15.3.09

A crescente abstenção eleitoral nas democracias ( texto de João Bernardo)

Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes.


Por João Bernardo

Os inquéritos sociológicos indicam que a maioria dos participantes em eleições não se ilude quanto à eficácia do sufrágio, por isso vota mais contra um partido ou um candidato do que a favor de outro partido ou de outro candidato. Quer estas pessoas sejam de esquerda ou de direita ou de lugar nenhum, ir pregar-lhes que as eleições são um logro é chover no molhado.
Para evocar um exemplo do outro lado do mundo, recordo que nas eleições legislativas realizadas em Madagáscar em 1989 contaram-se cerca de 40% de abstenções, o que a oposição considerou uma vitória, visto que lançara um apelo nesse sentido. Mas como esta taxa de abstenção não parece superior à de outros países onde as oposições apelam à participação no voto, veremos neste artigo que com ou sem propaganda abstencionista não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa. Com efeito, serão raros aqueles que julgam que podem mudar o mundo através do voto. Uns esforçam-se por conservar o tipo de sociedade em que vivem, sem pretenderem alterá-la, e não há dúvida de que as eleições são adequadas para deixar tudo na mesma fingindo que mudam alguma coisa. Outros, os insatisfeitos, esperam, no máximo, que ao acirrarem as contradições no interior das classes dominantes e ao remodelarem o pessoal governante consigam respirar um pouco melhor. Mas quaisquer que sejam os espaços possíveis de obter através dos resultados eleitorais, o facto decisivo, a meu ver, consiste na enorme taxa de abstenções, e é este aspecto que vou aqui analisar. Deixo de lado os regimes ditatoriais, onde a participação no voto é manipulada e as estatísticas eleitorais são fictícias, e não mencionarei também os países africanos, onde a carência de infra-estruturas de comunicação torna o voto muito aleatório.

Começo pelo grande mestre da democracia representativa, os Estados Unidos, que desde a segunda guerra mundial se têm esforçado por impor o modelo a todo o mundo. Nos Estados Unidos é conveniente distinguir os anos em que ocorrem eleições apenas para a renovação parcial do Congresso e aqueles em que este tipo de votação coincide com a escolha do presidente da República, já que no primeiro caso a abstenção é notavelmente mais elevada. Nas eleições presidenciais a percentagem da população em idade de votar que se apresenta às urnas desceu gradualmente de cerca de 65% em 1960 para cerca de 55% em 1984. Nas eleições presidenciais de 1996 menos de metade do eleitorado votou; nunca a abstenção fora tão elevada neste tipo de eleições. A situação não se modificou substancialmente nas eleições presidenciais seguintes, pois em 2000 a taxa de participação foi apenas de 51%. Todavia, nas eleições presidenciais de 2004 foi já 61% do eleitorado a votar, uma tendência que se tornou mais acentuada em Novembro de 2008, quando votou 63% do eleitorado, a menor taxa de abstenção desde 1960. Isto significa que numa das campanhas presidenciais mais polarizadas, quando o país atravessava uma situação interna e externa particularmente difícil, o facto de um pouco menos de 2/3 dos potenciais eleitores se terem dirigido às urnas foi considerado como um notável acontecimento. Entretanto, o interesse tem sido menor quando as votações não são simultâneas com a eleição presidencial e se destinam apenas à renovação parcial do Congresso. Nestas, entre 1958 e 1970 só participou uma média de 44% do eleitorado, taxa que desceu para 36% entre 1974 e 1986. Nas eleições de 1990 apenas 1/3 do eleitorado se deu ao trabalho de votar, subindo a proporção em 1994, quando votaram 38% dos eleitores potenciais. Esta taxa repetiu-se praticamente em 2002, com uma participação de 39% do eleitorado. Em resumo, a democracia representativa tem mobilizado apenas entre 1/3 e 2/3 dos eleitores norte-americanos.

Note-se que nos Estados Unidos as percentagens de participantes e de abstencionistas são calculadas em função da população em idade de votar, enquanto que na maior parte dos outros países o cálculo é feito em função do número de inscritos nos registos eleitorais. Se contabilizássemos aquelas pessoas que nem sequer se incomodam a levar o nome para os recenseamentos, a abstenção eleitoral dos norte-americanos não ultrapassaria muito a europeia, embora o aumento da abstenção caracterize também as democracias da Europa.

Consideremos o caso da França, um dos países com tradição democrática mais arreigada e onde o voto mais cedo se universalizou. Na primeira volta das eleições presidenciais de 1995 a percentagem de participação desceu a um nível sem precedentes neste tipo de votação, 77%, ao mesmo tempo que a percentagem de votos nulos atingiu também um nível sem precedentes, 3%. A taxa de participação continuou a declinar, baixando para 72% na primeira volta das eleições presidenciais de 2002, enquanto na segunda volta subiu quase para 80%, mas é necessário recordar que nesta ocasião se tratava de uma escolha bastante polarizada, entre o candidato da extrema-direita e um candidato da direita conservadora apoiado por todos os centristas e pela esquerda. Quando os eleitores julgam tratar-se de uma opção significativa o interesse pela votação aumenta, como sucedeu também nas últimas eleições presidenciais, em 2007, quando a taxa de participação em ambas as voltas foi de 84%. Na escolha dos deputados, porém, a tendência tem sido para o aumento da abstenção. Na primeira volta das eleições legislativas de 1993 a taxa de abstenção foi de 31% e de 33% na segunda volta, e nas eleições legislativas de 1997 os números correspondentes foram 32% e 29%. Na primeira volta das eleições legislativas de 2002 a taxa de abstenção quase chegou aos 36%, maior do que em qualquer das voltas de todas as outras onze eleições legislativas da Quinta República. O desinteresse é mais pronunciado ainda nas eleições regionais, já que entre 1986 e 1998 a taxa de abstenção praticamente duplicou, passando para 42%.

Portugal é um país de somenos importância, mas como pode talvez interessar a alguns leitores do Passa Palavra, convém seguir a evolução da taxa de abstenção, que passou de menos de 1/4 para mais de 1/3. Nas eleições legislativas de 1987 a abstenção foi de 22% e subiu para 32% nas de 1991, chegando a 33% nas eleições legislativas de 1995 e a 38% nas de 1999 e de 2002. Nas eleições legislativas de 2005, porém, a taxa de abstenção baixou para 35%.

Mas na Europa o facto político decisivo é a progressiva unificação e a diluição gradual das soberanias nacionais, tornando-se muito significativo o desinteresse com que a população encara a única instituição representativa de âmbito supranacional. Nas eleições para o Parlamento Europeu a taxa média de participação, que foi de 62% em 1979, diminuiu de 1984 para 1989, passando de 61% para 59%, embora estes números disfarcem oscilações acentuadas, como sucedeu na Irlanda, onde a participação naquele período subiu de 48% para 68%, e em Espanha, onde baixou de 70% em 1987 para 55% em 1989. Nas eleições seguintes, efectuadas em 1994, a taxa global de participação desceu para 56%, só aumentando no Luxemburgo, em Espanha, em França e na Dinamarca; e é curioso verificar que na Irlanda, a estrela das eleições anteriores, a participação desceu então para 37%. Em 1999 a participação igualou as abstenções, ambas com 50%, e continuou a descer nas eleições de 2004, quando mal ultrapassou os 45%, embora com grandes variações, desde a Itália, com uma participação de 73%, até à Suécia, com 37%. Entre os novos membros da Europa de Leste o desinteresse foi mais notório ainda. Na Hungria a participação nas eleições de 2004 foi de 39%, na República Checa foi de 28%, na Polónia foi de 20% e na Eslováquia foi a mais baixa de toda a União, com 17%. A participação média nos dez novos países foi de 27%, enquanto os quinze países membros de mais longa data registaram 50% de participação. O secretismo de que se rodeiam as decisões da Comissão Europeia ajuda a compreender, tanto enquanto causa como enquanto resultado, o desinteresse com que uma porção tão significativa de potenciais eleitores encara a escolha dos eurodeputados. Com efeito, e excluindo os países onde o voto é obrigatório, a abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu tem sido consideravelmente superior à verificada nas eleições legislativas nacionais.

