1.5.05

O Operário em construção

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo de religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia ...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção.
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
ele não cresceu em vão.
Pois além do que sabia
Exercer a profissão
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macação de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
"Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
-Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fracturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.


Vinícius de Moraes


30.4.05

Há 30 anos que os norte-americanos foram varridos de Saigão após uma pesada derrota militar



Os helicópteros norte-americanos abarrotados de gente a levantar do telhado da embaixada americana em Saigão, no Vietname a 30 de Abril de 1975 é a imagem mais forte da pesada derrota que os Estados Unidos sofreram no Vietname, e que correu mundo por via do cinema e da Tv, fazendo já parte da antologia visual da história contemporânea.

Eram quase 8 horas da manhã de uma quarta-feira, 30 de Abril de 1975. Um helicóptero gigante elevava-se lentamente por cima da embaixada americana. Com ele iam os últimos soldados norte-americanos e os vietnamitas colaboracionistas que tinham conseguido entrar no aparelho entre os muitos que forçaram o gradeamento do recinto da embaixada americana e entraram de rompante com o intuito evidente de fugir face ao avanço vitorioso da guerrilha comunista (vietcong) e das tropas norte-vietnamitas.

Os Estados Unidos deixavam para trás 58.202 mortos desde o início da guerra que se iniciara em 1961 com a chegada dos «conselheiros» norte-americanos a que se seguiu a invasão maciça das suas tropas. Uma guerra que foi uma autêntica carnificina: calcula-se que cerca de 1,1 milhões de militares norte-vietnamitas, 230 mil militares sul-vietnamitas e 4 milhões de civis tenham sido mortos como consequência da invasão, ocupação e sucessivos bombardeamento que o exérctio norte-americano sujeitou o Vietname durante os anos de 1962-1975.

A derrota do exército norte-americano representou também a derrota do exército mais bem equipado do mundo face à resistência e guerrilha dos vietnamitas, em particular dos comunistas, que possuíam equipamento rudimentar

Pequena cronologia:
1859 – França inicia a colonização da Indochina

1940 – Japão assume o controle da Indochina

1959 – A França é derrotada na batalha de Dien Bien Phu. O Vietname divide-se em Norte e Sul do paralelo 17

1959 – Infiltrações no Vietname do Sul

1962 – Os EUA instalam 12.000 «conselheiros» militares no Sul do Vietname

1963 – É deposto o presidente do Vietname do Sul num golpe apoiado pelos norte-americanos

1964 – Os EUS iniciam os bombardeamento ao Norte

1965 – Marines americanos desembarcam em força no Vietname

1967 – o número de tropas norte-americanas atinge os 500 mil militares.

1968 – Ofensiva do Tet. Guerrilha e tropas do norte atacam as posições americanas

1969 – O presidente norte-americano inicia a retirada de tropas.

1975 – Campanha Ho Chi Ming: as cidades do Sul caem umas atrás de outras até as forças comunistas tomarem Saigão, capital do Vietname do Sul, e expulsarem os norte-americanos em fuga.

29.4.05

A Insuficiência das Ruas



Texto de reflexão para activistas pouco teóricos
Originalmente publicado no “Libera”, boletim do Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres


Libera, boletim informativo do Círculo de estudos libertários Ideal Peres – texto publicado no nº 112, Maio-Junho/2002
www.celip.cjb.net

