13.11.05

Apostasia colectiva em Sevilha


No passado Sábado 8 de Outubro cerca de 200 pessoas reuniram-se na Alameda de Hércules em Sevilha, de onde partiram em direcção ao Palácio arcebispal a fim de aí entregar uma 140 petições de apostasia.
Sob o lema «Apaga y vámonos» a assembleia Pró-Apostasia APAGA convocou esta saída colectiva da Igreja Católica na qual estive presente um conjunto muito heterogéneo de pessoas que partilhavam todas a mesma vontade festiva de abandonar voluntariamente a Igreja
Em frente ao Palácio de las Sirenas, local da convocatória, foi montada uma mesa informativa de como realizar uma apostasia, assim como forma distribuídos formulários, guias e folhetos. Não faltaram também adereços elegantes e foi possível observar como as pessoas vinham festivamente vestidas para um momento tão especial como é o acto da sua apostasia.
O cortejo dos apóstatas decorreu com música e canções num ambiente convivial de grande alegria. A dado passo um grupo de fascistas começou a lançar insultos e provocações aos quais respondemos com canções sobre a liberdade cantadas em uníssono.
À chegada ao Palácio Arcebispal uma comissão representativa do cortejo apóstata entregou os requerimentos de apostasia a um elemento da Viçaria, tendo-se solicitado às pessoas para contactarem com a APAGA caso o Bispado não desse resposta aos seus requerimentos no prazo de algumas semanas.
O acto foi noticiado favoravelmente por alguns meios de informação local, com algumas excepções, mais que previsíveis. De forma geral, o acto de apostasia colectiva teve um bom acolhimento junto da população, tendo valido a pena a sua realização para que todos saibam e conheçam como realizar a sua apostasia.
Mais a mais e face às denúncias recebidas de que o Arcebispado costumava levantar obstáculos para a concretização da vontade dos interessados em abandonarem a Igreja Católica e tornarem apóstatas, o próprio Arcebispo de Sevilha teve necessidade de vir para a comunicação social desmentir tais entraves e declarar que os trâmites burocráticos serão aligeirados tornando mais expedito e rápido o acto administrativo da apostasia, o que representa sem dúvida uma grande vitória para o movimento de apostasia.
Recorde-se que a APAGA mantém um serviço de informação apóstata no gabinete dos direitos sociais localizado no Centro Vecinal Pumarejo (Plaza del Pumarejo) e prepara já uma nova apostasia colectiva para o início do ano de 2006. Temos também conhecimento que grupos de interessados, residentes em Huelva, Códoba, Granada, Málaga, Barcelona e Madrid se preparam para levar a efeito acções semelhantes.

Madame la misère (de Léo Ferré))

A Senhora Miséria ( letra e Música de Léo Ferré)


Madame la misère écoutez le vacarme
Que font vos gens le dos voûté la langue au pas
Quand ils sont assoiffés il ne soûlent de larmes
Quand ils ne pleurent plus il crèvent sous le charme
De la nature et des gravats

Ce sont des suppliciés au ventre translucide Qui vont sans foi ni loi comme on le dit parfois Régler son compte à Monseigneur Ephéméride Qui a pris leur jeunesse et l’a mise en ses rides Quand il ne leur restait que ça

Madame la misère écoutez le tumulte
Qui monte des bas-fonds comme un dernier convoi
Traînant des mots d’amour avalant les insultes
Et prenant par la main leurs colères adultes
Afin de ne les perdre pas

Ce sont des enragés qui dérangent l’histoire Et qui mettent du sang sur les chiffres parfois Comme si l’on devait toucher du doigt pour croire Qu’un peuple heureux rotant tout seul dans sa mangeoire Vaut bien une tête de roi

Madame la misère écoutez le silence
Qui entoure le lit défait des magistrats
Le code de la peur se rime avec potence
Il suffit de trouver quelques pendus d’avance
Et mon Dieu ça ne manque pas

Telhados verdes são pulmões para as cidades

Fonte:
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1772334,00.html



Há bastantes vantagens na criação dos chamados "telhados verdes" em espaços urbanos densamente habitados.

"De facto, as áreas verdes do município do Rio de Janeiro somam 27,51% do total da área da cidade. Ora considerando que o índice de área verde ideal para cada ser humano é de 12m2/habitante, o Rio estaria muitíssimo bem, com nada menos que 57,4m2/habitante. No entanto, observa-se a presença de ‘ilhas de calor’ em determinados pontos da cidade, provocadas pela falta de vegetação. Por mais que se tenha uma área verde dentro de um município, a sua concentração em determinadas regiões só é benéfica para quem mora próximo", explica a arquicteta Sylvia Rola, que desenvolve na Universidade Federal do Rio de Janeiro um projecto de pesquisa sobre sistemas de «naturação»


«Naturação» sob condições tropicais

Um procedimento amplamente disseminado em países escandinavos, os "telhados verdes" têm uma longa história também na Alemanha. E vão, aos poucos, conquistando adeptos na América Latina. O México, por exemplo, é um país onde a implantação de jardins nos telhados das edificações das grandes cidades desperta enorme interesse e aceitação.
"No momento, o governo mexicano estuda a criação de leis que regulamentam a «naturação» em grande escala", conta Christel Kappis, especialista do Instituto de Ciências Agrárias e Projectos em Ecologia Urbana da Universidade Humboldt de Berlim.
Além do México, os telhados verdes começam a surgir também na Bolívia (em La Paz, os primeiros projectos estão em andamento) e em Cuba, onde pesquisadores buscam soluções específicas para a naturação sob condições tropicais.
Para Sylvia Rola Bildunterschrift: a naturação no Brasil ainda "é tímida, pois várias são as incógnitas a respeito de sua adaptação à realidade biotecnológica brasileira. O principal ponto de estudo é a possibilidade de se montar um sistema usando materiais e plantas tipicamente brasileiros. Isso porque se o impermeabilizante for importado, já inviabiliza economicamente a sua aplicação em grande escala".
Visando fomentar o intercâmbio científico em relação aos "telhados verdes", foi criada pela Universidade Humboldt de Berlim, com financiamento da União Europeia, uma rede de cooperação entre instituições académicas dos dois continentes. No projecto estiveram envolvidos pesquisadores de universidades da Alemanha, Brasil, Espanha, Grécia, Bolívia, Cuba, México e Equador.
Através de experimentos práticos (learning by doing), foram criados grupos de trabalho voltados para a pesquisa sobre o melhor tipo de vegetação a ser utilizado em cada "telhado verde nacional". Desde então, conta Kappis, existe um intercâmbio informal entre especialistas de todas estas universidades.
Com apoio técnico da Universidade Humboldt, por exemplo, foi formada a Rednatur (Red Latinoamericana de Naturación). A ideia é criar ainda uma plataforma na internet, na qual poderão ser publicados os resultados das pesquisas relacionadas à naturação nos dois continentes.


Criação de corredores verdes

Bildunterschrift: As vantagens dos "telhados verdes" para o espaço urbano são diversas, diz Rola: "O sistema de naturação é como uma alternativa real para sanar não só problemas como as ilhas de calor, mas também de poluição atmosférica, redução do calor transmitido para o interior das edificações. A naturação urbana trata de transformar em biótopos os edifícios e espaços urbanos, a fim de que, unidos através de corredores verdes, eles facilitem a circulação atmosférica e melhorem o microclima da cidade".



Além de reduzirem o consumo de energia, provocando um decréscimo no uso do ar condicionado em regiões quentes, os telhados verdes também são capazes de isolar o frio em regiões com Invernos rigorosos.
Sob um telhado coberto de vegetação, as baixas temperaturas demoram mais para chegar aos espaços internos. Um facto de pouca ou nula importância para o Brasil, mas essencial para os países europeus e para determinadas regiões montanhosas no México e na Bolívia.
O aumento do volume de plantas no espaço urbano, explica a pesquisadora Rola, acaba afectando de forma benéfica o microclima das cidades. Além disso, para as regiões de chuva intensa, as áreas naturadas podem servir de retentoras da água de chuva, prevenindo, desta forma, a ocorrência de enchentes.
E esta retenção significa uma economia para o consumo de água, uma vez que se garanta a potabilidade desta água, através dos devidos sistemas de colecta e armazenamento.
Bildunterschrift: Um dos problemas vistos pela população em geral em relação aos "telhados naturados" são os cuidados exigidos para que eles se mantenham em funcionamento. Quando se fala em área verde sobre uma edificação urbana, por exemplo, pensa-se automaticamente em jardins ou terraços, usados como "ilhas verdes" em meio às selvas de concreto.
"Tais jardins são possíveis, mas requerem muito trabalho para serem criados e cuidados, além de serem relativamente caros", observa a especialista Kappis.
Para este tipo de "telhado intensivo", tanto o processo de impermeabilização quanto o de drenagem são bastante onerosos. "Nos projectos de pesquisa na América Latina, nós especializamo-nos noutro tipo de telhado naturado, ou seja, nos chamados sistemas de vegetação extensiva", diz Kappis.
Estes sistemas, que requerem menos cuidados no dia-a-dia, são freqüentemente tidos como "pouco estéticos". Embora possam passar a imagem de um mato desordenado, defende a pesquisadora alemã, "o sentido e o objectivo deste tipo de sistema estão menos no uso destes espaços como jardins, mas principalmente no alto potencial destas áreas na produção de efeitos ecológicos".
Feios ou não, os "telhados verdes extensivos" contribuem para a redução do efeito de poluentes, mostrando-se como uma das poucas alternativas viáveis a serem desenvolvidas para melhorar a qualidade do ar em espaços urbanos densamente habitados.
Disseminada em países como a Alemanha e a Espanha, a naturação tem certamente um futuro promissor no Brasil. "Acreditamos que a consciência ambiental se vai solidificar também em países latino-americanos. Principalmente quando se podem sentir os efeitos económicos de procedimentos como a naturação", conclui Christel Kappis.
Para isso, pesquisadores se debruçam sobre o tema dos dois lados do Atlântico. "Buscando respostas às demandas ambientais e tentando redireccionar as cidades para o desenvolvimento sustentável. Para que se possa criar uma maior integração entre espaço urbano, cidadão e natureza", finaliza a arquitecta Sylvia Rola.

