15.9.08

Um tribunal britânico considera legítima ( apesar de ilegal) uma acção da Greenpeace



Anjos e não demónios, idealistas e não vândalos, devem ser assim qualificados os militantes da Greenpeace. Foi assim que decidiu no passado dia 10 de Setembro um tribunal britânico que considerou que uma acção da conhecida organização ecologista era «legalmente justificada», num processo intentado pela empresa onde se realizou a acção directa.



Tudo se passou em Outubro de 2007, quando seis militantes tomaram de assalto, segundo uma técnica de comandos, e mostrando uma enorme coragem e temeridade, a chaminé, com uma altura de 200 metros, da central de carvão de Kingsnorth (Kent), com o objectivo de paralisar a fábrica. O grupo de activistas tinha entretanto pintado na mesma chaminé, com letras garrafais, o nome do primeiro-ministro, Gordon Brown.

O júri estimou que os prejuízos causados – estimados pelo operador E.ON em 30.000 ( 37.688 euros) – foram motivados por uma justa causa, e cujo valor era muito mais importante: a salvaguarda do planeta. O local e a empresa escolhida para aquela acção da Greenpeace deveu-se ao facto de estar previsto a construção no mesmo local de uma nova central, peloprincipal operador alemão de energia, e cujo investimento elevar-se-á a 1,5 milhoões de libras.

O testemunho pessoal de Jim Hansen, uma das sumidades mundiais na questão do aquecimento global, faz pender decisivamente a balança do processo judicial. Com efeito, e segundo o climatólogo-chefe da NASA, e também conselheiro do antigo vice-presidente norte-americano Al Gore, as 20.000 toneladas de dióxido de carbono que são emitidas por aquela central de Kingsnorth podem ser as responsáveis pela destruição de 400 espécies.


Por seu turno, Zac Goldsmith, uma das figuras do movimento ecologista, e próximo do líder conservador David Cameron, sublinhou que a construção de uma nova central «tornava mais difícil as pressões sobre países como a Índia e a China para que reduzam o recurso ao carvão que serve para produzir a electricidade».

Este veredicto já não é o primeiro no género, porquanto em 2000 os eco-guerreiros da Greenpeace já tinham destruído milho transgénico em Norfolk, e foram absolvidos com os mesmos argumentos. Noutra ocasião também 5 activistas que tinham ocupado uma incineradora foram declarados, mais uma vez, não-culpados.

Escusado é dizer que os grandes grupos empresariais de energia receiam que esta decisão judicial encoraja os ecologistas a multiplicar as acções contra projectos de construção de reactores.

Resta só acrescentar que o tribunal judicial que tomou esta decisão foi um Júri popular composto por 12 membros, sem a presença de qualquer magistrado profissional. Este tipo de tribunal é constituído porque o pedido indemnizatório era muito elevado, pelo que não era suficiente um Juiz singular, sendo necessária a constituição desse Júri. Este facto terá certamente consequências no futuro: os pedidos de indemnização a pedir pelas empresas serão mais baixos para evitar os Júris, de forma a que estes processos sejam julgados por um único juiz, com formação profissional, mais inclinados a seguir os que diz a lei, e não os interesses da comunidade e do ambiente



Fonte: Le Monde


Para mais informação sobre a acção e a recente absolvição dos activistas, consultar: aqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,



Sobre a acção de destruição de milho transgénico pelos activistas da Greenpeace em Norfolk no ano de 1999, que foram também posteriormente absolvidos. Ver o website da Greenpeace sobre o assunto :
aqui




14.9.08

Manifesto anti-Maria de Lurdes


Retirado do excelente blogue: http://sinistraministra.blogspot.com/


Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se dominar por uma Maria de Lurdes é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram! Pim!

Uma geração com uma Maria de Lurdes a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com uma Maria de Lurdes ao leme é uma canoa em seco!

A Maria de Lurdes é meio demagoga!

A Maria de Lurdes é demagoga inteira!

A Maria de Lurdes saberá de sociologia, saberá estatística, saberá escrever sobre o estatuto dos engenheiros, saberá transformar uma anarquista numa ditadorazeca do terceiro mundo, saberá de tudo menos de educação que é a única coisa que se esperaria que ela soubesse!

A Maria de Lurdes pesca tanto de pedagogia que erigiu em fim principal da escola a ocupação dos tempos livres dos alunos ociosos, que transformou os professores em principal inimigo do Governo, que quis pôr o País inteiro contra os professores!
A Maria de Lurdes é uma habilidosa!

A Maria de Lurdes tem um trauma de infância contra os professores!

A Maria de Lurdes que foi professora primária esconde esta “mácula” na sua biografia oficial. Sente vergonha de ter sido professora como quem tem vergonha da própria mãe. É uma vergonha!

A Maria de Lurdes transformou a pedagogia em demagogia!

A Maria de Lurdes manipula, tergiversa, mente e tenta colocar as escolas ao serviço dos interesses partidários!

A Maria de Lurdes quer destruir a escola pública!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes fez um Estatuto da Carreira Docente que só poderia ter sido feito no Chile de Pinochet de onde o seu mestre anarquista, João Freire, o copiou mal e porcamente!

E a Maria de Lurdes teve claque! E a Maria de Lurdes teve palmas! E a Maria de Lurdes agradeceu!

A Maria de Lurdes é uma vergonha!

Não é preciso ir prá 5 de Outubro pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta extrorquir aos professores os seus direitos como a Maria de Lurdes faz! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem pedagógicos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões do eduques, com as alucinações de um alumbrado como Valter Lemos! Basta usar o tal sorrisinho cínico, basta fazer aparência de muito delicada, e usar olhos meigos para os jornalistas! Basta ser Judas! Basta ser Maria de Lurdes!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes nasceu para provar que nem todos os que governam sabem governar!
A Maria de Lurdes é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair…, bastando ter lido os textos alucinados daquela espécie de Menino do Lapedo fóssil que é Valter Lemos. Mas é preciso deitar mentiras, estatísticas manipuladas, dinheiro, prémios, livros e computadores para comprar os votos aos pais!

A Maria de Lurdes é uma doentia perturbação dela-própria!

A Maria de Lurdes em génio nem chega a pólvora seca e em competência é pim-pam-pum.

A Maria de Lurdes em poses eróticas no jornal Expresso é horrorosa!

A Maria de Lurdes tresanda a mentira e a demagogia!

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

A Maria de Lurdes é o escárnio da consciência!

