10.4.07
Livrarias libertárias e alternativas na Europa e Quebéc ( lista não exaustiva)
ESPANHA
Traficantes de sueños
C/ embajadores 35
Metros: Lavapies, Embajadores, Tirso de molina
http://www.traficantes.net
BÉLGICA
Zwart en rood :
p/a 1A Sparrestraat à 9000 Gent
Vente par correspondance et uniquement en Belgique
zwartenrood@anarchie.be
http://www.anarchie.be/zwartenrood/
Anarchistische Infotheek :
16 Annonciadenstraat à 9000 Gent
Ouverture le mercredi de 14h00 à 18h00 et le samedi de 14h00 à 17h00
L’infothèque comporte un point vente où l’on peut notamment se procurer des revues
http://www.anarchie.be/infotheek/
FRANÇA
Librairie L’Autodidacte :
5 rue Marulaz à 25000 Besançon
Ouverture le mercredi et le vendredi de 17h00 à 20h00
et le samedi de 15h00 à 19h00
Tél : 00.33.3.81.82.14.94
http://lautodidacte.lautre.net
Athénée libertaire Albert Camus :
36 rue de Cugnaux à 31300 Toulouse
Ouverture le mardi de 17h00 à 19h00
Librairie Le Chat Noir Toulousain :
18 avenue de la Gloire à 31500 Toulouse
Ouverture le vendredi de 19h00 à 22h00 et le samedi de 15h00 à 19h00
La page consacrée à la librairie sur le site http://cnt31.ouvaton.org
Librairie du Muguet :
Athénée libertaire
7 rue du Muguet à 33000 Bordeaux
Ouverture le mercredi de 15h00 à 19h00
et le samedi de 16h00 à 20h00
Tél : 00.33.5.56.81.01.91
librairiedumuguet@no-log.org
http://www.atheneelibertaire.net
Librairie de l’Union régionale de la CNT Aquitaine :
36 rue Sanche de Pomiers à 33000 Bordeaux
Tél : 00.33.8.10.00.03.67
http://www.cnt-f.org/aquitaine
Libraire La Mauvaise Réputation :
20 rue Terral, Quartier Sainte-Anne à 34000 Montpellier,
Ouverture le samedi de 15h00 à 19h00
Librairie La Commune :
17 rue de Châteaudun à 35000 Rennes.
Ouverture le mercredi et le samedi de 14h00 à 18h00
Tél : 00.33.2.99.67.92.87
http://www.farennes.org
Centre culturel libertaire :
4 rue de Colmar à 59000 Lille
Ouvert le samedi de 15h00 à 19h00
http://lille.cybertaria.org
Librairie Infos :
2 rue Théodore Guiter à 66000 Perpignan
Ouverture le samedi de 15h00 à 19h00
Librairie La Plume Noire :
19 rue Pierre-Blanc à 69001 Lyon
Ouverture les mercredi, jeudi, vendredi de 17h00 à 19h00
et le samedi de 15h00 à 19h00.
Tél : 00.33.4.72.00.94.10
laplumenoire@club-internet.fr
Librairie La Gryffe :
5 rue Sébastien Gryphe à 69007 Lyon.
Ouverture du lundi au samedi de 14 à 19 h
Tél : 00.33.4.78.61.02.25
http://lagryffe.net
Librairie du Monde libertaire :
145 rue Amelot à 75011 Paris
Ouverture du lundi au vendredi de 14h00 à 19h30
et le samedi de 10h00 à 19h30
Tél : 00.33.1.48.05.34.08
librairie-publico@wanadoo.fr
Librairie Quilombo :
23 rue Voltaire à 75011 Paris
Ouverture du mardi au vendredi de 14h00 à 20h00
et le samedi de 11h00 à 20h00
Tél : 00.33.1.43.71.21.07
http://www.librairie-quilombo.org
Librairie L’Insoumise :
128 rue Saint-Hilaire à 76000 Rouen
Ouverture le mercredi de 16h00 à 18h00
le vendredi de 17h00 à 19h00
le samedi de 11h00 à 18h00
et pendant les vacances scolaires de 14h00 à 18h00
La page consacrée à la librairie sur le site http://federation-anarchiste.org/
Librairie de l’Union locale de la CNT de Poitiers :
20 rue Blaise Pascal à 86000 Poitiers
Ouverture le mercredi de 17h00 à 20h00
http://www.cnt86.ouvaton.org
ul-poitiers@cnt-f.org
HOLANDA
International bookshop Het Fort van Sjakoo :
24 Jodenbreestraat à 1011 NK Amsterdam
Ouverture du lundi au vendredi de 11h00 à 18h00
et le samedi de 11h00 à 17h00
http://www.sjakoo.nl
Boekhandel Rosa :
16A Folkingedwarsstraat à Groningen
Ouverture du mardi au samedi de 12h00 à 17h00
http://www.bookshoprosa.org
REINO UNIDO
Freedom bookshop :
84b Whitechapel High Street à London E1 7QX
Ouverture du lundi au samedi de 12h00 à 18h00
shop@freedompress.org.uk
http://www.freedompress.org.uk
QUEBEC
Librairie L’Insoumise :
2033 rue St Laurent à Montréal
Ouverture le mardi et le mercredi de 12h00 à 18h00
le jeudi et le vendredi de 12h00 à 20h00
et le samedi et le dimanche de 12h00 à 17h00
Librairie La Page Noire :
412, 3e Avenue à Québec G1L 2W1
Ouverture du lundi au dimanche de 12h00 à 17h00
http://lapagenoire.propagande.org
lapagenoire@propagande.org
LIVRARIAS ALTERNATIVAS
BRUXELAS
Librairie Aden :
44 Antoine Bréart à 1060 Bruxelles
Ouverture du lundi au jeudi de 14h00 à 18h30
le vendredi et le samedi de 14h00 à 19h00
La librairie propose de très nombreux ouvrages et revues libertaires.
Tél : 00.32.2.537.00.62
http://www.aden.be
Librairie Tropismes :
11 Galerie des Princes à 1000 Bruxelles
Ouverture le dimanche et le lundi de 13h30 à 18h30
du mardi au jeudi de 10h00 à 18h30
le vendredi de 10h00 à 20h00
et le samedi de 10h30 à 18h30
La librairie propose de nombreux titres libertaires. Certains ouvrages sont présentés sur les tables. Les autres sont placés dans les différents rayons en fonction du thème abordé. Un rayon spécifique leur est cependant dédié.
Tél. : 00.32.2.512.88.52
http://www.tropismes.com
Librairie La Borgne Agasse :
30 rue Anoul à 1050 Bruxelles
Ouverture de 12h00 à 19h00
Cette librairie prolétarienne propose un rayon consacré aux titres libertaires.
Tél. : 00.32.2.511.84.42
LIEGE
Barricade et Librairie Entre-Temps :
19-21 rue Pierreuse à 4000 Liège
Ouverture du lundi au samedi de 13h30 à 18h30
Tél. : 32.4.222.06.22
La librairie propose des titres libertaires
barricade@skynet.be
http://www.entre-temps.be
http://www.barricade.be
Arreganhar o dente - de Ana Hatherly
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Ana Hatherly(Porto, 1929)
Ana Hatherly é poetisa, ensaísta e professora universitária portuguesa. Nasceu no Porto em 1929.De múltiplos interesses culturais, tem sido poetisa, romancista e ensaísta, para além de professora universitária na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na Universidade Nova de Lisboa.