Soraia Vilela


http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1772334,00.html

12.11.05

As diferentes políticas económicas


Diferenças entre as políticas económicas de crescimento versus políticas de desenvolvimento durável versus políticas de decrescimento

Os objectivos e características das políticas de crescimento económico:

-consumir automóveis para dar trabalho à indústria automóvel
-construir estradas para dar trabalho às empresas de empreitadas públicas
- os portugueses têm uma moral, em função da qual vão consumir
- dar subsídios aos desempregados para relançar o consumo das famílias
- produzir objectos frágeis e irreparáveis para estimular novos consumos
- ficar doente para dar trabalho à industria farmacêutica
- fazer a guerra para manter a indústria de armamento
- poluir sem remorsos


Objectivos e características das
políticas do desenvolvimento durável:

-subvencionar inovações nos dispositivos dos catalizadoras e reciclar o lixo da produção automóvel ( 15 toneladas por viatura)
-favorecer as ferragens para poder continuar a aumentar o tráfico automóvel
-os portugueses têm consciência ecológica pelo que irão certamente consumir produtos ecológicos
-empregar os desempregados a limpar os contendores de lixo e as sujidades provocadas pelos cães nas vias públicas
-produzir gadgets «ecológicos» e fazer negócios «bio»
-ficar doente para dar trabalho à indústria farmacêutica bem assim como às medicinas doces
- fazer a guerra para manter a indústria de armamento
. poluir para dar trabalho aos despoluidores


Objectivos e características das políticas económicas de decrescimento:

-favorecer os transportes comuns, assim como os planos de partilha dos automóveis
-favorecer a produção e o consumo local. Taxar fortemente os transportes.
-os portugueses são felizes e não se importam de possuir carro, desde que seja um bem partilhado e útil para todos
-dar terra e casa a toda a gente para ganharem mais autonomia
-produzir unicamente objectos úteis, sólidos e possíveis de serem reparados para que durem mais
-adoptar um tipo de higiene de vida de acordo com as suas ideias, desembaraçar-se dos tóxicos.
-julgar os comerciantes de armas e os fabricantes de canhões em tribunais de guerra, e desmantelar as fábricas nocivas
-eliminar a poluição na raiz, fechar a fábrica se tal se tornar necessário



«Toda a pessoa que crê no crescimento exponencial infinito num mundo de recursos finitos ou é um louco ou é um economista»
Kenneth Boulding

As ideologias explicadas aos iniciados


Um reaccionário é alguém que, sabendo que morrem de fome dezenas de milhares de crianças por dia, considera que isso está na ordem natural das coisas

Um conservador é alguém que, sabendo que morrem de fome dezenas de milhares de crianças por dia, considera que se faz o que se pode.

Um social-democrata/socialista é alguém que, sabendo que morrem de fome dezenas de milhares de crianças por dia, defende que nos devemos esforçar mais.

Um comunista
é alguém que, sabendo que morrem de fome dezenas de milhares de crianças por dia, defende que se deve organizar rapidamente a mudança do poder político para combater e eliminar a fome das crianças.

Um libertário
é alguém que, sabendo que morrem de fome dezenas de milhares de crianças por dia, está pronto a fazer por essas crianças a mesma coisa que faria para os seus próprios filhos.

11.11.05

Jardins Comunitários


Desde há alguns anos florescem em algumas cidades os jardins «solidários», «familiares», «culturais», «pedagógicos» ou de «reinserção». Instalam-se ao longo das ruas, ao pé dos edifícios, no coração de bairros, nos enfiamentos ou nas franjas de certas ruas e aglomerações.
Tais realizações, com diversas escalas, são de iniciativa de residentes locais que formam associações para o efeito e que pretendem dar força às actuais tendências para a ecologia urbana assim como do desenvolvimento da democracia participativa ao nível dos bairros e quarteirões urbanos.
Este tipo de projectos resulta da má consciência ambiental que ocupa hoje o espaço mediático e que se explica pelo desfasamento entre as promessas a longo prazo próprias dos discursos políticos e a mais que constatada ausência de uma melhoria significativa das condições de vida das metrópoles ( barulho, poluição atmosférica, carácter anónimo da vida urbana,…). Quem participa na criação destes jardins pretende partilhar a ocupação física do solo e levar à prática as suas preocupações numa pequena parcela. Reivindicam com algum esforço cândido o uso de ancinhos e enxada, apesar dos dois séculos de urbanização e cimento que tivemos, e através de protocolos e acordos com duração limitada conseguem obter que terrenos públicos fiquem à sua disposição para serem tratados e ajardinados. Os detractores são muitas vezes os profissionais da política ou do urbanismo que não vêem com bons olhos os habitantes de uma cidade a tratarem a sua própria cidade. Ironizam mesmo sobre a sua incultura urbana, a sua ingenuidade ou o seu entusiasmo pelos legumes.
Todavia se prestarmos atenção a estes habitantes não é difícil encontrar o gosto e prazer que eles sentem pela realização desta actividade pública que resta inclassificável no âmbito institucional. Nos seus gestos vê-se menos o predomínio da palavra sobre o agir, mas sobretudo os encontros através da partilha de tarefas e actividades. Os trabalhos de limpeza e as práticas de jardinagem entre os interessados, muitos deles vizinhos de todas as idades permitem experimentar a todos o carácter mítico-poético dos trabalhos artesanais de outrora.
Na maior parte dos casos os terrenos são redescobertos após um período de abandono nas múltiplas dobras que a cidade não deixa de mostrar. O sentimento de abandono que impregna os terrenos abandonados à vegetação espontânea confere-lhes uma poética e pouco a pouco toda um novo estatuto.
Dentro da programação levada a cabo por várias associações as actividades estritamente hortícolas misturam-se quase sempre com projectos de outra natureza ( de carácter pedagógico, cultural, …) que se renovam ao longo das estações do ano. Assim, o jardim não é o fim em si mesmo mas um quadro onde aventuras culturais e sociais se podem desenvolver.
Encontramos mesmo, por vezes, animais como coelhos e galinhas cuja presença sonora em pleno meio urbano marcam a diferença e subentendem uma rede que os sustenta.
Em certos destes jardins familiares e de reinserção paira algum espírito comunal, semelhante ao que existia antigamente, durante o Ancien Regime, em que os habitantes detinham verdadeiros direitos adquiridos. ( eram terrenos que eram cultivados para garantir a autosuficiência alimentar tal como nos diz Nadine Vivier no seu livro « Propriété collective et identité communale, les liens communaux en France, 1750-1914).
Nas nossas sociedades sobrepovoadas a exclusão, a pobreza levaram muito longe a aridez orgânica dos solos entregues à lógica imobiliária. Donde o desejo das povoações em retomar as competências iniciais de apropriação por parte das comunidades e a sua reivindicação de uma base territorial que não esteja comprometida à lógica da especulação e ao aumento aberrante dos custos dos terrenos.
Estes jardins improvisados reforçam as práticas sociais baseadas nas relações de vizinhança e visam uma certa reterritorialização do ordenamento no sentido dado por Alberto Magnaghi quando fala de uma mundialização por baixo em reacção à globalização por cima.

(texto de Xavier Bonnaud, publicado na Revue de l’Urbanisme nº 343, Juillet-Aout 2005 com o título «Cultiver la conscience du lieu»)

Consultar:
www.jardinons.com
www.jardins-familiaux.fr
http://jardinons.com/cadrexp.htm

Law and Globalization from Below. Towards a Cosmopolitan Legality ( O Direito e a globalização vistas de baixo. Para uma legalidade cosmopolita)

Novo livro de Boaventura Sousa Santos


Acabou de ser editado o livro «Law and Globalization from Below. Towards a Cosmopolitan Legality» ( O Direito e a globalização vistas de baixo. Para uma legalidade cosmopolita), com organização de Boaventura de Sousa Santos e César A. Rodríguez-Garavito
Edição da Cambridge Studies in Law and Society (2005), Cambridge University Press

Índice

1. Law, politics, and the subaltern in counter-hegemonic globalization Boaventura de Sousa Santos and César A. Rodríguez-Garavito;


Part I. Law and the Construction of a global economy of solidarity:

2.Beyond neoliberal governance: the world social forum as subaltern cosmopolitan Politics and legality, Boaventura Sousa Santos

3.Nike's law: the anti-sweatshop movement, transnational corporations, and the struggle over international labor rights in the Americas, César A. Rodríguez-Garavito;

4.Corporate social responsibility: a case of hegemony and counter-hegemony, Ronen Shamir;

5.Campaigning for life: building a new transnational solidarity in the face of HIV/AIDS and TRIPS, Heinz Klug;

6.Negotiating informality within formality: land and housing in the Texas Colonias, Jane E. Larson;

7.Local contact points at global divides: labor rights and immigrant rights as sites for cosmopolitanism legality, Fran Ansley;

Part II. Transnational Social Movements and the Reconstruction of Human Rights:

8.Limits of law in counter-hegemonic globalization: the Indian Supreme Court and the Narmada Valley struggle, Balakrishnan Rajagopal;

9.The movement of the landless (MST) and modalities of legal change in Brazil, Peter P. Houtzager;

