11.12.05

Caça de tigres na Estremadura !!!


Segundo notícias a circular pela imprensa estão a ser organizados safaris domésticos nas herdades e nos cotos privados da Estremadura espanhola ao ponto de terem sido caçados tigres e leões que previamente tinham sido traficados e largados ali pelos organizadores e que serviriam de alvo à caça grossa de indivíduos sem escrúpulos.
Segundo as mesmas notícias alguns dos participantes foram identificados pela guarda civil espanhola, depois de já terem morto um tigre.
O turismo de ricos sempre foi depradatório...

7.12.05

No discurso de aceitação do Nobel, Harold Pinter pede que Blair vá a tribunal por crimes de guerra


No discurso que vai ser lido na cerimónia de entrega do Prémio no próximo Sábado, o escritor inglês Harold Pinter, Nobel de Literatura de 2005, pede com muita firmeza que o Primeiro-ministro inglês Tony Blair compareça no tribunal por crimes de guerra .

Ao longo das 5.000 palavras que compõem aquele discurso de aceitação, o dramaturgo britânico critica também ferozmente o governo norte-americano pelas prisões de Guantanamo e também a desestabilização que os norte-americanos desencadearam na Nicarágua nos anos de 1980.
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Todavia, reserva as suas críticas mais cerradas para o Reino Unido pela sua atitude «patética» de apoio aos Estados Unidos.

O corajoso escritor, indefectível activista anti-militarista, chega mesmo a declarar textualmente: «A invasão do Iraque foi um acto de bandidos, um acto de terrorismo de Estado, demonstrando a mais completa indiferença para com a lei internacional».
E acrescenta: « A invasão foi uma acção militar arbitrária, baseada nma série de mentiras e de grosseiras manipulações dos media e da opinião pública…um claro exemplo da responsabilidade da força militar pela morte e mutilação de milhares e milhares de pessoas inocentes»

Harold Pinter, de 75 anos, não poderá estar presente na cerimónia de entrega do Prémio Nobel de Literatura pela Academia Sueca em Estocolmo por causa do seu frágil estado de saúde, pelo que será substituído pelo seu editor. No entanto, o autor de «The Caretaker» e «The BorthdayParty» gravou o discurso num vídeo que será retransmitido naquela cerimónia.
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"How many people do you have to kill before you qualify to be described as a mass murderer and a war criminal? One hundred thousand? More than enough, I would have thought,"
(«Quantas pessoas terão de ser mortas antes daqueles políticos serem qualificados de assassinos de massa e de criminosos de guerra? Cem mil pessoas?»)
interroga-se o escritor a dado passo no discurso gravado.
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"Therefore it is just that Bush and Blair be arraigned before the international criminal court of justice. But Bush has been clever. He has not ratified the international criminal court of justice ...
But Tony Blair has ratified the court and is therefore available for prosecution. We can let the court have his address if they're interested: it is Number 10, Downing Street, London."
(«A justiça exige que Bush e Blair sejam presentes ao Tribunal Penal Internacional. Bush foi, no entanto, mais esperto ao não ter ratificado o tratado que institui aquele tribunal internacional. Mas o governo Blair ratificou, pelo que pode objecto de acusação. Podemos enviar ao Tribunal, desde já, o seu endereço se assim estiver interessado: é o nº 10 de Downing Street, London »)

Não à biometria ( por Giorgio Agamben)


(em apoio aos estudantes inculpados por terem destruído, no passado mês de Novembro, os dispositivos de biometria instalados no seu liceu, o filósofo Giorgio Agamben publicou no jornal Le Monde de 6 de Dezembro o texto que se segue, devidamente traduzido para português)

Quando no fim do século XIX, Galion começou as suas pesquisas sobre as impressões digitais na Inglaterra, e Bertllon, na França, inventou a fotografia judiciária para a identificação antropométrica ( termo da época), tais procedimentos estavam reservados exclusivamente para os criminosos reincidentes.
Hoje em dia perfila-se uma sociedade em que se propões aplicar a todos os indivíduos dispositivos que estavam, até ao momento, destinados aos delinquentes. Segundo um projecto que está em vias de ser aprovado a relação normal do Estado para com aqueles que Rousseau chamava os «membros do soberano» será a biometria, ou seja, a suspeita generalizada.
À medida que os indivíduos, sob a pressão da crescente despolitização das sociedades pós-industriais, se abstém de toda a participação política, cada vez mais são tratados como virtuais criminosos. O corpo político torna-se assim um corpo criminal.
Os perigos de uma tal situação são evidentes para todos salvo para aqueles que se recusam de ver. Já não bastou que as fotografias retiradas dos bilhetes de identidade e das cartas profissionais tivessem permitido às polícias nazis, dos países ocupados, identificar e registar os judeus e enviá-los para a deportação. O que é que se vai passar no dia em que um poder despótico disponha do registo biométrico de toda uma população?
Ora isto é tanto mais inquietante quanto os países europeus, depois de terem imposto o controle biométrico aos imigrantes, aprestam-se agora a impô-lo a todos os seus cidadãos. As razões securitárias invocadas a favor destas práticas odientas não se mostram convincentes pois que, se podem contribuir para impedir a reincidência, elas mostram-se inúteis para prevenir o primeiro delito ou um acto de terrorismo. Em contrapartida, ela são perfeitamente eficazes para o controle massivo dos indivíduos. No dia em que o controle biométrico seja generalizado e em que a videovigilância seja instalada em todas as ruas, toda a crítica e toda a dissidência serão impossíveis.
Os jovens estudantes que destruíram no passado dia 17 de Novembro os dispositivos biométricos na cantina do liceu de Gif-sur-Yvette mostraram, antes do mais, que se preocuparam bem mais com as liberdades públicas e a democracia do que aqueles que aceitaram e consentiram na instalação daqueles dispositivos.
Exprimo toda a minha solidariedade aos estudantes franceses e declaro publicamente que recusarei sujeitar-me a todo o controle biométrico e que, por isso, estou pronto a renunciar ao meu passaporte bem como de todo o documento de identificação

