3.11.07

Luís Cília: cantor, compositor e resistente anti-fascista e anti-colonial


Consultar: http://agcolos.drealentejo.pt/index.htm



Luis Cília nasceu no Huambo ( Angola ), em 1943.
Veio para Portugal em 1959,para prosseguir os seus estudos.
Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe que o incentivou a musicar poesia. Datam desse ano as suas primeiras experiências nesse campo ( "Meu país", " O menino negro não entrou na roda" ,etc.),mais tarde incluidos no seu primeiro disco,gravado em França, para a editora Chant du Monde. Em abril de 1964 partiu para Paris,onde viveu até 1974.
Em França estudou guitarra clássica com António Membrado e composição com Michel Puig.
Entre 1964 e 1974 realizou recitais em quase todos os países da Europa .
Depois do seu regresso a Portugal continuou a gravar discos, como compositor e intérprete e a realizar recitais.Como intérprete, gravou dezoito discos, alguns dos quais dedicados a poetas ,tais como, Eugénio de Andrade ("O peso da sombra") Jorge de Sena ("Sinais de Sena"), ou David Mourão Ferreira ("Penumbra").
Nos últimos anos tem-se dedicado apenas à composição, nomeadamente para Teatro, Bailado e Cinema.



Texto de José Mário Branco sobre Luís Cília:

Quando cheguei, exilado, a Paris em 1963, já lá vivia e cantava o Luís Cília. Por essa altura (ou mesmo antes?) me lembro de ouvir o que foi, salvo erro, o seu primeiro álbum na célebre editora "Chant du Monde". Do seu contacto estreito, em Lisboa, com o poeta Daniel Filipe - o da "Invenção do amor" - nasceu o seu estilo pessoal de musicar poesia editada, estilo que marcou fortemente o então chamado movimento dos "baladeiros".
Se bem que tenhamos tido diferentes olhares sobre a oficina das canções, e por vezes até divergências, o certo é que o Luís Cília foi um autor e intérprete incortornável do canto de resistência antifascista e anticolonial. É sem dúvida um "histórico" da música popular portuguesa.
Também é de realçar o seu longo e aturado trabalho de aprendizagem musical, sobretudo de composição, coisa que era (e ainda é) pouco comum nos meios da música popular. E também o excelente relacionamento que, nesse período de Paris, até 74, foi mantendo com nomes importantes da canção e da música,como Paco Ibañez, Georges Brassens, Quarteto Cedron, etc.
Voltámos para Portugal no mesmo avião, em 30 de Abril de 1974. Aterramos juntos em Lisboa ao princípio da tarde dessa terça-feira. À porta do aeroporto, cantamos juntos a "Grândola Vila Morena", na companhia de um povo livre e feliz, e de amigos como José Afonso, Adriano, José Jorge Letria, José Carlos Ary dos Santos e muitos outros.
O Luis remeteu-se, há muitos anos, ao labor mais discreto de compositor e produtor. Mas é uma referência importante quando se tenta perceber o papel dos cantautores na mudança histórica deste país.


Discografia de Luís Cília:

A discografia de Luís Cília é vasta. Compõe-se por aproximadamente duas dezenas de discos, onde predominam o vinil: LP´s, EP´s Singles e 2 CD’s, sendo um deles de originais. Luis Cilia participa também em vários discos de festivais ao vivo na Europa. Interpreta essencialmente obras suas, com excepção das obras do cancioneiro português (discos “O guerrilheiro” e o “Cancioneiro”) duas canções traduzidas de George Brassens, e as canções “Povo unido jamais será vencido” do Quilapayun e “Grândola Vila Morena”, em colectivo no Festival de Helsínquia.


1964 - "Portugal-Angola: Chants de Lutte" (França)
1965 - "Portugal Resiste" (França)
1967 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº1 (França e Espanha)
1967 - “O Salto” (França)
1969 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº2 (França)
1971 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" nº3 (França)
1973 - "Contra a ideia da violência a violência da ideia" (França, Espanha e Portugal)
1073 - “Meu País” (Portugal e França) reedição melhorada do LP “Portugal,Angola - Chants de Lutte”
1974 - "O guerrilheiro" (Portugal)
1974 - “O povo unido jamais será vencido” ( Portugal)
1975 - "Resposta" (Portugal e França)
1976 - "Memória" (Portugal, Itália, Espanha, RDA e Bulgária)
1978 - "Transparências" (Portugal)
1980 - "O peso da sombra - A poesia de Eugénio de Andrade" (Portugal)
1981 - "Marginal" (Portugal)
1982 - "Cancioneiro" (Portugal) reedição de “O guerrilheiro”
1983 - "Contradições" (Portugal)
1985 - "Sinais de Sena - A poesia de Jorge de Sena" (Portugal)
1987 - "Penumbra - A poesia de David Mourão Ferreira" (Portugal)
1988 - "A Regra do Fogo - música para bailados" (Portugal)
1995 - "Bailados - música para bailados" (CD - Portugal)
1996 - "La Poésie Portugaise de nos jours et de toujours" (CD- França) colectânea parcial dos 3 LP homónimos


Canto do desertor

Oh mar… oh mar…
Que beijas a terra,
Vai dizer à minha mãe
Que não vou p`rá guerra.

Diz, oh mar, à minha mãe,
Que matar não me apraz
No fundo quem vai à guerra
É aquele que a não faz.

Vou cantar a Liberdade,
Para a minha Pátria amada,
E para a Mãe negra e triste
Que vive acorrentada.

Mas a voz do nosso povo,
No dia do julgamento,
Te dirá a ti, oh mar.
E dirá de vento a vento,

Quem são os traidores,
Se é quem nos rouba o pão
Ou se nós os desertores
Que à guerra dizemos «Não».







Sou barco ( poesia de António Borges Coelho)


Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.

Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.

Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater no fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.

Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde,
Seu brando chamamento.

Ó mar, venha a onde forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.



Outro vídeo de Luís Cília: ver
aqui

1.11.07

O branqueamento verde ou ecológico (greenwashing) ou como poluir limpo!!!


Aproveitando a actual vaga «verde» de luta contra o aquecimento global, as multinacionais e os governos têm-se esforçado por passarem uma imagem de serem entidades amigas e respeitosas do ambiente, nem que para isso tenham de apresentar produtos e políticas aparentemente ecológicas, mas que nos plano dos factos são-no muito pouco, ou mesmo nada. Do que falamos agora é do chamado branqueamento verde (greenwashing), por analogia com o famoso crime de branqueamento de capitais.


Algumas vezes a «ecologia» entra-nos pelos olhos dentro por via de uma mensagem publicitária: «daqui para a frente o sinal vermelho passa a verde» (BMW), «Um canto de céu azul»( EDF), «Objectivo: zero de emissões» (Toyota), «Para usarmos os carburantes do futuro, nós fazemos apelo à natureza» (Total). O abuso e a pouca-vergonha é tanta que já um grupos de associações e várias ONGs anunciaram a criação de um Observatório acerca do uso de argumentos e motivos de carácter ecológico que são utilizados na publicidade, cabendo aí, por exemplo, as imagens de viaturas todo-o-terreno e os jipes estacionadas ao lados de torrentes impetuosas de água, ou a última campanha da companhia de electricidade francesa que recorre a paisagens e fotografias de ilha da Páscoa à custa de deslocações por avião que, como se sabe, são fontes de emissão poderosas de CO2, muito embora no seus anúncios se fale que a empresa está a trabalhar para as gerações futuras.

Estas derivas promocionais da publicidade comercial das grandes empresas tornaram-se o pão nosso de cada dia e constituem a manifestação mais visível da recente tendência de embuste mercantil das empresas capitalistas em pretenderem vender gato por lebre, e um fenómeno que se designa por «branqueamento verde» ou «branqueamento ecológico», e que as multinacionais dos carros e as indústrias químicas se especializaram, mas cuja lição foi logo muito bem aprendida pelos próprios governos que pretendem lançar políticas e medidas, aparentemente amigas do ambiente, mas que se revelam altamente lesivas na natureza e da sustentabilidade dos recursos naturais. Tais práticas são apelidadas de «greenwashing» ( branqueamento verde ou ecológico) e consistem em fazer passar como amigo do ambiente algum produto, ou uma medida, decisão ou política governamental que não o são realmente no plano dos factos. Ou então que dissimulam, graças à grande mediatização de genuínas medidas ecológicas, um outro tipo de práticas ou de políticas extremamente poluentes, estas sim, muito mais significativas e com consequências poderosas no meio ambiente ( a este propósito, e sobre este tipo de técnicas de manipulação, fala-se de «efeito de halo»). No actual momento de grande difusão do «story-telling» ( técnica de comunicação baseada na construção de narrativas) as insondáveis vias do marketing atingem níveis paroxísticos de manipulação dos factos e da realidade.