As tradições revolucionárias sempre contaram ,para a sua fixação na memória social, com imagens de eventos, insurreições e levantamentos de rua. Dispomos desses fragmentos, devidamente acompanhados por propostas políticas, e que ajudam na formação de uma identidade ou “etnia ideológica” onde cabem não apenas os fenómenos com maior visibilidade mas também as propostas mais consequentes.
Após o Maio de 68 e, especialmente, com a ruína e queda do triste espectáculo circense-inquisitorial de má memória da antiga URSS, nos inícios dos anos 90, as esquerdas caíram numa aparente letargia. A tais factos se aplicou, para além de uma transitória farsa nipo-americana anunciando o fim da história, uma roupagem intelectual que se convencionou chamar pós-moderna.
O prefixo “pós” deste rótulo identitário sugeria a superação de uma realidade “moderna” e a sua substituição por uma nova fase de relativismo revestida de presságios de uma liberdade radical e de cidadania global. Esta evolução não tardou em revelar as duas faces bastante familiares ao mundo que acabava de ser exumado por força dos “novos tempos”.
Se, por uma lado, o pós-moderno, na sua acepção virulentamente liberal, lançava as necessidades das pessoas para o arbítrio do mercado e reforçava aquela particular relação global baseada na ética do lucro e das lógicas competitivas do mundo dos negócios; por outro, uma vertente de “esquerda”, ancorada em valores éticos diametralmente opostos aos liberais, buscava, também no relativismo, um modelo explicativo para a “nova” realidade.
Nesta última vertente de pensamento, influenciada também pelo espírito do tempo, podemos encontrar uma variada gama de teorias que, em maior ou menor intensidade, nutriram-se do património político forjado pelos anarquistas nas décadas anteriores ao fenómeno pós-moderno. Uma grande amálgama uniu, pelo menos tacticamente, situacionistas, pós-estruturalistas e libertários profundamente desconfiados das agremiações partidárias. A bandeira do anti-autoritarismo, tão coerentemente empunhada pelos bakuninistas, durante a Primeira Internacional, pareceu fornecer um ponto de consenso mínimo aos insubmissos “náufragos da modernidade”.
Partindo do pressuposto que a pós-modernidade, no seu sentido mais restrito, é má conselheira da revolução, torna-se necessário toda uma profunda discussão em torno dos problemas contemporâneos que afectam o anarquismo. Na verdade, os anarquistas carecem de fóruns onde se proceda a uma exaustiva discussão teórica em que possam amparar as suas atitudes públicas e as suas opções privadas.
As manifestações de rua, em que se destaca Seattle, deram ao anarquismo uma visibilidade incomum nos últimos anos. As vagas de jovens trajando de negro empunhando as emblemáticas bandeiras vermelhas e negras não deixam dúvidas acerca da participação significativa do pensamento libertário nas manifestações antiglobalização.
Acontece que, apesar de algumas tentativas em sentido contrário, os orgãos de comunicação social burgueses têm tido uma grande sucesso quando descrevem toda essa recente história do anarquismo, mais até do que os próprios protagonistas. Estimulados pelas imagens e pelos apelos sensacionalistas desses media, muitos jovens engrossam as passeatas antiglobalização motivados mais pela adrenalina, na busca inconsciente de um “ritual de passagem” (da adolescência - Nota do Tradutor), do que propriamente por uma atitude reflectida. Procedendo dessa forma, bem se pode dizer que, como num fenómeno de retroalimentação, uma boa parte desses activistas que engrossam as manifestações são, na verdade, recrutados pelos media burgueses e não pelo espírito libertário que deveria determinar o movimento.
Uma tal situação, caso não seja encarada com seriedade e muita reflexão, pode vir a transformar um movimento vigoroso em mais uma peça publicitária com fôlego e prazo de validade limitado. O abandono de uma atitude consequente e a sua substituição por um hedonismo pragmático servirá para a emergência de novos comportamentos e novas estéticas mas não para a construção de uma sociedade realmente diferente. O crescimento numérico das manifestações só será acompanhado do seu correspondente qualitativo se houver muito trabalho e organização. Caso contrário, estaremos a reforçar o estereótipo, disseminado principalmente pelo marxismo ( e pela ideologia dominante – Nota do tradutor), segundo o qual o anarquismo é coisa vaga e intuitiva.