A maior prova que a democracia representativa enfrentou nos últimos tempos consistiu no final da guerra fria e na desagregação da esfera soviética. Esperar-se-ia que a população dos países do leste da Europa, cansada de ditaduras e de eleições fictícias, se precipitasse para as urnas, mas em vez disso verificou-se que, quanto mais vigorosa era a tradição de luta contra o sistema soviético, menor era o interesse pelas eleições. Deparo por vezes com o argumento de que a indiferença perante o sufrágio resultaria do facto de aqueles países saírem de regimes ditatoriais e não estarem preparados para a democracia. Mas em Portugal a primeira votação realizada após o derrube de um regime fascista com meio século de existência − a escolha da Assembleia Constituinte em Abril de 1975 − atraiu 91% do eleitorado. O desinteresse pelas eleições na Europa de Leste e na Rússia mostra que, se aquelas populações não desejavam a antiga burocracia, não queriam também a tecnocracia de inspiração norte-americana.

A Polónia foi um dos países onde mais repetidamente e mais generalizadamente se contestou o regime soviético. Ora, em 1989, nas eleições legislativas que consagraram o triunfo do Solidarność, as abstenções chegaram quase a 38%. Nas eleições autárquicas de Maio de 1990 a afluência às urnas limitou-se a 42% dos inscritos e em Novembro desse ano, na primeira volta das eleições presidenciais, só votaram cerca de 65%, uma taxa que na segunda volta, em Dezembro, caiu para 47%. A participação foi inferior ainda nas eleições legislativas de 1991, descendo para 43%. Nas eleições legislativas de 1993 registou-se uma subida, com uma taxa de participação de 52%, mas a anterior tendência foi retomada nas eleições legislativas de 2001, em que a participação foi de 46%, continuando a declinar até que as eleições legislativas de 2005 mobilizaram apenas 2/5 dos inscritos, a menor percentagem desde o final do sistema soviético. O desinteresse dos polacos pela democracia representativa confirma-se ao sabermos que a mais elevada taxa de participação nas eleições legislativas desde 1990 verificou-se em 2007, sem chegar sequer aos 54%.

Também na Hungria, cuja população se havia notabilizado em 1956 numa insurreição contra a hegemonia de Moscovo e contra o sistema soviético, a democracia representativa não foi inicialmente saudada com grande entusiasmo. Na primeira volta das eleições legislativas de Março de 1990 a taxa de participação foi de 65%, e nas eleições autárquicas de Setembro desse ano a participação reduziu-se a 40%, sendo ainda inferior nas cidades, o que obrigou a repetir a votação na maior parte dos municípios. A participação aumentou em seguida, chegando a 69% na primeira volta das eleições legislativas de 1994 e subindo para 71% na primeira volta das de 2002 e para 74% na segunda volta. Malgrado esta baixa da abstenção, tudo o que se pode dizer é que os húngaros passaram a revelar pelo processo eleitoral o mesmo grau de indiferença de alguns países da Europa ocidental.

Igualmente significativo é o facto de na República Democrática Alemã, ou seja, a Alemanha de Leste, até então integrada na órbita soviética, a afluência às urnas nas eleições autárquicas de Maio de 1990 ter registado uma descida de 18% relativamente às eleições legislativas de Março daquele ano, votando apenas 75% do eleitorado. E na Alemanha unificada, incluindo portanto o território da antiga República Democrática, a taxa de participação nas eleições legislativas de 1990 foi de 78%, a menor desde 1949.

Naqueles países onde o sistema soviético encontrara maior aceitação ou, pelo menos, onde a oposição fora menos estridente, as taxas de participação eleitoral começaram por atingir níveis superiores. Mas seguidamente a abstenção progrediu e instalou-se o desinteresse, de modo que em toda a Europa de Leste a população não se mostra hoje muito agradecida pela oportunidade que lhe deram de enfiar livremente papelinhos em urnas. Um caso sintomático é o da Bulgária, onde nas eleições legislativas de 1990 votaram mais de 90% dos inscritos. A taxa de participação, porém, desceu para 86% nas eleições legislativas de 1991, e foi de 73% na primeira volta das eleições presidenciais desse ano e de 76% na segunda volta. Nas eleições legislativas de Abril de 1997 a participação baixou mais ainda, limitando-se a 59%, e nas eleições autárquicas de 2003 pelo menos metade do eleitorado absteve-se, a maior taxa de abstenção desde o fim da era soviética.

Também a fragmentação de dois países da antiga esfera soviética não parece ter entusiasmado as respectivas populações. Nas eleições legislativas de Junho de 1990 na Checoslováquia a taxa de participação foi de 96% e as eleições autárquicas de Novembro desse ano mobilizaram cerca de 75% dos eleitores, mas na Eslováquia, à qual se deveu a ruptura do país, a taxa de participação foi só de 64%. Obtida a independência, confirmou-se o desinteresse dos eslovacos pelos sufrágios, pois a participação na segunda volta das eleições presidenciais de 2004 limitou-se a 44%. O mesmo se passou depois da fragmentação da Jugoslávia, sobretudo naqueles novos países que haviam assumido a atitude mais beligerante. Enquanto na Eslovénia, que cindiu pacificamente, a taxa de participação nas eleições legislativas de 1990 ultrapassou 80%, já na Croácia e na Sérvia, os dois principais contendores, o interesse pelo voto foi muito reduzido. Na eleição presidencial de 1997 na Croácia a taxa de participação não chegou a 60%, embora nas eleições legislativas de 2000 houvesse já 75% de participantes. Na Sérvia, porém, a desconfiança pela democracia representativa manteve-se muito profunda, a ponto de na segunda volta das eleições presidenciais efectuada em Outubro de 2002 a participação se ter limitado a 45%, o que invalidou o acto. E em Novembro do ano seguinte foi novamente impossível eleger um presidente, porque votaram só 39% dos inscritos. Também no Montenegro, que cindiu da Sérvia sem guerra mas com bastantes fricções, a eleição presidencial de Dezembro de 2002 foi anulada por ter uma participação inferior a 50%.

A situação não foi diferente na maior parte da antiga União Soviética, e se a insatisfação com o anterior regime era grande, o entusiasmo pelo novo regime parece ser pequeno. Na Rússia a eleição presidencial de 1991 contou com uma participação de 75%, mas nos anos seguintes a abstenção cresceu, atingindo em certos casos 75% ou mais ainda. Na primeira volta da eleição presidencial de 1996 a participação foi de 70%, e de 67% na segunda volta, mas as eleições legislativas de 2003 mobilizaram apenas 56% dos inscritos.

É curioso considerar que ainda na União Soviética, na primeira volta das eleições legislativas e autárquicas efectuada em Março de 1990, enquanto em Moscovo a acorrência às urnas se limitou a 64%, na Ucrânia e na Bielorrúsia votaram cerca de 80% dos eleitores. Ora, a partir do momento em que adquiriu a independência a população destes países parece ter diminuído seriamente o seu interesse pela escolha de representantes. Na Ucrânia, embora nas eleições presidenciais de 1994 a taxa de participação tivesse sido superior a 70%, limitou-se a 66% nas eleições legislativas desse ano, e como além disso o número de votos nulos foi muito grande, mais de cem lugares do parlamento ficaram por preencher. Por seu lado, na Bielorrúsia as eleições legislativas de 1995 foram anuladas porque em mais de metade das circunscrições a taxa de participação foi inferior a 50%; a votação efectuou-se de novo no final do ano, mas só se conseguiram eleger 198 de 260 deputados. E apesar de nas eleições legislativas de 2000 a participação ter sido oficialmente de 60%, os observadores exteriores consideraram que seria inferior, alguns apontando mesmo para 45%.