Iniciou a sua carreira literária em 1958, fazendo a sua estreia na poesia com Ritmo Perdido. Entre 1965 e 1973, foi membro activo do grupo da chamada Poesia Experimental, integrando exposições de vanguarda e de poesia concreta em Portugal e no estrangeiro. É exactamente no domínio das vanguardas portuguesas da segunda metade do século que o seu nome adquire relevante importância, explorando possíveis ligações sonoras e visuais da palavra, estabelecendo intersecções entre a literatura e as artes visuais.
No desempenho do papel de cineasta, trabalhou no London Film Institute, entre 1971 e 1974, realizando 4 filmes, três dos quais desenhando directamente sobre a película. Manifestou um particular interesse pelo período Barroco, de onde se destaca o estudo A Experiência do Prodígio (1983).
A sua obra está representada em várias e importantes Antologias e Histórias da Literatura Contemporânea de Portugal e do estrangeiro. Além de escritora, é também tradutora de várias obras. Realizou ainda várias exposições, reunindo desenho, pintura e colagem.
Obras poéticas: Um Ritmo Perdido (Lisboa, 1958), As Aparências (Lisboa, 1959), A Dama e o Cavaleiro (Lisboa, 1960), Sigma (Lisboa, 1965), Anagramático (Lisboa, 1970), O Escritor (Lisboa, 1975), Poesia (1958-1978) (Lisboa, 1979), Joyciana (obra colectiva, Lisboa, 1982), O Cisne Intacto (Porto, 1983), A Cidade das palavras (Lisboa, 1988), 77 Tisane (Verona, Colpo di Fulmine Editore, 1994), Volúpia (Lisboa, 1997), 351 Tisanas (Lisboa, 1997), A Idade da Escrita (Lisboa, Edições Tema, 1998). Poesia Visual – Mapas da Imaginação e da Memória (Lisboa, 1973), A Reinvenção da Leitura (Lisboa, 1975), Escrita Natural (Lisboa, 1988). Ensaio: A Experiência do Prodígio: Bases Teóricas e Antologia de Textos-Visuais Portugueses dos Séculos XVII e XVIII (Lisboa, IN-CM, 1983).
Provérbios Populares - Abril
http://kantoximpi.blogspot.com/
Abril, águas mil.
Abril, águas mil coadas por um funil.
Abril, águas mil coadas por um mandil; em Maio, três ou quatro.
Abril águas mil, coadas por um mandril.
Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
Abril, águas mil coadas peneiradinhas por um mandil.
Abril, águas mil,cabem todas num barril.
Abril molhado, sete vezes trovejado.
Abril, ora chora ora ri.
Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.
Água de Abril é a água do cuco, molha quando está enxuto.
Água de Abril, peneirada por um mandil.
Ao princípio e ao fim, Abril costuma ser ruim.
É próprio do mês de Abril as águas serem às mil.
Em Abril, águas mil.
Em Abril, águas mil, canta o carro e o carril.
Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
Em Abril, águas mil coadas por um mandil.
Em Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
É próprio do mês de Abril, as águas serem mil.
Não há mês mais irritado que Abril zangado.
No princípio ou no fim, Abril é ruim.
No princípio ou no fim de Abril é sempre ruim.
No princípio ou no fim costuma Abril é sempre ruim.
Sol de Abril, abre a mão, deixa-o ir.
Sol de Abril, quem no vir, abra a mão e deixe-o ir.
A água que no Verão há-de regar, em Abril há-de ficar.
A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.
A invernia de Março e a seca de Abril põe o lavrador a pedir.
A três de Abril, o cuco há-de vir.
A três de Abril, o cuco há-de vir e, se não vier a oito, está preso ou morto.
Abril, águas mil; ainda a velha queima o carro e o carril e do que lhe sobrar, em Maio o há-de queimar.
Abril, águas mil, queima a velha o carro e o covil.
Abril, cheio o covil.
Abril chove para os animais e Maio para as bestas.
Abril chove para os homens e mais para as bestas.
Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.
Abril chuvoso, Maio ventoso, fazem um ano formoso
Abril e Maio, chave de todo o ano.
Abril e Maio, chaves do ano.
Abril, espigar.
Abril, espigas mil.
Abril frio, ano de pão e vinho.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
Abril frio, pão e vinho.
Abril frio, pão e vinho, Maio come o trigo e Agosto bebe o vinho.
Abril frio, traz pão e vinho.
Abril leva as peles a curtir.
Abril, quantas falopas de neve deitou, quantos grãos de pão criou.
Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
Abril, toda quanta possa vir.
Abril vai a velha aonde há-de ir e a sua casa vem dormir.
Águas de Abril são moios de milho.
Água de Maio e três de Abril valem por mil.
Água de regar, de Abril e Maio hão de ficar.
Água que em Abril ficar, no Verão há-de regar.
Antes a estopa de Abril que o linho de Março.
As manhãs de Abril são boas para dormir.
Chova-te o ano todo mas a mim, Abril e Maio.
Chuva em dia de Páscoa, ano sem nozes.
Diz Maio a Abril: ainda que te pese, muito me hei-de rir.
É mau por todo o Abril ver o céu a descobrir.
Em Abril a velha vai e volta ao seu covil.
Em Abril a Natureza ri.
Em Abril, a rês perdida recobra vigor e vida.
Em Abril abre a porta à vaca e deixa-a ir.
Em Abril, cada pulga dá mil.
Em Abril, carrega a velha o carro e o carril.
Em Abril, corta um cardo e nascerão mil.
Em Abril dá a velha a filha, por um pão a quem lha pedir.
Em Abril, de uma nódoa tira mil.
Em Abril deita-te a dormir.
Em Abril dorme o moço ruim e em Maio dorme o moço e o amo.
Em Abril e Maio moenda para todo o ano.
Em Abril e Maio moenda todo o ano.
Em Abril, enchem o covil.
Em Abril guarda o gado.
Em Abril guarda o gado e vai onde tens de ir.
Em Abril, guarda o teu gado e vai aonde tens de ir.
Em Abril lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
Em Abril, pelos favais vereis o mais.
Em Abril, queima a canga e o canzil.
Em Abril queima a velha o carro e o carril e deixa um tição para Maio, para comer as cerejas ao borralho.
Em Abril queima a velha o carro e o carril e o que ficou, em Maio queimou.
Em Abril queima a velha o carro e o carril, uma camba que ficou, ainda em Maio a queimou e guardou o seu melhor tição para o mês de S. João.
Em Abril queima a velha o carro e o carril; e uma cama que guardou, ainda em Maio a queimou.
Em Abril, queijos mil.
Em Abril, queijos mil e em Maio, três ou quatro.
Em Abril queima a canga e o canzil
Em Abril queima a velha o carro e o carril.
Em Abril queima a velha o chambaril.
Em Abril queima o velho o carro e o carril e uma camba que guardou, ainda em Maio a queimou.
Em Abril quer-se águas mil coadas por um mandil.