28.4.05

70 propostas de actividades para substituir a TV

70 propostas de actividades para substituir a TV

- aprender a tocar um instrumento musical
-ir a concertos
-visitar uma biblioteca pública
-ouvir rádio
-escrever um texto (poesia ou narrativa, pouco importa)
-pintar uma quadro
- aprender a entender as árvores e flores
- plantar alguma coisa
- nadar
-ler um livro
- ler um livro a outra pessoa
-planear um passeio à serra ou à praia
-observar as aves, e aprender a reconhecê-las.
-oferecer alguma coisa
-fazer uma visita
-escrever uma carta
-aprender a fazer pão
-aprender a fazer compotas
-preparar licores caseiros
-gozar de um momento de silêncio
-entrar num grupo coral e cantar em conjunto
-arrumar o armário e levar a roupa desnecessária a quem a precisar
-começar a escrever um diário
- ir a um museu
- jogar as cartas
-visitar uma livraria
-construir um objecto artesanal
-observar o céu à noite
-saber ou tomar contacto com uma cultura ou civilização diferente
-tirar fotografias
-organizar as fotos
-assistir a um peça de teatro
-emtrar para um grupo de teatro
-fazer exercícios físicos
-repara ou deslocar algum móvel
-ler poesia e memorizar os versos que mais gosta
-dançar
-Assistir ao pôr de sol
-ir ai cinema
-reunirmo-nos e conviver com amigos/as
-organizar uma tertúlia
-tratar dos vasos de casa
- recolher plantar medicinais
- aprende os atributos das plantas medicinais
-ouvir música
- participar nalguma colectividade da zona ou bairro
-empenhar-se em acções ecologistas ou dos vários movimentos sociais
-preparar algum dossier temático
-aprender um idioma
-aprender a fazer sabão
- cozinhar
-fazer um inventário dos gastos e despesas supérfluas
-frequentar lojas de comércio justo
-visitar exposições
-construir uma pequena farmácia com remédios caseiros
-praticar sexo
-fazer ou retocar a tua própria roupa
-ler a imprensa
-desfrutar a vida sem fazer nada
-organiza uma dieta equilibrada
-passear
-organiza a tua bilbioteca
- troca livros e músicas com amigos/as
-estudar as matérias que te interessem
-praticar um desporto de equipa
-ver como se pode poupar energia na tua casa
-participar na defesa dos direitos humanos e sociais
-visitar uma cinemateca
-assistir a um colóquio ou debate
……

…e tudo o que te dê na real gana…

Uma semana sem TV (25/4 a 2/5)



A semana sem TV ( 25/4 a 2/5) lançada nos Estados Unidos pela conhecida revista Adbuster pretende fomentar uma reflexão crítica sobre o papel que a Tv desempenha hoje em dia nas nossas sociedades industrializadas, levando á reavaliação da sua exagerada importância no quotidiano e roubando tempo e energia que poderiam ser utilizadas noutras áreas e de forma mais construtiva.
Instrumento político, cultural, comercial, a televisão é um claro meio de controle social.

Estudos do John Watson Institute, no Colorado, afirmam que a Tv deve ser classificada como mais uma droga adictiva. Segundo o mesmo estudo o consumo de Tv preenche os requisitos que definem uma adicção:

- Utilização como sedativo
-visão indiscriminada
-sensação de perda de controle durante a visão
-sentir-se mal consigo mesmo por ter excedido no seu consumo
-incapacidade de deixar de olhar
-sentir-se débil quando não se está a olhar a Tv

A publicidade é a verdadeira justificação para a Tv. É ela que a financia e justifica todo o tipo de programas em busca de maior audiência. Aliás, a Tv já consegue fazer notícias como se fossem anúncios…

O consumo de televisão, com programação de baixíssima qualidade, reduz a actividade de pensamento e da imaginação. Incita, além do mais, a um tipo de consumo social ambientalmente insustentável ao recorrer sistemática e insidiosamente à manipulação dos desejos humanos.


Alguns dados:

- estudos feitos mostram que os pais falam com os seus filhos cerca de 40 minutos semanais, enquanto estes dedicam 1.680 minutos por semana a ver televisão, o que tem por consequência que 54% das crianças preferem a TV ainda que esta não os alimenta nem os defende.

- calcula-se que os jovens norte-americanos passem 900 horas na escola, durante os seus estudos secundários, ao passo que gastam 1.500 horas em frente do aparelho de TV.

- estima-se que o nº de assassinatos que uma criança viu quando termina a 4ª classe é de 8.000. Mas quando perfizer 18 anos já terá assistido a cerca de 200.000 actos de violência homicida.

- tendo em conta o tempo médio de vida de uma pessoa , calcula-se que a Tv ocupe entre 12 e 15 anos do tempo de um indivíduo nos países industrializados

- Segundo um inquérito feito junto dos jovens espanhóis entre 15 a 29 anos, o aparelho de Tv é o terceiro objecto mais importante das suas vidas depois da casa e do carro.