Revista Utopia; já saiu o nº 20 com um dossier sobre Artes & Anarquia


Já se encontra em distribuição o último número (nº 20) da revista Utopia, « revista anarquista de cultura e intervenção», editada pela Associação Cultural A Vida.
Além de um óptimo aspecto gráfico é de salientar o dossier «Artes & Anarquia», que ocupa grande parte do seu conteúdo, e que inclui textos sobre Teatro Anarquista, Os anarquistas no imaginário cinematográfico, e ainda sobre a arte e a sensibilidade anarquista. De destacar ainda um texto de Maria Luísa Malato Borralho intitulado «Não há Utopias Portuguesas?».
Refira-se que na contracapa da revista aparece uma citação do poeta António Maria Lisboa: » A Anarquia e a Poesia são uma obra de séculos e irrompe espontaneamente ou não irrompe» ( António Maria Lisboa, Abril de 1950)
Os pontos de distribuição da revista são os habituais, entre os quais se conta a Livraria Utopia, na Rua da Regeneração, 22, na cidade do Porto

Mais info:
www.utopia.pt

Transformar o mundo e Mudar a vida


«Transformar o mundo», disse Marx;
«mudar a vida», disse Rimbaud:
estas duas palavras de ordem são, para nós, uma só.

André Breton, in Discurso ao Congresso dos escritores, 1935

6.12.05

BELLA CIAO

( canto dos partisanos - resistentes anti-fascistas italianos - na II Guerra Mundial durante a ditadura de Mussolini)

Una mattina mi son svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
Una mattina mi son svegliato
e~ho trovato l’invasor.

Oh partigiano, portami via
O bella ciao, …
Oh partigiano, portami via
che mi sento di morir

E se io moio da partigiano
O bella ciao, …
E se io moio da partigiano
Tu mi devi seppellir

E seppellire lassu~in montagna
O bella ciao, …
E seppellire lassu~in montagna
Sotto l’ombra di~un bel fior.

E tutti quelli che passerano
O bella ciao, …
E tutti quelli che passerano
Te diranno: che bel fior.

E quest’è~il fiore del partigiano
O bella ciao, …
E questo’il fiore del partigiano
Morto per la libertà


Tradução:

Numa manhã me levantei
E o invasor encontrei

Ó partisano leva-me
Que me sinto a morrer

E se eu morrer, partisano
Deves enterrar-me
Enterrar-me lá no alto, no cimo da montanha
Sob a sombra de uma bela flor

E todos os que por lá passarem
Te dirão: que bela flor

É a flor do
partisano
Que morreu pela liberdade

330 desempregados todos os dias em Portugal


Ao contrário da tendência europeia, o desemprego em Portugal continua a crescer, pelo menos até 2007. Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam uma subida de meio ponto percentual face ao segundo trimestre, situando-se nos 7,7 por cento. O que significa que o desemprego evoluiu, de Julho a Setembro, ao ritmo médio de 330 novos desempregados por dia.

"Prevê-se que a UE crie seis milhões de novos postos de trabalho entre 2005 e 2007." A perspectiva, radiosa, consta das previsões de Outono da Comissão Europeia e estriba-se na expectativa de um bom comportamento económico do espaço comunitário, que espera crescer 1,5 por cento este ano, 2,1 por cento em 2006 e 2,4 por cento em 2007.
Postas as coisas neste pé, Portugal parece fazer parte de outro universo. O desemprego está a crescer "sustentadamente" desde 2002 e, pelo menos até 2007, deverá subir ainda mais, ao arrepio da tendência europeia. A taxa do terceiro trimestre deste ano (2005) divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) deu um salto de meio ponto percentual face ao segundo trimestre, situando-se nos 7,7 por cento, a que corresponderão cerca de 430 mil desempregados, o que significa que o desemprego evoluiu, de Julho a Setembro, ao ritmo médio de 330 novos desempregados por dia (o chamado "desemprego registado", que contempla as inscrições nos centros de emprego do continente e regiões autónomas, ascendia em 31 de Outubro a 484.730 indivíduos.
Também nas previsões de crescimento, a economia portuguesa contraria a UE, devendo continuar até 2007 a crescer abaixo da média europeia, perfazendo um total de seis anos de empobrecimento face aos parceiros da União. Enfim, Portugal deixou, decididamente, de ser o "bom aluno" dos anos noventa, com a economia a crescer acima da média europeia e com baixas taxas de desemprego, para se constituir, no novo século, como o "patinho feio" e um dos fardos com que a União tem de carregar.