Se a Maria de Lurdes é portuguesa eu quero ser do Chile, do país de onde importaram o Estatuto da Carreira Docente!

A Maria de Lurdes é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

A Maria de Lurdes é a meta da decadência mental!

E ainda há uns propagandistas na comunicação social que não coram quando dizem admirar a Maria de Lurdes, quais Vitais Moreiras e outras lavadeiras das imundices da socratinada!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a imagem com campanhas de propaganda!

E quem tenha dó da Maria de Lurdes, imputando as culpas deste desastre ao inenarrável Valter Lemos!

E ainda há quem duvide que a Maria de Lurdes não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

Continue a senhora Maria de Lurdes a governar assim que o País há-de ganhar muito com destruição das escolas públicas e há-de ver que ainda apanha uma estátua de cera no Museu dos Horrores e um monumento erecto por subscrição pública dos espanhóis que finalmente ao fim de oito séculos conseguirão destruir Portugal, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr.ª Maria de Lurdes, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta Maria de Lurdes” e pasta Maria de Lurdes prós dentes, e graxa Maria de Lurdes prás botas e Niveína Maria de Lurdes, e comprimidos Maria de Lurdes, e autoclismos Maria de Lurdes e Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes, Maria de Lurdes… E limonadas Maria de Lurdes-Magnésia.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é a Maria de Lurdes que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

E fique sabendo a Maria de Lurdes que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume a pedagogia portuguesa? Não Mil vezes não!
Temos, além disto o Secretário de Estado Valter Lemos, outro iluminado vítima da Síndrome de Legiferação Compulsiva que, como ela, esquecendo a sua formação docente, vive obcecado em perseguir os professores e em transformar os alunos num bando de ignorantes e insubordinados.

E há ainda a Directora Regional de Educação do Norte que, encarnado o espírito ditatorial de um engenheiro que não o é, se deleita a punir delitos de opinião e que proclamou ao mundo o direito inalienável dos alunos ao sucesso, mesmo que não saibam ler nem escrever nem contar. E há ainda o Director do GAVE especialista em fabricar exames nacionais para atrasados mentais, para mostrar ao mundo a grande sabedoria dos alunos portugueses.

Corram com a Maria de Lurdes, corram com ela! Pim!

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

Corram com a Maria de Lurdes, depressa, corram com ela! Pim!


Adaptado de José de Almada Negreiros
Poeta d’Orpheu
Futurista E Tudo
1915 (2008)
A partir daqui

O Anarquismo numa só lição - por Normand Baillargeon ( professor de ciências da educação no Quebec)

Eu, Normand Baillargeon, vosso primo afastado do Quebec, eu sou, no meu verde país, professor de anarquia…Ou quase…Lições e anarquia parecem-vos uma contradição? Nem Deus nem Senhor e ainda menos Lições, proclamam os velhos anarquistas. Ok, tudo bem, mas não vos esqueceis daqueles que nada sabem do assunto. Então, para os neófitos, proponho um pequeno e breve curso destinado aos que nunca viram a vida segundo a perspectiva da cor do anarquismo. Para os outros, trata-se apenas de uma ocasião para rever a matéria dada!

Imaginais uma desordem mundial, um caos terrível, uma confusão monstruosa. Será que vocês estariam por lá?
O primeiro jornalista que aparecesse falaria espontaneamente de anarquia para descrever a cena. Neste tipo de situações, a reacção é sempre a mesma.
Mas a verdade é que essa reacção resulta de uma pura atitude de anarcofobia.
Balelas! - dirão, porém, os anarquistas, de que briosamente faço parte.

O anarquismo designa uma tendência própria do pensamento social, político e económico moderno. Defende uma convergência possível e desejável entre o socialismo e o seu princípio de igualdade, e o liberalismo e o seu princípio de liberdade.
O anarquismo procura realizar esta síntese ambiciosa quer na autogestão económica quer na democracia participativa.
Através da primeira ele recusa o lucro e a organização hierárquica do trabalho, preconizando a solidariedade e a igualdade. Partilha das riquezas, mais do que de um leque de opções ( stock-options). Através da segunda, ele rejeita a ideia de delegação e defende a participação directa das pessoas no processo de tomada das decisões.

Os anarquistas distribuem-se por diversas tendências – há os que são individualistas, colectivistas, mutualistas, sindicalistas, e outros mais. Mas todos eles têm a sabedoria de desconfiar dos planos de organização social e económica, demasiadamente rígidos e definitivos, assim como dos conceitos absolutos. Rejeitam admitir um limite aos arranjos sociais e às condições desejáveis da vida humana, uma vez que eles pensam que, em condições de real liberdade, a sua expressão será cada vez melhor.

Os anarquistas pensam então que a liberdade, como nunca deixou de acontecer, inventará constantemente novas soluções para os problemas, e que a sua extensão permitirá cada vez mais a denúncia das formas de dominação, que não deixarão de também de se revestir sob modalidades inéditas à medida que os tempos passam.

Só isso? Quase.
Sim, porque o anarquismo luta também contra tudo aquilo que contribui para impedir que as pessoas assumam elas próprias o seu próprio destino, e, além disso, desafia-nos para que se comece, desde já, a construir a primícias de uma sociedade mais livre e igualitária do amanhã.
O anarquismo significa ainda a rejeição, pela acção directa, daquelas instituições que procuram dominar, sujeitar e matar aquilo que Bakunine chamava «o nosso instinto de liberdade», e que buscam incutir a docilidade, a passividade e a submissão. Como não é difícil de adivinhar, nos tempos que correm, há muito por fazer para quem, como nós, chega às estas conclusões. Por isso, o anarquismo é, na minha opinião, a única alternativa válida face à catástrofe universal para que nos querem empurrar e que significa, ela sim, o autêntico caos que devemos duvidar e combater.