10.Indigenous rights, transnational activism, and legal mobilization: the struggle of the U'wa people in Colombia, César A. Rodríguez-Garavito and Luis Carlos Arenas;

11.Defensive and oppositional counter-hegemonic uses of international law: from the International Criminal Court to the common heritage of humankind, José Manuel Pureza


Part III. Law and Participatory Democracy: Between the Local and the Global:


12.Political and legal struggles over resources and democracy: experiences with gender budgeting in Tanzania, Mary Rusimbi and Marjorie Mbilinyi;

13.Two democracies, two legalities: participatory budgeting in Porto Alegre, Brazil, Boaventura Sousa Santos


14.Life, life world and life chances: vulnerability and survival in Indian constitutional law, Shiv Visvanathan and Chandrika Parmar;

15.Bottom-up environmental law and democracy in the risk society: Portuguese experiences in European context, João Arriscado Nunes e Susana Costa



Sem Justiça não há Paz ( a propósito dos motins nos subúrbios de Paris)


Os acontecimentos que tem agitado os subúrbios franceses desde há duas semanas são bem a expressão de uma revolta cujo aspecto político não se pode negar. Não se pode negar a existência de uma situação de contestação contra os representantes ou os símbolos de uma ordem social injusta, racista e opressora que considera os jovens dos bairros populares como «escumalha» que deve ser limpa senão mesmo vir a acabar de apodrecer na prisão. Neste contexto, incendiar uma viatura, um edifício público ou estabelecimentos comerciais é um acto político, sobre o qual podemos interrogarmo-nos sobre o seu fundamento, sobretudo se pensarmos que prejudicam mais as classes trabalhadoras do que a burguesia e aos verdadeiros responsáveis por esta situação, é mesmo assim o único meio de expressão de uma juventude a quem a sociedade não oferece nenhuma outra perspectiva que a marginalização, a frustração e a delinquência. Rejeitar as origens sociais desta violência é o primeiro passo que permite a concretização de políticas repressivas de criminalização da misérias dos subúrbios.

Ignora-se que são seres humanos que vivem nessas cidades dormitórios construídas à volta da grande cidade e para onde foram lançados os imigrados e os pobres. Todas essas cidades são um condensado de erros urbanísticos e de dificuldades para a vida das pessoas. Cidades em que não qualquer espaço de socialização. Cidades em que o desemprego e a miséria são o dia-a-dia dos adultos e o futuro das crianças. Não é necessário ser-se sociólogo ou bruxo para prever o que se iria passar. Quando se nega o indivíduo a este ponto é natural que ele se revolta. Quando os políticos se escandalizam pela falta de respeito pelas instituições republicanas demonstrada por esses jovens, parecem que estão a esquecer que a República não os ajuda há décadas.
Face às frustrações eleitorais e às provocações de Ministério do Interior com «sentido de diálogo» estes jovens marginalizados revoltaram-se espontaneamente. O que não impede o Ministério do Interior acreditar numa organização estruturada. Mas os verdadeiros responsáveis são aqueles que permitiram a construção daquelas urbanizações e os que deixaram degradar as condições de vida dessas populações não as apoiando a satisfazer as suas necessidades.
O policiamento dos bairros pelas forças anti-motim e pelas unidades de choque da polícia apoiadas pelos helicópteros, que voam toda a noite por cima dos edifícios, assim como a chamada de reservistas não são mais que um novo passo na militarização governamental que só contribuirá para atiçar ainda mais o fogo e a cólera. Milhares de interpelações e detenções, mais de 700 prisões preventivas por razões frágeis e provas inexistentes não resolvem de modo algum o mal estar social da juventude dos subúrbios.
A aplicação de medidas legais excepcionais como o recolher obrigatório na base das leis especiais do tempo da guerra da Argélia constitui uma verdadeira provocação para esta juventude em cólera, para além de ser um atentado às liberdades públicas.

Após a repressão sistemática dos movimentos sociais e sindicais ( intervenção do GIGN contra os trabalhadores dos correios em Bègles, inculpações maciças dos activistas anti-OGM, assalto helitransportado do GIGN e de comandos contra os trablhadores amotinados do ferry «Pascal Paoli») o Estado prepara-se para a guerra social contra os pobres e contra todos os resistentes a esta sociedade de classes. Fuga para diante do governo numa deriva fascisante inquietante deve mobilizar todos quantos compõem o movimento social e sindical a fim de organizar a defesa das nossas liberdades e das nossas conquistas sociais.

Sim, há razões para a revolta, ainda que queimar carros ( que pertencem a pessoas também pobres) e atacar quem quer que seja não faz mais que reforçar as marcas identitárias (sejam elas nacionalistas ou religiosas). A nossa revolta deve ter como objectivo os verdadeiros responsáveis da miséria e da precariedade: o capitalismo e o Estado. E a nossa revolta só ganhará sentido se nos organizarmos contra o capitalismo e os seus efeitos destrutivos, se nos organizarmos nos bairros contra os mandatários e a carestia dos alojamentos e lutarmos por verdadeiros serviços púbicos.
A Federação anarquista exige a retirada das forças repressivas, a abrogação das medidas de urgência e das leis de excepção, a cessação das perseguições judiciárias contra os jovens revoltados, a libertação de todas as pessoas detidas assim como a clarificação das mortesde Ziad Benna e Bouna Traoré. A Federação anarquista pretende testemunhar o seu apoio aos habitantes, às famílias assim como aos trabalhadores dos bairros que foram vítimas da violência social quer dos amotinados quer da polícia.
A denúncia deste governo fascisante, desprezível e arrogante só se pode fazer no terreno por via de uma relação de forças, livre de parasitas politiqueiros e burocratas, e por via de uma coordenação na base do federalismo libertário, da gestão e da democracia directa numa perspectiva revolucionária da sociedade como condição indispensável para a conquista da igualdade económica e social.

Quem semeia a miséria recolhe a cólera

Por uma sociedade igualitária e libertária
(tradução de um comunicado da FA)

Défice dos EUA atinge recorde de 66 biliões de dólares


O défice comercial dos Estados Unidos com o resto do mundo atingiu o valor recorde de 66,1 biliões em Setembro último, quando os preços do petróleo tiveram uma alta acentuada após a passagem do furacão Katrina.
As importações pelos Estados Unidos subiram 2,4% no mês, atingindo 171,3 biliões de dólares, enquanto as exportações do país caíram 2,6%, chegando a 105,2 biliões, segundo o Departamento de Comércio americano.
A divulgação do aumento do déficie americano coincidiu com a divulgação, pela China, de um saldo positivo recorde na sua balança comercial em Outubro, de 12 biliões de dólares.
Os números devem aumentar as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.
Segundo o Departamento de Comércio, o défice dos Estados Unidos no seu comércio com a China chegou a 20,1 biliões em Setembro.

7.11.05

Há um ano Sébastien Briat morria debaixo de um comboio atómico

Em 7 de Novembro de 2004 Sébastien Briat, 22 anos, jovem activista libertário e anti-nuclear morria ao ser trucidado por um comboio atómico, carregado de lixo nuclear, na Lorraine, região de França., por ocasião de uma manifestação pública de protesto contra o comboio atómico La Hague-Gorleben ( Alemanha).
A iniciativa era de carácter não-violenta e foi devidamente ponderada e reflectida. Todas as hipóteses foram encaradas. Acontece que um conjunto de circunstâncias imprevisíveis determinaram a não paragem do comboio, entre as quais a ausência de medidas de cautela e prudência que são exigíveis no transporte ferroviário de matérias perigosas desta natureza, o que provocou a morte de Sébastien.
Uma ano depois os seus companheri@s apelam à concentração de todos os activistas anti-necleares e solidários com Sébastien junto das estações de caminho de ferro de toda a França às 18h do próximo dia 10 de Novembro ( em Paris a concentração realizar-se-á em frente da Gare de l’Est às 18 h.)

Nunca te esqueceremos.

Continuaremos a tua luta por um mundo sem o perigo do nuclear.

Curso sobre Movimentos Sociais, Protesto Público e Cidadania


11 e 12 de Novembro de 2005 no Centro de Estudos Sociais, da Faculdade de Economia de Coimbra

Inscrições : Tel. 239 855 570; Email: ces @fe.uc.pt

Local de funcionamento: CES – Colégio de S. Jerónimo, Largo D. Dinis – Coimbra (2º Piso)
(Entrada junto ao Posto de Turismo ao cimo das escadas Monumentais – o CES fica ao lado da agência da CGD)

Duração: 12 horas

Objectivos: O presente curso procura divulgar à sociedade civil e à comunidade resultados de estudos e da análise sociológica acumulada sobre as temáticas dos Movimentos Sociais e outras formas de Protesto Público e de Acção Colectiva, na sequência de projectos e pesquisas desenvolvidas no CES. Para além das perspectivas teóricas com que estes fenómenos têm sido abordados importa estabelecer o diálogo e a reflexão com os actores sociais empenhados na mudança social e na participação cívica dos cidadãos a todos os níveis. Procura-se por isso ter presente as diversas formas de acção colectiva que têm marcado a sociedade portuguesa nas últimas décadas, desde o movimento sindical aos novos movimentos e formas de acção e de protesto contra a globalização neoliberal, passando pela contestação de carácter comunitário e local, questionando as actuais tendências sociais e políticas que afastam os cidadãos da participação na vida pública e perspectivando os caminhos possíveis para inverter essa tendência.

Destinatários: Dirigentes de associações; membros de ONGs e de movimentos sociais; dirigentes e activistas sindicais; estudantes, jovens e demais cidadãos que queiram desenvolver conhecimentos sobre os problemas sociais e políticos do tempo presente.