Correspondência entre Tolstoi e Gandhi


«Um exame(…) teve lugar, na primavera passada, numa das instituições femininas de Moscovo.O professor (…) e depois o padre presente interrogaram as raparigas sobre os Mandamentos, nomeadamente o sexto. Depois de qualquer resposta correcta a propósito deste último ( «Não matarás»), o padre fazia às vezes uma outra pergunta: o assassinato é sempre, em todas e quaisquer circunstâncias, proibido pela lei de Deus? E as pobres raparigas instruídas na mentira pelos mestres, deviam responder e respondiam assim: « Nem sempre. O assassinato é permitido na guerra e também para castigar os criminosos.» No entanto, uma delas, (…) respondeu peremptoriamente, muito comovida e corando: «O assassinato é sempre proibido, tanto pelo antigo Testamento como por Cristo; e não é só o assassinato, mas todo o mal cometido contra o próximo.» Foi então que o padre teve de se calar, porque a rapariga saíra vencedora.
( Tolstoi para Gandhi a 7 de Setembro de 1910)

«Permita-me que lhe chame a atenção para os acontecimentos que têm ocorrido no Transval, na África do Sul, de há três anos para cá.
Há nesse país uma colónia de indianos ingleses que forma uma população de cerca de treze mil habitantes. As leis privam de certos direitos esses hindus que trabalham há vários anos no Transval: preconceitos tenazes contra os homens de cor e mesmo contra os asiáticos, devidos, em relação a estes últimos, ao jogo da concorrência comercial.
Surgiram conflitos que atingiram o ponto culminante quando há três anos foi votada uma lei que atingia especialmente os trabalhadores vindos da Ásia (…) A submissão a tal lei, não podia estar de acordo, segundo penso, com o espírito da verdadeira religião. Alguns dos meus amigos e eu próprio acreditamos ainda completamente na doutrina da não-resistência ao mal.(…)Os indianos britânicos, a quem explicámos cabalmente a situação seguiram o nosso conselho de não se submeterem à legislação. (…) Cerca de duas mil e quinhentas pessoas deixaram-se prender, algumas já cinco vezes, em nome da sua consciência.»
(Gandhi para Tolstoi, a 1 de Outubro de 1909)

4.12.05

9º Festival de Cinema Luso-Brasileiro( 4 -11 Dez.)


Começa hoje a 9ª edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro e que se prolongará até ao dia 11 no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, a escassos 30 Km a sul da cidade do Porto.
Trata-se de um festival promovido pelo cineclube local e que pretende dar visibilidade a um cinema distinto da produção comercial e do cinema de entretenmento.
Poderão ser vistos filmes dos cineastas brasileiros Kiko Goifman, Kleber Mendonça Filho e Christian Caselli, Roberto Gervitz ( «Jogo Subetrrâneo»), Sérgio Bianchi («Quanto vale ou é por quilo?»), Marcelo Gomes ( « Cinema, aspirinas e urubus»), Marco Martins («Alice») e Margararida Gil («Adriana»).
Alvo de homenagem serão os cineastas José Álvaro Morais ( em relação ao qual se prevê o relançamento do livro « Reinos desancantados:um olhar sobre a obra de José Álvaro Morais» da autoria de Saguenail) e o realizador brasileiro Carlos Reichenbach, conhecido pela sua irreverência dentro da cultura underground.


Mais info:

1.12.05

Um fim de semana (2,3,4 de Dez.) de debates, expo e música no Porto

2,3,4 Dez. - um fim de semana de debates, expo e música no Porto
organizado pela Assoc. «Abril em Maio»
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Em novembro é de Abril e Maio que me lembro
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Fim de semana de debates, intervenções, grupos de discussão, filmes, exposições, música e bancas na Faculdade das Belas-Artes ( à Av. Rodrigues de Freitas, junto ao Jardim de S. Lázaro), no Porto, durante os dias 2, 3 e 4 de Dezembro, numa iniciativa da Associação «Abril em Maio».
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o que é isso de democracia?

arte e Política

como fazer recuar as fronteiras do possível?

se houver pão, o vinho e as rosas que se lixem?

a cultura é uma arma dos ofendidos ou uma indústria da consolação?

a arquitectura que temos está para a rua como os desígnios do céu para as toupeiras

a preguiça não é o objectivo maior de uma sociedade evoluída?

a escola não tem sido o instrumento de perpetuação das desigualdades sociais?

a propriedade não é um roubo?

se se está mais perto de um hospital não se tem mais hipóteses de se ficar doente?

não é quando se ouve falar de violência que se saca de um projecto cultural de bairro?

se se tolera o belicismo expansionista não é por lhe confiarmos a tarefa de defender o nosso belo modo de vida?

