo de Protecção dos AnimaisSelvagens, o GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, a LigaPortuguesa de Profilaxia Social, o NDMALO - Núcleo de Defesa do MeioAmbiente de Lordelo do Ouro, o Núcleo do Porto da Quercus - AssociaçãoNacional de Conservação da Natureza, e a Vento Norte - Associação de Defesado Ambiente e Ocupação dos Tempos Livres, que subscrevem este comunicado,apoiam ainda em conjunto a posição recentemente tomada sobre este assuntopela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, inclusive oeventual recurso a acção judicial que anule esta infracção às regras básicasdo ordenamento do território.
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Porto, 2 de Novembro de 2006
Para mais informações: Leonor Costa Pinto 931 620 212

A impostura democrática ( entrevista com José Saramago)


O livro «Ensaio sobre a lucidez» de José Saramago acabou de ser traduzido para a língua francesa com o título « La Lucidité », numa edição da Seuil.
A conhecida revista semanal francesa Le Nouvel Observateur publica no seu último número uma breve entrevista com o escritor português, onde ele denuncia a impostura democrática.


Le Nouvel Observateur – O seu romance «Ensaio sobre a lucidez» é uma dura crítica aos nossos governos. O que é que o irrita no sistema actual?

José Saramago – As democracias ocidentais não são senão as fachadas políticas do poder económico. Uma fachada com cores, bandeiras, discursos intermináveis sobre a democracia. Vivemos uma época em que podemos discutir tudo. Com uma excepção: a democracia. Ele está aí, é um dado adquirido. Não tocar, como se diz nos museus. Ora é necessário lançar um grande debate mundial, antes que seja tarde, sobre a democracia.

N.Obs. – Em que é que as democracias não são democráticas, segundo você?

José Saramago - Durante muito tempo, falava-se de pleno emprego. Estava nos programas de todos os partidos. Hoje, isso acabou. Vivemos numa espécie de anestesia social generalizada. Quando se chega aos 40 anos, e vos é dito, que não há nada para você, o que é que isso significa? Para onde vais o dinheiro? Passou-se do ideal, dessa utopia do pleno emprego ao emprego precário? Quem decidiu esta mudança brutal nas relações das pessoas com o direito ao trabalho? Um governo? O governo francês, italiano, português? Não, claro que não. Foi antes o poder económico. Eu sei que esta expressão pode parecer arcaica. E, todavia, é o poder económico que controla o mundo. Mas ninguém se lembra do momento em que se passou do ideal do pleno emprego a este dado tornado obrigatório que é o emprego precário. Trata-se de um êxito completo da arte do esconde-esconde.

N.Obs. – Você pede para se votar em branco?

J. Saramago – Não, eu não faço essa porpaganda. O que eu digo é que se pode escolher votar por um partido, ficar em casa, anular o seu boletim ou votar em branco. A abstenção é a solução mais fácil, mas pouco significativa. Ao passo que as pessoas que se esforçam por votar podem, através do voto branco, exprimir de uma forma muito clara o seu descontentamento. E mostrar o seu descontentamento em votar sem que realmente nada mude. 20% de votos brancos já daria para as pessoas reflectirem. Você sabe, até porque nunca fiz segredo disso, que sou comunista. Houve quem me censurasse, como se eu fosse inimigo da democracia. Tal é um absurdo. Até pelo contrário. Sou um comunista que diz: salvemos a democracia. Porque o que temos, àquilo que chamamos de democracia, não é senão um simulacro.. Nos gabinetes do poder ri-se dos pobres. Divertem-se à nossa custa. É tempo de fazer qualquer coisa.

N.O. – O comunismo não mudou lá as coisas…

J. Saramago – O comunismo? Isso nunca existiu. Não se sabe o que é. Há ideais, princípios. Mas esses princípios foram desnaturados, quando começaram a ser aplicados. Pode-se dizer que o comunismo é isto ou aquilo, mas a verdade é que não se sabe nada. Na União Soviética o comunismo não foi outra coisa senão um capitalismo de Estado. E a China segue a mesma via, com a cumplicidade das potências ocidentais., que aplaudem e não se cansam de dizer bravo. É lamentável.

N.O. –Na sua opinião essa abertura económica não poderá levar a China para a democracia?

J. Saramago – Abertura? Mas as democracias são governadas por poderes que não são democráticos. O Fundo Monetário Internacional é uma instituição democrática? Não. A Organização Mundial do Comércio? Não. E são ambos que decidem os nossos destinos, a nossa felicidade. Não existe democracia, apenas uma aparência democrática. Quanto aos media, eles são propriedade de grandes empresas, de bancos. Vivemos num simulacro. Se queremos a verdadeira democracia, temos que a inventar.

N.O.- Parece que você anuncia no seu romance uma viragem das democracias para o autoritarismo?

J. Saramago – Posso enganar-me talvez. Mas acho que vamos viver uma nova era de democracias mais autoritárias.

N.O – Você tem 84 anos. É célebre em todo o mundo. O que é que o leva a lutar por um mundo melhor?

J. Saramago – Milhões e milhões de pessoas têm o mesmo discurso que eu, se pudessem. Tão simples como isso. Se se puder dizer o que achamos o que é verdade, então não nos devemos calar. Trata-se de uma possibilidade extraordinária poder exprimir-me pela escrita. Poderia ficar na minha casa , com o meu prémio Nobel, cultivar o meu jardim, metafórico ou real. Mas não posso. Sou um simples cidadão que fala. Mas falar não é suficiente. Já se falou muito. Acho que é tempo de ladrar. De ladrar como os cães, tal como escrevo na epígrafe do meu livro. Com a minha fraca voz é aquilo que eu faço.

2.11.06

Apelo contra os liquidatários do vinho e da diversidade das vinhas


Eles querem transformar os nossos vinhos numa bebida industrial e estandardizada
Querem impor às vinhas e aos seus cultivadores o seu «modelo do produtivismo»

As aldeias, os terrenos, as paisagens, a história, as mulheres e os homens da vinha, os saberes acumulados, o saboroso vinho popular, as mil e uma cepas existentes no país, e as cinco mil variedades de vinho que existirão em todo o mundo, deverá toda essa riqueza desaparecer para ser substituída pela uniformidade e capacidade de reprodução?