Em Abril sai a bicha do covil.
Em Abril vai a velha aonde há-de ir e torna outra vez ao seu covil.
Em Abril vai a velha aonde tem de ir e vem dormir ao seu covil.
Em Abril vai aonde hás-de ir, mas torna ao covil.
Em Abril, vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.
Em Abril, vai aonde hás-de ir e volta ao teu covil.
Em Fevereiro, ergue-te centeio; ai de mim que já é Março e eu aqui ainda jarço; lá vem Abril que o tira do covil.
Em lua de Abril tardia, nenhum lavrador confia.
Em Março e Abril, não há que rir.
Em Março, merenda o pedaço e em Abril, merenda o merendil.
Em Março queima a velha o maço e em Abril, os arcos e o barril.
Em Março e Abril, o cuco há-de vir.
Entre Abril e Maio, moenda para todo o ano.
Entre Março e Abril o cuco há-de vir ou o fim do mundo está para vir.
Entre Março e Abril, o cuco ou é morto ou está para vir.
Entre Março e Abril, ou o cuco ou o fim quer vir.
Guarda pão para Maio e lenha para Abril, não sabes o tempo que há-de vir.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Mais vale uma chuvada em Março e Abril, do que o carro, os bois, a canga e o canzil.
Março encanar, Abril, espigar.
Março ventoso, Abril chuvoso, de bom colmeal farão desastroso.
Março ventoso e Abril chuvoso, do bom colmeal farão astroso.
Mau é todo o Abril, ver o céu a descobrir.
Moinha de Abril vale por mil.
Morraceira de Abril vale por mil.
Nevoeiro de Março não faz mal, mas o de Abril leva o pão e o vinho.
No fim de Abril ninguém gabe madressilva nem desfolhe malmequeres.
Nos bons anos agrícolas, o Natal passa-se em casa e a Páscoa na rua.
Nunca a chuva de Abril é mau tempo.
O grão de Abril, nem por semear nem nascido.
O que Abril deixa nado, Maio deixa-o criado.
O que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.
Para o ano ser bom, passar o Natal na rua e a Páscoa em casa.
Pelo São Marcos o trigo sacho, nem nabo, nem saco.
Por Abril corta um cardo, nascerão mil.
Por Abril dorme o moço madraceirão e, por Maio, dorme o moço e o patrão.
Por Abril, dorme o moço ruim e por Maio, dorme o moço e o amo.
Por onde Abril e Maio passou, tudo espigou.
Por onde Abril passou, tudo espigou.
Por todo o Abril, mau é descobrir.
Quando chegar Abril, tudo vai florir.
Quem em Abril não varre a areia e em Maio não racha a leira, anda todo o ano em canseira.
Se não chove em Abril, perde o lavrador o carro e o carril.
Se não chove em Abril, venderá o rei o carro e o carril.
Se chover entre Maio e Abril, carregará o lavrador o carro e o carril.
Se chover em Maio, carregará el-rei o carro e em Abril, carril e entre Abril e Maio, o carril e o carro.
Se não chover em Maio, carregará el-rei o carro e em Abril o carril e, entre Abril e Maio, o carril e o carro.
Se não chover em Março e Abril, dará a velha o carro e o carril, por uma fogaça e um funil e a filha a quem lha pedir.
Se não chover em Março e Abril, dará el-rei o carro e o carril por uma fogaça e um funil e a filha a quem a pedir.
Se não chover entre Março e Abril, podes vender o carro e o carril.
Se não chover entre Março e Abril, vende o lavrador os bois e o carril.
Se não chover entre Março e Abril, venderá el-rei, o carro e o carril.
Uma gota de Abril vale por mil.
Vento de Março, chuva de Abril, fazem Maio florir.
No princípio ou no fim de abril é ruim.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
Mau é por todo o abril ver o céu a descobrir.
Em abril águas mil, canta o carro e o carril.
A aveia, até abril, está a dormir.
A carranca é mãe do cuco, vem em princípio de abril e diz ao maio que seu filho está para vir.
Chuvas na ascensão das palhinhas fazem pão.
A três de abril o cuco há-de vir; e se não vier até oito, está preso ou morto.
É próprio do mês de abril as águas serem às mil.
Em abril sai a bicha do covil.
Em abril vai a velha onde tem de ir e vem dormir ao seu covil.
Em tempo de cuco - pela manhã molhado e à noite enxuto.
No fim de Abril, ninguém me gabe madressilvas nem desfolhe malmequeres.
A história do anarquismo no Brasil: o jornal A Plebe e a greve geral de 1917
9.4.07
Campanha Roupas Limpas: por roupas ecológicas e pela defesa dos trabalhadores que as produzem
A roupa é um bem indispensável e responde a necessidades de todos nós, levando os industriais a aproveitarem-se dessas circunstâncias para sacarem lucros chorudos graças ao uso de estratégias publicitárias agressivas e ao sistemático desprezo pelos trabalhadores que são contratados para as produzir ( a industria têxtil é uma das principais promotoras do trabalho feminino com baixos salários, quando não mesmo do trabalho infantil). Tudo isto em nome do sacrossanto lucro e do não menos santificado mercado.
A moda, com todo o seu cortejo de banalidade, consumismo e luxo, por exemplo, que alguém já disse que era tão feia que precisava de ser renovada de 6 a 6 meses, tornou-se uma estratégia fundamental dos fabricantes de roupa e dos comerciantes que as vendem. Outras actividades e agentes ( marketing, design, etc) se colaram, entretanto, para também eles obterem o máximo rendimento para si.
As coisas pioraram quando apareceram os tecidos artificiais, o poliéster, as fibras sintéticas, o uso de tintas, que não só têm um impacto negativo na natureza ( a sua pegada ecológica é grande) como geralmente são prejudiciais para a pele, causando reacções alérgicas, não a deixando respirar livremente, e provocando não poucas vezes irritações de pele.
É por todas essas razões que um estilo de vida natural e alternativa procuram roupas com características diferentes, roupa feita em condições justas e com o uso de materiais respeitadores da natureza. Preocupação esta que já foi, aliás, manipulada por alguns fabricantes e desenhadores que a utilizam como argumento ecológico a fim de garantir mais vendas e lucros.
Por isso nunca são demais as cautelas a ter quando se compra uma simples peça de roupa num qualquer estabelecimento. Critérios ecológicos e laborais, para além, naturalmente, dos nossos próprios gostos e apetências, devem estar sempre presentes no acto de aquisição da roupa que decidimos vestir no nosso dia-a-dia.
Greenpeace lançou uma campanha sob o lema «Moda sem tóxicos» e existem já, desde há vários anos, campanhas no mesmo sentido, sobretudo nos países ditos desenvolvidos, como é o actual caso da campanha «Roupa Limpa». A ideia é sensibilizar os responsáveis na escolha da matéria-prima e dos tecidos para a produção têxtil que evitassem os impactos ambientais negativos, ou a sua atenuação, e a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores(as). Planear uma produção limpa de materiais contaminantes e defender os direitos laborais dos trabalhadores são os objectivos primaciais da campanha «Roupas Limpas»
Critérios para comprar Roupa ecológica:
- A roupa ecológica é normalmente adquirida nas lojas de comércio justo, de artesanato ou junto dos próprios produtores
- É recomendável a aquisição de roupa em segunda mão e de roupa reciclada. Sempre é melhor tentar prolongar a vida útil das roupas, sobretudo das que têm incorporados elementos não recicláveis e cujo destino é a incineração.
