2.6.05

Marcha pelo Decrescimento (7 de Junho a 3 de Julho)



Na linha das grandes marchas não-violentas, uma grande Marcha pelo Decrescimento será realizada em França durante o mês de Junho. Está aberta a todos que queiram resistir à sociedade de consumo, ao desperdício, ao crescimento económico, aos que contestam a ideologia publicitária e que querem transformar o mundo e o seu modo de vida.
Será um grande Marcha pelos camihos, sem recurso a motores, em que há todo o tempo para conversar, debater e trocar impressões e ideias.
Na Marcha integrar-se-á François Schneider que, desde há uma ano, promove o decrescimento através de uma caminhada pelas várias regiões francesas.
A Marcha pelo Decrescimento começara em Lyon a 7 de Junho e terminará no circuito de Magny-Cours, onde se irá pedir a supressão do Grande Prémio de Fórmula 1 que é, sem dúvida, um símbolo do desperdício em todos os sentidos.

Mais info.
www.decroisance.org/marche

Patrocinadores desta Marcha:
www.casseursdepub.org
www.decroissance.org
www.ecologiste.org
www.revuesilence.net
www.sortirdunucleaire.org
www.natureetprogres.org

Para acabar com os Grandes Prémios de F1



«Já é tempo de compreender a loucura que é andar depressa quando se anda às voltas»
Albert Jacquard


A primeira campanha pela supressão dos Grandes Prémios de Fórmula 1 foi realizada em 2001 por iniciativa da associação francesa Casseurs de Pub com o envio de mais de 10.000 postais-requerimento ao Presidente da República.
Nesse ano os activistas fizeram mais de 240 km de bicicleta até ao local onde se desenrolava as corridas de F 1 e colocaram uma cartaz gigante perto da pista onde se podia ler «Salvemos o clima».

No ano passado os activistas franceses, poucos minutos antes da partida dos carros, saltaram para a pista obrigando ao atraso do início da corrida. A sua acção teve impacte nos media que mostraram a contradição entre a ideia de «desenvolvimento sustentável» e a enorme demonstração de velocidade ( e de irresponsabilidade) que constitui a organização deste tipo de corridas numa cidade como é Lyon.
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Este ano estão também previstas várias acções no mesmo sentido.

Dias mundiais do ambiente ( 2 a 5 de Junho)



Não basta ter um dia mundial do ambiente ( 5 de Junho).
Foi a pensar nessas limitações que este ano foram programadas várias iniciativas nos Estados Unidos ao longo dos primeiros dias de Junho a fim de promover a sensibilização ambiental ( arte no espaço público, festival de cinema ambiental ,etc, etc).

Pode-se consultar e acompanhá-las por intermédio do site:
http://www.wed2005.org/

As grandes Marchas Não-Violentas


1930 na Índia, Mahatma Gandhi lança uma Marcha pela independência da Índia. Eram 79 à partida mas foram 50.000 os que chegaram ao Oceano Índico, no outro extremo do continente indiano.

1963 nos Estados Unidos, Martin Luther King organiza a Marcha de Washington que consegue reunir 250.000 pessoas e culmina com o célebre discurso «A have a dream»

1973 em França, os agricultores de Larzac marcham em direcção a Paris (750 km) para lutar contra a extensão de um campo militar na sua região.

1982 em França, activistas antinucleares partem a pé, junto do supergerador Superphénix em Malville ( Isère), em direcção ao Eliseu (Paris). Na chegada contam 2.000 caminhantes.

1995 na Europa, por iniciativa da associação ecologista e pacifista «Mother of Earth» realiza-se uma marcha durante 10 meses de Janeiro a Outubro entre Bruxelas e Moscovo ( 5.500 Km) em prol de «um mundo sem nuclear»

1997 na Europa, realiza-se a Marcha dos Desempregrados e Precários, reunindo 500 pessoas, e que percorrem toda a Europa até chegarem a Amsterdão onde se realizava a Cimeira da União Europeia. Uma manifestação de 50.000 teve lugar à chegada.