PROGRAMA

6ª feira (2 de Dez.)
17h. Abertura das exposições e bancas

18 h. Projecção de I PAISAN, de Giuseppe Morandi, com a presença do autor, de Peter Kammerer e Eduarda Dionísio

21h. Lançamento do jornal PREC, Põe, Rapa, Empurra, Cai

21.30h. Ana Deus canta dois temas de Kitchner

22 h. Arte e Política: com intervenções de Ângelo de Sousa, João Fernandes, Manuel António Pina, Rui Madeira

24h. Concertos e cantorias no Senhorio

Sábado ( 3 de Dez.)
14h. Arte e Política: grupos de discussão com Regina Guimarães, Pedro Rodrigues, e Saguenail.

16.30 h. António Preto mostra e comenta a exposição de poesia visual

17.30 COMO FAZER RECUAR AS FRONTEIRAS DO POSSÍVEL? Intervenções de António Maria Sousa, Giuseppe Morandi, Peter Kammerer, Saguenail

21.30h. Projecção do «O ÇUL VERÃO», antologia de imagens de 74/75 montadas por Amarante Abramovici, Tiago Afonso e Vítor Ribeiro
22h. QUE FRONTEIRAS DO POSSÌVEL? Grupos de discussão com António Preto, Rui Canário, Susana Mendes

24h. Concertos e cantorias no Senhorio

Domingo ( 4 de Dez.)
14h. O QUE É ISSO DE DEMOCRACIA? Intervenções de Gianfranco Azzali, Jean-Pierre Garnier, Madureiro Pinto

17h. O QUE É ISSO DE DEMOCRACIA? Grupos de discussão com Inês e Teresa Mendes, João Veloso, Renato Roque.

Mais info:
http://abrilemmaio.no.sapo.pt/

http://abrilemmaio.no.sapo.pt/Programa%20Porto%2005.htm

O Rali Lisboa-Dakar é um atentado ao nosso planeta e à consciência humana

Rali Lisboa-Dakar? Não, obrigado.



Hordas de carros, camiões e motas (240 motos, 188 automóveis, 80 camiões e 240 veículos de assistência) vão invadir, mais uma vez, ecossistemas frágeis ao longo de todo um percurso que vai partir, este ano, de Lisboa até chegar a Dakar, capital do Senegal, em plena África subsariana. Trata-se de um rali automóvel que espelha bem o modelo de sociedade consumista em que vivemos e que é responsável pela dissipação e esbanjamento de recursos.

Esta ocasião serve geralmente para que uma multidão de veículos todo-o-terreno, altamente poluidores, sejam lançados agressivamente a toda a velocidade por terras desconhecidas, e sejam objecto de uma estranha veneração mediática, quase que mitificados, numa operação propagandística com forte impacte e indutora, junto da população em geral, de comportamentos despesistas e contrários ao desenvolvimento sustentável.
Mas um tal Rali é duplamente chocante quando pensamos nas múltiplas carências que atingem o continente africano, que será atravessado por aquelas hostes motorizadas, numa deplorável atitude de arrogância e indiferença para com o sofrimento alheio. Uma caravana de engenhos motorizados rutilantes, atravessando os países mais desfavorecidos de África, é bem a triste imagem da «civilização» depredadora e injusta em que os países do Norte se revêem.

Não é, por isso, de todo extemporâneo, interrogarmo-nos sobre a razão de ser do ralli:

Será aceitável um evento deste género quando milhares de africanos se lançam desesperadamente, muitas vezes, numa viagem sem regresso, nos difíceis caminhos da emigração clandestina para os países europeus?

Será aceitável o desperdício de centenas de milhar de litros de combustível numa empresa que só serve para glorificar a rapacidade dos construtores de automóveis?

Será aceitável fomentar os padrões e atitudes próprios de uma mentalidade que se alimenta de valores como a velocidade, a agressividade e o risco na estrada, o poder e o domínio da máquina?

Será, enfim, aceitável tudo isto quando a África se afunda em fome, doença, má-nutrição e guerras?

Pelo facto de terem começado a encontrar uma viva contestação, os organizadores do Rali Paris-Dakar decidiram no ano passado transferir o ponto de partida para Barcelona. Mas também aqui vieram a deparar com críticas muito fortes que levou o governo da Catalunha a desinteressar-se pelo evento. Os promotores não tiveram outro remédio que ir bater a outra porta,. Encontraram então o apoio incondicional das figuras inefáveis que dão pelo nome de Santana Lopes ( então, primeiro-ministro) e Carmona Rodrigues ( enquanto presidente da autarquia) para que a cidade de Lisboa passasse a ser o ponto de saída.
É preciso não esquecer que, desde o seu aparecimento em 1979, este Rali já provocou mais de 30 mortos e que muitos poucos governos dos países europeus autorizariam a sua realização no seu território pelos efeitos catastróficos que provocaria no ambiente e em muitos outros domínios, sem esquecer os elevados riscos humanos que comportaria.