Texto do Normand Baillargeon, professor de ciências de educação, publicado no nº 1 do jornal Siné-Hebdo,


Normand Baillargeon é o autor do livro «Pequeno curso de autodefesa intelectual (« Petit cours d'autodéfense intellectuelle«). Tem edição no Brasil sob o título
PENSAMENTO CRÍTICO - UM CURSO COMPLETO DE AUTODEFESA INTELECTUAL

Bibliografia de Norman de Baillargeon :

Sève et sang. Chants et poèmes de révolte et d'espoir. Anthologie, Mémoire d'encrier, Montréal, 2007.
Écrits dans la marge. Réflexions libres et libertaires, Éditions Trois-Pistoles, 2006.
Éducation et Liberté. Anthologie, Tome 1 : 1793-1918, Lux, 2005.
Petit cours d'autodéfense intellectuelle, Lux, 2005. Une version réduite, antérieure au livre, a été publiée sur Internet [
lire en ligne].
Trames. esthétique/politiques, Éditions Nota Bene, 2004.
L'Ordre moins le pouvoir : histoire et actualité de l'anarchisme


É membro do colectivo do Quebec «Por uma educação de qualidade» :
http://agora.qc.ca/ceq

Blogue pessoal de Normand Baillargeon:
http://nbaillargeon.blogspot.com/


Texto na Wikipedia sobre Normand Baillargeon:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Normand_Baillargeon



O Anarquismo é a ordem menos o poder

11.9.08

Quem cala…consente?

Pouco importam as nossas opiniões, as nossas ideias políticas e religiosas, pois a verdade é que o sistema social e económico em que vivemos assenta numa espécie de contrato social que nos ultrapassa, e que supostamente, os seus destinatários ( todos nós) aceitam.

Mas será mesmo assim?
Será que estamos conscientes das regras do sistema em que vivemos, e que nos são impostas, supostamente com o nosso «consentimento» silencioso?


- Tenho eu consciência que a concorrência e a competição estão na base do nosso sistema social e económico, e que advem daí a maior parte dos desesperos e das frustrações para a imensa maioria dos perdedores?

- Tenho eu consciência que sou eu que estou a remunerar os bancos para que eles possam investir os meus salários neles depositados segundo as suas próprias conveniências, e que, por isso, não recebo dividendo algum pelos seus enormes lucros?

- Tenho eu consciência que os bancos me exigem uma pesada taxa de juro ao concederem-me empréstimos, dinheiro esse que, no entanto, pertence aos outros clientes que tinham feito os seus depósitos nesse banco?


- Tenho eu consciência que se açambarca, ou então que se destrói, toneladas de alimentos para que os preços não baixem, em vez de os oferecer às pessoas carenciadas, ajudando a combater a fome de milhares de indivíduos?

- Tenho eu consciência que é probida a eutanásia, mas que ao mesmo tempo é admissível a morte lenta das pessoas através da inalação ou ingestão de substâncias tóxicas autorizadas pelos Estados?

-Tenho eu consciência que actualmete no nosso planeta faz-se a guerra para fazer reinar a paz?

-Tenho eu consciência que em nome da paz, os Estados gastam biliões em despesas de armamento, constituindo, em muitos deles, as despesas do orçamento militar a maior fatia da despesa pública?

- Tenho eu consciência que há conflitos que são artificialemente criados a fim de escoar mais facilmente os stocks de armas e de armamento para assim manter em funcionamento as empresas do complexo militar-industrial?

- Tenho eu consciência da hegemonia do petróleo e do nuclear nas nossas economias contemporâneas, apesar de serem energias extremamente poluidoras?

- Tenho eu consciência de que se divide artificialmente a opinião pública por meio da ilusão de que a luta entre os partidos de direita, do centro e de esquerda é indispensável para o funcionamento do sistema social e económico em que vivemos?

-Tenho eu consciência que o poder de moldar e formatar a opinião pública, outrora nas mãos das religiões, encontra-se agora entregue aos homens de negócios, não eleitos democraticamente, e predispostos a controlar o poder do Estado em seu benefício?

- Tenho eu consciência que a ideia de felicidade se resume às mensagens que são por toda a parte e constantemente debitadas pela publicidade nos nossos cérebros?

-Tenho eu consciência que nas nossas sociedades actuais, em que vivemos, o valor de uma pessoa se mede pelo tamanho da sua conta bancária, bem assim a sua utilidade estar em função da produtividade que revelar, em vez das suas qualidades pessoais?


- Tenho eu consciência que se paga prodigiosamente aos jogadores de futebol, aos actores, e comparativamente muito menos a outros profissionais que, no entanto, exercem a sua actividade em profissões sociais fundamentais, como sejam, os professores, os educadores sociais,etc?

- Tenho eu consciência que se marginaliza e se lança para a sombra inúmeras pessoas de idade cuja experiência poderia ser, todavia, bem útil para todos?

- Tenho eu consciência que me são apresentadas diariamente notícias negativas e aterradoras de forma a poder apreciar melhor até que ponto a minha situação é vantajosa, e de quanto eu tenho a ganhar só pelo facto de viver numa sociedade ocidental?

- Tenho eu consciência que os banqueiros, os industriais, os militares e os políticos se reúnem amiúde para tomar decisões que têm importantes implicações para o planeta e para todos nós?

- Tenho eu consciência de consumir produtos tratados com hormonas sem que me seja facultada informação a esse respeito?

- Tenho eu consciência que os cultivos de produtos transgénicos se expandem pelo mundo fora, permitindo que os grandes grupos económicos registem como sua propriedade as caracterísitcas dos seres vivos, apoderando-se quer da actividades produtivas quer mesmo das condições em que vivemos?

-Tenho eu consciência que as empresas multinacionais se abstêm de aplicar os progressos técnicos e sociais próprios dos países ocidentais nos países periféricos, ditos subdesenvolvidos?

- Tenho eu consciência que numerosas empresas farmacêuticas e indústrias do sector agro-alimentar vendem para os países ditos subdesenvolvidos bens e produtos impróprios, ou seja, em condições e com substâncias proibidas nos países capitalistas desenvolvidos?

- Tenho eu consciência que a Natureza tenha demorado milhões de anos para criar um ser humano, e que hoje os indivíduos se entreguem a passatempos destruidores do planeta?

- Tenho eu consciência de destruição de numerosas florestas e da rápida extinção de espécies de peixes nos oceanos?

- Tenho eu consciência do aumento da poluição industrial, da dispersão de peixes contendo elementos químicos e radioactivos na natureza?

- Tenho eu consciência da utilização de toda a espécie de aditivos químicos na alimentação?

- Tenho eu consciência que na maior parte das vezes não levanto nenhuma questão, que fecho os olhos para tudo isso, e que não penso sequer em nenhuma solução concreta para qualquer um destes problemas?

- Tenho eu consciência da peneira e das ilusões que colocam à minha frente para me impediram de ver a simples realidade do mundo?

- Tenho eu finalmente consciência que o mundo se constrói à minha imagem e semelhança, e que ao tratar de mim, eu estou, por via das minhas opções, a agir automaticamente sobre o mundo e a sociedade?