Dia 11 de Novembro de 2005 (sexta-feira)
Sessão 1 - 10,00h às 13,00h: Movimentos sociais novos e velhos: do sindicalismo de classe às lutas identitárias
Elísio Estanque

Sessão 2 - 15,00h às 18,00h: Protestos públicos e mass media
José Manuel Mendes

Dia 12 de Novembro de 2005 (sábado)
Sessão 3 - 10,00h às 13,00h:
Acção e participação: ambientalismo e minorias sexuais
Ana Cristina Santos
e Madalena Duarte

Sessão 4 - 15,00h às 18,00h: Movimentos sociais, cidadania e participação cívica
Mesa Redonda com todos os participantes

Para reflectir e agir em consequência…


Estatísticas para reflectir e agir em consequência:

*As 3 pessoas mais ricas do mundo são também mais ricas que os 48 países mais pobres do mundo.

*Os bens das 84 pessoas mais ricas do mundo ultrapassa o produto interior bruto da China com os seus mil e duzentos mil milhões de habitantes


*As 225 pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna equivalente ao rendimento anual acumulado de 47% das pessoas mais pobres do planeta, ou seja 3 mil milhões de pessoas.


*Bastaria cerca de 4% da riqueza acumulada dessas 225 pessoas mais ricas para dar a toda a população do mundo acesso à satisfação das suas necessidades de base ( saúde, educação e alimentação)


* 122 empresas são as causadoras de 80% de todas as emissões de dióxido de carbono


* Para o seu fabrico um iate de luxo precisa de 200.000 horas de trabalho, ou seja, 96 anos de trabalho de um pessoas ( a trabalhar 8 horas/dia ao longo de 5 dias/semana). Assim.com o que ganha em poucos dias um multimilionário pode-se apropriar da vida de um ser humano.


* Nos Estados Unidos os 100 mais importantes administradores ganham cada um em média mais de 100 vezes mais que os seus empregados.


*A fortuna pessoal de Bill Gates ( 50 mil milhões de dólares) é igual à fortuna cumulada dos 106 milhões de norte-americanos mais pobres.


*O orçamento militar norte-americano durante o ano de 2004 foi de 480 mil milhões de dólares, o que representa uma despesa de 27.342 dólares por hora desde o nascimento de Cristo.


*Em 2002 Bush decidiu aumentar o montante das despesas militares em 40 mil milhões de dólares. Ora esta soma representa exactamente o que seria preciso para resolver definitivamente o problema da fome no mundo.


Por estas e outras razões é que os verdadeiros donos do mundo não são os governos, mas os dirigentes dos grupos multinacionais financeiros ou industriais, e das instituições internacionais opacas como o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, a OMC, etc. Resta dizer que os dirigentes de todas estas entidades empresariais e institucionais não são eleitos, muito embora as suas decisões tenham um enorme impacte sobre a vida das populações.

O poder dessas organizações exerce-se sobre uma escala planetária e mundial, enquanto o poder de grande parte dos Estados exerce-se dentro das suas fronteiras.

Aliás, o peso das multinacionais nos fluxos financeiros escapa regra geral ao poder dos Estados.



O Governo japonês quer militarizar-se e modificar a sua Constituição pacifista!


A Constituição japonesa de 1947 não admite que o Estado possua forças armadas, sendo por isso caracterizada por ser uma Constituição pacifista. Ora nos últimos tempos o actual governo japonês de cariz liberal-conservador não se tem cansado de ensaiar tentativas de introduzir profundas alterações na Constituição Política japonesa com vista a dotar o Estado de umas forças armadas poderosas. A oposição declarou já o seu repúdio a tais intenções.
A emenda ao artigo 9 no qual se diz que o Japão « renuncia à guerra como meio de regular os diferendos internacionais» é o alvo da sanha militarista do governo japonês e das forças nacionalistas que têm recebido o aval dos Estados Unidos, os quais pretendem inscrever o Japão no sistema regional norte-americano.
Um dos pretextos para a modificação do citado artigo é o envio para o Iraque de soldados japonesas de…autodefesa do Japão!!!
Este facto tem servido para os partidários da militarização do Japão dizerem que o artigo 9 foi…esvaziado de sentido!!!
Cá para nós quem violou o articulado constitucional, isto é, o actual governo liberal-conservador japonês é quem devia estar hoje a prestar contas por ter violado a Constituição.
Recorde-se que foram os Estados Unidos que, curiosamente começaram por esvaziar o artigo 9 da Constituição do Japão, para o qual tinham contribuído insistentemente no período imediato ao pós-Guerra em 1945, quando inseriram o país do Sol nascente na sua estratégia anti-comunista durante a chamada Guerra fria. O primeiro passo foi uma decisão secreta de 1948 a autorizar o Japão para a constituição de uma força de polícia nacional de 150 .000 homens cuja missão era, entre outras, proteger as bases norte-americanas no Japão e as famílias dos soldados norte-americanos!!!
Os próprios governos norte-americanos não escondem o seu desejo de tornar o Japão uma potência militar moderna, ainda que sob controle militar americano e ao serviço dos objectivos estratégicos de Washington.
Não admira pois que, apesar da sua Constituição rejeitar a constituição de forças armadas, o Japão já ter sido considerado em 1973 a sétima potência militar do mundo, tendo hoje cerca de 240.000 soldados e ter gasto em 1998 50 mil milhões de dólares para as suas forças de….«auto-defesa» !!!
E não faltam líderes políticos no Japão a pedir armas nucleares para as suas forças armadas…

Criação de uma nova agência de espionagem norte-americana ( a National Clandestine Service)


No passado mês de Outubro os directores da National Intelligence e da Central Intelligence Agency ( CIA), John D. Negroponte e Porter J.Gross anunciaram a criação de uma nova agência de espionagem: a National Clandestine Service (NCS)
Sob a direcção directa da CIA este novo serviço foi criado por recomendação dos autores de um inquérito realizado para o efeito e visa reforçar a coordenação das 15 agências norte-americanas existentes e entregues ao trabalho de informação. A NCS será dirigida por um responsável «undercover» da CIA, cujo nome será secreto.
A criação da NCS segue-se à criação em Junho de 2005 da National Security Service, organismo a trabalhar no seio do FBI.

Com tantas e tão variadas agências secretas e serviços de informação e de espionagem, o actual Estado Imperial não se pode queixar de estar mal «informado»…

Breve Cronologia do Anarquismo


1563
Morre Etienne de la Boétie, autor do Discurso sobre a Servidão Voluntária, um livro clássico do pensamento libertário, em que analisa o conformismo do povo e aponta a desobediência como um instrumento de mudança social e de luta contra os poderosos.

1789
Revolução Francesa, um momento decisivo de derrocada da velha ordem feudal e clerical na Europa. Na Revolução participaram grupos populares radicais que defendiam posições próximas do pensamento libertário. A Revolução Francesa mereceu estudos de anarquistas como Piotr Kropotkin e Daniel Guerin e foi vista pelos movimentos libertários como precursora das revoluções sociais do século XIX e XX.

1792
Mary Wollstonecraft, companheira de William Godwin , precursora libertária e feminista, publica Reividicação dos Direitos da Mulher.

1793
William Godwin, pensador inglês, precursor do anarquismo, publica o livro Investigação Acerca da Justiça Política.

1837
Morre o socialista utópico Charles Fourrier.

1840
Pierre Joseph Proudhon emprega pela primeira vez, no seu livro O Que é a
Propriedade?, a palavra anarquia no sentido de sociedade autogovernada.

1842
Marx e Bakúnin começam a colaborar na revista Anais Alemães de Arnolde Ruge. Neste ano Marx elogia os "trabalhos penetrantes de Proudhon".

1844
Marx conhece Proudhon, então já um famoso pensador socialista, em Paris. Nesse mesmo ano morre em França a revolucionária socialista, de origem peruana, Flora Tristán, avó do pintor Paul Gauguin.

1845
Nesse ano o pensador anarquista individualista Max Stirner, escreve O Único e a sua Propriedade.
Nos Estados Unidos o libertário Josiah Barren funda a colônia Utopia.

1846
Proudhon escreve a Filosofia da Miséria. Marx e Proudhon trocam correspondência. Na última carta o anarquista francês, depois de criticar todo o dogmatismo, adverte Marx: "não nos tornemos os chefes de uma nova intolerância". É o sinal da irreconciliação entre os dois pensadores.

1847
Marx publica A Miséria da Filosofia tentando refutar a obra de Proudhon.
Constituem-se na Colômbia as sociedades democráticas, influenciadas pelo pensamento de Proudhon.

1848
Kar Marx e Friederich Engels publicam o Manifesto Comunista.. Agitações revolucionárias em vários países da Europa, a mais importante das quais foi a chamada Revolução de 1848 em França.

1849
David Thoreau publica o clássico libertário americano Desobediência Civil.
Bakúnin é preso, após ter participado em várias rebeliões, só vindo a escapar em 1861 da Sibéria.

1852
Primeira viagem aos Estados Unidos de Victor Considérant, discípulo de Fourier, para criar um falanstério.

1856
Morre precocemente Max Stirner.

1861
. Bakúnin foge para o ocidente, indo viver na Inglaterra e posteriormente na Suiça.

1862
Operários franceses e ingleses reunem-se em Londres durante a Exposição Internacional e decidem constituir uma organização internacional, que viria a ser fundada oficialmente em 1864, a AIT.

1863
Proudhon publica um de seus principais livros O Príncipio Federativo.

1864
É criada em Londres a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e Bakúnin funda Aliança Internacional da Democracia Socialista.