Como é possível assistirmos a este espectáculo indigno sem nos revoltarmos?

É altura de denunciar e pedir a supressão deste infeliz espectáculo, montado, todos os anos, pelos construtores de automóveis sem consciência ambiental e, ainda menos, cívica e planetária.


Já em 1988 René Dumont, o conhecido agrónomo e ecologista francês, dizia:
« Este Rallye é indecente. Comparo-o a um bando de estroinas que organizam uma bagunça, não na casa deles, mas que se permitem fazê-lo na casa de pobres, sem sequer partilhar com eles a patuscada(…) Ora a verdadeira aventura está, sim, na luta contra a fome” ( René Dumont)

O Rali Lisboa-Dakar é obsceno, indecente, e uma pouca-vergonha…

…porque percorre terras africanas atingidas pela fome, a seca, a sida, o sobre-endividamento, a corrupção, e as ditaduras

…porque em 15 dias o rallye gasta o equivalente ao orçamento para a saúde num país como o Mali, onde as carências e as necessidades são mais que muitas

…porque as multinacionais, não contentes de explorar o subsolo, os recursos naturais, e a mão-de-obra barata dos países pobres, querem para cúmulo explorar as suas paisagens e as suas belíssimas imagens, num desprezo completo pelo sofrimento dos africanos

…porque promove o todo-poderoso automóvel num momento onde se fazem sentir as consequências negativas das mudanças climáticas

…porque se realiza numa altura em que os preços do petróleo não param de crescer, dando indícios de uma cada vez maior carência energética

…porque passa por países onde os habitantes mal conseguem obter víveres para a sua alimentação diária

…porque arranca num país como Portugal onde o desemprego, a precariedade, a pobreza e os maus resultados financeiros constituem um vivo contraste a face ao luxo e desperdício de toda uma caravana motorizada , onde predominam os veículos 4x4

…porque não deixa de se assemelhar-se a uma empresa neo-colonial.

…porque os outros países europeus não quiseram carregar em si a imagem negativa que a sua promoção e realização tem gerado

…porque a vida humana dos portugueses, as paisagens alentejanas e algarvias e a nossas terras não devem servir para um turismo motorizado, inimigo da natureza e da vida humana

Calar a nossa indignação é ser cúmplice deste abuso da indústria automóvel.

Encontro para ofertas gratuitas e doações públicas


Desde há 3 anos para cá, centenas de participantes reúnem-se na Pont-Marie, na cidade de Paris, à volta de um ideia muito simples: oferecer gratuitamente ( sem esperar nada em troca), aos desconhecidos que por ali passem, objectos domésticos, que os doadores desejam doar.
Os interessados encontram-se muito simplesmente, sem medo do «outro» nem a pensar em dinheiro e no valor monetário dos objectos.
É claro que os transeuntes ficam surpreendidos ao receber presentes imprevistos, oferecidos por desconhecidos. Outros sentem-se intimidados ao abordar desconhecidos que ali passam, tal é a estranheza que sentem pelo acto de «doar coisas» a estranhos.
Todavia, cada vez mais pessoas têm aparecido às convocatórias para partilhar esta ideia muito simples.
Outras cidades, além de Paris, têm também organizado reuniões em pleno espaço público com o mesmo objectivo: Brest, Toulouse, Marselha, Perpignan, Montpelier, Palermo, na Suíça, …
Este ano a reunião das doações e ofertas públicas («Grand Don») em Paris comemora-se pela terceira vez e foram convidados todos os interessados para o acto de oferta pública e festiva que se realizará no próximo dia 17 de Dezembro à 15 horas na Pont-Marie

Mais informação:
http://granddon.free.fr


Nota Importante:
Esta iniciativa insere-se na linha dos usos e costume e de um modo de vida, estudado por antropólogos e etnólogos, existente em muitas sociedades comunitárias, baseado nas doações e ofertas entre os seus elementos. Infelizmente, tais hábitos foram substituídos pela mercantilização crescente das relações sociais por via da introdução do dinheiro como intermediário económico.
Existem já vários estudos e investigações que tratam daquela realidade, que perdeu a importância com a penetração das estruturas capitalistas nas relações sociais das nossas sociedades, e que se perverteu com a «caridadezinha» e os «presentes» comerciais
O autor que mais dedicou atenção a esta faceta da vida das comunidades foi o sociólogo e etnólogo Marcel Mauss.