É assim que Arnold Schwarzeneger, governador da Califórnia, desde 2003, prometeu caso fosse reeleito, converter em hidrogénio ( energia fabricada que não emite gás carbónico) um dos seus Humner ( ele possui 3 daquilo que são as versões civis dos veículos Humvee que são usados pelo exército norte-americano no Iraque, e que vieram a substituir os velhos Jeeps). Mas foi já num quarto veículo, um protótipo movido a hidrogeno, generosamente oferecido pela General Motors a tão excelso e fiel cliente, que ele se deslocou à estação de hidrogénio no aeroporto de Los Angeles, sob a mira oportuna das objectivas dos fotógrafos.
No Estado que detém o maior parque automóvel do mundo será que é sério querer proteger o ambiente possuindo um cada vez maior número de viaturas? Ou será que o que se pretende é ter uma boa consciência e ficar com um boa imagem pública sem beliscar minimamente a sua pegada carbónica, um índice que mede a emissão individual de CO2?

Com efeito, na contabilidade ecológica uma viatura «limpa» não vale mais que uma «suja». Em 2006 o Procurador-geral da Califórnia, Bill Lockyer, apresentou uma queixa contra a General Motors, a Ford, a Chrysler, Nissan, Toyota e a Honda acusando-as de deteriorarem o ambiente e a saúde pública. A justiça acaba agora de emitir um veredicto considerando que essa responsabilidade deve ser assacada sim ao legislador. Procedimentos judiciais como este, e a circulação de informações manipuladas acabam por beneficiar a General Motors que pode assim aproveitar-se da publicidade induzida por Scwarzeneger, que veio a adquirir, para cúmulo, a fama de ter sido o primeiro a votar e a fazer aprovar uma lei americana a obrigar a reduzir as emissões de gazes com efeito de estufa. Só por aí se poderá aquilatar até que ponto vai a intoxicação mediática nos dias que correm.

Ao fim de alguns anos da Cimeira da terra em que várias dezenas de países assinaram o protocolo de Quioto, os tratados e os acordos entretanto surgidos tiveram sem dúvida um efeito pedagógico, e a luta contra as mudanças climáticas e o efeito de estufa tornaram-se num dos objectivos mediáticos de qualquer governo que se preze no seio da comunidade internacional. A recente nomeação de Al Gore e do Giec para o Nobel de 2007 inserem-se aliás nessa linha. E até as próprias marcas de automóveis se mostram empenhadas em desenvolver modelos de viaturas ditas «limpas» ( movidas com biocombustíveis ou a hidrogénio), e de automóveis híbridos (combinando gasolina, diesel e electricidade) na esperança de terem um radioso futuro comercial.

E isto não acontece por acaso. Na verdade, o automóvel é por excelência o reino do greenwashing. Basta recordar que o Salão Automóvel de Frankfurt deste ano, que decorreu sob lema de ser «amigo da terra» há pouco mais de um mês, pretendeu ser uma vitrina daquilo que eles chamaram a «viragem ecológica» da indústria automóvel: com a Volkswagen e o seu label Blue Motion visando reduzir o consumo por Km; com a PSA Peugeot e Critroen a apresentar a sua 308 HDI , uma viatura híbrida da marca; com a Mercedes a exibir o seu sistema «Stop &Start» que corta o abastecimento no motor cada vez que se trava; e com a General Motors e o seu HydroGen4 municiado com um pilha de combustível… - tudo isso como tentativas de venderem uma imagem de «amigo do ambiente», só que ao mesmo tempo os mesmos potentados industriais pressionavam em Bruxelas para travar a norma sobre o CO2 que a União Europeia pretende impôr daqui a 5 anos e que sancionará os construtores que não respeitam o novo limite de 120g/Km de dióxido de carbono

O problema é que no balanço geral estas inovações tecnológicas acabam por ter um efeito muito mitigado face a outros fenómenos com maior dimensão negativa como a implementações dos biocombustíveis e as suas consequências no preço das matérias primas alimentares, a sistemática desflorestação e as consequentes deslocações massivas de populações inteiras em certas partes do planeta.

Mas as críticas não param aí: é que se é certo que as viaturas eléctricas não emitem CO2, não deixa de ser verdade que continua a ser necessário a produção dessa energia, com os seus respectivos custos, o uso de recurso para a sua produção e despesas suplementares para a sua reciclagem. Um processo que levou à conclusão, inserida num relatório parlamentar de 2005, que «na maior parte dos países do mundo a viatura eléctrica emitiria tantos gazes com efeito de estufa como os veículos térmicos». O mesmo se diga das baterias dos carros híbridos. Tudo depende do tamanho do veículo, do número de passageiros que transporta e do tipo de terreno em que se move. Certos híbridos, por exemplo, não têm o efeito economizador no consumo que se pretende passar. Tomando como modelo o Prius da Toyota, Philippe Defeyet, investigador no instituto para um desenvolvimento sustentável, afirma: «Uma pequena viatura consome tanto como um Prius, mas ainda tem mais necessidade de energia na fase da sua produção» ( in Business and Society, Junho de 2007) . O mesmo se passa com um Lexus híbrido que consumindo 7 a 8 litros aos 100 acaba por ser mais poluente que uma viatura clássica. Ou seja: um carro térmico transportando 4 passageiros é menos nociva para o ambiente que um carro «limpo» com só um passageiro. Trata-se do chamado «efeito de aspartan»: continuar a comer a mesma quantidade de alimentos açucarados – mesmo com um substituto – não emagrece; a única maneira eficaz é reduzir as rações.

Em matéria de respeito pelo ambiente uma maior eficiência energética nas viaturas é uma prioridade. Mas o horizonte de uma revolução high-tech conciliando produção sem desperdício, consumerismo e protecção do planeta é neste momento uma imensa intrujice. E o mesmo raciocínio é válido para o habitat – pouco vale colocar painéis solares para casas com péssimo isolamento térmico -, para os alimentos biológicos ( transportados por aviões ou outro meios poluentes desde a colheita, triagem, embalagem, armazenamento e venda).

Falar hoje de «branqueamento verde ou ecológico» é fazer pedagogia. Mais que apontar os agentes responsáveis ( Marcas, Governos, Consumidores,…) pela poluição, o importante é passar da etapa da petição de princípio – a primeira consequência de uma tomada de consciência – para a fase da inteligência da situação, da compreensão pelos processos em causa, intrinsecamente ligados ao fenómeno da globalização, aos mercados e fluxos financeiros, às políticas de mobilidade assim como às relações Norte-Sul.


(…)

Para quê regozijarmo-nos com a redução dos limites de velocidade nas auto-estradas, que fará descer automaticamente o nível de emissões de CO2, se ao mesmo tempo é anunciado a construção de mais 2.500 Km de vias rápidas e auto-estradas, e o fecho de umas tantas estações de caminho-de-ferro?

Como reduzir o impacto ecológico do crescimento económico se somos confrontados constantemente com os mesmos chavões capitalistas acerca da necessidade de garantir o crescimento económico, a livre concorrência, a descida dos preços, liberalizar e desregular os mercados, apostar na grande distribuição - se tudo isso nos conduz a uma economia baseada nos modos de produção intensivos, nos transportes de uma miríade de fornecedores, nos hipermercados acessíveis por meio de automóveis, etc.

Outro caso exemplar é o uso e o ressurgimento das bicicletas em algumas partes dos países desenvolvidos, como em França. A recente tendência de comprar bicicletas fez disparar as receitas e os lucros da JCDecaux, uma empresa francesa que fornece bicicletas e de instalação de painéis publicitários. A mesma empresa que já foi processada mais que uma vez pela associação francesa Paysages de France ( que luta pela preservação das paisagens) por ser a causadora de poluição visual, e que no passado dia 20 de Junho foi condenada por um tribunal pela infracção à legislação reguladora das paisagens, como informa a edição de Setembro do jornal La Décroissance que não deixa de interrogar-se: «Com uma bicicleta JCDecaux pedalamos a favor do planeta, ou estaremos a rolar a favor do capitalismo que o destrói?»