A Confederação Camponesa (França) lança um apelo para uma grande campanha de mobilização geral para a rejeição da uniformização e estandardização dos vinhos e dos sabores.

Será que também nós iremos aceitar que toda a riqueza das cepas de vinho desapareça em proveito de uma insípida e uniforme bebida?

Ler o apelo:

1.11.06

A tropa é para os estúpidos


Piada anti-militarista ou como a tropa é para os estúpidos

John Kerry, senador democrata e ex-candidato presidencial dos Estados Unidos contou ontem em público uma piada anti-militarista.

Numa reunião com estudantes liceais na Califórnia Kerry, e a propósito do valor e da importância da educação para o futuro dos jovens, aconselhou-os a estudarem muito e a terem boas notas, sob pena de se assim não o fizerem irem parar ao Exército e serem enviados para o Iraque.
Textualmente foram estas as palavras de Kerry: «Se vocês estudarem muito, se fizerem os deveres e se esforçarem para serem espertos, vocês hão-de ter sucesso. Senão fizerem isso, vão acabar por irem para o Iraque.».

Bush e os seus apaniguados não demoraram a classificar os chistes de Kerry como um insulto ao Exército e às tropas norte-americanas, exigindo-lhe desculpas públicas.

Mas, John Kerry, que combateu na Guerra do Vietname, ao contrário de Bush, não se desfez e um pouco mais tarde numa conferência de imprensa, declarou:
«Quem deve pedir desculpa às nossas tropas é Bush e o vice-presidente Dick Cheney que enganaram a América e que lançaram o país numa guerra

Etelvina ( letra e voz de Sérgio Godinho)


Etelvina com seis meses já se tinha de pé
foi deixada num cinema depois da matinée
com um recado na lapela que dizia assim:
"Quem tomar conta de mim
quem tomar conta de mim
saiba que fui vacinada
saiba que sou malcriada"

Etelvina com dezasseis anos já conhecia
todos os reformatórios da terra onde vivia
entregaram-na a uma velha que ralhava assim:
"Ai menina sem juízo
nem mereces um sorriso
vais acabar num bueiro
sem futuro nem dinheiro"

Eu durmo sozinha à noite
vou dormir à beira rio à noite à noite
acocorada com o frio à noite à noite

Etelvina era da rua como outros são do campo
sua cama era um caixote sem paredes nem tampo
sua janela uma ponte que dizia assim:
"Dentro das minhas cidades
já não sei quem é ladrão
se um que anda fora das grades
se outro que está na prisão"

Etelvina só gostava era de andar pela cidade
a semear desacatos e a colher tempestade
a meter com os ricaços a dizer assim:
"Você que passa de carro
ferre aqui a ver se eu deixo
venha cá que eu já o agarro
dou-lhe um pontapé no queixo"

Eu durmo sozinha à noite ...

Etelvina já cansada de viver sem ninguém
a não ser de vez em quando amores de vai e vem
pôs um anúncio no jornal que dizia assim:
"Mulher desembaraçada
quer viver com alma irmã
de quem não seja criada
de quem não seja mamã"

Etelvina já sabia que não ia encontrar
nem um príncipe encantado nem um lobo do mar
só alguém com quem pudesse dizer assim:
"O amor já não é cego
abre os olhinhos à gente
faz lutar com mais apego
a quem quer vida diferente"

O seu homem encontrou-o à noite
a dormir à beira rio à noite à noite
acocorado com o frio à noite à noite

(Etelvina, letra e voz de Sérgio Godinho)

Grandes Portugueses(as) (1)


Ti' Helena, por Luciano Rodrigues.
Começamos hoje uma série interminável de nomes e fotos de grandes portugueses (as) que este blog irá divulgar ao longo dos próximos meses
Para início temos a Ti'Helena, na imagem de Luciano Rodrigues e que fomos buscar ao insónia, um blog de consulta imperdível.

31.10.06

Dar vida ao mundo rural

Reportagem na Serra de Montemuro

No interior do país, onde falta passar a carruagem da regionalização e a desertificação continua a notar-se, há quem contrarie o isolamento que os “muros” da interioridade teimam em impor.
John Mcadam, 53, americano de nascimento e, principalmente “revolucionário rural” - diz-nos o próprio num português fluente e matizado com um ligeiro sotaque inglês -, chegou há já 22 anos à aldeia de Mezio, rodeada pela serra de Montemuro, no concelho de Castro Daire. E, desde então, é um dos dinamizadores da vida local.
Começou por ser um projecto de desenvolvimento para aldeias montanhosas que trouxe este americano para cá, porém, as suas raízes aprofundaram-se na terra de Mezio com a iniciativa, juntamente com mais dois sócios, de criação de uma empresa local de plantas aromáticas e medicinais.


A hortelã comum, pimenta ou aquática, alecrim, alfazema, rosmaninho, carqueja, sabugueiro, perpétua-roxa e maravilhas são uma breve amostra da diversidade das plantas medicinais e aromáticas que podemos ver, tocar e cheirar na estufa localizada no ponto mais alto desta aldeia – Eira Velha, assim se chama a esse lugar.
Depois de se ver como se procede à reprodução das plantas na estufa, por meio do enraizamento de estacas e sementes, o conhecimento do cultivo é enriquecido com a visita aos 950 metros do campo de plantação, onde a vista é presenteada com um cocktail de cores, desde o roxo ao amarelo e com o verde sempre como pano de fundo, que pontilham a paisagem. É um itinerário que permite conhecer de perto as diferentes fases de trabalho precedentes à compra de um saco de chá.
Por detrás das estufas e dos campos de cultivo das plantas, está “uma combinação muito fértil de ideias com pessoas muito diferentes.”
De facto John Mcadam, formado em Psicologia, conta com uma vasta experiência de trabalho em projectos de desenvolvimento local desde os Estados Unidos da América, com as tribos de índios no Arizona, até à Índia. E, em 1984, parou em Portugal, onde desenvolveu durante 10 anos o Projecto de Desenvolvimento Integrado de Montemuro, no âmbito do Instituto de Assuntos Culturais, associação internacional de apoio a zonas montanhosas, com sede em Bruxelas. Os restantes sócios são dois irmãos, filhos da terra, Delfim, 40, e Joaquim Morgado, 41, respectivamente, um doutorado em Filosofia e o outro é engenheiro agrónomo.
Colocar uma aldeia nos itinerários da investigação e formação em agricultura biológica é um feito que estes três habitantes de Mezio já conseguiram com o seu projecto, iniciado em 1995, de produção, embalamento e venda de plantas medicinais e aromáticas. Para isso contribuíram “os vários projectos agro para fazer campos de experimentação e demonstração para experimentar as plantas silvestres que estão em vias de extinção e tentar adaptá-las para a agricultura. Estes projectos contaram com a parceria do Banco Português do GermoPlasma Vegetal, em Braga, do Ministério da Agricultura da Beira Litoral, em Coimbra e da Universidade do Minho”, explica Mcadam.
Por outro lado, também orientam visitas guiadas de grupos académicos ou pessoas individuais. Nesse sentido, “tanto as universidades como o Ministério da Agricultura, organizam cursos de dois ou três meses e encaminham visitas de estudo para aqui. E, também, recebemos estagiários”, acrescenta Mcadam.