1865
Morre Proudhon, considerado o primeiro anarquista moderno. Conferência de Londres da AIT.

1867
Marx publica o primeiro volume do Capital.
Congresso de Lausanne da AIT.

1868
Bakúnin ingressa na AIT e os núcleos de partidários da Aliança Socialista passam a ser seções da Primeira Internacional.
As idéias internacionalistas chegam a Portugal e Espanha através do companheiro de Bakúnin, o italiano Giuseppe Fanelli.
O socialista espanhol partidário de Proudhon, Pi y Margall publica o livro Las Nacionalidades.

1869
É fundada a União Cooperativa Inglesa.
Congresso de Basileia da AIT.

1870
É formado o Gran Círculo de Obreros de México, de orientação proudhoniana.
Em Barcelona é criada a Federação Regional Espanhola, aderente à AIT.
Morre o pensador russo Aleksandr Herzen, um federalista amigo de Bakúnin e um dos mais influentes intelectuais russos do século XIX.

1871
Os trabalhadores de Paris declaram a Comuna, mas as tropas do governo invadem Paris em Maio desencadeando um massacre.
Bakúnin publica um dos seus principais livros Deus e Estado
. Os internacionalistas espanhóis Anselmo Lorenzo, Morago e Mora refugiam-se em Lisboa e fazem contatos para criar uma seção portuguesa da AIT.
O poeta português Antero de Quental, partidário da AIT, publica o folheto O Que é a Internacional?
Conferência da AIT em Londres.

1872
O Congresso de Haia da AIT, expulsa os anarquistas por proposta de Marx e transfere a sede a internacional para Nova York.
Este foi o último congresso da AIT, a partir daí dissolveu-se a Primeira Internacional. Os anti-autoritários reúnem-se em Saint Imier na tentativa de preservar a internacional.

Em Portugal , em Fevereiro, sai o jornal O Pensamento Social ligado aos internacionalistas.
No México são editados os jornais El Obrero Internacional e La Comuna.

1873
O médico Eduardo Maia, membro da seção portuguesa da AIT e um dos primeiros anarquistas do país, publica A Internacional, sua História, sua Organização e seus Fins.

1874
É publicada em Portugal a tradução Do Princípio da Federação de Proudhon. O anarquista francês era lido há vários anos em francês pelos intelectuais e trabalhadores socialistas.

1875
Constitui-se no Uruguai a Federación Regional de la República Oriental del Uruguay, mais tarde transformada em Federación Obrera Regional Uruguaya.
Reúne-se no México o Congreso General Obrero.

1876
Morre na Suiça o agitador e pensador anarquista russo Mikhail Bakúnin.
No México as ideias socialistas são discutidas no Primeiro Congresso Operário.
A ala marxista da AIT declara oficialmente, em Filadélfia, o fim da Primeira Internacional.
É publicado no México o livro de Prouhdon Idea General de la Revolución en el Siglo XIX.
Desencadeiam-se várias greves operárias com participação de trabalhadores anarquistas.

1877
Sublevações camponesas, de inspiração socialista e libertária, no México, nos Planes de la Barranca e Sierra Gorda. Levante de Benevento.
Um grupo de anarquistas, entre os quais Carlo Cafiero e Errico Malatesta precorrem aldeias do sul de Itália, queimam os arquivos, distribuem armas e apelam aos camponeses para declarar o comunismo libertário.

1878
Quatro anarquistas são enforcados em Chicago em conseqüência das manifestações pelas 8 horas de trabalho. Este acontecimento iria passar a marcar as comemorações do 1. de maio.
No México é fundado o primeiro Partido Comunista Mexicano, de idéias anarquistas. Em Montevideu começa a publicar-se o jornal El Internacional.

1879
Aparecem na Rússia vários grupos revolucionários de tendência populista e anarquista, que se dedicam a desencadear a acção direta contra o czarismo.
Começa a publicar-se na Suiça o jornal anarquista Le Revolté, sob direção de Kropótkin.
Publica-se em Cuba o jornal anarquista El Obrero.

1880
Engels publica Socialismo Utópico e Socialismo Científico.
Chega aos Estados Unidos o militante anarquista alemão Johann Most.

1882
Anarquistas celebram em Montevideo o aniversário da Comuna de Paris.

1883
É criada na Suiça a Emancipação do Trabalho, primeira organização marxista russa. Morre Karl Marx. É fundado em Buenos Aires o Circulo Comunista Anarquista.

1884
Reclus visita a Colômbia para pesquisar para a sua Nova Geografia Universal, tendo proposto ao governo a criação de uma comunidade agrícola, a que chamou República Idílica, em Sierra Nevada de Santa Marta.

1885
Malatesta chega à Argentina onde residirá por cinco anos.

1886
Começa a publicar-se em Londres o jornal Freedom, por um grupo anarquista reunido em torno de Kropótkin.
Reúne-se em Habana o Congreso Obrero Local. Em Buenos Aires, o militante anarquista Mattei edita El Socialista.

1887
É publicado o primeiro livro de Krópotkin em Portugal, A Anarchia na Evolução Socialista. Formam-se os grupos anarco-comunistas do Porto e de Lisboa. Trabalhadores anarquistas fundam, em Buenos Aires, o Circulo Socialista Internacional. Em Habana começa a se publicar o jornal anarquista El Productor.

1888
É fundada em França a organização Bolsas do Trabalho, de tendência libertária.
Kropótkin publica um dos seus mais famosos, e traduzidos, livros, A Conquista do Pão.

1889
É fundada em Paris a Segunda Internacional.
Em Santos, Silvério Fontes cria o Centro Socialista, um dos primeiros grupos dedicados à divulgação das idéias socialistas no Brasil.

1890
Generalizam-se as manifestações e comemorações do Primeiro de Maio na Europa. Embarcam para o Brasil o primeiro grupo de anarquistas que vai fundar a Colônia Cecília no Paraná.
Oscar Wilde edita A Alma do Homem sob o Socialismo, um livro de inspiração libertária.
No Chile greve promovida por trabalhadores anarquistas termina com uma violenta repressão. Em Buenos Aires começa a se publicar um dos primeiros jornais anarquistas El Perseguido. Em Nova York, o militante anarquista Pedro Esteve, começa a publicar El Despertar um dos mais duradouros jornais anarquistas, em língua castelhana, dos Estados Unidos.

1891
É fundada na Argentina a Federación Obrera Argentina (FOA). Que depois de um período de estagnação volta a ser reorganizada em 1901, sob uma linha anarco-sindicalista.

1892
É publicado, por emigrantes italianos, Gli Schiavi Bianchi, um dos primeiros jornais anarquistas brasileiros.
Ravachol, o mais famoso dos anarquistas partidário da ação direta, é guilhotinado em França.
Morre Carlos Cafiero um dos militantes socialistas que contribuiu para o desenvolvimento do anarquismo em Itália.
No Chile é criado o primeiro centro de estudos sociais anarquista.

1893
Giovanni Rossi, médico veterinário e anarquista idealizador da Colônia Cecília publica na Itália , Cecilia, Uma Comunidade Anarquista Experimental.
É criada na Holanda a National Arbeids Sekretariat (NAS), sindicalista revolucionária, onde teve um papel importante o anarquista Christian Cornelissen.
Chega a Cuba o tipógrafo catalão Pedro Esteve, que seria um dos principais militantes anarquistas do país. Nesse mesmo ano os trabalhadores cubanos fundam a Sociedad General de Trabajadores. Levantamento de trabalhadores em Bogotá, com influência anarquista. No Chile é publicado El Oprimido, considerado o primeiro jornal anarquista do país.

1895
É fundada a Confederação Geral do Trabalho (CGT) francesa que viria a inspirar o anarco-sindicalismo em todo o mundo. A Carta de Amiens, aprovada em 1906, é o documento que define as linhas do sindicalismo revolucionário libertário.


1896
No Congresso de Londres os anarquistas são expulsos da Internacional Socialista.
Em Portugal é publicado o importante estudo de Silva Mendes, O Socialismo Libertário ou Anarquismo.
Morre William Morris importante militante socialista inglês.
Reúne-se em Lima o Primero Congreso Obrero. No Chile é criado o Centro Social Obrero reunindo os principais militantes anarquistas que publicam também o jornal El Grito del Pueblo.
1897
É fundado em Buenos Aires La Protesta Humana, o mais importante jornal anarquista latino-americano.

1898
Realiza-se no Brasil, no Rio Grande Sul, o primeiro congresso que reúne organizações operárias a nível estadual. Chega a Buenos Aires, o advogado italiano e intelectual anarquista Pietro Gori.

1899
Na Colômbia Jacinto Albarracín, anarquista indígena, perseguido funda na floresta uma comuna libertária.

1900
É publicado no Rio de Janeiro o livro Estados Unidos do Brasil, o capítulo da Geografia Universal de Elisée Reclus, referente ao Brasil. O anarquista mexicano Ricardo Flores Magón funda o jornal La Regeneración.

1901
Morre Fernand Pelloutier operário e anarquista francês criador das Bolsas de Trabalho e idealizador do sindicalismo revolucionário, que influenciou o anarco-sindiclaismo à escala mundial.
É fundada na Argentina a Federación Obrera Argentina (FOA) e os trabalhadores de Rosário declaram greve geral.
Chega a São Paulo o advogado e militante anarquista português Neno Vasco.

1902
É editado o livro Apoio Mútuo de Kropótkin, uma crítica do darwinismo social e a defesa do princípio da cooperação como fundamento da evolução das sociedades.
A FOA declara greve geral na Argentina. No Chile, a greve dos tipógrafos marca o desenvolvimento do sindicalismo revolucionário no país

1903
O escritor e militante anarquista Fábio Luz publica o primeiro romance brasileiro de inspiração libertária, O Ideólogo.
Foma-se na Argentina a Unión General de Trabajadores (UGT), reformista, mas onde virá a surgir mais tarde uma tendência próxima do sindicalismo revolucionário. No Chile foi criada na capital uma comunidade anarco-comunista, tendo sido criado, pouco depois, no interior uma comunidade influenciada pelas idéias de Tolstoi. Em Valparaíso, em abril, os trabalhadores portuários influenciados pelo sindicalismo revolucionário desencadeiam uma greve, que acaba se generalizando, em maio, em fortes conflitos de rua na cidade, obrigando o governo a enviar tropas para a cidade. Calcula-se que morreram mais de cem trabalhadores e houve milhares de feridos e presos.