- Portugal e Espanha são os países europeus que mais tempo passam frente à TV, aproximando-se das 4 horas/dia dos norte-americanos.
.
fonte: ecologistas en accion

Agentes secretos belgas passam a estar desarmados por razões de segurança



Ao contrário de James Bond, agente secreto com licença para matar, os agentes secretos do Estado belga estão impedidos de uso e porte de arma segundo uma decisão do governo que acabou de ser anunciada. O motivo para uma atitude tão inesperada como esta reside no facto de no passado 12 de Março, nas instalações dos Serviços de Informações belgas, um dos agentes de informação ter ameaçado atirar contra um dos seus colegas. Segundo explicações dadas a conduta do agente deve-se ao facto deste possuir uma personalidade instável...
Ou seja, não regulava lá muito bem da cabeça.

Fonte:
www.lalibre.be/

O exército é o refúgio dos falhados ou a vida ordinária da torturadora Lynndie


Lynndie Rana England, a soldado-torturadora norte-americana que se vê nalgumas fotografias a torturar e humilhar prisioneiros iraquianos, é natural de uma aldeia perdida da Virginia Ocidental e alistou-se como reservista no exército estadual norte-americano depois de abandonar os estudos na escola secundária da sua localidade.
Nascida em 1982, Lynndie é o modelo da rapariga provinciana que, sem perspectivas, decidem entrar no exército para ter um objectivo: obedecer e humilhar os outros, quando não mesmo matar!!!

Jesus era terrorista para os invasores romanos e para os judeus da época. Por isso o crucificaram!




A figura histórica de Jesus é um bom exemplo de como a história é apropriada pelo poder secular ( político) e religioso ( Igreja) de forma a esvaziá-la de todo e qualquer conteúdo subversivo.

Na verdade, a figura histórica de um homem chamado Jesus que, apesar de ser judeu, traiu os seus ( os Judeus) e apelava à resistência pacífica contra os invasores romanos e denunciava fortemente o conluio e a corrupção das elites judaicas e romanas lançou aquela sociedade em polvorosa.

A sua acção directa em expulsar os vendilhões que negociavam dentro do próprio templo constituiu um acto de terrorismo e de insubordinação face ao poder religioso dos Sumo-sacerdotes que não podia ser ignorado nem podia ser deixado impune pelo aparelho da justiça religiosa.

O crime de blasfémia – um dos crimes mais graves para a época - de que o acusaram constituiu o corolário lógico da reacção do poder político e religioso.

Ao crime de blasfémia correspondia a pena capital e a tortura máxima da crucificação.


Pudesse este exemplo iluminar as mentes cristãs belicistas assim como as mentes dos militares-cruzados da Coligação anglo-americana e de todos os Rambos que pululam hoje por esse mundo fora.

Infelizmente, a esperança é pouca.

A força da droga da TV - e das contínuas lavagens ao cérebro - é ainda muito forte e torna os telespectadores pouco mais que papagaios do poder militar-económico-político.
Deles não será com certeza o Reino dos Céus.



27.4.05

Activistas ecologistas que barraram as portas da Vicaíma foram absolvidos



Os activistas da Greenpeace e da Quercos que barraram os portões de entrada da empresa de importação de madeiras Vicaíma, em protesto contra o abate ilegal de árvores da Amazónia e a sua utilização pela empresa de Vale de Cambra acabam de ser absolvidos pelo Tribunal judicial deste concelho.

Fonte: JN

Movimento anti-TV tem arma secreta



Uma associação contra a existência de aparelhos de TV em lugares públicos acabou de apresentar na Grã-Bretanha uma tele comando que é capaz de desligar tais aparelhos num raio d 17 metros. A associação «White Dot» (ponto branco) pôs à venda o telecomando com o nome de «TV-B-Gone» ( «Tv desaparece»), um invento do californiano Michel Altman.
fonte: JN

Doenças do cérebro nos portugueses


Um em cada 3 portugueses sofre de distúrbios mentais, seja do foro psiquiátrico ou neurológico. No estudo internacional agora divulgado sobre a matéria, Portugal ocupa o 12º lugar na lista de 28 países analisados, tendo 2,9 milhões de pessoas afectadas.