Um saber antigo

O uso das plantas no tratamento e prevenção de doenças é um conhecimento muito antigo que tem acompanhado o Homem de geração em geração.
Esse facto pode ser comprovado no museu da Associação Etnográfica e Social de Montemuro - desenvolve uma cooperativa de artesãos e um restaurante de cozinha típica, cujo prato principal é o famoso “arroz de feijão com salpicão cozido”-, onde estiveram “desde o início expostas as plantas, porque as pessoas não iam ao médico. Conforme os sintomas que sentiam, assim se medicavam com ervas existentes na localidade”, esclarece Dolores Jesus, 77, professora reformada com 36 anos de ensino básico, presidente e fundadora da Associação Etnográfica de Montemuro que assinalou este ano outros 25 de actividade “na recolha, preservação e divulgação da cultura popular desta região.”
Por mera coincidência ou não, esta empresa nasceu num lugar que é considerado o centro de produção de plantas medicinais para o país. Sublinha Mcadam: “Nós não sabíamos, mas quando começámos havia jeiras de carqueja, porque a fonte desta planta para o país inteiro é aqui, em Montemuro.”
A procura crescente de plantas medicinais e produtos com certificação biológica é já um dado adquirido tanto no mercado nacional como internacional. “Cada vez mais pessoas procuram este tipo de produtos ou para a saúde ou para o gosto dos sabores. Vimos através dos meus contactos profissionais que era uma pequena onda que parecia que ia crescer. E nós quisemos captar essa onda e parece que apostámos bem”, verifica Mcadam.

Desafios a vencer

Se, por um lado, a falta de água e as ameaças dos incêndios no Verão são dificuldades inerentes ao contexto geográfico, já no que toca às exigências da certificação biológica o que está em causa é o cumprimento de uma série de requisitos qua garantam a qualidade ecológica do produto final.
Desde a plantação até ao embalamento, uma das fases de permeio é a esterilização que segundo a explicação de Mcadam é conseguida por meio “do sistema de refrigeração que congela as plantas depois de estarem secas.” E compara que “outras empresas que não são certificadas podem usar processos químicos como herbicidas, por exemplo, ou esterilizações por radiações.”
A estes desafios, acrescenta-se o de não deixar morrer a aldeia. Desafio este que parece estar a ser ganho, pois, “as pessoas estão a construir casas e a criar famílias aqui”, segundo observa Mcadam.
E olhando para trás até consegue ver diferenças na economia e organização social locais: “Quando cheguei, há 20 anos atrás, era uma economia de subsistência, a maioria das famílias trabalhava na agricultura. E, agora, Mezio mudou para ser um subúrbio no meio rural. As mulheres e os filhos vivem aqui e o homem trabalha fora e vai e vem todos os dias ou cada semana ou mês, às vezes seis meses. É muito variado: alguns trabalham em Porto, Lisboa ou Suíça e têm a família e a casa aqui. Por isso, eu chamo subúrbio em meio rural.”
Nuno Gaspar, 21, morador em Mezio, estudante de Engenharia Informática, em Viseu, é um dos 521 habitantes de Mezio e reconhece que “todas estas iniciativas de criação de empresas, especialmente das que trabalham na base de aldeia são importantes, porque desenvolvem e demonstram a terra e o que se pode fazer nela.”
Conciliar o desenvolvimento com a preservação do património natural e cultural é tanto possível como desejável. Mcadam comprova, baseando-se nos seus 22 anos de vivência rurais: “Uma parte mudou muito, mas a outra parte, mais interior, não mudou nada. Na parte cultural, eles têm as mesmas crenças, os mesmos valores sociais e culturais que tinham as pessoas quando vim para cá. Acho muito interessante ver como é que eles podem modernizar, mas com o centro não deteriorado com hábitos novos. É interessante!”



Texto de autoria de Fátima Santos, a quem agradecemos de o ter cedido para ser publicado e divulgado aqui.

30.10.06

José Couso: um crime de guerra

Conferências com
JAVIER COUSO



Dia 2 de Novembro 21:00 h
Porto na Casa Viva 167 (Pç. Marquês de Pombal, 167)
com o apoio: Espaço Musas; CasaViva167, Tribunal Internacional do Iraque –Porto.



Dia 3 de Novembro (21.30)
Lisboa na BOESG (Rua das Janelas Verdes 13 1º Esq)
com o apoio do Centro de Cultura Libertária e da BOESG



Dia 4 de Novembro (17.30)
Aljustrel no Clube Aljustrelense
com o apoio do Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia


Conferência acerca do assassinato pelo exército norte-americano do repórter de imagem José Couso em 2003 e da ocupação do Iraque.

O caso judicial encontra-se presentemente no Tribunal Supremo Espanhol após a queixa-crime que dera origem a um mandato de “Busca e Captura Internacional por Crimes de Guerra” contra os autores materiais do assassinato (a primeira na história contra militares norte-americanos), ter sido arquivada num claro aviso da Audiência Nacional Espanhola à navegação para que se calem os jornalistas que são os nossos ouvidos e os nossos olhos…



Acerca de JAVIER COUSO PERMUY, nascido em Ferrol (Corunha) a 8-11-1968.