Fui para os bosques viver ( Thoreau)


Fui para os bosques porque desejava deliberadamente viver, enfrentar apenas os factos essenciais da vida, e ver se poderia aprender o que ela tinha para ensinar, em vez de, quando estivesse para morrer, descobrir que não tinha vivido.Não desejava viver o que não era vida, viver é algo de precioso; não desejava igualmente praticar a renúncia, a não ser que fosse absolutamente necessário. Queria viver e, profundidade e sugar toda a medula da vida, viver com tanto vigor e de modo tão espartano que conseguisse desbaratar tudo o que não fosse a vida, cortar uma larga trilha de trigo e ceifá-lo raso, empurrar a vida contra uma esquina; reduzi-la aos seus termos mais humildes, e, se eles provassem ser escassos, apreender a inteira e genuína mesquinhez dela, e apregoar a sua mesquinhez ao mundo; ou se ela fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de apresentar um relato verdadeiro dela na minha próxima excursão. É que a maioria dos homens, parece-me, encontram-se numa estranha incerteza acerca dela, se ela pertence ao diabo ou a Deus, e concluíram um pouco apressadamente que a principal finalidade do homem neste mundo é «glorificar Deus e gozá-lo para sempre»

Henry David Thoreau
In Walden


O que me tenho vindo a preparar para dizer é que na natureza selvagem reside a preservação do mundo…A vida consiste em vida selvagem. O mais vivo é o mais selvagem. Não estando ainda subjugado pelo homem, a sua presença retempera-o…Quando quero re-criar-me a mim próprio, procuro o mais sombrio bosque, o pântano mais espesso e, para o citadino, o mais triste. Entro aí como num lugar sagrado, num Sanctum sanctorum. Aí está a força, o tutano, da Natureza.
Em resumo, todas as boas coisas são selvagens e livres.

H.D. Thoreau,
in «Thoreau’s visions: the major essays»

Dois mitos que mantêm a Pobreza

Por Vandana Shiva

Do cantor de rock Bob Geldof ao político inglês Gordon Brown, o mundo parece de repente estar cheio de pessoas de alta nível com intenções de erradicar a pobreza. Jeffrey Sachs não é um mero "benfeitor", mas um dos economistas líderes do mundo e chefe do Earth Institute e responsável na União Europeia pelo comité que promove o desenvolvimento rápido de países. Quando Sachs lançou o livro "O Fim da Pobreza",todo a imprensa lançou a notícia, sendo inclusive matéria de capa da Revista Times. Acontece, simplesmente, que existe um problema com o manual do fim da pobreza de Sachs. Ele não entende de onde vem a pobreza, e encara-a como um pecado original. "Há algumas gerações atrás, quase todo o mundo era pobre" diz ele e acrescenta: "A Revolução Industrial promoveu novos ricos, mas muitos no mundo foram deixados para trás." Essa é uma história totalmente falsa da pobreza. Os pobres não são aqueles "deixados para trás", são aqueles que foram roubados. A riqueza acumulada pela Europa e América do Norte é amplamente baseada nas riquezas retiradas da Ásia, África e América Latina. Sem a destruição da rica indústria têxtil indiana, sem a posse do mercado de especiarias, sem o genocídio das tribos americanas, sem a escravidão da África, a Revolução Industrial não resultaria em novos ricos para a Europa ou América do Norte. Foi essa possessão violenta sobre os recursos e mercados do Terceiro Mundo que geraram a riqueza do Norte e pobreza do Sul.

Dois dos grandes mitos económicos do nosso tempo permitem que as pessoas neguem esse elo intimidador e espalhem concepções erróneas sobre o que é a pobreza.
Primeiro, a responsabilidade sobre a destruição da Natureza e a habilidade das pessoas em cuidar de si mesmas são colocadas não no crescimento industrial e na economia colonialista, mas nessas mesmas pessoas. A pobreza foi instituída como uma das causas da destruição do meio ambiente. A doença então é oferecida como cura: o crescimento económico futuro resolveria os problemas da pobreza e do declínio ambiental. Essa é a mensagem-chave da análise de Sachs.
O segundo mito é que existe um consenso que se você consome o que você produz, você não produz de verdade, pelo menos economicamente falando. Se eu produzo o meu próprio alimento, e não o comercializo, quer dizer que não contribuo para o PIB e portanto não contribuo para o "crescimento". As pessoas são consideradas pobres por comerem o seu próprio alimento e não aquele que é comercialmente distribuído como "junk food" e que é vendido por empresas de agronegócio mundiais. São vistas como pobres se viverem em casas feitas por elas mesmas com materiais ecologicamente bem ambientados como o bambu e o barro ao invés de casas de tijolo e cimento. São vistas como pobres se usarem acessórios manufacturados feitos de fibras artesanais no lugar das sintéticas. A vida de subsistência, em relação à qual o rico do ocidente interpreta como pobre, não significa necessariamente menos qualidade de vida. Ao contrário, a sua economia natural baseada em subsistência garante uma alta qualidade de vida – se mensurarmos o acesso à comida e água de boa qualidade, à oportunidade de vida de subsistência, uma robusta identidade cultural e social e um sentido à vida das pessoas. Por esses pobres não dividirem nenhum dos benefícios percebidos pelo crescimento económico, são considerados como aqueles "deixados para trás".