Se empregarmos o critério da taxa de abstenções chegamos a conclusões bastante diferentes das obtidas mediante critérios ideológicos ou mediante a análise das instituições políticas. A Colômbia, por exemplo, é geralmente apresentada como um país onde se enfrentam um exército de guerrilha, naturalmente autoritário porque pretende impor um regime pela força das armas, e uma sucessão de governos democráticos que emanam do voto popular. Todavia, nas eleições presidenciais de 1990 não participaram cerca de 60% dos eleitores, a maior taxa de abstenção em quarenta anos. Como se isto não fosse suficiente, em Dezembro do mesmo ano, nas eleições para a Assembleia Constituinte, as abstenções subiram para 75%. O interesse pelo voto despertou um pouco nas eleições presidenciais de 1998, com uma participação de 50% na primeira volta e de 59% na segunda volta, mas as eleições legislativas desse ano já só mobilizaram 45% do eleitorado, e 42% as de 2002. Mantendo-se no mesmo nível, a participação foi de 46% nas eleições presidenciais de 2002 e de 45% nas eleições presidenciais de 2006. É difícil, neste contexto, afirmar que a governação da Colômbia assenta em bases democráticas.

No caso da Venezuela chego a conclusões igualmente imprevistas. Apesar da obrigatoriedade de voto, 1/5 dos recenseados não participou na eleição presidencial de 1988, o dobro dos abstencionistas de cinco anos antes. Note-se que, pouco mais tarde, ocorreram enormes e sangrentos motins populares, confirmando que uma parte da população não encontrava possibilidade de expressão nos mecanismos eleitorais. Em 1989, nas primeiras eleições regionais e locais a realizarem-se por sufrágio directo, a abstenção elevou-se a cerca de 80%, e nas eleições autárquicas de 1992 aproximadamente metade do eleitorado absteve-se. As abstenções foram de 40% na eleição presidencial de 1993, o dobro das verificadas na eleição presidencial anterior. É curioso que neste contexto os grandes órgãos de comunicação social acusem o chavismo de antidemocrático, quando o regime precendente assentava numa tão escassa base de legitimidade. Mas é talvez mais curioso ainda considerar que a situação não parece ter-se alterado de maneira estável. É certo que na eleição presidencial de 1998, aquela que colocou Hugo Chávez na chefia do país, a taxa de participação foi de 65%, cinco por cento superior à que se registara na eleição presidencial anterior, mas em 2000 apenas 56% dos recenseados participaram na reeleição do presidente. Entretanto, os dois referendos constitucionais de Abril e de Dezembro de 1999 haviam tido uma participação de 38% e de 45% do eleitorado, respectivamente. O referendo de 2004 mobilizou 70% dos inscritos, mas o interesse pelo voto caiu drasticamente nas eleições legislativas de 2005, quando a participação foi oficialmente de 25%, embora a oposição garanta que os verdadeiros resultados foram inferiores a 20%. Mesmo tendo em conta que nas eleições regionais de 2008 a participação atingiu um nível sem precedentes neste tipo de escrutínio, 65%, e que foi de 70% no referendo constitucional de Fevereiro de 2009, concluímos que o chavismo, apesar de procurar a todo o custo mobilizar as massas e ser plebiscitado nas urnas, não conseguiu ampliar de maneira sistemática e duradoura a base eleitoral da governação.

É certo que em alguns países a participação nos sufrágios é elevada e que por vezes aumenta o interesse pelo voto, mas na maior parte dos casos a abstenção não só é muito grande como ainda tende a elevar-se. No entanto, poderia imaginar-se que os referendos, onde se trata de decidir questões bem definidas e de aplicação prática, atraíssem mais pessoas do que a escolha de representantes, que depois de eleitos esquecem as promessas e fazem o que bem entendem. Mas não é o que se tem passado. Em França a taxa de abstenção situou-se entre 10% e 20% nos referendos de 1958 e 1969, subiu para entre 20% e 30% nos referendos de 1961 e 1962, chegou quase aos 40% em 1972, atingiu 63% no referendo de 1988 e, embora ficasse ligeiramente acima dos 30% no referendo de 1992, no de 2000 chegou quase aos 70%. Na Itália 89% votaram no referendo de 1946 que decidiu a abolição da monarquia, e ainda em 1974 houve 88% do eleitorado a participar no referendo sobre o divórcio. Mas em 1981 já só 79% votaram no referendo sobre o aborto, e a abstenção continuou a aumentar. A taxa de participação no referendo de 1991 foi de 63%, e embora no conjunto de referendos de 1993 se registasse uma participação de 77%, no referendo efectuado em 1999 votaram menos de 50% dos inscritos. No conjunto de sete referendos organizado em 2000 só 32% dos recenseados votaram, o que invalidou o acto, ficando igualmente nulo o referendo de 2005, em que a participação foi de 26%. Aliás, nenhum dos seis referendos realizados na Itália nos dez anos anteriores conseguira atingir a taxa mínima legal de participação. Neste panorama, tem de se considerar como um resultado espectacular a mobilização de 52% do eleitorado num referendo realizado em 2006, a mais elevada em qualquer referendo desde há mais de uma década. Em Portugal, mesmo um tema como o aborto, que polarizou boa parte da opinião pública, interessou menos de metade do eleitorado no referendo de 2007. E na Suíça, um dos modelos da democracia representativa, uma questão tão importante como a da inclusão do país na ONU atraiu só 58% do eleitorado no referendo de 2002.

Perante este panorama, e conhecendo já o cepticismo com que as populações da antiga esfera soviética encaram o voto, não espanta que também aí a participação nos referendos desça a níveis muito baixos. Na Polónia o referendo de 1997 que aprovou a nova constituição contou mais de 50% de abstenções; e na Hungria, no referendo sobre o sistema de eleição presidencial realizado em 1990, a taxa de participação foi inferior a 15%, levando à anulação do acto. Na Eslováquia o referendo de 1994 sobre a luta contra a corrupção na privatização de empresas estatais teve uma participação de 20%, o que obrigou ao seu cancelamento, pois a lei requeria uma participação mínima de 51%, e num referendo efectuado em 1997 a participação foi inferior a 10%. Em comparação com estes resultados, afigura-se como um êxito para os seus proponentes que na Roménia o referendo de 1991 sobre a nova constituição tivesse uma participação de 2/3 do eleitorado e que na Rússia o referendo de 1993 registasse cerca de 36% de abstenções. Até se pode considerar notável o facto de o referendo russo de 1993 sobre a Constituição ter contado com 54% de participantes e de o referendo sérvio de 2006, também acerca da constituição, ter atraído 55% dos inscritos.

O desinteresse com que os potenciais eleitores da União Europeia têm encarado a escolha dos deputados para o Parlamento Europeu manifesta-se igualmente nos referendos relativos às questões europeias. Se na Áustria, o referendo de 1994 sobre a integração na Comunidade Europeia mobilizou 81% dos recenseados, já na Holanda o referendo de 2005 sobre a constituição europeia teve apenas uma participação de 63%, a mesma registada na Lituânia por ocasião do referendo de 2003 acerca da integração do país na União Europeia. Mas na Polónia o referendo de 2003 sobre a integração na União Europeia teve uma taxa de participação de cerca de 59%, enquanto o referendo efectuado sobre o mesmo assunto na República Checa em 2003 atraiu só 55% dos inscritos, 52% no referendo da Eslováquia no mesmo ano e para a mesma finalidade, e 46% no da Hungria. Mesmo o referendo realizado na Irlanda em 2008 para apreciar o tratado de Lisboa, e cujo voto negativo lançou a perplexidade ou até o pânico entre os políticos europeus, contou apenas com uma taxa de participação de 53%.