Irmão de José Couso, repórter de imagem da Tele5 assassinado pelo Exército dos Estados Unidos de América, em Bagdad a 8 de Abril de 2003.

A partir da morte de José e com outras pessoas cria a associação Hermanos, Amigos y Compañeros de José Couso (HAC-José Couso), que desenvolve uma incessante actividade com vista a exigir uma investigação e justiça, tanto para o assassinato de José como dos outros três companheiros mortos no mesmo dia, ao serem atacadas todas as sedes informativas independentes estacionadas em Bagdad.

Viajou duas vezes ao Iraque ocupado, a primeira com o objectivo de denunciar e homenagear José no mesmo lugar do seu assassinato e agradecer o trabalho dos serviços de saúde pública daquele pais no esforço generoso em salvar a sua vida. A segunda como integrante da Delegação Espanhola que no âmbito da Campanha de Emergência Sanitária pôs em marcha a CEOSI (Campanha Estatal contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque). Uma semana na qual se estabeleceram contactos com um amplo espectro de organizações, civis e políticas do campo anti ocupação. Esta delegação, foi a primeira que consegui entrar em Faluja depois da devastação causada pelo ataque criminoso de Novembro de 2004 por parte das forças militares norte-americanas, constatando tanto os crimes de guerra cometidos como o uso de armamento proibido por as diversas Convenções Internacionais que conformam o Direito Internacional Humanitário.

Tem participado deste modo em dezenas de conferencias no seu país e em diversos eventos internacionais (Argentina, Cuba, Bélgica, Estados Unidos, Palestina, Venezuela, Parlamento Europeu…) tornando público a análise dos factos sucedidos no dia 8 de Abril em Bagdad, inseridos dentro do controlo informativo da ocupação do Iraque, país no qual se tem conseguido bloquear e controlar praticamente todas as fontes informativas independentes.

Que sirva como exemplo que nestes três anos e meio de ocupação foram assassinados mais de 100 jornalistas independentes.

Toda a informação em:

http://www.josecouso.info/

http://www.goncalvescorreia.blogspot.com/

29.10.06

Os milieux libres («os círculos ou meios livres») na Belle-époque



Os milieux libres («círculos ou meios livres») na Belle-epoque ou viver como um anarquista

Conferência a 4 de Novembro às 17 h. no CIRA (3, rue Saint-Dominique 13001 Marseille - angle Place des Capucines) de Céline Beaudet, autora do livro «Les milieux libres anarchistes en France au début du 20ème siècle), éditions Libetaires, 2006


A época que habitualmente é designada por Belle-époque é vista por quase todos como a «época de ouro» do anarquismo. Normalmente trata-se de um momento histórico que geralmente é associado ao anarco-sindicalismo. A verdade, porém, é que no anarquismo francês se podem distinguir duas correntes muitos demarcadas. Uma delas, talvez mais «oficial», a que é incomparavelmente mais conhecida na História, é constituída pelos teóricos e pelos sindicalistas.
Mas existe uma outra, frequentemente negligenciada, mas que não é menos importante do que a primeira, e que teve as suas práticas, jornais e adeptos próprios, e que exerceu uma influencia nada desprezível na maneira de pensar e na forma de se conduzir dos meios e dos círculos anarquistas. Falámos da corrente do anarquismo individualista. Anarquistas que colocam o indivíduo, a sua autonomia, a sua liberdade no coração das suas reflexões e preocupações.
Não faltam discussões entre os que pretendem que sem revolução não pode haver emancipação e aqueles outros para quem uma hipotética revolução não modificará nada, caso os indivíduos, eles mesmos, não mudarem. Para os anarco-individualistas a educação é pois algo de muito primordial. Mais ainda: eles consideram que é preciso viver, desde já, de acordo com as ideias que se defende, ou seja, viver a sua revolta e a emancipação social e individual no próprio quotidiano, sem estar à espera da «Grande Noite» da Revolução.
É no seguimento destas ideias que surgem os assim designados «milieux libres» ( meios livres), meios ou círculos onde se praticava uma vida em comum e que visavam garantir a cada um dos seus elementos libertarem-se do salariato, do patriarcado e da família, etc. Os meios livres eram formados entre 5 a 20 pessoas que se empenhavam em vivem juntos de um outro modo, distinto do que era seguido pela sociedade em geral.. Em França existiram um dezena de experiências e que envolveram algumas centenas de elementos ( homens, mulheres e crianças), para além de diversos jornais como Le Libertaire, L’Anarchie e ainda L’Ère Nouvelle. Todas essas experiências reflectem variadas ideias e práticas que testemunham esse desejo de «viver como anarquista»: educação libertária, camaradagem amorosa, redução de bens supérfluos , agricultura, artesanato, vegetarianismo, ilegalismo, propaganda pela acção e pelo texto escrito, etc, etc. Tudo isso com alicerçado numa firme vontade de viver de modo independente (face ao salariato e ao Estado), e num grande empenhamento na educação permanente ( liquidando a autoridade interiorizada…), nunca deixando de realizar a divulgação das ideias e do ideário anarquista de forma que se considerasse mais eficaz.

Para mais informações sobre os «milieux libres» consultar o livro de Céline Beaudet «Les milieux libres anarchistes en France au début du 20ème siècle), éditions Libertaires, 2006

http://www.editionslibertaires.org/

http://cira.marseille.free.fr/


CENTRE INTERNATIONAL DE RECHERCHES SUR L'ANARCHISME.
BP 20040, 13381
Marseillecedex 13.
Permanences du lundi au vendredi de 15 h à 18 h 30 avec une prolongation le mardijusqu’à 21 h
au 3 rue Saint-Dominique,13001 Marseille.
Courriel : cira.marseille(a)free.fr

Expériences de vie communautaire anarchiste en France
Le milieu libre de vaux (Aisne) 1902-1907
et la colonie naturiste et végétaliennede bascon (Aisne) 1911-1951
Autor do livro: Tony Legendre

Georges Brassens, cantor e poeta anarquista



Quando há festa nacional
Eu deixo-me ficar na cama
Porque a música militar
Nunca me fez levantar

Hoje passam 25 anos que morria George Brassens, cantor anarquista francês, pacifista e nome grande na poesia e na música francesa.