Se, de facto, eu tiver consciência de tudo isso, e não fizer nada para mudar o actual estado de coisas, então é sinal que não sou mais que um pateta inconsciente numa sociedade em clara derrapagem…

Cláudia López, estudante de dança e anarquista chilena, foi assassinada pelas costas há 10 anos pela polícia «democrática» chilena



Cláudia López Benaiges foi uma jovem militante anarquista chilena, estudante do curso de dança da Universidad de Humanismo Cristiano, que há 10 anos atrás, durante um protesto pelo 25º aniversário do golpe fascista de Pinochet, foi assassinada com uma bala pelas costas, disparada pelos Carabineros (Policia) na povoação de La Pincoya em Santiago ( Chile).

Cláudia López tornou-se, entretanto, num símbolo para todo o movimento estudantil chileno, para os jovens das organizações sociais, e ainda para o emergente movimento anarquista chileno. A sua morte demonstra que o actual regime chileno continua a ser dominado na sombra pelas sinistras figuras militares que foram responsáveis pelo golpe de estado de 1973 e todo o cortejo de horrores, perseguições e mortes da história recente do Chile.

Hoje, 10 anos passados do seu assassinato, não há responsáveis nem culpados, o que só mostra que no Chile ainda subsiste a insidiosa impunidade dos repressores de sempre.
Existe um centro social com o nome de Cláudia López na cidade de Penco.


www.geocities.com/claudialopezbenaiges/

A tua dança rebelde perdurará nos nossos corações

Video de um espectáculo de dança de Claudia López





Sobre as lutas sociais no Chile:

Passam hoje 35 anos do golpe militar fascista que derrubou no Chile a democracia e o presidente Salvador Allende

No dia 11 de Setembro de 1973, sob as ordens de Augusto Pinochet, e com a prestimosa ajuda da CIA, os militares chilenos derrubaram o governo democrático do socialista Salvador Allende. O presidente foi morto em circunstâncias não esclarecidas e Pinochet instaurou uma feroz ditadura fascista, com apoio do governo norte-americano e de toda a extrema-direita internacional.

O golpe de Pinochet foi elogiado politicamente pelo governo norte-americano de Richard Nixon, que deu também apoio logístico e cobertura política.

O governo socialista do presidente Allende foi combatido,desde o início, por Washington. Com efeito, poucos dias depois da posse de Salvador Allende, os Estados Unidos lançaram as suas reservas de cobre no mercado mundial, fazendo com que caísse rápida e drasticamente o preço do principal artigo chileno de exportação no mercado mundial. Dessa maneira, tornou-se praticamente impossível o financiamento das reformas sociais anunciadas por Allende. Ele – pediatra, de profissão - só pode assim concretizar uma única reforma a que se tinha pessoalmente comprometido: fazer com que todas as crianças chilenas recebessem gratuitamente meio litro de leite, todos os dias, até completarem oito anos de idade.
Quando passa mais um aniversário do golpe fascista de Pinochet é preciso não só recordar os assassinatos, as perseguições, os desaparecimentos e as torturas de há 35 anos atrás, mas também todas as vítimas da repressão ao longo dos 18 anos de falsa democracia no Chile. Por isso, mais do que acender velas pelos caídos pela repressão da ditadura e da pseudo-democracia, o importante é erguer barricadas contra os poderosos e os exploradores dos povos que ainda dominam o Chile.


http://www.memoriaviva.com/
( Arquivo digital sobre as violações dos direitos humanos durante a ditadura fascista de Pinochet no Chile)




O outro 11 de Setembro: o golpe militar fascista contra o Chile democrático de Salvador Allende

The Other 9/11


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6




Tributo a Salvador Allende





Viva Chile! Viva el Pueblo! Vivan los Trabajadores!



Regime militar fascista de Pinochet

Tributo a Victor Jara (no ESMAE, a 4 de Outubro, às 21h30)



Tributo a Victor Jara

NOS 35 ANOS DO SEU ASSASSINATO À ORDEM DO GOLPE DE ESTADO DE AUGUSTO PINOCHET A “ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO” (NÚCLEO DO NORTE) PRESTA TRIBUTO A VICTOR JARA.


El derecho de vivir en paz


10.9.08

Siné Hebdo – o novo jornal satírico de orientação libertária, lançado hoje por Siné em França, teve a sua edição de 150.000 exemplares esgotada

Foi lançado esta 4ªfeira em França um jornal satírico de orientação libertária, Siné Hebdo, com uma primeira edição de 150.000 exemplares que rapidamente se esgotaram no primeiro dia do seu lançamento.

Siné Hebdo , que leva o nome do seu fundador, é criado por um dos grandes desenhadores franceses, assumidamente anarquista, anti-sionista, pacifista, não-violento e representante do espírito de Maio de 68.


Recorde-se que Siné foi despedido em Junho último de uma outra publicação satírica, Charlie Hebdo, por motivos declaradamente políticos que se prendem com a posição de Siné contra o Sionismo de Israel e a sua atitude crítica face ao actual Presidente francês. O pretexto próximo para o despedimento terá sido um desenho de Siné em que se pretendia relacionar a rápida ascenção social de Jean Sarkozy, filho do actual Presidente francês, com o facto daquele se ter convertido supostamente à religião judaica.


A nova publicação, que conta entre os seus colaboradores com nomes como Bedos, Alévêque, Delépine, Gaccio, Berroyer, Geluck, Mix & Remix, Tardi ou Vuillemin, tem 16 páginas a cores, formato tablóide, e anuncia--se como uma revista "de humor, libertária e mal-educada", que não "respeitará ninguém nem terá nenhum tabu".





Lembrar-se-ão do dia 10 de Setembro



Pistas práticas para cuidar da Terra (I e II) por Leonardo Boff ( um dos principais autores da Teologia da Libertação)


Dois princípios são fundamentais na superação da actual crise pela qual passa o planeta Terra: a sustentabilidade e o cuidado.

A sustentabilidade, assentada na razão analítica, tem a ver com tudo o que é necessário para garantir a vida e sua reprodução para as actuais e as futuras gerações.

O cuidado, fundado na razão sensível e cordial refere-se aos comportamentos e às relações para com as pessoas e para com a natureza, marcadas pelo respeito à alteridade, pela amorosidade, pela cooperação, pela responsabilidade e pela renúncia a toda espécie de agressividade.