O neo-liberalismo europeu dá o dito pelo não dito e vira proteccionismo têxtil


A União Europeia prepara-se para invocar a cláusula de salvaguarda a fim de proteger a sua indústria têxtil face às importações maciças dos têxteis chineses desde o passado dia 1 de Janeiro, data a partir do qual o comércio internacional com a China foi liberalizado.
Esta é bem uma ilustração dos efeitos desastrosos do liberalismo e da desregulamentação económica do actual capitalismo desorganizado. Para que se saiba...

Funcionária morre em empresa do grupo Jerónimo Martins na Polónia



Uma funcionária de uma grande superfície, pertencente ao grupo económico português Jerónimo Martins, instalada na Polónia faleceu quando entrava no seu turno de trabalho.
Os delegados sindicais acusam a empresa de impôr horários de trabalho extremamente duros e de más condições de trabalho aos seus trabalhadores, e que estarão na origem da morte daquela funcionária.

Mostra da Oralidade em Paredes de Coura a 29 e 30 de Abril


Nos próximos dias 29 e 30 de Abril vai realizar-se uma Mostra da Oralidade Galaico-Portugues em Paredes de Coura que incluirá exposições, documentários, contos e lendas, cantares e todo um conjunto de manifestações da tradição oral popular.

«Eu, a Puta de Rembrandt»

Neste romance tudo é verdadeiro, nada é inventado, nem os processos, nem as receitas, nem os cheiros, nem o armário, nem o espelho... Nem as obras, nem a bondade”, afirma a sua autora, Sylvie Matton, que procurou, acima de tudo, a verdade para a redacção deste romance.
Baseada no destino injusto e atormentado de Hendricke Stoffels, mas também na beleza da sua pessoa, a autora constrói um romance simultaneamente belo e triste.

Rembrandt retratou e amou duas mulheres: Saskia, com quem casou, e Hendricke Stoffels, que viria a ser a mãe de Cornelia, mas que não chegou a desposar.

Esta situação de mancebia, na Holanda puritana da época, lançou a pior das acusações sobre uma jovem culpada, somente, de amar e admirar o homem que a imortalizará através da pintura.

“Eu, a Puta de Rembrandt” é uma obra cativante, escrita numa linguagem viva e expressiva, que transporta o leitor para uma atmosfera pejada de sentimentalismo e dor.

O progresso na perspectiva anarquista

Tudo é um (Abrãao) – nas sociedades da Antiguidade

Tudo é pecado (Jesus) – durante o Império Romano

Tudo é económico (Marx) – no século XIX

Tudo é sexual (Freud) – na passagem do século XIX para o século XX

Tudo é relativo (Einstein) – no século XX





26.4.05

O triste aniversário do acidente nuclear de tchernobyl

No dia 26 de Abril de 1986, aconteceu na central nuclear de Tchernobil o pior acidente nuclear em tempos de paz.
Uma explosão seguida de incêndio num reactor provocou uma perigosa contaminação cujas consequências são sentidas ainda hoje.

Tchernobil é uma cidade no centro da Ucrânia, onde foi construída uma central nuclear em meados dos anos 70, a 110 KM da capital, Kiev. O primeiro reactor foi activado em 1977, pela União Soviética. Nos anos seguintes, foram activados mais três.

Em 1985, um grave acidente nuclear num dos reactores diminuiu a potência da central em 25%.
A 26 abril de 1986, duas fortes explosões destruíram o reactor central, originando uma brecha no núcleo de mil toneladas. Seguiram-se outras explosões, provocadas pela libertação de vapor, espalhando uma gigantesca nuvem de radiação que contaminou 75% da Europa, da Irlanda do Norte à Grécia.

Nas imediações de Tchernobil, 31 bombeiros ou trabalhadores morreram naquele dia e 135 mil pessoas foram evacuadas.
A União Soviética tentou ocultar as proporções do acidente. Antes mesmo de Moscovo admitir a catástrofe oficialmente, a Suécia e a Finlândia já alertavam para o aumento da radiação.