Para quem quiser ouvi-lo e conhecer o homem, o poeta e o cantor, consultar

http:/ /www.georges-brassens.com/

Campanha da Amnistia Internacional pela liberdade de expressão na Internet



Amnistia Internacional acabou de lançar uma campanha mundial a favor da liberdade de expressão na Internet e contra a censura que vários governos têm exercido sobre os blogues e, especialmente, as perseguições de que são alvo os seus responsáveis.
Amnistia Internacional denuncia ainda as grandes empresas de fornecimento de serviços da Internet, como a Yahoo, o Google, a Microsoft por terem fornecido aos governos informações sobre os utentes dos seus serviços.
Esta campanha mundial é lançada poucos dias antes do início do Fórum sobre o Governo da Internet que começará amanhã na Grécia.

A Amnistia Internacional apela a todos os bloggers para que sabotem tanto quanto possível qualquer tipo de censura e para isso pedem para que seja publicado todo e qualquer material que tenha sido censurado de forma a criar-se uma dinâmica rede de protesto.

Encontra-se também para subscrição mundial uma petição oriunda da Amnistia Internacional a exigir garantias junto dos Governos para que a Internet seja sempre um espaço de liberdade de expressão.

Ver:

28.10.06

Apelo para bloquear e atacar o capitalismo


O ciclo das últimas contra-cimeiras mostrou que nós ganhámos quando inventamos uma nova táctica em vez de procurarmos reproduzir as rituais confrontações do costume. No ano de 1999 em Seattle os capitalistas não esperavam uma tão larga mobilização para neutralizar as suas reuniões. No ano de 2001 em Génova, eles esperavam que as nossas acções se concentrassem na zona vermelha, e foi por isso que nos batemos fora desse perímetro. Na reunião do G8 em 2003, as ruas comerciais de Genebra foram iluminadas graças a um blitz nocturno em que ninguém foi detido graças ao efeito surpresa de que beneficiamos. Desde Génova que temos tido poucas vitórias e tal deve-se ao facto de andarmos a tentar repetir Génova. Mas a polícia, entretanto, organizou-se para o impedir. Salónica (Grécia), São Petersburgo, Gleneagles e outras contra-cimeiras foram outras tantos fracassos para quem quer sabotar o capital uma vez que mais não se fez do que repetir o espectáculo anterior. Apesar de tudo, esses acontecimentos foram ocasiões para nos encontrarmos e renovar os laços entre pessoas e grupos.

No fundo a questão é: quem bloqueia quem? Se organizarmos uma grande mobilização num só local a estratégia do Estado-capital é mais que previsível. Eles irão mobilizar também todas as suas forças. E é da natureza própria do capital terem mais meios do que nós. Depois há ainda que referir que as condições de luta política mudaram nos últimos anos; em certas circunstâncias, a sabotagem nocturna tornou-se menos arriscada que a manifestação de rua. O terrorismo é o novo espectáculo do capital, a moeda de troca em que se tornou o medo serve para fazer leis contra nós, para nos dividir e nos prender. Ao mobilizarmo-nos num só local mais não fazemos que facilitar o trabalho deles, pois podem-nos assim apontar em bloco. Lutar contra o capital, nos nossos dias, significa bloquear a economia. Os insurgentes, os piqueteros argentinos, o movimento contra a CPE em França têm de comum o facto de atacarem com todos os seus meios a circulação capital. É por isso que dizemos que ao bloquear a economia com um ataque concertado às infra-estruturas e aos fluxos mercantis no mundo nós podemos esboçar aquilo que seria uma insurreição. Fazem-se frequentemente críticas às contra-cimeiras por estas se terem tornado um espectáculo. Mas isso é desconhecer as potencialidades dos encontros, dos laços, a inspiração para novas lutas que despertam nessas ocasiões. Pensamos que este poder de convergência não se deve perder, mas importa concentrarmo-nos na conspiração, na partilha e no saber-fazer. Por outras palavras, propomos a dissociação entre concentração e acção. Lançamos este desafio porque não é de todo aconselhável discutir estas questões sob pressão policial que inevitavelmente existe após as acções de protesto. E depois sempre é mais fácil agir quando não se está sob o seu olhar. Na verdade, é do maior interesse reunirmo-nos e trocar ideias antes e depois das cimeiras. E tudo de forma descentralizada. Temos necessidade de elaborar um conjunto de estratégias, pois se estamos convencidos que é imperioso levar a cabo uma série de sabotagens em todo o mundo, não é menos importante perspectivar teoricamente tudo isso, ou seja, fazer as coisas de maneira a não fornecermos informações suplementares à vigilância policial.
Propomos assim para a contra-cimeira de 2007 na Alemanha que as grandes concentrações sejam votada elaboração estratégica, à organização de uma campanha de acções coordenadas, e à análise dos resultados. O alvo não deve ser Heiligendamm mas a economia global. Propomos que as grandes concentrações internacionais se realizem antes e após os dias de acção contra o G8. Teremos assim tempo e espaço para conspirar e inspirarmo-nos mutuamente sem dar o flanco a uma repressão massiva. Apelamos a cada um para agir por sua iniciativa pelo mundo inteiro, durante os dias de realização da cimeira (6,7, e 8 de Junho de 2007) com o objectivo comum de paralisar a economia mundial. Apelamos para que esta ideias seja discutida em todas as reuniões de preparação para a contra-cimeira.
Esta proposta não é dirigida contra as acções públicas mas sim contra a sua concentração num só local, por ocasião da reunião do G8. As acções simbólicas têm sempre uma utilidade, ainda que o capital esteja em guerra não de forma simbólica. Os nossos únicos limites são as nossa imaginação.