Essa falsa distinção entre os factores que criam possibilidades e aqueles que criam pobreza está no centro da análise de Sachs. Por isso, as suas prescrições irão agravar e aumentar a pobreza ao invés de acabar com ela. Conceitos modernos de desenvolvimento económico, que Sachs enxerga como a "cura" para a pobreza, já foram utilizados apenas em pequenas partes da história da humanidade.
Durante séculos os princípios de subsistência permitiram às sociedades de todo o planeta sobreviver e até mesmo prosperar. Nessas sociedades os limites da natureza foram respeitados guiando os limites do consumo humano. Quando o relacionamento da sociedade com a natureza é baseado na subsistência, a natureza existe como forma de riqueza comum. Ela é redefinida como "recurso" apenas quando o lucro torna-se o princípio organizador da sociedade estabelecendo um imperativo de desenvolvimento e destruição de tais recursos pelo mercado. Contudo, muitos de nós escolhem esquecer e negar isso.
Todas as pessoas em todas as sociedades dependem da Natureza. Sem água limpa, solo fértil e diversidade genética, não é possível a sobrevivência da humanidade. Hoje o desenvolvimento económico está a destruir estes bens comuns, resultando na criação de uma nova contradição: o desenvolvimento priva aqueles que mais dizemos ajudar de suas tradições com a terra e do valor da subsistência, forçando-os a sobreviver num mundo de crescente erosão.
Um sistema baseado no crescimento económico, sabemos hoje, cria triliões de dólares de super lucro para corporações enquanto condena biliões de pessoas à pobreza. E a pobreza não é, como sugere Sachs, o estado inicial do progresso humano do qual todos saímos. A pobreza é o estagio final da queda de uma pessoa quando um lado desenvolvido destrói o sistema ecológico e social que manteve a vida, a saúde e a subsistência de pessoas e do próprio planeta ao longo de eras. A realidade é que as pessoas não morrem por falta de aquisições monetárias, elas morrem pela falta de acesso às riquezas de bem comum. Aqui também, Sachs erra ao dizer: "Num mundo de abundância, 1 bilião de pessoas estão tão pobres que as suas vidas correm perigo."
Os povos indígenas na Amazónia, as comunidades na montanhas dos Himalaias, camponeses de toda a parte cujas terras não foram apropriadas, cuja água e biodiversidade não foram destruídas pela agroindústria geradora de débito, são ecologicamente ricos, mesmo ganhando menos que $1,00 dólar por dia. Por outro lado, as pessoas são pobres se tiverem que comprar as suas necessidades básicas a altos preços não importando quanto ganhem. Veja-se o caso da Índia: por causa do dumping sobre os alimentos e fibras mais baratos feito pelas nações desenvolvidas e pela diminuição das protecções de mercado decretadas pelo Governo, os preços na agricultura da Índia estão caindo, significando que os camponeses do país estão perdendo $26 biliões de dólares ao ano. Impossibilitados de sobreviver sob essas novas condições económicas, muitos camponeses agora foram golpeados pela pobreza e milhares cometem suicídio todo o ano. Em diversos locais do mundo, o acto de beber água foi privatizado de uma forma que agora as grandes corporações podem lucrar 1 trilião de dólares por ano vendendo um recurso essencial aos pobres que antes eram gratuitos.
Sendo assim os $50 biliões de ajuda humanitária do Norte para o Sul são apenas um décimo dos $500 biliões que são sugados na outra direcção através de parcelas de pagamentos e outros mecanismos injustos da economia global imposta pelo Banco Central e pelo FMI. Se realmente estamos dispostos a acabar com a pobreza , temos que estar dispostos a dar fim ao sistema que cria a pobreza tomando as riquezas de bem comum, a subsistência e os ganhos.
Antes de fazermos a pobreza uma parte da história, precisamos entender correctamente a história da pobreza. Não é o quanto as nações ricas podem dar, nem tão pouco o quanto menos podem levar.

Vandana Shiva

Texto publicado em The Ecologist (July/August 2005)
www.theecologist.org


Vandana Shiva é fisica e uma destacada activista ambiental da Índia. Fundadora da Navdanya, um movimento pela conservação da biodiversidade e pelo direito de camponeses e agricultores. Diretora do Research Foundation for Science, Technology and Natural Resource Policy.

Os números da globalização capitalista


9 milhões de pessoas morrem de fome todos os anos, apesar de existirem recursos suficientes para alimentar mais de 12 mil milhões de indivíduos.

9 milhões são igualmente o número de milionários que vivem nos Estados Unidos, país a que pertence a empresa Microsoft que no passado ano de 2004 obteve lucros no valor de 12 mil milhões de dólares.

Os 200 homens mais ricos do mundo possuem tanto que 2 mil e trezentos milhões de indivíduos

Cada vaca da União Europeia recebe 3 euros de subsídios por dia, enquanto 46% dos africanos vivem com menos de 1 euro por dia.