(…)

No passado dia 3 de Outubro a Autoridade holandesa de publicidade condenou a campanha promocional de uma empresa de produção de energia, a NUON, que declarava poder reduzir as suas emissões de CO2 graças ao armazenamento de carbono, considerando que tais afirmações eram enganosas para o público, tal como expressões utilizadas nessa campanha tais como «combustível limpo», «CO2 limpo», etc, etc.

Este facto leva-nos assim a colocar a seguinte questão:
- Será que é preciso, tal como acontece com o branqueamento de capitais, penalizar os crimes de branqueamento verde ou ecológico por parte das multinacionais, empresas comerciais e governos?

Ou não será melhor mudar de rumo e lutar por um modelo económico justo e sustentável em vez do capitalismo predatório em que vivemos e que nos leva à catástrofe ecológica e humana.


(adaptação e tradução livre de um texto de Jade Lindgaard, publicada na edição nº 621 de 23 de Out. da revista Les Inrockuptibles)

31.10.07

A História do Anarquismo, por Jean Préposiet, traduzida e editada agora em português (leitura recomendada)

Jean Préposiet é um historiador da filosofia e um estudioso do pensamento de Spinoza que se interessou pelo anarquismo e neste seu livro traça um panorama muito completo do movimento anarquista desde os seus primórdios aos dias de hoje. Adoptando uma perspectiva em que privilegia os momentos mais decisivos em que o anarquismo despontou e a anarquia se revela como o fermento da história, um fermento revolucionário imprescindível, o autor mostra toda a natureza expansiva do anarquismo que supera muito a simples dimensão do político, e se tornou o oposto da lógica da luta pela conquista do poder.


Marginalizado e duramente condenado ao longo do século XIX, lançado para a sombra pelo bolchevismo vitorioso na Revolução Russa, e derrotado na Revolução espanhola, o anarquismo é e continua a ser, não obstante tudo isso, um dos movimentos mais importantes na história do pensamento político contemporâneo. Algo que a história e a luta pela liberdade não podem desconhecer, sobretudo se entendermos o conceito de liberdade como a irredutível aspiração humana de libertação dos indivíduos, e de uma mundo e uma sociedade sem opressão.

A partir da análise das filosofias e correntes de pensamento que estão na origem do espírito libertário, Jean Préposiet apresenta-nos um quadro histórico completo dos anarquismos no Ocidente. Começa por traçar o percurso político e doutrinário dos pais fundadores – Proudhon, Stirner, Bakunine ou Malatesta –, analisa o papel desempenhado pelos anarquistas durante a Revolução Russa ou na guerra de Espanha, recorda aquilo que foram os atentados anarquistas em França na Belle-Èpoque, antes de explorar os avatares e as franjas da galáxia libertária: antimilitarismo e pacifismo, niilismo e terrorismo, anarco-sindicalismo, situacionismo, ecologia, antiglobalismo, etc., propostas que continuam a mover as nossas sociedades e que colocam a eterna questão da liberdade dos homens.

O livro está dividido em 5 partes: I – Fundamentos do anarquismo, II - Nascimento e evolução do anarquismo, III - Gandes teóricos do anarquismo, IV – à margem da anarquia, V – Violência e anarquia.
Os três primeiros capítulos tratam dos princípios gerais do anarquismo, enquanto nas outras partes restantes o autor refere-se em especial a Max Stirner e Proudhon, o que é tanto mais oportuno quanto as obras destas duas figuras são mal conhecidas, já para não referir quanto as suas ideias têm sido deturpadas e vilipendiadas por quem não as conhece minimamente.



Jean Préposiet analisa nas quatrocentas páginas do seu livro o legado anarquista com perspicácia e não menos pertinência, mostrando a variedade e heterogeneidade do anarquismo. Tratando-se de uma história geral do anarquismo não são obvimante dissecados certos pormenores, mas também não era esse o seu propósito.

Nem de propósito Préposiet acaba o seu livro livro com estas palavras premonitórias à laia de alerta geral:

«Enquanto houver anarquistas…»


Na net também está disponível em português o Capítulo I da obra.

História do anarquismo, por Jean Préposiet, edições 70






«Toda a gente tem uma reserva e um fundo libertários»

Por ocasião da apresentação e debate do livro de Jean Préposiet « Histoire du anarchisme», num café perto da Livraria libertária de Paris, na Rue Amelot, escutaram-se palavras inabituais nos dias que correm, da boca daquele autor:

«A força do anarquismo é estimular»,

«Não creio no advento de uma sociedade anarquista mas o anarquismo é extremamente precioso porque é o testemunho da liberdade. Ele faz parte da humanidade, do seu património»,

«…alguns praticam o anarquismo sem o saber, tal como o Senhor Jourdain escrevia literatura sem o saber»,

« O anarquismo é o único movimento que está todo virado para o prazer, a felicidade e a liberdade. Nenhum outro movimento ou partido valoriza tanto a felicidade, pois todos os outros contêm um lado repressivo»,

«O anarquista tem um grande handicap: é que ele é sincero, ao passo que a política é o reino das mentiras e negociatas»,

«Toda a gente tem em si uma reserva libertária, que é abafado pela coerção social. Ser libertário é fazer frutificá-la»





Minha mãe, minha utopia
A filha da anarquia
Não é senão a vida
E pelo seu amor a ela, nós dizemos:
Vivei sem vos submeter
Vivei sem deus e sem senhor!

Maloya, a música de dança dos escravos da ilha Réunion

Réunion ou Reunião é um departamento francês no Oceano Índico, localizado a leste de Madagáscar. A ilha principal é uma das duas maiores Ilhas Mascarenhas, sendo o seu vizinho mais próximo a outra: a Maurícia. Reunião tem, no entanto, várias dependências, espalhadas em torno de Madagáscar, no Índico e no Canal de Moçambique. Capital: Saint-Denis.

Surgida no século XVII a Maloya era a música de dança dos escravos das plantações, tendo-se tornado actualmente numa música por excelência da ilha da Réunion


HISTÓRIA DA MÚSICA MALOYA ( 3 videos)


Parte 1




Parte 2




Parte 3





Figuras principais da música Maloya


Alain Peters – Parabolèr

Homenagem a Alain Peters no festival Sakifo na ilha Réunion, protagonizado pelos músicos discípulos do poeta : Danyel Waro, Loy Ehrlich, René Lacaille, Joël Gonthier, Tikok Vellaye !!!

"Moin pa in bo parolèr, moin jus' in parabolèr" Alain Peters.













Ziskakan

Banida durante muito tempo por ser o veículo de denúncia da opressão colonialista, a música Maloya ganhou entretanto visibilidade graças a Gilbert Pounia e ao seu grupo Ziskakan, testa de ferro da cultura creola.







Alkatraz (pou Kaya)






Paisagens da ilha Réunion com música de Ziskakan









Kiltir – grupo de música maloya, que é uma tradição nas ilha Réunion


Kiltir - Destin Maloya









Christine Salem

(Extrait du concert de Salem Tradition à l'Espace Renaudie à Aubervilliers (le dimanche 29 octobre 2006) dans le cadre du festival Villes des Musiques du Monde.)








Michel Admette no Maloya Festival

(Deux morceaux en live par Tapok: "Manapany" de Luc Donat et "Séga Bip Bip" de Michel Admette! Roulé séga! Filmé live au Ô Maloya Festival, le 7 juillet 2007, à Saint-Bernard, La Montagne)








Danyel Waro



Bibizako - Danyel Waro et Baster

«Anarquia nos Estados Unidos? Ajudaria muito o país…», afirma o realizador Lech Kowalski

Excerto do texto de entrevista de Lech Kowalski concedida ao Jornal de Notícias:

Nasceu em Londres, em 1950, de origem polaca, mas a família instalou-se em Nova Iorque, quando tinha 14 anos. Consta que começou por rodar filmes porno e esteve envolvido no movimento punk. "D.O.A.", o filme que o revelou, acompanhava de perto a digressão dos Sex Pistols pelos Estados Unidos e tem imagens nunca vistas e inacreditáveis de Sid Vicious e Nancy Spungen. Alvo de uma retrospectiva no Doc Lisboa, este nome de referência do documentarismo contemporâneo foi ainda responsável por uma masterclass.