O colectivo do 22 de Outubro

(tradução de um texto que circula há alguns dias entre os activistas que se preparam para a realização de uma contra-cimeira em Heiligendamm, Alemanha, em Junho de 2007. Uma proposta para a renovação de estratégias também apareceu no Indymedia UK)

Lágrima de preta

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão, Máquina de Fogo (1961)

Entrevista com António Pedro Ribeiro


Por vezes, ao observarmos uma fotografia antiga de Oscar Wilde, de Ernest Hemingway ou um qualquer outro mestre da literatura, somos invadidos por uma vaga de nostalgia; a da figura romântica do escritor, despreocupado pelos pormenores secundários de uma vida passada nas boémias tertúlias de café, por entre o tabaco, o ópio e o álcool, em viagem recreativa por entre as paisagens paradisíacas de países estrangeiros ou em comunhão telúrica com a terra em qualquer esconderijo pessoal no meio da Natureza
Quem nunca teve um secreto ensejo de ser um Fernando Pessoa a escrever na esplanada d’A Brasileira, um Sebastião da Gama a colocar por palavras a beleza da Serra da Arrábida ou um Almeida Garrett a inspirar-se nas paisagens verdejantes do Douro, que atire a primeira pedra.
Claro que estou a exagerar, esta é apenas uma visão romântica do escritor. No entanto, é uma imagem que já não colamos aos autores contemporâneos. A culpa é da sociedade moderna e de conceitos como o capitalismo ou a globalização. Actualmente, existem demasiadas coisas com que nos preocuparmos, demasiada informação para assimilarmos e bastante pouco tempo livre para desfrutarmos.
O poeta portuense António Pedro Ribeiro parece não querer acreditar nisso e poderá vir a ser o último poeta romântico português. Isto apesar de “Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro e Outras Pérolas – Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário”, o livro que acaba de editar pela Objecto Cardíaco, ser uma obra política, irónica, satírica e algo surrealista, directa e quase panfletária.
Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro…” é ainda uma obra influenciada pelos situacionistas, que não se furta a utilizar a técnica da colagem, ao utitilizar machetes ou excertos de notícias da comunicação social escrita misturadas com palavras suas.
A Rua de Baixo decidiu dar a conhecer um pouco mais sobre o poeta (e músico) António Pedro Ribeiro, que fez furor na recente edição do festival Paredes de Coura com as suas declamações. Foi sobre isto, sobre o seu inusitado amor pelo primeiro-ministro, sobre os The Doors e sobre muitas outras coisas que conversámos. Para conferir nas linhas seguintes.

Confessou-se apaixonado pelo primeiro-ministro. Pelo actual em particular?

A "Declaração de Amor…" não se aplica só a um primeiro-ministro, aplica-se a todos os poderes que estão podres, como dizem os surrealistas, os situacionistas, os anarquistas e outros esquerdistas. É claro que José Sócrates merece uma menção especial pela sua postura mecânica, robótica, arrogante e intolerante. Julga-se um super-homem, um homem-providência, cheio de rigor e competência como Salazar, mas é uma grande treta. Aliás, tal como a maior parte dos dirigentes dos partidos portugueses. Além disso, faz o jogo do imperialismo e do capitalismo mundial. Nada faz para combater a pobreza ou o desemprego. Os únicos primeiros-ministros portugueses que estimo são Afonso Costa, Vasco Gonçalves e Maria de Lourdes Pintassilgo.

Depois de algumas edições de autor, “Declaração De Amor Ao Primeiro-Ministro…” é o seu primeiro livro publicado por uma editora. Como surgiu o encontro com a Objecto Cardíaco?

A “Declaração de Amor" não é o primeiro livro publicado por uma editora. Em 2001 publiquei "À Mesa do Homem Só. Estórias" através da Silêncio da Gaveta, uma pequena editora sedeada em Vila do Conde e na Póvoa de Varzim, dirigida pelo João Rios e pelo José Peixoto. Ainda assim, em Maio desse ano, surgiu uma boa crítica na revista do "Diário de Notícias" [DNA] que já falava numa certa "descida aos infernos do álcool", só que como nem eu nem a editora éramos conhecidos, a coisa caiu no esquecimento. Eu e o Valter Hugo Mãe, da Objecto Cardíaco, já nos conhecíamos das andanças dos bares e da poesia. Contudo, no ano passado o Valter ouviu-me recitar no café Pátio, em Vila do Conde, o "Poema do Défice" e o texto "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro". Perguntou-me se eu tinha mais coisas do género e eu disse que tinha quatro ou cinco coisas antigas e inéditas. Depois, de Julho a Setembro, escrevi o resto, até porque encontrei na casa da minha avó em Braga uma antologia do surrealismo francês e a "Arte de Viver para a Geração Nova" do situacionista Vaneigem. Foi mais uma volta à cabeça. O livro, no fundo, é um manifesto surrealista situacionista libertário em linguagem poética.

É o A. Pedro Ribeiro um autor exclusivamente político, de intervenção, ou o seu próximo livro poderá muito bem ser sobre outra coisa qualquer?

Não me considero um autor exclusivamente político. Até porque, na senda de Breton, a política não existe separada da vida. O amor, o sexo, a liberdade e a revolução são todas uma coisa só que as máquinas castradoras do sistema sempre tentaram dividir. Mas, ao fim e ao cabo, felizmente nunca o conseguiram no que respeita a alguns homens e mulheres. Nietzsche fala no espírito livre e em Dionisos e eu acredito.
Eu tenho um livro para sair há um ano chamado "Saloon", através das Edições Mortas. O problema é que o editor - António Oliveira, mentor da livraria "Pulga" no Porto - anda teso e eu também. Esse livro é diferente. Tem a ver com a atmosfera dos bares, com as mulheres que estão do lado de cá e de lá, com o sexo que espreita mas raramente vem, com o engate, com as mulheres que amamos e com as outras que passam, com a noite e com os copos até cair, com o pistoleiro que entra no saloon a gingar e que assusta toda a gente, ou então é ostracizado. O meu próximo livro talvez se chame "Um Poeta a Mijar" e terá talvez duas partes ou dois livros: uma das partes vai ser estilo Dada e humorística com textos já conhecidos mas nunca editados em livro, como "Borboletas", "Futebol Dada" ou "Mamas2". A segunda parte ou livro poderá conter as tais iluminações, delírios ou alucinações - a fronteira é ténue -, estilo "Eu vi a morte nos olhos de Deus", os tais textos que não sabemos de onde vêm. Contudo, não deixarei nunca de tomar posições políticas, talvez até funde uma coisa nova, mas não um partido, não suporto mais ver a coisa dividida entre dirigentes e dirigidos.