Catástrofe aumentou cepticismo e contestação antinuclear

No sul da Alemanha, por exemplo, naquele dia, as medições no solo apontaram até 45 mil bequeréis de contaminação por césio 137 (o valor normal é 300 bequeréis). Apesar dos indícios evidentes de perigo, as fontes oficiais, como a Agência Internacional de Energia Atómica e o Fórum Nuclear Alemão, tentaram minimizar as consequências. Em todo o mundo, cresceu a polémica e a contestação em torno do uso e dos perigos da energia nuclear.

Após o acidente, milhares de soldados construíram uma protecção de aço e cimento, denominada sarcófago, para proteger o reactor destruído.
Em 1991, um incêndio de grandes proporções levou ao encerramento das actividades de outro dos reactores. A Agência Internacional de Energia Atómica inspeccionou a central em Março de 1994 e encontrou várias deficiências de segurança nos dois reactores ainda em funcionamento.
O sarcófago que sela o que resta do reactor explodido estava ruindo.

Em 1995, foi elaborado um protocolo de acordo entre a Ucrânia e as sete nações mais industrializadas para o encerramento das actividades da central nuclear de Tchernobil, em troca de assistência económica.

Ucrânia aposta na energia nuclear

Com o seu fecho, a Ucrânia teria um déficit de 5% na produção de electricidade. O governo de Kiev só cedeu à pressão das nações ricas em troca de uma ajuda de US$ 2,3 milhões do Grupo dos Sete para a construção de dois novos reactores, o financiamento de programas sociais e o reforço da segurança das outras quatro centrais nucleares ucranianas.

As estimativas no final do século passado indicavam que cerca de três milhões de pessoas, entre as quais um milhão de crianças, ainda sofrem de doenças congénitas provocadas pelas radiações.

O processo de desmantelamento da central nuclear pode levar pelo menos 40 anos, pois é necessário esperar que a radioactividade diminua naturalmente. Tentativas para tornar a terra em volta de Tchernobil novamente segura para a agricultura incluem a raspagem de até quatro centímetros da superfície do solo. Em Dezembro de 2000, a central nuclear de Tchernobil encerrou oficialmente suas actividades.

O que preocupa é o mau estado de conservação do sarcófago, a estrutura que cobre as ruínas do reactor avariado em 1986. Ele está com rachaduras, ameaça ruir e há o risco de vazamento de cerca de 160 toneladas de combustível activo do núcleo do reactor.

Fonte: Deutschewelle

Radioactividade de Tchernobyl ainda contamina alimentos alemães

Passados 16 anos do acidente nuclear de Tchernobil, um nível elevado de radioactividade ainda é constatado em diversos alimentos silvestres e carnes de caça na Alemanha.
O Departamento Federal de Protecção contra Radioactividade (BfS) analisou diversos tipos de fungos comestíveis, de amoras silvestres e de carnes de caça, deparando com uma elevada contaminação restante, em especial de césio-137.
A região mais contaminada é a do sul da Alemanha, sobretudo a Floresta Bávara. O BfS chamou a atenção para a proibição em vigor de comercialização de alimentos que apresentem uma contaminação de césio-137 superior a 600 bequeréis por quilo. Os alimentos examinados apresentaram valores até cem vezes superiores a isto.


Fonte: Deutschewelle

Perderam-se 12.000 peças arqueológicas com a guerra do Iraque.

O governo de Saddam Hussein desintegrou-se e as forças de invasão e ocupação lideradas pelos Estados Unidos desencadearam um crime contra a história.

Contrabandistas profissionais ligados à máfia internacional de antiguidades conseguiram violar algumas das portas trancadas das salas de armazenamento do Museu de Bagdad.
Saquearam artefactos de valor incalculável, como a colecção inteira de selos cilíndricos do museu e um grande número de esculturas assírias de marfim.
Mais de 15 mil objectos foram levados. Vários deles foram contrabandeados para fora do Iraque e oferecidos no mercado.