A primeira parte da obra de Lech Kowalskifoi dedicada ao movimento punk, que então vivia o seu período áureo, fazendo a ponte de Inglaterra para os Estados Unidos. O mundo da música esteve sempre debaixo da sua objectiva. Mas os temas que aborda são cada vez mais abrangentes.


Jornalista - Anarquia nos Estados Unidos, é uma boa frase para colocar numa bandeira?

Lech Kowalski - É mesmo boa. Ajudaria muito o país. A verdadeira anarquia, não a que se vive hoje.


Para ler o resto:
aqui


Para saber mais:
http://www.extinkt.com/

História do sindicalismo de acção directa em video: « Et pourtant ils existent»

«Et pourtant ils existent»(2007) é o título de um documentário realizado por Michel Mathurin sobre a história do sindicalismo de acção directa em França e que se distingue dos chamados sindicatos ditos «representativos» tal como do sindicalismo que seja tutelado por um partido ou por outra qualquer forma de tutela. O sindicalismo revolucionário atravessa todo o historial do anarco-sindicalismo.

Parte 1





Parte 2







Parte 3





Parte 4

Portugal vai ultrapassar as metas de Quioto quanto às emissões de gases com efeito de estufa

As emissões de gases com efeito de estufa em Portugal vão ultrapassar entre oito e 14 por cento a meta nacional estabelecida no Protocolo de Quioto para 2008-2012, segundo as estimativas do projecto MISP apresentadas em Lisboa.
Esta é uma das conclusões do projecto Estratégias de Mitigação das Alterações Climáticas (MISP, na sigla em inglês), que projecta as trajectórias da procura e do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal até 2070. As conclusões são baseadas nos quatro panoramas mundiais projectados este ano pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e aplicam-se, entre outros, aos edifícios residenciais e de serviços, transportes, indústria, agricultura, pecuária, resíduos, centrais termoeléctricas a combustíveis fósseis, centrais nucleares e energias renováveis.

De acordo com as estimativas hoje apresentadas, Portugal vai emitir até 2012 entre 4,8 a 8,5 mega toneladas de dióxido de carbono (Co2), ou seja, entre 35 e 41 por cento mais do que as emissões em 1990 (ano de referência para o cumprimento deste acordo), ultrapassando assim a meta de 27 por cento estabelecida pelo Protocolo de Quioto para 2008-2012.

Quioto impõe à União Europeia (UE) uma redução das emissões em oito por cento em relação a 1990. Para Portugal, no entanto, é permitido um aumento de 27 por cento devido a um acordo de partilha de responsabilidades.

Porém, falando na apresentação do MISP, Ricardo Aguiar, co-autor do estudo e investigador do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, lembrou que estas previsões “excluem as florestas, o uso do solo e suas alterações [FAUS], que poderão reduzir este excesso para algo entre três e cinco mega toneladas de C02”. O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, disse que estas estimativas mostram que o Programa Nacional para as Alterações Climáticas de 2006 é “demasiado optimista em relação às previsões de curto e médio prazo [2008-2102]” e que é “urgente pôr em prática mais mecanismos do Protocolo de Quioto”.

“As previsões do MISP apontam para que a meta nacional de Quioto 2008-2012 seja ultrapassada. Isto quer dizer que nos vai sair mais caro, uma vez que o Fundo de Carbono terá de ir além dos 350 milhões de euros decididos pelo Governo”, frisou.

No entanto, o estudo também indica que Portugal vai deixar de aumentar as suas emissões de gases com efeito de estufa por volta de 2010, passando a partir daí a uma fase de redução até 2070, que será mais significativa até 2050. “Todos os cenários mostram que por volta de 2010 vamos inflectir e reduzir as emissões e isto mantém-se até 2050.

Nos vinte anos seguintes o ritmo de redução vai ser mais brando”, explicou Ricardo Aguiar. De acordo com o especialista, essa redução de emissões vai acontecer naturalmente devido “à maturidade do desenvolvimento das infra-estruturas, ao parque automóvel [em estagnação e mais preocupado com o ambiente], à redução da população portuguesa e aos fluxos entre zonas rurais e cidades, que estão prestes a terminar”.

Os dados mais recentes indicam que em 2005 as emissões de gases com efeito de estufa estavam 18 por cento acima das metas impostas pelo protocolo de Quioto e 45 por cento acima dos níveis emitidos em 1990. As estimativas do MIPS prevêem ainda que as emissões em Portugal caiam “na ordem de um por cento por ano até 2050”, o que significa que em 2020 o excesso relativamente a 1990 “andaria entre 19 por cento e 31 por cento”.

Encontros com poetas do Porto na Fundação Eugénio de Andrade

A partir do próximo dia 3 de Novembro, realizar-se-á, aos sábados, no auditório da Fundação Eugénio de Andrade (Rua do Passeio Alegre, 584 - Porto), um encontro com um Poeta do Porto, no qual se fará uma apresentação do poeta, um debate, e leitura de poemas.

As sessões realizam-se às 18h30 e a entrada é livre.

Assim, em Novembro, a Fundação recebe

Manuel António Pina (dia 3),

João Luís Barreto Guimarães (dia 10),

Fernando Guimarães (dia 17),

Jorge de Sousa Braga (dia 24).


Já em Dezembro, será a vez de

Fernando Echevarría (dia 1),

Ana Luísa Amaral (dia 8),

Albano Martins (dia 15).



“Já por mais de uma vez ouvimos falar dos “poetas do Porto” como se eles fossem necessariamente “provincianos”, ou como se não pertencessem à mesma espécie dos poetas da capital. Mas no Porto ou nos seus arredores nasceram ou viveram - ou vivem - poetas nacionais, mesmo quando falem dos costumes ou das paisagens portuenses, o que aliás ninguém lhes exige. Baste que eles falem da vida humana, e que honrem uma longa tradição que, se não começa com trovadores, começa com Diogo Brandão, e é prolongada por Tomás Pinto Brandão, Tomás António Gonzaga, Garrett, Faustino Xavier de Novais, António Nobre, António Patrício, Augusto Gil, Teixeira de Pascoais, José Gomes Ferreira, José Régio, Adolfo Casais Monteiro, Pedro Homem de Melo, Jorge de Sena, Sophia Andresen, Eugénio de Andrade, entre muitos outros já falecidos. Este primeiro ciclo de “encontros com poetas do Porto” e os seguintes (que podem até incluir poetas que há muito residem longe do Porto, como Fernanda Botelho, Ana Hatherly, Alberto Pimenta, Vasco Graça Moura...), provam que o Porto não é de modo nenhum a “terra poeticida” execrada por outro poeta portuense, Guilherme Braga, e, modestamente, querem contribuir para que não caia sobre os poetas do Porto o silêncio repugante com que geralmente os distinguem os “grandes” meios de comunicação lisboetas e até alguns meios de comunicação nortenhos, para os quais os poetas da casa não fazem os milagres da palavra viva.”
Arnaldo Saraiva

30.10.07

Pobreza: a causa do mal e as lutas analgésicas

Texto de José Mário Branco

retirado de:

Com grande destaque nas televisões e jornais, realizaram-se em 17 de Outubro diversas acções, em Portugal e no resto do mundo, no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza promovido pelas Nações Unidas. Em Portugal, a Campanha Pobreza Zero – apoiada por organizações como a Amnistia Internacional, Médicos do Mundo, Oikos e Quercus – mobiliza dezenas de milhares de portugueses em acções diversas de protesto e sensibilização, em escolas, bairros, empresas e na via pública.
O manifesto da Campanha (www.pobrezazero.org) declara que “a persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação. Apesar dos esforços realizados durante décadas, a desigualdade entre ricos e pobres continua a aumentar. Hoje, mais de 3 mil milhões de pessoas carecem de uma vida digna por causa da pobreza. Fome, sida, analfabetismo, discriminação de mulheres e meninas, destruição da natureza, acesso desigual à tecnologia, deslocação maciça de pessoas devido aos conflitos, migrações provocadas pela falta de equidade na distribuição da riqueza a nível internacional… São as diferentes facetas do mesmo problema: a situação de injustiça que afecta a maioria da população mundial”.