Não teme que não o levem a sério?
Eu já fiz muitos disparates. Mas se não tivesse feito alguns deles teria apodrecido de tédio ou de depressão. Mesmo quando estou a brincar ou com os copos, penso que as pessoas inteligentes entendem que já escolhi o meu lado da barricada. Há quem me ame e quem me odeie. Isso é natural quando dizemos ou cantamos determinados textos ou tomamos determinadas posições. É claro que custa não reagir às provocações quando insultam aqueles que amamos.

Sente-se um “poeta maldito”, como o eram Rimbaud, Baudelaire ou Sade?

Não me coloco ao nível de Rimbaud, Baudelaire ou Sade. No entanto, tenho a certeza que sou deles, que venho dessa linha de malditos onde incluo também Blake, Lautreamont, Jim Morrison, Nietzsche, Henry Miller, Bob Dylan, Allen Gingsberg, Péret e tantos outros. Não nasci para os empregos das 9 às 5 - dou-me mal neles, a rotina mata-me. Léo Ferré disse que o artista aprende a profissão no inferno. Eu vou lá muitas vezes e gosto, porque o céu, muitas vezes, é uma seca, com todos aos beijinhos, aos abracinhos, aos boatos, aos mexericos, às panelinhas e eu detesto. Serei um poeta maldito, mas isso não significa que não ame a Humanidade, as mulheres bonitas, o sol, as crianças. Esta merda que nos querem impingir é que eu não aceito. De qualquer modo, não sou, não quero ser, o versejador da corte.

São eles as suas referências ou existem outros?

Antes de falar em mais artistas queria elogiar todas as mulheres bonitas que amei e continuo a amar (mesmo quando nos chateiam a cabeça...). O meu amigo António Manuel Ribeiro, dos UHF, dizia que "a mulher é fundamental para o homem na sua criatividade". Além do mais, tudo quanto nos rodeia, tudo quanto nos vem à cabeça, são referências. Posso também falar de Salvador Dali, Mário de Sá-Carneiro, Pessoa, Herberto, Cesariny, António José Forte, Led Zeppelin, Deep Purple, Breton, Artaud, Monty Phyton, Lucky Luke, Obélix, Eurípedes, Dioniso, Afrodite, Sócrates (o filósofo), Agostinho da Silva, Jack London, Henry Miller, Jack Kerouac, Platão, Marx, Bakunine, Rosa Luxemburgo, Hugo Chavez, Trotsky, Proudhon, Pasolini, Fellini, João César Monteiro, Marlon Brando, Bárbara Guimarães, Merche Romero, Minka, Sharon Stone, Kim Basinger, Pamela Anderson, Zapata, Pancho Villa, Marcos e Che Guevara. E tantos outros e outras...

O A. Pedro Ribeiro foi um dos grandes destaques das sessões de leituras realizadas este ano no festival Paredes de Coura, promovidas pela Objecto Cardíaco. Sentiu-se como uma estrela de música?

Essa coisa da estrela do rock n' roll... da fama... é muito perigosa. Já me aconteceu antes por motivos políticos enquanto candidato do PSR, do Bloco ou à presidência da República. Os gajos põem-nos nos píncaros e depois, no fim, dão-nos porrada. Todos nos vêm cumprimentar, somos os maiores, mas passado um mês ou dois tudo se esquece no altar do tédio e da rotina. É uma ilusão. É claro que eu sempre tive a noção de que esta é uma sociedade de imagens. Mesmo quando cantava numa banda chamada "Ébrios" em Braga em 1990 e fui acusado de mandar fechar o hipermercado Feira Nova com um bando de guerrilheiros imaginários. Delírios, né? Às vezes temos de utilizar os "media" a nosso favor, sem os desprezar como fazem alguns dos meus camaradas anarquistas. Não nos podemos fechar num "ghetto" elitista, onde somos os detentores da verdade. O Rui Reininho fala em "subir ao povo". Agora só me falta que o povo suba até mim... a coisa tem de ter uma sequência, senão torna-se uma viagem sem regresso. De qualquer modo, se vier a ser uma estrela (se não for preso ou internado antes...) acho que me vou retirar para o deserto ou para a montanha, para um sítio onde ninguém me conheça, ou então... talvez vá ter com os meus camaradas revolucionários da América Latina.

Ainda Paredes de Coura: um dos poemas que declamou foi «When The Music’s Over», de Jim Morisson. Porquê essa escolha?

Aos 16/17 anos, um amigo do Liceu Sá de Miranda, em Braga, – o Jorge Pereira – emprestou-me o disco "Strange Days" dos Doors, banda que eu só conhecia muito vagamente. À primeira audição estranhei. À segunda, sobretudo quando ouvi a canção «When The Music's Over» parecia que o mundo recomeçava ali. Eu já percebia as letras críticas do Roger Waters, dos Pink Floyd, mas ali foi uma porta que se abriu, uma luz que veio ter comigo e nunca mais foi embora. "We want the world and we want it...Now!", gritou o Jim Morrison e todos os sinos, todas as missas, todas as convenções, todas as ilusões, todas as falsas convicções, todas as aparências, todas as conveniências, todas as normas, todas as infâncias acabaram ali, naquele momento. E depois veio o "The End" e o "Apocalipse Now" do Coppola com o Marlon Brando no papel de xamã, como o Jim era. E, a partir daí, tive de ir sempre atrás da loucura... até hoje.

A música é também um dos seus prazeres? Houve algum grupo que tivesse gostado particularmente de ver em Paredes de Coura?