- Se se optar pela compra de roupa em primeira mão é preferível a aquisição de produtos de confecção local, feitos na área ou região da comunidade onde vivemos, e produzidos com fibras naturais ( algodão, lã e cãnamo) com cores claras ( para evitar a carga tóxica das tintas).
http://www.ropalimpia.org/includes/index.php
http://www.cleanclothes.org/
http://www.vetementspropres.be/
Alternativa libertária (pelo grupo Canteca de macao)
Formado por 9 elementos, este grupo representa a multiculturalidade nascida na rua. O seu estilo musical traduz-se numa batida de ritmos de rumba, ska, reggae e flamenco, cujo resultado se plasmou no seu disco "Cachai?" que teve grande aceitação.
http://www.cantecademacao.org/
http://www.myspace.com/cantecademacao
A veces pienso que me hace feliz
Mirar pa arriba y no pensar en nada
Em
Respirar profundo...
Como si esta Tierra no estuviese contaminada
A veces pienso en echar un quejío
Que atravesa to los senderos y las montañas
Pa crear un futuro...
Donde las conciencias no estuvieran engañadas
Voy a ocupar una casa
Donde los uniformes ya no pinten nada
Y donde las decisiones
Sean tomadas de manera asamblearia
Esta es mi alternativa libertaria contra la opresión
(alternativa libertaria!), contra el patrón,
(alternativa libertaria!), contra la explotación...
LIBERTAD!
Mientras no haya cordura
Mientras nos engañen con que el hombre ha pisao la Luna
Mientras la vida se escape
Entre los dedos de la gente que se muere de hambre
Dónde están los culpables?
O es que es fortuita toda esta masacre?
Desde Palestina a Guinea Conakri
Girando por Asia y pasando por los Alpes
Pobreza, hay pobreza, pobreza, (uoooh)...
... Pobreza, hay pobreza, pobreza, (uoooh)...
Esta es mi alternativa libertaria contra la opresión
(alternativa libertaria!), contra el patrón,
(alternativa libertaria!), contra la explotación...
LIBERTAD!
QUE PASA??
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que unos viven en palacios y otros, no tienen casa
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que todo el día viendo la tele, pá luego no salir de casa
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que unos pocos con mucho y otros muchos sin nada
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que con todas las prohibiciones nos quedamos sin la guasa
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que con tanto perico todo se desfasa
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Y dicen que aquí no pasa ná
Que no pasa ná dicen!!!
Te parece poco el G8, la explotación, la estructura piramidal, la excedencia de producción
Mantén la mente abierta, despierta, piensa, acción directa
Pá luchar juntos contra todo lo que apesta
Le lé, pon pón, y contra todo lo que apesta
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con todas las pequeñas cosas, que engrandecen tóoo
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los caminos arena y las playas sin construcción
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los pequeños comercios donde yo saludo a Ramón
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los coches sin aire acondicionado
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Que tó desapareció
y se quedó un mundo sin compasión
oohh oohh oohh oooooohh!!...
Y...lucha y libera tu mente,
La gente que lo hace suele ser consecuente
No dejes que te gane la pereza y lucha siempre por tu conciencia
Y en este mundo hay mucho que cambiar
y si no es por ti, todo va a seguir igual
Y esto es de todos, y todo es de todos,
y nada es para mí y o todo para vosotros
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que unos viven en palacios y otros no tienen casa
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que la gente se muere de hambre, tiran comida en los restaurantes
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Qué es lo que pasa, qué opina la masa?
Vota cada cuatro años y lo llaman democracia
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que el gobierno, la casa blanca, la burocracia, la tecnocracia
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Que cojones pasa
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con todas las pequeñas cosas, que engrandecen tóóó
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los caminos arena y las playas sin construcción
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los pequeños comercios donde yo saludo a Ramón
Y que pasó, qué pasó, qué pasó?
Con los coches sin aire acondicionado
Qué es lo que pasa, qué es lo que pasa?
Entrevista
Adriano Correia de Oliveira nasceu há 65 anos (na Marinha Grande há uma homenagem ao cantor)
Fala de um Homem NascidoAdriano Correia de Oliveira faria hoje 65 anos. Nascido no Porto a 9 de Abril de 1942, morreu cedo de mais: apenas 40 anos depois, em Avintes, a mesma localidade que o viu crescer. Mas, se foi breve demais esta vida, não foi vivida em vão.
Entre 1960 e 1980, grava mais de noventa temas, que constituíram aquela que é uma das mais ricas obras musicais do século XX português. Depois do primeiro disco, grava Balada do Estudante (1961); Fados de Coimbra (1961); Fados de Coimbra (1962); Trova do Vento que Passa (1962); Lira (1964); Menina dos Olhos Tristes (1964); Adriano Correia de Oliveira (1967); O Canto e as Armas (1969); Cantaremos (1970); Gente de Aqui e de Agora (1971); A Vila de Alvito (1974); Que Nunca Mais (1975); Para Rosalia (1976); Notícias de Abril (1978); Cantigas Portuguesas (1980) e, editado a título póstumo, Memória de Adriano (1983).
Hoje, dia 9 de Abril, inicia-se na Marinha Grande o programa de homenagem a Adriano Correia de Oliveira, por ocasião da passagem do 65º aniversário do seu nascimento.
Uma merecida homenagem, que fazia toda a falta
O grande objectivo desta homenagem é o de levar a conhecer, sobretudo às gerações mais novas, a personalidade, a história e a obra musical de um dos mais importantes cantores da nossa história mais recente.
O programa de homenagem continuará no dia 21 de Abril, às 22 horas, com a realização de um espectáculo musical no pavilhão municipal de exposições da Marinha Grande, em que participarão os intérpretes e músicos intervenientes no CD "Adriano Sempre
No dia 30 de Abril, pelas 21h30, no Cine-Teatro Louletano, será a vez de Loulé render uma merecida homangem ao cantor.
8 de Junho – Dia Internacional de Acção Directa contra a mudança climática e o G8


Resistência é Auto-Defesa!
Nós temos um prazo de 10 anos para agir. Assim que os megalomaníacos líderes do G8 se encontrarem na Alemanha, mascarados atrás de uma barreira de cercas e soldados, intencionados em levar-nos mais a fundo no catastrófico e irreversível caos climático, nós temos que gritar e berrar “basta”. Chegou o momento para a acção directa para os derrubar, a eles e seus amigos criminosos da indústria climática.
Nós todos sabemos as terrificantes estatísticas: milhões de espécies extintas até 2050, 19 dos 20 anos mais quentes num recorde desde 1980, Antártica derretendo, seca, inundações, famintos… o G8 tiveram 30 anos para endereçar as mudanças climáticas e tiverem sucesso somente em subsidiar as grandes indústrias que estão a destruir o nosso planeta e nosso futuro.
O 8 de junho - Dia internacional de acção directa contra as mudanças climáticas e o G8 – foi convocado pela Rede Internacional Rising Tide.