As iniciativas humanitárias do género “Pobreza Zero” decorrem de uma generosidade genuína de muita gente, mas, além destas iniciativas que chamam a atenção para problemas humanos graves e pungentes, é preciso mobilizar consciências para a erradicação da sua verdadeira causa. Não basta lutar para aplacar as dores da humanidade, é preciso curar a doença que as provoca. Denunciar os abusos e fazer exortações aos poderosos para minorarem as injustiças, é como receitar só analgésicos. Ai de nós se os médicos trabalhassem assim!

A miséria e a pobreza não são “exageros” nem “erros” nem “distracções” da sociedade em que vivemos. São a consequência natural e lógica de um sistema que assenta na busca do lucro, na concorrência impiedosa, na desumanização da vida. E, para isto, a alternativa definitiva é mudar pela base o sistema de produção e distribuição da riqueza.

Decorre na Galiza o simpósio internacional sob o título «Pobre Mundo Rico»


«A pobreza é a pior forma de contaminação»

Está a decorrer em várias cidades da Galiza um ciclo de colóquios e debates subordinados ao tema «Pobre Mundo Rico». Trata-se de uma iniciativa com carácter interventivo dirigida à comunidade internacional de fala hispana e lusófona.


Programação
(consultar para mais info:
www.pobremundorico.org/blog/?page_id=2/lang-pref/gl/)

OCTUBRE

Día 2 Vigo
19:00 CONFERENCIA INAUGURAL
19:30 Conferencia CARMELO GARCÍA, director de IEPALA (Instituto de Estudios Políticos para América Latina y África). “Países pobres: nacen o se hacen?”

Día 3 A Coruña
17:00 MESA: “Las ONGs en la lucha contra la pobreza”. BLANCA RGUEZ. (de Implicad@s no desenvolvemento), CARLOS SÁNCHEZ PARDO (Solidaridad Internacional) y JOSÉ MANUEL PÉREZ (Ayuda en Acción)
20:00 Conferencia: CARMELO GARCÍA, director de IEPALA (Instituto de Estudios Políticos para América Latina y África). “Países pobres: nacen o se hacen?”

Día 4 Santiago
17:00: Mesa: “La cooperación, cosa de mujeres?: MARÍA REIMÓNDEZ (Presidenta de Implicad@s no Desenvolvemento), XOSÉ Mª TORRES (Presidente de la Coordinadora Galega de ONGsD), DOLORES GALOVART (Vicedefensora del Pueblo en Galicia), y PAULA CIRUJANO (doctora en Sociología, especialista en Cooperación Internacional con perspectiva de género y políticas de igualdad)· 20:00: Conferencia ESTEBAN BELTRÁN (director en España de Amnistía Internacional): “La pobreza y la justicia”


Día 8 Vigo· 20:00: Conferencia: PIERRE SCHORI, director general de FRIDE (Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior) “”Misiones de Paz de la ONU. El ejemplo de Costa de Marfil”.


Día 9 Pontevedra
17:00: Mesa: “Huyendo de la pobreza… ¿a la desigualdad?”: LUIS NIETO (Omal), IBRAHIMA NIANG (Aida), BLANCA RUIZ (Red Acoge), EUGENIO CORRAL (Confederación de Empresarios de Galicia)
19:30: Conferencia: CARLOS GÓMEZ GIL, doctor en Sociología por la Universidad de Alicante y licenciado en CC. Políticas y Sociología por la UCM . “El debate sobre el papel de las ONG: límites y contradicciones”

Día 10 Ferrol 19:30: Mesa: “África y América Latina: potencialmente ricos, oficialmente pobres”. ERIKA GONZÁLEZ (Omal –Observatorio Multinacionales de América Latina); ARKAITZ LÓPEZ GORRITXO (Paz y Solidaridad, Euskadi), ALEJANDRO QUIÑOÁ (Asamblea de Cooperación Por la Paz, ACPP)

Día 11 Santiago
19:30: Conferencia: JOAQUÍN GARCÍA ROCA, director de CeiMigra (Centro de Estudios para la Integración Social y la formación de Inmigrantes)

DÍA 15 Santiago
17:00: CARLOS ESTÉVEZ, (periodista, director y realizador de cine y TV) director de la serie documental de tv “Voces contra la globalización. Otro mundo es posible), y PASCUAL SERRANO (de la página alternativa Rebelión.org), habla de la prensa digital alternativa.

Día 16 Vigo
17:00: Mesa: “Ver, oír y no callar”, con CARLOS ESTÉVEZ (periodista, director y realizador de cine y TV), MARGARITA LEDO (cineasta, escritora y profesora de Comunicación Audiovisual USC), MANUEL GARCÍA SERRANO (productor y director de cine)
19:30: Conferencia: FERNANDO SALGADO, secretario xeral de Comunicación da Xunta de Galicia: “Las cunetas de la globalización: ¿neoliberalismo sin fronteras?”

Día 17 Lugo· 19:30: Conferencia: ENRIQUE DE CASTRO (filósofo, teólogo –cura de Vallecas-) “La iglesia y la pobreza: ¿justicia?”·
20:15: Conferencia: “Pobreza y derechos humanos”: JOSÉ MANUEL PUREZA, Investigador del Centro de Estudios Sociales en Coimbra, donde coordina el Núcleo de Estudos para la Paz.

Día 18 Santiago
17:00: Mesa: “Los problemas de la sanidad en los países pobres. ¿Son Genéricos?”: MIGUEL JARA, periodista y escritor, autor del libro “Traficantes de salud”, FELIPE NOYA (Médicos del Mundo), XOSÉ Mª TORRES (Farmacéuticos Mundi), JULIÁN ZABALA PINO, director Comunicación de FARMAINDUSTRIA.
19:30: Conferencia: JESÚS MARÍA ALEMANY (Presidente de la Fundación “Seminario de Investigación para la Paz” de Zaragoza): “Nuevos conflictos y pobreza. Propuesta para una Agenda de Paz”.

Día 23 Pontevedra
17:00: Mesa: “Informar, alarmar, concienciar: a qué juegan los medios?”. BRU ROVIRA (Periodista, La Vanguardia), MANOEL SANTOS (director Suplemento Altermundo, de Galicia Hoxe), ALOIA ÁLVAREZ (Revista Pueblos), CARLOS MARTÍNEZ (de Rebelión.org).
19:30: Conferencia: CARLOS TAIBO. Profesor de Ciencia Política en la UAM. “La globalización capitalista: paraíso fiscal”

Día 24 Ourense
19:30: Conferencia: MARIANO AGUIRRE, (Codirector y Coordinador, Programas de Paz y Seguridad y de Derechos Humanos, FRIDE): “Crisis de Estado, pobreza y globalización”
20:15: Conferencia: ROBERT MATTHEWS (Investigador Asociado de FRIDE): “Conflictos, narcotráfico y pobreza en América Latina”.

Día 25 Santiago
17:00: Mesa: “Banca para ricos, Banca para pobres”. GUILLERMO BREA (Director Obra Social Caixanova), CARLOS BENDITO (director de Desarrollo de Negocios de Tríodos Bank), RAÚL ASEGURADO (Asociación de Interés Solidario “O Peto”), y FERNANDO LUCANO (director ejecutivo de Latin American Challenge Investmen Fun –LA-CIF- de Perú)
19:30: Conferencia: MARIANO AGUIRRE, (Codirector y Coordinador, Programas de Paz y Seguridad y de Derechos Humanos, FRIDE): “Crisis de Estado, pobreza y globalización”


Día 30 Vigo
17:00: Mesa: “La fuga da industria a los países subdesarrollados: ¿pan para hoy y hambre para mañana?”. XOSÉ MANUEL BEIRAS (catedrático de Estructura Económica), ROBERTO MANSILLA (Investigador Igadi –Instituto Galego de Análise e Documentación Internacional), FERNANDA COUÑAGO (ONG Amarante), y representante de la Confederación de Empresarios de Galicia.
19:30: Conferencia: CARMEN VELASCO (directora de ProMujer Bolivia): “Microfianzas: un instrumento para o desenvolvemento”


Día 31 A Coruña
19:30: Conferencia: JORGE MOLINERO (Ingeniería Sin Fronteras): “Agua, pobreza y desarrollo humano. ¿Crisis hídrica?”
20:15: Conferencia: CARMEN VELASCO (directora de ProMujer Bolivia): “Microfianzas: un instrumento para o desenvolvemento”