Até agora, 3 mil foram recuperados em Bagdad, alguns devolvidos por cidadãos comuns, outros pela polícia. Além disso, mais de 1,6 mil objectos foram confiscados nos países vizinhos, cerca de 300 na Itália e mais de 600 nos Estados Unidos.
A maioria das peças roubadas não foi encontrada, mas alguns coleccionadores privados no Oriente Médio e na Europa admitiram possuir objectos com as iniciais IM (número de inventário do Museu do Iraque).
Sítios arqueológicos destruídos


Um número crescente de websites também oferece artefactos da Mesopotâmia - com até 7 mil anos - para venda.
Certamente que há objectos falsos apregoados na internet, mas a mera existência deste mercado estimulou o saque de sítios arqueológicos no sul do Iraque.



O quadro é horrendo. Mais de 150 sítios sumérios que datam do milênio 4 a.C. – tais como Umma, Umm al-Akkareb, Larsa e Tello – foram destruídos, transformados em crateras cheias de fragmentos de cerâmica e tijolos quebrados.

Se fosse, escavados de maneira apropriada, estes sítios - que, estima-se, cobrem 20 Km quadrados - poderiam ajudar a entender o desenvolvimento da raça humana.
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"Um selo cilíndrico ou uma tábua cuneiforme rendem menos de US$ 50 no local para o saqueador", explica o arqueólogo responsável pelo distrito de Nasiriya, Abdul Amir Hamadani.


"É um desastre o que todos estamos a assistir, mas que pouco podemos fazer para evitar."

Botas pesadas

As próprias forças de coligação de ocupantes danificaram sítios arqueológicos ao usá-los como bases militares.

A antiga Babilónia sofreu danos irreversíveis, apesar de ser uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Um relatório alarmante do administrador do departamento de Oriente Próximo do Museu Britânico, John Curtis, conta como áreas no meio de um sítio arqueológico sofreram terraplanagem para que se criasse uma área para helicópteros e estacionamento de veículos pesados.


"Eles causaram danos substanciais no Portão Ishtar, um dos monumentos mais famosos da antiguidade", escreveu Curtis.

"Veículos militares dos Estados Unidos esmagaram pavimentos de tijolos de 2,6 mil anos, fragmentos arqueológicos foram espalhados pelo sítio, mais de 12 trincheiras foram cavadas sobre depósitos da antiguidade e projectos militares de deslocamento de terra contaminaram o sítio para futuras gerações de cientistas."

"Soma-se a isso todo o dano causado a nove das figuras moldadas de tijolos de dragões no Portão de Ishtar por pessoas que tentaram remover os tijolos da parede."

Quanto mais tempo o Iraque ficar em estado de guerra, mais o berço da civilização estará ameaçado.

Fonte: BBC news (autora: Joanne Farchakh Bajjaly é uma arqueóloga independente e jornalista que cobre o Oriente Médio. Ela estuda o patrimônio histórico iraquiana há sete anos.)

25.4.05

As lágrimas de alegria do 25 de Abril




Hoje em que faz anos o 25 de Abril é preciso retomar o combate de sempre: ajudar a fazer a história dos mais fracos e dos mais explorados.
Porque o 25 de Abril não foi só o golpe militar que derrubou o regime salazarista do corporativismo fascista e que permitiu a descolonização e o regresso a casa dos militares empenhados nas três guerras coloniais.
O 25 de Abril foi também o momento histórico em que os homens e mulheres do triste e ledo Portugal começaram a abrir a boca, a chamar as coisas pelos nomes e a pedir justiça e dignidade para a sua vida.
O processo revolucionário que se lhe seguiu mostrou bem como é possível as pessoas tomarem o seu destino em mãos e lançarem-se em construir uma sociedade mais participativa e justa.
Qualquer que tenha sido o desfecho desse processo, a data do 25 de Abril ficará sempre associada à queda de um regime desacreditado, à libertação dos presos políticos, e à restauração das liberdades públicas que dão dignidade a um ser humano.
Aos jovens de então o 25 de Abril será muito mais que isso. Representa um marco da sua juventude e dos seus projectos existenciais, e uma brisa fresca da liberdade. Que só muito dificilmente se esquecerão. Sobretudo nos tempos malditos do regresso à ordem e à mentira institucionalizada.
Por isso é imperioso continuar aquele combate.

Muito poucos ainda o sabem, mas já faltou mais para o próximo 25 de Abril…