Articulando estes dois princípios poderemos devolver equilíbrio e vitalidade à Terra.
Oferecemos algumas sugestões práticas no sentido de cada um fazer a sua revolução molecular (Guatarri): aquela que começa pela própria pessoa, base para a grande virada de todo o sistema. Eis algumas:

Alimente sempre a convicção e a esperança de que outra relação para com a Terra é possível, mais em harmonia com seus ciclos e respeitando os seus limites.

Acredite que a crise ecológica não precisa se transformar numa tragédia, mas numa oportunidade de mudança para um outro tipo de sociedade mais respeitadora e includente.

Dê centralidade ao coração, à sensibilidade, ao afecto, à compaixão e ao amor, pois são estas dimensões que nos mobilizam para salvar a Mãe Terra e seus ecossistemas.

Reconheça que a Terra é viva, mas finita, semelhante a uma nave espacial, com recursos escassos e limitados.

Resgate o princípio da re-ligação: todos os seres, especialmente, os vivos, são interdependentes, e por isso têm um destino comum. Devem conviver fraternalmente entre si.

Valorize a biodiversidade e cada ser vivo ou inerte, pois tem valor em si mesmo independentemente do uso humano.

Reconheça as virtualidades contidas no pequeno e no que vem de baixo, pois aí podem estar contidas soluções globais.

Quando não encontrar uma solução, confie na imaginação criativa, pois ela esconde em si respostas surpreendentes.

Tome a sério o fato de que para os problemas da Terra não há apenas uma solução, mas muitas que devem surgir do diálogo, das trocas e das complementariedades entre todos.

Exercite o pensamento lateral, quer dizer, coloque-se no lugar do outro e tente ver com os olhos dele. Assim verá dimensões diferentes e complementares da realidade.

Respeite as diferenças culturais (cultura camponesa, urbana, negra, indígena, masculina, feminina etc), pois todas elas mostram formas diversas de sermos humanos.

Supere o pensamento único do saber dominante e valorize os saberes quotidianos, do povo, dos indígenas e dos camponeses porque corroboram na busca de soluções globais.

Cobre que as práticas científicas sejam submetidas a critérios éticos a fim de que as conquistas beneficiam mais à vida e à humanidade que ao mercado e ao lucro.

Não deixe de valorizar a contribuição das mulheres porque são portadoras naturais da lógica da complexidade e são mais sensíveis a tudo o que tem a ver com a vida.

Faça uma opção consciente por uma vida de simplicidade que se contrapõe ao consumismo.
Pode-se viver melhor com menos, dando mais importância ao ser que ao ter e ao aparecer.

Cultive os valores intangíveis quer dizer, aqueles bens relacionados à espiritualidade, à gratuidade, à solidariedade, à cooperação e à beleza como os encontros pessoais, as trocas de experiências, o cultivo das artes especialmente da música.

Mais que parte do problema, considere-se parte de sua solução.

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Pistas práticas para cuidar da Terra ( II)

No artigo anterior referimos pistas práticas que tinham a ver com a mudança da mente ou do olhar. Agora importa considerar as mudanças das práticas da vida quotidiana:

Procure em tudo o caminho do diálogo e da flexibilidade porque é ele que garante o ganha-ganha e é uma forma de diminuir os conflitos e até poder resolvê-los.

Valorize tudo o que vem da experiência, dando especial atenção aos que não são ouvidos pela sociedade.

Tenha sempre em mente que o ser humano é um ser contraditório, sapiente e ao mesmo tempo demente; por isso seja crítico e simultaneamente compreensivo.

Tome a sério o facto de que as virtualidades cerebrais e espirituais do ser humano constituem um campo quase inexplorado. Por isso sempre esteja aberto à irrupção do improvável, do inconcebível e do surgimento de emergências.

Por mais problemas que surjam, a democracia sem fim é sempre a melhor forma de convivência e de superação de conflitos, democracia a ser vivida na família, a comunidade, nas relações sociais e na organização do estado.

Não queime lixo e outro dejectos, pois eles fazem aumentar o aquecimento global. Eles podem ser reciclados.

Avise as pessoas adultas ou as autoridades quando souber de desmatamentos, incêndios florestais, comércio de bromélias, plantas exóticas e de animais silvestres.

Ajude a manter um belo visual de sua casa, da escola ou do local de trabalho, pois a beleza é parte da ecologia integral.

Anime grupos para que no bairro se crie um veículo de comunicação, uma folha ou um pequeno jornal, para debater questões ambientais e sociais e acolher sugestões criativas.

Fale com frequência em casa, com os amigos, com os moradores de seu prédio e na rua sobre temas ambientais e de nossa responsabilidade pelo bem viver humano e terrestre.

Reduzir, reutilizar, reciclar, rearborizar, rejeitar (a propaganda espalhafatosa), respeitar e se responsabilizar. Estes 7 erres (r) nos ajudam a sermos responsáveis face à escassez de bens naturais e são formas de sequestrar dióxido de carbono e outros gases poluentes da atmosfera.

O Pe. Cícero Romão Batista, um dos ícones religiosos do povo do Nordeste do Brasil, elaborou, no início do século XX, dez preceitos de conteúdo ecológico:

-“Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau.

-Não toque fogo no roçado nem na caatinga.

-Não cace mais e deixe os bichos viverem.

-Não crie o boi nem o bode soltos: faça cercados e deixe o pasto descansar para que possa se refazer.

-Não plante serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e para que não se perca a sua riqueza.

-Faça uma cisterna no canto de sua casa para guardar a água da chuva.

-Represe os riachos de cem em cem metros ainda que seja com pedra solta.

-Plante cada dia pelo menos um pé de árvore até que o sertão seja uma mata só.

-Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga.

Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai se acabando, o gado melhorando e o povo terá o que comer. Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo, o sertão todo vai virar um deserto só”.

Estas práticas nos dão a esperança de que as actuais dores não são de morte mas de um novo nascimento. A vida triunfará.

Guardiões de Sementes – em defesa das variedades regionais de sementes e da agricultura camponesa


No final deste Verão, mais concretamente, no passado fim de semana ( 6 e 7 de Setembro) realizou-se na Quinta do Olival, Aguda, perto de Figueiró dos Vinhos, um encontro entre as pessoas que se ofereceram para serem futuros Guardiões de Sementes.

Tratou-se de um fim de semana em que a «COLHER PARA SEMEAR – Rede Portuguesa de Variedades Regionais», uma jovem associação, pretendeu sensibilizar e formar cerca de 40 pessoas no sentido de que a recolha e reprodução de sementes perdure e se expanda.