NOVIEMBRE

Día 6 Vigo
17:00: Mesa: “Influencia del cambio climático en la pobreza. Alternativas”: RAMÓN FDEZ. DURÁN (Ecologistas en Acción), JUAN LÓPEZ DE URALDE (director en España de Greenpeace) y CARLOS VALES (CEIDA. Consellería Medio Ambiente e Desenvolvemento Sostible)
19:30: Conferencia: MARCOS ARRUDA (Coordinador general del Instituto de Políticas Alternativas para el Cono Sur, Brasil, PACS): “Riqueza, pobreza y ecología”

Día 7 Ferrol
17:00: Mesa: “Transnacionales energéticas: desarrollo o destrucción”. PEDRO RAMIRO (OMAL –Observatorio Multinacionales de América Latina), y GEMMA GINER, directora de Marketing y RSC de Unión Fenosa
19:30: Conferencia:
MARCOS ARRUDA (Coordinador general del Instituto de Políticas Alternativas para el Cono Sur, Brasil). “Riqueza, pobreza y ecología”, y BERNARD CASSEN, fundador de ATTAC y director general de Le Monde Diplomatique: “Cómo la clase mundial de super-ricos está destruyendo el planeta”

Día 8 Santiago
19:30: Conferencias: ALFONSO DUBOIS (Hegoa -Instituto de Estudios sobre Desenvolvemento e Cooperación Internacional- en Euskadi) y LUIS DE SEBASTIÁN, (Profesor Honorario de ESADE). “Pensar en otra globalización: el desarrollo humano como alternativa”

Día 13 Vigo
17:00: Conferencia: “Pobreza, Política, Economía y Exclusión”, JOSÉ LUIS QUINTELA (delegado en Galicia de Intermón-Oxfam), MARIO MADRIZ (Pte. Fundación Masaya contra la Pobreza. Nicaragua), y ANTONIO VAAMONDE, Catedrático Univ. Vigo, Estadística e Investigación Operativa.
19:30: Conferencia: JOSÉ Mª TORTOSA (Catedrático de Universidad de Sociología, Departamento de Sociología II, Universidad de Alicante, desde 1991): “Factores que determinan la pobreza de los países”

Día 14 A Coruña
19:30: Conferencias: MBUYI KABUNDA, Profesor de Relaciones Internacionales de la Universidad de Basilea y miembro del Instituto de Estudios Africanos de la Universidad Autónoma de Madrid. “La paradoja de África: un continente rico poblado de pobres”, e OLIVIER BONFOND, Secretario General del CADTM en Bélgica.


Día 15 Santiago
19:30: Conferencias: AMÉLIE GAUTHIER, Investigadora, programa de Paz y Seguridad, FRIDE. “Punto de mira: Las mujeres en Haití”, y MBUYI KABUNDA, Profesor de Relaciones Internacionales de la Universidad de Basilea y miembro del Instituto de Estudios Africanos de la Universidad Autónoma de Madrid. “La paradoja de África: un continente rico poblado de pobres”

Día 20 Pontevedra
17:00: Mesa: “La educación: un deber, por derecho”: LUCÍA RODRÍGUEZ (Entreculturas), y VIRXINIA ROMERO (vicedirectora del IGADI), y MANUEL DIOS
19:30 Conferencia: ARCADI OLIVERES, presidente de la Comisión General de Justicia y Paz: “Las injustas relaciones Norte-Sur como responsables de la pobreza”

Día 21 Lugo
19:30: Conferencias:
MERCEDES SANTANA, de la Fundación Maquita Coshunchic Comercializando como Hermanos (MCCH) de Ecuador, “Cultivar contra la pobreza” IDALICE NUNES del Movimiento de los Sin Tierra, de Brasil.
19:30: Conferencias:
XOSÉ MANUEL BEIRAS (Catedrático de Estructura Económica): “Miseria de la globalización”.


Día 22 Santiago
17:00: Conferencia: IGNACIO SOLETO (Director del Centro de Estudios para América Latina y la Cooperación Internacional (CeALCI) de la Fundación Carolina. “La nueva agenda internacional de la cooperación: ¿sirve para luchar contra la pobreza?”
19:30: Mesa: “ConSumo Derroche”:
XOÁN HERMIDA (Amarante), ISIDRO JIMÉNEZ (ConsumeHastaMorir), CLARA Mª RAPOSO (A Cova da Terra)

Día 23 Ourense
19:30: Conferencias:
MERCEDES SANTANA, de la Fundación Maquita Coshunchic Comercializando como Hermanos (MCCH) de Ecuador “Cultivar contra la pobreza”, y IDALICE NUNES representante del Movimiento de los Sin Tierra, de Brasil.

Día 27 Vigo
19:30: Conferencia: J. W. BAUTISTA VIDAL (Ingeniero Civil. Físico. Presidente del Instituto del Sol, Brasil): “Cultivar contra la pobreza. Energía vegetal”.
20:15: Conferencia: FRANÇOIS HOUTART (director Centro Tricontinental). “La construcción anti-imperialista y antineoliberal”

Día 28 Ourense·
19:30: Conferencia: J. W. BAUTISTA VIDAL (Ingeniero Civil. Físico. Presidente del Instituto del Sol, Brasil): “Cultivar contra la pobreza. Energía vegetal”.
20:15: Conferencia: FRANÇOIS HOUTART (director Centro Tricontinental). “La construcción anti-imperialista y antineoliberal”

Día 29 Santiago.
19:30: Conferencia: FRANÇOIS HOUTART (director Centro Tricontinental). “La construcción anti-imperialista y antineoliberal”.
20:00: Conferencia: FREI BETTO (fraile Dominico y escritor): “Pedagogía de la liberación”. 21:30: ACTO DE CLAUSURA


Locais:
Vigo: AUDITORIO DEL CENTRO SOCIAL CAIXANOVA. Policarpo Sanz 24/26.
Santiago: AUDITORIO FACULTAD CIENCIAS COMUNICACIÓN. Campus Norte. Avda. Castelao s/n.A
Coruña: CENTRO SOCIAL CAIXANOVA. Avda. da Mariña, esquina Fama.
Pontevedra: SALA DE CONFERENCIAS DEL CENTRO SOCIAL CAIXANOVA. c/ Augusto González Besada nº 2.
Ferrol: ATENEO FERROLÁN. Rúa Magdalena 202-204.
Lugo: CÍRCULO DE LAS ARTES. Plaza Mayor 23.
Ourense: SALA DE CONFERENCIAS DO CENTRO SOCIAL CAIXANOVA. Avda. de Pontevedra 9.

Curso de Agrofloresta no Tibá (RJ, de 15 a 18 de Nov)


http://www.tibarose.com/port/home.htm

Tibá significa em Tupi “lugar onde muitas pessoas se encontram” e é um projecto fundado por Johan van Lengen, autor do “Manual do Arquiteto Descalço” e mestre da Bio-Arquitetura

Tibáé um lugar de encontros, criado em 1987 por Rose e Johan van Lengen, e voltado para a realização de uma consciência ambiental mais plena.
Através da integração entre arte e ciência, intuição e lógica, razão e sentimento, a comunicação será enriquecida. A cada individuo se dá a possibilidade de trocar suas próprias experiências, de fazer parte de um coletivo verdadeiro, usando comunicação e criatividade em grupo.
O TIBÁ se dispõe em toda a extensão de seus programas, atendendo comunidades e organizações, por exemplo, nas áreas de bio-arquitetura, agroecologia e no planejamento de ecovilas. Mantém ainda convênios e intercâmbios com instituições, grupos e pessoas direcionadas para os mesmos fins.
Pesquisamos e desenvolvemos protótipos de moradias saudáveis e de sistemas agroflorestais. Também produzimos materiais didáticos, na forma de cartazes, documentários, jogos, manuais e livros.

Ver ainda: http://walfridoneto.wordpress.com/2007/06/09/69/




CURSO DE AGROFLORESTA

No curso serão abordadas as técnicas dos princípios do sistema agroflorestal a serem aplicadas na recuperação de áreas degradadas, criando agroecossistemas parecidos aos ecossistemas naturais e originais com o cultivo consorciado de plantas anuais, bianuais e perenes. Criação de florestas compostas por espécies produtoras de sereais, frutas e produtos florestais, ao longo do manejo do SAF, possibilitando produção a curto, médio e longo prazo.Também serão abordadas técnicas ecológicas de manejo do solo, como o reaproveitamento sistemático de matéria orgânica e manejo permanente.