2001 no México, os zapatistas marcham pela igualdade de direitos dos índigenas. Fazem 3.000 Km por todo o México conseguindo entabular negociações com o novo governo no final da Marcha.

1.6.05

As Nanotecnologias



As nanotecnologias são técnicas de manipulação efectuadas à escala microscópica a partir de átomos e moléculas.
Curiosamente os media dão sempre exemplos positivos: a possibilidade de ter uma t-shirt que muda de cor, pinturas de paredes que podem mudar de cor através de um simples interruptor, etc.
Mas as coisas são mais complicadas. É que as nanotecnologias podem permitir a produção de armas que ultrapassam tudo o que possamos imaginar, como a destruição do corpo…a partir do seu interior. Isto é: destruir o ser vivo, sem destruir a matéria – eis o velho sonho dos militares…
Outro exemplo arrepiante: introduzindo um robot miniatura no aparelho digestivo, será possível vigiar o que a pessoa vai comendo…
Para a vigilância electrónica já existem chips subcutâneos.

Com as OGMs e as indústrias nucleares, as nanotecnologias completarão o arsenal de dispositivos que permitirá o controle totalitário dos indivíduos.

Mais info:
http://pmo.erreur404.org/PMOtotale.htm

A posse da armas nucleares é ilegal


Em 8 de Julho de 1996 o Tribunal Internacional de Haia declarou que a posse de armas nucleares é ilegal.

Tomando à letra esta decisão, activistas anti-nucleares belgas têm entrado em bases militares ( como a de Kleine Brugel, em 10/11/2004) a fim de efectuarem inspecções civis.
Para além disso, muitos activistas têm apresentado queixas à polícia contra a presença ilegal de armas nucleares no seu território

O que os militares norte-americanos fazem para aliciar os jovens…!!!



David McSwane, aluno do 12º ano no Colorado, decidiu saber até onde os recrutadores do exército norte-americano estavam prontos a chegar para aliciarem os voluntários, numa altura em que a guerra do Iraque fez baixar as vocações para a carreira militar. Em Janeiro, David entrou em contacto com o seu centro de recrutamento fazendo-se passar por um jovem à deriva, mas interessado em alistar-se no exército. Confessou que não possuía diploma algum. Ora segundo o regulamento, os recrutas do Exército devem ter, pelo menos, um certificado de escolaridade de nível liceal (isto é, da escolaridade obrigatória). Não há problema, responderam-lhe. Bastará fabricar um, sendo mais seguro arranjar um de uma escola inexistentes. O recrutador até sugeriu um nome, a Faith Hill Baptist School. Por 200 dólares, David conseguiu pela Internet obter um falso diploma no nome deste estabelecimento fictício. Referiu-se, depois, a um problema com as drogas. Quanto a isso, não há problema nenhum. O recrutador logo recomendou um kit de desintoxicação que fazia desaparecer os traços em caso de análise. Levou inclusivamente o seu pupilo a um estabelecimento comercial para a sua aquisição.
David McSwane teve o cuidado de gravar as conversas telefónicas, e convenceu a sua irmã mais nova, de 11 anos, a fotografar e pediu a uma amigo para filmar os seus encontros com uma câmara escondida. No passado dia 17 de Março publicou o seu relato no jornal do liceu de Arvada. Em Abril a cadeia CBS difunde as suas gravações. E no mês de Maio o assunto ganha contornos de debate nacional.
Desde 1973 e o fim da guerra do Vietname o exército norte-americano é constituído por voluntários. O recrutamento conhece hoje uma crise sem precedentes. Falta, 6.000 efectivos ao exército de terra para se atingir o objectivo fixado de 80.000 elementos até Outubro. Aos 7.500 oficiais recrutadores foi entregue a tarefa de recrutarem 2 voluntários por mês. A aproximação do final do ano lectivo faz aumentar a pressão, e foram registados centenas de casos de excesso de zelo. Mas só 7 incidentes foram qualificados por má conduta. Os recrutamentos foram, entretanto, suspensos a fim de permitir um apelo à ética e ao cumprimento do regulamento.
Note-se que os elementos recrutadores têm acesso aos estabelecimento. Podem circular na cantina, no buffet e até estarem presentes nas reuniões com os pais dos alunos. Oferecem bilhetes para concertos e jogos desportivos. Os pais queixam-se de intromissões, mas é o próprio liceu que fornece os números de telefone pessoal aos militares. As escolas são obrigadas a fornecer os seus ficheiros ao exército sob pena de perderem os financiamentos públicos. Não há muito, o representante da Califórnia, Mike Honda, apresentou um projecto de lei que impeça o fornecimento dos dados dos alunos ao exército salvo expressa autorização dos pais. Entretanto, um distrito escolar do Estado de New York, que recusou o acesso àqueles dados, aguarda a visita por estes dias de um coronel que não deixará de os incentivar a cooperarem.