Tanto quanto conheço, os únicos casos em que os referendos mobilizaram significativamente os votantes foram os relativos à independência dos países das antigas União Soviética e Jugoslávia. Na Lituânia, o referendo realizado em Fevereiro de 1991 pelas autoridades independentistas, contra as ordens de Moscovo, teve uma participação de 85%; e no mês seguinte o referendo organizado na União Soviética sobre a União contou com o voto de 80% dos inscritos, sendo a participação de 75% na República Federativa da Rússia, de 83% na Ucrânia, também de 83% na Bielorrússia e de 75% no Azerbeijão. Na antiga Jugoslávia, o referendo efectuado na Eslovénia acerca da independência em Dezembro de 1990 atraiu 94% do eleitorado, e na Croácia o referendo de Maio de 1991 sobre a independência teve uma participação de 83%.

É interessante considerar que uma percentagem muito significativa de pessoas prefere mostrar a sua descrença pela democracia representativa pura e simplesmente não votando, em vez de eleger os candidatos de extrema-esquerda que se apresentam em plataformas críticas dessa democracia representativa. A desconfiança atinge todos os que participam nos processos eleitorais, quaisquer que sejam as suas ideologias e o teor dos seus discursos. E assim o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade das democracias. Basta uma aritmética rudimentar para constatarmos que, com 1/3 de abstencionistas, que é uma percentagem bastante comum, o candidato ou o partido que obtenham metade dos votos conseguirão, afinal, o sufrágio de apenas 1/3 do eleitorado. Mesmo quando o número de abstencionistas se reduz a 1/4, o que pode ser considerado como uma taxa de participação elevada, quem alcance metade dos votos conta apenas com 37,5% de aprovação. Que grandes vitórias! Esta perda de legitimidade das democracias não é certamente alheia ao reforço da fiscalização dos gestos mais comuns do dia-a-dia, através dos meios electrónicos de vigilância. O que tem afinal ocorrido é a transformação gradual das democracias representativas em autoritarismos tecnocráticos, e o crescimento das abstenções é um indício deste processo.

Realizou-se em Évora o Colóquio Internacional sobre Almutâmide e a Poesia do Garb al-Andalus

O rei-poeta árabe Almutâmide, nascido em Beja no século XI e imortalizado na obra "As Mil e Uma Noites", e a poesia do Garb al-Andalus estiveram em destaque num colóquio internacional em Évora, na sexta-feira e sábado (13 e 14de Março).

Celebrizado pela obra poética que deixou para a posteridade, Al-Mu`tamid ibn `Abbâd nasceu em Beja em 1040, onde residiu até aos 13 anos, quando partiu para Silves.

Foi o último soberano do reino Taifa de Sevilha (as Taifas surgiram depois do declínio do califado de Córdova), a cujo trono subiu com 29 anos, depois da morte do pai, como refere, num dos seus livros, Adalberto Alves, poeta e arabista que tem traduzido os poetas do al-Andalus.

Até ser derrotado pelos almorávidas (berberes do Norte de Marrocos que aproveitaram a fraqueza dos reinos Taifas para os dominar) em 1091, Al-Mu`tamid estendia o seu reinado, além do Algarve e de grande parte do Alentejo, a cidades como Ronda, Huelva, Carmona, Algeciras, Jaén, Córdova, Sevilha ou Múrcia.

Último soberano da dinastia Abádida, Al-Mu`tamid foi enviado para o exílio, em Aghmât, perto de Marraquexe, Marrocos, onde acabou por falecer em 1095. A fama lendária que granjeou durante a vida estendeu-se até aos mais longínquos confins do mundo árabe.


A realização deste Colóquio Internacional, com a participação de alguns dos mais prestigiados arabistas e investigadores nacionais, mas também espanhóis e marroquinos, resulta de uma feliz parceria entre o CEDA - Centro de Estudos Documentais do Alentejo-Memória Colectiva e Cidadania, o CIDEHUS-UE - Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e o Município de Évora.
A temática em análise, reflexão e debate “Almutâmide e a Poesia do Garb al-Andalus”, é um assunto que está na ordem do dia e que cada vez mais desperta o interesse e a paixão dos investigadores, mas por outro lado é ainda quase desconhecido do grande público e pouco divulgado mesmo nas camadas mais informadas da sociedade portuguesa.


Neste contexto, é objectivo da organização deste Colóquio Internacional, através da reflexão e do debate realizado a partir das conferências e comunicações apresentadas pelos arabistas, colectivamente com outros investigadores e todos os participantes, lançar alguma luz sobre esse período decisivo para a nossa poesia lírica, que foi a 2ª metade do século XI e também as décadas seguintes, e a sua importância para moldar um reino que ia emergir em breve, fruto das peculiaridades várias, mas em grande parte consequência de um legado civilizacional, isto é, dando continuidade à síntese da civilização mediterrânica, que o Islão depositou na Península Ibérica.

O outro aspecto deste Colóquio Internacional é a mais que justa Homenagem que prestamos ao Professor António Borges Coelho – o pioneiro contemporâneo do arabismo português – ele que abriu muitas portas, a começar por Portugal na Espanha Árabe e por Mértola e a que todos nós, investigadores e apaixonados por esta temática somos devedores. Ao professor e ao mestre humanista, ao historiador brilhante, ao poeta sensível, ao cidadão empenhado, ao amigo fraterno e solidário, o nosso profundo reconhecimento e o nosso abraço.

Mil e uma formas de contar e encantar - 5º encontro de contadores de histórias (18 de Março, em Avis)



No dia 18 de Março terá lugar o 5º Encontro de Contadores de Histórias, na Biblioteca Municipal de Avis.



Programa
9:30 - recepção
10:00 - cerimónónia de abertura -“O mundo do faz de conta”


10:30 - “O poder da palavra”


11:15 - pausa


11:30 - “Conto para que tu contes”


12:15 - “Histórias e contas de gente e outros seres"


13:00 - almoço


14:30 - “Contar – Uma ferramenta social”


15:15 - “Expressar para respirar”


16:00 -


16:15 - “A leitura encanta nas freguesias”



16:45 - “A galinha verde”



20:30 - “Uma história de amor” pelo grupo de Expressão Dramática Fazigual da EB 2,3 Mestre de Avis


21:30 - Serão de contos - com Carlos Moreira, Ilda Oliveira, e Pedro Correia , Jorge Serafim, Miguel Horta

14.3.09

Anedota sobre Sócrates charlatão ou como se desmonta a lógica dos só-cretinos


Alguém se queixa a José Sócrates:

- Veja o que está a fazer ao país? Agora, até estudantes universitárias têm que se prostituir para pagarem as propinas!

-Nada disso! - responde o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e secretário-geral do Partido Xuxialista (ex-Partido Socialista). Esclarecendo, logo de seguida, com a desfaçatez que lhe é habitual, a sua ideia:

- Eu e os meus ministros, apoiados por 98% do Partido Xuxialista, governamos tão bem que até já as prostitutas vão para a universidade.»



Digam ao G20 para colocarem as pessoas em 1º lugar!

Marcha por empregos decentes, pela melhoria dos serviços públicos, para acabar com a pobreza e as desigualdades sociais no mundo, e pela construção de uma economia mais verde



Guião para as manifestações de protesto em Londres:

- no jornal Guardian:
aqui

- mapa das acções e manifs:
aqui

- Contra-cimeira G20:
http://www.altg20.org.uk/








Os líderes das economias mais ricas do mundo vão-se reunir em Londres no próximo dia 2 de Abril para a cimeira do G20 com vista a debater as respostas a dar à crise.