Rompa com os financiadores industriais de energias fosseis. Organize workshops para espalhar formas de vida sustentáveis pós-petróleo. Encontre um ponto fraco na infra-estrutura da exploração dos recursos e se jogue literal ou simbolicamente nos trabalhos. É hora de visitar o seu alvo local !
Nós já sabemos das acções planeadas através do Reino Unido, América do Norte, Alemanha, Canadá e Austrália e isso é só o começo. Passe este apelo para todas as campanhas pela justiçs ambiental, acções climáticas, sustentabilidade radical e movimentos relacionados em todos os paises do G8 e o do Globo.
Rising Tide irá criar uma colecção de materiais de chamados de alto alcance (incluindo este apelo em 5 diferentes línguas) que pode ser usado por grupos de todo o mundo para se organizarem localmente. Estes materiais estarão disponíveis neste site Rising Tide North America.
Acção directa e desobediência civil são a resposta racional nestes tempos de crise.
Em Junho de 2007 os G8 irão entender o significado de Rebelião, Revolta e Revolução.
A receita deles para a catástrofe encontrará a nossa resistência global!
8.4.07
4 anos de impunidade do exército norte-americano! Há 4 anos José Couso foi assassinado

Concentração hoje frente à embaixada dos Estados Unidos em Madrid
( Domingo 8 de abril a las 20:00 hs. C/Serrano 75. Metro Rubén Darío)
Exigimos uma investigação e o castigo dos culpados
http://www.josecouso.info/
Entrevista ao irmão de José Couso e um breve documentário retrospectivo do processo de acusação e imputação ao exército norte-americano.
Você precisa de um diploma? Não estude; inscreva-se antes na Universidade Independente!
Até ao fim do 2º período, ou seja, em 121 dias de aula, foram agredidos 157 professores nas escolas portuguesas, mais de um por dia. E, no período de avaliações e notas anterior às férias da Páscoa, a média disparou para dois por dia. Os números são da Linha SOS Professor, mas a ministra continua a dizer que se trata de casos "pontuais" (e, na verdade, muitos professores acabaram no hospital, tendo sido suturados com número indeterminado de "pontos").
Em defesa dos Moinhos
Ontem assinalou-se o Dia Nacional do Moinho. A rede portuguesa confessa ser difícil apontar uma estimativa de quantos moinhos existem em todo o País, mas já está a efectuar um inventário para conhecer e preservar este património nacional. 
Sonhadores Inatos ( Jorge Palma)
Construtores fomos
Executores fomos
Cruéis
Inventores sempre
Aventureiros sempre
Oportunistas sempre
Fiéis
Sonhadores inatos
Sobreviventes natos
Nem sempre somos exactos
Nem sempre conseguimos evitar os actos
Marinheiros bravos
Libertamos escravos
Cultivamos cravos
Tão bem...
Temos alianças
Muitas desconfianças
Temos as nossas esperanças
Também
Sonhadores inatos
Sobreviventes natos
Nem sempre somos exactos
Nem sempre conseguimos evitar os factos
Os nossos actos
Eh!
Sonhadores inatos
Sobreviventes natos
Nem sempre somos exactos
Nem sempre conseguimos evitar os factos
Os actos
Os nossos factos.
http://www.jorgepalma.web.pt/primeira.htm
A maior rede mundial de hospitalidade (alojamento gratuito)
O projecto é animado por voluntários que se mobilizam na base da seguinte ideia:
«se os viajantes entrarem em contacto com os residentes das regiões que visitam, e se estes últimostiverem possibilidade de entrar em contacto com outras culturas, a compreensão mútua será maior e a paz no planeta sairá reforçada»
Na prática trata-se de um meio muito simples de obter alojamento gratuito e fazer amizades por todo o lado. Não há obrigações ( ninguém fica obrigado a receber o outro) nem restrições espúrias. Apenas respeito e amizade.
http://www.hospitalityclub.org/
http://por.hospitalityclub.org/indexpor.htm
http://brasileiro.hospitalityclub.org/indexbra.htm
Os destaques em música clássica na edição deste mês no Le Monde de la Musique
Neste mês de Abril são estes os «discos de choque», ou seja, os destaques do mês em matéria de edições em música clássica em França:
Ludwig van Beethoven
Intégrale des sonates pour piano vol. 4: Sonates n° 12 op. 26, n° 13 op. 27 n° 1, etc.
Compositeur(s) : Beethoven
Interprète(s) : Ronald Brautigam (pianoforte)
1 SACD Bis (Codaex France)
Avec ces quatre sonates qui se situent à la frontière de deux mondes, Ronald Brautigam poursuit la meilleure intégrale Beethoven au piano-forte depuis celle de Paul Badura-Skoda.
Johannes Brahms
Symphonie n° 1 en ut mineur op. 68 - Variations sur un thème de Haydn op. 56a
Compositeur(s) : Brahms
Interprète(s) : Orchestre de Cleveland, George Szell (direction)
1 CD United Archives « The George Szell Edition » (Harmonia Mundi)
Quelques années avant sa magnifique intégrale « officielle », George Szell, à la tête d'un Orchestre de Cleveland aguerri à son style, « dégraisse » les symphonies de Brahms.
François Couperin
« Tic, Toc, Choc ». Pièces de clavecin
Compositeur(s) : Couperin
Interprète(s) : Alexandre Tharaud (piano)
1 CD Harmonia Mundi
Après Rameau et Ravel, Alexandre Tharaud poursuit son exploration du clavier français. Avec les pièces les plus pianistiques de Couperin le Grand, il a composé un programme riche en surprises.
Thierry Escaich
Miroir de l'ombre - Vertiges de la croix - Chaconne
Compositeur(s) : Escaich
Interprète(s) : R. Capuçon, G. Capuçon, Orchestre national de Lille, P. Polivnick, M. Inoue, J.-C. Casadesus (direction)
1 CD + 1 DVD Accord (Universal)
On retrouve ici les sons pulsés, les bariolages de bois, les batteries de cordes qui sont la signature de Thierry Escaich. Les frères Capuçon servent bien cet univers postromantique.
Gabriel Fauré
Messe de Requiem - Messe des pêcheurs de Villerville - Ave Verum- Ave Maria - Tantum ergo
Compositeur(s) : Fauré
Interprète(s) : A. Quintans (soprano), P. Harvey (baryton), Ensemble vocal de Lausanne, Sinfonia Varsovia, M. Corboz (direction)
1 CD Mirare (Harmonia Mundi)
Voilà l'enregistrement idéal d'un chef-d'œuvre que Michel Corboz remet pour la troisième fois sur le métier. Sa direction tendre et inspirée convertirait un bataillon de mécréants.
Edvard Grieg
Concerto en la mineur op. 16 - 12 Pièces lyriques
Compositeur(s) : Grieg
Interprète(s) : Shani Diluka (piano), Orchestre national Bordeaux Aquitaine, Eivind Gullberg Jensen (direction)
1 CD Mirare (Harmonia Mundi)
Monégasque de parents sri-lankais, allemande par sa culture, citoyenne du monde, Shani Diluka joue le Norvégien Grieg avec une virtuosité ailée et une sensibilité à fleur de peau.