No ano de 2003 o branqueamento de dinheiro foi da ordem dos 500 mil milhões a 1 bilião de euros.

500 mil milhões de dólares é o montante médio das despesas publicitárias dos países ricos.

100.0000.000.000 é o orçamento militar anual de todos os países do mundo

MANIFESTO DOS 37


Aos 37 anos, José Mário Branco escreveu o "FMI". Aos 37 anos, apetece-me dizer com os situacionistas que "nada queremos de um mundo no qual a garantia de não morrer de fome se troca pelo risco de morrer de tédio"(1).
Apetece-me dizer com André Breton que "a ideia de revolução é a melhor e mais eficaz salvaguarda do individuo"(2).Apetece-me estar com a subversão. Com a crítica radical à ditadura do consumível, da mercadoria, do quantitativo, do défice.Apetece-me estar do lado da liberdade, da liberdade absoluta contra a ilusão da liberdade de compra e venda, da sobrevivência, da "sobrevida" que substitui a vida, do quotidiano insuportável, do tédio.Apetece-me estar com os poetas malditos. Com Rimbaud, com Baudelaire, com Nietzsche, com Sade, com Lautréamont a infernizar tudo quanto é direitinho, conforme às normas, castração.Apetece-me estar contra todas as formas de autoridade, opressão e dominação.
Apetece-me estar do lado da rebelião.Apetece-me dizer que já pouco acredito nos partidos, mesmo nos de esquerda. Que lutar por lugares dentro da democracia burguesa é aceitar como irreversível a democracia burguesa e, portanto, afastar totalmente do horizonte a revolução, mesmo que se continue a falar na construção da sociedade socialista. E não há transições pacíficas para o socialismo. Como escreve António José Forte (3):"Que diálogo pode haver entre o condenado à morte e o carrasco que o conduz ao patíbulo?".Apetece-me dizer que acredito na poesia e no amor como formas subversivas. Que acredito em actos provocatórios, em agitações espontâneas que ridicularizem o instituído, no terrorismo poético. Que a criatividade é o último reduto da rebelião.
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António Pedro Ribeiro,
Frente Nietzscheana Revolucionária.
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(1)- Raoul Vaneigem, "A Arte de Viver para a Geração Nova".
(2)- "La Révolution Surrealiste, nº4".
(3)- António José Forte, "Uma Faca nos Dentes".

O Imperialismo Simbólico


Em todos os países avançados patrões, altos funcionários internacionais, intelectuais de projecção nos media e jornalistas do top estão de acordo em falar uma estranha novilíngua cujo vocabulário, aparentemente sem origem, circula por todas as bocas: "globalização", "flexibilidade", "governabilidade" e "empregabilidade", "underclass" e "exclusão", "nova economia" e "tolerância zero", "comunitarismo", "multiculturalismo" e os seus primos "pós-modernos", "etnicidade", "minoridade", "fragmentação", etc.
A difusão dessa nova vulgata planetária - da qual se encontram notavelmente ausentes "capitalismo", "classe", "exploração", "dominação", "desigualdade" e tantos outros vocábulos decisivamente revogados sob pretexto de obsolência ou de uma presumível falta de pertinência- é produto de um imperialismo apropriadamente simbólico.

Pierre Bordieu

28.11.05

Mercado Negro ( 28 de Nov. a 3 de Dez.) de livros alternativos, na cooperativa Árvore



Realiza-se a 5ª edição do Mercado Negro do livro alternativo na Escola Artística e Profissional Árvore, ao Passeio das Virtudes, na cidade do Porto, entre os dias 28 de Novembro a 3 de Dezembro, entre as 15h. e 20h.

Atenção à zona de roubo, onde será possível «roubar» um livro numa compra superior a 35 euros.

Mais informação:
http://edicoes-mortas.blogspot.com/

Como defender-se das agressões da publicidade


A publicidade é uma actividade extremamente agressiva pelo que importa adoptar-nos algumas precauções a fim de não sermos vítimas fáceis do seu assédio, agressividade e intrusão.
Para tanto bastará alguns gestos simples que podem ser seguidos por qualquer indivíduo.Por exemplo :
- cortar o som da TV quando começar o período dedicado às mensagens publicitárias. Gozar as delícias do silêncio.
- recusar os folhetos publicitários distribuídos na rua e na caixa de correio
- voltar ao contrário todos os papéis e os sacos de plástico que contenham mensagens publictárias
- retirar as marcas das roupas que se adquirir
- nunca utilizar nem se referir a nomes de marcas

Quando não houver possibilidade de nos furtarmos à publicidade, então pôr-se a reflectir e a interrogarmo-nos a si mesmo :
- Terei necessidade disto ?
- Terão as pessoas em geral necessidade disto ?

Finalmente pôr-se a pensar sobre o não-dito, sobre o que está oculto na mensagem publicitária, assim como nas consequências sociais e ambientais da produção daquele produto em concreto