Palavras de Ernst Götsch: "Estou tentando criar, em cada parte do mundo onde intervenho como agricultor, agroecossistemas que sejam parecidos, na sua estrutura e na dinâmica, ao ecossistema natural e original do lugar. Ao mesmo tempo, tento deixar como resultado de todas as minhas intervenções, algo positivo no balanço de vida e de energia complexificada em carbono, tanto no sub-sistema da minha intervenção, quanto no macroorganismo Planeta Terra, do qual somos apenas parte, e não mais importantes do que todas as outras espécies."

Tópicos do Curso:
• Princípios de Sistema Agroflorestal dirigidos pela sucessão natural
• Recuperação de áreas degradadas, criando agroecossistemas parecidos aos ecossistemas naturais e originais ao dos locais das nossas intervenções
• Plantio intensivo e diversificado
• Cultivo consorciado das anuais e bianuais como criadores de complexas florestas compostas por espécies frutíferas e florestais
• Planejamento do SAF a curto, médio e longo prazo
• Incorporação de vários estratos (plantas herbáceas, rasteiras, arbustivas e arbóreas de vários portes e estágios)
• Análise de espécies de plantas presentes como indicadoras
• Análise do estágio de sucessão das espécies
• Reaproveitamento sistemático de matéria orgânica
• Plantio direto com sementes e estacas
• Colheita e manejo permanente
O curso será prático, com algumas aulas teóricas
.

LOCAL
TIBÁ em Bom Jardim - RJ.

Fonte de informação:
http://ecologiaurbana.blogspot.com/


Anamnesis, encontro de cinema,som e tradição oral em Vimioso(1 a 4 de Nov)


Destinado a um leque variado de públicos, este Encontro terá uma variedade significativa de filmes, dança popular, histórias de burros, Cante Alentejano, narrativas e barragens, Tocadores do Brasil, pastores e o mais que se verá…



Apresentação

“Enquanto fenómeno físico, o som está inscrito em concepções culturais e, no que diz respeito à música, ele pode ser visto como “som humanamente organizado”, para usar uma expressão de John Blacking . Acreditamos, como Alan Lomax, que “há uma relação evidente entre estrutura social da sociedade e padrão de expressão musical” e apontamos, como exemplo, a musicologia portuguesa: no planalto transmontano vigoram ainda formas de vida muito antigas, fechadas, arcaizantes e pastoris. A gaita de foles, ainda que espalhada por outras regiões do pais, assume aqui algumas características particulares, acompanhando alvoradas, procissões e pauliteiros. No Minho as populações são mais conviventes, abertas a várias influências e naturalmente mais progressistas, embora inseridas no seu contexto tradicional. Instrumentos como o cavaquinho ou a viola braguesa acompanham rusgas e chulas, representando o carácter regional das danças e cantares. Compreender estes lugares passa também por escutar as performances musicais aí produzidas, por vezes persistentemente, por vezes fazendo confluir diversas tradições. Alguns destes exemplos estão ameaçados de extinção, seja pelo êxodo nos sítios mais esconsos, seja pela globalização imposta pelos media, que pouco a pouco vai espalhando os seus tentáculos por todo o planeta.”
Raquel Castro


A tradição oral nesta luta contra a extinção, passa também, pela carga emocional que carrega. O lado interpretativo de cada som, melodia ou mesmo cantiga, traz consigo uma forma muito pessoal e reveladora da forma em que se está na vida. As senhoras isoladas nas aldeias do planalto Mirandês ou da serra da Arada, são autoras e simultâneamente interpretes de cantigas e histórias; que algumas vem com os seus pais e com os seus avós e outras que aprenderam no outro dia; o que as torna singular é a sua visao única e pessoal daquele som, ou daquela história. Ora nas artes visuais é a mesma coisa, o cinema de autor, o documentário de autor é também a interpretação única de um tema ou de uma realidade.

Com este encontro, procuramos fomentar uma interacção real destes dois exemplos, durante quarto dias podemos ver, discutir, observar, criar e principalmente ouvir. A ideia é simples, nada inovadora, mas também nada frequente, convidamos realizadores, com percursos e formas de trabalhar diferentes e levamo-los a trás os montes, a Vimioso, um dos concelhos mais desertificados da Europa, não para filmar mas para conviver, para virem falar do que fazem e ouvirem as pessoas daqui a contar o que fazem, o que faziam, aquilo de que se lembram etc. Ao mesmo tempo vemos filmes em que o som e a tradição oral, sejam uma escolha estética ou formal e discutimos o uso artistico das recolhas, ouvimos palestras sobre identidade Sonora e aprendemos a desconstruir e a recriar com novas tecnologias os sons e as imagens que nos passam à frente dos olhos e dos ouvidos. Quatro dias para sentir uma região, ouvindo as suas gentes e deixar o desejo de voltar mais vezes… e ouvir mais coisas




Quinta Feira 1-11-2007

20h30 Teatro Municipal de Vimioso
Recepção dos convidados
Apresentação do Encontro

21h30 Teatro Municipal de Vimioso
Arritmia
45’, (2007), (Portugal)
de Tiago Pereira + Conversa com o Realizador
Em «Arritmia» ouvem-se os ritmos primeiros do coração, os ritmos dos ofícios, os ritmos das celebrações religiosas os ritmos da cidade grande ou os ritmos do desejo amoroso (alguém diz, com saber, ser a dança uma representação vertical de um desejo horizontal). Qual foi a primeira dança, pergunta-se. E, sem resposta imediata, ficamos a saber de bailes populares nas aldeias, dos ranchos folclóricos, da recuperação - e reavaliação e reinvenção - das danças tradicionais portuguesas e de outras partes da Europa ou das danças africanas escondidas num berimbau...
Conversa com o Realizador – Como foi feito o som de Arritmia? (A banda Sonora foi criada e montada totalmente antes da imagem)



Sexta Feira 2-11-2007

10h00 Teatro Municipal de Vimioso
Filme Educativo - Narradores de javé
de Eliane Caffé
100’, (2003), (Brasil)
Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com o anúncio de que Javé pode desaparecer sob as águas de uma enorme barragem hidro-elétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adopta uma estratégia ousada: vão preparar um documento contando todos os grandes acontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar da destruição. Como a maioria dos moradores são analfabetos, a primeira tarefa é encontrar alguém que possa escrever as histórias.

10h00 Casa da Cultura de Vimioso
Introdução – Reunião inicial

11h00 Casa da Cultura de Vimioso
Apresentação filme/palestra de Raquel Castro: Som e Identidade Sonora
"Soundwalkers"
um documentário sobre o mundo sonoro
de Raquel Castro

Sinopse ou breve nota de motivação:
Alguns princípios são fundamentais para construirmos uma sociedade acusticamente saudável, onde possamos viver dentro dos sons da vida. O respeito pela voz e pela palavra, a consciência sonora, o despertar da audição. Preservar os sons que tendem a desaparecer, mas ter abertura para os sons que nascem com cada novo passo tecnológico. Construir uma linguagem sonora que interprete o seu simbolismo. Aceitar o silêncio, impondo-o nas alturas certas. E, acima de tudo, ouvir.

Palestra:
"Significados e implicações de uma Ecologia Acústica"
A ideia de uma ecologia acústica está hoje muito associada à ideia de poluição sonora, referência por excelência das consequências no universo aural da crescente tecnologização do mundo. No entanto, como nova área de estudo, a mensagem deste movimento tem muito mais para oferecer. Em primeiro lugar, porque tem em conta a forma como os seres se
relacionam através do sentido da audição: os estudos de paisagens sonoras centram-se no acto de escutar, um processo que inclui todos os aspectos sobre a forma como a informação é extraída do ambiente acústico, como é classificada e como afecta o comportamento
subsequente, incluindo o próprio processo de escuta. Em segundo lugar, porque os sons têm uma função simbólica que reforça a proposição de que cultura é comunicação.
Por último, porque existe uma relação directa entre o ambiente acústico e o funcionamento saudável da sociedade. A ecologia acústica defende que nos devemos questionar sobre o que ouvimos e porque estamos a ouvir. Uma vez que as coisas vivas e sonantes estão implicadas na vida de todos, o bem estar colectivo depende, então, do desenvolvimento de uma acústica ecológica.