( texto publicado no Le monde, de 1 de Junho de 2005)

Mulheres de negro



Em numerosos países têm aparecido grupos de mulheres de negro para protestar pacificamente contra a guerra, a violência e o militarismo.
A origem do movimento encontra-se em Buenos Aires, na Argentina, durante os anos 70, quando surgiram mulheres vestidas de negro a protestar contra os desaparecimentos ocorridos durante a ditadura dos generais argentinos. O movimento das mulheres de negro também se fez sentir na África do Sul, com as Black Sash, que protestavam igualmente contra os desaparecimentos relacionados com a imposição do apartheid.
Recorde-se ainda que já houve grupos de mulheres de negro durante a Primeira Guerra Mundial contra o militarismo e a guerra.
Grupos semelhantes de mulheres de negro voltaram a surgir depois de um apelo lançado pelas mulheres israelitas em 1988 para protestar contra apolítica levada a cabo pelo seu governo.
Na Bélgica vários grupos de mulheres de negro têm realizado acções de protesto contra os centros de retenção e as expulsões de imigrantes.
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links:

Burótica, um enorme esbanjamento de energia



A burótica, e mais particularmente os computadores, entraram de rompante nas nossas vidas, e é muito difícil questionar o seu uso, se este se pautar por níveis de grande exigência. Processamento de texto, poder de cálculo, modelização de fenómenos complexos são, entre outros, serviços prestados pelos computadores que, dificilmente, poderíamos prescindir. Muito do que usufruímos devem-se aos computadores que nos permitem gerir, seleccionar centenas e milhões de dados.
Mas não é despiciendo perguntamo-nos se será necessário aceitar toda esta deriva energética em que a burótica se lançou nos últimos anos. A resposta é um rotundo não. Mas vejamos de perto do que falamos…
Em média o consumo de um computador é de 362 kWh/na. Se supusermos que existam 20 milhões de computadores, isto levar-nos-á a um consumo anual de 7,2 TWh, ou seja a produção de uma grande central nuclear.
Os parâmetros que influem no consumo de um computador são o tamanho e a tecnologia do ecrã, o poder de paragem da unidade central e do ecrã e, evidentemente, o tempo do seu funcionamento.
Um computador com um ecrã catódico de 21’’ consome em média 306 kWh. Se se contentar com um ecrã de 17’’, o consumo cai para os 170 kWh. E se adoptarmos um ecrã plano de 17’’, o consumo não será mais que 102 kWh. Se tivermos um de 15’’, o consumo anual não ultrapassará os 59 kWh.
Os ecrãs planos consomem em média muito menos, cerca de 2,3 vezes menos, que os ecrãs catódicos. Não vale a pena comprar um ecrã grande se não tivermos necessidade dele. Note-se que, depois de fechado, o ecrã ainda continua a consumir ( uma potência entre 1,7 a 2,7 w). Para evitar isso há que desligar o interruptor, cortando a passagem de energia.
A solução mais cómoda é, sem dúvida, o computador portátil, uma vez que a sua potência média é 25 W. Como o trabalho no portátil nem sempre é confortável, desenvolveram-se as «estações de acolhimento». Trata-se de terminais que compreendem um ecrã plano de 15’’ e um teclado a que se liga o portátil quando queremos trabalhar. A vantagem é beneficiar do fraco consumo do portátil e do conforto da estação.
Em média, um portátil não consome mais que 53 kWh por ano, isto é, dez vezes menos que um computador pessoal com um ecrã catódico de 21’’