Delphine Lizé (piano)
Récital Salle Pleyel. Robert Schumann, Ludwig van Beethoven, Franz Liszt, Serge Prokofiev, Frédéric Chopin
Interprète(s) : Delphine Lizé (piano)
1 CD Intrada (Codaex France)
Intuitive dans Schumann, spontanée dans Beethoven, combative dans Prokofiev, inspirée dans Chopin, cette pianiste de vingt-huit ans réunit des qualités que peu de jeunes talents possèdent.
Jean-Baptiste Lully/Molière
Le Bourgeois Gentilhomme
Compositeur(s) : Lully/Molière
Interprète(s) : L. Seigner, A. de Chauveron, J. Piat, M. Galabru, Orchestre de la Comédie-Française, A. Jolivet (direction)
2 CD EMI Classics
Du théâtre dans Le Monde de la Musique ? Comme il s'agit du Bourgeois Gentilhomemted'un spectacle historique, avec la musique de Lully dirigée par… André Jolivet, l'exception se justifie largement.
Claudio Monteverdi
L'Orfeo
Compositeur(s) : Monteverdi
Interprète(s) : Emanuela Galli, Mirko Guadagnini, Marina De Liso, Ensemble La Venexiana, Claudio Cavina (direction)
2 CD Glossa (Harmonia Mundi)
Rompue à Monteverdi à travers ses madrigaux, La Venexiana prend le sous-titre du premier chef-d'œuvre de l'opéra au pied de la lettre. C'est bien d'une « fable en musique » qu'il s'agit ici.
Robert Schumann
Kreisleriana op. 16 - Bunte Blätter op. 99 - Scènes d'enfants op. 15 - Scènes de la forêt op. 82
Compositeur(s) : Schumann
Interprète(s) : Evgeni Koroliov (piano)
1 CD Tacet (Intégral Distribution)
Architecte rigoureux, jamais décoratif ni extérieur, Evgeni Koroliov fait preuve, dans les oeuvres géniales et déroutantes de Schumann, d'une intelligence et d'un respect du texte peu ordinaires.
Eric Tanguy
OEuvres pour orchestre, effectifs de chambre et piano solo
Compositeur(s) : Tanguy
Interprète(s) : Solistes, Orchestre de Bretagne, Stefan Sanderling (direction), Orchestre national de France, Pascal Rophé (direction)
3 CD Transart Live (Naïve)
Une superbe photographie de l'oeuvre déjà importante et extraordinairement mûre d'Eric Tanguy, qui n'a pas encore quarante ans. Sa musique de chambre est particulièrement belle.
Giuseppe Verdi
La Force du Destin
Compositeur(s) : Verdi
Interprète(s) : Solistes, Choeurs et Orchestre de l'Opéra de Vienne, Dimitri Mitropoulos (direction)
2 CD Orfeo (Harmonia Mundi)
Quelques semaines avant de disparaître, le grand Dimitri Mitropoulos a rendu ses lettres de noblesse à l'un des opéras les plus flamboyants de Verdi. Un « live » chauffé à blanc !
A dança não se deve resumir a ser apenas algo de belo e bom, mas dar atenção aos sentimentos (Pina Bausch)
Durante um debate público que encheu o foyer do Teatro Camões, em Lisboa, com mais de uma centena de pessoas, sobretudo jornalistas e alunos da área da dança, Pina Bausch falou sobre uma experiência de mais de trinta anos.
A coreógrafa sublinhou por diversas vezes a importância do sentimento no seu trabalho - quer no processo de criação, quer no resultado final - definindo-o «como uma linguagem própria, uma outra forma de entendimento, de compreensão».
«O mais importante é tocar as pessoas», disse a artista, que a partir dos anos 70 revolucionou as formas tradicionais da dança-teatro com uma estética própria e uma original linguagem corporal.
Alta, esguia, vestida de negro e com os longos cabelos presos, a coreógrafa deu a conhecer no debate a sua visão actual da dança e os passos importantes de um percurso de mais de quatro décadas sob o olhar deslumbrado de muitos jovens admiradores desta figura histórica das artes performativas.
Pina Bausch encontra-se em Lisboa a convite da Companhia Nacional de Bailado para assinalar os trinta anos da entidade, e irá apresentar entre quinta-feira e domingo o espectáculo «For the Children of Yesterday, Today and Tomorrow», estreado em 2002.
Formada em dança e pedagogia na Folkwang School em Essen, na Alemanha, estudou também em Nova Iorque em 1959, mas regressou poucos anos depois ao país natal. Com apenas 33 anos foi convidada para dirigir o Wuppertaler Tanztheater, que mais tarde teria o seu nome.
Destacou-se pelo seu estilo e pela forma inédita do processo de trabalho com os bailarinos, viajando por várias cidades do mundo para fazer espectáculos que constituem um olhar pessoal sobre a cultura local.
Desenvolveu projectos no Brasil (em São Paulo, Rio de Janeiro e São Salvador da Baía em 1986 e 1999), em Itália (Palermo, 1989), em Espanha (Madrid, 1991), nos Estados Unidos (Los Angeles, 1996) e Hungria (Budapeste, 2000).
Nos mesmos moldes, a peça «Mazurca Fogo» foi apresentada pela coreógrafa no Festival dos Cem Dias para a Expo'98, em Lisboa.
«Nunca sei bem para onde vou, não tenho planos definidos. As coisas vão surgindo, como uma espécie de ondas», descreveu, acrescentando que continua a ser importante, contudo, «pensar uma mensagem para transmitir ao público e as melhores maneiras de o impressionar».
Confessou que lhe era difícil falar sobre o seu trabalho e disse preferir que o público visse os espectáculos e fosse «confrontado com as ideias e sentimentos» em vez de ser ela a explicar.
«Não consigo falar sobre mim com palavras. Eu confio nos bailarinos e eles confiam em mim», comentou, salientando também a importância dos pormenores.
A busca da magia da infância e do prazer das brincadeiras infantis é o apelo do espectáculo «For the Children of Yesterday, Today and Tomorrow» que Pina Bausch vai apresentar.
A cenografia é do colaborador de longa data Peter Pabst, figurinos de Marion Cito e a composição musical de Matthias Burkert e Andreas Eisenschneider.
Para esta peça, Pina Bausch foi buscar excertos das obras «Keepers of the Night - Native American Stories», «Nocturnal Activities for Children», de Michael J. Caduto, e «How the Bath Came to Be», de Joseph Bruchac.
A selecção musical inclui Prince, Caetano Veloso, Goldfrapp, Félix Laijko, Nana Vasconcelos, Bugge Wesseltoft, Amon Tobin, Mari Boine, Shirley Horn, Nina Simone, Lisa Ekdahl, Gerry Mulligan, Uhuhboo Project, Cinematic Orchestra, Gotan Project, Guem, Hughscore, Koop, Labradford, T.O.M..
A última passagem da coreógrafa alemã por Lisboa foi em Setembro e Outubro de 2005, no Teatro Municipal São Luiz, com os espectáculos «Céu e Terra» e «Cravos».