Foi assim possível assistir a demonstrações de processos que visam preservar e manter a variedade das sementes naturais, como por exemplo, a extracção de sementes de tomate e pepino onde é necessário um tratamento de fermentação, ou da extracção das sementes de beringela, a limpeza de sementes pesadas com água ou a limpeza pela joeira própria para aquelas sementes mais leves. Foi também ocasião para se poder recolher as preciosas sementes e produtos agrícolas e passar à sua degustação.

Fez-se ainda a descasca do feijão na eira, com cuidado para não causar o caos entre tantas variedades, cautelosamente assinaladas desde a horta, à saca de recolha até ao frasco para armazenar no banco de sementes.

No final foi agendado um novo Encontro da Semente, a realizar proximamente em Sendim.







CONTRA O NEGÓCIO DAS SEMENTES
PELA DEFESA DO PATRIMÓNIO E DA DIVERSIDADE DAS SEMENTES


Em 1984, um estudo levado a cabo pela Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) concluiu que a perda de biodiversidade agrícola ronda os 75% em todo o mundo.

O inimigo público número um está claramente identificado: o negócio das sementes. Seria de imaginar que um produtor de abóboras, por exemplo, utilizasse sementes de cada colheita para plantar a seguinte, não? O pior é que esse produtor iniciou a sua actividade com sementes de uma marca multinacional, à falta de um pequeno comerciante local, como os que havia antigamente, e ao fim de uma ou duas colheitas constatou que as sementes que colhia já haviam perdido a capacidade de germinar. Resultado: teve que voltar a comprar sementes (à mesma marca multinacional, ou a outra em tudo semelhante). Sementes híbridas, ou até geneticamente modificadas, para medrarem em qualquer ponto do planeta. O negócio é milionário, mas a factura pesa cada vez mais nas contas da Mãe Natureza


José Miguel da Fonseca, de Figueiró dos Vinhos, Graça Ribeiro, de Sesimbra e José Pedro Raposo, de Ferreira do Alentejo, agricultores e guardiões de sementes, são fundadores da Colher para Semear. A partir de um aturado trabalho de investigação, e de muito contacto directo com os pequenos agricultores pelo país afora, foram conquistando sócios e solidificando a Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais.


Contactos:

Colher Para Semear - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais
Quinta do Olival, Aguda
3260 Figueiró dos Vinhos


José Miguel Fonseca - 236 622 218
Graça Ribeiro - 91 490 9334
fcteixeira@esb.ucp.pt


gcaldeiraribeiro@gmail.com




Para saber mais:

http://biorege.weblog.com.pt/

http://www.redsemillas.info/

http://www.semencespaysannes.org/index.php

http://www.redsemillas.info/

www.semirurali.net/modules/home/index.php?content_id=1

http://www.farmseed.net/home/

http://www.semences.ca/fr.php

http://www.terredesemences.com/

Reentrada no Centro de Convergência( Centro Social das Aldeias das Amoreiras) em Odemira (no Domingo, 14 de Setembro)




O que é o Centro de Convergência (centro social da Aldeias das Amoreiras, em Odemira)?

O Centro de Convergência é a proposta de uma estratégia inédita no sentido da dinamização e desenvolvimento de meios rurais, um projecto-piloto agregando diferentes disciplinas que se complementam e interagem entre as ciências sociais e de ambiente, a cultura e a arte. Localiza-se na Freguesia de São Martinho das Amoreiras, concelho de Odemira.

Surgiu no contexto da campanha contra a desertificação do GAIA : Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, organização não-governamental de ambiente e do seu núcleo do Alentejo, abrangendo agora uma dinâmica de parcerias com organizações locais.
O Centro de Convergência propõe-se como uma infra-estrutura para indivíduos e organizações com projectos inovadores, dirigidos ao meio ambiente e social local, e como sistema organizativo de carácter aberto e dinâmico, transdisciplinar, não institucional, não partidário e sem hierarquia. É dinamizado por módulos de actividades de longo prazo, garantindo a sustentabilidade da estrutura, admitindo a meio-termo projectos curtos e pontuais.

Os objectivos do projecto centram-se na proposta de alternativas sustentáveis e criativas para o desenvolvimento rural, eficazes no combate à desertificação física e ao despovoamento, apoiando e valorizando a comunidade local, fomentando a deslocação de pessoas da urbe para o campo e facilitando a comunicação entre os dois meios.

O Centro de Convergência propõe novos estilos de vida e de trabalho, em constante criação e adaptação a novas pessoas e novas ideias, tendo por eixo um conjunto de princípios que identificam o projecto. A concepção do Centro de Convergência assenta em cinco pilares: Visão, Modelo de Organização, Infra-estruturas, Módulos de Actividades e Pessoas.

O plano de acção do Centro de Convergência compreende, presentemente, a implementação dos módulos de trabalho de Arte e Ofícios, Turismo Ético, Permacultura, Centro de Internet e biblioteca e Dinamização n’Aldeia das Amoreiras.


http://centrodeconvergencia.wordpress.com/


Centro Social da Aldeia das Amoreiras,
Rua do Garvão, 7630-512 Aldeia das Amoreiras - Odemira

Tel: 351 283 925 032

Email:
geral@centrodeconvergencia.org

9.9.08

Leitura integral de Um certo Plume, de Henri Michaux, no bar-livraria Gato Vadio (dia 13 às 23h.30)

Clicar sobre a imagem para ampliar e ler en detalhe


Leitura integral de Um certo Plume, de Henri Michaux.

Sábado, 13 de Setembro. 23h30
na Livraria-Bar
Gato Vadio
Rua do rosário 281 Porto



“Almoçava Plume no restaurante quando o chefe-de-mesa se aproximou, olhou para ele com severidade e disse numa surda e misteriosa voz: “Aquilo que o senhor tem no prato não vem na lista”(…)Pagarei o que for preciso, como é óbvio. É um belo pedaço, não vou negá-lo. Pagarei sem hesitar o que valer. Se eu soubesse, de boa vontade teria escolhido outra carne ou simplesmente um ovo; de qualquer forma não sinto agora muita fome…”

“Eles só estavam interessados em puxar-lhe os cabelos. Não queriam fazer-lhe mal. Arrancaram-lhe a cabeça à primeira. Com certeza estava mal presa. Não costumam sair assim. Com certeza faltava-lhe qualquer coisa…”

“Num estúpido momento de distracção, Plume andou com os pés no tecto em vez de os conservar no chão. Por pouca sorte sua, quando reparou nisso era tarde de mais.”