A grande questão está em saber como se pode fazer melhor gastando menos. Para isso é preciso entender como os computadores são utilizados nas empresas. E aí começam as surpresas. Um estudo feito mostrou que uma unidade central funciona em média 4004 h/ano, ou seja, 17,8 h. por dia de trabalho, e um ecrã 2510 h./ano, ou seja, 11,2 h. por dia de trabalho. Claro que as máquinas funcionam mesmo sem nenhuma pessoa a trabalhar com elas. Note-se que o tempo de funcionamento dos ecrãs é inferior ao das unidades centrais porque 46% deles estão sob controle de um gestor de energia que os fecha quando não são utilizados. Mesmo assim é importante notar que 7% do consumo anual dos computadores corresponde a um consumo de véspera ( quando o computador é encerrado).
Mas as surpresas continuam porque, graças a um dispositivo específico de medição, vê-se o tempo durante o qual um computador de escritório é realmente utilizado (desde que é accionado pelo rato ou teclado): 686 h./ano, ou seja, 3,0h. por dia de trabalho! Tal significa que uma unidade central é utilizada 17% do tempo em que está em funcionamento, e o ecrã é utilizado 25% do tempo de funcionamento. Todo o tempo restante é esbanjamento e desperdício.
Face a isto não deve ser difícil melhorar as coisas e reduzir os consumos. Vamos indicar as medidas prioritárias começando por aquelas que não custam nada.
A primeira é, pois, gratuita e fácil. Em todas as máquinas vendidas desde há 4 a 5 anos existe um gestor de energia. Trata-se do Energy Star. Acontece que ele nunca é activado, excepto em certos ecrãs. É, pois, aconselhável ir activá-lo no painel da configuração onde diz »Opções de alimentação». Seleccione-se a opção da paragem do ecrã após 10 minutos de inutilização e a paragem da unidade central após 20 minutos de não-uso. Esta simples medida permitirá uma redução média do consumo do ecrã em 60% e da unidade central em 51%
Se comprarmos uma multi-tomada com interruptor e a ligarmos à unidade central, ao ecrã a todos os periféricos, poder-se-á ganhar mais 6%, porque quando desligarmos o computador bastará cortar a alimentação de energia através do interruptor.
Se substituirmos os ecrãs catódicos pelos planos, activando a gestão de energia, a poupança de energia atingirá os 85 a 95%. E se utilizarmos uma «estação de acolhimento» ou um portátil, então a redução do consumo será de cerca de 83%. O simples uso de um portátil é que permitirá, enfim, a maior poupança ( cerca de 89%)

Um enorme potencial de economia

Se estendermos a análise ao conjunto de toda a burótica, então as coisas piam mais fino. O consumo anual observado é de cerca 878 kWh por assalariado. A este número deve acrescentar-se o consumo anual de electricidade específica e a que serve para a iluminação e o aquecimento no edifício, o que faz disparar os números para os 1552 kWh por pessoa, ou seja, mais de 50% que nos alojamentos residenciais.
Todos estes números mostram até que ponto estamos habituados ao esbanjamento e como o desperdício se banalizou no nosso quotidiano. Todavia, quanto será fácil fazer economias significativas no nosso dia-a-dia.

(tradução do texto publicado no nº 320 da revista Silence de Fevereiro de 2005)

Prémio Nobel da Paz censurada nos Estados Unidos


Shirin Ebadi, advogada iraniana, ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2003. Ele publicou entretanto as suas memórias onde expõe as suas opiniões sobre a mulher face ao Islão.
O livro foi proibido de se vender nos Estados Unidos com base num regulamento legal que impede «o comércio com o inimigo»…

Contra os casamentos forçados


A ONU está em vias de incluir os casamentos forçados na lista dos crimes contra a humanidade, considerando que se trata de um violência sexual

Para rir


Um velhote que vivia em Idaho (USA) decidiu plantar batatas no seu jardim, mas o trabalho era duro, pelo que decidiu escrever uma carta ao seu filho, que se encontrava preso, a fim de lhe pedir se o podia ajudar. Alguns dias mais tarde, recebe uma carta do filho: «Querido pai, semeia as batatas que quiseres, mas nunca no jardim, pois foi ali que enterrei os corpos». No dia seguinte, às 6 h. da manhã um exército de agentes do FBI e da polícia local invade a casa e o jardim do velhote, revolvem a terra do jardim à procura dos corpos. Em vão. Na semana seguinte, o velhote recebe outra carta do filho que lhe diz: «Querido pai, agora já podes plantar as tuas batatas no jardim.»