Acende o meu fogo (Light My Fire) e Cavaleiros na tempestade ( Riders on Storm) dos The Doors
Cancela a minha assinatura para a ressurreição e dá-me as minhas credenciais para a casa de detenção
We want the world and we want it now ! »
«Expose yourself to your deepest fear; after that, fear has no power, and the fear of freedom shrinks and vanishes. You are free.»
The Doors - Light My Fire
You know that it would be untrue
You know that I would be a liar
If I was to say to you
Girl, we couldn't get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire
The time to hesitate is through
No time to wallow in the mire
Try now we can only lose
And our love become a funeral pyre
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire, yeah
The time to hesitate is through
No time to wallow in the mire
Try now we can only lose
And our love become a funeral pyre
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire, yeah
You know that it would be untrue
You know that I would be a liar
If I was to say to you
Girl, we couldn't get much higher
Come on baby, light my fire
Come on baby, light my fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Try to set the night on fire
Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house were born
Into this world were thrown
Like a dog without a bone
An actor out on loan
Riders on the storm
Theres a killer on the road
His brain is squirmin like a toad
Take a long holiday
Let your children play
If ya give this man a ride
Sweet memory will die
Killer on the road, yeah
Girl ya gotta love your man
Girl ya gotta love your man
Take him by the hand
Make him understand
The world on you depends
Our life will never end
Gotta love your man, yeah
Wow!
Riders on the storm
Riders on the storm
Into this house were born
Into this world were thrown
Like a dog without a bone
An actor out alone
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
Riders on the storm
31.3.07
Marcha de palhaços a favor da guerra infinita (no dia 1 de Abril no Largo de Camões, 16 h).

Música, jogos, palavras de ordem, e acções de protesto contra a globalização do capital que nos esmaga a tod@s , vão fazer desta tarde de domingo uma tarde muito diferente!!!
Teremos material de máscaras, pinturas, cabeleiras, etc, mas também poderás trazer de casa!
O Clown Army vai desfilar!
Vem integrar esta divertida armada!
No dia 20 de Março assinalou-se o início da ocupação do Iraque.Aquilo que seria o fim das armas de destruição massiva transformou-se num grande massacre, traduzido numa política de guerra infinita.
Para além das já tradicionais concentrações anti-guerra, a REDE G8 propõe uma outra forma de contestação e crítica a esta grande mentira que os senhores do mundo, com Bush ao comando, nos pregaram, já lá vão 4 anos.
Queremos resistir com criatividade, animação e. . . ironia!
Este domingo, dia 1 de Abril, junta-te ao bando de palhaç@s que marcharão “a favor” da globalização do capital e da política de guerra americana!
Mascara-te em casa, ou connosco!
@s palhaç@s marchantes vão partir do Largo de Camões, ás 16h00, até chegar á Praça do Comércio, onde nos concentramos e “acordamos para a realidade”.
APARECE E VEM MARCHAR! ! !
A marcha irá partir do Largo de Camões, ás 16h00, até chegar à Praça do Comércio.
http://geoito2007.blogspot.com/
É preciso promover o gosto da leitura junto das crianças (não esquecer o dia 2 de Abril)

No entanto tive surpresas. A leitura deu-me poder sobre os contos e de alguma forma também deu aos contos umcerto poder sobre mim. Nunca lhes pude escapar. Isso faz parte do mistério da leitura.
Uma pessoa abre um livro, acolhe e compreende as palavras e, se a história for boa, ela explode dentro de nós.
Aqueles escaravelhos que correm em linha recta de um lado para o outro da página em branco convertem-se primeiro em palavras e, logo a seguir, em imagens e acontecimentos mágicos. Ainda que certas histórias pareçam nada ter que ver com a vida real, ainda que nos conduzam a surpresas de toda a espécie e se distendam em múltiplas possibilidades,para um lado e para o outro, como pastilhas elásticas, no final as histórias que são boas devolvem-nos a nós mesmos.
São feitas de palavras, e todos os seres humanos sonham ter aventuras com as palavras.
Quase todos começamos como ouvintes. Ainda bebés, as nossas mães e os nossos pais brincam connosco, dizem-nos rimas, tocam-nos as mãos («Pico pico maçarico quem te deu tamanho bico…») ou põem-nos a bater palmas(«Palminhas, palminhas…»). Os jogos com palavras são ditos em voz alta e, quando somos crianças, escutamo-los e rimos com eles. Logo a seguir aprendemos a ler os caracteres impressos na página branca e, mesmo quando lemos em
silêncio, há uma certa voz que está presente. A quem pertence esta voz? Pode ser a tua própria voz, a voz do leitor. Masé mais do que isso. É a voz da história que vem do interior do próprio leitor.
É claro que há hoje muitas maneiras de contar uma história. Os filmes e a televisão têm histórias para contar,embora não usem a linguagem da maneira como o fazem os livros. Os escritores que trabalham em guiões de televisãoou de cinema são obrigados a utilizar poucas palavras. «Deixem as imagens contar a história», dizem os especialistas.
Muitas vezes vemos televisão na companhia de outras pessoas, mas quando lemos quase sempre estamos sós.
Vivemos numa época em que o mundo está cheio de livros. Mergulhar nos livros à procura de alguma coisa, lendo-os e relendo-os, faz parte da viagem de cada leitor. A aventura do leitor consiste em descobrir, nessa selva de caracteresimpressos, uma história tão vibrante que o transforme como que por magia. Uma história tão apaixonante e misteriosa
que mude a sua vida. Creio que cada leitor vive para esse momento em que de súbito o mundo de todos os dias se alteraum pouco, abre espaço a uma nova piada, a uma ideia nova, àquela nova possibilidade que é dada a uma determinadaverdade de se exprimir pelo poder das palavras. «Sim, isto é mesmo verdade!», exclama aquela voz dentro de nós.
«Estou a reconhecer-te!» A leitura é verdadeiramente apaixonante, não acham?
Margaret Mahy
MARGARET MAHY nasceu em Whakatane, Nova Zelândia, em 1936. Bibliotecária, decidiu dedicar-se a tempo inteiro à escrita, em1980. Escreveu obras dirigidas a diferentes idades, cultivando géneros que vão do álbum para crianças pequenas ao romance juvenil, passando pela poesia e pelo texto dramático. É uma das mais premiadas escritoras da Nova Zelândia, tendo sido distinguida, em2006, com o Prémio Hans Christian Andersen do International Board on Books for Young People (IBBY), o mais importante galardão mundial atribuído a um autor de literatura para crianças e jovens. Marcada pela riqueza poética da linguagem, a escrita de
Mahy tem logrado exprimir, por vezes de modo metafórico mas sempre com extraordinária autenticidade, a experiência da infância e da adolescência. Encontra-se traduzida em numerosos idiomas, incluindo o português (O Rapaz dos Hipopótamos, Livros Horizonte).
Outros títulos que publicou: Catálogo do Universo, Lembrança, Um Leão no Prado, O Homem cuja Mãe Era Pirata.
A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People),difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil) – Secção Portuguesa doIBBY.
Projecto O MEU BRINQUEDO É UM LIVRO
Consultar:
A Escola face à barbárie consumista
Texto de Philippe Meirieu, publicado no Le Monde de 22 de Março
«a questão escolar não pode ser pensada independentemente da própria organização da nossa sociedade»
«ousar interrogar se a educação na democracia e o todo-poderoso mercado são coisas compatíveis.»