Put People First é uma coligação de organizações e grupos de vária índole, que visam mobilizar e consciencializar para uma resposta sustentável à recessão, defendendo que as pessoas devem estar em primeiro lugar em qualquer orientação política.
ActionAid
AJCC
ACTSA
Advocacy International
Akina Mama Wa Africa
AMREF UK
Article 12 in Scotland
ASLEF
ATL
Avaaz
BECTU
BOND
BOVA
Bretton Woods Project
CAFOD
Campaign Against Climate Change
CDD
CSP
Change is Coming
Christian Aid
CND
Compass
Concern Worldwide (UK)
Co-operative News
Connect
CWU
Dalit Solidarity Network UK
Defend Council Housing
DoSomethingAboutIt
Down2Earth Down2Us
EAP
Engineers Against Poverty
EQUITY
European Movement
Everychild
Fairtrade Foundation
Fatima Women's Network
FBU
Find Your Feet
Friends of the Earth
GardenAfrica
GCAP
GMB
Green New Deal Group
Greenpeace
HelpAge International
International Service
Jubilee Debt Campaign
Justice for Colombia
Lattitude
Merlin
Micah Challenge UK
MRDF
Musicians Union
Muslim Council of Britain
NASUWT
NEF
New Internationalist
NSC
NUJ
NUS
NUT
One World Action
Oxfam
Pants to Poverty
PCS
People and Planet
Performers Without Borders
Plan UK
Progressio
Prospect
Red Pepper
RMT
Salvation Army
Save the Children
SCIAF
Shelter
Skillshare
SoR
Stamp Out Poverty
STOP AIDS Campaign
Stop Climate Chaos
Sudanese Women for Peace
Synergy Centre
Tax Justice Network
Teach a Man to Fish
Tearfund
Thirty-eight degrees
TFSR
Tourism Concern
Trade Justice Movement
TUC
Trading Visions
Traidcraft
Transnational Institute
TSSA
UCATT
UCU
UK Aid Network
UNISON
UNITE
USDAW
VSO
War on Want
Womankind Worldwide
WILPF
World Development Movement
World Vision
WWF

13.3.09

Zeitgeist day (dia dedicado ao movimento Zeitgeist) vai ser assinalado em Portugal, na Casa Viva, a 15 de Março


Dia 15 de Março é o Z-Day, dia internacional de activismo a propósito dos filmes Zeitgeist e Zeitgeist Addendum, e é assinalado anualmente por todo o mundo. No próximo Domingo irá acontecer em Nova Iorque o evento principal, com live streaming pela internet (ver www.zeitgeistmovie.com ). No entanto, irão ocorrer em todo o mundo, várias iniciativas para divulgar este movimento, inclusivamente em Portugal. A ideia é desencadear uma consciência global sem precedentes, e abrir uma nova possibilidade para a humanidade!
http://reconstruindoamente.blogs.sapo.pt/

Programa do Zeitgeitsday (15 de Março) a ser assinalado na Casa Viva (Praça Marquês Pombal, 167, Porto)


15:00 - Inicio do evento
15:15 - Concerto da banda Xcons (
www.myspace.com/xconsmusic )
16:00 - Projecção do documentário Zeitgeist
18:05 - Concerto da banda Urban War (
www.myspace.com/urbanwarmusic )
19:00 - Projecção do documentário Zeitgeist Addendum
21:30 - Concerto da banda Plus Ultra (
www.myspace.com/soonplusultra )
22:15 - Slideshow digital - Apresentação do Movimento Zeitgeist




Zeitgeist é um termo alemão cuja tradução significa espírito de época ou espírito do tempo. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.


O conceito de espírito de época remonta a Johann Gottfried Herder e outros românticos alemães, mas ficou melhor conhecido pela obra de Hegel, Filosofia da História. Em 1769, Herder escreveu uma crítica ao trabalho Genius seculi do filólogo Christian Adolph Klotz, introduzindo a palavra Zeitgeist como uma tradução de genius seculi (Latim: genius - "espírito guardião" e saeculi - "do século").[1] Os alemães românticos, tentados normalmente à redução filosófica do passado às essências, trataram de construir o "espírito de época" como um argumento histórico de sua defesa intelectual.


Zeitgeist, the Movie é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph, que apresenta uma série de teorias de conspiração relacionadas ao Cristianismo, ataques de 11 de setembro e a Banco Central dos Estados Unidos da América (Federal Reserve).[1] Uma versão remasterizada foi apresentada como um premiere global em 10 de novembro de 2007 no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards.[ Zeitgeist:Addendum, uma sequência do filme, foi lançada em outubro de 2008.



O filme é dividido em três seções:
• Primeira parte: "The Greatest Story Ever Told" ("A maior história já contada")
• Segunda parte: "All The World's A Stage" ("O mundo inteiro é um palco")
• Terceira parte: "Don't Mind The Men Behind The Curtain" ("Não se importem com os homens atrás da cortina")


Em 2 de Outubro de 2008 foi lançado um segundo filme, continuação do primeiro, chamado Zeitgeist:Addendum, onde se trata da globalização, manipulação do homem pelas grandes corporações e instituições financeiras, e que apresenta sua visão da solução para o problema.


Estrutura do filme


Primeira Parte: The Greatest Story Ever Told (A maior história alguma vez contada)


A primeira parte do filme é uma avaliação crítica do cristianismo. O filme sugere que Jesus seja um híbrido literário e astrológico e que a bíblia trata de uma miscelânea de histórias baseadas em princípios astrológicos pertencentes a civilizações antigas (Egito, especialmente). A atenção do filme se foca inicialmente no movimento do Sol e das estrelas, fato este que é uma das características das religiões "pagãs" (pré-cristãs). É então apresentada uma série de semelhanças entre a história de Jesus e a de Hórus, o "deus Sol" egípcio que partilha de todos os predicados do messias cristão. Há referência sobre o papel de Constantino na formação da Igreja e seus dogmas.


Segunda Parte: All The World's a Stage (O mundo inteiro é um palco)


A segunda parte do filme foca-se nos ataques de 11 de setembro de 2001. O filme sugere que o governo dos Estados Unidos tinha conhecimento destes ataques e que a queda do World Trade Center foi uma demolição controlada pelo próprio Governo norte-americano. O filme assegura que a NORAD, entidade responsável pela defesa aérea dos Estados Unidos, tinha sido propositadamente baralhada no dia dos ataques com exercícios simulados em que os Estados Unidos estavam a ser atacados por aviões seqüestrados, justamente na mesma área dos reais ataques; mostra dezenas de testemunhas e reportagens que sugerem que as torres ruiram não por causa dos aviões, mas por explosões internas e sabotagens; demonstra as ligações entre a família Bush e a família Bin Laden, parceiros comerciais de longa data, entre outras teorias intrigantes e alarmantes acerca da política mundial actual.


Terceira Parte: Don't Mind The Men Behind The Curtain (Não se importe com os homens por detrás da cortina)


A terceira parte do filme focaliza-se no sistema bancário mundial, que supostamente tem estado nas mãos de uma elite de famílias burguesas que detém o verdadeiro poder sobre todos os países a eles associados, e na sua conspiração para obter um domínio mundial total eles tem modelado toda a mídia e cometido diversos crimes, muitos deles encenações para fins ocultos. O filme denuncia que a Banco Central dos Estados Unidos da América foi criada para roubar a riqueza dos Estados Unidos e também demonstra, como exemplo, o lucro que foi obtido pelos bancos durante a Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Guerra do Vietnã, Iraque, Afeganistão, e a futura invasão à Venezuela para obtenção de petróleo e comércio de armamento. O filme descreve a conspiração destes banqueiros, argumentando que o objetivo deles é o controle sobre toda a raça humana através da implantação de um chip localizador e identificador através do qual todas as operações e interações humanas serão realizadas, escravizando por fim a humanidade. Estão secretamente criando um governo unificado, com exército unificado, moeda unificada, e poder unificado, e que servirá apenas aos interesses dessa elite. Segundo o filme, o aspecto mais impressionante disso tudo é que tais mudanças serão aceitas pelo próprio povo naturalmente, pois está sendo manipulado pelos media





O Movimento Zeitgeist não é político. Não reconhece nações, governos, raças, religiões, credos ou classes. Chegamos à conclusão de que estas distinções são falsas e desactualizadas e estão longe de serem factores positivos ao verdadeiro potencial e crescimento humano colectivo. As suas bases estão na divisão do poder e estratificação, e não na união e igualdade, que são nossos objectivos. Embora seja importante entender que tudo na vida é uma progressão natural, devemos também reconhecer que a espécie humana tem a habilidade de retardar drasticamente e paralisar o progresso através de estruturas sociais obsoletas, dogmáticas, e, por conseguinte, em desarmonia com a natureza. O mundo que vemos hoje, cheio de guerras, corrupção, elitismo, poluição, pobreza, epidemias de doenças, abusos aos direitos humanos, desigualdade e crime, é o resultado desta paralisia.