Publicidade pró-obesidade



Na Grã-Bretanha as publicidades para os produtos alimentares com alta percentagem de açúcar representam 20% do tempo publicitário, 59% das receitas publicitárias da TV, e 77% das receitas durante os períodos de programação infantil nas televisões.
Estudos efectuados mostram uma correspondência entre a obesidade das crianças e o tempo que passam diante das televisões.

Choveu menos de metade do habitual em Maio



Ao longo de Maio a chuva que caiu em Portugal continental não chegou a metade da média dos meses idênticos entre 1941 e 1998.
Em Maio a média de precipitação registada nas décadas anteriores foi de 68,5 milímetros, mas o mês de Maio que ontem findou trouxe apenas 27,4 milímetros ao território continental.

As doenças físicas para os operários, e as doenças mentais para os profissionais terciários



Segundo um estudo realizado sobre doenças profissionais, os operários são as primeiras vítimas de doenças físicas resultantes do seu trabalho repetitivo e perigoso, já as doenças mentais atingem sobretudo os quadros e as profissões terciárias.

Manif em Lisboa de trabalhadores credores de empresas falidas



Realizou-se em Lisboa uma manifestação de vários trabalhadores que se encontram na situação de credores da massa falida de empresas que encerraram por motivo de falência e que reclamaram o pagamento de 81,2 milhões de euros em salários e indemnizações em atraso. Este valor foi calculado com base numa amostra de 200 empresas que fecharam no distrito de Lisboa,e envolvem 18 mil trabalhadores.

Greve de 24 h. dos trabalhadores dos STCP

Os trabalhadores dos STCP do Porto realizaram ontem uma greve com uma adesão de 80% contra o bloqueio da revisão da contratação colectiva

Greve hoje na Yasaki, em Ovar

Os trabalhadores da Yasaki Saltano, em Ovar, cumprem hoje um dia de greve, contra a anunciada intenção da multinacional em despedir meio milhar de trabalhadores.

31.5.05

Os ecossistemas não têm preço...



O ritmo de esgotamento das matérias-primas é insustentável. E tal não diz unicamente respeito aos recursos não renováveis, os que têm origem mineral, como os hidrocarbonetos, os minerais e os metais. Também para os recursos renováveis, o ritmo de esgotamento é excessivo: é o caso da água, das pescas e das madeiras tropicais. O modo de produção é, além disso, gerador de poluição, redução da biodiversidade, e destruição do capital natural: o empobrecimento dos solos sob o efeito da agricultura intensiva, o aquecimento climático, o desaparecimento de espécies vivas ou a destruição de ecossistemas…

Não é, contudo, uma lei geral, e muitos exemplos existem que mostram os ecossistemas complexos podem ser muito produtivos sem estarem sob pressão excessiva sobre o seu ambiente.
Mas, sem dúvida, que o formidável crescimento da produção material e dos transportes, desde há dois séculos, veio a traduzir-se numa acentuação muito significativa da «pegada ecológica». Um recente relatório das Nações Unidas («Avaliação dos ecossistemas para o Milénio») constata que, « no decurso dos últimos cinquenta anos, a humanidade transformou mais intensa e rapidamente os ecossistemas do que em qualquer período da história humana». E acrescenta que o crescimento do bem estar que daí resultou para uma parte da humanidade foi feito «em detrimento das vantagens para as futuras gerações, daquilo que estas poderiam obter dos tais ecossistemas». Ou seja, estamos prestes a comer o que nos resta.