1904
No Quarto Congresso Sindical Argentino é criada a Federação Operária Regional Argentina (FORA) a mais importante e combativa organização anarco-sindicalista da América Latina.
Realiza-se em Amsterdam o Congresso Antimilitarista organizado pelo anarquista e pacifista Ferdinand Nieuwenhuis.

1905
Desencadeia-se a revolução russa que derruba o czarismo autocrático, iniciando uma abertura liberal.
Nos Estados Unidos foi criada a Industrial Workers of the World (IWW) a mais importante organização sindicalista revolucionário americana, que influenciou a criação de organizações semelhantes no Chile, Nova Zelândia e Austrália.
Morre Élisée Reclus destacado geógrafo e militante anarquista.
É criada a Federación Obrera de la Regional Uruguaya (FORU) de linha anarco-sindicalista, herdeira da linha libertária dos internacionalistas do século XIX.
Morre em França, Louise Michel, famosa militante anarquista que participou da Comuna de Paris.
No Chile realiza-se a Primera Convención Nacional de las Mancomunales, considerado o primeiro congresso operário.

1906
Primeiro Congresso Operário Brasileiro, aprova uma linha de actuação anarco-sindicalista e cria a Confederação Operária Brasileira (COB). Greve de mineiros no México deixa centenas de mortos. O agitador anarquista colombiano Biófilo Panclasta chega a Buenos Aires. No Chile foi criada a Federación de Trabajadores de Chile (FTCH), considerada a primeira federação operária sindicalista revolucionária.

1907
Congresso Anarquista Internacional em Amsterdam de que participou o colombiano Biófilo Panclasta representando os trabalhadores argentinos.
No Brasil desencadeiam-se lutas pelas 8 horas de trabalho.
Congresso dos anarquistas alemães reúne-se clandestinamente.

1908
Começa a se publicar, no Rio de Janeiro, A Voz do Trabalhador, órgão da Confederação Operária Brasileira, principal jornal anarco-sindicalista do Brasil. É fundada na Bolivia a Federación Obrera Local (FOL), que será recriada em 1926, após ter desaparecido por vários anos.
É fundada pelo operário Hilário Marques a revista Sementeira, a mais importante publicação anarquista portuguesa.
Morre em Paris o agitador anarquista individualista Albert Libertad.
Revoltas camponesas no México com o apoio de anarquistas.

1909
Semana Trágica de Barcelona. Greve revolucionária agita Barcelona, provocando uma repressão feroz.
O educador anarquista Francisco Ferrer Guardia é fuzilado acusado de ser responsável pela agitação revolucionária, mesmo que na época dos acontecimentos estivesse em Londres. Manifestações de indignação por todo o mundo contra o governo espanhol. Começa, em Portugal, o Congresso Operário Nacional , que encerra em 1910.

1910
Morre o famoso escritor russo e defensor de um cristianismo igualitário, com afinidades anarquistas, Liev Tólstoi, que influenciou grupos anarco-cristãos em vários países, principalmente na Holanda e Estados Unidos.
Em Barcelona foi fundada a Confederação Nacional do Trabalho (CNT), anarco-sindicalista.
Revolução Republicana em Portugal com participação de trabalhadores e militantes anarquistas.
Revolução Mexicana, com participação de camponeses e intelectuais libertários influenciados pelas idéias do militante anarquista Flores Magón.
Os trabalhadores suecos criam a Sveriges Arbetares Central (SAC) de tendência sindicalista revolucionária

1911
Primeiro Congresso Anarquista português e fundação Federação Anarquista da Região Sul.
São enforcados no Japão os anarquistas Denjiro Kotuku e sua companheira Yugetsu Sugo Kanno.
Greve geral no Peru promovida pelos anarco-sindicalistas. São editados os livros de Rafael Barrett, anarquista espanhol que atuou no Paraguai, El Dolor Paraguayo e Cuentos Breves.
O activo militante e jornalista anarquista Neno Vasco parte para Portugal, onde continuará sua militância.
Chega a Buenos Aires, José de Brito, que se tornará um activo militante anarquista na Argentina e, posteriormente em Portugal.
No Panamá começa a publicar-se El Unico, Publicação Individualista, um dos raros jornais anarquistas individualistas da América Latina.

1912
Constitui-se em Portugal a Federação Anarquista da Região Norte.
Tranbalhadores anarco-sindicalistas bolivianos criam a Federación Obrera Internacional (FOI). Morre Voltairine de Clayre, agitadora anarquista americana.
É criada em Itália a União Sindical Italiana (USI), anarco-sindicalista.
Morre em tiroteio com a polícia Jules Bonnot, ilegalista e anarquista francês.
No Chile é editado o jornal La Batalla, um dos mais importantes periódicos anarquistas do país.

1913
Segundo Congresso Operário Brasileiro mantém a linha sindicalista revolucionária.
Em Portugal formam-se as Juventudes Sindicalistas. Em Lisboa edita-se o importante jornal anarquista Terra Livre, dirigido pelo luso-brasileiro Pinto Quartim.
Criação da Unión Obrera de Colombia.

1914
Começa a Primeira Guerra Mundial dividindo o movimento socialista (inclusive os anarquistas) sobre a posição a tomar.
Começa a se publicar, no Rio de Janeiro, A Vida, a principal revista anarquista do começo do século. Reúne-se em São Paulo a Conferência Libertária. Semana Vermelha em Itália, onda de greves e agitações, desencadeada pela USI, paralisa o país.

1915
Tentativa de formar uma confederação anarco-sindicalista no México, resulta infrutífera pela violenta repressão desencadeada no ano seguinte. Congresso Internacional da Paz, realiza-se no Rio de Janeiro, com representações de vários estados brasileiros e delegados da Argentina.
Realiza-se em Ferrol (Espanha) o Congresso Mundial Contra a Guerra, com delegados de vários países.
Realiza-se no Rio de Janeiro o Congresso Anarquista Sul-americano, reunindo delegados do Brasil, Argentina e Uruguai.

1916
Morre James Guillaume o mais conhecido militante anarquista suiço, miliante da AIT e fundador da Federação do Jura, que seria o centro difusor do anarquismo do século XIX. Esta Federação recebeu e apoiou militantes anarquistas de todo o mundo.
Realiza-se no México um Congreso Obrero Nacional que cria a Federación del Trabajo de la Región Mexicana, anarco-sindicalista.
O revolucionário anarquista mexicano FloresMagón é condenado, nos Estados Unidos, a 20 anos de prisão.

1917
Explode a Revolução Soviética. O Partido Social Democrata Russo, de Lenin, desencadeia acções militares que lhe dão o poder.
Inicia-se a publicação de A Plebe, o mais importante jornal anarquista brasileiro. No Chile é criada a IWW, organização sindicalista revolucionária.

1918
Inicia-se no Rio de Janeiro a greve geral revolucionária que ficou conhecida por Insurreição Anarquista do Rio de Janeiro.
Publica-se, no Porto, A Comuna, um dos mais destacados títulos da imprensa anarquista.
No Brasil os anarquistas criam os Comitês Populares contra a Carestia de Vida. Chega à Argentina Diego Abad Santillán um dos mais importantes militantes e intelectual anarquista do nosso século, autor de uma vasta obra que inclui livros sobre o anarquismo e sindicalismo na Argentina.

1919
O anarquista português Manuel Ribeiro funda a Federação Maximalista Portuguesa, a primeira organização a defender o leninismo no país e que viria a dar origem ao Partido Comunista.
No mesmo ano no Brasil é fundado o chamado Partido Comunista do Rio de Janeiro, que mistura anarquismo e maximalismo.
Em Portugal, em Coimbra, no Segundo Congresso Operário Nacional, foi fundada a Confederação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista e inicia-se a publicação do jornal A Batalha, o mais importante jornal anarco-sindicalista português.
Semana Trágica em Buenos Aires, greve geral violentamente reprimida, com centenas de mortos. É criada no Chile a IWW, central sindical de afinidade anarco-sindicalista.
É morto após a derrota da Revolução Alemã, o pensador anarquista Gustav Landauer. É fundada a organização anarco-sindicalista alemã Freie Arbeiter Union (FAU).
É criada em Moscou, a Internacional Comunista, conhecida por Terceira Internacional.

1920
Realizam-se, em Portugal, inúmeras greves, incluindo duas greves gerais. Morre precocemente em Portugal, Neno Vasco, um dos mais importantes militantes anarquistas de Portugal e do Brasil.
Realiza-se o Terceiro Congresso Operário Brasileiro.
Kropótkin escreve várias cartas a Lenin criticando a evolução autoritária da Revolução Russa.
É fundado em Milão o diário anarquista Umanità Nuova.
No Chile começa a publicar-se Claridad, a mais importante revista ácrata. Neste último país, durante a vaga repressiva deste ano, morreu na prisão o poeta libertário Gómez Rojas.

1921
Morre na Rússia o pensador anarquista Piotr Krópotkin, depois de um longo exílio na Europa. O seu funeral foi a última grande manifestação livre dos anarquistas russos.
Violenta repressão, na União Soviética, contra o soviete de Kronstadt e contra o movimento maknovista, abre caminho à violência autoritário do Partido Comunista.
É criado em Moscou a Internacional Sindical Vermelha (PROFINTERN) tendo por objetivo ampliar a influência dos partidos comunistas sob o movimento operário.
As tropas argentinas massacram os trabalhadores anarco-sindicalistas da Patagônia.