Durante a sessão, em homenagem ao senhor Plume, será obrigatório comer caracóis e dar três cambalhotas encarpadas sempre que se referir a palavra Plume. Treinem meus amores, treinem muito…


http://gatovadiolivraria.blogspot.com/


Bar-Livraria Gato Vadio
Rua do Rosário, 281 – Porto
horário:terça a domingo das 15h - 19h30 / 21h - 24h
encerramos à segunda-feiratel. 220131894

Café Zapatista na Casa-Viva, no Porto ( 12 de Set. às 21h.), para a apresentação da cooperativa Mu Vitz


Apresentação na Casa-Viva ( à Praça do Marquês, 167), no Porto, da cooperativa Mut Vitz e do café zapatista, um café biológico e de comércio justo, com o objectivo de criar uma rede de distribuição no Porto.


Projecção do filme «Mutvitz, o esforço indígena cooperativo», seguido de debate e sessão de informações

Nota importante: a porta da Casa-Viva está fechada, mas tocando com o batente da porta de entrada, toda a gente pode entrar. Por isso, não hesitem em bater à porta. Esta nota é importante porque já não é a primeira vez que pessoas se mostram receosas de bater à porta para entrarem e participarem nas múltiplas actividades e iniciativas desenvolvidas pela Casa-Viva. Apareçam, pois.

Informações sobre Chiapas e o movimento zapatista:

Reunião de preparação para a Caminhada pelo Decrescimento a realizar em Portugal no próximo ano (dia 13 Set. às 16h no jardim da Gulbenkian, Lisboa)

POR UMA VIDA SIMPLES E SOLIDÁRIA

Se te interessa a questão do actual crescimento insustentável, e estás disposto a participar numa Caminhada pelo Decrescimento em Portugal, a realizar no próximo ano, aparece e envolve-te.

Caminhar começa sempre com um passo à frente do outro!

Este é um movimento de pessoas conscientes e preocupadas com o futuro do planeta.



Criou-se entretanto um grupo de discussão para a organização que está aberto a todos - para se tornar membro vá a:
http://groups.yahoo.com/group/caminhadapelodecrescimento/



A sobreprodução de todo o género de objectos de consumo fútil transformou-nos de cidadãos em consumidores. Tendo em conta que todo este frenesim consumista se baseia no petróleo barato e na sobreexploração dos recursos terrestres finitos, que futuro contamos deixar aos nossos filhos?

Debater e reflectir, experimentando uma forma de viajar simples mas rica em calor humano, tentando abranger todos por onde vamos passando, foi o que nos levou a tentar organizar uma caminhada pelo decrescimento em Portugal.





O que é o decrescimento?


A contestação do crescimento económico é um fundamento da ecologia política. Não é possível um crescimento infinito num planeta finito. Muito incómoda, pois entra em ruptura radical com o nosso desenvolvimento actual, esta crítica foi rapidamente abandonada por conceitos mais suaves, como o “desenvolvimento sustentável “. No entanto, racionalmente, não existem outra vias pelas quais os países ricos (20%) da população planetária e 80% do consumo dos recursos naturais) que de reduzir a sua produção e o seu consumo de forma a “decrescer”.
Bruno Clémentin e Vincent Cheynet

O crescimento pelo crescimento torna-se o objetivo primordial, senão o único da vida, na sociedade capitalista, o que acarreta uma degradação progressiva do ambiente e dos recursos globais. Vivemos, atualmente, às vésperas de catástrofes previsíveis.
Serge Latouche

O decrescimento é um slogan. É tambem um conceito que nos obriga a todos a tomar consciência dos limites fisicos do planeta aos quais nós nos confrontamos. Ele obriga-nos a pôr em causa a nossa noção de conforto, de necessidade.
O decrescimento não é uma ideologia, é uma necessidade absoluta (...).
Mas o decrescimento não se limita aos aspectos ecológicos (...).
O decrescimento não será o «retorno à luz da vela» (...).
O decrescimento é também ir contra, desde hoje, ao sistema capitalista, industrial e espectacular. É um grão de areia na engrenagem da mega- máquina. (...)
Grupo Marée Noire


A Ecologia é subversiva porque põe em causa o imaginário capitalista que domina o planeta. Ela recusa o motivo central do capitalismo, segundo o qual o nosso destino é de aumentar sem parar a produção e o consumo. Ela mostra o impacto catastrófico da lógica capitalista sobre o ambiente natural e sobre a vida dos seres humanos.

Cornelius Castoriadis

8.9.08

Cesare Pavese, o poeta da solidão, e um dos maiores escritores da literatura italiana, nasceu há 100 anos


Cesare Pavese (n. 9 de Setembro de 1908, em Santo Stefano Belbo, Cuneo, Itália - m. 27 de Agosto de 1950, em Torino, Itália) , poeta e escritor italiano, foi o autor de um dos mais belos livros jamais escritos - O Ofício de Viver (Il Mestiere di Vivere, 1952) - sob a forma de um diário. Tornou-se ainda conhecido pela sua melancolia angustiada, que o levará ao suicídio.
Passam hoje 100 anos do seu nascimento, o que mais que justifica a sua invocação aqui e agora.
Pavese este preso nas masmorras de Mussolini, pela sua atitude anti-fascista. Depois da prisão Pavese descobre que a mulher que amava se tinha casado, o que o marcará indelevelmente, tornando-o um ser angustiado face à existencia durante o resto da sua vida. Quando termina a II Guerra Mundial, filia-se no PCI.
Foi um profundo conhecedor da literatura anglo-saxónica, tendo sido tradutor de várias obras e autor de uma tese académica sobre Walt Whitman.

A leitura do Ofício de Viver, editada entre nós pela Relógio d'Água, é quase que obrigatória para quem queira conhecer o enigma de um qualquer ser humano. Altamente recomendável, pois.

Consultar:
http://it.wikipedia.org/wiki/Cesare_Pavese

www.centrostudipavese.it/

www.fondazionecesarepavese.it/



Leo Ferré canta L’Uomo Solo ( de Cesare Pavese)




Lugares e vida de Cesare Pavese



Congresso Internacional Karl Marx (14 e 15 de Novembro) na FCSH da Universidade Nova de Lisboa


Congresso Internacional Karl Marx
14 e 15 de Novembro de 2008
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa

Organização: Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa
CULTRA – Cooperativa Cultura do Trabalho e Socialismo



A
Cultra, o Instituto de História Contemporânea e a rede Transform promovem nos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Congresso Internacional Karl Marx.