Ora o ritmo desta degradação não pára de aumentar. Os derivados de nitratos duplicaram desde 1960, e os dos fosfatos triplicaram. 60% do crescimento do efeito de estufa foram registados desde 1960. O desaparecimento de espécies animais são mil vezes mais ao longo do último século do que ao longo de milénios precedentes: 10% a 30% das espécies encontram-se ameaçadas. Uma parte não negligenciável destes problemas está ligada ao modelo de desenvolvimento industrial, que se mostra muito consumidor de recursos não renováveis. Ainda que terciarizadas, o consumo de matérias primas não pára de crescer: em seis anos (1998-2003) o consumo mundial do nickel aumentou em 16%, o do alumínio em 24%, o do cobre em 14% e o de chumbo em 13 %. Ritmos manifestamente excessivos para o futuro do nosso planeta.

Danos colaterais.

O problema não é tanto, como vulgarmente se crê, o risco de penúria. Tal risco só existe, a médio prazo, para o petróleo ( talvez, o urânio), o que explica, de resto, que a alta dos custos verificada actualmente não é conjuntural: o consumo de petróleo passou de 3 mil milhões a 4,5 mil milhões de toneladas anuais em vinte anos, um aumento de ultrapassa os novos recursos redescobertos durante o mesmo período .Quanto às outras matérias-primas, elas não correm o risco de se esgotarem.
Em contrapartida, o ritmo de extracção gera efeitos colaterais dramáticos para a populações atingidas: forte aumento da radioactividade foi registada no Níger, intoxicações por mercúrio para os produtores de moluscos, redução de superfícies agrícolas cultiváveis, descida dos lençóis de água, e desaparecimento de espécies utilizadas em certas actividades.
Verifica-se, sobretudo, um crescimento significativo da poluição difusa, a que ninguém se sente responsável porque todo o mundo é responsável: nitrificação dos lençóis freáticos causado pelo uso de produtos químicos na agricultura, salinização das terras, dispersão de metais pesados, poluições urbanas, etc. E, com certeza, há que acrescentar o aquecimento climático produzido pela acumulação dos gazes com efeito de estufa, devido principalmente à combustão de carvão e de hidrocarbonetos. O relatório da ONU sublinha que, no domínio das pescas e da água, as intervenções efectuadas ultrapassam já a capacidade regenerativa dos ecossistemas. Num total de 24 ecossistemas estudados pelos investigadores, 15 encontram-se degradados de forma profundamente inquietante.

A regulação dos preços não basta

O mecanismo dos preços – principal, senão mesmo a única via de regulação numa economia liberal – não permite travar de maneira significativa ( e, muito menos, inverter) toda esta degradação dos ecossistemas. Desde logo, porque a maior parte deles são ecossistemas não mercantis: as dificuldades dos pescadores tradicionais na Mauritânia e no Senegal, confrontados com a falta de peixe, não se repercutem em qualquer cotação bolsista, mas traduzem-se na prática na contínua degradação das condições de vida para aqueles que vivem desses ecossistemas.
Mesmo um alta de preços ( do petróleo, por exemplo) não reduz o consumo nem constitui grande estimulo para a produção de recursos alternativos renováveis. A alta o ouro negro nos últimos dois anos não impediu que a procura mundial continuasse a crescer 4% ao ano, principalmente devido ao aumento do parque de veículos e a lentidão de transformação dos sistemas de transportes no seio de um ambiente urbanizado que implicariam investimentos extremamente onerosos . A inércia não é absoluta, mas seriam necessários movimentos consideráveis no sistema de preços para as coisas se modificarem. No fundo, o ajustamento é pago pelas populações mais frágeis que pagam a maior factura para algo de que não são, de todo, responsáveis.
É, pois, pela via de políticas públicas cada vez mais restritivas que se poderá assegurar um desenvolvimento durável. E tal passará pela obrigação da reciclagem, o prolongamento do ciclo de vida dos produtos industriais, a sua redução no consumo, a fixação de taxas com efeitos no ambiente, etc. Já que o problema é mundial, as políticas públicas também o deverão ser. E como os meios dos países ricos não são os dos países pobres, tais políticas terão que ser também solidárias. Infelizmente, ainda não se começou a trilhar por esse caminho. A tomada de consciência planetária ainda não se deu, e a regra ainda continua a ser a de «cada um por si», e que os outros de desenrasquem.