Este movimento é sobre consciencialização, em defesa de um progresso evolucionário fluente, tanto pessoal como social, tecnológico e espiritual. Ele reconhece que a espécie humana naturalmente caminha para a unificação, derivada de um comunal reconhecimento de compreensões fundamentais e quase empíricas de como a natureza funciona e de como nós, humanos, nos adaptamos / somos parte deste descobrimento universal que chamamos de vida. Embora este caminho exista, infelizmente ele está obstruído e é desconhecido pela grande maioria dos humanos, que continuam a perpetuar comportamentos e associações ultrapassadas e, portanto, degenerativas. É essa irrelevância intelectual que o Movimento Zeitgeist espera superar por meio de educação e acções sociais.

O objectivo é revisar a sociedade no mundo de acordo com o conhecimento actual em todos os níveis, não apenas consciencializando sobre as possibilidades sociais e tecnológicas que muitos foram condicionados a pensar serem impossíveis ou contra a “natureza humana”, mas também para fornecer meios de superar os elementos que perpetuam estes sistemas obsoletos na sociedade.

Uma importante associação, de onde muitas das ideias deste movimento derivam, advêm de uma organização chamada “Projecto Vénus”, dirigida pelo engenheiro social e industrial Jacque Fresco. Ele trabalhou praticamente toda a sua vida para criar as ferramentas necessárias para auxiliar no projecto do mundo que poderia eventualmente erradicar as guerras, a pobreza, o crime, a estratificação social e a corrupção. As suas ideias não são radicais ou complexas. Elas não exigem uma interpretação subjectiva de sua formação. Neste modelo, a sociedade é criada como um espelho da natureza, com as variáveis pré-definidas, inerentemente.

O movimento em si não é uma construção centralizada.

Não estamos aqui para conduzir, e sim para organizar e educar.




Objectivos

Os Meios são o Fim

Pretendemos restaurar as necessidades fundamentais e a consciência ambiental da espécie revogando a maioria das ideias que temos de quem e o que realmente somos, juntamente com a ciência, a natureza e a tecnologia (em vez de religião, política e dinheiro) são a chave para o nosso crescimento pessoal, não só como seres humanos individuais, mas como civilização, estrutural e espiritualmente. As percepções centrais dessa consciência são o reconhecimento dos elementos Emergentes e Simbióticos das leis naturais e de como o alinhamento dessa compreensão como base para nossas instituições pessoais e sociais, a vida na Terra transformar-se-á em um sistema que crescerá continuamente, onde consequências negativas sociais como camadas sociais, guerras, preconceitos, elitismo e actividades criminosas serão constantemente reduzidos e, esperamos, venham a deixar de existir no comportamento humano.

Claro que, para muitos humanos, é uma possibilidade muito difícil de se considerar, uma vez que fomos condicionados pela sociedade a pensar que crime, corrupção e desonestidade são “como as coisas são”, que sempre haverá pessoas que querem abusar, ferir e tirar vantagem dos outros. A religião reforça fortemente essa propaganda, já que a mentalidade “nós e eles”, “bem e mal” promove essa falsa suposição.

A verdade é que vivemos numa sociedade que produz escassez. A consequência dessa escassez é que os humanos devem-se comportar de modo a se preservar, mesmo que isso signifique enganar e roubar para conseguirem o que querem. A nossa pesquisa concluiu que a escassez é uma das causas mais fundamentais de desvios de comportamento humano, além de levar a formas complexas de neurose. Uma análise estatística do vício em drogas, da criminalidade e da população carcerária demonstra que a pobreza e condições sociais não saudáveis são parte da experiência de vida das pessoas que adoptam tais comportamentos.

Seres humanos não são bons ou ruins... Eles são o resultado da experiência de vida que os influenciam, e estão sempre mudando, sempre em movimento. A “qualidade” de um ser humano (se existisse algo assim) está directamente relacionada a como foi criado e aos sistemas de crença aos quais ele foi condicionado.

Esse simples fato vem sendo gravemente ignorado, e hoje em dia as pessoas pensam primitivamente que competição, ganância e corrupção são elementos “embutidos” no comportamento humano, e portanto, precisamos ter prisões, polícia e consequentemente uma hierarquia de controle diferenciado para que a sociedade possa lidar com essas “tendências”. Isso é totalmente ilógico e falso.

O xis da questão é que para melhorar as coisas, você fundamentalmente precisa trabalhar nas raízes do problema. O actual sistema de “punição” usado pelas sociedades é ultrapassado, desumano e improdutivo. Quando um assassino em série é preso, a maioria das pessoas faz manifestações exigindo a morte dessa pessoa. Isso está errado. Uma sociedade realmente sã, que entende o que somos e como sistemas de valores são criados, pegaria esse indivíduo e aprenderia sobre os motivos por trás de seu comportamento violento. Essas informações passariam então por um departamento de pesquisa, que consideraria modos de evitar que factos como esse ocorressem através da educação.

É hora de pararmos de remediar. É hora de começarmos uma nova abordagem social, actualizada com os conhecimento actuais. Tristemente, a nossa sociedade é amplamente baseada em determinações e resoluções ultrapassadas e supersticiosas. É importante ressaltar que não há utopias ou conclusões. Todas as evidências indicam infinitas actualizações em todos os níveis. Por sua vez, são as nossas acções pessoais de todo dia que moldam e perpetuam os sistemas sociais que adoptamos. No entanto, paradoxalmente, são as influências do ambiente que criam as nossas perspectivas e, portanto, nossas visões de mundo. Logo, a verdadeira mudança nascerá não só do ajuste de nossas decisões e compreensões pessoais, mas também da mudança das estruturas sociais que influenciam essas decisões e compreensões.

Os sistemas elitistas de poder são pouco afectados por protestos tradicionais e movimentos políticos. Devemos dar um passo além dessas “rebeliões do sistema” e trabalhar com uma ferramenta muito mais poderosa: parar de apoiar o sistema, ao mesmo tempo em que propagamos o conhecimento, a paz, a união e a compaixão. Não podemos “lutar contra o sistema”. Ódio, ira e a mentalidade de “guerra” são um modo ineficaz de obter mudança, pois eles perpetuam a mesma ferramenta que os sistemas de poder corruptos estabelecidos utilizam para manter o controle.

Distorção e Paralisia

Precisamos entender que todos os sistemas são Emergentes e estão constantemente em evolução, juntamente com a realidade de que todos nós estamos Simbioticamente conectados à natureza e uns aos outros de modo simples, porém muito profundo, levando à percepção de que nossa integridade pessoal é equivalente à do resto da sociedade. Então, perceberemos o quão distorcido e invertido é a nossa sociedade actual e como sua perpetuação é a causa maior de sua instabilidade. Por exemplo, o Sistema Monetário é há muito tempo considerado uma força positiva na nossa sociedade graças à sua alegação de que produz incentivos e progresso. Na verdade, o sistema monetário tornou-se um veículo para a divisão e o controle totalitário.

Ele é a expressão máxima do lema “Dividir e conquistar”, pois em seu núcleo estão as suposições de que (1) Devemos lutar uns com os outros para sobreviver (2) Seres humanos precisam de um “estímulo” recompensador para fazer coisas significativas.