À semelhança do que vem sucedendo em outros países, este congresso internacional visa alargar o espaço de debate intelectual em torno dos marxismos. Convidamos por isso a que se apresentem a este congresso quer comunicações que analisem os marxismos enquanto instrumentos de interpretação e transformação do tempo presente, quer comunicações que, de alguma forma, reivindicando-se de tradições marxistas, se debrucem sobre problemáticas discutidas no âmbito das ciências sociais e humanas. As comunicações poderão ter um registo mais teórico ou um registo mais empírico.

Os trabalhos do congresso decorrerão durante dois dias. Funcionarão dois tipos de sessões. Por um lado, sessões plenárias com conferencistas convidados. Por outro sessões paralelas onde serão debatidas as comunicações. Estas sessões paralelas organizam-se em torno de nove grandes linhas de trabalho, cujos tópicos se enunciam a título meramente de sugestão.

A data limite para envio de propostas de comunicação é 15 de Setembro de 2008. As propostas (com 1000 a 1500 caracteres, incluindo espaços) devem indicar a linha de trabalho em que se inscrevem. No dia 30 de Setembro serão anunciadas as propostas seleccionadas.
No Congresso, cada apresentação terá a duração máxima de 20’ e as línguas de trabalho são o português, castelhano, inglês e francês.

As propostas de comunicação deverão ser enviadas para:
Instituto de História Contemporânea / FCSH / UNL
Av. de Berna, 26-C
1069-061 – Lisboa
ou para o email: ihc@fcsh.unl.pt


LINHAS DE TRABALHO


A: Internacionalismo, Imperialismo e Pós-Colonialismo

1.O Racismo depois das raças

2.Raça, Classe e Nações

3.Imigração e pós-colonialismo

4.Imperialismo e economia política da guerra

5.Anti-colonialismo e lutas de libertação

6.Integração e zonas económicas

7.Identidade Alteridade e Violência



B: Neoliberalismo

1- Serviços públicos e a reconfiguração neoliberal do Estado

2- Financeirização da Economia

3- Regimes de Acumulação e crise

4- Capitalismo Cognitivo

5- Biopolítica e Governamentalidade

6. Consumo, mercadorização e sistemas de provisão.

7. Capitalismo, ambiente e movimentos ecológicos



C: Classes: Trabalho e Lazer

1. Recomposição de classe e novas lutas de classes

2. Precariedade, desemprego e novas formas de trabalho

3. Sindicalismo e novos movimentos sociais

4. Novas e velhas desigualdades

5. Cultura de massas e políticas de gosto

6. Capacidades e autonomia

7. Coerção e empresa capitalista



D: Materialismo, História e Filosofia

1.Valências da dialéctica

2.Pós-modernismo e capitalismo tardio

3.Justiça e normatividade

4.Mercadoria e Teoria do Valor

5.Fetichismo, reificação e alienação

6.Materialismo e Idealismo



E: Marx e os Marxistas

1. Dois ou mais Marx? Dos manuscritos de 1844 ao Capital.

2. O político e o analista: o Marx do manifesto e o Marx de “O Capital”.

3. Marxismo nos países socialistas

4. O Marxismo Ocidental

5. Correntes Marxistas no terceiro mundo



F: História dos socialismos e dos comunismos nos séculos XIX e XX

1. História do movimento operário e das lutas sociais

2. Revisionismo histórico

3. O socialismo de Estado: balanço e perspectivas

4. O Movimento Comunista Internacional e as grandes roturas (da IV Internacional ao maoísmo)

5. Movimentos Anarquistas e Libertários

6. Autonomismo e Conselhismo



G: Estado, Partido e Movimento no Séc. XXI

1. Alterglobalismo e fóruns sociais

2. Partido e novas formas organizacionais

3. Democracia, Representação e Participação

4. ONGs e privatização do Espaço público

5. Estado, securitarismo e liberdades

6. Que Revolução e que socialismo para o século XXI?

7. As novas experiências socialistas: a América Latina e o resto do mundo

8. Recomposição da esquerda europeia



H: Corpo, Género e Sexo

1.Redistribuição ou Reconhecimento?

2.Feminismos e Marxismos

3.Lutas LGBT e a reinvenção da teoria

4.Corpo, Desejo e Poder

5.Representações e emancipação

6.Economia política do “trabalho doméstico”

7. Industrias do sexo



I: Literatura, Estudos Artísticos e Cultura (ou: Estética, Arte e Política)

1.Arte e Mercadoria

2.Modernismo e Ideologia

3.As metamorfoses do realismo

4.Existe uma estética Marxista?

5.Vanguardas e movimentos artísticos: séculos XX-XXI.

6.Arte e trabalho imaterial

7.Arte e novos modos de produção de subjectividade

8º Festival anual do filme sobre bicicletas ( Bicycle Film Festival)


O festival do filme sobre bicicletas é um momento único de celebração daquele meio simples que é a bicicleta através do cinema, da arte e da música. Realiza-se ao longo do ano em diversas cidades do mundo inteiro. No passado fim-.de.semana foi a vez de Tóquio. A próxima será em Austin (Texas). Segue-se depois Londres. Para saber mais consultar o site e as datas dos diversos eventos

Programa do Festival em Tóquio ( 5 a 7 de Setembro)

Friday September 5 - 9



Saturday September 6 - 9








Sunday September 7 - 9



DATAS DAS DIVERSAS SESSÔES DO FESTIVAL EN DIFERENTES CIDADES:

NEW YORK

May 28-June 1


TORONTO

June 18-21


MINNEAPOLIS

July 9-12


LOS ANGELES

July 17-20


SAN FRANCISCO

July 23-26


CHICAGO

August 6-10


BOSTON

August 13-16


TOKYO

September 5-7


AUSTIN

September 19-20


LONDON

October 1-5


VIENNA

October 9-12


ZURICH

October 16-19


PARIS

October 30-Nov. 1


SYDNEY

November 13-15


MELBOURNE

November 19-23


MILANO

November 26-29


PORTLAND

December 11-13


Programa do Festival em Londres ( 1 a 5 de Outubro)


WEDNESDAY 1 OCTOBER



THURSDAY 2 OCTOBER



FRIDAY 3 OCTOBER





SATURDAY 4 OCTOBER






SUNDAY 5 OCTOBER