( tradução do texto «Les écosystèmes n’ont pas de prix» publicado em Alternatives Economiques de Avril 2005)

Ecocrítica literária



A ecocrítica é o estudo das relações entre a literatura e o meio ambiente, segundo Cheryll Glotfelty na introdução do livro « The Ecocriticism Reader», que é, até ao momento, a obra mais completa sobre a matéria.
E não faltam críticos que têm explorado esta grelha de análise interdisciplinar, baseados no pressuposto ecológico de que tudo está interligado e, consequentemente, separar a qualidade de uma obra do seu contexto (sócio-económico, político, etc) será cair no simplismo redutor.
Segundo o próprio Glotfelty a evolução da ecocrítica processou-se ( e continuará a fazer-se) segundo o mesmo esquema evolutivo do feminismo: no início recorre-se às imagens da natureza na literatura canónica, tentando-se identificar determinados estereótipos ( Éden, Arcádia, etc) e ausências significativas; depois, num segundo momento, recupera-se alguma tradição marginalizada de textos escritos a partir da natureza; e, por último, evolui-se para uma fase teórica, preocupada por construções literárias do ser humano em relação com o seu meio natural, e daí o interesse por poéticas ligadas a movimentos como a ecologia profunda ou o ecofeminismo.
Como sempre acontece com os movimentos embrionários, logo apareceram uma praga de leituras fáceis que reivindicavam esta leitura analítica, sem com isso querer negar o aparecimento de uma série de perspectivas novas e interessantes desenvolvidas por um grupos de lúcidos ecocríticos.
No seu livro «The Environmental Imaginaions» , Lawrence Buell interessa-se pelos caminhos que levam do antropocentrismo e do egocentrismo para um ecocentrismo, procurando as obras, cujo meio natural deixou de ser um simples referencial e se tornou no verdadeiro protagonista. Estuda o «place-sense», ou seja, a consciência dos seres humanos – quer sejam narradores, personagens ou simples falantes poéticos – quanto à sua pertença a um lugar específico e que influencia, em grande medida, a sua forma de ser de agir. Existem muitos textos «ecológicos» que insistem na importância de um olhar atento, desfamiliarizador, sobre o espaço local; por outro lado, uma escrita acerca da morada ou oikos ( raiz etimológica latente na palavra ecologia) responderia à alienação que anda associada ao nosso modo de vida. Como diz Jonathan Bate, « a casa e a morada são importante para os seres humanos porque é sabido por todos o que é o desenraizamento ( o estar-sem.casa) e a alienação», enquanto outras espécies se encontram permanentemente dentro do seu ecossistema. O ser separado procura sempre efeitos catárticos na arte: « a arte é o lugar do exílio onde lamentamos a perda do nosso lugar na terra».
Ao reformular as relações entre o eu e o seu meio natural, Buell propões uma aesthtics of relinquishment, uma «estética de renúncia» que consiste fundamentalmente numa «literatura de simplicidade voluntária», em que o narrador ou o falante – personagens da obra – renunciam aos bens materiais. Mas também, de uma maneira mais radical, pode levar à renúncia do eu e a deixar-se permealizar pelo outro, ou a um cruzamento entre outros eus; outras vezes, é-se levado a uma personalização de seres não-humanos que eliminaria o abismo hierárquico entre o homo sapiens e as demais espécies; pode ainda ser-se levado a uma representação dos interesses e dos desejos das plantas e dos animais e a um retorno a formas míticas e animistas do passado.
Vários ecocríticos dedicaram-se a investigar formas pastoris. Terry Gifford, por exemplo, fala no seu livro «Green Voices» de uma poesia «post-pastoril» -a de Ted Hughes e Seamus Heaney, entre outros – em que o mundo estático da tradição virgiliana foi substituída por uma natureza dinâmica sujeita a processos cíclicos. A crítica marxista – nomeadamente Raymond Williams - refere-se às injustiças sociais que a poesia pastoril secularmente ocultou, mas Jonathan Bate defende que a representação de mundos ideais, ainda que aparentemente falseadora da realidade, é como que uma resposta a uma necessidade inerente ao ser humano, e como uma mecanismo admonitório e de sobrevivência para termos consciência das perdas provocadas pela degradação ecológica: «A idealização das comunidades orgânicas do passado, tal como a idolatria dos povos aborígenes que teriam supostamente evitado alguns males da modernidade, poderiam servir para uma máscara para as opressões do presente. Mas o mito de uma vida perdida não é menos importante pelo facto de ser mito e não história. Os mitos são imagens necessárias, relatos exemplares que ajudam a nossa espécie a dar sentido ao seu papel no mundo.»