1922
Morre o importante escritor Lima Barreto autor de livros como Triste Fim de Policarpo Quaresma, colaborador da imprensa operária e simpatizante anarquista.
Terceiro Congresso Operário Nacional em Portugal reafirma o sindicalismo revolucionário.
Fundação do Partido Comunista do Brasil, aderente à Terceira Internacional, entre os fundadores estão vários ex-anarquistas.
Marcha sobre Roma dos fascistas italianos, lev a Mussolini ao poder, desencadeando a repressão sobre o movimento operário e socialista.
Em Salvador é fundada a Unión Obrera Salvadoreña, de tendência anarco-sindicalista e em Cuba a Federación Obrera de la Habana (FOH).
Nos Estados Unidos morre, de forma suspeita, na prisão o anarquista mexicano Flores Magón.
No Chile é fundada uma nova organização anarco-sindicalista, Federación Obrera Regional de Chile (que desaparece em 1927) e vai coexistir com a IWW também sindicalista revolucionária.

1923
É publicado um dos mais importantes livros anarquistas em língua portuguesa, A Concepção Anarquista de Sindicalismo, de Neno Vasco. Em Portugal greve geral de solidariedade com os mineiros. Realiza-se em Alenquer (Portugal) uma Conferência Anarquista que decide a criação da União Anarquista Portuguesa (UAP).
No México é fundada a Alianza Local Mexicana Anarquista (ALMA). No Peru anarco-sindicalistas criam a Federación Regional de Obreros Indios. O anarquista Kurt Wilckens mata na Argentina o coronel Varela, que comandou o massacre da Patagônia.

1924
Manifestações em vários países, incluindo Portugal e Brasil de solidariedade com os anarquistas Sacco e Vanzetti.
Criação, em Bogotá, do Grupo Sindicalista Antorcha Libertária, no ano seguinte seria criada a Federación Obrera del Litoral Atlântico (FOLA), anarco-sindicalista. É fundado por anarco-sindicalistas, no Panamá, o Sindicato General de Trabajadores. O anarquista colombiano Biófilo Panclasta participa de lutas operárias em São Paulo o que leva à sua prisão de deportação para o campo de concentração da Clevelândia, de onde veio a fugir. Chega à Argentina o militante anarquista francês Pierre Piller (Gaston Leval). No Chile a adoção do Código Trabalhista e de uma política de integração dos sindicatos no Estado, dá um rude golpe no sindicalismo autônomo.

1925
É fundada em Cuba a Confederación Nacional Obrera de Cuba, anarco-sindicalista. Realiza-se na Colômbia o Segundo Congresso Operário que decide criar a Confederación Obrera Nacional.

1926
Golpe Militar em Portugal abre o caminho à ditadura fascista, visando responder ao crescimento das lutas operárias.
Chega ao México o escritor e militante anarquista de origem polaca Ret Marut, que passou a assinar seus livros como Bruno Traven. Formação do primeiro grupo anarquista da Guatemala.

1927
Em Valência foi fundada a Federação Anarquista Ibérica (FAI) reunindo as organizações anarquistas das várias nacionalidades da península ibérica. Junto com a CNT, seriam as organizações que tiveram o papel decisivo na Revolução Espanhola de 1936.
São mortos nos Estados Unidos Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, trabalhadores anarquistas italianos, num processo judicial fraudulento, que provocou a indignação do movimento operário internacional.
Greve na Colômbia marca o momento mais alto do sindicalismo revolucionário no país.

1930
Golpe militar no Brasil prepara o caminho para a ditadura de Getúlio Vargas. Golpe militar do general Uriburu impõe uma ditadura a que seguirá uma outra de Perón, que destruirá o sindicalismo autônoma na Argentina.

1931
É fundada no Chile a Federación General de Trabajadores (CGT) anarco-sindicalista,
, com uma estrutura semelhante à FORA argentina.
Morre o anarquista francês Emile Pouget que, junto com Fernand Pelloutier, desenvolveu as idéias centrais do sindicalismo revolucionário.
Greves em Cuba promovidas pelos anarco-sindicalistas duram vários meses.

1932
Morre em Itália, sob liberdade vigiada, Errico Malatesta, o principal agitador e pensador anarquista italiano, que actuou em vários países, inclusive na Argentina.

1933
Os nazistas chegam ao poder na Alemanha desencadeando uma onda de repressão sobre as organizações operárias e socialistas.
Morre o poeta alemão John Henry Mackay, grande divulgador do pensamento de Stirner.

1934
A CGT portuguesa, anarco-sindicalista, desencadeia uma greve geral revolucionária em 18 de janeiro. A repressão que se seguiu, destruiu o sindicalismo revolucionário e institui o sindicalismo corporativista fascista.
Começa-se a publicar em França por iniciativa de Sebastian Faure a Enciclopédia Anarquista.
Diego Abad Santillán parte para Espanha onde teria um papel importante no contexto revolucionário.

1935
Morre em Paris o anarquista ucraniano, Nestor Mackhno, que teve de se refugiar no ocidente após ser perseguido pelo governo russo.
Morre, no Uruguai, o militante anarquista italiano Luigi Fabbri, companheiro de Malatesta que desenvolveu intensa atividade na Europa e no Uruguai.
Os anarquistas cubanos participam da luta contra a ditadura de Batista. É fundada clandestinamente na Argentina a Federación Anarco-Comunista Argentina (FACA)

1936
Como resposta ao golpe fascista do general Francisco Franco, os trabalhadores, sindicalistas e anarquistas assaltam os quartéis desencadeando um processo revolucionário libertário que teve de se confrontar com os fascistas de Franco, apoiados por Hitler, Mussoluni e Salazar e, internamente, com os estalinistas.
O revolucionário Victor Serge, ex-anarquista, que se tornou militante do Partido Comunista da União Soviética, consegue exilar-se no ocidente, após um movimento internacional de solidariedade, vindo a denunciar os crimes do estalinismo.
É morto a tiro, em condições nunca esclarecidas, Buenaventura Durruti, o mais famoso revolucionário anarquista do nosso século.

1937
Realizam-se vários atentados em Portugal contra objectivos ligados aos fascistas espanhóis e alguns militantes anarquistas executam um atentado contra o ditador Salazar, que consegue escapar com vida.
Militantes operários, incluindo anarquistas e comunistas são deportados para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde.
É implantada no Brasil a ditadura de Getúlio Vargas, adotando uma constituição de tipo fascista, passando a desencadear a sistemática repressão contra o movimento operário e particularmente sobre os anarquistas.
É morto por estalinistas em Espanha o militante anarquista italiano Camilo Berneri.
É criada em Portugal a Federação Anarquista da Região Portuguesa (FARP).

1939
As tropas de Franco derrotam as forças anti-fascistas, seguindo-se uma violenta repressão e o exílio de centenas de milhares de operários e anarquistas, que se refugiam em França, vindo alguns mais tarde para a América Latina. Franco e Salazar estabelecem o Pacto Ibérico, fundamentalmente destinado a articular a repressão contra, o movimento operário.
Começa a Segunda Guerra Mundial desencadeando-se a expansão nazi-fascista.
Morre em Monte Carlo, Benjamin Tucker um dos mais destacados pensadores libertários americanos.

1940
Morre Emma Goldman militante anarquista de origem russa, que teve uma importância central no anarquismo dos EUA. Expulsa em 1919 para a Rússia teve de deixar o país pelas suas críticas à evolução autoritária da Revolução Soviética. Foi uma das primeiras vozes a levantar-se contra o autoritarismo comunista


(continua...)

Um outro mundo é possível ... sem as Instituições Financeiras Internacionais


Até a década de 50 os países eram apenas isso: países. Durante a presidência dos Estados Unidos de Harry Truman, os países foram classificados em “desenvolvidos” e “subdesenvolvidos”, dependendo de se estavam perto ou longe do modelo dos EUA. Desde a época o adjectivo negativo “subdesenvolvido” tem sido substituído pelo adjectivo mais positivo de “em desenvolvimento”. O facto de que a maioria dos países “em desenvolvimento” estão agora em pior situação social, económica e ambiental do que estavam quando eram classificados como tais não é nem sequer assunto de muito debate.

O que é importante –para os países “desenvolvidos”- é manter a ilusão de que os países “em desenvolvimento” PODEM efectivamente desenvolver-se e ser similares ao modelo ocidental. Esse é precisamente um dos objectivos das Instituições Financeiras Internacionais (IFIs): manter viva a ilusão. O seu objectivo é logicamente outro: garantir que os recursos dos países “em desenvolvimento” continuem fluindo para as nações “desenvolvidas” e economicamente ricas que continuem ainda mais ricas no processo, enquanto os países “em desenvolvimento” continuem mais pobres. Lamentavelmente as IFIs têm tido sucesso até agora.

As duas IFIs mais conhecidas são logicamente o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, mas elas são assistidas na mesma tarefa pelos Bancos de Desenvolvimento Africano, Asiático e Interamericano, bem como pelo Banco Europeu de Investimento e uma série de Agências de Crédito às Exportações do Norte.

O financiamento de todas essas instituições –que supostamente têm o fim de assistir no “desenvolvimento” dos países - tem resultado num amplo empobrecimento e destruição ambiental, enquanto ao mesmo tempo aumenta a dívida externa nos países do sul com a resultante dependência dos governos nessas mesmas instituições. Essa situação de dependência é então usada pelas IFIs para impôr condições favoráveis –que claramente afectam a soberania dos países - para o investimento e a apropriação de recursos pelo norte.