"Music is your only friend", canta outra vez o Jim. A música sempre foi fundamental na minha escrita e na minha alma. Lembro-me do "boom" do rock português em 80/81 com os «Cavalos de Corrida» dos UHF, o «Chico Fininho» do Rui Veloso, a «Chiclete» dos Táxi, os Jafumega. Mais tarde, os Xutos, os GNR, os Mão Morta. E depois, claro, os Pink Floyd, os Doors, os Velvet Underground, a Nico e o Lou Reed, os Bauhaus, os Joy Division, os Led Zeppelin, os Rolling Stones, a Patti Smith, os Who, o Freddy Mercury, o John Lennon e o Bob Dylan. Ultimamente, ando mais virado para o punk (Clash, Sex Pistols), porque a linguagem directa do punk é a que melhor se aplica a estes dias de tédio e imbecilidade militante, e também para os blues – B.B.King, Muddy Waters, John Lee Hooker –, mas continuo a ouvir o José Mário Branco, o Zeca Afonso, o Fausto e o Pedro Barroso.
Em Paredes de Coura adorei os Panico, os Yeah, Yeah, Yeah, os Cramps e os Bauhaus – embora tivesse gostado mais deles no Coliseu em 99, estavam mais "iluminados". A minha maneira de escrever sempre foi muito musical, muito rítmica. As letras que escrevo para a minha banda – Mana Calórica & Las Tequillas, que inclui o Rui Costa (guitarra), o Henrique Monteiro (guitarra), a Betânia Loureiro (baixo) e o Hélder Sottomayor (bateria) –, reflectem isso mesmo e são cada vez mais directas.

E quanto ao futuro, pode-nos adiantar algo sobre o seu próximo livro, ou sobre os seus planos para o futuro próximo?

De futuro espero estar vivo e inteiro, com ou sem as mulheres que amo, fazer concertos e performances com a Mana por todo o país e pelo estrangeiro e viver disso. Conto também escrever mais livros/fanzines "underground" como o "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004) e participar activamente na revolução mundial.

Para além deste “Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro e Outras Pérolas – Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário”, editado pela Objecto Cardíaco (www.objectocardiaco.pt), o António Pedro Ribeiro pode ainda ser lido no seu blogue pessoal, o “Trip Na Arcada” (www.tripnaarcada.blogspot.com).

Entrevista retirada de:
http://www.ruadebaixo.com/

Trabalhadores do sexo uni-vos! Organização Laboral na Indústria do Sexo


Já está nos escaparates das livrarias o livro da antropóloga portuguesa Ana Lopes, natural da cidade do Porto, com o título «Trabalhadores do sexo uni-vos! Organização Laboral na Indústria do Sexo», da Ana Lopes.» que reproduz a sua tese de mestrado na University of East London na Inglaterra, onde exerceu uma profissão ligada à indústria do sexo britânica, e onde promoveu e fundou o Sindicato Internacional dos Trabalhadores do sexo (Internacional Union of Sex Workers).
Sobre este sindicato, diz Ana Lopes:
"Desde 2002, ano em que oficializámos o sindicato, conquistámos alguns dos objectivos que estabelecemos no início: Defendemos trabalhadores quando os seus direitos foram violados, resolvemos problemas pontuais e conseguimos ser a voz organizadora dos trabalhadores do sexo."

Recorrendo a técnicas como a investigação-acção e a etnografia, o estudo apresenta uma análise do debate feminista sobre o trabalho e a indústria do sexo e defende a aceitação do trabalho do sexo como um trabalho legítimo, a descriminalização da prostituição e a atribuição de direitos laborais a todos aqueles que trabalham na indústria do sexo.
Ana Lopes defende que as pessoas que estão na indústria do sexo contrariadas «devem ter liberdade de abandonar o meio, enquanto as que aí permanecem por sua iniciativa, devem ver os seus direitos reconhecidos, em lugar de serem tratadas como párias».
«Trabalhadores do Sexo, Uni-vos!» analisa os fenómenos da prostituição e do tráfico de pessoas e debate as políticas públicas e as mudanças legislativas nestas áreas que estão em curso em vários países europeus.
O livro relata a luta que permitiu aos profissionais do sexo alcançarem a sindicalização oficial no Reino Unido e coloca questões sobre o movimento internacional de trabalhadores deste sector.
Ana Lopes nasceu no Porto há 30 anos, viveu dez anos em Inglaterra e doutorou-se na University of East London, onde Chris Wright, especialista em estudos culturais daquele estabelecimento de ensino, a considerou «a mais brilhante aluna de sempre da instituição», segundo a Dom Quixote.
Activista pelos direitos dos trabalhadores do sexo, é reconhecida internacionalmente como especialista em assuntos relacionados com as indústrias sexuais e secretária-geral do sindicato britânico International Union of Sex Workers.
O livro "Trabalhadores do Sexo - Uni-vos!" vai ser lançado em Lisboa no próximo dia 4 de Novembro.

http://www.iusw.org/

26.10.06

Técnicas de manipulação das percepções (ou como enganar as pessoas) em tempo de guerra global


Existem todo um conjunto de técnicas designadas de «perception management» e que não têm outro objectivo que não seja enganar as pessoas.

Indicamos alguns exemplos a propósito da propaganda suja em tempo de Guerra ( do Iraque, mas que poderia ser em qualquer outra guerra):

- ocultar os cadáveres, de forma a torná-los invisíveis

- silenciar as mortes dos soldados como resultado de fogo amigo

- encobrir as violações de soldados por parte dos próprios soldados

-exonerar de responsabilidade os criminosos de guerra ou investigá-los tão lentamente que as pessoas acabem por os esquecer

- enviar centenas de cartas à imprensa a dizer mentiras, fazendo-se passar por pessoas diferentes, o que permite criar a ilusão de que se trata de «grassroots», quando na verdade não passa de um truque de desinformação governamental («False flag»)

-inventar histórias totalmente falsas sobre o seu inimigo

- mentir descaradamente sobre o seu inimigo

- mentir sistematicamente de tal modo que a imprensa nem sequer tenha tempo para averiguar a veracidade das notícias

- não comentar e nada fazer mesmo depois de que as histórias difundidas tenham caído em descrédito

-usar a mesma mensagem, mas transmiti-la por intermédio de várias pessoas, mas repetindo-a sempre

- criar falsas associações – como por exemplo, Iraque e terrorismo – e repeti-las até à exaustão

- difamar os seus inimigos reiteradamente – dizer deles, por exemplo, que são terroristas, apesar de se saber que o não são, ou qualificá-los de «agressores», quando eles não fazem mais do que defenderem-se dos ataques perpetrados pelos difamadores

- repetir mentiras, ainda que com ligeiras alterações

- intimidar imprensa: caso os jornais e os outros órgãos de comunicação social não publiquem as tuas atoardas, taxá-los de imediato de «anti-americanismo»

- pagar para que a imprensa publique as mentiras