Outros críticos investigaram as relações entre literatura e ciência: Fala-se muito, por exemplo, das ideias de Gary Snyder sobre a tradição poética como um processo análogo aos ciclos naturais de decomposição e de novo crescimento, em que o poeta seria emergia do detritus simbólico da biomassa morta, ou seja, dos escritores mortos. Fala-se também das reelaborações contemporâneas do mito do apocalipse, quer como holocausto nuclear, quer como destruição ecológica do nosso mundo em que os símbolos poéticos intemporais voltam a ser problemáticos: o ar transparente, hoje contaminado; o céu infinito, danificado pelo buraco do ozono; a chuva purificadora, convertida em chuva ácida; a terra-mãe, hoje desértica; os mares agonizantes; os rios e lagos mortos.

Também a teologia, especialmente a teologia da libertação, mostrou-se também sensível ao pensamento ecologista – e existem tanto na prosa de Boff como na poesia de Cardenal, por exemplo – um incisivo questionamento do cristianismo, a «religião mais antropocêntrica de todas a que o mundo conheceu.»
Por sua vez, o ecofeminismo ligou o activismo feminista com a causa ecologista e dedica-se ao estudo de como o androcentrismo moderno explorou quer as mulheres quer a natureza, ou como as metáforas e as imagens literárias reflectem a analogia mulher-natureza, e ainda como o actual interesse pela Deusa resulta de uma longa tradição mítica e literária que procede da tradição greco-latina, de Gaia dos hinos homéricos.
Por outro lado, os ecocríticos, enquanto se dedicam a recuperar a visão animista e harmónica das literaturas indígenas, também se viram para os discursos urbanos contemporâneos trespassados pelo lixo e despejos tóxicos.
Enfim, mil e um caminhos que o crítico e o leitor podem explorar, e que funcionam não só a nível social para despertar as nossas consciências adormecias em matéria ecológica, como também para enriquecer as nossas leituras.
Como quer que seja os notáveis estudos levados a cabo por Buell e Bate são a melhor garantia para o futuro da ecocrítica, pelo menos para os falantes de inglês. No mundo hispano é todo um imenso campo de investigação que se abre, e que se mantém virgem até agora.

Tradução de:
http://www.babab.com/no07/ecocritica.htm

Mais info em:
http://www.iyume.com/nonature/ecolinks.htm



Science and Ecocriticism
By Ursula K. Heise
The American Book Review 18.5 (July-August 1997): 4+.

Ecocriticism, or "green" criticism, is one of the most recent interdisciplinary fields to have emerged in literary and cultural studies. Ecocriticism analyzes the role that the natural environment plays in the imagination of a cultural community at a specific historical moment, examining how the concept of "nature" is defined, what values are assigned to it or denied it and why, and the way in which the relationship between humans and nature is envisioned. More specifically, it investigates how nature is used literally or metaphorically in certain literary or aesthetic genres and tropes, and what assumptions about nature underlie genres that may not address this topic directly. This analysis in turn allows ecocriticism to assess how certain historically conditioned concepts of nature and the natural, and particularly literary and artistic constructions of it, have come to shape current perceptions of the environment. In addition, some ecocritics understand their intellectual work as a direct intervention in current social, political, and economic debates surrounding environmental pollution and preservation.
Excerto de:
Science and Ecocriticism
By Ursula K. Heise
The American Book Review 18.5 (July-August 1997): 4+.