Quanto ao Número 1 (Devemos lutar uns com os outros para sobreviver), essa característica da competição no sistema é o que produz corrupção em todos os níveis da sociedade, pois parte do “nós contra eles”. Muitos argumentam que o sistema de “livre comércio” é bom... Mas ele é corrupto nos dias de hoje, graças a políticas ruins, favorecimento, auxílios financeiros, etc. Eles supõem que se um mercado livre “puro” fosse instituído, as coisas seriam melhores. Isso é falso, pois o que você está vendo hoje é o livre mercado em funcionamento, com todas as suas desigualdades e corrupção. Não há lei que vá impedir vendas privilegiadas, conspirações, monopólios, abuso de mão-de-obra, poluição, obsolescência calculada e coisas do tipo... Isso é o que o sistema baseado em competição cria com eficiência, pois é baseado na premissa de tirar vantagem dos outros para obter lucro. Ponto final.

Precisamos começar a abandonar esses ideais opressivos e caminhar em direcção de um sistema projectado para cuidar das pessoas... Não para forçá-las a lutar por sua sobrevivência. Quanto ao Número 2 (“Seres humanos precisam de um ‘estímulo’ recompensador para fazer coisas significativas), essa é uma perspectiva triste e incrivelmente negativa do ser humano. Supor que uma pessoa precise ser “motivada estruturalmente” ou “forçada” a fazer algo é simplesmente absurdo. Lembre-se de quando você era criança e não tinha a menor ideia do que fosse dinheiro.
Você brincava, era curioso e fazia muitas coisas... Por quê? Porque você queria. No entanto, conforme o tempo passa em nosso sistema, a curiosidade e auto-motivação naturais são extirpadas das pessoas, pois elas são forçadas a se ajustar a um sistema de trabalho especializado, fragmentado, quase predefinido para poderem sobreviver. Por sua vez, isso costuma criar uma revolta interior natural nas pessoas devido à obrigação, e foi assim que separamos os momentos de “lazer” e de “trabalho”. A preguiça que aqueles que defendem o sistema monetário (por alegar que ele cria estímulo) não reconhecem. Numa sociedade verdadeira, as pessoas seguem suas inclinações naturais e trabalham para contribuir para a sociedade – não porque são “pagas” para isso, mas porque têm uma consciência maior de que colaborar com a sociedade ajuda tanto a si próprias quanto a todas as outras pessoas. Esse é o estado elevado de consciência que esperamos transmitir. A recompensa por sua contribuição para a sociedade e o bem-estar daquela sociedade... o que, por consequência, é também o seu bem-estar.

Agora, colocando as coisas em perspectiva, é importante entendermos que nosso mundo é actual e inegavelmente conduzido por um pequeno grupo de homens dominadores em altos cargos nas instituições dominantes em nossa sociedade – Negócios e Finanças. O funcionamento do governo é regido pela influência e poder das corporações e dos bancos. O elemento vital é o dinheiro, que na verdade é uma ilusão e hoje tem pouca relevância para a sociedade, servindo como meio de manipulação e desunião num tipo de organização social que gera elitismo, crime, guerras e camadas sociais.

Ao mesmo tempo, as pessoas aprendem que ser “correcto” é o que lhes atribui valor como seres humanos. Este conceito de “correcto” está directamente ligado aos valores vigentes na sociedade. Logo, aqueles que aceitam o apoiam as visões do sistema social são considerados “normais”, enquanto aqueles que discordam são “anormais” ou “subversivos”. Seja isso o dogma de uma tradição social ou o alinhamento com uma religião mundialmente estabelecida, a base é a mesma: o Materialismo Intelectual. Quando percebemos que o conhecimento e, consequentemente, as instituições estão em constante evolução, vemos que qualquer sistema de crença que declare “saber” tudo, sem espaço para o debate, é uma perspectiva errónea. A religião, baseada na fé, é a grande agente de distorção, já que alega ter respostas definitivas sobre as origens mais complexas da humanidade, e isso simplesmente não é possível num universo emergente.

Compreendendo isso, percebemos então que as pessoas que foram condicionadas a aceitar completamente esses ensinamentos estáticos são tão perigosas quanto as Estruturas de Poder Estabelecidas, pois se tornam “guardiãs voluntárias do status quo”. Isso se aplica a todos os sistemas, principalmente ao político, ao financeiro e ao religioso. Uma vez que a identidade das pessoas se associa às doutrinas da ética de um País, Religião ou Empresa, torna-se muito difícil mudá-la, já que sua identidade está misturada às das ideologias que lhe foram impostas. Assim, eles seguem perpetuando a doutrina da instituição, simplesmente para manter sua integridade pessoal como eles a percebem. Precisamos quebrar esse ciclo, pois ele paralisa nosso crescimento não só como indivíduos, mas como sociedade.

Verdade e Transição

Uma vez que nós compreendamos que a integridade de nossa existência como pessoa está directamente relacionada à integridade da Terra, da vida e de todos os outros seres humanos, teremos então um caminho predefinido para nós. Além disso, quando percebermos que são a ciência, a tecnologia e, portanto, a criatividade humana que trazem progresso para nossas vidas, seremos capazes de reconhecer nossas verdadeiras prioridades para crescimento pessoal e social e para o progresso. Posto isso, podemos ver que a Religião, a Política e o sistema de Trabalho baseado em Dinheiro/Competição são modos desatualizados de operação social, e que agora precisam ser abordados e transcendidos. Nossa meta é um sistema social que funciona sem dinheiro ou política, ao mesmo tempo em que permite que as superstições percam terreno à medida que a educação avança. Ninguém tem o direito de dizer ao outro em que acreditar, pois nenhum ser humano tem a compreensão completa de nenhum assunto. Entretanto, se prestarmos atenção aos processos naturais da vida, podemos ver como eles se alinham à natureza e assim nosso caminho fica mais claro. Por exemplo, muitas pessoas estão preocupadas com o crescimento populacional, enquanto comentários assustadores de gente como Henry Kissinger sugerem que seja necessário algum tipo de “redução”. Porém, a pergunta principal continua sendo: o crescimento populacional é tão ruim assim? A resposta é: em uma perspectiva científica, o planeta pode aguentar muito mais pessoas se necessário, desde que haja investimentos em alta tecnologia. 70% do nosso planeta é coberto de água e cidades sobre o mar (um dos muitos projectos de Jacque Fresco) são o próximo passo. Por sua vez, a educação sobre o funcionamento da vida informará às pessoas sobre as consequências de seus interesses reprodutivos, e o crescimento populacional será reduzido naturalmente à medida que as pessoas percebam como elas estão ligadas com o planeta e com sua capacidade de sustentação.

Na verdade, o único verdadeiro “governo” que pode haver é o gerenciamento da Terra e de seus recursos. A partir daí, todas as possibilidades podem ser consideradas. Por isso, é necessária uma unificação intelectual entre os países, pois as informações mais valiosas que podemos ter como espécie são uma avaliação detalhada e completa do que temos nesse planeta. Assim como você avalia o solo e os recursos antes de plantar algo, precisamos fazer o mesmo com o planeta para otimizar aquilo que podemos fazer enquanto espécie, em termos de recursos.

Naturalmente, muitos que analisarem as idéias apresentadas acima vão perguntar: “Como podemos fazer isso, considerando o sistema de valores distorcidos em vigência? Como fazemos essa transição? Essa é a pergunta mais difícil. A resposta: temos que começar de algum lugar. Há muitas coisas que podem ser feitas por uma única pessoa ou comunidade que podem começar a moldar essa visão. O passo mais importante é a educação.

Em 15 de Março de 2009 (o Dia Z, como foi chamado em 2008) haverá uma série de acções mundiais para aumentar a consciência sobre esse caminho sociológico. Nossa esperança é termos encontros regionais em tantas cidades, estados e países quanto for possível. Nós aqui do zeitgeistmovement.com vamos trabalhar para oferecer material em todas as línguas que pudermos, e faremos o possível para ajudar cada subgrupo. Nós nunca pediremos dinheiro. Estamos aqui para ajudar, pois entendemos uma verdade central que está esquecida há muito tempo: quanto mais você dá, mais você recebe.