No caso das florestas, os rastos das IFIs estão presentes –directa ou indirectamente - na maioria dos processos que levam ao desmatamento. Tomemos o caso da região amazónica. O desmatamento foi em primeiro lugar possível pelos empréstimos das IFIs para a construção de rodovias na floresta. Isso fez possível o corte de madeira com fins industriais, a criação de gado, a agricultura em grande escala, a mineração, as barragens e a exploração de petróleo, resultando em destruição florestal extensiva e violações aos direitos humanos. A maioria dessas actividades também foram possíveis através dos empréstimos das IFIs. Apesar do despojamento de recursos, os países da região amazónica endividaram-se e as condições das IFIs forçaram-nos a aumentar a exploração de recursos para exportação com o fim de pagar a dívida externa. Ao mesmo tempo, incluíram-se imposições adicionais nos programas de ajuste estrutural que abriram ainda mais as riquezas dos países para as corporações do norte. Um padrão similar pode ser facilmente identificado na África e na Ásia tropical.

Inclusive agora, quando os ministros de finanças das sete nações mais ricas do mundo prometeram recentemente cancelar as dívidas dos países mais pobres perante o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, eles estão perseguindo os mesmos objectivos que antigamente. Isso fica claro no parágrafo 2 da declaração dos ministros de finanças, que diz que para poder ser liberados da dívida, os países em desenvolvimento devem “...estimular o desenvolvimento do sector privado” e eliminar “impedimentos ao investimento privado, tanto nacional como estrangeiro”. Isso significa abrir as portas ainda mais às corporações transnacionais bem como privatizar tudo o que possa ser privatizado, incluindo as necessidades básicas das pessoas –como água, atenção da saúde, segurança social, educação, bens de propriedade do estado de qualquer tipo e até a atmosfera (através do comércio de carbono relacionado com a mudança climática).

É claro que o que as pessoas e o meio ambiente necessitam é exactamente o contrário: entre outras coisas, estimular o desenvolvimento comunitário, estabelecer impedimentos claros ao investimento privado destruidor, garantir o livre acesso das pessoas à água, à atenção da saúde, à segurança social, à educação. Enquanto empurram na direcção oposta, resulta claro que as IFIs não fazem parte da solução aos problemas do mundo, mas são um dos actores principais no seu incremento. São ferramentas utilizadas pelos poderosos em actividades socialmente e ambientalmente destruidoras.

Portanto, um outro mundo é possível sem essas instituições.

Texto do:
Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais – Amigos da Terra Internacional

1.11.05

470 físicos contra a política militar norte-americana


Mais de 470 físicos norte-americanos, 7 dos quais laureados com o prémio Nobel, acabaram de assinar uma petição a mostrarem-se contra o projecto do Departamento da Defesa dos Estados Unidos que visa autorizar o recurso às armas nucleares contra os países não nuclearizados.
Esta alteração é vista como um preparativo para uma possível e futuro ataque ao Irão com armas nucleares.
Recorde-se que nos anos 1960 foi consagrada nos Estados Unidos a doutrina política segundo a qual o emprego da bomba atómica só se pode dar em resposta ao ataque de uma potência nuclear. Ora segundo reza o texto que pretende visar a nova orientação da doutrina militar dos Estados Unidos, o Exército dos Estados Unidos poderá desencadear uma ataque nuclear « a fim de favorecer o fim de um conflito armado, para garantir o sucesso de operações militares norte-americanas e internacionais, para prevenir toda a tentativa de emprego de armas de destruição maciça da parte do adversário ou para responder a uma ataque com armas de destruição maciça».
Segundo os signatários desta petição contra esta nova doutrina militar o governo norte-americano pretender ampliar as possibilidades de uso das armas nucleares, convencionais, químicas e biológicas, o que significa também a intenção governamental dos Estados Unidos de enterrar o tratado de não proliferação de armas nucleares.

Fonte:
http://www.infoscience.fr/breves/breves.php3?niv=1&Ref=1793

Anti-arte e a sua recuperação pelo mercado



As primeiras vanguardas, tais como o fauvismo, o expressionismo ou o cubismo, apesar de veicularem propostas revolucionárias, não conseguiram superar as categorias convencionais com que a Academia tradicionalmente divide e classifica as artes: pintura, poesia e escultura. Aqueles artistas vanguardistas do princípio do século XX não só continuaram a pintar quadros e esculpindo formas como ainda continuaram aferrados à ideia de estilo que caracterizou os seus respectivos movimentos.
Fugindo aos horrores da guerra, um grupo de poetas e artistas vanguardistas refugiaram-se, entretanto, em Zurique e concluíram então que a racionalidade do pensamento bem assim como o refinamento das artes não serviram para travar o massacre da guerra pelo que, em consequências, vieram a optar por uma arte irracional e provocadora. É assim que surge por volta de 1916 o dadaísmo, um movimento artístico que renega a pintura de cavalete, a poesia discursiva e a estatuária representativa para, em alternativa, proporem umas obras híbridas, nas quais o quotidiano e o fantástico se dão as mãos aos misturarem objectos, palavras, cores, sons, volumes e movimentos numa mesma obra, sem atender a regras. Mas ainda foram mais longe quando qualificaram os seus próprios actos e criações como de antiarte e, coerentemente, alguns deles renunciaram ao conceito de autoria sobre a qual repousava a visão romântica de arte.

Os ready made de Marcel Duchamp, os poemas optofonéticos de Raoul Hausmann, os «merz» de Kurt Schwitters, os collages de Max Ernst, as películas rítmicas de Hans Richter, os relevos biomórficos de Jan Arp , os mecanismos de Francis Picabia, as proclamações políticas de Johannes Baader, as «raiografias» de Man Ray, a música para mobilar de Eric Satie, as denuncias antimilitaristas de George Groszy e as fotomontagens de Hannah Hoch são ainda hoje fontes inesgotáveis de sugestões para a criação.
A enorme variedade de fenómenos artísticos que originaram as vanguardas entre 1905 e 1914, ano em os grupos dadaístas se dissolveram, constituiu o caldo de cultura de praticamente todas as tendências e comportamentos artísticos do século XX. De resto, o enorme potencial criativo que deram mostram ainda é fonte e génese de muitas correntes e atitudes, quando sobre o seu acervo e influência se aplicam os novos meios e tecnologias.
Assim, por exemplo, as propostas dadaístas não influenciaram apenas o surrealismo mas marcaram ainda o dripping de Jackson Pollock, a aleatoriedade sonora de John Cage, os objectos pop de Claes Oldenburg, as apropriações de Jeff Koons, a técnica de amontoamentos de Robert Rauschenberg e de Arman, os happenings do grupo Fluxus e as derivas da Internacional Situacionista, bem como a poesia fonética de Erns Jandel, que constituem algumas das amostras da grande herança artística que o dadaísmo deixou.
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Infelizmente a irreverência subversiva do dadaísmo tem vindo a perder-se senão mesmo a desaparecer. O humor, a paródia, a irracionalidade e o absurdo que tinham sido as armas contra a situação opressiva da época são hoje, desgraçadamente, meros recursos compositivos utilizados, sem qualquer sentido crítico, pelos artistas nas suas obras convertidas em meras banalidades.
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Perante a provocação e a surpresa de que se revestiam as criações dadaístas, muitas das actuais obras contemporâneas não deixam de gerar a quem as vê uma sensação de fastio, de já visto e de indiferença. Os antigos recursos subversivos dos dadaístas converteram-se nas mãos dos artistas do actual mercado em meros elementos decorativos que não param de lhes encher as carteiras

Uma outra cidade é possível



Uma cidade justa é aquela em que a justiça, a alimentação, a habitação, a educação, a saúde e a esperança estejam distribuída de maneira justa

Uma cidade bela é aquela em que a arte, a arquitectura e a paisagem estimulem a imaginação e o espírito

Uma cidade criativa é aquela em que o pensamento livre e o experimentalismo mobilizem o potencial criativo dos seus cidadãos e permitam uma resposta rápida às mudanças.

Uma cidade ecológica é aquela que minimize o seu impacte ecológico, aquela em que a paisagem e a parte construída estejam em equilíbrio, e em que os edifícios e as infraestruturas sejam seguros além de se mostrarem eficientes no uso dos recursos.

Uma cidade de fácil contacto e mobilidade, na qual se troque informação entre as pessoas como por via electrónica

Uma cidade compacta e policêntrica que proteja o campo, para que o principal sejam as comunidades e a sua integração nos bairros e que se maximize a proximidade.

Uma cidade diversa em que uma ampla gama de actividades se desenvolvam, criem animação, inspiração e fomentem uma intensa vida pública

Autor: H. Girard

A linguagem do poder descodificada


Quando eles dizem segurança, querem falar de repressão

Quando eles falam de modernização, querem dizer desorganização e desmantelamento social

Quando eles falam de reestruturação, estão a confessar o seu objectivo de desempregar alguém.

Quando eles se referem a uma redução de custos, querem referir-se a uma repartição de prejuízos.

Quando eles mencionam a confiança das famílias querem referir-se ao poder de compra

Quando eles escrevem operações cirúrgicas, deve-se entender por bombardeamentos massivos

Quando eles falam de Planos Sociais, referem-se a despedimentos colectivos

Quando eles falam de danos colaterais, referem-se a bombardeamentos a populações civis

Quando eles falam de abertura do capital, querem referir-se a uma privatização

Quando falam de comunicação, querem referir-se a propaganda.

Quando falam de flexibilidade, querem referir-se a trabalho precário.

Quando falam de recursos humanos, estão a pensar nos trabalhadores

Ver:
http://www.legrandsoir.info/article.php3?id_article=29

(continua…)