14h30 Casa da cultura de Vimioso
Workshop Mspinky ( Media live act / Vjing narrativo )
Hoje em dia, o documentário debate-se com uma questão, onde está a proximidade, se filmamos pessoas, onde cabemos nós? As tecnologias podem ajudar-nos a combater a cine tirania das salas fechadas de luzes apagadas, é possivel o realizador estar lá e apresentar o filme com luz, com a sua presença e ir mudando a história conforme a reacção das audiências, como algumas tribos africanas, isso muda tudo, o vj passa a realizador e vice versa, as potencialidades criativas aumentam e o lado humano fica mais próximo, quem fez o filme está lá bem perto do público e ele faz parte da criação. O mspinky é um desses sistemas, com a vantagem de se poder alterar o som que está sempre sicrono com a imagem e misturá-lo fazendo do realizador um manipulador de medias, dando assim espaço a outros artistas para colaborarem com ele, vjs, músicos etc.

18.00 Teatro Municipal de Vimioso
Chá da terra
de Gonçalo mota
27’,(2007), (Portugal)
Este video foi realizado no âmbito de uma exposição sobre “Rezas e Mezinhas”, patente no Museu da Terra de Miranda, sendo apenas uma parte desta exibição museológica.
O conceito subjacente ao vídeo é que funcione como uma aula de campo, na qual os detentores dos saberes comunicam directamente com os visitantes, desvelando o encontro etnográfico. De certo modo é um manifesto sobre as possibilidades fílmicas e didácticas que podem advir, se outras práticas e conhecimentos locais forem registados e divulgados de forma participativa.


LEVÊ LEVÊ NON CABA UÉ
de Raquel Castro
21', (2007), (Portugal)
Dois turistas no paradisíaco Ilhéu das Rolas, em São Tomé e Príncipe, acabam por passar as suas férias a registar a vida de uma comunidade de pescadores que ali vive há muito tempo, mas que hoje é obrigada a sair pelo resort que se instalou no ilhéu.


21.30 Teatro Municipal de Vimioso
Tocadores – Brasil Central
de Lia Marchi
25’, 2003, (Brasil)
O documentário revela nas falas e imagens de violeiros, rabequeiros, foliões o rico quotidiano desta gente, seu amor pelo instrumento que tocam e muitas vezes constroem, suas relações familiares, devoções, a lida com a terra, e outros elementos que compõe as raízes culturais da música de tradição oral do Brasil Central (Minas Gerais, Goiás e Entorno do Distrito Federal).


O Espírito do Lugar
de Patrícia Poção
60’, (2006), (Portugal)
Video-documentário sobre a construção da peça teatral, Por Detrás dos Montes, levada ao palco pelo Teatro Meridional.


Remix - O povo que Canta
de Michel Giacometi
Publicamente e ao vivo convidam-se os interessados a desconstruir, remixar partes do Povo que Canta, através do sistema Mspinky. Também se convidam músicos a intervirem tocando em simultâneo e construindo uma enorme jam session.


Sábado 3-11-2007

10h00 Caçarelhos
Visitaremos a aldeia de Caçarelhos, para conhecer um pouco da sua vida.
De forma a não tornar a visita à aldeia numa excursão turística, oferecemos uma série de actividades informais*, que poderão proporcionar uma troca mais intensa e espontânea durante este dia.
Imiscuir-se no ciclo da terra, nos movimentos quotidianos, na partilha dos elementos. O fogo no coração das casas, o fabrico do pão, os trabalhos agrícolas, a descoberta dos cogumelos na floresta, passar o dia com um pastor no monte, ou simplesmente ouvir a fala da gente...
*(Algumas das actividades desta visita, estão condicionadas pela disponibilidade dos nossos anfitriões e pelas condições climatéricas)


16h00 Teatro Municipal de Vimioso
O rap é uma arma
de Kiluanje Liberdade
30’, (1996), (Portugal)
Recebeu o Prêmio de Melhor Primeira Obra no Festival de Cinema Documental de Lisboa (Malaposta), debate-se sobre rap e identidade nos bairros periféricos de Lisboa.


18h00 Teatro Municipal de Vimioso
International Lucky People Center
de Johan Söderberg
85’, (1998), (Suécia)
Lucky People Center International leva-nos numa viagem à volta do mundo, navegando pelo interior das pessoas que o constituem. O uso pulsante da música e ritmo no filme, é reminiscente das ferramentas estéticas dos videos musicais, e providencia uma abordagem refrescante ao documentário. A equipa do filme, passou dois anos a viajar pelo mundo procurando pessoas e modos de vida reflectindo o estado do mundo na sua aproximação ao ano 2000.
O filme mostra-nos diferentes modos de ver e viver num mundo em contínua mudança.

21.30 Teatro Municipal de Vimioso
Os Narradores de Javé
de Eliane Caffé
100’, (2003), (Brasil)


Domingo 4-11-2007


10h00 Casa da cultura de Vimioso
Mesa Redonda
Realizadores: Graça Castanheira, Eva Ângelo, Ricardo Rezende e Miguel Clara Vasconcelos, Tiago Pereira,
Etnomusicólogos: Domingos Morais e Ana Carrapato
- Apresentação dos intervenientes.
- Discussão em volta das recolhas e da sua utilização artística através do cinema.
- De que forma organizamos e transformamos a experiência crua do quotidiano numa forma estética (narrativa, abstracta, documental ou ensaística). Considerando o cinema como uma ferramenta de apreensão e expressão, com ênfase na exploração pessoal, na performance e na critica social.
-As tecnologias hypermedia emergentes detêm um enorme potencial para a antropologia e para a prática artística, na sua capacidade única de combinar e justapor palavras e imagens. O que se ouve e o que fica por dizer. O fotográfico e o cinemático, o analógico e o digital, o linear e o não-linear, e talvez o mais crucial de tudo, o icónico e o simbólico.
-O sistema de representação do vídeo e do filme explora o movimento, a audição e a visão, evocando a experiência subjectiva: emoções, linguagem gestual e movimentos. Porque a cultura humana é manifestamente somática antes de ser semiótica e simbólica, é pela acção que vive a cultura, e pela performance que a cultura oral é transmitida, uma canção, uma história, um ritual são sempre intervenções performativas que asseguram a vitalidade de uma cultura.
- Segundo Peter Greenaway, é necessário transgredir a velha ideia de estar sentado no escuro durante duas horas a assistir passivamente a uma narrativa linear. É urgente quebrar fronteiras e pensar um fenómeno pós cinema, não narrativo e interactivo “ desenvolvendo uma linguagem que equaciona mais com a experiência humana nas suas interacções entre realidade, memória e imaginação” Peter Greenaway, Cinema Militans Lecture, 2003

-Conclusão do encontro

18.00 Teatro Municipal de Vimioso
11 Burros caem no estômago vazio
de Tiago Pereira
28',(2006), (Portugal)
No planalto mirandês, Tiago Pereira encontrou histórias de burros e cantigas. "Uma espécie de surrealismo popular sobre como as pessoas vivem no norte de Portugal, a sua relação com burros e a forma como vivem com isso. São tão musicais que é possível manipular sem nunca perder a sua essência..."


Tocadores – Litoral Sul
de Lia Marchi e L.M. Stein
25’, (2003), (Brasil)
O homem simples do campo, seu amor pela música, pelos instrumentos, pela terra e pelas tradições são os condutores para um registo poético e leve que retrata artistas e artesãos da música de tradição oral dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, onde acontece o fandango, baile rural da região.


21.30 Teatro Municipal de Vimioso
Ainda há Pastores
de Jorge Pelicano
72’, (2006), (Portugal)
Há lugares que quase não existem.
Casais de Folgosinho nem sequer é um lugar. Não há luz eléctrica, não corre água canalizada, não há estradas. Perde-se no silêncio de um vale entre as montanhas da Serra da Estrela.Em tempos foi um autêntico santuário de pastores...Com dezenas de famílias e milhares de cabeças de gado. Hoje, os mais velhos vão morrendo e os novos fogem da dura sina de ser pastor.365 dias por ano.Herminio, 27 anos, contraria o fim.



Ver ainda para mais informações:
http://associartecine.blogspot.com/2007/10/programa.html


Este governo é uma nódoa...

Imagem retirada de http://arremacho.blogspot.com/