Em França os debates sobre a educação são frequentemente reduzidos à escola. A história ajuda a compreender o facto: nenhum outro país se construiu na base e sobre o seu sistema escolar mais do que o nosso. E se não restauramos a esperança numa instituição que está hoje em larga medida reduzida a uma estação de triagem, devemos de qualquer forma encarar de frente o descontentamento dos jovens e a depressão que atinge os professores. Mesmo quando o fatalismo triunfa e o desencorajamento entre os professores alastra, precisamente naqueles que encarnam o futuro. Há muito, com efeito, para nos inquietarmos…
Não estamos tranquilos, de maneira alguma. Os sintomas estão aí e não param de se manifestar: inquietações sobre a descida do nível de exigências, interrogações sobre a autoridade, polémicas sobre as responsabilidades recíprocas dos professores e dos pais, estupefacção perante os actos de violência que escapam a qualquer entendimento. Mas a verdade é que a questão escolar não pode ser pensada independentemente da própria organização da nossa sociedade e mais concretamente do estatuto que a sociedade confere à infância.
Defrontamo-nos com um fenómeno completamente inédito: o capricho, ( «caprice»), que não era senão uma etapa do desenvolvimento individual da criança, tornou-se o princípio organizador do nosso desenvolvimento colectivo. Sabíamos que a criança atravessava sempre por uma fase marcada pelo «posso, quero, e mando» e que se julgava poder mandar no mundo. Quer se designasse por narcisismo inicial ou por egocentrismo infantil o certo é que o fenómeno estava lá: a criança, apanhada pelos seus desejos, que ainda não sabe nomear, nem inscrever na relação que mantém com outrem, é tentada a levá-los à prática. O educador terá que o acompanhar, ensiná-lo a não reagir de imediato pela violência ou por uma fuga para diante, de forma a ganhar tempo para o interpelar, antecipando-se para o levar a reflectir e a metabolizar as suas pulsões, enfim, a construir a sua vontade. No fundo, trata-se de uma questão de pedagogia.
Não se sai da infância sozinho: há necessidade de se inscrever nas configurações sociais que dão sentido à espera e que permitem entrever nas inevitáveis frustrações as promessas de satisfações futuras. Questão nunca resolvida: a infância molda-nos na maturidade e a tentação é grande, em qualquer idade da vida, para abolir a alteridade e instalarmo-nos no trono da tirania.
Hoje a máquina social, toda ela, em vez de fornecer pontos de apoio à criança para se afastar da infantilidade, repercute até ao infinito o princípio que ela deveria justamente saber afastar-se: «As tuas pulsões são ordens». É assim que a pulsão de comprar se torna o motor do nosso desenvolvimento económico. A publicidade curto-circuita qualquer reflexão e exalta constantemente a passagem à acção imediata. A televisão move-se mais depressa que os telespectadores para ao agarrar mais ao ecrã e impedi-los de passar a outro canal. Os telemóveis reduzem as relações humanas à gestão da injunção imediata. Parece que tudo tende a murmurar ao ouvido do adolescente: « Agora, de imediato, a qualquer preço».
Não é de espantar que nestas condições a tarefa da educação se tornou mais espinhosa: os pais conhecem bem a quantidade de energia necessária a despender para contrariar as modas, as marcas, os estereótipos impostos pelas «rádios jovens» e que são replicados pelos restantes media. Os professores constatam no quotidiano quanto é difícil construir espaços de trabalho efectivo, que permita a concentração, a formação e a afirmação de si próprio e o empenhamento numa dada tarefa. Eles vêem os seus alunos a chegar às salas de aula com um telecomando ligado ao cérebro, todo um high-tech que dinamita literalmente os rituais escolares que eles tentam construir. A preocupação principal dos professores – e que os angustia – passou a ser o que poderá baixar a tensão para poder favorecer a atenção. E o mal-estar é visível: menos no nível que baixa do que na tensão que sobe.
Face a esta deriva da infantilidade, o pensamento mágico faz figura de salvador: restaurar a autoridade, mudar os métodos de leitura e aprender as quatro operações desde os primeiros anos são apresentados como os meios capazes de salvar a escola e a república! Triunfo da prescrição tecnocrática quando o que era preciso era criar obstinadamente as situações pedagógicas em que a criança e o jovem pudessem descobrir, na acção, que o prazer do instante é mortífero e que não há desejo possível senão na construção da temporalidade.
Perante esta modernidade que produz os meios da barbárie, o pensamento totalitário avança insidiosamente. Alimenta-se do medo e desenvolve-se sempre segundo a mesma lógica: identificar, o mais cedo possível, os desvios individuais, circunscrevê-los, isolá-los, medicalizar as «perturbações», classificar e criar tipologias de forma a separar os indivíduos para os sujeitar a uma lógica de serviço controlado por gabinetes privados. Trata-se assim de fazer triunfar uma normalização soft, plebiscitada pelo individualismo liberal, quando o que era preciso era misturar os destinos, pôr a circular a palavra, permitindo os sujeitos dedicarem-se a projectos improváveis, criar ocasiões e implicá-los na produção do colectivo.
Como a crise da escola não suscita os questionamentos fundamentais acaba-se sempre por se adoptar medidas técnicas limitadas. Trata-se, acima de tudo, da crise da educação que importa tratar colocando as questões que durante muito tempo ficaram escondidas: vamos continuar a considerar a criança como um mandante de compras, torná-los cativos da publicidade? Não será necessário levar mais a sério os media – em especial, o audiovisual – fazendo ver que a sua liberdade de expressão exerce-se numa democracia em simultâneo com o dever de educação? Não será preciso repensar a gestão de tempo da infância, aligeirando, pelo menos, parcialmente, a pressão avaliativa? Não será altura de relançar a educação popular para fazer face ao frenesim consumista em matéria de lazer e cultura? Não será indispensável apoiar a parentalidade, e tornar isso uma prioridade política, deixando de ver os pais em dificuldades como pouco menos que delinquentes ou doentes mentais?
Certamente que a escola terá um lugar nestes dispositivos: interrogando-se sobre a maneira de lutar contra as coagulações dos alunos que têm «aulas…, estruturando grupos de trabalho exigentes em que cada um tenha um lugar e não seja tentado a ocupar todo o espaço…, e articulando uma pedagogia da descoberta, que dá sentido aos saberes, com uma pedagogia do rigo qure permita a sua apropriação, desenvolvendo uma verdadeira educação artística, física e desportiva que ajuda cada qual a passar da gesticulação ao gesto…, vectorizando o tempo escolar por uma «pedagogia de obra-prima» de forma a que cada um possa inscrever-se num projecto e deixe de exigir tudo, de imediato, e a qualquer momento.
Todos os níveis da escola e todas as disciplinas escolares podem e devem implicar-se nesta empresa. Tal como todos os actores sociais. Imaginando e aplicando projectos educativos capazes de ser um contrapeso ao capricho globalizado. Mas ousando interrogar também, se a educação na democracia e o todo-poderoso mercado são coisas compatíveis. E quais as alternativas que podemos inventar para sair do impasse.