Zeitgeist Addendum 1/12
(legendado em português)











































Zeitgeist - The Movie - 1 of 13 (Introduction)


Zeitgeist - The Movie - Part 1 of 13



Zeitgeist - The Movie - Part 2 of 13


Zeitgeist - The Movie - Part 3 of 13



Zeitgeist - The Movie - 4 of 13



Zeitgeist - The Movie - 5 of 13


Zeitgeist - The Movie - 6 of 13


ZEITGEIST Full Version - Part 7 of 13



ZEITGEIST Full Version - Part 8 of 13


ZEITGEIST – The Movie 9 of 13



Zeitgeist - The Movie- 10 of 13



Zeitgeist - The Movie- 11 of 13


Zeitgeist - The Movie- 12 of 13


Zeitgeist - The Movie- 13 of 13

Conversa e debate sobre Direito à Habitação, antecedido por filme, promovido pelo GAFFE (grupo a formiga fora da estrada) amanhã (14 de Março, às 18h)

http://blogdogaffe.blogspot.com/


14 de Março (Sábado), às 18h00
no Beco de São Luís da Pena
(entre o Coliseu e a Casa do Alentejo, à Rua Portas de Santo Antão)



Debate sobre o Direito à Habitação com Américo Baptista (Membro da Comissão de Moradores do Bairro das Amendoeiras), Armandinho (Representante dos Moradores do Bairro do Fim do Mundo), Mariana (Participante no Movimento Sem Teto da Baía)

e projecção do filme "Dia de Festa" sobre o Movimento dos Sem Teto



Direito à Habitação

Enquanto os centros das cidades têm milhares de casas vazias, existem pessoas que não têm acesso a um direito elementar – o direito a uma habitação condigna (1). A política do betão, do camartelo e da especulação imobiliária tem imperado nas nossas cidades. “Limpa-se” os pobres dos centros das cidades expulsando-os para as periferias, desenraizando-os, destroem-se as casas e constroem-se condomínios privados como podemos ver no Bairro Alto. Os centros das cidades privatizam-se, espaços como o Grémio Lisbonense e como o mercado do Bolhão no Porto e o Teatro Sousa Bastos em Coimbra são apenas alguns exemplos de espaços que deixaram de servir o interesse público devido a interesses económicos. As construtoras, as imobiliárias e os senhorios têm levado a cabo uma acção concertada de subida do custo de habitação nas cidades, com a conivência das Câmaras. Comprar uma casa ou arrendar uma casa no centro de cidades como Porto, Coimbra ou Lisboa é cada vez mais caro, obrigando milhares de famílias a viver na periferia e a fazer movimentos pendulares diários de horas de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Esta divisão funcional do território dormir numa cidade e trabalhar noutra faz com que horas de vida de milhares de pessoas sejam passadas em transportes para trás e para a frente, em vez de as pessoas diariamente terem tempo para frequentar espaços de encontro, de convívio e discussão com as pessoas do seu bairro. Milhares de pessoas sem abrigo vivem em condições desumanas nas ruas sem um apoio mínimo do Estado, sendo apenas apoiados por associações e grupos que tentam minimizar as suas condições de vida altamente precárias, mas que não resolvem o seu primeiro problema estrutural – não ter direito à habitação.

No Brasil o problema da habitação é mais grave. Milhões de pessoas organizam-se em movimentos fortes com grande impacto na sociedade brasileira. Movimentos como o dos quilombolas, o dos indigenas, o dos sem terra e o dos sem tecto pôem em causa de diferentes formas a propriedade privada. O Movimento dos Sem Tecto no Brasil ocupa prédios que se encontram vazios para tentar resolver o problema da carência habitacional de milhares de famílias. Lutam pelo direito à habitação, levando a cabo uma luta com as mais diversas instâncias políticas, chegando muitas vezes a confrontos com a polícia para defender as casas ocupadas, que, provisoriamente, vão resolvendo o problema da falta de habitação das pessoas até serem expulsos e obrigados a ocuparem outro prédio. O movimento já conseguiu legalizar muitas das ocupações efectuadas.

Através da projecção do filme “É dia de festa” de Toni Venturi e de Pablo Georgieff e do debate Direito à Habitação, o GAFFE (Grupo A Formiga Fora da Estrada) pretende dar um novo impulso à discussão em torno do tema da habitação e procurar novos possíveis caminhos que urgem traçar no que toca à luta pela habitação em Portugal.

Simpósio Identidades Sociais e Diferenciação no ISCTE (20 e 21 de Março) organizado pelo centro em rede de investigação em antropologia (CRIA)

clicar por cima da imagem para ampliar e ler em detalhe

Organização - CRIA (centro em rede de investigação em antropologia)

O Centro em Rede de Investigação em Antropologia é uma unidade de investigação inter-institucional vocacionada para a investigação em antropologia social e cultural.
Em termos funcionais o CRIA está dividido em quarto pólos institucionais, localizados em quarto instituições de ensino superior (ISCTE, FCSH-UNL, FCT-UC, UM). Cada pólo desenvolve de forma autónoma as suas actividades promovendo também actividades conjuntas com outras unidades de investigação e ensino/formação. Os interesses científicos dos investigadores que compõem esta nova unidade de I&D serão agregados em quatro linhas temáticas:

1. “Identidades Sociais e Diferenciação/Social Identities and Differentiation”;
2. “Práticas e Políticas da Cultura/Culture: Practices, Politics, Displays“
3.“Migrações, Etnicidade e Cidadania / Migrations, Ethnicity, Citizenship”;
4.“Poder, Saberes, Mediações/Power, Knowledge, Mediations”.

As linhas de investigação permitem agregar e cruzar os interesses dos investigadores distribuídos pelos quatro pólos institucionais. Assim, promove-se o diálogo e a cooperação entre grupos e entre pólos de forma a criar uma plataforma multi-vocal que permita, por um lado, contribuir para o avanço do conhecimento em cada uma das quatro linhas temáticas e, por outro lado, promover o avanço do conhecimento na antropologia social e cultural de forma alargada.
A Antropologia Portuguesa tem participado de forma activa na revitalização e reorientação estratégica da antropologia internacional, contribuindo para o crescimento exponencial de actividades baseadas em relações institucionais existentes em território nacional, bem como para a cooperação inter-académica a nível internacional (que têm ocorrido sobretudo com instituições congéneres nos EUA, na Europa e no Brasil). Com base nestas relações institucionais pré-existentes, os investigadores que constituem o CRIA pretendem criar uma rede científica capaz de maximizar recursos e capacidades que estavam dispersas e conferir-lhes uma maior profundidade científica a nível teórico, metodológico e temático.
Durante os próximos anos a actividade do CRIA terá como principal objectivo promover o avanço e a internacionalização da Antropologia Portuguesa. Para que este objectivo se possa concretizar definimos como eixos de acção os seguintes:
a) Desenvolvimento de projectos de pesquisa teórica e aplicada;
b) Organização de eventos que promovam o debate científico e a difusão da pesquisa (congressos, seminários e conferências);
c) Edição de publicações científicas que permitam a difusão dos resultados de projectos de investigação a nível nacional e internacional;
d) Organização de cursos e de actividades relacionadas com a formação pós-graduada;
e) Encorajamento da colaboração internacional em rede, no desenvolvimento de projectos e grupos de investigação e de promoção científica;
f) Reforço das relações de cooperação com instituições congéneres, nacionais e internacionais;
g) Acolher estudantes do ensino superior, licenciados e investigadores de pós-graduação nas suas actividades de investigação e contribuir para a sua integração na comunidade científica.

O CRIA pretende ser a principal plataforma em Portugal dedicada à Antropologia Social e Cultural, liderando as actividades de investigação nesta área de estudos, estando organizado de forma a optimizar recursos materiais e intelectuais, e a promover novas oportunidades de pesquisa tanto a nível nacional como internacional.